Eleição é Farsa

 

Texto retirado do jornal NO BATENTE #8

AS MUDANÇAS QUE QUEREMOS NÃO VIRÃO DAS URNAS!
Se a democracia representativa pudesse de fato mudar a vida do povo, ela seria proibida. A experiência de luta dos de baixo (pessoas trabalhadoras, desempregadas, sem terra, sem teto, pobres no geral) demonstra que as vias institucionais são insuficientes para promover as  transformações que necessitamos. Por isso, ao invés de discutir as candidaturas da democracia burguesa, propomos o exercício da Democracia Direta e a construção do Poder Popular. As eleições não visam o protagonismo da classe oprimida, tampouco uma transformação profunda na sociedade, já que não promovem a organização do povo e sua participação efetiva nos processos de decisão. É um sistema que busca permitir e legalizar privilégios, além de conservar o monopólio econômico e político dos ricos. Os candidatos eleitos, mesmo que haja diferenças entre eles, acabam não representando os interesses da população, mas sim da classe dominante. Ou seja, é um sistema que visa manter a ordem estabelecida e suas estruturas de dominação, criando a falsa sensação de que podemos decidir. No entanto, antes mesmo de ir às urnas, o resultado das eleições já foi decidido.

Para impedir que nossa situação piore ainda mais, temos apenas um caminho: a luta. Independente de quem esteja ocupando as cadeiras do governo, a exploração, a desigualdade , o desemprego , a criminalização dos movimentos sociais, a repressão, a destruição do meio ambiente, continuam. As eleições passam e os problemas só aumentam.

Os patrões, banqueiros e latifundiários não estão do nosso lado. Não à conciliação de classes! Não podemos deixar nossas revoltas adormecerem! Acreditamos na necessidade de mudanças profundas na sociedade. Portanto, para enfrentar a direita, as oligarquias e o imperialismo, temos que romper com a ilusão da conciliação de classes, propagandeada pelo PT e partidos coligados. As medidas tomadas durante seus governos não ameaçaram em nada a estrutura capitalista e não levaram o povo à emancipação – como jamais poderiam fazer. Os governos do PT, pelo contrário, dividiram e burocratizaram o movimento sindical aparelhando o seu programa partidário à CUT e sindicatos filiados; realizaram concessões e privatizações como as das usinas e distribuidoras de energia; ordenaram a ocupação da Favela da Maré pelas forças militares; deram carta branca para a perseguição de militantes e movimentos populares através da Lei Antiterrorismo. Ademais, não houve avanço considerável no âmbito da reforma agrária, Terras Indígenas e Quilombolas por conta de acordos firmados com a base parlamentar ruralista. Os massacres ocorridos no campo, contra o povo negro e povos  indígenas continuaram. É verdade que com seus programas de assistência e aumento de acesso ao mercado de consumo foi possível, para muitas pessoas oprimidas, obterem mudanças nas condições de vida. Por outro lado, os serviços públicos foram precarizados. O povo pôde comprar mais, no entanto suas condições de vida em termos de direitos sociais como saúde, transporte público , educação , continuaram muito ruins.

Fazer política além do voto!

O sistema representativo priva as pessoas de decidirem o rumo da sociedade por elas mesmas, pois o poder é posto na mão de um político. Este candidato, uma vez que é eleito, tem que dançar conforme a música escolhida pelos grandes poderes econômicos, políticos e ideológicos do país e mundo. Nós anarquistas entendemos que enquanto existir Estado e capitalismo haverá uma sociedade baseada na dominação de grande parte da população em nome da concentração de poder (político e econômico) nas mãos de poucos. A revolução social que almejamos é uma transformação profunda nas estruturas sociais, derrubando este sistema econômico e político a partir da formação e exercício de outros modos de organização social sem dominação. A neutralidade do Estado é uma farsa! Sua estrutura é destinada a manter o povo sempre oprimido. Nosso poder está na organização popular! Enquanto uns votam com os de cima, nós escolhemos lutar com os de baixo! Nossa participação é nas associações de bairro, nos sindicatos, nas escolas e universidades, nos assentamentos, nos territórios indígenas e terras quilombolas, nas greves, paralisações e piquetes, nas ruas. Não aceitamos passivamente a conciliação de classes e não nos pautamos pela disputa eleitoral, pois sabemos que deve haver coerência entre os fins que queremos atingir e os meios para chegar lá. Na construção de um povo forte lutamos no dia-a-dia por meio da Democracia Direta nas assembleias, buscando através da ação direta do povo organizado – manifestações, ocupações, bloqueios e etc . – as melhorias que necessitamos. Pelo respeito aos povos indígenas e quilombolas e pela preservação e valorização da cultura dos povos tradicionais! Contra as privatizações, terceirizações e a precarização das relações de trabalho! Pela função social do solo urbano e a desapropriação de propriedades, latifúndios e terras improdutivas para atender às necessidades dos sem terra e sem teto!

Nossas necessidades não cabem em suas urnas!

Construir o Poder Popular!

Façamos nós por nossas próprias mãos!

[CURITIBA] COMO VOTAM OS/AS ANARQUISTAS?

COMO VOTAM OS/AS ANARQUISTAS?
Link para o evento: https://www.facebook.com/events/342092359863940/

Estamos no período eleitoral, e nesse momento de intensas discussões políticas, além de um conjuntura de constantes ataques aos de baixo, é comum ouvirmos a pergunta: “Como votam as/os anarquistas?”
Para respondermos essa questão, realizaremos esse debate, abordando nosso posicionamento frente as eleições e nossas perspectivas de luta para o próximo período.
Contamos com a presença de todas e todos!

QUANDO: 18 de setembro, terça-feira, às 18:30.
ONDE: Prédio Histórico da UFPR, na Praça Santos Andrade, sala 201 da Psicologia.

CONTRA O GENOCÍDIO DO POVO NEGRO E PERIFÉRICO: TODA SOLIDARIEDADE A RENATO FREITAS!

renatoo

No último dia 9 de setembro a cidade de Curitiba (PR) foi mais uma vez palco do racismo e da violência promovidos cotidianamente pelo braço armado do Estado. O advogado e militante Renato Freitas (PT) foi novamente vítima da truculência policial.

Enquanto iniciava a panfletagem de sua candidatura na Praça do Gaúcho, região central de Curitiba, Renato e seus companheiros foram violentamente abordados pelo GOE (Grupo de Operações Especiais) que, com gritos e xingamentos, pretendiam expulsá-los de praça pública, sem qualquer razão.

Os militantes questionaram os motivos da absurda proibição e então a polícia reagiu com tiros de bala de borracha disparados a queima roupa e em seguida ameaçaram a atirar com arma de fogo.

A violência só não atingiu níveis ainda maiores por conta da presença de pessoas que, indignadas, filmavam e tentavam denunciar o que acorria. Renato chegou a ser arrastado pelo asfalto e foi colocado em uma viatura. Mesmo no hospital, a polícia seguiu com abusos, violações e constrangimentos.

Tal barbárie é a regra em um sistema que promove sistematicamente o genocídio e o encarceramento em massa do povo negro. As ações cometidas pelas polícias em todo o país sequer são investigadas, demonstrando o salvo conduto que tais forças repressoras têm para exterminar a população pobre, negra e periférica.

No ano de 2017, a Polícia Militar do estado do Paraná matou mais do que a polícia dos Estados Unidos. Tal dado faz do Paraná o estado com uma das polícias mais assassinas do Brasil. As ações realizadas pelas Guardas Municipais e grupos como o GOE são também reflexo dessa realidade de genocídio e extermínio.

Não é a primeira vez que Renato Freitas é vítima do racismo e violência policial. Em 2016, Renato foi detido pela Guarda Municipal por “estar ouvindo rap muito alto”. Nessa ocasião também sofreu agressões e foi preso injustamente (veja em: https://anarquismopr.org/2016/08/27/mais-um-episodio-de-racismo-e-agressao-do-poder-repressivo-do-parana-toda-solidariedade-a-renato-freitas/). Renato entende que a recente ação policial trata-se de uma represália, pois depois de 2016 o militante moveu um processo contra dois guardas pela injustiça sofrida. Essa e outras situações tornam clara a ferrenha perseguição do Estado contra aqueles e aquelas que denunciam os desmandos policiais.

Independente de qualquer divergência política, o momento é de expressar total e irrestrita solidariedade a Renato e a todos e todas que, diariamente, são vítimas de um Estado racista e genocida.

Rodear de solidariedade aqueles e aquelas que lutam!

Contra o Genocídio do Povo Negro!

[CAB] CONTRA A APROVAÇÃO DA TERCEIRIZAÇÃO IRRESTRITA: SÓ A LUTA POPULAR DECIDE!

Projetada como primeiro grande ato da Reforma Trabalhista, a terceirização irrestrita foi aprovada em março de 2017, através da Lei n.º 13.429. Essa legislação permitiu que toda e qualquer empresa utilize o trabalho terceirizado em quaisquer de suas áreas, inclusive em suas atividades fins. Ainda, possibilitou a quarteirização; permitiu a exclusão das trabalhadoras do convívio com as demais; permitiu que a empresa tomadora ofereça serviço médico e ambulatorial diferente; permitiu que os contratos de terceirização vigentes sejam modificados para “adequação” a nova realidade.
Posteriormente, a própria Reforma Trabalhista (Lei 13.467/2017) trouxe regras mais profundas, reforçando o projeto de precarização dos direitos das trabalhadoras. Projeto este que parte de uma racionalidade própria do neoliberalismo baseada na diferenciação exclusiva, na competitividade, na precarização, na criação de diferentes modelos de trabalhadores, buscando, enfim, a quebra da solidariedade de classe.
Diante desse cenário, os principais sindicatos e centrais sindicais, em vez de jogar suas fichas na mobilização em ação direta dos trabalhadores e trabalhadoras, colocaram suas esperanças no Poder Judiciário. Estas tornaram-se cinzas tão rápido quanto aquelas produzidas pelo descaso com a cultura, história e patrimônio do nosso povo que se encontrava no Museu Nacional.
No dia 30 de agosto, o STF julgou inconstitucional uma súmula do Tribunal Superior do Trabalho que limitava a terceirização às atividades-meio. Tal súmula servia como uma precária represa aos desejos empresariais que buscavam modificar, de forma retroativa, questões antigas, especialmente em ações judiciais de trabalhadores e trabalhadoras que buscavam o reconhecimento de vínculo empregatício direto, pois atuavam em atividades- fim das empresas em momento em que isso não era lícito.
Porém, com o julgamento do STF, as situações antigas passaram a ser legalizadas, o quê, segundo algumas informações, terá influência em mais de 4 mil ações trabalhistas, com decisões que deverão ser, obrigatoriamente, contrárias aos e às trabalhadoras.
A decisão – feita por um estamento de toga, que há poucos dias autorizou um aumento em seus salários exorbitantes –, ao fim e ao cabo, autorizou, de vez, a terceirização, com seus acidentes de trabalho, com mortes e lesões permanentes; com os adoecimentos físicos e mentais; o assédio moral enquanto modelo trabalhista; menores salários e benefícios; o trabalho infantil e escravizado; etc.
Essa situação mostra que ao Judiciário e ao próprio Direito não se jogam nossas esperanças. Neles não há qualquer papel transformador. Tratam-se do núcleo duro do capitalismo a nível de sistema. Desde Bakunin sabe-se que qualquer projeto revolucionário deve arrastar as “iniquidades do direito jurídico, com todas as mentiras dos diversos cultos, esse direito e esses cultos que não foram mais que a consagração obrigada, tanto ideal como real, de todas as violências representadas, garantidas e privilegiadas pelo Estado.” (A Comuna de Paris e a noção de Estado).

NÃO HÁ SAÍDA FORA DA LUTA POPULAR
POR DEMOCRACIA DIRETA E DE BASE!

[CAB] UNIVERSIDADES ARGENTINAS OCUPADAS EM DEFESA DA EDUCAÇÃO


Até o momento 13 Universidades já tiveram seus prédios ocupados na Argentina. O motivo? Nossos vizinhos enfrentam um cenário muito parecido com o que temos vivido desde 2015 -foram 10,5 bilhões de reais a menos naquele ano- na educação superior brasileira, onde sofremos cortes no financiamento de todos os gastos públicos essenciais como a educação e a saúde. Para o ano de 2018 foi anunciado um corte de 3 bilhões de pesos no financiamento universitário argentino. Os professores e servidores com o salário cada vez mais desvalorizado e para agravar ainda mais a situação o repasse financeiro está atrasado, e não há previsão para o dinheiro retroativo ou do segundo semestre ser pago. Com isso a educação se vê obrigada a parar.
As semelhanças que vivemos guardam dois agentes em comum: O Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional. Quando estes dois irmãos entram em cena é para agir de acordo com os interesses imperialistas e defender, mesmo na pior ruína, o liberalismo econômico, ou seja, o bolso cheio de banqueiros e empresários. O BM, há muito tempo que com as suas ‘recomendações’ para a política educacional precariza a educação do povo ao redor do mundo, promovendo ano após ano a passagem da educação de um bem público para privado.
Assim também ocorre com o FMI. O endividamento da Argentina, como de tantos outros países, cresceu muito em seu período de ditadura militar. Como saldo da dívida hoje, o FMI promete conceder crédito (mais endividamento) para o país desde que este corte o que enxergam como oneração do Estado, os ‘gastos públicos’. Como órgão regulador do capitalismo internacional o FMI chega em Portugal, no Brasil e na Argentina com a mesma ‘cartilha de agiota’.
Mais uma vez os movimentos sociais latino-americanos tem um árduo caminho de resistência pela frente! Nas Universidades argentinas assembleias comunitárias têm sido convocadas, e os estudantes tomam a frente do processo ocupando os prédios e paralisando as aulas. As assembleias de base dão a linha garantindo o debate e decisão de todas e todos. Saudamos sua luta e lembramos a todos que a conjuntura internacional e local nos convida a estar em movimento!

Por um educação pública voltada ao povo!
Nossa luta e solidariedade não conhece fronteiras!
“Si quieres que el mundo cambie, empezá por tu próprio espacio.”

Universidades ocupadas até o momento:

ENCuyo-Medonza; Universidad de Buenos Aires; Universidad Nacional de Rosario; Universidad Nacional de La Pampa; Universidad de Rio Negro; Universidad Nacional de Comahue; Universidad Nacional de San Luis; Universidad Nacional de Entre Rios; Universidad Nacional de Córdoba; Universidad Nacional del Litoral; Universidad de Mar del Plata; Universidad Nacional de La Plata; Universidad Nacional del Sur.

[CAB] REFUGIADOS SÃO BEM VINDOS, FASCISTAS NÃO!

No dia 18 de agosto do corrente ano, as redes sociais e mídias foram bombardeadas com mensagens e vídeos de um ataque sofrido por refugiados venezuelanos pelas mãos de brasileiros na cidade de Pacaraima, fronteira entre o estado de Roraima e a Venezuela. Na ocasião, os refugiados que se abrigam em determinadas cidades do referido estado, foram expulsos de suas barracas, tendo seus pertences queimados, sofrendo violência física e verbal, tendo como plano de fundo o hino nacional, gritos raivosos e o ódio e repulsa estampado na cara de alguns.

Destacamos que a política de acolhimento de refugiados e suas dissidências parecem estar bem distantes da realidade brasileira e latino-americana. Engana-se quem pensa de tal forma, pois, as correlações econômicas e sociais que fraturam do imperialismo dos países do norte, constitui outras relações de domínio para com os nossos vizinhos, estabelecendo relações anacrônicas de governança e a pauperização extrema em determinadas localidades. Portanto, discutir sobre estes êxodos migratórios em massa, é além de uma revelação de contornos do capital e do Estado que demarcam novas políticas populacionais, um alerta para uma luta que nos é cara e emergente.

Salientamos que, este patriotismo encapado de fascismo escancara a barbárie propagada e reproduzida pelo oligopólio midiático, bem como, as políticas de fronteira e correlações com os países ricos. Apesar de o Itamaraty e o STF reforçarem que todo e qualquer refugiado é “sempre bem-vindo ao Brasil”, o Estado nacional, assim como sua funcionalidade inerente, é contraditório, tendo em vista a sua subserviência para o capital estrangeiro, em especial o estadunidense, bem como a demarcação obstacularizada de diálogo com os países do cone Sul. Em momentos de crise geopolítica, um dos principais argumentos e proposições do Estado, é a utilização do seu aparelho coercitivo. Isso já foi sugerido em entrevista pelo representante do Itamaraty, quando na ocasião, indicou que o estado de Roraima solicite a Garantia da Lei e da Ordem – GLO, possibilitando que o exército tenha mais “liberdade” para agir.

Todas estas ações não estão dissociadas, muito pelo contrário. As relações de dominação sobre o território brasileiro nos evidenciam que a violência e coerção se retroalimentam cotidianamente, sendo um elemento necessário a eficácia de um falso discurso de soberania nacional. Nós, da Coordenação Anarquista Brasileira – CAB, repudiamos todos os ataques fascistas que nossos irmãos venezuelanos sofreram esta semana, bem como repudiamos e denunciamos as investidas xenófobas contra os nicaraguenses na Costa Rica. A nossa luta é internacionalista, anti-imperialista e prima pela solidariedade entre os oprimidos.

OS REFUGIADOS SEMPRE SERÃO BEM-VINDOS!
O FASCISMO NÃO SE DISCUTE. SE DESTRÓI!

[CURITIBA] 4º ENCONTRO DO CÍRCULO DE ESTUDOS LIBERTÁRIOS (CEL) – NA TERÇA (28/08/2018)!

 

Anarquismo e Anticolonialismo

Na terça-feira, 28 de agosto, o CALC articulará seu grupo de estudos em Curitiba. Faremos o CEL no Prédio Histórico da Universidade Federal do Paraná, às 18:30, na sala 205 da Psicologia.

Assim como nos anos anteriores, estaremos nos encontrando na última terça-feira de cada mês, discutindo vários temas relevantes para os movimentos sociais, para a esquerda e para o anarquismo. Nesse encontro iremos adentrar na discussão referente à raça, e colonialismo, elementos fundamentais da formação social brasileira e historicamente negligenciado até mesmo dentro das organizações e movimentos de esquerda. O encontro busca dialogar com os acúmulos existentes do anarquismo sobre o tema, bem como abordar o tema do genocídio do povo negro e da autodeterminação dos povos.

  • Anarquismo e Revolução Negra, trechos selecionados – Lorenzo Kom’boa Ervin
  • Discurso Sobre o Colonialismo, trechos selecionados – Aime Césaire

Baixe aqui: CEL V

Evento no Facebook: www.facebook.com/events/373610613465413

Para mais informações sobre os textos e temas que discutiremos durante o ano, visite: https://anarquismopr.org/grupos-de-estudos-libertarios/

Venha participar!

 

 

[FAR] Apontamentos feministas na perspectiva do anarquismo organizado – Federação Anarquista de Rosário


Nota sobre Feminismo no Jornal “Voluntad nº3” (jornal da Federação Anarquista de Rosário) 

Parece apropriado para nós, nesta edição especial, no momento que marca o XXXI Encontro Nacional de Mulheres (Argentina) reforçar alguns aspectos fundamentais sobre o lugar da luta feminista no contexto de nossa proposta política anarquista à partir de um sentido amplo e integral.

Localizando-nos então, no marco de uma análise sobre o sistema de dominação capitalista atual, que se constrói com base na teoria da interdependência das esferas política-jurídica-militar, econômica, ideológica-cultural. Nesse sentido, entendemos que as relações de poder estão presentes em todas as relações sociais, impregnando a sociedade de maneira capilar, e desta maneira o poder penetra nas relações cotidianas e nas vidas de todos/as nós.

Não acreditamos que seja uma questão de “acrescentar” o feminismo como algo mais, já que seria uma declamação vazia e oportunista. Mas pelo contrário, consideramos que a luta contra a opressão machista é de primeira ordem para um projeto que busca a ruptura revolucionária contra o sistema de dominação. Nesse sentido, ao considerar esse tipo de dominação implica não apenas abordar as problemáticas que surgem a partir dela, mas também modifica a maneira como entendemos e enfrentamos outros tipos de opressão.

Em primeiro lugar, entendemos o feminismo – no nosso caso, o anarco-feminismo – como uma práxis, em construção permanente. Assim, consideramos que a luta feminista é altamente valiosa, seja pela sua manifestação em lutas concretas como na intensa busca por quadros teórico-conceituais que permitam analisar a opressão.

Achamos pertinente deixar claro que valorizamos as diferentes contribuições teóricas que diferentes correntes do feminismo elaboraram. Por exemplo, as feministas da igualdade levantaram a necessidade de estabelecer direitos universais como pessoas, independentemente do sexo. Ou como a teoria queer, nos adverte a nunca baixar nossa guarda sobre os mecanismos de dominação que inclusive interferem na criação de conceitos como patriarcado ou gênero (ou sexo), viciados pela lógica dicotômica (masculino / feminino), impossibilitando ou reprimindo a existência de outras formas de experimentar a sexualidade e a construção de identidades.

No entanto, apesar de reconhecer as contribuições realizadas de grande ajuda para a militância cotidiana, devemos distanciar-nos de outras propostas de certas correntes, o que nos leva a falar sobre anarco-feminismo como uma parte intrínseca do nosso projeto. Muitos destas propostas, em termos políticos-programáticos tendem a institucionalização da luta feminista; levando às propostas de igualdade como um acesso igualitário ao mecanismo de dominação (querer ter mulheres presidentas, empresárias, legisladoras, líderes, etc.); o que evidencia um claro “esquecimento” do restante das múltiplas formas de dominação que atravessam a complexa realidade que configura a luta da classe oprimida pela libertação. Negamos qualquer estratégia de institucionalização estatal de nossa luta, já que não só não podemos entender o patriarcado sem o Estado e vice-versa, mas também cotidianamente experimentamos como o Estado exerce o poder de dominação machista de maneira material e simbólica (disciplinamento corporal e identitário, vitimização das mulheres, proxenetismo, etc). Em outros casos, nos afastamos de posturas que levam à inação ou a negação da capacidade de transformação, como se toda ação organizada possível fosse o resultado em última instância do sistema de dominação que nos deixa ser funcionais a ele.

Nossa proposta é a de criar e fortalecer o poder popular autogerido, através da organização, consolidação e superação da fragmentação do campo popular. É no marco das organizações populares, que a classe oprimida se constrói em sua resistência à dominação, onde encontramos o sustento da luta feminista. E nós insistimos, não agregando termos inclusivos e proclamações, mas lutando e refletindo em um código feminista.

Entendendo então que a resposta é organizada e popular, para nós, o conceito de patriarcado – e gênero – são necessários e estratégicos, o que nos leva a ressignificá-lo, com todos os cuidados que isso exige para deixar de lado a sua lateral totalizadora e dicotomizadora. Assim, acreditamos que o patriarcado é o conjunto de mecanismos que de maneira sistêmica, condiciona o modo de organização social, e onde, por um lado, baseado num sistema sexo-gênero, se estabelecem relações assimétricas de poder à favor dos machos e, por outro lado, se produz o estabelecimento da heteronormatividade, através da repressão da homossexualidade.

O valor do conceito do patriarcado, como forma de nomear o invisibilizado e de evidenciar seu caráter sistêmico; assim como o valor do conceito de gênero para pôr em relevo a construção cultural que sustenta esse tipo de opressão e, portanto, suscetível de transformação, ganha uma dimensão programática, à partir da qual se pode articular uma série de reivindicações, por parte dos movimentos populares, em torno dos efeitos ou expressões que a opressão machista tem nas diferentes esferas do âmbito social.

Desta forma, à partir da luta contra a violência machista e homofóbica, pelo direito ao aborto, pelo acesso à saúde sexual e reprodutiva, contra a discriminação salarial para as mulheres, pela democratização das tarefas domésticas e do cuidado; não só nos permite avançar, mas ao mesmo tempo consolida uma força antagônica a força dominante, mas também permite ir aprofundando e revelando os mecanismos que impedem e limitam a capacidade de decidir sobre nossas vidas e nossos corpos.

Levando em conta tudo que foi colocado, nos é apresentado o desafio de delinear estratégias concretas para que nossa militância social e política promova e fortaleça a luta contra o patriarcado como parte configuradora do atual sistema de dominação, contextualizada em nosso lugar e tempo.

Primeiramente, se coloca a necessidade de estabelecer, por um lado, mecanismos que garantam o tratamento específico das problemáticas próprias das opressões patriarcais, e de outro lado, a perspectiva de gênero seja tratada de forma transversal, uma vez que, como dito acima, existem expressões em todas as esferas da vida e não há uma ação que seja neutra quando se trata desta questão.

Somado ao que foi colocado acima, outro elemento importante a ter em conta é como encarar a luta feminista sobre uma tradição de organizações político-sociais desenvolvidas em função de certos âmbitos onde a dominação se expressa, e que poderia vir a apresentar algumas limitações. Entre os quais se destacam, a setorização [1] e que estas tradições muitas vezes contêm lógicas machistas, onde os papéis de gênero marcaram e até hoje marcam, em muitos casos, restrições à participação das mulheres.

Apontamos a partir da FAR, fomentar organizações sociais (movimentos sociais, sindicatos, grêmios ou centros estudantis, etc.) para que sejam capazes de abraçar a luta feminista, não apenas a partir das reivindicações próprias da temática, mas também onde se faça uma revisão constante das lógicas machistas que atravessam as próprias organizações.

Desta maneira buscamos evitar em nossa prática uma especialização da luta feminista apontando para a reversão da fragmentação existente no campo das lutas sociais, sem gerar uma hierarquia de opressão que possa resultar num abandono do trabalho de base e da perspectiva de classe.

Entendemos que, como militantes, devemos contribuir para a existência de um equilíbrio entre especificidade e transversalidade dentro das organizações das quais fazemos parte. Ou seja, que possam existir espaços específicos – traduzidos em mudanças estruturais formais ou não das mesmas –, mas que a perspectiva feminista possa atravessar toda a vida dessas organizações.

Com o objetivo de sintetizar a proposta deste artigo, acreditamos que existem dois eixos articulados que poderiam orientar a tarefa no curto prazo:

  • Participação. Esse eixo é fundamental para toda a nossa estratégia anarquista, fomentar a participação, como a recuperação da capacidade de decidir, como meta e como metodologia das organizações populares. Nesse contexto, a dimensão de gênero nos obriga a pensar quais são as limitações para a participação das mulheres, ou melhor, de todas as pessoas que não se enquadram no estereótipo de homem heterossexual, que o patriarcado reforça constantemente. Nesse sentido, não apenas devem ser garantidos mecanismos formais que garantam a participação das mulheres, mas também é necessário mostrar e combater os dispositivos não formais, invisíveis, de caráter machista, que obstacularizam a participação; não apenas em questões relacionadas à luta feminista ou “de mulheres”, mas em todas as atividades das organizações, buscando desconstruir os papéis atribuídos historicamente aos gêneros. Isso requer um acompanhamento ativo dessa promoção com ações de formação e reflexão sobre o assunto. Mas, além disso, participar de termos autogeridos, implica que elas sejam/sejamos protagonistas. Que nos reconheçamos como sujeitos políticos capazes de transformar a realidade e nos transformar.

Neste contexto, retomamos o conceito de vontade de E. Malatesta, como a força “capaz de produzir novos efeitos, independente das leis mecânicas da natureza, é um pressuposto necessário para aqueles que sustentam que é possível reformar a sociedade” para relacioná-lo com a aceitação e celebração de que também somos seres com desejos, e que ninguém melhor do que nós mesmas sabemos o que queremos. Foi bem expressa pelas companheiras do jornal La Voz de la Mujer:” decidimos levantar nossa voz no concerto social e exigir, dizemos exigir, nossa parcela de prazeres no banquete da vida”.

  • Construção de uma agenda de reivindicações que permita visualizar as problemáticas setoriais, como expressões do patriarcado em diferentes esferas, bem como outras mais gerais (aborto, violência de gênero, entre outras); procurando ligar os dois níveis para desvendar os mecanismos de dominação existentes. Acreditamos que a construção desta agenda deve envolver gradualmente todos os membros da organização, tanto em termos de delineamentos como a luta nas ruas. Desta forma, pretende-se que as organizações se apropriem adequadamente da agenda e atribuam a ela o lugar de importância que acreditamos que deveria ter.

 

[1] Como exemplo, vemos que o trabalho assalariado foi um grande eixo não só ordenador da vida, mas também a resistência contra a opressão capitalista através dos sindicatos. Estes tem uma agenda própria do setor, onde são aquelas problemáticas de gênero em relação com o emprego – como a não discriminação salarial das mulheres – as que são majoritariamente adotadas; outras como o direito ao aborto seguem alheias ao mesmo. Algo similar ocorre com o movimento estudantil. Em contraposição, existe uma vasta experiência de organizações sociais, por exemplo, de tipo territorial, onde existe certa diversidade de problemáticas que se abarcam à partir daí; e que as reivindicações feministas podem ser abordadas mais amplamente.

Tradução: Federação Anarquista do Rio de Janeiro – FARJ

[CURITIBA] LANÇAMENTO DO LIVRO GREVE DE INQUILINOS, DE NENO VASCO

No dia 16/08, o Coletivo Anarquista Luta de Classe promove o lançamento do livro “Greve de Inquilinos”, de Neno Vasco. A atividade contará com a presença de Maikon Duarte, editor da Ambiente Arejado Publicações, para uma conversa sobre a relação entre teatro e sindicalismo e sobre o anarquismo na Primeira República.

SOBRE A PEÇA GREVE DE INQUILINOS, DE NENO VASCO.
Esta farsa conta a história de seis companheiros libertários que se encontram em dificuldade para pagar o aluguel dos quartos, onde moram. Com a iminente cobrança do proprietário, o senhor Anastácio, e o risco de despejo, o grupo passa a pensar uma série de alternativas à cobranças, desde o não pagamento do aluguel até a fuga do imóvel A chegada de companheiros anarquistas da Argentina dá novas perspectivas ao grupo de inquilinos.
A presente edição consta o manuscrito da peça que foi digitalizado pelo Arquivo Histórico-Social / Projeto MOSCA, de Portugal, e se encontra disponível para download na página do projeto. Publicamos o documento na íntegra para que o público leitor possa comparar, afim de satisfazer a curiosidade frente ao processo criativo. A edição finalizada com o artigo Neno Vasco: um amante apaixonado da cultura operária, escrito por Thiago Lemos Silva, e uma breve nota sobre a peça e os diálogos entre o anarquismo e o teatro, escrito pelos editores.

SOBRE NENO VASCO
Neno Vasco, pseudônimo de Gregório Nazianzeno de Moreira Queiroz e Vasconcelos, nasceu em Penafiel em 1878. Entre idas e vindas, suas atividades militantes junto ao movimento anarquista e operário transcorreram entre Brasil (1901-1911) e Portugal (1911-1920). Esteve à frente dos principais periódicos de São Paulo, O Amigo do Povo (1902-1904), e de Lisboa, A Sementeira (1908-1919). Pouco inclinado à ação pública, Neno Vasco contribui mais como um propagandista do que como um ativista. Por meio da palavra escrita, destacou-se por suas crônicas, ensaios, contos, poesias e peças de teatro, nas quais se evidencia seu ativismo em prol da criação de uma estratégia sindical de ação direta. Tais ações colaboraram para conferir o “tom anarquista” que caracterizou o movimento operário dos dois lados do Atlântico. Vitimado por uma tuberculose, Neno Vasco faleceu em 1920, com apenas 43 anos, na cidade de São Romão do Coronado.

QUANDO: 16 de agosto (quinta-feira) às 18 e 30.
ONDE: APP Curitiba Norte- Avenida Marechal Floriano Peixoto 306, 8º andar, Centro.

Contamos com a presença de todas e todos!

[CAB] 5 ANOS DA PRISÃO DE RAFAEL BRAGA

No dia 20 de junho de 2013, na dispersão do ato que ocorria no Centro do Rio de Janeiro contra o aumento das passagens, Rafael Braga Vieira foi detido e encarcerado acusado de porte de material explosivo. As vitoriosas mobilizações de 2013 (Eduardo Paes, prefeito na época, havia declarado a suspensão do aumento no dia anterior) deixaram, entre mortos e feridos, diversas pessoas com processos que perduram até os dias hoje. Porém, Rafael Braga é o único que continua preso até hoje (pra saber a história, acesse: https://libertemrafaelbraga.wordpress.com/about/).

Rafael Braga é hoje o símbolo da seletividade penal e do racismo do judiciário no Brasil e seu caso se tornou conhecido internacionalmente com a ajuda da Campanha pela Liberdade de Rafael Braga, agrupamento que se formou no final de 2013. Entre mobilizações nacionais, internacionais e locais, a Campanha conseguiu levar o caso do Rafael a milhares de pessoas. A amplitude que o caso tomou e a pressão popular fizeram com que o Rafael conseguisse cumprir a pena em prisão domiciliar pra tratar da tuberculose, adquirida nas péssimas condições do cárcere. Além disso, a mobilização coletiva também conseguiu dar uma casa nova para a sua família e ajuda-los com doações recebidos por todo o país.

Enquanto anarquistas organizados nacionalmente, modestamente ajudamos a construir mobilizações em diversos estados em todas as chamadas feitas pela Campanha como no Rio Grande do Sul, Paraná, Alagoas, Santa Catarina e outros, além de organizar solidariedade internacional desde o Uruguai, Estados Unidos, Itália etc. e ajudar na construção da Campanha no Rio de Janeiro.

Consideramos essencial não deixarmos o caso do Rafael Braga cair no esquecimento. Rafael colhe as consequências de 2013 no corpo e na mente até hoje e seu sofrimento não pode ser esquecido. O genocídio do povo Negro é construído sob diversos pilares e o projeto de Estado de encarceramento em massa é um deles. É preciso nos organizarmos nos bairros, favelas, locais de trabalho e estudo para lutarmos contra o terrorismo do Estado brasileiro.

Contra o genocídio do Povo Negro!
Contra o encarceramento em massa!
Libertem Rafael Braga!

Organização parte da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB)

Kurdistan America Latina

Organização parte da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB)

Alternativa Libertaria_FdCA

Alternativa Libertaria_FdCA

Alternative libertaire

Organização parte da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB)

Black Rose/Rosa Negra Anarchist Federation

Organização parte da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB)

Federación Anarquista de Rosario (ex Columna Libertaria Joaquín Penina - Rosario, Argentina)

Organização parte da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB)

Coordenação Anarquista Brasileira (CAB)

Organização parte da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB)

Federação Anarquista Cabana – FACA

Organização parte da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB)

MPA Brasil

Organização parte da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB)

Rádio Gralha | 106,1 MHz | Curitiba

Organização parte da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB)

FTA - Frente Terra e Autonomia

Organização parte da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB)

Mulheres Resistem

Organização parte da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB)

Resistência Popular MT

Lutar, criar, poder popular!

Resistência Popular - Alagoas

Organização parte da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB)

Tendência Estudantil da Resistência Popular

Organização parte da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB)

Estratégia e Análise

Organização parte da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB)