[FAG] Lutando e Criando Poder Popular!

Enquanto a agenda do Fórum Social Mundial é pautada pelos debates oficiais patrocinado pelos governos e pela máfia sindical, na contramão do calendário oficial estamos juntos com outra forma de lutar e de fazer política.

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Enquanto a agenda do Fórum Social Mundial é pautada pelos debates oficiais patrocinado pelos governos e pela máfia sindical, na contramão do calendário oficial estamos juntos com outra forma de lutar e de fazer política.

Nesses últimos dias do mês de janeiro estivemos juntos com os que lutam, construindo um poder dos debaixo através de práticas concretas e não somente em discursos.

Começando pelo fim, a recente ocupação do Palácio da Justiça em Porto Alegre na última terça-feira em memória às famílias de Pinheirinho, indica que “Sempre haverá Resistência” e a ação direta é arma que nós temos pra fazer justiça pra viver.

No dia anterior, a concentração na esquina democrática em repúdio ao massacre de Pinheirinho e o ato no final do dia articulado nacionalmente pelos Comitês Populares da Copa, demonstraram que é sem pedir licença e nem bexiga que devemos lutar e nos organizar com independência pelos nossos direitos.

Valorizando a iniciativa e a autonomia, por fim, saudamos aos companheiros e companheiras que organizaram e participaram do Encontro de Educação Libertária em Sapiranga.

Com modéstia e dedicação, vamos aportando nosso grão de areia às lutas e iniciativas construídas com horizontalidade e independência, pois esses são ingrediente e fermento na estratégia construção do Poder Popular.

Não tá morto quem luta e quem peleia!

Federação Anarquista Gaúcha (FAG)

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[FAO] I Seminário de Formação do Fórum do Anarquismo Organizado – Região Sudeste

Retirado de:

Rio de Janeiro, 21 e 22 de janeiro de 2012

Declaração do I Seminário de Formação do Fórum do Anarquismo Organizado – Região Sudeste, realizado no Rio de Janeiro, em 21 e 22 de janeiro de 2012.

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“É melhor dar um passo com mil do que mil passos com um”

O Fórum do Anarquismo Organizado (FAO) – representado por suas organizações da região Sudeste (Federação Anarquista do Rio de Janeiro / FARJ e Organização Anarquista Socialismo Libertário / OASL-SP) – coordenou, entre 21 e 22 de janeiro de 2012, o I Seminário de Formação da Região Sudeste. O seminário reuniu, nas dependências do Centro de Cultura Social do Rio de Janeiro, além da FARJ e da OASL, coletivos em processo de articulação ou aproximação com o FAO e individualidades interessadas em se organizar ou ingressar nas organizações já constituídas. Estiveram presentes militantes dos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo, Minas Gerais e Paraná, cumprindo um triplo objetivo: fortalecer o processo nas organizações existentes; estimular a criação de novas organizações/núcleos; integrar em um processo comum, levado a cabo no FAO, esse conjunto de indivíduos, grupos e organizações interessados na construção do anarquismo de matriz especifista no Brasil.

Estiveram presentes no evento cerca de 50 pessoas das seguintes cidades/regiões: Rio de Janeiro, Niterói, Baixada Fluminense, São Paulo (capital), Baixada Santista, Ribeirão Preto, Mogi das Cruzes, Belo Horizonte, Montes Claros, Grande Vitória, Cachoeiro de Itapemirim e Curitiba, O evento foi realizado de maneira autônoma, pela FARJ e OASL, contando com a colaboração de todos os participantes em um ambiente de apoio mútuo e solidariedade, que permitiu tanto uma infra-estrutura adequada (hospedagem, alimentação, limpeza etc.), como um elevado nível de discussão.

O evento teve início dia 21 pela da manhã, com a recepção dos participantes seguida de uma apresentação de boas-vindas, que reforçou a relevância do processo organizativo do anarquismo no Brasil contemporâneo e a necessidade do fortalecimento da Região Sudeste neste processo.

O primeiro módulo do seminário, “Teoria e História”, teve por objetivo levantar questões sobre o surgimento e o a trajetória do anarquismo, compreendido pelo FAO como uma ideologia ligada à prática política de intenção revolucionária. A partir formação da corrente libertária, discutiu-se o conceito de anarquismo e suas estratégias (formas históricas da ideologia), indo desde Proudhon e o mutualismo, até a Revolução Espanhola, passando por Bakunin, a Aliança e a Internacional; o anarco-comunismo de Kropotkin e Malatesta; a propaganda pela ação e o individualismo tático; o sindicalismo revolucionário e o anarco-sindicalismo; a Comuna de Paris, o sindicalismo no Brasil, o magonismo e a Revolução Mexicana e a Revolução Russa.

O segundo módulo, “Organicidade”, apresentou conceitos básicos da organização anarquista: o que é, quais são os objetivos, meios de atuação, função, diferença com outros modelos de organização política, documentos orgânicos (Carta de Princípios, Carta Orgânica e Programa), atividades, modelos de estrutura, frentes e secretarias, lógica dos círculos concêntricos, processo decisório, qualidades militantes. Num segundo momento, deu-se destaque à questão da Carta Orgânica, sendo apresentado um modelo de carta para que os participantes conhecessem seu conteúdo, facilitando a elaboração local de documentos desse tipo.

Depois da exibição de dois vídeos da Bucaneiro Produções, que mostram trabalhos sociais no Rio de Janeiro e São Paulo, teve início o terceiro módulo, “Trabalho Social”, visando aprofundar método do trabalho de base, para o que foram tratados os seguintes eixos: a arte do trabalho social; o sistema de dominação e sua estrutura de classes; as diferenças entre os trabalhos que são realizados pelos agentes internos (que moram/trabalham/estudam no mesmo local de trabalho social) e agentes externos (que não moram/trabalham/estudam no mesmo local de trabalho social); distintos modelos de agente, a partir das noções e diferenças entre minoria ativa e vanguarda; as melhores maneiras práticas de iniciar e aprofundar o trabalho/inserção social; questões de mística; método e educação popular etc.

A noite contou com o lançamento do livro Ideologia e Estratégia, de um companheiro do FAO, e também com a apresentação cultural dos grupos de hip-hop das periferias de São Paulo e Rio de Janeiro, Liberdade e Revolução e Us Neguin q ñ c kala, além de uma intervenção do grupo Anarcofunk de Belo Horizonte.

O segundo dia teve início com uma breve discussão de teoria e método de análise, que buscou suprir lacunas identificadas no primeiro dia. Logo em seguida, foi desenvolvida uma dinâmica de grupo com objetivo de analisar/solucionar problemas hipotéticos de militância social concreta. Além de socializar o contato e as experiências da militância presente, a dinâmica muniu os participantes de um conjunto teórico/prático capaz de permitir o aprofundamento dos trabalhos sociais em curso ou que estão para ser iniciados.

Na continuação das atividades mais práticas, FARJ e OASL apresentaram seus trabalhos sociais realizados em suas distintas frentes (movimentos sociais urbanos, MST/anarquismo e natureza, comunitária, estudantil). O evento foi finalizado com um debate que encaminhou questões organizativas e os próximos passos para o fortalecimento do FAO na região Sudeste.

Para todos os presentes, o anarquismo no Brasil, de maneira geral, e mais concretamente o caso da corrente especifista, vivencia um momento ímpar desde o fim da ditadura militar. O processo do FAO, que completa este ano uma década de existência, vem dando um salto quantitativo e qualitativo desde 2007, quando conseguimos progressivamente reunir e aproximar todo o anarquismo especifista brasileiro. A presença atual nos estados do Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso e Alagoas pode ser ampliada, ainda em 2012, para Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais, Espírito Santo, Pernambuco e Ceará. O aniversário de 10 anos do FAO será marcado por um evento sem precedentes, em que a organicidade será aprofundada e daremos mais um passo na construção do processo nacional.

Compreendemos que este é não é um processo rápido e que deve contar com a contribuição coletiva, de maneira a aprofundar teoria e prática que, para nós, são indissociáveis. Se por um lado, notamos um aprofundamento dos trabalhos sociais e da inserção em distintos setores do campo popular (sindical, sem terra, pequenos produtores, sem teto, desempregados, catadores, estudantes, comunitário, indígena, quilombolas, gênero), por outro vemos avançar um debate teórico profundo que, generosamente, visa extrair de autores clássicos e contemporâneos elementos teóricos e ideológicos que dêem conta de um método de análise e uma estratégia capaz de impulsionar nosso projeto revolucionário de transformação social.

Entendemos que, modestamente, temos conseguido reinserir o anarquismo no campo da luta de classes e dos movimentos populares e buscado criar um povo forte, capaz de assumir o protagonismo em suas lutas e em seu processo emancipatório. O I Seminário de Formação do FAO da Região Sudeste, juntamente com os seminários realizados nas regiões Sul [http://www.anarkismo.net/article/20167] e Nordeste [http://www.anarkismo.net/article/21040], demonstram a maturidade e a vontade dos militantes que vêm superando as dificuldades de um país de dimensões continentais e avançando na construção do socialismo libertário.

Construir o FAO!
Ética, compromisso, liberdade!
Lutar, criar, poder popular!

***

Federação Anarquista do Rio de Janeiro (RJ)
Organização Anarquista Socialismo Libertário (SP)
Coletivo Mineiro Popular Anarquista – antigo Movimento Anarquista Libertário (MG)
Coletivo Anarquista Luta de Classe (PR)
Coletivo Pró-Organização Anarquista do Espírito Santo
Coletivo Pró-Organização Anarquista da Baixada Santista
Coletivo Pró-Organização Anarquista de Ribeirão Preto
Indivíduos

Lançamento de “Ideologia e Estratégia”, de Felipe Corrêa

Retirado de: http://anarkismo.net/article/21612

Anarquismo, movimentos sociais e poder popular

A Faísca Publicações Libertárias acaba de publicar o livro IDEOLOGIA E ESTRATÉGIA: Anarquismo, movimentos sociais e poder popular, de Felipe Corrêa.

Faísca, 2011, 238 p.
Faísca, 2011, 238 p.

A Faísca Publicações Libertárias acaba de publicar o livro IDEOLOGIA E ESTRATÉGIA: Anarquismo, movimentos sociais e poder popular, de Felipe Corrêa.

Conteúdo:

Apresentação

Prefácio Alexandre Samis

IDEOLOGIA E ESTRATÉGIA

Anarquismo e Sindicalismo Revolucionário
Uma resenha crítica do livro de Edilene Toledo, a partir das visões de Michael Schmidt, Lucien van der Walt e Alexandre Samis

A Estratégia de Massas de Neno Vasco

Movimentos Sociais, Burocratização e Poder Popular
Da teoria à prática

Abaixo segue a apresentação do livro com os respectivos links dos textos do livro, já publicados anteriormente no Anarkismo.net.

Os três artigos agora reunidos em livro foram escritos durante o ano de 2010. Ainda que tratem de temas relativamente distintos, pode-se dizer que têm interesses similares. Tentarei, nas próximas linhas, sistematizar seu conteúdo, de maneira a permitir sua melhor compreensão e a demonstrar a intencionalidade que os cruza transversalmente.

Os textos surgem a partir de uma necessidade concreta de reflexão teórica que se deu em meio à militância prática, âmbito em que pude aprender, refletir ou mesmo aprofundar alguns dos temas em questão.

Primeiramente, evidencia-se o tema do anarquismo. Devido à significativa quantidade/qualidade de material publicado sobre o assunto, foi possível uma sistematização que aceita alguns dos pressupostos colocados na literatura, mas ao mesmo tempo rechaça outros. Ao definir o anarquismo como uma ideologia, busquei fundamentar minha argumentação no material produzido pelos grupos e organizações que hoje constituem parte orgânica ou orbitam em torno do Fórum do Anarquismo Organizado (FAO) e pela Federação Anarquista Uruguaia (FAU), organização que contribuiu decisivamente, desde meados dos anos 1990, para o campo teórico do anarquismo especifista brasileiro, que ainda segue em construção.

Nessa concepção ideológica do anarquismo, não se assume a leitura marxista de ideologia, considerando-a simplesmente como “falsa consciência”, mas, conforme expus nos dois primeiros artigos, de conjunto amplo de idéias, valores e aspirações que possuem relação direta com uma determinada prática política.

Foi necessário, a partir dessa noção do anarquismo como ideologia, buscar uma reflexão sobre o que é o anarquismo e localizá-lo no espaço e no tempo. Foi o que tentei realizar em “Anarquismo e Sindicalismo Revolucionário” [http://www.anarkismo.net/article/16164], o primeiro artigo do livro, quando, ao criticar a definição de anarquismo de outros autores, senti-me obrigado a propor minha própria definição. Foi o que realizei a partir de uma reflexão histórica do tema, tentando formalizar os conteúdos apreendidos nos últimos dez anos de leitura. Da mesma maneira, ao criticar as abordagens que não localizavam o anarquismo no espaço e no tempo, tive de pensar, levando em conta a definição assumida, quando e onde surgiu o anarquismo – o que me levou a assumir a posição de que esse é um fenômeno que se inicia na Europa em meados do século XIX.

Ainda nessa reflexão sobre o anarquismo, desenvolvi uma análise por meio de duas categorias que julguei fundamentais para a compreensão do assunto. A primeira, da ideologia, que constituiria o anarquismo em si, sua espinha dorsal, e a segunda, da estratégia, que implicaria os caminhos escolhidos pelo anarquismo ao longo dos anos para atingir seus objetivos revolucionários, socialistas e libertários. Foi a partir dessas duas categorias que tentei conceituar os princípios ideológicos fundamentais que, para mim, definem o anarquismo, e mencionar os principais debates estratégicos que, historicamente, deram-se internamente ao anarquismo.

A partir dessa noção, refuto a tese de que há “anarquismos”. Para mim, o que há é uma ideologia, o anarquismo, que, ao longo da história, adotou e continua a adotar diferentes estratégias – ou “formas históricas”, como vem colocando Alexandre Samis – para melhor avançar rumo aos seus objetivos. Uma dessas estratégias, como coloco no primeiro artigo, foi a do sindicalismo revolucionário – impulsionada pelos anarquistas mundialmente, os quais, na maioria dos casos, detiveram a hegemonia do movimento no
que diz respeito à determinação de seu modus operandi.

O tema do sindicalismo revolucionário, relativamente bem discutido no campo da história, encontra agora uma visão que se pauta no (correto) argumento de que o que houve no Brasil da Primeira República foi sindicalismo revolucionário e não anarcosindicalismo. Abordagem que tem como conseqüência, independente da intencionalidade, o desvínculo entre o anarquismo do sindicalismo revolucionário, atribuindo ao último caráter de ideologia própria. Desvincular o anarquismo do sindicalismo revolucionário no Brasil seria, a meu ver, realizar uma revisão historiográfica sem o menor fundamento nos fatos.

Foi esse o motivo que me incentivou a escrever “Anarquismo e Sindicalismo Revolucionário” – fiz questão de colocar o mesmo título do livro que criticaria –, realizando uma resenha crítica do livro homônimo de Edilene Toledo e produzindo um texto em tom de polêmica. Tomo, para isso, duas referências fundamentais das produções contemporâneas sobre o anarquismo: os livros dos africanos Michael Schmidt e Lucien van der Walt (Black Flame) – referência central no tratamento do anarquismo em geral – e do brasileiro Alexandre Samis (Minha Pátria é o Mundo Inteiro) – referência central para o anarquismo no Brasil.

Foi no processo de crítica dos argumentos do livro em questão que pude utilizar as reflexões de ambos os livros, dos africanos e do brasileiro, para construir uma argumentação construtiva, formulada a partir de suas posições e também de alguma reflexão própria. Era necessário, também, tentar formalizar os principais argumentos da discussão “sindicalismo revolucionário versus anarco-sindicalismo”, de maneira que fosse possível entender o que estava em jogo nas discussões realizadas. Terminei baseando minha distinção nos autores que tomei para o argumento construtivo, e também nas discussões que foram forjadas no anarquismo brasileiro em geral, e no de São Paulo em particular, que, desde os anos 1990, havia acumulado algo neste sentido.

Outra questão relevante era encontrar categorias que pudessem explicar essas diferentes estratégias; a proposta de Schmidt e van der Walt de se falar, em nível mundial, em “anarquismo de massas” e “anarquismo insurrecionalista”, pareceu-me adequada; no Brasil, com a pouca expressão do insurrecionalismo, creio que as categorias utilizadas por Samis, de “organizacionistas” e “antiorganizacionistas”, apesar de próximas das outras, adaptam-se melhor ao contexto do que foi o anarquismo no Brasil da Primeira República.

A escolha dos livros nos quais me baseei para os argumentos construtivos não foi acidental. Senti a necessidade de fugir do eurocentrismo que vem marcando muito das “histórias do anarquismo” que se tem publicado e, para isso, a utilização do livro dos africanos torna-se central por construir hipóteses para a interpretação do anarquismo em nível mundial, considerando mais de um século de teorias e práticas em todo o globo. A utilização da obra de Samis para o tratamento do Brasil também foi proposital, visando fugir da historiografia clássica sobre o tema, que incide em vários problemas metodológicos e muitas vezes distorcem suas posições teóricas por razão da adoção de um ou outro ponto de vista ideológico.

“A Estratégia de Massas de Neno Vasco” [http://www.anarkismo.net/article/18792], o segundo artigo, tem exatamente a intenção de dar suporte ao argumento do primeiro, demonstrando, fundamentado em material teórico produzido pelo autor, as noções do anarquismo como ideologia e do sindicalismo revolucionário como estratégia. Ainda que Neno Vasco não tenha dado tanta ênfase em seu tempo à construção de uma organização política especificamente anarquista, suas posições estão em completo acordo com muito daquilo que defendo como proposta de anarquismo e como estratégia a ser adotada. Ele defendia um anarquismo classista, que funcionasse como fermento e motor das lutas populares – o que caracteriza sua estratégia como sendo uma “estratégia de massas” –, e que deveria impulsionar o movimento sindical a partir de uma concepção programática, envolvendo a ação direta, a independência de classe e a neutralidade sindical, fortalecendo as lutas de curto prazo na medida em que elas pudessem contribuir com uma estratégia revolucionária, de ruptura, no longo prazo.

Estratégia esta que possui similaridades com a proposta dos anarquistas que atuavam na Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT) e que inspirou a primeira onda do sindicalismo de intenção revolucionária, pré-CGT francesa, nas décadas de 1870 e 1880, assim como o sindicalismo revolucionário propriamente dito, tanto da CGT como de diversas outras localidades do mundo – incluindo o Brasil. É possível dizer, ainda, que essa estratégia possui muito em comum com a proposta de poder popular que os anarquistas especifistas vêm utilizando como base de sua estratégia e que tentei abordar em “Movimentos Sociais, Burocratização e Poder Popular” [http://www.anarkismo.net/article/18158], o terceiro artigo.

Os dois primeiros artigos apóiam-se, fundamentalmente, em literatura teórica anarquista que poderíamos chamar de clássica: Bakunin e Malatesta, no primeiro, além das referências já citadas; Neno Vasco, no segundo – independente de não ter adquirido uma envergadura internacional como os dois primeiros, pode ser também considerado um clássico. O terceiro artigo, ainda que fuja um pouco à regra no que diz respeito às referências teóricas clássicas, possui uma conexão direta com a discussão dos outros artigos, não pelos aspectos ideológicos, mas no que diz respeito à discussão de estratégia.

Buscando referências contemporâneas de teóricos dos movimentos sociais, esse artigo busca, a partir de uma constatação da burocratização dos movimentos sociais – o principal fenômeno que impede a construção de poder popular nos setores populares já organizados –, as causas dessa burocratização e propõe um programa antiburocrático a ser aplicado nos movimentos burocratizados. Levando em conta que, nesse artigo, trabalhei com uma concepção ampla de movimento social – que inclui também o sindicalismo –, creio que o programa proposto pode, em linhas gerais, subsidiar distintas discussões daqueles que estão envolvidos os diversos campos das lutas populares.

Desse programa antiburocrático, que não deixa de ter muita similaridade com o programa que era proposto pelos anarquistas para o sindicalismo revolucionário, surge a discussão sobre o poder popular. Ainda que o tema deva ser aprofundado – e eu mesmo tenho me dedicado atualmente neste sentido –, o debate sobre o poder popular, nessa concepção libertária, nada mais é do que pensar estrategicamente. Ou seja, refletir sobre os objetivos estratégicos, as linhas estratégicas e táticas para intervir na realidade, assim como adotar um método de análise que dê conta de uma interpretação dessa realidade e que potencialize o atuar. Foi buscando aportes nesse sentido que desenvolvi 20 teses sobre o poder popular, praticamente resumindo documentos e artigos contemporâneos que, desde o campo libertário, abordam a temática.

Em suma, posso dizer que os três artigos articulam-se em torno desses dois eixos: ideologia por um lado, e estratégia por outro. No que diz respeito à ideologia, objetivam pensar o anarquismo de maneira séria e honesta teoricamente, evidenciando teorias clássicas, trazendo discussões contemporâneas e refletindo criticamente sobre o material analisado. Buscam apresentar ao público em geral, e também àqueles com afinidades ideológicas, um anarquismo que seja digno de respeito no campo da esquerda e do socialismo; um anarquismo que possa retomar sua intensa e honrosa história de lutas que tiveram grande influência nos mais distintos movimentos populares em todo o mundo. Conceber um anarquismo que possa ter relevância política e, incidindo sobre a realidade, impulsioná-la no sentido desejado, mudando a correlação de forças que hoje se dá na sociedade e, passo por passo, entre conquistas de curto prazo, ter como chegar aos objetivos revolucionários e socialistas de mais longo prazo. No que diz respeito à estratégia, proporcionar aos libertários – anarquistas ou não, organizados politicamente ou não – plataformas possíveis para intervenção nos distintos campos da luta de classes. Ou seja, elementos programáticos que possam potencializar hoje a construção da sociedade que queremos amanhã.

Ideologia e Estratégia é, portanto, um livro saído do calor das lutas, buscando, em um movimento que se poderia chamar dialético, formalizar teoricamente uma série de conhecimentos que foram apreendidos tanto em teoria quanto em prática, de maneira que essa teoria agora produzida possa, em um futuro breve, retornar como contribuição, ainda que singela, às lutas e movimentos de nosso povo. Essa é, real e honestamente, a minha intenção e espero, com a devida humildade, poder submetê-la agora à apreciação crítica dos leitores.

Felipe Corrêa
Maio de 2011

[FARJ] A Luta Social em Vila Isabel

Retirado de :

http://farj.org/

Livro escrito pelo jornalista Milton Lopes narra os conflitos entre operários e patrões no bairro de Vila Isabel. O título é uma boa dica para aqueles que desejam conhecer um pouco sobre a história das lutas sociais no bairro em que funcionara a fábrica de tecidos Confiança.

“A chaminé outrora fumegante, da antiga fábrica Confiança, hoje desativada, eleva-se de forma imponente sobre as casas e os prédios residenciais do bairro de Vila Isabel. A cada esquina, a cada rua, cujos horizontes permitem vislumbrar o conjunto arquitetônico da antiga fábrica, somos confrontados com elementos de um passado não tão distante, que se confunde com a própria história do bairro e de seus trabalhadores.” Rafael V. da Silva

Núcleo de Pesquisa Marques da Costa – 2011

Título lançado em comemoração aos 10 anos da Biblioteca Social Fábio Luz  (2001 – 2011)

Preço: R$ 6,00 (sem valor de frete)

Para comprar: emece1924@yahoo.com.br