[FAG] Uma mensagem de luta e de esperança que atravessa os tempos!

Retirado dehttp://vermelhoenegro.org/blog/2012/08/23/uma-mensagem-de-luta-e-de-esperanca-que-atravessa-os-tempos/

A 85 anos do assassinato dos companheiros anarquistas Nicola Sacco e Bartolomeu Vanzetti, nós da Federação Anarquista Gaúcha fazemos memória a esses lutadores que ousaram se levantar contra as injustiças, a exploração e a opressão do sistema capitalista que segue vigente. Reproduzimos abaixo uma livre tradução adaptada do artigo “Uma mensagem de luta e esperança que atravessa os tempos” escrita pelos hermanos da Federação Anarquista Uruguaia quando dos 76 anos da morte dos imigrantes italianos e que pode ser encontrada no número 13 da Revista LUCHA LLIBERTARIA da mesma FAU de Setembro de 2003.

Em memória de Nicola Sacco e Bartolomeu Vanzetti!!!
Em Memória de Eltom Brum da Silva, companheiro sem-terra assassinado pelo Estado criminoso!!!
Em Memória a todos(as) os(as) lutadores que são baixam a cabeça!!!
Arriba lxs que luchan e seguimos!

Uma mensagem de luta e esperança que atravessa os tempos

No dia 23 de agosto de 1927 era assassinado pelo sistema capitalista norte americano dois trabalhadores anarquistas: Nicola Sacco e Bartolomeu Vanzetti. O ódio da classe opressora e exploradora se efetivava. Era necessário castigar aqueles que questionavam profundamente seu sistema de privilégios, seu sistema para os ricos e poderosos. Estes trabalhadores revolucionários incitavam a dignidade, a não resignação à tanta miséria e injustiça, incitavam também a sonhar com um mundo melhor. Eram perigosos.

Hoje, em tantas partes do mundo, assassinam sua memória, sua mensagem, sua conduta social, muitos derrotistas e conciliadores. Aqueles que vêm renunciando a luta pela causa dos oprimidos, a militar por instalar processos de transformação que desestruture este ordenamento social miserável, os “realistas” e “possibilistas” que mascaram seu discurso porque não se atrevem a dizer que já nadam com gosto nas águas podres desse sistema.

São os que fazem acordos com ministros e patrões a revelia dos trabalhadores. Os que são “racionais” com os problemas das empresas, com a dívida externa, enquanto os trabalhadores é marginalizado ou perde direitos e conquistas alcançadas com suas lutas.

É a militância de “esquerda” que tem criminalizado, afirme ou não, a palavra revolução, luta de classes, imperialismo, burguesia opressora e exploradora, confrontação com o inimigo, também a toda prática que leve esse sentido.

Assim, usam grande parte da linguagem correspondente a uma ideologia que serve de justificação e suporte a este brutal sistema. São modernos, incursionam pelo mundo simbólico, são funcionais a reprodução desta estrutura global de dominação.

Por fora desta “esquerda” submersas nas águas da institucionalidade “democrática” está o que mantém-se na memória coletiva dos povos e o que este tempo ensina. O que ensina a vivência em condições subumanas como grande parte dos assalariados e essa enorme quantidade de “marginalizados” que encaram lutas por diversas reivindicações e pela sobrevivência.

Desde esse processo de renovação retomando os sonhos e peleias vigorosas dos velhos lutadores é que podemos abrir um caminho real de mudanças a favor dos de baixo.

A recordação da mensagem destes lutadores trabalhadores é sempre um “vamos avante que se pode!”.

1927, a justiça de classe do governo norte americano, o mesmo que hoje decreta seu direito a invadir e massacrar povos onde crê conveniente para seus mesquinhos interesses, quis assassinar em Sacco e Vanzetti as idéias e práticas revolucionárias classistas.

Eram inimigos do sistema… e lhe eram também. Era-lhes inimiga a morte, porque estavam contra a opressão e por uma autêntica liberdade e justiça. Então para o sistema eram “terroristas”.

Neste aspecto pouca mudou. Hoje as classes dominantes, as empresas de diferente pelo, a força repressiva, a imprensa servil, os amarelos do movimento popular também querem apresentar os que lutam como “terroristas”. Não toque em um supermercado nem atire uma pedra. Vote bem que isso encerra o assunto.

Porém, se algo mostra a história é que o imperialismo norte americano, a burguesia agora com forma de transnacionais ou mega empresas e todo o conjunto institucional para a manutenção e reprodução deste sistema brutalmente inumano, seguem sendo inimigos irreconciliáveis dos pobres do mundo. Sua monstruosidade é expressa com o genocídio atual que leva adiante através das invasões e da miséria.

Por isso as lutas e idéias fundamentais daqueles imigrantes italianos assassinados há 85 anos, ainda nesse contexto, seguem indicando enormes verdades: não é possível uma vida digna, justa e livre para todos dentro deste cruel ordenamento social.

Nicola Sacco

Nasceu na Itália em 23 de Abril de 1891. Tinha 17 anos de idade quando imigra aos Estados Unidos. É o empurrão que define sua situação econômica. Tem conhecimentos de mecânica, porém os trabalhos especializados não são para os estrangeiros. Deve trabalhar primeiro como carregador de água e depois como sapateiro.

Quando inicia a guerra, imediatamente se pronuncia contra ela. Diz: “Esta guerra não é para empunhar o fusil… para lutar por um país livre… senão em benefício dos grandes milionários”.

Participa depois ativamente na greve de Middford e em muitas lutas pela liberdade de seus companheiros. Se vê ativo em diversas atividades obreiras e sociais.

É detido quando organizava um protesto pelo assassinato de Andrea Salcedo. O anarquista Salcedo é jogado do 14º piso do Park Row Building. Lugar onde a polícia secreta tinha suas oficinas. Havia sido previamente torturado até a morte.

Bartolomeu Vanzetti

Nasceu na Itália em 1888. Já aos 13 anos de idade trabalhava 15 horas diárias. Gostava de estudar porém pode fazer apenas a escola.

Em 1908 com 20 anos de idade chega a América do Norte. Em seu ofício de confeiteiro não encontra trabalho regular. Passa fome e quando encontra ocupação, deve trabalhar de 12 a 14 horas diárias recebendo a metade do salário de um norte americano por ser estrangeiro. Por rebeldia contra as injustiças é expulso uma e outra vez dos trabalhos.

Dirá depois: “Aprendi que a consciência de classe não era uma frase inventada pelos propagandistas”.

Se define como comunista-anarquista. Afirma: “o comunismo é a forma do contrato social mais humana, porque sei que somente na liberdade poderá surgir o homem à sua nobre e harmoniosa integridade”.

Participa ativamente nas greves, mitenes e na organização de sindicatos. O grande conflito de Plymouth em 1916 o encontra na primeira linha. Saem vitoriosos dessa luta. Por sua convicção e combatividade o inimigo de classe lhe reserva perseguição, inclusão em listas negras, vigilância policial.

Quando é detido em 1920 vendia pescado nas ruas e estava organizando uma mobilização contra a morte de Salcedo.

Prisão e assassinato

“O castigo será convertido na parte mais oculta do processo penal” nos diz Foucault. Porém neste julgamento não se ocultou muito a articulação sutil que foi compartilhada entre a instância jurídica com o poder dominante. Aqui a “justiça” mostro seu caráter de classe abertamente, o castigo tinha que ficar claro politicamente. Não se toca no sistema de privilégios.

O julgamento durou 7 anos. Depois destes 7 anos de prisão, Sacco e Vanzetti foram assassinados na cadeira elétrica.

Tudo foi uma farsa jurídica, invenção de provas, ameaças policiais a testemunhas que não diziam aquilo que eles queriam, prisão e suborno a outras testemunhas. Não permitir declarar a quem tinha a versão oposta ao ditame previamente estabelecido. Era a justiça da classe dominante sem máscaras. O presidente do júri era o presidente da Companhia contra a qual Vanzetti havia contribuído a deflagrar uma importante greve.

O juiz Thayer dirá claramente, sem sutileza alguma, que a justiça é para aqueles coniventes com o sistema: “As leis garantem a todos os cidadãos direitos e privilégios…Para todos os que desejam servir com fidelidade e carinho àquele mesmo governo”.

E em 23 de agosto, depois de 7 anos de prisão e de farsa judicial são executados estes exemplares lutadores que ficarão na história como um símbolo obreiro na luta por uma nova sociedade.

Algumas frases dos Mártires de Bostom
Vanzetti
“Tenho lutado toda minha vida contra os crimes…que a moral oficial e a lei oficial não condenam e santificam: a exploração e a opressão do homem pelo homem…Não é nada a perda de nossas vidas”.
Sacco
“Meu crime, de que estou orgulhoso, é ter sonhado por uma vida melhor, feita de fraternidade, de ajuda mútua…por esse crime tenho o orgulho de terminar entre as mãos do verdugo”.

 

[FAG] Eltom Brum Vive! Continuar a luta dos pobres do campo!

 

Em 21 de agosto de 2012 completam-se 3 anos de impunidade dos assassinos do trabalhador rural sem terra Elton Brum da Silva, durante a brutal desocupação da fazenda Southal no município de São Gabriel – RS . Um tiro pelas costas matou o companheiro, de um calibre 12 disparado pela polícia gaúcha a mando dos grandes proprietários rurais e governantes que jamais admitiram ver a terra sendo ocupada e dividida entre quem de fato quer e precisa trabalhar e produzir sobre ela.

Quarenta e quatro anos, pai de dois filhos, organizado no MST, Elton não era um dirigente, não era um nome que tinha lugar na mídia. Ele é a imagem crua de uma incansável batalha dos pobres do campo que peleiam uma vida mais justa e menos judiada para os trabalhadores. Lembrança dolorosa da ação violenta de um sistema que derrama sangue para defender os interesses das suas classes dominantes.

A justiça na nossa sociedade é sempre uma justiça de classe, que cobre com a impunidade o crime do ricos e penaliza e sacrifica os oprimidos. A sentença de morte das oligarquias rurais, os capitalistas do agronegócio e o poder político atingiu Elton Brum para atacar todo movimento dos trabalhadores, pra impor repressivamente a desarticulação da luta por reforma agrária no coração do latifúndio no estado do RS. Por isso reclamar em alto e bom som essa memória é lutar sem tréguas nas condições de hoje para que se mude a vida coletivamente e se faça justiça social pela ação direta dos trabalhadores, na terra onde domina o poder, o privilégio e a riqueza de uns poucos donos.

A reforma agrária está paralisada no Brasil. O agronegócio domina no campo associado com o latifúndio e o Estado. Extensas monoculturas de soja, cana, celulose, empresas de mineração, etc. são os principais produtos do país para negócios comerciais com o estrangeiro. Os donos das terras estão mais poderosos, formam uma coligação capitalista com os bancos e os grupos transnacionais, tem o poder sobre o orçamento da agricultura, o perdão das dívidas com o governo, atropelam normas ambientais. Durante o último ano o Incra teve um corte de 70% no orçamento do custeio para funcionamento do órgão. A greve dos servidores do Incra e MDA reivindica salários, melhores condições de trabalho e a contratação de 4 mil novos trabalhadores para atender esse setor.

O governo do PT, com Lula e com Dilma, trocou o projeto de reforma agrária pela cooptação burocrática de dirigentes dos movimentos sociais com políticas mínimas que não atingem todos assentamentos e não mudam a estrutura fundiária do país.

A conjuntura dos assentamentos de São Gabriel, onde mataram o Elton, passados mais de três anos atesta a política miserável a que foi entregue a reforma agrária.

1 – O Incra foi transformado numa tapera sem recursos e sem funcionários que no máximo é fiscal da miséria dos assentamentos;

2 – Falta de estradas de acesso para o transporte escolar das crianças e escoamento da produção;

3 – Falta de rede de distribuição de água potável agravado no último ano pela seca que obrigou as famílias a percorrerem quilômetros em busca de água de barragens e rios.

4 – Atraso na liberação dos créditos para os trabalhadores aplicarem na produção, provocando o êxodo das famílias do assentamento e a procura de trabalho assalariado em outras regiões;

5 – Inexistência de investimento na infra-estrutura produtiva dos assentamentos;

6 – Ainda há assentamentos que em três anos não foram demarcados e não tem rede de energia instalada.

Históricas marchas e ocupações fizeram a luta de classes romper a “paz” cruel e opressiva dos latifúndios na região de São Gabriel. Tudo indica que a peleia não acabou. Que a melhor homenagem aos companheiros que caíram lutando é continuar seus sonhos, não desistir nunca!

Atuar forte e pela base na união dos trabalhadores para ter uma reforma agrária que enfrente o agronegócio e os governos de conciliação de classes.

Construir formas coletivas e de ajuda mútua sobre a terra e os meios de produção.

LUTAR e CRIAR PODER POPULAR!

 

[CURITIBA] Encontro mensal do CEL: 26.08.12

O Círculo de Estudos Libertários (CEL) surgiu como espaço de estudo em janeiro de 2011, com o objetivo de debater “a atuação política, a teoria clássica e contemporânea do Anarquismo, (…) fortalecendo a perspectiva classista, autônoma, socialista e combativa das classes exploradas, em sua formação cultural e intelectual”. Com dois encontros por mês e textos lidos previamente por seus participantes, o grupo teve relativo sucesso no que se propunha a fazer, se tornando ainda “por tabela”, uma referência
para

os novos companheiros e companheiras interessados nas propostas do anarquismo organizado. A partir de 2012 o CEL tornou-se um espaço ligado ao Coletivo Anarquista Luta de Classe (CALC), continuando dessa forma, aberto a participação dos trabalhadores e trabalhadoras que queiram se debruçar sobre o estudo das lutas sociais e a participação dos socialistas libertários nas mesmas. Seguindo agora um programa definido de textos
pretendemos melhorar a qualidade de nossos encontros, contribuindo também, para auxiliar a formação teórica da militância anarquista aqui na cidade de Curitiba (PR).Próxima leitura:MÓDULO IV: CAPITALISMO E ESTADO
Curso 10: Capitalismo Ontem e Hoje

Mikhail Bakunin. “O Sistema Capitalista”.
Fábio López López. “Capitalismo Contemporâneo”.
Curso 11: Estado Ontem e Hoje

Mikhail Bakunin. “Estatismo e Anarquia -” Excertos.”
Bruno Lima Rocha. “Uma Análise Libertária do Papel do Estado e da Luta por Direitos no Capitalismo Neoliberal”.

baixe aqui:
http://anarquismosp.org/portal/images/stories/ArquivoFasp/docs/programa_de_formacao/modulo_04.pdf
ou
fotocopie na copiadora Reitoria na pasta do CEL.
R. Amintas de Barros, 192-344 – Centro, Curitiba, Paraná 80060-200, Brazil
Em Textos e Documentos – Programa de Formação FARJ-OASL

Socialismo! Liberdade!

Coletivo Anarquista Luta de Classe.

Onde? Rua Presidente Faria, 515.

Quando? 26.08.2012

Que horas? 09:30

Organização: Coletivo Anarquista Luta de Classe