Solidaridad internacional con la FAG

En Porto Alegre, el pasado 20 de junio, cerca de 15 agentes de la Policía Civil sin orden de allanamiento irrumpieron en el Ateneo Batalha da Varzea, local social y político que es sede de la Federación Anarquista Gaúcha.

En esa ciudad, donde desde de comienzo de año se han producido masivas movilizaciones reivindicando causas populares que tienen que ver con el transporte público, la salud, educación, contra la corrupción, y con una gran intensión de cambio social para su localidad como para su país.

En un país donde millares de personas salen a la calle a denunciar que está todo podrido y es necesario y urgente cambiarlo. Ante tanta opulencia de los poderosos, de los estadios construidos para la copa de las confederaciones y el mundial de FIFA. Ante tanta represión sostenida, desplazamiento y militarización de los barrios populares, desatención casi total de la salud pública, la educación, y una usura y robo que como corolario es el precio del transporte y la calidad del mismo.

Y se pretende criminalizar a la FAG, y hacerla responsable de toda la bronca y furia que tiene la población de todo el país. Se pretende acusar a la FAG diciendo que es su local se encontró literatura anarquista, ¿y qué se piensa encontrar en un local anarquista?. Se acusa a la FAG de negociar con la ultra derecha, cuando la tarea la misma ha sido en lugares que la derecha rechaza, como son los comité de Resistencia Popular, el movimiento de Catadores, el Sindicalismo, el movimiento campesino, la lucha Estudiantil, las actividades de involucrar a más compañeros en prácticas de cultura liberadora.

Y más, y más cosas que separan a la FAG de lo que sí ha sido su enemigo en una constante histórica, como el allanamiento que ocurriera en el año 2009 por orden de la gobernadora Yeda Crusius, cuando la organización anarquista la señaló como la responsable del asesinato del militante del MST Elthon Brum.

Entonces es que se ha estado sí contra los poderosos, los de arriba y sus aliados de turno. Este allanamiento es ante todo ideológico, porque es la persecución de nuestras ideas lo que está primero. Es eso lo que quieren borrar: todos los significados de rebeldía y liberación que puedan adoptar nuestras luchas, la independencia de clase, la democracia directa, la construcción del poder popular.

Manifestamos entonces nuestra mayor preocupación y alerta sobre el tema y daremos seguimiento al asunto dando respuesta donde nos encuentre las historias de nuestras luchas!!.

Basta de represión al movimiento popular brasilero!!.

Basta de criminalizar a la FAG!!.

Arriba los que luchan!!!.

 

federación Anarquista uruguaya (Uruguay).

Columna Libertaria Joaquín Penina (Rosario – Argentina).

Columna Libertaria Malatesta (Buenos Aires – Argentina).

Zabalaza Anarchist Comunist Front (Sudáfrica).

Organización Anarquista Socialismo Libertario (San Pablo – Brasil).

Unión Socialista Libertaria (Perú).

Federación Anarco Comunista (Argentina).

Autogestión Oscar Barrios (Buenos Aires – Argentina).

Federación Comunista Libertaria (Chile).

Convergencia Libertaria (Valparaíso – Chile).

Gisela Gaeta – actriz – (Buenos Aires – Argentina).

Red Libertaria Estudiantil (Valparaíso – Chile).

Dr Alejandro Horowicz, titular de “Los cambios en el sistema políticomundial”, Sociologia, Universidad de Buenos Aires (Argentina).

Osvaldo Bayer (Buenos Aires – Argentina).

Sala Alberdi (Buenos Aires – Argentina).

Pueblos, Barrios y Colonias en Defensa de Atzcapotzalco (Mejico).

Luciano Andrés Valencia, Escritor e historiador (Rio Negro – Patogonia Argentina).

Mb12 de Agosto (Claypole – Glew – Argentina).

Salvemos al Iberá (Corrientes – Argentina).

Martín Jaime (Argentina).

Analia Casafu, Ruben Saboulard, Angela Morin, Comision de Coordinacion de las ASAMBLEAS DEL PUEBLO (Argentina).

Sociedad de Resistencia Oficios Varios San Martín adherida a la FORA – AIT (Argentina).

FOB – Federación de Organizaciones de Base, Córdoba, Rosario , Buenos Aires , José C. Paz, Berazategui, Almirante Brown, Florencio Varela, Valentin Alsina, Lanus, Lugano, La Matanza, Lomas de Zamora (Argentina).

Federación Anarquista del Rio de Janeiro (Rio de Janeiro – Brasil)

Organizações da CAB analisam as últimas mobilizações no Brasil

Compartilhamos o link de 3 análises recentes produzidas por organizações integrantes da Coordenação Anarquista Brasileira – CAB sobre as recentes mobilizações no Brasil.

Leia e compartilhe!!!

Breve análise sobre os últimos acontecimentos e as mobilizações sociais no Brasil e propostas Socialistas Libertárias para a luta – FARJ
http://anarquismorj.wordpress.com/2013/06/25/breve-analise-sobre-os-ultimos-acontecimentos/  

Entrevista com a OASL sobre as mobilizações no Brasil
http://anarkismo.net/article/25774

Nota pública do CAZP sobre as últimas manifestações
http://cazp.wordpress.com/2013/06/24/nota-publica-do-cazp-sobre-as-ultimas-manifestacoes/

Pelo Socialismo e pela Liberdade!
Federação Anarquista Gaúcha (integrante da CAB)

 

[CURITIBA] Remarcando C.E.L Junho, para 2 de julho

Neste mês de junho, como bem se nota as ruas do Brasil foram tomadas por manifestações em torno da luta contra o aumento das tarifas. Como não poderia ser diferente o CALC tomou parte desta luta junto a Frente de Luta pelo Transporte.

Atos de rua vem acontecendo, em especial, nas ultimas duas semanas. Nesse sentido de certa maneira não poderíamos ter certeza que nesta terça (25.06) seria possível realizar o CEL (na medida em que nossa militância poderia estar ocupada organizando a luta contra o aumento da tarifa, e mesmo que o público do CEL comparecesse, pois por se tratarem de militantes também, provavelmente estariam compondo os atos).

Podemos afirmar que nossa luta já é vitoriosa, esperamos que amanhã seja maior, mais ao que tudo indica já podemos retornar a nossas atividades normais.

Deste modo reorganizamos o calendário do C.E.L, transferindo a reunião do 25 de junho para o 2 de julho. Cabe afirmar que a reunião do 30 de julho (encontro de julho esta confirmada).

Assim:

3° Encontro C.E.L

Quando:2 de Junho, as 18: 30

Quando: Santos Andrade, sala 205.

Leitura:

Teoria anarquista e ideologia anarquista

Tal encontro tem como objetivo inicial diferenciar teoria e ideologia conceitos estes, que de acordo com nossa corrente são distintos. É objetivo deste encontro introduzir a noção de ideologia anarquista, bem como a(s) teoria(s) anarquistas. Por fim cabe estabelecer a relação que guardam teoria e ideologia.

-O QUE É IDEOLOGIA?

Federação Anarquista Uruguaia (FAU)

-A história na visão dos anarquistas, no livro A história por anarquistas capitulo II

Anderson Romário Pereira Corrêa

Baixe aqui: https://coletivoanarquistalutadeclasse.files.wordpress.com/2013/04/cel-iii.pdf

Fotocopie aqui: Rua Amintas de Barros 192 (Copiadora Reitoria), pasta Círculo de Estudos Libertários.

Saiba mais:

O Círculo de Estudos Libertários (CEL) surgiu como espaço de estudo em janeiro de 2011, com o objetivo de debater “a atuação política, a teoria clássica e contemporânea do Anarquismo, (…) fortalecendo a perspectiva classista, autônoma, socialista e combativa das classes exploradas, em sua formação cultural e intelectual”. Com dois encontros por mês e textos lidos previamente por seus participantes, o grupo teve relativo sucesso no que se propunha a fazer, se tornando ainda “por tabela”, uma referência para os novos companheiros e companheiras interessados nas propostas do anarquismo organizado. A partir de 2012 o CEL tornou-se um espaço ligado ao Coletivo Anarquista Luta de Classe (CALC), continuando dessa forma, aberto a participação dos trabalhadores e trabalhadoras que queiram se debruçar sobre o estudo das lutas sociais e a participação dos socialistas libertários nas mesmas. Seguindo agora em 2013 um programa definido de textos pretendemos melhorar a qualidade de nossos encontros, contribuindo também, para auxiliar a formação teórica da militância anarquista aqui na cidade de Curitiba (PR).

Retornamos em 2013 com encontros mensais, nas ultimas terças feiras do Mês , sempre as 18:30h

[OASL] Entrevista com a OASL sobre as mobilizações no Brasil

A militância da Organização Anarquista Socialismo Libertário (OASL) tem participado das lutas contra o aumento das tarifas em São Paulo, tanto na capital, como em cidades como Mogi das Cruzes, Marília e Franca, no crescente movimento que tomou conta do país. A militância de outras organizações ligadas à Coordenação Anarquista Brasileira (CAB) tem, em outros estados, também ajudado a construir as lutas. Abaixo, dois militantes da OASL, Pablo Pamplona e Thiago Calixto*, que vêm participando das lutas, respondem algumas questões sobre o recente processo de mobilização no país. A OASL é membro do Anarkismo.net.

Jonathan Bane (JB): Como as mobilizações começaram e ganharam força? Como elas estão sendo organizadas e por quem?

OASL: Nos últimos meses, aconteceram muitas lutas significativas, como a greve dos professores do Estado de São Paulo, que ocorreu poucas semanas antes e também mobilizou milhares de pessoas em várias manifestações, mas que foi cooptada pela direção do sindicato. Outra luta relevante tem sido a dos estudantes e funcionários da Universidade Estadual Paulista (UNESP) que está há mais de dois meses em greve, em algumas unidades com ocupação e com um corte de estradas em Marília, e tem lutado por bandeiras importantes como permanência estudantil, isonomia em relação às outras universidades públicas, por uma política de cotas sociais e raciais e contra o Programa de Inclusão com Mérito no Ensino Superior Paulista (PIMESP). A militância da OASL tem ajudado a construir essas lutas.

Por outro lado vemos outras mobilizações relevantes, em nível comunitário, sindical, agrário e estudantil, que têm ajudado a influenciar o estado de ânimo da população, como o apoio a trabalhadores despejados de suas casas em decorrência da especulação imobiliária e da preparação para os mega eventos, como no caso de Pinheirinho e Favela do Moinho, entre muitos outros. Os movimentos populares que estão articulando esses movimentos certamente têm ajudado a impulsionar a população às ruas.

As lutas contra o aumento da passagem vêm sendo organizadas majoritariamente pelo Movimento Passe Livre (MPL), que organiza e convoca lutas em torno da questão do transporte desde 2006. O movimento – com o qual temos grande afinidade e proximidade – conserva um caráter autônomo e combativo. Constrói suas lutas com independência e prima pela participação generalizada e horizontal. Não leva carros de som às ruas, os pronunciamentos são sempre passados em forma de jogral (alguém grita os informes e as pessoas ao redor repetem as mesmas palavras, para que um número maior de pessoas possa ouvir) e a passividade dos manifestantes nunca é estimulada; ao contrário, a participação e ação amplas são sempre incentivadas. Esse caráter, bastante característico nas lutas contra o aumento, tem conquistado um forte respaldo da população, que, ao nosso ver, está cansada das mobilizações no modelo tradicional da esquerda, em torno de palanques e discursos desgastados. A desobediência civil e ação direta, assim como o trabalho de base, têm sido constantemente praticados pelo movimento. Ao mesmo tempo, deve ser motivo de preocupação o fato de a oposição aos partidos ter sido, em grande medida, apropriada por um setor conservador e nacionalista, algumas vezes estimulada pela extrema-direita e ter se estendido à esquerda como um todo, incluindo os movimentos sociais e sindicatos. A grande mídia também tem contribuído para esse avanço das forças conservadoras e para o enfraquecimento das pautas relacionadas ao transporte.

JB: Protestos contra aumentos nas tarifas são bastante comuns no Brasil. Como é que o que está acontecendo em São Paulo difere de protestos passados?

OASL: Quando terminaram as mobilizações contra o último aumento da tarifa, em 2011, o MPL discutiu a ampliação de sua discussão. Fez uma avaliação de que se deveria seguir com a luta em outro nível de discussão e levantou uma campanha pela Tarifa Zero. O movimento levou a discussão do transporte público a uma questão política, de gestão pública de recursos e direito à cidade, defendendo que um transporte público de verdade, assim como outros direitos como saúde e educação, não deveria ser tarifado, mas garantido pelo poder público e pago com impostos graduais: quem tem mais paga mais, quem tem menos paga menos, que não tem não paga. Com essa nova campanha, o movimento pôde sustentar, por dois anos, a discussão política interna e um trabalho externo de base em escolas e comunidades que, a nosso ver, foi muito positivo. Acreditamos que esse isso contribuiu para qualificar os militantes para a construção de uma nova jornada de lutas, maior e mais ousada, como ela de fato foi, desde antes mesmo do primeiro grande ato. Só não era esperado que a mobilização fosse crescer tanto e, em grande medida, escapar completamente àquilo que havia sido planejado.

Outro fator que pode ter contribuído é que, depois de oito anos e pela primeira vez nas lutas contra o aumento em São Paulo, temos um prefeito do Partido dos Trabalhadores (PT). A luta também interessou a fortes setores conservadores mais à direita, que vêm tentando desgastar a imagem do novo prefeito e, com isso, a do governo federal. Um elemento fundamental foi a posição da imprensa que, no início, colocou-se contra o movimento. Conforme as mobilizações cresciam, assim como o apoio popular – somados à enorme repressão que atingiu parte significativa dos repórteres dos grandes veículos – a imprensa foi mudando sua posição e passando a defender o movimento. Preferiu, entretanto, promover suas próprias pautas e incentivar o pacifismo, o civismo, o nacionalismo, criminalizando setores mais radicalizados. Finalmente, podemos identificar que a tecnologia em geral (câmeras em celulares, por exemplo), com destaque para a internet, permitiram a divulgação do que se passava nos protestos e que isso fosse potencializado pelas redes sociais. Essa variável também possui relevância.

JB: Qual tem sido o papel das redes sociais nas mobilizações?

OASL: Nada disso seria possível sem a construção de anos de luta do movimento, ou sem esse sentimento de revolta contra a repressão do Estado. No entanto, as redes sociais também têm um papel fundamental, como colocamos. O Facebook é uma ferramenta importante para o MPL, e seu principal ponto de referência. A convocação dos atos foi feita por “eventos”, notas públicas têm sido lançadas dando esclarecimentos sobre a luta e, principalmente, é por ele que os veículos de comunicação de massa são desmentidos.

A primeira manifestação teve cerca de 5 mil pessoas, e já teve acompanhamento ao vivo do Jornal Nacional, o principal jornal televisivo do país. O mesmo se seguiu pelos atos seguintes: a grande mídia continuou falando da luta (antes mesmo da redução da tarifa, ela já era capa de muitos dos principais jornais e revistas do país). Inicialmente, os manifestantes foram taxados de vândalos, jovens sem causa e outras posições que tentavam deslegitimar o movimento. Então todo o país falava das manifestações, o que foi fundamental, e pelas redes sociais compartilhava vídeos e informações que mostram outra versão da história.

A repressão, ao contrário de levar ao medo, incentivou a revolta da população, e, em São Paulo, o governo suspendeu as repressões mais massivas com a Tropa de Choque. Os manifestantes, muito influenciados pela grande mídia, passaram a condenar quaisquer atos de violência e o “pacifismo” se converteu em um dos grandes sensos comuns dos protestos.

Na nossa avaliação, os recentes fatos confirmam o que os anarquistas defendem desde sempre: não basta levar o povo às ruas; é preciso que o povo conquiste o poder, de baixo para cima, pelo seu próprio ritmo e organização, não por meio da tomada do Estado, mas pela construção de organismos participativos e populares. Para isso, o trabalho de base é imprescindível. Se não há uma preparação prévia, a discussão política é abstraída e cooptada pelos setores da sociedade que estiverem mais organizados. No caso atual, os grandes capitalistas e o Estado. Grande parte da população que está nas ruas não tem acúmulo em discussões políticas e apenas reproduz o que vê há muito tempo através das lentes da ideologia dominante. Foi condicionada a converter a pauta a temas que interessam à direita, como o “orgulho de ser brasileiro”, “menos impostos”, “menos impunidade” etc.

As redes sociais não são boas por si só e não substituem, de forma alguma, a importância e necessidade da organização popular e trabalho de base permanente. Isso deveria ser lembrado por toda a esquerda. No entanto, como forma de propaganda, elas têm sido fundamentais para que muitas pessoas soubessem da luta e dos agendamentos das manifestações.

JB: As mobilizações são apenas pelo aumento da tarifa de ônibus ou existem questões sociais mais profundas que estão sendo levantadas? Se sim, quais são elas e por quê?

OASL: O MPL defende que qualquer tarifa de ônibus é um roubo, já que é um serviço público e, como tal, deve ser gratuito. O movimento entende que a questão da mobilidade urbana está diretamente relacionada a outros direitos básicos, como por exemplo, saúde, educação e cultura. Além de defender que o direito de ir e vir não se restringe a ir e voltar do trabalho. O direito à cidade, de qualquer cidadão poder usufruir das coisas que a cidade oferece, é então uma pauta central e muito profunda. A descriminalização dos movimentos sociais também é uma pauta importante que deve ganhar força com a chegada da Copa do Mundo.

Mas de qualquer forma o MPL sustentava, antes da revogação dos aumentos, e nós compartilhamos dessa análise, que a pauta da luta deveria continuar sendo a redução imediata da tarifa. Tínhamos receio de que uma luta por tudo terminasse como conquista de nada. Por isso apoiamos o foco na redução da tarifa. A partir do momento que a redução fosse conquistada, a luta poderia avançar para os próximos passos e, pelo acúmulo de conquistas de curto e médio prazo, o movimento poderia se fortalecer cada vez mais. Esse ponto de vista era compartilhado por praticamente toda a esquerda.

Entretanto, com a conquista da redução, outras pautas vêm sendo colocadas. Algumas pela esquerda, como a necessidade da tarifa zero, o fim da repressão aos movimentos sociais, o avanço nas lutas por direitos etc. Outras pela direita mais conservadora, ou mesmo por grande parte do senso comum que permeia muitas pessoas que estão nas ruas. O tamanho das mobilizações levou a população ao otimismo de pensar que “o Brasil está mudando” e à vontade de exigir tudo que lhe vem à mente. A nosso ver, é importante que nosso setor, que busca construir lutas populares autônomas e combativas, retome essa continuidade das pautas.

JB: Que tipo de dados demográficos estão envolvidos nos protestos? Eles são em sua maioria jovens e ativistas ou os protestos têm assumido um caráter mais popular?

OASL: Nos últimos dias as lutas conquistaram um público mais plural. Nas regiões centrais da cidade temos notado um conjunto de forças composto mais ou menos da seguinte maneira. Um setor mais autônomo e combativo, ligado ao MPL, que tem força e encabeçou o início das mobilizações. Um setor mais tradicional da esquerda, com partidos e movimentos, que tiveram participação significativa desde o início dos protestos. Um setor majoritário de novas pessoas que têm saído às ruas (pesquisas tem mostrado que a maioria das pessoas nunca havia ido às ruas), e que reproduz muito do senso comum; são em grande parte conservadores e sustentam pautas ligadas à agenda conservadora. Dessa ala vem o repúdio aos partidos políticos que acabou se convertendo em repúdio a toda a esquerda. Finalmente, há um setor, certamente o minoritário, que reúne a extrema-direita, em alguns casos articuladas a setores militares, do grande capital e latifundiários. A questão que ainda não está clara é qual a capacidade dessas novas pessoas que são majoritárias aderirem às propostas de luta classistas e combativas, ainda que independente de partidos políticos e do Estado.

Em termos de classe, as mobilizações da região central da cidade são compostas, na maioria, por quem está ou esteve no ensino superior. Entretanto, é possível notar uma participação de trabalhadores e moradores da periferia; a maioria fora da esquerda organizada. Nas periferias, os movimentos sociais têm realizado mobilizações muito importantes, de caráter marcadamente popular e com posições mais à esquerda. Talvez a continuidade dos protestos deva ser procurada nessas iniciativas, para aqueles que de fato desejam construir alternativas de poder popular.

Em termos de números, o país chegou a mobilizar mais de um milhão de pessoas (0,5% da população); em São Paulo, chegamos a algumas centenas de milhares em alguns dias.

JB: Como é que a população em geral reagiu aos protestos? Tanto para o uso excessivo da força pela polícia e as acusações de vandalismo?

OASL: Há uma divisão muito grande na reação geral. Nas primeiras manifestações tínhamos o seguinte quadro: havia aqueles que denunciavam os manifestantes como vândalos aproveitadores, mas até então não era uma posição majoritária. Havia aqueles que defendiam que as manifestações fossem pacíficas, e aqueles que acusavam a violência do Estado. Porém, dada a generalizada manipulação da mídia e a falta de preparo da esquerda em responder às acusações, temos hoje um grande número de pessoas que acusam qualquer ação direta mais radical de vandalismo. Está se tentando separar os manifestantes pacíficos dos violentos e, infelizmente, em alguns casos, o governo tem tentado colocar a conta dos atos de violência na conta dos anarquistas. Esse foi o caso no Rio Grande do Sul, com a invasão da sede da Federação Anarquista Gaúcha (FAG) pela polícia e a tentativa de responsabilizá-la não só pelos atos de vandalismo, mas pelo cúmulo de apoio às iniciativas da direita. Isso é realmente um absurdo.

Antes de tudo, a violência é propagada diariamente pelo sistema em que vivemos. Violência é utilizar diariamente o sistema de transporte precário que temos, violência é morrer nas filas de hospitais públicos, violência é a educação de nossas escolas públicas, violência é a exploração que sofremos diariamente quando trabalhamos. Isso tem que ficar claro. O capitalismo é um sistema pautado na violência. Somos violentados todos os dias. E quando o povo reclama, se mobiliza, é novamente violentado pelo Estado, como têm sido os casos de repressão em todo o país. A violência das manifestações são respostas para essa situação a que a população é submetida todos os dias.

Ainda assim, devemos lembrar que as últimas manifestações em São Paulo mostraram casos de violência entre os próprios manifestantes, estimulado por setores da extrema-direita e protagonizado pelos novos e conservadores que estão nas ruas. Violência contra militantes de partidos, movimentos sociais e toda a esquerda organizada. E não se tratava de um rechaço pela esquerda, mas pela direita, em discursos e atitudes fascistóides. Muitos dos defensores da não-violência aderiram a isso, fato que a mídia praticamente não abordou.

JB: Há também protestos contra o aumento das tarifas no Rio de Janeiro, Porto Alegre e outras cidades. Qual é o caráter social desses protestos? Eles são semelhantes a São Paulo?

OASL: Não é possível dizer que o caráter social é o mesmo. Pelo menos em nossa impressão, esse setor conservador é maior em São Paulo do que no resto do país. Entretanto, outras cidades têm estado amplamente mobilizadas e nisso há similaridade. O país está bastante mobilizado de maneira geral.

Sobre o MPL, o que podemos dizer é que um de seus princípios é o federalismo, e que há cidades e estados onde o movimento existe organicamente. Sua articulação em diversos estados e mesmo a construção de blocos de luta contra o aumento tem contribuído com essa construção à esquerda, independente e combativa do movimento.

Acreditamos que as conquistas anteriores, que incluem Porto Alegre, e as conquistas de São Paulo e Rio de Janeiro – para não falar de outras regiões – têm contribuído com o aumento das mobilizações.

JB: O Brasil está atualmente sediando a Copa das Confederações. No ano que vem ele vai sediar a Copa do Mundo da FIFA e em 2016 o Rio de Janeiro vai sediar os Jogos Olímpicos. Qual tem sido o impacto social por sediar esses mega eventos?

OASL: Em depoimento nas redes de televisão pública, a presidente Dilma Rousseff garantiu que “o Brasil merece e vai fazer uma grande Copa”, e que apóia manifestações pacíficas, mas não vai “transigir com a violência e a arruaça”. Também surgem novas leis contra o “terrorismo”, facilitando a criminalização de movimentos sociais e da ação direta, e garantindo a proteção dos capitalistas e seus crimes.

É evidente que esses megaeventos têm trazido impactos sociais no sentido contrário a tudo o que poderia ser popular. Politicamente, fortalece figuras do poder e suas imagens e, deliberativamente, sua união ocorre com grandes empresários e especuladores. Após a confirmação absoluta desses eventos, a sistematização nos processos de higienização social ganhou força de vários setores conservadores e reacionários. Construtoras têm lucrado como nunca devido à intensa especulação no setor imobiliário, e essas mesmas construtoras foram responsáveis por financiamentos de partidos das alas liberais. Sabemos que favelas têm sido incendiadas de forma criminosa, com o claro objetivo de limpar a imagem das cidades para os turistas.

Em São Paulo, usuários de drogas têm sofrido repressão da polícia a mando do governo, que inclusive vem internando essas pessoas de forma compulsória. No Rio de Janeiro, um processo que a polícia, com apoio da mídia, tem chamado de “pacificação”. Ela serve de argumento para a instalação da polícia nas favelas e para prosseguir com a higienização e os assassinatos. Toda a mídia, juntamente com a burguesia e inclusive os militares, usa desses subterfúgios para retomar e propagar um sentimento ultranacionalista perdido depois dos períodos de ditadura militar.

JB: Os protestos atuais são de alguma forma relacionados a estes megaeventos?

OASL: O estopim foram os aumentos das tarifas de ônibus, metrô e trens. No entanto, junto às muitas pautas que surgiram, à esquerda e à direita, a questão da Copa tem sido relevante. As pessoas têm questionado o investimento público nesses megaeventos enquanto o país precisa de investimentos em muitas outras áreas como educação, saúde, transporte etc. Isso certamente tem contribuído com as manifestações.

O MPL tem apoiado desde o início o movimento Copa Para Quem?, que levanta essas questões, e está junto com o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), que também pauta os reflexos que a Copa tem ocasionado na periferia pelas questões de moradia e especulação imobiliária.

JB: A revolta popular na Turquia teve alguma influência sobre o que está acontecendo atualmente em São Paulo e em outras cidades? E a Primavera Árabe?

OASL: Essas revoltas sempre nos levantam ao espírito do possível. Ver outros povos se levantando faz com que trabalhadores e trabalhadoras questionem por que não estão indo às ruas e reivindicando seus direitos, os lembra de tudo o que é preciso conquistar.

Mas dois anos atrás, na última jornada de lutas contra o aumento da tarifa, nós já víamos outros países se levantando e não houve uma adesão que chegasse minimamente perto do que vemos hoje. Pode haver uma forte influência no campo do inconsciente ou simbólico, especialmente para os militantes e ativistas, mas muito pouco pode ser dito sobre a grande massa nas ruas.

JB: Há algo que as pessoas fora do Brasil podem fazer para apoiar a luta aí?

OASL: Pautar essas manifestações e demonstrar solidariedade pública em manifestações organizadas em seus países e declarações de apoio. Divulgar e propagar sempre é algo que contribui.

Outra coisa importante é dar apoio à luta contra a repressão que os anarquistas têm sofrido em outras partes do país, em especial ao caso da Federação Anarquista Gaúcha (FAG), e às outras lutas em curso como a dos estudantes e funcionários da UNESP, além de várias outras lutas dos movimentos populares brasileiros.

JB: Vocês gostariam de adicionar alguma coisa?

OASL: Achamos importante ressaltar a importância de um trabalho de base organizado e continuado. A imagem de centenas de milhares de pessoas ocupando as ruas espontaneamente levantaram novos ares otimistas, da possibilidade de mudança concreta fora das urnas. Pelo imaginário social, a ocupação das ruas tornou-se o novo campo do fazer político. Mas, graças à distorção dos fatos, tornou-se também o único campo. A direita tenta construir o imaginário de que toda organização política é inerentemente oportunista e corrupta, enquanto o trabalho de base é supostamente desnecessário, já que, como cantavam os manifestantes, “o povo acordou” (e quando é que esteve dormindo?).

As ruas são uma ferramenta fundamental para tornar a luta pública, mas não é nela que o debate público e a formação política serão completamente feitos. É pela luta diária, nos movimentos sociais, estudantis, sindicatos, comunidades, que o povo constrói o poder necessário para a conquista de sua emancipação. O que vemos hoje é que, se por um lado a esquerda tem potencial para mobilizar, algumas de suas formas estão muito desgastadas. É necessário, a nosso ver, dar ênfase no trabalho de base e adotar uma estratégia que contribua com esse projeto emancipador. A nosso ver, nas mobilizações, nos movimentos populares, estimulando o classismo, a combatividade, a independência, a participação democrática; em suma, tratando de construir poder popular. Não devemos deixar de lado a luta simbólica.

O ponto fundamental é que esse potencial deve ser convertido em força social que contribua com nosso projeto de uma nova sociedade; e isso não se dá por vias do Estado ou acordos com capitalistas. O povo precisa de uma alternativa própria. Se não houver organização popular, as lutas continuarão a ser perdidas. Como anarquistas, sustentamos que essa organização estará melhor preparada se for construída de baixo para cima, com uma base forte e capaz de levar a luta aos caminhos que interessa a ela como classe.

Vivemos um momento histórico, de uma reviravolta no estado de ânimo da população. Tivemos um imenso avanço quantitativo para a luta e, se desejamos avançar ainda mais, precisaremos focar no trabalho de base, por onde poderemos, com a luta diária, aprender com nossos erros e acertos.

Avante na construção do poder popular! Arriba los que luchan!

* Pablo Pamplona e Thiago Calixto são militantes da Organização Anarquista Socialismo Libertário (OASL), de São Paulo, e têm contribuído na luta contra o aumento ao lado do Movimento Passe Livre.

Related Link: http://www.anarquismosp.org*

Entrevista com a OASL sobre as mobilizações no Brasil
category brazil/guyana/suriname/fguiana | a esquerda | entrevista author Tuesday June 25, 2013 01:46author by Organização Anarquista Socialismo Libertário – OASL Report this post to the editors

A militância da Organização Anarquista Socialismo Libertário (OASL) tem participado das lutas contra o aumento das tarifas em São Paulo, tanto na capital, como em cidades como Mogi das Cruzes, Marília e Franca, no crescente movimento que tomou conta do país. A militância de outras organizações ligadas à Coordenação Anarquista Brasileira (CAB) tem, em outros estados, também ajudado a construir as lutas. Abaixo, dois militantes da OASL, Pablo Pamplona e Thiago Calixto*, que vêm participando das lutas, respondem algumas questões sobre o recente processo de mobilização no país. A OASL é membro do Anarkismo.net.

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Jonathan Bane (JB): Como as mobilizações começaram e ganharam força? Como elas estão sendo organizadas e por quem?

OASL: Nos últimos meses, aconteceram muitas lutas significativas, como a greve dos professores do Estado de São Paulo, que ocorreu poucas semanas antes e também mobilizou milhares de pessoas em várias manifestações, mas que foi cooptada pela direção do sindicato. Outra luta relevante tem sido a dos estudantes e funcionários da Universidade Estadual Paulista (UNESP) que está há mais de dois meses em greve, em algumas unidades com ocupação e com um corte de estradas em Marília, e tem lutado por bandeiras importantes como permanência estudantil, isonomia em relação às outras universidades públicas, por uma política de cotas sociais e raciais e contra o Programa de Inclusão com Mérito no Ensino Superior Paulista (PIMESP). A militância da OASL tem ajudado a construir essas lutas.

Por outro lado vemos outras mobilizações relevantes, em nível comunitário, sindical, agrário e estudantil, que têm ajudado a influenciar o estado de ânimo da população, como o apoio a trabalhadores despejados de suas casas em decorrência da especulação imobiliária e da preparação para os mega eventos, como no caso de Pinheirinho e Favela do Moinho, entre muitos outros. Os movimentos populares que estão articulando esses movimentos certamente têm ajudado a impulsionar a população às ruas.

As lutas contra o aumento da passagem vêm sendo organizadas majoritariamente pelo Movimento Passe Livre (MPL), que organiza e convoca lutas em torno da questão do transporte desde 2006. O movimento – com o qual temos grande afinidade e proximidade – conserva um caráter autônomo e combativo. Constrói suas lutas com independência e prima pela participação generalizada e horizontal. Não leva carros de som às ruas, os pronunciamentos são sempre passados em forma de jogral (alguém grita os informes e as pessoas ao redor repetem as mesmas palavras, para que um número maior de pessoas possa ouvir) e a passividade dos manifestantes nunca é estimulada; ao contrário, a participação e ação amplas são sempre incentivadas. Esse caráter, bastante característico nas lutas contra o aumento, tem conquistado um forte respaldo da população, que, ao nosso ver, está cansada das mobilizações no modelo tradicional da esquerda, em torno de palanques e discursos desgastados. A desobediência civil e ação direta, assim como o trabalho de base, têm sido constantemente praticados pelo movimento. Ao mesmo tempo, deve ser motivo de preocupação o fato de a oposição aos partidos ter sido, em grande medida, apropriada por um setor conservador e nacionalista, algumas vezes estimulada pela extrema-direita e ter se estendido à esquerda como um todo, incluindo os movimentos sociais e sindicatos. A grande mídia também tem contribuído para esse avanço das forças conservadoras e para o enfraquecimento das pautas relacionadas ao transporte.

JB: Protestos contra aumentos nas tarifas são bastante comuns no Brasil. Como é que o que está acontecendo em São Paulo difere de protestos passados?

OASL: Quando terminaram as mobilizações contra o último aumento da tarifa, em 2011, o MPL discutiu a ampliação de sua discussão. Fez uma avaliação de que se deveria seguir com a luta em outro nível de discussão e levantou uma campanha pela Tarifa Zero. O movimento levou a discussão do transporte público a uma questão política, de gestão pública de recursos e direito à cidade, defendendo que um transporte público de verdade, assim como outros direitos como saúde e educação, não deveria ser tarifado, mas garantido pelo poder público e pago com impostos graduais: quem tem mais paga mais, quem tem menos paga menos, que não tem não paga. Com essa nova campanha, o movimento pôde sustentar, por dois anos, a discussão política interna e um trabalho externo de base em escolas e comunidades que, a nosso ver, foi muito positivo. Acreditamos que esse isso contribuiu para qualificar os militantes para a construção de uma nova jornada de lutas, maior e mais ousada, como ela de fato foi, desde antes mesmo do primeiro grande ato. Só não era esperado que a mobilização fosse crescer tanto e, em grande medida, escapar completamente àquilo que havia sido planejado.

Outro fator que pode ter contribuído é que, depois de oito anos e pela primeira vez nas lutas contra o aumento em São Paulo, temos um prefeito do Partido dos Trabalhadores (PT). A luta também interessou a fortes setores conservadores mais à direita, que vêm tentando desgastar a imagem do novo prefeito e, com isso, a do governo federal. Um elemento fundamental foi a posição da imprensa que, no início, colocou-se contra o movimento. Conforme as mobilizações cresciam, assim como o apoio popular – somados à enorme repressão que atingiu parte significativa dos repórteres dos grandes veículos – a imprensa foi mudando sua posição e passando a defender o movimento. Preferiu, entretanto, promover suas próprias pautas e incentivar o pacifismo, o civismo, o nacionalismo, criminalizando setores mais radicalizados. Finalmente, podemos identificar que a tecnologia em geral (câmeras em celulares, por exemplo), com destaque para a internet, permitiram a divulgação do que se passava nos protestos e que isso fosse potencializado pelas redes sociais. Essa variável também possui relevância.

JB: Qual tem sido o papel das redes sociais nas mobilizações?

OASL: Nada disso seria possível sem a construção de anos de luta do movimento, ou sem esse sentimento de revolta contra a repressão do Estado. No entanto, as redes sociais também têm um papel fundamental, como colocamos. O Facebook é uma ferramenta importante para o MPL, e seu principal ponto de referência. A convocação dos atos foi feita por “eventos”, notas públicas têm sido lançadas dando esclarecimentos sobre a luta e, principalmente, é por ele que os veículos de comunicação de massa são desmentidos.

A primeira manifestação teve cerca de 5 mil pessoas, e já teve acompanhamento ao vivo do Jornal Nacional, o principal jornal televisivo do país. O mesmo se seguiu pelos atos seguintes: a grande mídia continuou falando da luta (antes mesmo da redução da tarifa, ela já era capa de muitos dos principais jornais e revistas do país). Inicialmente, os manifestantes foram taxados de vândalos, jovens sem causa e outras posições que tentavam deslegitimar o movimento. Então todo o país falava das manifestações, o que foi fundamental, e pelas redes sociais compartilhava vídeos e informações que mostram outra versão da história.

A repressão, ao contrário de levar ao medo, incentivou a revolta da população, e, em São Paulo, o governo suspendeu as repressões mais massivas com a Tropa de Choque. Os manifestantes, muito influenciados pela grande mídia, passaram a condenar quaisquer atos de violência e o “pacifismo” se converteu em um dos grandes sensos comuns dos protestos.

Na nossa avaliação, os recentes fatos confirmam o que os anarquistas defendem desde sempre: não basta levar o povo às ruas; é preciso que o povo conquiste o poder, de baixo para cima, pelo seu próprio ritmo e organização, não por meio da tomada do Estado, mas pela construção de organismos participativos e populares. Para isso, o trabalho de base é imprescindível. Se não há uma preparação prévia, a discussão política é abstraída e cooptada pelos setores da sociedade que estiverem mais organizados. No caso atual, os grandes capitalistas e o Estado. Grande parte da população que está nas ruas não tem acúmulo em discussões políticas e apenas reproduz o que vê há muito tempo através das lentes da ideologia dominante. Foi condicionada a converter a pauta a temas que interessam à direita, como o “orgulho de ser brasileiro”, “menos impostos”, “menos impunidade” etc.

As redes sociais não são boas por si só e não substituem, de forma alguma, a importância e necessidade da organização popular e trabalho de base permanente. Isso deveria ser lembrado por toda a esquerda. No entanto, como forma de propaganda, elas têm sido fundamentais para que muitas pessoas soubessem da luta e dos agendamentos das manifestações.

JB: As mobilizações são apenas pelo aumento da tarifa de ônibus ou existem questões sociais mais profundas que estão sendo levantadas? Se sim, quais são elas e por quê?

OASL: O MPL defende que qualquer tarifa de ônibus é um roubo, já que é um serviço público e, como tal, deve ser gratuito. O movimento entende que a questão da mobilidade urbana está diretamente relacionada a outros direitos básicos, como por exemplo, saúde, educação e cultura. Além de defender que o direito de ir e vir não se restringe a ir e voltar do trabalho. O direito à cidade, de qualquer cidadão poder usufruir das coisas que a cidade oferece, é então uma pauta central e muito profunda. A descriminalização dos movimentos sociais também é uma pauta importante que deve ganhar força com a chegada da Copa do Mundo.

Mas de qualquer forma o MPL sustentava, antes da revogação dos aumentos, e nós compartilhamos dessa análise, que a pauta da luta deveria continuar sendo a redução imediata da tarifa. Tínhamos receio de que uma luta por tudo terminasse como conquista de nada. Por isso apoiamos o foco na redução da tarifa. A partir do momento que a redução fosse conquistada, a luta poderia avançar para os próximos passos e, pelo acúmulo de conquistas de curto e médio prazo, o movimento poderia se fortalecer cada vez mais. Esse ponto de vista era compartilhado por praticamente toda a esquerda.

Entretanto, com a conquista da redução, outras pautas vêm sendo colocadas. Algumas pela esquerda, como a necessidade da tarifa zero, o fim da repressão aos movimentos sociais, o avanço nas lutas por direitos etc. Outras pela direita mais conservadora, ou mesmo por grande parte do senso comum que permeia muitas pessoas que estão nas ruas. O tamanho das mobilizações levou a população ao otimismo de pensar que “o Brasil está mudando” e à vontade de exigir tudo que lhe vem à mente. A nosso ver, é importante que nosso setor, que busca construir lutas populares autônomas e combativas, retome essa continuidade das pautas.

JB: Que tipo de dados demográficos estão envolvidos nos protestos? Eles são em sua maioria jovens e ativistas ou os protestos têm assumido um caráter mais popular?

OASL: Nos últimos dias as lutas conquistaram um público mais plural. Nas regiões centrais da cidade temos notado um conjunto de forças composto mais ou menos da seguinte maneira. Um setor mais autônomo e combativo, ligado ao MPL, que tem força e encabeçou o início das mobilizações. Um setor mais tradicional da esquerda, com partidos e movimentos, que tiveram participação significativa desde o início dos protestos. Um setor majoritário de novas pessoas que têm saído às ruas (pesquisas tem mostrado que a maioria das pessoas nunca havia ido às ruas), e que reproduz muito do senso comum; são em grande parte conservadores e sustentam pautas ligadas à agenda conservadora. Dessa ala vem o repúdio aos partidos políticos que acabou se convertendo em repúdio a toda a esquerda. Finalmente, há um setor, certamente o minoritário, que reúne a extrema-direita, em alguns casos articuladas a setores militares, do grande capital e latifundiários. A questão que ainda não está clara é qual a capacidade dessas novas pessoas que são majoritárias aderirem às propostas de luta classistas e combativas, ainda que independente de partidos políticos e do Estado.

Em termos de classe, as mobilizações da região central da cidade são compostas, na maioria, por quem está ou esteve no ensino superior. Entretanto, é possível notar uma participação de trabalhadores e moradores da periferia; a maioria fora da esquerda organizada. Nas periferias, os movimentos sociais têm realizado mobilizações muito importantes, de caráter marcadamente popular e com posições mais à esquerda. Talvez a continuidade dos protestos deva ser procurada nessas iniciativas, para aqueles que de fato desejam construir alternativas de poder popular.

Em termos de números, o país chegou a mobilizar mais de um milhão de pessoas (0,5% da população); em São Paulo, chegamos a algumas centenas de milhares em alguns dias.

JB: Como é que a população em geral reagiu aos protestos? Tanto para o uso excessivo da força pela polícia e as acusações de vandalismo?

OASL: Há uma divisão muito grande na reação geral. Nas primeiras manifestações tínhamos o seguinte quadro: havia aqueles que denunciavam os manifestantes como vândalos aproveitadores, mas até então não era uma posição majoritária. Havia aqueles que defendiam que as manifestações fossem pacíficas, e aqueles que acusavam a violência do Estado. Porém, dada a generalizada manipulação da mídia e a falta de preparo da esquerda em responder às acusações, temos hoje um grande número de pessoas que acusam qualquer ação direta mais radical de vandalismo. Está se tentando separar os manifestantes pacíficos dos violentos e, infelizmente, em alguns casos, o governo tem tentado colocar a conta dos atos de violência na conta dos anarquistas. Esse foi o caso no Rio Grande do Sul, com a invasão da sede da Federação Anarquista Gaúcha (FAG) pela polícia e a tentativa de responsabilizá-la não só pelos atos de vandalismo, mas pelo cúmulo de apoio às iniciativas da direita. Isso é realmente um absurdo.

Antes de tudo, a violência é propagada diariamente pelo sistema em que vivemos. Violência é utilizar diariamente o sistema de transporte precário que temos, violência é morrer nas filas de hospitais públicos, violência é a educação de nossas escolas públicas, violência é a exploração que sofremos diariamente quando trabalhamos. Isso tem que ficar claro. O capitalismo é um sistema pautado na violência. Somos violentados todos os dias. E quando o povo reclama, se mobiliza, é novamente violentado pelo Estado, como têm sido os casos de repressão em todo o país. A violência das manifestações são respostas para essa situação a que a população é submetida todos os dias.

Ainda assim, devemos lembrar que as últimas manifestações em São Paulo mostraram casos de violência entre os próprios manifestantes, estimulado por setores da extrema-direita e protagonizado pelos novos e conservadores que estão nas ruas. Violência contra militantes de partidos, movimentos sociais e toda a esquerda organizada. E não se tratava de um rechaço pela esquerda, mas pela direita, em discursos e atitudes fascistóides. Muitos dos defensores da não-violência aderiram a isso, fato que a mídia praticamente não abordou.

JB: Há também protestos contra o aumento das tarifas no Rio de Janeiro, Porto Alegre e outras cidades. Qual é o caráter social desses protestos? Eles são semelhantes a São Paulo?

OASL: Não é possível dizer que o caráter social é o mesmo. Pelo menos em nossa impressão, esse setor conservador é maior em São Paulo do que no resto do país. Entretanto, outras cidades têm estado amplamente mobilizadas e nisso há similaridade. O país está bastante mobilizado de maneira geral.

Sobre o MPL, o que podemos dizer é que um de seus princípios é o federalismo, e que há cidades e estados onde o movimento existe organicamente. Sua articulação em diversos estados e mesmo a construção de blocos de luta contra o aumento tem contribuído com essa construção à esquerda, independente e combativa do movimento.

Acreditamos que as conquistas anteriores, que incluem Porto Alegre, e as conquistas de São Paulo e Rio de Janeiro – para não falar de outras regiões – têm contribuído com o aumento das mobilizações.

JB: O Brasil está atualmente sediando a Copa das Confederações. No ano que vem ele vai sediar a Copa do Mundo da FIFA e em 2016 o Rio de Janeiro vai sediar os Jogos Olímpicos. Qual tem sido o impacto social por sediar esses mega eventos?

OASL: Em depoimento nas redes de televisão pública, a presidente Dilma Rousseff garantiu que “o Brasil merece e vai fazer uma grande Copa”, e que apóia manifestações pacíficas, mas não vai “transigir com a violência e a arruaça”. Também surgem novas leis contra o “terrorismo”, facilitando a criminalização de movimentos sociais e da ação direta, e garantindo a proteção dos capitalistas e seus crimes.

É evidente que esses megaeventos têm trazido impactos sociais no sentido contrário a tudo o que poderia ser popular. Politicamente, fortalece figuras do poder e suas imagens e, deliberativamente, sua união ocorre com grandes empresários e especuladores. Após a confirmação absoluta desses eventos, a sistematização nos processos de higienização social ganhou força de vários setores conservadores e reacionários. Construtoras têm lucrado como nunca devido à intensa especulação no setor imobiliário, e essas mesmas construtoras foram responsáveis por financiamentos de partidos das alas liberais. Sabemos que favelas têm sido incendiadas de forma criminosa, com o claro objetivo de limpar a imagem das cidades para os turistas.

Em São Paulo, usuários de drogas têm sofrido repressão da polícia a mando do governo, que inclusive vem internando essas pessoas de forma compulsória. No Rio de Janeiro, um processo que a polícia, com apoio da mídia, tem chamado de “pacificação”. Ela serve de argumento para a instalação da polícia nas favelas e para prosseguir com a higienização e os assassinatos. Toda a mídia, juntamente com a burguesia e inclusive os militares, usa desses subterfúgios para retomar e propagar um sentimento ultranacionalista perdido depois dos períodos de ditadura militar.

JB: Os protestos atuais são de alguma forma relacionados a estes megaeventos?

OASL: O estopim foram os aumentos das tarifas de ônibus, metrô e trens. No entanto, junto às muitas pautas que surgiram, à esquerda e à direita, a questão da Copa tem sido relevante. As pessoas têm questionado o investimento público nesses megaeventos enquanto o país precisa de investimentos em muitas outras áreas como educação, saúde, transporte etc. Isso certamente tem contribuído com as manifestações.

O MPL tem apoiado desde o início o movimento Copa Para Quem?, que levanta essas questões, e está junto com o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), que também pauta os reflexos que a Copa tem ocasionado na periferia pelas questões de moradia e especulação imobiliária.

JB: A revolta popular na Turquia teve alguma influência sobre o que está acontecendo atualmente em São Paulo e em outras cidades? E a Primavera Árabe?

OASL: Essas revoltas sempre nos levantam ao espírito do possível. Ver outros povos se levantando faz com que trabalhadores e trabalhadoras questionem por que não estão indo às ruas e reivindicando seus direitos, os lembra de tudo o que é preciso conquistar.

Mas dois anos atrás, na última jornada de lutas contra o aumento da tarifa, nós já víamos outros países se levantando e não houve uma adesão que chegasse minimamente perto do que vemos hoje. Pode haver uma forte influência no campo do inconsciente ou simbólico, especialmente para os militantes e ativistas, mas muito pouco pode ser dito sobre a grande massa nas ruas.

JB: Há algo que as pessoas fora do Brasil podem fazer para apoiar a luta aí?

OASL: Pautar essas manifestações e demonstrar solidariedade pública em manifestações organizadas em seus países e declarações de apoio. Divulgar e propagar sempre é algo que contribui.

Outra coisa importante é dar apoio à luta contra a repressão que os anarquistas têm sofrido em outras partes do país, em especial ao caso da Federação Anarquista Gaúcha (FAG), e às outras lutas em curso como a dos estudantes e funcionários da UNESP, além de várias outras lutas dos movimentos populares brasileiros.

JB: Vocês gostariam de adicionar alguma coisa?

OASL: Achamos importante ressaltar a importância de um trabalho de base organizado e continuado. A imagem de centenas de milhares de pessoas ocupando as ruas espontaneamente levantaram novos ares otimistas, da possibilidade de mudança concreta fora das urnas. Pelo imaginário social, a ocupação das ruas tornou-se o novo campo do fazer político. Mas, graças à distorção dos fatos, tornou-se também o único campo. A direita tenta construir o imaginário de que toda organização política é inerentemente oportunista e corrupta, enquanto o trabalho de base é supostamente desnecessário, já que, como cantavam os manifestantes, “o povo acordou” (e quando é que esteve dormindo?).

As ruas são uma ferramenta fundamental para tornar a luta pública, mas não é nela que o debate público e a formação política serão completamente feitos. É pela luta diária, nos movimentos sociais, estudantis, sindicatos, comunidades, que o povo constrói o poder necessário para a conquista de sua emancipação. O que vemos hoje é que, se por um lado a esquerda tem potencial para mobilizar, algumas de suas formas estão muito desgastadas. É necessário, a nosso ver, dar ênfase no trabalho de base e adotar uma estratégia que contribua com esse projeto emancipador. A nosso ver, nas mobilizações, nos movimentos populares, estimulando o classismo, a combatividade, a independência, a participação democrática; em suma, tratando de construir poder popular. Não devemos deixar de lado a luta simbólica.

O ponto fundamental é que esse potencial deve ser convertido em força social que contribua com nosso projeto de uma nova sociedade; e isso não se dá por vias do Estado ou acordos com capitalistas. O povo precisa de uma alternativa própria. Se não houver organização popular, as lutas continuarão a ser perdidas. Como anarquistas, sustentamos que essa organização estará melhor preparada se for construída de baixo para cima, com uma base forte e capaz de levar a luta aos caminhos que interessa a ela como classe.

Vivemos um momento histórico, de uma reviravolta no estado de ânimo da população. Tivemos um imenso avanço quantitativo para a luta e, se desejamos avançar ainda mais, precisaremos focar no trabalho de base, por onde poderemos, com a luta diária, aprender com nossos erros e acertos.

Avante na construção do poder popular! Arriba los que luchan!

* Pablo Pamplona e Thiago Calixto são militantes da Organização Anarquista Socialismo Libertário (OASL), de São Paulo, e têm contribuído na luta contra o aumento ao lado do Movimento Passe Livre.
Related Link: http://www.anarquismosp.org

[FAG] O enredo de uma farsa! A tentativa de criminalização da Federação Anarquista Gaúcha

Retirado de: http://batalhadavarzea.blogspot.com.br/2013/06/o-enredo-de-uma-farsa-tentativa-de.html

Na tarde de quinta feira (20/06/2013), antecedendo o protesto que já se previa multitudinário na capital gaúcha, ocorreu a invasão mediante arrombamento do Ateneu Libertário A Batalha da Várzea, executado por agentes policiais sem identificação. Devido a isto, no comunicado da madrugada de sexta-feira, dia 21 de junho, informamos que a invasão havia sido realizada pela Polícia Federal, afinal de contas assim se apresentaram os agentes da repressão.

Através da coletiva concedida pela cúpula da Segurança Pública do governo do RS, na tarde da sexta-feira, dia 21 de junho tivemos a informação que tal operação foi realizada de fato por agentes da Polícia Civil, omitindo-se o fato de que a operação se deu de forma ilegal, sem o correspondente mandato judicial, conforme o apurado pela assessoria jurídica que nos apóia nesse momento, de forma solidária.

Esta coletiva de imprensa portanto não poderia anunciar outra coisa se não uma farsa,na busca de um bode expiatório para responsabilizar pelas manifestações de violência ocorridas nos protestos de forma generalizante, acusando que todos os atos de depredações e “vandalismos” fossem de responsabilidade dos anarquistas presentes nos protestos e especificamente dessa organização política, como já dito anarquista.

O fantasma atemorizante criado nas redações da RBS: a presença de bandeiras anarquistas, grupos e indivíduos punks e o já folclórico devaneio do âncora da RBS Lasier Martins “mascarados anarquistas” deram a tônica da conspiração em curso. Apresentaram-se “provas”, segundo a polícia nessa operação ilegal, de materiais para confecções de coqueteis molotovs e um mapa com a identificação de órgãos de segurança do Estado, com o quê buscam afirmar que planejávamos desatar ataques.

Além de tais objetos plantados, a coletiva para a mídia corporativa retira a sua máscara e demonstra a farsa em curso, o real objetivo da operação. Segundo o próprio chefe da Polícia Civil, o delegado Ranolfo Vieira Jr. “é importante dizer que nesse local também foi apreendido vasta literatura, eu diria assim, a respeito de movimentos anarquistas.” Considerando que os geniais homens da “inteligência” invadiram uma biblioteca libertária, é natural que achem livros senhores Ranolfo e Tarso Genro. Não sabíamos que uma literatura anarquista, tanto atual como histórica, constitui prova de crime. Desde quando livros estão proibidos em nosso estado? Sim, isto é verdade, levaram muitos livros e o fichário dos usuários da biblioteca do Ateneo, dos quais exigimos a restituição em nossas prateleiras.

Dentre os “perigosos” livros apreendidos, consta a obra Os Anarquistas no Rio Grande do Sul, de João Batista Marçal. O livro foi editado com apoio da Secretaria de Cultura de Porto Alegre no ano de 1995, justo no período em que Tarso Genro era prefeito! Quem faz a introdução é Luiz Pilla Vares e a apresentação é de Olívio Dutra. Ou seja, se publicar livros anarquistas é crime ou ato suspeito, o atual governador já ajudou nesta ação “perigosa”.

Voltou a Censura no Brasil? Ou só no Rio Grande do Sul? O Ateneo Libertário A Batalha da Várzea localizado na Travessa dos Venezianos é um espaço público, de fato uma biblioteca, como já dito, na qual se organizam várias atividades políticas e culturais, em muitas delas inclusive com a participação da vizinhança local. Usamos também instrumentos musicais, teatro, tintas, pincéis, sprays para expressar através das artes nossas críticas e nossos anseios, enfim nossa ideologia. Quando nos apropriamos de palavras, as usamos para expressar idéias, estas armas perigosíssimas!. Quando tornaram-se criminosas as idéias dissonantes do status quo?

Além dos “perigosos” livros, a repressão política do RS afirma ter encontrado material inflamável. Sabemos que qualquer objeto além de um botijão de gás foi plantado com o objetivo de incriminar e isolar, a partir da repressão e da guerra psicológica, nossa corrente libertária e combativa, do atual cenário político. Começou com os factóides plantados pela RBS, onde aparecíamos como elementos “sociopatas” que planejam desatar inúmeras operações de guerrilha na cidade. Ora, precisamos de gás para aquecer a água pro mate.

Quanto ao mapa citado pelos chefes do aparato repressivo do estado, sob responsabilidade do governador, afirmamos aqui com veemência que não sabemos do que se trata, considerando ser essa operação ilegal, não há dificuldades em supor que seja algo “implantado” numa tentativa clara de nos criminalizar.

Reconhecemos sim e muito bem outro mapa, o da cidade de Porto Alegre, sua periferia e centro, porquê é aqui que vivemos e lutamos junto aos diversos setores das classes oprimidas, organizados ou não, socialistas ou não, enfim, o povo organizado contra a dominação e por melhorias nos serviços públicos e contra as retiradas de direitos conquistados pela luta popular em curso, com suas vitórias e derrotas há mais de um século. Aqui estamos há 18 anos, de forma pública, com bandeira, endereço e publicações tanto impressas como virtuais.

Participamos dos movimentos populares, estudantil, sindical, comunitário, nas rádios comunitárias, no bloco de lutas pelo transporte público, enfim, nas lutas sociais que somos chamados a pelear ou solidarizarmos. Já somos conhecidos sim, pelas policias, pelos movimentos sociais também pelos partidos políticos, inclusive por vários setores do PT e demais que compõem a base do atual governo de turno no RS porque de fato existimos e nunca nos furtamos a pelear.

Logo após a divulgação da operação da Polícia Civil o governador Tarso Genro se apressou a nos atacar da forma mais vil e covarde possível. Ansioso por nos golpear, Tarso nos associou ao fascismo, conclamando as organizações da esquerda a reverem suas políticas de aliança de forma a nos isolar. “— Todos os partidos e pessoas, inclusive os de ultra-esquerda, tem de ajudar a combater isso. Ninguém sobrevive a isso. Todos sucumbem. O caminho é aquele que nós já conhecemos e causou a Segunda Guerra Mundial” Assim se pronunciou o histórico dirigente do PT e governador do Estado Tarso Genro. Aliás, assim se pronunciou o ex-dirigente do Partido Revolucionário Comunista (PRC), irmão de um dos maiores teóricos marxistas do Brasil (Adelmo Genro Filho) e ele mesmo um ex-militante com dezenas de conflitos contra a repressão. Mas isso foi no século passado, não é governador?

Diante da absurda acusação de que somos fascistas, sugerimos aos assessores do palácio e aos agentes dos serviços de inteligência uma rápida pesquisa sobre as inconformidades ideológicas e históricas do que afirma o governador, pois historicamente combatemos o fascismo, existem correntes libertárias que dedicam-se exclusivamente a isto, sobretudo na Europa. Aos senhores jornalistas, lhes sugerimos ainda uma pesquisa sobre a resistência ao fascismo na Espanha e França no contexto da ascenção de Hittler e Mussolini sobre a Europa assim como sobre o episodio de 07 outubro de 1934, na Praça da Sé, em São Paulo, quando a épica coluna operária, formada sobretudo por anarquistas deu combate aos integralistas de Plínio Salgado da AIB (Ação Integralista Brasileira), no fato conhecido como “ a revoada das galinhas verdes”. Fomos e seremos sempre os primeiros nas fileiras de combate a qualquer forma de totalitarismo, sejam eles stalinistas, fascistas ou de qualquer outra natureza. Ser anarquista não é crime.

Já que o senhor Tarso se demonstra tão preocupado com o avanço do fascismo, lhe indagamos: Organizar uma biblioteca pública com foco em literatura anarquista e obras diversas é um crime? Se nossos livros estão sendo apresentados como provas de crime segundo as declarações da cúpula de segurança pública, o que pretendem o senhor Tarso e demais autoridades do estado com isso? Vão fazer como os fascistas e queimar nossos livros em praça pública? Proibir a impressão e venda de títulos relacionados ao anarquismo? Realizar incursões em residências a busca destes títulos, dado o caráter “inflamável” de tal literatura?

Reconsidere suas palavras senhor Tarso, pois são estas operações policiais, sob sua responsabilidade, que afinal se mostram vinculadas a uma prática de perseguição de idéias libertárias, portanto terminam por apoiar práticas que cheiram fascismo. Lembramos ainda que há sim grupos nazistas em Porto Alegre, os quais estavam armados com facas no último protesto do dia 20 de Junho, circulando livremente sem a correspondente repressão que nos dedicam, procurando os anarquistas da FAG. O que lhes parece que queriam, seguramente não era pra debater a conjuntura não é? Quanto a isto o que farão os responsáveis pela segurança pública. Livros não são crime!

Sabemos que a meta do governo estadual é política. O objetivo de toda essa guerra psicológica é semear pânico, isolar-nos do cenário e assim pavimentar o caminho para a sanha repressiva em direção de nossa organização e seus militantes.

Por fim, reafirmamos que não iremos nos dobrar a mais essa investida. Desde o início do ano estamos sendo alvejados pela repressão, ainda que até então ela não tenha nos atingido com tamanha intensidade. No início de abril, logo após um massivo ato contra o criminoso aumento das passagens de ônibus, que reuniu mais de 10 mil pessoas nas ruas de Porto Alegre, tivemos nosso site retirado do ar. Na verdade, o domínio http://www.vermelhoenegro.org simplesmente sumiu, assim como seus domínios espelhos. Esta censura que segue vigente, fazendo com que encontremos espaços alternativos para divulgar nossas opiniões.

Situação semelhante também ocorreu em novembro de 2009, quando nossa antiga sede foi invadida pela mesma Polícia Civil, a mando do então governo Yeda Crusius (PSDB) em função de um cartaz onde responsabilizávamos politicamente a governadora e o oficial da Brigada Militar no comando do campo de operações pelo assassinato do colono Elton Brum da Silva, em 21/08/2009. O militante sem terra foi morto a sangue frio e a queima roupa por um tiro de calibre 12, enquanto protegia as crianças em uma desocupação de terra na campanha de São Gabriel. Naquela ocasião, por fazermos a denuncia e darmos solidariedade também tivemos nosso site censurado e ainda hoje 06 companheiros/as de nossa organização seguem respondendo processo judicial, no qual seguimos reafirmando que Yeda e o comando da BM foram os responsáveis diretos pelo assassinato de Elthon Brum!

Assim como não nos dobramos a repressão vil do governo Yeda, tampouco iremos nos dobrar a repressão do governo Tarso, que busca isolar a esquerda combativa de forma a atacá-la com maior contundência sob os aplausos e gargalhadas dos setores mais reacionários de nosso Estado e país. Tarso, ex-comunista, ex-dirigente revolucionário, mudou de lado e hoje é uma caricatura torta do militante que pretendia ser nos anos ’70 do século passado. Hoje se porta de maneira servil diante da RBS. Para “defender” o papel simbólico da empresa líder na comunicação social, orienta a Brigada Militar a atacar os manifestantes quando passam do outro lado do Arroio Dilúvio, em uma avenida de seis pistas! Não foram os anarquistas que lideraram a linha de frente da marcha da ultima quinta feira em direção a ZH. Choveu bombas de gás e balas de borrachas sobre as cabeças com caras pintadas de verde e amarelo e flores nas mãos. A imagens dos protestos da última semana em Porto Alegre têm a marca das bombas da BM lançadas contra o povo ordeiramente em marcha na direção da Zero Hora.

Enfim, esse é o caminho pelo qual trilham, invariavelmente, as políticas de pacto social. A história já nos demonstrou de forma clara, basta olharmos a social democracia alemã e sua caça aos conselhos operários sob influência dos então spartarkistas, delegados revolucionários e também de muitos anarquistas. Caçada essa que levou a ostensiva perseguição de valorosos militantes da classe trabalhadora alemã, como Rosa Luxemburgo, Karl Liebknecht e Gustav Landauer, este último militante de nossa corrente anarquista. Todos eles presos e assassinados a coronhadas pelas forças de repressão da social democracia. Todos estes militantes serviram de bode expiatório para as políticas de conciliação de classe, que, somadas com a inércia decisória, levaram ao caos e ao nazi-fascismo. Governador, conforme foi dito, se nós estivéssemos à beira da 2ª Guerra Mundial, seríamos milicianos espanhóis, resistentes franceses ou partigianos italianos. Já o senhor, de que lado estaria? De que lado está agora?

A FAG, com 18 anos de história e vida pública e permanente atuação em diversas das lutas sociais em nosso estado e país, é parte de um legado histórico de uma corrente que há quase dois séculos levou às últimas conseqüências o combate a reação, as classes dominantes e seu Estado lacaio. Sim temos relações internacionais e estas surgiram em 1864, na 1ª Associação Internacional dos Trabalhadores, AIT. Todas as correntes do socialismo têm relações com agrupações afins em diversos países. Todas as vertentes do socialismo são internacionalistas, ou o ex-dirigente do PRC também considera isso um crime? Se hoje no país os trabalhadores têm assegurados alguns direitos, estes são fruto de 40 anos de luta sindical antes de 1932. Esta luta era mobilizada por sindicatos livres, desvinculados de partidos políticos, e os organizadores eram militantes anarquistas. O anarquismo é parte da luta popular no Brasil e no Rio Grande do Sul e continuará sendo. Nossa organização ajuda a organizar a luta pelo direito à mobilidade urbana, pelo passe livre e redução dos preços das passagens. Somos parte integrante do Bloco de Luta pelo Transporte Público desde sua fundação, assim como militamos e participamos em diversas frentes de lutas sociais, como Movimento Sem Terra, Rádios Comunitárias, Sindicatos, Movimentos Estudantis, de Luta pela Moradia, Comunitário, somos linha de frente na luta pela diversidade e desde o começo nos Comitês Populares da Copa.

A nossa história, “excelentíssimas autoridades” é escrita com o sangue e suor das barricadas dos oprimidos e assim sempre será. Vossa sanha repressiva nunca será capaz de nos calar. Não tememos as hienas e nem a fábrica de mentiras da RBS! A verdade fala mais alto entre os militantes do povo. Somos militantes de esquerda não parlamentar, militantes populares e não terroristas. Terrorista é quem joga bombas contra dezenas de milhares de pessoas caminhando desarmadas. Tarso Genro, RBS e oligarquia gaúcha, sua campanha difamatória tem pernas curtas e a mentira não passará.

Não tá morto quem peleia!
Federação Anarquista Gaúcha, 22 de junho de 2013

[FAG] Opinião Anarquista: Tomar as ruas por uma agenda contra a direita e o governismo. Avançar um programa de soluções populares!

Retirado de: http://batalhadavarzea.blogspot.com.br/2013/06/tomar-as-ruas-por-uma-agenda-contra.html

 larga noite das lutas de 17 de junho mudou a conjuntura brasileira e redimensionou os protestos sociais. A mobilização massiva de cerca de 1 milhão de manifestantes em dezenas de capitais e cidades do país e do mundo não acontecia em nossa história política desde o Fora Collor em 1992. Há um antes e um depois que põe na cena nacional um novo sujeito histórico coletivo que é catalisador de uma poderosa força social nas ruas.
Na gestação dessa nova correlação de forças a luta contra o aumento das tarifas do transporte coletivo é a expressão mais articulada de uma avalanche de sentimentos e demandas reprimidas que extrapolam os controles dominantes da sociedade brasileira. Há uma saturação do modelo capitalista aprofundado nos últimos 10 anos pela versão neo-desenvolvimentista dos governos do PT. Esse modelo prometeu um Brasil grande e moderno as custas de uma deterioração brutal do meio ambiente, dos espaços públicos e das condições de vida do povo trabalhador e da juventude.
O modelo dominante demandou um pacto social de classes que aumentou o poder dos grandes capitais sobre as cidades, os bens comuns e as fronteiras agrícolas. Todo o território foi redesenhado pelas representações do ideal produtivista de um lugar emergente no sistema mundial do poder e das riquezas. Mega-eventos, obras público-privadas de infra-estrutura, empresas do agronegócio estampam a ideologia do Brasil em crescimento. O neo-desenvolvimentismo se deve a uma variação do papel do Estado como fator de crescimento dos grandes capitais, integração relativa de setores populares e normatização social. Não quebra as estruturas dominantes do poder, da exploração e das desigualdades sociais, pelo contrário, a reformula e desata seus mecanismos através de uma ideologia sintonizada com certos desejos individuais de consumo e prosperidade.
A pretensa inclusão social por meio de bens particulares, associa a felicidade com o consumo, mas não é capaz de satisfazer demandas coletivas que formam a qualidade de vida nas cidades. A percepção de dias melhores pelo povo se esvai pelos efeitos insuportáveis de uma estrutura opressiva da vida social cotidiana. O desenvolvimento urbano acelera a desapropriação do direito dos setores populares sobre a cidade, restringe os espaços públicos e a mobilidade, deteriora a saúde e a educação, espalha o trabalho precário e flexível e negligencia o genocídio da juventude marginalizada das periferias. Para aqueles que não se integram em suas pautas de conduta e ao mundo da pobreza que não é assimilado por suas técnicas de poder, erige um Estado penal que abarrota o sistema penitenciário repleto de pobres e negros. Aos indesejados se desata uma agenda conservadora que reclama a redução da idade penal e a internação compulsória dos dependentes químicos.
Pelo interior do país este modelo é aplicado com força bruta sobre os direitos indígenas e quilombolas e contra uma reforma agrária e urbana que quebra os latifúndios revitalizados pelo agronegócio e a especulação imobiliária. Uma nova etapa da guerra de extermínio dos povos originários suprime a demarcação de terras e criminaliza a resistência, fazendo mortos e dizimando culturas.
O caráter nacional das lutas
Essa saturação do modo de vida ganhou expressão conflitiva pelas ruas de todo o país porque não se viu representada pelas instituições políticas burguesas ou pela voz da imprensa monopolista. No entanto, se num primeiro momento as mobilizações agitavam principalmente pautas relativas ao aumento das tarifas do transporte, temos visto serem agregadas um conjunto de bandeiras e reivindicações que dão contornos policlassistas às últimas mobilizações e em alguns casos, a exemplo de São Paulo, um caráter conservador e nacionalista e ufanista.
Nessa conjuntura de massificação das mobilizações, a grande mídia reorientou o seu discurso e se inicialmente atacava e criminalizava as manifestações, busca agora pautá-las fazendo um discurso que divide entre o que é o legítimo direito à manifestação e o que são atos de vandalismo realizados por uma minoria. Dessa forma, sai de cena o caráter classista e de esquerda das reivindicações por um transporte 100% público e entra em cena um discurso apolítico e muitas vezes de um nacionalismo extremamente ufanista, onde entram em cena gritos como o “jingle” da rede globo “sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor!”.
Se a direita mais conservadora do país tenta agora surfar na onda que não só não criou, como fez de tudo para reprimir, logrando já alguns ganhos e com isso semeando uma certa confusão entre o campo popular e de esquerda, não podemos tirar uma conclusão precipitada de que essa direita “virou a mesa”. O jogo esta em aberto e cabe ao conjunto da esquerda classista deste país redobrar os esforços no sentido de capitalizarmos ao máximo o sentimento de indignação que hoje varre o país. Sem sectarismos e disputas mesquinhas que levam a calúnia como meio de autoconstrução, urge à esquerda a responsabilidade de cerrar um punho forte e fazer frente ao inimigo.
Se nos precipitarmos afirmando que a direita “virou o jogo” e/ou ao mesmo tempo não formos capaz de superar vícios sectários e, em unidade na luta, incidir com uma pauta classista nesse cenário estaremos, desgraçadamente, entregando o controle das ruas à direita mais reacionária do país, que busca desatar um “carnaval da reação”, agitando sua pauta que inclui desde a genérica e oportunista “luta contra a corrupção” (como se este setor não estivesse inserido na corrupção estrutural que há no país) à redução da maioridade penal,  luta contra as “bolsas miséria” dentre outras reivindicações que agitam seus instrumentos de luta ideológica, os grandes oligopólios da mídia.
Os limites das ruas e a necessidade de organização desde baixo
A dimensão tomada pelos protestos, aliado ao trabalho que a grande mídia e setores da direita tem feito para introduzir suas pautas nas mobilizações, mostra os limites que essa modalidade de luta possui quando não há organização de base que lhe dê sustentação e retaguarda em períodos de refluxo.
Os setores que vem participando dos protestos são, em sua maioria, de uma geração jovem que não possui as mesmas referências de organização e de luta daquela geração do final dos anos 80 e inicio dos anos 90 que lutou pelo fim da ditadura civil-militar e posteriormente contra o neoliberalismo  forjando instrumentos de organização como o PT, a CUT e o MST, além da reorganização da UNE. Trata-se de uma geração que possui novos referentes, muito vinculado às redes sociais da internet que acaba sendo o lugar em que despeja as idéias, as propostas, as críticas e as construções. Nesse contexto, as mobilizações de rua, quando muito massivas, demonstram limitações que em nossa opinião precisam ser superadas.
Para nós, anarquistas da FAG, se a força das ruas e da ação direta é decisiva ao expressar o poder dos oprimidos, ela tampouco é suficiente se esses mesmos oprimidos não possuem instrumentos de luta e de organização em que as pautas expressas nas ruas possam ser discutidas, elaboradas e coordenadas em outros espaços de organização. Sindicatos, Entidades Estudantis e Associações de Moradores são exemplos, mas coletivos por local de trabalho, comitês de discussão sobre temas que nos tocam como transporte, saúde e educação em bairros, escolas, etc. são outros exemplos de organização que devem ser implementadas para que as reivindicações que sentimos cotidianamente sejam discutidas, acordadas e lançadas de forma contundente nas ruas com nossas mobilizações.
Sem esses espaços de base, nos prendemos ao vai e vem da conjuntura, daqueles grupos organizados que possuem interesses bem definidos e que a todo momento tentarão pautar as mobilizações e não construiremos um projeto próprio, enquanto oprimidos e que seja capaz de fazer frente às classes dominantes e seus instrumentos que hoje tentam cooptar as mobilizações que, com muita força, organização e dedicação conseguimos desatar.
Abrir a caixa preta da patronal do transporte coletivo! Por um modelo 100% público!
Democratização da mídia!
Contra os gastos da Copa. Em defesa de saúde e educação pública e de qualidade. Protesto não é crime!
Contra o massacre da juventude pobre e negra das periferias!

 

[FAG] Polícia Federal invade a sede da Federação Anarquista Gaúcha

Retirado de: http://batalhadavarzea.blogspot.com.br/

Polícia Federal invade a sede da Federação Anarquista Gaúcha – FAG

Na tarde desta quarta feira, 20/062013, entre 12 a 15 agentes a paisana, em blazers e utilizando coletes pretos, dizendo ser da Polícia Federal arrombaram e invadiram o Ateneu Batalha da Várzea, espaço político social da Federação Anarquista Gaúcha localizado na Travessa dos Venezianos, e levaram diversos de nossos materiais. Os agentes não apresentaram mandato de busca e apreensão aos vizinhos que buscaram se informar do que se passava. Além disso, agentes, também a paisana, buscaram prender uma companheira em sua casa nessa manhã.

A FAG é uma organização política com 18 anos de existência pública. Ao longo destes anos nunca nos escondemos, sempre mantivemos nossos espaços públicos onde realizamos inúmeras atividades de ordem política e cultural assim como nossa atuação no campo popular e da esquerda gaúcha e nacional. O Ateneu é um espaço onde ao longo de 03 anos temos dado sequência a essas atividades, mantendo uma biblioteca pública e realizando periódicas atividades.

Recordamos também que em Outubro de 2009 tivemos nossa antiga sede, à época localizada na Lopo Gonçalves, invadida pela Polícia Civil por ordens da então governadora Yeda Crusius em função de um cartaz onde a responsabilizávamos, e seguimos responsabilizando, pelo assassinato do militante do MST Elthon Brum em São Gabriel. Na ocasião tivemos todos os materiais da sede apreendidos, levaram inclusive nossas lixeiras.

Desta vez, após inúmeros factóides publicados na RBS, acusando-nos de sociopatas e fantasiando que estaríamos tramando em conjunto com militantes de outros países o emprego de táticas de guerrilha na cidade, com o nítido motivo de semear pânico e instigar a repressão a nossa militância.

Assim como as provocações e factóides plantados pela imprensa reacionária, a repressão empregada pelos aparelhos de repressão do Estado burguês não é nenhuma novidade à nós. Desde nossa origem enquanto corrente política temos sido alvo da sanha repressiva dos patrões em conluio com o Estado. Há mais de um século temos resistido a todas essas investidas covardes, com o punho e a cabeça erguida e não será este episódio que irá afrouxar nossa combativa militância.

Responsabilizamos, por fim, os governos municipal, estadual e federal por mais este ataque covarde a nossa organização. Não nos intimidaremos e seguiremos empregando todos nossos esforços na construção de um povo forte, de um campo popular combativo que organize os oprimidos deste país e suas legítimas demandas.

Não passarão!
Abaixo a repressão aos que lutam!

Federação Anarquista Gaúcha – FAG

20 de Junho de 2013

Sede da Federação Anarquista Gaúcha é Invadida pela Polícia Federal

Toda solidariedade à Federação Anarquista Gaúcha. Sua sede acaba de ser invadida pela Polícia Federal, por denúncias da mídia burguesa.

Ninguem foi preso, mas todo o material da organização foi apreendido. A violência do Estado busca justificativas para criminalizar aqueles e aquelas que lutam, dia após dia. Não há justificativa válida para a violência do Estado!

[CURITIBA] VEM PRA RUA com o BLOCO DE ESQUERDA CURITIBA – Ato 20/06

20 DE JUNHO – ATO CONTRA O AUMENTO DA PASSAGEM!

Participe do IV Ato contra o aumento da passagem em Curitiba junto ao BLOCO DE ESQUERDA. Acreditamos que é necessário retomar a pauta da luta pelo transporte público e de qualidade e dizemos: VAMOS ÀS RUAS LUTAR PELA REDUÇÃO DA TARIFA para toda a classe trabalhadora e juventude! A unidade de organizações, movimentos, entidades e militantes da esquerda de Curitiba é imprescindível para uma atuação consequente, classista e de qualidade!

Concentração às 16h no Largo da Ordem (em frente ao bebedouro e ao Cursinho Dynâmico) para oficina de cartazes (http://tinyurl.com/oficinacartazes)

SAÍDA UNIFICADA DO BLOCO PARA INCORPORAÇÃO AO ATO!

 

[CAB] – A Luta contra o aumento das passagens e o Anarquismo

O contexto da nossa luta
Nesse primeiro semestre houve diversas mobilizações de norte a sul do Brasil que enfrentaram a reação conservadora dos governos, do aparelho repressivo e da mídia. Desde as lutas em defesa do transporte público nas capitais, passando pelas greves nos canteiros de obras do PAC, até a resistência indígena dos povos originários, todas essa lutas foram alvos da criminalização do protesto que segue em curso no país sede da Copa do Mundo. Vivemos um dos momentos mais agudos da luta de classes no Brasil. O capital internacional avança diariamente a passos largos, explorando os trabalhadores e as trabalhadoras na busca do lucro.
Resistência dos/as oprimido/as x Violência do Opressores
Uma consequência dessa lógica do capitalismo se expressa no transporte. Somos diariamente violentados. Esperamos em intermináveis filas, viajamos horas em transportes superlotados e sem manutenção, correndo risco de vida. Sofremos com o a violência da ganância, do descaso, da roubalheira, das máfias das empresas de transporte público, ajudadas pelos governantes a lucrarem cada vez mais. Mas quando o povo vai para as ruas reclamar contra esta injustiça o que acontece? É violentado! Tropas de choque, gás lacrimogêneo, spray de pimenta, bombas, balas de borracha à queima roupa que podem cegar ou até matar. Todo um aparato de guerra é usado contra o povo, e dezenas de manifestantes são presos e feridos pela polícia. Tanto a truculência da polícia e o descaso do poder público para o social, quanto o desrespeito que os empresários do transporte público nos fazem passar diariamente, todas estas são formas de violência contra o povo. E todas as formas que o povo usa para se defender contra esta violência são legítimas. Toda forma de resistência, ainda que com táticas distintas é legítima. A violência em todos os atos SEMPRE começou com a polícia, a fiel defensora das elites e da burguesia. Polícia, que curiosamente foi apoiada em sua última greve por legendas políticas de esquerda que hoje caluniam o anarquismo para “encontrar” um bode expiatório que divida a nossa luta.
Lutar não é crime
O povo, organizado nos movimentos sociais, manifestando-se por justiça, não pode ser criminalizado, agredido ou preso. Devemos ter cuidado com a estratégia dos poderes dominantes de criminalizarem “individualmente” militantes e ativistas que lutam contra o aumento da passagem.  Muitos já estão com processos nas costas por lutarem. Lutar não é crime! Não podemos deixar que nossos companheiros/as sejam criminalizados/as! Essa criminalização deve ser denunciada! Essa é a verdadeira face da democracia burguesa, escondida de dois em dois anos nas urnas e propagandas eleitorais mas que mostra suas garras quando surge a resistência! Não podemos reforçar dentro das nossas fileiras o discurso de criminalização daqueles que lutam tentando encontrar bodes expiatórios no nosso movimento. Todos/as aqueles/as que saem às ruas para se opor a máfia dos transportes são ilegais por natureza, pois enfrentam a burguesia e o Estado de “direito/a”.
Nossa concepção de anarquismo
Nós anarquistas organizados politicamente na Coordenação Anarquista Brasileira (CAB) participamos modestamente de diversas mobilizações e cerramos fileiras com trabalhadores e militantes em diversos estados do país. A CAB é uma instância que reuniu diversas Organizações Anarquistas Especifistas de todo o Brasil para articular a luta e construir no futuro uma Organização Anarquista em nível Nacional. É constituída por 9 Organizações de diferentes Estados, de base Federalista que constrói – a partir de práticas concretas – unidade estratégica e maior organicidade para intensificar a inserção social no seio de nosso povo. Nesse sentido, são mais de 10 anos de resgate do Anarquismo enquanto corrente libertária do Socialismo, organizada politicamente e inserida socialmente. A CAB é formada por uma diversidade de sujeitos sociais que acreditam na já antiga mas atualíssima máxima que diz que a “emancipação dos trabalhadores será obra dos próprios trabalhadores”, porém aliada também a histórica prática da organização do anarquismo enquanto partido, como foi a Aliança da Democracia Socialista de parte da Ala Federalista e Anti-autoritária da 1ª Internacional (Bakunin, Guillaume, Malatesta, Cafiero e outros) e também da nossa irmã Federação Anarquista Uruguaia, que se manteve atuante durante a ditadura militar uruguaia enfrentando esta com inserção popular/estudantil e com um aparato armado.
No entanto, nossa rica história que se confunde com a história da classe trabalhadora é muitas vezes atacada, desmerecida ou deturpada: muitas vezes trata-se do simples desconhecimento ou a reprodução de discursos simplificadores e reducionistas, porém, muitas vezes se trata da má fé, do preconceito e da necessidade de construção política na base da calúnia, auto-promoção e mentiras. Não nos surpreendemos quando estes ataques partem da mídia corporativa/burguesa, que tenta sempre criminalizar e estereotipar aqueles que lutam. Mas quando vem das fileiras de nós trabalhadores, devemos nos posicionar de maneira firme para combater o sectarismo que sempre divide a luta popular. Recentemente, o  último texto que tivemos contato e que faz referência aos “anarquistas” nestes moldes é uma nota lançada pelo setor de juventude do PSTU em meio a luta contra o aumento das passagens. Assim, nos posicionamos nacionalmente não para entrarmos na briga de quem é mais revolucionário ou possui a verdadeira interpretação do período em que vivemos, mas sim porque julgamos necessário combater as calúnias e evitar a confusão em nossas fileiras.
Nossa implicação enquanto CAB se dá por um conjunto de motivos que normalmente são veiculados em materiais como o que nos referimos acima: generalização e estereotipação do anarquismo; acusação de que somos uma seita esquerdista e que não teríamos nenhuma responsabilidade; de que somos anti-partidários; de que seriamos sectários e intransigentes, que fazemos alianças somente com quem pensa da mesma forma que nós; que atacamos toda e qualquer entidade sindical, estudantil e popular como sendo burocrática e desnecessária à luta e o pior, dizer que nós anarquistas classistas e revolucionários somos apenas liberais/pequeno-burgueses que defendem a luta “individual” como estratégia de luta.
Nós da CAB fazemos parte de uma tradição político-organizativa (anarquismo “especifista”) que nasceu no seio dos trabalhadores. Tem esse nome porque retoma princípios básicos do anarquismo e reafirma a necessidade de nos organizarmos politicamente enquanto militantes anarquistas e socialmente nos movimentos populares. Essa necessidade política se expressa por meio de uma Organização Política Anarquista, Federalista e de Quadros, com critérios de ingresso, formação militante, dotada de um Programa Mínimo, Estratégia de Curto e Longo Prazo e Objetivo Finalista. Não apostamos portanto, na luta “individual” e desorganizada como estratégia de vitória mas sim no acúmulo de força social nos movimentos populares. Dessa forma, não somos espontaneístas, achando que a organização popular virá por ela mesma. Ao contrário do que alguns dizem, seguimos contribuindo com o fortalecimento dessa organização, com esforços modestos mas firmes, no movimento popular, sindical, estudantil e camponês em diversos estados deste país.
 Cabe também sublinhar que não temos a pretensão de como organização política anarquista e classista “representar” a totalidade dos anarquistas fora da nossa coordenação, assim como não exigimos a determinados partidos marxistas que respondam pela totalidade dos marxistas. Somos parte de uma organização política anarquista classista que trabalha com princípios em comum, critérios de ingresso, estratégia militante e unidade teórica/ideológica. Neste sentido, rejeitamos a associação preconceituosa de qualquer um que vincule de modo quase que automático o anarquismo a desorganização, sendo que não há nenhum elemento histórico que embase esta afirmação. Respeitamos, ainda que com diferenças, as distintas formas de associação, sejam elas partidárias, independentes ou de outras bandeiras políticas que venham se somar a luta. Mas rejeitamos quaisquer tentativas de dividir o movimento internamente. O sectarismo venha de onde vier é danoso e divide a classe.
Mesmo com as diferenças de prática política e ideológicas, acreditamos que o respeito mútuo entre os setores da esquerda é algo que fortalece a luta. Devemos saber o momento de fechar o punho contra o capital. Por isso exigimos o respeito pelas contribuições históricas do anarquismo, enquanto corrente libertária do socialismo, na luta junto ao movimentos dos trabalhadores, como no campo do sindicalismo revolucionário e camponês, e atualmente com nossa modesta e consequente atuação e contribuição em diferentes campos de luta social (agrária, sindical, estudantil, comunitária).
A unidade da luta
Consideramos que a unidade na luta e a organização pela base são os principais caminhos para derrotar a máfia dos transportes, construído com a unidade de diversos setores da esquerda numa bandeira em comum: a derrota da máfia dos transportes e a luta contra o reajuste pela força das ruas. Tendo isso em vista, nós da CAB integramos, construímos e respeitamos todos os espaços de deliberação coletiva que organizaram as lutas contra o aumento da passagem em diversos estados. Ao contrário da calúnia circulada pelo PSTU sobre o anarquismo não somos espontaneístas e tampouco desrespeitamos a disciplina coletiva.
Cabe ressaltar que a luta não pode ser capturada por um partido, domesticada por uma legenda, por que a luta é uma tarefa da classe. A luta também não é “apolítica” e desorganizada. Porque nela nos formamos, aprendemos com os erros, crescemos e acumulamos força para o dia seguinte. Defendemos uma unidade construída sem sectarismos e com respeito às diferentes forças da esquerda. Fazer uma luta apartidária é diferente de fazer luta anti-partido. Isso significa respeitar as legendas/bandeiras que atuam no interior da mobilização popular, unindo as diferentes forças políticas por pautas em comum.
A verdade que incomoda: um movimento que não foi capturado
O que mais incomoda algumas legendas políticas é o fato deste movimento social, que saiu as ruas para enfrentar o governo e os patrões, não ter sido capturado por nenhuma vanguarda “esclarecida” ou partido político. É propício lembrar que alguns desses partidos que hoje condenam do alto de sua arrogância as fraquezas desse movimento popular/estudantil diziam algum tempo atrás informalmente por seus militantes “que não haviam condições objetivas para se fazer essa luta”. Felizmente eles foram contrariados e até mesmo, arrastados pela vontade da luta popular que moveu milhares. Esse movimento, apesar de compartilhar muitos princípios comuns ao nosso setor libertário e também com táticas de luta da classe trabalhadora não pode ser claramente identificada a nenhuma ideologia política apesar de em seu interior conter diferentes ideologias da esquerda. O movimento também não surgiu de nenhum partido político, apesar de ter sido construído com esforço de muitos militantes de partidos, o que deve ser valorizado. Isso não significa que este movimento não tenha problemas. Mas como diria um histórico companheiro da esquerda é “melhor dar um passo com mil do que mil passos com um” e vamos seguir trabalhando para construir e organizar melhor a luta contra o aumento das passagens junto com outros setores políticos sem a pretensão de nos tornarmos “os donos do movimento”.
Temos consciência das inúmeras deficiências e obstáculos que precisamos enfrentar e que enfrentaremos dentro dessa luta. No entanto, também temos consciência de nossa sinceridade, modéstia e firmeza naquilo que nos propomos. Nos últimos 10 anos temos participado em maior ou menor grau de diversas lutas, construções, embates na América Latina e no Mundo e, independente das divergências com outras tradições do Socialismo exigimos respeito. Estamos juntos e lado a lado na luta pelo Socialismo e pela Liberdade e daqui não nos retiraremos. Seguiremos na luta contra o aumento do transporte em diferentes Estados à despeito da calúnia da mídia burguesa e de infelizmente, alguns setores políticos.
Derrotar o aumento pela organização popular coletiva/de base e pela força das ruas!!! Lutar, criar, poder popular!
 
Coordenação Anarquista Brasileira (CAB)