[FARJ] Libera #158- As Lutas Sociais no Rio de Janeiro e a Construção do Poder Popular

Retirado de: http://bibliotecasocialfabioluz.wordpress.com/2013/07/29/libera-158/

Semana passada foi lançado o novo número do Libera, periódico da Federação Anarquista do Rio de Janeiro. O Libera #158 tem como foco as manifestações que têm ocorrido pelo Brasil.

O texto principal traz uma análise geral sobre as manifestações e há, ainda, um outro sobre a Chacina da Maré. O terceiro texto do jornal são excertos de uma nota lançada pela Coordenação Anarquista Brasileira, da qual a FARJ é integrante, e que pode ser lida na íntegra aqui. Há, também, as notícias libertárias.

O periódico pode ser baixado em pdf aqui e os jornais físicos estão na Biblioteca Social Fábio Luz, onde podem ser pegos para distribuição.

libra158

[CURITIBA] Retorno do Círculo de Estudos Libertários 30 de julho

Após um período de recesso devido ao “chamado das ruas” a nossa militância, o Círculo de Estudos Libertários esta de volta!3° Encontro C.E.L do ano de 2013Quando:30 de Julho, as 18: 30Onde: Santos Andrade, sala 205.Leitura:Teoria anarquista e ideologia anarquista

Tal encontro tem como objetivo inicial diferenciar teoria e ideologia conceitos estes, que de acordo com nossa corrente são distintos. É objetivo deste encontro introduzir a noção de ideologia anarquista, bem como a(s) teoria(s) anarquistas. Por fim cabe estabelecer a relação que guardam teoria e ideologia.

-O QUE É IDEOLOGIA?

Federação Anarquista Uruguaia (FAU)

-A história na visão dos anarquistas, no livro A história por anarquistas capitulo II

Anderson Romário Pereira Corrêa

Baixe aqui: https://coletivoanarquistalutadeclasse.files.wordpress.com/2013/04/cel-iii.pdf

Fotocopie aqui: Rua Amintas de Barros 192 (Copiadora Reitoria), pasta Círculo de Estudos Libertários.

Saiba mais:

O Círculo de Estudos Libertários (CEL) surgiu como espaço de estudo em janeiro de 2011, com o objetivo de debater “a atuação política, a teoria clássica e contemporânea do Anarquismo, (…) fortalecendo a perspectiva classista, autônoma, socialista e combativa das classes exploradas, em sua formação cultural e intelectual”. Com dois encontros por mês e textos lidos previamente por seus participantes, o grupo teve relativo sucesso no que se propunha a fazer, se tornando ainda “por tabela”, uma referência para os novos companheiros e companheiras interessados nas propostas do anarquismo organizado. A partir de 2012 o CEL tornou-se um espaço ligado ao Coletivo Anarquista Luta de Classe (CALC), continuando dessa forma, aberto a participação dos trabalhadores e trabalhadoras que queiram se debruçar sobre o estudo das lutas sociais e a participação dos socialistas libertários nas mesmas. Seguindo agora em 2013 um programa definido de textos pretendemos melhorar a qualidade de nossos encontros, contribuindo também, para auxiliar a formação teórica da militância anarquista aqui na cidade de Curitiba (PR).

Retornamos em 2013 com encontros mensais, nas ultimas terças feiras do Mês , sempre as 18:30hImage

[FAG] Só a luta popular decide! A Vitória da ocupação da Câmara é de todos os de baixo!

Retirado de: http://batalhadavarzea.blogspot.com.br/2013/07/so-luta-popular-decide-vitoria-da_16.html

As últimas marchas de rua em Porto Alegre (que também ocorreram em todo o país), marcadas pela forte repressão da Brigada Militar do governo Tarso\PT foram o sinal de que importantes elementos da conjuntura se alteravam, sinalizando uma importante “explosão” das lutas populares, até então relativamente amorfas em nosso país.
Neste contexto tivemos a importante articulação do dia 11 de Julho como um dia nacional de luta, onde Bloco de Luta discutiu e deliberou pela Ocupação da Câmara de Vereadores como mais uma forma de pressionar, através da ação direta, os poderes municipais a atender, em caráter de urgência, o conjunto de nossas reivindicações. Cabe ressaltar que após a entrega do programa de reivindicações ao governo do Estado, este sinalizou uma resposta desrespeitosa através de uma nota vaga e sem nenhuma novidade, sinalizando mais um motivo para seguirmos firmes nessa luta, até que todas nossas exigências fossem atendidas.
Hoje, estamos as vésperas de completar uma semana de ocupação da Câmara, o que por si só, já constitui um triunfo ímpar não apenas ao Bloco, mas a toda a esquerda e os de baixo  de nosso estado e país, logrando uma importante acumulação de forças. O protagonismo do Bloco como instância dinamizadora e articuladora de um conjunto de forças políticas e sociais, que se esforçaram a trabalhar sem sectarismos e com a devida unidade estabelecida nas ruas, marcou o caminho de uma tática lúcida, correta e vitoriosa.
Uma guerra de nervos instalada pelos de cima!
Ao longo destes dias agitados colocamos a prova nosso poder organizativo e nossa capacidade de sustentar uma tática de ação direta que valorize o protagonismo e a democracia de base. Após garantirmos avanços significativos na pauta de negociação com a representação da Câmara e deliberarmos por se retirar do plenário na segunda feira, para que os vereadores votassem nossos projetos, rejeitando a exigência da Câmara de sairmos no domingo a noite, ou seja, uma saída no escuro e fora de dia útil, recebemos um ultimato provocativo e reacionário por parte do presidente da Câmara, Tiago Duarte (PDT): um pedido de reintegração de posse. Estava largada a guerra de nervos!
 
O que se instalou naquele exato momento foi a intensificação de um complexo jogo de prática real da política, um xadrez onde deveríamos mover com calma e serenidade, mas com firmeza e determinação as nossas peças. A reivindicação do acerto tático em permanecer ocupando a Câmara e se aproveitar da disposição de luta e resistência, mais do que explícita, entre a combativa companheirada da ocupação, a crescente solidariedade que passamos a receber e o avanço organizativo do movimento, nos levou a resistir! Seguir ocupando, reivindicando a retomada das negociações e sinalizar que só deixaríamos a Câmara com a presença do aparato repressivo, como um meio de denúncia da truculência e inaptidão de lidar com a pauta dos de baixo por parte dos de cima, foi a correta tática defendida pela ampla maioria das assembleias.
A firmeza com que jogamos o xadrez nos levou primeiramente a garantir ordem judicial que suspendia a reintegração de posse nos finais de semana condicionando-a para dias úteis e das 06:00 as 20:00h, para, logo em seguida ser suspensa após a visita do oficial de justiça que levara o mandado de reintegração de posse, deliberando também por uma audiência de conciliação que pudesse solucionar o impasse.
Esta decisão judicial é uma grande vitória e devemos interpreta-la como mais um acúmulo de forças e partir dele, seguirmos firmes em nossas reivindicações. É a hora de arrancarmos da audiência o conjunto da pauta que conquistamos e a presidência da casa jogou na lata do lixo, para agora, pateticamente chorar em um programa de rádio, se expondo ao ridículo de uma atuação grotesca que visa criminalizar o protesto.
Em todas as nossas lutas: instalar uma grande batalha pela democratização dos meios de comunicação!
 
Os factoides criados pela grande mídia, com destaque especial para a famigerada RB$, apontando dentre outros elementos fantasiosos a “agressão” ao presidente da câmara, foram o grito dos desesperados na tentativa de nos deslegitimar. Ao longo destes dias a grande imprensa buscou isolar a ocupação, noticiando-a de forma marginal e sempre a partir de estigmatizações. Em momento algum a grande mídia atacou com contundência a unilateral quebra de diálogo com o movimento, quando este já sinalizava desocupar o prédio, assim como a ridícula decisão de suspender o expediente da Câmara na segunda-feira em uma reunião realizada em uma churrascaria, financiada pelos cofres públicos.
Essa militância raivosa por parte da grande imprensa para com as lutas e demandas dos de baixo é algo que experimentamos todas as vezes que nos organizamos por nossas demandas, seja em nosso local de trabalho, estudo ou moradia. A nossa experiência com esse aparelho ideológico dos de cima é algo que nos coloca uma tarefa de grande importância, tão importante quanto o passe livre, a abertura das contas e o avanço a um modelo de transporte 100% público, a luta pela democratização dos meios de comunicação.
Mais do que nunca precisamos romper os oligopólios, dar batalha contra a agitação destes meios contra as lutas e demandas dos de baixo e construiroutras ferramentas  para a comunicação, como é o exemplo das mídias alternativas que estão acompanhando nossa ocupação e repassando de fato o que esta ocorrendo.
Tática de combate! Tática que triunfa!
Precisamos compreender o significado dessa Ocupação no contexto de um conflito aberto e deliberado entre distintos projetos de cidade. Um projeto encabeçado pelo Bloco de Luta, que mesmo com toda sua diversidade que vem conseguindo entrar em pauta de forma coletiva; e um projeto que representa a continuidade do lucro dos empresários, a continuidade do privilégio no acesso a cidade e aos bens “públicos”. A legitimidade da Ocupação, assim como uma marcha de rua, o trancamento de uma via pública, a paralisação de uma fábrica, um piquete, etc. está no significado desses meios para aqueles que lutam, como únicas formas que verdadeiramente expressam o protagonismo de nossa gente frente aos mecanismos institucionais de dominação que acabam por excluir e apartar o povo das tomadas de decisão da sociedade. Para nós Anarquistas da FAG, só a luta popular, através da Ação Direta e com Democracia de Base, decide. É só através dela que arrancaremos dos poderosos o Passe Livre e caminharemos rumo ao transporte 100% público.
Não ta morto quem peleia!
Na lei ou na marra arrancaremos o passe livre!
Federação Anarquista Gaúcha – FAG 

 

[CURITIBA] Círculo de Estudos Libertários suspenso temporariamente

Por motivos novamente relacionados aos movimentos que ocorrem por todo o Brasil inclusive em Curitiba, suspenderemos o CEL temporariamente (DESTE MODO CANCELANDO A REUNIÃO DO 9 DE JULHO), pois por tal conjuntura já fomos obrigados a remarca-lo por três ocasiões.

Nesta terça teremos assembleia geral de estudantes na UFPR como tema das mobilizações, cuja grande parte da militância do CALC estará presente, e mais uma boa parte daqueles que “confirmaram” presença no CEL III encontro são estudantes da UFPR, os quais recomendamos que vão assembleia, afinal não desejamos concorrer com esta.

Pedimos desculpas aos que não são parte da Universidades,pelo transtorno.
Em breve reagendaremos os encontros do CEL.

Opinião Anarquista #3 – Breve análise socialista libertária sobre os atuais movimentos

Novidade nas ruas         

Podemos afirmar que o mês de junho de 2013 entrou para a história do Brasil, sendo o dia 17 uma data emblemática: foram 1,5 milhões de pessoas a ocuparem as ruas – 20.000 só em Curitiba. Não víamos isso desde 1992, quando milhares foram às ruas exigir o impeachment de Collor.

Com toda a certeza, estas mobilizações transformaram o panorama político, afinal, foi apenas por meio da ação direta das ruas que as tarifas de ônibus baixaram em diversas cidades do país, reinserindo esta tática política na ordem do dia. As marchas também expressaram o descontentamento daquilo que se configura como um primeiro movimento de massas após 10 anos de governo PT, governo este que, além de não avançar nos direitos sociais (saúde, educação, trabalho, transporte), ainda intensificou em privatizações (Hospitais, aeroportos, portos), (contra)reformas (previdência, universitária, trabalhista, etc.), promoção de lucros recordes para os bancos, e ainda injetou rios de dinheiro na burguesia imobiliária e da construção civil. E mais, frente aos movimentos sociais, não demonstrou uma postura distinta a seus antecessores, criminalizando e perseguindo a militância que não se rendeu à cooptação, mostrando que como todo governo tem um lado: o das classes dominantes, e assim jamais poderia atender as expectativas da população brasileira que clamava por mudanças.Imagem1

Quem acordou o gigante?

As manifestações, que se inciaram em várias cidades do país por conta do aumento da tarifa, receberam em seu inicio duras críticas de imprensa, devido às ações mais radicalizadas da juventude na rua (que ocorreram, em geral, apenas em resposta à violência policial).  Porém, em um dado momento, a mídia corporativa muda sua postura: de ofensiva, passa a ser “generosa” com os manifestantes, e mesmo chamar o povo “pacifico” para as ruas, ao mesmo tempo em que criminaliza os “vândalos”. Assim, tenta influenciar os atos de rua, imprimindo a ordem institucional (ordem do Estado burguês) aos movimentos de massa. Para tanto, incita os manifestantes a se colocarem uns contra os outros (“pacíficos” versus “vândalos”), deixando de lado o verdadeiro inimigo: os banqueiros, os patrões, o Estado e seu aparato repressivo. Com vistas à agenda eleitoral de 2014, a grande imprensa investe nas manifestações e tenta “surfar” nesta onda, inserindo suas pautas. Por meio de seu poder monopolista dos meios de comunicação, tenta criar uma onda de ufanismo e patriotismo, tentando assim varrer a esquerda dos movimentos e estabelecer uma agenda “conservadora”, em que aparecem pautas como a luta contra a corrupção (mas só a do PT), o que favorece diretamente a direita eleitoral por um lado (PSDB e DEM), e indiretamente convida os grupos de extrema direita (skinheads, anonymous, Integralistas, nazistas etc.) para irem à rua defender a “bandeira certa” (a do Brasil, que unifica explorados e exploradores sob de uma mesma política).

Se, por um lado, observamos as tentativas da direita de dar os rumos deste movimento por meio daqueles que cumprem o papel de ser sua voz (a mídia corporativa), por outro, como libertários, não podemos deixar de afirmar nossa crítica histórica acerca da burocratização dos movimentos sociais, que os retira sua autonomia e poder de mobilização nas bases. Cabe afirmar que de maneira alguma legitimamos os ataques às organizações de esquerda, pelo contrário, os repudiamos em absoluto. Porém,  a esquerda não pode se esquivar de suas responsabilidades no que tange a seu desgaste: a tentativa de fornecer uma resposta eleitoral aos anseios do povo por meio de “candidaturas populares” – onde o caso mais exemplar é o PT e sua ascensão ao poder do Estado -, arrasta para a legalidade do Estado (eleições e parlamento) as disputas políticas do povo, fazendo com que suas organizações (sindicatos, associações de bairro, entidades estudantis e movimentos sociais) não sejam mais que estruturas de apoio de seus partidos. Cabe destacar que esta forma de atuação da esquerda tem sem sombra de dúvida tido resultados nefastos, porque não só não traz as conquistas que o povo objetiva com sua luta, desviando-a de seu sentido (que é transformar a vida dos de baixo), como acaba por colocar em descrédito com a população em geral as organizações de base do próprio povo. Se faz necessário ainda afirmar que boa parte da esquerda de oposição ao PT não foge a este modelo de atuação, colaborando por reforçar este estigma sobre as organizações de esquerda e até sobre as organizações populares de base, e por fim, sobre a própria política, que passa a ser vista como “suja” (afinal, a política burguesa no Estado capitalista realmente é suja e corrupta por excelência; o Estado capitalista é corrupto na media em que legitima a exploração dos trabalhadores). Tais práticas de aparelhamento e subordinação do projeto dos de baixo a projetos políticos partidários eleitorais acaba por ser responsável, ao menos em parte, para a desorganização e despolitização da população.

Desta maneira, a população deixa de ter referência nessas organizações, e o poder do Estado e das corporações midiáticas (aparelhos da burguesia) acaba por se sobrepor ao do movimento justamente pela força dos aparatos que tem em suas mãos, tornando o povo refém de suas armadilhas e manipulações.

Se não há referência de luta, quem dá as cartas?

Já nos referimos aqui sobre a legitimidade das lutas das massas que tomam as ruas do país, afinal, seu descontentamento é não só justificado, como justo. Porém, este processo também traz uma lição pedagógica para as esquerdas: não basta apenas termos o povo na rua exercitando a ação direta; por mais que isso em si possa ser bastante positivo, se não há organização prévia e enraizamento na base, não será “disputando a direção” de tais movimentos, ou mesmo se impondo sobre as massas, que construiremos um projeto de transformação da sociedade. Sem haver organização social das bases deste movimento, sem haver espaços de referência e construção coletiva de uma agenda de ações e lutas, tal movimento fica muito mais suscetível às vozes que vem da força dos “de cima” (a mídia corporativa e o Estado), de tal modo que esta população desorganizada acabou, por conta da ausência de interlocução e de um projeto político coletivo, iniciando um processo de disputa entre aqueles que já “dão as cartas”: de um lado, a direita e a mídia corporativa, do outro, a esquerda governista. Se, por um lado, a mídia tentou pautar o movimento sugestionando uma agenda de lutas que tinha como foco a desestabilização do PT para as eleições, o mesmo PT soube usar do momento para implementar parte do seu programa (5 pactos) a “toque de caixa” no Congresso, onde pouquíssimo ou quase nada ouviu-se das vozes das ruas para a construção de tais demandas.

Deste modo, parece que tal movimento restringiu-se devido à organicidade prévia do MPL-nacional (Movimento Passe Livre, organizado há pelo menos 10 anos), que tem um modelo de ação e forma de atuação já enraizados na população, que levaram a população a contestar o preço das tarifas e mesmo exigir um transporte realmente público (tarifa zero). Ao que tudo parece, estas são as únicas pautas que genuinamente vieram das ruas e tiveram eco.

Fica a lição: Organizar na base ou ser engolido pelas ruas!

Desta experiência de luta, esperamos que toda a esquerda possa retirar aprendizados (nos colocamos no campo da esquerda, logo nos incorporamos em tal crítica). Reiteramos nossas afirmações acerca da necessidade de que a esquerda se enraíze mais nas bases da sociedade, se colocando ao lado do povo cotidianamente, nos locais de trabalho, moradia e estudo. Afinal, tal movimento é sintoma da ausência da esquerda nestes locais, logo, da sua falta de capacidade de influenciar as massas em geral. Mostra-se insuficiente a metodologia de disputa das direções das entidades sindicais e estudantis; é necessário uma mudança na estrutura dos movimentos.

É necessário voltarmos ao tema do desgaste das entidades de base a nível social (sindicatos, entidades estudantis, associações de bairro e movimentos sociais) que precisam ser reabilitadas frente à população em geral, precisam voltar a ser os espaços de construção do pensamento e ação política das massas. Tal resultado, temos certeza, somente virá com a ação unificada da esquerda para retomar, nas bases do movimento, tais espaços organizativos dos pelegos, e mesmo de organizar onde ainda não há organização. Somente assim poderemos enraizar um programa de transformações no povo e pautar tais movimentos de massa.

O trabalho é duro – não existem fórmulas que possamos seguir para dar uma “guinada” em tal conjuntura. Mas temos, ao menos, um apontamento: somente um duro trabalho de organização das bases sociais pode mudar tal conjuntura e colocar em curso a construção do poder popular. Neste movimento, não exigimos mais que um posto de combate: sem sectarismo e em unidade nas lutas para construir um povo forte!

Barrar o aumento pela força das ruas

Tarifa Zero já!

Criar Poder Popular!

CALC, julho de 2013

baixe aqui a versão que foi impressa: Opinião Anarquista 02.07.2013

[CAB] Chamada de solidariedade à Federação Anarquista Gaúcha

No dia 20 de Junho, cerca de 15 agentes da Polícia Civil arrombaram e invadiram o Ateneu Libertário Batalha da Várzea, espaço político social da Federação Anarquista Gaúcha localizado na cidade de Porto Alegre, e levaram diversos materiais. Os agentes não apresentaram mandato de busca e apreensão aos vizinhos que buscaram se informar do que se passava. Além disso, agentes à paisana buscaram prender uma companheira em sua casa nesse mesmo dia pela manhã.

Essa perseguição político-repressiva à FAG, ocorre justamente quando no Brasil acontecem diversas e massivas mobilizações por todo o país pela redução do preço da tarifa do transporte público. Ao mesmo tempo, temos enfrentado a mídia monopolista e os governos estaduais que tem tentado criminalizar os que lutam.

A FAG é uma organização política com 18 anos de existência pública. Ao longo destes anos nunca se escondeu, sempre manteve os espaços públicos com a realização de inúmeras atividades de ordem política e cultural assim como a atuação no campo popular e da esquerda gaúcha e nacional.

Desde nossa origem enquanto corrente política temos sido alvo da sanha repressiva dos patrões em conluio com o Estado. Há mais de um século temos resistido a todas essas investidas covardes, com o punho e a cabeça erguida e não será este episódio que irá afrouxar nossa combativa militância.

Responsabilizamos, por fim, os governos municipal, estadual e federal por mais este ataque covarde a nossa organização. Não nos intimidaremos e seguiremos empregando todos nossos esforços na construção de um povo forte, de um campo popular combativo que organize os oprimidos deste país e suas legítimas demandas.

Fazemos um chamado de solidariedade para que todas as organizações e movimentos sociais manifestem o seu apoio à FAG, colocando em coro o repúdio contra a criminalização das lutas populares e combativas que vem crescendo pelo Brasil.

Avante os que lutam/Arriba los que luchan!

Coordenação Anarquista Brasileira

Federação Anarquista Gaúcha responde ao Governador Tarso

http://www.youtube.com/watch?v=AnVmxtk4drI

Outras notas de solidariedade (nacionais)

Outras notas de solidariedade (internacionais)

  • Em breve

Assinam esta nota de Solidariedade (atualizado continuamente):

Coordenação Anarquista Brasileira

Movimento dos Trabalhadores Desempregados Pela Base – RJ

Organização Popular

Deixemos todas as bandeiras vermelhas levantadas… Mas as bandeiras rubro-negras exigem respeito!

ParasiteFARJ1º de julho de 2013 Rafael Viana da Silva*, Bruno Lima Rocha**, Felipe Corrêa***

Nos final dos anos 40, numa conjuntura que, guardadas às proporções, traz similitudes com nosso atual momento, o anarquista Pedro Catalo reclamava nas páginas do periódico Ação Direta que, na Praça do Patriarca em São Paulo, onde o povo ia às ruas debater a situação política do país, “quando os oradores que sobem são anarquistas, a gritaria toma proporções atordoantes”. Segundo Catalo, “organizaram uma brigada de desordeiros, encarregados de gritar, assobiar, insultar e apostrofar todos os quantos em sua arengas, não observem os ditames absurdos da linha justa Prestiana.” (CATALLO, Pedro. Infâmia Bolchevista. Ação Direta, Rio de Janeiro, 30/11/1946, nº 26, p. 01) Catalo expunha, assim, uma atitude que pode ser considerada como contrária à democracia direta defendida pelos anarquistas nos espaços públicos. A claque era o supra-sumo do stalinismo brasileiro, encabeçado por um partido cujos líderes eram, em sua maioria, ex-militares tenentistas.

Vale situar o leitor no período. Luiz Carlos Prestes saiu da cadeia para dirigir o Movimento Queremista, indo a comícios varguistas, mesmo após o Estado Novo ter entregado sua companheira, Olga Benário, aos nazistas. Esse tipo de cálculo político frio – embasado na real politik leninista – sempre acaba por fortalecer o pior do dirigismo político nas esquerdas. A saber, a massa a vaiar os oradores anarquistas era base do Partido Comunista do Brasil (ainda PCB), em seu curto período de legalidade, quando Prestes, de preso político torna-se senador da república na Constituinte de 1946. Depois, a seção brasileira do Partido de Moscou cai na ilegalidade e, por um brevíssimo período, flerta com a linha revolucionária (tese de ’50), para depois arrepender-se de tudo. Qualquer semelhança com os arrependidos ex-comunistas, hoje no PT e à frente da república, não é nenhuma coincidência.

De volta ao nosso contexto, apesar das diferenças cronológicas e ideológicas, o protesto de Pedro Catalo se coaduna em algumas linhas com o incômodo manifestado no texto intitulado “Não deixem abaixar as bandeiras vermelhas” do professor Valério Arcary, que expôs sua opinião acerca do crescente antipartidarismo que tomou conta de algumas manifestações no Brasil. Não vamos repetir as sínteses conjunturais para evitar cansar o leitor, mas cabe dizer que, na crescente onda de mobilizações, os movimentos sociais conseguiram uma vitória ao diminuir, por meio da luta e da ação direta, os preços das passagens em diversas cidades do país. O que no início alimentou esperanças quase virou decepção, com os alarmes de golpe e a infiltração da direita e da extrema direita nos protestos, na tentativa de capturar as pautas dos manifestantes, canalizando as demonstrações de força popular para ideologias reacionárias e ufanistas. Nesse cenário, a mídia corporativa estimulou a divisão entre manifestantes e “baderneiros”, tentando consolidar também a criação de bodes expiatórios, no intuito claro ou mascarado, de associar estritamente a revolta popular a determinadas ideologias políticas, numa manobra clara de criminalizar grande parte dos que lutavam. O auge desta medida foi a invasão da Polícia Civil à sede da Federação Anarquista Gaúcha (FAG).

Escrevemos esse texto alguns dias depois do artigo do prof. Arcary. Portanto, estamos com a “vantagem” dos desdobramentos dos fatos e nosso intuito é realizar um diálogo. Também o fazemos alguns dias após o texto de Zé Maria, em que o dirigente do PSTU pede desculpas formais a duas organizações anarquistas, FARJ e UNIPA, o que compreendemos generalizar as desculpas pelas práticas equivocadas anteriores. Ainda que a justa retratação do dirigente nacional do PSTU contribua, como contribui qualquer autocrítica franca, com nosso respeito, ela não pode esconder nossas diferenças políticas. Mantemos a crítica, mas reforçamos a necessidade tanto do debate sadio entre as esquerdas, assim como a unidade necessária para reforçar o poder popular a partir da avançada de Junho de 2013. Obrigamo-nos a dizer isso, pois as primeiras informações que circulavam no interior do campo ampliado da esquerda, em específico no trotskismo, eram a de que os anarquistas, esses “incorrigíveis” culpados da história, promoviam ativamente o antipartidarismo.

Essa era a informação divulgada amplamente pelo setor de Juventude do PSTU que, num texto catalisador dessa opinião, Henrique Canary dizia que o liberalismo burguês era “a verdadeira filosofia do anarquismo”, comparando o neoliberalismo de Margaret Tatcher ao anarquismo. Este artigo, sofrível do ponto de vista teórico e histórico, e que pode vir a merecer uma resposta adequada num momento breve, reafirmava e insuflava de maneira sectária os militantes do PSTU e de outros partidos de esquerda a difundir a informação de que os anarquistas “cumpriam um papel verdadeiramente vergonhoso” e “tentam proibir, inclusive por meio da força física, que os militantes dos partidos políticos exerçam uma liberdade elementar.”

Sabemos que, nas fileiras do PSTU, assim como das dezenas de agrupações trotskistas, existem militantes devotados a causa da classe e do povo. Mas, também por isso, nos vemos obrigados a afirmar – de forma dura,  mas fraterna – que essa opinião é completamente equivocada, mesmo que venha sendo reproduzida em outras análises (a)históricas do PSTU e (infelizmente) por outros setores marxistas, que enfatizam o inevitável “papel reacionário dos anarquistas” (PSTU, Lutemos juntos contra os governos). Isso, em geral, é feito reproduzindo a teoria cíclica da “crise de direção”, “apoliticismo” e “não-Estado” como sinônimos de capitulacionismo ou outras generalizações absurdas. No campo oposto do trotskismo, esta opinião (apartidarismo do movimento popular sinônimo de antipartidarismo e apoliticismo) coincide curiosamente com a análise do governador petista Tarso Genro que, em sua sanha repressiva contra a FAG, associava o anarquismo a grupos de extrema-direita. Aliás, também é curioso e triste, como o intuito caluniador do ex-dirigente do Partido Revolucionário Comunista (PRC), o atual governador Tarso Genro, infelizmente encontrou certo eco nos artigos escritos por filiados do PSTU. Companheiros, se, de fato, a intenção é a unidade da esquerda classista combativa, definitivamente esses procedimentos são o pior caminho.

Na crítica da crítica (a)histórica e absurda teoricamente, soa ainda mais curioso quando se sabe que o extinto PRC era um racha de linha stalinista do PC do B e que por uma década operara como força política na interna do PT dos anos ’80. Neste mesmo período, o PRC era o grande inimigo da então Convergência Socialista (CS), sigla anterior da ala majoritária que compôs a Frente Revolucionária e, depois, o PSTU, na década de ’90. Tarso e Canary coincidem em classificações de fraqueza teórica e (a)históricas, sendo que o irmão de Adelmo Genro (para vergonha da ala sadia do marxismo brasileiro), abusa dos neologismos, classificando, nos  microfones da mídia comercial, os militantes da FAG de “anarco-direitistas”. Tal absurdo, dito pelo governador – mas ampliado por Canary, pela via da aproximação nossa ao neoliberalismo!, se fosse dito numa instância política seria alvo de piadas. Como vivemos uma era de desinformação e calúnias, torna-se mais um “meme” de fala inócua e irresponsável, para não dizer politicamente criminosa, ao criminalizar uma organização política com 18 anos de existência e vida pública.

Voltando ao texto original, que é, em grande medida, alvo desta crítica, parece que o professor Arcary – por opinião própria ou pela desvantagem dos dias de informação – reiterou alguns dados incorretos em seu artigo. Seria completamente injusto dizer que o prof. Arcary reproduziu ipsis litteris os preconceitos de Canary ou do governador Tarso Genro. Em seu artigo suaviza em alguma medida a generalização e a pobreza teórica do artigo “Anarquismo e socialismo: o individual e o coletivo nas manifestações” do site do PSTU, talvez pelo fato de Arcary ser historiador por ofício e ter acessos a dados mais elementares da história do movimento operário que Canary, seja por incapacidade ou por preconceitos ideológicos, negou (entre eles), o combate histórico e permanente dos anarquistas ao fascismo e ao liberalismo.

O núcleo duro da crítica do PSTU foi então “minimizado” por Arcary, pois já não eram todos os anarquistas, mas “alguns pequenos núcleos de inspiração anarquistas” que insistem “na divisão do movimento querendo impor pela força dos gritos sua ideologia”. Perguntamos sinceramente se participamos dos mesmos atos, pois os gritos de “sem partido” e as agressões, pelo menos no Rio de Janeiro e na imensa maioria dos casos de São Paulo, vieram de pessoas com bandeiras do Brasil. Não cremos ser necessário dizer, que este não é um símbolo anarquista.

Apesar dos indícios elementares de abertura para o diálogo contidos no texto do prof. Arcary, com os quais temos concordância, por ser este o primeiro passo para quebrar os estereótipos políticos, é necessário elucidar para verdade dos fatos todas as informações veiculadas. Primeiramente, concordamos com a opinião da Federação Anarquista do Rio de Janeiro (FARJ), integrante da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB), que diz repudiar “as agressões aos militantes de esquerda, partidos políticos e movimentos populares” e quaisquer atitudes “fascistóides” venham ela de onde vierem. Subscrevemos também a nota do Movimento Passe Livre de São Paulo, que diz ser “um movimento apartidário, não antipartidário” e repudia “os atos de violência direcionados a essas organizações durante a manifestação de hoje, da mesma maneira que repudiamos a violência policial”. O MPL muito oportunamente afirma que “desde os primeiros protestos, essas organizações tomaram parte na mobilização. Oportunismo é tentar excluí-las da luta que construímos juntos”. Mas não podemos aceitar que informações inverídicas sejam tomadas como “letra da lei”. Parece que até mesmo o PSTU, costumeiramente virulento em seus ataques aos anarquistas, teve de finalmente reconhecer o oposto em seu site. Cabe dizer que tal reconhecimento veio depois de um intenso trabalho dos anarquistas para refutar tais inverdades. Os companheiros devem revisar suas táticas para o bem da unidade na luta. Pois, na democracia operária do trotskismo – ao menos do morenismo – somos culpados até provar o contrário. Tivemos de “provar” o óbvio, que os inimigos não eram os libertários, mas neonazistas e infiltrados da polícia que “investem contra ativistas”.

Infelizmente, os militantes deste partido – ou ao menos, suas lideranças públicas – tiveram práticas de tipo expurgo público. Por isso, a verdade factual pode virar um elemento secundário quando formulam suas análises, pois elas carregam em seu bojo preconceitos teóricos e históricos instituídos. Há também dois discursos, convenientes de acordo com o contexto. Se o professor Arcary, que por sinal também é integrante do PSTU, faz a divisão entre anarquistas “honestos” e os que supostamente atacavam as bandeiras de seu partido (os desonestos), o boletim estadual do PSTU do Rio de Janeiro distribuído na plenária da Frente de Luta contra o Aumento da Passagem no dia 25/06/13 reafirmou a calúnia, desmentida inclusive em seu próprio site, de que foram os anarquistas os responsáveis junto com os fascistas a atacar suas bandeiras. Se no site foram os fascistas, nas plenárias políticas foram os fascistas, os policiais infiltrados junto com grupos anarquistas! Uma nítida tentativa de neutralizar o setor libertário, seja o identificado claramente em organizações políticas anarquistas ou a juventude que não concorda com suas práticas políticas vanguardistas e que não necessariamente se alinham ao recente “ufanismo” estimulado pela direita.

Até os jornais da imprensa burguesa noticiavam o que já era óbvio para os militantes anarquistas, que os ataques aos partidos era parte de uma articulação da extrema-direta. Extrema-direita que, se hoje ataca especificamente os partidos de esquerda, já incomoda os libertários desde os anos 80 e 90, excluindo as experiências históricas anteriores, quando os anarquistas efetivamente construíram com outros setores frentes antifascistas em comum.

Temos, diante deste cenário, de ensaiar passos de crítica e autocrítica. Muito do sentimento antipartido foi fomentado por práticas históricas da esquerda tradicional, e nisso, o trotskismo também tem suas responsabilidades. Vejamos o que viemos afirmando em documentos e comunicados anteriores:

“Limites como a prioridade da esquerda institucional em disputar aparatos sindicais e estudantis em detrimento do fortalecimento das bases. Limites de uma prática aparelhista e instrumental com os movimentos sociais, (…) a falta de inserção social de grande parte da esquerda com os desempregados/as, na favela, na juventude pobre e precarizada”. (FARJ, Breve análise sobre os últimos acontecimentos e as mobilizações sociais no Brasil e propostas socialistas libertárias para a luta).

Tudo isso gerou uma repulsa aos partidos políticos que hoje é canalizada em grande medida pela direita. O anarquismo também tem de ser autocrítico, e a corrente especifista, que longe de representar a totalidade do que “se chama por lugar comum de movimento anarquista” (FAG, Lutar contra a Tarifa até que vença a vontade das ruas!), vem fazendo isto com todos os seus limites. O anarquismo, e agora falamos de maneira muito mais ampla, não pode admitir confusões, neste momento crítico, em torno de sua ideologia política; o classismo, a necessidade da organização política, o trabalho de base e a responsabilidade e disciplina coletiva (Dielo Trouda, Plataforma dos Comunistas Libertários) sempre fizeram parte de sua valorosa história, representada por muitos militantes abnegados em diversas partes do país. Vemos com bons olhos e grande simpatia aqueles que hoje têm como referencial, mesmo que difuso, o setor libertário do socialismo (anarquismo). O anarquismo, assim como marxismo, também tem correntes e debates políticos fundamentais, nem sempre conciliáveis. Se há um setor (francamente minoritário em todo este ascenso de massas e na história do anarquismo, diga-se de passagem) que se reivindica anarquista sob balizas individualistas ou antiorganizacionistas, mesmo mantendo o respeito pelas posições teóricas distintas das que defendemos, consideramos totalmente incorreto afirmar que o anarquismo em sua maioria endosse ou se alinhe a esta posição. Todo indivíduo ou organização que reproduz uma caricatura burguesa sobre o anarquismo presta um desserviço à causa. Não os consideramos “inimigos”, nem “fascistas”, mas companheiros que, em muitos casos, desconhecem completamente os fundamentos teóricos e a prática histórica dos anarquistas.

Devemos também ter generosidade e paciência para com aqueles que hoje chegam e se aproximam de nossas fileiras. A luta é pedagógica e formativa para todos nós. E acima de tudo, devemos tratar as outras correntes políticas com respeito e sem estereótipos previamente (de)formados. Façamos o mesmo com o trotskismo e outras correntes do socialismo. Neste sentido, sem rifar nossos princípios, nós anarquistas estaremos, como sempre estivemos, ao lado das bandeiras vermelhas dos trabalhadores, sejam elas de partidos políticos, movimentos sociais ou entidades de classe. Nossas bandeiras só foram abaixadas pela força da reação e do autoritarismo. Esse foi o caso na Rússia e Ucrânia em 1919/21, quando os anarquistas foram esmagados pelo Exército Vermelho sob comando de Trótsky; da Bulgária, de 20 a 40, onde fomos massacrados pelos fascistas e depois pelos stalinistas (inclusive sendo enviados para campos de concentração); na Coréia, onde fomos esmagados pelos comunistas; no Estados Unidos, onde fomos perseguidos pelo Estado Liberal e capitalista norte-americano (com destaque para o caso Sacco e Vanzetti), na ditadura civil-militar Uruguaia e Argentina, que perseguiu, nas décadas de 60 e 70, as bandeiras negras de operários e anarquistas, para não nos prolongar em variados outros exemplos que exigiram mais espaço.

O que exigimos é respeito e, para isso, um debate franco é o melhor caminho que podemos trilhar. Sem ignorar nossos princípios ideológicos e as experiências históricas relevantes, nas quais cerramos fileiras com outras tradições da esquerda ou fomos traídos, o anarquismo tem um papel importante a cumprir no conjunto mais amplo do socialismo. Continuaremos a trabalhar sem sectarismo para auto-organizar a classe trabalhadora e os/as oprimidos/as, mas exigimos que tratem as bandeiras rubro-negras e o anarquismo como parte do que sempre foram, o setor libertário do socialismo.

* Historiador e professor de História.
** Cientista Político e professor de Relações Internacionais.
*** Editor e pesquisador.

Referências

ARCARY, Valério. Não deixem abaixar as bandeiras vermelhas. Disponível em http://blogconvergencia.org/blogconvergencia/?p=1533 .

CANARY, Henrique. Setor de Juventude do PSTU. Anarquismo e Socialismo: o individual e o coletivo nas mobilizações de massa. Disponível em http://www.pstu.org.br/node/19465.

CATALLO, Pedro. Infâmia Bolchevista. Ação Direta, Rio de Janeiro, 30/11/1946, n0 26, p. 01

DIELO TROUDA, Plataforma dos Comunistas Libertários. Disponível em http://nestormakhno.info/portuguese/platform2/org_plat.htm .

FAG, Lutar contra a tarifa até que vença a vontade das ruas! Disponível em http://pt.scribd.com/doc/134038977/OPINIAO-Luta-transporte-2 .

FAG, O Enredo de uma farsa! A tentativa de criminalização da Federação Anarquista Gaúcha. Disponível em http://batalhadavarzea.blogspot.com.br/2013/06/o-enredo-de-uma-farsa-tentativa-de.html .

FARJ, Breve análise sobre os últimos acontecimentos e as mobilizações sociais no Brasil e propostas socialistas libertárias para a luta. Disponível em http://anarquismorj.wordpress.com/2013/06/25/breve-analise-sobre-os-ultimos-acontecimentos/

PSTU, Lutemos Juntos contra os governos. Disponível em http://www.pstu.org.br/node/19475

PSTU, Sobre as bandeiras do PSTU nas manifestações e os anarquistas. Disponível em http://www.pstu.org.br/node/19514

Artigo publicado originalmente em: http://estrategiaeanalise.com.br//deixemos-todas-as-bandeiras-vermelhas-levantadas…-mas-as-bandeiras-rubro-negras-exigem-respeito,6a5fb099b6a0519ef035f4a7c5f1da9a+01.html

[ERRATA] ENCONTRO CEL REMARCADO NOVAMENTE PARA 9 DE JULHO

O CALC se desculpa pelo transtorno de mudar a data do CEL novamente, mas como organização política comprometida com a luta pelo transporte, nos vemos obrigados a remarcar a data do CEL para terça (9 de julho), na medida em que 2°, 3° e 4° feira desta semana temos atividades da Frente de Luta pelo Transporte, em especial terça que temos o ATO. Lembramos mais uma vez que o o encontro do CEL do 30 de julho a priori esta mantido

O CALC gostaria de chamar todos as ruas, assim, nos vemos TERÇA NO ATO e QUINTA NO CEL!
IV ato pela redução da tarifa de onibus https://www.facebook.com/events/387540124684764/?notif_t=plan_user_joined

CEL https://www.facebook.com/events/506675199404269/?notif_t=plan_user_joined

3° Encontro C.E.L

Quando:9 de Julho, as 18: 30

Quando: Santos Andrade, sala 205.

Leitura:

Teoria anarquista e ideologia anarquista

Tal encontro tem como objetivo inicial diferenciar teoria e ideologia conceitos estes, que de acordo com nossa corrente são distintos. É objetivo deste encontro introduzir a noção de ideologia anarquista, bem como a(s) teoria(s) anarquistas. Por fim cabe estabelecer a relação que guardam teoria e ideologia.

-O QUE É IDEOLOGIA?

Federação Anarquista Uruguaia (FAU)

-A história na visão dos anarquistas, no livro A história por anarquistas capitulo II

Anderson Romário Pereira Corrêa

Baixe aqui: https://coletivoanarquistalutadeclasse.files.wordpress.com/2013/04/cel-iii.pdf

Fotocopie aqui: Rua Amintas de Barros 192 (Copiadora Reitoria), pasta Círculo de Estudos Libertários.

Saiba mais:

O Círculo de Estudos Libertários (CEL) surgiu como espaço de estudo em janeiro de 2011, com o objetivo de debater “a atuação política, a teoria clássica e contemporânea do Anarquismo, (…) fortalecendo a perspectiva classista, autônoma, socialista e combativa das classes exploradas, em sua formação cultural e intelectual”. Com dois encontros por mês e textos lidos previamente por seus participantes, o grupo teve relativo sucesso no que se propunha a fazer, se tornando ainda “por tabela”, uma referência para os novos companheiros e companheiras interessados nas propostas do anarquismo organizado. A partir de 2012 o CEL tornou-se um espaço ligado ao Coletivo Anarquista Luta de Classe (CALC), continuando dessa forma, aberto a participação dos trabalhadores e trabalhadoras que queiram se debruçar sobre o estudo das lutas sociais e a participação dos socialistas libertários nas mesmas. Seguindo agora em 2013 um programa definido de textos pretendemos melhorar a qualidade de nossos encontros, contribuindo também, para auxiliar a formação teórica da militância anarquista aqui na cidade de Curitiba (PR).

Retornamos em 2013 com encontros mensais, nas ultimas terças feiras do Mês , sempre as 18:30h