[FAG] Só a luta popular decide! A Vitória da ocupação da Câmara é de todos os de baixo!

Retirado de: http://batalhadavarzea.blogspot.com.br/2013/07/so-luta-popular-decide-vitoria-da_16.html

As últimas marchas de rua em Porto Alegre (que também ocorreram em todo o país), marcadas pela forte repressão da Brigada Militar do governo Tarso\PT foram o sinal de que importantes elementos da conjuntura se alteravam, sinalizando uma importante “explosão” das lutas populares, até então relativamente amorfas em nosso país.
Neste contexto tivemos a importante articulação do dia 11 de Julho como um dia nacional de luta, onde Bloco de Luta discutiu e deliberou pela Ocupação da Câmara de Vereadores como mais uma forma de pressionar, através da ação direta, os poderes municipais a atender, em caráter de urgência, o conjunto de nossas reivindicações. Cabe ressaltar que após a entrega do programa de reivindicações ao governo do Estado, este sinalizou uma resposta desrespeitosa através de uma nota vaga e sem nenhuma novidade, sinalizando mais um motivo para seguirmos firmes nessa luta, até que todas nossas exigências fossem atendidas.
Hoje, estamos as vésperas de completar uma semana de ocupação da Câmara, o que por si só, já constitui um triunfo ímpar não apenas ao Bloco, mas a toda a esquerda e os de baixo  de nosso estado e país, logrando uma importante acumulação de forças. O protagonismo do Bloco como instância dinamizadora e articuladora de um conjunto de forças políticas e sociais, que se esforçaram a trabalhar sem sectarismos e com a devida unidade estabelecida nas ruas, marcou o caminho de uma tática lúcida, correta e vitoriosa.
Uma guerra de nervos instalada pelos de cima!
Ao longo destes dias agitados colocamos a prova nosso poder organizativo e nossa capacidade de sustentar uma tática de ação direta que valorize o protagonismo e a democracia de base. Após garantirmos avanços significativos na pauta de negociação com a representação da Câmara e deliberarmos por se retirar do plenário na segunda feira, para que os vereadores votassem nossos projetos, rejeitando a exigência da Câmara de sairmos no domingo a noite, ou seja, uma saída no escuro e fora de dia útil, recebemos um ultimato provocativo e reacionário por parte do presidente da Câmara, Tiago Duarte (PDT): um pedido de reintegração de posse. Estava largada a guerra de nervos!
 
O que se instalou naquele exato momento foi a intensificação de um complexo jogo de prática real da política, um xadrez onde deveríamos mover com calma e serenidade, mas com firmeza e determinação as nossas peças. A reivindicação do acerto tático em permanecer ocupando a Câmara e se aproveitar da disposição de luta e resistência, mais do que explícita, entre a combativa companheirada da ocupação, a crescente solidariedade que passamos a receber e o avanço organizativo do movimento, nos levou a resistir! Seguir ocupando, reivindicando a retomada das negociações e sinalizar que só deixaríamos a Câmara com a presença do aparato repressivo, como um meio de denúncia da truculência e inaptidão de lidar com a pauta dos de baixo por parte dos de cima, foi a correta tática defendida pela ampla maioria das assembleias.
A firmeza com que jogamos o xadrez nos levou primeiramente a garantir ordem judicial que suspendia a reintegração de posse nos finais de semana condicionando-a para dias úteis e das 06:00 as 20:00h, para, logo em seguida ser suspensa após a visita do oficial de justiça que levara o mandado de reintegração de posse, deliberando também por uma audiência de conciliação que pudesse solucionar o impasse.
Esta decisão judicial é uma grande vitória e devemos interpreta-la como mais um acúmulo de forças e partir dele, seguirmos firmes em nossas reivindicações. É a hora de arrancarmos da audiência o conjunto da pauta que conquistamos e a presidência da casa jogou na lata do lixo, para agora, pateticamente chorar em um programa de rádio, se expondo ao ridículo de uma atuação grotesca que visa criminalizar o protesto.
Em todas as nossas lutas: instalar uma grande batalha pela democratização dos meios de comunicação!
 
Os factoides criados pela grande mídia, com destaque especial para a famigerada RB$, apontando dentre outros elementos fantasiosos a “agressão” ao presidente da câmara, foram o grito dos desesperados na tentativa de nos deslegitimar. Ao longo destes dias a grande imprensa buscou isolar a ocupação, noticiando-a de forma marginal e sempre a partir de estigmatizações. Em momento algum a grande mídia atacou com contundência a unilateral quebra de diálogo com o movimento, quando este já sinalizava desocupar o prédio, assim como a ridícula decisão de suspender o expediente da Câmara na segunda-feira em uma reunião realizada em uma churrascaria, financiada pelos cofres públicos.
Essa militância raivosa por parte da grande imprensa para com as lutas e demandas dos de baixo é algo que experimentamos todas as vezes que nos organizamos por nossas demandas, seja em nosso local de trabalho, estudo ou moradia. A nossa experiência com esse aparelho ideológico dos de cima é algo que nos coloca uma tarefa de grande importância, tão importante quanto o passe livre, a abertura das contas e o avanço a um modelo de transporte 100% público, a luta pela democratização dos meios de comunicação.
Mais do que nunca precisamos romper os oligopólios, dar batalha contra a agitação destes meios contra as lutas e demandas dos de baixo e construiroutras ferramentas  para a comunicação, como é o exemplo das mídias alternativas que estão acompanhando nossa ocupação e repassando de fato o que esta ocorrendo.
Tática de combate! Tática que triunfa!
Precisamos compreender o significado dessa Ocupação no contexto de um conflito aberto e deliberado entre distintos projetos de cidade. Um projeto encabeçado pelo Bloco de Luta, que mesmo com toda sua diversidade que vem conseguindo entrar em pauta de forma coletiva; e um projeto que representa a continuidade do lucro dos empresários, a continuidade do privilégio no acesso a cidade e aos bens “públicos”. A legitimidade da Ocupação, assim como uma marcha de rua, o trancamento de uma via pública, a paralisação de uma fábrica, um piquete, etc. está no significado desses meios para aqueles que lutam, como únicas formas que verdadeiramente expressam o protagonismo de nossa gente frente aos mecanismos institucionais de dominação que acabam por excluir e apartar o povo das tomadas de decisão da sociedade. Para nós Anarquistas da FAG, só a luta popular, através da Ação Direta e com Democracia de Base, decide. É só através dela que arrancaremos dos poderosos o Passe Livre e caminharemos rumo ao transporte 100% público.
Não ta morto quem peleia!
Na lei ou na marra arrancaremos o passe livre!
Federação Anarquista Gaúcha – FAG 

 

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