[FAG] (Vídeo) Alberto “Pocho” Mechoso por Juan Carlos Mechoso

Retirado de: http://www.federacaoanarquistagaucha.org/?p=156

“…a melhor e autentica maneira de recordar nossos companheiros é continuar a luta pelos ideais pelos quais caíram. Continuar sem claudicações, com a firmeza que exige um inimigo como o que temos em frente.

…O que vem não será fácil de enfrentar, mas o fácil quase sempre é o pior nesse caminho.”” Juan Carlos Mechoso.

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Nas próximas semanas nossa organização estará dando início aos trabalhos de seu VI Congresso. Escolhemos homenagear nessa instância o companheiro Alberto “Pocho” Mechoso.

Pocho foi um dos fundadores da nossa co-irmã Federação Anarquista Uruguaia (FAU) em meados da década de 1950. Operário da indústria frigorífica, militou sindicalmente em sua então recém fundada organização, através da Federação de Operários da Indústria da Carne, tendo participado ativamente do processo de unificação sindical no país que levou à formação da Convenção Nacional dos Trabalhadores (CNT) em 1966, ao lado de outros companheiros de FAU como Leon “el Loco” Duarte (operário da indústria da borracha/pneus) e Gerardo Gatti (operário gráfico).

Com o recrudescimento da repressão política no país em finais da década de 1960, que ilegaliza a FAU em 1967 junto a outras organizações, Pocho passou à clandestinidade e assumiu a tarefa de ser um dos responsáveis pelo desenvolvimento do aparelho armado da organização, posteriormente denominado de Organização Popular Revolucionária 33 Orientales (OPR-33), que desenvolveu inúmeros operativos armadas no país. O acionar da OPR-33 guardava uma considerável distância das concepções foquistas, adaptadas para uma realidade urbana pelos Tupamaros no Uruguai, defendendo um vínculo da luta armada com o desenvolvimento da radicalidade do movimento de massas e sua subordinação a um instrumento político (organização/partido), neste caso, a FAU. Nesse sentido, a OPR-33 protagonizou ações como seqüestros de dirigentes da patronal em meio a conflitos sindicais, operações de sabotagem, expropriações financeiras para financiar o desenvolvimento da organização e alimentar fundos de greve dentre outras.

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Preso em fins de 1972, Pocho conseguiu fugir do quartel de 5. Artilharia de Montevidéu após ter resistido a violentas seções de tortura que buscavam informações que pudessem desarticular o aparelho da organização, refuginado-se em seguida em Buenos Aires onde seguiu atuando junto a outros companheiros da FAU/OPR-33 com o objetivo de criar uma estrutura de “retaguarda” ao golpe de Estado que a organização sinalizava que era iminente e, ocorreu de fato em junho do seguinte ano.

Preso em 1976, quando do golpe na Argentina, Pocho passou pelo centro de detenção clandestino Automotores Orletti, junto a muitos outros companheiros da FAU e de outras organizações (Orletti cumpriu a infame tarefa de ser a principal prisão para onde eram enviados os muitos uruguaios que viviam clandestinos na Argentina), como os citados Leon Duarte e Gerardo Gatti, que, assim como Pocho foram desaparecidos pela sanguinária cooperação das ditaduras do Cone Sul, a Operação Condor.

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Os restos mortais de Pocho foram identificados em 23 de maio de 2012 após terem sido encontrados junto a outros 06 militantes ao fundo de águas argentinas dentro de um tanque com cimento.

A firmeza de Pocho e de tantos outros companheiros(as) como Elena Quinteros, León Duarte, Gerardo Gatti, Idílio de León, Heber Nieto, frente a infâmia repressiva dos de cima é um exemplo de força e convicção ideológica que nada é capaz de dobrar.

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Concluímos estas linhas em homenagem a este inesquecível companheiro reproduzindo o vídeo gravado no Ateneo del Cerro, em Montevidéu do pronunciamento de seu irmão, Juan Carlos Mechoso, por ocasião da entrega de seus restos mortais. Também fundador e militante da FAU, Juan Carlos Mechoso passou toda a ditadura uruguaia (1973-1985) no cárcere, tendo se “atirado” no trabalho de reorganização da FAU assim que sai da prisão, onde segue militando nos dias de hoje.

Não ta morto que peleia!

Alberto “Pocho” Mechoso: Presente!

Arriba los que luchan!

Federação Anarquista Gaúcha – FAG

Publicação FAU sobre Alberto “Pocho” Mechoso

http://federacionanarquistauruguaya.com.uy/wp-content/uploads/2012/07/Ediciones-Recortes-Compa%C3%B1ero-Alberto-Mechoso.pdf

 

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[FARJ] Construir Poder Popular! – atos de junho até a atualidade

Retirado: http://anarquismorj.wordpress.com/2013/10/27/construir-poder-popular-atos-de-junho-ate-a-atualidade/

Publicado em 27/10/2013

Texto publicado originalmente no Libera #159

CONSTRUIR PODER POPULAR!

A voz dos oprimidos nos atos de junho até a atualidade

Junho e julho foram meses de grandes manifestações populares, onde trabalhadores, estudantes, desempregados e diversos setores da classe oprimida foram às ruas em várias cidades do país para lutar contra os abusos das corporações capitalistas e do governo. A força vinda da base da classe oprimida alcançou repercussão mundial, e como não poderia ser diferente encontrou adversários reacionários em seu caminho: a Rede Globo, as demais mídias capitalistas e os setores direitistas tentaram esvaziar o conteúdo social reivindicatório das pautas das manifestações, seja com generalizações do tipo “contra a corrupção”, ou com apelações ufanistas do tipo “o gigante acordou”. Apesar disso, a forte pressão popular abaixou as tarifas dos transportes em muitas cidades, representando uma vitória incontestável do povo contra as classes opressoras.

Nos meses de agosto e setembro vimos surgir novas mobilizações e resistências nas favelas. Locais que se organizaram e também foram às ruas para denunciar a violência que sofrem há décadas por parte do Estado, lacaio do capital, e que não usa balas de borracha. Essas iniciativas geraram importantes acúmulos como: Movimento Favela Não se Cala e o Fórum Popular de Apoio Mútuo (antigo Favela Nunca Dormiu). Isso nos deixa como lição a necessidade de fortalecermos os movimentos sociais desde a base.

As revoltas e indignações populares diante da precariedade do sistema de trens também devem ser lembradas. Com a autorização de Sérgio Cabral e do Secretário de Transportes, Júlio Lopes, a população é tratada de forma indecente pela concessionária Odebretch, à base de chicote. A população não aguenta mais a violência cotidiana imposta pelo péssimo serviço oferecido. Está clara a incompatibilidade com a qualidade no fornecimento de serviços públicos quando são entregues ao controle de empresários, e suas máfias, que visam o lucro e a exploração do trabalhador.

Outubro chegou e com ele romperam novas manifestações. Há dois meses em greve, servidores dos sistemas municipal e estadual de educação lutam por reajustes e pisos salariais dignos e por um plano de cargos, carreiras e remunerações que valorize a todos. Lutam por uma política de educação de qualidade contra as medidas impostas pela Secretaria de Educação e governo, que penalizam os servidores e aposentados. E contra o avanço de um regime meritocrático, de lógica capitalista, que responsabiliza e joga toda a culpa pelos problemas estruturais, e pelo caos vivido na educação pública, no colo dos trabalhadores. O medíocre Governo PMDBista responde com ameaças e violência, com porradas de cassetete, balas de borracha e bombas de gás!

Assim, no decorrer de uma conjuntura de momentos de ascensos e descensos das manifestações no Rio de Janeiro, o balanço geral é positivo. Sobretudo quando estiveram pautadas por demandas sociais espelhadas na realidade dos oprimidos. Nota-se que uma nova geração formada politicamente no calor das lutas e reivindicações de rua está surgindo e reage veementemente contra as práticas burocratizadas que desmobilizam a classe trabalhadora. Mas há ainda muito a se fazer e construir nas bases de diversos setores populares e categorias dos trabalhadores, onde é preciso dar a luta organizada e cotidianamente.

A violência é a verdadeira Lei do Estado

Como já dito, a democracia burguesa não se intimidou e fez uso de aparatos e mecanismos repressivos herdados da ditadura. Criou a nefasta Comissão Especial de Investigação de Atos de Vandalismo em Manifestações (extinta diante das pressões populares), criminalizou o uso de máscaras, plantou provas, prendeu menores, perseguiu e prendeu ativistas e forjou “quadrilhas”. Nas favelas o Estado saciou seu desejo pelo sangue de trabalhadores e oprimidos: 13 moradores assassinados no Complexo da Maré, e na Rocinha, o desaparecimento de Amarildo (caso que ganhou repercussão também nas ruas).

Nesse sentido, as formas de resistência e autodefesa do povo contra as opressões são legítimas e não devem ser criminalizadas. Não são comparáveis com as violências cometidas pelo Estado, organizadas militar, político e juridicamente, e que contam com apoio irrestrito da mídia burguesa. Quando a luta se massifica, como foi o caso da greve dos profissionais da educação, os trabalhadores precisam defender-se dessa orquestrada repressão policial.

Reconhecemos a importância das iniciativas de autodefesa do Black Bloc, que cumpre com as necessidades de resistência nas manifestações e que carrega uma demanda simbólica contra aquilo que representa o capitalismo e a democracia burguesa. Estamos atentos à tentativa da mídia burguesa em polarizar os manifestantes entre “vândalos” e “ordeiros”, e rejeitamos opiniões generalizadas e conservadoras que desqualificam o papel e a necessidade de autodefesa nas manifestações. Buscamos realizar uma análise generosa dos eventos, incluindo todos aqueles que vão às ruas, que se organizam nas bases, que são militantes de movimentos populares ou organizações políticas que não se rendem ao governismo e tem enfrentado a força dos patrões nas ruas. Assim, defendemos que a organização das formas de autodefesa deve ter o povo e os setores da classe trabalhadora e oprimida como protagonistas.

Entendemos que a violência do Estado não é exceção, mas a regra, e seu principal instrumento é a Polícia, seja ela Civil, Militar ou a Guarda Municipal. Neste sentido, não podemos enxergar o policial apenas pela esfera econômica, como “trabalhador” assalariado, sem perceber que há uma indissociável esfera ideológica no papel desempenhado pela Polícia no sistema de dominação capitalista: defesa da propriedade privada, controle e assassinato dos pobres e negros e a repressão a toda organização popular que ameace a ordem vigente. Diante de causas justas, não houve um recuo dos lacaios do Estado nas manifestações. Assim acreditamos que defender o policial como trabalhador assalariado é nutrir ilusões ou ser oportunista.

Nossa posição diante da conjuntura e propostas para avançar

Nós e as demais organizações da CAB, diante da conjuntura presente nas manifestações ocorridas de junho até o momento, buscamos participar e ajustar nossas estratégias aos distintos contextos que se colocam e mudam rapidamente, o que nem sempre é fácil. Nunca abrimos mão de nossos princípios e seguimos com nosso estilo militante e concepção de prática política enquanto minoria ativa. Errando e aprendendo com os erros, acertando e gerando acúmulos.

Diferente das práticas de vanguarda, nossa minoria é fundamentada na perspectiva de uma “retaguarda” enraizada, ou seja, propomos estar sempre junto aos oprimidos. Nosso programa aponta para nossa militância o respeito à autonomia das bases populares em relação à construção de suas pautas e tomada de decisões. Atuamos como fermento nas lutas, propondo organizar o que não está organizado, e ajudando a fortalecer e empoderar os setores populares já organizados, tendo a autogestão, a ação direta e o federalismo como métodos. Não delegamos o poder popular, o construímos na luta cotidiana e junto aos organismos de base, que são o germe da sociedade futura que queremos cultivar.

Antes uma ação mais modesta, construída coletivamente, do que propostas mirabolantes realizadas com atropelo e desrespeito ao protagonismo das bases na organização e na tomada de decisão. Temos consciência de que não vamos operar sozinhos uma transformação radical da sociedade, por isso propomos a solidariedade na luta com outras forças revolucionárias e contra toda forma de repressão. Para nós, liberdade não significa isolamento. Essa solidariedade e aliança se dão para nós, prioritariamente pelos movimentos sociais que ajudamos a construir. Da mesma forma repudiamos as ações que burocratizam as lutas, deslocando a política da ação dos organismos de base para a mão de técnicos juristas, economicistas, burocratas ou políticos. Isso vai minando o protagonismo dos trabalhadores.

Entendemos que é esse o nosso papel nas manifestações e nos movimentos sociais que contam com nossa militância, como o Movimento de Organização de Base (antigo MTD-Pela Base!), o Movimento Passe Livre – RJ, a Cooperativa Roça, a Associação dos Produtores Autônomos do Campo e da Cidade (APAC), o Movimento de Pequenos Agricultores (MPA), a Comissão Pastoral da Terra (CPT) e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no Rio. Fortalecemos as iniciativas que ajudam a construir a organização e o poder popular. Compreendemos o anarquismo e a organização política enquanto  ferramentas a serviço da luta pela transformação social, de forma conjunta com as organizações populares e classistas dos trabalhadores. Por isso, em modestos passos, mas agindo com qualidade e ética, caminhamos ombro a ombro com os trabalhadores do campo e da cidade. Priorizamos levantar as bandeiras dos movimentos sociais e organizações de base quando participantes de espaços de luta, como: Fórum de Lutas, Favela Não Se Cala, Fórum Popular de Apoio Mútuo e no apoio à luta dos profissionais da educação. Atuamos alinhados aos nossos companheiros das demais organizações integrantes da CAB nas lutas camponesas, comunitárias, sindicais, estudantis e contra todos os tipos de opressões. Acreditamos que o anarquismo só faz sentido quando posto em prática, criando raízes a partir da mobilização popular. Chamamos a todos que tenham acordo com nossas propostas e que queiram tomar parte nesse projeto, buscando mobilizar-se nos locais de estudo, moradia e trabalho. Convidamos a todos para construir um projeto socialista e libertário de sociedade! Convidamos todos a organizar, com estratégia e firmeza a luta pela construção desde já, do poder popular!

Lutar, criar, Poder Popular!!!

Viva as manifestações e as lutas do povo!!!

[CAMPO MOURÃO] CALC convida para o Grupo de Estudos Libertários de Campo Mourão

Por iniciativa de compas da cidade de Campo Mourão, Paraná, teremos mais um espaço de estudo e debate sobre a teoria e a prática do anarquismo.

Neste domingo (27.10) das 18:30 as 20:30 acontecera a primeira reunião do G.E.L. que contara com a participação do CALC.

O texto em discussão é Surgimento e breve perspectiva histórica do anarquismo(1868-2012) de autoria do Felipe Corrêa. Pode ser baixado aqui mesmo nesta página no linc: https://coletivoanarquistalutadeclasse.files.wordpress.com/2013/04/surgimento-e-breve-perspectiva-histc3b3rica-do-anarquismo-1868-2012-felipe-corrc3aaa.pdf

Nós do CALC não poderíamos deixar de saudar e apoiar mais esta iniciativa no campo do estudo do anarquismo social, sua teoria e sua prática.

Vida longa ao G.E.L.

Saiba mais: https://www.facebook.com/events/531640376921108/?ref_dashboard_filter=upcoming

Opinião Anarquista Outubro de 2013: Avançar na organização da Luta! Radicalizar nas Ações! Uma breve análise sobre a ocupação da Câmara Municipal de Curitiba

herança das jornadas de Junho/julho

Desde as jornadas de Junho e Julho, quando milhares de pessoas foram às ruas de Curitiba e milhões tomaram as cidades de todo o país, vem se afirmando a necessidade de organização das lutas que vem se desenvolvendo tanto em torno do transporte, outros serviços públicos (saúde e educação), contra a repressão do Estado (seja na luta pela desmilitarização da policia, como da luta pelos direitos homoafetivos, etc.), a contestação aos mega eventos (a violência que geram ao povo pobre por conta das relocações e da criminalização da pobreza promovida pela militarização das cidades) e tantas outras demandas que vem sendo reprimidas e agora tomam a cena política.

Em Curitiba a luta pelo transporte público, gratuito e de qualidade tem se organizado a partir da proposta da Frente de Luta Pelo Transporte (FLPT) que articula individualidades e grupos que tenham acordo com a seus métodos de organização e pautas, isto desde os primeiros momentos da jornada de junho/julho. O método de organização da FLPT tem sido a democracia direta (a FLPT se organiza em reuniões e assembleias onde todos/as tem voz e voto) e a delegação de tarefas (aqueles que constroem as deliberações devem executar o que foi deliberado) e a ação direta (a FLPT não busca por meio de meios indiretos como eleger representantes na câmara ou no executivo implementar suas pautas, mas por força de suas próprias ações). O CALC por meio de sua militância busca estar presente e tomar parte da FLPT desde seu inicio. A FLPT fez possível a intermediação das ruas com o poder público, e se mostra necessária para que o movimento apresente uma pauta definida e tenha a organização necessária para suas ações (convocação de atos, divulgação dos mesmos, confecção e distribuição de material informativo, etc.). Deste modo foi possível em um primeiro momento conquistar a redução da tarifa de 2,85R$ para 2,70R$.

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As jornadas de junho/julho se encerraram pondo fim a um fluxo de luta de massas, todavia não sem deixar precedentes. A ação direta de massas se inscreveu na política nacional, e de certo modo podemos afirmar que alterou a cultura política da população brasileira, seja de uma parcela da população que “aprendeu” quais são os caminhos que levam as conquistas populares: a organização e a luta, como da população que mesmo sem ir as ruas passou a enxergar as movimentações sociais com bons olhos e apoiar fazendo coro enquanto opinião pública.  Cabe agora neste momento de “refluxo” das ruas as organizações tanto no nível social como político intensificarem seus trabalhos organizativos aproveitando do momento favorável. Nesse sentido da “jornada” ficam  as conquistas econômicas (redução da tarifa) como as políticas a criação de um instrumento amplo que congrega todos/as (a FLPT) que desejam lutar, como o avanço na consciência dos explorados/as que se reconhecem nas lutas e nas pautas que ocupam as ruas.

Continuar Organizando e Lutando!

Com um pequeno momento de inatividade após a grande “jornada”, logo voltaram os/as lutadores/as a se articularem na FLPT, seja organizando atos como a agitação e propaganda, galgando sempre mais espaço para os debates em torno do transporte público.

No último dia 15, terça-feira, os componentes da Frente de Luta Pelo Transporte estiveram presentes em sessão aberta da CPI do Transporte de Curitiba (reivindicada pela própria FLTP) e após o término desta ocuparam a Câmara Municipal por 24 horas. Tal ação se deu em advertência ao poder público (prefeitura e câmara) de Curitiba que se omite em relação à situação do transporte coletivo, mesmo quando isso se torna inaceitável, pois o próprio poder público aponta em dois relatórios distintos aquilo que o povo já sabia o transporte de Curitiba é organizado de forma criminosa e a tarifa é um assalto. Apontam os relatórios do TCE (Tribunal de Contas do Estado) e da CPI do Transporte, que ocorre na Câmara de vereadores de Curitiba, entre outras coisas que existe irregularidades nos contratos (ao menos 40) e abusos no preço da tarifa (esta poderia cair para no mínimo o valor de 2,40R$, o TCE indica 2,25R$). Mesmo o poder público, personificado no TCE, exige a anulação dos contratos, estatização da URBS e redução imediata da tarifa. Diante desta conjuntura a FLPT decide por ocupar a câmara para ampliar a denuncias e visibilizar a luta pelo transporte público. E como no Rio de Janeiro, Porto Alegre e São Paulo a bandeira rubro-negra esteve presente junto das organizações anarquistas.

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Como já apontamos neste período em que o movimento vive um refluxo, cabe aos organizados manter a “chama acesa”. O “peso” das ruas diminui quando contamos com pouco mais de uma centena nas ruas. Ao mesmo tempo a criminalização da luta segue, e a mesma mídia que repudiava todo e qualquer tipo de protesto agora defende “as marchas”, claro pacificas, isto é, que nada alteram na ordem, buscando cooptar para sua proposta de “protesto cidadão”. Dentro desta perspectiva avançar nos métodos de luta é necessário, e ação da FLPT de ocupar a câmara aponta nesta direção, abrindo caminho para novas radicalizações no futuro, e demonstrando que de maneira organizada podemos intensificar em nossas ações.

Por outro lado não podemos nos balizar por alguns poucos indivíduos que “militam” para que a luta e as ações não sejam organizadas previamente e para que cada um tenha sua “liberdade individual”, mesmo que em oposição ao coletivo. De maneira algumas acreditamos que a luta não deva se radicalizar, porém sempre no marco daquilo que são os acordos do movimento, afinal se defendemos a liberdade, somente pelos métodos democráticos (diretos) garantimos a todos/as o direito de deliberar de igual modo. Acima de tudo radicalizar em um sentido libertário significa radicalizar junto ao povo, e não a sua frente, nesse sentido recusamos qualquer tipo de vanguardismo seja dos que buscam usurpar o ser político do povo em proveito de seus projetos políticos, seja de minorias descoladas que buscam “adrenalina” e realização pessoal no movimento.

Não podemos também nos deixar seduzir por aqueles que se oferecem para nos representar. Na ocupação alguns vereadores se propuseram a lutar por nós dentro da estrutura do Estado. Não devemos acreditar que os “nossos representantes” travaram esta luta, afinal foi com a omissão ou corrupção (grande parte dos vereadores são bancados pelas empresas do transporte) destes que os contratos foram estabelecidos, desta maneira, estes senhores buscam se vincular a ação da FLPT somente para levantar um palco e apontar holofotes para si. Somente a força das ruas, a ação direta das massas pode derrubar a máfia do transporte a avançar para um transporte realmente público.

Desta forma não podemos confiar nem no heroísmo de nossos representantes nem de espontaneistas de plantão, nossa força é a força coletiva, que organizada junto ao povo implementa as conquistas por meio da organização do poder popular.

Antevendo o ano que vem como um ano de intensas mobilizações em todo o Brasil, devido a justa revolta contra a Copa do Mundo, evento simbólico para demonstrar para que lado pende este governo que gasta verdadeiras “fábulas” de dinheiro para realização dos mega eventos mas alega estar com os caixas vazios para reajustar salários e mesmo garantir os serviços públicos. É fundamental que forjemos instrumentos de organização, a Frente de Luta Pelo Transporte tem se apresentado como espaço para aglutinar os lutadores/as de Curitiba, esta tem se tornado uma referência nas lutas da cidade e deve seguir organizada neste período de “refluxo” das ruas construindo a pauta e apontando instrumentos de luta direta, Com objetividade nas demandas e respostas, que possam captar todo descontentamento popular, organizando a luta e contribuindo para a transformação da realidade.

Para nossa luta não temos outra força senão a do povo organizado, e é por esta força que nossos direitos serão conquistados, pela força das ruas avançamos rumo a um transporte realmente público!

Se a tarifa não baixar, Curitiba vai parar!

Passe Livre já!

Lutar! Criar! Poder Popular!

CALC, 25 de Outubro de 2013.

Baixe aqui a versão impressa: Opinião Anarquista Outubro

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[CURITIBA] Círculo de Estudos Libertários: Autogestão, federalismo e socialismo libertário (29.10.2013)

Mantendo a sequência de nossos encontros mensais nas ultimas terças, convidamos todos para o encontro do CEL com a temática: Autogestão, federalismo e socialismo libertário.

Buscaremos neste estudo compreender as bases da sociedade socialista libertaria, bem como de que forma tais perspectivas estratégicas regulam as organizações anarquistas no presente histórico.

Assim todxs convidadxs:

QUANDO: Terça (29.10.2013), as 19h.
ONDE: Sala 205 do Departamento de Psicologia no Prédio Histórico da UFPR(Santos Andrade).

Para ler o texto:
Baixe aqui:https://coletivoanarquistalutadeclasse.files.wordpress.com/2013/04/mc3b3dulo-vi-cel.pdf
ou fotocopie na fotocopiadora da Reitoria, o texto esta na pasta da Círculo de Estudos Libertários.
Endereço: Rua Amintas de Barros 192 (Copiadora Reitoria), pasta Círculo de Estudos Libertários.

Saiba mais sobre o CEL:
O Círculo de Estudos Libertários (CEL) surgiu como espaço de estudo em janeiro de 2011, com o objetivo de debater “a atuação política, a teoria clássica e contemporânea do Anarquismo, (…) fortalecendo a perspectiva classista, autônoma, socialista e combativa das classes exploradas, em sua formação cultural e intelectual”. Com dois encontros por mês e textos lidos previamente por seus participantes, o grupo teve relativo sucesso no que se propunha a fazer, se tornando ainda “por tabela”, uma referência para os novos companheiros e companheiras interessados nas propostas do anarquismo organizado. A partir de 2012 o CEL tornou-se um espaço ligado ao Coletivo Anarquista Luta de Classe (CALC), continuando dessa forma, aberto a participação dos trabalhadores e trabalhadoras que queiram se debruçar sobre o estudo das lutas sociais e a participação dos socialistas libertários nas mesmas. Seguindo agora em 2013 um programa definido de textos pretendemos melhorar a qualidade de nossos encontros, contribuindo também, para auxiliar a formação teórica da militância anarquista aqui na cidade de Curitiba (PR).

Retornamos em 2013 com encontros mensais, nas ultimas terças feiras do Mês , sempre as 18:30h.Imagem

[FAG] ATO PÚBLICO DA FAG: Força e Convicção Ideológica e Textos lidos no ato

Retirado de : http://www.federacaoanarquistagaucha.org/?p=78

http://www.federacaoanarquistagaucha.org/?p=50

DSC02212O ato começou logo que caiu a noite, por ali, inicialmente uma pequena aglomeração de pessoas na bonita rua da travessa dos venezianos na cidade baixa de Porto Alegre.

1392089_1422637664617851_431766968_nNão tardou muito o telão e os microfones já estavam prontos para o uso, assim como os convidados já se faziam presentes, mais de 100 pessoas que certamente compuseram uma bonita fotografia colocada para este ato político. Um painel de fundo, com as cores vermelho e preto e os dizeres “FAG 18 anos, força e convicção ideológica” cobria a parede do Ateneu Libertário a Batalha da Várzea, local político, social e cultural da FAG. A rua que já é bonita por si só ficou ainda mais com a presença de cada companheiro e companheira que se fez presente.

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Vários coletivos, organizações políticas, movimentos se fizeram participantes, também estavam lá pessoas sem organização social e política, mas sem dúvidas simpatizantes do tema a ser tratado. Uma grande parte dos que se faziam presentes ali, podemos até dizer que a maioria, são militantes anarquistas desta cidade e que, de uma forma ou outra se somam nos processos de luta que nos tocou atuar nos últimos tempos. Não todos militantes da FAG, mas companheiros de ideologia e luta. Também contamos com a participação de militantes de outras matrizes ideológicas, estes foram convocados por nossa organização no momento que propomos a solidariedade a todos os que estão lutando e por conta disso sendo perseguidos e criminalizados. Nossa solidariedade de classe como já diz uma antiga chamada é “mais do que palavra escrita” ela se faz em atitudes concretas, no que é de fato.

1391896_1422637321284552_1937506031_nO ato teve a leitura das adesões de várias organizações irmãs da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB), da Federação Anarquista Uruguaia(FAU), assim como de movimentos populares autônomos. Foi feita a leitura do material nosso com elementos da conjuntura, repressão, criminalização e os desafios colocados para os setores de luta dos oprimidos. Logo tivemos as falas de companheiros de outras organizações políticas, sociais e populares que ali estavam, foram sete intervenções que firmam o compromisso de estar e continuar em luta contra a criminalização do protesto e da revolta. Falas estas, das quais compartilhamos o sentimento de solidariedade de classe, porque o sectarismo para nós da FAG é umas das piores doenças políticas que atingem setores do campo popular de esquerda.

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Para os militantes de outras matrizes ideológicas que tiveram respeito em aceitar o nosso convite e comparecer em nosso ato fica nosso cordial agradecimento. Segue um trecho da fala de abertura que representa muito bem o caráter que fizemos ter este Ato: “Em que pese ser o ato de uma organização política anarquista, com seu discurso, as suas linhas e a própria cultura militante, cremos que esta é uma conjuntura especial que toca a todos e todas que lutam para não se amesquinhar, para quebrar o sectarismo e brindar solidariedade de classe, por cima das diferenças partidárias. Que se sintam parte deste Ato todos os lutadores sociais perseguidos e com todo nosso respeito tomem um lugar entre nossa fraternidade libertária e socialista.”.

1377506_1422638714617746_2086004806_nE assim foi, bem mais de uma centena de pessoas, talvez duas, puderam socializar conosco momentos de reflexão e análises sobre a luta popular e política que estamos envolvidos. Também houve momentos de imagens das mobilizações, músicas e por fim a fala final de nossa organização, uma fala com elementos ideológicos de nossa corrente dentro do anarquismo, o Especifismo. Aqui o trecho que segue sintetiza um pouco do nosso acionar: “Nosso anarquismo em ação quer ser um fator para unir o que está disperso, organizar o que anda desorganizado, para encontrar mecanismos de participação popular em direção de uma estratégia de poder popular que carregue um programa de soluções para os explorados e oprimidos. Que faça sair pra frente os protestos sociais.”.

O ato abrigou diferentes gerações de lutadores, gente que a décadas atrás já estavam nas peleias dos de baixo, mas foi a juventude que teve um papel importante e renovador, o papel de seguir empunhando a bandeira por socialismo com liberdade, pelo anarquismo. Devemos concluir então que este Ato é só uma “pausa”, um momento de reflexão, de socializar com a companheirada como estamos enxergando o cenário das lutas e compartilhar as tarefas políticas que a luta popular nos traz.

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Seguiremos “resistindo com força e convicção ideológica, mantendo nossos ideais onde se encontram os anseios dos oprimidos, sendo parte ativa nas lutas cotidianas, atuando com modéstia, mas com firmeza. Em memória a todas e todos que tiveram suas vidas ceifadas pela mão do opressor quando teimaram em defender a liberdade, a justiça social e a revolução social.

Nenhum passo atrás!

Rodear de solidariedade os que lutam!

Federação Anarquista Gaúcha – FAG

Textos lidos:

O ANTES E O DEPOIS DE JUNHO

*Análise de conjuntura lida no ato da público da FAG em 17/10/2013.

No inicio do ano de 2013 começou a ganhar força uma nova configuração para este país, um novo contorno histórico de luta popular, inicialmente com mobilizações pequenas, mas que nitidamente ganharam logo de cara a simpatia de uma ampla maioria dos trabalhadores e oprimidos em geral,  simpatia esta que caracteriza o descontentamento do povo com suas condições de vida, por seus direitos mais básicos como saúde, educação e transporte negados pelos de cima (governantes, patrões, mídia coorporativa).

Inicialmente as lutas foram pela redução das passagens, com a pressão popular aumentado nas ruas e a organização pela base, nos diversos trabalhos de diálogo com o povo, ocupação de terminais, marchas e trancaços culminaram em uma conquista pontual, mas coletiva, que foi a redução no aumento absurdo da passagem de ônibus nesta cidade (passagem que segue com um valor absurdo é bom frisar). Ao contrário do que acusam certos propagandistas, que buscam subtrair a ação popular para personalizar e canalizar eleitoralmente a vitória, esta não foi uma conquista de gabinete, mas sim de milhares de pessoas que saíram gritando pela força das ruas que “se a passagem aumentar, Porto Alegre vai parar” e Porto Alegre imerso em uma agitação que não presenciava a mais de uma década, literalmente parou! Não fosse a contundente mobilização de massas que o Bloco de Lutas pelo Transporte Público foi capaz de agitar a medida judicial contra o aumento teria mofado nas podres gavetas do poder judiciário.

1395_1422637704617847_765979703_nA adesão às marchas começaram a se fazer presente nas ruas, já não éramos mais “meia duzia” de militantes, muito mais gente estava conosco, afinal sempre foi este o objetivo que nos colocamos desde o inicio, que o movimento se enchesse de gente com ganas de lutar, jovens, muitos jovens, senhores e senhoras e crianças, trabalhadores, desempregados, começaram a ganhar o paço municipal nas concentrações dos atos que ajudamos a construir.

A pauta já se estendia, não se tratava só de exigir a redução das passagens, um outro modelo de transporte começava a ser debatido, o passe livre que é uma pauta já antiga na cidade também já é uma das demandas. Tampouco essas lutas começaram a surgir do nada. Nos últimos 10 anos, em inúmeras cidades a juventude e os de baixo se mobilizaram e lutaram contra os aumentos abusivos no transporte coletivo, saindo em algumas ocasiões vitoriosos. Da mesma forma, indígenas e trabalhadores das obras do PAC, vinham sinalizando o caminho de uma luta sem tréguas contra os de cima.

Em meio a esse processo embrionário, onde inúmeros companheiros, das mais distintas procedências político/ideológicas, onde temos a felicidade de nos incluir, aportaram seus esforços, na maioria das vezes silenciosos, eis que tivemos um ato marcado pela repressão por parte dos defensores do Estado. Logo a cidade sentiu o poder que tem um povo indignado  quando este se da conta que esta sendo atacado e aquece na solidariedade aqueles que caem presos por lutar. No histórico 1 de abril, marcharam pelas ruas desta cidade uma coluna de milhares de pessoas, uma marcha que alcançou numero maior que dez mil, milhares marchando com seus anseios gritando em cartazes e faixas, milhares que talvez nunca antes tenham se somado a nenhuma manifestação seja ela qual fosse, no entanto ainda não tínhamos ao certo a dimensão do que iria surgir no país a fora.

1376370_1422637767951174_1898684350_nNão tardou para presenciarmos mobilizações em várias cidades que, paulatinamente começaram a impor uma nova força no jogo da política brasileira, agora com os de baixo se erguendo com o punho em riste, apavorando os poderosos. Goiânia, São Paulo, Rio de Janeiro e tantas outras cidades presenciaram um mar de gente tomando as ruas e não por acaso sofrendo a covarde repressão policial por parte do Estado que prontamente buscou atender as reivindicações das patronais e da mídia coorporativa e tentar por fim as lutas que demonstravam uma sufocada revolta popular contida entre os de baixo. No entanto, a repressão deu com os burros n’água! Assim como em Porto Alegre, foi a partir da repressão policial que o movimento se massificou, canalizou a indignação contra a covardia de um estado cada vez mais policial e seguiu em frente, o que levou os de cima a rever sua tática. Se, em um primeiro momento a tática era conclamar a repressão e a estigmatização das lutas, dada a falha dessa histórica tática, os de cima, recorrendo sobretudo a seus instrumentos de luta ideológica, a mídia coorporativa, passaram a buscar cooptar as lutas, introduzindo pautas artificiais e cada vez mais vazias de conteúdo, conspirando contra a esquerda nos atos e buscando transformá-los em “paradas cívicas”. Podemos afirmar que em Porto Alegre não foi fácil a direita se apossar das manifestações, pois já estávamos organizados para enfrentar a tentativa de cooptação e nisto conseguimos garantir o cunho classista e combativo que apontamos desde o inicio.

Quando já não éramos mais “meia dúzia” de militantes, mas sim um movimento forte e catalisador de demandas populares, sendo capaz de contornar a ofensiva dos de cima em esvaziar de conteúdo nossas lutas, passamos então a ser ainda mais condenados pela mídia golpista de plantão, reforçaram-se as tentativas de distorção e factóides covardemente plantados nas redações com o objetivo de desatar uma guerra psicológica contra a revolta popular que começava a se afirmar de norte a sul do país. Nossas marchas foram atacadas diversas vezes, fomos acossados e perseguidos, gás lacrimogêneo começou a ser marca constante, assim como as balas de borracha, as bombas de efeito moral, as torturas que a BM cometia pelas ruas, delegacias e camburões, as prisões arbritárias e aleatórias de gente que foi, literalmente caçada pelas ruas.

Os meses de junho e julho marcaram um antes e um depois neste país, com a entrada em cena de uma nova geração de lutadores, demonstrando convicção e firmeza de seguir em frente, ainda que enfrentando a repressão. Não bastasse a mídia a serviço dos capitalistas, a direita mais raivosa deste país com traços fascistizantes, encontramos nos governos do estado e federal, a comando do PT, se mostrado um algoz de ideologias combativas, mais especificamente do anarquismo. Foi o governo Tarso/PT que, na sanha de agradar a grande imprensa mandou sua polícia invadir a sede de nossa organização por duas vezes em menos de 04 meses, a primeira, em junho, diga-se de passagem de forma ilegal e aprendendo “vasta literatura anarquista” segundo o chefe da Polícia Civil Ranolfo Vieira Jr., agora filiado a PDT do prefeito Fortunatti. Até hoje não devolveram todos os materiais e na tentativa de  intimidação, vão à casa de um de nossos militantes e entregam três dos vários livros que roubaram.

O discurso do governador Tarso Genro que vai a publico depois deste episodio é vil, coloca a ideologia anarquista como equivalente ao fascismo, julga que as ações de rebeldia e indignação que vão às ruas são de responsabilidade dos nossos ideais que incitam o protesto, como se nós devêssemos ser responsabilizados por aquilo que os governos e as elites plantaram durante anos e anos, como a fome, a miséria, a injustiça social, a precarização das relações de trabalho e dos serviços públicos, o massacre da juventude negra e pobre, o Estado penal, o cárcere, a tortura e o desaparecimento para o pobres.

Passadas então as grandes mobilizações, a criminalização ganha mais força. Já era de nosso conhecimento que haviam processos que corriam soltos contra militantes, já se desenhava ali uma ação de condenação política da militância. Não tardou muito e começam a nos prender,  como foi o caso dos/as professores/as, companheiros de luta que foram detidos em uma armação de “flagrante” após um ato do Bloco de Lutas. Em menos de uma semana, um tal delegado Jardim, conhecido por fazer vistas grossas à atuação de grupos neo-nazistas na cidade, concluía a farsa indiciando-os por depredação, agressão e crime ambiental por depredação de patrimônio tombado. A conspiração em curso ficava escancarada quando seus nomes e fotos eram divulgados com entusiasmo pela RBS e suas hienas.

Não distante deste episodio no 1 de outubro espaços políticos sociais de cunho libertário, como Moinho Negro e, como afirmamos acima pela segunda vez o nosso espaço o Ateneu Libertário, também outros militantes envolvidos na luta, como os compas do Utopia e Luta, e militantes do PSOl e PSTU tiveram suas casas invadidas e foram também roubados pela polícia civil empregada do governo Tarso/PT. Logo que tivemos acesso ao inquérito que a polícia civil montou, podemos então ter certeza da perseguição político ideológica que já caminha a passos largos, um inquérito digno de deboche, sem provas concretas, onde elementos de investigação são as cores de bandeiras e seus formatos. Nesta tentativa desesperada de achar lideres, de por cabeças a premio, o governo e seu aparato repressivo promovem uma verdadeira caça as bruxas na cidade. Alardeia que negocia com os partidos, porque não sabia das ações da PC. Mas sabemos e acusamos isso como mais uma manobra de provocar um racha no movimento.

1376582_1422637714617846_216138381_nNão se deixar levar pela chantagem dos de cima! Não se intimidar, não se desmobilizar: rodear de solidariedade todos os que lutam!

Na grande imprensa, seja ela da província ou nacional o bode expiatório que hoje buscam com um ódio espumoso enquadrar nas leis contra organizações criminosas e de segurança nacional, nítidos vestígios da ditadura civil-militar, já foi nomeado: anarquistas, mascarados, vândalos! Uma cortina de fumaça para sufocar a justa revolta popular de um povo que tem ousado dar um basta em sua condição miserável e de expectador do corrompido jogo político que decide a revelia dos de baixo. A repressão tem se afirmado com um crescente vigor. Isolar e direcionar a perseguição à setores mais combativos, ainda que estes sejam pouco ou nada orgânicos, chantagear setores reformistas/eleitoralistas de forma a isolarem os setores mais radicalizados, apresentando-se como responsáveis e não promotores da “baderna” tem se mostrado uma sagaz artimanha do inimigo. Cria-se um ciclo vicioso onde não faltaram vacilantes e até mesmo delatores para cederem as chantagens do inimigo a cada aperto que sofrerem, reiterando, cada vez mais sua inocência, sua responsabilidade e claro, mordendo a isca do inimigo ao condenar aqueles que, ainda que por vezes sujeitos a inúmeros equívocos táticos e estratégicos estão muitas vezes fazendo sua primeira experiência de enfrentamento político com os de cima. Representam, antes de mais nada, uma nova geração disposta a lutar por fora do jogo dado pelos de cima: eleições, partidos registrados no TSE recebendo suas devidas anuidades do Estado burguês (o fundo partidário) e contribuições de inúmeros setores da patronal.

O desenvolvimento da repressão em tais níveis, com o beneplácito de um pretenso partido de esquerda, “progressista”, não é novidade para quem conhece as políticas de conciliação de classes do mesmo. O pacto social caminha invariavelmente para o conservadorismo e a reação. Desmobiliza e coopta setores importantes de luta e organização dos de baixo, chegando por vezes a destruí-los mediante o alto grau de cooptação e burocratização. Deixa como legado um vazio organizativo por parte dos de baixo, capaz de disputar uma agenda a esquerda, ao passo que colabora reiteradamente com os de cima e seus instrumentos organizativos. Eleger bodes expiatórios e desatar uma feroz repressão contra lutas que fujam do controle de sua política de pacto social é uma marca histórica desse reformismo que sequer é capaz de lograr mínimas reformas. No entanto, assume sem vacilações o seu posto histórico de ser a ante-sala do fascismo.

Seguimos afirmando que o que está posto no atual cenário não uma polêmica entre “marxistas x anarquistas” como muitos buscam insinuar ao sinalizar de forma positiva a chantagem dos de cima. O que se trata no atual momento histórico é a defesa de lutadores contra a repressão e a criminalização. Não escolhemos pelas vertentes ideológicas e históricas dos de baixo a quem ser solidários, orientação esta que vai de encontro a um pernicioso e trágico sectarismo que busca apenas defender “os seus”.

Somos uma organização que tem 18 anos de história e luta, sempre estando junto e sendo parte dos oprimidos, organizando os de baixo, aportando com toda modéstia nosso grão de areia na construção do poder popular.

E neste solo que nos tocou viver e atuar, queremos reafirmar nosso compromisso de seguir lutando, porque nossas idéias não podem ser mortas ou acorrentadas! Porque o sonho por liberdade e justiça social não é um sonho que se sonha só! Porque as prisões não nos intimidarão! Porque a perseguição só alimenta nossas ganas de seguir combativo! Porque não nos calarão diante de qualquer injustiça! Porque a não vai ter copa se depender de nós! Porque seguiremos falando de liberdade, socialismo e anarquismo custe o que custar! Porque a luta dos indígenas e quilombolas também é nossa luta! Porque os trabalhadores da educação são nossos companheiros! Porque todos os que lutam tem em nós mãos estendidas e ombros solidários!

Porque nossos inimigos são os mesmos e lutaremos contra eles até a tão sonhada revolução social! Porque os lutadores do Rio de Janeiro que hoje enfrentam um Estado policial ainda mais desenvolvido, como em qualquer outro canto deste país não estão sozinhos!

Porque somos sim companheiras e companheiros ANARQUISTAS!!!!!!

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O ANARQUISMO NÃO SE PRESTA A CARICATURAS!

Intervenção de encerramento do ato

DSC02219Saúde compas! Em que pese ser o ato de uma organização política anarquista, com seu discurso, as suas linhas e a própria cultura militante, cremos que esta é uma conjuntura especial que toca a todos e todas que lutam para não se amesquinhar, para quebrar o sectarismo e brindar solidariedade de classe, por cima das diferenças partidárias. Que se sintam parte deste Ato todos os lutadores sociais perseguidos e com todo nosso respeito tomem um lugar entre nossa fraternidade libertária e socialista.

Contra o privilégio e a injustiça, a escravidão e a brutalidade SOMOS ANARQUISTAS, já sintetizou a máxima de nosso velho Bakunin.

Mas quem são os militantes anarquistas? Perguntava a reportagem especial de Zero Hora do dia 29 de junho, mais de uma semana depois que é operada a 1° invasão policial do local do Ateneu Libertário.

Ora, somos trabalhadores, de distintas profissões e setores, qualificados, precários ou desempregados, pais, mães, filhos do povo, estudantes. Somos também os jovens que fazem uma opção de classe e tomam parte contra toda dominação política, econômica e cultural pelo lado dos oprimidos. Os que ajudaram e somaram desde baixo e pelo começo a formar o Bloco que tomou a frente nas históricas lutas de massa de abril e junho em Porto Alegre e derramou pelo país afora. Os que não acordaram ali, que já vinham há anos dando corda nas pautas que defendem o direito a cidade para os pobres. E a propósito senhores, não temos preferência pela cor da roupa, nos vestimos como dá, como podemos. O estereótipo e a caricatura, apesar da insistência, não colam  marcas no nosso lombo.

1374066_1422638717951079_1061288892_nNaquela pérola da página 11, dia 29 de junho, em Zero Hora o sr. Humberto Trezzi chamou uma manchete para contar quem são os anarquistas, fez um parágrafo sorteando chavões achados em vista grossa pelo facebook, a wikipedia ou a busca do google e logo tornou ao seu lugar de ofício nas crônicas policiais. A matéria estava premiada com o factóide de uma entrevista com militante anônimo, uma ode a estupidez de fazer inveja as piores e mais escabrosas redações de Veja.

O discurso criminal sobre o anarquismo não é uma surpresa. O espantalho é historicamente recorrente na imprensa, pelas autoridades e suas forças repressivas, toda a classe patronal. Não perdemos de vista que a produção do discurso da criminalização sempre quis plantar o medo, criar a figura do delito para fazer par com a ordem e ao final produzir consenso para o controle social das classes dominantes.

Durante as primeiras lutas operárias que se organizaram no país pelo trabalho dos anarquistas, inícios do séc. XX, se usava definir essas ideias como uma “planta exótica” que se estranhava com um povo pacato e cordial. A questão social que era levantada pelo emergente movimento dos trabalhadores foi convertida em B.O. da polícia. A ideologia de socialismo e liberdade que encarnava a luta de classes pelos princípios, as táticas e as finalidades de um movimento operário combativo era o próprio delito contra a propriedade, a desestabilização da ordem capitalista dependente e autoritária que se formava por aqui. E quantas organizações e periódicos da imprensa sindical revolucionária foram empastelados, quantos companheiros deportados ou eliminados pelo aparelho repressivo contam essa história “desaparecida” pelas infâmias do poder.

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A Plebe, jornal operário e anarquista informa a situação de companheiros anarquistas presos e mortos no campo de concentração de Clevelândia.

O capitalismo, o Estado e toda a estrutura ideológica articulada ao sistema sempre foram duros algozes do anarquismo, como todos seus opositores radicais. No Brasil não poderia ser diferente. Durante a 1° república fomos enfrentados a conjunturas de fortes ações judiciais e repressivas que destruíram organizações, veículos de imprensa, atividades populares. Pelas leis de repressão ao anarquismo de 1907, 1913 e 1921 tivemos o doloroso desterro, encarceramento e a liquidação de vidas militantes que não tem preço em nossa causa. A colônia de Clevelândia no extremo norte do país, durante a década de 20, figura terrivelmente como o campo de concentração dos indesejáveis, das “classes criminosas”, que fez morrer no limbo incontáveis companheiros, anarquistas irredutíveis.

Nenhuma palavra sobre isso do sr. Trezzi. É que francamente não quis falar de anarquismo, tampouco teria essa liberdade de imprensa se assim o quisesse, quis falar de polícia, convocar a fuzilaria conservadora e arranjou espantalhos para assustar os protestos, ao gosto da política do grupo RBS.

Para o discurso das instituições a luta social que vem de baixo sempre anda a reboque de interesses que não conhece. Vítima das ideologias estranhas que não fazem corrente com a produção normativa do modo de vida dominante. Mas esse é um velho artifício da batalha de idéias usado para confundir, desqualificar e liquidar com a oposição das ruas pelo controle do juízo público. A ordem social nunca foi, nunca será, uma instituição neutra, em nossa sociedade ela é entre outras coisas o privilégio do discurso do pode e não pode, do certo e do errado dos poderes e das classes dominantes.

Não é a primeira e nem será a última vez em que nos veremos julgados pela imprensa monopolista, acossados pela polícia e criminalizados pelo governo e o judiciário. Já avisava Malatesta: a melhor maneira de obter uma liberdade é tomá-la para si, enfrentando os riscos necessários. E aqui estamos fazendo este ato público.

Não é preciso dizer que para a direita mais braba e também para o governismo pragmático dos ex-esquerdistas o socialismo inteiro está superado historicamente. Quando muito é usado como perfumaria de uma política que se afunda e se mistura no mundo burguês tal como ele é e como deve ser. Mas há quem queira nos impugnar de outro jeito, “em nome da história”, abrindo polêmica como concorrentes na política, como inimigos de esquerda, não como adversários.

1380208_1422638701284414_846062256_nVamos repetir uma declaração feita pela nossa organização em sua carta de opinião por volta de abril: “não temos a menor pretensão de representar o que se chama por lugar comum de movimento anarquista. A nível nacional integramos a Coordenação Anarquista Brasileira (CAB). Guardamos o respeito e as devidas diferenças com outras formações libertárias. Nós tomamos a palavra em direito próprio como uma organização política, que tem seus acordos e definições específicas, que se reconhece entre os oprimidos por esquerda, dentro da luta de classes, anticapitalista e antiburocrática.”

Como corrente libertária do socialismo, no Brasil e pelo mundo, o anarquismo é um fator decisivo pela formação do patrimônio combativo e classista de nosso movimento operário. Por aqui, foram os trabalhadores anarquistas que, em direção contrária ao colaboracionismo da social democracia de inspiração marxista, puseram na ordem do dia das primeiras lutas e organizações sindicais a independência política da classe frente aos patrões, o governo e a burocracia. Para qualquer desavisado ou jogador de má-fé reforçamos que o anarquismo não se presta a caricaturas. A rigor, pra quem fala da história social do movimento dos trabalhadores, de socialismo, não há como borrar os aportes da corrente libertária.

O anarquismo está como nunca citado na história recente do país, sobretudo pelo discurso da imprensa e dos órgãos judiciais e repressivos que “julgam” a legitimidade da luta de massas nas ruas. As mobilizações de massa que estão sacudindo o Brasil deram vez a um turbilhão de demandas que latejavam na vida neurótica, precária e estafante dos setores médios e populares. Grande parte da geração jovem e combativa que formam as lutas desta conjuntura histórica cresceu nos últimos 10 anos de governos do PT e encarna a expressão conflitiva e saturada do seu modelo capitalista de crescimento econômico. O Brasil “grande e moderno” puxado pelos grandes capitais, em parceria com os fundos do Estado e de rabo preso com as velhas oligarquias é feito as custas de uma deterioração brutal do meio ambiente, dos bens e serviços públicos e das condições de vida do povo trabalhador e da juventude.

Nos últimos meses boa parte do que se representa por espontâneo, horizontal e fora da alçada de organizações de esquerda, sindicatos, movimento estudantil é imputado a posições libertárias. Sem dúvidas nós pensamos que há uma boa dose de vulgarização nessas imagens, que induzem diferentes e variadas atitudes que não se correspondem com nossa formação ideológica. O que está em cena indiscutivelmente é um vivo sentimento de rechaço às práticas burocráticas e tradicionais de fazer política, aos conciliadores de turno que conduzem a conservação e a reprodução das mesmas estruturas opressivas da sociedade. Está ganhando emergência uma nova cultura política, que não se reconhece nos partidos da democracia burguesa ou na burocracia sindical, que não confia nas intermediações reformistas e aposta em mecanismos de democracia de base e táticas de ação direta de massas.

Tal contexto tem renovado o interesse pelo anarquismo e faz um desafio aos militantes anarquistas a dar impulso ao novo que está se gestando sem se desarmar política e moralmente. Um certo horizontalismo anti-organizador que anda em moda não coaduna com nosso federalismo. Não é capaz de produzir forças sociais de cambio e um projeto de ruptura para abrir caminho novo. A apologia do caos e do individualismo que deriva na anti-política, no pior dos cenários, faz a cama para o inimigo deitar.

Defendemos resolutamente o direito a autodefesa da luta pública de massas, de critérios e medidas para se proteger da ação repressiva. Temos nossas diferenças com as táticas que não fortalecem os mecanismos de democracia direta do movimento popular e que renunciam ao debate da linha coletiva das ações. Essa posição se articula com uma concepção “insurrecionalista” que termina isolada do povo, que não admite meios para trabalhar com o tempo e o lugar onde se atua, entrega as decisões da política para o reformismo e “faz a sua”.

Somos partidários da construção do poder popular, da luta estratégica das classes oprimidas contra o sistema de dominação, com ação direta em todos os níveis. Se é correto que um método de ação combativa não marca uma intenção revolucionária quando falta o programa, não é menos certo que o mais revolucionário dos programas pode revelar um incorrigível reformista quando este quer chegar as suas finalidades pelas regras do jogo do inimigo.   

Nossa concepção anarquista sempre foi uma incansável organizadora, sempre tratou de criar e desenvolver organização própria no mundo do trabalho e da pobreza, com sindicatos de resistência, com mecanismos de solidariedade, unindo o conjunto com federalismo. Para todos os efeitos, o trabalho organizativo leva junto uma sensibilidade libertária e orientações gerais para não reproduzir no campo dos oprimidos o mundo das estruturas do privilégio, do centralismo burocrático e da desigualdade.

Nunca esteve entre nossos propósitos fazer obra de propaganda anti-partido, anti-sindical, etc. Temos companheiros/as que estão organizados nas lutas sindicais e não renunciamos a fazer política com nossas próprias formas. Temos tratado de defender sempre por esquerda e pela base os critérios que fortaleçam, que unam, que não desagreguem a energia que tem que ser acumulada para vencer uma luta que não termina logo ali. O “aparelhismo” joga contra a unidade dos que lutam, mata a pluralidade do campo popular. Tática apartidária pra luta social, não anti-partido e tampouco apolítica.

Só a luta pode ser um divisor crível de amigos e inimigos. E nessa luta tem lugar para os partidos e as agrupações de esquerda que não se alçam como negociadores da capitulação, como intermediários burocráticos. Todos e todas tem lugar para construir um movimento combativo e de massas que corte o passo da direita, dos governos de turno e das classes dominantes que querem civilizar o protesto numa direção conservadora de propósitos reacionários.

É o governismo, a colaboração de classes e as burocracias partidárias e sindicais que jogam água no moinho da direita. A saturação do pacto social engenhado pelos governos do PT deu refresco para as forças mais reacionárias da sociedade brasileira se reformularem e chegar a conquistar pelo poder da imprensa monopolista um setor dos protestos nas jornadas de junho. A desmobilização e o burocratismo nas filas da classe trabalhadora, a fragmentação do mundo da pobreza e a coalizão dos partidos governistas na vala comum da representação burguesa da política é que dá passagem para direita ensejar seus planos.

Está mais que na hora de dissipar o fantasma de uma política colaboracionista que não quebra a estruturas dominantes do poder reacionário dos monopólios da mídia, do sistema financeiro e os capitais transnacionais que controlam as riquezas criadas pelos trabalhadores, com a ideologia do Brasil grande e emergente que acelera o carro burguês e atropela os indesejados.

Nosso anarquismo em ação quer ser um fator para unir o que está disperso, organizar o que anda desorganizado, para encontrar mecanismos de participação popular em direção de uma estratégia de poder popular que carregue um programa de soluções para os explorados e oprimidos. Que faça sair pra frente os protestos sociais. 

Camilo Berneri. Anarquista e antifascita italiano. Lutou na Revolução Espanhola, onde foi preso e assassinado pelos estalinistas nos acontecimentos de maior de 1937.

O anarquismo não esquece Mussolini como já sugeriu o governador Tarso Genro, mas também não deixa perdido na galeria da amnésia institucional a sua história, o seu código militante e a sua luta implacável contra o fascismo e os regimes totalitários. Está conosco o inesquecível companheiro Camillo Berneri, anarquista e antifascista italiano de primeira linha que lutou a morte contra Mussolini na Itália e também contra o fascismo espanhol. Está viva na memória de todos os rebeldes a épica coluna operária da Batalha da Praça da Sé em São Paulo de 34 que bancou a revoada dos galinhas verdes, o integralismo de Plínio Salgado.

 Sempre com os que lutam!

Nenhum lutador social sem solidariedade!

Pelo Socialismo e pela Liberdade.

Não tá morto quem peleia!

Federação Anarquista Gaúcha – FAG

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ADESÃO DA ORGANIZAÇÃO ANARQUISTA SOCIALISMO LIBERTÁRIO

Aos companheiros e as companheiras da Federação Anarquista Gaúcha

O avanço das lutas populares no Brasil tem nos mostrado a verdadeira face dos ditos governos progressistas que despontam em toda nossa América Latina. Não é surpresa para nós a truculenta repressão e as tentativas de criminalização de nossas organizações por parte do Estado, sempre lacaio das elites do mundo, independente do discurso dos partidos que o governam. Devemos estar preparados para essa batalha e somente unindo nossas forças conseguiremos caminhar. Nós da Organização Anarquista Socialismo Libertário (OASL) estamos juntos a vocês, irmãos de luta e grande inspiradores, nesta batalha contra o Capital. Nos inspiramos na força que vêm do Sul para continuar de cabeça erguida lutando contra um inimigo tão poderoso. E enviamos aqui essa saudação para lembrá-los que não estão sozinhos neste ato, que estão com todos e todas de São Paulo também! Vocês representam hoje a voz de uma multidão de anarquistas, que de forma destemida grita em coro com cada um de vocês, NÃO TÁ MORTO QUEM PELEIA!

São Paulo, 17/10/2013

Organização Anarquista Socialismo Libertário – OASL

Índice

ADESÃO DO COLETIVO ANARQUISTA BANDEIRA NEGRA

NÃO AFROUXAR NEM UM TENTO! NOTA DE SOLIDARIEDADE À FEDERAÇÃO ANARQUISTA GAÚCHA

O Coletivo Anarquista Bandeira Negra reforça sua solidariedade à organização co-irmã e repudia a repressão de Estado contra as manifestações e a criminalização dos protestos nestas últimas semanas.

Para o Estado e para o Capital, é notório saber que a força popular crescente e a retomada do vetor social por parte das organizações anarquistas tem deixado clara a irritação por parte dos de cima por se tratar de perspectivas políticas de ruptura ao sistema. Principalmente a Federação Anarquista Gaúcha, desde o episódio da primeira invasão da sua sede pelo governo tucano de Yeda Crusius em 2009, vem enfrentando bravamente perseguições de cunho político, repressão e difamação. Não há justificativas para tal criminalização, exceto quando compreendemos que a motivação única é justamente o combate entre classes, daqueles setores estatais e capitalistas contra movimentos organizados.

Os governos municipais, estaduais e federais buscam criar as condições mínimas de um Estado de Exceção, patrocinado pelas velhas elites e multinacionais, com o objetivo de não deixar nenhum movimento popular combativo de pé. A nova Lei Geral da Copa demonstra claramente uma das facetas mais brutais deste novo arranjo político reacionário. As prisões e invasões de casas e sedes evidenciam que independente de siglas partidárias, o chamado ódio de classe e àxs lutadorxs sociais, suscitam uma política estratégica de amortização do campo libertário, historicamente perseguido.

Estamos vivendo um momento-chave para a retomada da construção do verdadeiro poder popular dxs de baixo, dos setores mais oprimidos e explorados, e não podemos deixar que se consolide esta preparação de extermínio. As recentes notas públicas de partidos da esquerda estatista reforçam o ganho que nossa força vem concretizando ao nível dos últimos anos, incorporando espaços antes abandonados pela militância parlamentarista. Nós, companheiras e companheiros de luta, estamos lado a lado com a organização gaúcha e todas as outras que se somam nas ruas. É importante que se saiba que quanto mais o governo tenta barrar as legítimas reivindicações das diversas categorias em luta, dxs professorxs em greve, dxs indígenas, dxs quilombolas, dxs sem-terra e sem-teto, mais violenta será a instrumentalização das organizações populares na ação direta de denúncia contra a repressão.

Lutar não é crime!

Pelo fim da criminalização do movimento popular!

Não retroceder um milímetro sequer! Guerra contra a naturalização da violência contra xs pobres e movimentos sociais.

Viva a Federação Anarquista  Gaúcha! Viva o movimento popular organizado!

Santa Catarina, 17/10/2013

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ADESÃO DO COLETIVO ANARQUISTA ZUMBI DOS PALMARES

O Coletivo Anarquista Zumbi dos Palmares vem através desta se solidarizar com os companheiros gaúchos que estão sofrendo duramente com as invasões e perseguições da polícia militar e do governo Tarso (PT), culminando na invasão dos espaços Moinho Negro, Utopia e Luta e do Ateneu Libertário Batalha da Várzea, espaço social e político da nossa organização irmã Federação Anarquista Gaúcha (FAG), já invadido em junho.

Desde as manifestações de junho anarquistas e demais movimentos políticos e sociais organizados de todo o Brasil tem sido alvos de diversos bombardeios militares e midiáticos fascistas, que tentam a todo custo criminalizar nossas ações.  Ainda que distantes, somamos força à luta dos companheiros gaúchos certos de que atitudes persecutórias só reafirmam que ainda vivemos num país em que os políticos ainda usam artifícios ditatoriais, como perseguição, apreensão de materiais, invasão de espaços particulares e públicos. A democracia é um engodo.

Não permitiremos que tais condutas sejam mantidas e perpetuadas. As denúncias serão feitas, nos manteremos firmes na luta em repúdio às ações do Estado e seus desmandos.

Rodear de solidariedade os que lutam!

Protesto não é crime!

Alagoas, 17/10/2013

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ADESÃO da FEDERAÇÃO ANARQUISTA URUGUAIA

Salú compañeros y compañeras de la FAG.

Queremos acercar a este acto algunas palabras desde la federación Anarquista uruguaya. Serán casi dos décadas de trabajo y lucha en un ir y venir constante, construyendo compañerismo fraterno y un estilo de trabajo. Tenemos motivaciones, anhelos, esperanzas, y aspiraciones comunes. Venimos trazando experiencias y propuestas como pares, apoyándonos los unos y los otros como hermanos también de esta América.

Estamos presentes entonces en este acto que se realiza para plantar análisis y firmes posiciones acerca de lo que está aconteciendo allí. Hechos que no vienen de hoy, ni son producto de un origen concreto. Son etapas de acumulación, flujo y reflujo de fuerzas que se vienen acumulando ante el ocultamiento de los medios masivos de la burguesía y la manipulación que se busca hacer con ellos.

Pero no pudieron esos medios masivos ocultar la protesta y lucha social, la rebeldía popular que se desplegó en todo el país en lo previo y durante la copa de las confederaciones. No pudieron ocultarlo ni negarlo al mundo aún con Brasil campeón de la copa.

Esas luchas no fueron un invento del momento y sí fueron las ignoradas durante años. Son movimientos populares que no nacieron en estos últimos días: la lucha por el transporte público, las luchas populares con reivindicaciones locales en los barrios y pequeños pueblos, la lucha de los sindicatos , los estudiantes, los pueblos originarios, los campesinos. Un levante popular generalizado. En la calle, resistiendo codo a codo con el compañero. Contra la bestia represora que no dudo en agotar sus municiones contra algo imparable que cada vez crecía más.

En este contexto se allana el local del Ateneo de la Batalha de Verzea donde funciona la FAG. Acusada de lo mismo que la ha atacado Yeda Crusius cuando se luchó contra la impunidad del asesinato de Elton Brum. Atacada y allanada, requisada, difamada, en la misma constante histórica que los de arriba han utilizado contra los de abajo, y más cuando los de abajo se organizan y se mueven.

La primera irrupción policial de este año fue el 27 de junio con personal de de la policía de particular y uniformados. Se llevaron materiales de propaganda y libros queriendo criminalizar a la FAG por la posesión de estos materiales. Todo ello quedó al ridículo ante toda la pueblada que se movilizaba todos los días en todo el estado y en todos los estados.

A cuatro meses de ese hecho vuelve el 1º de octubre a ser allanado el local del Ateneo por la policía junto a las casas de más de 60 compañeras y compañeros militantes de los movimientos de Porto Alegre y Río Grande do Sul. También siguen las protestas en todo Brasil con las ha habido y han crecido en todo el tiempo anterior a esto.

Se busca nuevamente criminalizar a la FAG, y al anarquismo en general que hoy ocupa un lugar indiscutido en las luchas de Brasil y surge como una propuesta: Luchar para Crear, Resistir Creando. Porque son organizaciones que se han empoderado, que hacen sentir sus demandas. Muchos son movimientos nuevos en relación a los históricos que también hacen su acompañamiento. Son las voces que se vienen dando desde “Fuera Collor”, son los que no resisten la impunidad de la “Masacre del Dorado do Carajas”, ni la “Chiacinha da Candelaria”, ni “Carandirú”. Porque aún con la protesta y lucha que es imposible ocultar siguen sumándose movimientos y también es una constante la solidaridad.

Marcan estos hechos y muchos más que no alcanza el papel para citarlos que el Anarquismo en esta etapa continúa con su pulso firme y se constituye constantemente como una alternativa de resistencia y creatividad, de espacio para la práctica de ideas antagónicas a las imperantes desde los espacios de poder del sistema. Es el anarquismo hoy, en esta etapa una vigencia que se corresponde con su caudal histórico en las historias de la lucha por el socialismo con libertad, el socialismo libertario. No hay rutas cortas, no hay atajos que permitan acoplar toda nuestra ideología en los espacios del sistema. Nosotros vamos por otra cosa!

Porque a esta sociedad de control le oponemos resistencia y solidaridad. Una resistencia contra la agresividad del consumismo y la violencia de todos los dispositivos y herramientas de los poderosos de arriba. Estamos creando y vamos a seguir creando una resistencia activa, de abajo, en pro de construir más y más poder popular, con independencia de clase y democracia directa.

Así marcharemos, así estamos en el mismo camino de nuestra hermana Federación Anarquista Gaúcha y también la Coordinación Anarquista Brasilera, y todo el caudal popular, de abajo, que lucha y construye sus aspiraciones, conquistas y nuevos anhelos para un Brasil y una América sin pobreza, sin impunidad, sin hambre, ni dominación de ningún tipo.

Así vamos caminando.

Así despertamos nuevos amaneceres.

Con toda nuestra memoria, ayer, hoy y siempre.

Arriba el Anarquismo.

Arriba la FAG!!.

Arriba los que luchan!!!!.

federación Anarquista uruguaya

[FARJ] Libera #159

O Libera referente aos meses de julho a setembro de 2013 acabou de ser lançado. Neste número, há um editorial com uma análise das manifestações de junho, que se estendem até os dias hoje. Além disso, há um texto com a declaração de princípios da Coordenação Anarquista Brasileira e outro sobre o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e a Jornada Nacional pela Soberania Nacional, organizada pelo MPA e que acontece em outubro.

Além dos textos, há as notícias libertárias dos meses que este exemplar cobre, incluindo a formatura da primeira turma de Licenciatura de Educação no Campo, fruto das relações da UFRRJ com os movimentos sociais do campo, organização de movimentos sociais que atuam em favelas, encontro de economia coletiva, realização de CELIPs e nascimento de filhos de companheiros próximos.

O Libera #159 pode ser encontrado fisicamente na Biblioteca Social Fábio Luz ou com nossos militantes. Caso queira receber alguns exemplares para distribuição, basta entrar em contato.

Ler ou baixar em pdf: Libera #159

libera159

[FARJ] 104 Anos do Fuzilamento de Ferrer y Guardia

Retirado de: http://anarquismorj.wordpress.com/2013/10/13/104-anos-do-fuzilamento-de-ferrer-y-guardia/
http://anarquismorj.files.wordpress.com/2013/10/ferrer.png
 
“Inimigo da desigualdade social, não me limitei a lamentar semas quis combatê-la em suas causas, certo de que deste modo se chega positivamente à justiça, ou seja, à tão aguardada igualdade que inspira todo afã revolucionário.”

(Francisco Ferrer i Guardia, 1912)

Há 104 anos, em 13 de outubro de 1909, morria fuzilado pelo governo espanhol, o educador e militante anarquista Francisco Ferrer y Guardia. Considerado como o pai da Escola Moderna, influenciou a educação das crianças com suas práticas racionalistas e de educação integral na coformação dos sexos, fomentando a criação de diversas experiências educacionais na Espanha e no mundo, inclusive no Brasil. A luta por uma educação de igualdade e solidariedade percorre os séculos, semelhante perseguição à Pedagogia de Ferrer sofreu no início do século passado por parte do Estado espanhol, se compara a repressão que os governos Cabral/Dilma/Paes tem realizado sobre os educadores e movimentos populares no Rio de Janeiro. Como na persistência histórica de Ferrer, em seus 5 anos de Escola Moderna em Barcelona, seguiremos firmes na luta por uma Educação Popular e emancipadora para alcançarmos juntos uma sociedade justa, livre e igualitária!

Por uma educação antiautoritária!

Lutar não é crime!

[FARJ] Toda solidariedade aos perseguidos e perseguidas pelo terrorismo de Estado no Rio de Janeiro!

Retirado de: http://anarquismorj.wordpress.com/2013/10/12/toda-solidariedade-aos-perseguidos-e-perseguidas-pelo-terrorismo-de-estado-no-rio-de-janeiro/

Publicado em 12/10/2013

Nós da Federação Anarquista do Rio de Janeiro repudiamos veementemente os últimos atos de perseguição política promovida pelo Estado brasileiro no Rio de Janeiro. Deixamos aqui registrada nossa solidariedade aos companheiros e companheiras da Frente Independente Popular, da Organização Anarquista Terra e Liberdade e todos os muitos companheiros e companheiras  (17 mandados) que amanheceram com intimações da Polícia Federal e da Polícia Civil batendo em suas portas.

Os mandados de busca e apreensão emitidos nesta sexta (11/10)  são claramente uma maneira de intimidar e ameaçar os lutadores e lutadoras, sejam eles membros de organizações políticas/movimentos sociais ou não, que estão sendo perseguidos por exercerem o direito legítimo de irem às ruas protestarem e exigir direitos coletivos. Cabe ressaltar a perseguição e à “caça às bruxas” ao anarquismo feita e promovida pelo governo do PT e de seus aliados no Rio Grande do Sul e em outros estados com apoio da mídia burguesa, sempre ávida por um “bode expiatório” para justificar a repressão a luta do povo.

É importante ressaltar que essas ameaças do Estado brasileiro não começaram agora e não vão parar nesse momento. Esse terrorismo de Estado permanente – hoje mais aguçado – é um exercício dos dominadores para a preparação da Copa do Mundo e das Olimpíadas. Se não bastasse a repressão violenta do Estado brasileiro nas periferias, favelas e nas manifestações das categorias de trabalhadores, ainda utilizam a vergonhosa “Lei de Organização Criminosa” (que pune com 8 anos de prisão manifestantes e militantes) para tentar coibir futuros protestos e diminuir a luta popular.

Deixamos aqui registrado nossa solidariedade a todos os companheiros e companheiras que neste momento, sofrem a atuação terrorista do governo brasileiro. A perseguição do Partido dos Trabalhadores, seus aliados e do Estado brasileiro aos militantes no Rio Grande do Sul, Belo Horizonte, São Paulo e Rio de Janeiro só mostra a verdadeira face da democracia burguesa quando questionada.

Nossa resposta só pode ser solidariedade. Como foi feito com os companheiros do Black Bloc perseguidos, devemos continuar a ir às ruas exigir com todas as forças o fim da perseguição política e aprofundar nossas pautas sociais!

O grão de areia que modestamente podemos dar nesse momento é continuar fazendo o que sempre fizemos: organizar e construir movimentos populares fortes, autônomos e combativos. Massificar a luta e a organização popular para combater os opressores!

Lutar não é crime!
Basta de perseguição!
Abaixo o Terrorrismo de Estado!

FARJ – Integrante da Coordenação Anarquista Brasileira

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