Opinião Anarquista Outubro de 2013: Avançar na organização da Luta! Radicalizar nas Ações! Uma breve análise sobre a ocupação da Câmara Municipal de Curitiba

herança das jornadas de Junho/julho

Desde as jornadas de Junho e Julho, quando milhares de pessoas foram às ruas de Curitiba e milhões tomaram as cidades de todo o país, vem se afirmando a necessidade de organização das lutas que vem se desenvolvendo tanto em torno do transporte, outros serviços públicos (saúde e educação), contra a repressão do Estado (seja na luta pela desmilitarização da policia, como da luta pelos direitos homoafetivos, etc.), a contestação aos mega eventos (a violência que geram ao povo pobre por conta das relocações e da criminalização da pobreza promovida pela militarização das cidades) e tantas outras demandas que vem sendo reprimidas e agora tomam a cena política.

Em Curitiba a luta pelo transporte público, gratuito e de qualidade tem se organizado a partir da proposta da Frente de Luta Pelo Transporte (FLPT) que articula individualidades e grupos que tenham acordo com a seus métodos de organização e pautas, isto desde os primeiros momentos da jornada de junho/julho. O método de organização da FLPT tem sido a democracia direta (a FLPT se organiza em reuniões e assembleias onde todos/as tem voz e voto) e a delegação de tarefas (aqueles que constroem as deliberações devem executar o que foi deliberado) e a ação direta (a FLPT não busca por meio de meios indiretos como eleger representantes na câmara ou no executivo implementar suas pautas, mas por força de suas próprias ações). O CALC por meio de sua militância busca estar presente e tomar parte da FLPT desde seu inicio. A FLPT fez possível a intermediação das ruas com o poder público, e se mostra necessária para que o movimento apresente uma pauta definida e tenha a organização necessária para suas ações (convocação de atos, divulgação dos mesmos, confecção e distribuição de material informativo, etc.). Deste modo foi possível em um primeiro momento conquistar a redução da tarifa de 2,85R$ para 2,70R$.

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As jornadas de junho/julho se encerraram pondo fim a um fluxo de luta de massas, todavia não sem deixar precedentes. A ação direta de massas se inscreveu na política nacional, e de certo modo podemos afirmar que alterou a cultura política da população brasileira, seja de uma parcela da população que “aprendeu” quais são os caminhos que levam as conquistas populares: a organização e a luta, como da população que mesmo sem ir as ruas passou a enxergar as movimentações sociais com bons olhos e apoiar fazendo coro enquanto opinião pública.  Cabe agora neste momento de “refluxo” das ruas as organizações tanto no nível social como político intensificarem seus trabalhos organizativos aproveitando do momento favorável. Nesse sentido da “jornada” ficam  as conquistas econômicas (redução da tarifa) como as políticas a criação de um instrumento amplo que congrega todos/as (a FLPT) que desejam lutar, como o avanço na consciência dos explorados/as que se reconhecem nas lutas e nas pautas que ocupam as ruas.

Continuar Organizando e Lutando!

Com um pequeno momento de inatividade após a grande “jornada”, logo voltaram os/as lutadores/as a se articularem na FLPT, seja organizando atos como a agitação e propaganda, galgando sempre mais espaço para os debates em torno do transporte público.

No último dia 15, terça-feira, os componentes da Frente de Luta Pelo Transporte estiveram presentes em sessão aberta da CPI do Transporte de Curitiba (reivindicada pela própria FLTP) e após o término desta ocuparam a Câmara Municipal por 24 horas. Tal ação se deu em advertência ao poder público (prefeitura e câmara) de Curitiba que se omite em relação à situação do transporte coletivo, mesmo quando isso se torna inaceitável, pois o próprio poder público aponta em dois relatórios distintos aquilo que o povo já sabia o transporte de Curitiba é organizado de forma criminosa e a tarifa é um assalto. Apontam os relatórios do TCE (Tribunal de Contas do Estado) e da CPI do Transporte, que ocorre na Câmara de vereadores de Curitiba, entre outras coisas que existe irregularidades nos contratos (ao menos 40) e abusos no preço da tarifa (esta poderia cair para no mínimo o valor de 2,40R$, o TCE indica 2,25R$). Mesmo o poder público, personificado no TCE, exige a anulação dos contratos, estatização da URBS e redução imediata da tarifa. Diante desta conjuntura a FLPT decide por ocupar a câmara para ampliar a denuncias e visibilizar a luta pelo transporte público. E como no Rio de Janeiro, Porto Alegre e São Paulo a bandeira rubro-negra esteve presente junto das organizações anarquistas.

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Como já apontamos neste período em que o movimento vive um refluxo, cabe aos organizados manter a “chama acesa”. O “peso” das ruas diminui quando contamos com pouco mais de uma centena nas ruas. Ao mesmo tempo a criminalização da luta segue, e a mesma mídia que repudiava todo e qualquer tipo de protesto agora defende “as marchas”, claro pacificas, isto é, que nada alteram na ordem, buscando cooptar para sua proposta de “protesto cidadão”. Dentro desta perspectiva avançar nos métodos de luta é necessário, e ação da FLPT de ocupar a câmara aponta nesta direção, abrindo caminho para novas radicalizações no futuro, e demonstrando que de maneira organizada podemos intensificar em nossas ações.

Por outro lado não podemos nos balizar por alguns poucos indivíduos que “militam” para que a luta e as ações não sejam organizadas previamente e para que cada um tenha sua “liberdade individual”, mesmo que em oposição ao coletivo. De maneira algumas acreditamos que a luta não deva se radicalizar, porém sempre no marco daquilo que são os acordos do movimento, afinal se defendemos a liberdade, somente pelos métodos democráticos (diretos) garantimos a todos/as o direito de deliberar de igual modo. Acima de tudo radicalizar em um sentido libertário significa radicalizar junto ao povo, e não a sua frente, nesse sentido recusamos qualquer tipo de vanguardismo seja dos que buscam usurpar o ser político do povo em proveito de seus projetos políticos, seja de minorias descoladas que buscam “adrenalina” e realização pessoal no movimento.

Não podemos também nos deixar seduzir por aqueles que se oferecem para nos representar. Na ocupação alguns vereadores se propuseram a lutar por nós dentro da estrutura do Estado. Não devemos acreditar que os “nossos representantes” travaram esta luta, afinal foi com a omissão ou corrupção (grande parte dos vereadores são bancados pelas empresas do transporte) destes que os contratos foram estabelecidos, desta maneira, estes senhores buscam se vincular a ação da FLPT somente para levantar um palco e apontar holofotes para si. Somente a força das ruas, a ação direta das massas pode derrubar a máfia do transporte a avançar para um transporte realmente público.

Desta forma não podemos confiar nem no heroísmo de nossos representantes nem de espontaneistas de plantão, nossa força é a força coletiva, que organizada junto ao povo implementa as conquistas por meio da organização do poder popular.

Antevendo o ano que vem como um ano de intensas mobilizações em todo o Brasil, devido a justa revolta contra a Copa do Mundo, evento simbólico para demonstrar para que lado pende este governo que gasta verdadeiras “fábulas” de dinheiro para realização dos mega eventos mas alega estar com os caixas vazios para reajustar salários e mesmo garantir os serviços públicos. É fundamental que forjemos instrumentos de organização, a Frente de Luta Pelo Transporte tem se apresentado como espaço para aglutinar os lutadores/as de Curitiba, esta tem se tornado uma referência nas lutas da cidade e deve seguir organizada neste período de “refluxo” das ruas construindo a pauta e apontando instrumentos de luta direta, Com objetividade nas demandas e respostas, que possam captar todo descontentamento popular, organizando a luta e contribuindo para a transformação da realidade.

Para nossa luta não temos outra força senão a do povo organizado, e é por esta força que nossos direitos serão conquistados, pela força das ruas avançamos rumo a um transporte realmente público!

Se a tarifa não baixar, Curitiba vai parar!

Passe Livre já!

Lutar! Criar! Poder Popular!

CALC, 25 de Outubro de 2013.

Baixe aqui a versão impressa: Opinião Anarquista Outubro

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