[FAG] Ação direta e protagonismo popular nas lutas pela água.

piquete na rs 118 comunidade morro do coco

Barricada na RS 118, Morro do Coco, Gravataí

 

Retirado de: http://www.federacaoanarquistagaucha.org/?p=245

 

Concomitante às lutas que ocorreram na capital, na última semana a região metropolitana foi o cenário de mobilizações das comunidades pela água. Somente em Gravataí foram três ações diretas entre piquetes, barricadas e um protesto em frente à prefeitura num intervalo de cinco dias. Em Porto Alegre o Morro Santana desceu para o asfalto e paralisou a circulação na Zona Leste da cidade. Em Novo Hamburgo três bairros realizaram piquetes por água e luz. Em diferentes comunidades um problema comum, ou seja, a periferia sempre é a primeira a sofrer quando o assunto é a falta da água. Embora nesses casos sejam sistemas públicos de abastecimento (CORSAN e DMAE), a escassez escolhe classe e cor, pois onde residem as classes dominantes e no território da indústria e do agronegócio nunca falta esse recurso, pelo contrário, a relação chega a ser de privilégio.

Apesar do sensacionalismo dos meios de comunicação em torno do tema da água, há um componente importante nessas manifestações que não foi capturado pelo sistema, ou seja, a capacidade do povo organizado através da ação direta expressar a sua força. Isso não é pouca coisa, e aí estamos como parte do povo dando impulso no interior das lutas pela água.

A tentativa da grande mídia em pautar o movimento e o interesse da privatização. 

No final do ano passado eram sentidos pela comunidade do Vale do Gravataí os efeitos da falta da água e desde então organizaram-se as primeiras manifestações em caráter de agitação. Entre os efeitos surtidos na pressão sobre Ministério Público, CORSAN e Prefeitura de Gravataí, surgiram medidas paliativas para a chamada “crise do abastecimento”, entre essas o aumento na captação da água do rio. Longe de ser a solução, o aumento no volume de água capturado multiplicou a demanda da atual rede de abastecimento sem que fosse enterrado nenhum cano e desde então a cada semana estouram adutoras que acabam alimentando o círculo vicioso da falta da água.

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Morro do Coco, Gravataí

É nesse cenário que, de forma oportunista, a mídia hegemônica tem pautado o assunto com uma linha editorial de ataque aos serviços prestados pela Companhia Rio-Grandense de Saneamento – CORSAN. Há uma repetição de discurso que incita os municípios conveniados a romperem seus contratos com a CORSAN abrindo caminho para a privatização sob o modelo de Parceria Público Privada. Assim tem operado ideologicamente o Grupo RB$ nos últimos anos formando a opinião no sentido de desgastar o que é público para atender aos interesses privados. Foi dessa forma, por exemplo, que Uruguaiana na fronteira oeste entregou a água para a Odebrecht chegando a aumentar em até quatro vezes o valor da tarifa sem tampouco dar solução aos sérios problemas decorrentes da falta de saneamento. A própria conduta dos repórteres dessa fábrica de mentiras chamada RBS tem sido a de sugerir a privatização da água na condução das entrevistas com os moradores atingidos pela falta da água em Gravataí.

A esfera política e o esforço reacionário coordenado pelas prefeituras.

Tão logo ganhava repercussão estadual “a crise do abastecimento”, de forma articulada, prefeituras do PMDB (Gravataí e Santa Maria) e PSDB (Viamão) são as que em maior grau manifestaram posicionamento de rompimento com a CORSAN. Vale enfatizar que a Prefeitura de Gravataí herda alguns quadros políticos do Governo Yeda que conduziu um verdadeiro sucateamento na gestão do saneamento. O atual prefeito Marco Alba esteve como secretário de obras e fez da CORSAN comitê de campanha quando candidato a deputado estocando inclusive o seu material de propaganda dentro da companhia. Ao lado do prefeito do PMDB está como secretário de governo Luiz Zafalon que foi presidente da CORSAN durante o governo Yeda. Portanto, não é coincidência a condução política levada a cabo no município que aposta no desgaste do serviço público e já sinaliza prazo para abertura de licitação do saneamento. Já nos casos das prefeituras de Santa Maria e Viamão, respectivamente, Schimer (Santa Maria) segue a linha de seu correligionário de Gravataí e Bonatto (Viamão), apesar de legenda distinta, pega carona com Alba numa relação entre ambos que é anterior ao cargo que ocupam atualmente.

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Barricada na Protásio Alves. Ato dos moradores da Vila Laranjeiras, Morro Santana, Porto Alegre

Tratando-se de legendas e a relação dessas com a privatização da água, o próprio PT é o maior responsável quando durante o governo Lula foi aberta a possibilidade de entrada de empresas privadas no setor de saneamento quando era aprovado o Plano de Aceleração do Crescimento (PAC). De lá prá cá o modus operandi das transnacionais da água tem sido o de financiar as campanhas eleitorais e depois cobrar a conta para que estados e municípios sigam o caminho da privatização. Foi assim que, no Rio Grande do Sul,  recentemente alguns municípios tentaram privatizar a água como Cachoeirinha onde o Prefeito Vicente Pires do PSB teve quase metade de sua campanha em 2008 financiada pela OAS, e também Santa Cruz do Sul, onde a coligação PTB e PT direcionou uma licitação para a Odebrecht no governo anterior. Porém, em ambos exemplos, a privatização só não se concretizou porque houve uma forte articulação entre movimento popular e sindical em lutas com caráter de ação direta onde a defesa do saneamento público foi vitoriosa.

Seguir na luta em defesa da água pública com horizonte libertário e socialista.

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Ato da comissão de moradores atingidos pela falta de água (Vila Arinos) em frente a prefeitura de Gravataí.

Nos últimos anos tem-se intensificado as lutas pela água e no atual contexto da greve dos rodoviários na capital, é momento de fazermos a defesa incondicional do caráter público dos serviços e ao mesmo tempo ir além do limite imposto pelo modelo estatal e burocrático que separa o povo do poder. Ou seja, no caso do saneamento, neste momento fazemos a defesa da manutenção da CORSAN pública, porém pontuando que o modelo estatal atual é reprodutor de desigualdades. Fazendo esse debate por esquerda, concretamente temos defendido e proposto de imediato no curto prazo, o direito de participação das comunidades e dos trabalhadores com poder de decisão na gestão das políticas de saneamento. Fazemos essa defesa não para cair na armadilha da agenda burocrática controlada pelas indicações políticas dos partidos e das instituições burguesas, mas para ir exercitando a democracia direta nas organizações populares e sindicais e criando antagonismo com os limites impostos pelo sistema por via da ação direta dos de baixo. Enquanto anarquistas, somos partidários de uma estratégia de Poder Popular que não troca a independência de classe por cargos no Estado, pois essa via não conduz ao socialismo e até mesmo já foi ajuizada pela história.

Só a luta popular decide! Não tá morto quem peleia!!!

Federação Anarquista Gaúcha – FAG

03 de fevereiro de 2014

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Barricada na Protásio Alves

barricada na 118

Ato na RS 118

arinos na praça

Ato na prefeitura de Gravataí

arinos em frente a prefeitura

Ato na prefeitura de Gravataí

 

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Protásio Alves

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