[FAG] O dia 18/06: estado de exceção e o egoísmo de uma certa esquerda

O ato “Copa sem povo, to na rua de novo” realizado no dia 18/06 e organizado pelo Bloco de Luta de Porto Alegre foi emblemático em diversos sentidos. O primeiro deles diz respeito ao forte aparato repressivo – mais de 1.000 (mil) policiais militares, entre choque, cavalaria e auxílio de um helicóptero – e à tática utilizada pelas tropas de impedir a realização da marcha. Considerando o número de manifestantes – não mais que 200 pessoas – trata-se de um contingente desproporcional digno de ditadura militar. Um contingente repressivo que abusou de bombas de efeito moral e balas de borracha, causando ferimentos profundos em manifestantes e jornalistas. Ironicamente, dias antes alguns jornalistas haviam participado de um curso ministrado pela Brigada Militar, solicitado pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais do RS, de como se portar durante manifestações para se protegerem fisicamente. Além disso, durante e depois da concentração do ato houveram várias tentativas de intimidação, seja por parte dos P2 (agentes infiltrados), de notícias veiculadas pelo twitter da zero hora dizendo que o Batalhão de Operações Especiais estariam portando armas letais ou pelo estranho “não funcionamento” da linha telefônica da equipe jurídica do bloco.

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Consideramos que a responsabilidade de todas essas atitudes deve ser imputada ao governador Tarso Genro/PT, já que é ele o comandante maior da BM. Atitudes covardes e anti-democráticas das forças repressivas que atentaram contra o direito à manifestação, não nos deixando sequer distribuir os cerca de 5.000 panfletos destinados à população de Porto Alegre.

O segundo aspecto emblemático diz respeito à ausência do PSTU e da corrente interna do PSOL, o MES, da manifestação. O mais intrigante é que no dia anterior ao ato, militantes de ambos os grupos políticos forneceram declarações à famigerada Zero Hora, vinculada ao Grupo RBS, falando do porque de suas não participações no ato do dia seguinte. (http://zh.clicrbs.com.br/rs/esportes/copa-2014/noticia/2014/06/militantes-do-pstu-e-psol-nao-irao-a-protesto-do-bloco-de-luta-nesta-quarta-4529147.html) Sem entrar no mérito de possíveis distorções desse jornal acerca das declarações, mas de antemão rechaçando a postura dessas 2 agrupações que constantemente dialogam com esse veículo podre da burguesia gaúcha e considerando que não será outro o papel desse oligopólio que vem há tempos criminalizando os movimentos sociais, queremos registrar o desserviço que esses grupos fizeram ao não participar do Ato e anunciar isso na ZH. Num momento de conjuntura de forte criminalização e repressão aos que lutam, inclusive com militantes desses 2 partidos sofrendo processos políticos por se manifestarem, deixar de tomar parte de um processo de lutas por divergências “políticas (?)” é para nós uma atitude nada solidária e nada coerente com os princípios do Socialismo e da tradição de luta dos trabalhadores que esses grupos reivindicam.

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Porque a juventude e os militantes sindicais desses partidos não tomam parte do Bloco e não defendem de forma contundente a linha que consideram mais justa? Porque não defendem uma linha conseqüente nas categorias que possuem militância para que setores do movimento sindical construam o Bloco desde seus locais de trabalho? Às primeiras divergências que aparecem e se “NÃO É COMO NÓS QUEREMOS” se pula fora??? A participação com peso só vale naquilo que é construído por esses partidos desde os seus aparatos sindicais??? Uma postura recuada e oportunista que ataca outros setores para ir construindo terreno para candidaturas que buscarão se eleger às custas das lutas realizadas.

Consideramos essa postura nem um pouco coerente para quem afirma com a boca cheia a necessidade do não isolamento político do Bloco perante o grosso da população de Porto Alegre. Assim como entendemos incoerente incorrer numa postura que intencionalmente ou não acaba por criminalizar adeptos da tática Black Block e o próprio Bloco de Luta ao agir como informante da mentirosa e mafiosa RBS.

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Nós e as organizações que compõem a Coordenação Anarquista Brasileira temos plena consciência de que esse ano a tônica tem sido dada pelas bases de diversas categorias de trabalhadores porque elementos da conjuntura assim indicam. No entanto, nossa militância não irá se furtar de construir, dentro de nossas possibilidades, cada Assembléia e Ato do Bloco de Luta pelo Transporte Público, independente das decisões que ali forem tiradas, porque para nós, é o processo de debates, de tomada de decisão e de organização compartilhada pelo maior número de pessoas no marco do Bloco que será possível forjar, pela prática e pelas experiências vividas, um sujeito que de forma organizada e estratégica avance para arrancar conquistas.

Se tocam a um/a, tocam à todos/as!

Porque solidariedade sempre será mais que palavra escrita!

Para os pobres, desempregados, sem-teto, sem terra, NÃO ESTÁ TENDO COPA!

E na Copa sem Povo, estaremos na rua de novo!!!

Federação Anarquista Gaúcha – FAG

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