2014 acabou, mas em 2015 a luta continua!

Neste ano de 2014 tivemos muita luta no Paraná e no Brasil! Os movimentos sociais combativos e o anarquismo organizado se fortalecem cada vez mais, com ação e democracia direta avançamos rumo a uma sociedade mais justa e igualitária.

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A luta por um transporte público de qualidade e pela tarifa zero continuam! Com organização e ação direta fizemos com que o Projeto de Lei pelo Passe Livre para estudantes e desempregados tramitasse e vamos fazer ele sair do papel com muita luta em 2015.

Suplicy arrancado

Não esquecemos e não perdoamos os 50 anos do Golpe Militar. Na UFPR, durante a ditadura, o ex-Reitor Flávio Suplicy de Lacerda tentou instaurar mensalidades nas universidades públicas, foi o Ministro da Educação responsável pelo acordo MEC-Usaid e perseguiu muitos estudantes. No pátio da Reitoria existia um busto representando esse senhor, que foi arrancado em um ato simbólico dos estudantes, professores e servidores da UFPR.

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Teve muita luta contra a privatização Hospital de Clínicas (HC-UFPR)! Porém, com golpe do Reitor, criminalização e repressão do Estado e Polícia, a classe dominante conseguiu privatizar o maior hospital público do Paraná – mas a luta vai continuar!

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Foi lançado o Movimento de Organização de Base – Paraná – movimento combativo de luta comunitária!

A organização e luta por moradia digna, água, luz e regularização fundiária aconteceu durante o ano inteiro, mas, ainda sem estas conquistas, aconteceu uma grande tragédia na Portelinha – incêndio que levou o menino Eduardo Domenique à morte. O luto levou à luta e a revolta aconteceu pela ação direta. Para nunca mais acontecerem tragédias com o nosso povo como esta, a luta vai continuar. A CULPA É DO ESTADO! EDUARDO PRESENTE!

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Em 2014 também tivemos nossos grupos de estudos acontecendo em 3 cidades do Paraná (Curitiba, Maringá e Campo Mourão). Lançamos o Círculos de Estudos Libertários (CEL) em Maringá, fizemos mais um ciclo do CEL em Curitiba e começamos o primeiro ciclo do Grupo de Estudos Libertários (GEL) na UTFPR – Campo Mourão.

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Durante este 2014, ano do bicentenário de nascimento de Mikhail Bakunin, apresentamos o seminário “200 anos Bakunin: O Anarquismo Organizado nas Revoltas do Presente” em Curitiba, Maringá, Campo Mourão, Londrina e Foz do Iguaçu!

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Lançamos duas edições do nosso periódico No Batente, que passou a ser semestral. A primeira em maio sobre os 200 anos de Bakunin e a segunda em outubro sobre as eleições burguesas e como votam os anarquistas.

ou se vota com os de cima ou se luta com os de baixo jornal

Continuamos com a venda de livros na banquinha do CALC – e em 2015 vai ter muita novidade!

opinic3a3o-anarquista-5-2014_page_1Lançamos 2 Opiniões Anarquistas este ano – um sobre a luta contra a EBSERH e o outro sobre a Copa do Mundo no Brasil.

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Foi lançado o site da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB) – da qual o CALC faz parte – anarquismo.noblogs.org, assim como novas edições da Revista Socialismo Libertário e do Jornal Socialismo Libertário – ambos da CAB.

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E no final do ano, dia 7 de dezembro, se foi um grande companheiro de luta:

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‘Descanse em paz, companheiro.

Sua revolta e determinação para construirmos uma sociedade justa, igualitária e libertária nunca serão esquecidas.

Grande colaborador com os encontros do CEL em Curitiba, com a venda dos nossos livros anarquistas, com a luta pelo transporte na capital paranaense.

Um anarquista que defendia organização, um antifascista que viveu e lutou para vivermos em um mundo sem dominação.

DIEGO PRESENTE! PRESENTE! PRESENTE!’

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Em 2015 a luta dos oprimidos e a propaganda anarquista continuam! Você é do Paraná e se interessa pela luta e pelo anarquismo organizado? Entre em contato conosco!

Lutar! Criar Poder Popular!

Arriba lxs que luchan!

[FARJ] O ano está acabando, mas a luta segue!

Retirado de: https://anarquismorj.wordpress.com/2014/12/28/o-ano-esta-acabando-mas-a-luta-segue/

Como atividade de propaganda de final de ano realizamos nesse domingo ensolarado, dois murais nas ruas da cidade do Rio de Janeiro. Ocupar as ruas e muros é um direito de todas/os aquelas/es que acreditam na construção de um novo mundo. O muralismo (técnica utlizada nessa ação) é uma ferramenta de luta e propaganda que é construída e realizada coletivamente.

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É nesse espírito que desejamos um novo ano de muita luta e organização! O ano está acabando, mas a luta segue!

Mulheres resistem! Organizar e lutar com as/os de baixo!

Lutar, criar, poder popular! Anarquismo é luta contra todas as formas de dominação!

 

[FAG] Aos povos do campo, da cidade e da floresta: nossa Solidariedade!

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O povo ganhou as ruas no período pré-eleitoral e os efeitos sociais produzidos vão muito além dos resultados eleitorais expressos na composição ministerial mais conservadora, dando largo e expressivo poder ao Agronegócio e as corporações que o constituem realocando seus interesses e projetos de continuidade de dominação. Esta reorganização respingou também nas disputas e novas composições governamentais.

Chegar ao fim de mais um ano e novamente não ter o que comemorar: eis a dura, trágica e histórica realidade dos povos indígenas e quilombolas deste país. Se aprovada a PEC 215/2000 promete empurrar os povos originários à literal necessidade de defesa nesta guerra milenar por seus territórios ancestrais e pela manutenção dos poucos direitos conquistados a custa de muita luta, suor e sangue. Para que fique nítido, essa PEC (Proposta de Emenda à Constituição) prevê a mudança em relação aos órgãos competentes pela homologação de territórios indígenas e quilombolas, tirando do INCRA e FUNAI a atribuição das demarcações e transferindo para a matilha do Congresso Nacional essa responsabilidade. O mesmo Congresso que age com truculência e indiretamente assassina os corpos e a cultura de nossos ancestrais. Isso significa que toda e qualquer demarcação de terras deverá passar pelas mãos sujas e corruptas da bancada ruralista para ser aprovada (ou sempre desaprovada), de maneira que os processos demarcatórios continuam totalmente parados.

Frente à judicialização e criminalização dos que fazem a luta pela terra e pela floresta, o acirramento das lutas em defesa das titulações dos territórios originários. O derramamento de sangue e as desaparições seguem sendo arquitetadas pela aliança entre latifundiários, politiqueiros e empresários que tem como único interesse o extermínio dos bens naturais para o uso privado do projeto de morte que visa apenas expandir seus lucros através do modelo colonial agroexportador (soja, minérios, carne).

O período de falsas promessas e falácias sobre a igualdade das urnas e votos passou; falácias sobre o socialismo elitista que não geram ilusões na maioria da população. É preciso fortalecer nossas ações na perspectiva do Poder Popular, rompendo o cerco do isolamento que sofrem nossos territórios através da solidariedade, da denúncia, da informação e atuação permanente junto ao nosso povo. Se os ataques feitos aos povos originários são feitos pelas mãos dos de cima, o que resta a nós os DE BAIXO é fechar o punho e resistir ombro a ombro lutando em defesa dos territórios, dos bens naturais e das culturas ancestrais.

Em todas as comunidades do campo, cidade e floresta há a permanente necessidade de criar e organizar novas formas de resistência, seja combatendo o avanço das plantações com veneno ou enfrentando a especulação imobiliária. A força das Jornadas de Luta não ficou restrita a junho. Ganhou visibilidade e solidariedade de muitas partes do mundo e o espaço que tomou no imaginário social gerando noções sobre a capacidade de auto-gestão, de luta permanente, de descrença no sistema e de confiança nos movimentos sociais como geradores do poder necessário para as reais conquistas, é o que pode possibilitar avançarmos para um modelo de sociedade que a vida tenha real valoração.

Continuar a luta dos pobres do campo, da cidade e da floresta.

Pela demarcação, titulação e defesa dos territórios indígenas e quilombolas!

Contra a PEC 215/200.

QUANDO OS DE BAIXO SE MOVEM, OS DE CIMA CAEM!

Federação Anarquista Gaúcha – FAG

[FdCA – Itália] 12 de dezembro: Trabalhadores, não escravos – Que a Greve Geral seja realmente geral

Retirado de: https://anarquismorj.wordpress.com/2014/12/17/fdca-12-de-dezembro-trabalhadores-nao-escravos-que-a-greve-geral-seja-realmente-geral/

Comunicado da Federação dos Comunistas Anarquistas (FdCA), organização anarquista da Itália, sobre a Greve Geral ocorrida dia 12 de dezembro

Comunicado original: http://www.fdca.it/sindacale/2014/12dicembre.htm

12 DE DEZEMBRO: TRABALHADORES, NÃO ESCRAVOS
QUE A GREVE GERAL SEJA REALMENTE GERAL

Depois de 2 meses de greves e manifestações que culminaram com a greve social do 14 de novembro, o ciclo de lutas contra o Jobs Act, lei de estabilidade, destrava-Itália e Boa escola, chegaram a um ponto importante com a greve do 12 de dezembro decretada pela Confederação Geral do Trabalho Italiana (CGIL) com a adesão da União Italiana do Trabalho (UIL). Mesmo levando em conta fatores condizentes como o confronto entre a direção do Partido Democrático e direção da CGIL, da resposta desta última à tentativa de deslegitimação do maior sindicato italiano por parte do governo, esta greve esta para assumir a importância de grandes acontecimentos históricos do proletariado italiano. De fato este é um dos períodos mais difíceis das ultimas décadas para os trabalhadores, aos quais o ataque do capital e do governo na Itália respondem às exigências do grande capital e da oligarquia financeira que detém o comando no mundo inteiro.

O domínio totalitário do mundo financeiro gerou um dos últimos ataques à condição de vida dos trabalhadores e as decisões do Governo Renzi estão aí para demonstrar a total fidelidade aos dogmas do liberalismo mais autoritário. O “Jobs Act” é mais um, e não último, dos ataques que a casta patronal está desencadeando contra os trabalhadores, com o cancelamento de direitos e conquistas em anos de lutas. A necessidade para os patrões de sufocar o trabalho de cada sindicato que não se curve às suas exigências de concorrência capitalista, a chantagem do posto de trabalho num mar de desempregados e de empregados pobres fazem com que se desencadeie em todos os lugares a guerra entre pobres, aquela concorrência entre explorados que é a verdadeira razão do nascimento das formas sindicais.

Por isso hoje a Greve Geral pode ser realmente Geral, que doa a Governo e Patrões, que revele finalmente o próprio objetivo político e cultural. Uma greve que não tenha nada de autorreferencial e que tenha que responder à violência do ataque às condições proletárias com forte hipoteca sobre a possibilidade dos trabalhadores de se organizarem coletivamente no futuro próximo, tem de ser uma greve que reivindique aquele mesmo direito de greve, que em vários lugares tenta-se fazer passar por um privilégio entre os tantos possuídos pelos trabalhadores.

Uma greve que tem de ser uma etapa de uma ação sindical européia, que ultrapasse as contradições itálicas para chegar ao coração do monstro, às políticas econômicas do Banco Central Europeu (BCE) e da oligarquia financeira que continua a nomear governos fiéis em toda Europa.

Uma jornada, aquela do dia 12, que deve encher-se pela oposição social às politicas liberais, às ilusões governistas sustentadas pela mídia sempre disposta à colaboração com a direita politica, sempre dispostos a inventá-la para o prazer de eleitores distraídos.

Para não cair nas alternativas da direita liberal é importante reconquistar as praças e ruas com uma oposição difusa, feita de comportamentos e de escolhas corajosas. Uma greve para ressaltar que a solidariedade de classe é para nós fundamental e que estamos dispostos sempre a reconstruí-la sobre as ruínas do enfrentamento com o capital, reagindo à crescente repressão que atinge os operários como aqueles que lutam pelo direito à moradia, à água, à saúde e à escola pública, os precários como aqueles que lutam contra as grandes obras inúteis e contra os tratados internacionais sobre as mercadorias.

Hoje está em jogo a sobrevivência da defesa coletiva dos direitos dos trabalhadores e das trabalhadoras e não só, diante de escolhas políticas que tentam nos desarmar para segregar-nos num futuro de escravos, impotentes de reagir à violência das políticas dos patrões. Hoje na praça temos que estar em muitos se queremos mudar a marca de políticas autoritárias de uma Europa que procura seu espaço imperialista através da compressão social.

Nós comunistas-anarquistas e libertários, estaremos com aqueles que combatem este projeto. Se o espaço europeu é o nosso espaço mínimo, que seja território de solidariedade e de justiça social.

ALTERNATIVA LIBERTÁRIA/FdCA

Tradução: FARJ

[CTZ – CURITIBA] Projeto do Passe Livre para estudantes e desempregados vai para Audiência Pública

Retirado de:                                                http://tarifazerocuritiba.wordpress.com/2014/12/15/projeto-do-passe-livre-para-estudantes-e-desempregados-vai-para-audiencia-publica/

Hoje, dia 15 de dezembro, a comissão legislativa da Câmara de Vereadores de Curitiba (CMC), se reuniu para para deliberar acerca do destino do Projeto de Lei, por iniciativa popular, do Passe Livre para estudantes e desempregados. Existiam duas propostas, uma que exigia o arquivamento do projeto, e outra que indicava uma audiência publica. É sempre importante lembrar que este projeto só circula devido a ocupação da CMC ainda em 2013.

Por meio da mobilização e pressão da militância que se agrupa da Frente de Luta pelo Transporte, sobre a comissão, o Projeto foi encaminhado para uma audiência pública que deve ocorrer no inicio do ano que vem. Mais uma vez ficou provado que sem a mobilização e organização, não será possível a aprovação de tal projeto, afinal na CMC, como na prefeitura “falam” mais alto os interesses da máfia do transporte, todavia por nossa mobilização fazemos possível as mudanças que atendem a população.

Ano que vem teremos assim muita luta, a luta para barrar o aumento da tarifa ainda no mês de fevereiro, e a luta pela aprovação do PL do Passe Livre.

Por uma vida sem catracas!

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[FAG] MEMÓRIA, VERDADE E JUSTIÇA | 50 do golpe civil-militar, 46 anos do AI-5

Para os(as) que tombaram lutando… Nem um dia sem memória!…
Para os torturadores e mandantes… Nem um minuto de sossego!
Não esquecemos e nem perdoamos!

O ano de 1968 foi um dos mais agitados e combativos da década de 1960 no Brasil e no mundo. Protestos, passeatas, greves, mobilizações, manifestações, etc. tomavam as ruas das grandes cidades brasileiras levando grandes massas da população para protestar nas Boulevard tupiniquins. De forma distinta dos europeus, os latino-americanos situados no Brasil denunciavam as prisões, seqüestros, desaparições, torturas e mortes que se acumulavam após o golpe de Estado civil-militar de 1º de abril de 1964.

O núcleo das manifestações de 1968 teve origem especialmente no Movimento Estudantil que estava posto na ilegalidade desde o golpe (onde a sede da União Nacional dos Estudantes (UNE) foi incendiada) e devido ao assassinato – cometido por agentes da ditadura – do estudante Edson Luís de Lima Souto, em março de 1968, no Restaurante Universitário Calabouço, centro do Rio de Janeiro. A morte de Edson Luís causou grande comoção nacional e desencadeou uma série de manifestações por todo o país que exigiam o fim da ditadura.

Esses movimentos serviram de desculpa para que em uma fatídica sexta feira, 13 de dezembro de 1968, o general ditador gaúcho, Arthur da Costa e Silva, chamasse uma reunião do Conselho de Segurança Nacional para “dar um basta a contra-revolução que tomava conta do país”. É neste dia, “mortalizado” na história brasileira, que é decretado o Ato Institucional número 5 (AI-5), que ficou conhecido como “o golpe dentro do golpe”.

Costa e Silva é o segundo ditador do ciclo militar a assumir o controle do Estado brasileiro. Seu nome é aceito pela cúpula militar para suceder o general conspirador e golpista, Humberto de Alencar Castelo Branco. Costa e Silva foi ministro da guerra de Castelo Branco e representava a “linha dura” das forças armadas, ou seja, a vertente mais conservadora, reacionária, ultra-direitista e fascista dos já conservadores, reacionários, direitistas e fascistas, militares.

O AI-5 contava com 12 artigos, dentre os quais garantia a ditadura o fechamento do congresso nacional (o que de fato ocorreu, ficando fechado por quase um ano), das assembléias legislativas e câmaras de vereadores; decretava o recesso parlamentar, ficando todas as atribuições a cargo do executivo; o ditador-presidente poderia intervir em estados e municípios sem qualquer limitação constitucional; previa a suspensão de direitos políticos de qualquer pessoa por 10 anos e a cassação de quaisquer mandatos, seja na esfera municipal, estadual ou federal.

Ficavam suspensas as garantias constitucionais; previa a demissão, remoção ou aposentadoria de forma compulsória; o ditador-presidente poderia decretar estado de sítio e prorrogá-lo indefinidamente; ficava suspensa a garantia de habeas corpus para “crimes políticos” ou contra a “segurança nacional”; e, por fim, todos os atos praticados pelo Estado ou seus agentes sob a “cobertura” do AI-5 não eram passíveis de apreciação judicial, ou seja, a partir de então não haveria qualquer forma de contestação. A ditadura se tornava oficialmente uma autocracia da barbárie.

Na prática o AI-5 representava o recrudescimento da ditadura e a institucionalização da barbárie por meio dos seqüestros, dos desaparecimentos, das torturas e dos assassinatos. O AI-5 foi também o “meio” que possibilitou a criação e legalização de órgãos destinados exclusivamente a coordenar e integrar as ações de repressão dos diferentes órgãos de “segurança” (DOPS e Forças Armadas) contra “subversivos” e qualquer ameaça a “segurança nacional”. Um exemplo foi a “legalização” do grupo de extermínio conhecido como “Operação Bandeirantes (OBAN)”, que após a consolidação do AI-5 passa a ser comandada pelo exército e recebe o nome de DOI-CODI (Destacamento de operações de informação – Centro de operações de defesa interna).

Passados 46 anos da instituição desse infame mecanismo jurídico, ainda vivemos sob o jugo da violência estatal sob diferentes formas, sejam elas repressivas, de deslegitimação e criminalização das lutas sociais recentes, de extermínio da população negra e pobre das favelas, da violação e vexação dos corpos femininos, etc. A luta contra a herança da ditadura e contra a natureza criminal do sistema de dominação capitalista que continua fazendo vítimas é uma luta mais que atual, pois nossa memória quer justiça!

Possibilidades e limites da Comissão Nacional da Verdade (CNV)

Criada em 2012 com o objetivo de apurar e esclarecer as graves violações de direitos humanos cometidas entre 1946 e 1988 (representando o intervalo entre as duas últimas “constituições democráticas”), a Comissão Nacional da Verdade (CNV) apresentou o seu relatório final no dia 10 de dezembro de 2014. Passados dois anos e sete meses do início dos seus trabalhos, o avanço no sentido de alguma revelação inédita sobre o período ditatorial foram praticamente nulas.

Conduzida por um grupo principal de sete representantes indicados pela presidência, assessorado por uma dezena de técnicos e pesquisadores, a CNV teve tempo razoável para realizar suas pesquisas, averiguações, audiências, etc., porém um quadro de profissionais restrito e pouquíssimo apoio logístico e institucional. É importante destacar que as Forças Armadas negaram, negligenciaram e ocultaram o acesso à documentos que poderiam auxiliar nos trabalhos da Comissão e causaram constrangimento ao ministro da defesa quando sindicâncias realizadas pelas três forças concluíram que não houve desvio de finalidade no uso das instalações militares e omitiram a ocorrência de tortura e morte nas dependências das forças armadas.

Os limites da CNV estavam postos desde o momento de sua criação, pois a possibilidade de “justiça” como elemento de “transição” e de “conciliação” nem mesmo era citada. O mais próximo do viés punitivo para com os que cometeram arbitrariedades e abusos é a “recomendação” ao Ministério Público para que apresente queixa crime contra alguns algozes que ainda vivem. A possibilidade mais concreta do relatório é a de que o seu anúncio traga o tema da ditadura civil-militar para o debate público e esse debate possa vir a gerar um movimento amplo de contestação à lei de Anistia que até hoje serve de “salvo conduto” para os ditadores, torturadores, mandantes e executores.

Enquanto Anarquistas não seremos ingênuos com relação ao que venha do Estado, muito menos no que tange aos direitos humanos como ferramenta de libertação e emancipação e continuamos acreditando que o tom deve ser dado pelo conjunto das forças populares e de esquerda nas ruas pela ação direta popular. Não acreditamos na sua (in)justiça parcial e seguiremos firmes e convictos fazendo memória as e aos que lutaram seguindo com a nossa luta. Pois memória também se faz na luta cotidiana, com o povo, lado a lado, ombro a ombro com os oprimidos.

Seguiremos denunciando os crimes cometidos pelo Estado, os de ontem e os de hoje, nenhum passará desapercebido!
Nem um dia sem memória!
Nem um minuto de sossego para os algozes!
Memória, Verdade e Justiça se constrói na Luta!
Arriba los e las que luchan!!!!

Federação Anarquista Gaúcha – FAG

Foto: Reunião do Conselho de Segurança Nacional que aprovou o AI-5

[FARJ] Nota de repúdio às perseguições políticas no Rio de Janeiro

A Federação Anarquista do Rio de Janeiro (FARJ) organização integrante da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB) vem repudiar as recentes prisões e mandados de prisão contra vários ativistas cariocas.

A criminalização de militantes, organizações e movimentos sociais só mostra cada vez mais que a luta popular é tratada pelos poderes instituídos como caso de polícia. Não é coincidência, que tal procedimento de perseguição, se dê, justamente perto de um novo anúncio de aumento das tarifas dos transportes públicos no Rio de Janeiro!

A resposta das organizações políticas, movimentos e militantes deve ser dada com organização e luta! Não aceitaremos a perseguição do Estado e continuaremos a nos organizar, nas bases e nas ruas!

Protestar não é crime!

Liberdade para Igor Mendes!

Liberdade para Rafael Braga!

Liberdade para todos os lutadores e lutadoras presos e perseguidos/as!!

[CAB] Declaração do V Encontro do Norte e Nordeste das Organizações Anarquistas Especifistas – 2014

“[…] A revolução universal é a revolução social, é a revolução simultânea do povo dos campos e das cidades”

Mikhail Bakunin

Reunidos nos dias 28, 29 e 30 de Novembro de 2014, em Maceió, o V Encontro do Norte e Nordeste das Organizações Anarquistas Especifistas cravaram de forma solida e madura um espaço permanente e fértil para os debates políticos, acúmulos organizativos, fomento da luta, solidariedade e trocas de experiências.

Em nosso V Encontro, recebemos de braços abertos a Organização Anarquista Maria Iêda, de Pernambuco. Em nossa caminhada rumo ao Socialismo Libertário nos agrada saber que em mais um passo que damos outra organização irmã decidiu trilhar o mesmo caminho. Com muita satisfação comemoramos a ampliação da discussão em torno do especifismo na Bahia, e por conta dessa ampliação hoje o Coletivo Anarquista Ademir Fernando – CAAF compõe o Fórum Anarquista Especifista, FAE-BA, processo que está sendo animado em quatro cidades. Com a mesma felicidade e sentimento de irmandade agradecemos também a presença e colaboração da Federação Anarquista do Rio de Janeiro – FARJ em nosso encontro. Os anarquistas especifistas em luta no Norte e Nordeste unidos e de prontidão para a transformação social agradecem as ricas e valorosas presenças em nosso meio.

O evento possibilitou trocas de experiências teóricas, organizativa e social, uma ampla análise de conjuntura, repasses entre organizações e acordos mínimos para continuarmos caminhando em um sentido anticapitalista. Temos a certeza que mais alguns tijolos para o alicerce do poder popular foram firmados.

De pé estamos e lutaremos sem fim diante dessa nossa complexa realidade no Norte e Nordeste, que por si só não se explica, o jogo perverso do capitalismo ultrapassa fronteiras abstratas. Os lugares e suas particularidades estão conectados dentro de uma totalidade complexa e que pautada no espaço e no tempo alguns elementos econômicos, políticos, culturais e sociais são semelhantes e são construídos dentro de contextos específicos em cada Estado. Projetos de dominação e exploração seguem a todo vapor em uma escala mais ampla sem respeitar território ou fronteira e de forma ampla devem ser combatidos.

Ao buscarmos a organização a um nível mais abrangente pretendemos acumular força social para enfrentarmos um conjunto de forças capitalistas e repressoras em nosso cotidiano. Portanto, combateremos sem fim os elementos de dominação apontados por nossa militância nos diversos Estados onde atuam, como exemplo: as oligarquias familiares que dominam o campo e a cidade; os mega projetos/investimentos nas cidades que geram remoções e acúmulo de capital para as grandes empresas; aumento do aparato repressor do Estado e privado; violência contra juventude negra/pobre da periferia; sucateamento da saúde e da educação, um processo de mobilidade urbana elitista que visa o escoamento das mercadorias, rapidez na produção capitalista e lucros para os empresários do transporte; o avanço reacionário da chamada “bancada da bala” e da lógica da democracia representativa em si; o encarecimento dos alimentos a partir da substituição do camponês pelo pequeno produtor de monoculturas orientado para o biocombustível e o nefasto modelo do agronegócio.

Sendo assim, não tá morto quem peleia! 2014 muito fizemos e para 2015 disposição não faltará para avançarmos. Que possamos nos organizar, lutar e criar poder popular para combatermos de frente o dominador. Os mecanismos repressores não cessarão e nossa resposta deve ser firme nas lutas concretas. Organizar já e lutar sempre rumo ao poder popular!

Lutar, Criar, Poder Popular!

Assinam esta declaração:

Fórum Anarquista Especifista, (FAE) – Bahia
Organização Anarquista Maria Iêda – Pernambuco
Coletivo Anarquista Zumbi dos Palmares (CAZP) – Alagoas
Coletivo Libertário Delmirense (COLIDE) – Alagoas
Organização Resistência Libertária (ORL) – Ceará
Núcleo Anarquista Resistência Cabana (NARC) – Pará

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[CABN] Boletim CABN nov/2014

Retirado dehttp://www.cabn.libertar.org/boletim-cabn-nov2014/

Salve companheiras e companheiros!

Neste boletim de novembro: Terrorismo de Estado no México; Ateneu libertário em Porto Alegre; 19 anos da FAG; 2 anos da Ocupação Contestado; 16 dias de ativismo pelo fim da violência contra a mulher; entrevista sobre Mikhail Bakunin

Terrorismo de Estado no México

A Federação Anarquista Uruguaia e a Coordenação Anarquista Brasileira escreveram uma nota sobre o terrorismo de Estado realizado no México, onde 43 estudantes foram desaparecidos e mortos por milícias ligadas diretamente ao governo. Neste momento, o povo mexicano se levanta contra a impunidade e o Estado opressor. Toda solidariedade a quem luta!
https://anarquismorj.wordpress.com/2014/11/23/fau-con-los-43-estudiantes-que-nos-faltan-siempre-contra-la-impunidad/

Ateneu libertário “A Batalha da Várzea”

O Ateneu “A Batalha da Várzea”, em Porto Alegre, está de portas abertas e com uma importante programação de debates, exibição de filmes, lançamento de livros, etc. Leia mais aqui:
https://www.facebook.com/abatalhadavarzea

19 anos da Federação Anarquista Gaúcha

A FAG, importante organização para a construção da corrente especifista no Brasil e pela formação da Coordenação Anarquista Brasileira, completou 19 anos de vida. Seguimos na luta, ombro a ombro, pois “não tá morto quem peleia”!
http://www.federacaoanarquistagaucha.org/?p=1041

2 anos da Ocupação Contestado

A Ocupação Contestado, de São José, completou esse mês 2 anos de existência na luta por moradia e vida dignas. O portal Maruim produziu reportagens e vídeos sobre a Ocupação:
https://medium.com/@midiamaruim/ocupacao-contestado-em-sao-jose-sc-completa-2-anos-750f43f1c79a

16 dias de ativismo pelo fim da violência contra a mulher

Em Joinville, nas últimas semanas, diversas atividades fizeram parte da iniciativa “16 dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra a Mulher”. O Centro de Direitos Humanos “Maria da Graça Bráz” divulgou várias das palestras e debates:
https://www.facebook.com/cdhmgb

Entrevista com René Berthier sobre Bakunin

Recomendamos o material publicado pelo Instituto de Teoria e História Anarquista, uma entrevista com René Berthier sobre a obra e o legado do anarquista russo Mikhail Bakunin:
http://ithanarquista.wordpress.com/2014/11/27/rene-berthier-teoria-politica-e-metodo-de-analise-no-pensamento-de-bakunin-entrevista/

Saudações libertárias!

Coletivo Anarquista Bandeira Negra, integrante da Coordenação Anarquista Brasileira

ca-bn@riseup.net | http://cabn.libertar.org

Para entrar em nossa lista de notícias, envie um e-mail para ca-bn@riseup.net.

[FARJ] Entrevista com um comunista libertário ucraniano: “Os anarquistas se tornaram o maior obstáculo à anarquia”

Retirado de: https://anarquismorj.wordpress.com/2014/12/03/entrevista-com-um-comunista-libertario-ucraniano-os-anarquistas-se-tornaram-o-maior-obstaculo-a-anarquia/

2 de novembro, 2014 – Comissão Jornal (mensal)

Donetsk, cidade no sudeste da Ucrânia é palco de confrontos entre separatistas pro russos e a população ucraniana. Um militante comunista libertário que lá vive e milita, nos deu alguns instrumentos para compreender quais são as forças presentes e as razões da letargia do movimento libertário.

Qual é a situação na Ucrânia?

A vida continua com duas realidades paralelas: as pessoas continuam com sua vida cotidiana, com as crianças ao redor, com o mesmo lugar dos mortos, da violência, do ódio. A divisão da sociedade se reforça a cada dia. É uma revolução política da burguesia nacional, em um contexto de guerra civil e de uma intervenção mal dissimulada da Rússia.

 

Qual é a composição social dos manifestantes do sudeste e dos de Maïdan?

Maïdan e os separatistas do sudeste não diferem muito um do outro. Os dois agrupam uma diversidade de classes sociais, intelectuais, empregadas(os), empresários, ruralistas, estudantes, lupemproletariado, antigos militares…Todos viraram reféns e marionetes dos clãs econômicos.

As pessoas de Maïdan colocaram no poder novas oligarquias e a gente do sudeste deixou de dormir por conta da família do presidente deposto Yanoukovitch e de seu mestre em Moscou. Toda essa retórica é perfumada pelo nacionalismo, como resultado das feridas sangrentas e da cólera durante décadas. Na realidade, o inimigo está no Kremlin, no Capitólio americano e no parlamento alemão. Os líderes de Maïdan assim como os líderes separatistas, são frações da burguesia nacional e de seus componentes radicais.

À leste, eles intimidam as pessoas com o partido de direita Pravyi Sektr (Setor de Direita), e lhes chamam ao combate do fascismo, mesmo que eles se inspirem no fascismo imperial da nação russa. Em Donetsk, segundo sua lógica, você pode escolher em ser russo ou ser um fascista. Em uma palavra, você está abatido ou está morto. Isso aconteceu em Maïdan e acontece agora no sudeste.

 

O que se pode dizer sobre o referendum do 11 de maio (1)?

É um referendum marcado por seus postos de votação sem observador e sob o olhar atento de pessoas disfarçadas. Foi uma farsa inscrita em uma estratégia visando criar repúblicas populares independentes, e depois pedir sua admissão na federação russa. Mas tem uma grande parte das pessoas de Donetsk e de sua região que são partidários de uma Ucrânia unida. Os separatistas são melhores organizados, têm os melhores recursos administrativos e o apoio do estado vizinho, isso é tudo.

  

Você acha que tem especialistas russos no sudeste?

Eu não acho, eu tenho certeza. E muitos dentre eles estão nas bases de treinamento nas regiões de Donetsk e Lugansk, onde grupos de 400 a 500 habitantes e voluntários da Rússia treinam sob a direção de instrutores militares (…) A maioria das pessoas que defendem a bandeira separatista são habitantes, trabalhadores ordinários ou veteranos das forças armadas. Mas um número significativo e que organiza o processo com autoridade, é formado por voluntários da Rússia. O fornecimento de armas e de dinheiro vem da Rússia. O chefe atual do governo em Donetsk, que se proclama “República Popular”, é Boroday. Estratégia desenhada pela administração do Kremlin.

 

Tem alguma possibilidade dos protestos se transformarem numa revolução social?

Neste momento, é um cenário improvável. Uma revolução social é possível unicamente na presença de dois fatores: uma demanda das massas por uma transformação radical e a organização política de viés revolucionário dos anarquistas, que será capaz de defender o processo de mudança.

Na realidade, não há nenhuma demanda por uma revolução social. A única mudança imaginada está no interior do quadro político. E mesmo esses tímidos rebentos de anti-autoritarismo que puderam se manifestar, se não forem sustentados por uma organização revolucionária e anti-autoritária forte, serão destruídos pela agenda política da burguesia e pelos partidos nacionalistas.

 

Quais são as perspectivas para os anarquistas no contexto atual?

O principal problema do movimento anarquista é a ausência de uma organização anarquista. Os anarquistas têm estado incapazes de usar a situação porque estão presos às ilusões anti-organizacionistas.

A organização é uma incubadora, uma escola, uma sociedade de apoio mútuo e uma plataforma produtiva para idéias e projetos; mas o mais importante, ela é um instrumento para a realização das idéias, um instrumento de influência e um instrumento de luta. Ela não pode ser substituída por grupos de afinidade.

Os anarquistas de hoje, como em 1917, perderam a oportunidade de serem influentes no processo. A RKAS (2) reivindicando o anarquismo plataformista de Makhno sobreviveu a muitas crises, se implicando na greve dos mineiros, e teve muitos projetos a longo prazo, mas que não foram sem desacordos e cisões internas.

A gente pode se lembrar da propaganda anti-eleitoral da cisão da RKAS, a Mezhdunarodnyj Souz Anarkhistov [3] em Donetsk. Os divisionistas argumentaram sobre o prentenso autoritarismo da RKAS. Uma vez liberados da “ditadura do escritório organizacional da RKAS”, que lhes fez ir às minas e usinas propagandear o jornal Anarquia, e discutir com os sindicatos e com as cooperativas, e construir uma “guarda negra” auto-disciplinada, eles mostraram suas capacidades estratégicas e ideológicas colando cartazes feitos à mão contendo a seguinte mensagem “Não vá às eleições, coma legumes”.

 Todas as tentativas para construir uma organização através do projeto RKAS deram lugar a uma cruzada contra “o autoritarismo e extremismo”. Finalmente os anarquistas se tornaram o maior obstáculo à anarquia. Eu recorro a esse paradoxo para chamar a sua atenção sobre esta velha doença “a anti-organizacão”, destruidora e irresponsável (…)Talvez a RKAS renasça se dando conta de todos os seus erros e se modernizando, talvez nós criaremos algo novo (…) Nós não a abandonaremos e nós não desapareceremos.

 

Em que você está engajado neste momento?

Infelizmente eu não posso lhe dizer tudo. Caso contrário, muita gente e eu mesmo teremos múltiplos problemas, e nós temos muitos projetos para o futuro. Oficialmente a RKAS foi dissolvida, mas seu núcleo se movimenta nas ações ilegais.

 

Este texto é um resumo, reformulado por Jacques Dubart, de uma entrevista com um mlitante da RKAS – Confederação Revolucionária dos Anarco-sindicalistas _acessível sobre anarkismo.net, traduzido do texto publicado em inglês no 9 de agosto.

[1] Referendum de auto determinação, assim que Donetsk “pediu” sua anexação à Rússia.

[2] Confederação Sindical Anarquista Internacional.

[3] União Internacional dos Anarquistas.