[MOB-PR] Organização, Apoio Mútuo e muito Trabalho Coletivo. Construção da Primeira Sede do MOB-PR

Retirado de:                                             https://organizacaodebase.wordpress.com/2015/07/27/organizacao-apoio-mutuo-e-muito-trabalho-coletivo-construcao-da-primeira-sede-do-mob-pr/

Após algumas semanas de muito esforço e trabalho, finalizamos a construção da Primeira Sede do Movimento de Organização de Base (MOB) no Paraná, localizada na Portelinha-Nova Santa Quitéria em Curitiba.

Com a organização e trabalho de militantes do MOB de Curitiba, Região Metropolitana e apoio de trabalhadores e trabalhadoras desta e outras regiões do Paraná conseguimos finalizar a construção de um espaço que contribuirá muito para os trabalhos de educação popular, economia coletiva, organização política e atividades culturais que desenvolvemos e vamos desenvolver na Portelinha e região.

Agradecemos o trabalho e apoio de todas e todos que contribuíram para a construção da Primeira Sede do MOB-PR!

Viva a Organização do Povo!
Viva a Portelinha!
Viva o Movimento de Organização de Base!
LUTAR! CRIAR PODER POPULAR!

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[CAB] Declaração do III Encontro Regional Sul da Coordenação Anarquista Brasileira – 2015

Nos dias 4 e 5 de julho, reunimos em Curitiba delegações do Coletivo Anarquista Luta de Classe (Paraná), Coletivo Anarquista Bandeira Negra (Santa Catarina) e Federação Anarquista Gaúcha (Rio Grande do Sul) para tratar da conjuntura atual, a coordenação de nossas frentes de atuação sindical, estudantil e comunitária, e também as campanhas da CAB para o próximo período.

Conforme indicado na análise do último jornal Socialismo Libertário, o momento é de crescente retirada de direitos sociais, com ajuste fiscal e aumento do custo de vida para os de baixo, que vem junto ao projeto de expandir as terceirizações que implicam mais precarização e insegurança à classe trabalhadora. O neodesenvolvimentismo do PT chegou a um limite e as tímidas políticas sociais dão lugar a novas políticas de desmonte e corte de verbas nos serviços públicos. Pautas conservadoras ganham força no debate nacional, acarretando em mais criminalização da pobreza e também fomentando o preconceito racial, de classe e a desigualdade de gênero, como são o caso da proposta de redução da maioridade penal e as terceirizações.

Neste contexto, é fundamental resgatar princípios e práticas que são patrimônio da esquerda e muito caros para nossa corrente libertária, como as formas combativas de luta através de greves, piquetes e ação direta, sempre com o protagonismo e mobilização das bases. Apesar da conjuntura de ataques, há importantes lutas de resistência em curso, que precisam de força e apoio. O momento exige a superação das direções pelegas e burocratas que tomam sindicatos e movimentos propondo soluções de gabinete e o fortalecimento de suas candidaturas ao invés da ação direta popular. Resgatar as práticas e princípios de luta da esquerda é também romper com o afastamento da política, vista como mercado de negócios e cartas marcadas que abrem espaço para o conservadorismo.

É momento de seguir com a organização e mobilização em nossos locais de trabalho, estudo e moradia, acumulando forças e fomentando a luta e a solidariedade no seio de nossa classe, além de promover o intercâmbio de experiências e acúmulos de nossas frentes de trabalho. O anarquismo especifista no sul do Brasil, através da Coordenação Anarquista Brasileira, não exige nem mais nem menos que seu posto na luta, sempre junto aos setores oprimidos, construindo um povo forte.

Não tá morto quem peleia!

Lutar, Criar Poder Popular!

cab

[CAB] Jornal Socialismo Libertário #30 – Julho/2015

Retirado de: https://anarquismo.noblogs.org/?p=242

soli jornal

RETOMAR OS VALORES E AS LUTAS DA CLASSE TRABALHADORA

O primeiro semestre de 2015 segue com as nefastas políticas do governo PT/PMDB garantindo o máximo lucro para o capital empresarial e financeiro (nacional e internacional), e com o ataque aos direitos do povo. Está claro que mulheres, negros, indígenas, pobres e camponeses estão excluídos destas políticas, tocadas pelo executivo junto a um congresso conservador e reacionário e um ministério que busca implementar as políticas de austeridade do sistema financeiro, do agronegócio e da precarização da classe trabalhadora, não restando mais nada do projeto petista de conciliação de classes.

Tudo isso reforça que não há, e nunca houve, possibilidade de disputa deste governo. Ou que o problema seja de “crise de direção” ou que o governo esteja politicamente em uma situação de “refém” para garantir a governabilidade. Pelo contrário, o PT tomou a decisão política de governar de tal forma, fazendo o povo sangrar e evidenciando mais uma vez que o mecanismo representativo não constrói poder popular nem transformação social.

Os recentes acordos bilaterais firmados com os Estados Unidos indicam mais uma guinada à direita do governo Dilma. Acreditando na necessidade destas políticas, o governo vem aplicando um receituário marcadamente neoliberal frente a uma conjuntura internacional que não possibilita mais as mesmas condições anteriores que alavancaram as políticas neodesenvolvimentistas nesses 12 anos de PT no governo. E as últimas quedas vertiginosas da bolsa da China, que chegaram até 30%, podem causar impactos na economia brasileira e selam o esgotamento da política neodesenvolvimentista.

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CORTAM NA CARNE DOS TRABALHADORES. QUEREM PRENDER OS JOVENS NEGROS E POBRES QUE NÃO SE AJUSTAM.

O governo segue a receita da austeridade. Já sofremos nos estados e municípios com as políticas de ajuste fiscal e graves cortes sociais, como na saúde e na educação. Fazendo o povo pagar uma conta cara para o lucro dos investidores internacionais. Dentro desse pacote, a ampliação das terceirizações (PL 4330) e o ataque a direitos como o seguro-desemprego e a aposentadoria (MPs 664 e 665) fazem a classe trabalhadora virar carne barata no capitalismo de mercado. O Programa de Proteção ao Emprego criado pelo governo Dilma em medida provisória é um plano de socorro aos patrões que autoriza redução salarial de até 30%. É um retrocesso brutal feito com a chancela das burocracias da CUT e da Força Sindical. O acordo coletivo específico entre empresa e trabalhador, previsto na MP, abre precedente pra flexibilização dos direitos trabalhistas. Para as mulheres a situação é ainda pior. Em nossa sociedade patriarcal e opressora a terceirização e a precarização no mundo do trabalho sempre foram uma realidade, com salários mais baixos e desigualdade de direitos em relação aos homens.

Em paralelo avançam uma série de iniciativas conservadoras e de ataque aos direitos humanos, como a redução da maioridade penal e a tentativa de excluir a temática de gênero do debate educacional. Os setores da direita do governo em conjunto com a oposição de direita tentam avançar as pautas conservadoras que aprofundam a criminalização e o extermínio dos/as pobres e fazem retroceder avanços importantes na luta contra as opressões de gênero e sexualidade. Os Povos indígenas também sofrem com a perda de seus territórios e o campesinato com a estagnação da reforma agrária e a falta de ações que garantam sua vida e permanência no campo. Com as pressões de bancadas como a ruralista, evangélica e da bala, estas pautas vem se materializando, contando com a ajuda da mídia burguesa que faz terrorismo e trabalha para naturalizar determinados valores conservadores na população.

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DE DENTRO E DE FORA DO GOVERNO A DIREITA LATE E MORDE O OSSO

Enquanto o governo Dilma evolui para a direita, os setores burgueses que não vestem a farda do governismo se alinham com as posições mais extremas e conservadoras para se distinguirem na turbulência da cena política. O conservadorismo ganha inserção e cresce na base da sociedade. O PT está jogado na vala comum da política burguesa, sujo até o pescoço na corrupção dos políticos e patrões, encurralado entre a barganha das oligarquias e o fogo oportunista da direita opositora. As hipóteses de cassação de mandato ou impeachment voltam a ameaçar e para todos os efeitos provocam a sangria da presidenta até as eleições de 2018. A crise do governismo faz palco de uma luta feroz de setores das classes dominantes e das elites dirigentes. Briga de cachorro grande para ver com quem fica com o osso e com quem se reparte o farelo.

A reforma política dirigida por Eduardo Cunha no congresso é um projeto em causa própria para lavar a cara dos políticos e patrões, parasitas dos recursos e bens públicos. Estão fora de pauta os mecanismos de participação e democracia direta dos de baixo. Outro elemento a se levar em consideração são as diversas iniciativas em curso de construção de frentes, campanhas e mobilizações por parte da esquerda. Em nenhum dos casos parece estar em jogo um processo que possibilite o acúmulo organizativo e ideológico das classes oprimidas para mudar a correlação de forças no país. A experiência tem mostrado que tais “frentes” tem sido movidas mais em um sentido pragmático eleitoral do que de mobilização popular concreta. Valores e práticas históricas da classe trabalhadora, como a greve geral e o piquete não devem ter seu sentido esvaziado como mero slogan ou visando a autopromoção política. Eles são fruto de mobilização social e sintomas de quando os trabalhadores sentem que tem força e que é preciso fazer ações para contrapor a opressão dos patrões e poderosos.

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PARA OS OPRIMIDOS A SAÍDA NÃO VEM DE CIMA. NUNCA VEIO.

Duros ataques nos direitos e condições de vida também produzem resistência, como foram as greves dos trabalhadores do setor público, estudantes e professores estaduais e federais do Paraná, duramente reprimidas pelo governo. Como as recentes greves nas mais de trinta instituições de ensino federais. E é essencial que as ações populares e mobilizações sejam dotadas de métodos que estimulem o protagonismo da base e sejam fruto da luta cotidiana. Ação direta, federalismo, autogestão e greve geral são valores históricos da classe trabalhadora e devem ter seu sentido ideológico retomado e reafirmado. É essencial que os organismos sociais como movimentos populares e sindicatos tenham autonomia política e tenham seus rumos decididos por suas bases, livres de práticas verticalizadas e burocratizantes.

Pela unidade de classe e mobilização do povo contra os ataques conservadores e dos poderosos! Punho fechado contra a redução da maioridade penal e contra a criminalização da pobreza! Repudiamos as atuais políticas de terceirização, flexibilização e precarização do trabalho! A greve é um direito e, assim como as manifestações e os protestos, não devem ser reprimidos nem criminalizados pelo Estado e pela mídia burguesa! Todo apoio às lutas e à articulação entre o povo do campo e da cidade. Contra as políticas de exclusão dos pobres das cidades e pelo acesso a um transporte digno, eficiente e sem catracas! Todo apoio às lutas da juventude, mulheres, negros, LGBTT e resistência contra todas as formas de opressão!

nem reducao nem terceirizacao

LUTAR, CRIAR PODER POPULAR!

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[BRRN] Declaração sobre o recente massacre em Suruc, Turquia – Tradução

Retirado de: https://anarquismorj.wordpress.com/2015/07/21/brrn-declaracao-sobre-o-recente-massacre-em-suruc-turquia-traducao/


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Traduzimos a nota da oranização americana Black Rose Anarchist Federation/ Federacion Anarquista Rosa Negra sobre o massacre ocorrido em Suruc, Turquia, dia 20 de julho.

Original: http://www.blackrosefed.org/statement-on-bombing-turkey-suruc/
Espanhol: http://www.blackrosefed.org/declaracion-sobre-el-reciente-masacre-en-suruc-turkia/

Declaração sobre o recente massacre em Suruc, Turquia
BLACK ROSE ANARCHIST FEDERATION / FEDERACION ANARQUISTA ROSA NEGRA (EUA)

20 de julho, 2015

‪#‎Rojava‬ ‪#‎SurucBomb‬ ‪#‎SuruçtaKatliamVar‬

Hoje lamentamos a perda de amigos e amigas, companheiros e companheiras, e renovamos nosso comprometimento com uma luta revolucionaria internacional em memoria deles e delas.

Meio-dia, na cidade de Suruc, fronteira da Turquia com Curdistão, uma bomba explodiu nos corpos de comunistas, socialistas e anarquistas, que estavam a caminho de ajudar na reconstrução de Kobane. Dezenas de pessoas foram mortas e muitas outras feridas. Um militante da Black Rose estava presente ajudando na preparação para uma campanha em suporte a reconstrução de Kobane e Rojava, porém não ficou ferido.

Meia hora após a explosão, a cidade de Suruc tremeu outra vez, quando uma segunda bomba atingiu a fronteira em Kobane. Notícias indicam que foi um ataque de carro-bomba que foi impedido por forças de autodefesa que minimizaram as perdas.

A viagem a Kobane foi organizada pela organização marxista-leninista Sosyalist Gençlik Dernekleri Federasyonunun (SGDF) – Associação das Federações da Juventude Socialista. A organização trouxe jovens e famílias inteiras através da Turquia e outros lugares para dar suporte revolucionário a revolução social que está ocorrendo em Rojava. Quase 300 pessoas estavam se preparando para atravessar a fronteira interditada para ajudar na reconstrução da cidade, aprender sobre os desenvolvimentos políticos e conectar as lutas da esquerda turca com o movimento curdo.

Depois da bomba, os primeiros a responder foram os veículos militares armados do ocupado estado Turco que desceram a rua em frente ao Centro Cultural Amara para bloqueá-la e apontar suas armas aos e as recentemente feridos/as e afligidos/as revolucionários/as. As ambulâncias demoraram tanto tempo pra chegar ao local que carros privados foram organizados para levar feridos/as aos hospitais. Os militares e policiais estavam no local em poucos minutos, tratando de formar uma barreira de policiais antes das ambulâncias chegarem. A vigilância deles não foi uma surpresa ja que estavam assediando os ônibus de revolucionários/as indo a Suruc naquela manha, monitorando muitos deles/as e fizeram ligações aos familiares dizendo que seus jovens parentes estavam se juntando a terroristas em Rojava.

Isso demonstra a atitude do estado e e indicativo de uma triste realidade: a Turquia esta continuando sua política de extermínio contra os Curdos e esse ataque pode ser visto como a realização da promessa de Erdogan (presidente da Turquia) de deter Rojava a qualquer custo. Nos próximos meses, a Black Rose continuará a expandir o plano de organizar comitês e redes em solidariedade a Rojava. Contamos com sua ajuda.

Biji Rojava! Rojava vive!

Secretaria Internacional, Black Rose Anarchist Federation/Federacion Anarquista Rosa Negra (BRRN)

Tradução: FARJ

[CAZP] Boletim CAZP #JUL 2015

Retirado de: https://cazp.wordpress.com/2015/07/08/boletim-cazp-jul-2015/
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DIREITO A CIDADE E “MUNICIPALISMO LIBERTÁRIO’’

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A cidade que passou ao longo de sua existência a aglutinar o conjunto da população que antes ocupava em maior número o campo, e que buscava uma forma de organização societária de maneira a atender o bem coletivo, foi aos poucos sendo atravessada por uma relação de poder específica, denominada de domínio, que surgiu com a divisão em classes sociais e que implicava que a organização da vida atendia os interesses de uma minoria em detrimento da maioria. Isso permitiu o desenvolvimento do Estado, sendo um instrumento que sempre serviu aos interesses das classes dominantes, disfarçando sua política essencialmente opressora das mais variadas formas.

A construção da vida em sociedade implica em diferentes posições e ideias que serão disputadas por diferentes grupos e indivíduos – as relações de poder. A divergência e a disputa de ideias não é um problema a ser combatido, mas uma realidade do ser humano. Ocorre que em uma sociedade dividida em classes sociais, permeada por relações de domínio (tipo específico de relação de poder), os interesses das classes dominantes prevalecem contra o bem-estar coletivo, ainda que seja em nome deste.

Desde que as relações de domínio passaram a determinar a relação social e a forma de estruturar a cidade em que vivemos como uma das consequências também houve resistência das camadas que sofrem opressão. Mesmo considerando grupos melhor posicionados dentro da escala de acesso à produção material e cultural da humanidade, a maioria não constrói as políticas de gestão da cidade de maneira satisfatória. Quem tem influência decisiva nesse processo é a camada minoritária da sociedade, que confirma seu projeto de dominação com as políticas executadas pelo Estado, gestor das cidades.

Essa resistência, mesmo que não tenha saído do marco da dominação, garantiu alguns direitos dentro da organização da cidade. As necessidades mais imediatas pautaram a luta dos grupos dominados na disputa pela cidade. Se há exclusão da maioria de certos espaços da classe dominante, existem bloqueios de estradas que reivindicam as mais variadas coisas (saneamento básico, lazer, educação etc.), que podem travar toda a cidade.

Essas lutas imediatas constituem a possibilidade de construção de uma força social capaz de reivindicar a cidade para o conjunto de quem mora nela. Cada disputa de espaço na cidade pelos grupos dominados é um caminho trilhado na luta contra o Estado e por uma cidade para os trabalhadores.

No entanto, um desafio que se coloca é fazer o trabalhador – que está imerso no seu dia a dia, tragado pela rotina trabalho-casa-trabalho – pensar criticamente, para que se interrompa esse boom de projetos de exclusão social, que só geram lucros para o empresário.

Quando paramos e procuramos alternativas para ir de encontro aos problemas que todos sofremos no cotidiano, e se fizermos isso de maneira solidária aos outros setores que sofrem dos reverses provocados pela cidade capitalista, podemos ter uma chance de impedir o sucesso da classe dominante. Por mais difícil que seja, temos uma chance. Parar e aceitar é a certeza da derrota. Nós preferimos tentar. Cada derrota no projeto excludente, cada avanço em termos de mobilidade urbana, cada derrota da especulação imobiliária são vitória daqueles que concebem uma nova forma de se construir a cidade.

Não podemos esquecer que nossos espaços de convivência foram forjados numa sociedade profundamente desigual. Para termos êxito definitivo somente se aliarmos a luta do bairro com a luta por uma nova sociedade. Não esperemos uma nova sociedade para lutar pela melhoria de nosso bairro e de nossa cidade, mas não esquecemos que ela só ganha sentido se encararmos como degraus necessários para construção de outro patamar histórico.

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Bookchin e o Municipalismo Libertário

O anarquista norte-americano Murray Bookchin defendia uma nova forma de sociedade baseada na reinvenção da construção dos espaços de convívio, de moradia e de construção de nossa sociabilidade. Chamava de Municipalismo Libertário sua proposta. Trata-se de uma proposta de organização política da cidade baseada na democracia direta em oposição à lógica representativa do Estado que tira da coletividade seu poder de decisão, sempre delegando a uma minoria aliada aos interesses capitalistas ou incapaz de ultrapassar estes interesses.

Na compreensão de Boockin, tornar os sujeitos ativos nas decisões, chamando para si a capacidade de planejar e executar as tarefas do dia a dia da cidade é formar sujeitos críticos que passam a ver que a sua vida depende do bem-estar do coletivo, que suas decisões têm que ir para além do egoísmo individualista para ela mesmo ter sentido. Isso não é possível numa sociedade desigual, por isso o municipalismo libertário concebe o fim das classes sociais e a gestão da cidade pelos seus próprios moradores.

Acreditamos que resgatar essas ideias do municipalismo libertário colabora bastante no atual debate das discussões do direito a cidade e colabora muito na tentativa de se aliar as lutas imediatas a luta por uma nova sociedade. Porém uma crítica ao pensamento de Bookchin é extremamente importante. Para ele a categoria do trabalho está ultrapassada. A luta por uma nova sociedade não passaria pela luta construída pelo local de trabalho, senão apenas pelo local de moradia.

Para nós, anarquistas, o anarquismo sempre esteve junto a organizar os trabalhadores a partir das contradições vivenciadas no local de trabalho. Inclusive foi na militância sindical que os anarquistas tiveram mais expressão social. A desigualdade da sociedade se dá, sobretudo, na distribuição desigual da riqueza material e imaterial produzida pela humanidade. Para reformulá-la de maneira a apontar para uma sociedade sem classe, é necessário mudar a maneira como se trabalha, acabando com a divisão de trabalho manual e trabalho intelectual, e mudando a lógica de como os produtos são produzidos e distribuídos. Isso só se dá no local de trabalho.

O mesmo sentido se dá ao trabalho voltado para a prestação de serviços, como saúde e educação. Para reorganizá-los numa perspectiva igualitária e livre, é preciso reformulá-lo dentro do próprio ambiente de trabalho. Tudo sendo planejado e executado pelo conjunto dos/ das trabalhadores/as. Obviamente que a reorganização desse trabalho deve ser feita em sintonia com as demandas do bairro e da cidade.

Bookchin prossegue, afirmando que a fábrica ao destruir o trabalho artesanal acabou a possibilidade de um trabalho mais positivo, mais próximo das ideias comunitárias. Virou uma padronização dos operários, uma nova fórmula de escravidão.

De fato, o ambiente fabril, estruturado numa sociedade de classes, reproduzirá a desigualdade e é extremamente opressor. No entanto, não podemos desprezar que a seria impossível para sociedade se manter hoje, mesmo em outra perspectiva societária, sem uma produção industrial. Se o capitalismo trouxe a degradação ambiental, desperdício de recursos e exclusão social, a produção fabril nos permite produzir para 7 bilhões de pessoas no mundo. Hoje a distribuição do que é produzido é desigual, mas o fato é que existe produção para todos, mesmo que os produtos não cheguem a atender a necessidade do conjunto, mas apenas de alguns. Não seria possível alcançar essa produção em escala artesanal. Tampouco podemos acreditar, como defende Bookchin, que a tecnologia permitiria livrar a humanidade totalmente do trabalho material.

Para nós, a luta por uma nova sociedade será feita no dia a dia do trabalho e da vida cotidiana. Pensamos uma sociedade federada em locais de moradia e de trabalho. Nisso Bookchin erra e deixa a desejar, não anulando sua belíssima contribuição com a discussão da cidade.

Ficamos nesse ponto com Bakunin, que fala que a humanidade se diferencia dos demais animais pela capacidade do trabalho inteligente e da fala. Somos homens e mulheres porque trabalhamos. Nenhuma mudança social será feita se desprezar esse espaço fundante da humanidade.

A revolução de Rojava e o Municipalismo Libertário

Existe em uma parte do Oriente Médio uma população dispersa entre alguns países: a população curda. Tem seu direito de soberania popular negado há muito tempo. Durante a guerra civil na Síria e o recente avanço do Estado Islâmico, o povo curdo, que já luta por sua liberdade há décadas, se organizou de maneira inusitada na fronteira da Síria com a Turquia, numa região chamada Rojava. Milícias guerreiras da Unidade de Proteção Popular (YPG/YPJ) travaram combates ferrenhos contra a selvageria ignorante do Estado Islâmico e com seus próprios esforços conseguem o que Estados da região tiveram dificuldade de fazer: barraram o avanço do Estado Islâmico na cidade de Kobani.

Momento único na história recente da humanidade, não pela derrota imposta militarmente, mas, principalmente, por como foi feito isso e o que ocorreu depois. É o que queremos destacar. O protagonismo da mulher, nesse processo, tem sido uma força decisiva. Planejando, cuidando da cidade e participando dos combates aos facínoras do Estado Islâmico. Mulheres que sofrem bem mais com o avanço de ideias ultra machistas e totalitárias e que souberam dar a resposta.

Sobre a orientação do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) se vive uma nova forma de vida nessa localidade, com todas as dificuldades que uma realidade de guerra impõe. Incríveis semelhanças com Barcelona da Guerra Civil espanhola de 1936. O PKK deu uma guinada na sua orientação teórica ao adotar o Municipalismo Libertário como uma das suas orientações para reconstruir sua vida em sociedade. Tem conquistado a população de Kobani. Organização de assembleia por bairros, controle da própria população sobre suas vidas no que se é chamado de Confederalismo Democrático.

Auto declarados anti-estatistas e anti-capitalistas esse movimento tem uma dura tarefa pela frente: combater um inimigo feroz por um lado e reconstruir uma vida social sobre novos parâmetros. Suas ideias, obviamente, não agradam as fossas hegemônicas do Oriente Médio e nem ao sistema capitalista internacional. Nossa solidariedade às mulheres e homens curdos em luta. Eles mostram que um novo mundo é possível.

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[FARJ] Libera #164

Retirado de:  https://anarquismorj.wordpress.com/2015/07/05/libera-164/

Divulgamos o Libera #164 (especial), nosso jornal. O Libera #164 é referente aos meses de novembro a dezembro de 2014, tem como editorial o texto “Mikhail Bakunin e o Anarquismo” de Felipe Corrêa em homenagem aos 200 anos do anarquista russo. Nesse Libera há também textos sobre a Semana da Consciência Negra no Colégio Pedro II e uma matéria sobre a atuação da juventude camponesa contra o agronegócio. O Libera também trouxe uma breve resenha do livro do pesquisador e militante Emilio Crisi (da Federação Anarquista de Rosário e do Instituto de Teoria e História Anarquista) sobre a Comuna de Shinmin e a Revolução na Manchúria e os 170 anos do anarquista peruano González Prada, entre outros textos.

Aproveitamos para divulgar  uma correção de um errata. O conto “Quem não deve não teme” por um erro de diagramação saiu sem o nome do autor: Ygor, estudante de filosofia e anarquista.

Você pode conseguir o Libera fisicamente com nossos militantes e apoiadores e na Biblioteca Social Fábio Luz. Caso deseje receber um número grande para distribuir, entre em contato conosco.

O Libera #164 pode ser baixado clicando na figura abaixo ou aqui.libera-164-grande

[CABN] Boletim jun/2015

Retirado de: http://www.cabn.libertar.org/boletim-jun2015/

Salve companheirada!

Neste boletim de junho: Ponta do Coral – AVL JÁ; CEL-Joinville “Anarquismo e sindicalismo”; Resiste Izidora; Não à redução da maioridade penal

Ponta do Coral – AVL JÁ

O Movimento Ponta do Coral 100% Pública convoca todas e todos às ruas nessa quarta (08), às 17h, em frente à Catedral do Centro de Florianópolis. O movimento reivindica o retorno do zoneamento da Ponta do Coral para Área Verde de Lazer (AVL), que evite qualquer construção no local e possibilite criar o Parque Cultural das 3 Pontas. Prefeito, AVL JÁ!
https://parqueculturaldas3pontas.wordpress.com/2015/06/30/manifestacao-no-dia-080715-ponta-do-coral-avl-ja/

CEL-Joinville “Anarquismo e Sindicalismo

O Círculo de Estudos Libertários de Joinville retorna nessa quinta (09), às 19h, com o tema “Anarquismo e Sindicalismo”. Todas e todos estão convidados. Os textos recomendados, com mais informações sobre o CEL, estão aqui:
http://www.cabn.libertar.org/cel-joinville-anarquismo-e-sindicalismo/

Resiste Izidora

As ocupações da Izidora, em Belo Horizonte, agregam hoje 8 mil famílias na luta por moradia e vida dignas. No entanto, em defesa dos lucros de uma construtura, o governo Pimentel (PT) ameaça todas elas com um despejo que pode vir a qualquer momento. A Coordenação Anarquista Brasileira se soma à rede de solidariedade Resiste Izidora. Despejo zero! Com luta, com garra, a casa sai na marra!
https://anarquismo.noblogs.org/?p=235

Não à redução da maioridade penal

A Coordenação Anarquista Brasileira está de punhos cerrados contra a redução da maioridade penal! Confira e compartilhe a imagem de mobilização:
http://www.cabn.libertar.org/cab-nao-a-reducao-da-maioridade-penal/

Coletivo Anarquista Bandeira Negra, integrante da Coordenação Anarquista Brasileira.

Para entrar em nossa lista de notícias, envie um e-mail para ca-bn@riseup.net.

[CAB] Toda solidariedade à luta das 8 mil famílias das Ocupações da Izidora (MG)!

Retirado de: http://anarquismo.noblogs.org/?p=235

Acompanhamos o drama das 8 mil famílias das três ocupações da Região da Izidora (Rosa Leão, Esperança e Vitória) em Belo Horizonte, Minas Gerais. Manifestamos toda solidariedade à luta dessas famílias e repúdio à forma como o governo Pimentel (PT) está tratando o caso, com cinismo, repressão e terror psicológico.

A luta destas milhares de famílias é em defesa de um direito básico que deveria ser assegurado pelo próprio Estado que hoje criminaliza, reprime e despeja. Em Belo Horizonte o déficit habitacional ultrapassa a casa das 70 mil famílias sem teto. Em Minas Gerais, o déficit chega a 6 milhões. É por conta desta dura realidade, somada ao fator da especulação imobiliária que faz com que o povo pobre seja expulso das proximidades da região central para as margens, que surgem as inúmeras ocupações urbanas.

São inúmeros os lotes vazios, os terrenos devolutos e entregues às moscas da especulação na capital de Minas Gerais, enquanto milhares de trabalhadoras e trabalhadores vivem a penosa realidade do aluguel, de morar de favor, ou de simplesmente não ter um teto para abrigar sua família. Este contraste aponta, inevitável e justamente, para o surgimento de ocupações urbanas, que dão vida e função social para lotes que anteriormente serviam para a especulação e até mesmo para desova de cadáveres, estupros, etc. As ocupações urbanas são exemplos práticos de ação direta do povo organizado que faz valer seu direito que é furtado pelo Capital, pelo Estado e pela (in)Justiça.

Não é diferente com as ocupações da Izidora. A luta das famílias das ocupações coloca de um lado o direito que o povo tem de morar dignamente e de outro a ambição pelo lucro de construtoras e demais especuladores. Enquanto as famílias querem apenas um teto, a Construtora Direcional quer garantir o seu lucro de 15 bilhões com as construções que foram planejadas para o local. Neste embate, o governo Pimentel, a prefeitura de Márcio Lacerda, e o Tribunal de Justiça compraram o lado dos ricos e exploradores.

Somamos nossa voz às vozes de NÃO AO DESPEJO diante da possibilidade de o governador petista Fernando Pimentel promover um verdadeiro banho de sangue no norte de Belo Horizonte. É claro e evidente que um massacre está anunciado, de mesmo tamanho ou até maior do que houve com Pinheirinho, em São Paulo, em 2012. Isso porque a questão da Izidora, pelo tamanho dos terrenos, pela quantidade de famílias e pela disposição destas famílias de resistir ao despejo, é tida como o maior conflito fundiário urbano atualmente no país. Desta forma, o governador que alfinetou Beto Richa, governador do Paraná (PSDB), pelo massacre cometido contra os servidores públicos em 29 de abril deste ano, promoverá um atentado à vida de milhares de trabalhadoras e trabalhadores tão grande quanto o cometido pelo tucano em Curitiba.

Por isso, reafirmamos nossa posição em defesa da luta destas famílias, nos integramos à rede de solidariedade Resiste Izidora e reiteramos que se não for pela união popular, a organização de base e a solidariedade de classe, nossos direitos serão tratorados e, junto com eles, as nossas casas, a nossa dignidade, nossos sonhos e as nossas vidas.

 

Despejo Zero!

Resiste Izidora!

Somos todxs Izidora!

Com Luta, com Garra, a casa sai na Marra!

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[ORL] 1º ENCONTRO DO CICLO DE ESTUDOS ANARQUISTAS: “ANARQUISMO: OS CAMINHOS DE NOSSA DEFINIÇÃO”

Retirado de: http://resistencialibertaria.org/index.php?option=com_content&view=article&id=147:2015-07-02-20-56-39&catid=95:organizacao-resistencia-libertaria

A Organização Resistência Libertária (ORL/CAB) convida a todxs para o início do Ciclo de Estudos Anarquistas que estaremos promovendo de julho a dezembro deste ano. Nesse primeiro encontro teremos como tema “O que é Anarquismo?”, onde discutiremos sobre as definições e correntes do Anarquismo. Teremos como companheiros neste primeiro Ciclo, a participação da Federação Anarquista do Rio de Janeiro (FARJ/CAB), organização também integrante da Coordenação Anarquista Brasileira – CAB.

A atividade conta, como sempre, com o apoio dxs companheirxs do Plebeu Gabinete de Leitura (Biblioteca Social).

Quer saber mais sobre as Organizações Anarquistas? Acompanhem em:
Organização Resistência Libertária: http://www.resistencialibertaria.org/
Federação Anarquista do Rio de Janeiro: http://www.farj.org/
Coordenação Anarquista Brasileira: http://anarquismo.noblogs.org/

Convide suas amigas e seus amigos em nosso evento do Facebook:https://www.facebook.com/events/866710883397511/

[FARJ] Intimidação e criminalização: pauta permanente do Estado brasileiro

Retirado de:                                               https://anarquismorj.wordpress.com/2015/06/30/intimidacao-e-criminalizacao-pauta-permanente-do-estado-brasileiro/

Na última sexta, 26/07 a campanha nacional pela libertação de Rafael Braga organizou um sarau na Cinelândia, centro do Rio de Janeiro. O sarau tinha como objetivo fazer uma atividade cultural que marcasse o dia de sua prisão e também arrecadar fundos para sua família. O evento teve participação de diversos movimentos, organizações e coletivos, que foram até o centro do rio prestar solidariedade. Incrivelmente a polícia enviou para o sarau, seis camburões, uma viatura e membros da cavalaria, numa nítida tentativa de intimidar os presentes. Policiais infiltrados (P2) também tiravam fotos da militância presente e “acompanhavam” a atividade. Rafael não era militante, nem pertencia a nenhuma organização, mas foi preso por ser pobre e negro, portando uma garrafa de pinho sol. Não à toa, é o único já condenado, das jornadas de junho de 2013.

Isso só demonstra o caráter racista da polícia e do sistema judicial brasileiro A luta pela libertação de Rafael Braga é uma luta contra o racismo e a injustiça de classe desse sistema de dominação que os meios de comunicação tentam camuflar. A tentativa de intimidação faz parte de um campanha de criminalização do protesto e da pobreza, assim como da permanente lógica racista do Estado brasileiro. É essa lógica racista, que agora tenta não apenas criminalizar o protesto e a pobreza, mas reduzir a maioridade penal, para encarcerar jovens negros. Na véspera do sarau pela libertação de Rafael Braga, três militantes conseguiram habeas-corpus. O assédio policial e as mudanças na legislação tem como intenção provocar, cercear e intimidar todas/os aquelas/e que representem uma ameaça ao sistema de dominação capitalista (negros, pobres, revoltados/as).

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Mão estendida ao companheiro, punho cerrado ao inimigo!
Liberdade para Rafael Braga!
Fim do processo dos 23!