[Rusga Libertária] Memória do assassinato de Nicola Sacco e Bartolomeo Vanzetti – 88 anos do assassinato cometido pelo Estado Xenofóbico, Capitalista e Opressor!

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Iniciando a memória do assassinato de Nicola Sacco e Bartolomeo Vanzetti – 88 anos do assassinato cometido pelo Estado Xenofóbico, Capitalista e Opressor!

Viva a Anarquia!

A carta de um condenado
Nicola Sacco…

21 de agosto de 1927.

Da Casa da Morte na prisão de Massachusetts.

Meu caro Dante:

Ainda espero, e combateremos até o último momento, reivindicando o nosso direito de vida e de liberdade, mas todas as forças do Estado e do dinheiro e reação são implacavelmente contra nós, porque somos libertários ou anarquistas.

Escrevo pouco a respeito disto porque és ainda muito criança para compreender estas e outras coisas sobre as quais eu gostaria de conversar contigo.

Mas hás de crescer e compreender o caso meu e de teu pai, os princípios meus e de teu pai, princípios pelos quais nos vão matar dentro em pouco.

Digo-te agora que, por tudo que sei de teu pai, ele não é criminoso, mas um dos homens mais direitos que já conheci. Um dia compreenderás o que te estou dizendo. Que teu pai sacrificou tudo o que há de mais caro e sagrado ao coração e à alma humana pela justiça e liberdade de todos. Nesse dia terás orgulho de teu pai, e se fores bastante corajoso, tomarás o seu lugar na luta entre a tirania e a liberdade e vingarás o seu (os nossos) nomes e o nosso sangue.

Se de fato morreremos agora, saberás um dia, quando te tornares capaz de compreender esta tragédia em toda a sua extensão, como teu pai foi bom e corajoso contigo, teu pai e eu, durante estes oito anos de luta, tristeza, angústia e aflição.

Desde este instante mesmo serás bom e corajoso com tua mãe, com Inês (irmã de Dante) e com Susie (amiga da senhora Sacco, com quem ela e seus filhos viviam nos últimos anos do caso) – e farás tudo para as consolar e ajudar.

Gostaria também que te lembrasses de mim como camarada e amigo de teu pai, de tua mãe, de Inês, de Susie e de ti, e te afianço que também não sou um criminoso, que não cometi nenhum roubo nem morte, mas apenas combati modestamente para abolir os crimes entre os homens e para defender a liberdade de todos.

Sabe, Dante, que quem disser o contrário de teu pai e de mim, é um mentiroso a insultar dois mortos inocentes que viveram como homens de bem. Sabe também, Dante, que, se teu pai e eu tivéssemos sido covardes e hipócritas e renegadores de nossa fé, nos teríamos salvado. Não se condenaria nem mesmo um cão leproso, não se executaria nem mesmo o escorpião mais venenoso com fundamento nas provas que forjaram contra nós. Conceder-se-ia novo julgamento a um matricida e criminoso relapso, se apresentasse recurso como o que apresentamos para obter novo julgamento.

Lembra-te, Dante, lembra-te sempre disto; não somos criminosos; forjaram uma traça para condenar-nos; negaram-nos um novo julgamento; e se formos executados depois de sete anos, quatro meses e dezessete dias de indizíveis torturas e injustiças, será pelo que já te disse; porque éramos pelos pobres e contra a exploração e opressão do homem.
…………………………………………………………………………………………………………………………..
Dia virá em que compreenderás a causa atroz das palavras acima escritas, em toda a sua extensão. Então nos honrarás.
Sê sempre bom e corajoso. Dante. Abraço-te.

Bartolomeo Vanzetti

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