[FARPA] O machismo e a esquerda – um debate necessário

Retirado de: https://www.facebook.com/cazpalmares/photos/a.280261412156749.1073741828.280250265491197/482341138615441/?type=3&theater

A violência de gênero está imbricada no conjunto de uma violência estrutural e sistemática que socialmente divide e fragmenta a humanidade em desiguais. Se é verdade que a violência de gênero não é uma questão que se resolve nos marcos de um sistema desigual de riqueza e poder, tampouco o seu combate é algo “pra depois”. Foi pra ontem, é pra hoje e será pra amanhã e até enquanto as relações de gênero signifiquem relações patriarcais e de opressão.

A violência que cotidianamente ceifa a vida de mulheres dos grandes centros urbanos aos pequenos povoados rurais, que aparece sob suas variadas faces, das mais visíveis as mais “sutis”, deve encontrar a viva resistência contra todas as políticas que ataquem direitos conquistados e firme combate ideológico aos valores e práticas machistas em nosso cotidiano.

O machismo que oprime e mata nos lares e nas ruas, está também no interior da militância de esquerda. Julgar-se dominar historicamente os grandes eventos revolucionários, as teorias e os conceitos das tradições socialistas, não coloca ninguém em um pedestal como ser distinto de uma sociedade opressiva e machista. Por outro lado, reconhecer isso, não pode significar naturalizar o machismo (“se a sociedade é machista, eu também sou”) e, como consequência prática, passar a considerar a luta feminista como uma luta de menor importância. Reivindicar o posto na luta de classes deve também significar a produção de novas práticas, a realização da autocrítica e o combate a violência de gênero, em suas distintas faces e “sutilezas”, não só de “fora” das organizações políticas e movimentos sociais, mas também em seu interior, nas relações pessoais-políticas e na forma em que se estruturam as organizações e movimentos.

Que a esquerda siga a denunciar e a combater o machismo. Mas não somente o do “outro”, o da “sociedade”, mas sim também aquele que silencia companheiras e reproduz “papéis” tradicionais de gênero no interior das organizações e movimentos, tal como nas relações dos militantes com suas mães, colegas de trabalho, companheiras etc.. Nos olharmos no espelho é necessário. A tarefa é urgente.

Federação Anarquista dos Palmares – FARPA
Alagoas, 25 de novembro de 2015

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