[CABN] A arte que queremos neste Sarau 1º de maio

Retirado de: http://www.cabn.libertar.org/a-arte-que-queremos-neste-sarau-1o-de-maio/

Pelo segundo ano consecutivo realizaremos o Sarau 1º de maio. O Sarau tem por objetivo retomar uma data fundamental na história da construção da ideologia anarquista. O momento emblemático é a luta de dedicados militantes, de homens e mulheres que, na terra de Obama, em 1886, ocuparam as ruas e a Praça de Haymarket, em Chicago, para reivindicar 8 horas trabalho, 8 horas de lazer e 8 horas de descanso. A repressão policial a mando dos governantes, em defesa dos interesses dos patrões, levaram os nossos irmãos ao cárcere e à morte. Os nossos mártires de Chicago.

Outro objetivo do Sarau é reunir companheiros e companheiras que atuam nas lutas sociais em Joinville/SC. É o momento para socializar as expressões artísticas que a companheirada deixa guardada nos cantos do seu quarto, até mesmo numa caderneta surrada na sua mochila. É o momento para dividir o pão e a poesia, o bolo e a canção, a bebida e a fotografia, os biscoitos e o teatro.

No próximo 1º de maio nos encontraremos para sorrir, amar, refletir, até mesmo para enxugar lágrimas por conta da pesada rotina repressiva encabeçadas pelos governos e patrões. O Sarau é momento dos lutadores e das lutadoras, desde as crianças aos velhos e velhas. Trocamos olhares silenciosos de cumplicidade militante, fazemos dos nossos corações reservas de liberdade e igualdade.

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Apresentação teatral durante o Sarau 1º de Maio em 2015. A foto é do Coletivo Metranca.

O processo de organização da atividade é composto por muito trabalho voluntário. Encontramos forças entre os dias e as noites de intensas cores vermelhas e negras que guiam os nossos corpos e mentes nas ruas, nas praças, nos bairros, nos postos de trabalho e estudo. Definimos coletivamente quem fará o quê, as razões para fazer, o que será possível oferecer e os objetivos. É uma prática baseada na igualdade e liberdade, sem hierarquia. Ações que definimos como autogestão, solução que oferecemos em pequena medida como alternativa para o mundo competitivo do capitalismo. Frente à dominação do Estado e do capitalismo, resistimos e construiremos um amanhã baseado na autogestão.

Ao abordamos a companhareirada com objetivo de convidarmos para apresentar as suas expressões artísticas no Sarau, é comum ouvirmos: “O que escrevo não tem relação com o tema do evento”ou “será que a minha música se encaixa com a proposta?”. Compreendemos as inquietações, as dúvidas. O que nos motiva a convidar não objetiva moldar quais as expressões são corretas para aluta popular. Porém, algum critério é necessário adotar; o nosso critério é criar um ambiente arejado para militância e setores próximos do CABN apresentarem a sua arte.

Quando convidamos os irmãos e as irmãs de classe, não temos por objetivo canções que remetam aos mártires de Chicago, menos ainda que as manifestações artísticas expressem segundo as regras de realismo socialista revisto. Não pretendemos ditar as formas, os conteúdos e a estética. O principal objetivo é envolver todos e todas ao que temos como parte da nossa constituição enquanto sujeitos históricos, as expressões atuais que contribuem em nossa identidade como povo oprimido. Como a arte deve compor o Sarau 1º de maio? Neste momento, a resposta é que a arte pode vir de quem entrega a sua vida na luta por um mundo sem mais opressões. É esta arte que queremos neste Sarau 1º de maio.

Por Flavio Solomon, militante do Coletivo Anarquista Bandeira Negra

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[CAB] Violência de Gênero, Debater e Combater

https://anarquismo.noblogs.org/?p=386

CARTA PÚBLICA DA COORDENAÇÃO ANARQUISTA BRASILEIRA SOBRE AGRESSÕES DE GÊNERO EM ORGANIZAÇÕES ANARQUISTAS ESPECIFISTAS

 

 “A validade da luta é integral. Não somente de gênero, mas toda luta que vá de encontro ao sistema. Por isso mesmo a luta pela igualdade de gênero é um elemento fundamental. Reconhecer que não pode haver justiça, não pode haver democracia, não pode haver relações horizontais, se as mulheres não estão participando. Ela disse: já basta! Para haver liberdade, tem que ser livre todos e todas.” – Mulheres Zapatistas

Tendo em vista a importância do processo de crítica e autocrítica para a construção de coerência entre nossos meios e fins, a Coordenação Anarquista Brasileira (CAB) vem publicamente reconhecer que em algumas organizações que compõem a CAB ocorreram casos de agressões de gênero, envolvendo agressores e vítimas. Decorrente desses casos, as fragilidades de prática e conduta de nossas organizações relativas às opressões de gênero se evidenciaram. Essas fragilidades foram percebidas não só internamente, mas também por diversos grupos de esquerda que combatem tais práticas. Assim, esse elemento reforça ainda mais a importância da luta feminista que vem cada vez mais escancarando e lutando contra as opressões também no campo da esquerda.

São valiosos os frutos que estão se originando desse processo pessoal e coletivo de autorreflexão e autocrítica que vêm nos acompanhando. Entendemos a necessidade de mudança quanto a nossa compreensão acerca das questões de gênero e, sobretudo, como essa problemática vem sendo trabalhada em nossas organizações e nas práticas cotidianas individuais e coletivas.

É importante comunicar que localmente as organizações tentaram, dentro de suas possibilidades, dar respostas aos casos de opressões de gênero que ocorreram. Entretanto, tais tentativas foram, na maioria dos casos, insatisfatórias. Decorrente dos erros, a CAB passou a questionar seriamente sobre que tipo de anarquismo organizado estávamos construindo, pois eram vários casos graves de opressão de gênero relatados pelas organizações e a incapacidade de responder a elas em coerência com nossos princípios e valores era incontestável.

O arsenal teórico de nossa corrente, construído na história da classe oprimida, não admite opressões de nenhuma natureza. Assim, se pretendemos construir organizações revolucionárias e se acreditamos que cada passo que damos deve ser coerente com nossos princípios e objetivos finalistas, devemos combater todos os tipos de opressões de maneira orgânica. Devemos ser firmes e atuarmos com rigor no combate às opressões, seja nas organizações políticas que construímos, nos movimentos sociais, e também em nossas posturas pessoais em âmbito público ou privado.

O movimento da classe trabalhadora, do qual o anarquismo é parte, tradicionalmente lutou por sua emancipação frente à escravidão econômica e a exploração. Entretanto, em muitos casos, parece que a única identidade unificadora foi construída em torno do homem branco trabalhador industrial. Decorrente disso houve o silenciamento ou a minimização de vozes que não cabem facilmente nessa identidade.

Assim, ficou claro para nós que, ainda mais que a ausência de meios coletivos concretos e orgânicos de resolução eficaz das agressões de gênero, o problema tem raízes mais profundas: a violência estrutural contra as mulheres e quaisquer pessoas que não reivindicam a masculinidade hegemônica, independente do sexo biológico, é algo vivido rotineiramente nos espaços em que deveria ser combatida.

A violência estrutural é um mecanismo de controle sobre as mulheres. Não apenas como forma extrema, mas também na forma de relações normalizadas e naturalizadas. Ela permeia todas as esferas do cotidiano: as relações pessoais, a percepção e o uso do espaço público, o trabalho, a autoridade reconhecida, a percepção dos próprios direitos ou a ausência deles, a relação com o próprio corpo e a sexualidade, etc.

A influência ideológica dominante está profundamente enraizada em nossos comportamentos e, mesmo que apontemos a importância da luta feminista, o embasamento organizacional desta luta depende que os companheiros estejam dispostos a reconhecer sua posição de privilégio enquanto homens em relação às mulheres de sua própria classe e, a partir desse reconhecimento, que eles saiam da zona de conforto patriarcal. Isto significa refletir sobre onde suas posturas reproduzem a lógica do machismo, pois quando nos reivindicamos anarquistas devemos estar dispostos a abrir mão de todos os nossos privilégios, sendo eles de classe ou gênero. Reconhecer que a violência machista é estrutural é o começo para criar as condições necessárias de evitá-la. Responsabilizar-nos quando acontece em nosso entorno é também essencial para sua superação.

UM PASSO PARA REFLEXÃO

Tendo em vista a constatação de que a violência estrutural de gênero permeia toda a sociedade – inclusive as organizações que compõem a CAB – faz-se necessário o exercício de reflexão, principalmente de companheiros homens, brancos e heterossexuais, acerca da desconstrução de seus privilégios. Entendemos que a superação do machismo somente será possível modificando a estrutura da sociedade, mas devemos combate-lo desde já.

Um texto que merece destaque é o de Las Afines que sistematiza em três pontos as condutas geralmente adotadas por grupos e coletivos ao tratar da violência de gênero, muitas vezes gerado pela falta de profundidade e sensibilidade.

O primeiro ponto trata-se de dar aos casos de violência contra as mulheres um tratamento de problema privado e pessoal, a ser resolvido entre dois. Entende-se o problema como sendo um assunto turvo onde não há verdades, mas apenas duas experiências muito distintas de uma mesma situação confusa, uma vez que a questão perpassa certa complexidade de nível individual, que são extremamente válidas. Contudo, tendo essa compreensão, nós perdemos a possibilidade de intervir politicamente e é justamente disso que se trata quando falamos de violência machista. É necessário, portanto, que o problema seja trabalhado de modo a promover resoluções políticas coletivas.

O segundo ponto é sobre o uso de termos atenuantes e/ou relativismos na descrição do ocorrido e na definição dos atores envolvidos. Chamemos as coisas pelo seu nome: agressão é o que descreve o fato, agressor é quem a comete. Fazer isso não deve ser um obstáculo invencível nem tampouco uma opção reducionista que negue outras facetas que possa ter uma pessoa. O texto adverte também o problema de atribuir à mulher agredida uma posição de incapacidade, em que tudo que diga ou faça a vítima será tido como reação emocional, nervosismo, impulsividade e defensividade. Ressalta que atitudes paternalistas e protecionistas com a pessoa que ocupa o papel de vítima criam obstáculos para sua participação em plano de igualdade no processo coletivo.

Por fim, o terceiro ponto colocado pela autora se refere à priorização da unidade do coletivo e do consenso por medo ao conflito. Coloca que neste ponto a problemática é quando se tem uma “decisão coletiva”, quando boa parte do grupo não possui uma reflexão própria prévia e cujo discurso passa por simplificações, ou ainda quando há posturas irreconciliáveis e excludentes entre si. O objetivo deste “consenso” é manter certa coesão no grupo e dar uma ilusão de legitimidade às decisões. Cabe considerar que, de início, só há uma decisão política possível: a de que o agressor deve ser afastado (e não expulso indefinidamente) de todos os espaços comuns com a vítima. A partir disso, a organização deve assumir sua responsabilidade coletiva na gestão adequada da violência de gênero de modo crítico e reflexivo, trazendo à tona todos os conflitos e divergências internas existentes.  Decidir coletivamente não necessariamente significa mediar, pacificar ou compreender.

Notamos que o posicionamento das organizações da CAB em relação às agressões sofridas por mulheres foi permeado por essas questões já citadas. Questionar as companheiras de modo insensível, sem antes tomar o cuidado com seu acolhimento; relativizar denúncias pelo fato de o agressor ser um militante antigo ou importante para a organização; resolver a questão pelo método da guilhotina, ou seja, expulsando ou afastando indefinidamente um militante ao invés de construir caminhos para a autocrítica (individual e coletiva); tomar decisões guiadas pelo pânico coletivo instaurado pelo medo de uma deslegitimação pública da organização. Em nossa avaliação, essas são posturas que expressam certo nível de opressão e que precisam ser superadas.

São inaceitáveis as situações em que uma pessoa oprimida pede socorro aos seus companheiros e a primeira reação é ser questionada antes mesmo de ser acolhida. Questionamentos do tipo “mas o que você fez pra ele gritar com você?” não devem ser feitos, uma vez que perpetuam a violência de gênero, apontando a culpa da agressão à vítima. Além disso, a pessoa agredida possivelmente já está muito abalada e passar por um processo nesses moldes seria ainda mais penoso. Consideramos que comportamentos como estes são uma tática de manutenção do privilégio patriarcal, sendo ela deliberada ou não.

De outro modo, as organizações devem dar todo acolhimento e suporte à vítima e junto com ela tomar as decisões cabíveis. Cientes disso, criamos metodologias orgânicas para encaminhar situações que venham a ocorrer. A simples expulsão de um militante agressor não garante que comportamentos machistas não se repetirão dentro do coletivo e menos ainda que essa mesma pessoa não volte a cometer opressões fora dos espaços internos da organização.

***

O machismo está incutido em nossas subjetividades. Ou seja, a desconstrução individual e coletiva não é objetiva e mecânica. O machismo não vai ser extinto do meio social como um tumor é retirado do corpo. É dever de uma organização revolucionária e feminista lidar com essas questões, não somente pela intensão de manter uma boa imagem pública. Essa postura seria cínica e antiética com as companheiras.

A CAB compreende que é necessário construir movimentos e organizações que deem voz a todas as pessoas oprimidas. Em termos práticos, as agressões de gênero ocorridas no seio das organizações especifistas nos levaram ao entendimento de que é necessário criar instrumentos em nossa estrutura interna para dar conta dessas problemáticas e um programa de formação e conscientização contra as opressões. É o que estamos fazendo.

Entendemos que formações teóricas, sozinhas, não darão conta da superação das relações de dominação. Acreditamos que nossas organizações são fruto das experiências históricas da classe oprimida, mas também de nossas experiências atuais. Por isso, devemos reconhecer que práticas opressoras são incoerentes tanto em nível privado quanto em nossa prática e conduta política.

Tendo isso em vista buscamos discutir, reforçar e deixar bem esclarecido questões sobre ética e postura militante. Mais do que isso, buscamos incorporar a prática feminista ao nosso cotidiano e acreditamos que é imprescindível que os homens de nossas organizações incorporem, façam ventilar esse debate e desenvolvam novas posturas e comportamentos. Esse processo deve ocorrer com todas as pessoas e, assim, fortalecemos a autorreflexão e autocrítica sincera, incentivamos e apoiamos práticas de identificação de posturas opressoras dentro dos nossos espaços coletivos. Contudo, não devemos cair em práticas punitivistas. Endossamos e buscamos implementar o uso de comissões de ética para tratar as questões de violência de gênero e outras opressões. Enfatizamos que não são somente as mulheres que devem ser responsáveis pelo feminismo. Os homens – sem se sobrepor às mulheres nessa luta – devem contribuir, de modo a promover, dentro e fora das organizações, nossa linha de combate às opressões. É importante fortalecer as companheiras para que elas mesmas possam apontar as múltiplas facetas da opressão de gênero que sofrem.

Não criamos a ilusão de que práticas machistas deixarão de existir no seio de nossas organizações imediatamente. Estamos trabalhando com firmeza, individual e coletivamente, para criar espaços organizativos seguros, confortáveis e capazes de dar voz e vez às pessoas historicamente oprimidas.  Temos como desafio criar um movimento revolucionário capaz de extinguir todas as opressões e criar coletivamente uma sociedade emancipada.

Reconhecer nossas limitações e fragilidades nos leva à urgência de dedicar esforços a uma prática política feminista, coerente e comprometida com a construção de uma sociedade igualitária e libertária de fato. O Poder Popular se constrói desde baixo e temos a certeza de que, com ética, honestidade e compromisso podemos gritar lado a lado contra um inimigo maior, e isso deve bastar para nos considerarmos iguais em nosso meio.

O ANARQUISMO SERÁ FEMINISTA OU NÃO SERÁ!

Fevereiro de 2016

Las Afines. Quem teme aos processos coletivos? Notas Críticas sobre a gestão da violência de gênero nos movimentos sociais. Tesoura para todas, p. 57-67. Nota da CAB sobre violência de gênero.

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Opinião Anarquista #7: Frente aos ataques, a inovação das táticas

Novo Opinião Anarquista do Coletivo Anarquista Luta de Classe sobre a luta por transporte público e de qualidade:

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Baixe em PDF: Opinião Anarquista 7
Frente aos ataques, a inovação das táticas

Mais uma vez, o aumento da tarifa do transporte coletivo pegou o povo de “surpresa”. Apesar do espanto, os ataques ao bolso das pessoas que andam que ônibus já não é mais novidade. Ano após ano, a máfia do transporte de Curitiba aumenta o valor da tarifa e quem sai perdendo são sempre os de baixo, trabalhadores (as) e estudantes em sua maioria.

No último dia 1º de fevereiro, a tarifa dos ônibus de Curitiba passou de R$ 3,30 para R$ 3,70. Um aumento de 40 centavos! Aos domingos, que era cobrado R$ 1,50 passa a ser R$ 2,50. Um aumento de 66%!

A Prefeitura, para tentar minimizar o choque e a revolta da população com esse aumento absurdo, diz que os outros serviços públicos – como água e luz – subiram ainda mais que a passagem de ônibus. Parece brincadeira, não é?

 Os ricos empresários do transporte alegam que não têm mais condições de arcar com os custos de manutenção e operação dos ônibus que circulam na região. O motivo deles é o mesmo de sempre: o aumento no preço de insumos e o reajuste salarial dos (as) trabalhares (as) do transporte.

Desde o último aumento a integração de Curitiba com a Região Metropolitana também foi ameaçada. A prefeitura e os empresários alegam, mais uma vez, que para manter a integração é necessário aumentar ainda mais o preço das passagens. Cidades como Colombo, Piraquara e São José dos Pinhais já não têm integração com Curitiba e possuem preços mais caros que o cobrado na capital.

Com o novo aumento, a tarifa em Piraquara e Fazenda Rio Grande chegou ao patamar de R$ 3,90! Quem mora longe paga cada vez mais caro para andar de ônibus. Com a criação dos chamados “degraus tarifários”, a tarifa cobrada em Bocaiúva do Sul, Contenda, Rio Branco do Sul e Itaperuçu chega ao inaceitável valor de R$ 4,70!

Os ataques ao nosso bolso são cada vez mais intensos e não vemos melhorias concretas na qualidade dos ônibus ou na quantidade de linhas do transporte coletivo. Os ônibus continuam demorando a passar e quando chegam estão quase sempre lotados.

Alguns terminais de ônibus, como o Terminal Santa Cândida, ainda estão em fase de término da obra. Na Linha Verde as obras foram retomadas há pouco tempo, sendo que a promessa era que estivessem prontas antes da Copa do Mundo de 2014! Outros tantos terminais que precisam de reformas urgentes são ignorados pelos governantes.

MOBILIZAÇÃO E AÇÃO DIRETA

No início deste ano vimos várias cidades do país irem às ruas contra o aumento da tarifa do ônibus. São Paulo, Rio de Janeiro, Joinville, Belo Horizonte e Florianópolis tiveram grandes atos. Em Curitiba também tivemos mobilização, chamadas pela Frente de Luta pelo Transporte (FLPT), a campanha “3,70 de nem tenta!” e o Movimento de Acompanhamento ao Transporte Urbano (MATU). No dia 2 de fevereiro, o povo mobilizado foi às ruas e trancou algumas das principais vias do centro da capital. O ato seguiu até a Prefeitura de Curitiba para pressionar o prefeito Gustavo Fruet (PDT) a negociar com o movimento.

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RENOVAR AS TÁTICAS, APRENDER COM OS MAIS NOVOS

No final de 2015 vimos em São Paulo um movimento protagonizado por estudantes secundaristas que foi forte e saiu vitorioso. Foi mais de 200 escolas ocupadas em sinal de resistência ao fechamento de escolas e à “reorganização escolar” planejado pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB).

O processo de ocupações organizado pelo movimento estudantil secundarista retomou instrumentos de organização da classe oprimida até então abandonados pela esquerda tradicional: ação direta, independência de classe, autonomia e autogestão dos espaços de luta. Foram essas as ferramentas que levaram os/as secundaristas à vitória!

Se, para além de muita luta, também queremos vitórias econômicas e políticas, devemos olhar para esse movimento e aprender com ele. Devemos construir o movimento de luta pelo transporte a partir das bases. As escolas são locais muito importantes para a militância na luta por transporte público.

Além das tradicionais e indispensáveis panfletagens nas portas das escolas, é necessário que o movimento esteja nas escolas, construindo diálogo com os/as estudantes e trazendo toda essa galera para a luta.

Hoje, a cada três estudantes que abandonam os estudos, 1 é decorrente dos altos gastos que as famílias têm com o transporte. O transporte é a terceira maior despesa das famílias no Brasil.

Temos visto que existe certo esgotamento do modelo comum de atos de rua, que iniciam em um ponto do centro da cidade e caminham até a Prefeitura, se encerrando com algumas palavras de ordem ou encaminhando uma nova reunião.

O movimento secundarista foi vitorioso porque sua dinâmica de atuação foi diferente do que até então se vinha experimentando. O movimento foi criativo, inovador, combativo e eficaz!

O movimento contra o fechamento das escolas em SP representou um avanço político-organizativo que deve ser observado por toda a esquerda, levando esse acúmulo não apenas para seus grupos de estudos, mas também, para suas ações nas ruas.

Uma tática histórica do movimento pelo transporte é o “catracasso”, abrindo os tubos de ônibus para que as pessoas usufruam de Tarifa Zero! O Movimento de Curitiba tem se utilizado dessa tática, que dialoga com a população e beneficia quem mais precisa.

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CRISE ECONÔMICA x DIREITO À CIDADE

Para entendermos melhor o cenário em que estamos inseridos, é necessário compreender o caminho desde os cortes no orçamento nacional (conhecidos como “ajuste fiscal”) promovidos pela presidenta Dilma Rouseff (PT), até o aumento da tarifa na catraca.

Basicamente, os enormes cortes em saúde, educação e programas sociais por exemplo foram realizados para se alcançar o superávit primário, que é aquilo que o governo “economiza” para o pagamento de juros da impagável divida pública.

O Ministério das Cidades, em conjunto com o Ministério dos Transportes, foram os que, no final do ano passado, sofreram os maiores cortes. Isso quer dizer que os municípios e estados passaram a receber ainda menos dinheiro da União para arcar com os custos do transporte coletivo e demais serviços públicos.

Apesar disso, não podemos cair no erro de achar que é a “falta de dinheiro” o problema central da questão do transporte coletivo em Curitiba. Não é de hoje que estão escancaradas as enormes taxas de lucro dos empresários do transporte na capital paranaense. Eles, além de lucrarem dentro do marco legal do capitalismo (o que, em nossa opinião, já representa roubo aos de baixo), ainda se utilizam de fraudes para ganhar ainda mais à custa do povo.

Desde a década de 70 movimentos sociais de luta por transporte público denunciam a formação de cartel no processo de licitação das linhas de transporte curitibanas. Atualmente, apenas uma família é dona de 70% do sistema de transporte da Grande Curitiba. O poder econômico da família Gulin concede a eles grande influência também no meio político. Por isso, sai prefeito e entra prefeito, mudam os mandatos dos vereadores, mas os Gulin continuam mantendo seu lugar de privilégio. Para se mantiverem ricos, roubam do povo, que perde seu direito à cidade.

Nesse ano de eleição, muitos políticos tentarão construir sua campanha querendo usar a pauta do transporte como alavanca eleitoral em seu próprio beneficio. Serão muitos os charlatões, oportunistas e políticos de má-fé. Nós não devemos acreditar que é votando no candidato A ou B que a vida do povo vai, de fato, mudar.

O Coletivo Anarquista Luta de Classe (CALC) entende que não importa se o candidato (a) veste a roupagem “mais popular” ou “menos popular”, pois todos representam os interesses dos de cima e da máfia do transporte. O que faz a diferença e traz conquistas concretas para a vida do povo é a organização e a luta nas ruas, e será somente isso que trará a vitória para o movimento por transporte verdadeiramente público.

Será com nossas próprias mãos, com nossa força social, que conseguiremos barrar esse aumento. De cima só vêm ataques e migalhas.

Somente com Poder Popular é que as condições de vida irão melhorar e por isso é sempre hora de lutar e reagir. Política se faz todos os dias e de baixo pra cima! Sem nenhuma ilusão na farsa eleitoral, pois o prefeito, os vereadores, a presidenta, e todos os representantes do Estado tem um lado, e não é o nosso!

Por uma vida sem catracas!

Nossas urgências não cabem nas urnas!

CALC, Fevereiro 2016

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[FARJ] 85 anos do Fuzilamento de Severino Di Giovanni

Retirado de: https://anarquismorj.wordpress.com/2016/02/12/85-anos-do-fuzilamento-de-severino-di-giovanni/

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Em homenagem aos 85 anos do fuzilamento do militante anarquista italino Severino Di Giovanni, publicamos aqui um texto escrito por Osvaldo Bayer sobre Severino. Di Giovanni passou parte de sua vida na Argentina, onde participou, por exemplo, nas greves retratadas no filme Patagonia Rebelde, baseado em um livro de Osvaldo Bayer, mais conhecido pelo livro Anarquistas Expropriadores.

Texto retirado de: http://www.pagina12.com.ar/diario/contratapa/13-291415-2016-01-30.html


Por Osvaldo Bayer

Este 1º de febrero se cumplen 85 años del fusilamiento de Severino Di Giovanni, anarquista expropiador. Fue fusilado por la dictadura de Uriburu.

La condena llegó a través de un juicio militar. Di Giovanni se encargaba de hacer asaltos para conseguir dinero e imprimir sus publicaciones, para la edición de libros anarquistas y para mantener a familias pobres de presos políticos de ideología libertaria. En una de sus salidas “expropiadoras” fue descubierto en el centro. Perseguido, herido y apresado, se le hizo un juicio militar y fue condenado a muerte. Murió gritando “¡Viva la anarquía!” en la Penitenciaría Nacional. Reuní todos los datos de los archivos y expedientes y hablé con testigos de la época. El diario Crítica describió su muerte:

“Dos hombres uniformados pasan por el pasillo llevando un pesado juego de grillos y los elementos necesarios para remacharlo. En la celda, la escena es terriblemente dramática. Los hombres colocan los hierros en los pies de Di Giovanni y durante un rato se sienten los golpes de martillo hasta que el condenado queda casi imposibilitado por completo para moverse. La tropa comienza a preparar sus armas. Con aparente tranquilidad los guardianes colocan en el patio el banquillo y miden cinco pasos hasta el sitio donde se hará la descarga. Cuando Di Giovanni emprende la marcha en dirección al lugar del fusilamiento, se oye desde lejos el ruido de los grillos al golpear en el suelo. Todos guardan el más completo silencio alterado solamente por las voces de mando del oficial que ha de dirigir la ejecución.

Mientras tanto, el patio de la prisión ofrece un aspecto desusado, verdaderos racimos humanos se apretujan en el estrecho espacio para no perder detalle. El techo de la carpintería –de dónde se domina el patio– también está colmado. Afuera, hay miles de personas que aguardan el privilegio de oír las detonaciones.

Al fondo del patio, una pared alta en cuya parte superior se encuentran las garitas de los centinelas. Hasta una distancia de cinco metros por delante de la pared, un cantero de un metro de altura cubierto de césped y cayendo en suave declive hacia uno de los caminos frente al taller de carpintería. Sobre ese cantero y a una distancia aproximada de tres metros de la pared, se había colocado la silla trágica.

A esa hora –las cinco– la madrugada recién comienza a insinuarse. El banquillo para la ejecución estaba colocado en la parte más elevada de la pendiente verde. Podía advertirse el respaldo exageradamente alto y sus patas, que de tan tiesas parecían incrustarse con fuerza, en el terreno.

Una marcha de soldados hizo volver las cabezas. Era el pelotón de guardiacárceles encargado de ejecutar las sentencias. Los soldados evolucionaron hasta formar cuadro dónde se encontraba el banquillo. Las voces de mando parecían ecos extraños.

Rodeado por guardianes, Di Giovanni se encontraba dentro del taller que es un galpón abierto hacia la pared de enfrente. Para evitar al reo la visión prematura del lugar de la ejecución se había cerrado el galpón con cobijas a manera de telones de un teatro grotesco. Por debajo de esas colchas se alcanzaban a ver los pies de Severino separados entre sí por la barra de hierro de los grillos. Una orden dicha en tono seco por el secretario del tribunal militar hizo que se condujera al reo a su presencia.

Durante las horas que permaneció en capilla parece que Di Giovanni había recuperado esa famosa serenidad que fue la norma de su vida. Apareció debajo de los telones marchando lentamente. Vestía un traje azul de mecánico, nuevo. Los grillos le separaban los pies hasta permitirle apenas un paso cortísimo. Una soga atada entre los grillos y las esposas le facilitaba los movimientos al andar. Llevaba las manos cruzadas hacia adelante.

Lo llevaron ante el secretario del tribunal. Parado frente al funcionario repitió el gesto de indiferencia con que la madrugada anterior recibiera la lectura de la sentencia. Solo que esta vez apenas si podía dominar la intensa agitación de que era objeto.

Levantaba bien alta la cabeza como si deseara aspirar de un golpe todo el aire que lo rodeaba. La mandíbula estaba extendida hacia adelante. El rostro congestionado sudaba copiosamente. La mirada estaba fija no ya en el secretario, sino en el cielo estrellado que podía verse sobre los almenares de la prisión.

La lectura de la sentencia fue mucho más larga no obstante ser el mismo documento. Mientras escuchaba la lengua humedecía constantemente sus labios resecos. Parecía que estaba a punto de hablar pero que dominaba el deseo. Silenciosamente escuchó la lectura de la sentencia.

Continuó andando. Al llegar al pie del cantero en dónde se hallaba el banquillo, necesitó la ayuda de dos oficiales para subirlo. Resbalaba en los pastos humedecidos del cantero. Subió luego efectuando unos pequeños saltos cuya contemplación acentuaba lo trágico del espectáculo.

Los dos oficiales lo sujetaban de los brazos levantándolo en peso para evitar una caída. Con un ademán algo brusco se soltó de los oficiales que lo conducían efectuando los últimos pasos hacia al banquillo. Luego con cierta displicencia tomó asiento en el mismo. Apoyó la espalda contra el alto respaldo del sillón. Y luego se quedó contemplando los preparativos con el cuerpo en descanso un poco inclinado hacia adelante.

Una vez sentado y el pelotón a su frente se acercó a él un soldado con la venda en las manos. Llegó hasta él por la espalda. Le puso la venda sobre sus ojos pero Di Giovanni le dijo:

–No quiero que me pongan la venda.

Cómo el soldado insistiera, hizo un gesto brusco con la cabeza. Entonces el soldado se retiró después de haberlo atado al banquillo con una soga que le cruzaba el pecho.

Cuando el pelotón estaba listo para apuntar y el sargento dio por señas la orden de apuntar, Di Giovanni se afirmó fuertemente contra el respaldo del banquillo. Levantó la cabeza. Puso todos los músculos en tensión y luego, irguiéndose todo lo que fue posible concretó en un grito su último pensamiento

–¡Evviva l’anarchia!

Segundos después, el jefe del pelotón bajaba la espada y el cuerpo de Di Giovanni era atravesado por 8 balazos. Al recibir la descarga un poco de humo que salió de su pecho marcó el sitio de los impactos. Su cara se contrajo en una mueca violenta de dolor. Una reacción muscular lo hizo levantarse del banquillo para caer pesadamente hacia al costado izquierdo. El respaldo del banquillo hecho astillas. Un gran charco de sangre inundó el asiento cayendo al suelo.

Un aullido atroz desgarra el silencio: son los presos de la cárcel que se despiden de su compañero.

Sobre el césped, él se mueve todavía. Aunque tenía el pecho atravesado de proyectiles no murió instantáneamente. Se acerca el sargento y le da el tiro de gracia. Preciso y eficaz. Un estremecimiento del cuerpo que queda inmóvil. Son las 5.10.

El doctor Cirio, médico de la prisión, el director de la penitenciaría y otras personas se aproximan. El médico constata la muerte y extiende el certificado. El cadáver es llevado hasta una ambulancia dónde hay un féretro de pino blanco.

Ha terminado todo. Rostros pálidos abandonan la prisión y cuando salen a la calle Las Heras respiran a pulmón pleno. Severino Di Giovanni ha pagado su deuda.

La valentía del reo hasta el último momento llamó la atención de todos y hay rostros pálidos y semblantes descompuestos por la ruda impresión.”

“La descarga terminó con el más hermoso de los que estaban presentes”, escribirá el cronista del Buenos Aires Herald.

As lições de uma greve histórica: um ano da ocupação da Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP).

Há um ano o funcionalismo público paranaense nos dava uma lição histórica: se nós, pessoas oprimidas, quisermos defender nossos direitos, só conseguiremos fazê-lo com nossas próprias mãos.

No dia 9 de fevereiro de 2015, iniciava uma das maiores greves da história das pessoas trabalhadoras em educação, com adesão praticamente total e com decisão unânime na assembleia de Guarapuava, que gritava em uníssono “Greve! Greve!”. A categoria se preparava para enfrentar o “pacotaço”, isto é, um conjunto de medidas de austeridade impostas pelo governador Beto Richa, representando a política do PSDB – que é a política dos banqueiros, latifundiários e grandes empresários. Esse “pacotaço” iria precarizar o plano de carreira da categoria, destruindo conquistas de dezenas de anos de luta, além de confiscar o fundo previdenciário do funcionalismo público, comprometendo a aposentadoria das trabalhadoras e trabalhadores.

No dia 10 de fevereiro, mais de vinte mil lutadoras e lutadores se reuniram em frente a Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP) para protestar contra as medidas do governo. Os deputados mostravam-se dispostos a votar à favor dessa medida, ignorando as milhares de pessoas do lado de fora da ALEP. Isso já era esperado: o Estado capitalista tem um lado bem definido, e independente de quem esteja ocupando as cadeiras, a máquina funcionará da mesma forma, defendendo os interesses dos ricos e dos poderosos, mesmo que para isso tenha que pisar em cima de milhares (ou milhões) de pessoas. Não adianta esperar que quem está no poder se solidarize com quem não está.

Após a aprovação do regime de comissão geral – mais conhecido como “tratoraço” –, que permitia as votações serem realizadas em um único dia, as trabalhadoras e trabalhadores ali reunidos tiveram o ímpeto de ocupar a ALEP, impedindo dessa forma a votação do projeto. Somente dessa forma, mudando as regras do jogo, é que podemos enfrentar o Estado. Esperando que a votação fosse realizada a única coisa que poderíamos esperar era a derrota. Uma derrota que custaria muito caro: custaria direitos, custaria dignidade, custaria anos de luta. Quando subvertemos a lógica do Estado e atuamos para além dela, temos chances de vitória. Foi isso que ocorreu e, ao invés de esperar que “o jogo” continuasse nos moldes do Estado capitalista, viramos a mesa, fazendo “o jogo” funcionar de modo que o povo tivesse mais força: através da Ação Direta.

Acontece que o governo não se deu por vencido, e no dia 12 de fevereiro, o local da votação foi transferido para o restaurante da ALEP. Ao descobrir essa informação, a categoria mudou de tática, cercando todas as entradas da assembleia e impedindo a entrada dos deputados e deputadas. O então secretário de segurança pública, Fernando Franscischini, teve a ideia de levar os deputados para dentro da assembleia usando um camburão e a tropa de choque, episódio que se tornou bastante emblemático. Após conseguir a entrada (de maneira vergonhosa) dos deputados, prosseguiu o processo de votação. A indignação tomou conta das pessoas que cercavam a ALEP. Novamente, sem medo, a categoria avançou. Enfrentou a polícia, o batalhão de choque, suas bombas, armas e cães, e ocupou o estacionamento da ALEP, cercando o local onde ocorria a votação. Com medo do povo, os deputados cancelaram a votação.

Não devemos esquecer as lições desses dias:

1. Não confiar em representantes, pois eles não representam os interesses do povo, da classe oprimida, mas sim, os interesses dos ricos e poderosos. São apenas ferramentas do Estado e farão o que for necessário para manter seus privilégios e suas posições de poder;

2. Se tentarmos vencer respeitando a institucionalidade, ou seja, as regras do “jogo”, não teremos chances. As instituições de poder, isto é, os poderes legislativo, executivo e judiciário, funcionam de tal forma que as pessoas oprimidas não têm nenhum poder. Medidas são impostas, e, por mais razoáveis que sejam os argumentos a favor do povo, o que prevalece é o interesse de classe dos ricos.

3. Precisamos agir com táticas onde nós, pessoas oprimidas, tenhamos mais poder. Esse modo de agir é utilizando a Ação Direta, onde não dependemos da representatividade e das instituições. Quando agimos diretamente, podemos colocar cada braço, cada ombro, para lutar e ter voz. Nesse caso nos tornamos milhares contra uma minoria. Ocupar a Assembleia Legislativa foi o que trouxe a vitória nesses dias. Não adiantaria esperar dos deputados que os projetos não fossem aprovados, fossem eles supostos “amigos” ou “inimigos” da educação.

Tendo isso em mente, não devemos olhar para o passado apenas para lembrar, mas também para trazer os aprendizados das situações que vivenciamos. Não vamos nos esquecer dessas lições nas próximas lutas que virão!

Ação Direta é a arma que nós temos para fazer justiça para viver!

A luta não para!

Não tem arrego!

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[NOVAS LARANJEIRAS] O Levante Zapatista e a Luta Indígena no Brasil

evento-novas laranjeirasO evento consistirá em alguns espaços abertos de discussão com lideranças e juventude indígena que moram em reservas e territórios indígenas. São atividades abertas a todos e todas que queiram contribuir e apoiar de alguma forma na luta indígena.

Quando: 13 de fevereiro de 2016, a partir das 9 horas.
Onde: Território Indígena Rio das Cobras, município de Novas Laranjeiras, Paraná.

A intenção das atividades é abrir vias de diálogo com a população, discutir a atual cojuntura política e como podemos intervir nela. Para isto, teremos um debate sobre a organização indígena, indigenista e sobre as principais lutas no campo e florestas.

Vivemos uma conjuntura de ataques históricos aos povos originários desse país, como a PEC 215, Novo Código de Mineração, PL de Licenciamento Ambiental, veto da Presidenta Dilma sobre o PL que instituiria o ensino multi-linguístico nas escolas, por isso a luta e organização dos povos originários é fundamental.

Teremos também a presença do companheiro Guilherme da Rádio Xibé e do CMI Tefé que vai facilitar uma atividade sobre a experiência zapatista no México e da companheira Eliane que vai relatar suas experiências de Cinema Popular em Tefé/AM.

Outro espaço de discussão que acontecerá é sobre algumas ferramentas que vêm sendo utilizadas na luta das comunidades indígenas, como a comunicação popular. O Coletivo Rádio Gralha que possui experiência na utilização de rádios livres articulará este espaço.

Se alguém tiver disponibilidade de tempo e vontade para apoiar essa frente, precisamos:

-Filmar toda a atividade;
-Fotografar;
-Fazer relato sobre experiências de comunicação popular e livre que já teve.


Organização:
Coletivo Anarquista Luta de Classe (CALC)
Coletivo Estudantil Indígena
Coletivos Rádio Gralha e Rádio Xibé

Lutar! Criar Poder Popular!
Não ao PEC 215!
Vitor Kaingang VIVE!