[CAB] Contra a Fome, o Desemprego e a Vida Cara e Violenta para os Pobres.

Com mais de 200 dias de governo Bolsonaro, a situação do povo piora cada vez mais. Os ricos, os políticos e os jornalistas da grande mídia disseram que a aprovação da reforma da previdência ia tirar o país do buraco, fazer a economia crescer e melhorar a vida do povo. Mas a economia cresce mesmo é no bolso do patrão e na fatura do banqueiro.

A reforma da previdência é um ataque sobre o direito de aposentadoria das trabalhadoras e trabalhadores! É uma promessa para o mercado e não para os pobres. O que se chama de “mercado” é a briga de negócios dos capitalistas pra morder o filé e cortar na carne das classes oprimidas.

O projeto político do governo Bolsonaro e da sua corja de puxa sacos é de soltar os cachorros, tocar medo e acabar com os direitos duramente conquistados pelas classes oprimidas em uma vida de lutas e provações.

Um governo entreguista que deseja completar e aprofundar a entrega dos recursos naturais, como petróleo, minério e nossa água para as grandes economias capitalistas. Economias que desmatam criminosamente as florestas, que permitem todo o tipo de violência aos povos indígenas e que envenenam a comida, liberando produtos químicos extremamente danosos à saúde, para serem usados pelo agronegócio.

Um governo que quer vender as termoelétricas até 2020, o que causará o aumento da conta de luz para o trabalhador. Não podemos esquecer que o Brasil é um país de grande potencial energético natural, com vantajosas possibilidades de uso das energias renováveis como o sol, o vento e as marés.

Bolsonaro com seu ministro Paulo Guedes, vendeu oito refinarias da Petrobrás e o controle de distribuidoras da companhia. Também acabou como monopólio estatal do mercado de gás, o que causará na prática, aumento do preço do gás de cozinha e dos derivados do Petróleo. Praticamente tudo o que consumimos possuem derivados do petróleo. A gasolina e o diesel que já foram motivo de uma grande e poderosa greve de caminhoneiros e populares. O projeto de Bolsonaro é fazer o Brasil virar um quintal dos Estados Unidos.

Um governo que odeia os pobres e corta na carne do povo.

O desemprego no Governo Bolsonaro atingiu 12,1% da população. São mais de 13 milhões de pessoas desempregadas. Sem contar aqueles e aquelas que desistiram de procurar emprego e a quantidade enorme de trabalhadores(as) sobrevivendo de “bicos” e trabalho informal, o que aumenta essa massa pra quase 30 milhões.

Guedes e Bolsonaro aplicam uma política econômica ao gosto dos patrões:  baixam o poder de compra do salário do(a) trabalhador(a), deixam o peão ferrado e sem garantias no emprego, destroem vagas de trabalho e limitam a distribuição de riqueza e renda.

Essas medidas também têm como objetivo disciplinar o(a) trabalhador(a), chantageando e desorganizando a luta coletiva, a solidariedade, causando medo e reprimindo as greves. Aliás, o governo miliciano de Bolsonaro tem na lei antiterrorismo, assinada por Dilma Roussef durante as manifestações de 2013, uma grande aliada na perseguição de militantes e movimentos sociais, que convenientemente serão enquadrados como movimentos terroristas. Quando na realidade o verdadeiro terrorismo no Brasil é o dos poderosos contra a saúde, a dignidade e a vida do povo preto e pobre desse país. A justiça no Brasil não é cega, é racista e serve aos poderosos.

Tecnicamente já estamos vivendo uma recessão, que é quando a economia encolhe. Tal política de terra arrasada, tem como objetivo destruir o salário do(a) trabalhador(a) e permitir aos empresários explorar mais, controlar mais, pagando menos. Sem falar nos perdões às dívidas de banqueiros e empresários, que somos obrigados(as) a engolir goela abaixo.

Esse governo nefasto, junto a parlamentares e empresários aprovou a reforma da previdência na Câmara dos deputados, destruindo o direito de aposentadoria no Brasil. Muitos(as) trabalharão até a morte sem se aposentar. E os(as) que estavam para se aposentar, terão de trabalhar muito mais. Os militares ficaram fora da reforma da previdência. Eles são um grupo privilegiado que faz parte do governo entreguista e anti povo de Bolsonaro.

O PT e o governo Dilma abriram a porteira da desgraça quando cortaram investimentos e mexeram nas regras dos direitos trabalhistas como o seguro desemprego da juventude. O golpe aumentou o grau do ajuste contra o povo. No governo Temer, a elite brasileira congelou os recursos para a educação, saúde e serviços públicos com a PEC 95/2016. Bolsonaro e seu governo vão mais longe, cortam mais fundo na educação, na saúde e nos serviços sociais com o objetivo de entregar parte desses serviços para seus amigos da iniciativa privada e do capital financeiro. Eles governam aos socos e pontapés para o aprofundar o caos nos serviços públicos e a pobreza, aumentando ainda mais a opressão que desgraça a vida de muita gente, destruindo sonhos e a esperança de uma vida digna para todos(as).

A vida do pobre fica mais cara e difícil. Com essa política, o governo fez com que tudo aumentasse de preço. Os legumes e cereais aumentaram 12% este ano, segundo dados do IPCA (índice que monitora a inflação no país). Para se ter idéia, o feijão aumentou de 15 a 40%! Se alimentar ficou muito mais caro, enquanto nosso salário, vale menos. O aluguel subiu quase 5% no ano e o transporte público aumentou 7% apenas este ano. Essa política é planejada, governa a crise fazendo o pobre pagar a conta da farra dos capitalistas.

O resultado da política neoliberal apoiada por movimentos como o MBL e também por líderes religiosos e astros da TV, são a fome, a miséria, a exploração e um país mais oprimido e sufocado. “Liberdade Econômica” é o privilégio do burguês de tirar o couro do peão. Na surdina, o governo aprovou mais um ataque (às) trabalhadoras e (aos) trabalhadores: a Medida Provisória 881, que recebe o apelido infeliz de “MP da Liberdade Econômica” é uma legalização do abuso do patrão sobre os seus empregados e empregadas.

É mais um buraco pra quem trabalha se afundar. Quando fica frouxo o trabalho e o registro de ponto aos domingos, só tem um lado que ganha.Toda trabalhadora e trabalhador sabe que essa vantagem não é nossa. Que o “extra” daquele domingo fodido de trabalho vai fazer falta se a empresa não pagar indenizado e que se não tem horas registradas o supervisor, o gerente ou o carrasco te controla como quer e joga tudo no banco de horas pra não pagar um extra.

Ao lado do aumento do custo de vida e da redução do povo a um(a) trabalhador(a) saqueado(a) de seus direitos, o Estado brasileiro radicaliza o processo de matança nas periferias e no campo. No presídio de Altamira no Pará 62 vidas foram brutalmente tiradas pelo “deixa que os pobres se matem”. O recente assassinato de 5 jovens negros e da menina Agatha de 8 anos no Rio de Janeiro, estimulados pela política genocida do governador Witzel escancara um projeto que está na base do governo Bolsonaro, baseado no elogio à tortura, ao extermínio, ao encarceramento em massa e nas milícias assassinas como poder associado.

A saída virá nas ruas, com luta popular e ação direta!

Frente a esse quadro de dor, de pobreza e repressão, a saída só virá das ruas, do povo organizado. Em poucos meses de governo, já tivemos uma terrível amostra do aprofundamento do Estado Policial de Ajuste. Queremos uma vida digna, comida na mesa, condições dignas de trabalho, saúde e educação públicas; não queremos ver nossa juventude ser exterminada pelo braço armado de um Estado racista e genocida.

Queremos riqueza distribuída e democracia direta pra decidir nosso destino. Para enfrentar esses ataques, a ação direta, a solidariedade e a organização serão as armas na luta contra o avanço da destruição de nossas vidas.

Esperar as próximas eleições? Não!!! Não temos tempo pra isso! Só o povo salva o povo! Hora de dar um basta nos eleitoreiros, de construir independência dos governos e dos patrões. Construir uma mobilização popular que seja decisiva pela sua explosão nas ruas, no trabalho, nas vilas , favelas e subúrbios. Que possa parar  pela revolta popular o governo de ajuste e repressão, que não se reduz aos partidos eleitorais da democracia burguesa.

Frente a vida cara para os mais pobres e para a classe trabalhadora:

Frente ao genocídio do povo indígena e do povo negro:

Luta popular nas ruas pra derrotar os ataques e barrar a ação destruidora do governo Bolsonaro!

Fortalecer o sindicalismo combatente e de base, os movimentos sociais, a educação e a cultura popular!

Nenhum direito a menos! Que as riquezas sejam distribuídas ao povo! É isso que queremos, nem mais e nem menos!

[CAB] 28 DE SETEMBRO: ABORTO, DIREITOS REPRODUTIVOS E A LIBERDADE DAS MULHERES

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“Poderei ser presa, poderei ser julgada e enviada para a cadeia, mas não estarei nunca em silêncio; nunca consentirei ou me submeterei a autoridade e tampouco farei as pazes com um sistema que degrada a mulher à mera incubadora e que engorda graças a suas inocentes vítimas. Aqui e agora declaro guerra a este sistema e não descansarei até que se tenha aberto o caminho para uma maternidade livre e uma infância saudável e feliz.”

Emma Goldman no texto “The Social Aspects of Birth Control”, publicado na revista Mother Earth em abril de 1916. Tradução nossa. 

Em nossa construção anarquista e feminista, a autodeterminação reprodutiva sempre foi pauta defendida pelas mulheres em luta. Nesse 28 de setembro, dia de luta pelo aborto legal e seguro, pela descriminalização e legalização; no espírito de luta das Mujeres Libres, de Emma Goldman e tantas companheiras que nos precederam, refletimos sobre a conjuntura política à luz desta agenda tão cara para os direitos das mulheres.

Uma série de acontecimentos da conjuntura requerem nossa atenção e reação. Neste mês Bolsonaro anunciou que solicitou ao MEC um projeto para acabar com o que chama de “ideologia de gênero”[1] nas escolas, medida que objetiva interditar o debate de gênero e diversidade sexual no âmbito da educação. Na América Latina no geral há um forte movimento contra a suposta ideologia de gênero, levada a cabo por governos com apoio de bases católicas e evangélicas, numa guerra contra as mulheres e os avanços conquistados pelos movimentos organizados.  A censura nas artes têm tido como alvo prioritário as peças, filmes, livros e criações que tratam desse tema, como no exemplo recente da Bienal do Rio de Janeiro.

Após o lançamento do programa “Abrace Marajó”, da ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, uma recente investigação na Ilha de Marajó demonstra a relação consequente da fome, da pobreza e da ausência de políticas públicas com a exploração sexual de meninas e mulheres. É um dos locais com os índices mais altos de exploração sexual infantil com meninas se prostituindo por comida, sendo abusadas pelos pais, tios, avôs e engravidando dos estupros cometidos pelos familiares. O Anuário de Segurança Pública 2019, divulgado também esse mês, traz as sangrentas estatísticas de aumentos de feminicídios e de estupros, com uma menina estuprada a cada 4 horas.

Uma nova resolução do Conselho Federal de Medicina retirou das mulheres grávidas a escolha sobre procedimentos indesejados sobre seus corpos se os médicos acharem que não é o melhor para o feto. Procedimentos dolorosos ou invasivos poderão ser feitos mesmo sem autorização das mulheres, em mais uma manobra onde a medicina tutela os corpos em nome dos direitos de um feto, deixando claro que para o sistema somos incubadoras, não pessoas de direitos.

O discurso religioso que contamina as políticas públicas segue se acirrando. O novo procurador-geral da República Augusto Aras assumiu compromisso com setores evangélicos através de um manifesto para valores cristãos e pautas morais. Na pauta, além da anticorrupção, estão temas como a proibição do aborto, reconhecimento exclusivo da família heterossexual e monogâmica, cura gay, combate ao nome social e reconhecimento de identidades de gênero, criação de cargos de estado para a “defesa da liberdade religiosa”. Em meio a crises no governo, há um movimento de maior aproximação de Bolsonaro com evangélicos para driblar as crises diplomáticas, a questão ambiental e os ruídos com o lavajatismo, acenando com mais isenções fiscais para as igrejas e reforço das pautas morais.

Por outro lado, as mulheres que são mães têm tido o futuro dos seus filhos arrancados pela mão do Estado racista e patriarcal a serviço do capital. Muitas mães choram a morte de seus filhos pela política genocida que corta nossa carne e é máquina de moer pobres e negros. Muitas crianças vivem a violência absoluta da miséria de tudo: não têm transporte, não têm moradia digna, não têm comida, não têm escola, não têm atendimento médico, não têm afeto. Os ricos e poderosos ao mesmo tempo impedem o direito de decidir das mulheres e nos matam com suas políticas antipovo que nos exploram só fazem aprofundar as desigualdades sociais.

Mas e o que tudo isso tem a ver com o aborto?

O tema do aborto é ainda uma questão relegada ao campo da religião, da moralidade e da clandestinidade. É pauta das feministas que defendem como um direito, mas também das igrejas e dos políticos, abordado numa agenda para a religião e um modelo de família.  O patriarca branco é a versão familiar do corpo político nacional. As narrativas disciplinadoras do controle da força reprodutiva e de trabalho das mulheres na família e na vida pública são pilares da ordem racial, sexual e econômica do capitalismo. O controle dos nossos corpos e o cisheterossexismo são instrumentos para a manutenção de uma ordem global baseada em explorações múltiplas. Todos os elementos que pontuamos se interligam demonstrando que as políticas de morte e de “vida” dos poderosos e o controle dos corpos mantém o sistema funcionando e reproduzem as desigualdades. É por isso que os temas chamados morais estão na ordem do dia da ofensiva conservadora e neoliberal em curso.

Nas ruas, pelo mundo afora, as mulheres gritamos pelo nosso direito de decidir. Nos congressos, nas igrejas, nas mesas dos poderosos de ternos e fardas, homens se unem para impedi-lo a todo custo. A legislação do aborto é feita por homens para os homens, onde a criminalização do aborto é um exemplo escandaloso da negação da liberdade das mulheres. Decidir ser mãe ou não ser mãe é a expressão de uma liberdade. Não reconhecemos nenhuma lei de deuses, homens, ou culturas que possam nos impor a maternidade ou a negação dela (no caso de políticas de esterilização). Não há nada que possa impedir uma mulher de interromper uma gestação. Mas o direito de decidir e políticas de educação e saúde sexual eficazes podem nos impedir de morrer.

Quando falamos em aborto, estamos falando não apenas do procedimento em si, que queremos disponibilizado na rede pública de saúde de forma legal e segura, mas de uma série de temas e pautas que envolvem os direitos reprodutivos. É uma questão que não admite debate no âmbito do ser contra ou a favor, mas sim no campo da saúde pública e do direito ao corpo. Quando falamos em aborto estamos falando de educação sexual, orientação de planejamento familiar, atendimento psicológico, acesso a contraceptivos, combate à desigualdade de gênero.

Não abrimos mão da liberdade de escolher. A luta pelo aborto legal e seguro é uma luta por liberdade, pelos nossos corpos, pelas nossas vidas. Não recuamos da luta contra o avanço conservador e pelo direito à vida plena de todos os corpos. Defendemos uma educação emancipadora de gênero e sexualidade como forma de combate à violência de gênero e à violência LGBTfóbica. Queremos autonomia e autogestão dos nossos corpos. Educação sexual para prevenir, contracepção para não engravidar, aborto legal, seguro e gratuito para não morrer. Precisamos estar organizadas e tomar as ruas em luta. Com ação direta, lutar contra o estado racista, o capitalismo e patriarcado. Construir o poder popular para barrar a opressão dos nossos corpos. É o caminho que nós, anarquistas, trilhamos.

POR NENHUMA A MENOS!

POR TODAS AS MULHERES MORTAS EM ABORTOS CLANDESTINOS NENHUM MINUTO DE SILÊNCIO!

TODA NOSSA VIDA DE LUTA!

Construir um povo forte! Construir mulheres fortes!

Coordenação Anarquista Brasileira

[1] “…termo cunhado pelo Vaticano, mas que hoje serve de guarda-chuva para reunir diferentes grupos de interesse que lutam contra o avanço dos direitos sexuais e reprodutivos, visando a preservar uma estrutura de poder que tem o homem branco heterossexual no topo de todas as hierarquias sociais. O termo é a divergência entre o movimento feminista e os interesses religiosos e políticos, que associa a luta por igualdade no âmbito dos direitos humanos com perversões e crimes como pedofilia, no delírio de uma conspiração feminista global.” Fonte: http://reporterpopular.com.br/especial-8m-mulheres-resistem-queimem-as-bruxas-ideologia-de-genero-e-a-guerra-contra-as-mulheres/

SOLIDARIEDADE AO POVO EQUATORIANO EM RESISTÊNCIA AO PACOTE DE MEDIDAS E À REPRESSÃO DE LENIN MORENO

Nota da Federação Anarquista Uruguaia, Coordenação Anarquista Brasileira, Federação Anarquista de Rosário, Federação Anarquista Santiago e Roja Y Negra

Manifestamos nossa mais profunda solidariedade com o povo equatoriano, nesse momento mobilizado contra o pacote de medidas do presidente Lenin Moreno e suas políticas de ajustes e fome. Pudemos observar nos últimos meses como o regime de Moreno tem avançado sobre os setores populares, tentando atacar suas principais conquistas. Exemplo disso são das tentativas de aumento dos combustíveis (o que provocará aumento imediato dos produtos da cesta básica, o transporte e o custo de vida), e a proposta de uma reforma trabalhista antipopular, que expressa o aprofundamento de políticas de corte neoliberal.

A isso, devemos somar uma retomada de relações carnais com o imperialismo norteamericano e o reestabelecimento de apoio à organismos credores como o FMI, em uma economia já dolarizada há muitas décadas.

Mas os setores populares, sindicatos e organizações sociais e os povos originários de Equador, longe de ser espectadores do processo de desmantelamento, vem oferencendo resistência com atos e manifestações. Nos últimos dias, o descontentamento popular transbordou-se pelas ruas em manifestações com milhares de pessoas nas principais cidades, o que fez o Estado responder com a maior brutalidade, deixando cerca de 300 feridos, e colocando o país em Estado de sítio.

Se a situação é bastante crítica, e se vivem horas decisivas para o povo equatoriano, as organizações populares decidiram seguir nas ruas para resistir ao avanço da repressão – de tons ditatoriais – e rechaçar de maneira contundente o avanço neoliberal, fazendo frente ao avanço imperialista na região. A consigna que se repete nas ruas de Quito, Guayaquil ou Cuenca chama a se aprofundar a luta e a resistência contra as forças repressivas e o Estado equatoriano.

Desde nossas regiões, não podemos fazer outra coisa que somarmos a fazer resistência e pressão nesse sentido, indo inclusive nas embaixadas e consulados do Equador.

Viva a resistência do povo equatoriano!
Abaixo o pacote de Moreno!
Arriba los que luchan!!

Assinam:
*Federación Anarquista uruguaya – FAU (Uruguai)
*Coordenação Anarquista Brasileira – CAB (Brasil)
*Federacíon Anarquista de Rosario (Argentina)
*Federación Anarquista Santiago (Chile)
*Roja Y Negra (Argentina)

[CAB] CARTA DE SOLIDARIEDADE ÀS COMUNIDADES ZAPATISTAS DO MÉXICO

Irmãs e irmãos, aprendamos esta triste lição, por isso eu quis lutar sempre pela causa justa de quem já caiu, mas tem gente que não me entende: talvez por eu ser jovem umas pessoas nem vão entender e outras me rechaçam, mas eu decidi lutar e vou manter essa decisão mesmo que me custe a vida.”

(CompArte, Caracol Morelia, 2016)

Foi com alegre rebeldia que no dia 17 de agosto, nós da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB) lemos o comunicado lançado pelos povos zapatistas através do Comitê Clandestino Revolucionário Indígena e da Comandância Geral do Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN)[1]. A carta informa a decisão de romper o cerco estabelecido ao território zapatista desde os Acordos de San Andrés, de 16 de fevereiro de 1996, e avançar as áreas insurgentes, a partir das décadas de trabalho de base com as comunidades do entorno, que se juntam oficialmente ao território liberado. São 7 novos caracóis e 4 munícipios autônomos tomados de rebeldia [2]! Esse avanço na luta zapatista traz ventos de esperança insurgente para nossas lutas em todo o mundo e precisa ser envolta de solidariedade.

Em seus 25 anos de luta, os povos originários insurgentes que agora conformam o Zapatismo e o EZLN têm sido grande referência na resistência e organização anticapitalista. O avanço de seus caracóis e municípios autônomos é exemplo de que todo processo revolucionário é exercício de libertação gestado lentamente, lado a lado, desde a base, com autonomia e rebeldia.

Nós, anarquistas especifistas, prestamos solidariedade às companheiras e companheiros que firmemente propõem com independência outras formas de organização e luta social. Sabemos que o Estado sempre estará para representar os de cima impondo seus projetos neoliberais, genocidas e anti-povo.

Isso fica elucidado quando há um processo no qual o novo governo mexicano deslegitima e silencia toda forma de dissidência que não concorde com sua lógica desenvolvimentista/progressista/neoliberal, na figura do recém eleito presidente Andrés Manuel López Obrador (do partido MORENA), que diz estar ao lado das classes populares. Na lógica racista e voraz em que o Estado do México se coloca, vemos o avanço da militarização sobre os territórios autônomos zapatistas; o acobertamento e a impunidade dos crimes feitos por paramilitares (forças armadas não oficiais, como as milícias brasileiras); os ataques ao povo do estado de Guerrero; a perseguição, assassinato, encarceramento e sumiço de lutadoras e lutadores sociais que se solidarizaram com a luta dos povos oprimidos; o silenciamento de jornalistas; a falta de respostas pelos 43 estudantes de Ayotzinapa; a continuidade e descaso com os gritantes feminicídios e violências machistas; a “sutil” deslegitimização e criminalização da luta zapatista pelo governo do México; o avanço de megaprojetos, como o trem Maya; e diversos ataques que vem acirrando o cerco aos povos que ousam sublevar-se contra os projetos neoliberais de destruição.

Por isso, nos solidarizamos com as companheiras e companheiros zapatistas e dizemos que sim, sua estrela vermelha arde em vários cantos do mundo! Somos centelhas fumegantes e construiremos solidariedade rebelde e internacionalista entre os povos. Seus cantos, artes, poesias e histórias rebeldes são chamas que pulsam em nossos corações. Dão a dimensão sensível de nossas lutas e nos colocam em constante processo de crítica e autocrítica, no esforço de descolonizar nossas lutas e fortalecer a cura de nossas feridas coloniais, tudo desde baixo e à esquerda.

Que o zapatismo avance e cresça ainda mais, inspirando a luta dos povos oprimidos de todo o mundo, como já tem feito desde o primeiro amanhecer de 1994. Somos muitas e muitos os povos oprimidos que expandem seus ruídos de autonomia e resistência em todos os cantos do mundo e, por isso, companheiras e companheiros, estamos juntas e juntos sem nos vender, sem nos render e sem vacilar!

“Somos rebeldía y resistencia. Somos uno de tantos mazos que romperán los muros, uno de tantos vientos que barrerán la tierra, y una de tantas semillas de las que nacerán otros mundos.”

SEGUIREMOS RESISTINDO DESDE A BASE E À ESQUERDA POR UM MUNDO ONDE CAIBAM MUITOS MUNDOS.

MÃO ESTENDIDA ÀS COMPANHEIRAS E COMPANHEIROS, PUNHO CERRADO AO INIMIGO!

[1] Comunicado do CCRI-CG do EZLN sobre o rompimento do cerco imposto pelo Estado do México

    http://enlacezapatista.ezln.org.mx/2019/08/17/comunicado-del-ccri-cg-del-ezln-y-rompimos-el-cerco-subcomandante-insurgente-moises/

[2] Imagens e vídeos do rompimento do cerco e do estabelecimento de novos caracóis e municípios autônomos:

    http://enlacezapatista.ezln.org.mx/2019/08/31/imagenes-de-la-ruptura-del-cerco-i/

    http://enlacezapatista.ezln.org.mx/2019/09/01/imagenes-de-la-ruptura-del-cerco-ii-y-ultimo-del-17-de-agosto-del-2019/

    Mais informações em: http://enlacezapatista.ezln.org.mx

[CAB] É hora de construir uma greve nacional da educação!

Os ataques à educação pública têm marcado fortemente a política e as lutas sociais neste ano. Isso é resultado da confluência de interesses entre os diferentes setores das classes dominantes que sustentam o atual governo: mercado financeiro, agronegócio, conglomerados de mídia, lideranças religiosas conservadoras e diferentes setores de extrema-direita.

Por um lado, uma intenção explícita de sucateamento e privatização da educação pública, visando alimentar algumas das maiores empresas privadas de educação do mundo, que viveram épocas de vacas gordas com as políticas para a educação superior dos governos petistas e agora avançam rumo à educação básica para manter suas taxas de lucro. É onde se encontram grupos de lobby neoliberal com representação de bancos, canais de televisão e grandes empresas que dão as cartas nas novas políticas públicas educacionais brasileiras. Ao mesmo tempo, iniciativas de censura ideológica crescem em todos os espaços educacionais, buscando impedir os debates raciais, de gênero, análise crítica sobre a realidade social, etc., assim como avança a militarização de escolas e o aparelhamento curricular por algumas denominações religiosas.

É frente a esse cenário que as lutas do movimento estudantil e da educação têm ganhado destaque, enfrentando Bolsonaro e uma agenda neoliberal e conservadora que é muito maior e mais antiga do que ele.

Neste segundo semestre, vem ganhando força a luta nas universidades contra o Projeto Future-se, os cortes de bolsas e o contingenciamento de verbas que ameaçam a existência da educação superior pública. Como consequência dessas medidas, milhares de trabalhadoras e trabalhadores terceirizados estão sendo demitidos por todo o país; milhares de pesquisadoras e pesquisadores que sobrevivem com suas bolsas têm seu sustento ameaçado; e estudantes pobres de todo o país correm o risco de abandonar a universidade pelo fim das políticas de permanência como os restaurantes universitários e moradias estudantis.

São motivações e necessidades que dialogam diretamente com a realidade da maior parte de nossa classe, afetada pelo desemprego e um aumento brutal na precarização do trabalho, além do aumento do custo de vida nos itens mais básicos, como alimentação e transporte. Consideramos que a crescente indignação com as condições de vida, o aumento da violência pela mão do Estado e a destruição ambiental precisam ser canalizados junto às lutas pela educação, em uma tática de resposta coletiva, pela força das ruas, ocupações, greves e piquetes! São todas políticas do capital que ameaçam diretamente nossos direitos, nosso futuro e a vida de grande parte do nosso povo de forma articulada. São ataques políticos em conjunto e devem receber uma resposta política unificada!

Nos últimos dois meses, a maioria das universidades do país rejeitou o Programa Future-se; a comunidade da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) ocupou a Reitoria e aprovou com mais de 90% de votos o pedido de destituição do interventor bolsonarista em sua Reitoria; estudantes da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) constroem uma greve estudantil na graduação e pós-graduação que já dura três semanas; e greves estudantis também começaram na Universidade Federal do Pampa (Unipampa) e na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).

Nesta semana, entidades sindicais e estudantis convocam uma paralisação de dois dias com calendário de lutas. A Coordenação Anarquista Brasileira estará mobilizada nessa data para dizer, antes de tudo, que essa agenda só oferecerá as respostas necessárias de enfrentamento se servir para articular, o quanto antes, uma greve nacional da educação! O modelo das greves de um dia, junto às marchas, agitou o debate público e demonstrou a vontade de luta da juventude, mas é incapaz de fazer frente ao projeto de morte que enfrentamos em 2019.

Precisamos pautar, agora, a revisão do orçamento de 2020 que prevê cortes ainda maiores à educação. Restringir nossa pauta à liberação das verbas de 2019 apenas nos mantêm reféns do Governo Federal, que libera o dinheiro a conta-gotas para manter as universidades de joelhos e frear as lutas no momento que se sentir ameaçado. A luta também precisa buscar unidade com as universidades estaduais, privadas e com a educação básica – os ataques que sofremos atingem a educação como um todo, com o mesmo projeto de sucateamento, privatização e controle ideológico!

Seguindo o exemplo de luta da UFFS, UFSC, Unipampa e UFSM, além do estado de greve deliberado entre estudantes e trabalhadores de várias outras universidades, é fundamental que as entidades estudantis e sindicais do país construam a greve nacional da educação. Sem esperar por licença, a luta já se espalha entre as bases e tem possibilidade de tomar o país!

A EDUCAÇÃO DO POVO NÃO SE VENDE, SE DEFENDE!

POR EMPREGO, CONTRA A PRECARIZAÇÃO, GREVE GERAL NA EDUCAÇÃO!

GT Estudantil da Coordenação Anarquista Brasileira – CAB