[CAB] Anticapitalismo, porque nossas vidas importam! EDSON LUIS: PRESENTE, PRESENTE, PRESENTE!

Publicado originalmente em https://anarquismo.noblogs.org/arquivos/1291

Memória e Justiça para Edson Luiz, estudante e lutador social assassinado em 28 de março de 68 pela covardia da máquina de terror do Estado chamada a conservar as estruturas de poder que governam a pobreza, a desigualdade e a injustiça. Que viva toda a resistência que não cedeu sua luta, seus dramas e sonhos, seu mundo alternativo de justiça social para o chumbo reacionário da ditadura. Nós não esquecemos que o golpe de 64 foi obra dos militares junto com grandes empresários da economia e da mídia, com a política mortal do imperialismo assombrando todo nosso continente.

Memória de todas as rebeldias que enfrentaram com a vida e o exemplo, em todos níveis de ação direta, os métodos sórdidos de violência do aparelho repressivo para controlar o povo debaixo de suas botas. Do sistema de violência brutal, miserável e sanguinário que faz a norma implacável que nosso povo enfrenta na lida de todos os dias, na luta que nos faz existir como os “de baixo”, desde a formação desse país.

Hoje, quando a vida das massas populares é ameaçada pela pandemia do coronavírus e da miséria, os capitalistas convocam a classe trabalhadora para uma marcha fúnebre em nome da economia dos bilionários e milionários. Expropriam a riqueza social pela propriedade privada e não querem perder um centavo para defender a saúde pública.

O neoliberalismo é o modo capitalista atual de governar a vida ou a morte pelo jogo individualista, mesquinho e competitivo do mercado. As vidas não importam nada quando não produzem valor pra economia, quando não são corpo esmagado na engrenagem dos lucros e do poder da alta classe dos burgueses. O neoliberalismo é uma concepção de mundo que define tudo pelo preço, que mata ou deixa morrer quem não ganha em cima do outro no jogo cruel da desigualdade e da opressão.

Nunca aceitaremos em paz o sistema carniceiro que governa nossas vidas. O massacre do corpo negro e pobre que se racionaliza pelas garras do Estado e do capitalismo como exceção permanente. Aquele mecanismo colonial e racista que vem de longe e se conforta em qualquer conjuntura, com mais ou menos democracia burguesa, e atua naturalmente ao lado do jogo das leis, da economia política, no campo de concorrência dos partidos, empresas e instituições do estado liberal burguês.

Nas florestas e campos os indígenas, quilombolas e todos deserdados da terra são o grupo de risco da economia letal do agronegócio e das mineradoras. Nas favelas, subúrbios pobres e para a população negra a regra geral é o governo pela repressão, a política da morte e da cadeia, o sujeito de exceção do jogo dos prêmios e méritos do capitalismo neoliberal. A pobreza e o racismo produzem a etiqueta do bandido ou do indigente pra matar ou deixar morrer.

Nenhuma opressão é eterna e invencível. Que viva nosso povo e que lute sempre pra não ser reduzido a carne barata ou cova rasa. Não vamos esquecer e não vamos perdoar os crimes de Estado e das classes dominantes. A revolta popular cedo ou tarde quebra a onda reacionária e impõe seus danos a máquina de oprimir e humilhar os de baixo.

Nenhuma ditadura, de qualquer tipo, tampouco essas formas políticas de representação controlada pelas oligarquias que chamamos de democracia burguesa, dão a decisão para as classes oprimidas mudarem de vida. Está na ordem do dia uma linha forte e independente de movimento popular de base para lutar por igualdade e repartir as riquezas, tomar decisões importantes e vitais para a vida com democracia direta. Nada de salvador da pátria ou lideranças infalíveis de um estado policial. Nada de governar pelo garrote da polícia e da economia de mercado.

Construir poder popular, de baixo pra cima, com o classismo da massa trabalhadora, o movimento negro e feminista, as práticas de ecologia social, todas as dissidências, articuladas com autonomia e solidariedade em uma confederação de rebeldias pra enfrentar esse mundo com outros modos de viver, com liberdade e socialismo.

Também sentimos um ódio relativo, que faz vazão de valores e afetos que nunca foram pacificados pelo sistema em troca de um lugar de conforto nas estruturas de poder. Ódio incansável aos opressores e os carrascos do povo, a toda máquina de moer povo, desde o fundo delinquente de acionistas, até a cabine de comando e os desgraçados que são operadores na ponta.

Nosso amor, nosso desejo de relações entre livres e iguais, onde não haja lugar para a miséria, a ganância, a tirania dos ricos e poderosos, deve ser proporcional ao ódio de um sistema de violência tão sinistro e carniceiro como o capitalismo.

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