Arquivo da categoria: CAB

[CABN] Seminário – “Poder & Estado: Uma Visão Anarquista”

Retirado de: http://www.cabn.libertar.org/?p=155

O Círculo de Estudos Libertários inaugura as atividades de 2012 com o tema Poder & Estado: Uma Visão Anarquista, que contará com a participação de Felipe Corrêa (Organização Anarquista Socialismo Libertário-SP e Pós-graduando pela USP) e Leonardo Santos (Federação Anarquista Gaúcha e Professor de Sociologia pela UFFS).

Acompanhe o evento, com transmissão ao vivo aqui no nosso blog.

Aberto ao público em geral e à comunidade acadêmica, o evento visa promover um amplo debate para discutir conceitos e a relação entre poder, classe dominante e os contornos políticos da presença do Estado.

Local: Mini-Auditório do CFH-UFSC
Data: 16 de março (sexta)
Horário: 18h

Organização: Coletivo Anarquista Bandeira Negra e Laboratório de Sociologia do Trabalho (LASTRO).

Apoio: Estágio Interdisciplinar de Vivência-SC (EIV-SC) e PRAE-UFSC.

Até lá!

[FAG] As mulheres anarquistas na luta de classes: ontem e hoje!!!

Retirado de : http://www.vermelhoenegro.co.cc/2012/03/as-mulheres-anarquistas-na-luta-de.html

Convidamos as companheiras e os companheiros para o bate-papo alusivo ao 8 de março, dia internacional da mulher, sobre a participação e protagonismo das mulheres anarquistas em diversos momentos históricos de luta e resistência das classes oprimidas.

Venha tomar um mate e conversar sobre nossa história!
Viva o 8 de março, classista e combativo!

[FAG] Nota em Resposta e de Repúdio à Zero Hora

Retirado de : http://anarkismo.net/article/22145

Nós da Federação Anarquista Gaúcha viemos a público em resposta a matéria veiculada no jornal Zero Hora de 29/02 sobre a luta pela revogação do aumento das passagens em Porto Alegre.

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Nós da Federação Anarquista Gaúcha viemos a público em resposta a matéria veiculada no jornal Zero Hora de 29/02 sobre a luta pela revogação do aumento das passagens em Porto Alegre. Enquanto participantes, em conjunto com outros coletivos, grupos, entidades sindicais e indivíduos, do movimento que vem se desenvolvendo desde o início de fevereiro, não podemos deixar passar mais uma tentativa de criminalização e difamação do protesto popular por parte deste veículo de “comunicação” do oligopólio da família Sirotsky, sustentado sobre mentiras e inúmeras confusões.

A matéria da ZH joga sujo ao aproveitar-se da participação de alguns partidos políticos no Bloco de Luta por um Transporte Público para associar a luta pela revogação do aumento das passagens com os interesses eleitoreiros de partidos como Psol e Pstu. O que a Zero Hora faz é tentar deslegitimar uma luta que vem sendo construída de forma independente, auto-organizada e unitária ao associar esta a uma suposta “ambição eleitoral dos partidos de extrema esquerda”. As diversas manifestações, desde seu início, tiveram em seu horizonte a revogação do aumento das passagens e a luta por outro modelo de transporte, de fato público, questionando mais um roubo à população de porto alegre por parte das empresas privadas de transporte e do poder “público” municipal.

Outra falácia desse veículo de comunicação da elite gaúcha é questionar a afirmação do movimento de que este não teria líderes ao afirmar que o militante do Movimento Juntos, vinculado ao Psol, Rodolfo Mohr, se destacaria como uma das principais figuras do movimento. Rodolfo Mohr, desde seu início foi apenas mais um participante do Bloco de Luta (e não Comitê tal como fala a ZH) e nunca foi autorizado a se colocar como porta-voz, representante ou dirigente das manifestações. Mais uma vez a tentativa é de associar a construção que até então vem de forma horizontal, coletiva e independente à figura de um dirigente partidário e consequentemente a agenda eleitoral de um ou outro partido. O Bloco de Luta por um Transporte Público não tem dirigentes, sejam estes de partido ou sem partido; possui definições coletivas que nos dão a direção a seguir.

O Bloco de Luta por um Transporte Público foi e continua sendo um movimento aberto à estudantes, trabalhadores, desempregados, sindicalistas, militantes ou não, partidários ou não que tem como objetivo único a revogação do aumento da passagem de Porto Alegre e a ampliação do debate sobre um outro modelo de transporte na cidade, público, gratuito e de qualidade. Nenhum partido ou sindicato está por detrás ou à frente do movimento, pois são apenas participantes subordinados às decisões coletivas das assembléias, assim como todos os demais.

A Federação Anarquista Gaúcha, organização política anarquista, por defender a independência e autonomia do Bloco de Luta pelo Transporte Público, denuncia o oportunismo da Zero Hora e sua tentativa de criminalização da luta, sua má fé tratar o movimento como sendo uma articulação partidária com interesses eleitorais e por cumprir o único papel que é o de fazer parte da estrutura de dominação desinformando e mentindo ao povo.

Seguiremos lutando e denunciando mais um ataque aos que ousam se levantar!
Pela revogação do aumento das passagens, pelo passe livre e na defesa de um transporte público e de qualidade!
Pela força das ruas e com o protagonismo popular, venceremos!

Federação Anarquista Gaúcha

 

[FAO-CAB] Solidariedade às famílias de Canaã!

Retirado de:  http://anarkismo.net/article/22096

Seguiremos de pé e vigilantes para que não ocorra desta vez a mesma injustiça presenciada em Pinheirinho.

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Manifestamos toda a nossa solidariedade às 300 famílias do assentamento Canaã que seguem resistindo pelo direito à moradia em Cuiabá – MT. Na última sexta-feira, dia 10 de fevereiro, desde que foi anunciada a ordem de reintegração de posse os moradores seguem organizados. Nossos companheiros do Rusga Libertária tem dado seu modesto e sincero apoio estando ombro a ombro com os que lutam nesse cotidiano de resistência popular. Seguiremos de pé e vigilantes para que não ocorra desta vez a mesma injustiça presenciada em Pinheirinho.

Afinal de contas, o suposto dono da área de Canaã e a juíza que expediu o mandato de reintegração de posse são os verdadeiros criminosos. De acordo com a própria defensoria pública do Estado do Mato Grosso, na documentação apresentada pelo empresário Armindo Sebba Filho as coordenadas geográficas não condizem com a localização da área. Além disso, a juíza Vandymara Galvão Ramos Paiva Zanolo possui um histórico corrupto ao se envolver no crime de enriquecimento ilícito no caso de contratação de servidor fantasma nos anos de 1996 e 1997.

Diante dos crimes do sistema seguiremos de pé!
Resista Canaã! Toda solidariedade aos que lutam!

Fórum do Anarquismo Organizado

[FARJ] LIBERA #152 (nov-dez 2011) já está disponível em nosso site!

Retirado de: http://anarkismo.net/article/22068

Edição de Novembro / Dezembro de 2011

O novo LIBERA #152 (nov-dez 2011) já está disponível em nosso site!

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Libera #152

Edição de Novembro / Dezembro de 2011

N°152 do informativo da Federação Anarquista do Rio de Janeiro disponível na rede. Nesta edição, um editorial sobre o crescente consumo de venenos presentes nos alimentos e a contaminação dos trabalhadores do campo. O informativo traz também a resenha de um interessante livro lançado recentemente na Espanha, a respeito dos Comitês de Defesa da CNT em Barcelona (1933-1938). Além disso há uma análise crítica da questão da política de saúde indígena no Brasil.

Artigos

  • Veneno no prato do povo
  • Os Comits de Defesa da CNT em Barcelona (1933-1938)
  • Caos na Saúde Indígena: um crime burocrático?
  • Notícias Libertárias

Baixe o LIBERA # 152 no endereço: http://anarquismorj.files.wordpress.com/2012/02/libera_…2.pdf

 

Related Link: http://www.farj.org

 

[FAG] Revogar o aumento das passagens pela Força das Ruas!

Retirado de: http://www.vermelhoenegro.co.cc/2012/02/revogar-o-aumento-das-passagens-pela.html

Já foram 5 atos de rua contra o aumento das passagens e pela sua revogação em Porto Alegre: trancando as vias de circulação e os terminais de ônibus, cantando palavras de ordem e fazendo batucada, panfleteando o porquê de nossa mobilização, escrachando a prefeitura municipal com uma chuva de fruta podre e afirmando na rua que não vamos deixar passar mais um roubo contra nós. A militância estudantil da FAG, ombro a ombro com companheiros(as) da Tendência Estudantil Resistência Popular e outros setores do movimento estudantil, sindical e popular, vem participando das mobilizações de rua e na sua construção, pois apostamos na ação direta e no protagonismo estudantil e popular como as únicas formas de arrancar direitos e de avançar na construção de um povo forte.

O aumento municipal das passagens de Porto Alegre foi aprovado pelo Comtu (Conselho Municipal dos Transportes Urbanos) no início de fevereiro para o valor de R$ 2,88 e por decisão do prefeito José Fortunati foi de R$ 2,70 para R$ 2,85, um reajuste de 5,56%. Desde então vem se construindo atos unitários, marcando presença na rua, exigindo a revogação do aumento e denunciando o lucro das empresas privadas do transporte da cidade com a cumplicidade do poder “público” e sob a desculpa de que os reajustes servem para garantir a qualidade dos serviços prestados e compensar os reajustes salariais dos trabalhadores do transporte “público”. Sabemos que essa luta contra o aumento das passagens, assim como toda a discussão e luta em defesa do transporte público, pela acessibilidade urbana e pelo passe livre não vai ser feito através dos mecanismos oferecidos pela democracia burguesa, através da política profissional e da burocracia municipal e sim através da organização independente daqueles que são cotidianamente afetados pelos aumentos abusivos e pela má qualidade do transporte.Garantir a independência do movimento que vem se constituindo e que ainda continuará dando combate nas ruas; assegurar a participação dos diferentes setores do povo no debate e na construção das mobilizações pela revogação do aumento das passagens e em defesa de um transporte público, de qualidade e não a serviço do mercado e das empresas capitalistas; defender a ação direta como um estilo militante capaz de garantir o protagonismo popular e se contrapor à política e aos políticos e militantes profissionais que se colocam como os únicos capazes de tomar todas as decisões; enfim, forjar na luta um povo forte que arranque mudanças e tome às rédeas de seu próprio destino. É em torno desses objetivos que nos organizamos, no dia a dia e ao lado dos companheiros (as) libertários (as) e de outros setores, para que nesta segunda-feira (27) retomemos o trabalho de base e a mobilização nas escolas de ensino médio para os atos de rua.

Avançar na mobilização e organização popular!
Forjar na luta um povo forte!
Pela força das ruas estamos juntos(as) para barrar esse roubo contra o povo!Federação Anarquista Gaucha

[CABN] Informe do Coletivo Anarquista Bandeira Negra sobre a formação do Núcleo Joinville da organização

Retirado de: http://www.cabn.libertar.org/?p=141

No dia 11 de Fevereiro de 2012, militantes da Organização Dias de Luta, de Joinville/SC, reuniram-se com membros do Coletivo Anarquista Bandeira Negra (CABN), de Florianópolis, com o objetivo de aproximar as duas organizações. Os debates trataram das afinidades existentes em torno do anarquismo organizado de tipo especifista, inserido nas lutas sociais, e a necessidade de um conteúdo programático e organizativo que envolva diferentes cidades do estado de Santa Catarina.

Decidimos então que a Organização Dias de Luta deixa de existir e as duas organizações a partir de então reúnem-se no Coletivo Anarquista Bandeira Negra, que passa a possuir dois Núcleos: Joinville e Florianópolis. O jornal Palavras de Luta passa a ser o informativo do CABN, veículo de propaganda com o objetivo de informar os caminhos das lutas sociais nas duas cidades nucleadas e propagandear as produções teóricas em torno do anarquismo.

Nos próximos meses ampliaremos os debates construtivos ao anarquismo em nossa região, ampliando laços com outras organizações e apoiados em atuações efetivas nos movimentos sociais combativos, fortalecendo suas lutas e buscando sempre a construção de um verdadeiro Poder Popular: construído a partir da base, com democracia direta, horizontalidade, federalismo e autogestão.

Aproveitamos o momento para reafirmarmos os princípios e aproximação político-ideológica ao Fórum do Anarquismo Organizado (FAO) e suas organizações.

Coletivo Anarquista Bandeira Negra

Fevereiro de 2012

[FARJ] Devemos apoiar a greve da polícia?

 O presente texto foi publicado no site de nossos companheiros e companheiras da FARJ. Resolvemos publicá-lo por termos acordo com seu conteúdo.  Fora que  agora, aqui no Paraná, tanto a Polícia Militar quanto a Polícia Civil, ameaçam entrar “em greve”. Vejamos então sua pertinência para a práxis de nossos lutadores:

Devemos apoiar a greve da polícia?

Retirado do site http://www.farj.org/ no dia 16 de fevereiro de 2012.

Federação Anarquista do Rio de Janeiro

A recente greve da polícia militar da Bahia retoma uma discussão antiga no interior do campo das esquerdas. A discussão se orienta, basicamente, no que diz respeito à posição dos trabalhadores em relação à greve policial e o apoio, ou não, a esta “categoria”. Em termos gerais, as posições podem ser dividas em dois blocos[1]. Há os que defendem greve dos policiais por ser esta uma categoria de assalariados e, portanto, de explorados, ou seja, trabalhadores como quaisquer outros, e aqueles que não defendem os policiais, por entenderem que o papel destes vincula-se diretamente à repressão. E aqueles que não defendem a greve por identificarem o papel de repressão social que cabe à polícia no sistema capitalista, ou seja, pertencentes à classe dos opressores e exploradores.

Os grupos que apóiam a greve dos policiais reivindicam principalmente que, dentro das PMs, haveria uma “divisão classista”[2]: um setor mais ligado às classes dominantes (oficialato) e outro, explorado pelo primeiro, composto pelas chamadas baixas patentes (soldados, cabos, sargentos), que por sua condição de explorados, deveriam receber taticamente o apoio das esquerdas “revolucionárias”. Outro argumento, reforçando a tese dos que defendem o apoio à greve dos policiais, é o de que a polícia estaria também em “disputa”. Assim, ignorar a possibilidade de influenciar este setor seria, entre outras coisas, um posicionamento puramente “idealista” para aqueles que desejam a ruptura num processo revolucionário.

Valendo-nos da nossa constituição ideológica libertária, antes de irmos ao campo da teoria, onde nossas análises poderão ser melhor fundamentadas. Lembremos do despejo do Pinheirinho, executado “magistralmente” pela Polícia Militar, cujos setores do baixo oficialato, mesmo “explorados” economicamente, cumpriram eficientemente sua função ao reprimir, espancar e despejar (sem mencionar as denúncias de violência sexual). Recordemo-nos também da atuação da Polícia Militar nos morros cariocas, que mata e assassina nosso povo pobre e negro sob o pretexto do combate ao narcotráfico. Vamos recordar as ações repressivas das Polícias Militares em manifestações estudantis e de trabalhadores, permitindo ao capital seu livre trânsito e reprodução. Sem mencionar, ainda que fosse necessário, a função da polícia na manutenção das desigualdades e na defesa dos exploradores e dominadores de nosso povo. Alguns satisfariam-se com as reflexões feitas até aqui. Acrescentaríamos à estas certezas ideológicas, o reforço da experiência de muitos militantes dos movimentos populares em que estamos inseridos, e que convivem dia a dia com a opressão, o racismo e a repressão dos “trabalhadores” policiais!

Mas é preciso também combater no terreno da teoria, já que determinadas organizações políticas de esquerda, que apóiam a greve policial, responderiam-nos que essa polícia só é desta forma por causa dos que a controlam, e que a tática de apoio à greve policial está inscrita numa estratégia muito mais “ampla” de derrota do capitalismo.

Neste ponto entramos no campo das análises para fundamentarmos melhor as nossas reflexões. Em grande medida, aqueles que defendem o apoio aos policiais o fazem, principalmente, por aplicarem leituras teóricas completamente equivocadas. Comecemos pelo primeiro equívoco que diz respeito ao funcionamento do poder. Entender a instituição policial apenas pela ação daqueles que a controlam é um erro grave de análise que leva a reducionismos. A sociedade capitalista está estruturada  por relações de poder e esferas de dominação, estas últimas interdependentes. Deste modo, não se pode explicar a dominação social exercida pela polícia apenas como um efeito “secundário” da esfera econômica, cuja “natureza” seria modificada apenas com a mudança do sistema capitalista pelo socialista, ou se a instituição fosse gerida por uma “ditadura do proletariado”. Há de se perceber que o socialismo e a liberdade se forjam com novas instituições, novos valores. A natureza da polícia não pode ser compreendida apenas em função de quem a “controla”, tampouco entendê-la exclusivamente a partir dos acordos de “gabinetes” e dos discursos emitidos por sua cúpula. Deve ser compreendida pela ação concreta que teve esta instituição na história: do soldado ao oficial, a polícia sempre esteve a serviço dos exploradores e dominadores e fôra o núcleo duro da reação contra os trabalhadores. Há interdependência desta estrutura repressiva com as outras esferas de dominação (econômica, política, cultural/ideológica, etc). As esferas policial e militar cumprem, deste modo, um papel tão relevante para a manutenção do capitalismo quanto a esfera econômica. Acreditar que a instituição policial (e também o Estado) pode ser “moldada” à vontade de seus gestores é ignorar os processos históricos que nos indicam que:

[…] a classe burguesa tem que remodelar um estado que já vinha antes e que tem suas coisas próprias. A “nova classe” burguesa se adapta à dominação existente, resultando outra conformação do poder político[3].

A esquerda que decide apoiar os “trabalhadores” policiais acredita, ingenuamente, que seja capaz de “moldar” à vontade a esfera militar do sistema de dominação capitalista em seu núcleo mais duro? Garantem, assim, não os caminhos táticos que levariam à desestruturação do sistema, mas com este apoio a polícia acabam reforçando, na população e nos movimentos sociais, a idéia de que essa esfera de dominação jamais deva ser colocada em questão!

Nesse sentido, a lição da Revolução Mexicana traz um elemento teórico fundamental da desintegração da esfera de dominação militar da burguesia: é o povo em armas que põem a polícia numa crise decisiva, e não a própria polícia! A polícia não está em disputa! Um povo forte põem a polícia em crise! Não é a toa que o primeiro golpe contra a esfera militar da burguesia tenha sido dado, não à partir de seu interior, mas surja pela generalização de elementos do poder popular que a colocam francamente em cheque como instituição.

Outra questão é o conceito de classe, extremamente simplista, utilizado pelos grupos que defendem a tese do “trabalhador de farda” ou “trabalhador da segurança”. Ao generalizar um conceito de classe baseado apenas no quesito da exploração econômica e das relações de produção capitalistas, entende-se erroneamente o policial como um “trabalhador explorado”, já que este também é assalariado e, assim, poderia obter uma consciência de classe a partir desta sua condição. Para isto retomemos os anarquistas que aprofundaram com maior complexidade este tema. O policial pode estar inserido em uma condição de assalariado, e até ser “oprimido” no interior de sua estrutura institucional, mas possui uma função vital para a perpetuação do sistema de dominação capitalista, que é a defesa da propriedade privada, além do controle, repressão e extermínio das classes oprimidas e todos aqueles setores da população que buscam se organizar de alguma forma para a a reivindicação de demandas sociais.

Qualquer ideologia que busque a ruptura e a revolução social, e pretenda construir sua teoria de ação eficaz nesse sentido, deve buscar um conceito de classe amplo e que tenha correspondência com a complexidade das sociedades atuais. Num entendimento de que as pessoas se movem não apenas por interesses e demandas materiais e econômicas, ou que todas as esferas sociais não passam de desdobramentos das relações de produção capitalista. Existem demandas culturais, morais, religiosas que os trabalhadores constróem e atribuem sentido socialmente. Assim como existem relações de dominação que extrapolam as relações de produção, como a dominação de gênero, por exemplo. Nenhuma destas relações de dominação exclui o fato de termos de lutar contra a dominação econômica, articulando esta luta com as demais lutas contra a dominação. Isto não significa afirmar que este conceito mais amplo de classe esbarre no vazio intelectual daqueles que insistem em dizer que as “classes não existem”, ou que a realidade modificou-se tão rapidamente, que é impossível dizer o que é uma classe ou que este conceito não dá conta da realidade. À estes lembramos apenas de Pinheirinhos[4], de Oaxaca e mais recentemente, do confronto dos trabalhadores e policiais nos trens do Rio de Janeiro! Não pretendemos cair num subjetivismo estéril, deixemos isso aos charlatães e os candidatos a iconoclastas. O capitalismo continua forte e sabe adaptar-se, se entrecruzando com outras formas de dominação, mas o núcleo duro repressivo (exército e a polícia) é  fundamental para sua manutenção.

Alguém acredita que aqueles que trabalham prazeirosamente dentro da polícia, mesmo nos setores do baixo oficialato o fazem apenas por motivações econômicas?

            Não sejamos levianos ao comparar uma greve policial a uma greve de outras categorias dos trabalhadores e dizer que ambas se equivalem e são a mesma coisa. É preciso ter cuidado com o discurso que diz que todas as categorias, ou mesmo políticas governamentais, dentro de um sistema de dominação se equivalem. Dizer que tudo é equivalente (um professor, um parlamentar, um policial, um juiz), é não ser sincero com os fatos. Não podemos dizer que “tudo se equivale”, pois o que caracteriza o efeito da distribuição desigual do poder, e portanto, também das classes, é, de certo modo, a localização que os agentes ocupam na estrutura dura do sistema de dominação, e os benefícios individuais (não necessariamente econômicos) que estes indivíduos recebem por ocupar essas posições. O apoio a greve da polícia em ano das eleições contra o governo petista da Bahia, a defesa da “polícia” cidadã e da militarização das cidades, são estratégias perigosas, e pouco contribuem a luta pelo socialismo e pela liberdade. A greve policial não pode ser vista além do que realmente é: uma reivindicação que visa o aumento de salário e a melhora de condições para continuar chacinando nosso povo e defender de forma mais eficiente a burguesia e o capital. Ainda que existam “setores explorados” no baixo oficialato, isto não muda em nada a função francamente reacionária do aparato policial contra nós trabalhadores.


[1] Cf. FERREIRA, HEMERSON. A esquerda diante da greve de PMs na Bahia: o que fazer? Disponível em <http://www.diariodaclasse.com.br/forum/topic/show?id=3451330:Topic:59955&xgs=1&xg_source=msg_share_topic&gt; Acessado em 08/02/12.

[2] Idem.

[3] Federação Anarquista Uruguaia-Federação Anarquista Gaúcha. Documento Wellington Gallarza-Malvina Tavares. Impresso em 2011.

[4] Os lumpemproletariados de Pinheirinhos, pela teoria marxista tradicional, deveriam comportar-se como verdadeiros reacionários, já que Marx no Manifesto Comunista, relaciona a posição excluída do lumpemproletariado no sistema de produção com o apoio as camadas mais reacionárias das elites dominantes. Chama-os de “rebotalho” do capitalismo (incluindo também os camponeses). Felizmente os sistemas teóricos vez ou outra são contrariados pela prática e a experiência da classe.

[FAG] Lutando e Criando Poder Popular!

Enquanto a agenda do Fórum Social Mundial é pautada pelos debates oficiais patrocinado pelos governos e pela máfia sindical, na contramão do calendário oficial estamos juntos com outra forma de lutar e de fazer política.

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Enquanto a agenda do Fórum Social Mundial é pautada pelos debates oficiais patrocinado pelos governos e pela máfia sindical, na contramão do calendário oficial estamos juntos com outra forma de lutar e de fazer política.

Nesses últimos dias do mês de janeiro estivemos juntos com os que lutam, construindo um poder dos debaixo através de práticas concretas e não somente em discursos.

Começando pelo fim, a recente ocupação do Palácio da Justiça em Porto Alegre na última terça-feira em memória às famílias de Pinheirinho, indica que “Sempre haverá Resistência” e a ação direta é arma que nós temos pra fazer justiça pra viver.

No dia anterior, a concentração na esquina democrática em repúdio ao massacre de Pinheirinho e o ato no final do dia articulado nacionalmente pelos Comitês Populares da Copa, demonstraram que é sem pedir licença e nem bexiga que devemos lutar e nos organizar com independência pelos nossos direitos.

Valorizando a iniciativa e a autonomia, por fim, saudamos aos companheiros e companheiras que organizaram e participaram do Encontro de Educação Libertária em Sapiranga.

Com modéstia e dedicação, vamos aportando nosso grão de areia às lutas e iniciativas construídas com horizontalidade e independência, pois esses são ingrediente e fermento na estratégia construção do Poder Popular.

Não tá morto quem luta e quem peleia!

Federação Anarquista Gaúcha (FAG)