Arquivo da categoria: Publicações

[CURITIBA] Primeiro Curso de Formação Política do Fórum do Anarquismo Organizado – Região Sul

Primeiro Curso de Formação Política do Fórum do Anarquismo Organizado – Região Sul

Reuniram-se em Curitiba, entre 23 e 24 de julho de 2011 algumas organizações especifistas do anarquismo brasileiro e também individualidades com afinidades com essa proposta para uma formação do Fórum do Anarquismo Organizado (FAO), conduzida pela Federação Anarquista Gaúcha (FAG) e organizada pelo Coletivo Anarquista Luta de Classes (CALC), de Curitiba. Além da FAG e do CALC, estiveram presentes as seguintes organizações: Federação Anarquista do Rio de Janeiro (FARJ), Organização Anarquista Socialismo Libertário (OASL), de São Paulo, Organização Dias de Luta, de Joinville, além de individualidades de Florianópolis e de outras regiões do sul/sudeste do Brasil com afinidade com a proposta do anarquismo especifista.

militanciaa.jpg

Primeiro Curso de Formação Política do Fórum do Anarquismo Organizado – Região Sul

Curitiba 23-24 de julho de 2011

FORMAÇÃO REGIONAL DO FAO EM CURITIBA

Reuniram-se em Curitiba, entre 23 e 24 de julho de 2011 algumas organizações especifistas do anarquismo brasileiro e também individualidades com afinidades com essa proposta para uma formação do Fórum do Anarquismo Organizado (FAO), conduzida pela Federação Anarquista Gaúcha (FAG) e organizada pelo Coletivo Anarquista Luta de Classes (CALC), de Curitiba. Além da FAG e do CALC, estiveram presentes as seguintes organizações: Federação Anarquista do Rio de Janeiro (FARJ), Organização Anarquista Socialismo Libertário (OASL), de São Paulo, Organização Dias de Luta, de Joinville, além de individualidades de Florianópolis e de outras regiões do sul/sudeste do Brasil com afinidade com a proposta do anarquismo especifista.

Marcado pelo clima de solidariedade e pela calorosa recepção, todos os presentes puderam discutir durante dois dias distintos temas em torno do anarquismo que, por meio da dinâmica adotada, puderam apreender e debater significativamente, o que certamente acrescenta muito ao processo nacional brasileiro que o FAO vem buscando impulsionar desde 2002 quando foi fundado.

A formação teve uma agenda densa, com distintos temas que tinham por objetivo fortalecer teoricamente o conjunto da militância. Foi trabalhada em cinco eixos fundamentais: A formação política da corrente libertária (uma leitura do anarquismo), história social de processos revolucionários com participação anarquista, teoria da organização política anarquista, marco teórico e categorias de análise (método de análise) e via estratégica e poder popular. O eixo propaganda de intervenção foi tratado apenas brevemente.

Descrevemos muito sinteticamente os temas tratados para dar uma idéia ao leitor do conteúdo da formação.

Vale reforçar que a formação foi ministrada pela FAG e que, por isso, o conteúdo reflete a sua elaboração teórica, que tem muitas similaridades e algumas diferenças em relação a outras organizações que compõem o FAO. Nesse sentido, todo o conteúdo é de sua responsabilidade e queremos que ele contribua para o debate e o fortalecimento de nossa corrente.

Temos todo interesse de fortalecer o processo organizativo nas regiões e – no caso específico dessa formação conduzida pela FAG – de impulsionar, além do próprio Rio Grande do Sul, os estados de Santa Catarina, Paraná. Havendo interesse de aproximação nessas regiões, não deixe de nos escrever. Outras organizações do Brasil encarregam-se no momento de outras regiões; por isso, se houver interesse de militantes de outras regiões, entre em contato e daremos o encaminhamento necessário. Pedimos aos interessados que entrem em contato pelo e-mail fagsorg@riseup.net.

A FORMAÇÃO POLÍTICA DA CORRENTE LIBERTÁRIA (UMA LEITURA DO ANARQUISMO)
“Nós, os socialistas-anarquistas, existimos como partido separado,
como programa substancialmente constante, desde 1868,
quando Bakunin fundou a Aliança; e fomos nós os
fundadores e a alma do rumo antiautoritário da
‘Associação Internacional dos Trabalhadores’”
Errico Malatesta

Nesse tema, buscaram-se respostas às questões: O que é o anarquismo? Quando ele surgiu? Quais são suas principais correntes estratégicas-táticas?.

Contrapôs-se a definição do anarquismo como um fenômeno ahistórico, que o inscreve no campo das práticas e discursos de uma ética humanista e libertária, independente das condições sociais e históricas. Afirmou-se, distintamente, que foi na segunda metade do século XIX, quando o capitalismo industrial se desenvolvia na Europa e as primeiras grandes lutas da classe operária tinham lugar, que a ideologia anarquista nasceu e ganhou expressão em práticas políticas de oposição ao socialismo legalista, estatista ou reformista. O anarquismo é a corrente libertária do socialismo, forjada historicamente na luta de classes como crítica, proposta e ação revolucionária.

O anarquismo ganhou variantes estratégicas na sua dinâmica, agregou elementos de discurso para pensar novas circunstâncias histórico-concretas e incorporou/desenvolveu modos específicos de organizar e expressar o socialismo e a liberdade nos conflitos sociais segundo seu tempo e lugar. É a referência histórica de um tronco de princípios e fundamentos que marcam a continuidade dessa tradição revolucionária na luta contra o capitalismo e os modelos de dominação.

O desenvolvimento de suas principais correntes estratégicas-táticas se deu por algumas escolas, organizações e por alguns autores do campo popular e socialista: o mutualismo operário e o socialismo de P.-J. Proudhon; Bakunin, a Aliança da Democracia Socialista e sua atuação na Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT ou Primeira Internacional); o comunismo anarquista de Kropotkin e Malatesta; a propaganda pelo fato e o “individualismo tático” (não confundir com o individualismo de matriz individualista como o de Godwin, Stirner etc.); o sindicalismo revolucionário e o anarco-sindicalismo.

HISTÓRIA SOCIAL DE PROCESSOS REVOLUCIONÁRIOS COM PARTICIPAÇÃO ANARQUISTA

Os anarquistas têm protagonismo numa rica história social em que a guerra social, a revolução e o projeto constituíram lutas libertárias contra a ordem burguesa. A formação teve por objetivo a discussão, com alguma profundidade sobre alguns desses episódios da história social: Primeira Internacional, Comuna de Paris, o sindicalismo revolucionário no Brasil, Revolução Mexicana, Revolução Russa e Revolução Espanhola.

O espírito que permeou a discussão era o seguinte: buscar compreender os principais fatos do episódio revolucionário, avaliando quais foram seus aspectos positivos e negativos. Em suma, buscar aprender com esses processos e tirar deles lições que poderiam fortalecer as posições anarquistas em todos os sentidos e evitar que se cometam erros similares aos que foram cometidos no passado. Pontua-se abaixo alguns aspectos desses processos.

Primeira Internacional
A Associação Internacional dos Trabalhadores é a organização histórica do movimento operário revolucionário fundada em 1864 por inspiração do mutualismo proudhoniano e dos sindicalistas ingleses. A experiência dos internacionais dura até 1872, quando Bakunin, J. Guillaume, companheiros da ala federalista, são expulsos por um congresso fraudulento formado por uma maioria de aliados de Marx. As posições da ala federalista na Primeira Internacional lança as bases do que viria a se chamar sindicalismo revolucionário: solidariedade operária, independência de classe, táticas de ação direta.

Comuna de Paris
Uma insurreição popular toma conta da cidade de Paris, com apoio da Guarda Nacional e expulsa as autoridades. A Comuna de Paris é criada em 18 de março de 1871. A Comuna era constituída pelo comitê central de uma federação de delegados de bairro, com mandatos revogáveis e remuneração igual a dos operários. Louise Michel foi uma ativa militante da Comuna, junto de outros, tornando-se anarquista durante o processo de luta.

Sindicalismo revolucionário e luta libertária no Brasil
No Brasil, a atuação anarquista vai se dar, sobretudo, no impulso e na organização dos primeiros sindicatos de resistência e em grupos para a propaganda e a articulação na luta operária. Com o anarquismo, o movimento operário ganha definição classista, táticas de greve, sabotagem, forma uma cultura de resistência com imprensa, escolas, teatro. É realizado o Primeiro Congresso Operário Brasileiro, em 1906, de orientação sindicalista revolucionária, que funda a Confederação Operária Brasileira (COB). Lutas contra a carestia de vida, greves por redução de jornada, baixos salários, direitos sociais são heranças dessa época.

Magonistas e zapatistas na Revolução Mexicana
Em confronto com a ditadura do governo oligárquico de Porfírio Diaz, o latifúndio e os capitalistas estrangeiros, é desatada a revolução em 20 de novembro de 1910, tendo como precursora as agitações do Partido Liberal Mexicano (PLM). As forças liberais burguesas ocuparam a cena dos acontecimentos para chegar ao poder por uma revolução política. Uma disputa violenta entre coalizões e partidos se sucedeu até 1920. Os anarquistas do PLM e Ricardo F. Magón lançaram sua guerrilha do norte por uma revolução social. O exército camponês de Emiliano Zapata lutou por uma reforma agrária radical e fez do Estado de Morelos ao sul uma zona de municipalismo autônomo zapatista.

Revolução Russa e o poder dos sovietes
Pelo fim da guerra, contra a fome e a miséria que dilacerava o povo se levantou a luta revolucionária contra o Império dos czares russo. Em outubro de 1917 a revolução socialista colocou as fábricas na mão dos operários, deu a terra aos camponeses e liquidou os restos do sistema feudal. Socialistas e anarquistas faziam frente única até a que o partido comunista monopoliza o poder estatal e a sua burocracia usurpa o poder dos sovietes. O exército makhnovista da Ucrânia e os marinheiros de Kronstadt defendem até a morte os sovietes como órgãos de poder popular revolucionário.

Guerra e Revolução Espanhola
Quando as tropas reacionárias do general Franco se sublevam em 18 de julho de 1936 colidem imediata-mente com a radicalização do proletariado. Se abre uma guerra em toda a Espanha que para os anarquistas será a vez de aplicar seus planos de revolução social. O anarquismo mobilizava a maior força social de todo o país. Tinha na Confederación Nacional del Trabajo (CNT) cerca de 2 milhões de trabalhadores organizados pelo anarco-sindicalismo. A revolução espanhola fez coletivizações agrícolas no campo e socialização de cadeias produtivas na indústria e serviços públicos.

TEORIA DA ORGANIZAÇÃO POLÍTICA ANARQUISTA
“Possuir a capacidade política é ter consciência de si
como membro de uma coletividade,
afirmar a idéia que daí resulta e perseguir sua realização.”
P.-J. Proudhon

“O anarquismo é o viajante que toma as ruas da história
e luta com os homens tais como são e constrói
com as pedras que lhe proporciona sua época.”
Camillo Berneri

A tema da teoria da organização política foi tratado a partir de cinco eixos principais: prática política, organização específica, estratégia e tática, ação de massas e luta avançada. Serão pontuados alguns aspectos em relação aos eixos.

Prática política
A teoria aponta para a elaboração de conceitos e de um método para pensar e conhecer rigorosamente a realidade social e histórica. A análise profunda e rigorosa de uma situação concreta será um trabalho teórico o mais científico possível. A ideologia é composta de elementos de natureza não científica, que contribuem para dinamizar a ação. A expressão de motivações, a proposta de objetivos, de aspirações, de metas ideais, isso pertence ao campo da ideologia. Uma prática política eficaz exige o conhecimento da realidade (teoria), a postulação harmônica com ela de valores objetivos de transformação (ideologia) e meios políticos concretos para conquistá-la (prática política).

Organização específica anarquista
Para distinguir seu programa e não diluir sua bandeira na massa das forças sociais os anarquistas formam uma organização específica para a prática política. Por suas finalidades revolucionárias, a organização só reúne uma minoria ativa para poder atuar na luta pública e fora dela. A organização é uma federação de militantes com unidade ideológica e estratégico-tática, com democracia interna e uma disciplina consciente para suas realizações. O anarquismo organizado não substitui nem representa as organizações sindicais e populares. Dentro dessa concepção, não é um partido para tomar o poder, mas para ajudar a desenvolver capacidade política nas massas para construir poder popular.

Estratégia e tática
A atividade de uma organização política supõe uma previsão do devir possível dos acontecimentos durante um lapso mais ou menos prolongado, previsão que inclui a linha de ação a adotar pela organização frente a esses acontecimentos de maneira a influir sobre eles no sentido mais eficaz e adequado. Uma linha estratégica é, habitualmente, válida enquanto perdura a situação geral a qual corresponde. As opções táticas, na medida em que respondem a problemas mais precisos, concretos e imediatos, podem ser mais variadas, mais flexíveis. Sem dúvida não podem estar em contradição com a estratégia.

Ação de massas
A organização das forças populares, dos movimentos e organizações das classes oprimidas é parte fundamental da estratégia anarquista. Estar organizado socialmente e inserido nas lutas é um critério para atuar como força política. A classe trabalhadora e os movimentos sociais devem se organizar com independência de governos, partidos e patrões. A luta de massas é um espaço para fazer unidade em defesa dos interesses de classe. O anarquismo deve atuar como fermento moral e intelectual, levando seus métodos de luta e organização como um anticorpo de luta permanente contra a burocracia, o centralismo autoritário e a colaboracionismo. O lugar das ideologias na frente social não é o de protagonismo imediato, de partidarização, mas circulação de idéias, métodos e valores a partir das situações concretas que formam as experiências da luta.

Luta avançada
O problema da violência, como categoria da política, é fundamental num processo revolucionário que procure abater as estruturas de poder do capitalismo. A luta avançada é uma parte decisiva da prática política de uma organização revolucionária que atua também, com uma estratégia articulada e global, no nível das lutas populares. A luta revolucionária por objetivos socialistas deve contar com o protagonismo de um setor importante das massas e por isso não dispensa o trabalho político e ideológico no interior dos seus movimentos. A organização de uma força militante como elemento de choque e recurso técnico prévio da radicalização das lutas contra o poder burguês é uma exigência para uma estratégia vitoriosa de revolução social.

MARCO TEÓRICO E CATEGORIAS DE ANÁLISE (MÉTODO DE ANÁLISE)

Para o trabalho de análise, com a utilização de um método determinado, houve a necessidade de distinguir, como colocado, as categorias de ideologia e estratégia. A formação pontuou: O socialismo é uma aspiração, uma esperança dos povos e das classes oprimidas (ideologia). Mas precisa ter sua elaboração teórica, vinculada ao terreno do saber, dos estudos e da análise social rigorosa (teoria). Isso implica, portanto, ter claro quais são os elementos mais fixos que constituem a ideologia, e quais são os elementos teóricos, que funcionarão como uma caixa de ferramentas e que terão por objetivo proporcionar elementos para que se possa conhecer; nesse sentido, as ferramentas teóricas não têm, necessariamente, de ser anarquistas, ainda que se deva ter em conta a relação entre ideologia e teoria, ferramentas que devem proporcionar elementos para uma compreensão adequada do sistema, das formações sociais, da conjuntura. Nesse sentido, a teoria busca conhecer e a ideologia transformar.

Capitalismo como sistema de dominação
O capitalismo é um sistema. Sistema é um conceito para discernir o “núcleo duro”, a configuração dos elementos constitutivos que fundam e dão sentido a uma totalidade social. O capitalismo constitui um sistema de dominação que tem por constituição fundamental alguns elementos: Propriedade privada; exploração; disciplinamento dos corpos; a modalidade de representação, administração e justiça; um sistema coercitivo e repressivo; a existência de classes sociais; exclusão social. Esse sistema de dominação está formado por uma estrutura global formada por distintas esferas, entre elas: estrutura econômica; estrutura política-jurídica-militar; estrutura ideológica-cultural (idéias, representações, comportamentos, modo de informação, tecnologias de poder a ela unidas). Estrutura é o conjunto de elementos de uma organização social e suas relações, presentes no sistema de dominação. O capitalismo, concebido globalmente como sistema de dominação, possui agentes que impulsionam essa dominação em todas as esferas. Por exemplo: Política: organizações internacionais (FMI, Banco Mundial, OMC, União Européia, OTAN, etc); Economia: empresas transnacionais, bancos; Ideológico: conglomerados de mídia.

Interdependência das esferas
O método apresentado na formação baseia-se na interdependência das esferas e, portanto, entende o sistema como um todo no qual uma esfera influencia, sustenta e torna as outras dependentes. O sistema de dominação (capitalismo) é constituído por uma estrutura global formada por distintas esferas, estrutura esta que não têm determinação outra a não ser a interdependência. As distintas esferas da estrutura tem autonomia relativa, com elementos específicos que constituem no seu interior outras esferas menores. A dominância de uma estrutura sobre a outra não se estabelece a priori, é produto das análises respectivas. O sistema de dominação é dinâmico e atravessa várias etapas históricas mantendo elementos estruturais que o reproduzem de distintas maneiras.

Poder, dominação, resistência e as distintas esferas da sociedade
A estruturação da sociedade está baseada em última análise nas relações de poder e dominação, relações fundamentais que atravessam todas as esferas e configuram modos de articulação da estrutura global com seu característico núcleo duro. O poder circula por todo o corpo social, pelas diferentes esferas estruturadas. Vale dizer por todas as relações sociais. O poder está nas relações sociais, nos diferentes campos das relações sociais e o aparelho de Estado estaria contendo com toda sua dimensão, circulando pelo seu interior,certa síntese de poder dominante. Sendo assim, o poder não reside nas estruturas nem nas instituições, mas no campo das relações sociais. E não somente no político, mas também no econômico, ideológico, jurídico e todas as instituições do sistema. Teríamos assim poder no econômico, jurídico-político-militar, ideológico-cultural. Nesse sentido, há resistências nas distintas esferas que podem ser maiores ou menores, mais ou menos ameaçadoras ao sistema de dominação.

Poder e Estado
As instituições, os aparelhos, as estruturas não são amorfas, estão sempre penetradas pelo poder. Articulada a estrutura de produção, por exemplo, está o poder, as classes e as lutas. O aparelho de Estado contém certa síntese de poder dominante que circula no seu interior. Não se pode definir o Estado como o conjunto da sociedade e nem equiparar Estado e poder. O Estado é o lugar de “condensação” de diversos poderes, um lugar específico que tem sua própria “autonomia relativa” e que é capaz de manter e reproduzir privilégios de diferentes ordens. Sua dinâmica é centralizadora, apta só para dominação, sua função é repressora e controladora. Os conceitos básicos para o Estado o definem como monopólio da força repressiva organizada, da “justiça”, estrutura de privilégios, centralizadora, anuladora do que não controla.

Formações sociais e conjuntura
As formações sociais concretas são o campo da análise descritiva de sociedades históricas onde o sistema de dominação tem determinação em estado prático. O grupo de acontecimentos que marcam um momento específico das formações sociais e suas estruturas fundamentais formam a conjuntura.

Ideologia e sujeito
Determinados momentos históricos produzem com peso um conjunto articulado de idéias, representações, noções no interior do imaginário dos distintos sujeitos sociais. Um conjunto articulado de caráter imaginário, que toma a forma de “certezas” defendidas pelos mesmos sujeitos sociais. Isto é o que pode transformar estes sujeitos em protagonistas de sua própria história ou em sujeitos passivos e/ou disciplinados pelas forças dominantes. Isto é o que chamamos de ideologia (não confundir a ideologia da sociedade que se fala aqui com a ideologia anarquista, tratada anteriormente). Ideologia não é falsa consciência. O sujeito real não está representado na figura do “eu”, na consciência, mas é constituído na estrutura do inconsciente, isto é, nas formações ideológicas em que ele se reconhece. O que o sujeito vive e como vive cotidianamente, historicamente, no marco de determinados dispositivos, seria o elemento principal de mudança de sua consciência. É construindo força social e tomando ativa participação nela que se podem formar embriões da nova civilização ou do “homem novo”, de outro sujeito. Digamos que este é o tema de como se transforma a consciência, para usar a linguagem clássica. Pelo que tem se visto a economia por si não transforma a consciência. O que o sujeito vive e como vive cotidianamente, historicamente, no marco de determinados dispositivos, seria o elemento principal de mudança de sua consciência. O que está no centro da história não é o homem, mas as lutas de poder e economia. Os fazedores de história seriam especialmente classes (grandes coletivos) operando como forças sociais.

VIA ESTRATÉGICA E PODER POPULAR
“O socialismo sem liberdade é a escravidão e a brutalidade;
a liberdade sem socialismo é a injustiça e o privilégio.”
Mikhail Bakunin

O anarquismo postula no processo de lutas uma ruptura revolucionária com a ordem porque é condição para fazer um caminho de construção final de uma sociedade socialista e libertária. O processo revolucionário, na mesma medida que desarticula as estruturas de dominação, abre caminhos para a construção do poder popular, concebido como o poder revolucionário protagonizado pelas organizações populares. Onde o político e o social adquirem uma nova articulação que o assegure. A viabilidade desta concepção do poder popular está vinculada com uma definição determinada da ruptura revolucionária. Dela dependem tanto o curso que possa seguir o processo revolucionário como as características concretas do confronto com as forças repressivas do Estado. Vamos conceber a ruptura nos termos de uma insurreição popular. Essa opção implica uma maior, mais ampla e mais decisiva participação das organizações populares. A construção do poder popular requer a preparação das organizações populares destinadas ao seu exercício. Não se trata de dar o nome de “poder popular” as velhas e conhecidas formas de ação política e representação que excluem o povo de toda instância de decisão fundamental. Criar ou recriar, fortalecer e consolidar as organizações operárias e populares e defender seu protagonismo é ir fecundando, passo a passo, um socialismo com liberdade. Importa muito como se orienta e concretiza o trabalho político e social permanentemente. É próprio da estrutura política especial do Estado a separação entre sociedade e poder, povo e política, sua reprodução institucional e pelo discurso de uma autoridade superior atribuída de impessoalidade que regula a vida social. Uma estratégia de poder popular deve levar em conta a necessidade uma nova estruturação político-social que descanse no protagonismo das organizações populares e articule o poder em torno da participação das bases nas decisões fundamentais do processo político da sociedade. A revolução que queremos é uma revolução socialista e libertária, portanto delimita desde o princípio amigos e inimigos. Uma revolução anticapitalista e antiautoritária aponta inconfundivelmente ao desaparecimento das relações de dominação e, assim, contra a sobrevivência de todas as classes e camadas dominantes. É uma revolução que pretende o desaparecimento da burguesia como classe, o desaparecimento de latifundiários e capitalistas, castas militares e hierarquias estatais. A revolução socialista e libertária só pode encontrar combatentes nas classes oprimidas. A frente de classes oprimidas a que nos referimos se constitui como uma rede de relações permanente, ligada programaticamente, da multiplicidade de organizações de base capazes de expressar na luta os interesses imediatos destes setores sociais e de desenvolvê-los e aprofundá-los no sentido de metas e orientações do tipo transformador e socialista.

A CONSTRUÇÃO DO ANARQUISMO DE BASE ESPECIFISTA NO BRASIL

A formação realizada em Curitiba, conforme avaliação do FAO, foi uma experiência muito relevante. Realizada pela FAG anteriormente para seu conjunto de militantes, pôde ser aperfeiçoada e estendida a um coletivo mais amplo. Essa atividade de formação evidenciou a necessidade de construção de um material próprio de formação, capaz de potencializar aquilo que se convencionou chamar de anarquismo especifista no Brasil.

O momento parece bastante propício. O FAO constitui um espaço de debate e articulação entre organizações, grupos e indivíduos anarquistas que trabalham ou têm a intenção de trabalhar utilizando como base os princípios e a estratégia do anarquismo especifista. O objetivo maior do FAO é criar as condições para a construção de uma verdadeira organização anarquista no Brasil, de caráter especifista. Tarefa que sabemos não ser de curto prazo, mas que precisa ser iniciada desde já. Fazem parte do FAO hoje, cinco organizações pelo Brasil: Federação Anarquista Gaúcha (FAG), do Rio Grande do Sul; Coletivo Anarquista Zumbi dos Palmares (CAZP), de Alagoas; Rusga Libertária, do Mato Grosso; Federação Anarquista do Rio de Janeiro (FARJ), do Rio de Janeiro e a Organização Anarquista Socialismo Libertário (OASL), de São Paulo. Encontram-se em processo de aproximação organizações e grupos dos seguintes estados: Santa Catarina, Paraná, Ceará, Pernambuco, além de individualidades em outros estados. Portanto, esse momento tão importante para o anarquismo especifista que avança lutando e organizando, forjando as bases para uma unidade que permita constituir uma organização nacional.

Temos abertamente a intenção de fortalecer os estados em que estamos presentes e de conseguir aproximar a militância de outros estados, afim de fortalecer esse processo organizativo. Se você se interessa pelas nossas propostas, não deixe de entrar em contato!

Não tá morto quem peleia!
Arriba los que luchan!

Militância envolvida no Primeiro Curso de Formação Política da Região Sul
Fórum do Anarquismo Organizado – Brasil

http://www.vermelhoenegro.org

Declaração de Princípios e Intenções (FAO)
http://www.anarkismo.net/article/17346

Julho de 2011

formacaoa.jpg

Declaração Final das Jornadas Anarquistas 2011

Jornadas Anarquistas

Janeiro 2011

São Paulo

Declaração Final

Durante os dias 25 e 26 de janeiro de 2011, na cidade de São 
Paulo, se realizaram as Jornadas Anarquistas, convocadas pela
Federação Anarquista Uruguaia (FAU) e o Fórumdo Anarquismo
Organizado do Brasil (FAO). 
A realização destas Jornadas tem por objetivo o 
desenvolvimento do anarquismo especifista na América
Latina, visando o intercâmbio e a coordenação das organizações
políticas anarquistas que se inserem nesta corrente. O debate 
se coloca sobre temas comuns a todas essas organizações, em
relação aos quais se vem trabalhando e contribuindo a partir de
cada lugar, a partir das lutas cotidianas, a partir das criações
e recriações que surgem da análise de elementos que entendemos 
ser estratégicos para a construção do socialismo libertário em 
nosso continente: o Poder Popular e o Federalismo Libertário.
Isso é uma necessidade, porque acontece hoje, fruto de um 
processo histórico, um desenvolvimento importante de nossa 
corrente do anarquismo, assim como uma construção teórica e
política concreta.Esta construção faz com que essas organizações
de vários países busquem confluir em um âmbito de comunhão ao
qual todas elas aderem.

O Poder Popular como elemento estratégico

“Nunca cessarão de existir as esperanças e os sonhos de
emancipação dos povos; a experiência social cria novos
conceitos de justiça e de liberdade que nada tem a ver com
as construções perversas que são propagadas por um sistema
que as confunde com rapinagem e opressão.” Desta forma, 
começa o debate sobre a construção de uma estratégia de ruptura
e sobre o desenvolvimento das forças de intenção revolucionária.
Este debate tem toda relação com o tema do Poder Popular. 
Porque para nós, esse tema é amplo e trazcontribuições 
significativas para todo o conjunto estratégico que vai desde
as análises da realidade,os objetivos que pretendemos atingir
e os caminhos estratégicos.Por que falamos de poder? Para nós,
o poder se dá para além do Estado. O poder circula por toda a
sociedade e, por isso, há poder nas diferentes esferas da 
economia, da política e da cultura/ideologia.O poder existe em
todas as relações sociais que envolvem um conflito e pode ou 
não se constituir em relações de dominação e exploração.A partir
desta noção ampla de poder, podemos afirmar que não é possível 
tomar o poder de assalto, já que ele está capilarizado e corre por
todas as veias da sociedade. Do nosso ponto de vista, não há 
determinação de uma esfera sobre a outra que possa ser prevista
a priori e, portanto, não acreditamos na determinação econômica que
é conhecido, no socialismo, como o esquema de infra e superestrutura.
O poder, portanto, envolve as relações de força e as disputas que 
estão presentes em toda a sociedade e que constituem as bases do que 
chamamos política. Neste sentido, a sociedade atual é o resultado de
determinadas correlações de forças em que umas superam outras e as 
coisas vão se conformando. Hoje, o resultado deste sistema de forças
implica poder, mas também dominação, exploração e opressão.Para nós,
as classes oprimidas devem criar um projeto de poder. Um projeto de
poder que possa se opor e fazer frente às classes dominantes, e que
também possa ser criado e construído por meio das lutas cotidianas.
Falar de “popular” significa dotar o projeto de poder de um caráter
eminentemente classista, ainda que devamos destacar que falamos de
poder a partir de uma perspectiva libertária. Um projeto dos 
oprimidos e oprimidas que se dá a partir dos movimentos 
populares e que faz um acúmulo de força social necessária
para um longo enfrentamento, de passos firmes, fortes, bem
marcados, algo que consideramos necessário do ponto de vista
ideológico.Para nós, o socialismo é uma ideologia e não uma 
ciência. O socialismo surgiu como expressão ideológica dos
movimentos sociais populares em luta, e desde de seus primeiros
momentos, contou com aspirações, desejos, indignação, rebeldia,
paixões, amores e outros sentimentos que não podem ser comprovados
cientificamente. Assim, o socialismo só pode constituir-se como 
este conjunto de elementos que apontam para a geração de uma 
prática política no sentido transformador, de intervenção 
sobre nossa realidade. E, portanto, ideologia implica teoria e prática.
Compreendemos a teoria como uma caixa de ferramentas que nos permite
interpretar a realidade e os fatos. Entretanto, como afirmamos, sabemos
que as contribuições teóricas devem ter rigor, devem buscar entender
a vida e não encaixá-la em nossas certezas ideológicas. A teoria 
deve ser flexível e possibilitar elementos para nossa prática 
política. A prática, claramente, também enriquece essa teoria.
Classe e sujeito revolucionário
Nosso classismo se baseia nos diferentes sujeitos oprimidos,
independente de onde estejam. Consideramos que um projeto de
classe deve ser construído por todo o povo, e por povo 
compreendemos este conjunto de classes oprimidas que contém
trabalhadores da cidade e do campo, assalariados e desempregados,
e todos aqueles e aquelas que sofrem opressões de gênero, de 
raça, de etnia, de sexualidade, por este sistema de dominação
que é o capitalismo.Assim, o sujeito revolucionário não está
dado a priori, nem é possível ser conhecido de antemão.Acreditamos
que o sujeito revolucionário é resultado dos processos históricos
e sociais, das lutas dos movimentos populares, e só pode ser 
forjado na luta e a partir do processo em que se vai criando 
identidade de classe.Nossa concepção de Poder Popular implica
uma noção básica de que são os objetivos que conformam a 
estratégia, e que é a estratégia que condiciona a tática.
Nosso objetivo finalista é o socialismo libertário e nossa
prática é de intenção revolucionária. O projeto de Poder 
Popular deve, necessariamente, contribuir com a revolução
para abolir a sociedade de classes.
Para promover o protagonismo nas bases dos movimentos, para
criar um povo forte, é fundamental que tenhamos em mente um
plano, um programa determinado a ser proposto e desenvolvido
nestes movimentos. Nos parecem elementos centrais neste programa
não circunscrever ou submeter os movimentos a qualquer ideologia.
É importante sustentar que sejam os mais fortes e que se unam por
meio da solidariedade da prática e das ações reivindicativas, ao 
mesmo tempo, garantindo a independência de classe para que não 
sejam subordinados aos partidos, ao Estado, às empresas e a 
outros inimigos de classe; ou mesmo aqueles que, apesar de
demonstrarem certa afinidade na luta de classes, atuam como
vanguarda dos processos de luta. Parece fundamental, também,
que os mecanismos de democracia direta sejam responsáveis 
pelas decisões tomadas a partir das bases dos movimentos,
incluindo todos e todas e criando ambientes coletivos e 
autogestionários. Os meios, portanto, devem estar de 
acordo com os fins que defendemos.A história vem 
demonstrando que o capitalismo não caminha para 
sua própria destruição. Não podemos, assim,esperar que 
“se suicide”. Acreditamos que é apenas por meio da vontade
e das práticas libertadoras que as classes oprimidas poderão
oferecer uma possibilidade de resistência, de enfrentamento 
e de construção do socialismo. O capitalismo não traz o 
germe do socialismo e, ainda que ele deva começar a ser 
criado dentro da sociedade capitalista, ele só se realiza de
fato por meio de um processo de ruptura revolucionária. Tal
processo de construção deve se dar no seio das lutas sociais
cotidianas, que acumulam força para nosso projeto de Poder
Popular.É uma questão de se construir os novos sujeitos históricos,
de promover nosso projeto no seio das lutas e de criar um povo forte.
Trata-se, então, da reconstrução do tecido social, das relações 
sociais e também de uma outra cultura, que permitirá, junto
com elementos econômicos e políticos, forjar novos sujeitos
capazes de conhecer a si, aos outros e à realidade.
Fundamentalmente capazes de construir e de fortalecer
os movimentos populares, tomando suas decisões,
compartilhando com os outros, capacitando-se, 
estimulando o fortalecimento de outras pessoas no todo da
sociedade, com autonomia e não dependentes.

Federalismo Libertário
O federalismo tem sido uma forma organizativa, um modelo,
um conceito que compreende a vida social e política do
anarquismo ao longo da história. Ele se corresponde com
a incorporação e com a adequação de suas forças para a
resistência no embate com o capitalismo, com a conjunção
daqueles que confluem em pensamento até a ideologia 
libertária e, também, como prática para poder projetar,
imaginar e criar uma ofensiva contra o capitalismo que 
construa a sociedade que queremos: uma nova civilização.
É por isso que o federalismo não deve ser compreendido 
como um modelo legítimo por si só. Ele deve ser libertário
e, neste sentido, a constituição ideológica que ele contiver
será um elemento determinante no desenvolvimento de suas
forças de transformação.Esta constituição ideológica 
determina as práticas que serão geradas, alheias ao autoritarismo,
ao vanguardismo e com uma dinâmica de discussões “de baixo para
cima”, oposta ao centralismo e ao unitarismo.Desta forma, o
“para cima” deve ser compreendido como uma construção, por 
meio da democracia direta, delegando-se a partir da base e,
quando em sua presença, suas funções se encerram.Não se
trata de um abaixo submisso, não se trata de uma 
hierarquização numa relação verticalizada, mas de uma
articulação dinâmica e funcional dos anarquistas a partir
dos diversos espaços em que a organização política projeta
sua ideologia. Estes espaços específicos se constroem e 
se constituem a partir das frentesde luta popular em núcleos
ou grupos de base, organizados para melhores interpretações
e abordagens da realidade vivida por cada espaço, em uma
concepção organizativa de conjunto e a partir da organização
política anarquista.Este conjunto, esta integralidade, deve ser
vasta e diversa, segundo se desenvolva a luta nos diferentes 
espaços de inserção. É necessário reconhecer, na globalidade,
que não há “uma só luta” transcendental, acima das outras, 
ue apague e diminua a importância das demais. Estas lutas 
devem ser compartilhadas no interior da organização.Comunicar
e ensinar as práticas políticas de diversas frentes de luta 
que provenham de outro meio específico de militância.
Enriquecer, por meio destas práticas, a análise política da
realidade, a elaboração teórica, a solidariedade de classe,
tão necessária e demandada nestes tempos.O federalismo libertário
deve potencializar a ação específica e enquanto conjunto da 
organização. A isto chamamos federalismo dinâmico, o qual serve
aos propósitos estabelecidos. É aquele que, no marco de uma linha
estratégica geral, de ruptura revolucionária, alimenta o avanço 
da resistência ao capitalismo, bem como a projeção de um mundo novo.
Em função do que foi dito, este modelo, esta forma organizativa, 
deve integrar-se num organograma que tem origem na base, com
respeito às posições minoritárias, mas construindo uma forma
de corpo, com acordos integrados que delineiem a ação da
organização no espaço e no tempo, com categorias e pautas
de convivência necessárias, as quais não geram um assembleísmo
inoperante e que possuem dinâmicas e ritmos que combatem práticas
autoritárias.

Sobreviver ilhados, trabalhando cada um por nossa própria conta, 
em entender-se com outros, sem capacitar-se e preparar-se, sem
constituir um punho forte para golpear “significa condenar-se 
à impotência,desperdiçar a própria energia em pequenos atos
sem eficácia e rapidamente perder a fé no objetivo e cair na
completa inação”.
Assim se concretiza e se fortalece a unidade dos anarquistas,
o encontro para praticar uma nova humanidade,para programar
e delinear a estratégia com a qual desconstruiremos este mundo.
Pilares e princípios como a igualdade, a democracia direta, a
autonomia, a independência de classe, a autogestão, são elementos
constituintes essenciais para os libertários do mundo. Eles devem
ser, consequentemente, fundamentais na organização política.Trata-se,
portanto, de criar, de conceber e de praticar um tipo de organização 
que compreendemos ser federalista, com práticas, acordos e estilos
diferentes daqueles do capitalismo. A partir da organização política
até o meio popular ir, assim, aprofundando um pouco mais a idéia de
construir uma organização não só para as necessidades táticas do
presente. Esta organização não pode ser circunstancial, uma 
necessidade momentânea, mas deve ser a rocha na qual entalharemos
nossas paixões e desejos, nossa utopia e nossa liberdade.
Imaginar, sonhar, amar um mundo novo. Ver nos companheiros
e companheiras de luta, no povo, a necessidade urgente de
transformação por razão de tanta injustiça, exploração, 
opressão, levada a cabo em um sistema asqueroso que devora
e cospe, em seu turbilhão cotidiano, tantos irmãos e irmãs,
tanta gente, tanto povo.Pela construção do Socialismo Libertário,
num processo firme e sólido.Por todos nossos desejos, pela memória
de nossos irmãos e irmãs que padeceram pelo pior desta  asquerosidade
chamada capitalismo.
Para construir a utopia praticando a liberdade!!!
Pela construção de um povo forte!!!
Arriba las que luchan!!!
Arriba los que luchan!!!

É lançada carta de Princípios Coletivo Anarquista Luta de Classe

Carta de Princípios do Coletivo Anarquista Luta de Classe

O anarquismo não é uma bela utopia, tampouco uma abstração filosófica, é um movimento social das massas trabalhadoras. Por este motivo, deve juntar suas forças numa organização geral continuamente ativa, como é exigido pela realidade e a estratégia da luta de classes.”

(Nestor Makhno – Plataforma Organizacional dos Comunistas Libertários)

Apresentação

O CALC foi formado em Curitiba a partir de 2008, com objetivo de constituir um pólo de militantes anarquistas identificados com o Especifismo e o Anarquismo Social, servindo para o desenvolvimento de trabalhos sociais junto à luta e a resistência dos explorados. Esta é nossa Carta de Princípios. Acreditamos que só poderemos contribuir na luta social como força política libertária se nos agruparmos ideologicamente, nos lançando ao trabalho junto às classes exploradas a partir de nossa organização ideológica, apoiando a resistência e a luta pela derrubada do capitalismo. Para tanto, como enfatizou Bakunin: Só poderemos alcançar este objetivo estabelecendo e determinando tão claramente nossos princípios que, nenhum dos indivíduos que forem, de uma maneira ou de outra, contrários a eles possam tomar parte de nós.”Esses princípios devem ser expressos em nossa prática política, na forma de atuar do coletivo, que só ganha “corpo” na luta coletiva, a exemplo do que fazem as organizações anarquistas que compõem o Fórum do Anarquismo Organizado – FAO.

Liberdade e Ética

Lutar por liberdade e ter ética devem anteceder tudo mais. São princípios inegociáveis para o Anarquismo e seus militantes.Sabemos o significado de liberdade que dividimos com nossos companheiros e companheiras de classe e ideologia, sabemos do que queremos nos livrar – do capitalismo e quem nos oprime – a burguesia. E se quisermos que todos tenham liberdade, teremos de ajudar a constituir uma força social capaz de transformar esse sistema, pois no capitalismo não haverá liberdade possível para os trabalhadores. A liberdade individual só existe na liberdade de todos, não podendo haver liberdade se todos não se emanciparem. Fazemos questão de afirmar a ética libertária como princípio sem purismos, pois, defender a ética libertária não nos faz infalíveis. Mas, o compromisso ético nos ajuda a desconstruir as relações burguesas que nos foram impostas, e nos auxilia a reconstruir os valores socialistas libertários tão necessários ao trabalho político de um grupo anarquista. A defesa de uma cultura política baseada na ética e na liberdade nos chama atenção para que, em nome de belos fins, não nos desviemos para práticas autoritárias criando assim uma identidade ideológica comprometida com a luta classista e revolucionária.

Classismo e Internacionalismo

A sociedade capitalista se organiza a partir de uma estrutura de classe, a burguesa explora e oprime todos aqueles que pertencem as classes exploradas, independente de sua nacionalidade. E nós nos colocamos junto aos explorados em sua luta pela emancipação, pois desejamos uma sociedade sem classes, uma sociedade livre, igualitária e justa. E só os explorados podem se emancipar, e nesse movimento, construir uma organização social sem exploração. Nossa identidade de classe ultrapassa as fronteiras dos estados nação, por isso somos internacionalistas. Temos identidade brasileira, mas rejeitamos todo nacionalismo, por reconhecermos suas conseqüências para os trabalhadores dos diferentes povos. Renunciamos a qualquer patriotismo para afirmar nossa solidariedade com todos os explorados do mundo, trabalhando com solidariedade e apoio mútuo, construiremos uma nova sociedade sem fronteiras, sem classes.

Prática Política e Inserção Social

Prática política é a forma que nossa militância atua nos círculos político e social, ou a relação entre a prática social guiada por um programa, com objetivos estratégicos, e o cotidiano da militância nos movimentos sociais. Pressupõe um grau de unidade tática e teórica do grupo, o que potencializa nossas ações, e só se realiza com a inserção social, nos espaços de luta da classe. Nossa Prática Política deve estar a serviço daqueles que acreditamos que podem ser os agentes da transformação, os próprios explorados. Como existem níveis sociais (de classe) e políticos (ideológicos) de organização na sociedade que se complementam, e por reconhecermos essa relação como legítima, uma vez que o nível social é o espaço das lutas cotidianas, e o nível político atua enquanto perspectiva revolucionária das lutas sociais, enfatizamos que uma organização anarquista não pode se limitar a um trabalho de propaganda, mas deve construir as lutas sociais que extrapolam as questões ideológicas, assim defendendo a Inserção Social. A Inserção Social só acontece por atuarmos no dia a dia nos movimentos sociais, onde encontramos companheiros e companheiras de diferentes ideologias, levando as práticas e a influência anarquista enquanto um grupo político de minoria ativa. Por atuarmos com outros companheiros e companheiras nos bairros, nos sindicatos, nas escolas, nas ocupações de terra e moradia, nas greves e nas ruas, como parte das classes exploradas, e por entendermos e participarmos dessas lutas, dizemos também que estamos inseridos socialmente nelas.

Federalismo e Autogestão

O federalismo é uma proposta de organização social e produtiva que se pauta nos acordos livres realizados pelos seus membros, que passam a se associar diretamente, fundamentando suas bases organizacionais de acordo com as vontades e necessidades envolvidas em cada uma das instâncias de organização, permitindo a articulação em diferentes instâncias da vida social, sejam grupos locais, regionais ou nacionais. Assim os indivíduos, grupos e organizações se associam, federam e confederam, de forma livre e horizontal. Já a Autogestão é forma de administração coletiva que permite o controle direto da produção e organização social pelas classes exploradas, horizontalizando o poder, tornando seus produtores e consumidores conscientes do processo de produção e de suas conseqüências sociais e políticas. Estes princípios, o Federalismo e a Autogestão, quando articulados auxiliam na defesa do controle da produção e da organização social feita por trabalhadores e explorados, possibilitando que as pessoas recuperem o poder sobre suas atribuições sociais, criando as normas e regras que devem regular a vida social de forma ativa e em igualdade de condições com seus companheiros, não mais recebendo ordens de cima para baixo, mas construindo sempre organizações produtivas ou sociais de base, de baixo para cima, com democracia e unidade.

Ação Direta e Democracia Direta

Ação Direta pode ser entendida como a prática coletiva dos trabalhadores que, em sua luta contra o capitalismo e na construção do socialismo, buscam agir de forma combativa e sem intermediação em torno de seus interesses, sejam de “seus” representantes ou da tutela do estado. A Democracia Direta é uma forma de tomada de poder que, através de medidas deliberativas ou práticas, as organizações populares decidem e se organizam a partir do posicionamento e dos debates realizados nos espaços de políticos da nossa classe, através de delegações. Os espaços das classes exploradas nunca se confundem com as instâncias estatais ou parlamentares, pois, a Democracia Direta, forma de articulação coletiva fundada no Federalismo, só acontece fora da institucionalidade burguesa. Porque são os próprios explorados que devem se organizar e agir para atingir seus objetivos, sem se deixar tutelar ou se alienar por direções e vanguardas que prometem soluções a partir do sistema político e jurídico-burguês. Ação e Democracia Direta pressupõem que o explorado seja o próprio sujeito da ação, fortalecendo as organizações populares autônomas, que tenham uma identidade de classe combativa, criticando o “democraticismo” e a gestão burguesa, e fortalecendo uma cultura da participação e de luta das organizações de classe.

Ecologia e Apoio Mútuo

As relações sociais e produtivas que praticamos, ainda em uma realidade marcada pela violência e competição, devem se pautar na solidariedade existente entre indivíduos e grupos, em contraponto às relações de dominação e exploração presentes no capitalismo. O capitalismo, além de estar baseado na luta de classes, estrutura-se a partir da exploração da natureza, cuja concepção de domínio se reproduz tal qual a exploração do trabalho humano, pois todos trabalhadores e os demais seres vivos são apenas recursos a serem expropriados. Essas relações sociais e econômicas produzem a centralização das riquezas sociais e naturais, a custa da exploração e da miséria dos trabalhadores, de um consumo desigual e alienado, acelerando a destruição da biodiversidade, da terra de diversos povos e espécies animais. A Ecologia, considerada como uma ciência e um movimento social, para o Anarquismo é um princípio que deve constar na prática política e na ação política de nossa classe, uma noção que nos reafirma como parte da natureza, a parte que acredita em relações sociais e naturais pautadas por liberdade e justiça, consciente de que estas não podem ser alcançadas sob a égide do capital. Já o Apoio Mútuo é o princípio que orienta a relação entre indivíduos de uma mesma sociedade, que se apóiam uns aos outros através de suas aptidões e diferenças para garantir a sobrevivência, fortalecendo a solidariedade e a ação social existente nas lutas contra a opressão e a exploração, buscando relações fraternas. As novas relações produtivas e sociais devem incorporar a noção de pertencimento à natureza, e as práticas do apoio mútuo presentes tanto na cosmovisão de diferentes povos, como na luta do movimento dos trabalhadores nos fins do século XIX e início do século XX, e nunca foram instrumentos de conciliação de classe para os socialistas libertários.

É Publicada a Carta de Apresentação do Coletivo Anarquista Luta de Classe!

 

CARTA DE APRESENTAÇÃO DO COLETIVO ANARQUISTA LUTA DE CLASSE

“Como nosso Partido não é composto de politicastros nem de caçadores de cargos, senão proletários que não têm outra ambição além de se verem livres da escravidão do salário, agora que a oportunidade se apresenta, vai direto a seu objetivo: a emancipação econômica da classe trabalhadora por meio da expropriação da terra e da maquinaria.”[1]

(Ricardo Flores Magón 1874 – 1922)

 Saúde companheir@s! Essa é a Carta de Apresentação do Coletivo Anarquista Luta de Classe – CALC – formado a partir do ano de 2008. Ela fala dos nossos objetivos, princípios, atividades, com referência no Anarquismo Social e Organizado. Desde 2008 iniciamos um trabalho de propaganda e revenda de livros, distribuindo jornais e periódicos, apoiando as editoras libertárias e a Cooperativa de Distribuição Faísca, procurando levar “nossa banca” para atividades dos movimentos sociais, como assembléias, plenárias ou seminários, além dos espaços da Universidade Pública, onde nos encontramos trabalhando uma semana por mês, sempre no decorrer do período letivo. Compreendendo a importância da teoria e da prática anarquista, tanto para as ciências engajadas, quanto para a luta de emancipação dos explorados, escolhemos revender os títulos e obras que, traduzidos e editados por outros companheiros e organizações, estão disponíveis para venda. Além da propaganda, temos como objetivos a geração de renda, o apoio aos movimentos sociais, a formação de um grupo estudos e a constituição de uma organização anarquista local.

Nosso grupo defende:

[…] o anarquismo como uma ideologia que fornece orientação para a ação no sentido de substituir o capitalismo, o Estado e suas instituições, pelo socialismo libertário – sistema baseado na autogestão e no federalismo –, sem quaisquer pretensões científicas ou proféticas. Como outras ideologias, o anarquismo possui história e contexto específicos. Ele não nasce de intelectuais ou pensadores descolados da prática, que buscavam apenas a reflexão abstrata. O anarquismo tem sua história desenvolvida no seio das grandes lutas de classe do século XIX, quando é teorizado por Proudhon, e toma corpo em meio à Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT), com a atuação de Bakunin, Guillaume, Reclus e outros que defendiam o socialismo revolucionário, em oposição ao socialismo reformista, legalista ou estatista. Esta tendência da AIT foi futuramente conhecida por “federalista” ou “antiautoritária” e teve sua continuidade na militância de Kropotkin, Malatesta e outros.”[2].

Por isso buscamos um retorno organizado às lutas sociais, esperando que outros companheiros e companheiras da cidade de Curitiba e do Paraná venham se juntar a nós. Assim, acreditamos que será possível retomarmos o caráter social e classista que o anarquismo sempre portou, pois se continuarmos desorganizados ideologicamente não constituiremos uma força política capaz de intervir na dinâmica das lutas sociais, o que só interessa aos nossos adversários e inimigos de classe.

O Anarquismo Social não é uma proposta abstrata, e sim um projeto político que parte de uma realidade concreta, que é a luta de classes. Para tanto, trabalha com princípios do Socialismo Libertário que estão presentes na nossa tradição, e que, se constituem enquanto guias para uma prática política coerente com nossos objetivos finalistas, animando internamente as federações e grupos ácratas. São eles: a Liberdade e a Ética, o Classismo e o Internacionalismo, a Ação Direta e a Democracia Direta, a Ecologia e o Apoio Mútuo, o Federalismo e a Autogestão, a Prática Política e a Inserção Social.

Atuando como grupo orgânico identificado com o Anarquismo Social, o CALC defende a necessidade da organização anarquista enquanto ferramenta de emancipação dos explorados. Entendemos que a organização anarquista específica: “[…} não substitui a organização das classes exploradas, mas proporciona aos anarquistas a chance de se colocar a serviço delas”[3]. Para potencializar nossa prática política devemos consolidar uma unidade teórica e tática, trabalhos sociais junto aos explorados, além de formar militantes com responsabilidade, compromisso e auto-disciplina. Porque entendemos como fundamental a organização e a responsabilidade por parte do grupo e de seus militantes, o que não se confunde com hierarquia e autoritarismo. Ao contrário, o grupo orgânico é: […] o agrupamento de indivíduos anarquistas que, por meio de suas próprias vontades e do livre acordo, trabalham juntos com objetivos bem determinados. […] Esta organização é fundamentada em acordos fraternais, tanto para seu funcionamento interno, quanto para sua atuação externa, não havendo em seu seio relações de dominação, exploração ou mesmo alienação, o que a constitui uma organização libertária.”[4].

Queremos somar aos esforços que tenham como horizonte político um projeto classista e socialista libertário, entrando em acordo e trabalhando junto às demais organizações políticas anarquistas, assim também como os movimentos sociais combativos e autônomos. Só dessa forma poderemos mudar a atual relação de forças, ombro a ombro, lado a lado, construindo a organização popular, sem sectarismo, com identidade ideológica, mas sem se colocar a frente das classes exploradas nas lutas sociais que elas devem protagonizar. Como já havia dito Malatesta, nós anarquistas: “[…] não podemos emancipar o povo, queremos que o povo se emancipe. Não acreditamos no bem que vem do alto e se impõe pela força; queremos que o novo modo de vida social surja das vísceras do povo […].”[5]. E com esse entendimento que reivindicamos o Anarquismo Social e Organizado, definindo assim nosso campo de militância.


[1] Retirado do livro publicado pela Editora Imaginário, com alguns escritos de Ricardo Flores Magón.

[2] Retirado do livro “Anarquismo Social e Organização” – página 18. O livro é de autoria da Federação Anarquista do Rio de Janeiro, tendo sido publicado pela Editora Faísca no ano de 2009.

[3] Idem – páginas 131 e 132.

[4] Idem – página 128.

[5] Idem – página 194.

CALC assina Declaração de Princípios e Intenções do FAO

Declaração de Princípios e Intenções do Fórum do Anarquismo Organizado
Declaração de princípios e intenções do Fórum do Anarquismo Organizado (FAO), aprovada no Encontro Nacional de 2010, ocorido em Porto Alegre.
O Fórum do Anarquismo Organizado (FAO) é um espaço de debate e articulação entre organizações, grupos e indivíduos anarquistas que trabalham ou têm a intenção de trabalhar utilizando como base os princípios e a estratégia do anarquismo especifista.
O objetivo maior do FAO é criar as condições para a construção de uma organização anarquista no Brasil. Tarefa que sabemos não ser de curto prazo, mas que precisa ser iniciada desde já.
No Encontro Nacional de 2010, realizado em Porto Alegre, os grupos e organizações presentes entenderam que era o momento de aprofundar a organicidade e prosseguir em relação aos objetivos previamente estabelecidos.
Por isso, após intensas discussões, deliberamos que deveríamos dar um salto qualitativo e ir além dos dois eixos propostos anteriormente: a organização e a inserção social. Entendendo que eles já estão incorporados em nossos grupos e organizações e que a questão da organização e da inserção social não são mais tão polêmicas nos meios anarquistas – e a atuação dos grupos e organizações e do próprio FAO contribuíram significativamente para isso –, decidimos dar mais um passo para a construção de uma organização de âmbito nacional, que sempre foi um de nossos objetivos.
O passo seguinte é, para nós, aprofundar a organicidade, e foi assim que decidimos adotar o especifismo, como forma de organização anarquista para os grupos e organizações do FAO, estabelecendo princípios políticos e ideológicos que definem, em nossa concepção, tanto o anarquismo, como essa opção organizativa. Com esse objetivo, o Encontro Nacional reformulou a definição do FAO (ainda que ele continue sendo um fórum), estabeleceu seus princípios, assim como a estratégia a ser defendida, e reviu seus compromissos. Abaixo seguem as resoluções do Encontro em torno desses temas.
DECLARAÇÃO DE PRINCÍPIOS E INTENÇÕESFÓRUM DO ANARQUISMO ORGANIZADOUm processo em construção
O Fórum do Anarquismo Organizado (FAO) existe desde 2002 e, até 2010, foi um espaço de articulação entre indivíduos, grupos e organizações anarquistas, que concordavam com dois eixos fundamentais: a organização e a inserção social. Foram esses dois eixos nos deram fundamentos teóricos e práticos nesses oito anos; lutar para organizar e organizar para lutar foram as consignas utilizadas para agregar a militância e nortear nossos grupos e organizações.
Lutar para Organizar!


“Nós já o repetimos: sem organização, livre ou imposta,
não pode existir sociedade; sem organização consciente
e desejada, não pode haver nem liberdade, nem garantia de que
os interesses daqueles que vivem em sociedade sejam respeitados.
E quem não se organiza, quem não procura a cooperação dos outros
e não oferece a sua, em condições de reciprocidade
e de solidariedade, põe-se necessariamente em estado
de inferioridade e permanece uma engrenagem inconsciente
no mecanismo social que outros acionam a seu modo, e em sua vantagem.”

Errico Malatesta

A questão da organização é muito antiga no meio anarquista. Há mais de cem anos Malatesta já abordava o tema. Por mais que nos pareça uma questão simples, ainda há muita confusão a respeito e tem muita gente que sinceramente pensa que anarquismo é contra qualquer forma de organização, que organização seria burocracia, autoritarismo, etc. Isso é compreensível, afinal de contas, os modelos de organização concretos que as pessoas conheceram (como os partidos autoritários, centralizados e eleitoreiros) não animam ninguém a pensar no tema. Mas é necessário romper com isso, perceber que esta foi apenas “uma” forma de organização e não “a” forma.

O anarquismo sempre teve outras formas de organização, horizontais, participativas e federativas; basta olharmos Bakunin, Malatesta, Makhno, a Federação Anarquista Ibérica, a Federação Anarquista Uruguaia, os anarquistas sindicalistas, etc. Já é hora da necessidade de nos organizarmos superar o medo de nos burocratizarmos. Discutir organização hoje em dia não é somente uma questão de retomar a história do anarquismo, mas, sobretudo uma necessidade real. Diante de um sistema articulado, bem informado e com capacidade operativa, não podemos ficar atomizados.

“Permanecer isolado, agindo ou querendo agir cada um por sua conta, sem se entender com os outros, sem preparar-se, sem enfeixar as fracas forças dos isolados, significa condenar-se à fraqueza, desperdiçar sua energia em pequenos atos ineficazes, perder rapidamente a fé no objetivo e cair na completa inanição.” (Malatesta, 1897)

Além disso, a organização multiplica nossas forças, nos permite a prevenção e defesa diante da repressão – por sinal, cada vez mais forte – e torna real a solidariedade tantas vezes apenas escrita e falada. Sabemos que existem vários/as anarquistas contrários à idéia de organização, em sua maioria anarquistas individualistas. Não são mais ou menos anarquistas do que nós por isso, apenas anarquistas de outro tipo, de outra concepção. Que eles sigam seu caminho. Nós seguiremos o nosso com todo direito de fazê-lo. Porque pensamos que para enfrentar este sistema capitalista é preciso estar organizados.

Organizar para lutar! Inserção e militância social
“(…) favorecer as organizações populares de todo tipo
é a conseqüência lógica de nossas idéias fundamentais
e, assim, deveria fazer parte integrante de nosso programa.”
Errico Malatesta


O anarquismo é composto por uma diversidade de correntes, isso é uma verdade. Mas também é verdade que nem todas elas se dispõem a trabalhar junto à nossa classe, ao nosso povo. Historicamente, tivemos momentos de presença anarquista muito forte na Ucrânia com a makhnovitschina, na Revolução Espanhola, na Revolução Mexicana, com o sindicalismo revolucionário por toda a América Latina, isso para não falar de inúmeras outras experiências. Em todos estes casos, que são referência – ao menos teórica – para todos os anarquistas, existiram anarquistas organizados, com postura classista e com atuação social decidida. Pode-se afirmar que em todos os casos onde o anarquismo foi expressivo havia inserção e militância social.

Vivemos uma época em que a miséria se aprofunda cada vez mais, o abismo entre as classes é maior hoje do que há cem anos atrás. 85% da população mundial é pobre ou miserável. Somente no Brasil existem 40 milhões de pessoas que vivem abaixo da linha da miséria. As manifestações desta miséria são brutais e estão aí para quem quiser ver.

Não perdemos a capacidade de nos indignar, de nos revoltar diante destas agressões permanentes, “não ficaremos na nossa” ou “cada um na sua”, até porque sofremos diretamente com tudo isso. Pensamos que o anarquismo tem algo a dizer sobre esta realidade. Pensamos que o anarquismo tem propostas e que ele vive nesta realidade e não fechado em ambientes seguros e distantes do mundo concreto.

Os anarquistas têm exercido diversas formas de atuação. Muitos mantêm relações entre si, publicam boletins, promovem encontros libertários, colocam páginas na internet, editam livros, criam canais de informação alternativos, etc. Tudo isso é importante e necessário. Mas será que temos dado a devida atenção a um tipo de militância que é a fundamental: a atuação social junto aos movimentos populares, nos bairros, escolas, universidades, espaços de trabalho, etc? Felizmente existem anarquistas que já fazem isso de várias formas, mas sinceramente pensamos que é pouco, e não falamos isso sobre os outros anarquistas, nos incluímos entre aqueles que precisam melhorar e aprofundar a inserção e militância social. Pensamos que todas as atividades de contatos, publicações, encontros, livros se enriqueceriam muito se estivessem articuladas com uma atuação social por parte dos anarquistas. Há diversos grupos e organizações anarquistas que têm buscado se inserir socialmente há vários anos. Existem diversas experiências de atuação social acumuladas nos últimos anos, do movimento sem-teto ao movimento estudantil, dos bairros de periferia ao trabalho sindical, nas lutas contra o neoliberalismo, anarquistas têm estado presentes e isso nos permite discutir melhor o tema.

Por isso tudo pensamos que é fundamental discutir como os anarquistas podem atuar socialmente, que relações se estabelecem entre os anarquistas e os movimentos sociais, que tipos de atuação seriam mais ou menos interessantes, etc. Sobretudo pensamos que os anarquistas não farão a revolução sozinhos, e que se não tivermos uma militância nas lutas de nossa classe, não teremos chance alguma.

O Encontro Nacional de 2010 e o salto qualitativo

No Encontro Nacional de 2010, realizado em Porto Alegre, os grupos e organizações presentes entenderam que era o momento de aprofundar a organicidade e prosseguir em relação aos objetivos previamente estabelecidos.

Por isso, após intensas discussões, deliberamos que deveríamos dar um salto qualitativo e ir além dos dois eixos propostos anteriormente: a organização e a inserção social. Entendendo que eles já estão incorporados em nossos grupos e organizações e que a questão da organização e da inserção social não são mais tão polêmicas nos meios anarquistas – e a atuação dos grupos e organizações e do próprio FAO contribuíram significativamente para isso –, decidimos dar mais um passo para a construção de uma organização de âmbito nacional, que sempre foi um de nossos objetivos.

O passo seguinte é, para nós, aprofundar a organicidade, e foi assim que decidimos adotar o especifismo, como forma de organização anarquista para os grupos e organizações do FAO, estabelecendo princípios políticos e ideológicos que definem, em nossa concepção, tanto o anarquismo, como essa opção organizativa. Com esse objetivo, o Encontro Nacional reformulou a definição do FAO (ainda que ele continue sendo um fórum), estabeleceu seus princípios, assim como a estratégia a ser defendida, e reviu seus compromissos. Abaixo seguem as resoluções do Encontro em torno desses temas.

O que é o FAO?

O Fórum do Anarquismo Organizado (FAO) é um espaço de debate e articulação entre organizações, grupos e indivíduos anarquistas que trabalham ou têm a intenção de trabalhar utilizando como base os princípios e a estratégia do anarquismo especifista.

O objetivo maior do FAO é criar as condições para a construção de uma organização anarquista no Brasil. Tarefa que sabemos não ser de curto prazo, mas que precisa ser iniciada desde já.

Nossa concepção organizativa do anarquismo

Todos os grupos e organizações do FAO, assim como aqueles interessados em ser membros, devem concordar, defender e aplicar esta concepção de anarquismo, que consideramos o mínimo necessário para o início dos trabalhos conjuntos. O anarquismo defendido pelo FAO é compreendido a partir dos princípios políticos e ideológicos e pela sua estratégia geral colocados a seguir.

Princípios políticos e ideológicos

A compreensão, a defesa e/ou a aplicação dos seguintes pontos:

a) Do anarquismo como ideologia e, assim, como um sistema de idéias, motivações e aspirações que possuem necessariamente uma conexão com a ação no sentido de transformação social, a prática política.

b) De um anarquismo em permanente contato com a luta de classes dos movimentos populares de nosso tempo e funcionando como ferramenta de luta e não como pura filosofia ou em pequenos grupos isolados e sectários.

c) De um conceito de classe que inclui todas as parcelas de explorados, dominados e oprimidos da nossa sociedade.

d) Da necessidade do anarquismo retomar seu protagonismo social e de buscar os melhores espaços de trabalho.

e) Da revolução social e do socialismo libertário como objetivos finalistas de longo prazo.

f) Da organização como algo imprescindível e contrária ao individualismo e ao espontaneísmo.

g) Da organização específica anarquista como fator imprescindível para a atuação nas mais diversas manifestações da luta de classes. Ou seja, a separação entre os níveis político (da organização específica anarquista) e social (dos movimentos sociais, sindicatos, etc.).

h) Da organização anarquista como uma organização de minoria ativa, diferindo-se esta da vanguarda autoritária por não se considerar superior às organizações do nível social. O nível político é complementar ao nível social e vice-versa.

i) De que a principal atividade da organização anarquista é o trabalho/inserção social em meio às manifestações de luta do povo.

j) De que a ética é um pilar fundamental da organização anarquista e que ela norteia toda a sua prática.

k) Da necessidade de propaganda e de ela ter de ser realizada nos terrenos férteis.

l) Da lógica dos círculos concêntricos de funcionamento, dando corpo a uma forma de organização em que o compromisso está diretamente associado com o poder de deliberação. Da mesma maneira, uma organização que proporcione uma interação eficiente com os movimentos populares.

m) De que a organização deve possuir critérios claros de entrada e posições bem determinadas para todos que queiram ajudar (níveis de apoio /colaborador).

n) Da autogestão e do federalismo para a tomada de decisões e articulações necessárias, utilizando a democracia direta.

o) A busca permanente do consenso, mas, não sendo possível, a adoção da votação como método decisório.

p) Do trabalho com unidade teórica, ideológica e programática (estratégica / de ação). A organização constrói coletivamente uma linha teórica e ideológica e da mesma forma, determina e segue com rigor os caminhos definidos, todos remando o barco no mesmo sentido, rumo aos objetivos estabelecidos.

q) Do compromisso militante e da responsabilidade coletiva. Uma organização com membros responsáveis, que não é complacente com a falta de compromisso e a irresponsabilidade. Da mesma forma, a defesa de um modelo em que os militantes sejam responsáveis pela organização, assim como a organização seja responsável pelos militantes.

r) Os militantes que compõem a organização têm, necessariamente, de estar inseridos em um trabalho social, bem como se ocupar de atividades internas da organização (secretarias, etc.)

Estratégia geral

A estratégia geral do anarquismo que defendemos baseia-se nos movimentos populares, em sua organização, acúmulo de força, e na aplicação de formas de luta avançada, visando chegar à revolução e ao socialismo libertário. Processo este que se dá conjuntamente com a organização específica anarquista que, funcionando como fermento/motor, atua conjuntamente com os movimentos populares e proporciona as condições de transformação. Estes dois níveis (dos movimentos populares e da organização anarquista) podem ainda ser complementados por um terceiro, o da tendência, que agrega um setor afim dos movimentos populares.

Essa estratégia, portanto, tem por objetivo criar e participar de movimentos populares defendendo determinadas concepções metodológicas e programáticas em seu seio, de forma que possam apontar para um objetivo de tipo finalista, que se consolida na construção da nova sociedade.

Compromissos do FAO

1. Estimular e realizar o debate sobre o anarquismo especifista no Brasil, apontando para necessidade de construir uma organização anarquista de âmbito nacional.

2. Apoiar a formação de grupos anarquistas organizados, apontando para sua organicidade.

3. Trabalhar pela aproximação, articulação prática e unificação destes grupos e organizações no âmbito estadual ou regional num primeiro momento.

4. Trabalhar, na medida das possibilidades reais, com os diferentes níveis da luta revolucionária anarquista: trabalho de propaganda, trabalho teórico e, o mais importante deles, o trabalho social, nas frentes e áreas escolhidas.

5. Lutar pela construção de uma organização anarquista brasileira dotada de projeto político comum, com peso sócio-político e presença nacional mais ampla possível.

6. Estabelecer relações fraternas e solidárias com organizações anarquistas internacionais, sobretudo as latino-americanas, cuja realidade nos é mais próxima.

Construindo um Grupo Anarquista Organizado (GAO)

No Brasil todo, existem centenas e talvez milhares de pessoas que se identificam e são simpáticas ao anarquismo. Uma força potencial que muitas vezes não é efetiva devido à dispersão em que os anarquistas se encontram. Não fundaremos uma organização anarquista num passe de mágica, antes disso é preciso que existam grupos anarquistas organizados (GAO) e coordenados entre si. O grupo anarquista organizado é a semente da organização anarquista.

O FAO se dispõe a apoiar os indivíduos anarquistas que sentem o sangue ferver diante das injustiças e que estão cansados de nada ou pouco poder fazer ou permanecerem isolados. Propomos um caminho para iniciar um grupo anarquista organizado (GAO):

Número de pessoas. Identifique pessoas que você conhece, que podem ser afins ao projeto. Chame uma reunião para debater a construção de um grupo, apoiada na leitura do material. Quanto mais gente melhor, mas não é preciso esperar para se formar um grupo. Com três pessoas é possível começá-lo, sempre trabalhando para mais gente ingressar.

Identidade do GAO. Com a proposta prosperando, o GAO já pode ter nome, bandeira e simbologia, para que seja reconhecido por outras pessoas.

Divisão de tarefas básicas. Os trabalhos internos regulares podem ser divididos entre os militantes. Isso evita que alguns fiquem sobrecarregados e outros com poucas tarefas, tornando a participação mais horizontal. Sugerimos algumas funções para um grupo a partir de cinco pessoas (grupos menores ou maiores se adaptam a sua realidade).


a) companheiro de organização: encarregado de relatar os acordos e decisões das reuniões, repassá-los aos demais, montar um calendário, convocar as reuniões, organizar os materiais internos do grupo;

b) companheiro de propaganda: encarregado de pensar e propor políticas de comunicação e materiais de propaganda do grupo. Ex: boletim, site, panfletos;

c) companheiro de finanças: faz a tesouraria do grupo, arrecada as contribuições periódicas dos militantes, pensa formas de arrecadar grana e estrutura para o grupo;

d) companheiro de relações: cuida das cartas, caixa postal, e-mails, conversas com outros grupos anarquistas, de esquerda e/ou movimentos populares;
e) companheiro de formação política: encarregado do debate de formação interno do grupo, levanta temas, pesquisa e separa materiais, procura cursos, ajuda os demais em sua formação política, etc;

Esta divisão não é rígida. O companheiro de propaganda coordena o boletim, por exemplo, mas nada impede que os demais dêem idéias, escrevam, ajudem, etc. O mesmo vale para as demais funções.
Reunião

. É fundamental que sejam regulares, pois é a única forma do grupo debater e planejar suas ações coletivamente. Pode ser semanal ou quinzenal, de preferência em local fixo, onde o grupo esteja tranqüilo e sem interferências de fora.Comunicação do grupo

. Abrir uma caixa postal para correspondência, um e-mail para internet e publicar um boletim, mesmo que seja uma modesta folha frente e verso xerocada, é um ótimo começo e permite que o grupo seja conhecido pelas pessoas. Outro material importante é escrever uma declaração de princípios do grupo.Método decisório

. É busca do consenso, com todos participando de forma igualitária do debate. Quando não se chegar ao consenso e a questão exigir decisão, vota-se o ponto e o grupo todo acata o que foi decidido. A posição minoritária e sua argumentação deverão constar em ata para avaliação posterior.Tarefas básicas de cada militante

. Uma função interna (organização, finanças, propaganda, relações e formação política); uma militância externa, social em alguma frente (falaremos disso mais adiante); participar das reuniões e contribuir com o grupo.Avançando de Grupo para Organização

Este salto de qualidade pode se dar de duas maneiras:

I) Com o crescimento do GAO

Nos estados e regiões onde não existem outros grupos anarquistas ou então quando os demais grupos anarquistas forem avessos à proposta de organização e atuação social, a única forma de se constituir uma organização é através do crescimento do GAO, cujo objetivo é sempre avançar.

Alguns elementos servem para averiguar a maturidade: crescimento numérico (mais ou menos 20 militantes regulares), regularidade, afinidade e confiança desenvolvida na militância, expansão das frentes de inserção social, melhoria da formação política, etc.

Com isso tudo o GAO pode dar um salto qualitativo, subdividindo-se em núcleos, criando um conselho que reúna delegados destes núcleos e ampliando sua esfera de ação. É fundamental que a passagem de GAO para organização reflita um avanço real e não apenas os desejos da militância. Ser um grupo de fato, apenas com nome ou sigla de organização ou federação é propaganda enganosa, um voluntarismo sem base real que facilmente cai no ridículo. A transição de grupo para organização anarquista é um processo, entretanto, os grupos se definem autonomamente. A transição implica uma diferença qualitativa no processo de construção, mas não hierárquica.

II) Pela aproximação, articulação prática e unificação entre diferentes grupos anarquistas organizados

Nos estados e regiões onde existem dois ou mais grupos anarquistas, a proposta é que se trave contato com os demais indivíduos e grupos anarquistas conversando sobre a proposta do FAO. Falamos aqui de regiões próximas, que não necessariamente precisam ser no mesmo estado, apenas próximas. Ex: Goiás e Distrito Federal, grupos situados nas fronteiras entre 2 estados, etc.

Estes contatos e conversas podem avançar mais ou menos. Alguns podem rejeitar categoricamente nosso projeto, outros mostrarem interesse e ao mesmo tempo dúvidas e críticas parciais. Com estes últimos deve-se avançar no diálogo e se possível criar um FAO estadual ou regional que reúna estes grupos, tire tarefas práticas conjuntas, debata o projeto e trabalhe pela unificação.

Para se inserir e militar socialmente

Todos os militantes do GAO devem ter sua militância junto aos movimentos sociais. As tarefas internas já mencionadas são importantes, mas não bastam e não podem servir de desculpa para o militante “fugir” da militância social. Queremos com isso evitar que alguns fiquem apenas com questões internas ou mais “agradáveis” e outros com a militância social, o que pode dar origem a “burocratas informais”.

É importante que o grupo avalie e concentre suas forças para que o trabalho social dê resultados e se evite assumir mais tarefas de inserção do que aquelas que pode sustentar. Isso torna necessária a escolha de algum(ns) segmento(s) prioritários para a inserção social. Quando dizemos prioritários, não se trata de imaginar este ou aquele segmento é por excelência destinado a realizar a revolução social, mas sim concentrar forças em algum trabalho que avaliamos ter mais potencial de transformação.

No entanto, com crescimento e amadurecimento devemos buscar incidir nos mais amplos segmentos. A intenção é que o GAO discuta o tipo de trabalho a ser realizado, verificando o que é mais viável (no bairro, numa escola, universidade, fábrica, ocupação, etc.) em função da realidade de cada um. É sempre recomendável iniciar um trabalho de inserção em bases onde os militantes estejam naturalmente dentro, ou seja mais fácil de se inserirem. Também levar em conta a necessidade deste trabalho ser contínuo e num local geográfico fixo. É importante que esteja claro desde o primeiro momento, qual frente de atuação é mais importante e mais se adapta as características das pessoas que compõe o grupo.

Alguns exemplos de frentes e áreas onde atuar As frentes são espaços de atuação onde a nossa militância se realiza. Por exemplo: movimento estudantil, movimento sindical ou de trabalhadores, movimentos sem-teto, rádios comunitárias, bairros de periferia em associações, comitês de luta, etc. Na frente comunitária podemos trabalhar com questões como moradia, saúde, alimentação, água, luz, saneamento básico, transporte, ecologia social, comunicação, cultura, educação, direitos humanos, racismo, gênero, etc. Tudo dependerá da demanda específica de cada local e do nosso projeto político.

Neste texto, nos limitamos a discutir, de forma geral, a inserção e militância social, pois seria impossível descrever, mesmo em linhas gerais, uma proposta de atuação para a cada uma delas. Há muito material produzido pelos membros do FAO sobre estas várias frentes, experiências a compartilhar e apoio para quem está se envolvendo. Materiais e informações sobre a atuação de cada frente específica pode ser obtido entrando em contato com os membros do FAO.

Quer conhecer mais? Quer participar?

Se você leu este material e se interessou, não importa que você seja apenas um indivíduo ou pertença a algum grupo ou organização; não importa se você já é um anarquista declarado ou alguém que se interessou por anarquismo apenas recentemente; entre em contato conosco.

Você com certeza pode ser importante para luta e tem muito a contribuir!

O projeto anarquista para nós está acima de questões pontuais ou pessoais. O FAO já está caminhando, mas não está pronto e acabado, e jamais fechado a quem possa se interessar. Sabemos e somos os maiores interessados em corrigir erros, aprimorar o projeto e incorporar novas contribuições, mais gente na discussão.

Se você tem dúvidas, discorda em parte do que foi exposto até aqui, te convidamos a dialogar, a nos conhecer melhor. Em síntese, a postura do FAO é construtiva, aberta ao diálogo e contra o sectarismo. Acreditamos que somente nestas bases poderemos criar condições para a construção de uma verdadeira organização anarquista, que não seja uma mera sigla ou um gueto.


Fórum do Anarquismo Organizado, 2010
http://www.vermelhoenegro.org
 

Assinam esta declaração os grupos e organizações que hoje compõem o Fórum do Anarquismo Organizado:

Coletivo Anarquista Zumbi dos Palmares (AL)
cazp.wordpress.com
Caixa Postal 136
CEP: 57020-970
Maceió-AL

Federação Anarquista do Rio de Janeiro (RJ)
http://www.farj.org
Caixa Postal 14576
CEP: 22412-970
Rio de Janeiro-RJ

Federação Anarquista Gaúcha (RS)
http://www.vermelhoenegro.org/fag/

Rusga Libertária (MT)
http://rusgalibertaria.blogspot.com

Vermelho e Negro (BA)
http://vermelhoenegrofao.wordpress.com
Caixa Postal 280
CEP 44001-970
Feira de Santana-BA

Outras organizações anarquistas do Brasil que nos apóiam e com quem mantemos relações fraternas e solidárias:

Coletivo Para Além do Estado e do Mercado (PAEM) (MS)
http://www.coletivopaem.blogspot.com
Caixa Postal 17
CEP 79804-970
Dourados-MS

Federação Anarquista de São Paulo (FASP) (SP)
http://www.anarquismosp.org
Caixa Postal 52552
CEP 08010-971
São Paulo-SP

Organização Resistência Libertária (ORL) (CE)
http://www.resistencialibertaria.org
Caixa Postal 12155
Fortaleza-CE

Pró Coletivo Anarquista Organizado de Joinville (SC)
http://pro-cao.blogspot.com/

Coletivo Anarquista Luta de Classes (Curitiba)
Caixa Postal 272
CEP 80010-010
Curitiba-PR

Contato da Secretaria Nacional do FAO: secfao@riseup.net