[CAB] SOLIDARIEDADE E APOIO AOS TRABALHADORES E TRABALHADORAS INFORMAIS

Publicado originalmente em https://anarquismo.noblogs.org/arquivos/1287

Nos últimos anos nos acostumamos com a instabilidade e o caos produzido pelos profissionais da politicagem. A todo custo, eles querem que nos acostumemos com a precarização das nossas vidas, com a perda do poder compra do dinheiro e com a falta de alternativas. Querem porque querem nos fazer aceitar que quem vai ter que pagar a conta é o povo pobre. Tudo é apresentado como uma simples fatalidade. É como se o país tivesse parado no tempo e todas aquelas políticas que se diziam milagrosas, não tivessem sido impulsionadas para botar o país nos trilhos novamente.

Mas vamos voltar um pouco no tempo e ver onde a “ponte para o futuro” (nome do programa do governo Temer) nos trouxe. Quem não se lembra da “PEC do teto de gastos” (que se tornou a Emenda Constitucional 55)? Da reforma trabalhista? Da reforma da previdência? Não eram essas reformas que iam botar o país nos trilhos? Não era isso o que ia fazer a economia voltar a crescer, criar empregos e voltar a produzir bem-estar para o povo brasileiro? Desde a aprovação da PEC do teto de gastos (que congela o investimento social durante 20 anos), já se passaram quase quatro anos. E o que temos no horizonte não parece nada bom. Na verdade, tudo indica que as coisas só tendem a piorar!

Uma situação como essa criada pelo corona vírus demonstra de forma muito nítida para quem este governo trabalha. Alguém pode dizer onde os cortes na saúde e educação vão nos ajudar? Imagine se estivéssemos no futuro e os milhões de idosos (grupo que enfrenta as consequências mais graves do corona vírus) que não irão conseguir se aposentar após a reforma tivessem que ficar em casa sem ter de onde tirar o seu sustento? Eles fizeram uma reforma trabalhista para garantir mais empregos. Os empregos prometidos não vieram, mas de lá pra cá surgiu um exército de gente sem qualquer direito. Como os profissionais da politicagem vem olhando pra esse povo?

Na sua falta de sensibilidade típica, os profissionais da política propõem que fiquemos todos em casa para evitar que a disseminação do vírus se alastre como fogo morro acima. Mas depois da reforma trabalhista, quem pode ficar em casa, se não os poucos que ainda têm carteira assinada e emprego formal? O que os governos propõem para esse milhões de trabalhadores de contrato intermitente, terceirizados, diaristas; informais, autônomos, caminhoneiros, camelôs, enfim, como fica o povão que vive dos resultados do seu trabalho diário? Os milhões de motoristas, entregadores e todos os tipos de trabalhador de aplicativo, que já não tem direito algum? Como é que o governo quer que esse povo fique em casa?

Como fica a situação de quem não tem dinheiro para estocar comida? Como fica a situação de quem tem água, luz, gás, aluguel pra pagar? Qual é a proposta do governo para esse povo? Até agora, muito pouco! E sabe quando haverá algo? Apenas quando aqueles que estão entre correr o risco de ser contaminados trabalhando nesse cenário apocalíptico ou de morrer de fome em casa resolverem se mexer. Não vamos morrer como moscas! Exigimos direitos iguais! Para isso o poder público deve garantir que durante todo o período do confinamento haja:

– suspensão da cobrança de juros pelo atraso de contas
– proibição do corte de água, luz e qualquer outro serviço mensal
– fornecimento de alimentação para o povo pobre
– interrupção da cobrança de dívidas de quem não tiver condição de trabalhar por conta própria
– distribuição de material para a prevenção da contaminação (álcool em gel, mascaras e tudo o que for necessário)
– contratação emergencial de médicos, enfermeiros e técnicos para garantir assistência para qualquer pessoa
– garantir que todos os leitos existentes estejam a disposição da população

Quando os de baixo se mexem, os de cima balançam! Nossas vozes precisam ser ouvidas! Por direitos iguais para todos e todas! Por vida digna!

[CAB] A EMENDA CONSTITUCIONAL 95 E A DÍVIDA PÚBLICA

Publicado originalmente em https://anarquismo.noblogs.org/arquivos/1283

Em 2016, o governo Temer aprovou a Emenda Constitucional 95, chamada de Teto dos Gastos, que estabeleceu que o governo só poderia investir em saúde, educação, saneamento, segurança o mesmo que já havia investido em 2016, priorizando o pagamento religioso da dívida pública, que já passa de R$ 1 trilhão.

Já em 2016 denunciamos o ataque, pois impedir o aumento de recursos para os serviços públicos é impedir a construção de mais creches e escolas, a contratação de mais médicos, compra de mais materiais de saúde, a ampliação da rede de água e esgoto, em resumo: é piorar o que já não estava bom. Abrindo caminho para sucateamento e privatizações, que resultam num aumento do gasto que temos para garantir serviços básicos.

E se o desastre já estava óbvio, agora fica ainda pior: diante do novo corona vírus, nós precisaremos construir mais leitos (comuns e de UTI) e equipar os já existentes, contratar mais médicos, dispor de mais equipamentos de saúde, de transporte público de qualidade, de planos de assistência para trabalhadores adoentados e nada disso poderá ser feito se o Teto for mantido.

Portanto, para combater o vírus, o aumento dos preços de serviços básicos e para garantir atendimento em saúde de qualidade para os trabalhadores e para as trabalhadoras – em outras palavras garantir o nosso direito a vida – é necessário revogar a Emenda Constitucional 95 e encerrar o pagamento da dívida pública imediatamente.

Enquanto houver uma limitação dos investimentos em saúde e banqueiros sugando o nosso dinheiro não poderemos ter nossos problemas resolvidos e as filas dos hospitais crescerão, a falta de leitos para tratamento dos doentes se intensificará e o corona vírus será um problema muito maior colocando nossa vida em risco.

[CAB] NÃO É SÓ O CORONAVÍRUS QUE VEM ADOECENDO NOSSO POVO

Publicado originalmente em: https://anarquismo.noblogs.org/arquivos/1278

Tendo em vista o nível em que a situação chegou na Itália com o Coronavírus e como a pandemia vem avançando em outros países da Europa, muito tem se falado como é preocupante imaginar um cenário próximo no Brasil. Afinal, já são vastas as mortes por doenças comuns entre o povo mais pobre em nosso país, por conta da falta de saneamento adequado e de uma saúde pública de qualidade; quem dirá o que ocorrerá frente a uma pandemia dessas proporções.

A preocupação com fatalidades relacionadas a doenças está longe de ser uma novidade na vida do povo brasileiro. Só dando um exemplo mais próximo, a saúde do município do Rio de Janeiro vem enfrentando nos últimos anos uma verdadeira batalha pela sua própria subsistência frente aos inúmeros ataques vindos do prefeito Marcelo Crivela. Pensando mais nacionalmente, dados do ano passado apontam que ainda 48% da população segue sem coleta de esgoto. Exemplos não faltam nesse sentido. Como não lembrar da recentíssimo crise hídrica também no estado do Rio? O que esperar da saúde da população mais pobre frente a descasos como esses?

Não obstante, o Estado neoliberal que vem avançando agressivamente no Brasil nos últimos anos segue contribuindo para que tal cenário siga cada vez mais grave. Como nos esquecermos da Emenda Constitucional 95 de 2017, a chamada “Emenda do Teto de Gastos”, que congelou durante 20 anos os investimentos destinados a serviços públicos básicos, como a saúde; enquanto 40% dos cofres públicos seguem sendo sugados pelos bancos com juros da dívida pública? Atualmente, tramita na Câmara do Deputados uma proposta para um novo marco regulatório do saneamento básico, que visa colocar o serviço público ainda mais à disposição da iniciativa privada: ou seja, o direito básico será ainda mais limitado a apenas quem pode pagar por ele.

É urgente que a população exija medidas a serem tomadas frente a tal cenário, pensando tanto na ameaça imediata do Coronavírus quanto à médio e longo prazo na defesa da saúde pública, gratuita, universal e de qualidade. Na Espanha, por exemplo, foi decretado controle público de todos os hospitais privados, no intuito de controlar a pandemia; e na França, foram suspensos os pagamentos pela população de contas de serviços básicos como luz, água e gás. No Brasil, é necessário que o poder público siga esses exemplos!

>>> Contratação imediata de mais médicos, enfermeiros e demais agentes de saúde destinados à contenção do vírus, assim como disponibilização de mais leitos para os doentes!

>>> Distribuição gratuita de máscaras, álcool em gel e demais produtos de higiene para a população, assim como controle em seus preços!

>>> Controle público de hospitais privados e demais serviços de saúde, como exames domiciliares e “homecare”, e a anexação de todos estes ao SUS

[CAB] MULHER É RESISTÊNCIA NA LUTA POR VIDA DIGNA!

Pubicado originalmente em https://anarquismo.noblogs.org/arquivos/1245

MULHER É RESISTÊNCIA NA LUTA POR VIDA DIGNA!

Entra ano, sai ano, e as condições das mulheres seguem ao descaso pelos de cima. No contexto atual, com um governo federal de extrema-direita, que destila ódio pelas “minorias históricas” e leva a cabo medidas de miséria, absurdos conservadores, perseguições e sucateamento da máquina pública, não nos faltam motivos pra seguir lutando e construindo a dignidade de nossa gente, pela esquerda e desde baixo. O Brasil é um país com dimensões continentais, que sofre ataques da mais suja corja da política institucional por todo o território, além de estar sujeito aos dissabores e desmandos de um judiciário racista, misógino, elitista e meritocrata. 

A América Latina é a região mais desigual do planeta (1), consequência direta de nosso passado colonial, em que a desigualdade tem gênero e raça. O projeto imperial baseado na escravização de populações indígenas e negras, no modelo colonial de família, do homem branco heterossexualformata o sistema no qual tudo passa a ser uma moeda econômica. A exploração econômica baseada na distribuição desigual da terra, no saque e na devastação de recursos naturais, na urbanização desordenada, num sistema desigual de arrecadação de impostos (que tributa o consumo e não a renda ou propriedade) e que muito pouco reverte em serviços para as populações, são fatores que estruturam a desigualdade do nosso povo.

Em nosso continente, os 10% mais ricos concentram uma parcela maior da renda e os 40% mais pobres recebem a menor fatia do que em qualquer outra região do mundo. A consequência é uma diferença profunda nos índices de expectativa e qualidade de vida e no acesso aos direitos mais básicos como educação, saúde, moradia, emprego e recursos.

Como reação, por toda a nossa América Latina, vimos a revolta popular acontecer no último período e sabemos que o que leva o povo pra rua é o alto custo de viver, a vida cara e violenta para quem mais luta e batalha todos os dias. É a insegurança no trabalho, a privatização dos bens comuns, a falta de moradia, saúde e educação, é o preço de se alimentar bem, do transporte coletivo, a violência desmedida aplicada pelo Estado contra quem vai às ruas para se manifestar; é a luta pela recuperação e demarcação de territórios ancestrais. Pelas ruas do Haiti, Equador, Chile se viu a mobilização de um povo forte e diverso, em que os movimentos de mulheres, assembleias populares e povos originários organizados tiveram o protagonismo das reivindicações da classe oprimida.

 

MULHER É RESISTÊNCIA NA LUTA CONTRA O DESEMPREGO

  Dados recentes do IBGE(2) apontam que, apesar de representar 52,4% da população em idade de trabalhar, o grupo feminino responde por mais da metade do nível de desocupação. No recorte por idade, gênero e cor, jovens mulheres negras são as mais prejudicadas pelo desemprego. Essas taxas foram observadas em todas as grandes regiões. As populações negras apresentam dados de que, ainda que busquem mais por emprego (algumas chegam a esperar dois anos nas filas de vagas), têm percentual de desocupação superior à população branca em aproximadamente dois terços. As recentes Reformas Trabalhista, da Previdência e Carteira Verde Amarela, que dificultam o acesso a possibilidades de trabalho e nos condenam a trabalhar até morrer, são medidas antipopulares de aprofundamento da política neoliberal, pois “facilitam” para os empresários e retiram cada vez mais direitos do povo que busca uma forma de sustento. Esses pontos tratam apenas do trabalho formal e são um sinal de que nem a informalidade está dando conta de absorver as pessoas que perdem o trabalho, quando a precarização é forte – dentro da categoria de desemprego,  existem até as pessoas que não se julgam aptas a trabalhar e por isso desistem de procurar emprego, fazendo o que podem para sobreviver. Nós mulheres também somos maioria  em empregos informais(3), terceirizados, mal-remunerados e com escassa proteção dos direitos. Somos milhões de diaristas, manicures, ambulantes, motoristas de aplicativo, entregadoras, faxineiras. Com longas jornadas de trabalho, duplas e triplas jornadas e nenhuma proteção social. Sem contar o avanço conservador, que planta a semente do ódio de gênero nas mentalidades empreendedoras e difunde que “não vale a pena contratar mulheres, pois elas engravidam e têm que tirar licença maternidade remunerada”. Em resumo: a mulher tem que ser dona de casa, tem que ter filhos e ficar em casa cuidando para que o marido possa trabalhar e prover a casa – a fotografia de uma família “de bem”. 

 

MULHER É RESISTÊNCIA NA LUTA CONTRA A VIOLÊNCIA

Em 2019, o IPEA publicou o Atlas da Violência(4), que traz dados sobre o aumento de casos de feminicídio nos estados brasileiros. Como se não fosse o suficiente, também há dados de que 60% das mulheres que vivem com seus companheiros sofrem violência doméstica, sendo 10% com casos de violência agravada. Ser mulher é ter que resistir até dentro de casa, quando o Estado legitima como crimes passionais assassinatos que não têm nada além de ódio de gênero.

Além da violência que sofremos dentro de casa, também enfrentamos a violência organizada de Estado que nos atinge seja pela ausência de serviços públicos de qualidade, seja pela mão armada de forças treinadas da PM e do Exército. Aqui fazemos memória ao assassinato de Marielle Franco, mais uma ação orquestrada entre tantas para dizimar o povo negro e pobre e para enviar um recado a todas e todos que se colocam contra o massacre desenfreado promovido nas periferias.

Se, por um lado, sofremos e vemos nossas conhecidas, amigas, irmãs, mães, filhas e vizinhas sendo submetidas a violências físicas, psicológicas e políticas cotidianamente, temos que ressaltar também o crescimento da solidariedade, dos olhares mais atenciosos a nós mesmas, que se reproduzem cada vez mais nas escolas, comunidades, universidades e sindicatos. União por meio de assembleias, espaços para denúncias, acolhimento e autocuidado, grupos que se preocupam com as necessidades básicas do lar das mulheres de baixo.

Rechaçamos os discursos tradicionais e conservadores dos poderosos e da mídia manipuladora de padrões que buscam proteger os valores familiares tradicionais, reforçando o modelo patriarcal!

MULHER É RESISTÊNCIA NA LUTA PELO ACESSO À SAÚDE

Os cuidados com a saúde também costumam ser relegados às mulheres, que cuidam de si e de familiares e dependentes. Começando pela alimentação, que é a chave da boa saúde, passando pelos cuidados com a higiene diária e, nos casos extremoschegando aos cuidados de pessoas acamadas e que necessitam de gestão da medicação e repouso, lá estão as mulheres da comunidade, batalhando pela integridade da vida.

Os planos de saúde no Brasil e na América Latina são considerados artigos de luxo para quem pode pagar. Gastos basais de manutenção de um plano podem chegar a 46% da renda de uma família(5), sem contar o gasto com medicamentos. O Sistema Único de Saúde – modelo exclusivo no Brasil – é a mão estendida para quem não tem como arcar com a saúde privada. Ainda que sofrendo ataques de desmonte cada vez mais, como fechamento de postos, demissão de funcionários/as, cortes na compra de materiais e medicamentos, atrasos nos salários, o SUS é a forma que o povo tem para acessar a saúde e o bem-estar.

No Chile, sonho econômico dos poderosos do andar de cima, a saúde é privada, caríssima e… precária! Os postos estão sempre cheios, os quadros não melhoram e os pacientes ainda têm que pagar pelo serviço prestado. Afundam-se em dívidas impagáveis, sendo que muitos/as idosos/as, já cansados de trabalhar e sem esperança de seguir vivendo de maneira digna, cometem suicídio(6).

A vida cara para o povo brasileiro afeta ainda mais as mulheres negras e periféricas, que resistem também ao racismo institucional e às políticas de branqueamento – desde os direitos reprodutivos até tratamentos especializados. E por falar em direitos reprodutivos, o caráter nefasto do governo atual sugere explicitamente a esterilização forçada em massa de mulheres negras ou em situação de rua, com a alegação absurda de que “a esterilização de pobres e miseráveis é um recurso necessário para o combater miséria e crime”(7) e (8). Ou seja, essa é a política pública defendida para as mulheres de baixo, ao invés de saúde e educação. Do outro lado, o puritanismo conservador do Estado faz questão de retirar a autonomia dos corpos femininos, dificultando a implementação do aborto seguro, minando ideologicamente a possibilidade do debate(9)por meio de argumentos falaciosos e de viés religioso(10).

MULHER É RESISTÊNCIA NA LUTA PELA EDUCAÇÃO

O acesso à educação e uma formação de qualidade ainda é uma realidade distante para muitas mulheres. A educação sexual e de gênero, que levamos como pauta nas lutas, foi retirada do PNE (Plano Nacional de Educação), assim como da nova BNCC (Base Nacional Comum Curricular). Enquanto isso, pelo menos 184 mil casos de violência sexual contra crianças e adolescentes foram registrados entre 2011 e 2017, de acordo com boletim epidemiológico do Ministério da Saúde. Ainda, núltimo dado do Ministério da Saúde, consta que 72% das pessoas que sofrem violência sexual são menores, sendo que 18% são menores de 5 anos. Nós, mulheres latinoamericanas que nos levantamos pelo direito de decidir sobre nossos corpos, gritamos “educação sexual para decidir, anticonceptivos para não abortar, aborto legal e seguro para não morrer”.

Não nos restringimos somente ao aborto quando falamos em educação sexual e de gênero, mas também sobre proteção, saúde, autocuidado e cuidado com o outro. Além disso, entendemos também que a discussão é uma ferramenta para que nós, meninas e mulheres, possamos identificar as diversas violências que sofremos ao longo de nossas vidas, assim como as desigualdades que nos atravessam. Como se não bastassem esses ataques, o que o governo propõe como “educação sexual” é uma campanha ridícula e fundamentalista pautada na abstinência sexual.

Sobre os últimos números da taxa de escolaridade, muitos  setores liberais e progressistas comemoraram o aumento da escolaridade de nós mulheres em relação aos homens. Todavia, ainda temos jornadas duplas e até triplas, fator que se agrava mais em relação às mulheres negras. Mesmo assim, nos instruindo por conta própria e com outras companheiras, enfrentando casos de assédio nos locais em que estamos, resistimos e avançamos.

As mulheres também são resistência na Educação Básica brasileira. Com mais de 2,2 milhões de profissionais pelo Brasil, 80% da rede é constituído por mulheres (dados do Censo Escolar da Rede Básica, INEP). As mulheres são a maioria na categoria de professores, assim como também são a maioria de trabalhadores da limpeza e merenda escolar. Nesse sentido, são essas mulheres que têm enfrentado diretamente a precarização e os ataques à Educação pública no país, que têm feito luta todo dia nas escolas das periferias, do campo e da cidade. Não podemos deixar de mencionar que, significativamente, a Educação Básica realizou diversas greves no decorrer de 2019; destacadamente, Mato Grosso e Rio Grande do Sul vivenciaram greves intensas de mais de 60 dias, com corte de salários, ameaças e perseguições. As mulheres, como maioria nessas categorias, estavam nas linhas de frente dos enfrentamentos, protagonizando as greves e defendendo a Educação Básica pública como direito. SOMOS RESISTÊNCIA NA LUTA PELA EDUCAÇÃO. Desde o movimento secundarista, nas universidades, nas escolas, nos movimentos de mulheres da floresta e do campo, lutamos por uma educação que seja autônoma, de qualidade, gratuita e libertadora.

MULHER É RESISTÊNCIA PARA ACABAR COM A FARRA DOS RICOS E A SANHA AUTORITÁRIA

Setores reformistas muito têm falado sobre o “voto feminista”. Mas nós, mulheres anarquistas, que nunca tivemos ilusões no parlamento burguês, rechaçamos esse caminho. Supor que novos “representantes” eleitos, mesmo que sejam mulheres feministaspodem promover justiça social é ingenuidade ou jogo de poder de quem opera na arena da política institucional, reformista e eleitoral. Nenhum avanço é feito se não pela pressão popular, pelo grito e pela luta das e dos de baixo. Ninguém sabe o que é melhor para nós do que nós mesmas. Os mesmos tiranos de sempre nos oprimem e retiram direitos. Os governos não passam de fantoches do mercado que usam o Estado para nos matar e lucrar, garantindo os privilégios dos ricos. O horror do sistema capitalista cruel e assassino, que destroça corpos e populações inteiras para garantir a exploração e interesses dos poucos que detêm dinheiro e poderNós acreditamos que todas e todos devem ter vez e voz de forma igualitária, o que não acontece quando há alguém no poder para decidir a partir de seus interesses. Acreditamos na igualdade e solidariedade entre nós mesmas. 

A atual cena política está conturbada pelo confronto aberto entre Congresso e Governo, com contornos de “crise institucional”, com convocação em favor de um golpe autoritário e que conta com o apoio aberto de figuras proeminentes no governo, como o general Augusto Heleno e o próprio presidente Jair Bolsonaro. Se, por um lado, reconhecemos que a tática reformista de disputar o Estado  não aponta para câmbios estruturais (ou seja, não está em jogo romper com as estruturas de dominação – econômica, racial e de gênero), por outro lado, não será com um aprofundamento da concentração do poder político nas mãos sanguinárias da milicada que as angústias do povo pobre serão solucionadas. Contra mais esse avanço conservador, que com certeza representará uma nova escalada no cerceamento das liberdades públicas e individuais (ainda mais contra nós, mulheres) a saída é uma só: a radicalização da democracia, ultrapassando os limites do fajuto sistema representativo burguês. Assim como às mulheres cabe o direito de decidir sobre nossos corpos, é direito do povo definir diretamente qual será seu futuro. Contra a sanha autoritária dos milicos e o saque dos ricos aos bens coletivos, construir uma frente das e dos oprimidos contra o modelo antipovo e de ajuste e repressão!  Pelo direito popular de tomar decisões sem intermediários, pela anulação do sistema da dívida pública (que sequestra 50% do orçamento nacional para pagar o sistema financeiro), da reforma trabalhista (que cortou direitos da classe trabalhadora) da reforma da previdência (que liquida com aposentadoria da maioria e o seguro social que protege os vulneráveis), e contra todos os cortes de verbas e leis de arrocho sobre a saúde, a educação e programas sociais! 

O fruto que produzimos é resultado da semente que plantamos. Só alcançaremos vitórias se a mudança for feita dentro de um espírito de revolução social, sem conciliação, sem parlamentos, trazendo uma transformação completa das condições de exploração que vivemos. O bolo dos ricos é feito do que nos roubam. É nossa tarefa nos mantermos firmes na luta e nos prepararmos para tomar o que nos pertence. Lutar contra a pobreza e o aumento do custo de vida para o povo brasileiro e pela distribuição igualitária das riquezas. Lançar mão do que for necessário para dividir esse bolo, pois violentos são os que nos exploram. 

Com autorganização e democracia direta, construir o caminho para cobrar essa dívida.

LUTAR E RESISTIR NAS RUAS!
8M NAS JORNADAS DE LUTA DAS MULHERES!
14M EM MEMÓRIA DE MARIELLE FRANCO E CONTRA A REPRESSÃO E AS POLÍTICAS DE MORTE DO ESTADO!
18M NA LUTA NACIONAL DA EDUCAÇÃO E PELA DEFESA DOS SERVIÇOS PÚBLICOS!
A DERRUBAR ESTADO, CAPITALISMO E PATRIARCADO!
MULHER É RESISTÊNCIA NA LUTA POR VIDA DIGNA!

 

[CURITIBA] LANÇAMENTO DO ROMANCE “O LIVRO PRETO DE ARIEL”

LANÇAMENTO DO LIVRO PRETO DE ARIEL COM A PRESENÇA DO AUTOR HAMILTON BORGES 

É com muito orgulho e satisfação que convidamos a todos e todas para o lançamento do romance “O livro preto de Ariel: Relatos de uma guerra racial genocida contra pretos e pretas da Bahia”, com um debate com o autor e militante Hamilton Borges, em 09/01 na livraria Vertov, às 17:30.

A VENDA DOS LIVROS SERÁ TOTALMENTE REVERTIDA PARA O CUSTEIO DAS ATIVIDADES DA @REAJA OU SERÁ MORTO, REAJA OU SERÁ MORTA

Sobre o autor:
Hamilton Borges nasceu e se criou na Rua do Curuzu, Liberdade, Salvador e, atualmente, vive no Engenho Velho de Brotas. Afirma que seu conhecimento vem dos movimentos de luta preta e do convívio afetivo com as mulheres de sua família, especialmente sua avó paterna. Idealizou e integra a organização política “Reaja ou será mort@” e atua na Escola Pan-africanista Winnie Mandela. Coordena o Projeto Cultura Intramuros na Penitenciária Lemos Brito onde desenvolve ações de política cultural e luta por direitos de prisioneiros e prisioneiras. Publicou, pela Editora Reaja, em 2017, “Teoria Geral do Fracasso”, livro de poemas e em 2018, “Salvador, cidade túmulo”, livro de contos, que foi traduzido e lançado na Califórnia e em Washington nos Estados Unidos da América. Participou de algumas antologias, a exemplo da “Negrafias: literatura e identidade”, publicada pela Ciclo Contínuo e, desde os anos 90, divulga sua produção literária pelas redes sociais/ internet. Se filia a uma literatura quilombista, preta de combate. Nos anos 80, criou o grupo de intervenção poética “Os Maloqueiros”. Hamilton Borges, raspado e pintado para Ogum, não teme a guerra.”

Link para o evento: https://www.facebook.com/events/470356097237147/

Apoio: Coletivo Anarquista Luta de Classe e Livraria Vertov

Não ao golpe civil-militar na Bolívia!

Publicado originalmente em: https://anarquismo.noblogs.org/?p=1208

Repudiamos a ação golpista que se desenrola neste momento na Bolívia. Sob pressão do imperialismo, do exército boliviano (herdeiros da ditadura de Hugo Banzer) e da extrema-direita boliviana, a renúncia de Evo Morales evidenciou a articulação golpista formalizada nas manifestações de direita que ocorreram logo após os resultados eleitorais.

O principal articulador das passeatas de direita foi o golpista e empresário Luís Fernando Camacho, líder da chamada União Cívica, Camacho é um católico fervoroso e oriundo das regiões mais ricas da Bolívia.

Áudios vazados demonstram a articulação do imperialismo para realizar o golpe por meio de seus mecanismos de guerra suja, com o objetivo de garantir os interesses econômicos e políticos na região. Por esses áudios, desconfia-se igualmente, do envolvimento do governo brasileiro na ação golpista.

O imperialismo volta a atuar na América Latina para acabar com quaisquer ensaios de mínima soberania nacional na economia.

Entendemos que deste modo, não podemos nutrir nenhuma ilusão pela via institucional e tampouco ceder à direita um único centímetro de direitos populares. Somente a organização popular dos/as de baixo pode garantir a manutenção e conquista de direitos sociais e econômicos. É só a auto-organização popular e a ação direta que pode derrotar a ação imperialista em nosso continente.

Que o povo boliviano derrote os golpistas nas ruas e construa referências de poder popular para esmagar o imperialismo e a extrema-direita boliviana!

Nenhum golpe civil-militar na Bolívia!

Que o destino dos povos não seja definido pelas Forças Armadas, mas sim pela luta popular!

Enfrentar o golpe das FFAA e a direita fascista!

Defender conquistas pela luta e organização!

Pela construção do poder popular!

Não passarão!

Coordenação Anarquista Brasileira (CAB)
Federación Anarquista Uruguaya
Federación Anarquista de Rosario (Argentina)
Federación Anarquista Santiago (Chile)
Organización Anarquista de Córdoba (Argentina)
Vía Libre (Colombia)

SOLIDARIEDADE AO POVO DO CHILE! CONTRA O AJUSTE E A REPRESSÃO DE PIÑERA!

Publicado originalmente em: https://anarquismo.noblogs.org/?p=1205


Como tem acontecido nos últimos anos em diferentes países da região, produto do surto de ajuste e repressão que atinge diferentes setores da classes oprimidas, vemos nas ruas uma grande resistência ativa e popular. Analisados em conjunto essas ondas parecem responder, como é geralmente, ao alinhamento de governos para interesses imperialistas.

Além do aumento do custo de vida, insegurança no trabalho, pilhagem dos ativos bens comuns, falta de moradia, saúde e educação, outro denominador comum é o repressão selvagem que os Estados realizam para conter as enormes mobilizações, em muitos casos com o uso da força militar.

Podemos dizer hoje que esse também é o caso no Chile. Viemos de décadas de luta pelo acesso à educação, moradia, em defesa do salário e acordos de recuperação de territórios ancestrais, com destaque para os/as estudantes, portuários, movimento de mulheres, assembléias comunidades ambientais e mapuche, entre outros setores.

Hoje explode massivamente a rebelião contra o aumento do transporte público, contra medidas do governo Piñera, que não hesitou em enviar as forças repressivas para rua – o mesmo que a ditadura de Pinochet -, e restringir ainda mais os direitos de protesto e participação política, impondo um toque de recolher e somando dois mortos e pelo menos 16 feridos até agora nos dias de repressão

Mas a resistência também aumentou e devemos reconhecer como uma conquista o fato de Piñera recuar com o aumento de passagem.

Assim como aconteceu no Equador, Haiti, Porto Rico, onde o avanço do poder popular conseguiu conter o ataque das classes dominantes, esperamos que o mesmo ocorra no Chile, onde os setores populares têm um rico histórico de lutas e resistência ao longo da história. Acreditamos que esse movimento iniciado por estudantes e outros setores populares, poderão colocar um freio tanto nas políticas neoliberais quanto à perseguição e repressão que o governo desencadeia nos de baixo.

Do anarquismo organizado, acreditamos que é de vital importância multiplicar nossa participação e promover ativamente esses processos de resistência popular, nascidos no acúmulo de tensões e reivindicações populares, orientadas a gerar objetivos, estratégias e alianças com diferentes setores da classe oprimida.

Mostra-se prioridade transcender e transbordar qualquer tentativa de liderar eleições, que os setores reformistas institucionais nos acostumaram (deslocando os interesses da classe oprimida pelos da burguesia), como eles tentaram no Equador, onde estavam claramente expostos e desorientados. A necessidade de uma greve geral e de uma grande mobilização para derrubar o ajuste e a repressão de Piñera está à vista.

A solidariedade ativa das organizações populares em todo o continente devem se expressar imediatamente em embaixadas, consulados e multinacionais chilenas com sede nos países da região.

Viva a luta do povo chileno!

Abaixo ao ajuste e a repressão de Piñera!

Arriba las/los que luchan!

CAB – Coordenação Anarquista Brasileira

FAU – Federación Anarquista Uruguaya

FAR – Federación Anarquista de Rosario (Argentina)

FAS – Federación Anarquista Santiago (Chile)

OAC – Organización Anarquista de Córdoba (Argentina)

[CAB] BASTA DE INTERVENÇÃO EM ROJAVA! TODO APOIO À REVOLUÇÃO CURDA!

Publicado originalmente em https://anarquismo.noblogs.org/?p=1201

Depois de mais de meia década a implantar um novo jeito de viver, produzir e existir – com ecologia social [1], com igualdade de gênero e derrotando o capitalismo, o terrorismo e o patriarcado cotidianamente em uma revolução social libertária [2], as e os bravos combatentes do Curdistão, no noroeste da Síria, hoje amanheceram precisando lidar com mais um ataque violento contra sua autonomia e seu povo.

Dessa vez, são os Estados Unidos, que se beneficiaram do fato de os exércitos curdos serem a única força terrestre [3] enfrentando cidade a cidade os fundamentalistas do Estado Islâmico, que agora abrem as portas e estendem o tapete para que a Turquia, governada pelo facínora Erdogan, cometa um genocídio feroz contra o povo curdo, destruindo sua revolução e tomando seus territórios liberados [4].

O povo curdo, através dos seus exércitos populares, destruiu o Estado Islâmico [5], perdendo mais de 10 mil combatentes que deram suas vidas pela liberdade de seu povo, ao mesmo tempo em que inaugurou um dos processos mais avançados de luta popular revolucionária, construindo, de uma só vez, uma sociedade anticapitalista, libertária, ecológica, com liberdade sexual e radicalmente feminista [6].

A brava rebeldia em Rojava, que muito nos inspira e cujos ganhos são também sentidos por nós, aqui neste canto do mundo, como sopros de esperança e luzes que apontam para o poder da ação direta e revolucionária feita sem Estado e sem patrão, é uma rebeldia que não se dobrou diante de cada nova investida do terror religioso e do terror de Estado, e que seguirá, mais uma vez, em pé, de punho erguido contra mais esse ataque se prepara no horizonte.

Nos solidarizamos radicalmente ao povo do Curdistão, denunciando que o imperialismo não hesita em atacar as ousadas experiências dos povos ao redor do mundo, e nos colocamos lado a lado às unidades de proteção popular em Rojava, estendendo o ombro fraterno e o punho militante sempre em riste a defender a revolução, a resistir ao imperialismo e a construir outro mundo sem estado, sem patriarcado e sem capital.

Todo nosso apoio à resistência curda!
Não ao ataque turco e a qualquer intervenção estrangeira!
Não arredar pé! Rodear de solidariedade os povos em luta!

  1. https://rojavaazadimadrid.org/la-ecologia-social-y-el-mundo-no-occidental/?fbclid=IwAR26EwNKsnAMW4CLleJ6E8zQTOaQK4VvP1O6JHLwULfTkY_YHy8d7oRK0UY
  2. http://www.seer.ufu.br/…/criticasociedade/article/view/39283
  3. http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-64452019000100009&fbclid=IwAR1drdTUv-meMrqJySU8nZv7Au219pPI2xFn84_pyZ52BtGhmzRf4w8-oD0
  4. https://sicnoticias.pt/mundo/2019-10-07-Curdos-sirios-alertam-que-invasao-militar-turca-vai-fazer-ressurgir-Daesh?fbclid=IwAR1evGEn3d4JNWkJNz-h_6WOg0dE4ISyfcbMPsHs49SmyPCsGspSHRbAfcc
  5. http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/06/forcas-curdo-sirias-expulsam-estado-islamico-de-kobane.html?fbclid=IwAR0GRi9QyU4tqyrM_ZGTRDsjxicaihWM_yc9GGja-62qLRA2faFer3XVWE4
  6. https://www.vice.com/pt/article/9kwpzv/a-revolucao-mais-feminista-que-o-mundo-alguma-vez-testemunhou?fbclid=IwAR0qOD9ESjNe_UwCINBAiK4awM3hwWKrzRUkr3Gew5nHxhIEvE6JYgSxpiM

[CAB] 28 DE SETEMBRO: ABORTO, DIREITOS REPRODUTIVOS E A LIBERDADE DAS MULHERES

signal-2019-09-28-194723.jpg (751×485)

“Poderei ser presa, poderei ser julgada e enviada para a cadeia, mas não estarei nunca em silêncio; nunca consentirei ou me submeterei a autoridade e tampouco farei as pazes com um sistema que degrada a mulher à mera incubadora e que engorda graças a suas inocentes vítimas. Aqui e agora declaro guerra a este sistema e não descansarei até que se tenha aberto o caminho para uma maternidade livre e uma infância saudável e feliz.”

Emma Goldman no texto “The Social Aspects of Birth Control”, publicado na revista Mother Earth em abril de 1916. Tradução nossa. 

Em nossa construção anarquista e feminista, a autodeterminação reprodutiva sempre foi pauta defendida pelas mulheres em luta. Nesse 28 de setembro, dia de luta pelo aborto legal e seguro, pela descriminalização e legalização; no espírito de luta das Mujeres Libres, de Emma Goldman e tantas companheiras que nos precederam, refletimos sobre a conjuntura política à luz desta agenda tão cara para os direitos das mulheres.

Uma série de acontecimentos da conjuntura requerem nossa atenção e reação. Neste mês Bolsonaro anunciou que solicitou ao MEC um projeto para acabar com o que chama de “ideologia de gênero”[1] nas escolas, medida que objetiva interditar o debate de gênero e diversidade sexual no âmbito da educação. Na América Latina no geral há um forte movimento contra a suposta ideologia de gênero, levada a cabo por governos com apoio de bases católicas e evangélicas, numa guerra contra as mulheres e os avanços conquistados pelos movimentos organizados.  A censura nas artes têm tido como alvo prioritário as peças, filmes, livros e criações que tratam desse tema, como no exemplo recente da Bienal do Rio de Janeiro.

Após o lançamento do programa “Abrace Marajó”, da ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, uma recente investigação na Ilha de Marajó demonstra a relação consequente da fome, da pobreza e da ausência de políticas públicas com a exploração sexual de meninas e mulheres. É um dos locais com os índices mais altos de exploração sexual infantil com meninas se prostituindo por comida, sendo abusadas pelos pais, tios, avôs e engravidando dos estupros cometidos pelos familiares. O Anuário de Segurança Pública 2019, divulgado também esse mês, traz as sangrentas estatísticas de aumentos de feminicídios e de estupros, com uma menina estuprada a cada 4 horas.

Uma nova resolução do Conselho Federal de Medicina retirou das mulheres grávidas a escolha sobre procedimentos indesejados sobre seus corpos se os médicos acharem que não é o melhor para o feto. Procedimentos dolorosos ou invasivos poderão ser feitos mesmo sem autorização das mulheres, em mais uma manobra onde a medicina tutela os corpos em nome dos direitos de um feto, deixando claro que para o sistema somos incubadoras, não pessoas de direitos.

O discurso religioso que contamina as políticas públicas segue se acirrando. O novo procurador-geral da República Augusto Aras assumiu compromisso com setores evangélicos através de um manifesto para valores cristãos e pautas morais. Na pauta, além da anticorrupção, estão temas como a proibição do aborto, reconhecimento exclusivo da família heterossexual e monogâmica, cura gay, combate ao nome social e reconhecimento de identidades de gênero, criação de cargos de estado para a “defesa da liberdade religiosa”. Em meio a crises no governo, há um movimento de maior aproximação de Bolsonaro com evangélicos para driblar as crises diplomáticas, a questão ambiental e os ruídos com o lavajatismo, acenando com mais isenções fiscais para as igrejas e reforço das pautas morais.

Por outro lado, as mulheres que são mães têm tido o futuro dos seus filhos arrancados pela mão do Estado racista e patriarcal a serviço do capital. Muitas mães choram a morte de seus filhos pela política genocida que corta nossa carne e é máquina de moer pobres e negros. Muitas crianças vivem a violência absoluta da miséria de tudo: não têm transporte, não têm moradia digna, não têm comida, não têm escola, não têm atendimento médico, não têm afeto. Os ricos e poderosos ao mesmo tempo impedem o direito de decidir das mulheres e nos matam com suas políticas antipovo que nos exploram só fazem aprofundar as desigualdades sociais.

Mas e o que tudo isso tem a ver com o aborto?

O tema do aborto é ainda uma questão relegada ao campo da religião, da moralidade e da clandestinidade. É pauta das feministas que defendem como um direito, mas também das igrejas e dos políticos, abordado numa agenda para a religião e um modelo de família.  O patriarca branco é a versão familiar do corpo político nacional. As narrativas disciplinadoras do controle da força reprodutiva e de trabalho das mulheres na família e na vida pública são pilares da ordem racial, sexual e econômica do capitalismo. O controle dos nossos corpos e o cisheterossexismo são instrumentos para a manutenção de uma ordem global baseada em explorações múltiplas. Todos os elementos que pontuamos se interligam demonstrando que as políticas de morte e de “vida” dos poderosos e o controle dos corpos mantém o sistema funcionando e reproduzem as desigualdades. É por isso que os temas chamados morais estão na ordem do dia da ofensiva conservadora e neoliberal em curso.

Nas ruas, pelo mundo afora, as mulheres gritamos pelo nosso direito de decidir. Nos congressos, nas igrejas, nas mesas dos poderosos de ternos e fardas, homens se unem para impedi-lo a todo custo. A legislação do aborto é feita por homens para os homens, onde a criminalização do aborto é um exemplo escandaloso da negação da liberdade das mulheres. Decidir ser mãe ou não ser mãe é a expressão de uma liberdade. Não reconhecemos nenhuma lei de deuses, homens, ou culturas que possam nos impor a maternidade ou a negação dela (no caso de políticas de esterilização). Não há nada que possa impedir uma mulher de interromper uma gestação. Mas o direito de decidir e políticas de educação e saúde sexual eficazes podem nos impedir de morrer.

Quando falamos em aborto, estamos falando não apenas do procedimento em si, que queremos disponibilizado na rede pública de saúde de forma legal e segura, mas de uma série de temas e pautas que envolvem os direitos reprodutivos. É uma questão que não admite debate no âmbito do ser contra ou a favor, mas sim no campo da saúde pública e do direito ao corpo. Quando falamos em aborto estamos falando de educação sexual, orientação de planejamento familiar, atendimento psicológico, acesso a contraceptivos, combate à desigualdade de gênero.

Não abrimos mão da liberdade de escolher. A luta pelo aborto legal e seguro é uma luta por liberdade, pelos nossos corpos, pelas nossas vidas. Não recuamos da luta contra o avanço conservador e pelo direito à vida plena de todos os corpos. Defendemos uma educação emancipadora de gênero e sexualidade como forma de combate à violência de gênero e à violência LGBTfóbica. Queremos autonomia e autogestão dos nossos corpos. Educação sexual para prevenir, contracepção para não engravidar, aborto legal, seguro e gratuito para não morrer. Precisamos estar organizadas e tomar as ruas em luta. Com ação direta, lutar contra o estado racista, o capitalismo e patriarcado. Construir o poder popular para barrar a opressão dos nossos corpos. É o caminho que nós, anarquistas, trilhamos.

POR NENHUMA A MENOS!

POR TODAS AS MULHERES MORTAS EM ABORTOS CLANDESTINOS NENHUM MINUTO DE SILÊNCIO!

TODA NOSSA VIDA DE LUTA!

Construir um povo forte! Construir mulheres fortes!

Coordenação Anarquista Brasileira

[1] “…termo cunhado pelo Vaticano, mas que hoje serve de guarda-chuva para reunir diferentes grupos de interesse que lutam contra o avanço dos direitos sexuais e reprodutivos, visando a preservar uma estrutura de poder que tem o homem branco heterossexual no topo de todas as hierarquias sociais. O termo é a divergência entre o movimento feminista e os interesses religiosos e políticos, que associa a luta por igualdade no âmbito dos direitos humanos com perversões e crimes como pedofilia, no delírio de uma conspiração feminista global.” Fonte: http://reporterpopular.com.br/especial-8m-mulheres-resistem-queimem-as-bruxas-ideologia-de-genero-e-a-guerra-contra-as-mulheres/

SOLIDARIEDADE AO POVO EQUATORIANO EM RESISTÊNCIA AO PACOTE DE MEDIDAS E À REPRESSÃO DE LENIN MORENO

Nota da Federação Anarquista Uruguaia, Coordenação Anarquista Brasileira, Federação Anarquista de Rosário, Federação Anarquista Santiago e Roja Y Negra

Manifestamos nossa mais profunda solidariedade com o povo equatoriano, nesse momento mobilizado contra o pacote de medidas do presidente Lenin Moreno e suas políticas de ajustes e fome. Pudemos observar nos últimos meses como o regime de Moreno tem avançado sobre os setores populares, tentando atacar suas principais conquistas. Exemplo disso são das tentativas de aumento dos combustíveis (o que provocará aumento imediato dos produtos da cesta básica, o transporte e o custo de vida), e a proposta de uma reforma trabalhista antipopular, que expressa o aprofundamento de políticas de corte neoliberal.

A isso, devemos somar uma retomada de relações carnais com o imperialismo norteamericano e o reestabelecimento de apoio à organismos credores como o FMI, em uma economia já dolarizada há muitas décadas.

Mas os setores populares, sindicatos e organizações sociais e os povos originários de Equador, longe de ser espectadores do processo de desmantelamento, vem oferencendo resistência com atos e manifestações. Nos últimos dias, o descontentamento popular transbordou-se pelas ruas em manifestações com milhares de pessoas nas principais cidades, o que fez o Estado responder com a maior brutalidade, deixando cerca de 300 feridos, e colocando o país em Estado de sítio.

Se a situação é bastante crítica, e se vivem horas decisivas para o povo equatoriano, as organizações populares decidiram seguir nas ruas para resistir ao avanço da repressão – de tons ditatoriais – e rechaçar de maneira contundente o avanço neoliberal, fazendo frente ao avanço imperialista na região. A consigna que se repete nas ruas de Quito, Guayaquil ou Cuenca chama a se aprofundar a luta e a resistência contra as forças repressivas e o Estado equatoriano.

Desde nossas regiões, não podemos fazer outra coisa que somarmos a fazer resistência e pressão nesse sentido, indo inclusive nas embaixadas e consulados do Equador.

Viva a resistência do povo equatoriano!
Abaixo o pacote de Moreno!
Arriba los que luchan!!

Assinam:
*Federación Anarquista uruguaya – FAU (Uruguai)
*Coordenação Anarquista Brasileira – CAB (Brasil)
*Federacíon Anarquista de Rosario (Argentina)
*Federación Anarquista Santiago (Chile)
*Roja Y Negra (Argentina)

Organização parte da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB)

Kurdistan America Latina

Organização parte da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB)

Alternativa Libertaria_FdCA

Alternativa Libertaria_FdCA

UCL - Union communiste libertaire

Organização parte da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB)

Black Rose/Rosa Negra Anarchist Federation

Organização parte da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB)

Federación Anarquista de Rosario (ex Columna Libertaria Joaquín Penina - Rosario, Argentina)

Organização parte da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB)

Coordenação Anarquista Brasileira

Organização parte da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB)

Federação Anarquista Cabana – FACA

Organização parte da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB)

MPA Brasil

Organização parte da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB)

Rádio Gralha | 106,1 MHz | Curitiba

Organização parte da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB)

FTA - Frente Terra e Autonomia

Organização parte da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB)

Mulheres Resistem

Organização parte da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB)

Resistência Popular MT

Lutar, criar, poder popular!

Resistência Popular - Alagoas

Organização parte da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB)

Tendência Estudantil da Resistência Popular

Organização parte da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB)

Estratégia e Análise

Organização parte da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB)