Discurso do FAO nos 55 anos da FAU

Companheiros e companheiras,

É com muita alegria que compartilhamos com vocês a celebração deste 55º aniversário da Federação Anarquista Uruguaia. Sentimos a presença viva de nossas raízes. Os companheiros fundadores da FAU nos contam hoje os feitos históricos dos velhos que conviveram com a mais antiga geração de militantes do séc XIX. E nós, somos uma geração nova de militantes e organizações que surgiram no Brasil há pouco mais de uma década. No entanto, apesar de jovens nos sentimos parte da epopéia vivida pelos primeiros anarquistas do final do século XIX e início do século XX. Trazemos a luta histórica para as necessidades contemporâneas e assumimos a nossa condição de origem.

 

Até o nosso primeiro contato com a FAU, foi preciso quase um ano de relações permanentes, enfrentando os custos, as distâncias e as dificuldades de comunicação através das cartas que não tinham fim. O informe da viajem de um companheiro brasileiro a Montevidéu, deu a empolgação e o fermento para a criação da organização anarquista um ano depois. Em 1995, era fundada a Federação Anarquista Gaúcha. Os anos foram passando e seguimos trabalhando na construção de uma organização anarquista brasileira através da coordenação conjunta com grupos e organizações regionais. Iniciamos em 2002 o Fórum do Anarquismo Organizado que fez adesão à proposta especifista. Com erros e acertos, temos amadurecido e aprendido com esse processo de coordenação que completará uma década contando com dez estados em todo Brasil.

 

 

Do nosso vizinho Uruguai, herdamos as tradições da luta libertária ininterrupta desde 1870. E é na região do Rio da Prata onde se concentraram os imigrantes italianos e espanhóis que trouxeram na bagagem a influência bakuninista da 1ª Internacional. Trouxeram também posições questionadoras a fundo da ordem capitalista, partidárias da ação direta e da insurreição violenta. Essa paixão pela liberdade depois se fez presente nos anarquistas expropriadores, no sindicalismo classista e combativo, ambos fatores importantes que vão influenciar a criação da nossa co-irmã Federação Anarquista Uruguaia. Ao longo dos 55 anos de história, a FAU enfrentou o Estado, a oligarquia e o imperialismo, promovendo a luta de classes e a ação direta em todos os níveis.

 

Conjuntura internacional: o golpe financeiro e a luta dos povos

 

O poder financeiro global deu um golpe infame nos cofres públicos desde o estouro da bolha imobiliária de setembro de 2008. A desregulamentação do setor deu liberdade de movimento para os esquemas especulativos do capitalismo e permitiu uma gigante operação fraudulenta com produtos financeiros sem lastro real – uma série imensurável de derivativos afogou o mercado capitalista. A bancarrota dos maiores bancos do mundo, partindo dos norte-americanos espalhou por todos lugares, em maior ou menor grau, o drama econômico que assistimos.

 

Os altos executivos e operadores de Wall Street montaram um esquema sofisticado nas barbas da política liberticida das autoridades monetárias. Na bolha imobiliária, para fazer um exemplo curto e grosso, as financiadoras da casa própria vendiam no mercado os seus papéis para grandes bancos e fundos de investimentos explorarem os juros do mutuário. Os bancos por sua vez contratavam seguro para suas aplicações e especulavam contra elas para tirar lucros do seguro. A inadimplência do mutuário sujeito a trampa financeira detonou o esquema e arrastou toda a economia para o atoleiro com despejos em massa de moradores, milhões de demissões, falências da indústria, recorte de direitos sociais e serviços públicos. Que ninguém se engane: a jogatina não foi simplesmente uma aventura descontrolada dos capitais financeiros, todo o universo da propriedade capitalista se meteu no cassino financeiro global.

 

Resulta que após o golpe dos “abutres” o governo dos Estados Unidos e dos Estados mais fortes da Europa abraçaram a causa dos bancos e empresas com um socorro generoso da ordem de mais de U$ 12 trilhões prestado com dinheiro do tesouro público. A essa “socialização das perdas” se somou uma brutal “privatização dos ganhos” em que a classe dos dirigentes do sistema financeiro foram premiados com bônus milionários pagos com fundos do Estado. Aqui chegamos na dívida pública. Os governos dos EUA e Europa se valeram do mecanismo para absorver os prejuízos dos bancos com emissão de títulos públicos.

 

Em seu momento Noam Chomsky comentará: “a liberalização financeira teve efeitos para muito além da economia. Há muito que se compreendeu que era uma arma poderosa contra a democracia. O movimento livre dos capitais cria o que alguns chamaram um “parlamento virtual” de investidores e credores que controlam de perto os programas governamentais e “votam” contra eles, se os consideram “irracionais”, quer dizer, se são em benefício do povo e não do poder privado concentrado.” A conta desse delito sistêmico do poder financeiro a pagam hoje a classe dos trabalhadores, com a nova pobreza resultante da perda de empregos, direitos, salários e serviços públicos, pedra de toque do ajuste fiscal dos governos do mundo rico e receita para todos os demais. Nos Estados Unidos se ampliam os movimentos contra o sistema financeiro. A Europa vive uma conjuntura tempestuosa com uma deterioração da questão social que tem suscitado protestos populares de toda cor e de todo tipo. Desde manifestações violentamente anti-capitalistas como na Grécia, a greves combativas do sindicalismo da região, a ação direta de massas dos jovens “indignados” na Espanha ou a fúria incendiária dos subúrbios urbanos da Inglaterra.

A revolta dos povos árabes

As rebeliões generalizadas que marcam a conjuntura internacional nos dizem que a hora dos povos segue vigente. Isso tem grande significado. Diversos fatores políticos, econômicos e ideológicos são motores dessa revolta, a exemplo da miséria, da opressão e da falta de perspectivas básicas de vida. Cada país tem suas particularidades, mas há um elemento comum de rebelião que aponta para a destruição das brutais estruturas de opressão. A ação direta dos povos ganhou as ruas e enfrentou a repressão no Egito, Argélia, Bahrein, Yemen, Jordânia, Marrocos, Síria e Líbia. Com isso foram questionados e derrotados alguns regimes da região, colocando a vontade popular na equação de uma nova geopolítica.

A Resistência Popular na América Latina e o tema da integração

Assim como a luta popular tem imposto derrotas as ditaduras no oriente, na América Latina a última década tem sido marcada pelas lutas massivas do povo impondo derrotas ao neoliberalismo. A ação direta popular derrubou governos, deu resistência a tentativas de golpes de Estado e fez virar a balança de poder regional para um posição mais independente em relação ao imperialismo yankee. Porém, não descansamos nossas esperanças nos governos de turno. O exemplo recente do massacre indígena na Bolívia traz à tona os limites do desenvolvimentismo que atropela os anseios populares e faz colaboração com as elites. Apesar do genocídio indígena, mais uma vez o povo organizado mostrou a sua força nas marchas que duraram 65 dias e fizeram o governo voltar atrás na sua decisão. Fica a nossa solidariedade latino americana na luta contra o Plano IIRSA. É nosso dever desmascarar esse projeto de integração do território sul americano a um verdadeiro sistema de saque dos nossos bens e riquezas.

As mudanças no Brasil de Dilma que mantém a estrutura conservadora

No cenário brasileiro, Dilma, sucessora de Lula assumiu a presidência sob o lema: “País rico é país sem pobreza”. Dilma chega a 71% de aprovação com a ampliação das políticas de combate à miséria, a exemplo do bolsa-família, e com denominada “faxina ética” alardeada na imprensa como palavra de ordem de Dilma no combate à corrupção. Foram 6 ministros que despencaram até o presente momento, sendo um a cada 50 dias. Porém, a faxina de Dilma é na verdade sujeira varrida para baixo do tapete. A impunidade segue e forma par inseparável das estruturas burocráticas e oligárquicas da corrupção do poder político burguês. O Estado é uma estrutura de poder com alto instinto de conservação. Para governar com suas instituições, a experiência do PT no executivo assim o confirma, entre outros meios, é preciso se arranjar com as oligarquias que dominam a política burocrática e historicamente escoram seus interesses nos mecanismos públicos de gestão.

No que se refere à dívida pública, a política brasileira é a de engordar os bancos. Logo no início desse ano foram cortados R$ 50 bilhões no orçamento. Para o próximo ano a proposta orçamentária irá sangrar 48% dos recursos para pagar juros e amortizações da dívida. No ramo industrial, as federações da indústria e o governo lançaram recentemente um plano que visa aumentar a produtividade e a competitividade brasileira no plano internacional em acordo com a burocracia sindical. A verdadeira orientação do governo baseia-se nos cortes de investimentos sociais, no congelamento salarial, na flexibilização dos direitos. Tudo isso é feito através de um pacto social onde a patronal, banqueiros, governo e burocracia sindical controlam o jogo. Em 2008 era a crise a justificativa para a patronal demitir, atacar direitos e fazer lobby para que o Estado lhe fornecesse recursos e isenções. Agora sob o lema da competitividade a história repete.

Apesar das medidas de conciliação, nesse ano de 2011 alguns setores do movimento sindical deflagraram greves que se estenderam durante semanas e até meses. Trabalhadores dos correios, de universidades e institutos federais, do magistério e bancários abriram conflitos com o governo em que a disposição da base para a luta atropelou a burocracia sindical e obteve algumas conquistas. A ação direta e a independência de classe estiveram em pauta nessas lutas e esse exercício de poder dos trabalhadores pode surtir bons resultados daqui pra frente.

Se na luta sindical se abrem alguns caminhos, no que se refere à luta por memória, verdade e justiça, no Brasil vivemos um retrocesso. Recentemente foi criada a chamada “Comissão da Verdade” como uma tentativa do Executivo de aliviar os constrangimentos políticos que vêm causando sucessivas denúncias em escala internacional contra as violações aos direitos humanos no país.

A comissão da verdade, no entanto, é composta por apenas 07 membros, todos eles indicados pelo Executivo, sendo um representante das FFAA, a qual tem tensionado a necessidade de se averiguar os “crimes promovidos pela esquerda no período”? Com o estreito prazo de dois anos para a apresentação de seu trabalho final, a comissão, além de não ter autonomia (financeira e política) frente ao Executivo, também se vê desafiada a investigar os acontecimentos que vão não apenas do golpe de Estado ao processo de “redemocratização”, mas, inexplicavelmente, a “investigação” aborda um recorte temporal que se inicia em 1946 e vai até o ano de 1988, desviando assim o que deveria ser seu foco principal.

A não divulgação dos arquivos, ainda secretos, das FFAA, outro assunto que o Executivo não enfrenta com decisão, é uma prova cabal do quanto os resquícios do terror de Estado seguem vivos, pairando, ainda que silenciosamente, na sociedade, passados mais de 30 anos do início da transição pactuada. A Comissão, por sua vez, é outro fiasco no sentido de pautar a abertura dos arquivos da ditadura. Em seu parágrafo 2° do artigo 4° o PL afirma que: “os dados, documentos e informações sigilosos fornecidos à Comissão Nacional da Verdade não poderão ser divulgados ou disponibilizados a terceiros, cabendo a seus membros resguardar seu sigilo”. Ou seja, além de não haver a abertura dos arquivos, estes serão fornecidos por seus guardiões, as FFAA, que, na ausência de um decreto obrigando-as a abrir os documentos, mais uma vez irá divulgar papéis “podres” sem nenhuma autenticidade. A impunidade a torturadores, a industriais e banqueiros que respaldaram direta ou indiretamente a ditadura esta mais uma vez garantida.

Para nós, anarquistas organizados na FAO, a vitória da Verdade e da Justiça, só será possível quando o conjunto das forças populares (movimentos sociais, estudantis, sindicatos e organizações da esquerda) forem capazes de pautar de forma contundente a questão, o que infelizmente não temos visto. O que em países como Argentina e Uruguai é uma espécie de termômetro para a avaliação das forças de esquerda e populares, no Brasil, infelizmente, é tratado em muitos casos como uma questão secundária. Há que se virar a mesa, levando a luta por memória, verdade e justiça para as ruas, muros, para os sindicatos, movimentos sociais, estudantis, dentre outros, pois ainda há tempo!

Assim, esta data é importante não só para celebrarmos e reafirmarmos estas décadas de luta, como para reforçarmos que a proposta libertária segue vigente. Caminhando a cada dia rumo à revolução social, e acreditando que o Poder Popular se dá no trabalho cotidiano e na construção de um povo forte.

Diante das injustiças do sistema capitalista seguimos de pé!

Não esquecemos e jamais perdoaremos!Verdade e Justiça! Castigo aos culpados!

Pelo fim das ditaduras que massacram os povos!

Fortalecer a luta dos oprimidos e unificar os movimentos de greve!

Contra as medidas de austeridade!

Estendemos nossa solidariedade na luta contra o Plano IIRSA!

Nossa saudação à Federação Anarquista Uruguaia nesses 55 anos de lutas pelo socialismo e pela liberdade! Aos companheiros que ficam em nossa memória e estarão sempre presentes em nossas lutas!

Cecília presente!

Pelo Socialismo e pela Liberdade! Viva a anarquia!

Fórum do Anarquismo Organizado – FAO

 

Coletivo Anarquista Zumbi dos Palmares (Alagoas)


Federação Anarquista Gaúcha (Rio Grande do Sul)


Federação Anarquista do Rio de Janeiro


Organização Anarquista Socialismo Libertário (São Paulo)

 

 

Resposta da Organização Resistência Libertária (ORL) à sociedade, aos lutadores anarquistas por todo o Brasil e à intitulada “Carta Aberta de Desligamento do Camarada Macarrão…”, ex-militante da ORL.

NOTA DE RESPOSTA

Qui, 03 de Novembro de 2011 12:22

“A REVOLUÇÃO É IMENSA… MAS OS HOMENS SÃO                                                                 INFINITAMENTE PEQUENOS.”

Resposta da Organização Resistência Libertária (ORL) à sociedade, aos lutadores anarquistas por todo o Brasil e à intitulada “Carta Aberta de Desligamento do Camarada Macarrão…”, ex-militante da ORL.

A Organização Resistência Libertária (ORL)[1] é uma organização política anarquista que teve seu início no ano de 2008 e se insere no panorama da luta de classes no Brasil, ao lado de organizações parceiras reunidas em torno do Fórum do Anarquismo Organizado (FAO). Ao longo deste período, estivemos inseridos em diversas lutas nos setores popular, sindical e estudantil, contribuindo com nossa militância no sentido de impulsionar os movimentos sociais com os quais tivemos e temos relações, visando alavancar a luta organizada e autônoma do nosso povo. Nossa organização tem como perspectiva ser uma ferramenta inserida nos movimentos sociais, atuando no sentido de contribuir, através de nossa militância, por meio do diálogo, da troca de experiências e da participação ativa, para que as lutas e os movimentos sociais possam ultrapassar o caráter meramente reivindicativo e desenvolver a combatividade, a autonomia, a capacidade de auto-organização e a democracia direta.

É importante fazer esta introdução na medida em que temos uma recente trajetória de organização e alguns setores nos conhecem há pouco tempo, ou ainda não conhecem nossa Organização Política. Ainda, na medida em que pesam sobre o Anarquismo várias definições preconcebidas e preconceituosas, utilizadas ao longo da história para detratar nosso movimento e a organização libertária dos oprimidos e explorados deste mundo. A Anarquia nada mais é do que uma sociedade onde inexiste o privilégio e a exploração do homem pelo homem. Uma proposta de organização social na qual reside a igualdade política e econômica de todas e todos organizados sobre novas bases sociais de existência humana. Uma sociedade cujo poder do povo é efetivamente autônomo e soberano, na qual a autogestão o princípio fundador do modelo de organização e a democracia de base e a ação direta se contrapõem à representatividade burguesa. É rearranjando, assim, a sociedade de “baixo para cima” e não de “cima para baixo” como na atual ordem do Capital e do Estado, cujas funções se resumem a manter a desordem atual, a exploração e o estado de miséria organizada no sistema que denominamos capitalismo.

Ressaltamos ainda que, apesar de sermos uma organização política, nos diferenciamos da prática ligada historicamente aos grupos políticos que conhecemos como “partidos” – uma das formas possíveis de organização política –, inseridos nas correntes de direita e de esquerda, adeptas de um discurso revolucionário ou não. É imprescindível esse prelúdio, tendo em vista que em todos os setores em luta aparecem múltiplos atores em cena, e, dentro destes, um emaranhado de Partidos Políticos organizados para defender seus interesses no seio de cada categoria e cada movimento organizado. Alguns o fazem com vieses mais democráticos, outros com posturas mais vanguardistas e autoritárias. Nesse ponto, nossa prática política se diferencia: a ORL se pauta pela democracia direta e horizontalidade das relações como forma de debate e deliberação, seja no interior da organização, seja em nossas relações políticas com os movimentos sociais.

Tentamos nos guiar, em todos os movimentos, com postura política condizente com nossos princípios libertários, inspirados na tradição e na matriz de pensamento e prática do Anarquismo. Defendemos nos movimentos com os quais atuamos que quem deve decidir os rumos das lutas sociais são os reais interessados e afetados diretos, e não agentes externos. Nossa atuação distancia-se da prática de vanguarda porque acreditamos que nossa contribuição é dialética e, sobretudo, ética. Não entendemos que estamos à frente do povo em luta, nem na retaguarda, mas sim ao lado, ombro a ombro. Enfatizamos que esta é uma de nossas diferenças essenciais, que faz com que, na medida em que atuamos no seio de qualquer luta, estamos também sempre aprendendo, influenciando e sendo influenciados pelos próprios movimentos sociais com os quais nos relacionamos.

Estamos firmemente convictos da importância de nosso difícil e ao mesmo tempo modesto trabalho em todos os setores que atuamos nestes últimos anos. Em todos eles defendemos os nossos princípios (classismo, ação direta, horizontalidade, autonomia, democracia direta e solidariedade) de forma honesta. Por isso, sempre fomos bem recebidos e entendidos como aliados de luta. Isso só faz crescer a solidariedade entre nós, companheiros e companheiras, irmãos na exploração e reação a este estado de desorganização e opressão completa no qual vivemos.

É claro que, como as demais organizações políticas, guardadas suas devidas diferenças, não estamos isentos de tomar caminhos equivocados. A ORL contou com erros e acertos ao longo de toda sua trajetória. Não nos cabe aqui, a exemplo de outras organizações políticas, fazer um discurso triunfante. Cabe destacar que, para nós, as melhores avaliações e aprendizados são construídos com aqueles que estão em luta conosco, nos movimentos sociais, fraternos na luta que travamos cotidianamente.

“A Revolução é imensa, os acontecimentos gigantes, mas os homens são infinitamente pequenos. Eis o caráter de nosso tempo.”

Mikhail Bakunin (Carta a Pierre J. Proudhon)

Infelizmente, após a saída de um companheiro que esteve ao nosso lado nos últimos anos, temos de vir relembrar nossas aspirações publicamente e reafirmar nossa perspectiva enquanto organização. Para nós, não é trabalho demasiado responder, e tornou-se necessário fazê-lo, uma vez que nos sentimos desrespeitados e caluniados com as palavras divulgadas em alguns círculos de luta, por meio da “Carta aberta de desligamento do camarada Macarrão da Organização Resistência Libertária [ORL]”. Não somos em nada contra a escrita de uma carta de desligamento de um militante que decidiu por se desvincular de nossa organização, pelo contrário, somos favoráveis a essa prática. Contudo, esperávamos algo que construísse a luta política e social, de avanço do Anarquismo e dos movimentos sociais no Brasil. Esperávamos o mínimo de análise e reflexão teórica, já que foi este o debate que o companheiro tentou travar antes de sua saída. Ao longo da citada carta, o ex-militante da ORL buscou expor falhas e questões de caráter interno da nossa Organização, compartilhando uma série de avaliações pessoais sobre as mesmas que, na nossa visão, são em sua grande maioria equivocadas e irresponsáveis. Consideramos isso porque o referido ex-militante mentiu e dissimulou partes do nosso referencial teórico e da nossa prática política, substituindo-os por análises, conceitos, idéias e noções que ele próprio defende, relacionados diretamente com outros meios políticos externos e distintos da ORL.

É lamentável que tenhamos que escrever um longo texto para desmentir falsas interpretações, sabendo que todo o discurso da Carta está marcado por um “espezinhamento” e por um “denuncismo” aberto e indiscriminado, numa tentativa de deslegitimar-nos sem, contudo, apresentar fundamentação consistente. Uma prática corrente há anos em setores da esquerda mais autoritária, que tem por objetivo a pura destruição do oponente político.

Iremos, então, responder a carta de modo diferente, com respostas políticas, da maneira como pensamos que deve ser todo debate que participamos. Abaixo descreveremos a análise, de forma mais detalhada e explicativa, de alguns pontos centrais contidos na referida carta, conforme nossa concepção política:

  1. 1. A primeira falha que percebemos nas idéias expostas foi o discurso a-histórico. São feitas avaliações da luta a partir do hoje, não compreendendo o passado em seu contexto e suas particularidades, numa maneira de ver e analisar deveras anacrônica, que projeta no passado noções que o autor da carta tem hoje como se já as tivesse. Aponta erros pretéritos que o próprio autor avaliava diferente à época. Inclusive se isenta de todos os erros que diz ter a Organização cometido, como se não devesse responsabilidades pelo agrupamento que construía e não tivesse relação nenhuma com os equívocos cometidos coletivamente. De modo oportunista, tenta se sobressair escondendo erros e posturas que assumiu ao longo de sua militância conosco. Em nossa Organização, discordamos veementemente de tal conduta, já que todos os militantes da ORL são responsáveis por nossas táticas e estratégias políticas, devendo assumir coletivamente nossos erros e acertos.
  2. 2. Cai na prática do “denuncismo”, com um longo texto que em nada contribui para os movimentos sociais ou para o Anarquismo e sua construção a nível nacional. Reconhecemos que o companheiro pode ter conhecimento e mesmo o debate sobre o campo do Anarquismo no Brasil (ainda que não esteja de acordo com o que pensamos), mas este perdeu uma ótima oportunidade para qualificar e elevar seu discurso. Compreendemos também como equivocada e frustrada o envio de sua carta para círculos de luta variados sem nenhuma relação embriológica com o Anarquismo, demonstrando uma clara confusão de ambientes e desvio de objetivos.
  3. 3. O militante, diferente do que quer fazer transparecer na Carta, se orienta sem norte estratégico. Atua onde explode a luta de forma voluntarista, espontaneísta e individual. Enquanto nossa Organização planeja, coletivamente, a atuação em qualquer espaço de atuação política, o companheiro decidiu eximir-se desta tarefa, uma vez que passou a agir e “fechar” com grupos externos à ORL nos espaços de luta, sem nosso conhecimento, faltando com respeito e responsabilidade perante a Organização. Um exemplo disso foi sua defesa aberta do Voto estratégico em Dilma Rousseff nas últimas eleições, compactuando com o fortalecimento do Estado e do parlamentarismo, negligenciando a nossa conduta e o referencial do Anarquismo frente às eleições e à representatividade burguesas.
  4. 4. Os conceitos utilizados pelo companheiro já não condiziam com nosso referencial teórico, com nossa Declaração de Princípios[2] e com nossa prática política. Conceitos como “vanguarda”, “centralismo”, “massa”, dentre outros, e noções como “material humano” e “pára-governismo” não fazem parte das nossas referências e da linguagem que usamos para comunicar nosso pensamento e nossa ação. Essas noções acabaram por revelar um alinhamento teórico distinto do que temos acumulado. No lugar da prática e do conceito de vanguarda, por exemplo, nos pautamos pelo conceito de “minoria ativa”, ou seja, defendemos a inserção de nossos militantes nos movimentos sem a busca frenética por aparelhos de “direção” da luta ou a conquista dos espaços de decisão. Nossa perspectiva é de construção da luta de base dos setores em luta, defendendo que a organização se dê “de baixo para cima” e da “circunferência para o centro”, e não o inverso. Contrapomos ainda à “centralização”, defendida pelo camarada, a horizontalidade e o federalismo como princípios e formas de organização descentralizada e libertária – tão caros ao Anarquismo internacional e de luta.
  5. 5. Aproximamo-nos do Fórum do Anarquismo Organizado (FAO) porque este representa uma proposta de construção do Anarquismo organicista no Brasil. Discordamos veementemente da análise feita pelo camarada com relação ao Fórum, sobretudo se pensarmos na construção do Anarquismo de maneira séria, com enraizamento nas lutas e respeito às localidades. Para nós, a postura mais acertada é iniciar a discussão com o referido Fórum, que nos oferece uma construção mais atenta e dialética do anarquismo a nível nacional. Contudo, reafirmamos que não fazemos parte organicamente do FAO, mesmo mantendo relações de proximidade política. Na carta do companheiro é oferecida como alternativa para os anarquistas no Brasil a organização em torno da UNIPA, um “partido anarquista”, organizado e centralizado em escala nacional, tendo por base uma teoria engessada a qual não se constrói, apenas se adere. Discordamos que exista uma “expressão acabada do Anarquismo”, como a referida organização defende, um sistema teórico supostamente “científico” e dogmático, que nos isolaria em abstrações, negando a constante dialética entre a teoria e a ação. Para nós, os teóricos são referências para o pensar e o agir de nossa organização em nossa experiência contemporânea. Devem ser lidos, interpretados e apropriados a luz das preocupações atuais.
  6. 6. O companheiro faz confusão e trata com frouxidão a análise do conceito de especifismo, pondo um sinal de “igual” com os de ecletismo e sintetismo. Especifismo, em apertado resumo, traduz a ideia da Organização formada especificamente e unicamente de anarquistas, com unidade teórica e prática, em nível político para atuar no social. A Federação Anarquista Uruguaia (FAU) desenvolve o termo e o difunde para a América Latina. Em outras partes do mundo a organização só de anarquistas é conhecida por outros termos. Na organização especifista não cabe todo tipo de anarquistas, ou todos aqueles e aquelas que se dizem anarquistas. Não é, portanto, uma “colcha de retalhos”, conforme argumentado, pois nesta forma organizacional não cabem os anarquistas reprodutores de uma política autoritária e antiética presentes no seio da organização, ou mesmo individualistas, primitivistas e/ou anti-organizacionistas. Explicando ao companheiro, sintetismo é quando dentro de um mesmo agrupamento anarquista se encontram diferentes concepções do anarquismo distintas no âmbito teórico e que podem, mas não sempre, conflitar na prática, como já fora defendido pelo anarquista Sebastian Faure. Este não é o caso da ORL, que é, como explícito em nossos documentos, expresso em nossas ações planejadas e em nossa prática política, uma organização que busca constante unidade teórica e prática. Contudo, aparenta ser o caso do companheiro ao reivindicar o arcabouço teórico-conceitual e lingüístico do leninismo e do trotskismo, aliado a teóricos do anarquismo. Esta sim é, portanto, uma manifestação “ecletistista” e “sintetista”, uma vez que se arvora no Anarquismo, mas tem por base a fusão de teorias e conceitos completamente distintos e antagônicos.
  7. 7. O camarada tentou no último ano fraturar ou “rachar”, como preferem alguns militantes adeptos do trotskismo e do maoísmo, a organização assumidamente, fazendo, inclusive, a disputa de militantes para construir outro agrupamento. Nos últimos meses em que esteve na organização chegou a propor uma formação política interna com marcada linha teórica de outra organização. Isso demonstra que o companheiro já estava tendo contato direto e/ou íntimo com o grupo a quem solicita ingresso, mesmo se não tivesse ainda ingressado. O mesmo só saiu da ORL quando percebeu que seus objetivos não seriam concretizados.
  8. 8. Por fim, diz na carta que a ORL não tem uma teoria definida, nem aponta possibilidades de debate e formulação teórica, por não darmos importância à teoria para a luta social. A esta crítica resta respondermos e reiterarmos que, na realidade, apenas não nos interessa copiar ou aderir a algum programa político de outra organização, previamente formatado e distante das particularidades do nosso lugar e tempo de atuação. A construção da teoria se dá na prática de luta diária e não sentado em um divã, em busca da teoria perfeita para “aplicar” onde quer que seja.

Nesse sentido, com tantas divergências, entendemos que já era mais que chegada a hora da saída do companheiro da nossa organização. A Organização Política existe para potencializar a luta e, na medida em que nós, na avaliação do companheiro, estávamos seguindo o caminho errado e em que o mesmo atrapalhava, uma vez que não mais construía a Organização, sua saída era questão de tempo. Talvez o nosso maior erro neste processo tenha sido o de não tê-lo expulsado ao percebermos que seu alinhamento teórico e prático estava em confronto direto com o que defendemos. Agimos de modo igual com aqueles militantes que, por motivos vários, optaram por se desligar ou se afastar da ORL, esperando honestidade e fraternidade, quando na verdade deveríamos ter tido uma atitude mais correta e firme. Assumimos publicamente nosso erro.

Por fim, compreendemos que o companheiro não enfatizou o real motivo de sua saída da Organização, tal seja o seu alinhamento teórico e prático com uma organização política que tem seu arsenal teórico vinculado direta e explicitamente com matrizes de pensamento e prática no comunismo autoritário internacional.

Mentiras e dissimulações não toleramos, por isso perdemos nosso escasso tempo, respondendo tais leviandades que aqueles e aquelas que conhecem nossa militância sabem e já vieram discordar, de maneira solidária, entrando em contato e conversando conosco pessoalmente. Desejamos ao companheiro uma bela trajetória de luta e que, independente da organização que venha fazer parte, desenvolva uma militância séria e honesta, baseada na ética, no compromisso militante e na solidariedade. É o que esperamos de todo militante, independente da sua ideologia.

Esperamos sinceramente que esta resposta não seja tomada como mais uma briga de egos das quais o referido militante já tomou corpo historicamente, mas sim uma resposta clara e direta da nossa Organização. Caso este texto abra margem a outros questionamentos ou documentos dirigidos a nossa organização em torno desse assunto, seja pelo ex-militante ou pela organização que o companheiro pleiteia ingresso, desejamos prioritariamente responder-lhes de forma concreta, nos campos de luta em que atuamos, com nossa prática política.

Ao que importa, seguiremos firmes na luta cotidiana ao lado dos nossos companheiros e companheiras de luta do nosso povo, empenhados na construção do Anarquismo como ferramenta de transformação social, mais fundamentalmente na construção de um Povo Forte e cientes da grande tarefa revolucionária que devemos perseguir.

Saudações Libertárias, Fraternas e Solidárias.

Organização Resistência Libertária – ORL.

Fortaleza/CE, 03 de novembro de 2011.

Ato de 55 anos da FAU e Mesa Redonda sobre Organização Anarquista e Construção do Poder Popular

Ato de 55 anos da FAU e Mesa Redonda sobre Organização Anarquista e Construção do Poder Popular

Fonte: federación Anarquista uruguaya

No marco dos 55 anos da Federação Anarquista Uruguaia será realizado uma jornada de debate acerca do Anarquismo Especifista e da Construção do Poder Popular.

Participarão nesta Jornada companheiros da Federação Anarquista Gaúcha (Rio Grande do Sul), Federação Anarquista do Rio de Janeiro, Organização Anarquista Socialismo Libertário (São Paulo), Coletivo Bandeira Negra (Santa Catarina), Federação Anarco Comunista da Argentina, Companheiros da Espanha e mais organizações a confirmar.

 

 

Nesta atividade serão expostas interpretações e propostas que o anarquismo leva adiante em diferentes pontos da América.

A atividade é aberta a todo o público e será na sexta feira, dia 28 de Outubro.

No dia 29, sábado, a partir das 20:00, será realizado o ATO de 55 anos da FAU no Teatro Stella.

São 55 anos pelo Socialismo e pela Liberdade!

Ata do Lançamento dos livros “Negras Tormentas…” e “Além de Partidos e Sindicatos” – dia 27/08/11

Retirado de:

http://www.cabn.libertar.org/?p=39

Florianópolis, 28/08/11

SEEB – Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários, 17:00 horas

Nos dias 26, 27 e 28 de agosto foi realizado nas cidades de Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre respectivamente, o lançamento do livro de Alexandre Samis, “Negras Tormentas: o Federalismo e o Internacionalismo na Comuna de Paris”, editado pela Hedra. Tivemos a satisfação de realizar a primeira atividade oficial do Coletivo Anarquista Bandeira Negra que contou com aproximadamente 50 pessoas. O debate dos autores foi mediado pelo compa Khaled que também apresentou o CABN e sua Carta de Princípios.

O livro de Samis traz de volta à luz uma das maiores experiências de organização da classe trabalhadora que pela autogestão formaram durante dias “o último levante de massas” e o primeiro episódio da luta pelo internacionalismo proletário. Segundo o Professor Wallace dos Santos, na apresentação de sua orelha, este livro “deve ser saudado com uma grande festa, tanto pela comunidade acadêmica como pelos leitores em geral.” Em sua apresentação, Alexandre Samis explica como o episódio da Comuna foi reconhecida como um processo de acumulação das reivindicações revolucionárias naquele período do século XIX. Sistematicamente ele analisa, clara e objetiva, como se dão os conceitos de internacionalismo e federalismo, destacando assim, a definição da autogestão com propósito de transformação social radicalizada. Este livro marca os 140 anos da Comuna de Paris, bem prefaciado por René Berthier, francês e pesquisador da Comuna. Alexandre Samis é doutor em História pela Universidade Federal Fluminense e professor do Colégio Pedro II. Também escreveu os livros Clevelândia: anarquismo, sindicalismo e repressão política no Brasil (Imaginário/Achaimé, 2002) e Minha pátria é o mundo inteiro: Neno Vasco, o anarquismo e o sindicalismo revolucionário em dois mundos (Letra Livre, 2009).

Como evento misto, tivemos a participação especial do nosso companheiro José Carlos Mendonça, pesquisador e técnico do Laboratório de Sociologia do Trabalho (LASTRO-UFSC) que também está lançando o livro “Alem de Partidos e Sindicatos: Organização Política em Anton Pannekoek”, editado pela Achiamé também este ano.

A duração do debate teve em quase 3 horas participações de estudantes, militantes de movimentos sociais e interessados em geral. Para a primeira apresentação do Coletivo Anarquista Bandeira Negra, esta atividade buscou contemplar e amplificar a divulgação de autores que seguem a linha pela transformação social na medida em que se discuta abertamente os contextos sociais e políticos, passado e presente, para novos núcleos formadores. O objetivo do CABN é a longo prazo a confluência, a nível social e político, catalização das frentes de luta junto aos movimentos sociais. Nascendo assim de forma minoritária mas solidificante, para construir a nossa prática e estratégica dentro dos preceitos do anarquismo especifista.Uma lista de presenças foi passada com o intuito das pessoas interessadas nas futuras atividades desenvolvidas pelo CABN estarem informadas. Também estavam à disposição de venda a preços módicos os exemplares de ambos livros.

Com o fim desta atividade que não seja considerada um fato isolado propomos que um novo encontro seja organizado pelo CABN a fim de ampliar novos debates para uma formação mais concreta da pró-organização específica anarquista em Florianópolis, para que se somem e contribuam junto ao FAO – Fórum do Anarquismo Organizado. Desta forma, fica agendada um próximo encontro para o dia 24/09.

Longa Vida ao Coletivo Anarquista Bandeira Negra!

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[CABN] Apresentação e Carta de Princípios do Coletivo Anarquista Bandeira Negra

Retirado de:

http://www.cabn.libertar.org/?p=27

Apresentação e Carta de Princípios do Coletivo Anarquista Bandeira Negra

Posted on 19/08/2011 by

 

Nossa concepção organizativa do anarquismo

Todos os membros e interessados em integrar o coletivo devem concordar, defender e aplicar esta concepção de anarquismo, que consideramos o mínimo necessário para o início dos trabalhos conjuntos. O anarquismo defendido pelo grupo vincula-se à proposta do anarquismo especifista do Fórum do Anarquismo Organizado (FAO), composto por diversas organizações pelo Brasil, dentre elas a Federação Anarquista Gaúcha e a Federação Anarquista do Rio de Janeiro. Esse anarquismo é compreendido a partir dos princípios políticos e ideológicos e pela sua estratégia geral colocados a seguir.

Princípios políticos e ideológicos

a) Do anarquismo como ideologia e, assim, como um sistema de idéias, motivações e aspirações que possuem necessariamente uma conexão com a ação no sentido de transformação social, a prática política.

b) De um anarquismo em permanente contato com a luta de classes dos movimentos populares de nosso tempo e funcionando como ferramenta de luta e não como pura filosofia ou em pequenos grupos isolados e sectários.

c) De um conceito de classe que inclui todas as parcelas de explorados, dominados e oprimidos da nossa sociedade.

d) Da necessidade do anarquismo retomar seu protagonismo social e de buscar os melhores espaços de trabalho.

e) Da revolução social e do socialismo libertário como objetivos de longo prazo.

f) Da organização como algo indispensável e contrária ao individualismo e ao espontaneísmo.

g) Da organização específica anarquista como fator imprescindível para a atuação nas mais diversas manifestações da luta de classes. Ou seja, a separação entre os níveis político (da organização específica anarquista) e social (dos movimentos sociais, sindicatos, etc.).

h) Da organização anarquista como uma organização de minoria ativa, diferindo-se esta da vanguarda autoritária por não se considerar superior às organizações do nível social. O nível político é complementar ao nível social e vice-versa.

i) De que a principal atividade da organização anarquista é o trabalho/inserção social em meio às manifestações de luta do povo.

j) De que a ética é um pilar fundamental da organização anarquista e que ela norteia toda a sua prática.

k) Da necessidade de propaganda e de ela ter de ser realizada nos terrenos mais férteis ao desenvolvimento do anarquismo.

l) Da organização funcionando com distintos níveis de participação/comprometimento, dando corpo a uma forma de organização em que o compromisso está diretamente associado com o poder de deliberação. Da mesma maneira, uma organização que proporcione uma interação eficiente com os movimentos populares.

m) De que a organização deve possuir critérios claros de entrada e posições bem determinadas para todos que queiram ajudar (níveis de apoio/colaborador).

n) Da autogestão e do federalismo para a tomada de decisões e articulações necessárias, utilizando a democracia direta.

o) A busca permanente do consenso, mas, não sendo possível, a adoção da votação como método decisório.

p) Do trabalho com unidade teórica, ideológica e programática (estratégica/de ação). A organização constrói coletivamente uma linha teórica e ideológica e da mesma forma determina e segue com rigor os caminhos definidos, todos remando o barco no mesmo sentido, rumo aos objetivos estabelecidos.

q) Do compromisso militante e da responsabilidade coletiva. Uma organização com membros responsáveis, que não é complacente com a falta de compromisso e a irresponsabilidade. Da mesma forma, a defesa de um modelo em que os militantes sejam responsáveis pela organização, assim como a organização seja responsável pelos militantes.

r) Os militantes que compõem a organização têm, necessariamente, de estar inseridos em um trabalho social, bem como se ocupar de atividades internas da organização (secretarias, etc.). [*]

[*] Durante o processo organizativo os membros que ainda não tiverem realizando trabalho social devem buscar realizá-lo discutindo coletivamente os espaços possíveis/desejáveis.

Estratégia geral

A estratégia geral do anarquismo que defendemos baseia-se nos movimentos populares, em sua organização, acúmulo de força, e na aplicação de formas de luta avançada, visando chegar à revolução e ao socialismo libertário. Processo este que se dá conjuntamente com a organização específica anarquista que, funcionando como fermento/motor, atua junto aos movimentos populares e promove as condições de transformação. Estes dois níveis (dos movimentos populares e da organização anarquista) podem ainda ser complementados por um terceiro, o da tendência, que agrega um setor afim dos movimentos populares.

Essa estratégia, portanto, tem por objetivo criar e participar de movimentos populares, defendendo determinadas concepções metodológicas e programáticas em seu seio, de forma que possam apontar para um objetivo de longo prazo, que se consolida na construção da nova sociedade.

Construindo um Grupo Anarquista Organizado (GAO)

O grupo anarquista organizado é a semente da organização anarquista. Propomos um caminho para iniciar um grupo anarquista organizado (GAO):

Divisão de tarefas básicas: os trabalhos internos regulares devem ser divididos entre os militantes. Isso evita que alguns fiquem sobrecarregados e outros com poucas tarefas, tornando a participação mais horizontal. Sugerimos algumas funções para o grupo:

a) companheiro de organização: encarregado de relatar os acordos e decisões das reuniões, repassá-los aos demais, montar um calendário, convocar as reuniões, organizar os materiais internos do grupo;

b) companheiro de propaganda: encarregado de pensar e propor políticas de comunicação e materiais de propaganda do grupo. Ex: boletim, site, panfletos;

c) companheiro de finanças: faz a tesouraria do grupo, arrecada as contribuições periódicas dos militantes, pensa formas de arrecadar grana e estrutura para o grupo;

d) companheiro de relações: cuida das cartas, caixa postal, e-mails, conversas com outros grupos anarquistas, de esquerda e/ou movimentos populares;

e) companheiro de formação política: encarregado do debate de formação interno do grupo, levanta temas, pesquisa e separa materiais, procura cursos, ajuda os demais em sua formação política, etc;

Esta divisão não é rígida. O companheiro de propaganda coordena o boletim, por exemplo, mas nada impede que os demais dêem idéias, escrevam, ajudem, etc. O mesmo vale para as demais funções.

Reunião: é fundamental que sejam regulares, pois é a única forma do grupo debater e planejar suas ações coletivamente.

Comunicação do grupo: abrir uma caixa postal para correspondência, um e-mail e site para internet e publicar um boletim, permitindo que o grupo seja conhecido pelas pessoas.

Método decisório: é a busca do consenso, com todos participando de forma igualitária do debate. Quando não se chegar ao consenso e a questão exigir decisão, vota-se o ponto e o grupo todo acata o que foi decidido. A posição minoritária e sua argumentação deverão constar em ata para avaliação posterior.

Tarefas básicas de cada militante: uma função interna (organização, finanças, propaganda, relações e formação política); uma militância externa social em alguma frente; participar das reuniões e contribuir com o grupo.

Propostas para o desenvolvimento dos trabalhos organizativos do Coletivo Anarquista Bandeira Negra:

  • Partindo de um critério mais qualitativo do que quantitativo, aproximar pessoas que possam aprofundar as discussões e constituir uma base sólida do coletivo.
  • Reunir, dentro deste critério, as pessoas interessadas no projeto para impulsionar o processo de organização.
  • Começar as atividades em dois eixos fundamentais:
    • Formação política.
    • Coordenação de trabalhos práticos.
  • Formação política: iniciaremos com o Curso de Formação Anarquista do FAO, que aborda os módulos “Formação da corrente libertária”, “História Social do Anarquismo”, “Teoria da Organização Política”, “Via estratégica e Poder Popular” e “Marco teórico e categorias de análise”. Após essa formação inicial, utilizaremos o programa de formação da FARJ/OASL, começando pelos módulos V e VI (Modelos de Organização Anarquista – Sintetismo e Especifismo), compreendendo as diferentes concepções de organização anarquista e aprofundando nossa proposta. Depois passaremos para o módulo VII (Trabalho e Inserção Social) para compreendermos o que é trabalho social, inserção social e como podemos potencializar nossos esforços nesse sentido. Importante apontar que paralelamente a este processo os militantes necessitarão investir também na sua auto-formação, com apoio dos companheiros do coletivo.
  • Coordenação de trabalhos práticos: verificar qual a militância e as afinidades de cada membro do grupo. A partir disso estabelecer aos poucos o que seriam as funções internas (organização, propaganda, relações, etc.) e quem ficaria responsável por elas, e as funções externas (trabalho/inserção social). A sugestão é que, no início, cada um ocupasse a função interna que tem mais facilidade e que se colocasse em discussão todos os espaços em que a militância do coletivo está atuando ou mesmo que tem condições de atuar. Diferenciar movimentos populares (movimentos sociais, sindicatos, etc.) de coletivos e outros grupos. O ideal é que já no curto prazo se consiga ajustar uma função interna e uma função externa para cada militante, e que se possa também começar a discutir uma atuação organizada nos setores que forem escolhidos como espaços de intervenção do grupo. Verificar, além do trabalho social, quais outros trabalhos poderão ser empreendidos pela militância.
  • Atividades públicas: organizar eventos para dar expressão ao coletivo e agregar gente ao processo. Além dessas atividades, estruturar um Grupo de Estudos do Anarquismo, de caráter aberto ao público interessado.
  • Aproximação com o FAO: pedir uma aproximação formal com o FAO e manter contato principalmente com as organizações do Sul, especialmente a de Joinville.
  • Participação na reunião do FAO de 10 anos, em 2012, integrando-o como um grupo ou organização constituída.
  • Participar do Ato do 55º Aniversário da Federação Anarquista Uruguaia (FAU), no final de Outubro, em Montevidéu.

Sugestão de prazos

Atividades de formação e coordenação dos trabalhos: 2 meses.

Pedido de aproximação ao FAO: após a constituição do grupo.

Maturação e fundação da organização: avaliar durante o processo, colocando como meta um período de 8 a 10 meses.

Contato:

E-mail: ca-bn@riseup.net

[CURITIBA] Lançamento do livro sobre os 140 Anos da Comuna de Paris

Na próxima sexta feria, dia 26 de agosto,  na Reitoria da UFPR (anfiteatro 900)- das 17H às 19H,  será lançado o livro “Negras Tormentas” (Editora Hedra) -, de autoria de Alexandre Samis. O professor da rede de ensino federal e doutor em história pela Universidade Federal Fluminense, militante da Federação Anarquista do Rio de Janeiro (FARJ), faz um resgate histórico dos 140 Anos da Comuna de Paris em seu livro, apresentando sua atualidade para as lutas sociais contemporâneas.

E por ocasião do lançamento, organizado pelo Coletivo Quebrando Muros, o Círculo de Estudos Libertário e o Fórum do Anarquismo Organizado, Samis estará presente para falar um pouco sobre sua pesquisa e debater junto ao público esse importante episódio da história de luta das classes exploradas. O livro será vendido a preços promocionais pelos organizadores da atividade e a banca de livros do Coletivo Anarquista Luta de Classes estará presente revendendo materiais.

Nos vemos lá!

Liberdade! Socialismo!

Campus Reitoria da UFPR – Rua Amintas de Barros – Centro – Prédio Pedro II – Anfi 900

horário: 17h as 19h.

IMPORTANTE: Após a atividade haverá uma Assembléia de Estudantes da UFPR, que neste momento se encontram em greve.

No Batente agora versão para download

O No Batente, jornal do Coletivo Anarquista Luta de Classe, foi lançado em julho de 2011 em versão impressa. Agora você encontra este em versão para download.

O No Batente tem como obejetivo expressar as posições do Aanarquismo Organizado em  Curitiba, assim como noticiar as Lutas onde este estajam envolvidos. No mais desejamos também criar um espaço ondem possamos expor nossas concepções e debates.

Boa Leitura!

http://www.sendspace.com/file/8o9orf

[CURITIBA] Primeiro Curso de Formação Política do Fórum do Anarquismo Organizado – Região Sul

Primeiro Curso de Formação Política do Fórum do Anarquismo Organizado – Região Sul

Reuniram-se em Curitiba, entre 23 e 24 de julho de 2011 algumas organizações especifistas do anarquismo brasileiro e também individualidades com afinidades com essa proposta para uma formação do Fórum do Anarquismo Organizado (FAO), conduzida pela Federação Anarquista Gaúcha (FAG) e organizada pelo Coletivo Anarquista Luta de Classes (CALC), de Curitiba. Além da FAG e do CALC, estiveram presentes as seguintes organizações: Federação Anarquista do Rio de Janeiro (FARJ), Organização Anarquista Socialismo Libertário (OASL), de São Paulo, Organização Dias de Luta, de Joinville, além de individualidades de Florianópolis e de outras regiões do sul/sudeste do Brasil com afinidade com a proposta do anarquismo especifista.

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Primeiro Curso de Formação Política do Fórum do Anarquismo Organizado – Região Sul

Curitiba 23-24 de julho de 2011

FORMAÇÃO REGIONAL DO FAO EM CURITIBA

Reuniram-se em Curitiba, entre 23 e 24 de julho de 2011 algumas organizações especifistas do anarquismo brasileiro e também individualidades com afinidades com essa proposta para uma formação do Fórum do Anarquismo Organizado (FAO), conduzida pela Federação Anarquista Gaúcha (FAG) e organizada pelo Coletivo Anarquista Luta de Classes (CALC), de Curitiba. Além da FAG e do CALC, estiveram presentes as seguintes organizações: Federação Anarquista do Rio de Janeiro (FARJ), Organização Anarquista Socialismo Libertário (OASL), de São Paulo, Organização Dias de Luta, de Joinville, além de individualidades de Florianópolis e de outras regiões do sul/sudeste do Brasil com afinidade com a proposta do anarquismo especifista.

Marcado pelo clima de solidariedade e pela calorosa recepção, todos os presentes puderam discutir durante dois dias distintos temas em torno do anarquismo que, por meio da dinâmica adotada, puderam apreender e debater significativamente, o que certamente acrescenta muito ao processo nacional brasileiro que o FAO vem buscando impulsionar desde 2002 quando foi fundado.

A formação teve uma agenda densa, com distintos temas que tinham por objetivo fortalecer teoricamente o conjunto da militância. Foi trabalhada em cinco eixos fundamentais: A formação política da corrente libertária (uma leitura do anarquismo), história social de processos revolucionários com participação anarquista, teoria da organização política anarquista, marco teórico e categorias de análise (método de análise) e via estratégica e poder popular. O eixo propaganda de intervenção foi tratado apenas brevemente.

Descrevemos muito sinteticamente os temas tratados para dar uma idéia ao leitor do conteúdo da formação.

Vale reforçar que a formação foi ministrada pela FAG e que, por isso, o conteúdo reflete a sua elaboração teórica, que tem muitas similaridades e algumas diferenças em relação a outras organizações que compõem o FAO. Nesse sentido, todo o conteúdo é de sua responsabilidade e queremos que ele contribua para o debate e o fortalecimento de nossa corrente.

Temos todo interesse de fortalecer o processo organizativo nas regiões e – no caso específico dessa formação conduzida pela FAG – de impulsionar, além do próprio Rio Grande do Sul, os estados de Santa Catarina, Paraná. Havendo interesse de aproximação nessas regiões, não deixe de nos escrever. Outras organizações do Brasil encarregam-se no momento de outras regiões; por isso, se houver interesse de militantes de outras regiões, entre em contato e daremos o encaminhamento necessário. Pedimos aos interessados que entrem em contato pelo e-mail fagsorg@riseup.net.

A FORMAÇÃO POLÍTICA DA CORRENTE LIBERTÁRIA (UMA LEITURA DO ANARQUISMO)
“Nós, os socialistas-anarquistas, existimos como partido separado,
como programa substancialmente constante, desde 1868,
quando Bakunin fundou a Aliança; e fomos nós os
fundadores e a alma do rumo antiautoritário da
‘Associação Internacional dos Trabalhadores’”
Errico Malatesta

Nesse tema, buscaram-se respostas às questões: O que é o anarquismo? Quando ele surgiu? Quais são suas principais correntes estratégicas-táticas?.

Contrapôs-se a definição do anarquismo como um fenômeno ahistórico, que o inscreve no campo das práticas e discursos de uma ética humanista e libertária, independente das condições sociais e históricas. Afirmou-se, distintamente, que foi na segunda metade do século XIX, quando o capitalismo industrial se desenvolvia na Europa e as primeiras grandes lutas da classe operária tinham lugar, que a ideologia anarquista nasceu e ganhou expressão em práticas políticas de oposição ao socialismo legalista, estatista ou reformista. O anarquismo é a corrente libertária do socialismo, forjada historicamente na luta de classes como crítica, proposta e ação revolucionária.

O anarquismo ganhou variantes estratégicas na sua dinâmica, agregou elementos de discurso para pensar novas circunstâncias histórico-concretas e incorporou/desenvolveu modos específicos de organizar e expressar o socialismo e a liberdade nos conflitos sociais segundo seu tempo e lugar. É a referência histórica de um tronco de princípios e fundamentos que marcam a continuidade dessa tradição revolucionária na luta contra o capitalismo e os modelos de dominação.

O desenvolvimento de suas principais correntes estratégicas-táticas se deu por algumas escolas, organizações e por alguns autores do campo popular e socialista: o mutualismo operário e o socialismo de P.-J. Proudhon; Bakunin, a Aliança da Democracia Socialista e sua atuação na Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT ou Primeira Internacional); o comunismo anarquista de Kropotkin e Malatesta; a propaganda pelo fato e o “individualismo tático” (não confundir com o individualismo de matriz individualista como o de Godwin, Stirner etc.); o sindicalismo revolucionário e o anarco-sindicalismo.

HISTÓRIA SOCIAL DE PROCESSOS REVOLUCIONÁRIOS COM PARTICIPAÇÃO ANARQUISTA

Os anarquistas têm protagonismo numa rica história social em que a guerra social, a revolução e o projeto constituíram lutas libertárias contra a ordem burguesa. A formação teve por objetivo a discussão, com alguma profundidade sobre alguns desses episódios da história social: Primeira Internacional, Comuna de Paris, o sindicalismo revolucionário no Brasil, Revolução Mexicana, Revolução Russa e Revolução Espanhola.

O espírito que permeou a discussão era o seguinte: buscar compreender os principais fatos do episódio revolucionário, avaliando quais foram seus aspectos positivos e negativos. Em suma, buscar aprender com esses processos e tirar deles lições que poderiam fortalecer as posições anarquistas em todos os sentidos e evitar que se cometam erros similares aos que foram cometidos no passado. Pontua-se abaixo alguns aspectos desses processos.

Primeira Internacional
A Associação Internacional dos Trabalhadores é a organização histórica do movimento operário revolucionário fundada em 1864 por inspiração do mutualismo proudhoniano e dos sindicalistas ingleses. A experiência dos internacionais dura até 1872, quando Bakunin, J. Guillaume, companheiros da ala federalista, são expulsos por um congresso fraudulento formado por uma maioria de aliados de Marx. As posições da ala federalista na Primeira Internacional lança as bases do que viria a se chamar sindicalismo revolucionário: solidariedade operária, independência de classe, táticas de ação direta.

Comuna de Paris
Uma insurreição popular toma conta da cidade de Paris, com apoio da Guarda Nacional e expulsa as autoridades. A Comuna de Paris é criada em 18 de março de 1871. A Comuna era constituída pelo comitê central de uma federação de delegados de bairro, com mandatos revogáveis e remuneração igual a dos operários. Louise Michel foi uma ativa militante da Comuna, junto de outros, tornando-se anarquista durante o processo de luta.

Sindicalismo revolucionário e luta libertária no Brasil
No Brasil, a atuação anarquista vai se dar, sobretudo, no impulso e na organização dos primeiros sindicatos de resistência e em grupos para a propaganda e a articulação na luta operária. Com o anarquismo, o movimento operário ganha definição classista, táticas de greve, sabotagem, forma uma cultura de resistência com imprensa, escolas, teatro. É realizado o Primeiro Congresso Operário Brasileiro, em 1906, de orientação sindicalista revolucionária, que funda a Confederação Operária Brasileira (COB). Lutas contra a carestia de vida, greves por redução de jornada, baixos salários, direitos sociais são heranças dessa época.

Magonistas e zapatistas na Revolução Mexicana
Em confronto com a ditadura do governo oligárquico de Porfírio Diaz, o latifúndio e os capitalistas estrangeiros, é desatada a revolução em 20 de novembro de 1910, tendo como precursora as agitações do Partido Liberal Mexicano (PLM). As forças liberais burguesas ocuparam a cena dos acontecimentos para chegar ao poder por uma revolução política. Uma disputa violenta entre coalizões e partidos se sucedeu até 1920. Os anarquistas do PLM e Ricardo F. Magón lançaram sua guerrilha do norte por uma revolução social. O exército camponês de Emiliano Zapata lutou por uma reforma agrária radical e fez do Estado de Morelos ao sul uma zona de municipalismo autônomo zapatista.

Revolução Russa e o poder dos sovietes
Pelo fim da guerra, contra a fome e a miséria que dilacerava o povo se levantou a luta revolucionária contra o Império dos czares russo. Em outubro de 1917 a revolução socialista colocou as fábricas na mão dos operários, deu a terra aos camponeses e liquidou os restos do sistema feudal. Socialistas e anarquistas faziam frente única até a que o partido comunista monopoliza o poder estatal e a sua burocracia usurpa o poder dos sovietes. O exército makhnovista da Ucrânia e os marinheiros de Kronstadt defendem até a morte os sovietes como órgãos de poder popular revolucionário.

Guerra e Revolução Espanhola
Quando as tropas reacionárias do general Franco se sublevam em 18 de julho de 1936 colidem imediata-mente com a radicalização do proletariado. Se abre uma guerra em toda a Espanha que para os anarquistas será a vez de aplicar seus planos de revolução social. O anarquismo mobilizava a maior força social de todo o país. Tinha na Confederación Nacional del Trabajo (CNT) cerca de 2 milhões de trabalhadores organizados pelo anarco-sindicalismo. A revolução espanhola fez coletivizações agrícolas no campo e socialização de cadeias produtivas na indústria e serviços públicos.

TEORIA DA ORGANIZAÇÃO POLÍTICA ANARQUISTA
“Possuir a capacidade política é ter consciência de si
como membro de uma coletividade,
afirmar a idéia que daí resulta e perseguir sua realização.”
P.-J. Proudhon

“O anarquismo é o viajante que toma as ruas da história
e luta com os homens tais como são e constrói
com as pedras que lhe proporciona sua época.”
Camillo Berneri

A tema da teoria da organização política foi tratado a partir de cinco eixos principais: prática política, organização específica, estratégia e tática, ação de massas e luta avançada. Serão pontuados alguns aspectos em relação aos eixos.

Prática política
A teoria aponta para a elaboração de conceitos e de um método para pensar e conhecer rigorosamente a realidade social e histórica. A análise profunda e rigorosa de uma situação concreta será um trabalho teórico o mais científico possível. A ideologia é composta de elementos de natureza não científica, que contribuem para dinamizar a ação. A expressão de motivações, a proposta de objetivos, de aspirações, de metas ideais, isso pertence ao campo da ideologia. Uma prática política eficaz exige o conhecimento da realidade (teoria), a postulação harmônica com ela de valores objetivos de transformação (ideologia) e meios políticos concretos para conquistá-la (prática política).

Organização específica anarquista
Para distinguir seu programa e não diluir sua bandeira na massa das forças sociais os anarquistas formam uma organização específica para a prática política. Por suas finalidades revolucionárias, a organização só reúne uma minoria ativa para poder atuar na luta pública e fora dela. A organização é uma federação de militantes com unidade ideológica e estratégico-tática, com democracia interna e uma disciplina consciente para suas realizações. O anarquismo organizado não substitui nem representa as organizações sindicais e populares. Dentro dessa concepção, não é um partido para tomar o poder, mas para ajudar a desenvolver capacidade política nas massas para construir poder popular.

Estratégia e tática
A atividade de uma organização política supõe uma previsão do devir possível dos acontecimentos durante um lapso mais ou menos prolongado, previsão que inclui a linha de ação a adotar pela organização frente a esses acontecimentos de maneira a influir sobre eles no sentido mais eficaz e adequado. Uma linha estratégica é, habitualmente, válida enquanto perdura a situação geral a qual corresponde. As opções táticas, na medida em que respondem a problemas mais precisos, concretos e imediatos, podem ser mais variadas, mais flexíveis. Sem dúvida não podem estar em contradição com a estratégia.

Ação de massas
A organização das forças populares, dos movimentos e organizações das classes oprimidas é parte fundamental da estratégia anarquista. Estar organizado socialmente e inserido nas lutas é um critério para atuar como força política. A classe trabalhadora e os movimentos sociais devem se organizar com independência de governos, partidos e patrões. A luta de massas é um espaço para fazer unidade em defesa dos interesses de classe. O anarquismo deve atuar como fermento moral e intelectual, levando seus métodos de luta e organização como um anticorpo de luta permanente contra a burocracia, o centralismo autoritário e a colaboracionismo. O lugar das ideologias na frente social não é o de protagonismo imediato, de partidarização, mas circulação de idéias, métodos e valores a partir das situações concretas que formam as experiências da luta.

Luta avançada
O problema da violência, como categoria da política, é fundamental num processo revolucionário que procure abater as estruturas de poder do capitalismo. A luta avançada é uma parte decisiva da prática política de uma organização revolucionária que atua também, com uma estratégia articulada e global, no nível das lutas populares. A luta revolucionária por objetivos socialistas deve contar com o protagonismo de um setor importante das massas e por isso não dispensa o trabalho político e ideológico no interior dos seus movimentos. A organização de uma força militante como elemento de choque e recurso técnico prévio da radicalização das lutas contra o poder burguês é uma exigência para uma estratégia vitoriosa de revolução social.

MARCO TEÓRICO E CATEGORIAS DE ANÁLISE (MÉTODO DE ANÁLISE)

Para o trabalho de análise, com a utilização de um método determinado, houve a necessidade de distinguir, como colocado, as categorias de ideologia e estratégia. A formação pontuou: O socialismo é uma aspiração, uma esperança dos povos e das classes oprimidas (ideologia). Mas precisa ter sua elaboração teórica, vinculada ao terreno do saber, dos estudos e da análise social rigorosa (teoria). Isso implica, portanto, ter claro quais são os elementos mais fixos que constituem a ideologia, e quais são os elementos teóricos, que funcionarão como uma caixa de ferramentas e que terão por objetivo proporcionar elementos para que se possa conhecer; nesse sentido, as ferramentas teóricas não têm, necessariamente, de ser anarquistas, ainda que se deva ter em conta a relação entre ideologia e teoria, ferramentas que devem proporcionar elementos para uma compreensão adequada do sistema, das formações sociais, da conjuntura. Nesse sentido, a teoria busca conhecer e a ideologia transformar.

Capitalismo como sistema de dominação
O capitalismo é um sistema. Sistema é um conceito para discernir o “núcleo duro”, a configuração dos elementos constitutivos que fundam e dão sentido a uma totalidade social. O capitalismo constitui um sistema de dominação que tem por constituição fundamental alguns elementos: Propriedade privada; exploração; disciplinamento dos corpos; a modalidade de representação, administração e justiça; um sistema coercitivo e repressivo; a existência de classes sociais; exclusão social. Esse sistema de dominação está formado por uma estrutura global formada por distintas esferas, entre elas: estrutura econômica; estrutura política-jurídica-militar; estrutura ideológica-cultural (idéias, representações, comportamentos, modo de informação, tecnologias de poder a ela unidas). Estrutura é o conjunto de elementos de uma organização social e suas relações, presentes no sistema de dominação. O capitalismo, concebido globalmente como sistema de dominação, possui agentes que impulsionam essa dominação em todas as esferas. Por exemplo: Política: organizações internacionais (FMI, Banco Mundial, OMC, União Européia, OTAN, etc); Economia: empresas transnacionais, bancos; Ideológico: conglomerados de mídia.

Interdependência das esferas
O método apresentado na formação baseia-se na interdependência das esferas e, portanto, entende o sistema como um todo no qual uma esfera influencia, sustenta e torna as outras dependentes. O sistema de dominação (capitalismo) é constituído por uma estrutura global formada por distintas esferas, estrutura esta que não têm determinação outra a não ser a interdependência. As distintas esferas da estrutura tem autonomia relativa, com elementos específicos que constituem no seu interior outras esferas menores. A dominância de uma estrutura sobre a outra não se estabelece a priori, é produto das análises respectivas. O sistema de dominação é dinâmico e atravessa várias etapas históricas mantendo elementos estruturais que o reproduzem de distintas maneiras.

Poder, dominação, resistência e as distintas esferas da sociedade
A estruturação da sociedade está baseada em última análise nas relações de poder e dominação, relações fundamentais que atravessam todas as esferas e configuram modos de articulação da estrutura global com seu característico núcleo duro. O poder circula por todo o corpo social, pelas diferentes esferas estruturadas. Vale dizer por todas as relações sociais. O poder está nas relações sociais, nos diferentes campos das relações sociais e o aparelho de Estado estaria contendo com toda sua dimensão, circulando pelo seu interior,certa síntese de poder dominante. Sendo assim, o poder não reside nas estruturas nem nas instituições, mas no campo das relações sociais. E não somente no político, mas também no econômico, ideológico, jurídico e todas as instituições do sistema. Teríamos assim poder no econômico, jurídico-político-militar, ideológico-cultural. Nesse sentido, há resistências nas distintas esferas que podem ser maiores ou menores, mais ou menos ameaçadoras ao sistema de dominação.

Poder e Estado
As instituições, os aparelhos, as estruturas não são amorfas, estão sempre penetradas pelo poder. Articulada a estrutura de produção, por exemplo, está o poder, as classes e as lutas. O aparelho de Estado contém certa síntese de poder dominante que circula no seu interior. Não se pode definir o Estado como o conjunto da sociedade e nem equiparar Estado e poder. O Estado é o lugar de “condensação” de diversos poderes, um lugar específico que tem sua própria “autonomia relativa” e que é capaz de manter e reproduzir privilégios de diferentes ordens. Sua dinâmica é centralizadora, apta só para dominação, sua função é repressora e controladora. Os conceitos básicos para o Estado o definem como monopólio da força repressiva organizada, da “justiça”, estrutura de privilégios, centralizadora, anuladora do que não controla.

Formações sociais e conjuntura
As formações sociais concretas são o campo da análise descritiva de sociedades históricas onde o sistema de dominação tem determinação em estado prático. O grupo de acontecimentos que marcam um momento específico das formações sociais e suas estruturas fundamentais formam a conjuntura.

Ideologia e sujeito
Determinados momentos históricos produzem com peso um conjunto articulado de idéias, representações, noções no interior do imaginário dos distintos sujeitos sociais. Um conjunto articulado de caráter imaginário, que toma a forma de “certezas” defendidas pelos mesmos sujeitos sociais. Isto é o que pode transformar estes sujeitos em protagonistas de sua própria história ou em sujeitos passivos e/ou disciplinados pelas forças dominantes. Isto é o que chamamos de ideologia (não confundir a ideologia da sociedade que se fala aqui com a ideologia anarquista, tratada anteriormente). Ideologia não é falsa consciência. O sujeito real não está representado na figura do “eu”, na consciência, mas é constituído na estrutura do inconsciente, isto é, nas formações ideológicas em que ele se reconhece. O que o sujeito vive e como vive cotidianamente, historicamente, no marco de determinados dispositivos, seria o elemento principal de mudança de sua consciência. É construindo força social e tomando ativa participação nela que se podem formar embriões da nova civilização ou do “homem novo”, de outro sujeito. Digamos que este é o tema de como se transforma a consciência, para usar a linguagem clássica. Pelo que tem se visto a economia por si não transforma a consciência. O que o sujeito vive e como vive cotidianamente, historicamente, no marco de determinados dispositivos, seria o elemento principal de mudança de sua consciência. O que está no centro da história não é o homem, mas as lutas de poder e economia. Os fazedores de história seriam especialmente classes (grandes coletivos) operando como forças sociais.

VIA ESTRATÉGICA E PODER POPULAR
“O socialismo sem liberdade é a escravidão e a brutalidade;
a liberdade sem socialismo é a injustiça e o privilégio.”
Mikhail Bakunin

O anarquismo postula no processo de lutas uma ruptura revolucionária com a ordem porque é condição para fazer um caminho de construção final de uma sociedade socialista e libertária. O processo revolucionário, na mesma medida que desarticula as estruturas de dominação, abre caminhos para a construção do poder popular, concebido como o poder revolucionário protagonizado pelas organizações populares. Onde o político e o social adquirem uma nova articulação que o assegure. A viabilidade desta concepção do poder popular está vinculada com uma definição determinada da ruptura revolucionária. Dela dependem tanto o curso que possa seguir o processo revolucionário como as características concretas do confronto com as forças repressivas do Estado. Vamos conceber a ruptura nos termos de uma insurreição popular. Essa opção implica uma maior, mais ampla e mais decisiva participação das organizações populares. A construção do poder popular requer a preparação das organizações populares destinadas ao seu exercício. Não se trata de dar o nome de “poder popular” as velhas e conhecidas formas de ação política e representação que excluem o povo de toda instância de decisão fundamental. Criar ou recriar, fortalecer e consolidar as organizações operárias e populares e defender seu protagonismo é ir fecundando, passo a passo, um socialismo com liberdade. Importa muito como se orienta e concretiza o trabalho político e social permanentemente. É próprio da estrutura política especial do Estado a separação entre sociedade e poder, povo e política, sua reprodução institucional e pelo discurso de uma autoridade superior atribuída de impessoalidade que regula a vida social. Uma estratégia de poder popular deve levar em conta a necessidade uma nova estruturação político-social que descanse no protagonismo das organizações populares e articule o poder em torno da participação das bases nas decisões fundamentais do processo político da sociedade. A revolução que queremos é uma revolução socialista e libertária, portanto delimita desde o princípio amigos e inimigos. Uma revolução anticapitalista e antiautoritária aponta inconfundivelmente ao desaparecimento das relações de dominação e, assim, contra a sobrevivência de todas as classes e camadas dominantes. É uma revolução que pretende o desaparecimento da burguesia como classe, o desaparecimento de latifundiários e capitalistas, castas militares e hierarquias estatais. A revolução socialista e libertária só pode encontrar combatentes nas classes oprimidas. A frente de classes oprimidas a que nos referimos se constitui como uma rede de relações permanente, ligada programaticamente, da multiplicidade de organizações de base capazes de expressar na luta os interesses imediatos destes setores sociais e de desenvolvê-los e aprofundá-los no sentido de metas e orientações do tipo transformador e socialista.

A CONSTRUÇÃO DO ANARQUISMO DE BASE ESPECIFISTA NO BRASIL

A formação realizada em Curitiba, conforme avaliação do FAO, foi uma experiência muito relevante. Realizada pela FAG anteriormente para seu conjunto de militantes, pôde ser aperfeiçoada e estendida a um coletivo mais amplo. Essa atividade de formação evidenciou a necessidade de construção de um material próprio de formação, capaz de potencializar aquilo que se convencionou chamar de anarquismo especifista no Brasil.

O momento parece bastante propício. O FAO constitui um espaço de debate e articulação entre organizações, grupos e indivíduos anarquistas que trabalham ou têm a intenção de trabalhar utilizando como base os princípios e a estratégia do anarquismo especifista. O objetivo maior do FAO é criar as condições para a construção de uma verdadeira organização anarquista no Brasil, de caráter especifista. Tarefa que sabemos não ser de curto prazo, mas que precisa ser iniciada desde já. Fazem parte do FAO hoje, cinco organizações pelo Brasil: Federação Anarquista Gaúcha (FAG), do Rio Grande do Sul; Coletivo Anarquista Zumbi dos Palmares (CAZP), de Alagoas; Rusga Libertária, do Mato Grosso; Federação Anarquista do Rio de Janeiro (FARJ), do Rio de Janeiro e a Organização Anarquista Socialismo Libertário (OASL), de São Paulo. Encontram-se em processo de aproximação organizações e grupos dos seguintes estados: Santa Catarina, Paraná, Ceará, Pernambuco, além de individualidades em outros estados. Portanto, esse momento tão importante para o anarquismo especifista que avança lutando e organizando, forjando as bases para uma unidade que permita constituir uma organização nacional.

Temos abertamente a intenção de fortalecer os estados em que estamos presentes e de conseguir aproximar a militância de outros estados, afim de fortalecer esse processo organizativo. Se você se interessa pelas nossas propostas, não deixe de entrar em contato!

Não tá morto quem peleia!
Arriba los que luchan!

Militância envolvida no Primeiro Curso de Formação Política da Região Sul
Fórum do Anarquismo Organizado – Brasil

http://www.vermelhoenegro.org

Declaração de Princípios e Intenções (FAO)
http://www.anarkismo.net/article/17346

Julho de 2011

formacaoa.jpg

[CURITIBA] Solidariedade aos estudantes de medicina UFPR

O Coletivo Anarquista Luta de Classe é solidário a luta dos
estudantes de medicina da UFPR que se organizaram para
manter da posse do prédio do DANC, o Diretória Acadêmico
Nilo Cairo. O DANC, que já abrigou encontros, seminários,
debates e festas,que é reconhecidamente fruto de conquista
da militância estudantil, vem sendo ameaçado de despejo
pela Reitoria da UFPR. Enquanto esperam um desfecho
positivo @s compas ocupam e cuidam do mesmo, um espaço que já
faz parte da história da cidade e do movimento estudantil
local.

Sabe-se que hoje a repressão aos setores dos movimentos
sociais que apresentam formas de resistência e luta
contra a sociedade capitalista aumentou, tanto da parte
dos governos, quanto do capital privado. Tal iniciativa
da Reitoria, “de despejar o espaço”, parece então se
inscrever no esforço da elite em crimilizar e reprimir
as iniciativas populares de organização e luta, sejam
elas de estudantes, sem tetos, trabalhadores ou
desempregados, enquanto tentam impor seus próprios
interesses(PRIVATIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO e ESPECULAÇÂO
IMOBILIÁRIA).
Nota-se que, a posse coletiva de um espaço – DANC –,
representa hoje uma forma de luta contra a propriedade
privada, mas ainda,que a luta pela posse coletiva do
espaço público em nome d@s estudantes é também parte
da resistência popular ao projeto de privatização
dos serviços públicos orquestrado pelo Governo Federal,
nesse caso, as Universidades.

Assim, declaramos nosso apoio aos companheir@s que buscam
garantir a posse do DANC para a luta e organização estudantil.
Pois: "quando os de baixo se movem, os de cima caem!"

Liberdade! Socialismo!

Atividade de Formação regional do FAO

Atividade de Formação regional do FAO

Retirado de: http://anarkismo.net/article/20110

Será realizado nos dias 23 e 24 de Julho no Paraná, uma atividade de Formação para militantes anarquistas e organizações dos Estados do RS, SC, PR, SP e RJ.

Logo do FAO

Será realizado nos dias 23 e 24 de Julho no Paraná, uma atividade de Formação para militantes anarquistas e organizações dos Estados do RS, SC, PR, SP e RJ.
A atividade é coordenada pelo Fórum do Anarquismo Organizado (FAO) para fortalecer a militância anarquista nos Estados.

Para maiores informações entre em contato:
fagsorg@riseup.net.

Pela Construção de um povo forte!
FAO

Kurdistan America Latina

Organização parte da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB)

Alternativa Libertaria_FdCA

Alternativa Libertaria_FdCA

Alternative libertaire

Organização parte da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB)

Black Rose Anarchist Federation

Organização parte da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB)

Federación Anarquista de Rosario (ex Columna Libertaria Joaquín Penina - Rosario, Argentina)

Organização parte da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB)

Coordenação Anarquista Brasileira (CAB)

Organização parte da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB)

Federação Anarquista Cabana – FACA

Organização parte da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB)

MPA Brasil

Organização parte da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB)

Articulação dos Povos Indígenas do Brasil - Apib

Blog da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib)

Rádio Gralha | 106,1 MHz | Curitiba

Organização parte da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB)

FTA - Frente Terra e Autonomia

Organização parte da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB)

Mulheres Resistem

Organização parte da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB)

Resistência Popular MT

Lutar, criar, poder popular!

Resistência Popular - Alagoas

Organização parte da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB)

Tendência Estudantil da Resistência Popular

Organização parte da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB)

Estratégia e Análise

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