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2 ANOS DO MASSACRE DE CAARAPÓ ! !

Nesse dia 14 de junho de 2018 completam 2 anos do Massacre de Caarapó, onde o lutador e agente de saúde Guarani Kaiowa Clodiodi Aquileu Rodrigues de Souza foi assassinado. Oito chegaram a ser hospitalizados e mais de 20 guarani kaiowa foram feridos, incluindo crianças e idosos.

Dois dias antes do ocorrido, o povo Guarani Kaiowa havia retomado 490 hectares da Fazenda Ivy que se sobrepõe ao território ancestral guarani Tora Paso, num processo histórico de recuperação do território de que foram expulsos pelo avanço da fronteira agrícola do capital com o total e pleno incentivo do Estado de Mato Grosso do Sul governado nos últimos tempos tanto por PSDB, PMDB como pelo PT.

Os fazendeiros da região não aceitaram que o povo Guarani Kaiowa retomasse o que é deles por Direito Originário. Era uma terça-feira, 14 de junho de 2016 quando um grupo de mais de 300 pessoas compostas de paramilitares, jagunços, milícia privada em conjunto com as forças oficiais de repressão do Estado (Departamento de Operações de Fronteira e Policia Militar) a serviço dos fazendeiros da região de Caarapó, organizou-se com dezenas de caminhões, tratrores e armas de fogo. Transformado num verdadeiro cenário de guerra, o acampamento que hoje leva o nome Kunumi Poty Verpa, nome guarani kaiowa de Clodiodi, mas que na época era chamado de Toro Paso, as forças de repressão de forma covarde, que é como atuam em defesa dos interesses do capital, iniciaram um ataque contra a resistência guarani kaiowa com a intenção de desmobiliza-la e expulsar as famílias guarani kaiowa de seu Tokoha, “meteram sem miséria, tiro de 12, 38 e espingarda” disse Ruspo em sua música*.

Mas dando continuidade a uma resistência de mais de 500 anos, o povo guarani kaiowa não se intimidou com as forças de repressão e permaneceu firme em seu território e enfrentou com ajuda da força espiritual que Nanderu lhes promove, o ataque orquestrado pelo capital. Não só resistiram a mais esse ataque etnocida, como responderam com o avanço nas retomadas de seus territórios já pouco tempo depois do assassinato do Kunumi Poty Verá, na mesma região.

O estado do Mato Grosso do Sul chama a atenção por ser o olho do furacão do processo etnocida anti-indígena que ocorre hoje no Brasil, despontando no cenário nacional não somente com assassinatos, perseguição e criminalização de indígenas, como também em outros problemas que atentam a direitos básicos como a mortalidade infantil decorrente da desnutrição. É o que nos revela o CIMI (Conselho Indigenista Missionário) com dados contidos no documento: “As Violências Contra os Povos Indígenas em Mato Grosso do Sul – E as resistências do Bem Viver por uma Terra Sem Males”, dados de 2003-2010.

De 2003 a 2010 houve 452 assassinatos de indígenas no país, sendo 250 somente no Mato Grosso do Sul, ou seja, 55,5%, mais da metade! Também de 2003 a 2010 mais de 4.000 crianças indígenas sofreram de desnutrição nesse Estado, sendo que em 2003 a taxa de mortalidade infantil por desnutrição chegou ao horripilante número de 93 crianças para cada 1000 nascimentos. Essa é a contradição. Povos que tiveram a agricultura como parte essencial de seu desenvolvimento e cultura enquanto povo originário têm agora suas crianças sofrendo em decorrência da fome e da alimentação industrializada, que é também mais uma forma de violência e colonização contra os povos originários. As crianças hoje sofrem porque seus pais não podem plantar, pois vivem sob a eminência de uma reintegração de posse e de terem suas roças destruídas, quando isso não ocorre de forma proposital mandada pelos fazendeiros. Ou também quando são envenenados com a pulverização aérea dos grandes latifúndios, prática essa que não deve ser vista apenas como “consequência” da utilização de determinado maquinário agrícola, mas sim, como arma de guerra e extermínio etnocida contra o povo Guarani Kaiowa.

Por isso é necessário, que olhemos enquanto povo brasileiro para o que está acontecendo com o povo Guarani Kaiowa no estado do Mato Grosso do Sul e apoiemos o seu processo de retomada dos territórios ancestrais, dos quais foram expulsos em detrimento da exploração dos recursos naturais pelas mãos do latifúndio, que sempre e somente produziu morte e dor na vida destes povos que habitam há mais de milênios e conhecem essas terras melhor do que todos.

Nós do Coletivo Anarquista Luta de Classe/PR, viemos relembrar o que ocorreu há dois anos, porque a memória não pode ser esquecida. Após dois anos do assassinato de Kunumi Poty Verá, o processo de demarcação de terras indígenas no estado do Mato Grosso do Sul continua paralisando a política fundamental que possibilita tantas outras como a saúde, a educação e o saneamento básico, por exemplo. Mas o estado é ruralista e deixa claro o lado que assume na luta entre o capital e os povos originários. O assassinato de Kunumi Poty Verá é exemplo disso, não há nada a esperar do Estado a não ser mais destruição dos direitos básicos e repressão, criminalização de todos e todas que lutam e ousam resistir. Usam de artimanhas jurídicas, como a tese do Marco Temporal, para travar o processo de demarcação de território indígena, que sempre foi lento tanto em governos de direita quanto nos ditos de “esquerda”.

Se hoje o povo Guarani Kaiowa vive sob os resquícios de seus territórios originários, é porque resistiu e conseguiu pela força de seu próprio movimento retomar o que um dia lhe foi usurpado com o derramamento de sangue e o tombamento de lideranças de seu movimento de re(existência). Consegue ainda se manter com o que vive hoje, mas o capital não permite e vai fazer de tudo para retirá-lo de cima de seu território. Será somente com resistência e organização da base que o povo Guarani Kaiowa poderá defender seu território e avançar nas retomadas, coisa que já demonstrou saber fazer quando em abril desse ano fez a ministra do STF Carmen Lucia, suspender os pedidos de reintegração de posse previstos para ocorrer nas Tekoha Guapo’y, Jeroky Guasu e Pindo Roky tambem em Caarapó.

A partir dessa singela, mas honesta nota pública, viemos enquanto Coletivo Anarquista Luta de Classe/PR contribuir e somar ao ato nacional convocado pelo Comitê de Solidariedade aos Povos Indígenas de Dourados-MS, ato politico em memória dos 2 anos do Massacre de Caarapó e dos 2 anos do assassinato de Kunumi Poty Verá !

(https://www.facebook.com/events/247785449103082/)

KUNUMI POTY VERÁ VIVE ! !

TODO APOIO ÀS RETOMADAS DOS TERRITÓRIOS GUARANI-KAIOWA ! !

NÃO AO MARCO TEMPORAL ! !

Comitê de Solidariedade aos Povos Indígenas:

https://www.facebook.com/Comitedesolidariedadeaospovosindigenasdedourados/

A Assembleia da Retomada Aty Jovem (RAJ) vai ocorrer entre os dias 10 a 14 de setembro de 2018 no Território Indígena Porto Lindo, cidade de Japorã, e é um espaço importante de organização e articulação da juventude Guarani e Kaiowá. Por dificuldades financeiras em viabilizar esse encontro o movimento conta com a ajuda de apoiadores/as através de uma vaquinha virtual:

https://www.vakinha.com.br/vaquinha/assembleia-da-retomada-aty-jovem-guarani-e-kaiowa

*Música: Ruspo – Meu Gloriodo Clodiodi

https://www.youtube.com/watch?v=NI3TeSpDiOQ

Letra:

PF de helicóptero
batendo asa nos barraco
(ferve a água prum mate…)

(relata:)
botaram fogo em tudo
tentaram enterrar
o corpo com a carregadeira.

os gatilho
foi pra defender
os novilho
vale mais que o quê
sem carícia
tirando os patrício
de caarapó

atiraram sem trégua
encapuzados da milícia paramilitar
atiraram sem trégua
milícia paramilitar

acertaram professores e lideranças
agentes de saúde e as crianças
rezadores e rezadoras e as guerreiras
guerreiros e guerreiras
e os patrício
o!

o fazendeiro louco
mete fogo em nós
meteu fogo em vários de nós

(e o cara do sindicato
mentiu na TV…)

meu glorioso clodiodi
meu glorioso clodiodi
meu glorioso mártir
meu glorioso mártir

meteram sem miséria
tiro de 12, 38 e espingarda

pra depois falar
que ninguém tava armado
então como foi que ele morreu
então como foi que ele morreu

arrastão de: jorge ben e gilberto gil, lily allen, beach boys

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[CAB] Nota do GT Estudantil da Coordenação Anarquista Brasileira em solidariedade aos estudantes que ocupam a Reitoria da UFRGS em defesa das cotas raciais

Viemos por meio desta nota nos solidarizar com o movimento negro da UFRGS. No dia 07/03 a ocupação do prédio da reitoria da UFRGS foi impulsionada pelo Coletivo Balanta, com o objetivo de reverter a decisão da universidade que alterou os critérios de aferição do processo de seleção de cotistas.

No caso, a reitoria passou a homologar estudantes com identificação hereditária até os avós, não mais se pautando pelo critério fenotípico. Ainda com o intuito atropelar o antigo processo, criou a categoria “pardo com ascendência indígena” e uma comissão de Recurso com representantes escolhidos a dedo pelo reitor, deslegitimando a Comissão de Aferição anterior, que era mais representativa e acumulava um longo debate com o Movimento Negro. Segundo a carta em que os antigos membros da comissão pedem desligamento, as comissões foram “Demandadas nacionalmente pelo Movimento Negro […] fruto da reflexão e acompanhamento no qual se entendeu que não havendo comissões que façam análise heteroidentificativa de candidatos cotistas raciais, as vagas cairiam na sua grande maioria para não-negros e não indígenas”[1].

O movimento tem apontado que as alterações descaracterizam o objetivo da política de cotas, mas a reitoria se mostrou indiferente às críticas e mesmo após o desligamento de membros da Comissão Permanente de Verificação da Autodeclaração Étnico-racial (CPVA) não voltou atrás com a sua decisão arbitrária.

Muito nos indigna, mas não nos surpreende que a Reitoria da UFRGS queira modificar o sistema. A Universidade enquanto um direito social foi historicamente vedada à população negra, e os setores conservadores da sociedade tem se incomodado com o fato de que, apesar do racismo – instituição central da sociedade brasileira e marca distintiva da universidade no Brasil – a população negra tem cada vez mais superado o filtro social do vestibular. Isto porque para os setores conservadores, a presença da população negra nas universidade deve-se restringir ao trabalho precarizado e terceirizados na limpeza limpeza e nos RUs.

Mas em resposta à falta de consideração pelos acúmulos do Movimento Negro no tratamento da questão e à falta de diálogo da atual gestão da universidade, o Coletivo Balanta impulsionou a ocupação do prédio da reitoria; demonstrando como deve ser feito o combater a negação escancarada de um direito social – que mesmo diante de todas as conquistas ainda precisa avançar muito. Esta é mais uma luta que a classe trabalhadora terá que enfrentar e combater em meio ao ferrenho avanço neoliberal que estamos enfrentando e precisamos permanecer firmes e nos espelhar no exemplo do Coletivo Balanta, entendendo que é só através da luta que poderemos defender as nossas conquistas.

Não satisfeita com a arbitrariedade contida no desprezo institucional em relação ao posicionamento coletivo, construído historicamente pelo Movimento Negro, a reitoria foi além, acionando as forças repressivas para garantir a reintegração de posse do prédio ocupado. Como se já não houvessem arbitrariedades suficientes neste processo, o pedido de reintegração caiu nas mãos do Juiz Bruno Risch Fagundes de Oliveira, que decidiu acionar as forças armadas para acabar com a ocupação.

Não podemos deixar de destacar o absurdo representado pelo acionar das forças armadas para tratar de um conflito político dentro da Universidade e nos sentimos na obrigação, não só de nos solidarizamos com os/as companheiros/as que ocuparam a Reitoria em protesto a essa medida, mas de rechaçar veemente a truculência da reitoria da UFRGS, potencializada pelo delírio autoritário do referido juíz. Além disso, gostaríamos de compartilhar uma análise sobre o conflito na UFRGS, localizando na atual conjuntura o risco que uma situação como esta representa para o movimento estudantil à nível nacional.

O significado da intervenção militar 

É essencial compreendermos que a cogitação da utilização do exército para reintegrar a reitoria da UFRGS não é um raio num dia de céu azul, mas está diretamente vinculada à escalada autoritária na qual os setores mais atrasados da sociedade vem se alicerçando para tentar passar os seus planos anti-povo. No atual momento vemos as forças armadas se inflando e avançando em variadas posições para conter a revolta popular que a elite percebe que fatalmente virá do desmonte dos precários e insuficientes direitos sociais que querem nos tomar.

Tal situação torna a ocupação da UFRGS mais importante até do que ela já é por si só,  potencializando o significado desta luta que se estende através e além de sua principal pauta. Com o aprofundamento do golpe e as vacilações da esquerda institucional, cada vez mais os setores reacionários se veem à vontade para atacar as poucas conquistas que tivemos nos últimos anos (fruto de muita luta e resistência das/os de baixo). A relevância desta ocupação não reside apenas no fato de defender que pretas e pretos possam entrar e permanecer na Universidade. Ela é extremamente importante por isto, mas se torna ainda mais importante pela inflexão travada com os setores retrógrados da sociedade que, sem condição de conquistar a hegemonia na esfera política, se voltam para os milicos com o intuito de fazer valer o seu ataque contra o povo brasileiro.

A situação na UFRGS é de suma importância e é um balão de ensaio. A convocação dos militares para atuarem na desocupação da reitoria pode criar um precedente para que façam isso em qualquer lugar em que estudantes se levantarem contra o programa anti-povo, que a cada dia tem a sua implementação acentuada. É fundamental que compreendamos isso e que, não só nos solidarizemos de norte a sul do país com o movimento da UFRGS, mas que denunciemos implacavelmente a tentativa de levar à outro nível a criminalização das lutas sociais.

Precisamos aprender com o passado. Não podemos repetir os erros dos anos 60 e deixar pra combater os militares depois que eles já tiverem todo o regime aos seus pés. Foi com iniciativas como tais, que o golpe de 1964 foi preparado! Não tenhamos dúvidas, de que cada vez mais a elite retrógrada enxerga a necessidade de ter ao seu lado o máximo de truculência possível para por em prática a liquidação do país.

Precisamos ter ciência de que apesar de todo o cerco midiático e a tentativa de esvaziar o debate político, nós vivemos um momento de extrema polarização e entre o povo reina uma enorme reprovação sobre os ataques que estamos sofrendo. Infelizmente, a maior parte dos movimentos e lideranças contribuem para a aparente apatia, já que ainda se encontram iludidos com a corrida eleitoral deste ano, parecendo não terem entendido que o projeto neoliberal foi acelerado pelo golpe e que a sua reversão nas urnas não está no rol das opções.

Em momentos como este, quando se avolumam contradições, qualquer luta pode ser o estopim para a eclosão da revolta entre o povo. Que cumpramos com o nosso dever histórico e denunciemos com todas as nossas forças o que vem acontecendo em Porto Alegre. O momento pede o máximo de luta e organização, debates, marchas e piquetes, dentro e fora das Universidades! A direita precisa saber que a esquerda não está morta e que mais uma vez a juventude está disposta a reivindicar o seu posto na luta!

Rodear de Solidariedade as/os companheiras/os do movimento negro da UFRGS
Avante juventude, a luta é que muda!
Nem um passo atrás, ditadura nunca mais!

12 de março de 2018
GT Estudantil da CAB

Para mais informações e para acompanhar a ocupação:

Página do Balanta: https://www.facebook.com/balantanegritude/

[1] Nota de Desligamento dos Membros da comissão de aferição: http://reporterpopular.com.br/nota-de-desligamento-de-membros-da-comissao-de-afericao-da-ufrgs-contra-os-retrocessos-na-politica-de-cotas-raciais/

CRESCE O ANARQUISMO EM TERRAS PARANAENSES: 2 ANOS DO COLETIVO AÇÃO DIRETA (CAD)!

O Coletivo Anarquista Luta de Classe (CALC) vem saudar o Coletivo Ação Direta (CAD) pelos seus 2 anos de luta e organização no Norte do Paraná.

É com grande entusiasmo que vemos o avanço e enraizamento do anarquismo nas lutas do povo em nosso estado, representado também pela atuação do CAD na cidade de Londrina. O Paraná vem sofrendo com o avanço do neoliberalismo, com o sucateamento dos serviços públicos e com a repressão às lutas do campo e da cidade. Por isso, é fundamental a atuação das organizações políticas anarquistas na construção de um povo forte, criando e fortalecendo ferramentas de luta em cada escola, universidade, bairro, ocupação ou local de trabalho. Devemos buscar nosso posto e atuar pelo resgate da ampla tradição de luta dos oprimidos em nosso estado, e percorrermos os caminhos baseados na solidariedade, autogestão, federalismo e na ação direta para a construção do Poder Popular!

Saudamos o Coletivo Ação Direta pela militância cotidiana na construção desse projeto e desejamos que venham muitos anos de luta e organização!

VIVA O COLETIVO AÇÃO DIRETA (CAD)!

VIVA O ANARQUISMO ORGANIZADO EM TERRAS PARANAENSES!

NÃO À REFORMA DA PREVIDÊNCIA!

LUTAR! CRIAR PODER POPULAR!

[FAG] QUARTA INVESTIDA REPRESSIVA SOBRE A FAG EM MENOS DE 10 ANOS

A Organização está solidária com os espaços e grupos que também foram atingidos pela ação repressiva – Parrhesia e Ocupa Pandorga – e toma uma postura resoluta pelo direito de associação e livre pensamento.

29 de outubro de 2009 a sede da organização política foi invadida por agentes da civil e teve equipamentos, arquivos e suportes de propaganda apreendidos pela polícia. Era reação oficial a campanha de agitação desatada pela FAG que reclamava justiça pelo caso do Sem Terra Elton Brum da Silva, assassinado pela Brigada Militar a mando da governadora Yeda Crusius. Sede invadida, material apreendido e 6 militantes processados, o que mais tarde caducou por fragilidade do processo.

20 de junho de 2013, na luz do dia em que se anunciava uma mega-marcha da épica jornada do Bloco de Lutas o Ateneu Libertário Batalha da Várzea é arrombado e invadido sem indicação de mandado judicial por uma força repressiva a soldo do governador Tarso Genro. Em coletiva de imprensa da secretaria de segurança, após o sucedido, o chefe da polícia civil se consagrou pela pérola de que a ação encontrou provas contundentes em “vasta literatura anarquista”. Tarso Genro disparando sandices e disparates contra a revolta popular que não podia controlar usou o selo de “anarco-fascista” pros desafetos e autorizou sua polícia a fazer a imprudência de sequestrar livros da biblioteca do Ateneu, entre eles de um destacado e notório anarquista e antifascista italiano. O Estado do RS logo calou sobre essa infâmia e devolveu na calada parte dos livros depois da vergonha pública de uma piada sem graça que ganhou o país.

1° de outubro de 2013 o Ateneu é novamente visitado com violência pela polícia durante uma operação de caça as bruxas sobre militantes e organizações que formavam o Bloco de Lutas. O mandado faz buscas em locais coletivos e domicílios. O plano buscava elementos pra provar a teoria do domínio do fato sobre o setor mais ativo das jornadas de junho. A ideia tão simples como estúpida que estava embutida na peça era de que tudo que se produzia ao interior da revolta de massas que foi desatada pelas ruas da capital, em onda com o país, passava pelo comando dos compas e locais investigados. Resulta dessa operação 6 militantes do Bloco, de diferentes filiações ideológicas, processados pela figura penal de quadrilha e “formação de milícias privadas”, com tramite até os dias atuais.

25 de outubro de 2017 vem novo factoide associado com nossa Organização e que atinge também outros espaços e concepções libertárias. A polícia civil diz ter cerca de 10 locais e 30 pessoas investigadas e criminalizadas pelo seu factóide. Nossa solidariedade com a Ocupa Pandorga da Azenha e o Parrhesia na Cidade Baixa, que foram invadidos e tiveram publicações e equipamentos de trabalho sequestrados pela operação policial durante o dia. São locais públicos e conhecidos por seus projetos sociais junto a vizinhança ou a comunidade de interesses que reúnem.

O discurso criminal e individualizador sobre os radicais é um artifício antigo pra assustar e desmobilizar, plantar confusão e desconfiança, neutralizar a atração de um sindicalismo de ação direta ou os marcadores combativos que pode subir o tom do movimento popular. Querem cabrestear a rebeldia levando pro juízo fácil do noticiário uma fantasia de quadrilha de propósitos confusos. Justo no meio de lutas sociais duras contra o ajuste, no estado com a greve da educação, e no município pela mão dos servidores de Porto Alegre. Greves com participação forte e indignada das categorias e com determinação de criar resistência a todo pano ao projeto de arrocho e desmonte dos serviços públicos, onde a FAG toma parte modestamente com seu grupo de militantes, como trabalhadores que somos, como tendência libertária que marca sua mirada própria sobre as coisas, entre os muitos outros colegas que formam o campo de luta que ganha expressão unida no sindicato.

O anarquismo que tem voz em nosso projeto é uma luta estratégica contra o poder que se apoia em estruturas de desigualdade social, de violência colonial, de genero e raça, de dominação de classe. Anarquismo que abraça um programa de socialismo na economia e no poder político, com autogestão da produção pelos trabalhadores e democracia direta e federalismo no regime da vida pública. A nossa é uma organização política pra atuar pela tática nas lutas sociais e políticas e cavar mundo novo pela ação das organizações de base do movimento social. Lutar e criar PODER POPULAR com ação direta de classe e independência dos governos e patrões.

A memória de Elton Brum grita e acusa o policial assassino que a mesma justiça que criminaliza os anarquistas tenta soltar.

Basta de impunidade da quadrilha dirigente do Estado brasileiro, o empresariado da propina e da sonegação e os parasitas do sistema financeiro.

FORA TEMER E TODOS OS DEMOLIDORES DE DIREITOS.

TODO APOIO A GREVE DA EDUCAÇÃO DO RS E DOS MUNICIPÁRIOS DE POA.

CHEGA DE FARSA JUDICIAL-REPRESIVA SOBRE OS LUTADORES/AS.

NÃO SE AJUSTA QUEM PELEIA!

100 anos da Greve Geral de 1917

Texto retirado do Jornal NO BATENTE 7

No ano em que comemoramos 100 anos de um dos mais emblemáticos episódios de luta da classe oprimida no Brasil também sofremos a perda de vários direitos conquistados naquele período. Por isso é necessário rever seus acontecimentos e utilizar da experiência acumulada para fermentar as lutas que travamos hoje e no futuro.

Contexto histórico

Eram tempos difíceis. Entre 1914 e 1917 o Brasil passou a ser um grande exportador de matéria prima e mercadorias devido à 1ª Guerra Mundial. Com o aumento da demanda na indústria e para obter altos lucros os empresários condenavam as trabalhadoras e trabalhadores a jornadas de trabalho de até 16 horas por dia, incluindo os domingos até o meio-dia, com salários de miséria. Os filhos dos operários de cinco a oito anos também trabalhavam nas fábricas, sofriam com mutilações nas máquinas e com jornadas noturnas.

Nesse cenário começaram a surgir ligas de trabalhadores e sindicatos, em grande parte vinculada a centros culturais e ateneus de presença e influência anarquista. A Greve Geral não aconteceu de forma espontânea, foi fruto de longo período de preparação e auto-organização, partindo dos acúmulos da grande greve de 1903. A pauta da Greve Geral apareceu no 1º Congresso Operário Brasileiro em 1906 e no 2º Congresso em 1913.

As reivindicações eram estabelecidas de acordo com as necessidades econômicas e a organização dos trabalhadores funcionava por meio de assembleias, construindo as decisões de baixo para cima, sem burocracia sindical e com muita solidariedade. Para atrair mais gente e formar quem estava na luta eram feitos centros de cultura, bibliotecas populares, festivais, peças teatrais e jornais.

Naquele período milhares de trabalhadoras e trabalhadores eram anarquistas e o sindicalismo revolucionário era a estratégia sindical mais forte. A primeira Central Sindical Brasileira, a COB (Confederação Operária Brasileira), foi fundada em 1906 e era hegemonicamente Sindicalista Revolucionária.

A Greve Geral no Brasil

A partir de maio de 1917 começam a surgir greves e em junho estouro uma greve das trabalhadoras da indústria têxtil, em São Paulo. O crescimento do movimento grevista provocou o combate entre operários e policiais, causando a morte do sapateiro anarquista José Martinez, o que se tornou a fagulha para iniciar a Greve Geral. A luta, que era mais especificamente por condições no local de trabalho, logo se espalhou para outras categorias e estados. Logo mais de 100 mil pessoas participavam e greve ganhou pautas mais gerais.

As vitórias do movimento foram: 8 horas de trabalho (na maioria das categorias), melhores condições de trabalho, aumento em 20% nos salários, não demissão dos grevistas, proibição do trabalho infantil, libertação dos presos durante a greve e defesa dos direitos das mulheres (que sofriam violência dos patrões e contra-mestres).

A Greve Geral no Paraná

Trabalhadoras e trabalhadores paranaenses foram delegados nos Congressos Operários Brasileiros que antecederam a greve e também organizaram um congresso estadual.

Em Curitiba, desde o início do século XX, já havia a presença de entidades como a Federação Operária Paranaense e a Liga dos Sapateiros de Curitiba, que eram importantes espaços de organização da classe trabalhadora. Em julho de 1917 explodiu a greve na cidade, marcada pela Ação Direta: trabalhadores cortaram a energia elétrica na cidade e derrubaram pontes para evitar a passagem de veículos e mercadorias. A repressão resultou em prisões, desaparecimentos e a tentativa, por parte do governo e dos empresários, de apagar qualquer vestígio que provasse a existência da Greve, porém, a classe oprimida venceu.

Lições para o presente

Passados 100 anos a Greve Geral segue sendo exemplo de luta e organização. Seu marcante caráter de base, calcado na solidariedade e na ação direta garantiram que hoje tivéssemos os direitos que agora estão sendo severamente atacados.

Que possamos nos inspirar na luta histórica das trabalhadoras e trabalhadores por uma sociedade livre, justa, solidária e igualitária, fazendo frente aos muitos ataques que sofremos no presente.

Não está morto quem peleia!
Viva a Greve Geral de 1917!
Viva o Sindicalismo Revolucionário!

A História sendo construída: Ocupações de Escolas no Paraná

Texto retirado do Jornal NO BATENTE 7

As mais de 850 escolas estaduais ocupadas no Paraná em 2016 foram um marco na história da luta estudantil mundial. Este processo, que não era previsível nem pelos estudantes, professores e pesquisadores, tampouco pelos movimentos sociais e organizações políticas, se deve em grande medida pela influência de outros processos de luta na América Latina.

Ocupações secundaristas anteriores

No ano de 2006 houve, no Chile, uma onda de ocupações de escolas chamada A Revolta dos Pinguins. Esta experiência de luta com protagonismo estudantil seguiu inspirando estudantes e foi talvez a maior influência para o processo brasileiro do final de 2015 e início de 2016. Em São Paulo mais de 200 escolas foram ocupadas contra o fechamento de escolas proposto por Alckmin (PSDB) e ao redor do país houve também ocupações contra o projeto Escola sem Partido, por merenda de qualidade e contra a privatização, terceirização e precarização da educação. Neste período, o Rio Grande do Sul ocupou mais de 100 escolas, o Rio de Janeiro e o Ceará tiveram mais de 50 e Goiás mais de 20.

Histórico de Lutas no Paraná

O estado do Paraná conta ainda com importante história de lutas e conquistas do povo, seja na cidade, no campo ou floresta. Neste estado houve expressiva luta estudantil contra a ditadura militar e aqui surgiu o maior movimento social organizado do mundo, o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra), além de dezenas de ocupações urbanas que marcaram os anos 80 e 90.

A tática de ocupar prédios públicos para reivindicar direitos é comum a muitos movimentos sociais e bastante utilizada por estudantes nas universidades públicas brasileiras. Estudantes da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Universidade Estadual de Londrina (UEL), Universidade Estadual de Maringá (UEM), utilizaram esta tática diversas vezes, tomando o prédio da Reitoria e impedindo o funcionamento normal da instituição até que as pautas fossem negociadas. Desde os anos 2000 a UFPR, por exemplo, teve sua Reitoria e campus ocupados por quatro vezes, na UEL, foram três ocupações até agora; e na UEM duas. Ou seja, esta prática marcou a história das universidades, escolas e escolas técnicas por todo o Paraná e pelo Brasil.

Além das lutas estudantis propriamente ditas, outros processos de luta influenciaram os secundaristas paranaenses. Recentemente, em 2015, houve um episódio conhecido como Massacre do Centro Cívico, que aconteceu em 29 de abril em Curitiba. Neste dia milhares de trabalhadoras e trabalhadores de diversas categorias do funcionalismo público municipal foram atacados com bala de borracha, spray de pimenta e bombas de gás lacrimogênio. Neste período ocorreram duas ocupações da Assembleia Legislativa do Estado do Paraná (ALEP), protagonizadas por educadores, estudantes e outros trabalhadores indignados contra o Pacotaço de Maldades proposto por Beto Richa (PSDB). Vários dos estudantes presentes em solidariedade aos seus professores ocuparam suas escolas cerca um ano e meio depois para, mais uma vez, defender a educação publica e nossos direitos.

Jornadas de Junho de 2013

As Jornadas de Junho de 2013 foi também um processo de lutas importantíssimo, conhecido no Brasil e no mundo. Foram milhões de pessoas nas ruas lutando inicialmente contra os aumentos nas tarifas do transporte público e depois estendendo para várias outras pautas, reivindicando, sobretudo, serviços públicos de qualidade. O movimento foi construído independente de partidos políticos e empresas e conquistou redução no valor da passagem de ônibus em mais de 100 cidades brasileiras. Este período marcou a história da luta do povo oprimido no Brasil, demonstrando que é nas ruas que o povo irá forjar seu próprio caminho e que só assim é possível barrar os ataques dos poderosos.

Lições com estas lutas

Todas estas experiências foram marcadas pela intensa defesa de autonomia dos movimentos. Os protagonistas foram as próprias pessoas afetadas pelos diferentes ataques dos de cima. Muitas contribuições foram feitas e muito apoio foi dado por diversas pessoas, coletivos e organizações políticas, mas palavra de ordem entoada pelos estudantes deixava claro seu caráter: “Autonomia, autogestão, é nós por nós defendendo a educação!”. Apareceram também organizações políticas e pessoas contrarias ao movimento tentando desconstruí-lo, mas os estudantes resistiram e quem discutiu e deliberou os rumos das ocupações foram as pessoas diretamente envolvidas.

A combatividade dos movimentos sociais tem estado cada vez mais presente no cenário brasileiro, com aumento no número e na força das ocupações, trancamentos de ruas e marchas que param as cidades. Não foi por meio de conchavos e conversas de gabinete que garantimos nossos direitos, mas sim com a luta combativa das massas. Ainda assim, para combater os ataques com efetividade e coerência foi e é necessário um processo de aprendizagem e auto-organização. Assembleias permitiram que estudantes e trabalhadores entendessem de que modo cada ataque afetaria o futuro e decidissem os rumos que o movimento deveria tomar, disseminando a democracia de base e se distanciando da autoridade de dirigentes.

Contudo, não ganhamos todas as batalhas e muitas ainda estão por vir. O desafio é fazer com que os acúmulos destes processos não se percam e caminhar para o fortalecimento das organizações na base. Muitas destas lutas, entretanto, demonstram fragilidades de organização no campo tático/estratégico. É só com a prática concreta e o acumulo histórico da classe oprimida que podemos avançar e fortalecer a luta do povo. As ocupações de escolas e as lutas que as antecederam nos dão valiosas lições que permitem acertarmos mais no futuro para garantirmos mais direitos!

No Batente #7 – 100 anos da Greve Geral

Este é o sétimo número do jornal No Batente, órgão de informação e análise do Coletivo Anarquista Luta de Classe (CALC). Ficamos felizes por mais uma edição poder chegar aos companheiros e companheiras de luta!

Nesta edição, lançada em julho/agosto de 2017, homenageamos os 100 anos da Greve Geral de 1917 no Brasil, relembramos a histórica onda de ocupações de escolas secundárias no Paraná em 2016 e colocamos elementos sobre os 5 séculos de resistência dos povos originários no Brasil e mais.

Leia o no BATENTE #7 clicando no link – NO BATENTE #7 – ou na imagem acima.

[CAB] Luta Social #2 – julho/2017

Mais um número do Luta Social, publicação de circulação nacional da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB) que traz nesse número um editorial sobre a Greve Geral, nota sobre as eleições da APEOESP, artigo histórico sobre os 100 anos da greve geral de 1917, informes sobre trabalho de base e texto sobre a brutal repressão que atinge os camponeses e trabalhadores rurais no Brasil.

Lutar! Criar Poder Popular!

Baixe clicando na imagem ou no link: Luta Social #2 – julho/2017


Todo apoio à luta das trabalhadoras e trabalhadores municipais de Curitiba!

A Prefeitura Municipal e Câmara dos Vereadores de Curitiba estão tentando aprovar um pacote de medidas que retira direitos e privilegia empresários a qualquer custo. Mas o movimento de luta da classe oprimida não está deixando isso acontecer!

Algumas das principais medidas são: congelamento de salários e planos de carreira dos servidores municipais; saque de mais de R$600 milhões no fundo de previdência dos servidores; limite de gastos com pessoal e aumento de gastos com cargos comissionados; “renegociação” de dívidas com empresários.

Mas o povo organizado não está deixando barato! Fazem semanas que as trabalhadoras e trabalhadores, a partir da ação direta, conseguem barrar a votação destas medidas! Na terça-feira (13/06) ocorreu a primeira ocupação que garantiu que a votação fosse suspensa e ontem, 20/06, mais uma mobilização histórica fez com que a votação fosse novamente suspensa – agora para a segunda, 26/06.

Mesmo com repressão policial, foi possível mais uma ocupação da Câmara Municipal e a pressão do povo organizado deu resultado!

RETIRA O PACOTAÇO!
SEGUNDA VAI SER MAIOR!
TODA SOLIDARIEDADE À LUTA DOS SERVIDORES MUNICIPAIS!

“Com organização e ação direta, os trabalhadores e trabalhadoras barraram mais uma tentativa de votação do pacotaço!

Mesmo com violência policial, servidores e servidoras municipais ocuparam a Câmara Municipal de Curitiba e fizeram uma mobilização para entrar na história da cidade.

20 de junho de 2017 foi marcado por muita luta, ação direta do povo, repressão policial e solidariedade de classe em Curitiba!

Segunda-feira (26/06) tem mais!
LUTAR! CRIAR PODER POPULAR!
RETIRA O PACOTAÇO!”

 

[CAB] 28 de Abril: Greve Geral nacional e a demonstração de força da classe oprimida

https://anarquismo.noblogs.org/?p=735

Ontem, 28 de abril de 2017, foi um dia de grande importância para a luta da classe oprimida do país. A resistência frente às políticas de ajuste fiscal e de corte nos direitos representado pelas reformas da previdência e trabalhista se fez sentir em todos os estados e em milhares de cidades brasileiras. Paralisações, piquetes, bloqueio de vias públicas e rodovias estaduais e federais com pneus em chamas, marchas unitárias e enfrentamentos com as forças da repressão deram o tom das mobilizações.


Participaram estudantes do ensino básico e superior, professores municipais, estaduais e federais, trabalhadores do transporte (rodoviários, metroviários), metalúrgicos, trabalhadores da saúde, limpeza e municipários em geral, trabalhadores da construção civil, comerciários, bancários, trabalhadores dos correios, indígenas, lutadores sem teto e sem terra, moradores de periferias e uma série de outros segmentos dos de baixo. Informações dão conta de que a greve geral de hoje contou com uma importante participação de setores do operariado em regiões como ABC paulista, Curitiba, Manaus e Belo Horizonte. A seu modo, cada segmento da nossa classe contribuiu com uma semente de luta e ação direta na jornada de luta do dia de hoje.

O dia não passou sem confrontos. As polícias militares de vários estados agiram com truculência reprimindo as iniciativas de mobilização. Foi assim em SP onde houve detenções de lutadores do MTST e repressão; no RJ onde a repressão brutal caiu com força sobre os manifestantes na saída da mobilização em frente à Assembleia Legislativa do RJ (ALERJ) e em outras partes do centro da cidade; no RS em que a Brigada Militar dispersou com bombas de gás piquetes em garagens de ônibus e em vias públicas ou com a agressão da guarda municipal de Porto Alegre contra colegas municipários que trancavam a entrada da prefeitura.

Michel Temer se pronunciou de forma breve apenas no final do dia. Criticou o trancamento das vias públicas e disse que a “modernização” do país seguirá, fazendo pouco caso da luta de hoje. Seu Ministro da Justiça, Osmar Serraglio, foi além e disse que a greve geral teria sido um fracasso, ignorando, assim como a grande mídia, a envergadura do conjunto de mobilizações a nível nacional. Mídia essa que segue martelando a necessidade das reformas e mentindo descaradamente sobre seu conteúdo.

Sabemos dos limites do conjunto do movimento sindical, do papel nefasto cumprido pelas burocracias sindicais na desorganização da nossa classe, mas apostamos em dias como o de hoje para nos colocarmos em movimento, experimentando a solidariedade e a ação direta de forma concreta e plantando sementes de Poder Popular. No RS, SC, PR, MT, SP, RJ, MG, AL, PA e CE a militância das Organizações da CAB tomou seu posto de luta em cada frente social e iniciativa direta dos e das de baixo que pudemos participar. A Greve Geral do dia 28, sabemos, ainda não é a reposta a altura e merecida dos governos e patrões na atual correlação de poder. Mas foi uma demonstração inegável do poder e da capacidade da classe oprimida em colocar um freio na sanha dos capitalistas e seus lacaios. É na luta e na ação direta que se cria Poder Popular e Rebeldia!

Rumo a um 1º de Maio de Memória, Luta e Resistência!
Contra o ajuste e a repressão, Luta e Organização!
Coordenação Anarquista Brasileira – CAB