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[ORL] Toda mulher negra é um quilombo!

Retirado de: http://resistencialibertaria.org/2016/07/25/toda-mulher-negra-e-um-quilombo/

todamulhernegraéumquilombo

TODA MULHER NEGRA É UM QUILOMBO

A voz de minha mãe
ecoou baixinho revolta
no fundo das cozinhas alheias
debaixo das trouxas
roupagens sujas dos brancos
pelo caminho empoeirado rumo à favela.

A minha voz ainda
ecoa versos perplexos
com rimas de sangue e fome.

A voz de minha filha
recolhe todas as nossas vozes
recolhe em si
as vozes mudas caladas
engasgadas nas gargantas.

Conceição Evaristo

Em julho de 1992, durante o I Encontro de Mulheres Latino-americanas e afro-caribenhas, instituiu-se o 25 de julho como o Dia da Mulher Negra da América Latina e do Caribe, em homenagem a Tereza de Benguela – uma mulher negra guerreira, líder do quilombo de Quariterê, em Mato Grosso. Enxergamos neste dia mais uma oportunidade de luta que se justifica pela realidade das mulheres negras na América Latina e no Caribe. Realidade expressa em indicadores socioeconômicos reveladores de desigualdade e decorrente de um longo período de subjugação, humilhação, extermínio, escravização do povo negro pela supremacia branca e patriarcal.

Violências de gênero, classe e raça.

O racismo brasileiro encontra na misoginia um mecanismo eficiente de opressão. A história do Brasil se construiu sobre alicerces de racismo e machismo, desde o estupro colonial – estupro de negras e indígenas escravizadas.

O racismo institucional nos atinge – mulheres negras – assustadoramente, tendo em vista que nós somos as mais afetadas pelas desigualdades socioeconômicas de um país ainda escravocrata. Nós, mulheres negras, somos as que menos terminam o Ensino Fundamental e Médio, tampouco o Ensino Superior.Somos as que mais trabalhamos, porém com rendimento mínimo e em condições de subemprego. Somos as que menos recebem assistência do SUS (como menor tempo de atendimento, maior mortalidade infantil e por doença falciforme etc.), em nossas comunidades não existe saneamento básico, fazendo com que sejamos as mais atingidas por doenças. E somos nós as que mais precisam abdicar de algum aspecto de nossas vidas para dar conta de todas as barreiras colocadas pela supremacia branca e patriarcal – seja o trabalho que se quer, o lazer que se gosta, a família unida, dentre tantos outros.

Nos centros penitenciários femininos, segundo o Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias (Infopen) de 2014, duas a cada três detidas eram negras (68%). Das detidas, 57% eram solteiras, 50% tinham o Ensino Fundamental Incompleto e 50% tinham entre 18 e 29 anos.O Brasil é o 5º maior com população carcerária feminina. Esse é só um retrato do extermínio e da criminalização da população pobre, negra e periférica que tem suas vidas ceifadas através do braço armado do Estado – policia.Ainda de acordo com o Infopen, o tráfico de drogas é o crime que mais prende mulheres no Brasil.Esse número chega a 68%, seguido por roubo (10%) e furto (9%).

A guerra às drogas justifica a morte do povo negro nas favelas. E são as mulheres negras que mais sofrem com o extermínio de seus filhos/as, tendo em vista que os pais abandonam as crianças mesmo até antes de nascer.

A mídia contribui para a sensualização do corpo da mulher negra, o que é determinante para os casos de estupros. Como exemplo típico, é a mulher negra e jovem (e por que não dizer, nordestina no caso do Brasil?)que é a mais objetificada no Carnaval. Sem falar nas propagandas de cerveja, carro e outras mercadorias que, para serem vendidas, têm seu valor adjetivado pelo corpo feminino, na maioria, corpo de mulheres negras.

A existência da exploração sexual de crianças e adolescentes e prostituição (nesta última, o exercício é realizado, em grande maioria, por mulheres negras) também reforça e naturaliza a concepção de que “a carne mais barata do mercado é a negra” e serve para apreciação e uso pelo homem – embora não critiquemos as profissionais do sexo que recorrem a essa atividade como fonte de renda.

As mulheres negras também sofrem quando não podem proferir sua espiritualidade, cultura e religiosidade. São inúmeras as violências contra a umbanda e o candomblé –religiões de matriz africanas- além da criminalização. Em 2015, casos como o da menina Kaylane Campos, atingida com uma pedrada na cabeça, aos 11 anos, no bairro da Penha, na Zona Norte do Rio, quando voltava para casa de um culto e trajava vestimentas religiosas candomblecistas, e de um terreiro de candomblé que foi incendiado em Brasília nos mostra o quanto a intolerância aliada à supremacia branca e cristã produz racismo e violência, disseminando o ódio.

Resistências Pretas

Cada mulher negra que se mantém caminhando e enfrenta o racismo e o machismo em sua rotina diária é um ícone de força e celebração da negritude.

Desde o início da escravização no Brasil, nós – mulheres negras – permanecemos firmes em resistências. Quer por meio de ação direta, como faziam as nossas velhas nas cozinhas dos brancos, quer por meio da resistência organizada nos quilombos.

Atualmente, a organização em movimentos sociais mistos, auto-organizados por identidade de gênero ou racial, são nossas ferramentas de luta. Só a organização e a autodefesa das mulheres negras contra o machismo, a supremacia branca, o capitalismo e o Estado podem nos libertar. Temos ciência que a luta parlamentar não nos trará frutos de resistência, pelo contrário, fortalecerão as novas correntes de escravidão.

O silenciamento de Tereza de Benguela – mais uma mulher negra negligenciada pela história brasileira – representa uma forma de fazer história para a qual não podemos nos curvar. Uma história branca, machista e eurocêntrica, que entoa muitos feminismos, mas que não cabe nas nossas fileiras. Grita a necessidade de construirmos um feminismo nosso, não eurocêntrico, com nossas raízes indígenas e quilombolas.

Viva Dandara!

Viva Tereza de Benguela!

Viva Negra Bonifácia!

Organização Resistência Libertária (ORL/CAB)

25 de julho de 2016

[CAB] Nota de Solidariedade aos lutadores e lutadoras de Oaxaca

solidariedade a resistencia em oaxaca

A Coordenação Anarquista Brasileira (CAB) vem manifestar sua solidariedade às famílias dos militantes sociais assassinados, ao povo guerreiro de Oaxaca e à Coordinadora Nacional de Trabajadores de la Educación (CNTE), que neste último domingo, 19 de junho, sofreu mais um ataque do Estado assassino mexicano, comandado pelo governo de Enrique Peña Nieto (PRI).

A CNTE, organização sindical dos trabalhadores e trabalhadoras da educação do México, vem num processo de mobilização social de vários anos contra os ataques do governo à educação pública e contra a reforma educativa no país empreendida pelo governo de Enrique Peña Neto. O governo mexicano se esforça por privatizar a educação, não negociar e ainda mantém encarcerados dirigentes nacionais da entidade.

Este projeto de silenciamento das/os de Baixo, através do pensamento que transforma educação em negócio, é um projeto de interesse dos de cima para a América Latina toda e, a repressão é coordenada no espaço e no tempo para pulverizar as possibilidades do ensino público. E no caso especifico de Oaxaca essa questão se arrasta desde 2006 quando professores se levantaram por seis meses em situação de greve, um marco da luta pela educação pública travada naquele estado.

Na última semana foram realizadas grandes marchas, barricadas e bloqueios de estradas em vários municípios e estados do México, porém foi na rodovia federal 190 que liga Oaxaca à Cidade do México que o movimento sofreu mais um massacre pelas forças policiais do Estado Mexicano.

Em Nochixtlán, Oaxaca, enquanto o movimento composto pelos educadores e educadoras, estudantes e população local estava resistindo com paus e pedras ao avanço das tropas da Policia Federal mexicana, o braço armado do Estado começa a disparar tiros letais contra as pessoas lutadoras, resultando em 9 pessoas mortas, mais de 50 feridas, 22 desaparecidas e 23 presas.

Não se passaram nem 2 anos de um grande ataque do Estado Mexicano a lutadores sociais, o desaparecimento (massacre) dos 43 estudantes de Ayotzinapa, e o povo de luta do México sofre com mais perdas. Enquanto mais a classe oprimida se organiza e luta, mais a classe dominante criminaliza, reprime e mata nosso povo. A saída é continuarmos lutando e rodeando de solidariedade cada vez mais àquelas e àqueles que lutam por vida digna e um mundo mais justo e igualitário.

A solidariedade de classe a nível internacional é de extrema importância neste momento. O sangue derramado no México é o nosso sangue!

Nenhum minuto de silêncio, vidas inteiras de luta pelos que tombaram!
Toda solidariedade aos lutadores e lutadoras de Oaxaca!
Nenhum passo atrás! Nenhum Direito a Menos!

cab

CAB, Junho de 2016

[MATINHOS] Roda de conversa sobre o Movimento Indígena

papo com indigenas litoral

Por intermédio do Rizoma de Rádios Livres (radiolivre.org) e da AMARC (Associação Mundial de Rádios Comunitárias) três indígenas, dois do Amazonas e um do Equador, estarão dos dias 04 ao dia 11 de abril visitando Curitiba e regiões próximas, como terras indígenas, comunidades populares, espaços de educação popular e universidades, com o intuito de compartilhar saberes e experiências ancestrais, como também relatando suas trajetórias de vidas e suas ações, compondo o movimento indígena.

Silvio, indígena da etnia Ticuna, é atualmente formado em licenciatura intercultural indígena pela Universidade Estadual do Amazonas, Campus de Tefé- AM. Trabalha na FUNAI e é membro do coletivo de comunicadores populares Rádio Xibé (xibe.radiolivre.org). Tem experiência em educação escolar indígena e esta envolvido com a organização das comunidades etnicas no baixo solimões.

Jonas, indígena da etnia Miranha, é xamã em sua comunidade, agricultor em Tefé-AM e também é membro do coletivo Rádio Xibé. Tem experiência na construção de pequenos transmissores de rádio e habilidade na radiocomunicação.

Yanda, indígena equatoriano da etnia Sapara, é comunicador popular e membro do projeto “A Nave Vai” que tem como objetivo conhecer experiências de cultura e comunicação dos povos originários da América Latina. É fotográfo e tem experiências com cinema popular.

As atividades estão sendo articuladas com a intenção de iniciar o ABRIL INDÍGENA, em uma parceria estratégica entre os coletivos Rádio Gralha, Coletivo Anarquista Luta de Classe, Somos Todos Guarani-Kaiowá e Rádio Xibé, com apoio da Associação dos Geógrafos Brasileiros, do Núcleo de Estudos em População e Territorio (NUPOTE) da UFPR e da AMARC.

Quando: Dia 07 de abril, quinta, 14:30 horas.
Onde: Auditório da UFPR Litoral – Matinhos.
Evento no Facebook:                   https://www.facebook.com/events/1059947987411338/                 

[CURITIBA] Roda de conversa sobre o Movimento Indígena

roda de conversa

Por intermédio do Rizoma de Rádios Livres (radiolivre.org) e da AMARC (Associação Mundial de Rádios Comunitárias) três indígenas, dois do Amazonas e um do Equador, estarão dos dias 04 ao dia 11 de abril visitando Curitiba e regiões próximas, como terras indígenas, comunidades populares, espaços de educação popular e universidades, com o intuito de compartilhar saberes e experiências ancestrais, como também relatando suas trajetórias de vidas e suas ações, compondo o movimento indígena.

Silvio, indígena da etnia Ticuna, é atualmente formado em licenciatura intercultural indígena pela Universidade Estadual do Amazonas, Campus de Tefé- AM. Trabalha na FUNAI e é membro do coletivo de comunicadores populares Rádio Xibé (xibe.radiolivre.org). Tem experiência em educação escolar indígena e esta envolvido com a organização das comunidades etnicas no baixo solimões.

Jonas, indígena da etnia Miranha, é xamã em sua comunidade, agricultor em Tefé-AM e também é membro do coletivo Rádio Xibé. Tem experiência na construção de pequenos transmissores de rádio e habilidade na radiocomunicação.

Yanda, indígena equatoriano da etnia Sapara, é comunicador popular e membro do projeto “A Nave Vai” que tem como objetivo conhecer experiências de cultura e comunicação dos povos originários da América Latina. É fotográfo e tem experiências com cinema popular.

As atividades estão sendo articuladas com a intenção de iniciar o ABRIL INDÍGENA, em uma parceria estratégica entre os coletivos Rádio Gralha, Coletivo Anarquista Luta de Classe, Somos Todos Guarani-Kaiowá e Rádio Xibé, com apoio da Associação dos Geógrafos Brasileiros, do Núcleo de Estudos em População e Territorio (NUPOTE) da UFPR e da AMARC.

Quando: Dia 04 de abril, segunda, 14 horas.
Onde: Sala T2, Politécnico, UFPR.
Evento no Facebook:                                                                   https://www.facebook.com/events/596138077201751/

[FAG] 20 ANOS DA FAG | Discurso da FAG lido no Ato Público

Retirado de:              https://www.facebook.com/FederacaoAnarquistaGaucha/posts/1104931392851751:0

Boa noite companheiros e companheiras

Estas últimas semanas têm sido muito especiais para nós anarquistas da FAG. Receber companheiros e companheiras de distintas partes do Brasil, da América Latina e do mundo para juntos celebrarmos um pedacinho dessa rica história do anarquismo, nos enche de alegria! Aqui encerramos um ciclo para começarmos um novo. Um ciclo de maior organização; de maior firmeza em nossos vínculos e em nossos laços de fraternidade e solidariedade; de reafirmar a luta, o protagonismo popular e a transformação revolucionária das nossas relações e da nossa sociedade como os únicos caminhos fecundos para romper definitivamente as amarras desse sistema sanguinário que nos oprime todos os dias.

São 20 anos de construção anarquista nacional. São 20 anos de FAG, de OSL, de FAO, de CAB, de FARPA, de Rusga Libertária, de CALC, de FARJ, de CABN, de ORL, de FACA, de OASL e de muitos outros que com seus esforços vem forjando anarquismo militante, classista, com raízes na história de combate do nosso povo. Duas décadas cultivando raízes anarquistas para que floresça bela e forte o poder do povo, o Poder Popular.

Na ocasião do Ato Público de 10 anos da FAG dizíamos:

“Nascemos porque morreram homens como Mikail Bakunin, Errico Malatesta, Nestor Makhno, Sepé Tiaraju, Zumbi dos Palmares. Nascemos porque morreram mulheres como Espertirina Martins, Malvina Tavares, Anastácia, Anita Garibaldi e tantos outros e outras anônimas ou não que morreram defendendo a justiça e a liberdade.

Nascemos pelas mesmas mãos que o anarquista Djalma Feterman usou para atirar uma bomba disfarçada de buquê de flores, que carregava a também anarquista Espertirina Martins com seus 15 anos de idade, na carga de cavalaria da Brigada Militar durante a Guerra dos Braços Cruzados em 1917.

Nascemos pelas mesmas mãos que pegaram em armas no Uruguai, enfrentaram a ditadura, foram torturados e presos, porém, não desistiram: já completaram meio século e foram decisivos para a formação da FAG neste canto do Brasil: assim foi o apoio generoso da FAU, presente conosco hoje e sempre.
Nascemos e renascemos todos os dias pelas mesmas mãos das pessoas simples, gente humilde, que nas suas mãos, carregam as marcas de ser parte dos de Baixo.

Dizem por ai que pobre vive de teimoso. Foi por teimosia que a FAG nasceu. É por teimosia que continuamos vivos e lutando e vamos completar mais dez anos insistindo em dizer que é somente o povo organizado e em luta que vai conseguir conquistar tudo o que precisa e quer.”

E aqui estamos companheiros e companheiras, 10 anos depois, cumprindo e dando continuidade a um Compromisso, a uma Idéia, a uma Prática: O SOCIALISMO COM LIBERDADE!!!

Não tem sido tarefa fácil. Nossa busca tem sido sempre a de fazer do anarquismo uma ferramenta atual e à altura das diferentes conjunturas que nos toca viver e atuar. Uma ferramenta dinâmica, que nos permita ampliar coletivamente as forças que individualmente seriam muito limitadas; um anarquismo militante e organizado que construa junto, ao lado dos de baixo, propostas concretas contra os ataques dos de cima. Um anarquismo prático, dotado de táticas e de um programa mínimo e, ao mesmo tempo, uma anarquismo finalista, dotado de um programa estratégico e de longo prazo. No fim e ao cabo, um anarquismo político que contra e por fora do Estado solucione o problema do Poder, do que colocar no lugar das instituições burocráticas, centralistas e autoritárias do Sistema de Dominação Capitalista.

Um anarquismo Federalista, Autogestionário, que produza com suas práticas, métodos, críticas e experiências, uma ideologia de transformação. Sem vanguardismos, ditaduras ditas proletárias, vocação pra partido único. Pois não se trata de fazer da Política a tarefa de conduzir um Estado, seja ele qual for, em nome das classes oprimidas para daí impor a nossa vontade enquanto povo às classes dominantes. Trata-se de fazer da Política a tarefa de construir um Povo Forte, com seus instrumentos, instituições, ferramentas que vão gestando o novo na medida em que vão golpeando e destruindo o velho. Colocaremos no lugar do Estado e de seus aparatos as instituições das classes oprimidas, construídas desde baixo, articuladas e coordenadas entre si.

Como já escrevemos em outro momento,

“É certo que o trânsito até uma sociedade distinta deve ser feito dentro deste sistema. Mas a experiência vivida indica que existem meios, orientações, uso de instrumentos, de instituições e formas de organização de atividades sociais que devem ser dispensados se queremos ir conformando forças sociais capazes de produzir verdadeiras mudanças nas formas da organização social. É imprescindível outro enfoque se queremos ir construindo uma sociedade distinta. Não parece ser boa estratégia escolher aquelas vias, aqueles lugares e trajetos que tem dono e o poder de imprimir seu selo ao que ali entra.

Quantas organizações políticas, quantos lutadores cheios de ideais e sonhos terminaram pensando com a lógica do sistema e vendo como inimigos a seus queridos companheiros de ontem.
Outro sujeito histórico não virá do nada, não aparecerá como arte de magia, deve ser o fruto de práticas que internalizem outras questões que chocam com o dominante. A participação efetiva, a autogestão, a ação direta, a forma federal de funcionamento realmente democrático, a solidariedade e apoio mútuo, necessitam de mecanismos, organizações, práticas regulares para seu desenvolvimento. E só se produzida no povo é que a mudança se tornará uma realidade.

Uma estratégia que tenha em seu interior um mundo distinto que vai emergindo desde o seio de outro que lhe é antagônico. O famoso “usar todos os meios” pode ser uma maneira efetiva de assegurar que não se construa nenhuma estratégia antagônica portadora dos elementos de desestruturação do sistema vigente.
Relacionado a isso, está a necessidade de forjar um inconfundível estilo de trabalho.

Um estilo de trabalho também é elemento da produção ideológica, se define como um modo especial do fazer político-social em todos os seus atos, no discurso, no comportamento de grupo, nas relações entre companheiros e com a sociedade, nos planos de ação, etc.. A ideologia libertária se materializa, é produzida e reproduzida, entre outras coisas, nessa forma estimulada de representar seus valores, sua ética e aspirações nas práticas de todos os dias. Assim, o estilo de trabalho que marcamos nos processos de luta e organização, em uma boa medida, vai dizer quem somos pelo que fazemos, como fazemos, com que coerência ideológica estão formados nossos atos de organização militante.

Reconhecer entre iguais a dignidade do outro, como irmãos na luta e no projeto para mudar a sociedade, sempre será a base da estrutura e das normas jurídicas que constituem um pacto federativo. A fraternidade que permeia um projeto militante dá o vínculo moral fundamental para formação das relações de confiança. E a política, como apontam as investigações teóricas que temos estudado, tem suas razões e suas sem razões. Não é só feita de escolhas racionais, tem boas doses de conteúdo sensível, está atravessada pelas formações ideológicas que constituem o sujeito.

Está em jogo uma pedagogia do exemplo, a forja de referências a partir daquilo que fazemos, pelos valores que veiculamos em nossas práticas, e nas nossas ações diárias.

O estilo pra promover nessa perspectiva deve produzir: iniciativa pras tarefas, responsabilidade plena com os mandatos coletivos, resoluta solidariedade, pedagogia do exemplo, liderança moral, maturidade para crítica, exigência fraterna, preocupação formativa.

São esses alguns dos desafios a que nos propomos todos os dias ao participarmos do movimento sindical, do movimento estudantil, na militância nos bairros, vilas e favelas; nas lutas urbanas, contra as violências de gênero e raça; no campo e na floresta e em toda ação de solidariedade aos enfrentamentos da diversidade dos sujeitos que compõe as classes oprimidas. UNIR O DISPERSO, ORGANIZAR O DESORGANIZADO, SOLIDARIEDADE É MAIS DO QUE PALAVRA ESCRITA, RODEAR DE SOLIDARIEDADE OS QUE LUTAM, são algumas consignas que expressam bem de que transformação social estamos falando.

Porque é mais importante para nós CRIAR UM POVO FORTE do que UM PARTIDO FORTE. Uma nova articulação entre o POLÍTICO e o SOCIAL, como dois planos de ação simultânea e devidamente articulados. Mas cada um com sua independência relativa, com sua própria especificidade. Somos assim partidários de um trabalho simultâneo, dentro de um mesmo projeto: da organização política libertária e do trabalho em todo o campo social.

Esse é o nosso especifismo, essas são as bases da nossa construção.

E que Base precisamos para esses tempos difíceis em que estamos vivendo. Já vivemos épocas difíceis, pois quem não se lembra do ataque aos profesores, aos catadores e aos sem terra no governo Yeda do PSDB, em que o sempre presente Elton Brum da Silva foi assassinado com um tiro de calibre 12 pelas costas pela Brigada Militar? Ano em que tivemos nossa sede pública invadida e companheiros procesados. Quem não se lembra dos 10 mil gaseificados, das balas de borracha, das pauladas, da violência psicológica e da nova invasão de nossa sede pública assim como de casas de outros lutadores sociais na jornada de lutas de 2013 durante e sob as ordens do governo Tarso Genro do PT? Ano em que companheiros foram procesados, presos e criminalizados em processos judiciais políticos e ideológicos.

2013 merece nossa consideração a parte, pois foi um ano intenso e atípico para nossa militância. Participamos desde o inicio das jornadas de luta por um transporte 100% público em Porto Alegre. Construímos juntos e em unidade com outros setores da esquerda o Bloco de Lutas pelo transporte público e fizemos días memoráveis lado a lado de milhares de lutadores. Não poderia ser diferente. Assim, Porto Alegre formou parte de um processo nacional de lutas que brindou novos elementos para nossa análise. Diziamos na ocasião de nosso 6º Congresso:

“O povo fez dias de luta no país que se fizeram irreprimíveis em junho. A luta por um transporte público coletivo, que é organizada por militantes de esquerda de um movimento social que leva anos, e a indignação com relação aos altos gastos na Copa das Confederações em detrimento de outras áreas como saúde, educação, etc.; deu vez a um turbilhão de demandas que latejavam na vida neurótica, precária e estafante dos setores médios e populares. Grande parte da geração jovem e combativa que forma as mobilizações de massa dessa hora cresceu nos últimos 10 anos de governos do PT e encarna a expressão conflitiva e saturada do seu modelo capitalista de crescimento econômico.

Traz na bagagem a confusão e as incertezas que se gestam numa nova experiência com a política, com um imaginário nos protestos que sacodem o mundo, muito apoiada aos modos de interação e reconhecimento social que produzem as novas tecnologias de comunicação. O povo em conceito amplo não opõe classe contra classe e joga na cena dos acontecimentos uma disputa de ideias, de valores e projeto social para atuar criticamente, com uma concepção classista em dia com a formação social brasileira dos tempos que vivemos. Contudo, não temos dúvidas que o movimento que vem debaixo é o terreno mais fértil para fazer luta de classes, construir democracia direta e desenvolver músculos para uma estratégia de poder popular.

Na gestação dessa nova correlação de forças a luta contra o aumento das tarifas do transporte coletivo é a expressão mais articulada de uma avalanche de sentimentos e demandas reprimidas que extrapolam os controles dominantes da sociedade brasileira.

As chamadas jornadas de junho e julho foram, portanto, expressão do descontentamento com o quadro acima descrito. Indicam, por sua composição, magnitude e mesmo pelas formas com que foram convocadas em algumas cidades, mudanças e elementos a tomar em consideração na hora de concebermos uma estratégia própria daqui pra frente.”

Levando em consideração estes e outros elementos, procuramos caracterizar o período (a etapa) em que estávamos entrando como uma ETAPA DE RESISTÊNCIA COM VIÉS COMBATIVO. Por este conceito, sem referência com velhos esquemas que sugerem um traçado reto e linear do processo social-histórico, quisemos representar um cenário político para os fatores de cambio social e os elementos característicos de uma correlação de forças na sociedade.

“A luta das classes oprimidas e do projeto socialista passa uma etapa de refluxo, de restruturação dos meios organizativos, de ações dispersas e fragmentárias que não alcançam formar um conjunto com elementos ideológicos e programáticos que façam um antagonismo forte ao sistema. Uma parte importante dos setores populares, das organizações e sindicatos, embarcam nas velhas promessas do crescimento econômico e se curvam para as ideias do neodesenvolvimentismo. Há uma crise de movimento social, de organizações de base, de forças acumuladas pela luta que superem atos espontâneos e alcancem a ação federada. Estão seriamente ajuizadas pela história recente as estratégias de esquerda que buscam mudanças sociais por dentro das instituições funcionais as relações do poder dominante. O tempo é de divisão de águas, ajuste de lentes para pensar as condições e possibilidades da relação de forças do momento. Exige capacidade de inserção de um projeto finalista revolucionário no interior dos problemas e conflitos deste presente histórico. Trabalho de base entre as demandas populares que não são absorvidas pelos controles do modelo capitalista, na direção de um povo forte, de práticas de ruptura que favoreçam a construção histórica de um sujeito antagonista as estruturas do capitalismo.”

Neste sentido concreto e operativo que aplicamos esta categoria para fazer baliza de condições e possibilidades de nossa prática política. Contudo, tinham emergência na cena dos acontecimentos históricos, ventos novos que nos provocaram uma leitura mais matizada, elementos conflitivos com certo peso ideológico que indicavam abertura para um passo diferente. Percebíamos a possibilidade de uma acumulação de forças combativas que até então estava fora de nosso panorama.
Deriva daí nossa aposta estratégica expressa no conceito de intersetorial dos combativos:

“vamos operar nesta etapa com uma proposta militante para ligar o espectro das lutas sociais que confrontam com o modelo dominante do capitalismo brasileiro com um programa mínimo de soluções populares. Ajudar na forja de unidade de baixo pra cima, criar um povo forte que imponha na cena nacional uma nova correlação de forças pra aplicar um projeto de transformação social.

Nessa linha atravessa o trabalho metódico e determinado de radicar nossas posições libertárias em organizações de base, em sindicatos, coletivos e movimentos sociais que serão nosso vetor social. Mas vai além. Implica fazer uma costura com outros setores sociais e políticos que atuam também onde não alcançamos, não pisamos, pra formar um campo de alianças dentro de princípios e acordos que fortaleçam uma posição de força para a independência de classe. Que favoreça, concorra e apoie a gestação de uma nova estrutura de massas, catalizadora do poder social das classes oprimidas, articulada pelas bases, que não se integre nas vias burocráticas dos controles institucionais burgueses.”

Desde então muita água rolou. Entramos no ano de 2015 e novos elementos se apresentaram na conjuntura do RS. O eleito ao governo estadual, o gringo José Ivo Sartori do PMDB, veio para aprofundar os ataques aos direitos e condições de vida dos de baixo. Aprovou um pacote de medidas que cortou fundo na carne do povo oprimido em benefício da manutenção dos privilégios e lucros de governos e patrões. Parcelou salários do funcionalismo estadual, quis extinguir orgãos públicos fundamentais à pesquisa e preservação ambientais e cortou verbas de áreas imprescindíveis aos trabalhadores como as de saúde e educação. Sem falar na sua brigada militar que segue matando a juventude negra e pobre nas periferias.

“Ao lado do ajuste que saca dinheiro dos hospitais e postos de saúde, das escolas, programas sociais, da ampliação do espaço comum e da rede de serviços públicos que aumentam bem estar e condições de vida do povo, é martelada diariamente, sobretudo pela voz do grupo RBS, a bandeira da segurança. O grupo de comunicação que é bom pagador de propina pra sonegação fiscal, dono de um patrimônio que figura na lista seleta das elites gaúchas, avaliza o ajuste e faz campanha de terror e medo pra reclamar mais segurança. Aí está! Segurança é um discurso que dá sentido e faz funcionar um poder de controle e vigilância que institui a paz para a vida normal do sistema e dos bem nascidos e que instala a guerra que pune e criminaliza a pobreza. A segurança que ecoa fundo nas preocupações das elites e da classe média é a que sempre reforça a violência policial sobre as “classes perigosas”.

“Faltam recursos porque os capitalistas reservam os privilégios e os lucros para suas propriedades e estouram as contas públicas nas costas do povo. Todo um sistema de pilhagem que funciona pelo mecanismo da dívida pública, que espreme o patrimônio construído pelos trabalhadores, que desmonta e privatiza bens públicos e produz um discurso econômico liberalóide de déficit e responsabilidade fiscal. Os partidos de governo se sucedem sempre dentro desta ordem: uma camisa de forças do sistema que todos vestem. O PT subscreveu os contratos com o Banco Mundial durante o governo Yeda Crusius que ampliou o poder do sistema financeiro sobre o controle dos gastos públicos. Na sua vez no Piratini, Tarso Genro teve que amargar a pena de devedor do Piso Nacional do magistério.”

Um contexto em que frente aos ataques dos de cima, houve luta e resistência dos de baixo.

“Uma série de setores sociais dão fôlego a seus processos de mobilização e indicam a disposição de luta para dar combate a lógica imposta pelos de cima que precariza a vida do povo. Diversas mobilizações e ações de rua que no nosso entendimento contribuem para o fortalecimento da organização, capacidade de enfrentamento e acúmulo de forças dos de baixo para o próximo período. Experiências como as greves em curso, os piquetes, as manifestações de rua, o diálogo com a população e os cortes da via pública em todo o Estado são ensaios de um processo que não termina aqui.”

Infelizmente, as burocracias sindicais fizeram de tudo para frear os ânimos e conduzir as rebeldias populares para a arena institucional de seus partidos da ordem. O desespero e a indignação dos trabalhadores frente a essa política de austeridade não encontraram eco e canais adequados para a promoção de uma luta sem trégua que alterasse a correlação de forças em seu favor. Acelerar pisando no freio e manter o controle e a ordem das ações de base das categorias foram e são marcas de uma concepção sindical burocratizada e verticalizada que não se movimenta no sentido de organizar e dar impulso a disposição de luta da base.

A mobilização do funcionalismo público estadual, em especial os trabalhadores em educação gaúchos, é um exemplo emblemático dos resultados nefastos de tal concepção sindical. Deslegitimar e isolar as iniciativas combativas de setores de base; apostar numa greve unificada com setores da repressão; fazer da categoria base de apoio a politicagem de seus deputados na Assembléia Legislativa; promover fragmentadas paralisações para fingir que faz pressão nos políticos de turno ao invés de promover, organizar e favorecer uma greve por tempo indeterminado com a solidariedade e participação dos estudantes e das comunidades para dar uma resposta a altura dos desmandos do governo; são alguns dos feitos responsáveis pela desmobilização de uma categoria que há anos não se mobilizava como se mobilizou.

E como não seria diferente…

“Nessa conjuntura, a criminalização veio forte. Por lutar, rodoviários da Carris em solidariedade a paralisação estadual do dia 03/08 foram demitidos, e os servidores municipais da Assistência Social e da Saúde de São Leopoldo-RS sofreram processo de criminalização judicial. Esses são nítidos exemplos de perseguição política e sindical e é emblemático o caso da Carris em que os demitidos são militantes sindicais que tiveram seu direito ao trabalho anulado.

E ainda sobre o aparato repressivo,

Duas prisões na capital durante uma Manifestação de trabalhadores da Educação vinculados ao Cpers. Além desse fato, cabe destacar a intimidação realizada pela “segurança” nos piquetes no Centro Administrativo Fernando Ferrari (CAFF) e o assassinato, pelas costas, de um jovem negro no Morro Santa Tereza, em Porto Alegre. Esses são nítidos indícios de que a repressão nunca estará ao lado dos trabalhadores e dos de baixo e que seu papel é de repressão aos que lutam e de extermínio da juventude negra e pobre das periferias.

“Nem com os que mandam por cima, nem com os que reprimem por baixo!” diziamos.

Nacionalmente, uma conjuntura de intensificação nos ataques aos direitos dos trabalhadores, do golpe dos ajuste fiscal que corta na carne e no bolso dos de baixo para manter os privilégios e os lucros dos de cima, de aumento da violencia contra as mulheres, em especial as mulheres negras, de retrocesso nos processos de demarcação das terras indígenas e quilombolas; de aumento da criminalização da pobreza e do protesto; de cortes de verbas na educação e de forte investida de setores conservadores contra uma educação transformadora; de lei dita “anti-terrorista” mas que na verdade é uma lei contra os movimentos sociais. Tudo isso no marco de um lastro político e ideológico de desarme organizativo das classes oprimidas deixados por 12 anos de governo petista. Esses são alguns dos elementos atuais que precisamos ter em conta na hora de atuar.

Um novo ciclo também parece se abrir na politicagem e nas disputas entre vizinhos de um mesmo condominio, o dos de cima. Uma nova descontinuidade que vai reelaborar elementos gestados no pasado recente para manter a dominação político, económica e ideológica de sempre. Assim, afiar os nossos instrumentos para uma conjuntura e quem sabe uma etapa mais peleada para os de baixo é demanda permanente. Nossa FAG e nossa CAB estará ai! Assim como estarão ai nossa FAU, nossa FAR e todos os nossos companheiros e companheiras que de cima a baixo de nossa América Latina e de todos os outros continentes vem construindo processos de luta e organização.

São curdos, africanos, norte americanos, mapuches, kaingang, chilenos, uruguaios, argentinos, brasileiros, quechuas, palestinos, gregos, guaranis, espanhóis, zapatistas, entre tantos outros povos, os que lutam, se erguem contra as opressões, forjam exemplos, inscrevem pelas suas práticas, referências! É sobre todos que a criminalização se coloca. É assim, uma luta que deve ser feita em conjunto e a partir da diversidade de lutas, de combate as opressões e dominações que cada segmento dos de baixo levanta!

É porque não esquecemos os milhares de Eltons, de Claúdias, de Amarildos, de Zumbis, de Dandaras, de Elenas, de Pochos, de Idilios, de Espertirinas, de Hebers, de Louises, de Lucys, de Polidoros, de Domingos, de Emmas, de Marias Lacerdas e de tantos outros homens e mulheres inscritos em nossa memória com seus exemplos de luta e resistência que ESTAMOS AQUÍ!
E AQUÍ ESTAREMOS ATÉ O FIM DESSE SISTEMA DESUMANO E CRUEL CHAMADO CAPITALISMO!

QUE VENHAM MAIS 20, 30, 50, 100 ANOS A ENRAIZAR ANARQUISMO!!!

NÃO TÁ MORTO QUEM PELEIA!

VIVA A FAG, VIVA A CAB!

VIVA A ANARQUIA!!!

[fAu] Contra el garrote y la represión! A nutrir la Resistencia con Solidaridad

Retirado de: http://federacionanarquistauruguaya.com.uy/2015/10/07/contra-el-garrote-y-la-represion-a-nutrir-la-resistencia-con-solidaridad/

Contra el garrote y la represión! A nutrir la Resistencia con Solidaridad

La lucha por la educación y la constante solidaridad de todos los tiempos.

Se ha perpetuado por mucho tiempo ya, en la tolerancia del Poder Ejecutivo, la lucha por la educación en Uruguay. No esperaban esta respuesta en todo el Uruguay, y menos que salieran a la calle y sostuvieran las medidas de luchas los sindicatos de la Educación, un creciente movimiento estudiantil, muchos (todos) los sindicatos en solidaridad con Paros y Huelgas en solidaridad con la lucha para que la enseñanza crezca como inversión del país. Se suma en esto un vasto recorrido de organizaciones sociales, más una novedosa red de apoyo de padres y madres y organizaciones de los barrios junto a las zonales de los sindicatos han asumido los contra cursos que en todas las huelgas de esta rama del trabajo se imparten.

Es justo afirmar que una gran salida a la calle y a la lucha ha sido en respuesta a las medidas de embate contra los trabajadores y estudiantes que impartiera el poder ejecutivo colocándolos como servicios que debe cumplir con la esencialidad. Les había funcionado para destrabar y someter varias huelgas grandes como en la Salud y en los Municipales por asuntos de limpieza,  pero en este caso, contra esta lucha una importantísima parte de la población tomó esto como una gravísima agresión, incluso, a la democracia del propio modelo republicano. Fueron de a 5, 10, 20 miles, 50 miles,  una grandísima expresión de rumbo y horizonte que nuevamente a oídos y posturas de los gobernante parece no llegar a importar, ni mover un pelo.

Centrar en todos estos episodios de lucha por la educación la solidaridad brindada por todo el movimiento popular no sería algo desmedido. Porque fue una muchedumbre gigante en las movilizaciones con la presencia de los sindicatos con sus banderas y también con sus reclamos teniendo eco en el conjunto. Llegarían y están las ocupaciones de los liceos, están apoyando en la organización, y se suman con la solidaridad que más llena y más se puede comprender cuando se está peleando.

Esta solidaridad desde las raíces del movimiento obrero y popular ha sido la unión, ha sido la fuerza. ¿Qué sería de aquella categórica leyenda que reza que “la unión hace la fuerza”, o las de “el pueblo unido jamás será vencido”, y de la de “Obreros y estudiantes, unidos y adelante?. ¿Qué es lo que alimentó a centenas y millones de personas a movilizarse contra las guerras, por la revolución cubana, por los vascos rehenes del gobierno “máximo neoliberal” de Lacalle?. Sin ser cubanos, ni vascos, ni iraquíes, sin sentir nación alguna que no separe y sin calculadora política mediante a la hora de dar la entrega por ideales de justicia y libertad, allí la Solidaridad ha sido el motor de las resistencias de los de abajo, de los obreros, “de los pobres del mundo”.

Cuando la soberbia del “no te escucho” no alcanza.

Luego de una obscena soberbia, oído sordo, y autoritarismo por parte del poder ejecutivo, la Coordinadora de Estudiantes de la Enseñanza Media (CEEM) resuelve ocupar el edificio donde se encuentra ocupado el Consejo Directivo Central de la Administración Nacional de la Educación Pública (CODICEN). La organización del gremio reclamaba dialogo y el mismo mensaje complementario que todo el movimiento por la educación exigía. Desde el pasado viernes 18 se venía desarrollando esta medida que desde el día domingo fue comenzando a ser amedrentada por el grupo de coraceros  y la policía. El poder ejecutivo asumió una estrategia de diálogo que supuso dejar a los manifestantes sin alimentación ni recursos elementales tanto para sostener la medida como para la vida en sí. Éste es el lenguaje del gobierno, así es que él habla. El mismo lugar duro y frío que ocuparon sus peores anteriores sin capacidad de diálogo y buscando que sus emisarios de turno de las históricas castas burocraciales hicieran el trabajo sucio.

El día lunes 22 ya sería distinto. Durante la tarde ya comenzó un nuevo cordón represivo a instalarse conformado por el grupo de reserva táctica (GRT) de la guardia republicana dispuestos a desalojar el edificio a como fuera. En ese edificio funcionan además del CODICEN otras oficinas de organismos públicos como el Banco de Seguros del Estado y el Ministerio de Economía y Finanzas. Esto lleva a que mediante una misiva confusa del ministerio de trabajo y las fuerzas represivas, y en diálogo con su abogado los estudiantes acceden a desocupar las áreas que no tenían que ver directamente con el organismo de la enseñanza, y así  evitar un desalojo represivo en ese momento.

No importo nada, y así y con todas las demandas y señales de diálogos se comenzó firme y fuertemente a amedrentar a los ocupantes mediante gritos e insultos, sí, por parte de las fuerzas del orden y la seguridad. A pocas cuadras se estaba realizando una movilización por salarios de los sindicatos del transporte y allí acudieron militantes del sindicato del taxímetro, entre otros más de sindicatos de Profesores y Maestros, y más y más organizaciones y militantes que agotaron también su tolerancia al ver un brutal despliegue represivo contra la ocupación de muchachos y muchachas estudiantes de 16, 17 años, el gremio de la enseñanza media. Habían dicho que no desalojarían y de repente en un abrir y cerrar de ojos comenzó la represión, herramienta que bien le viene al gobierno en varios sentidos, entre otros para buscar culpables y comenzar la caza.

Y la solidaridad que es más que tinta en un papel puso firme su fuerza contra ese atropello. Si no hubieran estado allí estos sindicatos y gremios estudiantiles el resultado sería más lamentable aún. Si allí no se hubiera agolpado aquella muchedumbre que son más miradas y brazos, dispuestas a ver y controlar con otra cosa que no es más que Poder y Popular la represión que estaba el gobierno dispuesto a llevar adelante, si eso no hubiera ocurrido el campo estaría amplio y ancho, enteramente disponible para las bestias.

¿Quiénes son el GRT?, Una fuerza especial de choque, habrán varias y con cada gobierno inventarán otra más ética y más moral, y más republicana para enjuagar la imagen que el pueblo tiene de la policía y colocarla como incorruptible, democrática y leal. Pero popularmente son conocidos como coraceros. Nosotros que somos trabajadoras y trabajadores sabemos lo que son. Se conoce en toda la historia, pero particularmente a estos los conocemos levantando a los gurises y gurisas del barrio y dando palo en las comisarías. A esta fuerza la conocemos en los mega operativos que con las excusa de atacar al narco tráfico reprimen y apalean en los barrios donde vivimos, para encontrar 40 gr de marihuana. A estos los conocemos en las tribunas populares de los estadios dando palo y sable, gas y bala de goma contra las tribunas populares cuando la televisión no apunta. Y esos muchachos que ocuparon el CODICEN saben quiénes son estos también porque son muchachos de la educación pública y la lucha por su defensa.

El saldo de los forcejeos y apaleadas, de las pocas defensas que se pudieron ejercer para salir de esa bestialidad policial – coracera, fue de 12 compañeros presos con fuertes heridas, teniendo que ser intervenido uno de ellos por quebraduras en cráneo, más otras de piernas y brazos en otros compañeros. Tristísimo es que haya un disparate tan grande de diferencia de lenguas y lenguajes, por escribir de alguna manera, que desde un lado se reclama un justo diálogo y por el otro la respuesta es garrote y disciplina. Así hacen su democracia y su poder los de arriba, para eso están esos sillones, la policía y las cárceles.

La prensa amarilla, relamida por su status burgués, la misma que simboliza la lamentable periodista húngara Petra Lazslo que zancadilleara a un padre con su hijo, sirios y refugiados los dos, esa prensa colaboraría con otros garrotes. Son lo mismo acá y allá. Petra Lazslo, el diario El País y sus hijos devenidos en diferentes corsetes. Ellos salieron a atacar más que a la ocupación a la solidaridad. La culpa de las graves heridas, la represión, el terror infundido luego en todo el edificio contra la muchachada adolescente, los presos, y hasta el estado de la educación… de todo ello tendrían la culpa los sindicatos y sus militantes que concurrieron con sus fuerzas a trabar, a poner justa fuerza popular de solidaridad contra el evidente atropello represivo.

“La verdad”, la pura y exclusiva verdad sobre los hechos estaba encajada entre las opiniones de los diarios de la derecha y las férreas y tercas afirmaciones del ministro del interior quién se justificaba en filmaciones cortadas y manejadas, presentadas por los propios palo en mano. Sin abusos y dentro de lo normal fue el eje de la descripción, con todo lo viciado del asunto y justificando que no se golpeó a nadie porque las filmaciones de la policía no se lo mostraban, pero tampoco un mar de videos, fotografías y foto reportajes que han acompañado en buenísima parte las denuncias presentadas por maltrato. Eso no sirve como dato y como síntoma de sordera se arremete con leyendas anunciando que nada detendrá a la policía, que si se la agrede estará liberada a hacer los que sea “justo”. Esa luz verde como señal de confianza y buenos cimientos.

El corrugado camino de dimes y diretes del presidente de la Institución de Derechos Humanos y ex ministro de Interior Juan Faropa ha sido un entuerto en sí. La comunicación inmediata supuso una afirmación entera a lo sucedido y la forma de impartir el orden. Que todo sucedió con normalidad, que no existieron abusos con tan gigante miopía para ocultar lo flagrante. Ya existen hoy, a unos pocos días de esas palizas, producciones de video en redes y artículos en semanarios que confirmarían que Faropa reconoce ya en el lugar y momento de la represión los apaleos al abogado de los estudiantes y los abusos en general.

No tuvo en cuenta el ministro Bonomi, jamás, la voz de los sindicatos. Cerca de diez sindicatos y gremios estudiantil, todos los de la enseñanza más varios de otras ramas del trabajo que se fueron acercando manifestaron su total repudio a la represión desatada contra una justa lucha y colocando a la policía y al ministerio del interior como responsables de lo que allí sucedió. Las nuevas voces que se venían sumando no acumulaban la potencia necesaria para alcanzar el límite auditivo del poder ejecutivo, mientras éste continuaba arremetiendo contra los manifestantes.

Fue una constante agarrar el diario cada mañana o ver en el informativo las nuevas teorías y esquema de cómo las fuerzas del mal de los “ultra radicales” se organizaban y operaban. Una y otra teoría, todas las imágenes y videos se cortaban cuando comenzaba la guardia de coraceros a dar palo, más las producciones de recorte y pegue para decir la “verdad” del “gran hermano”.

Las listas y la luz verde para las detenciones ilegales.

Porque no solo con el tupé de detener y golpear compañeros, difamar y manosear lo sucedido, respaldar y felicitar el normal actuar de las fuerzas del orden, le bastó a esa arremetida tremenda contra la solidaridad mostrada por gente y compañeros y compañeras de abajo, trabajadores y trabajadoras, estudiantes, jubilados. No, no alcanzó, y comenzaron las citaciones a juez de los heridos de las palizas, de las personas que están denunciando que no se les prestó asistencia médica, a jóvenes con brazos quebrados, a compañeros y compañeras que se prestaron a sacar de aquel mar de palos, con los mecanismos que el impulso del momento les permitió, a varios jóvenes y adolescentes que eran reprimidos y perseguidos dentro del edificio del CODICEN.

En medio de las 3 citaciones legales se nucleó un buen número de compañeros y compañeras a las puertas del juzgado. Todo sería una jornada de solidaridad para con lo que se creía ya una alevosía. Pero no alcanzó con eso, la bestia iría por más.

Tal cual brigadas anti terrorismo, con pasamontañas, con vestimenta de particular y en autos comunes comenzaron las detenciones sin ningún papel ni orden oficial. Primero detuvieron a un compañero del  Sindicato del Taxi cuando con su compañera se dirigía a comprar algo para comer. Fue llevado a los servicios de inteligencia y de allí al juzgado, prácticas comunes luego que denotan la existencia de un plan, una lista y una impunidad tremenda para hacer a diestra y siniestra lo que entendiera necesaria.

Durante ese día también se intentó llevar detenido a un estudiante de la universidad frente a la concentración solidaria que se formó pero fue evitada por parte de los mismos manifestantes. Para el día siguiente son capturados de la misma forma dos militantes del sindicato del taxímetro también, uno de ellos cuando iba a trabajar y el otro compañero cuando se dirigía a la audición radial de su sindicato. Ya habían estado averiguando en los barrios, estaban buscando llevar de a goteo a militantes para procesar y mostrar así de forma más que autoritaria y arbitraria cuáles son los culpables.

Se llevan a más compañeros, y al finalizar la semana con un gran despliegue de cierre del paso con autos, pasamontañas, requisas de vehículos y más acciones propias de Hollywood que de un procedimiento contra gente desarmada que se dirigía a una asamblea, se llevan detenido al secretario general del Sindicato del Taxímetro.  Más de una decena de militantes, de la educación, del taxímetro, el abogado que hubiera sido apaleado, todos ellos procesados por Atentado Agravado, sin prisión y con un cumplimiento de 200 horas de trabajo.

Sin considerar la agresión sufrida, la desesperación al asistir a un escenario donde una bestialidad policíaca y represora asonaría contra una gremial estudiantil de secundaria, de adolescentes y jóvenes dispuestos a desalojar pacíficamente. Contra ellos y sin tener en cuenta las lastimaduras y heridas sufridas que no fueron provocadas por ángeles de las tinieblas sino por la guardia de coraceros a diestra y siniestra, contra la resistencia inmediata al ver que lo peor que pudiera ocurrir realmente iba acontecer, contra ese mecanismo hasta humanista se descargaron los fusiles del “atentado agravado”. ¿No será una legítima defensa?. Pero para ello habría que culpar a la policía, al agresor que agredió y lastimó, que quebró brazos y costillas y cabezas.

Pero nadie está solo, crecerá la solidaridad y a retomar la lucha por la educación.

La Institución de Derechos Humanos ya afirma que lo expresado por Faropa no es oficial y es personal, que no se harán cargo de ello ya que es evidente lo falaz de su contenido. El inmediato cerco de solidaridad prestado por varios sindicatos, y las movilizaciones, mítines, y escraches que se le han hecho a embajadas y consulados de Uruguay en la región y el mundo es una muestra.

Todo el tiempo un grueso número de compañeros y compañeras rodeó los juzgados por donde la justicia desfilaba a la compañerada. Las grandes movilizaciones por la educación y el cese a la persecución han tomado y crecerán en las calles. No son momentos para descarrilar el eje sabiendo que más solidaridad y lucha será necesaria para la educación que merece nuestro pueblo. También para continuar denunciando el apaleo y la represión de ese 22 de setiembre así como el desprocesamiento de los compañeros y compañeras. Hay un grueso caudal que ya ha salido a la calle y con represión más todas las trabas que quieran poner será necesario salir más y más en estas justas peleas.

La carestía cada vez campea más, los sueldos bajos son para sostener las ostentosas ganancias de los estancieros, industriales y transnacionales que están haciendo del Uruguay un churrasco para los buitres. Y si bien la mano dura está presente y firme debemos destacarnos la imbatibilidad de un pueblo fuerte. Un pueblo fuerte resistió el embate de la esencialidad, salió a las calles siendo 50 mil por la principal avenida. Un pueblo fuerte llevó a bambalinas al gobierno a repensar sus métodos y replantearse las formas de torcer la resistencia.

Será necesario seguir creciendo así, en solidaridad y prácticas que promuevan nuevas aspiraciones y abran nuevos caminos hacia una nueva cultura que pueda sobreponerse a la fragmentación de nuestras fuerzas. Un pueblo entero en las calles, en solidaridad en los barrios y haciendo una sola la lucha y los golpes hacia los de arriba. Porque nuestra resistencia sí serán golpes, sí serán embates a su status y bienestar.

No podrán con una fuerza popular que se nutra en sus semejanzas de clase y sus perspectivas de mundo nuevo, más aún en las luchas inmediatas que los colocan en un mismo surco. No se detendrá la resistencia ni se doblegarán las estrategias de expresión y emanación del Poder Popular, con independencia de clase en las asambleas y en el conjunto de las organizaciones del pueblo.

Porque nada será en vano con solidaridad y resistencia, de eso nos hablan miles de episodios en la historia desde Corea a Chicago, desde la Patagonia a la Siberia.

Por la lucha, la resistencia y la producción de Poder Popular.

Arriba los que luchan!

federación Anarquista uruguaya

[Rusga Libertária] AOS DE BAIXO, TODA NOSSA SOLIDARIEDADE! AOS DE CIMA, PUNHOS FECHADOS SEMPRE!

Retirado de:
http://rusgalibertaria.noblogs.org/post/2015/10/01/aos-de-baixo-toda-nossa-solidariedade-aos-de-cima-punhos-fechados-sempre/

NOTA DE SOLIDARIEDADE À COMPANHEIRADA URUGUAIA!

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Organizando-nos com os de baixo, vemos historicamente as diversas tentativas do Estado e do Sistema que nos explora de ceifar nossas lutas e violentar aquelas e aqueles que lutam por um outro mundo possível. Nesse momento, vivenciamos mais um ataque, a lutadores que se organizam e vão para as ruas no Uruguai, em luta por melhorias na educação. Criminalizações e brutalidades foram desfechadas contra estudantes, organizações sociais e sindicais; a força repressiva que serve aos de cima foi acionada contra a luta legítima e necessária no Uruguai.  No dia 28 de setembro, após conflitos que resultaram da ocupação do Codicen (orgão da educação pública), agentes da inteligência perseguiram e prenderam lutadores que lutam e resistem – como a detenção do companheiro e militante Ary do Suatt e de outros dois companheiros que foram presos recentemente.

Em cada canto, a força e a voz dos de baixo se fazem uma e se encontram na resistência contra as investidas do poder capitalista e do Estado. Por essa razão, em cada canto, palpita também um sentimento único de solidariedade dos que lutam ombro a ombro para construir as bases de um mundo novo. Nossa luta é a mesma, e nossa ideologia permanece forte nas trincheiras de batalhas, daqui ou do Uruguai. E é por revelarmos a violência do poder e do Estado que usam essa mesma violência contra nossa luta; uma vez que, para os de cima, tal é a única via de manutenção da sociedade que deve se prender às suas regras e poder.

Manifestamos toda nossa solidariedade aos lutadores violentamente perseguidos e presos no Uruguai por lutar e defender a transformação social do povo e para o povo. Às forças repressivas, lembramos que a resistência marcou e marcará sempre nossa memória de luta com os de baixo; e a liberdade será forjada dessas batalhas contra o Estado que oprime e explora.

Daqui, de Mato Grosso / Brasil, estendemos nossa solidariedade e nos colocamos na luta pela liberdade das/os lutadoras/es do Uruguai. Certos de que resistiremos e caminharemos ombro a ombro na luta por todos os cantos.

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Não tá Morto Quem Peleia, Arriba Lxs Que Luchan!

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Organização Integrante da Coordenação Anarquista Brasileira

[fAu] El ajuste que se viene… – Espanhol

Retirado de: http://federacionanarquistauruguaya.com.uy/2015/09/24/3126/

CARTA OPINIÓN FAU SETIEMBRE 2015

El ajuste que se viene…

Los vaticinios de un nuevo ajuste tienen sustento tanto en la política presupuestal como en la salarial para los trabajadores de la actividad privada. Mientras en los Consejos de Salarios no habrá prácticamente aumento del salario real para nadie (a lo sumo recuperación del IPC y por lo general pérdida de salario), a nivel de los trabajadores del Estado la cosa no va mejor: un presupuesto que casi no incrementa ningún rubro, ni salario ni inversiones. Por tanto, la infraestructura de la salud, la educación y la inversión en vivienda continuarán en los lamentables nivel actuales o incluso se ajustarán.

Desde el gobierno en su conjunto viene augurando tiempos difíciles… Pero no plantean políticas contra-cíclicas ni invertir en las necesidades populares. Sin embargo, las empresas multinacionales siguen sin pagar un peso de impuestos, se embolsan y sacan del país las ganancias e incluso grandes negociados como la absorción de cadenas de supermercados no pagan un vintén a las arcas públicas.

Los dueños del país siguen ganando millones: veamos solamente datos de las exportaciones: Barraca Erro (granos) U$S 264 millones 638 mil dólares, Cereoil (multinacional de granos) U$$ 243 millones, Compañía Forestal Oriental  (celulosa) U$S 228 millones, Conaprole U$S 510 millones aproximadamente, según datos del año 2014. Estas grandes empresas son las que nos están robando. Ahí están el dinero para el salario, la vivienda, la salud, la educación. Allí está el dinero que todos generamos y sólo disfrutan los de arriba. Y no se plantea desde el gobierno tocar nada de esto: ni un sólo impuesto más para los burgueses, pero el boleto sube casi un 10%, la carestía es imparable por más acuerdo de precios que hagan…

La esencialidad

Semejante política a gusto de los patrones tiene su claro correlato con la declaración de esencialidad que sufrieron los trabajadores de la enseñanza en huelga. Fue tan grande la resistencia y movilización generadas que el decreto tuvieron que guardárselo, no lo pudieron aplicar, pero quedaron en evidencia sus instintos antipopulares, su odio a los que luchan, mientras desayunan y almuerzan con el empresariado más rancio y los políticos de derecha le golpean la espalda en señal de complacencia por las medidas adoptadas.

Una medida netamente represiva, que nos retrotrae al Pachecato y la Dictadura, que no es un error político ni una burrada. ¿or qué no?  Porque la situación económica se viene complicando: han cerrado decenas de fábricas y miles de trabajadores han quedado en la calle, otros miles están en el seguro de paro, el desempleo aumenta levemente pero la tendencia va a ser constante, aumenta la represión en los barrio;, por tanto,  la situación social va a ponerse más tensa y desde arriba están preparando el garrote. Esta esencialidad tiene varias finalidades:

1) instalar miedo y derrotar la huelga de la Enseñanza, lo cual no han podido.

2) instalar el tema de la esencialidad y cuestionar el derecho de huelga

3)generar clima de que la situación social- política se puede “picar”.

La esencialidad no la pudieron aplicar pero ha quedado planteada la modalidad del gobierno para atender los conflictos. ¿Volverán a insistir con este tipo de medidas? Parece ser que frente al ajuste y la lucha por obtener mayores salarios, mejores condiciones de trabajo y de vida que los de abajo desplegaremos en este período, el gobierno tiene preparado el garrote… Sino pregúntele a los trabajadores de Salud Pública que fueron desalojados por la fuerza de choque.

Represión y hambre…    

La política del período va a estar signada por una fuerte apuesta represiva. El mayor incremento presupuestal será el del Ministerio del Interior, principalmente Guardia Republicana, mientras se niegan recursos para la salud, educación y vivienda.Por si fuera poco, este gobierno aplicará una Reforma Educativa similar a la liderada por Germán Rama en 1996 bajo gobierno de Sanguinetti.

No se avizora la creación de nuevos puestos de trabajo ni inversión en desarrollo industrial. Un país sumido en la dependencia económica donde se incrementan los despidos y los envíos al seguro de paro. ¿No habían prometido un “giro a la izquierda” y ” no volver a los ’90″? Los de arriba vienen por más. Están sedientos de riquezas y quieren despojar a los de abajo de lo poco que hemos conquistado con esfuerzo de nuestra lucha. Eso es el ajuste.

Una política para los de abajo: Resistencia y Solidaridad 

La huelga de la enseñanza nos ha dejado múltiples lecciones: ocupaciones de centros de estudio en los barrios, tejiendo lazos solidarios con trabajadores, vecinos, organizaciones sociales, coordinaciones entre sindicatos, ha amplificado este lucha y la ha rodeado de solidaridad popular. La movilización del 27 de agosto reunió 50 mil personas, la movilización más grande en el marco de un conflicto de la historia del país. Huelga y paros de varios sindicatos cuyos trabajadores se han dignificado y que enseñan quiénes son los enemigos y quiénes los amigos, los compañeros de lucha. La experiencia habla a las claras y ubica a cada cual en su lugar. Nada más aleccionador que una huelga para definir quiénes son los que juegan a la contención en el movimiento popular haciéndole los mandados al gobierno y a los patrones. Y quienes estamos para impulsar la lucha a fondo por objetivos precisos y claros, avanzando hacia nuevos horizontes.

Es desde los barrios, desde los centros de estudio y trabajo donde se construye Solidaridad, tal cual han demostrado los estudiantes ocupando varios liceos y aportando su esfuerzo en esta lucha que también los ha tenido como protagonistas. Rodeando los conflictos, dando una mano en lo que se precise para potencia la lucha y que ésta triunfe, es allí donde nos venimos encontrando un conjunto de compañeros, construyendo Resistencia, construyendo espacios para coordinar luchas y esperanzas.

La salida es desde abajo y con lucha

Ya ha quedado demostrado que no existe “giro a la izquierda”, que por Parlamentos, gobiernos y elecciones no hay caminos que conduzcan siquiera a mejoras reales para los de abajo, menos a la emancipación. Una sociedad distinta no se construye con esa herramientas que sólo sirven a la burguesía, porque son sus herramientas. Construir una sociedad distinta es un arduo proceso que necesita de la forja de un pueblo fuerte, asentado en organizaciones sociales firmes, clasistas, con independencia de clase, con fuerte protagonismo popular y democracia directa. Generar los espacios de Resistencia y Solidaridad que permitan ir reconstruyendo los lazos entre los de abajo, entre los que sufrimos este inmundo sistema a diario para avanzar en conquistas, en el fortalecimiento de los organismos populares de base, gestores de un mundo nuevo.

Es necesario la construcción de una corriente dentro del movimiento popular que empuje las luchas, que las tome como propias y brinde esa Solidaridad para que lucha sea un fueguito que encienda un mañana distinto.  No es con grandes discursos ni deliberaciones intelectuales que llegará el Socialismo, será sí con mucho esfuerzo, con mucho tesón, con mucha lucha. Es por ello que los anarquista de FAU ponemos nuestro empeño en la construcción de un espacio de Resistencia, que aúne las luchas y las hermane en un solo puño.

MANO TENDIDA AL COMPAÑERO, PUÑO CERRADO AL ENEMIGO

A COSNTRUIR PODER POPULAR!!!

ARRIBA LOS QUE LUCHAN!!

FEDERACIÓN ANARQUISTA URUGUAYA

LOS POBRES QUE EL CAPITALISMO GENERA SE AGOLPAN A LAS PUERTAS DE EUROPA

Inhumanas y crueles son las imágenes que llegan desde Europa: barcos pequeños cargados hasta más no poder de gente, naufragios y muerte en el agua incluso de niños, miles que se agolpan en las fronteras de varios países europeos intentando pasar como se pueda, mercaderes que lucran con la vida humana y el tráfico, miseria y más miseria. Una miseria no casual, ni generada por Dios ni la ignorancia, sino por el Capitalismo, por este sistema inmundo en el que vivimos y por el cual se desarrollan guerras e invasiones a países de Oriente Medio y África por parte de las potencias mundiales, Estados Unidos y Europa.

El control de recursos vitales para las multinacionales, intereses geopolíticos, intentos de desestabilización, varios son los objetivos que mueven a las potencias a intervenir en zonas extremadamente pobres del planeta…para empobrecerlas más. En definitiva, profundizar el sistema, aumentar el despojo, enriquecer a la minoría de ultra ricos, esos objetivos son los que están llevando a cabo los países imperialistas.

Los medios nos informan que “46 países del África subsahariana tienen 767 millones de habitantes; entre ellos, 148 de cada mil nacidos no llegan a cumplir los cinco años, el  45 por ciento de la población no tiene acceso a agua potable, el 63 por ciento no tiene cloacas ni acceso a saneamiento básico, el 32 por ciento está desnutrido, la prevalencia media del SIDA entre jóvenes de entre 14 y 24 años es del cinco por ciento y el 38 por ciento de la población adulta es analfabeta. Entre los más pobres de esta lista de países pobres, están Somalia y Eritrea en guerra interna permanente –Somalía desde hace más de veinte años–, entre señores de la guerra y dictadores armados hasta los dientes con armas de última tecnología. La mayoría de estos países soportan enormes deudas externas que ahogan a sus economías, en muchos casos saqueadas por mineras y trust europeos. Para completar el escenario, el Congo, Liberia, Mali, Sierra Leona, Guinea, Nigeria y Senegal fueron afectados por el virus del Ébola que produjo decenas de miles de muertos. Países africanos como Libia, Congo, Nigeria o Mali soportan guerras internas con grupos armados de fanáticos religiosos financiados por los Emiratos, Arabia Saudita u otras potencias o como en Libia que fue invadida y desestabilizada por una invasión de tropas europeas. Y lo mismo sucede con las guerras en Afganistán, Irak, Siria y Yemen.

De allí provienen las grandes oleadas de migrantes y refugiados que atraviesan montañas, desiertos y mares en condiciones elementales. El 65 por ciento de las personas que han llegado este año a Europa a través del Mediterráneo proviene el 43 por ciento de Siria, el 12 por ciento de Afganistán y el 10 por ciento de Eritrea. El resto se completa con los demás territorios de la lista. Son sociedades cuyas economías han sido arrasadas por abusos y guerras…”

Son millones de personas escapando del horror de la guerra, del hambre, de las persecuciones. Nada muy diferente a nuestros antepasados, que vinieron desde Europa escapando de los mismos problemas. Estos inmigrantes serán mano de obra barata de las empresas europeas, tal cual han señalado las Cámaras Empresariales y el gobierno alemán. De allí la apertura que ha tenido ese país, no fue puro humanitarismo. En cambio Hungría, un país donde gobierna la extrema derecha, crecen las posiciones xenófobas y fascistas, donde incluso están alambrando las fronteras. Por el contrario, los pueblos solidarios han abierto los brazos a la llegada de estos condenados de la tierra y han acogido a los inmigrantes -refugiados. Una Europa que se empobrece cada vez más, donde se quiebra la homogeneidad cultural occidental, una nueva Europa donde las luchas populares van adquiriendo nuevos contornos, nuevas formas y motivos.

Una historia que se repite y una misma lucha que hermana pueblos, en todas partes del mundo la lucha contra la opresión, el hambre, contra este sistema genocida es una lucha que debe convocar al esfuerzo de todos. Aportar para aplacar el sufrimiento humano, pero sobre todo para terminar definitivamente con él y sus causas, que están en la desigualdad, en la acumulación de riquezas, en la propiedad privada, en el poder concentrado en pocas manos… Una lucha que nos convoca a lo largo y ancho del mundo, y que adquiere sus particularidades en cada lugar, en Kurdistán, en África, en Europa, en Uruguay, pero que es la misma: una lucha por el Socialismo y por la Libertad.

ARRIBA LOS QUE LUCHAN!!

FAU

[CAB] Saudação da Coordenação Anarquista Brasileira à FARPA

Retirado de: http://anarquismo.noblogs.org/?p=321

Companheiras e companheiros da Federação Anarquista dos Palmares.

Esta saudação quer chegar até vocês não somente como palavras, mas como intenções, destas em que podemos sentir mesmo de longe a alegria e o entusiasmo de todas e todos companheiros da Coordenação Anarquista Brasileira pelos mais de 10 anos de luta e organização em que o CAZP sempre esteve comprometido na construção diária de um Anarquismo vinculados desde a base.

Sabemos que a tarefa de reorganizar o Anarquismo no país não tem sido fácil, mas não há outra saída. Coube a nós atuar sem descanso, cotidianamente, para criar raízes nos diferentes espaços sociais , onde possamos fermentar lutas e organização das/dos de Baixo. Nesta tarefa difícil, pelos tempos em que vivemos, encontramos em vocês, nas suas ações e esforços, mais do que companheiros na construção da CAB, encontramos irmãos e irmãs para uma vida toda de luta!

Portanto, hoje é um dia muito importante para nós da CAB e certamente para todas as organizações Especifistas e Federalistas da América Latina. Um passo a mais na luta pelo Socialismo Libertário, que com audácia cada uma e cada um de vocês ajudam a construir. É um dia para a reafirmação de nossos valores e princípios.

Certamente, companheiras e companheiros, a nossa ação política de intenção revolucionaria ganha um grande animo na conformação da FARPA, em tempos em que precisamos reafirmar cada vez mais, que as mudanças não virão de cima e que é de Baixo que se cria rebeldia e Poder Popular , este passo que damos juntos de vocês é de relevância histórica para o anarquismo Brasileiro.

Então, compas da FARPA, para finalizar estas breves linhas de saudação, queremos alcançar até vocês hoje um forte abraço e a garantia de que estamos juntos, lado a lado, na luta contra nossos opressores e que sem trégua entregamos nossas vidas para o futuro diferente, vida esta que está a serviço da construção de um mundo novo, aquele que levamos não só em nossos corações, mas também nas nossas ações de todos os dias.

Que vocês possam sentir neste momento nossa vibração, de norte a sul do país, por esta data mais do que especial!

VIDA LONGA A FARPA!

VIVA O ANARQUISMO ESPECIFISTA!

VIVA A CAB!!!

Coordenação Anarquista Brasileira

[fAu – ESPANHOL] Con los 43 estudiantes que nos faltan. Siempre contra la impunidad!!!

Retirado de: http://federacionanarquistauruguaya.com.uy/2014/11/21/con-los-43-estudiantes-que-nos-faltan-siempre-contra-la-impunidad/

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 Con los 43 estudiantes que nos faltan. Siempre contra la impunidad

Nuevas marcas, más tenebrosas historias de impunidad continúa sufriendo nuestra América Latina. Impunidad de los poderosos de nuestros suelos. Con asistencia, obsecuencia, y consecuencia, con participación arreglada y entramada en su terrorismo de estado. Su facial violenta, rancia e intolerante; sus estrategias y formas para dominar y someter las rebeldías y rebeliones de los de abajo.

Allí en Iguala y Ayotzinapa, en el estado de Guerrero, Méjico

Sin mayores correlatos los artículos periodísticos de análisis y opinión internacional que refieren a América Latina están dedicando su trabajo a la masacre del estado de Guerrero, y a las movilizaciones que ya en todo el mundo se están produciendo. El eje es la impunidad que opera tan evidentemente con el Estado en medio de una tormenta de acusaciones, por entramar un gran arreglo con fuerzas paramilitares del narcotráfico (en este caso Guerreros Unidos), con la policía y más organismos represivos que viene cobrando muertes y desapariciones desde ya décadas.

Hoy esa impunidad, ese arreglo, ese orden sanguinario de los de arriba rompe la escena y la barrera de los grandes medios de comunicación, quienes enjuagándose la cara buscan también arreglar y dar fin a lo que estalló luego de la brutal represión desatada contra estudiantes y sindicalistas de la educación el 26 de setiembre en la ciudad de Iguala. Allí las fuerzas del orden, del estado – narcotráfico, desplegaron su brutalidad represiva torturando y asesinando a 6 personas y secuestrando 43 estudiantes de la Escuela Normal Rural de Ayotzinapa que hasta hoy siguen desaparecidos.

Inmediatamente todas las autoridades negaron conocer datos de asesinatos o desapariciones. Estando los estudiantes desaparecidos, secuestrados allí en alguna parte, en el entorno, en la zona de los hechos nadie ve, nadie dice, nadie olle… cuando inmediatamente comienza a gritar todo aquel país de Magones y Zapatas. Todos los organismos estatales dicen no saber, o podemos pensar que no dan importancia al asunto, en un país de varios miles de asesinados y desaparecidos en los últimos años. No les asombrará a ellos, no les importará, ya que eso es parte del “Estado” de las cosas. Pero el grito es fuerte y amplio, y al poco tiempo y ya ante lo flagrante de lo sucedido y todo un país en marcha se pide el procesamiento de 22 policías implicados en la brutal represión.

Así como complejas son las estructuras de poder, mediante las que opera el sistema en todas sus facetas, es igual de complejo identificar “él” responsable, en su carácter de singular. Y aunque está claro que las investigaciones dentro de la administración del propio estado exponen que quien dio la orden de reprimir a como fuera fue el alcalde de Iguala José Luis Abarca, debemos sumarle que en la operativa concreta y cotidiana durante los últimos años ha operado tanto las diferentes fuerzas policiales como el ejército, con la colaboración del grupo narco paramilitar Guerreros Unidos. El líder de este grupo se llama Salomón Pineda Villa, cuñado del Alcalde de Iguala.

También existe la más clara evidencia que es la policía responsable por la desaparición de los 43 estudiantes, ya que son los que dan la captura al ómnibus donde viajaban, son los que dirigen el operativo, y son quienes los ocultan. El alcalde Abarca y su mujer, quienes dieron la orden y elaboraron la masacre dispusieron de una fácil cortina de humo solicitando licencias políticas para garantizar la mejor investigación y proceso. Apenas unos días pasaron y desaparecieron del mapa ante lo que les señalaba. Prófugos de los aparatos de la justicia quedaron, hasta que hace unos días fueran encontrados y detenidos en Méjico DF. Ante la movilización ya mundial y el señalamiento al estado mejicano y su impunidad era muy costoso

Entonces la masacre de Igula denuncia a los más altos niveles de opinión y análisis del orbe hasta donde es capaz de llegar esta bestialidad de corrupción. Más cuando la impunidad es la pauta jurídica para definir los alcances de lo que se hace. Ya no le alcanzan sus armas y herramientas legales a los poderosos para sostenerse o continuar avanzando, entonces crean otros mecanismos que en su cerno, en su medula de motivaciones alberga lo mismo, el mismo motor despedazador. ¿Quién opera en legalidad y quién lo hace en semi legalidad? pero con los mismos beneficios y garantías. En Uruguay se llamó Juventud Uruguaya de Pié, o la siniestra Triple A en Argentina, en Aquellos tiempos, en los 60 y los 70 de la mano del Plan Cóndor y las administraciones de los estados. Todos compleja y ordenadamente arquitecturados, para cumplir los fines y la “paz” mandada por los de arriba.

Lo que no podrá hacer la policía y el ejército en la legalidad lo harán los Guerreros Unidos en la ilegalidad que a manos de los poderosos se justifican, se encubren. ¿Y quien protege eso?, ¿porqué Guerreros unidos se solidariza con los 22 policías presos y exige su liberación?, ¿Por qué este grupo narco para militar asume la responsabilidad de los asesinatos a estudiantes y más y más?. El estado mandó la represión, el estado los detuvo y secuestró, y el estado mantiene el silencio del destino y sostiene a los responsables (halla sido legal con la policía y el ejército, o ilegal con los Guerreros Unidos).

Buena parte de esa complejidad de terrorismo e impunidad estatal se muestra en la manipulación de la atención pública. El mismo gobierno aparece lanzando a la noticia sobre la captura de tres miembros de Guerreros unidos quienes confirmaron recibir a los rehenes, asesinarlos y reducirlos a cenizas. Sin evidencias firmes se buscó poner otro fin a esta tragedia dejándolo como episodio e incluso dejando exenta a la policía de desaparecer a los estudiantes, y sí al grupo narco – paramilitar. Previamente se anunció también el hallazgo de fosas comunes con restos de personas que podrían ser los estudiantes. En todos los casos el Equipo Argentino de Antropología Forense mediante sus estudios rechazó que fueran ellos los estudiantes desaparecidos.

Es responsabilidad de todo ese conjunto. De la policía y el ejército, de los narcos y sus paramilitares, no de cada uno de ellos, sino de todos, y son el peso de sus relaciones lo que distribuye sus poderes de un sector al otro. Toda la operativa mediática no es ajena a esta despreciable represión, así como los resortes administrativos del estado que a sabiendas o no de lo que ha sucedido también operan en sentido de la confusión y las infundadas hipótesis y conjeturas.

Lo han sido ayer y seguirán intentando sostenerse mañana. Sin lugar a dudas que esto no es un hecho aislado, y con la misma certeza es que observamos, con datos oficiales, que esta operativa sucede desde hace un buen tiempo atrás y legitimado por los mismos procederes y mecanismos administrativos. Con el mismo brazo gordo de los grupos para militares, el ejército y la policía.

Y sin ir muy lejos en la historia, y allí mismo, ¿Qué explicación tienen entonces las muertes de los cuerpos hallados en fosas comunes, o en bolsas que no son de los estudiantes desaparecidos?, son cientos en el estado de Guerrero, y no se ha abordado antes la existencia de fosas clandestinas de los diferentes carteles de las drogas. Así encubre el estado y la narco burguesía, alimentado ideológicamente por un motor con lo peor del desprecio a la vida misma, el acumular a cualquier precio, el egoísmo a todo nivel, y la impunidad como tutela.

¿Que podrán pensar los jefes de los carteles de droga sobre el campesinado organizado, sobre los sindicatos y el movimiento estudiantil?. ¿Qué ideas formaran las cabezas de los dueños del sistema cuando los movimientos reclaman sus derechos, o salen a la calle buscando nuevas conquistas?. Podrán pensar lo mismo si son narcos en el estado de Guerrero, o industriales en China, o dueños de las cuentas más pesadas del casino financiero de Wall Street. Podrán pensar lo mismo si los que rigen son los patrones dominantes a la escala que sea, tanto a nivel sistema mundo como a niveles locales. Esos están cargados con las armas más egoístas y temerarias que ha conocido la humanidad. Ellos tienen los ejércitos para las guerras, las cárceles, las mil formas represivas exclusivas o asociadas con sus sicarios de turno.

Hay una alternativa, la resistencia de un pueblo fuerte

Pero hay un cerco que se rompió. Las leyes que dictaban que allí se controlaba todo han sido quebradas. Aún con toques de queda, y en al menos 14 de los 80 municipios de Guerrero con intervención de fuerzas federales la movilización ha sido la constante, con paros de 48 horas en más de 70 escuelas y en las facultades de la UNAM, la Ibero, la UAM, Chapingo, las universidades de Tlaxcala, Guanajuato, Michoacán, Zacatecas, la Universidad Pedagógica, varias normales de Guerrero, por mencionar sólo algunas. El descontento popular ante tanta injusticia dio fuego a edificios estatales como el de Chilapancingo y otros edificios del poder ejecutivo.

Ha sido la lucha la que ha puesto en la opinión de la región y el mundo este bestial atropello contra los estudiantes de la Escuela Normal. Ha sido la resistencia la que ha puesto su poder de sobreponerse y establecerse firme cuando ese poderoso enemigo más fuerte se creyó, y terminó tastabillando.

Allí están también sus límites, por poderosa que sea la maquinaria asesina. Están en la fuerza que se sea capaz de sobreponerle el pueblo. La firmeza del pueblo mejicano, y todos los países donde se está solidarizando es clave en esta pelea. Porque no podrán con un pueblo fuerte entramado, organizado en los tiempos que sean dando pelea con todo el poder de sus aspiraciones de igualdad y solidaridad entre los de abajo, y el desprecio contra esa bestia opresiva, violenta y sangrienta como lo son estos crímenes de terrorismo de estado.

Será en Méjico pero también aquí y en todas partes, “de todas partes vienen” dice la poeta Idea Vilariño. Estamos pisando las calles con los 43 estudiantes. Estamos con nuestras fuerzas en los movimientos estudiantiles, sindicales, de derechos humanos, ambientales y emergentes. Estamos en las formas políticas que nos damos y creamos. Somos un mismo puño, somos del mismo hilo que hilvana la lucha y resistencia de nuestra América Latina, nos unen las pérdidas, el sufrimiento pero también los levantamientos y las rebeldías, las conquistas de nuestra gente, de nuestra clase. Nos unen los anhelos por un mundo más justo, proyecto de nueva sociedad que elimine las desigualdades y que barra con toda la escoria nauseabunda de este sistema asesino.

Son ellos parte de las historias estudiantiles que han dado lo mejor para nuestro pueblo y sus sistemas educativos. Son ellos y somos nosotros en todos los tiempos porque esta es una historia de lucha y resistencia, desde abajo contra la impunidad, la desigualdad. Allí está la tarea junto a los 43 estudiantes que nos faltan a todo el continente.

Arriba la lucha del pueblo de Guerrero y todo Méjico.

Ya los 43 son millones!.

Ni olvido ni perdón!.

Arriba los que luchan!!.

federación Anarquista uruguaya.

Federación Anarquista Gaúcha.

Coordinación Anarquista Brasilera.