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[CAB] VÍDEO – Repressão e Criminalização ao Anarquismo e aos/às lutadores/as sociais no Brasil!

Frente ao processo de perseguição e divulgação de informações distorcidas sobre a atuação de anarquistas no sul do país, a Coordenação Anarquista Brasileira dá prosseguimento aos seus vídeos em que apresenta princípios, práticas e a história do anarquismo.

Nessa segunda produção a Federação Anarquista do Rio de Janeiro (FARJ), organização integrante da Coordenação Anarquista Brasileira, faz um breve resgate da história da repressão ao anarquismo e aos/às lutadores/as sociais no Brasil

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Anarquismo é Luta!
Coordenação Anarquista Brasileira (CAB)

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[CAB] VÍDEO – ENTENDER O ANARQUISMO PARA IMPEDIR O AVANÇO DA MANIPULAÇÃO E CRIMINALIZAÇÃO DA IDEOLOGIA ANARQUISTA NO BRASIL

Frente ao processo de perseguição e divulgação de informações distorcidas sobre a atuação de anarquistas no sul do país, a Coordenação Anarquista Brasileira inicia hoje publicação de vídeos em que apresenta princípios e práticas do anarquismo, a partir da explicação de uma das correntes organizadas atuantes no Brasil: o anarquismo especifista ou especifismo. Nessa primeira produção Felipe Corrêa, professor e militante da Organização Anarquista Socialismo Libertário – OASL/CAB, apresenta breve referência histórica e formas de organização dessa linha ideológica.

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Anarquismo é Luta!

Coordenação Anarquista Brasileira (CAB)

[CAB] Opinião Anarquista: o Anarquismo é luta social e exige respeito

Diante do ataque orquestrado pela polícia civil do Rio Grande do Sul em conluio com a Rede Globo, denominado “Operação Érebo”, que tem como objetivo criar precedente para enquadrar a ideologia anarquista na Lei Antiterrorismo, a Coordenação Anarquista Brasileira afirma que somos historicamente fruto das lutas do povo oprimido. Nossa ideologia nasceu na luta das/os de baixo, da classe trabalhadora contra todas as formas de dominação. As violências que a nossa classe sofre no cotidiano com a falta de acesso aos direitos mais básicos são o que impulsiona o trabalho realizado pelo anarquismo, em meio ao povo e na defesa de uma sociedade mais justa sem desigualdade social e livre de todas as formas de opressões.

Por isso os militantes da Coordenação Anarquista Brasileira, da qual a Federação Anarquista Gaúcha faz parte, são trabalhadoras e trabalhadores, filhos e filhas do povo. Somos militantes, e como tais, atuamos em sindicatos, ocupações de moradia e movimento estudantil e demais espaços sociais. Defendemos o trabalho de base, buscando mobilizar distintos sujeitos sociais desde seus locais de trabalho, estudo e moradia. Portanto não nos prestamos a caricaturas pintadas pela Rede Globo e pelo Delegado Jardim.

Diante desta calunia, que tem por finalidade não apenas tipificar o anarquismo na Lei Antiterror mas também paralisar toda a esquerda revolucionária através do medo, afirmamos que não vamos nos acovardar, seguiremos em luta contra o ajuste e a repressão.

O Anarquismo é luta social e exige respeito

O Anarquismo existe há mais de 150 anos, é fruto do socialismo e uma ferramenta da classe trabalhadora par a conquista de seus direitos. Esteve presente na construção da Primeira Internacional e está nas lutas sociais da atualidade. Uma ideologia que historicamente participou de muitas das lutas organizadas e forjadas pelas mãos dos/as trabalhadores/as em diferentes continentes e países: Comunas Parisienses, Revolução Russa, Revolução Ucraniana, Revolução na Manchúria, Revolução Mexicana e a Patagônia Rebelde na Argentina; as Federações Operárias Regionais na Argentina (FORA) e no Uruguai (FORU). O Anarquismo também esteve presente e contribuiu muito no chamado “sindicalismo revolucionário” no Brasil, ajudando a impulsionar lutas e greves no início do século passado, como a Greve Geral de 1917.

O anarquismo, como ontem, permanece cotidianamente envolvido nas causas sociais, nas lutas sindicais, nas associações de bairros, de moradores. Compromissado em combater as desigualdades e opressões, defendendo o avanço nos direitos das mulheres e LGBTTT, pela demarcação dos territórios indígenas e quilombolas, em apoio e solidariedade aos povos e trabalhadores do campo.

A violência da mídia e da Globo

No último domingo, dia 29/10, em seu programa Fantástico, a Rede Globo tentou, de forma grosseira, confundir sobre o que de fato é a ideologia anarquista, chegando ao ponto de compará-la ao nazismo.

Violência é o que a Globo pratica, ao criminalizar e difamar a ideologia anarquista. Ao expor trocas de mensagens de celular sem nenhuma permissão para isso. É uma atitude irresponsável e leviana que pode prejudicar trabalhos sociais sérios construídos com esforço e compromisso no dia a dia.

Esse tipo de jornalismo serve apenas a seus próprios interesses, buscando lucrar vendendo factoides grosseiros e calúnias. É também um jornalismo servil aos interesses do Capital e da crescente Direita no país repete assim o mesmo papel que teve durante a ditadura civil-militar.

A violência dos poderosos contra o povo

É importante falarmos aqui também de toda a violência contra o povo praticada pelo capital, pelo Estado e governantes. A violência das eternas filas de espera dos hospitais, da falta de remédios e recursos, de salários não pagos aos profissionais da saúde. A violência dos transportes públicos, superlotados e sucateados, dominados por mafiosos amigos de governadores e prefeitos. Vamos lembrar da violência do ensino público abandonado pelo governo para ser privatizado. Os trabalhadores e trabalhadoras da educação que não recebem seus salários, e os estudantes que também são violentados pelo Estado. A violência dos latifundiários, grileiros e bancada ruralista contra os povos indígenas, sendo expulsos de seus territórios, contra os sem-terra e os pequenos agricultores. A violência do Estado e da polícia contra o povo negro, o genocídio nas favelas e periferias.

Mas, apesar disso, quem o estado, a polícia e a mídia rotulam de terroristas e violentos são aqueles que se organizam na busca pela transformação social, pelo fim de toda essa injustiça e desigualdade social promovidas pelos poderosos e capitalistas.

Solidariedade para avançar contra os ataques

A solidariedade por parte da esquerda é fundamental neste momento. Este não é apenas um ataque isolado contra a ideologia Anarquista. Não é possível compreender estes acontecimentos se não os pensarmos inseridos no contexto de avanço da direita no país. E mais ainda, na estrutura mundial de dominação do capital, em especial o imperialismo norte-americano e a forma como ele vêm atuando na América Latina e no Brasil. Para que os recursos naturais deste continente e seus povos sejam cada vez mais explorados, se faz necessário criminalizar e reprimir os movimentos sociais e as organizações políticas. Por isso é, toda a esquerda que está sob ameaça e ataque, assim como os movimentos populares. E todos aqueles que se opõem à sanha do capital internacional e nacional que quer colocar suas garras sobre os recursos naturais e as terras, e explorar ao máximo o povo, destruindo todos os direitos que foram conquistados com muita luta.

Por isso estes ataques devem ser denunciados. É preciso mostrar que o Anarquismo não é que mostra a mentirosa reportagem da Rede Globo, e que vem sendo veiculado pelos outros grandes veículos de informação (SBT e BAND). Não aceitamos nenhuma forma de criminalização muito menos ideológica. Somos historicamente fruto das lutas do nosso povo oprimido e permaneceremos firmes na luta anticapitalista por um mundo novo e uma nova sociedade que carregamos em nossos corações.

CONTRA A FARSA DA REDE GLOBO

ANARQUISMO NÃO É CRIME, É LUTA!

VIVA O ANARQUISMO!

[FACA] CONTRA A VIOLÊNCIA DE GÊNERO

Retirado de: http://faca.noblogs.org/post/2015/12/17/contra-a-violencia-de-genero/

A questão de gênero é um assunto que por muito tempo foi ignorado, negligenciado, secundarizado e relegado a debates menores. Porem, a luta da mulher se faz presente cotidianamente, ontem, hoje e será no amanhã, resistindo às inúmeras formas de opressão socialmente construídas dentro da cultura patriarcalista/machista que somado ao capitalismo potencializa sua perversidade se tornando mais uma de suas facetas. Pois as situações de violência e humilhação que são colocadas tantas mulheres aqui, ali e acolá ao redor do globo, nos colocam em contradição na medida em que nossa luta contra todas as formas de dominação e opressão não pode apenas tangenciar tais situações. Cada mulher é única (somos únicas) e nossa representação se firmará com o nosso protagonismo. Pois a luta delas, também deve ser a luta deles, e assim frear o avanço do conservadorismo e das pautas que retrocedem aos direitos conquistados com muita peleia.

download    Dentre as questões propostas ao longo da histórica para construção do gênero feminino (pelo conservadorismo machista), surge de maneira muito incisiva e como ponto de discussão o que é feminino e masculino? A mulher tem seu universo restringido por convenções machistas impostas a ela, enquanto o homem desfruta das mais variadas situações e privilégios. Portanto, fazer hoje, no agora, construção de cultura pela igualdade de gênero e pela liberdade das/dos indivíduos, pelo protagonismo feminino somando forças na luta de nosso povo oprimido contra as investidas do opressor que é machista e capitalista.

     Assim nossa pratica deve refletir bem isso e funcionar, sobretudo, como instrumento de mudança do atual sistema machista e capitalista para a sociedade almejada por nós, que lutamos pelo apoio mútuo, pela autonomia, onde a igualdade e o respeito existiriam para além dos limites da mediocridade capitalista, e do discurso individualista que coopta, banaliza e sexualiza a essência do feminino.1

     A padronização do corpo feminino, com regras estéticas que enquadra no tipo imposto pela mídia, também se torna responsável pela limitação de nossa liberdade, já que o meio social e também midiático é responsável por exercer um certo tipo de corpo para uniformizar os gostos e com isso normatizar a beleza, que até um certo ponto, deixa de ser relativa. Somos cotidianamente pressionadas a assumirmos posturas consideradas femininas, sob uma performance do que é mostrar ser feminina e o corpo acaba sendo alvo de destaque que assim sobrepõe, nossa própria identidade, tal padronização responsável por dar um sentido à noção de beleza da mulher, também constrói a noção de pertencimento, infere à mesma uma noção de valor a partir da comparação do seu corpo com os corpos ao seu redor.

     A lógica de mercado capitalista aplicada na produção de objetos, aplica-se na maneira de pensar e agir, a exemplo da expressão: “vou me produzir”. Há uma produção, de um objeto, para um mercado. Objeto este que precisa ser sempre renovado, produzido e re-produzido para que se torne sempre visível, chamativo e fetichizado, seguindo sempre a ditadura dos padrões estéticos machista que são bombardeados pela mídia.muralezln2

     A mulher não pode ser vista enquanto “mercadoria”, porque diferente dos objetos, nós mulheres possuímos autonomia pra ser quem quiser, agir como quiser e trabalhar onde quiser. Nosso corpo obedece às nossas regras e nossos limites. Não podemos ser coisificadas, a ideologia de consumo e do comportamento serve para nos aprisionar e paralisar diante das diversas injustiças que temos que enfrentar diariamente por conta dessa logica.

     Se as assimetrias das relações de gênero nunca deixaram de existir, sobretudo pela imposição cultural e histórica da dominação masculina, por outro lado há de se criar uma outra cultura orientada pela igualdade entre mulheres e homens, alicerçada no socialismo e impulsionada pela liberdade.

PELA LUTA POR UMA SOCIEDADE IGUALITÁRIA, SEM CLASSES, NEM DESIGUALDADE DE GÊNERO!

E NÃO À SEXUALIZAÇÃO DOS NOSSOS CORPOS!

A Revolução dentro da Revolução e o Protagonismo Feminino no Curdistão

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Retirado de: http://jornalismob.com/2015/02/23/a-revolucao-dentro-da-revolucao-e-o-protagonismo-feminino-no-curdistao/

Texto escrito por Lorena Castillo, militante da Federação Anarquista Gaúcha e do Ateneu Libertário A Batalha de Várzea, pro blog Jornalismo B

Somente há pouco tempo ficamos sabendo que em uma determinada região do Oriente Médio, mais precisamente no oeste do território curdo (Rojava), existe um processo revolucionário que se desenlaça e coloca no cerne da questão política a liberdade das mulheres e a negação do Estado-Nação. A luta revolucionária hoje no Curdistão é algo que recoloca no debate político da esquerda mundial a possibilidade de fazer a ruptura com a podridão do sistema capitalista e patriarcal. Hoje, o povo curdo, que está em luta contra os regimes opressivos da região, dá o exemplo de como é possível viver em uma sociedade baseada na democracia de base, no poder popular e no alto nível de liberdade das mulheres.

Fotos: Kurdish Female Fighters Y.P.J

A toda essa proposta política elas e eles dão o nome de Confederalismo Democrático. Essa proposta surge a partir das leituras do militante curdo Abdullan Ocalan, que é uma figura de referência para toda a esquerda curda, sendo um dos fundadores do Partido Trabalhista Curdo (PKK), e que está preso há 16 anos, com pena perpétua para ser cumprida em uma ilha-prisão da Turquia.  Na prisão, Ocalan aprofundou suas leituras dos textos anarquistas de Bakunin, Kropotkin e Proudhon, e, como proposta de modelo político para ser trilhado na revolução social do Curdistão, ele rebatiza o Municipalismo Libertáriodo também anarquista Murray Bookchin. Esse projeto político, o Confederalismo Democrático, vê o Estado como o principal oponente às ideias de autodeterminação dos povos e sua independência. A independência que é proposta pelo projeto do Confederalismo Democrático não busca obter fronteiras de um Estado-Nação. Pelo contrário, a luta curda hoje é qualquer coisa exceto nacionalista.

Nas montanhas acima de Erbil, no antigo coração do Curdistão, passando pelas fronteiras da Turquia, Irã, Iraque e Síria, nasce uma revolução social, uma proposta radical de democracia de base esfrega na cara da esquerda mundial que o caminho para a superação deste modelo injusto e assassino começou a ser trilhado longe do que tradicionalmente se esperava.

A luta revolucionária do povo curdo está construindo uma sociedade livre do Estado, e isso coloca em cena a antiga e maior polêmica entre a esquerda centralista e a federalista, que é a questão do Estado e também o tema já tão conhecido por nós, anarquistas, de que o socialismo é com liberdade ou não é socialismo. E o que está acontecendo por lá, no Curdistão revolucionário, é isso mesmo: desde os conselhos mais locais, sejam eles em bairros, municípios ou distritos, se pratica formas de democracia direta, onde todas as pessoas podem deliberar sobre as diferentes questões da nova sociedade que estão construindo. As ferramentas de organização específicas para as mulheres, jovens e para toda a comunidade encarnam fortemente no dia a dia os princípios de democracia radical de base e liberdade. O federalismo do ponto de vista anarquista, como um conceito de descentralização de poder encontra nesta experiência terreno fértil para fazer defesa desta concepção. O que temos hoje no Curdistão é o desenlace de um povo forte, que neste momento está em armas contra as terríveis ideias e ações do Daesh (ISIS, ou Estado Islâmico).

Algo extremamente importante de ressaltar nesse processo todo é a conformação, em todos os níveis de organização, da inserção das mulheres curdas nessa luta revolucionária, onde as mulheres estão desempenhando um papel determinante no combate ao Estado Islâmico. Elas não estão ali somente porque as condições da guerra contra o Estado Islâmico requeira isso, não porque sejam “símbolos de propaganda”, as mulheres curdas estão metidas nesse processo como grandes protagonistas de um duro combate às forças que mais matam, escravizam e massacram os povos oprimidos da região. Elas carregam no seu “núcleo duro” político-ideológico uma proposta de ruptura ao sistema capitalista-patriarcal, e estão atuando dessa forma naquela região do mundo, onde já escutamos milhares de vezes que os direitos das mulheres são terrivelmente negados. Isso também é o que torna essa experiência revolucionária com caráter feminista ainda mais entusiasmante.

O movimento de mulheres no Curdistão sabe que a proposta de um Estado-Nação não é a solução para a vida dos mais oprimidos e que sim, a solução está fora do Estado, a despeito do Estado, em combate à lógica do Estado-Nação, capitalista e patriarcal. E é no fortalecimento de uma lógica democrática de baixo para cima que temos visto os curdos levando adiante sua revolução social, fortalecendo suas cooperativas, conselhos e assembleias.

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O Estado Islâmico e as grandes potências ocidentais são as principais ameaças, ao menos por hora, para os revolucionários curdos. O E.I. é uma força ultraconservadora de interpretação do islamismo que está tentando se conformar como um Estado nas regiões do Iraque e Síria. Eles têm como principal objetivo dos seus ataques pessoas desarmadas, e se utilizam de métodos de terror para capturar e massacrar os povos dessas regiões. Com uma certa prioridade, o E.I. quer massacrar o povo curdo, sem falar que contra as mulheres eles praticam um verdadeiro feminicídio.

É importante contextualizar que, apesar das confusões sugeridas pelos interesses das potências dominantes e os seus meios de comunicação, o E.I. é um agente que tem origens na Al-Qaeda, vindo a ser uma cisão desta. Então, é bom lembrar que a Al-Qaeda e os Estados Unidos têm relações históricas de negócios entre as famílias Bush e Bin Laden.  Portanto, é ilusório e ignorante acreditar na afirmação de que exista combate contra o E.I. a não ser o que dá o povo curdo em armas.

Os desafios de defesa desse processo revolucionário são gigantes, pois os interesses das grandes potências são, em grande medida, os mais preocupantes. Todavia, não sabemos em que momento o povo curdo pode ser alvo de artilharia pesada vinda também da parte Ocidental do mundo, sem falar que para a esquerda, a nível internacional, ainda falta maior engajamento na defesa dessa revolução. Não podemos cometer o erro histórico, como organizações de intenção revolucionária, de largar à própria sorte os povos em armas que se erguem pelos cantões do Curdistão.

O papel que essa experiência cumpre para os demais povos oprimidos do mundo é imensurável, a revolução social em marcha no Curdistão é a prova viva de que podemos destruir esse sistema de opressões com organização desde a base, sem hierarquia político-econômica e social e com real protagonismo dos oprimidos.

No que diz respeito à luta das mulheres, o que vemos por lá, como falado anteriormente, é ainda mais empolgante, pois o projeto do Confederalismo Democrático busca em prioridade a liberdade e autodeterminação das mulheres, sendo essa premissa o “medidor” para uma sociedade realmente livre e democrática. Com isso, me atreveria a dizer que, por mais que em outros processos revolucionários tenhamos visto uma grande participação das mulheres, como é o exemplo da Comuna de Paris com suas “incendiárias” e um papel destacado para a companheira Louise Michel, na Revolução Espanhola com as valentes “Mujeres Libres” e nas demais revoluções sociais, nada se compara ao que estamos vendo fazer, aqui e agora, essas mulheres e homens das montanhas do Curdistão.

Dentro do debate político que fazem por lá, os companheiros homens podem opinar sobre tudo, menos sobre a vida das mulheres e sua livre determinação. Já viram isso antes? Acredito que não. Pois bem, está em prática por lá, também, o fim derradeiro dos casamentos de crianças, da poligamia e da violência sexual ou de qualquer outra ordem contra as mulheres e, se um homem cometer algum tipo de violência contra as mulheres, este será afastado de qualquer cargo que possa estar ocupando na organização dessa nova sociedade. Isto prova que a liberdade das mulheres não é conquista para depois da revolução social, e sim é parte constitutiva no processo da mesma.

Diego “Xarope”, seu exemplo está vivo em nós!

Há um mês, no dia 07 de dezembro de 2014, faleceu um grande companheiro de luta, Diego Batista, conhecido nas lutas como “Xarope”. Diego era um trabalhador, anarquista antifascista, participante ativo do Círculo de Estudos Libertários (CEL) e das lutas pelo transporte em Curitiba, pai de uma menina que nem completou um ano e um grande revoltado contra todos os tipos de dominação. Participou da ocupação da Câmara dos Vereadores em 2013 e foi também um dos mais ativos membros da luta contra o fascismo na terra das Araucárias, por meio do Coletivo Antifa 16, luta que no começo de 2014 o vitimou com três facadas por parte de um fascista. 

Curitiba, cidade fria, cinzenta e com um conservadorismo pairando pelo ar, teve durante muito tempo suas ruas dominadas pelos neonazistas, que perseguiram, espancaram e até esfaquearam negros, homossexuais, travestis e punks. Em 2010, Diego, em conjunto com outros companheiros, cansados de viverem sob a ameaça de ataques fascistas nas ruas, se organizaram e começaram a construir a luta antifascista na cidade. Diego foi um dos fundadores desse movimento e sempre se manteve ativo na luta desde então, apesar dos problemas e responsabilidades pessoais, como trabalho, contas para pagar, família, etc. Infelizmente pagou o preço de ser um dos mais ativos na luta, ao ser um quadro do movimento antifascista na cidade, também se tornou conhecido entre seus inimigos. Os fascistas possuíam muitas informações sobre ele, começaram rondar o bairro em que morava, tirando o seu sossego. Diego teve a dor de ver seus amigos diversas vezes no hospital depois de serem atacados por fascistas, a dor de enterrar um de seus melhores amigos, Lagarto, também vitima dos ataques covardes promovidos por essa corja fascista. Todas essas feridas nunca cicatrizaram em Diego e contribuíram com sua decisão de partir.                        

O que fica em nós é uma cicatriz que não cicatrizará. Porém, levaremos sempre os companheiros que já se foram em nossos corações, memórias e sempre os manteremos vivos nas lutas do presente, nas lutas que eles ajudaram a construir, e não esqueceremos nunca de Lagarto e Diego.

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A LUTA CONTINUA!

DIEGO PRESENTE!

Fascistas NÃO PASSARÃO!

Vá em Paz Companheiro Diego, que a terra lhe seja leve.

 

[FARJ] O ano está acabando, mas a luta segue!

Retirado de: https://anarquismorj.wordpress.com/2014/12/28/o-ano-esta-acabando-mas-a-luta-segue/

Como atividade de propaganda de final de ano realizamos nesse domingo ensolarado, dois murais nas ruas da cidade do Rio de Janeiro. Ocupar as ruas e muros é um direito de todas/os aquelas/es que acreditam na construção de um novo mundo. O muralismo (técnica utlizada nessa ação) é uma ferramenta de luta e propaganda que é construída e realizada coletivamente.

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É nesse espírito que desejamos um novo ano de muita luta e organização! O ano está acabando, mas a luta segue!

Mulheres resistem! Organizar e lutar com as/os de baixo!

Lutar, criar, poder popular! Anarquismo é luta contra todas as formas de dominação!