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[CABN] Saudação aos companheiros e companheiras da Federação Anarquista Uruguaia

Retirado de: http://www.cabn.libertar.org/?p=1012

“A la FAU de mis amores
que fue forja de mí mismo
honda raíz de anarquismo
de los viejos precursores,
utopistas soñadores
que plasman la realidad
la verdadera verdad
con el pueblo desde abajo,
liberemos el trabajo
que es toda la libertad.”
Carlos Molina

Nós, do Coletivo Anarquista Bandeira Negra, de Santa Catarina, enviamos nossas saudações fraternas para este presente Ato na Coluna Histórica de Cerro-La Teja, às vésperas do 1º de Maio. Duplamente, reconhecemos o valor real da data que está marcada para sempre nas páginas da humanidade e a força que da memória extrai a caminhada de luta dos companheiros e companheiras deste espaço.

Nos dias que antecedem as atividades de propaganda nas ruas, em verdade já estamos anunciando que este dia histórico não passará em branco, junto com outras organizações sociais, formando e informando um 1º de Maio cada vez mais classista e cada vez mais combativo. Para mais além, estaremos levando nesse dia, pela primeira vez, nossa bandeira até uma ocupação de um movimento de luta pela moradia em SC. Apesar de toda tentativa, ano após ano, de criminalizar os movimentos sociais, a mídia burguesa através de seus aparatos da reação, é incapaz de impedir a marcha dos de baixo, dos oprimidos e explorados. Esses guerreiros que não se escondem das lutas populares, evidenciam sua organicidade e sua firmeza.

À Federação Anarquista Uruguaia, nos seus 55 anos de luta e organização, toda nossa solidariedade àqueles que estão na peleia no Cerro e La Teja, e outras periferias da capital oriental que nos fazem crescer e olhar à frente um exemplo a ser seguido, superando as dificuldades de estar inserido dentro deste sistema que apenas fabrica injustiças e misérias.

Estamos tristes por não compartilharmos do mesmo ato presencialmente mas, ao mesmo tempo, contentes por sabermos que em memória e na luta de cada compa, somamos em grau nossa solidariedade. É por este sentimento de mística que nos inspira a continuar trabalhando e elaborar nossa disciplina militante, intransigentes, como afirmamos, cujo objetivo final é a construção do socialismo libertário.

Que os ventos que sopram no Prata limpem nosso caminho por aqui. Desde 1886, os Mártires de Chicago mostraram ao mundo capitalista que as sementes da contestação germinaram e se espalharam por todos os continentes. Cerro-La Teja, ao recordar estes fatos, estará enriquecendo a vontade de luta dos que se aproximam agora e fortalece a memória daqueles que se acham derrotados. Que a FAU não retire a bandeira rubro-negra das ruas! De pé e erguidas pelas memórias dos mártires!

Se escucha! Arriba los que luchan!
Viva la FAU!

Santa Catarina, 26 de abril de 2013.

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[Rusga Libertária] Cumprimentamos a todas e todos, companheiras e companheiros da Federação Anarquista Uruguaia

Retirado de: http://rusgalibertaria.wordpress.com/2013/04/29/cumprimentamos-a-todas-e-todos-companheiras-e-companheiros-da-federacao-anarquista-uruguaia/

[fAu] Sobre a Venezuela e ante a morte de Hugo Chávez: Seguir criando Poder Popular!!!

Sua repercussão na América Latina e no mundo.

Uma forte comoção passeou pelo mundo, pois morre um governante e militante de características singulares. Bastante controvertido, polêmico e polemista, de afirmações políticas vigorosas, criativo, incansável no seu dizer e propor, de potente carisma. Trouxe para a cena social política o nome do socialismo quando já poucos ou quase ninguém, a nível de governos em uma estrutura capitalista, fazia menção a tal nome, muito menos depois da queda do chamado socialismo real. Com Marx e Deus na sua boca lançou um socialismo original do século XXI. Ainda se discute qual conteúdo possui tal conceito. Estava então, como segue estando, no trono da infamia, o modelo neoliberal. Seu fazer político o marcou com um selo muito pessoal.  Governante paternalista, personalista, autoritário, foram as definições mais frequentes que usou-se para o seu acionar. Criou mística e esperança na maior parte do seu povo e também, em parte, de outros povos da América Latina. Gritou energicamente forte, com algumas contradições, o seu anti-imperialismo, sobre a grande pátria latino-americana, da independência, sobre o Poder Popular criado fundamentalmente a partir de cima. Teceu desde seu governo, com o suficiente da sua marca, as relações políticas com vários governos ao redor do mundo. Fez uma política de solidariedade com os países latino-americanos e até mesmo para além desta área: venda de petróleo em condições favoráveis, e outros tipos de ajuda, por exemplo, para recuperação de indústrias que levariam os trabalhadores, como no nosso país. Assim como, da mesma forma, propôs e perseverou na construção de novas organizações na América Latina fundamentando de que, com isso resultaria em mais independência, que pudesse trazer melhorias significativas para a qualidade de vida das pessoas.

É um fato que está em vista de sua figura está dimensionada de modo que hoje move multidões em seu país e diferentes expressões e manifestações em nossa América Latina e diversos países do mundo. Só a prova de exemplo, vamos dizer que o Irã declara um dia de luto, Argentina, Equador e Brasil três dias de luto, e moradores da Rússia carregam flores para a porta da Embaixada da Venezuela. Há notas expressando tristeza e dor, desde o Vaticano até a China. Sua morte se torna um evento incomum.

Dor de povo, dor que dói.

Nesse povo numeroso que sai às ruas na Venezuela há expressão dor, sensação de perda de algo querido. Ao mesmo tempo, no interior da dor acentuada, marca que há um caminho à frente a seguir, que ficou uma linha traçada. Assim o vivem, o sentem e o dizem. “Hoje, o nosso dever é continuar ainda mais fundo com o socialismo, com a luta do projeto que o comandante nos deu”, responde um estrevistado a um repórter ao passo. Outros dizem coisas semelhantes e luta e socialismo mencionados novamente e novamente. Qual subjetividade se produziu nesta experiência social aos de baixo? Difícil de responder rapidamente e menos hoje. Se vive na dimensão da emoção, da angústia, do sentimento agredido. Também rebeldia. O que trouxeram estes ventos tão fluidos, tão contraditórios, com esperança, para amplos setores dos de baixo reais? Local onde houve um apoio mais amplo para Hugo Chávez. Que elementos ideológicos se produziram? Como esses elementos se expressarão no amanhã próximo?

É justamente ali, no povo, nos de baixo propriamente dito, onde reside na Venezuela e em todos os lugares, a esperança de início de processos para um amanhã melhor, justo e de solidário.

O anarquismo histórico ombro a ombro com o povo

A FAU é fortemente uma herdeira daquele anarquismo que os imigrantes trouxeram para estas terras. Daqueles semeadores que colocavam tudo para mudar esse sistema brutal, injusto até a demência. Diziam de modo direto nas publicações da época, que nada podia se esperar a partir desta burguesia cruel e exploradora, pois tínhamos que lutar por outra sociedade. O que eles diziam levavam-no à prática. Lá se encontravam metidos até os ombros dentro do seio daquele povo ao que sentiam pertencer. Eles não tinham nenhuma dúvida de que era o seu lugar. A sensibilidade social daqueles militantes libertários que vinham de diferentes partes da Europa lhes perimitiram tomar contato rápido com o sentimento, com todo o imaginário daqueles “nacionais”, que nunca tinham ouvido falar em sindicatos, muito menos em socialismo libertário ou anarquismo. Mas bem tinham como referentes caudilhos políticos e partidos criados descaradamente para manter privilégios. Na vida cotidiana, vivendo com os mesmos problemas de seu povo, sofrendo aquela superexploração, dando, de fato, um exemplo de companheirismo, oferecendo coisas como o desejo de tecer com colegas de trabalho a sensibilidade espremida, foram criando os primeiros sindicatos, explicando que poderia ser alcançado um mundo melhor, que se devia lutar para arrancar dignas condições de existência e da preparação de um amanhã próprio. Depois, nos sindicatos se ensinava a leitura e a escrita, havia palestras sobre vários temas, se formavam temas dramáticos, se levantavam panelas solidárias durante as greves. Ao fazê-lo, em seguida, nesse amassar dos sonhos, foi-se construindo um outro sujeito. Não veio só nem dos livros, veio da ação cotidiana, das práticas que se foram realizando, da participação que estavam levando os trabalhadores que não conheciam a palavra “sindicato”. É claro que aquela militância estava inserida profundamente e propunha uma orientação nas tarefas sociais cotidianas. Propostas que calçavam com aqueles desejos. Mas bem se sabe que desejo não se engravida. Aquele trabalho diário estava, na verdade, organizando representações, idéias, comportamentos, produzindo ao mesmo tempo determinadas mudanças no imaginário dos de baixo. Este foi o caso aqui e, pelo menos, na maioria dos países da América Latina.

Hoje, o imaginário dos de baixo é mais rico, contém muitas experiências-primas e cruas, e a sua subjetividade é ao mesmo tempo mais complexa. Contém elementos de rebeldia e compreensão geral da injustiça que o rodeia. E assim, por vezes, ganha as ruas. Além disso, sempre resulta mais proveitoso que se esteja participando dos eventos sociais do que esteja em um estado de resignação e alheio ao seu entorno. Como estará o imaginário dos de baixo na Venezuela, quando muito se falou do Poder Popular, quando muito se falou sobre o imperialismo, quando certas formas de participação social têm sido eficazes? O que sabemos é que o quietismo e a resignação não produzem nenhum grau de resistência, a possibilidade está na ação política social real, por mais contraditória e confuso que seja.

Imperialismo e poder popular

São conceitos, tanto do imperialismo como o do poder popular, que estiveram com freqüencia nas palestras de Hugo Chávez. Seguem ainda presentes no discurso neste momento nos lábios de estadistas e militantes populares. O conteúdo e sua implementação são já farinha de outra história.

Podemos dizer que são muitas as pessoas que queriam passar o horizonte linguístico do termo imperialismo. Sugerem, às vezes o dizem, que é algo que pertence ao passado do capitalismo. Sugere-se que, nesta era pós-moderna as relações sociais mudaram com o grau de tais problemas que já se dissolveram. Se hoje há algo que fica claro é que a existência de relações de dependência, tudo o que constitui uma política imperial, é um componente constitutivo do sistema capitalista.

Quem deu por morto ao imperialismo não serve para coveiro. O imperialismo vive e oprime como nunca. Enquanto isso, os Estados dos países mais industrializados têm aumentado seus papéis em vários campos. Não é há contradição nisso de que muitos desses países se encontram no que designam como crise e que estão jogando para o desemprego milhões de trabalhadores.

É verdade, hoje, há outra forma de capitalismo de Estado, não deixou de se ocupar de algumas funções anteriores e se ocupou de outras que considera estratégicas para esta etapa. Uma etapa onde o feroz capital financeiro viaja o mundo deixando o rastro de miséria.

Capital financeiro internacional que diariamente se cruza com a esfera política e ideológica. Os banqueiros não têm dificuldade em pagar os bilhões de dólares que eles mesmos roubaram. As estruturas: econômicas, jurídico-políticas e ideológico-culturais revestem hoje uma articulação muito específica. Para isso deve-se acrescentar o uso muito importante da tecnologia da informação para o benefício dos poderosos. Tudo isto interessa aos efeitos de recolocar os temas do presente, os processos em curso, o estado atual da estrutura imperialista.

Não há dúvida de que devemos continuar falando sobre imperialismo. Mas não perdemos a perspectiva, programas táticos a parte, de que consequente anti-imperialismo deva ser anticapitalista.

O bloco imperial, apesar da sua situação interna, continuou operando a todo momento. Nem na América Latina ou em outras partes do mundo. Seguem tentando hoje subordinar seus projetos em todo o Sul. Há ataques e campanhas que vão desde sutis a grotescas, sobre cada país que tenta algum grau mínimo de independência política. Em termos de nossa América a penetração imperial está em várias pontas. No econômico, eles conhecidos por tratados, tal a Alca na etapa anterior e, em seguida, para a resistência oferecida, são populares como substitutos, o TLC e TIFA. Militarmente são as várias políticas do Comando Sul. Ideologicamente, instrumento de primeira ordem para estruturar toda a política, há produção de “teorias” gerais e parciais para justificar todas as suas ações. O pensamento único está composto por uma grande variedade de discursos que abrangem vários domínios.

Ao contrário do que a mídia diz, os EUA introduziram e continuam colocando bases na América Latina, com a Amazônia e o Brasil cercados, financiam a repressão e o tráfico de drogas no Plano Colômbia e, mais recentemente, em sua penetração no México; sempre latentes estão os “clássicos” golpes da CIA e suas políticas desestabilizadoras. Somemos as guerras, intervenções militares, massacres.

Descontamos a intervenção tradicional do FMI, Banco Mundial, a ex-Organização Mundial do Comércio e o BID. Os projetos globais e todos esses mecanismos de prisão e predação.

Sabemos que é impossível separar a estrutura imperialista e os interesses das transnacionais das suas matrizes. Assim estamos em um momento histórico onde as 500 maiores empresas do mundo controlam 80% da circulação da riqueza, bens e serviços. E dentro dos serviços nós colocamos a informática que é bem conhecido, na forma como é utilizada, o serviço singular e implacável que proporciona a toda a política de dominação, com a constante criação de novos mecanismos e símbolos.

A propósito da Venezuela, algo sobre a América Latina hoje

Antes da implantação desta nova fase do capitalismo e das suas brutais e sistemáticas práticas imperiais relacionadas com isso, não se pode dizer que os povos têm estado tranquilos. Apenas mencionaremos de passagem e, genericamente, a chamada “Primavera Árabe”, as revoltas populares, como na Grécia, Portugal, Espanha e mesmo até nos EUA.

Mas queremos enfatizar nossa área. Resumidamente lembraremos da resistência na nossa América Latina na última década, onde, sob diferentes condições sociais e econômicas, em curto espaço de tempo, o povo do Equador, Peru, Bolívia, Argentina, México e Venezuela, protagonizaram confrontos violentos, muitas vezes desesperados , quebrando o circuito da miséria e da injustiça brutal que os aprisionava em um nível elevado. Filha da situação da política neoliberal feroz neste último período. O Caracazo foi quase um precursor destas revoltas populares.

Com diferentes graus de intensidade, o questionamento de tal situação foi se tornando em escolha urgente de luta. Uma luta não orientada geralmente, por aparelhos políticos tradicionais da esquerda, mas do tipo da ação direta popular. Governos caíram, outros tiveram que repensar a sua continuidade de projeto para apaziguar a raiva e tentar não mudar nada de substância. Assim, apesar da cumplicidade de governos na América Latina com a continuidade dos projetos imperiais, continuidade que assumiu várias formas e graus, o cenário político do continente ficou um pouco revolto. No entanto, pode-se observar que após a substituição “progressista”, realizada em vários países, em muitos deles, não houve alterações relevantes nos fundamentos da política interna ou da estrutura de dependência. É claro que não queremos dizer com isso que todas as coisas seguem iguais, seria de pouco rigor. Há um certo número de elementos que compõem uma conjuntura política distinta. Há registros de que existem tentativas de criar estruturas e instituições na América Latina que limitem essa dependência assim como há reformismo forte em países como Bolívia, Venezuela e Equador. Enquanto que, um conjunto de fatores internacionais trouxeram alguns efeitos positivos para a economia da maioria dos nossos países. Definitivamente são questões que merecem um tratamento mais profundo que hoje o deixamos por aqui.

Poder Popular

Nestes anos, especialmente aqueles de baixo da alça da Venezuela, estavam-se desenvolvendo uma série de atividades populares. Isso foi tomando formas organizacionais: coletivos, conselhos comunais, comunas, etc. Isto, como um todo, foi chamado de Poder Popular. A burocracia partidária foi crescendo em interferência e cada vez mais substituindo os autênticos representantes destas formações populares. Havia, e ainda continuam havendo protestos de coletivos e comunas que reivindicam autonomia e que ganhos obtidos tenham efeito. Nós temos a recente situação dramática das reivindicações indígenas para as suas terras e que resultaram no assassinato vil do militante Sabino Romero feito por contratados.

Aliás, sabemos que o movimento bolivariano não é algo homogêneo, e sua composição é fluida. Diferentes abordagens políticas e ideológicas não são escassas. Em um momento de descontentamento dos de baixo, aqueles que trabalham em organizações sociais em comunidades, que rejeitavam o controle crescente da burocracia partidária, e que em um evento popular, Hugo Chávez fazia a leitura de uma carta de Kropotkin a Lênin. Sua maior área de apoio estava sendo afectada pelo comportamento burocrático. Nesta oportunidade apela para enfatizar uma prática de Poder Popular diferente. Vejamos.

Hugo Chávez diz: “Parece-me vital tomar isso como uma referência ao que aconteceu na União Soviética que só começava a Revolução Russa.” Começa a ler a carta:

“Sem a participação das forças locais, sem uma organização a partir dos de baixo dos trabalhadores e camponeses, se é impossível construir uma nova vida por eles mesmos.

Parecia que os soviets serviriam justamente para cumprir a função de criar uma organização desde baixo. Mas a Rússia tornou-se uma República Soviética, só de nome (comenta: 1920, isso começou mal, não?) A influência dirigente do “partido” sobre as pessoas (acrescenta: “partido entre aspas, partido falso”), que consiste de recém-chegados, porque os ideólogos comunistas, estão, principalmente, nas grandes cidades, já destruiram a influência e energia construtiva que os soviets tinham, no momento atual, são os comitês do partido e não os soviets que carregam a direção na Rússia e sua organização sofre os efeitos de toda organização burocrática. Para sair desta confusão a Rússia deve retomar todo o gênio criativo das forças locais, em cada comunidade, o que a meu ver, podem ser um fator na construção da nova vida, e quanto mais cedo a necessidade de retomar o caminho, quanto melhor será. As pessoas então estarão prontas e dispostas a aceitar novas formas sociais de vida, se a situação atual continuar, mesmo a palavra ‘socialismo’ será transformada em uma maldição.” “Temos que olhar para isso”, diz ele em tom de forte crítica da sua militância.

O empoderamento do povo, o Poder Popular é sem dúvida, com uma consequente prática um fator político de primeira ordem. Para encarar adequadamente política e teoricamente esse conceito, que rapidamente definimos como a capacidade de uma força político-social de realizar seu projeto, há questões de caráter estratégico e teórico que devemos considerar. Hoje faremos de forma breve e para uma situação específica que se está chamando.

Diferentes abordagens e orientações podem surgir a partir de tal conceito de Poder Popular. Por exemplo, existe toda uma conceituação em torno do conceito de vanguarda que pode fazer com que práticas opostas ao que se tenta, ponham-se em ação. O conceito de vanguarda que foi todo um paradigma para quase um século. Na verdade, este conceito nos indica o critério de que deve haver uma única direção: do partido para a classe e toda à população. Hoje seria de, pelo menos em alguns lugares, do partido para o movimento popular. Contém a crença de que a população, o sujeito histórico estabelecido, já seja classe, ou movimento popular, deve permanecer subordinado ao Partido. De que a “massa” operária ou popular, em geral,  sozinha é incapaz de criar instâncias de deliberação. Além disso, também a crença de que no seio da sociedade capitalista não pode ser gerada a partir de baixo, condições básicas para a sua dissolução. Muito não importa, então, com essa concepção, o grau de desenvolvimento da auto-organização, de auto-gestão, de instâncias contínuas de participação popular. Não se trata, no fundo, de criar um povo forte, senão um partido forte. Reducionismo político total, filho, por outro lado de toda uma concepção geral reducionista.

Uma ideología para o Poder Popular

Se trata de apostar a um processo que produza uma ideologia de ruptura. Ela articulada com a prática política nesse sentido.

E a ideologia não vem de fora, ocorre no coração das práticas, idéias e comportamentos que o povo vai realizando através dos seus vários enfrentamentos. A produção de uma nova tecnologia sócio-política e “discursos de saber” correspondentes à libertação não podem ocorrer sem deslocar aos que fazem a dominação. É tarefa política de desconstrução. São discursos que devem entrar em confronto e que devem regar todos os casos em que o povo protagonize lutas de resistência.

Uma estratégia de Poder Popular não é uma enteléquia, ou algo que vem com o feitiço certo. Não é um ato isolado. Requer a modificação de práticas, de ruptura, de descontinuidade, em áreas como o econômico, o ideológico, o político-jurídico, o cultura geral. É estar batendo e quebrando esta vasta rede de dominação. Todas essas idéias se concretizam em um processo com participação ativa popular. Um povo, que compondríamos como um amplo espectro dos oprimidos e explorados, nesta fase, designamos como conjunto histórico de Classes Oprimidas. Um povo que sofre, dentro das mudanças estruturais, uma fragmentação de importância que deve ser superada. Onde novas estruturas de dominação têm sido desenvolvidas e surgidas em outros lugares do que àquelas tradicionais. Necessário, indispensável, construir laços de solidariedade que vinculem, que façam com que a unidade das suas lutas constituam uma base de primeira ordem para que conformem uma força social capaz de dar confrontamentos efetivos e dar passos em qualidade. Nós não estamos falando de gradualismo, nem linearidade ou de tomar os inimigos um por um. Estamos falando de oporem-se sistematicamente, estrategicamente, um universo que inclui a nova realidade histórica, as mudanças que foram surgindo em processos complexos. A nova militância que esta situação impõe.

Nossa América Latina teve na última década, por exemplo, várias experiências de luta. Ela enriqueceu seu quintal ideológico.

Em certos momentos históricos se produzem com peso um conjunto integrado de idéias, representações, noções no interior do imaginário dos diferentes sujeitos sociais. É este conjunto articulado de caráter imaginário, e que toma a forma de “certezas” que é defendido pelos mesmos sujeitos sociais. Isto é o que pode transformar estes sujeitos em protagonistas de sua própria história ou em sujeitos passivos e/ou disciplinados pelas forças dominantes ou por estratégias equivocadas que o pedem quietude, silêncio, “disciplina”.

Assim, a ideologia tem a ver diretamente com a constituição histórica dos sujeitos sociais, e com a forma como estes se expressam na sociedade. É algo muito diferente da noção de que a ideologia é a falsificação da realidade, precisamente porque ela é um dos componentes fundamentais de qualquer realidade social.

A ideologia tem na sua constituição elementos de natureza não-científica e que contribuem para aumentar a ação, motivando-a com base a circunstâncias que não derivam estritamente delas. A ideologia está condicionada pelas condições históricas, mas não determinados por elas mecanicamente.

Nesta relação entre a ideologia ea produção de sujeitos históricos, relação que se não existisse, não haveria nem ideologia nem sujeito, é que vai moldando-se os momentos de vigência ideológicas. Bem como, os sujeitos/agentes históricos se expandem e levam a hegemonia dos corpos sociais, a partir da vigência das ideologias.

Estes momentos podem ser expandidos chegando a se totalizarem, em outros momentos as ideologias se sobrepõem na mesma sociedade ou ficam vivendo em áreas isoladas. Frente ao fruto da fragmentação neoliberal, quebrar o isolamento de representações ideológicas com potencial emancipador é tarefa permanente de uma organização política com intenções de mudança.

Assim podemos concluir a importância da luta ideológica, presentes principalmente em tempos históricos atuais no nosso continente. Onde a operação da ideologia neoliberal, com todos os meios operacionais informáticos funcionando; o que dá a curva à direita das esquerdas institucionais que vão cada vez mais inserindo-se no sistema.

Em suma, uma concepção e uma prática do Poder Popular tem a sua produção específica, tem o seu próprio universo. Ele tem a sua própria produção. Para jogar como uma força transformadora, condicionante de conjunturas, produzindo progressos desestruturantes há uma condição necessária: deve sempre manter sua independência. “A independência de classe” se dizia em outros momentos do desenvolvimento histórico, hoje diríamos, ajustando ao novo contexto: a independência das classes oprimidas, isto é, de todos os movimentos populares.

Mas queremos salientar que, apontando esta categoria, em especial tendo em conta as características particulares de cada formação social, sua história, suas transformações, sem negligenciar o que tem de comum com outros países, principalmente na área e, obviamente, as condicionantes que globais estruturas de poder estabelecem.

É bem sabido, as malhas de podera dominante esmagam, manipulam, moldam. Inserem em seu seio, partidos, ideologias, movimentos, histórias, os amassam e depois os devolvem como bons seguidores do antigo e reprodutores do atual. O mecanismo se repete uma e outra vez. E muitas são reiteradas como forças incomensuráveis girando nessa roda louca. Nestes dispositivos é que temos que atirar com propostas e ações de conteúdos diferentes. Com uma coerência que permita pisar firme.

Está a mais notar que a circulação infinita das mesmas dinâmicas e lógicas não podem criar algo novo, apenas recriar o existente, com menor ou maior fantasia.

Para permitir que outras relações sociais, os fatos parecem indicar a necessidade de usar outros materiais para a nova construção. Uma outra abordagem, outra perspectiva, outra lógica, outras práticas, outros mecanismos. Outro ponto de partida. Nada original, é a nova civilização que elaboraram os socialistas antigos. Esse processo deve descansar e implantar-se em uma feroz independência das classes oprimidas. De um povo construindo seu destino no ritmo que permitem as condições históricas. As armadilhas, as relações, as próprias alianças tácitas e explícitas devem ser feitas a partir dessa perspectiva de independência. Uma vez que não pode ser isolado, como deve se estar no meio do povo e nos eventos sociais complexos e variáveis, esse fator adquire uma importância de caráter estratégico de primeira ordem.

Diante de todas essas mudanças e perdas sociais, contra a cultura que proclama o fim das ideologias e da história, declarando o capitalismo e suas instituições como a única realidade possível, é que atualmente a luta ideológica ganha dimensões estratégicas para a produção de um novo sujeito histórico, capaz de enfrentar tais concepções dominantes com base na ação direta. A partir da ideologia, do poder das ideias, é que se pode mobilizar os corações e razões, coletivamente, articulando-os em uma expressão de resistência e progresso na medida que convoca diferentes sujeitos sociais e os transforma em agentes capazes de reescrever a história e conceber um mundo novo. Tudo isso articulado na expressão política subsequente.

Inseridos em nosso povo, vivendo seus problemas cotidianos, com esperança e ferramentas eficazes iremos construindo crescentes espaços de socialismo e liberdade.

Arriba los que luchan, sempre.

6 de marzo de 2013

Fonte do texto traduzido: http://www.cabn.libertar.org/?p=879

Texto original  da FAU: http://federacionanarquistauruguaya.com.uy/2013/03/07/sobre-venezuela-y-ante-la-muerte-de-hugo-chavez-seguir-creando-un-pueblo-fuerte/

55-años-comienzo FAU

[CAB] Um pouco de nossa concepção de anarquismo: desmistificando estereótipos e esclarecendo equívocos

Em Julho do presente ano foi realizado o 1º Congresso da Coordenação Anarquista Brasileira (ConCAB), no marco de 10 anos de construção de um Anarquismo organizado especificamente e inserido nas lutas de nosso povo. O Fórum do Anarquismo Organizado (FAO), instância que ao longo dessa década reuniu diversas Organizações Anarquistas Especifistas de todo o Brasil para discutir temas que permitissem o necessário acúmulo e os indispensáveis acordos para que pudéssemos avançar na tarefa de construção de uma Organização Anarquista a nível Nacional, cumpriu sua função inicial e, desde o 1º CONCAB, deixou de ser um Fórum para se tornar uma Coordenação. Uma nova etapa foi, portanto, aberta para a militância especifista brasileira: constituir um espaço de coordenação em que participam 9 Organizações Anarquistas de diferentes Estados, de base Federalista e que vá construindo – a partir de práticas concretas e na medida em que vai ampliando sua base de acordos – unidade estratégica e maior organicidade para intensificar a inserção social no seio de nosso povo. Nesse sentido, são mais de 10 anos de resgate do Anarquismo enquanto corrente libertária do Socialismo, organizada politicamente e inserida socialmente. É o resgate da já antiga mas atualíssima máxima que diz que a “emancipação dos trabalhadores será obra dos próprios trabalhadores”, porém aliada também a histórica prática da organização do anarquismo enquanto partido, como foi a Aliança da Democracia Socialista de parte da Ala Federalista e Anti-autoritária da 1ª Internacional (Bakunin, Guillaume, Malatesta, Cafiero e outros) e também da nossa irmã Federação Anarquista Uruguaia, que se manteve atuante no período da ditadura militar uruguaia, mantendo inserção social operária, estudantil e organizando um aparato armado que combateu o regime sanguinário que manchou de sangue nossa América Latina.

No entanto, nossa rica história que se confunde com a história da classe trabalhadora é muitas vezes atacada ou desmerecida: muitas vezes trata-se do simples desconhecimento ou a reprodução de discursos simplificadores e reducionistas, porém, muitas vezes se trata da má fé, do preconceito e da necessidade de construção política na base da calúnia, auto-promoção e mentiras. Recentemente, o último texto que tivemos contato e que faz referência aos “anarquistas” nestes moldes é uma nota lançada pelo PSTU de Curitiba, intitulada “Nossas diferenças com a corrente Luta Socialista (LS)/Outros Outubros Virão”, na qual é analisado a postura desse grupo citado no título da nota nas eleições ao DCE da UFPR e junto a eles o Coletivo Quebrando Muros (que possui militância anarquista do Coletivo Anarquista Luta de Classes – CALC, organização integrante da CAB). Independente do que motiva este e outros discursos, julgamos conveniente vir a público para dar nossa posição sobre o estereótipo do “anarquista” mais uma vez reproduzido à custa da verdade. Assim, nos posicionamos nacionalmente não para entrarmos na briga de quem é mais revolucionário ou possui a verdadeira interpretação do período em que vivemos, mas sim porque julgamos necessário esclarecer o que consideramos equívocos, desconhecimentos e incoerências.Nossa implicação enquanto CAB se dá por um conjunto de motivos que normalmente são veiculados em materiais como o que nos referimos acima: generalização e estereotipação do anarquismo; acusação de que somos uma seita esquerdista e que não teríamos nenhuma responsabilidade; de que somos anti-partidários; de que seriamos sectários e intransigentes, possuidores, portanto, da difamação e do ataque como única forma de construção militante possível; que fazemos alianças somente com quem pensa da mesma forma que nós; que possuimos em nossa história apenas o anarco-sindicalismo como expressão política e organizativa e, ainda mais, que atacamos toda e qualquer entidade sindical, estudantil e popular como sendo burocrática e desnecessária à luta. Também assinalam normalmente que hoje nós, “seita anarquista”, estaríamos limitados em geral a seitas estudantis mais ou menos marginais e sem inserção real na classe trabalhadora. Daremos nossa posição sobre tudo que até agora reproduzimos.Primeiramente, nós Coordenação Anarquista Brasileira fazemos parte de uma tradição político-organizativa chamada de Especifismo. Especifismo porque fazemos a defesa enquanto Anarquistas da necessidade de nos organizarmos politicamente enquanto tais. Essa necessidade se expressa por meio de uma Organização Política Anarquista, Federalista e de Quadros, com critérios de ingresso, formação militante, dotada de um Programa Mínimo, Estratégia de Curto e Longo Prazo e Objetivo Finalista. Não somos, portanto, uma seita. Somos sim, no interior da história do Socialismo, um Partido, tal como dizia o italiano Errico Malatesta:

“Nós, os socialistas-anarquistas, existimos como partido separado, como programa substancialmente constante, desde 1867, quando Bakunin fundou a Aliança; e fomos nós os fundadores e a alma do rumo antiautoritário da ‘Associação Internacional dos Trabalhadores.”

O Especifismo tem sua expressão “inicial” na América Latina com a FAU (Federação Anarquista Uruguaia), fundada em 1956 e que reuniu em sua formação velhos militantes anarco-sindicalistas que se organizavam na FORU (Federación Obrera Regional Uruguaia); velhos combatentes da Revolução Espanhola; jovens militantes sindicais e estudantis do país e alguns remanescentes que conviveram com o grupo de anarquistas expropriadores que realizaram diversas ações na região do Rio da Prata. A FAU era defensora da organização especifica do Anarquismo, por meio de uma Estrutura Organizacional que vinculasse organicamente seus militantes sob uma Declaração de Princípios e Elementos de Estratégia e que pudesse desenvolver em seu interior tarefas correspondentes a análises de conjuntura, capacitação político-militar (projetando ai o desenvolvimento de um aparato armado que se concretizou e foi chamado de OPR-33 – Organización Popular Revolucionária 33 Orientales) e é claro, inserção social no movimento de massas. A FAU ao longo de sua existência (se mantém atuante ainda hoje) cumpriu importante papel na construção da CNT (Convención Nacional de Trabajadores), participando através de sindicatos de base ou da própria direção da entidade; na construção da ROE (Resistência Obreiro Estudiantil), agrupação de Tendência que reuniu boa parte da militância de base classista e combativa (anarquistas, marxistas, leninistas, etc.) que se opunham a direção do PCU que era majoritário no movimento popular; e desenvolveu, num primeiro momento junto ao MLN-T (através da Coordinadora) e depois por um trabalho próprio, ações de expropriação de bancos, seqüestros de patrões e figuras ligadas à ditadura e apoios às mobilizações populares. Nós da CAB compartilhamos dessa tradição porque foi através dela que no início dos anos 90, quando do debate de reorganização do anarquismo, se iniciou a construção de Organizações Específicas Anarquistas que até hoje trabalham para seu crescimento e maior inserção. Portanto, não somos Anarco-Sindicalistas ou Anarco-Estudantis, porque não fazemos a defesa de sindicatos ou entidades estudantis anarquistas, mas sim da necessidade de nos organizarmos politicamente para intervirmos no Movimento Sindical e Estudantil.

Dessa forma, não somos contrários à existência de entidades “representativas”, sejam elas locais, estaduais ou nacionais, assim como não somos, por princípios, contrários à disputa das direções. No entanto, não temos como calculo político apenas a suposta exigibilidade da luta de classes da disputa das direções dos Movimentos para que eles sejam de fato revolucionárias, porque não apostamos nossas fichas de que a direção (o sentido) de um determinado movimento social seja resultado direto do grupo político que o dirige. Não negamos a influência que este grupo possa exercer, mas não fazemos dela a condição para o sucesso das lutas. Se somos partidários de uma proposta combativa, achamos sim necessário uma Organização Política preparada para intervir e dar conta de certas tarefas que os Movimentos Populares não poderiam dar conta, não achamos, porém, que esta Organização seja uma Vanguarda ou Direção Revolucionária porque mais capacitada para sintetizar os desejos da classe num socialismo pretensamente “científico”. Por isso, em nossa percepção, a disputa de entidades está condicionada a capacidade que possuímos de intervenção e de fomento da organização das Classes Oprimidas, papel que estas entidades devem cumprir, assim como a própria análise do cenário vivido em cada Frente Social. Caso contrário, a ocupação de uma entidade torna-se apenas um rito burocrático que não dá protagonismo a nossa classe e tampouco acumula força social para um projeto radical.Dessa forma, não somos espontaneístas, achando que a organização popular virá por ela mesma. Ao contrário do que alguns dizem, seguimos contribuindo com o fortalecimento dessa organização, com esforços modestos mas firmes, no movimento popular, sindical, estudantil e rural em diversos estados deste país. Apostamos na necessidade de uma Organização Política trabalhar consciente e intencionalmente no desenvolvimento da participação e organização popular, seja ela sindical, estudantil, comunitária etc., mas sempre considerando que o decisivo para as lutas, para o acúmulo necessário a um sentido revolucionário que realmente coloque em xeque o sistema de dominação capitalista —  e o Estado enquanto peça fundamental desse sistema de dominação  —  é a Força Social expressa na Organização das Classes Oprimidas através de seus próprios instrumentos de organização, de defesa e de ataque dos nossos inimigos de classe. Nossa concepção, historicamente tem se confrontado com a ideologia do Socialismo Estatista, justamente por acreditar que a destruição do Estado depende do avanço da organização das classes oprimidas e da forja de um sujeito revolucionário que aponte nesse sentido.

“Os velhos socialistas falavam de construir uma nova civilização. Durruti disse que levamos um mundo novo em nossos corações. Fazem alusão a valores, a uma nova forma de vida, de novas relações sociais. Se algo ensina a história é que isto não se produz de cima, requer construir um novo sujeito social. E para esta construção é fundamental a participação ativa, transformadora desse sujeito. Se não tem tomado contato com novas, ainda que sejam incipientes relações sociais, esse sujeito social não pode ter outros referentes que os conhecidos e os que tende a reproduzir. É construindo força social e tomando ativa participação nela que se podem formar embriões da nova civilização ou do “homem novo”, de outro sujeito. Digamos que este é o tema de como se transforma a consciência, para usar a linguagem clássica. Pelo que tem se visto a economia por si não transforma a consciência. O que o sujeito vive e como vive cotidianamente, historicamente, no marco de determinados dispositivos, seria o elemento principal de mudança de sua consciência.”“Outro sujeito histórico não virá do nada, não aparecerá como arte de magia, deve ser o fruto de práticas que internalizem outras questões que chocam com o dominante. A participação efetiva, a autogestão, a ação direta, a forma federal de funcionamento realmente democrático, a solidariedade e apoio mútuo, necessitam de mecanismos, organizações, práticas regulares para seu desenvolvimento.”(Documento Teórico Wellington Gallarza e Malvina Tavares – acordo teórico FAU-FAG)

Esse é o nosso objetivo finalista: a construção de uma nova sociedade a partir de um processo revolucionário que destrua o sistema de dominação ao passo que constrói os mecanismos de gestão e de condução política e econômica dessa nova sociedade. Resulta disso nossa defesa do Poder Popular, enquanto um período de transição em meio a um processo revolucionário que consolide novas relações, instituições e mecanismos do próprio povo. Para isso precisamos, hoje, de um Programa Mínimo que faça a mediação entre a realidade vivida tal qual ela é e o nosso Objetivo Finalista. Nas palavras do também italiano Camilo Berneri

“A política é cálculo e criação de forças que realizam a aproximação da realidade ao sistema ideal mediante fórmulas de agitação, de polarização e de sistematização que sejam agitadoras, atraentes e lógicas num dado momento social e político. Um anarquismo atualizado, consciente das suas próprias forças de combatividade e de construção, e das forças adversas, romântico no coração e realista no cérebro, pleno de entusiasmo e capaz de contemporizar, generoso e hábil em condicionar o seu apoio, capaz, em suma, de economizar as suas forças[…]”.

Isso é o Anarquismo para nós da CAB e, por isso escrevemos esse texto de esclarecimento, debate franco e posicionamento político.Temos consciência, enquanto minoria ativa, das inúmeras deficiências e obstáculo que precisamos enfrentar e que enfrentaremos. No entanto, também temos consciência de nossa sinceridade, modéstia e firmeza naquilo que nos propomos. Ao longo desses mais de 10 anos de idas e vindas e de passos dados para amadurecer nosso projeto, temos participado em maior ou menor grau de diversas lutas, construções, embates na América Latina e no Mundo e, independente das divergências com outras tradições do Socialismo exigimos respeito. Estamos juntos e lado a lado na luta pelo Socialismo e pela Liberdade e daí não nos retiraremos.

Saudações Anarquistas e Revolucionárias!

Coordenação Anarquista Brasileira (CAB)

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[CAB] Elementos Para uma Reconstituição Histórica de Nossa Corrente

Retirado de: http://www.anarkismo.net/article/23068

Organização Anarquista Socialismo Libertário (OASL) / Federação Anarquista do Rio de Janeiro (FARJ)

Breve histórico do anarquismo de matriz especifista no Brasil.

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Os dez anos de Fórum do Anarquismo Organizado (FAO) estão sendo comemorados com a fundação da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB), reunindo em torno do anarquismo especifista nove organizações estaduais e mais outras, que vêm se aproximando e aprofundando progressivamente os laços orgânicos conosco.

Nesse texto, trazemos uma primeira contribuição, com alguns elementos para uma reconstituição histórica de nossa corrente, ou seja, o anarquismo de matriz especifista, no Brasil.

Esperamos que outras contribuições possam ajudar a incrementar ou, eventualmente, corrigir as informações que aqui se apresentam.

REARTICULAÇÃO E CONTATO COM A FAU

A abertura política do fim da ditadura militar permitiu que voltassem à cena alguns anarquistas e que novos interessados se aproximassem.

Essa rearticulação se deu, fundamentalmente, em torno de periódicos, publicações, espaços públicos e debates, todos pautados em uma noção organizativa de síntese, com o objetivo de agrupar todos aqueles que se identificassem com a proposta anarquista – posição que preponderou no Brasil, pelo menos até os anos 1990. Era o momento, segundo acreditava a militância daquela época, de retomar os contatos, rearticular pessoas, reconstruir o anarquismo.

Podemos citar algumas iniciativas marcantes do anarquismo dos anos 1980. A mais antiga, do jornal Inimigo do Rei, da Bahia (1977-1988), serviu para trazer, ainda nos fins dos anos 1970, a discussão pública do anarquismo. Outra dessas experiências foi o Círculo de Estudos Libertários (CEL), do Rio de Janeiro, que contou com a participação decisiva de Ideal Peres que, nos anos 1980, integrou a Associação dos Moradores e Amigos do Leme para desenvolver trabalhos comunitários com o Morro Chapéu Mangueira e que estimulou a criação de outros grupos como o Grupo Anarquista José Oiticica e a revista Utopia (1988-1992). Destaca-se também a Editora Novos Tempos, de Brasília, com as publicações realizadas no período e as palestras promovidas por ela em todo o Brasil com o francês Jean Bancal sobre as idéias de Proudhon. Outra iniciativa relevante foi a reabertura do Centro de Cultura Social de São Paulo (CCS-SP), em 1985, contando com a participação de militantes como Antônio Martinez, que possuía um passado de envolvimento com a luta sindical, e Jaime Cubero, que se envolveu na reativação da Confederação Operária Brasileira (COB), outra iniciativa relevante desse período. Sobre a COB, Cubero afirmou: “mesmo durante o período de ditadura chegávamos a encontrarmo-nos cerca de 90 pessoas […] na clandestinidade, mas conseguíamos resistir”; ainda assim, a iniciativa não teve muito sucesso. Foi neste período, também, que os anarquistas voltaram a comemorar os Primeiro de Maio. Enfim, tratou-se de um período de reaparecimento público do anarquismo no país e de uma tentativa de “juntar os cacos” e começar a articular alguma coisa.

A militância que organizaria o especifismo, na segunda metade dos anos 1990, teve contato com algumas dessas experiências; umas delas geraram mais admiração e, outras, mais críticas. Por um lado, o contato com experiências organizativas e concepções distintas motivava a criação de uma nova proposta de anarquismo. Por outro, as relações com militantes mais antigos proporcionava, para alguns, um ganho de experiência que seria fundamental posteriormente. Destaca-se também, ainda no início dos anos 1990, uma experiência local relevante, do Grupo Mutirão, do Rio de Janeiro, que publicou um periódico de mesmo nome, e já vinha apontando para a necessidade de um anarquismo organizado e com inserção social. Com a participação de seus militantes em alguns movimentos populares, em especial na luta pela terra, o Mutirão afirma em 1991:

“Nós anarquistas voltamos a afirmar: o socialismo se constrói pela ação popular direta, pela livre organização comunitária que prepara e educa a população a se tornar capaz de cuidar de si livremente, sem hierarquias e nem centralização de poder em nenhuma capital, mas em comunidades livres e federadas. […] Nossa briga é pela tomada das terras, máquinas e serviços para as mãos do povo. A partir daí, os trabalhadores que construam o socialismo segundo a mais simples das teorias: a solidariedade.”

Tratava-se, para esses militantes de articular esse trabalho comunitário com as iniciativas sindicais e dar um caráter social, de luta com os movimentos populares ao anarquismo. Não estava muito claro, entretanto, como isso deveria ser realizado.

Em 1994, foram feitos os primeiros contatos com a Federação Anarquista Uruguaia (FAU), no fim do ano, com a viagem de um companheiro ao país. Tais relações se aprofundaram durante o ano de 1995 com o Rio Grande do Sul, culminado na fundação da Federação Anarquista Gaúcha (FAG), em novembro daquele mesmo ano. Essas relações com a FAU, que se estabelecem de maneira bastante fraterna, se estreitaram ao longo do tempo. Entre os brasileiros, o modelo da FAU chamava muito a atenção por defender e praticar um anarquismo militante, combativo e organizado, que se refletia em sua própria história de luta. Desde os anos 1950, a FAU vinha tendo participação cotidiana nas lutas populares uruguaias, no seio de movimentos de massa de relevância e desenvolvendo posições interessantes acerca da organização específica anarquista. Essa luta, suprimida durante o recrudescimento da ditadura uruguaia, responsável pela morte de vários militantes da organização, havia incluído, inclusive, uma participação na luta armada contra a ditadura.

O modelo especifista adotado pela FAU defendia uma concepção determinada de organização política revolucionária, a organização específica anarquista, que chamou a atenção dos militantes brasileiros e foi parecendo cada vez mais adequado para essa retomada pretendida dos laços sociais entre o anarquismo e os movimentos populares. Ao tratar dessa concepção de organização anarquista, a FAU afirma

“ser uma expressão política dos interesses das classes dominadas, exploradas e oprimidas; e, colocando-se a serviço delas, aspira ser um motor das lutas sociais. Um motor que nem as substitui e nem as representa. Mas que pretende dinamizá-las e organizá-las, contribuir para a superação do aspecto meramente espontâneo, transcender os vaivens da conjuntura e assegurar a continuidade das rebeldias, das lutas cotidianas, das expectativas, aspirações, etc. Para nós, a organização política é também o âmbito em que se vai acumulando a experiência de luta popular, tanto em nível nacional como internacional. Uma instância que impede que se dilua o saber que os explorados e os oprimidos vão adquirindo com o tempo. […] É a partir do trabalho militante organizado, e somente a partir dele, que se pode promover coerentemente e com força redobrada a criação, o fortalecimento e a consolidação das organizações populares de base, que constituem os núcleos do poder popular revolucionário.”

Tratava-se de um modelo inspirador, que poderia canalizar as energias latentes entre alguns brasileiros, em torno da necessidade de uma atuação sindical e comunitária, por meio de uma experiência concreta desconhecida à grande maioria dos brasileiros. Ao mesmo tempo organizar-se no nível social, dos movimentos populares, e no nível político, da organização anarquista.

CONSTRUÇÃO ANARQUISTA BRASILEIRA

No Brasil, estiveram à frente das relações com a FAU “diversos grupos que buscavam um anarquismo com raízes populares e de característica militante-combativa-coletiva-organizada”, permitindo um aprofundamento dos laços e o surgimento da proposta da Construção Anarquista Brasileira entre os fins de 1995 e o início de 1996. A proposta foi apresentada no Brasil por meio de um documento intitulado “Luta e Organização: pela Construção Anarquista Brasileira”; concebido pela militância brasileira que atuava no Uruguai, esse documento foi escrito em maio de 1996 e difundido no período posterior para os brasileiros, com ajuda dos contatos daqueles que recebiam o informativo Libera, editado desde 1991 pelo Círculo de Estudos Libertários Ideal Peres (CELIP), no Rio de Janeiro – com a morte de Ideal Peres, em 1995, o CEL modifica de nome, incluindo essa homenagem a seu fundador.

A idéia da “Construção”, como ficou conhecida, era criar, no curto prazo (de 1996 a 2001) “instâncias específicas do anarquismo como força política organizada” em nível local, micro-regional e estadual, com o objetivo de constituir, no longo prazo, uma organização anarquista em nível nacional. Para isso, o documento sugere duas dimensões para a força política organizada dos anarquistas: o grupo orgânico – estrutura simples com poucos militantes, funcionando como embrião de uma organização – e a organização anarquista – com maior número de militantes, instâncias internas, e capacidade de se potencializar. Nos dois casos, seria necessário buscar uma estratégia de crescimento militante e o aprofundamento de raízes nos movimentos populares, criando em comum: “método, conceitos, dinâmica interna, programa, plataforma, projeto, processo instâncias, trabalho coordenado, estratégia, estilo, sempre adequados à realidade de cada lugar”.

Além de lançar a proposta da Construção, “Luta e Organização” tinha como objetivo apresentar as bases para a criação dos grupos orgânicos e organizações anarquistas e, para isso, colocava as propostas dos seguintes princípios: participação, livre acordo, apoio mútuo, autogestão, federalismo, internacionalismo, ação direta, autodefesa e posição classista. O estabelecimento desses princípios, além de ter relação com os princípios da FAU, fundamentou-se em uma apostila produzida pelo grupo Semente Libertária, do Rio de Janeiro, em 1994. O documento passa pela história das lutas sociais do Brasil e realiza uma análise de conjuntura da época. Apresenta, em seguida, a idéia da Construção, introduzindo o método do grupo orgânico com definições, divisões internas de tarefas, infra-estrutura básica, instâncias internas, orientações sobre inserção social, lutas, movimentos populares e processo revolucionário, discussões sobre teoria revolucionária e ideologia anarquista, discutindo a relação entre os grupos e movimentos sociais, as frentes de inserção e crescimento orgânico, as redes de apoio e o compromisso militante. Tentava-se, na realidade, promover o anarquismo da FAU, conhecido por especifismo, adaptando-o à realidade brasileira.

As relações com a FAU e a difusão da proposta da Construção no Brasil estimularam o desenvolvimento organizativo no país. Além da criação FAG, no Rio Grande do Sul, em 1995, várias outras iniciativas se desenvolveram nesse período: em São Paulo, a fundação do núcleo Vermelho e Negro e, com a incorporação de militância de outras cidades, a conformação da Organização Socialista Libertária (OSL) de São Paulo; no Rio de Janeiro, a articulação de militantes do grupo Mutirão e o próprio rumo dos debates do CELIP; houve ainda a aproximação de individualidades e grupos dos estados Paraná, Bahia, Distrito Federal, Mato Grosso e Pará, alguns dos quais tinham estado envolvidos na tentativa de reativação da COB.

ORGANIZAÇÃO SOCIALISTA LIBERTÁRIA

Com o desenvolvimento de grupos e organizações nestas localidades, surge, em 1997, a despeito do planejamento que previa uma organização anarquista nacional para o “longo prazo”, a Organização Socialista Libertária (OSL), que “nasce como o primeiro fruto do processo da Construção Anarquista Brasileira” e é “resultado de dois anos de muita discussão, nos quais [sua] prática ganhou consistência e amadureceu”, segundo afirmavam seus próprios militantes. Os grupos do Rio Grande do Sul, São Paulo, Pará e Rio de Janeiro tornaram-se núcleos da OSL, agregando também individualidades da Bahia, do Mato Grosso, de Goiás e do Distrito Federal.

A OSL defende abertamente as posições do anarquismo da FAU, e tanta tornar realidade a proposta organizativa de “Luta e Organização”. Defende um anarquismo “como algo vivo e atual, capaz de responder aos problemas sociais de nossa classe”, e coloca, também inspirada nos uruguaios, que isso só poderia ser alcançado pela prática da inserção social e do trabalho de base, realizados pelas frentes da organização anarquista, e das posições classistas que a posicionam junto às lutas cotidianas dos mais diversos sujeitos e nos mais diversos setores populares. Um dos núcleos da OSL afirma em 1997:

“Para nós, é essencial a prática, e isso significa atuação, inserção social e trabalho de base com sindicatos, associações de moradores de bairro, cooperativas, centros acadêmicos e grêmios estudantis. […] Dentro de nossa concepção, o anarquismo não pode ficar só na crítica, na análise ou na propaganda, ele deve, sobretudo, saber propor soluções atuando. […] Trata-se, pois, de encontrarmos soluções concretas para as lutas do dia-a-dia de nossa classe. Seja nos sindicatos (rurais ou urbanos), nos movimentos populares, estudantis, por meio da ação direta em todos os níveis, tendo em vista perspectivas de curto, médio e longo prazo, relacionando-as sempre com as estratégias, táticas e métodos de atuação nas seguintes frentes: o movimento estudantil, o movimento sindical/operário, os movimentos populares (bairro, sem-teto, etc.) e o movimento sem-terra.”

A carta aprovada na fundação da OSL, evento que teve presença de delegação da FAU, sustenta um modelo de “organização política anarquista federalista, de estrutura horizontal”, cuja atuação de daria “fora das instâncias da democracia representativa burguesa”; seria uma organização com caráter de minoria ativa, “atuando e propondo suas idéias por dentro dos variados movimentos e tendências de classe na qual se insere e, nunca de fora ou de cima, visando sempre imprimir um caráter combativo e revolucionário a estes” e defendendo o socialismo libertário como objetivo finalista.

A OSL existiu de 1997 até 2000 e, neste período, realizou uma série de trabalhos internos – como congressos, conselhos, formação política, discussões orgânicas – e externos, de trabalho social – que incluíram: trabalhos comunitários, estudantis, reciclagem e catação de material reciclável, lutas por terra, por teto e participação em cooperativas. Funda-se, nesse ínterim, no Rio de Janeiro, o Laboratório de Estudos Libertários (LEL) que, além da edição da revista Ruptura, desenvolve alguns trabalhos práticos no movimento social. Os anarquistas envolvidos com a OSL participam e impulsionam vários encontros estudantis, dentre os quais se destaca o Encontro Nacional de Tendências.

OS AGRUPAMENTOS DE TENDÊNCIA – RESISTÊNCIA POPULAR

Deve-se destacar, também, a fundação da Resistência Popular v (RP), em janeiro de 1999, impulsionada pelos anarquistas especifistas. A RP, um agrupamento de tendência – colocando-se entre as organizações políticas e os movimentos de massa – tem, no momento de sua constituição, o objetivo de agregar militantes de distintas ideologias, a partir de uma afinidade metodológica, para o trabalho de base nas frentes sindical, comunitária e estudantil.

Uma das reflexões críticas internas à OSL, era sobre a necessidade de se pontencializar de maneira mais eficaz o trabalho de inserção social e a RP surge como um instrumento organizativo capaz de agregar os anarquistas e outros setores da esquerda autônoma e combativa, em torno de princípios comuns – classismo, ação direta, não participação na representação democrática burguesa, federalismo, solidariedade de classe, poder popular e orientação revolucionária – para o aprofundamento do trabalho de base. Era necessário criar novos movimentos e ingressar em outros, conseguindo potencializar a proposta libertária para intervenção social. A RP, por isso, adota um discurso classista para mobilização no nível social: “por sentir que esta sociedade é injusta do jeito que está, por ter a necessidade de lutar pela própria vida é que existe resistência por parte de muita gente do povo […], por saber que somente resistindo e lutando teremos uma vida digna é que existe a Resistência Popular”.

O projeto nacional dessa tendência se difunde pelo Brasil, conseguindo agregar militância no Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, São Paulo, Pará e ter alguma atuação no Mato Grosso e em Goiás.

Esta iniciativa, na realidade, também tinha influência da estratégia da FAU, que tratou do tema dos agrupamentos de tendência nos anos 1970 e assim a definiu:

“Participar da tendência supõe aceitar um conjunto de definições que podem ser compartilhadas por companheiros de diversas extrações ideológicas, mas que já entranham certas exclusões (a dos reformistas, por exemplo), imprescindíveis quando se procura um mínimo de verdadeira coerência operativa. […] Daí a necessidade dos setores mais conseqüentemente combativos, os que chegaram a uma compreensão maior das exigências atuais, agrupem-se e unam-se em outro nível: a tendência. […] Suas possibilidades transbordam o marco da atividade exclusivamente sindical. Há muita gente nos bairros que não está compreendida nos quadros sindicais, mas que está disposta para o combate, que se organiza para lutar. […] [A tendência deve abrir] possibilidades concretas para que participem na luta todos os que estejam dispostos a ela. Estejam ou não filiados a um sindicato. Trabalhadores de fábricas ou oficinas não sindicalizados, estudantes do lugar, desempregados, donas de casa devem ter a possibilidade de participar no combate.”

A RP, com esse intuito de reunir setores populares afins e aprofundar o trabalho e a inserção social, constituiu o principal esforço militante dos anarquistas especifistas brasileiros no período que vai de 1999 a 2002, quando as organizações anarquistas receberam menos atenção e o foco foi completamente direcionado à mobilização popular e ao trabalho de base.

FÓRUM DO ANARQUISMO ORGANIZADO

Nos anos 2000, o especifismo no Brasil teve outros marcos. No âmbito nacional, pode-se destacar a formação do Fórum do Anarquismo Organizado (FAO), em 2002, com base na “necessidade de construir uma Organização/Partido anarquista de abrangência nacional”.

O FAO é uma seqüência do processo organizativo iniciado com a Construção Anarquista Brasileira, que cumpriu uma etapa entre os anos de 1995 e 2000, incluindo a experiência da OSL nacional. Na realidade, a experiência da OSL terminou sendo analisada como algo precipitado pelos anarquistas organizados, que realizaram a autocrítica de que a “casa” tinha começado a ser construída “pelo telhado”.

No nível social, a própria criação da RP em 1999 demonstra a necessidade de aprofundamento do trabalho de base e da inserção social para o projeto anarquista. A ênfase dada à RP e o fim da OSL refletem essa autocrítica e, com o processo da RP fortalecido, começa-se a discutir, novamente a possibilidade de recomeçar uma construção nacional, mas dessa vez, a partir da base, dos fundamentos. No nível político, a militância acreditava ser necessário agregar mais pessoas ao processo, criar novos grupos, novas organizações.

Para isso, a fundação do FAO constitui o consenso de se dar alguns passos atrás e agregar a militância em torno de dois eixos fundamentais: organização e inserção social; trata-se de uma tentativa de afastar anarquistas individualistas, anti-organizacionistas e contrários aos trabalhos nos movimentos populares e iniciar um diálogo mais franco com aqueles que viam a necessidade de se articular politicamente para um trabalho social de relevância. Além de agregar essa militância, o FAO se propôs: estimular o debate sobre anarquismo organizado no Brasil, apontando para a construção de uma organização nacional; apoiar a formação de grupos anarquistas; aproximar e articular estes grupos; trabalhar a luta nos diferentes níveis e frentes; articular o anarquismo brasileiro com outras organizações, especialmente na América Latina.

“O FAO se constituiu tendo como foco e razão de ser uma presença desta militância nos movimentos sociais de base, seja estudantil, seja sindical, seja popular-comunitário. Assim sendo, ‘organização e inserção social’ foram pontos de partida, um marco divisório inicial para passar a régua, agregar e construir com aqueles que entendiam estas necessidades e a partir daí avançar para novos desafios, e portanto, jamais foi encarado como ponto de chegada. […] Agregando grupos e organizações com graus distintos de experiência acumulada no anarquismo e nos movimentos de base, o FAO entende que a busca do afinamento político entre os grupos, passa pelo afinamento de suas militâncias sociais e de sua construção teórica. A afirmação de que anarquismo é luta, passa pela necessidade de construir uma organização anarquista com base na unidade teórica e de ação, construídas a partir de uma organização interna com base no federalismo político e na responsabilidade coletiva. Esses pontos, que tocam mais o problema de organização e seu funcionamento, são basilares e já indicam um caminho bem delineado para uma construção mais ampla. Este é o objetivo pelo qual o FAO se move, ou seja, o de construir uma organização revolucionária anarquista atuante nas lutas. Revolucionária não por auto-proclamação, e sim por se pautar pela construção da revolução social, colocando sua atuação militante nos movimentos sociais de base sob esta estratégia finalista, sem deixar de fazer, evidentemente, a análise necessária da realidade histórica e sua conjuntura.”

O FAO foi fundado em 2002, em um encontro de Belém, no Pará, e cumpre agora seus dez anos, em 2012, comemorados com o congresso de fundação da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB), que representa um ganho significativo organicidade. De acordo com o projeto inicial do FAO, era necessário começar as discussões em torno dos eixos organização e inserção social e avançar. Entre fluxos e refluxos, o FAO conseguiu realizar essa discussão e, nos últimos anos vêm preparando esse crescimento orgânico.

O primeiro passo mais concreto nesse sentido foi a reaproximação levada a cabo, durante os anos de 2009 e 2010, que contou com a intervenção e a participação de inúmeros companheiros para superar um impasse gerado por um conflito de 2003, responsável por separar o especifismo do Brasil em duas “correntes” que, até esse momento, desenvolviam-se em paralelo. Por um lado, o próprio FAO, e as organizações que dele faziam parte. Por outro, a FARJ e, mais a frente, as organizações que surgiram com seu apoio e influência. A solução desse problema foi fundamental para que se conseguisse retomar os contatos, resolver as diferenças, solucionar os problemas antigos e partir, em 2010, para a unificação do processo nacional.

O segundo passo foi a mudança nos princípios do FAO, aprovada em 2010, quando os eixos organização e inserção social são aprofundados.

“Após intensas discussões, deliberamos que deveríamos dar um salto qualitativo e ir além dos dois eixos propostos anteriormente: a organização e a inserção social. Entendendo que eles já estão incorporados em nossos grupos e organizações e que a questão da organização e da inserção social não são mais tão polêmicas nos meios anarquistas – e a atuação dos grupos e organizações e do próprio FAO contribuíram significativamente para isso –, decidimos dar mais um passo para a construção de uma organização de âmbito nacional, que sempre foi um de nossos objetivos. O passo seguinte é, para nós, aprofundar a organicidade, e foi assim que decidimos adotar o especifismo, como forma de organização anarquista para os grupos e organizações do FAO, estabelecendo princípios políticos e ideológicos que definem, em nossa concepção, tanto o anarquismo, como essa opção organizativa. Com esse objetivo, o Encontro Nacional reformulou a definição do FAO (ainda que ele continue sendo um fórum), estabeleceu seus princípios, assim como a estratégia a ser defendida, e reviu seus compromissos. Abaixo seguem as resoluções do Encontro em torno desses temas.”

Decide-se pela adoção do especifismo, caracterizado por um conjunto de princípios e uma estratégia geral, consolidada em 2010 pelo conjunto de organizações do FAO.

O terceiro passo foi a discussão ampla, com praticamente um ano de intensas discussões, para a aprovação de uma Carta Orgânica, que regularia o funcionamento do FAO e permitiria um aprofundamento orgânico, prevendo direitos e deveres para o conjunto dos participantes dessa instância organizativa nacional.

Um quarto passo, paralelo à discussão da Carta Orgânica, constitui-se com o aprofundamento orgânico político e social. Estabelece-se um colegiado das organizações do FAO, com reuniões deliberativas periódicas a partir de delegações de base. Realizam-se visitas e reuniões periódicas entre as organizações, que permitem uma aproximação nas relações e um ganho para o projeto nacional. Busca-se fortalecer a formação política, com a realização de seminários locais, e a integração dos trabalhos sociais, com informes constantes e o início do estabelecimento de coordenações mais amplas para o trabalho de base em nível nacional.

Um quinto passo, estabelecido no início de 2012, foi a deliberação para os trabalhos que teriam de ser realizados no intuito de fundar a CAB, em junho desse mesmo ano.

Durante uma década de FAO, muitas coisas aconteceram.

No nível político, o Brasil presenciou a fundação de grupos e organizações que permaneceram no fórum, ou mesmo em seu entorno durante alguns anos. Destacam-se o Coletivo Anarquista Luta Libertária, de São Paulo, fundado em 2001, inicialmente em torno de uma proposta editorial e depois avançando para a construção de uma organização política que se conformou, em 2006, na Organização Socialista Libertária, deixando de existir algum tempo depois; a fundação, em 2001, no Pará, da Federação Anarquista Cabocla; a fundação, em 2002, do Coletivo Anarquista Zumbi dos Palmares, em Alagoas, que a partir de 2005 se juntou ao FAO; a fundação, no Rio de Janeiro, em 2003, da Federação Anarquista do Rio de Janeiro que, a partir de 2010 integrou o FAO; a fundação da Federação Anarquista Insurreição / União Popular Anarquista, no Rio de Janeiro, também em 2003, que permaneceu por pouco tempo no FAO e se desvinculou por divergências; a fundação, na Bahia, em 2005 do grupo Vermelho e Negro, e em Goiás, em 2006, do Coletivo Pró-Organização Anarquista de Goiás, ambos os quais permaneceram no FAO por algum tempo; a fundação, em 2006, do Rusga Libertária e sua integração subseqüente ao FAO; outras iniciativas também aparecem nestes e em outros estados. A partir de 2006, o jornal Socialismo Libertário passa a ser o veículo nacional do FAO, continuando até o presente. A partir de 2008, desenvolvem-se iniciativas incentivadas pelo processo da FARJ: surge, em 2008, no Ceará, a Organização Resistência Libertária e, em 2009, em São Paulo a Federação Anarquista de São Paulo, que, posteriormente, troca de nome para Organização Anarquista Socialismo Libertário, e ingressa no FAO em 2011; incentivam-se, também, iniciativas em Santa Catarina, que desembocarão na fundação do Coletivo Anarquista Bandeira Negra, em 2011, e no Paraná, que culminarão na fundação do Coletivo Anarquista Luta de Classe, em 2010. Surge também um processo em Pernambuco, que contará com a fundação do Coletivo Anarquista Núcleo Negro, em 2012. Aproximam-se, durante o processo, o Coletivo Mineiro Popular Anarquista, de Minas Gerais, e um grupo do Espírito Santo; em Alagoas, O Coletivo Libertário Delmirense aproxima-se do CAZP; o COPOAG de Goiânia se rearticula; na Bahia, o Coletivo Anarquista Ademir Fernando inicia os contatos com o FAO. Durante esses dez anos, realizaram-se encontros anuais em vários estados do Brasil.

No nível social, os trabalhos são inúmeros: a criação ou o fortalecimento de organizações que possuem participação determinante dos anarquistas, como os agrupamentos de tendências – Resistência Popular (RS, AL, MT), Organização Popular (RJ), Organização Popular Aymberê (SP), entre outros; a participação na organização do Encontro Latino-Americano de Organizações Populares Autônomas (ELAOPA); participação no movimento sindical, com atuação na Intersindical e em diferentes sindicatos; trabalhos comunitários distintos, com espaços relevantes que possuem intervenção anarquista, como o Centro de Cultura Social no Rio de Janeiro, os Comitês de Resistência Popular no Rio Grande do Sul, a sede da Resistência Popular em Alagoas; a participação em movimentos sociais urbanos, como sem-teto, desempregados, lutas pelo transporte, catadores de material reciclável, rádios comunitárias; participação em movimentos agrários, de luta pela terra, cooperativas. Apesar de um trabalho modesto, a lista é significativa.

A CAB E O ANARQUISMO ESPECIFISTA

O especifismo anarquista, desde seu surgimento no Brasil nos anos 1990, vem ganhando maturidade e caminhando em sentido organizativo. Conseguiu encontrar seus referenciais históricos, vem reinserindo o anarquismo no campo da luta de classes e superando seus próprios problemas gerados a partir de elaborações teóricas e práticas que vêm exigindo significativo envolvimento da militância.

O congresso de junho de 2012 e sua própria preparação prévia contribuirão para os ganhos do próximo período. Em nível político, a constituição de uma coordenação nacional, com nove estados sendo integrados e com outros em processo de articulação. Continua a edição do jornal Socialismo Libertário e se inicia a publicação de uma revista de mesmo nome. Aprofunda-se a formação política, as relações (dentro e fora do Brasil), a organização e a propaganda. Aprofunda-se a discussão de conjuntura e de programa. Em nível social, se estreitam os contatos entre as frentes de trabalho social e se discutem caminhos comuns para a intervenção nos movimentos populares.

Acreditamos que a CAB cumprirá sua tarefa de servir como um caminho para a construção de uma organização nacional do anarquismo especifista.

Nossas expectativas em relação ao futuro são as melhores possíveis!

Viva a CAB!
Viva o anarquismo especifista!

Organização Anarquista Socialismo Libertário (OASL)
Federação Anarquista do Rio de Janeiro (FARJ)
São Paulo, Rio de Janeiro, 2012.

[CURITIBA] Círculo de Estudos Libertários 4° Encontro + Lancamento No Batente n° 2 (Jornal do CALC) 27.05.2012

O Círculo de Estudos Libertários (CEL) surgiu como espaço de estudo em janeiro de 2011, com o objetivo de debater “a atuação política, a teoria clássica e contemporânea do Anarquismo, (…) fortalecendo a perspectiva classista, autônoma, socialista e combativa das classes exploradas, em sua formação cultural e intelectual”. Com dois encontros por mês e textos lidos previamente por seus participantes, o grupo teve relativo sucesso no que se propunha a fazer, se tornando ainda “por tabela”, uma referência
para os novos companheiros e companheiras interessados nas propostas do anarquismo organizado. A partir de 2012 o CEL tornou-se um espaço ligado ao Coletivo Anarquista Luta de Classe (CALC), continuando dessa forma, aberto a participação dos trabalhadores e trabalhadoras que queiram se debruçar sobre o estudo das lutas sociais e a participação dos socialistas libertários nas mesmas. Seguindo agora um programa definido de textos
pretendemos melhorar a qualidade de nossos encontros, contribuindo também, para auxiliar a formação teórica da militância anarquista aqui na cidade de Curitiba (PR).

Onde? Rua Presidente Faria, 515.

Quando? 27.05.2012

Que horas? 10:00hs

Organização: Coletivo Anarquista Luta de Classe

LANÇAMENTO NO BATENTE:

Neste dia antes do estudo teremos o Lançamento do segundo número do jornal do Coletivo Anarquista Luta de Classe.

No Batente, saiba mais:
https://coletivoanarquistalutadeclasse.wordpress.com/no-batente/
http://anarkismo.wsm.ie/article/20487?userlanguage=es&save_prefs=true

baixe aqui:
http://www.sendspace.com/file/8o9orf

ESTUDO:

Próxima Discussão: ATENÇÃO, SOMENTE O ULTIMO TEXTO DO Módulo 2 Anarquismo Búlgaro em Armas- Michael Schimid, E O CURSO 9 DO: Anarquismo na América Latina (Uruguai, Cuba, Argentina e México)-MÓDULO 3 . Ambos do programa de Formação FARJ/OASL

Baixe aqui:

Módulo2:
http://www.anarquismosp.org/portal/images/stories/ArquivoFasp/docs/programa_de_formacao/modulo_02.pdf

Módulo3:
http://www.anarquismosp.org/portal/images/stories/ArquivoFasp/docs/programa_de_formacao/modulo_03.pdf

ou Fotocopie aqui: Amintas de Barros, 297. O texto esta na pasta do CEL.

“A 10 años del levantamiento de diciembre de 2001 los y las Anarquistas nucleados en FACA seguimos organizados y luchando para Que se vayan todos!”

Retirado: http://www.vermelhoenegro.co.cc/2011/12/10-anos-del-levantamiento-de-diciembre.html

“Debemos trabajar activando entre los no organizados y quizás imposibles de organizar, para despertar en ellos el espíritu de rebelión y el deseo y la esperanza de una vida libre y feliz.”

Errico Malatesta


Se cumple ya una década de una de las más importantes rebeliones populares de la región. Nos referimos a la situación vivida en el año 2001 donde la gente en las calles coreaba el “que se vayan todos, que no quede ni uno solo”. Aquel fue un momento bisagra tomando en cuenta la historia de resistencia previa –que ya llevaba más de 5 años de visibilidad- y el desenlace de las luchas sociales que continuaron hasta la actualidad. La importancia del 19 y 20 de diciembre en si, no se debe solo al quiebre que se hizo de la institucionalidad argentina sacando a un gobierno que, con poca legitimidad, se intentaba mostrar como cambio a la par que practicaba una profunda continuidad de las políticas neoliberales del menemismo. Tampoco la importancia de esta explosión popular en las calles tuvo que ver exclusivamente con haber forzado la renuncia de 4 presidentes en una semana. Sin embargo todo esto no fue menor.

Que se vayan todos ayer y hoy!!

Nos acordamos mucho de aquel 2001 en estos momentos en que el capitalismo y el Estado no solo no han podido darle respuesta a las necesidades de la humanidad en su conjunto sino que se las han ingeniado para hundirla cada vez mas y sumirla en una miseria sin precedentes. Sectores de la población movilizado en Europa y EEUU han tomado las calles para protestar y enfrentarse a los responsables de la crisis, entre ellos banqueros, políticos, empresarios y gurúes de la economía. Todos ellos claros funcionarios de los diferentes estados y poderes económicos asociados para el vaciamiento. En estos casos se ha llegado a invocar el espíritu del 2001 argentino con el fin de enfrentar a un “modelo” caduco. En medio oriente y norte de África la protesta popular apuntó a echar regímenes dictatoriales aunque todavía todas estas movilizaciones populares, no han podido presentar al momento, propuestas organizativas de base que atenten contra el orden establecido.

Se puede visualizar, tanto hoy como ayer, una tendencia general que se viene dando con distintas variantes, pero con ciertos lineamientos comunes como clave de época, y que tiene que ver con la crisis de instituciones en general y de la ruptura del imaginario social con respecto a estas.

Crisis y ruptura que abarca al estado, a los sindicatos corrompidos, a los partidos y políticos del sistema, inclusive a los de la izquierda tradicional, y a sus distintos criterios políticos y organizacionales.

Y si bien ponemos la lupa sobre las consecuencias de la rebelión del 2001 por su magnitud, estas devienen del análisis, como decíamos mas arriba, de todo un cúmulo de procesos anteriores y por tendencias, que si bien con diferencias, se pueden ver en otros procesos de la región. Y esto se demuestra, de un tiempo a esta parte, en que toda vez que parte de la población se inclina hacia los asuntos públicos o de su interés, lo hace autoorganizada y/o movilizada, con desprecio hacia la clase política, aunque se trate del que vaya primero en las encuestas… Lo hace con el imaginario social del 19/20.

Hace 10 años, en este país estábamos la mayoría de la clase oprimida enfrentándonos a los mismos sectores dominantes que hoy oprimen con sus políticas de manera casi calcada en otros lugares del mundo. Estábamos en un contexto latinoamericano de levantamientos como el de Chiapas, luchas por la defensa de recursos como en Bolivia, expropiación de tierras como las de los Sin Tierra en Brasil y puebladas indígenas como las de Ecuador. En ese momento las asambleas vecinales, las tomas de fábrica y el movimiento piquetero entre otros sectores, nos incluíamos en esta gesta latinoamericana combativa y pudimos decir basta en las calles. Sin embargo la falta de un mayor entramado entre los movimientos sociales y una falta de unidad de los mismos, la mezquindad y la nublada visión política de algunos, como la falta de prefiguración concreta de alternativas de sostenimiento de la vida social desde otros paradigmas, hicieron eclosión en el instante en que hubo que improvisar el enfrentamiento y la suplantación de la vieja sociedad. Si por un lado era bienvenida la idea de acabar por completo con las instituciones vigentes no hubo prácticas ni experiencias que hayan dado la posibilidad de tirar abajo el aparato del estado y el capitalismo.

Tensión abierta entre lo viejo y lo nuevo

Lamentablemente la tensión entre lo viejo que no termina de morir y lo nuevo que no termina de nacer, no ha producido por el momento una síntesis favorable para los de abajo. Pero la tensión sigue…

Con la apresurada salida de Eduardo Duhalde del gobierno luego de la masacre de Avellaneda en donde bajo su responsabilidad fueron asesinados dos hijos de nuestro pueblo como Maximiliano Kosteki y Darío Santillán y el advenimiento del Kirchnerismo como proceso, podemos decir que se cierra una de las situaciones mas extraordinarias de efervescencia popular pos dictadura. El reordenamiento institucional y económico, operado por los K, seguido de una retórica antineoliberal en sintonía con otros procesos latinoamericanos, vino a romper con algunas lógicas derivadas de procesos anteriores aunque mantiene en esencia, determinadas características del régimen de dominación más general.

El estado y la clase dominante pudieron en pocos años darse una lavada de cara con un modelo económico extractivo-exportador que minimizaría las consecuencias de la crisis local y la actual crisis internacional, que todavía sigue latente y promete dar nuevos coletazos. Las prácticas de políticas clientelares y prebendarias del duhaldismo y el menemismo fueron reapropiadas por los K posibilitándoles armar una duradera alianza con sectores poderosos de la economía, gobernadores de provincias feudales, “barones” del conurbano bonaerense y burócratas sindicales.

Las políticas llevadas a cabo por el kirchnerismo hicieron estructural la exclusión de sectores populares como los desocupados cada vez más marginados en los barrios, trabajadores tercerizados y precarizados siempre en riesgo a ser despedidos, campesinos del norte corridos por la policía de los grandes terratenientes, y pueblos originarios aun sin tierra entre otros.

A su vez, combinando inteligentemente cooptación de parte de referentes y sectores en lucha y disciplinamiento y deslegitimación de aquellos que seguimos en la pelea, fue configurando un nuevo escenario hegemónico, donde la fragmentación (de la cual los que luchamos por una transformación radical de la sociedad también tenemos que hacernos responsables) es la constante en estos tiempos que corren.

Pero donde hay dominación hay resistencia y por eso, a pesar del aparente avasallamiento de toda la parafernalia efectista de este ultimo proceso, por lo bajo y desde abajo se siguen tejiendo experiencias de construcción y lucha autónomas que recrean y profundizan el espíritu del 19/20 y de la cual los y las anarquistas y con cada vez mas ímpetu vamos formando parte. Y aquí, aparece nuevamente la clave de la ruptura del imaginario social, que si bien hoy se podría ver un tanto desdibujada por la situación de normalidad institucional y de relación de fuerzas desfavorable para la clase oprimida, esta ahí latente y sigue marcando el contexto. Y esto es así porque no es un dato que pueda verse en términos estrictamente políticos, es decir en tiempos de resolución cortos, sino mas bien culturales, de largo alcance y mayor profundidad y consecuencia social.

Así las cosas, podemos ver el vacío que se abre todavía inmenso entre la vieja institucionalidad todavía viva y nuestras construcciones sociales todavía embrionarias. Unas y otras responden a una misma situación y tironean dentro de una brecha que todavía sigue abierta…

El pueblo organizado puede solo!!

Hoy más que nunca al igual que hace 10 años la organización de base y asamblearia se muestra como un camino posible para ir construyendo un poder propio de la clase oprimida y explotada que redunde en una ruptura revolucionaria con desenlace popular y en la posibilidad de sostenimiento de otra forma de coordinación de la vida social. Hoy cuando ya pasó una década de aquel levantamiento aún estamos disputándonos con los de arriba proyectos de sociedad antagónicos.

Los y las anarquistas organizados en FACA, creemos que tenemos que sostener este proyecto de ruptura revolucionaria a través de un arduo trabajo de base participando e impulsando organizaciones populares democráticas y combativas dando todos los días esa disputa con el poder dominante en los escenarios y con los métodos acordes a nuestra estrategia de lucha y construcción de nuevas realidades sociales. Sin jefes ni partidos dirigentes y con independencia de clase y autonomía, reafirmamos que el camino consiste en la destrucción del Estado en tanto especial ámbito institucional de dominación, que produce y reproduce éstas relaciones, y en la supresión de las formas gubernamentales que constituyen un poder que expropia y aliena la capacidad de decisión de la vida social del conjunto de la población. Desde nuestra posición de un anarquismo de intensión social y revolucionaria pensamos que las prácticas organizativas de base actuales, son el embrión de un poder propio de la clase oprimida. Representan la puesta en práctica de una praxis prefigurativa libertaria que combatiendo al Estado pueda ser alternativa de organización social desde abajo.

La lección de hace diez años nos muestra el lugar donde tenemos que estar los y las anarquistas cuando el pueblo diga basta! Esos lugares no son otros que el barrio, los espacios de estudio y trabajo, el campo y cualquier lugar en donde se padezca la injusticia de un sistema de dominación estatal y capitalista, aportando propuestas, proyección, capacidad organizativa, de articulación y lucha con horizonte transformador. Solo así podremos darle características libertarias a un nuevo proceso que intente en un próximo capítulo de nuestra historia que el “Que se vayan todos” sea acompañado por nuestra experiencia como pueblo de hacernos cargo del futuro de nuestras vidas.

Abajo el Estado!

Arriba lxs que luchan!

Viva la Anarquía!

Discurso do FAO nos 55 anos da FAU

Companheiros e companheiras,

É com muita alegria que compartilhamos com vocês a celebração deste 55º aniversário da Federação Anarquista Uruguaia. Sentimos a presença viva de nossas raízes. Os companheiros fundadores da FAU nos contam hoje os feitos históricos dos velhos que conviveram com a mais antiga geração de militantes do séc XIX. E nós, somos uma geração nova de militantes e organizações que surgiram no Brasil há pouco mais de uma década. No entanto, apesar de jovens nos sentimos parte da epopéia vivida pelos primeiros anarquistas do final do século XIX e início do século XX. Trazemos a luta histórica para as necessidades contemporâneas e assumimos a nossa condição de origem.

 

Até o nosso primeiro contato com a FAU, foi preciso quase um ano de relações permanentes, enfrentando os custos, as distâncias e as dificuldades de comunicação através das cartas que não tinham fim. O informe da viajem de um companheiro brasileiro a Montevidéu, deu a empolgação e o fermento para a criação da organização anarquista um ano depois. Em 1995, era fundada a Federação Anarquista Gaúcha. Os anos foram passando e seguimos trabalhando na construção de uma organização anarquista brasileira através da coordenação conjunta com grupos e organizações regionais. Iniciamos em 2002 o Fórum do Anarquismo Organizado que fez adesão à proposta especifista. Com erros e acertos, temos amadurecido e aprendido com esse processo de coordenação que completará uma década contando com dez estados em todo Brasil.

 

 

Do nosso vizinho Uruguai, herdamos as tradições da luta libertária ininterrupta desde 1870. E é na região do Rio da Prata onde se concentraram os imigrantes italianos e espanhóis que trouxeram na bagagem a influência bakuninista da 1ª Internacional. Trouxeram também posições questionadoras a fundo da ordem capitalista, partidárias da ação direta e da insurreição violenta. Essa paixão pela liberdade depois se fez presente nos anarquistas expropriadores, no sindicalismo classista e combativo, ambos fatores importantes que vão influenciar a criação da nossa co-irmã Federação Anarquista Uruguaia. Ao longo dos 55 anos de história, a FAU enfrentou o Estado, a oligarquia e o imperialismo, promovendo a luta de classes e a ação direta em todos os níveis.

 

Conjuntura internacional: o golpe financeiro e a luta dos povos

 

O poder financeiro global deu um golpe infame nos cofres públicos desde o estouro da bolha imobiliária de setembro de 2008. A desregulamentação do setor deu liberdade de movimento para os esquemas especulativos do capitalismo e permitiu uma gigante operação fraudulenta com produtos financeiros sem lastro real – uma série imensurável de derivativos afogou o mercado capitalista. A bancarrota dos maiores bancos do mundo, partindo dos norte-americanos espalhou por todos lugares, em maior ou menor grau, o drama econômico que assistimos.

 

Os altos executivos e operadores de Wall Street montaram um esquema sofisticado nas barbas da política liberticida das autoridades monetárias. Na bolha imobiliária, para fazer um exemplo curto e grosso, as financiadoras da casa própria vendiam no mercado os seus papéis para grandes bancos e fundos de investimentos explorarem os juros do mutuário. Os bancos por sua vez contratavam seguro para suas aplicações e especulavam contra elas para tirar lucros do seguro. A inadimplência do mutuário sujeito a trampa financeira detonou o esquema e arrastou toda a economia para o atoleiro com despejos em massa de moradores, milhões de demissões, falências da indústria, recorte de direitos sociais e serviços públicos. Que ninguém se engane: a jogatina não foi simplesmente uma aventura descontrolada dos capitais financeiros, todo o universo da propriedade capitalista se meteu no cassino financeiro global.

 

Resulta que após o golpe dos “abutres” o governo dos Estados Unidos e dos Estados mais fortes da Europa abraçaram a causa dos bancos e empresas com um socorro generoso da ordem de mais de U$ 12 trilhões prestado com dinheiro do tesouro público. A essa “socialização das perdas” se somou uma brutal “privatização dos ganhos” em que a classe dos dirigentes do sistema financeiro foram premiados com bônus milionários pagos com fundos do Estado. Aqui chegamos na dívida pública. Os governos dos EUA e Europa se valeram do mecanismo para absorver os prejuízos dos bancos com emissão de títulos públicos.

 

Em seu momento Noam Chomsky comentará: “a liberalização financeira teve efeitos para muito além da economia. Há muito que se compreendeu que era uma arma poderosa contra a democracia. O movimento livre dos capitais cria o que alguns chamaram um “parlamento virtual” de investidores e credores que controlam de perto os programas governamentais e “votam” contra eles, se os consideram “irracionais”, quer dizer, se são em benefício do povo e não do poder privado concentrado.” A conta desse delito sistêmico do poder financeiro a pagam hoje a classe dos trabalhadores, com a nova pobreza resultante da perda de empregos, direitos, salários e serviços públicos, pedra de toque do ajuste fiscal dos governos do mundo rico e receita para todos os demais. Nos Estados Unidos se ampliam os movimentos contra o sistema financeiro. A Europa vive uma conjuntura tempestuosa com uma deterioração da questão social que tem suscitado protestos populares de toda cor e de todo tipo. Desde manifestações violentamente anti-capitalistas como na Grécia, a greves combativas do sindicalismo da região, a ação direta de massas dos jovens “indignados” na Espanha ou a fúria incendiária dos subúrbios urbanos da Inglaterra.

A revolta dos povos árabes

As rebeliões generalizadas que marcam a conjuntura internacional nos dizem que a hora dos povos segue vigente. Isso tem grande significado. Diversos fatores políticos, econômicos e ideológicos são motores dessa revolta, a exemplo da miséria, da opressão e da falta de perspectivas básicas de vida. Cada país tem suas particularidades, mas há um elemento comum de rebelião que aponta para a destruição das brutais estruturas de opressão. A ação direta dos povos ganhou as ruas e enfrentou a repressão no Egito, Argélia, Bahrein, Yemen, Jordânia, Marrocos, Síria e Líbia. Com isso foram questionados e derrotados alguns regimes da região, colocando a vontade popular na equação de uma nova geopolítica.

A Resistência Popular na América Latina e o tema da integração

Assim como a luta popular tem imposto derrotas as ditaduras no oriente, na América Latina a última década tem sido marcada pelas lutas massivas do povo impondo derrotas ao neoliberalismo. A ação direta popular derrubou governos, deu resistência a tentativas de golpes de Estado e fez virar a balança de poder regional para um posição mais independente em relação ao imperialismo yankee. Porém, não descansamos nossas esperanças nos governos de turno. O exemplo recente do massacre indígena na Bolívia traz à tona os limites do desenvolvimentismo que atropela os anseios populares e faz colaboração com as elites. Apesar do genocídio indígena, mais uma vez o povo organizado mostrou a sua força nas marchas que duraram 65 dias e fizeram o governo voltar atrás na sua decisão. Fica a nossa solidariedade latino americana na luta contra o Plano IIRSA. É nosso dever desmascarar esse projeto de integração do território sul americano a um verdadeiro sistema de saque dos nossos bens e riquezas.

As mudanças no Brasil de Dilma que mantém a estrutura conservadora

No cenário brasileiro, Dilma, sucessora de Lula assumiu a presidência sob o lema: “País rico é país sem pobreza”. Dilma chega a 71% de aprovação com a ampliação das políticas de combate à miséria, a exemplo do bolsa-família, e com denominada “faxina ética” alardeada na imprensa como palavra de ordem de Dilma no combate à corrupção. Foram 6 ministros que despencaram até o presente momento, sendo um a cada 50 dias. Porém, a faxina de Dilma é na verdade sujeira varrida para baixo do tapete. A impunidade segue e forma par inseparável das estruturas burocráticas e oligárquicas da corrupção do poder político burguês. O Estado é uma estrutura de poder com alto instinto de conservação. Para governar com suas instituições, a experiência do PT no executivo assim o confirma, entre outros meios, é preciso se arranjar com as oligarquias que dominam a política burocrática e historicamente escoram seus interesses nos mecanismos públicos de gestão.

No que se refere à dívida pública, a política brasileira é a de engordar os bancos. Logo no início desse ano foram cortados R$ 50 bilhões no orçamento. Para o próximo ano a proposta orçamentária irá sangrar 48% dos recursos para pagar juros e amortizações da dívida. No ramo industrial, as federações da indústria e o governo lançaram recentemente um plano que visa aumentar a produtividade e a competitividade brasileira no plano internacional em acordo com a burocracia sindical. A verdadeira orientação do governo baseia-se nos cortes de investimentos sociais, no congelamento salarial, na flexibilização dos direitos. Tudo isso é feito através de um pacto social onde a patronal, banqueiros, governo e burocracia sindical controlam o jogo. Em 2008 era a crise a justificativa para a patronal demitir, atacar direitos e fazer lobby para que o Estado lhe fornecesse recursos e isenções. Agora sob o lema da competitividade a história repete.

Apesar das medidas de conciliação, nesse ano de 2011 alguns setores do movimento sindical deflagraram greves que se estenderam durante semanas e até meses. Trabalhadores dos correios, de universidades e institutos federais, do magistério e bancários abriram conflitos com o governo em que a disposição da base para a luta atropelou a burocracia sindical e obteve algumas conquistas. A ação direta e a independência de classe estiveram em pauta nessas lutas e esse exercício de poder dos trabalhadores pode surtir bons resultados daqui pra frente.

Se na luta sindical se abrem alguns caminhos, no que se refere à luta por memória, verdade e justiça, no Brasil vivemos um retrocesso. Recentemente foi criada a chamada “Comissão da Verdade” como uma tentativa do Executivo de aliviar os constrangimentos políticos que vêm causando sucessivas denúncias em escala internacional contra as violações aos direitos humanos no país.

A comissão da verdade, no entanto, é composta por apenas 07 membros, todos eles indicados pelo Executivo, sendo um representante das FFAA, a qual tem tensionado a necessidade de se averiguar os “crimes promovidos pela esquerda no período”? Com o estreito prazo de dois anos para a apresentação de seu trabalho final, a comissão, além de não ter autonomia (financeira e política) frente ao Executivo, também se vê desafiada a investigar os acontecimentos que vão não apenas do golpe de Estado ao processo de “redemocratização”, mas, inexplicavelmente, a “investigação” aborda um recorte temporal que se inicia em 1946 e vai até o ano de 1988, desviando assim o que deveria ser seu foco principal.

A não divulgação dos arquivos, ainda secretos, das FFAA, outro assunto que o Executivo não enfrenta com decisão, é uma prova cabal do quanto os resquícios do terror de Estado seguem vivos, pairando, ainda que silenciosamente, na sociedade, passados mais de 30 anos do início da transição pactuada. A Comissão, por sua vez, é outro fiasco no sentido de pautar a abertura dos arquivos da ditadura. Em seu parágrafo 2° do artigo 4° o PL afirma que: “os dados, documentos e informações sigilosos fornecidos à Comissão Nacional da Verdade não poderão ser divulgados ou disponibilizados a terceiros, cabendo a seus membros resguardar seu sigilo”. Ou seja, além de não haver a abertura dos arquivos, estes serão fornecidos por seus guardiões, as FFAA, que, na ausência de um decreto obrigando-as a abrir os documentos, mais uma vez irá divulgar papéis “podres” sem nenhuma autenticidade. A impunidade a torturadores, a industriais e banqueiros que respaldaram direta ou indiretamente a ditadura esta mais uma vez garantida.

Para nós, anarquistas organizados na FAO, a vitória da Verdade e da Justiça, só será possível quando o conjunto das forças populares (movimentos sociais, estudantis, sindicatos e organizações da esquerda) forem capazes de pautar de forma contundente a questão, o que infelizmente não temos visto. O que em países como Argentina e Uruguai é uma espécie de termômetro para a avaliação das forças de esquerda e populares, no Brasil, infelizmente, é tratado em muitos casos como uma questão secundária. Há que se virar a mesa, levando a luta por memória, verdade e justiça para as ruas, muros, para os sindicatos, movimentos sociais, estudantis, dentre outros, pois ainda há tempo!

Assim, esta data é importante não só para celebrarmos e reafirmarmos estas décadas de luta, como para reforçarmos que a proposta libertária segue vigente. Caminhando a cada dia rumo à revolução social, e acreditando que o Poder Popular se dá no trabalho cotidiano e na construção de um povo forte.

Diante das injustiças do sistema capitalista seguimos de pé!

Não esquecemos e jamais perdoaremos!Verdade e Justiça! Castigo aos culpados!

Pelo fim das ditaduras que massacram os povos!

Fortalecer a luta dos oprimidos e unificar os movimentos de greve!

Contra as medidas de austeridade!

Estendemos nossa solidariedade na luta contra o Plano IIRSA!

Nossa saudação à Federação Anarquista Uruguaia nesses 55 anos de lutas pelo socialismo e pela liberdade! Aos companheiros que ficam em nossa memória e estarão sempre presentes em nossas lutas!

Cecília presente!

Pelo Socialismo e pela Liberdade! Viva a anarquia!

Fórum do Anarquismo Organizado – FAO

 

Coletivo Anarquista Zumbi dos Palmares (Alagoas)


Federação Anarquista Gaúcha (Rio Grande do Sul)


Federação Anarquista do Rio de Janeiro


Organização Anarquista Socialismo Libertário (São Paulo)

 

 

Ato de 55 anos da FAU e Mesa Redonda sobre Organização Anarquista e Construção do Poder Popular

Ato de 55 anos da FAU e Mesa Redonda sobre Organização Anarquista e Construção do Poder Popular

Fonte: federación Anarquista uruguaya

No marco dos 55 anos da Federação Anarquista Uruguaia será realizado uma jornada de debate acerca do Anarquismo Especifista e da Construção do Poder Popular.

Participarão nesta Jornada companheiros da Federação Anarquista Gaúcha (Rio Grande do Sul), Federação Anarquista do Rio de Janeiro, Organização Anarquista Socialismo Libertário (São Paulo), Coletivo Bandeira Negra (Santa Catarina), Federação Anarco Comunista da Argentina, Companheiros da Espanha e mais organizações a confirmar.

 

 

Nesta atividade serão expostas interpretações e propostas que o anarquismo leva adiante em diferentes pontos da América.

A atividade é aberta a todo o público e será na sexta feira, dia 28 de Outubro.

No dia 29, sábado, a partir das 20:00, será realizado o ATO de 55 anos da FAU no Teatro Stella.

São 55 anos pelo Socialismo e pela Liberdade!

Desde Brasil ustedes tienen nuestro apoyo: Viva la FACA!

Desde Brasil ustedes tienen nuestro apoyo: Viva la FACA!

La Federacion Anarquista Gaucha (FAG) y las organizaciones que
componenel Foro del Anarquismo Organizado (FAO) en Brasil
saludan la Federación Anarco-Comunista de Argentina (FACA).

Quedamos contentos con lo desarrollo del anarquismo
especifista en Argentina y vuestras intenciones de
construcción federal y nacional.No e suna tarea fácil
la consolidación de una estructura orgánica en
país, pero compartimos con vosotros este mismo camino,
con lucidez y madurez,respectando las características
regionales y construyendo desde cada lugar una
organización sólida.

Nuestro esfuerzo en Brasil através del Foro del
Anarquismo Organizado (FAO) es parte de un proceso
de casi una década coordinando y buscando firmar lo
consenso sin perder de vista la construcción desde
abajo hace arriba.

En America Latina existe hoy un desarrollo importante
de nuestra corriente dentro del anarquismo y las
Jornadas Anarquistas 2011 representaran un paso muy
importante en este proceso. Juntamentecon las
organizaciones especificas anarquistas latino americanas,
buscamos una construcción teórica, política concreta,
para confluir esto en un ámbito de comunión.

Estamos juntos y asi seguiremos con mas fuerza, hermanos!
Por la construcción del Poder Popular! Por el socialismo
y la liberdad!
Viva la FACA!

Federação Anarquista Gaúcha – secretaria de relações
Fórum do Anarquismo Organizado – secretaria nacional