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[MATINHOS] Centenário da Greve Geral de 1917 – Mudança de data – Quinta-feira (23/11/2017)

No dia 23 de novembro de 2017, quinta-feira, às 19:30, o Coletivo Anarquista Luta de Classe (CALC) realizará evento na UFPR Litoral sobre o centenário da histórica Greve Geral que aconteceu no Brasil em 1917.

No evento, vamos falar sobre aquele grande movimento de luta da classe oprimida no Brasil e no Paraná; lembrar das vitórias, erros, acertos e conflitos da época; destacar os acúmulos daquelas lutas e as lições que podemos tirar para o presente.

Evento no Facebook: https://www.facebook.com/events/126654224667474/

QUANDO: 23 de novembro de 2017, quinta-feira às 19:30
ONDE: Sala Multiuso da UFPR Litoral, em Matinhos

O evento já ocorreu em Londrina, realizado conjuntamente com o Coletivo Ação Direta, e acontecerá também em Curitiba ainda neste ano.

A Livraria Alberto “Pocho” Mechoso também estará presente! Conheça nossos títulos: https://anarquismopr.org/livrariapocho/

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Aguardamos todas as pessoas interessadas!

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[CURITIBA] 7º ENCONTRO DO CÍRCULO DE ESTUDOS LIBERTÁRIOS (CEL) – TERÇA (07/11/2017)!

Teoria e Ideologia

Na próxima terça-feira, 07 de novembro, o CALC articulará seu grupo de estudos em Curitiba. Faremos o CEL no Prédio Histórico da Universidade Federal do Paraná, às 18:30, na sala 205 da Psicologia.

Este encontro tem como objetivo inicial diferenciar os conceitos de teoria e ideologia, que para nossa corrente são distintos. Após essa distinção, introduziremos a noção de ideologia anarquista, bem como a(s) teoria(s) anarquistas. Então, estabeleceremos a relação direta entre teoria e ideologia.

O texto base é:

Teoria e Ideologia – Revista Socialismo Libertário nº2 da CAB

Baixe aqui: CEL VI

Evento no Facebook:                                             https://www.facebook.com/events/1911876782411363

EXCEPCIONALMENTE FAREMOS DOIS EVENTOS EM NOVEMBRO, UM NA PRIMEIRA SEMANA (07/11) E OUTRO NA ÚLTIMA (28/11).

Para mais informações sobre os textos e temas que discutiremos durante o ano, visite: https://anarquismopr.org/grupos-de-estudos-libertarios/

E a Livraria Alberto “Pocho” Mechoso estará presente também! Quer conhecer nossos títulos:                                                              https://anarquismopr.org/livrariapocho/

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Venha participar!

[CAB] Opinião Anarquista: o Anarquismo é luta social e exige respeito

Diante do ataque orquestrado pela polícia civil do Rio Grande do Sul em conluio com a Rede Globo, denominado “Operação Érebo”, que tem como objetivo criar precedente para enquadrar a ideologia anarquista na Lei Antiterrorismo, a Coordenação Anarquista Brasileira afirma que somos historicamente fruto das lutas do povo oprimido. Nossa ideologia nasceu na luta das/os de baixo, da classe trabalhadora contra todas as formas de dominação. As violências que a nossa classe sofre no cotidiano com a falta de acesso aos direitos mais básicos são o que impulsiona o trabalho realizado pelo anarquismo, em meio ao povo e na defesa de uma sociedade mais justa sem desigualdade social e livre de todas as formas de opressões.

Por isso os militantes da Coordenação Anarquista Brasileira, da qual a Federação Anarquista Gaúcha faz parte, são trabalhadoras e trabalhadores, filhos e filhas do povo. Somos militantes, e como tais, atuamos em sindicatos, ocupações de moradia e movimento estudantil e demais espaços sociais. Defendemos o trabalho de base, buscando mobilizar distintos sujeitos sociais desde seus locais de trabalho, estudo e moradia. Portanto não nos prestamos a caricaturas pintadas pela Rede Globo e pelo Delegado Jardim.

Diante desta calunia, que tem por finalidade não apenas tipificar o anarquismo na Lei Antiterror mas também paralisar toda a esquerda revolucionária através do medo, afirmamos que não vamos nos acovardar, seguiremos em luta contra o ajuste e a repressão.

O Anarquismo é luta social e exige respeito

O Anarquismo existe há mais de 150 anos, é fruto do socialismo e uma ferramenta da classe trabalhadora par a conquista de seus direitos. Esteve presente na construção da Primeira Internacional e está nas lutas sociais da atualidade. Uma ideologia que historicamente participou de muitas das lutas organizadas e forjadas pelas mãos dos/as trabalhadores/as em diferentes continentes e países: Comunas Parisienses, Revolução Russa, Revolução Ucraniana, Revolução na Manchúria, Revolução Mexicana e a Patagônia Rebelde na Argentina; as Federações Operárias Regionais na Argentina (FORA) e no Uruguai (FORU). O Anarquismo também esteve presente e contribuiu muito no chamado “sindicalismo revolucionário” no Brasil, ajudando a impulsionar lutas e greves no início do século passado, como a Greve Geral de 1917.

O anarquismo, como ontem, permanece cotidianamente envolvido nas causas sociais, nas lutas sindicais, nas associações de bairros, de moradores. Compromissado em combater as desigualdades e opressões, defendendo o avanço nos direitos das mulheres e LGBTTT, pela demarcação dos territórios indígenas e quilombolas, em apoio e solidariedade aos povos e trabalhadores do campo.

A violência da mídia e da Globo

No último domingo, dia 29/10, em seu programa Fantástico, a Rede Globo tentou, de forma grosseira, confundir sobre o que de fato é a ideologia anarquista, chegando ao ponto de compará-la ao nazismo.

Violência é o que a Globo pratica, ao criminalizar e difamar a ideologia anarquista. Ao expor trocas de mensagens de celular sem nenhuma permissão para isso. É uma atitude irresponsável e leviana que pode prejudicar trabalhos sociais sérios construídos com esforço e compromisso no dia a dia.

Esse tipo de jornalismo serve apenas a seus próprios interesses, buscando lucrar vendendo factoides grosseiros e calúnias. É também um jornalismo servil aos interesses do Capital e da crescente Direita no país repete assim o mesmo papel que teve durante a ditadura civil-militar.

A violência dos poderosos contra o povo

É importante falarmos aqui também de toda a violência contra o povo praticada pelo capital, pelo Estado e governantes. A violência das eternas filas de espera dos hospitais, da falta de remédios e recursos, de salários não pagos aos profissionais da saúde. A violência dos transportes públicos, superlotados e sucateados, dominados por mafiosos amigos de governadores e prefeitos. Vamos lembrar da violência do ensino público abandonado pelo governo para ser privatizado. Os trabalhadores e trabalhadoras da educação que não recebem seus salários, e os estudantes que também são violentados pelo Estado. A violência dos latifundiários, grileiros e bancada ruralista contra os povos indígenas, sendo expulsos de seus territórios, contra os sem-terra e os pequenos agricultores. A violência do Estado e da polícia contra o povo negro, o genocídio nas favelas e periferias.

Mas, apesar disso, quem o estado, a polícia e a mídia rotulam de terroristas e violentos são aqueles que se organizam na busca pela transformação social, pelo fim de toda essa injustiça e desigualdade social promovidas pelos poderosos e capitalistas.

Solidariedade para avançar contra os ataques

A solidariedade por parte da esquerda é fundamental neste momento. Este não é apenas um ataque isolado contra a ideologia Anarquista. Não é possível compreender estes acontecimentos se não os pensarmos inseridos no contexto de avanço da direita no país. E mais ainda, na estrutura mundial de dominação do capital, em especial o imperialismo norte-americano e a forma como ele vêm atuando na América Latina e no Brasil. Para que os recursos naturais deste continente e seus povos sejam cada vez mais explorados, se faz necessário criminalizar e reprimir os movimentos sociais e as organizações políticas. Por isso é, toda a esquerda que está sob ameaça e ataque, assim como os movimentos populares. E todos aqueles que se opõem à sanha do capital internacional e nacional que quer colocar suas garras sobre os recursos naturais e as terras, e explorar ao máximo o povo, destruindo todos os direitos que foram conquistados com muita luta.

Por isso estes ataques devem ser denunciados. É preciso mostrar que o Anarquismo não é que mostra a mentirosa reportagem da Rede Globo, e que vem sendo veiculado pelos outros grandes veículos de informação (SBT e BAND). Não aceitamos nenhuma forma de criminalização muito menos ideológica. Somos historicamente fruto das lutas do nosso povo oprimido e permaneceremos firmes na luta anticapitalista por um mundo novo e uma nova sociedade que carregamos em nossos corações.

CONTRA A FARSA DA REDE GLOBO

ANARQUISMO NÃO É CRIME, É LUTA!

VIVA O ANARQUISMO!

[FAG] Fantástica Infâmia!

Fantástica Infâmia!
Uma teoria da conspiração ao gosto da extrema direita!

INFAMIA! Não há outro termo para se referir à farsa que foi promovida neste domingo pela Rede Globo através do programa “Fantástico”. Conhecido por seu aspecto idiotizante e sensacionalista, o Fantástico já alertava, logo em seus primeiros quadros, seu fetiche por teorias da conspiração ao apresentar mais uma de suas matérias sobre misteriosos OVINIS. Embaladas na onda conservadora, as teorias da conspiração, “rigor e sabedoria” dos estúpidos, vêm ganhando espaço cada vez maior nos grandes meios de comunicação. Não seria justo o Fantástico quem deixaria de aplicar uma “autêntica”.

O sensacionalismo apresentado em torno de uma nova teoria da conspiração foi a matéria sobre uma suposta “organização anarquista criminosa”, propagandeada ostensivamente ao longo dos últimos dias e guardada como a “chave de ouro” do programa.

A matéria em questão, abordou a operação da Polícia Civil do Rio Grande do Sul direcionada ao espaço cultural Parhesia, a ocupação urbana Pandorga, e nossa organização política, Federação Anarquista Gaúcha/Coordenação Anarquista Brasileira (FAG/CAB). Desde o início da operação (dia 24/10), a grande mídia local, com a RBS na linha de frente, já demonstrava ser parte ativa nessa conspiração. Acompanhando e difundindo quase que em tempo real todo o procedimento da Polícia Civil, os telejornais endossavam completamente a versão policial, emitindo toda sorte de juízo e condenações. Em meio ao show de horrores destacou-se o telejornalismo do SBT afirmando que se tratavam de grupos neo-nazistas.

Atentados isolados passaram a ser associados de forma escandalosa a ideologia anarquista e a nossa organização em particular. O cálculo é claro e largamente conhecido: buscam através do bombardeio midiático coagir os militantes sociais que se identificam com o anarquismo, deixar na defensiva, obrigar sairmos a público rezando a cartilha da “moral e dos bons costumes” dos “cidadãos de bem”, linchadores e hatters de internet, que cada vez mais estão ganhando terreno no país.

Buscam, através de factoides, criminalizar iniciativas de caráter artístico-cultural além de nossa organização, conhecida por mais de 20 anos de militância ininterrupta nas diversas lutas e organizações dos trabalhadores e oprimidos.

Trata-se de uma operação ao gosto da extrema-direita que vem se agrupando em torno de uma agenda moralista e com um discurso fortemente macarthista. Extrema direita essa que desde a onda de ocupações de escolas vem investindo na promoção de milícias para provocar, intimidar e, quando possível, atacar fisicamente atos promovidos pela esquerda ou contra aquilo que julgam um atentado aos “bons costumes”.

Enquanto isso proto-milícias fascistas e seus crimes de ódio passam impunemente!

Reunindo-se, entre outros, em grupos pró-Bolsonaro, estes militantes da extrema direita estão fazendo um grande carnaval reacionário nas redes sociais, exibindo armas e convocando os “cidadãos de bem” a atacar os “esquerdistas” e “defensores de bandidos”, enquanto cada vez mais levam sua demência para as ruas.

Em uma mobilização dos municipários de Porto Alegre, na ocasião em Estado de greve, um professor foi agredido com um bastão retrátil por um capanga de um youtuber, ambos vinculados ao MBL. No dia seguinte, eram recebidos com grande cordialidade no Paço dos Açorianos pelo prefeito Marchezan/PSDB, que pronto agradeceu seus feitos.

Como o ovo da serpente choca de norte a sul, vimos recentemente uma turba tumultuar e inviabilizar uma atividade acadêmica a respeito do centenário da Revolução Russa na Universidade Federal do Pernambuco (UFPE) aos gritos de “intervenção militar já”! O ataque a atividade docente, com vistas a patrulhar e censurar tudo aquilo que é dito nas escolas e universidades tem sido uma das muitas histerias presente na agenda da extrema-direita. Mas, se estamos falando da região sul do país, a extrema-direita historicamente teve uma presença “sombria”, pouco ou nada abordada. Trata-se do nazismo, ou neo-nazismo.

Foi justamente em Porto Alegre onde se abrigou a Editora Revisão, responsável por editar e difundir amplamente literatura nazista e de negação do holocausto, cuja página na internet segue ativa. Foi em Porto Alegre onde, em razão de um quipá, jovens foram esfaqueados em um bairro boêmio da cidade e também é aqui onde nas ruas são diários casos de agressões físicas a casais homosexuais, a travestis, a moradores de rua, mulheres, negros e imigrantes, haitianos e senegaleses sobretudo. Por detrás desses ataques operam grupos neo-nazistas e integralistas que atuam de forma coordenada em um “corredor do ódio” que envolve Porto Alegre-Serra Gaúcha-Blumenau-Curitiba. Periodicamente realizam encontros, no caso, as “gigs” de bandas “RAC” onde aproveitam para fazer uma espécie de ritual ao final dos concertos: sair em bando nas ruas para ”beber e se divertir”.

Toda essa confraria da extrema direita, que pratica e estimulam covardes atos de ódio, são muito bem conhecidas pelo Delegado Jardim, regente mor da conspiração em curso contra o anarquismo. Há mais de 10 anos, o Delegado Jardim é incumbido da tarefa de investigar a atuação destes grupos da extrema-direita, no entanto, até o presente momento, Jardim não apresentou nada além de aparições televisivas com sua empáfia característica.

A Síndrome de Estocolmo de um “novo” cruzado contra a esquerda!

Essa não é a primeira vez que Jardim direciona sua carga à lutadores sociais. Em 2013, em meio às muitas manifestações populares que reivindicavam o direito à cidade e protestavam contra os gastos da copa em Porto Alegre, uma operação de caça de militantes da Brigada Militar resultou na prisão de 3 professores que caminhavam após a dispersão do ato com uma bandeira do CPERS.

Jardim foi o Delegado que se encarregou do caso e logo buscou enquadrar os militantes como responsáveis pelo apedrejamento ao Museu Julio de Castilhos e a Catedral em meio a uma série de suposições. Precisavam de um bode expiatório para apresentar como troféu na grande mídia, encaminhando-os ao presídio. Impossibilitado de concluir seu objetivo, dada a forte solidariedade que garantiu a liberação d@s companheir@s, Jardim não se conteve e fez questão de convocar o serviço sujo da RBS. No dia seguinte, lá estava uma matéria destacada na Zero Hora e no ClicRbs que acusava professores de “atos de vandalismo”. Não bastasse citar o nome completo de dois companheiros e uma companheira, a matéria estampava uma foto de Jardim mostrando suas fotos. Em mais de 10 anos com a responsabilidade de investigar a atuação neo-nazista, Jardim nunca expôs publicamente um de seus milicianos. No entanto, quando se trata de alguma mobilização popular, alguma manifestação de esquerda, Jardim parece espumar.

Não seria exagero sugerir que todo esse tempo enquanto responsável da Polícia Civil para investigar o neo-nazismo no Rio Grande do Sul tenha levado o senhor Jardim à uma Síndrome de Estocolmo, apaixonando-se por aqueles que estava responsável por reprimir. A manifestação da simpatia enrustida não poderia vir de melhor forma que clamando cadeia, prisão e deportação à militantes sociais e a esquerda, elemento basilar de toda manifestação nazi-fascista.

O que representa a aventura do Delegado Jardim e da Rede Globo?

O episódio mais recente parece estar configurando o “momento de ouro” do delegado, que nunca teve tamanha audiência. Representante “do bem”, cruzado contra “quadrilhas do mal”, Jardim se depara agora em uma encruzilhada onde terá de decidir qual figura detestável na história dos oprimidos buscará “reencarnar”. Pode ser que queira ser uma versão dos trópicos de Frederick Katzmann em sua farsa contra Sacco e Vanzetti ou de Hermann Göring em seu alarme pelo incêndio ao Reichstag.

Seja o que for, nesta semana, a triste figura de Jardim roubou a cena na conjuntura política do país buscando criar um espantalho para conclamar uma caça às bruxas. Taxar e intimidar uma ideologia e uma organização política em meio a um momento de importantes greves na região, onde sua militância toma parte ativa buscando levar às últimas consequências as disposições de luta e organização que brotam em cada local de trabalho, estudo e moradia. Jardim e a Rede Globo buscam semear pânico e desorientação; em um primeiro momento no anarquismo militante, logo em seguida, se arvorarão em completar sua investida farsesca, carregada de factoides e arapongagens, ao conjunto da esquerda e dos movimentos sociais. Jardim roubou a cena para escancarar a verdadeira farsa que é a alternativa da extrema direita e seus aventureiros de plantão, que com o beneplácito do oligopólio da grande mídia se desenvolvem em tribunais e no aparelho repressivo do Estado, convocando e promovendo o genocídio da juventude negra nas periferias, a violência contra LGBTs e a intolerância religiosa; o extermínio dos povos indígenas e quilombolas e o ajuste fiscal.

Terrorismo contra os de baixo, terrorismo contra nossa classe! Jardim, a Rede Globo e seus cruzados que fiquem cientes que não nos curvaremos!

Contra o ajuste e a repressão! Luta e organização!

Federação Anarquista Gaúcha (FAG) – Organização integrada à Coordenação Anarquista Brasileira (CAB)

Solidariedade aos atingidos e atingidas pela perseguição policial anti-anarquista no Rio Grande do Sul

Nós, do Coletivo Anarquista Luta de Classe (CALC/PR) viemos por meio dessa nota expressar nossa solidariedade às organizações, companheiros e companheiras vítimas de perseguição política na última semana no Rio Grande do Sul. No ultimo dia 25 de outubro, o Anarquismo foi mais uma vez alvo de uma operação policial, que promoveu mandados de busca e apreensão na cidade de Porto Alegre e Região Metropolitana, como Viamão e Nova Hamburgo. Com base em acusações absurdas como tentativa de homicídio, uso de explosivos e formação de quadrilha, a chamada Operação Érebo invadiu de modo truculento a sede do Instituto Parrhesia (organização que atua na defesa dos Direitos Humanos) e da Ocupação Pandorga (que realiza atividades nas áreas de arte, cultura e educação), em busca da sede da Federação Anarquista Gaúcha – que já fora invadida nos anos de 2009 e 2013.

O caráter farsesco da operação é visível. Na Ocupação Pandorga, garrafas plásticas utilizadas como compactadoras de plástico para reciclagem foram apreendidas e tiveram suas imagens divulgadas na grande mídia como se fossem utilizadas para a fabricação de explosivos. Também foram apreendidos livros, cartilhas, bandeiras e panfletos, materiais que de acordo com o delegado constituem “provas suficientes” para sustentar as acusações. Criminalizar o anarquismo é o objetivo da operação policial e seus aliados midiáticos.

No próximo 18 de novembro a Federação Anarquista Gaúcha completará 22 anos de suor, luta e organização desde baixo. E sem dúvida é por essa história que o Estado vêm tentando colocar a FAG no centro da farsa da “organização criminosa”, tendo os mandados de busca e apreensão constado em nome da organização. Atacam o anarquismo pois esse espectro político luta fora dos limites da farsa eleitoral e das amarras burocrática. A militância anarquista, dentro dos movimentos sociais, procura enraizar junto ao povo um projeto radical que ameaça a manutenção dos privilégios da elite racista, machista e homofóbica que se mantém no poder desde o Brasil colonial até hoje.

Não tenhamos duvida e nem sejamos ingênuos: a criminalização não começa agora, e a mão do Estado é sentida mais forte por aqueles e aquelas que se posicionam combativamente ao lado dos interesses e da luta da classe oprimida, em um cenário onde a repressão policial é a regra para os de baixo. E se engana quem pensa que isso é problema apenas da militância vinculada à ideologia anarquista. Desde 2013 com as manifestações de junho contra o aumento da tarifa, passando pelos mega-eventos como a copa de 2014 e as olimpíadas no Rio de Janeiro em 2016, o aparato repressivo tem se sofisticado cada vez mais. São investimentos em equipamentos e treinamentos, medidas legislativas como a Lei Anti-Terrorismo aprovada pela ex-presidenta Dilma Rousseff (PT), e o fortalecimento de órgãos de inteligência e como o Gabinete de Segurança Institucional, onde se encontra a ABIN. Tudo isso em só uma direção: mapear e reprimir movimentos sociais e organizações políticas que representam uma ameaça aos interesses da elite brasileira e internacional, sejam anarquistas ou não.

solidariedade anarquismo e esquerda

Por isso nós do Coletivo Anarquista Luta de Classe, que partilhamos do mesmo projeto político anarquista nacional da FAG, através da Coordenação Anarquista Brasileira, viemos manifestar nosso apoio e solidariedade aos companheiro/as gaúcho/as que mais uma vez se encontram na mira da repressão e criminalização do Estado brasileiro!

Todo apoio a Ocupação Pandorga!
Todo apoio ao Instituto Parrhesia
Solidariedade a todos e todas que lutam!
Viva a Federação Anarquista Gaúcha!

[FAG] 25 DE OUTUBRO. ALERTA DE SOLIDARIEDADE!

Está em curso desde o começo da manhã uma operação policial anti-anarquista em Porto Alegre RS Brasil que procura fazer alvo especial sobre a FAG.

Não é só um problema nosso. O discurso criminal sobre o anarquismo nessa hora é um espantalho para assustar toda e qualquer rebeldia coletiva contra a política miserável do ajuste que está ai. Pra desmobilizar o sindicalismo de ação direta nas greves, isolar os setores combativos no movimento popular, criar com a ajuda da mídia uma categoria de lutadores/as indesejáveis, porque não se confortam com o estado de coisas, porque não pactuam com o poder e nem trocam a independência por cargos e gabinetes. O anarquismo, não podemos esquecer, foi a ideologia que correu nas veias daquele movimento operário que fez da greve geral uma arma poderosa e que arrancou da classe capitalista e das oligaquias, de peleja em peleja, os direitos históricos que agora estão sendo liquidados pela reforma trabalhista, a da previdência, o arrocho do orçamento público, etc..

A FEDERAÇÃO ANARQUISTA GAÚCHA (CAB) é uma organização política de trabalhadores e trabalhadoras, de filhos do povo, de socialismo, autogestão, democracia de base, luta contra as opressões colonial, de raça, de gênero, que cumprirá em novembro 22 anos de vida militante nas lutas sociais e políticas da região.

Não nos intimidaremos, não desmobilizaremos! Não se ajusta quem peleia! Pelo Socialismo e pela Liberdade!

Do secretariado da FAG/CAB

[FAG] Urgente! Contra a criminalização, rodear de solidariedade aos que lutam!

Ficamos sabendo há poucas horas de uma operação da polícia civil contra um suposto grupo responsável por diversos ataques contra viaturas policiais, banco, concessionárias de veículos, delegacias e sedes de partidos políticos. Segundo notícia divulgada no G1, serão atribuídos a este suposto grupo os crimes de formação de quadrilha, uso de explosivos e tentativas de homicídio. O endereço da nossa antiga sede pública, localizada na Travessa dos Venezianos, foi invadido pela polícia que apreendeu computadores, telefones, livros e outros pertences do grupo cultural que mantinha o espaço. Ficamos sabendo que o mandado era endereçado à nossa Organização. Outros locais político-culturais também receberam “visita” da polícia civil.

Trata-se de mais um FACTÓIDE que pretende criar um espantalho, um bode expiatório, para criminalizar e reprimir o conjunto dos movimentos sociais e da esquerda não-eleitoral e em específico a nossa ideologia. Em uma conjuntura de retirada de direitos, de ajuste fiscal, de intensificação da exploração e da dominação sobre o conjunto das classes oprimidas, a mão pesada da criminalização contra os e as anarquistas entra em cena.

Ainda não tivemos nosso local público invadido, mas acreditamos que pode ser só questão de tempo. Alertamos o conjunto dos e das lutadoras sociais sobre isso e sobre a necessidade de SOLIDARIEDADE a todos e todas que lutam!

NÃO SE INTIMIDAR!
CONTRA A CRIMINALIZAÇÃO DOS QUE LUTAM!
RESISTÊNCIA E SOLIDARIEDADE!

Federação Anarquista Gaúcha – FAG
25 de Outubro de 2017

100 anos da Greve Geral de 1917

Texto retirado do Jornal NO BATENTE 7

No ano em que comemoramos 100 anos de um dos mais emblemáticos episódios de luta da classe oprimida no Brasil também sofremos a perda de vários direitos conquistados naquele período. Por isso é necessário rever seus acontecimentos e utilizar da experiência acumulada para fermentar as lutas que travamos hoje e no futuro.

Contexto histórico

Eram tempos difíceis. Entre 1914 e 1917 o Brasil passou a ser um grande exportador de matéria prima e mercadorias devido à 1ª Guerra Mundial. Com o aumento da demanda na indústria e para obter altos lucros os empresários condenavam as trabalhadoras e trabalhadores a jornadas de trabalho de até 16 horas por dia, incluindo os domingos até o meio-dia, com salários de miséria. Os filhos dos operários de cinco a oito anos também trabalhavam nas fábricas, sofriam com mutilações nas máquinas e com jornadas noturnas.

Nesse cenário começaram a surgir ligas de trabalhadores e sindicatos, em grande parte vinculada a centros culturais e ateneus de presença e influência anarquista. A Greve Geral não aconteceu de forma espontânea, foi fruto de longo período de preparação e auto-organização, partindo dos acúmulos da grande greve de 1903. A pauta da Greve Geral apareceu no 1º Congresso Operário Brasileiro em 1906 e no 2º Congresso em 1913.

As reivindicações eram estabelecidas de acordo com as necessidades econômicas e a organização dos trabalhadores funcionava por meio de assembleias, construindo as decisões de baixo para cima, sem burocracia sindical e com muita solidariedade. Para atrair mais gente e formar quem estava na luta eram feitos centros de cultura, bibliotecas populares, festivais, peças teatrais e jornais.

Naquele período milhares de trabalhadoras e trabalhadores eram anarquistas e o sindicalismo revolucionário era a estratégia sindical mais forte. A primeira Central Sindical Brasileira, a COB (Confederação Operária Brasileira), foi fundada em 1906 e era hegemonicamente Sindicalista Revolucionária.

A Greve Geral no Brasil

A partir de maio de 1917 começam a surgir greves e em junho estouro uma greve das trabalhadoras da indústria têxtil, em São Paulo. O crescimento do movimento grevista provocou o combate entre operários e policiais, causando a morte do sapateiro anarquista José Martinez, o que se tornou a fagulha para iniciar a Greve Geral. A luta, que era mais especificamente por condições no local de trabalho, logo se espalhou para outras categorias e estados. Logo mais de 100 mil pessoas participavam e greve ganhou pautas mais gerais.

As vitórias do movimento foram: 8 horas de trabalho (na maioria das categorias), melhores condições de trabalho, aumento em 20% nos salários, não demissão dos grevistas, proibição do trabalho infantil, libertação dos presos durante a greve e defesa dos direitos das mulheres (que sofriam violência dos patrões e contra-mestres).

A Greve Geral no Paraná

Trabalhadoras e trabalhadores paranaenses foram delegados nos Congressos Operários Brasileiros que antecederam a greve e também organizaram um congresso estadual.

Em Curitiba, desde o início do século XX, já havia a presença de entidades como a Federação Operária Paranaense e a Liga dos Sapateiros de Curitiba, que eram importantes espaços de organização da classe trabalhadora. Em julho de 1917 explodiu a greve na cidade, marcada pela Ação Direta: trabalhadores cortaram a energia elétrica na cidade e derrubaram pontes para evitar a passagem de veículos e mercadorias. A repressão resultou em prisões, desaparecimentos e a tentativa, por parte do governo e dos empresários, de apagar qualquer vestígio que provasse a existência da Greve, porém, a classe oprimida venceu.

Lições para o presente

Passados 100 anos a Greve Geral segue sendo exemplo de luta e organização. Seu marcante caráter de base, calcado na solidariedade e na ação direta garantiram que hoje tivéssemos os direitos que agora estão sendo severamente atacados.

Que possamos nos inspirar na luta histórica das trabalhadoras e trabalhadores por uma sociedade livre, justa, solidária e igualitária, fazendo frente aos muitos ataques que sofremos no presente.

Não está morto quem peleia!
Viva a Greve Geral de 1917!
Viva o Sindicalismo Revolucionário!

[FAR] Santiago Maldonado Presente!

Divulgamos a recente nota da companheirada da Federação Anarquista de Rosário (FAR), Argentina sobre a confirmação da morte do militante anarquista Santiago Maldonado

SANTIAGO MALDONADO PRESENTE!

Nestes últimos dias se cumpriram 3 anos da aparição do corpo de Luciano Arruga, 7 anos do assassinato de Mariano Ferreira e hoje 20 de outubro se confirma o que todos/as intuíamos o corpo encontrado, rio acima, é de Santiago Maldonado.

Um jovem de bairro desaparece por não querer roubar para a polícia, um morre nas mãos de uma patota por lutar contra a precarização laboral, e outro é desaparecido por lutar pela autonomia do povo mapuche. Em todos eles há elementos em comum, a repressão do estado aponta para aqueles que resultam perigosos por se parte de uma juventude que não se submete, que não abaixa a cabeça, e que não assume os mandatos do sistema.

Contra a repressão nos bairros, contra a precarização laboral e pela autodeterminação dos povos, por todas essas reivindicações tão urgentes seguiremos lutando.

O estado mostrou sua cara mais terrível e voraz, o mecanismo da desaparição forçada é uma metodologia que as classes dominantes sustentam, com suas particularidades, nas distintas conjunturas. E aparecem também as operações midiáticas, desesperadas por instalar na sociedade um discurso que desmobilize, e busque nos de baixo a responsabilidade do que vem acontecendo.

Ainda assim, não puderam freiar as gigantescas mobilizações populares de variados setores em todo este tempo, e temem pela magnitude do fastio e da indignação de nosso povo, que ante semelhante ofensa a sua dignidade, se manifestará mais cedo ou mais tarde nas ruas de todo país.

O QUE MORREU LUTANDO VIVE EM CADA COMPANHEIRO

SANTIAGO MALDONADO PRESENTE!

Federación Anarquista de Rosário

Tradução: Coordenação Anarquista Brasileira (CAB)

A História sendo construída: Ocupações de Escolas no Paraná

Texto retirado do Jornal NO BATENTE 7

As mais de 850 escolas estaduais ocupadas no Paraná em 2016 foram um marco na história da luta estudantil mundial. Este processo, que não era previsível nem pelos estudantes, professores e pesquisadores, tampouco pelos movimentos sociais e organizações políticas, se deve em grande medida pela influência de outros processos de luta na América Latina.

Ocupações secundaristas anteriores

No ano de 2006 houve, no Chile, uma onda de ocupações de escolas chamada A Revolta dos Pinguins. Esta experiência de luta com protagonismo estudantil seguiu inspirando estudantes e foi talvez a maior influência para o processo brasileiro do final de 2015 e início de 2016. Em São Paulo mais de 200 escolas foram ocupadas contra o fechamento de escolas proposto por Alckmin (PSDB) e ao redor do país houve também ocupações contra o projeto Escola sem Partido, por merenda de qualidade e contra a privatização, terceirização e precarização da educação. Neste período, o Rio Grande do Sul ocupou mais de 100 escolas, o Rio de Janeiro e o Ceará tiveram mais de 50 e Goiás mais de 20.

Histórico de Lutas no Paraná

O estado do Paraná conta ainda com importante história de lutas e conquistas do povo, seja na cidade, no campo ou floresta. Neste estado houve expressiva luta estudantil contra a ditadura militar e aqui surgiu o maior movimento social organizado do mundo, o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra), além de dezenas de ocupações urbanas que marcaram os anos 80 e 90.

A tática de ocupar prédios públicos para reivindicar direitos é comum a muitos movimentos sociais e bastante utilizada por estudantes nas universidades públicas brasileiras. Estudantes da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Universidade Estadual de Londrina (UEL), Universidade Estadual de Maringá (UEM), utilizaram esta tática diversas vezes, tomando o prédio da Reitoria e impedindo o funcionamento normal da instituição até que as pautas fossem negociadas. Desde os anos 2000 a UFPR, por exemplo, teve sua Reitoria e campus ocupados por quatro vezes, na UEL, foram três ocupações até agora; e na UEM duas. Ou seja, esta prática marcou a história das universidades, escolas e escolas técnicas por todo o Paraná e pelo Brasil.

Além das lutas estudantis propriamente ditas, outros processos de luta influenciaram os secundaristas paranaenses. Recentemente, em 2015, houve um episódio conhecido como Massacre do Centro Cívico, que aconteceu em 29 de abril em Curitiba. Neste dia milhares de trabalhadoras e trabalhadores de diversas categorias do funcionalismo público municipal foram atacados com bala de borracha, spray de pimenta e bombas de gás lacrimogênio. Neste período ocorreram duas ocupações da Assembleia Legislativa do Estado do Paraná (ALEP), protagonizadas por educadores, estudantes e outros trabalhadores indignados contra o Pacotaço de Maldades proposto por Beto Richa (PSDB). Vários dos estudantes presentes em solidariedade aos seus professores ocuparam suas escolas cerca um ano e meio depois para, mais uma vez, defender a educação publica e nossos direitos.

Jornadas de Junho de 2013

As Jornadas de Junho de 2013 foi também um processo de lutas importantíssimo, conhecido no Brasil e no mundo. Foram milhões de pessoas nas ruas lutando inicialmente contra os aumentos nas tarifas do transporte público e depois estendendo para várias outras pautas, reivindicando, sobretudo, serviços públicos de qualidade. O movimento foi construído independente de partidos políticos e empresas e conquistou redução no valor da passagem de ônibus em mais de 100 cidades brasileiras. Este período marcou a história da luta do povo oprimido no Brasil, demonstrando que é nas ruas que o povo irá forjar seu próprio caminho e que só assim é possível barrar os ataques dos poderosos.

Lições com estas lutas

Todas estas experiências foram marcadas pela intensa defesa de autonomia dos movimentos. Os protagonistas foram as próprias pessoas afetadas pelos diferentes ataques dos de cima. Muitas contribuições foram feitas e muito apoio foi dado por diversas pessoas, coletivos e organizações políticas, mas palavra de ordem entoada pelos estudantes deixava claro seu caráter: “Autonomia, autogestão, é nós por nós defendendo a educação!”. Apareceram também organizações políticas e pessoas contrarias ao movimento tentando desconstruí-lo, mas os estudantes resistiram e quem discutiu e deliberou os rumos das ocupações foram as pessoas diretamente envolvidas.

A combatividade dos movimentos sociais tem estado cada vez mais presente no cenário brasileiro, com aumento no número e na força das ocupações, trancamentos de ruas e marchas que param as cidades. Não foi por meio de conchavos e conversas de gabinete que garantimos nossos direitos, mas sim com a luta combativa das massas. Ainda assim, para combater os ataques com efetividade e coerência foi e é necessário um processo de aprendizagem e auto-organização. Assembleias permitiram que estudantes e trabalhadores entendessem de que modo cada ataque afetaria o futuro e decidissem os rumos que o movimento deveria tomar, disseminando a democracia de base e se distanciando da autoridade de dirigentes.

Contudo, não ganhamos todas as batalhas e muitas ainda estão por vir. O desafio é fazer com que os acúmulos destes processos não se percam e caminhar para o fortalecimento das organizações na base. Muitas destas lutas, entretanto, demonstram fragilidades de organização no campo tático/estratégico. É só com a prática concreta e o acumulo histórico da classe oprimida que podemos avançar e fortalecer a luta do povo. As ocupações de escolas e as lutas que as antecederam nos dão valiosas lições que permitem acertarmos mais no futuro para garantirmos mais direitos!