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[CAB] 15 DE MAIO: POVO NA LUTA EM DEFESA DA EDUCAÇÃO E CONTRA A REFORMA DA PREVIDÊNCIA

O avanço do neoliberalismo atrelado ao imperialismo norte-americano operam na América Latina uma violenta conjuntura de saque das nossas riquezas, devastação ambiental, retirada de direitos conquistados pela luta popular e extrema precarização da vida do nosso povo. No Brasil, o governo neoliberal e de extrema-direita de Bolsonaro protagoniza com rapidez avassaladora esse processo. E nesse quadro grave a educação, a ciência e a cultura estão na mira dos poderosos.

Um projeto das elites e do governo para destruir a educação

Não se pode esquecer, contudo, que esse projeto de desmonte da educação não começou ontem. Governo federal, estados e municípios em sucessivos governos operaram medidas que precarizam e cada dia mais inviabilizam cada vez mais a educação pública e de qualidade para o nosso povo. Nesse percurso, o conjunto de ataques que enfrentamos é enorme. Medidas como a falta de investimento e cortes orçamentários, fechamento de escolas, fragilização das relações de trabalho e perseguição aos trabalhadores da educação, reformas curriculares e projetos autoritários e ideológicos como o Escola sem Partido.

O Escola sem Partido esconde por trás de sua máscara um projeto ideológico que tem como objetivos acabar com o ensino crítico e a autonomia, censurar e perseguir educadores e promover o revisionismo histórico para defender a versão dos poderosos. As diretrizes da Reforma do Ensino Médio e da nova BNCC nos arrancam a possibilidade de ampliar repertórios culturais e restringem o acesso a disciplinas fundamentais para a formação de um pensamento crítico. Numa lógica nítida de flexibilização dos conteúdos ao mínimo para a formação de mão de obra barata ao mercado. O combate e difamação da discussão de gênero e sexualidade é a tentativa de moralização do ensino pelos interesses religiosos, negando a diversidade e contribuindo para a manutenção da violência sexista e homofóbica. A massificação do ensino à distância também vai nessa lógica, buscando atingir o máximo de alunos de forma barata e desqualificada, além de esvaziar o sentido do professor e da coletividade da sala de aula. Inclui-se aí também a ampliação do investimento nas empresas privadas de educação privada, a militarização de escolas educação e a aposta no ensino domiciliar, entre outras medidas.

O sistema federal de educação, por exemplo, sofre perdas orçamentárias através de contingenciamentos desde 2014, ainda durante o governo petista de Dilma Rousseff que, ironicamente, adotou o lema “Pátria Educadora”. Michel Temer avançou com o desmonte, reduzindo o orçamento a partir de 2017. Com os limites impostos pela PEC 95/2016, que estabelece o chamado teto dos gastos e congela por 20 anos os investimentos em áreas como saúde, assistência social e educação, o acesso do nosso povo aos direitos mais básicos já está inviabilizado.

O governo Bolsonaro, que tem a educação como um de seus principais inimigos, anunciou recentemente o bloqueio de muitos milhões de reais do orçamento, já reduzido, da educação, que atingindo  do ensino básico  ao  superior. Junto com isso, vem um ataque à autonomia universitária, à liberdade de cátedra, à organização dos trabalhadores e trabalhadoras da educação e dos estudantes. Cortes de bolsas e de verbas para a pesquisa, criação de uma imagem do professor como “inimigo” e perseguição aos servidores públicos, ameaças de fechamento de cursos que “não produzem” e uma cruzada contra as ciências humanas.

O governo declarou guerra às instituições públicas de ensino, e tanta desqualificá-las com Fake News, outras formas de mentiras. Buscam com isso convencer a população a apoiar seu projeto perverso de precarizar para privatizar a educação, acabando também com os espaços de crítica e resistência.

Essas medidas têm continuidade no que foi feito nos governos anteriores, mas se articulam num projeto político ideológico de extrema-direita junto a chantagem neoliberal mais aprofundado

Não há dúvidas que um grande desafio desse desgoverno para se sustentar é o roubo da nossa aposentadoria com a aprovação da Reforma da Previdência. Não à toa, o governo tem dito com todas as letras e sem nenhuma vergonha na cara que o “bloqueio” do orçamento da educação pode ser revertido se a reforma for aprovada. A corja do andar de cima, uma elite de capitalistas proprietários, banqueiros, juízes, milicos e políticos quer aprofundar a captura do orçamento público via dívida pública e reformas, cortando na carne do povo pra manter essa farra.

Defender a educação e a previdência social nas ruas

Se os ataques são muitos, também é grande nossa resistência, com a juventude que resistiu nas ocupações, as trabalhadoras e trabalhadores que construíram tantas greves, manifestações, piquetes. Agora é hora de endurecer essa luta. É preciso defender creches, escolas e universidades públicas, pois na educação do povo não se mexe, a educação do povo não se vende. A educação consiste de práticas de liberdade. Nos amplia consciências, nos dá sentidos de coletividade e solidariedade. É contra isso que os de cima lutam.

A estudantada está na linha de frente e já aponta o caminho. Grandes mobilizações e assembleias estão ocorrendo por todo país. Temos também o desafio de mobilizar o sindicalismo, romper as velhas burocracias e fórmulas reformistas. Não é com abaixo assinado para deputados nem com atos burocratizados e inofensivos ao governo que se vence essa luta. É COM POVO NA RUA!

É o momento de romper com o desalento que não constrói alternativas a nossa exploração. A precarização das escolas e da carreira docente produz um sentimento de isolamento e enfraquecimento, incapazes de combater os ataques e cortes sentidos. Porém, cada colega deve ser ponto de apoio e fortalecimento para resistir, ampliando o debate e construindo adesão desde os locais de inserção, fortalecendo desde a base a luta popular e a mobilização.

É com punho cerrado, construindo unidade nas comunidades escolares e acadêmicas, em favor da Educação Pública, da produção científica e da autonomia das instituições de ensinos, que se cria motor para impulsionar o enfrentamento às politicas de desmantelamento da Educação.

Nesse 15 de Maio, as organizações da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB) somam-se à luta das e dos estudantes e das trabalhadoras e trabalhadores da educação por todo país. Todo o povo na rua defendendo a educação pública e popular e defendendo a nossa aposentadoria. A greve da educação aponta caminho pro 14 de Junho, da GREVE GERAL contra a Reforma da Previdência.

POR UMA EDUCAÇÃO PÚBLICA, POPULAR E DEMOCRÁTICA!

POR UMA GREVE GERAL DESDE A BASE, EM DEFESA DA EDUCAÇÃO E CONTRA O FIM DA APOSENTADORIA!

[CAB] O 1º de Maio e a Luta contra a Reforma da Previdência: Construir uma Greve Geral desde a base para defender nas ruas a nossa aposentadoria!

O ajuste neoliberal no Brasil e na América Latina avança. Direitos históricos da classe trabalhadora e conquistas das lutas sociais estão sendo ou foram destruídos. Começou com o florestal. Avançou sobre o trabalhista. Desmantelou o minerário. Mexeu com o civil e agora quer acabar com o sistema de seguridade social. Este é composto por tripé: saúde, previdência e assistência social. Juntos eles garantem minimamente mecanismos de divisão de renda e pequenos avanços na justiça social tão cara neste continente. Foi produto de acumulo de lutas de nossa classe que começou com o sindicalismo revolucionário no início do século XX se estendeu por todo esse século. O pacto de classes da constituição de 88 absorveu parte das demandas acumuladas e arrebentadas pelo calor das lutas do movimento sindical e popular, mas por outro lado reservou a espada da exceção para cravar nos setores negros e populares que nunca tiveram lugar na democracia burguesa.
 
No ano que se completam 134 anos do martírio dos trabalhadores em Chicago nos EUA pela jornada de 08 horas, o Governo Bolsonaro “presenteia” o mundo do trabalho no Brasil com a reforma da previdência. A PEC 06/2019 é um pacote de maldades que altera a idade mínima para a aposentadoria (de 65 anos para os homens e 62 anos para as mulheres), atinge a contribuição rural (aumenta de 55 anos para 60 anos a idade mínima para as trabalhadoras rurais e estipula 600 reais de pagamento, ou seja, abaixo do salário mínimo). Isso tudo sem a devida correção pelos índices inflacionários e ataca frontalmente o regime de aposentadoria do setor público. Todas essas mudanças significam a morte da seguridade social para o povo e lucros ainda maiores para as elites corruptas do país.
 
Isso trás consequências dramáticas para o conjunto da classe trabalhadora. Aumenta ainda mais a precarização do trabalho de homens e mulheres. Privatiza o direito público da aposentadoria transferindo a contribuição para uma conta individual administrada por um banco privado. Esta instituição financeira, por sua vez, cobrará taxas e juros exorbitantes e usará nosso dinheiro para investimentos não consentidos. Isto é muito perigoso e trará uma quebradeira geral para todo o sistema de seguridade do país como aconteceu no Chile. Essa proposta de capitalização engorda ainda mais o lucro dos banqueiros, alarga a esfera privada diminuindo nossa capacidade de gestão e controle sobre nossa própria aposentadoria.
 
Reivindicamos a memória classista e combativa do 1º de maio como inspiração para a luta que se apresenta, chamando o conjunto da esquerda revolucionária para a construção de uma grande greve geral. Desde a base, combatendo a burocratização sindical, apontando a necessidade de construção de comitês contra a reforma da previdência nos locais de trabalho, de moradia, nas escolas e universidade e no campo brasileiro.
 
Para o dia 15 de maio já está convocado o dia da Greve Nacional da Educação, onde a Coordenação Anarquista Brasileira – CAB se somará ombro a ombro ao conjunto dos trabalhadores e trabalhadoras da educação, num dia de luta e resistência contra a reforma da previdência, em defesa da educação pública, popular e democrática, rechaçando qualquer perspectiva nefasta de sua militarização. 
 
Imbuídos pelo exemplo e memória dos trabalhadores anarquistas enforcados em Chicago a CAB condena qualquer ação que venha transformar o 1º de maio num dia de festas com shows de artistas. Entendemos que essas datas (01 de maio e 15 de maio) devem servir de acúmulo de mobilizações que nos levem a greve geral para derrotar o Governo Bolsonaro, suas forças proto-fascistas e manter o nosso direito a previdência e seguridade social. Nossa luta deve ter um duplo sentido nestes dias: potencializar a força das ruas com mobilizações de massa para derrotar a sanha do capital em meter as mãos em nossa previdência e ao mesmo denunciar os setores pelegos e burocráticos do sindicalismo institucional (CUT, CTB, Força Sindical.)
    
CONTRA A REFORMA DA PREVIDÊNCIA E O DESMONTE DA SEGURIDADE SOCIAL!
DO LUTO À LUTA: POR UM 1º DE MAIO CLASSISTA E COMBATIVO!
POR UMA GRANDE GREVE GERAL DESDE A BASE PARA DERROTAR O CAPITAL, OS FASCISTAS E O GOVERNO BOLSONARO!
 
COORDENAÇÃO ANARQUISTA BRASILEIRA – CAB

[CURITIBA] 2º Encontro do CEL- Anarquismo: Classes Sociais e Poder

 

 Anarquismo : Classes Sociais e Poder

Na próxima terça-feira, 7 de maio, o CALC articulará seu grupo de estudos em Curitiba. Faremos o CEL no Prédio Histórico da Universidade Federal do Paraná, às 19:00, na sala 205 da Psicologia.

Assim como nos anos anteriores, estaremos nos encontrando na última terça-feira de cada mês, discutindo vários temas relevantes para os movimentos sociais, para a esquerda e para o anarquismo. Infelizmente não foi possível realizar nosso encontro no dia 30 de abril, tendo que ser adiado para o dia 7 de maio.

Este módulo tem como finalidade expor o entendimento que os anarquistas (da vertente de massas) têm dos sujeitos revolucionários, sendo a concepção destes distinta das demais correntes do socialismo por negar o exclusivismo “proletário”. Num segundo momento, buscaremos estabelecer a noção de poder para os anarquistas e a sua proposta de organização.

Os textos base são:

Da periferia para o centro sujeito revolucionário e transformação social – Felipe Corrêa

Nossa concepção de poder popular – Artigo teórico elaborado pela Coordenação Anarquista Brasileira para o primeiro número de sua revista Socialismo Libertário, publicado em junho de 2012.

Baixe aqui: CEL III

Evento: https://www.facebook.com/events/394974778025091/

Venha participar!

[CAB] CONTRA A REFORMA DA PREVIDÊNCIA, ORGANIZAR A LUTA DESDE A BASE COM AÇÃO DIRETA POPULAR E SOLIDARIEDADE DE CLASSE!

No dia 20 de fevereiro de 2019, após meses de especulação do mercado financeiro, chantagem dos grandes empresários e publicidade pesada da mídia corporativista, o governo Bolsonaro entregou na Câmara dos Deputados a tão cobiçada Reforma da Previdência. Finalmente a classe trabalhadora brasileira conheceu qual será o tamanho do ataque que vem pela frente através da caneta dos de cima. 
Como já era previsível, o projeto de Paulo Guedes é ainda mais duro do que o apresentado por Temer. Essa reforma significa mais retirada de direitos de trabalhadoras e trabalhadores.
 
Dentre os pontos mais críticos da proposta do governo Bolsonaro, está o aumento da idade para a aposentadoria. Para ter acesso ao benefício, as idades mínimas passarão a ser de 65 anos para os homens e 62 para mulheres. O tempo mínimo de contribuição também aumentará de 15 para 20 anos, e para receber o valor integral da aposentadoria, o trabalhador terá que contribuir por 40 anos! Um tempo escravizante para a realidade do emprego no Brasil. Aliada à Reforma Trabalhista e seu decorrente aumento do trabalho informal, intermitente, pejotização etc, a Reforma da Previdência irá significar que contribuiremos a vida inteira e não receberemos nada dessa contribuição. Calcula-se que o(a) brasileiro(a) levaria 53 anos a partir da entrada no mercado de trabalho para poder se aposentar com 100% do valor do benefício, praticamente a destruição da Previdência pública.
 
O acesso à aposentadoria pelas mulheres será ainda mais difícil. A combinação entre a idade e o tempo de contribuição ficou mais dura. A estrutura machista da sociedade faz com que o tempo de contribuição seja mais curto, já que o desemprego é maior e muitas mulheres com filhos(as) sequer são contratadas em algumas empresas. E como os salários das mulheres são mais baixos em relação ao dos homens – ainda menores para as mulheres negras – o valor final da aposentadoria também vai ser menor.
 
Outro ponto é o “gatilho automático”, que determina que sempre que aumentar o índice estipulado pelo governo para medir a expectativa de vida, automaticamente aumenta o tempo para a aposentadoria. Bolsonaro e as classes dominantes querem impor aos trabalhadores o pagamento da “crise” para a manutenção de seus lucros e de seu poder, em mais uma medida que amplia o avanço nefasto do Estado Policial de Ajuste, oprimindo, explorando e precarizando ainda mais a vida do trabalhador.
 
QUAL O PANO DE FUNDO DESSA REFORMA? QUEM GANHA SÃO OS BANCOS!
 
O governo diz que essa reforma é necessária para o país crescer e reduzir os déficits das contas públicas. Conversa fiada! Essa reforma beneficia somente os bancos e grandes empresários. Ela significa na realidade menos direitos e mais miséria para as trabalhadoras e  trabalhadores brasileiros.
 
Além de ferir de morte a aposentadoria pública, a proposta abre caminho para o mercado financeiro. Com uma aposentadoria mais difícil de ser acessada e com valores mais baixos do benefício, deve crescer o mercado da previdência privada. Cumprindo assim a agenda neoliberal que, para garantir mais lucros aos bancos, prega a redução dos gastos sociais do Estado. Receituário que impôs enormes retrocessos, como a Reforma Trabalhista, a terceirização irrestrita e a Emenda Constitucional 95 — que congela por 20 anos os investimentos públicos. A Reforma da Previdência, que Temer não conseguiu aprovar, é o que faltava nesse pacote de ataques do capital financeiro.
 
Se é boa para os bancos, ela é péssima para o trabalhador! Paulo Guedes e Bolsonaro pretendem criar para a Previdência um regime de capitalização privatizado, em que cada trabalhador recolhe para a própria aposentadoria  a exemplo do que foi implantado na sangrenta ditadura militar de Pinochet, no Chile. Sob a doutrina da Escola de Chicago (seguida por Guedes), o país latinoamericano entregou a gestão das aposentadorias para entidades privadas. O resultado foi péssimo para o povo: mais de 90% dos beneficiados recebem pouco mais da metade do salário mínimo chileno. Às bordas da miséria, a taxa de suicídio de idosos tem crescido a cada ano: entre 2010 e 2015, 936 chilenos com mais de 70 anos tiraram suas próprias vidas. Desastre para trabalhadoras e trabalhadores, lucro para empresários. As Administradoras dos Fundos de Pensão, formada por multinacionais (inclusive o banco BTG Pactual, fundado por Paulo Guedes), ano a ano fecham suas contas com enormes taxas de lucros. Em 2018, elas somaram mais de 450 milhões de dólares em lucros, o equivalente a mais de R$ 1,7 bilhão. Importante lembrar que, nesse modelo, os empregadores e o governo não fazem contribuições. Nos últimos anos, a população vem pressionando para que o país volte a adotar o sistema solidário, que é o modelo brasileiro atual.
 
O TRABALHADOR NÃO VAI PAGAR ESSA CONTA!
 
Os  empresários e governos argumentam que a Reforma da Previdência é urgente por conta de um déficit, cujos cálculos utilizados são no mínimo questionáveis. Por exemplo, quando falam em déficit não mencionam o desvio dos recursos da Previdência e da Seguridade Social feitos por todos os governos, através sobretudo da chamada DRU (Desvinculação das Receitas da União). Esse mecanismo permite ao governo tirar recursos da Seguridade Social (formada por Previdência, Saúde e Assistência Social) para usar em outras áreas que achar necessário. Desde Temer, o percentual permitido passou de 20% para 30%. Claramente uma forma de retirar verbas dos direitos sociais para pagar os juros da dívida pública. Além do calote de grandes empresas, que não pagam o que devem à Previdência. São quase R$ 500 bilhões de dívidas de empresas com o INSS. Não somos nós que devemos pagar essa conta!
 
Mesmo a inclusão na reforma de setores como os militares, políticos e a alta burocracia do funcionalismo público não justifica a proposta, já que quem tem salários maiores tem condições de poupar para a aposentadoria. Essa manobra não passa de um disfarce para tentar ganhar apoio do povo, mas o fato é que a aposentadoria dos mais pobres vai ser ainda mais precária.
 
CONSEQUÊNCIAS DA REFORMA
 
Caso seja aprovada, essa reforma vai gerar ainda mais pobreza e jogar na miséria grandes contingentes da população mais pobre. Com o desmonte do SUS e de outros serviços públicos como a Educação, vai crescer o trabalho informal e o desemprego, além de dificuldades dos mais jovens para entrar no mercado de trabalho. A criação da carteira verde e amarela, que prevê menos direitos trabalhistas, é outra punhalada na Previdência, o que somado com os outros fatores, vai quebrar de vez o sistema.
 
O pacote traz ainda mais maldades, como o pagamento de um salário mínimo a idosos pobres somente a partir dos 70 anos, redução de até 40% no benefício de quem ficar incapacitado, e o fim da multa de 40% do FGTS para aposentados que estejam trabalhando, e sejam demitidos. Professoras(es) e trabalhadoras(es) rurais terão que trabalhar ainda mais, sendo essas algumas das consequências dessa proposta nefasta que começa a ser discutida no Congresso.
 
ORGANIZAR A LUTA DESDE A BASE!
 
Enfraquecidas economicamente e há muito tempo acostumadas com reuniões de gabinete, as grandes centrais sindicais ainda apostam nas negociações no Congresso e na desarticulação do governo com as bancadas na Câmara. Ainda estão distantes de começarem a construção de uma dia nacional de paralisação.
 
Agonizando, o sindicalismo tradicional burocratizado é incapaz de mobilizar trabalhadoras e trabalhadores e acaba por repetir as mesmas fórmulas e repertórios de ação, com dirigentes discursando em cima de carros de som, o que tem sido incapaz de construir uma luta popular de resistência contra os ataques dos governos e patrões.
 
É necessário criar uma forte campanha de luta contra a Reforma da Previdência, com um repertório de ações que vá além dos discursos das centrais. A história mostra que nossos direitos foram conquistados a defendidos pela luta popular, nas ruas. Por isso, não dá para entregar a defesa de nossas aposentadorias às mãos dos políticos e seus conchavos. Não será o jogo de negociações no Congresso que vai barrar essa proposta. É a luta cotidiana nas ruas, nos locais de trabalho, de moradia e de estudo, com vistas à radicalização em uma Greve Geral, que vai mostrar a nossa força e sepultar a Reforma da Previdência.
 
 
DEFENDER NAS RUAS A NOSSA APOSENTADORIA!
 
DESDE A BASE, COM LUTA POPULAR E SOLIDARIEDADE DE CLASSE!
 
CONTRA A REFORMA DA PREVIDÊNCIA, CONSTRUIR UMA GREVE GERAL DE BASE!

[CURITIBA] 1º Encontro do CEL – O que é Anarquismo?

[CURITIBA] 1º Encontro do Círculo de Estudos Libertários (CEL) – O que é Anarquismo?

O CEL-Curitiba é um dos grupos de estudos articulados pelo Coletivo Anarquista Luta de Classe (CALC) no estado do Paraná. Retornamos em 2019 com encontros mensais, nas últimas terças-feiras do mês, sempre às 18:30, no Campus Santos Andrade da UFPR.
Próximo encontro – Quando: dia 26 de março, 18:30, terça-feira.
Onde: PRÉDIO HISTÓRICO DA UFPR, SALA 205 DA PSICOLOGIA

O que é Anarquismo

Neste primeiro encontro buscamos apresentar quais são nossos objetivos e a dinâmica que pensamos para o Círculo de Estudos Libertários durante o ano. Além disso, a partir da discussão baseada no texto e nesta primeira temática, “O que é o Anarquismo”, pretendemos dar um panorama geral sobre quais princípios, ideias e conceitos são fundamentais ao anarquismo e discutir um pouco sobre como esta ideologia se formou e esteve presente na história.

O texto base é:

– O que é Anarquismo? – Coordenação Anarquista Brasileira (CAB), Revista Socialismo Libertário, nº 3.

Baixe aqui:
https://coletivoanarquistalutadeclasse.files.wordpress.com/2017/03/cel-01-o-que-c3a9-anarquismo.pdf

Para mais informações sobre os textos e temas que discutiremos durante o ano, visite: https://anarquismopr.org/grupos-de-estudos-libertarios/

Venha participar!

[CAB-FAU] Declaração da Federação Anarquista Uruguaia e da Coordenação Anarquista Brasileira sobre a situação na Venezuela

FEVEREIRO DE 2019
 A Venezuela está mais uma vez na mira e no centro dos debates. Declarações bombásticas de diversos atores sociais em todos os meios de comunicação condenando o governo de Maduro, alguns reconhecendo Guaidó como Presidente, outros se distanciando de ambos, como se tudo o que está em jogo na Venezuela, neste momento, fosse resolvido no reconhecimento ou não de um determinado governo. O assunto é muito mais profundo, e como já abordamos em outras ocasiões, tentaremos fazer aqui uma análise conjuntural específica cuja trama é muito mais complexa. Uma análise que realizamos com o máximo rigor possível, mas sempre amparados em nossa concepção anarquista e especifista, como parte dos povos latino-americanos que resistem às estruturas diárias do sistema capitalista e do imperialismo norte-americano, presente há quase dois séculos em nossa região.
Imperialismo que com seu monroísmo (programa da Doutrina Monroe) tem a pretensão de que a América Latina seja seu quintal. Em 10 de janeiro, Nicolás Maduro adentrou um novo período de seu governo. Nas semanas anteriores, o Grupo Lima (grupo criado e composto por 12 países da região com o único propósito de derrubar o governo de Maduro) empreendeu uma campanha ativa contra o que eles consideram ser um “ditador”, “usurpador”, “um governo ilegítimo”, com o objetivo de impedir um novo mandato de Maduro e do PSUV (Partido Socialista Unificado da Venezuela).
Esta nova campanha veio acompanhada de uma importante atividade interna da oposição ao governo do PSUV, que incluía a autoproclamação do desconhecido Juan Guaidó como “presidente interino ou de transição”. Quem é Juan Guaidó? De onde veio? A mesma pergunta foi feita pela imprensa internacional que o apoiava, ou seja, grande  parte da mídia internacional apoia alguém desconhecido e ainda o “apresentam a sociedade”. Mas a agência estadounidense de notícias AP havia informado que Guaidó, viajou em meados de dezembro “silenciosamente” a Washington, Colômbia e Brasil para informar aos funcionários sobre a estratégia de oposição de manifestações massivas para que coincidira com o esperado juramento de Maduro para um segundo mandato em 10 de janeiro, segundo o ex-deputado de Caracas (fugido e exilado) Antonio Ledezma.
Esse mesmo Juan Guaidó é um deputado pertencente a um grupo de ultradireita da oposição, suposto presidente da Assembleia Nacional, que desde 2016 não funciona, não se reúne, devido a certos conflitos entre a oposição e o governo naquela época,  ao assumir uma maioria opositora na dita assembleia ou parlamento. Um conflito de poderes dentro do Estado, mas que agora a direita, articulando diretiva imperiais, utiliza para tentar dar um novo golpe de Estado.
Houve dos fatos políticos de relevância que ocorreram de forma quase simultânea e não foram coincidências, correspondiam a uma estratégia e acordos prévios, a auto-juramentação de Guaidó e o reconhecimento imediato dos Estados Unidos. O que chama a atenção nesta ocasião é que Juan Guaidó se tornou o líder da oposição da noite para o dia, com o total apoio do governo dos Estados Unidos, para desestabilizar novamente a situação política e social venezuelana, de modo a acabar com “a Revolução Bolivariana” e reintegrar os partidos da direita e da extrema direita novamente ao governo. Houve algum pequeno rearranjo no projeto que vinha se desenrolando. Os próprios operadores e cérebros políticos da direita venezuelana criticaram Guaidó por sua “amornada” nos primeiros momentos de sua aparição pública porque não decidira proclamar-se “presidente interino”, como fez em 23 de janeiro com total apoio dessa mesma direita e dos EUA. Toda direita vem incitando um golpe de estado de forma simples e direta. Golpe de Estado não tradicional e onde trata de combinar distintos elementos para consumá-lo, ao que se adiciona aqui a ameaça de intervenção militar.
Isso não é novo
Esse novo lado da direita venezuelana caminhava de mãos dadas com a mensagem do vice-presidente dos EUA, Mike Pence, dando apoio às manifestações contra Maduro que começaram no dia 21 de janeiro e atingiram seu ápice no dia 23. Foram imensas mobilizações, que sem dúvida, conseguiram captar e canalizar o descontentamento e o desgaste da população com a “Revolução Bolivariana”. Mas isso não significa que tais mobilizações expressem diretamente os anseios e ambições das classes dominantes venezuelanas e da extrema direita. Esta situação ideológica e social é bastante complexa.
De fato, Guaidó é a “referência”, o peão colocado nesta situação pelos Estados Unidos, pelo motivo de não haver outro. Os principais representantes da direita estão extremamente desacreditados, seja em virtude de sua filiação de classe, como María Corina Machado, líder do Vente Venezuela y de Súmate/Vem Venezuela e Soma-te!, uma empresária e membro da “oligarquia” venezuelana, da qual o regime de Chávez expropriou algumas de suas importantes empresas, como as indústrias de alumínio; Leopoldo López, uma referência da extrema direita do partido Vontade Popular/Voluntad Popular fotografado depredando os bustos de “Che” Guevara ou Hernando Capriles, líder doPrimero Justicia/Justiça Primeiro, estão hoje desgastados e não podem exercer uma liderança eficaz. Por isso, a nomeação deste “peão” e sua lógica “incineração”, posta para levar adiante todo o trabalho sujo de que uma política imperial e seus aliados é capaz de realizar. O objetivo é tirar Maduro, estabelecer um governo de transição e apoiá-lo internacionalmente, tanto com os governos dessas latitudes como os da Europa. Ameaçando ao mesmo tempo com medidas militares. As empresas norte-americanas acompanham e participam de tudo isto, se preparando para o butim.  Em definitivo tratam de criar uma situação sem saída para a continuidade do governo bolivariano de Maduro.
Como recordamos, em geral, esta situação não é nova. Em abril de 2002, os Estados Unidos apoiaram um golpe de Estado contra Chávez, colocando Pedro Carmona no governo, presidente da patronal Fedecámaras. Um golpe de Estado sem sombra de dúvidas, com um claro sentido de classe. O golpe fracassou, Chávez retornou ao governo e promoveu com novos brios uma série de políticas sociais (“as Missões”) e de certo protagonismo do povo nas “comunas”, projeto impulsionado pelo Estado, mas que sem dúvida desencadeou uma importante participação das pessoas num certo período de tempo, criando cooperativas de produção, de consumo, organizando bairros inteiros numa forma limitada de autogestão mas de real e ativa participação em amplos planos sociais. Isso se realizou dentro da estrutura capitalista e conviveu com a burocracia estatal e o papel cada vez mais crescente do Exército, num processo contraditório, mas onde as pessoas começaram a ter um pouquinho de tudo aquilo que durante séculos lhes havia sido negado: uma alimentação decente, serviços sociais, certa dignidade e participação social e política. Com esta política social o governo Chávez contou com forte apoio popular.
Ainda estava fresco “o Caracaço” de 1989, essa imensa explosão popular contra a política neoliberal de Carlos Andrés Pérez, que gerou hiperinflação e fome, e a feroz repressão que se seguiu e que causou 3 mil mortes. Chávez aparece publicamente em 1992, numa tentativa de golpe de Estado que fracassou, sendo libertado anos depois e iniciando um movimento político que finalmente reuniu a esquerda venezuelana, incluindo vários ex-membros do movimento guerrilheiro dos anos 60. Um militar com um discurso nacionalista, guinando paulatinamente à esquerda, rodeado de pessoas e partidos de um amplo arco de esquerda… um desses atípicos experimentos políticos, realizados dentro da estrutura capitalista, que nos faziam recordar os “populismos” dos anos 40 e 50. A verdade é que esta política de reformas e certa redistribuição em direção ao povo estimulou o rechaço da burguesia venezuelana e da direita. Um claro instinto de classe – e de racismo – foi colocado sobre mesa: para a burguesia agora, os negros e mulatos, os índios, os pobres, os de baixo, ascendiam a “alguma coisa” e esse “algo” sempre ia ser superdimensionado por aqueles que têm poder e riqueza. Esse “algo”, ainda que não fosse muito, pertencia aos ricos, aos donos da Venezuela, e eles não estavam – nem estão – dispostos a perdê-lo.
Por isso veio o golpe de Carmona de 2002, o golpe da Fedecámaras [1], a Central dos Trabalhadores da Venezuela (uma central amarela financiada pelos Estados Unidos) e pelos partidos políticos tradicionais Copei e Ação democrática.
Fracassado o golpe de Estado, os EUA – todo o espectro da penetração imperial tendo a Central de Inteligência, a CIA na vanguarda – colocou suas mãos à obra com enormes recursos (centenas de milhões de dólares) para financiar novas organizações sociais opositoras com máscara inofensiva e partidos políticos de oposição (Vontade Popular – do qual Guaidó fazia parte -, Justiça Primeiro, dentre outros). Sem descuidar de tentar fortalecer os tradicionais partidos de direita. Ao mesmo tempo, através de seus mecanismos de armadilha e cínicos, financiaram diversas ONG’s e organizações que promovem “educação cidadã” e “direitos humanos”. A finalidade desse espectro imperial com o Comando Sul e a CIA na liderança foi e é debilitar o regime chavista para colocar o governo na direita. Os meios não importam. Se é pela via via eleitoral ou via desestabilização e golpe de Estado, não é relevante nem para os EUA nem para a oposição venezuelana. Eles não tem cuidado com o que sofre o povo, esses organismos fizeram correr rios de sangue e semearam fome por toda a sua vida sem mover uma palha para resolver essa situação. Seus discursos humanitários são para fazer eficaz sua miserável e assassina política que sempre recai sobre os de baixo.
A morte de Chávez foi um duro golpe para o regime, para a governabilidade bolivariana. Chávez tinha nomeado Maduro como seu “herdeiro”, sabendo que dentro do PSUV se intensificariam as lutas intestinas por cotas de poder e que a corrupção, a burocratização e a venalidade aumentariam, como de fato ocorreu. Não mexeram nas raízes do sistema e a lógica que circula pelo conjunto das relações de poder dominante estava cruelmente operando. A população não acompanhou Maduro com o mesmo entusiasmo, ele não era possuidor da agudeza política e o carisma de Chávez. Mas era um processo que tinha uma alta dose de “liderança carismática”, de certo “populismo do século XXI”, e encontrava ali sua fragilidade. Seguiam com uma política de moderadas reformas ao movimento popular, num contexto menos favorável. Diante os flancos que iam se abrindo e o grau do descontentamento popular, a direita e os EA recrudesceram seus ataques. Multiplicaram-se as diversas mobilizações no mesmo ano de 2013, logo depois da morte de Chávez. Utilizaram como ponta de lança o movimento estudantil, no qual um setor tinha forte infiltração da direita. Logo os partidos da oposição passaram por cima dos estudantes universitários e encabeçaram os protestos. Tornaram-se famosos os fascistas com roupagem democrática, Leopoldo López e Hernando Capriles.
As câmeras da imprensa internacional cumpriam seu papel mostrando como esses reacionários e golpistas foram presos e alguns deles mortos, mas não o que eles faziam, por exemplo, tacando fogo bestialmente num “chavista”. Além disso, foram assediados ou violentados trinta e cinco centros de saúde pública (Missão Barrio Adentro), dois hospitais, trinta e nova instalações da rede pública de distribuição de alimentos, dezoito meios de comunicação alternativos e comunitários.
Tampouco mostravam a resistência popular nas ruas, como da mesma forma não mostraram em 2002. Ficou evidenciado que as “guarimbas” [2] da oposição estavam organizadas e armadas com muito dinheiro fluindo dos diversos tentáculos da CIA como NED e IRI (planos de financiamento de várias organizações de direita), onde muitos deles posavam de defensores da liberdade, educação, direitos e humanidade. Internalizaram um cinismo cruel que merece o primeiro lugar de longe.
Desde então, a direita alternou mobilizações de rua (nem sempre massivas) e geralmente nos bairros dos esquálidos [3], nas zonas ricas de Caracas e em outras cidades com participação eleitoral. Mas as eleições, esse artifício liberal burguês, são úteis se derem o resultado que a burguesia quer. Como o chavismo se especializou em vencer eleições liberais burguesas, a burguesia venezuelana e norte-americana e a maioria das burguesias do mundo declaram que não são válidas as eleições, que na “Venezuela há uma ditadura” e que “Maduro é um usurpador”. Não ligam, e ocultam, que o próprio deputado Guaidó, agora “Presidente Interino”, foi eleito em comícios organizados pelo mesmo poder eleitoral que organizou as eleições presidenciais do 20 de maio do ano passado, que resultou na reeleição de Maduro. Nunca foi tanta verdade que as eleições só são válidas se vence quem os poderosos querem.
Esta é uma nova onda de ataques, mas foram vários, e em todos eles até o momento a direita e os EUA foram derrotados. No entanto, o regime de Maduro está erodindo, divisões aparecem em seu interior, vários grupos, indivíduos e setores populares manifestam seu descontentamento sem se voltarem, em sua maioria, para a direita; tudo num contexto em que o cerco econômico e a distribuição de alimentos e remédios pioraram nos últimos anos. Nenhum monopólio, como o do gigante dos negócios, Polar, foi atacado em suas estruturas tão importantes. Pode-se somar ainda a inoperância, a corrupção, a burocracia do próprio governo e o “mercado negro” que cresce nestas situações de desespero. Aparecendo “Boliv-ricos” [4] de última hora em alarmante quantidade.
Geopolítica e petróleo
A participação direta dos EUA, com algo novo nessa modalidade, na atual conjuntura da Venezuela é parte de sua estratégia política onde, claro, não está ausente a depredação e roubo das riquezas nas mãos das transnacionais que compõe a trama de poder imperial.
Todos sabem, os fatos estão na cara, que a política belicosa dos EUA, sua tendência geopolítica das últimas décadas é manter seu poderio mundial, que em determinados aspectos se vê ameaçado, o que se refletiu em muitos acontecimentos de sangue e fogo. Isso traz nas mãos perigos que podem ser de magnitude em nível geral. Um exemplo disso é sua política armamentista no que diz respeito a aumentar e tecnificar ainda mais seu potencial nuclear, a colocação de armas nucleares em lugares que significam rupturas de acordos anteriores no tempo que obrigam a potências como Rússia a respostas de alto perigo. O império norte-americano em oportunidades tendo como aliado a algum outro país, ou forças internas aliadas, fez toda uma cadeia de intervenções sangrentas, participando diretamente em vários casos e outros combinando essa intervenção com outras técnicas, como por exemplo, armar grupos com a intervenção de outros países para que fizessem parte de seu trabalho. Isso sem esquecer os milhares de mercenários, agrupados em empresas poderosas, que nesses eventos brutais aparecem, por vezes, com peso importante.
Para dizer brevemente, primeiro foi a Iugoslávia, Afeganistão, Iraque, Líbia e depois foram Síria. Haviam aqui interesses mesclados, econômicos, políticos, de poder, de controle de áreas que o império considerava estrategicamente importante de acordo com os apetites de sua estrutura de poder e das competências com outros países como a China.
Mas toda essa macabra ação imperial não foi de fácil execução nem lhes trouxe  os benefícios esperados. Pelo contrário lhes significou um desgaste importante e reveses que não esperavam. Inclusive dificuldades em sua própria situação interna em nível de parte de sua população.
Os Estados Unidos não conseguiram determinados e importantes objetivos planejados e tiveram que entrar novamente no Iraque e Afeganistão. Em outra reviravolta atual se planeja abandonar novamente Afeganistão, sua guerra mais cara da história. É de mencionar sua ativa participação na destruição da Líbia, além de haver iniciado nova guerras na Síria e Ucrânia. Foi ficando claro que a incidência da facção armada militarista segue sendo, nos últimos tempos, um fato de primeira ordem no desenho de sua estratégia imperialista mundial. No interior do bloco imperialista com os EUA a frente aparecem tensões, interesses, que fazem que determinados poderes apostem em políticas distintas que contemplem apenas suas exigências parciais. Tal é o caso de muitas multinacionais e suas expressões ideológicas e políticas.
Se assinala o 11 de setembro como o momento à partir do qual a facção militarista trata de subordinar os interesses de muitas multinacionais à sua estratégia de guerra em nível dos inimigos no mundo. Nesta política do império aparece uma forma de intervenção do Estado que guarda relação com a nova constituição sistemática nesta “etapa” cruamente neoliberal chamada de controle social.
O que nos interessa enfatizar ainda que seja brevemente é algo que mais de um analista vêm afirmando. Que as prioridades, o desgaste imperial em suas aventuras mesquinhas e macabras de poder, a concentração que lhe exigiu essa estratégia, inicialmente no Oriente Médio e África, implicou nos fatos, por certo tempo, uma certa desatenção de seu “quintal”. Não é um abandono de sua política imperial sobre a área, mas sim estar menos em cima dos acontecimentos. Também se considerou com firmes fundamentos que a nova etapa que chegava a situação começaria a variar para mal do meio latino-americano. Vale dizer que a atenção imperial sobre a área aumentaria em grau de importância. Mas tendo em conta que durante esse tempo esse espaço foi bem aproveitado pelo seu inimigo principal: China. No dia de hoje já temos várias mostras de forte dedicação imperial a nossa área.
Vemos então, que dentro dessa estratégia geral que tem como inimigo principal a China e depois a Rússia, o objetivo primordial dos EUA hoje é retomar o controle, total do que considera seu “quintal”. Essa é a tarefa fundamental para eles e junto a isso vai de encontro a tomada de riquezas de nossos países latino-americano, o petróleo e minerais venezuelanos, por exemplo.
A Venezuela é literalmente um grande lago de petróleo. Conserva em seu território as maiores reservas de petróleo do planeta, com mais de 300 bilhões de barris, sendo a primeira reserva de petróleo do mundo. A segunda é a Arábia Saudita, mas como sua aliada “carnal”, os EUA não ousam invadir ou ataca-la de forma alguma, embora possua uma monarquia teocrática que financia o terrorismo salafista (como Estado Islâmico) ou seja o país do Oriente Médio com o nível mais alto de repressão contra as mulheres, a imprensa, etc. Ali os Estados Unidos não reivindicam a “democracia”. A casa de Saud – agora com Bin Salmán – são fiéis aliados da potência “democrática” do planeta, muito úteis a sua estratégia geral mundial.
Por razão desta estratégia mundial de poder, que abarca distintos contextos, Venezuela e Irã, entre outros países, estão na lista de “inimigos” dos Estados Unidos. Este pretende assumir o controle dessas diferentes áreas do mundo usando qualquer meio. Isso já foi feito na Líbia, de mãos dadas com a “democrata” Hillary Clinton e foi tentado na Síria. Os Estados Unidos não economizam em dizimar as populações, convertendo certos países para a mais absoluta miséria, transformando-os em “Estados falidos”, como feito na Líbia ou no Iraque.  Países que os EUA considere que prejudicam sua estratégia, que se aliam com inimigos, chineses e russos, que difundem ideias e constituição de organismos que dão às costas ao seu projeto necessitam ser destruídos. O Brasil no BRIC (que o integram China e Rússia) não era de seu agrado. Esse governo de tantas boas relações com os de cima igualmente não lhe servia. Também via como um perigo um governo como o venezuelano que falava de socialismo, anti-imperialismo, que promovia novas instituições: ALBA, CELAC, UNASUR, Petrocaribe e que promovia resistência a assinar os Tratados de Livre Comércio. Simplesmente pelo que representa esse grau de autonomia, em função de seus interesses políticos, econômicos e sociais, os EUA tinha que destruí-lo de qualquer maneira.
Por mais que o governo venezuelano não tenha mexido no núcleo duro do sistema, de que não construíra nada que se parecesse com o socialismo – ainda que  mencionasse isso constantemente – isso não importava, importavam eram os efeitos que esse discurso podia ocasionar. Na lógica dos EUA era um inimigo que tinha que ser destruído e basta. Nesse acionar operam hoje com mais afinco. De fato, o recrudescimento das sanções econômicas contra a Venezuela em dias passados, teve como eixe as ações de Citgo, a empresa petroleira venezuelana nos EUA, filial de PDVSA. Por essas sanções, EUA bloqueia 7 bilhões de dólares e 11 bilhões de dólares em exportações petroleiras para 2019. Isso somado corresponde aproximadamente a um terço do PIB do Uruguai. CITGO além disso possui três refinarias, 48 terminais de armazenamento e 6 mil estações de serviço nos EUA, um capital nada desprezível, mas onde se vende e distribui combustível a um custo menor que as petroleiras norte-americanas comandas pelos Rockefellers, Bush etc. A Citgo também é afogada em questões de crédito de nível internacional.
Foi justamente através do petróleo, em alta neste momento, que o regime  chavista pôde financiar as políticas sociais (“as Missões”) e uma certa redistribuição de renda nos anos do governo Chávez; como contrapartida desse petróleo a altos valores no mercado mundial, a Venezuela aprofundou sua dependência econômica e não se industrializou. Mas isso lhe permitiu uma política internacional de apoio aos países latino-americanos, criando o Petrocaribe. Cuba e várias Antilhas se beneficiaram dessa política de petróleo barato e de laços diplomáticos mais estreitos. Foi essa mesma política e aliança que possibilitou a derrota dos EUA e do Grupo Lima na OEA nos últimos dias. Mas foi essa política que também motivou os Estados Unidos a apoiarem e darem um golpe em Honduras contra o governo de Zelaya, porque estava timidamente se aproximando da política externa venezuelana. Os EUA não podem permitir que um de seus “peões” saia do tabuleiro. Honduras foi a base militar dos “contras” nicaraguense nos anos 80 e de todas as contra-insurgências daqueles anos. Foi também dali que partiu o golpe contra a “Revolução Guatemalteca” de Arbenz em 1954. Acrescentamos que os EUA também motivou, juntamente com a Arábia Saudita, a política de baixar os preços internacionais do petróleo para reduzir as possibilidades da Venezuela e do Irã e de suas respectivas políticas externas.
Um longo histórico de agressões
Com os meios de comunicação dando tudo de si para formar opinião e criar subjetividade contra a Venezuela, os EUA se apresentam como defensor de determinados valores que sempre atropelou, inclusive dos valores de sua própria democracia burguesa que foram ignorados quando lhe foi conveniente e que hoje já pouco dão valor. Diante esta saraivada que promove a amnésia é conveniente recordar algumas coisas que ocorreram em diferentes momentos e que são representativas acerca do qual é o verdadeiro rosto do império.
Nossa América Latina é um território que suportou as mais sangrentas agressões do imperialismo norte-americano. E nossos povos têm sofrido e suportado as consequências dessas agressões. Essa história criminal é longa, mas mencionemos algumas das mais notórias. Invasão ao México em 1845 e declaração de guerra. Resultado: o México perde metade de seu território, que atualmente é a área de petróleo dos Estados Unidos.
Cuba e Porto Rico em 1898. Através da “Emenda Platt” (emenda acrescentada pelos EUA na Constituição Cubana), a ilha se convertia numa colônia americana. Ali dominaram os interesses das empresas açucareiras, da banca e o jogo ianque, assim como a prostituição. Nesse momento, a Revolução Cubana cortou essas negociações e tal relação colonial. No entanto, Porto Rico permanece sob o pleno domínio da águia norte-americana.
Mas em ambos os casos, como na Nicarágua (invadida já em 1855), os Estados Unidos aplicam o mesmo esquema: apoio a governos “fantoches”, constantes fraudes eleitorais e golpes de Estado. Se necessário, em última análise, desembarque dos fuzileiros navais. Invasão. Contra ela lutou dignamente Augusto César Sandino na Nicarágua junto à sua guerrilha popular.
Em 1914, a invasão e saqueamento do Haiti. Anteriormente, em 1903, os EUA outorgaram-se o direito de inventar um país: o Panamá. Ele financiou e apoiou um “movimento de independência” naquela área que era da Colômbia. Ou seja, os EUA retirou parte da Colômbia para construir ali o famoso Canal Interoceânico, que era o território dos Estados Unidos, guardado por seus fuzileiros navais. É por isso que Omar Torrijos, que negociou com os Estados Unidos o retorno do Canal às mãos panamenhas, foi assassinado em um atentado em 1981.
Geograficamente mais próximo, o apoio direto da CIA e da Embaixada dos Estados Unidos ao golpe de Estado Pinochet no Chile em 1973, muito bem documentado. Da mesma forma, sua participação ativa no Plano Condor que assassinou e sumiu com dezenas de milhares de companheiros no Cone-Sul. O apoio dos EUA a inúmeros golpes na Argentina, no Brasil, na Bolívia e no Paraguai de Stroessner, seu apoio ao golpe de 1973 no Uruguai. A invasão a Granada em 1983.
A invasão dos fuzileiros navais ao Panamá novamente em 1989, para “libertar” esse país de Noriega, um cruel ditador. Naturalmente, o que os americanos não estavam dispostos a admitir era que Noriega era “seu homem” no Panamá. Trabalhou para a CIA e a DEA, mas ocorreu a ele “sobressair-se” aos Yankees no tráfico de cocaína da Colômbia via Panamá para os EUA, que não iriam perdoar esse “pecado” e assim o governo americano “disciplinou” o povo panamenho. Eles arrasaram o país e deixaram 3.000 assassinados.
Exemplos não faltam. Milhares de crimes. As faixas vermelhas de sua bandeira são de sangue, de povos assassinados por seus interesses mesquinhos. Para os interesses de uma burguesia que acredita ser a proprietária do mundo. Além disso, o plano de agressão contra a Venezuela, em seus primórdios, foi muito semelhante ao utilizado no Chile em 1973. Nesta última etapa, eles ajustaram “detalhes” de relevancia, seguem utilizando diversas formas de pressão, algunas grotescas mesmo para os valores burgueses mais além disso, agora ameaçam  descaradamente invadir o país sem grandes dissimulações.
O cenário internacional
O cenário internacional tem muita influência na crise venezuelana. Maduro antes de assumir seu novo mandato foi para a Rússia para se reunir com Putin para garantir seu apoio em todos os terrenos. O papel da China também é importante. Tanto a Rússia quanto a China têm investimentos significativos na Venezuela e na América Latina em geral. Isso faz com que esta região esteja no quadro das disputas inter-imperialistas do mundiais.
Mas há alguma verdade no fato de que terminou a “unipolaridade” pós-Guerra Fria terminou. Os EUA já não podem impor sua plena vontade ao mundo, mesmo que mantenham um poder militar esmagador. Neste período, o último caso foi a Líbia. Na Síria, já sentiram o freio da Rússia não só no campo diplomático, mas também no campo militar e nas alianças muito hábeis que o governo russo implantou, e da China no campo diplomático. Na Venezuela, o mesmo acontece, mas somente na “zona de influência” direta dos Estados Unidos, além dessa enorme quantidade de petróleo próximo.  Isso expressa de maneira clara que não está disposto a tolerar ese freio.
Dizíamos que os EUA perderam o voto na OEA graças a uma política venezuelana de longo prazo. Quanto tempo dura esse apoio das pequenas Antilhas? Os Estados Unidos invadirão algum destes pequenos países? Há algo que aparece de maneira destacada e queremos mencionar: que foi o asqueroso papel do progressismo de Mujica e “palanqueado” por este no terreno internacional e colocado na Secretaria Geral da OEA.
Ou Almargo tem duas caras, ou serve a quem lhe dá “trabalho” ou estamos frente a uma infiltração de mais alto nível, digna das melhores novelas de espionagem. Os serviços secretos venezuelanos e cubanos assinalaram que já suspeitavam desde a época do governo Mujica que Almagro trabalhava para a CIA. Não sabemos se isto é verdade. O certo é que agora certamente isso acontece, e o faz diretamente para Trump. Pelo visto, se não fez antes foi porque não lhe deram oportunidade, é uma figura repugnante, asquerosa e rasteira.
E é justamente no cenário internacional que se desenrola boa parte do conflito, porque os EUA não podem permitir que um país em sua “zona de influência” consiga realizar uma política exterior independente e acima, tente ordenar de outra forma seu “quintal”.
Tempos muito complexos virão
Enquanto os EUA e Almagro a frente da OEA e do Grupo Lima falam de uma invasão à Venezuela, nada dizem contra outros regimes que sem dúvida nada tem de democráticos e isto não é coincidência. Não dizem nada sobre o governo hondurenho, eleito por comprovada fraude eleitoral, depois de um golpe de estado que depôs Zelaya em 2009 e reordenara a situação interna, com uma feroz repressão ao povo, com os mortos e desaparecidos. Esse povo que hoje emigra desesperado.
Nada dizem do “golpe suave” de Temer e o ascenso proto-fascista de Bolsonaro já que claro, isso é de seu próprio interesse. Uma criação norte-americana oportuna para estes tempos. Um dos elementos necessários para desencadear essa nova onda golpista e intervencionista na Venezuela era o necessário apoio do governo brasileiro e de um governo “forte”, é claro. O secretário de defesa dos EUA, Jim Mattis esteve em fins de 2018 no Brasil com o propósito de conter a influência chinesa no Brasil. O mesmo se pode falar da Colômbia. Com as FARC já entregues ao jogo eleitoral burguês, os EUA pode utilizar a seu prazer o exército colombiano e os paramilitares. Neste tempo de “paz” assassinaram centenas de militantes sociais e alguns ex-guerrilheiros. Se torna relevante aqui neste caso o papel do ELN (Exército de Libertação Nacional de cunho camilista-guevarista [5], que vendo como ocorria realmente este processo, se participou das conversações, não aceitou ao fim este programa de “paz”. Finalmente não abandona as armas, retoma operativos militares, não se rende e está tratando de resistir no marco de sua específica concepção e aumentou sua presença na fronteira colombiana-venezuelana. Eventualmente pode se estar gerando um conflito regional se Brasil e Colômbia intervém, ficando aprisionado o mesmo ELN.
O mesmo pode ser dito da Colômbia. Com as FARC já comprometidas com o jogo eleitoral burguês, os EUA podem usar o exército colombiano e os paramilitares para seu próprio prazer. Neste caso, o papel do ELN (Exército de Libertação Nacional) de cunho camilista-guevarista, que não se entrega e está tratando de resistir, aumentando sua presença na fronteira colombo-venezuelana. Um conflito regional pode estar se formando se o Brasil e a Colômbia intervirem, ficando preso nele também o ELN.
Por agora, EUA não poupa recursos em submergir a Venezuela no caos, com vistas a retomar o controle desse governo e seu petróleo. Importa-lhes destruir esse pequeno polo que ainda dentro do capitalismo se apresenta como antagônico, tirando do meio os apoios de Rússia, China e Irã. Em nada lhe interessam as consequências que pode sofrer o povo venezuelano. Só lhes importa mencioná-lo para usar o povo em seus planos macabros. Mas toda essa intervenção imperial aberta coloca aos povos latino-americanos frente a um cenário de maior e decidida luta. Uma intervenção como a que vêm ocorrendo, agressiva e descarada os EUA no continente deve aumentar a resposta popular: mobilizações de rua massivas, amplo rechaço popular. Coordenação de ações dos verdadeiros e independentes movimentos sociais anti-imperialistas. Responder o atropelo brutal e aberto do imperialismo e seus aliados, ao capitalismo neoliberal, com o avanço popular, dos de baixo, num processo de povo forte.  No caso de se dar uma intervenção direta, o fundamental é o povo combativo na rua repudiando com força os assassinos. Se ocorrer essa intervenção direta, que tanto deseja os EUA e Trump e que não consolidaram pois seguem explorando outras vias que conduzam ao mesmo objetivo, em virtude de cálculos dos feitos políticos e sociais que isso pode provocar em perspectiva de médio prazo. Estão apostando tudo hoje em tirar as pessoas da rua para desestabilizar e tratar de capturar uma parte das Forças Armadas, para não deixar saídas e pôr seus candidatos servis no governo.
Sim, este é o novo capitalismo de que nos falam. Os estudiosos nos avisam que estamos numa etapa do capitalismo cuja composição sofreu modificações em relação ao período histórico anterior. Mas os novos elementos que compõe sua estrutura atual mantém fidelidade com o núcleo duro do sistema. A etapa chamada muito generosamente de “Estado de bem estar” ficou para tras e certas funções de contenção que realizaba esse Estado também. Igualmente  já está quase sem peso, a própria fantasia de democracia inventada pela burguesía para afirmar seu poder. Chegou como novo um capitalismo neoliberal cru e duro.
No entanto, o que não oferece dúvidas é que a trama mais polida, os dispositivos mais efetivos que o sistema capitalista foi tecendo neste último século não contradizem premissas fundamentais do que historicamente se conhece do sistema. Os mecanismos, dispositivos e instituições que foram polindo ou produzindo o capitalismo para sua manutenção e reprodução cumprem as funções que foram assinaladas, mais ajustado e tendo presente experiências vividas e desenvolvimentos tecnológicos. Mas a crua exploração e opressão estão aí e mais fortes que nunca.
Seu rosto de hoje é mais cruel, brutal e com meios tecnológicos mais efetivos para tratar de inserir populações, para fazer sentir como necessários os supérfluos consumos variados, para destruir mais decididamente a natureza e produzir grandes populações “excluídas”. Fica mais claro do que nunca, não existe possibilidade de um processo de ruptura, nem sequer reformas fortes, usando os meios que o sistema oferece: sua lógica, seu “sentido comum”, seus dispositivos, seus mecanismos eleitorais e instituições que lhe são próprias.
Obviamente então, esta “etapa” do capitalismo não é idêntica a anterior. Tem seus problemas específicos que constituem todo um desafio a uma proposta que tente processar uma mudança profunda. Aceitar esse desafio e ir formulando respostas sociais é nossa razão de ser. Produzindo e com disposição a corrigir, linhas de trabalho teórico-político devemos estar em ação social permanente. Não se trata de sentar e esperar momentos mais “favoráveis”, em toda circunstância deve haver uma estratégia coerente e tática funcionando.
Em alguns momentos que são de menor intensidade organizando-se para eventos próximos previsíveis, ajustando a organização interna em seus diferentes planos, em outros momentos de maior intensidade executando ações, aplicando previsões e lendo os acontecimentos para que as respostas sejam mais fecundas. A dinâmica assinalada nos diz a gritos, neste mundo capitalista, o poder que vem de cima não é popular. Se o povo não exerce o poder, e ao contrário desenvolve participação ativa num processo orientado para isso, com as práticas próprias que podem possibilitá-lo, criadoras de uma nova subjetividade, independentes da lógica e dinâmica do sistema não há avanço possível para novas relações sociais. O Poder Popular se cria todos os dias se exercendo nas diferentes lutas sociais que se apresentam.
A América Latina está num momento em que se avança a direita ligada ao imperialismo yanquee e suas multinacionais. É tarefa dos povos resistir, fortalecer os organismos populares que permitam fazer frente a qualquer agressão, tentativa de desestabilização da direita e aumento da miséria dos de baixo. Nessa tarefa de combate ir criando ao mesmo tempo um povo forte e independente que contenha os gérmens de um autêntico Poder Popular.
Os povos encontrarão seu próprio caminho e o povo venezuelano assediado hoje, e todos os de baixo, tem dado distintas mostras de combatividade exemplares, de aprendizagem social através de seu sacrifício e luta e de possuir desejos que não morreram.
Está claro, o único que cabe a todos os filhos desta terra, é a condenação unânime e absoluta de qualquer tipo de ingerência, de qualquer intervenção econômica, diplomática ou militar em nosso continente. Pela sua história e o que representam, os EUA nunca podem ser bem vindos, se vêm é para esfomear ou massacrar o povo venezuelano. Para aumentar a opressão e miséria de nossa gente, os de baixo, na América Latina. E como sempre amanhã isso ocorrerá com outro de nossos povos se os EUA se sentir afetado no mínimo de seus interesses. Contra isso é primordial que a resistência esteja presente em todos os terrenos, fortalecendo a luta e os organismos populares.
Na América Latina nem Yankees nem gusanos [6]!
Poder popular pela base!
PELA AUTODETERMINAÇÃO LIVRE DOS POVOS !!!
FORA YANQUIS ASSASSINOS DA AMÉRICA LATINA !!!
PELO O SOCIALISMO E PELA LIBERDADE!
AVANTE OS QUE LUTAM! ARRIBA LOS QUE LUCHAN!
FEDERAÇÃO ANARQUISTA URUGUAIA (FAU)
COORDENAÇÃO ANARQUISTA BRASILEIRA (CAB)
Notas da tradução
[1] Fedecámaras é um acrônimo para Federação de Câmaras e Associações de Comércio e Produção da Venezuela), principal organização de associações patronais da Venezuela, composta por empresários de todos os setores econômicos deste país. São 14 os setores econômicos associados: comércio e serviços, indústria, construção, turismo, finanças, seguros, agricultura, pecuária, mineração, energia, transportes, telecomunicações, imobiliário e mídia.
[2] Guarimbas são ações de fechamento de ruas realizadas pela direita venezuelana em diversos pontos de um determinado local. Tais ações se caracterizam por serem realizadas por centenas de barricadas contendo um número pequeno de manifestantes em cada uma destas, tendo como objetivo bloquear uma grande área. Tais ações foram utilizadas sistematicamente nas manifestações golpistas.
[3] Esquálidos é o apelido dado a direita e a extrema-direita venezuelana.
[4] Boli-ricos é uma expressão utilizada para se referir a certa burocracia/apoio ao governo bolivariano que enriqueceu durante o período dos governos Chávez e Maduro.
[5] O texto se refere a duas referências da luta armada latino-americana: Ernesto “Che” Guevara e o padre guerrilheiro Camilo Torres.
[6] Gusanos é o apelido dado aos cubanos de direita e alinhados com o imperialismo yanquee.

[Curitiba] – 8º Encontro do CEL- Especifismo

 Especifismo: Organização Política Anarquista na América do Sul

O CEL é um dos grupos de estudos articulados pelo Coletivo Anarquista Luta de Classe (CALC) no estado do Paraná. Em 2018, em virtude de outras atividades militantes, não tivemos os oito encontros habituais, mas estamos retornando nesse mês de novembro para nosso último encontro do ano!

Quando: dia 27 de novembro, terça-feira.
Onde: PRÉDIO HISTÓRICO DA UFPR, SALA 205 DE PSICOLOGIA.

O Especifismo: a Organização Política Anarquista na América do Sul

Buscaremos a compreensão desta expressão política própria dos anarquistas na América do Sul, que representa grande parte do esforço político organizativo anarquista no presente, do qual o CALC se filia.

– A organização política anarquista – Federação Anarquista Uruguaia (FAU)

– O que é o especifismo e como ele se desenvolveu nos primeiros tempos da Federação Anarquista Uruguaia (FAU)? – Juan Carlos Mechoso, militante fundador da FAU, Trechos da entrevista A Estratégia do Especifismo.

– Especifismo – Verbete do “Dicionário da Anarkia”.

– Especifismo organização anarquista – Federação Anarquista do Rio de Janeiro (FARJ)

– Elementos para uma reconstituição histórica de nossa corrente – Organização Anarquista Socialismo Libertário (OASL) / Federação Anarquista do Rio de Janeiro (FARJ)

Baixe aqui: https://coletivoanarquistalutadeclasse.files.wordpress.com/…

Para mais informações sobre os textos e temas que discutimos durante o ano, visite: https://anarquismopr.org/grupos-de-estudos-libertarios/

Venha participar!

[PONTA GROSSA] ANÁLISE DE CONJUNTURA: UMA PERSPECTIVA ANARQUISTA.

 

O QUE ESTÁ ACONTECENDO? ANÁLISE DE CONJUNTURA: UMA PERSPECTIVA ANARQUISTA.
Link: https://www.facebook.com/events/527332041062486/

O atual cenário político brasileiro exige muita lucidez na análise da nossa realidade. As eleições acabaram, e os questionamentos seguem com força total. Como entender o momento em que estamos? O que fazer frente ao cenário de autoritarismo, ataques as/aos de baixo e corte de direitos?

Convidamos todas e todos para participar dessa discussão!

QUANDO: 14 de novembro, quarta-feira, às 17 horas.
ONDE: UEPG Campus Central, pequeno auditório do Bloco A

[CAB] Nota sobre o atual cenário da luta de classes no Brasil

O atual cenário político brasileiro exige muita lucidez e frieza para o conjunto dos lutadores e das lutadoras populares e sua análise da realidade. Nós da Coordenação Anarquista Brasileira, modestamente, buscamos dar nossa contribuição a compreensão do convulsionado cenário político-social, cujo principal corte se encontra no golpe jurídico-parlamentar que derrubou Dilma Rousseff do governo. Vivemos recentemente o chamado esgotamento do pacto da Nova República de 1988. Tal pacto, mantinha a exclusão social dos/as de baixo, enquanto garantia direitos jurídicos mínimos, numa coalizão que envolveu políticos burgueses, o empresariado, os militares e parte dos setores reformistas da esquerda.

A construção do Estado brasileiro, no entanto, sempre esteve mais próxima dos interesses das potências imperialistas de turno do que da maioria da população. O estado penal para os pobres sempre foi a norma das instituições da democracia burguesa. Os governos do PT, desde Lula, incrementaram a máquina criminal da ordem pública com todo um aparato legislativo-judicial que reproduziram o super-encarceramento dos pobres e negros e a parafernália repressiva que ataca as lutas sociais. O pacto de conciliação de classes foi rompido e o colaboracionismo rasgado para dar lugar à agenda agressiva do capitalismo financeiro sobre os direitos sociais, as liberdades parciais e os bens públicos, que foram conquistas históricas do movimento popular.

 

O império mostra suas garras

Não podemos entender esse movimento que está acontecendo em nosso país fora da realidade geopolítica do nosso continente latino-americano. Precisamos calibrar nosso instrumental analítico e localizar um pouco melhor o Brasil como nação periférica dentro do sistema-mundo para entender o que está em jogo. Nação esta, que seguiu mantendo sua vocação agroexportadora (primária) e nos últimos dez anos se alinhou na construção do plano IIRSA – Iniciativa de Integração da Infraestrutura Regional Sul-americana (atual COSIPLAN). Este plano buscava maximizar a exploração dos nossos recursos naturais, acelerar o processo de abastecimento dos mercados internacionais com estes recursos e beneficiar empresas transnacionais.

Tal plano significou uma nova ofensiva em consonância com tratados de livre comércio estabelecidos entre os Estados Unidos e alguns países da região. Na tentativa de ampliação do modelo neoliberal na América do Sul, ainda na onda de governos progressistas e de centro-esquerda.

A crise econômica de 2008 criou grandes dificuldades para os EUA manterem a agenda internacional, que a partir da queda das Torres Gêmeas, passou a ter como principal objetivo a garantia da sua hegemonia global, o que é muito evidente nas várias agressivas intervenções impulsionadas pelo império. Há uma leitura clara por parte do imperialismo de que “onde o Brasil for a América Latina vai”. E neste sentido, como o nosso continente latino-americano é visto como uma reserva estratégica dos EUA (de recursos naturais, energéticos e políticos), os desdobramentos do cenário político brasileiro são de grande importância para Washington.

O golpe de 2016 não apenas desmontou os pequenos ganhos do período anterior como aprofundou o controle financeiro e internacional da economia nacional, em forma de compra de “ativos”. Ajuste que se impõe na cena a golpes de toga, com a Lava Jato alinhada com o imperialismo pela estratégia do lawfare. Cresce também o controle dos setores de infraestrutura, energias renováveis, serviço, saúde e educação por empresas norte-americanas e chinesas. No que diz respeito ao petróleo, 13 multinacionais já se apropriaram de 75% do pré-sal, com liderança da Shell e BP, cujas últimas rodadas de leilão ocorreram em outubro deste ano. Do ponto de vista político, a ação do imperialismo consiste em desorganizar qualquer possibilidade do cenário Brasileiro – ainda que sob um governo de uma centro-esquerda reformista – representar qualquer ameaça aos seus interesses em nível continental. É importante ter claro que o desenrolar da corrida eleitoral no Brasil terá claros desdobramentos sobre a crise do regime venezuelano. Pode ao fim desse processo ser efetiva a contribuição para a desestabilização política do país, ou mesmo a possibilidade de uma intervenção militar.

 

A nova DSN: os militares fazem política e ameaçam

Há de se ressaltar que há alguns anos, ainda dentro do governo petista, inaugurou-se uma nova Doutrina de Segurança Nacional com o general Etchegoyen nas forças armadas brasileiras. Doutrina que vê os grupos ligados ao narcotráfico, ONG’s de direitos humanos ou ambientais, órgãos governamentais de cunho “ideológico” e os movimentos sociais ligados a uma visão de esquerda como novos inimigos internos. Um dos elementos dessa doutrina é o esvaziamento do papel da universidade e da pesquisa, endurecimento no código penal, continuidade e ampliação do super-encarceramento e adoção de medidas de contraespionagem. A doutrina usa controles de meios de comunicação social, disseminação de boatos, desqualificação de acusadores e uso de documentos falsos. A promoção de greves, fechamento de vias e ocupação de terras e prédios e a luta por direitos sociais para minorias políticas passam a ser caracterizadas como “ações terroristas”.

Foi essa nova doutrina responsável pelo lobby de aprovação da lei antiterrorismo aprovada por Dilma. Seu objetivo se inscreve na criação de um novo pacto, uma “nova democracia”, onde os militares tenham um papel ativo nessa nova geopolítica do continente e na política nacional.

Para resumir. O “estado democrático de direito” montado em cima da exceção para as “classes perigosas” está em processo de reconfiguração como jogo de poder das classes dominantes (em alguns locais, narco-estado), e faz emergir do seu interior as razões de Estado e suas relações com os interesses do imperialismo. Os fatores de reação operam na conjuntura, como Estado policial. Um ajuste que corta tão fundo na carne do povo e faz explodir as ambições da classe capitalista e dos seus lacaios, cedo ou tarde, chama a segurança em seu favor e amplia o espaço da exceção para redefinir a norma do sistema.

 

A centro-esquerda aposta todas as suas fichas nas urnas

A esquerda e centro-esquerda brasileira apostam a sorte nas urnas como quem espera que a democracia burguesa venha em seu socorro, proteja seus direitos, limite o garrote e derrote o imperialismo. Enquanto o sistema levanta a alça de mira e veste a toga ou a farda para exercer o poder, sempre com apoio do governo norte-americano. Os movimentos de oposição pela esquerda surgidos depois do golpe jurídico-parlamentar e que tomaram as ruas infelizmente entram nessa lógica pragmática, de razão de Estado e governo, onde o inimigo da extrema-direita seria supostamente vencido pelas urnas e pelo voto.

A centro-esquerda se esforça para canalizar esses esforços em acúmulo eleitoral, gastando toda a sua energia com a disputa institucional e o jogo podre dos partidos eleitorais, em detrimento da luta de classes. A cena política brasileira está maculada pela fraude de uma representação que para os liberais burgueses sempre foi um mecanismo legitimador da usurpação das forças coletivas e dos bens comuns pela vontade poderosa de minorias. Mas sabemos que o sistema torce a constituição e derrete o estado de direito quando se trata de defender os interesses das suas classes dominantes.

Devemos nos esforçar para construir um trabalho prolongado que aponte os sindicatos, as organizações populares como a alternativa mais correta para o povo defender seus direitos e participar da vida política, aprofundando a democracia direta, repudiando a conciliação de classes e dando combate sem tréguas ao protofascismo.

 

O protofascismo como um super-dosagem do programa dos poderosos

Tal configuração do poder político também é ajudada por táticas de propaganda e ação direta de setores reacionários e grupos de filiação ideológica na extrema-direita, que em geral são respaldados pelos aparelhos jurídico-policiais. Um fator que ganha incidência nas ruas e que tudo sugere que crescerá, abrindo um espaço para seus agentes pressionarem a cena política nacional e se alinharem ao que está acontecendo em nível continental.

Não é só isso. Sintoniza-se também a frustração econômica, o fracasso de soluções políticas pela representação e a desestabilização de valores associados a posições de poder na família, cultura, educação. Uma produção subjetiva conservadora que tem nos evangélicos e sua base popular um vetor de capilarização. Tal nova direita transitou do discurso petista à radicalidade do discurso anti-político e “antissistema”, configurando-se como uma direita que não fala apenas para as elites, mas também aos setores populares e periféricos. Atuam no vácuo social deixado pela centro-esquerda, que se coloca apenas na defesa da democracia burguesa.

A figura desprezível de Bolsonaro insere-se nessa tentativa de aprofundamento da destruição dos direitos sociais e de violência patriarcal contra mulheres, LGBTs, indígenas, negros/as e quilombolas. Violências que se materializaram em diversos ataques pelo Brasil protagonizados por seus apoiadores, entre eles, o que resultou no brutal assassinato do Mestre Moa do Katendê, em Salvador. Longe de minimizar a barbárie que Bolsonaro representa é necessário inseri-lo dentro de uma lógica funcional da aplicação do ajuste, da recolonização imperialista do país num ritmo mais acelerado do que seria num governo de centro-esquerda.

 

As urnas não derrotarão o imperialismo, o ajuste fiscal e o protofascismo

O resultado das eleições, portanto, não resolve o complexo contexto colocado pela correlação de forças negativa para a classe trabalhadora. Todos os cenários são de aprofundamento da luta de classes e das opressões. O “voto útil” contra a chapa Bolsonaro faz no máximo uma prorrogação, levam a um complicadíssimo “terceiro turno” que não será decidido nas urnas. A luta é de longo prazo para construção de uma alternativa de classe e de massas que não se renda às razões de Estado, à governabilidade e aos acordos subordinados ao império. Mas que se constitua como força social capaz de derrotar a burguesia, o imperialismo e seus ataques.

Nossas bandeiras de classe precisam estar levantadas para cima neste momento de ataque protofascista e ultraliberal. Não podemos sucumbir ao pânico que desmobiliza e ao temor provocado pelas elites reacionárias. Nosso papel é resistir ativamente, reforçando a solidariedade de classe, garantir a luta nas ruas e a mobilização permanente dos/as de baixo!

 

Por isso defendemos:

– Unidade pelo antifascismo para além das urnas, nas bases e nas ruas. A luta é o que vai definir. A unidade se dará em atos, mobilizações contra os ataques neoliberais e a barbárie promovida por Bolsonaro e seus correligionários.

– Luta pela defesa dos direitos sociais. Luta contra as privatizações e os ataques aos de baixo. Luta contra os ataques a educação, reforma da previdência, luta contra o aumento do custo de vida, a criminalização dos movimentos sociais e o processo de genocídio do povo negro, periférico e indígena.

– Construção de uma greve geral contra o avanço do fascismo e os ataques aos direitos dos/as trabalhadores que é a agenda do imperialismo do próximo período, das elites empresariais e políticas independente das eleições.

 

Povo forte para barrar o fascismo!

Contra a barbárie neoliberal, luta e organização!

[CAB] Nada Substitui um Povo Forte e Organizado Lutando por Mudanças Reais!

É geral o sentimento de revolta pela rotina pesada de quem não nasceu em berço de ouro. A vida tá mais cara, dura e sofrida para a maioria do povo brasileiro. Para a maioria, o que não é a mesma coisa que dizer “pra todo mundo”. Enquanto a pobreza e as muitas formas de opressão nos atacam por todos lados uma pequena elite de ricos e poderosos fazem a farra por cima da miséria da gente. A representação faz parte de um sistema de fraude, privilégio e corrupção que não obedece o que manda e quer o povo.

Nossa campanha não tem dinheiro de fundo partidário e nem qualquer ajuda de empresários. Não é para pedir votos. Queremos e apostamos numa saída construída com mais participação popular, luta massiva e independente como classe oprimida e explorada que somos. Nem a farsa eleitoral de uma democracia burguesa que nos pede o voto de 4 em 4 anos e muito menos uma golpeada autoritária, repressiva e policial. Fazemos campanha pela democracia direta. Outra forma do povo fazer política, mais direitos e liberdades, organização de baixo pra cima, decisão sobre projetos, serviços, mais investimento público pra atacar na raiz as desigualdades sociais.

Por democracia direta queremos afirmar: 1) a construção pelo chão da igualdade de um movimento popular forte que luta e se organiza com independência dos governos e patrões; 2) o direito popular de tomar decisões por conselhos e organizações de base para anular o ajuste que aumenta a desigualdade social, massacra a vida dos mais pobres e liquida os direitos dos trabalhadores; 3) o princípio fundamental da participação popular, da defesa de amplas liberdades de manifestação, de associação, de expressão, diversidade, direitos sociais e individuais.

Se unir e organizar com o vizinho, o colega de trabalho, as afinidades, o companheiro e a companheira da peleia de todos os dias é o começo de uma mudança que depende de construção coletiva.

Anular a reforma trabalhista, a lei das terceirizações e o congelamento dos gastos sociais!
Luta unida contra o racismo, o machismo a homofobia e o fascismo!
Voto nulo na farsa eleitoral. Democracia Direta com a força das ruas.

CONTRA O DESEMPREGO E O AUMENTO DO CUSTO DE VIDA

Os jornais não cansam de dizer que a crise já passou, mas o que a gente vive e sente na pele é que o desemprego segue forte, quem trabalha perde direitos e poder do salário e o preço das coisas só aumenta. O botijão de gás, por exemplo, já está quase virando um artigo de luxo. Se a crise já passou, foi só pros grandes empresários, que na verdade nunca pararam de lucrar. Querem dar “empregos” desde que a classe trabalhadora aceite a derrota e se afunde na pobreza. Para o povo, para o pobre, a vida está cada vez mais difícil, independente do que diz o presidente, ministros ou o Jornal Nacional da Globo.

LUTAR AGORA PRA NÃO PERDER O FUTURO

Nos últimos anos, já congelaram os investimentos em saúde e educação, já acabaram com os direitos do trabalhador, já entregaram o pré-sal e ainda querem acabar com a aposentadoria da gente. Isso tudo é o mesmo que condenar a nossa gente a um futuro ainda mais miserável do que o presente. Como exercício de democracia direta, em que o povo é chamado pra decidir o seu futuro (ao invés de tentar achar um candidato que prometa fazer isso), é vital que se façam plebiscitos revogatórios das leis que acabam com os nossos direitos. Os ricos querem decidir o fim do futuro dos pobres, por isso a hora é de dizer que o presente é de luta e no nosso futuro ninguém mexe!

INSUBMISSAS: MULHERES RESISTEM NA LINHA DE FRENTE DAS LUTAS SOCIAIS

Nos últimos anos e em diferentes lugares do planeta, nós mulheres temos sido a ponta de lança de muitas lutas sociais e protagonizado grandes manifestações. Temos lutado nas ruas e em todos os lugares em que atuamos pelo direito aos nossos corpos, contra a retirada dos direitos trabalhistas, contra o ajuste e a repressão policial, por saúde e educação de qualidade, pela preservação da natureza e soberania dos nossos territórios, pelo aborto legal, contra o avanço conservador na luta antifascista… Temos mostrado na prática a importância de estar organizadas/os utilizando métodos tradicionais de resistência das e dos de baixo como trancaços, greves, ocupações, marchas. Temos apontado que resistência e luta combativa se faz de forma independente de governos, partidos, patrões, religião. As escolhas políticas de democracia direta por meio de instrumentos como a auto organização em coletivos e assembleias populares, ao contrário do que prega a democracia representativa (indireta), deve ser lição política para o conjunto dos movimentos populares nas diferentes lutas. Sejamos corpos indignados . É com a força coletiva nas ruas que a gente avança!

OS SUPER RICOS TEM QUE PERDER PRA RIQUEZA SER DISTRIBUÍDA

A pobreza é uma relação social determinada pela violência e a exploração. Não é o mérito que faz 1% da sociedade tão rica e dona de tudo, enquanto o Brasil volta ao mapa da fome mundial, cresce a mortalidade infantil, mais de 27 milhões de desempregados e trabalhadores de bico, a juventude negra e periférica é o alvo principal de 60 mil mortes por ano, quando não é presa fácil do sistema penitenciário, sobretudo pela lei de drogas.

Quando o orçamento da saúde é de 130 bilhões, da educação 110 bilhões e a bolsa empresário que o governo central doa pra classe burguesa supera 280 bilhões ai tem coisa errada. O que dizer então de quase 1 trilhão pagos na dívida pública em 2017 pra engordar os parasitas do sistema financeiro. De 10 reais arrecadados para o fundo público do país pelo menos 4 são para juntar a riqueza na mão de poucos.

A pobreza e o racismo que condenam nosso povo a viver como réu são filhas da desigualdade social.

BASTA DE MATANÇA DO NOSSO POVO PRETO E POBRE

Falam muito em segurança pública, mas a verdade é que quem vem sendo exterminado somos nós os pobres, principalmente o povo negro. Seja pela mão da polícia, seja pela própria violência urbana que aumenta com a criminalização das drogas e a falta de reparação de uma dívida histórica com a escravidão. A periferia sangra pela vida roubada dos seus jovens. Sem contar os assassinatos no campo, onde os povos indígenas quilombolas e os pobres que lutam pelo direito a um pedaço de chão e de mundo são vítimas da ganância dos grandes donos de terra e seus jagunços. A guerra as drogas prende e mata sempre mais. Transforma um problema de saúde pública em caso de polícia. Condena o nosso povo a viver na mira da repressão e a juventude ao inferno das disputas do tráfico e da fuga eterna de uma lei feita pra pegar favelado.

O Brasil precisa descriminalizar as drogas e combater a fundo a injustiça, o castigo e a violência em que atirou o povo negro da periferia das cidades.

O ESTADO POLICIAL AJUSTA A ECONOMIA COM PRIVATIZAÇÃO E MISÉRIA

Enquanto que, com uma mão, os governos e patrões tiram dos pobres o direito à saúde e educação, com a outra mão eles manda sentar a porrada e nos proíbem de reclamar. São os mesmos que cortam dinheiro dos postos de saúde e hospitais, das escolas e salários dos professores, por exemplo. Mas que enchem de carros e armas a polícia militar e mandam subir os morros e matar a torto e a direito. Só aumenta a miséria e a vida precária do povo, a matança racista do povo negro, o feminicídio e a explosão das opressões de gênero. O Estado policial é a ordem do cala boca pra massa de insatisfeitos e a segurança dos lucros, negócios e da vida de luxo pra meia dúzia. Nem o PT, nem o PSDB, nem Bolsonaro e o grupo do ódio racista, machista, anti-pobre enfrenta o bandido de alta classe que são os grandes proprietários, juízes, autoridades de Estado, donos da riqueza e do poder. Ditadura ou governo autoritário combate a pobreza matando e tirando o couro dos pobres, de tudo que seja diferente. A mudança não veste farda e bota, só vem com mais participação popular, mais gestão direta e democracia dos trabalhadores e da comunidade sobre a economia e o dinheiro público.

INTERVENÇÃO MILITAR É TERRORISMO DE ESTADO. SÓ O POVO SALVA O POVO

A gente também é a favor de uma ruptura, de um BASTA no jeito que as coisas andam. Mas o exército NÃO É a saída. Eles nunca estiveram a favor do povo, e quando foram chamados pra cena sempre foi para manter a ordem miserável das coisas. Contra qualquer ilusão de intervenção militar, assim como dos seus filhotes que hoje correm pras urnas, a gente diz que SÓ O POVO SALVA O POVO, com DEMOCRACIA DIRETA e a formação de um movimento popular independente e forte.

Nada pra imitar dos partidos burgueses, seus governos e parlamentos. Uma frente unida dos oprimidos pra fazer resistência. Sindicatos da classe, sem privilégio de dirigentes, burocracia e peleguismo. Movimento negro contra o racismo de Estado. A mulherada participando e lutando por igualdade social. Comunidades organizadas de baixo pra cima por assembleias, comissões de base, coordenações por zonas. A juventude lutando na rua, estudo, cultura, comunicação