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[CAB] Nota de solidariedade aos lutadores dos EUA e em especial à IWW

A Coordenação Anarquista Brasileira (CAB) manifesta seu repúdio e indignação contra o atentado fascista que deixou 1 pessoa morta e mais de 20 feridos em Charlottesville, EUA. O atentado é produto do ódio fascista e de direita que vem sendo aprofundado desde a eleição de Donald Trump. A ação dos supremacistas brancos, racistas, assumidamente fascistas são sempre que possível, suavizadas ou encobertas pelos governos liberais, o sistema judicial e seus meios de comunicação. Que todos/as saibam que as ideias fascistas que inspiram os supremacistas nos EUA, também começam a inspirar outras iniciativas similares no Brasil.

Um motorista que participava da manifestação “Unir a Direita” atropelou os/as manifestantes anti-fascistas e matou um membro da Industrial Workers of the World (IWW). Declaramos nossa solidariedade à todos/a os/a militantes que foram atingidos e em especial à IWW.

Não esqueçamos também dos ataques supremacistas cotidianos que ocorrem nas periferias e favelas do Brasil perpetrados pelas forças
militares do Estado.

Que nossos mortos não tenham nenhum minuto de silêncio, mas toda uma vida de luta.

Destruir a supremacia branca!
Destruir o racismo!
Esmagar o capitalismo!
Fascistas, racistas, não passarão!

Coordenação Anarquista Brasileira (CAB)

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A “justiça” do Estado tem um lado. E não é o do povo.

Não é de hoje que o Poder Judiciário deixa de servir a quem ele teoricamente deve, aos “cidadãos e cidadãs da nação”, às “pessoas de bem”. O direito, tal como é organizado hoje, tem o papel de garantir a propriedade de quem já a tem e marginalizar quem não se encaixa nos padrões do sistema capitalista de dominação.

Enquanto protege os interesses dos grandes, do capital e de todos aqueles que têm condições de pagar um bom advogado, mercantiliza o direito à liberdade e à defesa na atual “democracia”, criminaliza a pobreza e os movimento sociais.

O dito “Estado Democrático de Direito” da Constituição Federal é o Estado Oligárquico de Direito na prática – direitos para os ricos, para os brancos; migalhas, chacinas e prisões para os pobres, pretos e marginalizados.

Não é preciso uma pesquisa minuciosa para que encontremos casos em que fica explícito qual o lado das autoridades judiciárias. Num conflito judiciário em que uma parte tem residência fixa, estuda ou estudou na universidade, é branca e pode bancar um advogado renomado contra um pobre, desempregado e que necessita da Defensoria Pública; a dita igualdade só existe no papel.

Trazendo para um caso da realidade paranaense atual, é importante fazermos um breve histórico. Curitiba até alguns anos atrás era marcada pela grande presença e ação de gangues nazi-fascistas nas ruas da cidade, como podemos destacar nas seguintes manchetes tiradas de canais de comunicação:

Neonazistas atacam em Curitiba depois de protesto deste domingo e geram pânico
http://revistaladoa.com.br/2015/03/noticias/neonazistas-atacam-em-curitiba-depois-protesto-deste-domingo-geram-panico”;

Grupo de skinheads causa terror no Largo da Ordem de Curitiba
http://pr.ricmais.com.br/cidade-alerta-parana/videos/grupo-de-skinheads-causa-terror-no-largo-da-ordem-de-curitiba/”;

Jovem assassinado por skinheads foi confundido com punk, diz a polícia – http://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/jovem-assassinado-por-skinheads-foi-confundido-com-punk-diz-a-policia-f5los39ezvfoh25cjgkw2i6ha”;

Estudante sofre ataque homofóbico
http://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/estudante-sofre-ataque-homofobico-eijxzdx1pz9p59lrolj1cipu6;

Polícia identifica estudante skinhead que matou punk em Curitiba
http://pr.ricmais.com.br/seguranca/noticias/policia-identifica-estudante-skinhead-que-matou-punk-em-curitiba/;

Quatro são esfaqueados após briga no Curitiba Rock Carnival, diz polícia –
http://g1.globo.com/pr/parana/noticia/2014/03/quatro-sao-esfaqueados-apos-briga-no-curitiba-rock-carnival-diz-policia.html;

Guarda Municipal é preso após atirar contra rapaz no Largo da Ordem
http://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/guarda-municipal-e-preso-apos-atirar-contra-rapaz-no-largo-da-ordem-77cw3c42ek0i0sp4ljj5po026

Dentre os casos listados, queremos listar um, o de Adriano de Souza Martins, conhecido com Pararaio. Três meses atrás, dia 31 de julho de 2015, Pararaio retornou à liberdade após estar preso desde março de 2014.

Pararaio é um lutador antifascista da cidade de Curitiba que foi acusado por 4 tentativas de homicídio depois de ter se envolvido numa briga para defender seu amigo Diego (conhecido com Xarope) que estava sendo espancado e esfaqueado no chão por um grupo de nazi-fascistas durante o evento do Curitiba Rock Carnival. Pararaio foi inclusive acusado de ter esfaqueado o próprio amigo Xarope, para ilustrar a “justiça” do Estado e sua falta de sensibilidade perante os acontecimentos.

Pararaio foi levado pela polícia sob a acusação de ter esfaqueado 3 nazi-fascistas e Diego, enquanto foram os fascistas que deram 6 facadas em Diego – que ficou gravemente ferido. Nenhum nazi-fascista foi detido e foram considerados vítimas; levando o aval para continuarem cometendo as atrocidades que costumam fazer.

Mais uma amostra de que a “justiça do Estado” tem um lado e que obviamente não é a dos que lutam contra o racismo, machismo, homofobia e o fascismo. Não é nem necessário dizer qual a origem social de Pararaio e Diego em contraponto com a dos nazi-fascistas, que estavam em maioria e tiveram advogados, promotores e juízes ao seu lado.

Quem acabou sofrendo com isso? Pararaio ficou encarcerado por 1 ANO E 5 MESES A MAIS do que “deveria”, de acordo com a própria “justiça” burguesa. O julgamento levou 1 ano e 5 meses para acontecer e lá Pararaio foi condenado a 1 ano, sendo que não deveria ser em regime fechado – mas é claro que se o “criminoso” tivesse muito dinheiro e família conhecida não passaria uma noite na cadeia superlotada.

O Estado não recua em suas decisões, ele é a materialização da intransigência e violência – seja pela polícia, seja pelas prisões ou por outras instituições. Quanto mais quando se trata dos pobres e dos movimentos sociais organizados, porque quando você é pobre, é excluído sistematicamente das discussões e decisões políticas da sociedade; quando você é pobre e se organiza com outros pobres para exigir o direito de participar da vida política do seu bairro, da sua cidade, do seu país você representa uma ameaça aos interesses dos poderosos – e o Estado está aí para isso, defender os interesses dos de cima.

O caráter do Estado reverbera em todos os campos da sociedade, desde as crianças pobres e negras que serão as primeiras a sofrer com a redução da maioridade penal até os idosos que tem suas aposentadorias saqueadas quando o Estado “quebra” o seu caixa. O pobre pode morrer na fila do SUS, pode ficar desempregado e sem uma educação de qualidade, mas os lucros milionários sempre são garantidos. O Estado está nas mãos de quem manda e nós não queremos que só alguns possam decidir sobre o futuro de todos e todas – por isso lutamos pelo socialismo libertário.

Não vamos nos esquecer da mídia de massas, que cumpre um papel essencial na formação ideológica conservadora da sociedade e que muito contribui para que o Estado e o direito sirvam sempre aos poderosos. Pegando mais um exemplo do nazi-fascismo na atualidade, vejamos como a mídia reage quando o réu é um branco fascista:  http://g1.globo.com/fantastico/noticia/2015/08/me-sinto-um-lixo-diz-assassino-confesso-que-esquartejou-propria-tia.html; na própria manchete, nem citada é a palavra “skinhead”, comumente designada para se dirigir a esse grupos neonazistas, e muito menos as palavras “nazi” ou “fascista”.

Fica claro que tudo isso é uma questão de CLASSE. Os anarquistas, os antifascistas, lutam contra a dominação de classe – que os grandes capitalistas, latifundiários e burocratas do Estado impõem sobre o povo; contra dominação de gênero, etnia, etc. Enquanto os fascistas defendem essa dominação e ainda agem para que ela seja maior e mais violenta. É por isso que jovens como Pararaio sofrem todos os dias as retaliações, não por cometerem crimes, mas por pertencerem à classe dominada, por serem pobres, por morarem na periferia. Mas a nossa luta não vai parar!

SOLIDARIEDADE A PARARAIO!

DIEGO PRESENTE! LAGARTO PRESENTE!

VIOLENTO É O ESTADO!

NÃO VAMOS ESQUECER, NEM PERDOAR!

SOLIDARIEDADE AO COLETIVO ANTIFA 16 E À LUTA ANTI-FASCISTA

fascismo não se discute

Nota de repúdio à criminalização do Coletivo Quebrando Muros, estudantes da UEL e Antifa 16

protesto

Após o massacre do movimento de luta pela educação pública no dia 29 de abril, o governo de Beto Richa (PSDB), através da Secretaria de Segurança Pública do Paraná, tentou criminalizar “grupos radicais” por terem iniciado o confronto com a polícia.

Em coletiva de imprensa, o ex-Secretário de Segurança Pública do Paraná (Fernando Francischini) e um delegado da polícia federal “divulgaram as informações coletadas pelo departamento da inteligência da SESP” colocando estudantes da UEL, o Coletivo Quebrando Muros e Antifa 16 como sendo “baderneiros, black blocks” responsáveis pela tentativa de invasão da ALEP. MENTIRAS NÃO PASSARÃO!

O movimento de luta se esforçou para impedir a votação do PL da Previdência a partir da ação direta, da pressão popular, assim como em fevereiro quando o Estado tentou passar o “pacotaço de maldades”. Inúmeras categorias, estudantes e outros movimentos sociais fizeram parte do processo de decisão das ações tanto em fevereiro como no 29 de abril.

O que houve foi um massacre, o braço armado do Estado – a polícia, apenas utilizou de todo seu aparato militar para reprimir o movimento de luta pelos direitos trabalhistas. E ainda ousam criminalizar os libertários.

Ainda por cima, nas reportagens que divulgaram a coletiva de imprensa da SESP, especialmente na CBN e RPC (filiada à Rede Globo), colocaram os grupos como “pregadores da anarquia”, de forma a tentar criminalizar a ideologia anarquista.

NÃO VAMOS ACEITAR ESTE TIPO DE INTIMIDAÇÃO!

Toda solidariedade aos criminalizados e criminalizadas! É inaceitável este tipo de intimidação, com destaque no que foi feito a estudantes da UEL que sofreram humilhações absurdas pela polícia, tendo quatro detidos no dia 29, além de fortíssimos abusos e ameaças. Como na maioria das universidades estaduais, a de Londrina está muito sucateada e o movimento estudantil e sindical cada vez mais mobilizado. TODO APOIO À LUTA DOS TRABALHADORES, TRABALHADORAS E ESTUDANTES DA UEL!

O agrupamento de tendência Coletivo Quebrando Muros tem destacada atuação estudantil e sindical, leia mais em Protestar não é Crime: Quebrando Muros e o Antifa 16 compõe a luta por transporte público a anos e está lado a lado na luta dos servidores e servidoras. FASCISTAS NÃO PASSARÃO!

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PROTESTO NÃO É CRIME!

CRIMINOSO É O ESTADO!

RESPEITEM AS BANDEIRAS RUBRO NEGRAS!

RODEAR DE SOLIDARIEDADE OS QUE LUTAM!

TODA SOLIDARIEDADE AO COLETIVO QUEBRANDO MUROS, ESTUDANTES DA UEL, ANTIFA 16 E TODXS CRIMINALIZADXS!

Leiam:

NOTA DO COLETIVO QUEBRANDO MUROS https://quebrandomuros.wordpress.com/2015/05/05/protestar-nao-e-crime-criminoso-e-o-estado/

NOTA DE SOLIDARIEDADE DA CAB: http://anarquismo.noblogs.org/?p=150

PUBLICAÇÃO DO CALC SOBRE O MASSACRE DE 29/04/2015: https://anarquismopr.org/2015/04/30/o-estado-e-29-de-abril-de-2015/

Diego “Xarope”, seu exemplo está vivo em nós!

Há um mês, no dia 07 de dezembro de 2014, faleceu um grande companheiro de luta, Diego Batista, conhecido nas lutas como “Xarope”. Diego era um trabalhador, anarquista antifascista, participante ativo do Círculo de Estudos Libertários (CEL) e das lutas pelo transporte em Curitiba, pai de uma menina que nem completou um ano e um grande revoltado contra todos os tipos de dominação. Participou da ocupação da Câmara dos Vereadores em 2013 e foi também um dos mais ativos membros da luta contra o fascismo na terra das Araucárias, por meio do Coletivo Antifa 16, luta que no começo de 2014 o vitimou com três facadas por parte de um fascista. 

Curitiba, cidade fria, cinzenta e com um conservadorismo pairando pelo ar, teve durante muito tempo suas ruas dominadas pelos neonazistas, que perseguiram, espancaram e até esfaquearam negros, homossexuais, travestis e punks. Em 2010, Diego, em conjunto com outros companheiros, cansados de viverem sob a ameaça de ataques fascistas nas ruas, se organizaram e começaram a construir a luta antifascista na cidade. Diego foi um dos fundadores desse movimento e sempre se manteve ativo na luta desde então, apesar dos problemas e responsabilidades pessoais, como trabalho, contas para pagar, família, etc. Infelizmente pagou o preço de ser um dos mais ativos na luta, ao ser um quadro do movimento antifascista na cidade, também se tornou conhecido entre seus inimigos. Os fascistas possuíam muitas informações sobre ele, começaram rondar o bairro em que morava, tirando o seu sossego. Diego teve a dor de ver seus amigos diversas vezes no hospital depois de serem atacados por fascistas, a dor de enterrar um de seus melhores amigos, Lagarto, também vitima dos ataques covardes promovidos por essa corja fascista. Todas essas feridas nunca cicatrizaram em Diego e contribuíram com sua decisão de partir.                        

O que fica em nós é uma cicatriz que não cicatrizará. Porém, levaremos sempre os companheiros que já se foram em nossos corações, memórias e sempre os manteremos vivos nas lutas do presente, nas lutas que eles ajudaram a construir, e não esqueceremos nunca de Lagarto e Diego.

nopass

A LUTA CONTINUA!

DIEGO PRESENTE!

Fascistas NÃO PASSARÃO!

Vá em Paz Companheiro Diego, que a terra lhe seja leve.