Arquivo da tag: atividade cultural

[CABN] A arte que queremos neste Sarau 1º de maio

Retirado de: http://www.cabn.libertar.org/a-arte-que-queremos-neste-sarau-1o-de-maio/

Pelo segundo ano consecutivo realizaremos o Sarau 1º de maio. O Sarau tem por objetivo retomar uma data fundamental na história da construção da ideologia anarquista. O momento emblemático é a luta de dedicados militantes, de homens e mulheres que, na terra de Obama, em 1886, ocuparam as ruas e a Praça de Haymarket, em Chicago, para reivindicar 8 horas trabalho, 8 horas de lazer e 8 horas de descanso. A repressão policial a mando dos governantes, em defesa dos interesses dos patrões, levaram os nossos irmãos ao cárcere e à morte. Os nossos mártires de Chicago.

Outro objetivo do Sarau é reunir companheiros e companheiras que atuam nas lutas sociais em Joinville/SC. É o momento para socializar as expressões artísticas que a companheirada deixa guardada nos cantos do seu quarto, até mesmo numa caderneta surrada na sua mochila. É o momento para dividir o pão e a poesia, o bolo e a canção, a bebida e a fotografia, os biscoitos e o teatro.

No próximo 1º de maio nos encontraremos para sorrir, amar, refletir, até mesmo para enxugar lágrimas por conta da pesada rotina repressiva encabeçadas pelos governos e patrões. O Sarau é momento dos lutadores e das lutadoras, desde as crianças aos velhos e velhas. Trocamos olhares silenciosos de cumplicidade militante, fazemos dos nossos corações reservas de liberdade e igualdade.

11160059_802506889827463_2417885496049261336_o

Apresentação teatral durante o Sarau 1º de Maio em 2015. A foto é do Coletivo Metranca.

O processo de organização da atividade é composto por muito trabalho voluntário. Encontramos forças entre os dias e as noites de intensas cores vermelhas e negras que guiam os nossos corpos e mentes nas ruas, nas praças, nos bairros, nos postos de trabalho e estudo. Definimos coletivamente quem fará o quê, as razões para fazer, o que será possível oferecer e os objetivos. É uma prática baseada na igualdade e liberdade, sem hierarquia. Ações que definimos como autogestão, solução que oferecemos em pequena medida como alternativa para o mundo competitivo do capitalismo. Frente à dominação do Estado e do capitalismo, resistimos e construiremos um amanhã baseado na autogestão.

Ao abordamos a companhareirada com objetivo de convidarmos para apresentar as suas expressões artísticas no Sarau, é comum ouvirmos: “O que escrevo não tem relação com o tema do evento”ou “será que a minha música se encaixa com a proposta?”. Compreendemos as inquietações, as dúvidas. O que nos motiva a convidar não objetiva moldar quais as expressões são corretas para aluta popular. Porém, algum critério é necessário adotar; o nosso critério é criar um ambiente arejado para militância e setores próximos do CABN apresentarem a sua arte.

Quando convidamos os irmãos e as irmãs de classe, não temos por objetivo canções que remetam aos mártires de Chicago, menos ainda que as manifestações artísticas expressem segundo as regras de realismo socialista revisto. Não pretendemos ditar as formas, os conteúdos e a estética. O principal objetivo é envolver todos e todas ao que temos como parte da nossa constituição enquanto sujeitos históricos, as expressões atuais que contribuem em nossa identidade como povo oprimido. Como a arte deve compor o Sarau 1º de maio? Neste momento, a resposta é que a arte pode vir de quem entrega a sua vida na luta por um mundo sem mais opressões. É esta arte que queremos neste Sarau 1º de maio.

Por Flavio Solomon, militante do Coletivo Anarquista Bandeira Negra

[FACA] CONTRA A VIOLÊNCIA DE GÊNERO

Retirado de: http://faca.noblogs.org/post/2015/12/17/contra-a-violencia-de-genero/

A questão de gênero é um assunto que por muito tempo foi ignorado, negligenciado, secundarizado e relegado a debates menores. Porem, a luta da mulher se faz presente cotidianamente, ontem, hoje e será no amanhã, resistindo às inúmeras formas de opressão socialmente construídas dentro da cultura patriarcalista/machista que somado ao capitalismo potencializa sua perversidade se tornando mais uma de suas facetas. Pois as situações de violência e humilhação que são colocadas tantas mulheres aqui, ali e acolá ao redor do globo, nos colocam em contradição na medida em que nossa luta contra todas as formas de dominação e opressão não pode apenas tangenciar tais situações. Cada mulher é única (somos únicas) e nossa representação se firmará com o nosso protagonismo. Pois a luta delas, também deve ser a luta deles, e assim frear o avanço do conservadorismo e das pautas que retrocedem aos direitos conquistados com muita peleia.

download    Dentre as questões propostas ao longo da histórica para construção do gênero feminino (pelo conservadorismo machista), surge de maneira muito incisiva e como ponto de discussão o que é feminino e masculino? A mulher tem seu universo restringido por convenções machistas impostas a ela, enquanto o homem desfruta das mais variadas situações e privilégios. Portanto, fazer hoje, no agora, construção de cultura pela igualdade de gênero e pela liberdade das/dos indivíduos, pelo protagonismo feminino somando forças na luta de nosso povo oprimido contra as investidas do opressor que é machista e capitalista.

     Assim nossa pratica deve refletir bem isso e funcionar, sobretudo, como instrumento de mudança do atual sistema machista e capitalista para a sociedade almejada por nós, que lutamos pelo apoio mútuo, pela autonomia, onde a igualdade e o respeito existiriam para além dos limites da mediocridade capitalista, e do discurso individualista que coopta, banaliza e sexualiza a essência do feminino.1

     A padronização do corpo feminino, com regras estéticas que enquadra no tipo imposto pela mídia, também se torna responsável pela limitação de nossa liberdade, já que o meio social e também midiático é responsável por exercer um certo tipo de corpo para uniformizar os gostos e com isso normatizar a beleza, que até um certo ponto, deixa de ser relativa. Somos cotidianamente pressionadas a assumirmos posturas consideradas femininas, sob uma performance do que é mostrar ser feminina e o corpo acaba sendo alvo de destaque que assim sobrepõe, nossa própria identidade, tal padronização responsável por dar um sentido à noção de beleza da mulher, também constrói a noção de pertencimento, infere à mesma uma noção de valor a partir da comparação do seu corpo com os corpos ao seu redor.

     A lógica de mercado capitalista aplicada na produção de objetos, aplica-se na maneira de pensar e agir, a exemplo da expressão: “vou me produzir”. Há uma produção, de um objeto, para um mercado. Objeto este que precisa ser sempre renovado, produzido e re-produzido para que se torne sempre visível, chamativo e fetichizado, seguindo sempre a ditadura dos padrões estéticos machista que são bombardeados pela mídia.muralezln2

     A mulher não pode ser vista enquanto “mercadoria”, porque diferente dos objetos, nós mulheres possuímos autonomia pra ser quem quiser, agir como quiser e trabalhar onde quiser. Nosso corpo obedece às nossas regras e nossos limites. Não podemos ser coisificadas, a ideologia de consumo e do comportamento serve para nos aprisionar e paralisar diante das diversas injustiças que temos que enfrentar diariamente por conta dessa logica.

     Se as assimetrias das relações de gênero nunca deixaram de existir, sobretudo pela imposição cultural e histórica da dominação masculina, por outro lado há de se criar uma outra cultura orientada pela igualdade entre mulheres e homens, alicerçada no socialismo e impulsionada pela liberdade.

PELA LUTA POR UMA SOCIEDADE IGUALITÁRIA, SEM CLASSES, NEM DESIGUALDADE DE GÊNERO!

E NÃO À SEXUALIZAÇÃO DOS NOSSOS CORPOS!

[MOB-PR] Organização, Apoio Mútuo e muito Trabalho Coletivo. Construção da Primeira Sede do MOB-PR

Retirado de:                                             https://organizacaodebase.wordpress.com/2015/07/27/organizacao-apoio-mutuo-e-muito-trabalho-coletivo-construcao-da-primeira-sede-do-mob-pr/

Após algumas semanas de muito esforço e trabalho, finalizamos a construção da Primeira Sede do Movimento de Organização de Base (MOB) no Paraná, localizada na Portelinha-Nova Santa Quitéria em Curitiba.

Com a organização e trabalho de militantes do MOB de Curitiba, Região Metropolitana e apoio de trabalhadores e trabalhadoras desta e outras regiões do Paraná conseguimos finalizar a construção de um espaço que contribuirá muito para os trabalhos de educação popular, economia coletiva, organização política e atividades culturais que desenvolvemos e vamos desenvolver na Portelinha e região.

Agradecemos o trabalho e apoio de todas e todos que contribuíram para a construção da Primeira Sede do MOB-PR!

Viva a Organização do Povo!
Viva a Portelinha!
Viva o Movimento de Organização de Base!
LUTAR! CRIAR PODER POPULAR!

20150606_111411   20150606_131059  20150620_124545   20150627_143120  20150627_153703 20150627_170454 20150630_171600  20150706_090156 20150706_090217 20150712_150126  702222927_27322

[FARJ] Intimidação e criminalização: pauta permanente do Estado brasileiro

Retirado de:                                               https://anarquismorj.wordpress.com/2015/06/30/intimidacao-e-criminalizacao-pauta-permanente-do-estado-brasileiro/

Na última sexta, 26/07 a campanha nacional pela libertação de Rafael Braga organizou um sarau na Cinelândia, centro do Rio de Janeiro. O sarau tinha como objetivo fazer uma atividade cultural que marcasse o dia de sua prisão e também arrecadar fundos para sua família. O evento teve participação de diversos movimentos, organizações e coletivos, que foram até o centro do rio prestar solidariedade. Incrivelmente a polícia enviou para o sarau, seis camburões, uma viatura e membros da cavalaria, numa nítida tentativa de intimidar os presentes. Policiais infiltrados (P2) também tiravam fotos da militância presente e “acompanhavam” a atividade. Rafael não era militante, nem pertencia a nenhuma organização, mas foi preso por ser pobre e negro, portando uma garrafa de pinho sol. Não à toa, é o único já condenado, das jornadas de junho de 2013.

Isso só demonstra o caráter racista da polícia e do sistema judicial brasileiro A luta pela libertação de Rafael Braga é uma luta contra o racismo e a injustiça de classe desse sistema de dominação que os meios de comunicação tentam camuflar. A tentativa de intimidação faz parte de um campanha de criminalização do protesto e da pobreza, assim como da permanente lógica racista do Estado brasileiro. É essa lógica racista, que agora tenta não apenas criminalizar o protesto e a pobreza, mas reduzir a maioridade penal, para encarcerar jovens negros. Na véspera do sarau pela libertação de Rafael Braga, três militantes conseguiram habeas-corpus. O assédio policial e as mudanças na legislação tem como intenção provocar, cercear e intimidar todas/os aquelas/e que representem uma ameaça ao sistema de dominação capitalista (negros, pobres, revoltados/as).

11694003_10200631242659359_2921083326794155511_n

Mão estendida ao companheiro, punho cerrado ao inimigo!
Liberdade para Rafael Braga!
Fim do processo dos 23!