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[FAG] Fantástica Infâmia!

Fantástica Infâmia!
Uma teoria da conspiração ao gosto da extrema direita!

INFAMIA! Não há outro termo para se referir à farsa que foi promovida neste domingo pela Rede Globo através do programa “Fantástico”. Conhecido por seu aspecto idiotizante e sensacionalista, o Fantástico já alertava, logo em seus primeiros quadros, seu fetiche por teorias da conspiração ao apresentar mais uma de suas matérias sobre misteriosos OVINIS. Embaladas na onda conservadora, as teorias da conspiração, “rigor e sabedoria” dos estúpidos, vêm ganhando espaço cada vez maior nos grandes meios de comunicação. Não seria justo o Fantástico quem deixaria de aplicar uma “autêntica”.

O sensacionalismo apresentado em torno de uma nova teoria da conspiração foi a matéria sobre uma suposta “organização anarquista criminosa”, propagandeada ostensivamente ao longo dos últimos dias e guardada como a “chave de ouro” do programa.

A matéria em questão, abordou a operação da Polícia Civil do Rio Grande do Sul direcionada ao espaço cultural Parhesia, a ocupação urbana Pandorga, e nossa organização política, Federação Anarquista Gaúcha/Coordenação Anarquista Brasileira (FAG/CAB). Desde o início da operação (dia 24/10), a grande mídia local, com a RBS na linha de frente, já demonstrava ser parte ativa nessa conspiração. Acompanhando e difundindo quase que em tempo real todo o procedimento da Polícia Civil, os telejornais endossavam completamente a versão policial, emitindo toda sorte de juízo e condenações. Em meio ao show de horrores destacou-se o telejornalismo do SBT afirmando que se tratavam de grupos neo-nazistas.

Atentados isolados passaram a ser associados de forma escandalosa a ideologia anarquista e a nossa organização em particular. O cálculo é claro e largamente conhecido: buscam através do bombardeio midiático coagir os militantes sociais que se identificam com o anarquismo, deixar na defensiva, obrigar sairmos a público rezando a cartilha da “moral e dos bons costumes” dos “cidadãos de bem”, linchadores e hatters de internet, que cada vez mais estão ganhando terreno no país.

Buscam, através de factoides, criminalizar iniciativas de caráter artístico-cultural além de nossa organização, conhecida por mais de 20 anos de militância ininterrupta nas diversas lutas e organizações dos trabalhadores e oprimidos.

Trata-se de uma operação ao gosto da extrema-direita que vem se agrupando em torno de uma agenda moralista e com um discurso fortemente macarthista. Extrema direita essa que desde a onda de ocupações de escolas vem investindo na promoção de milícias para provocar, intimidar e, quando possível, atacar fisicamente atos promovidos pela esquerda ou contra aquilo que julgam um atentado aos “bons costumes”.

Enquanto isso proto-milícias fascistas e seus crimes de ódio passam impunemente!

Reunindo-se, entre outros, em grupos pró-Bolsonaro, estes militantes da extrema direita estão fazendo um grande carnaval reacionário nas redes sociais, exibindo armas e convocando os “cidadãos de bem” a atacar os “esquerdistas” e “defensores de bandidos”, enquanto cada vez mais levam sua demência para as ruas.

Em uma mobilização dos municipários de Porto Alegre, na ocasião em Estado de greve, um professor foi agredido com um bastão retrátil por um capanga de um youtuber, ambos vinculados ao MBL. No dia seguinte, eram recebidos com grande cordialidade no Paço dos Açorianos pelo prefeito Marchezan/PSDB, que pronto agradeceu seus feitos.

Como o ovo da serpente choca de norte a sul, vimos recentemente uma turba tumultuar e inviabilizar uma atividade acadêmica a respeito do centenário da Revolução Russa na Universidade Federal do Pernambuco (UFPE) aos gritos de “intervenção militar já”! O ataque a atividade docente, com vistas a patrulhar e censurar tudo aquilo que é dito nas escolas e universidades tem sido uma das muitas histerias presente na agenda da extrema-direita. Mas, se estamos falando da região sul do país, a extrema-direita historicamente teve uma presença “sombria”, pouco ou nada abordada. Trata-se do nazismo, ou neo-nazismo.

Foi justamente em Porto Alegre onde se abrigou a Editora Revisão, responsável por editar e difundir amplamente literatura nazista e de negação do holocausto, cuja página na internet segue ativa. Foi em Porto Alegre onde, em razão de um quipá, jovens foram esfaqueados em um bairro boêmio da cidade e também é aqui onde nas ruas são diários casos de agressões físicas a casais homosexuais, a travestis, a moradores de rua, mulheres, negros e imigrantes, haitianos e senegaleses sobretudo. Por detrás desses ataques operam grupos neo-nazistas e integralistas que atuam de forma coordenada em um “corredor do ódio” que envolve Porto Alegre-Serra Gaúcha-Blumenau-Curitiba. Periodicamente realizam encontros, no caso, as “gigs” de bandas “RAC” onde aproveitam para fazer uma espécie de ritual ao final dos concertos: sair em bando nas ruas para ”beber e se divertir”.

Toda essa confraria da extrema direita, que pratica e estimulam covardes atos de ódio, são muito bem conhecidas pelo Delegado Jardim, regente mor da conspiração em curso contra o anarquismo. Há mais de 10 anos, o Delegado Jardim é incumbido da tarefa de investigar a atuação destes grupos da extrema-direita, no entanto, até o presente momento, Jardim não apresentou nada além de aparições televisivas com sua empáfia característica.

A Síndrome de Estocolmo de um “novo” cruzado contra a esquerda!

Essa não é a primeira vez que Jardim direciona sua carga à lutadores sociais. Em 2013, em meio às muitas manifestações populares que reivindicavam o direito à cidade e protestavam contra os gastos da copa em Porto Alegre, uma operação de caça de militantes da Brigada Militar resultou na prisão de 3 professores que caminhavam após a dispersão do ato com uma bandeira do CPERS.

Jardim foi o Delegado que se encarregou do caso e logo buscou enquadrar os militantes como responsáveis pelo apedrejamento ao Museu Julio de Castilhos e a Catedral em meio a uma série de suposições. Precisavam de um bode expiatório para apresentar como troféu na grande mídia, encaminhando-os ao presídio. Impossibilitado de concluir seu objetivo, dada a forte solidariedade que garantiu a liberação d@s companheir@s, Jardim não se conteve e fez questão de convocar o serviço sujo da RBS. No dia seguinte, lá estava uma matéria destacada na Zero Hora e no ClicRbs que acusava professores de “atos de vandalismo”. Não bastasse citar o nome completo de dois companheiros e uma companheira, a matéria estampava uma foto de Jardim mostrando suas fotos. Em mais de 10 anos com a responsabilidade de investigar a atuação neo-nazista, Jardim nunca expôs publicamente um de seus milicianos. No entanto, quando se trata de alguma mobilização popular, alguma manifestação de esquerda, Jardim parece espumar.

Não seria exagero sugerir que todo esse tempo enquanto responsável da Polícia Civil para investigar o neo-nazismo no Rio Grande do Sul tenha levado o senhor Jardim à uma Síndrome de Estocolmo, apaixonando-se por aqueles que estava responsável por reprimir. A manifestação da simpatia enrustida não poderia vir de melhor forma que clamando cadeia, prisão e deportação à militantes sociais e a esquerda, elemento basilar de toda manifestação nazi-fascista.

O que representa a aventura do Delegado Jardim e da Rede Globo?

O episódio mais recente parece estar configurando o “momento de ouro” do delegado, que nunca teve tamanha audiência. Representante “do bem”, cruzado contra “quadrilhas do mal”, Jardim se depara agora em uma encruzilhada onde terá de decidir qual figura detestável na história dos oprimidos buscará “reencarnar”. Pode ser que queira ser uma versão dos trópicos de Frederick Katzmann em sua farsa contra Sacco e Vanzetti ou de Hermann Göring em seu alarme pelo incêndio ao Reichstag.

Seja o que for, nesta semana, a triste figura de Jardim roubou a cena na conjuntura política do país buscando criar um espantalho para conclamar uma caça às bruxas. Taxar e intimidar uma ideologia e uma organização política em meio a um momento de importantes greves na região, onde sua militância toma parte ativa buscando levar às últimas consequências as disposições de luta e organização que brotam em cada local de trabalho, estudo e moradia. Jardim e a Rede Globo buscam semear pânico e desorientação; em um primeiro momento no anarquismo militante, logo em seguida, se arvorarão em completar sua investida farsesca, carregada de factoides e arapongagens, ao conjunto da esquerda e dos movimentos sociais. Jardim roubou a cena para escancarar a verdadeira farsa que é a alternativa da extrema direita e seus aventureiros de plantão, que com o beneplácito do oligopólio da grande mídia se desenvolvem em tribunais e no aparelho repressivo do Estado, convocando e promovendo o genocídio da juventude negra nas periferias, a violência contra LGBTs e a intolerância religiosa; o extermínio dos povos indígenas e quilombolas e o ajuste fiscal.

Terrorismo contra os de baixo, terrorismo contra nossa classe! Jardim, a Rede Globo e seus cruzados que fiquem cientes que não nos curvaremos!

Contra o ajuste e a repressão! Luta e organização!

Federação Anarquista Gaúcha (FAG) – Organização integrada à Coordenação Anarquista Brasileira (CAB)

[Rusga Libertária] SACCO E VANZETTI, PRESENTES!

Retirado de: https://rusgalibertaria.wordpress.com/2015/08/24/sacco-e-vanzetti-presentes/

saccoevanzetti

No dia 23 de agosto de 1927, Nicola Sacco e Bartolomeo Vanzetti eram executados pelo Estado opressor e assassino dos Estados Unidos da América. A execução ocorrera sete anos após a prisão, sete anos de torturas e injustiças. Imigrantes italianos, os dois se conheceram nos círculos anarquistas ítalo-americanos, dedicando-se à luta por melhores salários e condições dignas de trabalho. Sacco e Vanzetti atuavam com afinco, participando de greves, manifestações, comícios; razão pela qual logo tiveram seus nomes inseridos nas fichas policiais. Em 20 de maio de 1920, os dois são presos pouco antes de um comício anarquista; a acusação era de que teriam assaltado uma empresa na região de Boston, bem como assassinado dois homens da mesma empresa. O Estado montou, então, um processo criminal absurdo e sem provas, mantendo a acusação mesmo quando um outro preso confessara a autoria dos assassinatos. Os sete anos de prisão também foram marcados por uma intensa campanha em defesa da libertação de Sacco e Vanzetti. Contudo, o Estado foi implacável e usou a condenação como punição e “exemplo” para os demais trabalhadores do país. Um processo tão frágil juridicamente apenas mostrou o real motivo da perseguição, como o próprio Vanzetti declarou em carta ao filho de Sacco: se nos executarmos será “porque éramos pelos pobres e contra a exploração e opressão do homem”, por ser Anarquista.

O assassinato de Sacco e Vanzetti nos remete a um outro processo forjado para liquidar anarquistas no Estados Unidos, a execução dos mártires de Chicago. Como apontava Lucy Parsons, o Estado, “”a imprensa capitalista”, o “púlpito”, a polícia, um júri lotado, e “juízes preconceituosos” agiram conjuntamente para executar líderes anarquistas de Chicago” (citado em Quem é Lucy Parsons, de Casey Willams). Também nesse caso, foi montado todo um processo sem provas concretas para culminar em assassinato judicial. Assim como esses exemplos, muitos outros marcaram a história de diversos anarquistas pelo mundo. O Estado sempre criou esses casos como formas de aniquilar nossa ideologia e instaurar o medo, tratando anarquistas como terroristas, impondo uma visão que serve para a manutenção do estado de exploração e desigualdades.

Para além da história de luta e coragem, rememorar Sacco e Vanzetti, nesse 23 de agosto de 2015, 88 anos depois, nos leva a uma reflexão sobre nosso próprio tempo. Ainda vivenciamos uma série de perseguições e caça a anarquistas. São inúmeras as prisões e perseguições a anarquistas pelo mundo; pela estrutura judiciária do Estado, esses presos nunca serão compreendidos como presos políticos, cabendo a nós mostrarmos e defendermos essa perspectiva. Ainda hoje, enfrentamos uma forte criminalização do anarquismo, criminalização que se dá por parte do Estado, da direita e, inclusive, por certa parcela da própria esquerda.

No Brasil, desde 2013, o anarquismo voltou a ser posto em foco. A caça e a criminalização dos Black Bloc passaram pela avaliação de serem vistos como anarquistas. As jornadas de junho / julho, as mobilizações durante a Copa, as diversas greves mais combativas e as movimentações nas favelas, reabriram uma velha ferida silenciada e escondida pelo Estado; a de que o Estado tem por princípio a caça, a perseguição e a repressão de qualquer embrião de levante ou ameaça à sua estrutura. Não foram à toa as invasões às sedes anarquistas, a criminalização pela mídia, as prisões. A reformulação do Plano de Segurança Nacional, apontando manifestantes como terroristas, e o projeto de lei que busca proibir o fechamento de vias públicas por protestos marcam, mais uma vez, a posição do Estado como opressão e repressão. Representam um sério risco para o travamento da luta, além maiores dificuldades de organização e mobilização. Não temos dúvidas de que tais leis abrirão brechas para, novamente, prenderem e acusarem anarquistas como terroristas.

Se somos taxados de sonhadores, românticos, utópicos, pessoas que acreditam em algo que não pode ser colocado em prática, por que nos caçam tanto? Por que tantas perseguições, tanto alarde por conta de qualquer movimento dos anarquistas? Para nós, só podemos responder que o Estado compreende que questionamos e ameaçamos sua estrutura, que queremos a destruição do Estado e do sistema que explora. Mais do que isso, compreendem que sobrevivemos ao tempo, mesmo sendo perseguidos, presos, assassinados; compreendem que nos organizamos e veem que temos força para a luta e que nossa luta é, realmente, com os de baixo.

Sacco e Vanzetti representam a força e a coragem anarquistas; e sua história mostra como o Estado age, significando uma aprendizagem para nós anarquistas ainda hoje. Que essa história esteja sempre viva e seja as sementes de nossa coragem e garra para a luta!

Nicola Sacco e Bartomeo Vanzetti, Presentes Presentes Presentes!

Se siente, se escucha, arriba los que luchan!

[Rusga Libertária] Memória do assassinato de Nicola Sacco e Bartolomeo Vanzetti – 88 anos do assassinato cometido pelo Estado Xenofóbico, Capitalista e Opressor!

Retirado de:  https://www.facebook.com/RusgaLibertariaRL/photos/a.295628697234842.1073741828.295624600568585/734965853301122/?type=1&theater

Iniciando a memória do assassinato de Nicola Sacco e Bartolomeo Vanzetti – 88 anos do assassinato cometido pelo Estado Xenofóbico, Capitalista e Opressor!

Viva a Anarquia!

A carta de um condenado
Nicola Sacco…

21 de agosto de 1927.

Da Casa da Morte na prisão de Massachusetts.

Meu caro Dante:

Ainda espero, e combateremos até o último momento, reivindicando o nosso direito de vida e de liberdade, mas todas as forças do Estado e do dinheiro e reação são implacavelmente contra nós, porque somos libertários ou anarquistas.

Escrevo pouco a respeito disto porque és ainda muito criança para compreender estas e outras coisas sobre as quais eu gostaria de conversar contigo.

Mas hás de crescer e compreender o caso meu e de teu pai, os princípios meus e de teu pai, princípios pelos quais nos vão matar dentro em pouco.

Digo-te agora que, por tudo que sei de teu pai, ele não é criminoso, mas um dos homens mais direitos que já conheci. Um dia compreenderás o que te estou dizendo. Que teu pai sacrificou tudo o que há de mais caro e sagrado ao coração e à alma humana pela justiça e liberdade de todos. Nesse dia terás orgulho de teu pai, e se fores bastante corajoso, tomarás o seu lugar na luta entre a tirania e a liberdade e vingarás o seu (os nossos) nomes e o nosso sangue.

Se de fato morreremos agora, saberás um dia, quando te tornares capaz de compreender esta tragédia em toda a sua extensão, como teu pai foi bom e corajoso contigo, teu pai e eu, durante estes oito anos de luta, tristeza, angústia e aflição.

Desde este instante mesmo serás bom e corajoso com tua mãe, com Inês (irmã de Dante) e com Susie (amiga da senhora Sacco, com quem ela e seus filhos viviam nos últimos anos do caso) – e farás tudo para as consolar e ajudar.

Gostaria também que te lembrasses de mim como camarada e amigo de teu pai, de tua mãe, de Inês, de Susie e de ti, e te afianço que também não sou um criminoso, que não cometi nenhum roubo nem morte, mas apenas combati modestamente para abolir os crimes entre os homens e para defender a liberdade de todos.

Sabe, Dante, que quem disser o contrário de teu pai e de mim, é um mentiroso a insultar dois mortos inocentes que viveram como homens de bem. Sabe também, Dante, que, se teu pai e eu tivéssemos sido covardes e hipócritas e renegadores de nossa fé, nos teríamos salvado. Não se condenaria nem mesmo um cão leproso, não se executaria nem mesmo o escorpião mais venenoso com fundamento nas provas que forjaram contra nós. Conceder-se-ia novo julgamento a um matricida e criminoso relapso, se apresentasse recurso como o que apresentamos para obter novo julgamento.

Lembra-te, Dante, lembra-te sempre disto; não somos criminosos; forjaram uma traça para condenar-nos; negaram-nos um novo julgamento; e se formos executados depois de sete anos, quatro meses e dezessete dias de indizíveis torturas e injustiças, será pelo que já te disse; porque éramos pelos pobres e contra a exploração e opressão do homem.
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Dia virá em que compreenderás a causa atroz das palavras acima escritas, em toda a sua extensão. Então nos honrarás.
Sê sempre bom e corajoso. Dante. Abraço-te.

Bartolomeo Vanzetti

[FAG] 19 ANOS DA FAG – Não tá morto quem peleia!!!

Retirado de: http://www.federacaoanarquistagaucha.org/?p=1041

19 anos

Há 19 anos um grupo de companheiros/as escolheu fazer parte da construção de um projeto político de cores rubro negra, em que a defesa das liberdades coletivas fosse condição essencial para a forja de um socialismo sem privilégios e dominações de qualquer tipo. Um projeto que, não sendo novo, se colocava como um imenso desafio para aquela geração de jovens que, órfãos de referências diretas em nosso país, buscava referências nos muitos anos de luta e experiência de organização sindical e popular dos irmãos da banda oriental organizados na fAu (federação Anarquista uruguaia).

Não que as experiências de luta e de organização do anarquismo no Brasil não fossem ricas por si só. Mas pesou muito o fato de que a geração de militantes que de alguma forma vivenciaram na carne as experiências de organização dos trabalhadores até os anos 50 do século XX não estivesse mais viva para contribuir na formulação das respostas aos anseios daqueles e daquelas que nos inícios dos 90 queriam se organizar para retomar o vetor social do anarquismo.

Organização para dar conta não apenas do estudo teórico e doutrinário de nossa ideologia, mas que pudesse responder aos desafios cotidianos da inserção anarquista no meio sindical, estudantil, comunitário, agrário e popular. Uma organização que pudesse articular essas diversas experiências de luta e organização dos de baixo no âmbito de uma perspectiva estratégica em que os oprimidos possam ser protagonistas da transformação social, sem vanguardas auto-eleitas dando ordens sobre o que fazer. Naquela época, foi a organização política específica dos anarquistas (o especifismo) que se colocou como a melhor resposta a esse anseio e, passados 19 anos, acreditamos que o anarquismo especifista continua sendo uma boa ferramenta para nossa organização enquanto militantes anarquistas. Uma escola de vida e militância libertária que é, para nós do Rio Grande do Sul, a Federação Anarquista Gaúcha – FAG. São 19 anos buscando enxertar verdades novas no tronco das velhas verdades fundamentais como dizia o companheiro anarquista italiano Camillo Berneri.

São 19 anos germinando um mundo novo em nossos corações e construindo um homem novo (diríamos um sujeito novo) como falava o anarquista espanhol Durruti e o revolucionário latino americano Che Guevara. São 19 anos estudando e se inspirando nas experiências de luta de mulheres e homens de todas as partes do mundo que muito antes de nós já estavam no labor cotidiano de erguer uma nova sociedade em cima dos escombros da velha sociedade capitalista. Não esquecemos de Lucy Parsons, Mikhail Bakunin, Louise Michel, Errico Malatesta, J. Proudhon, Anselmo Lorenzo, Voltairine Cleyre, P. Kropotkin, Elena Quinteros, Gerardo Gatti, José Oiticica, Polidoro Santos, Edgar Leuenroth, Emma Goldman, Alberto Mechoso, Maria Canária, Leon Duarte, Espertirina Martins, Nicola Sacco, Bartolomeu Vanzetti, os Mártires de Chicago, Neno Vasco, Domingo Passos e de tantas outras companheiras e companheiros (da nossa matriz e de outras matrizes da esquerda combativa) que de alguma forma plantaram sementes de Socialismo e Liberdade.

É pela memória dessa companheirada que seguimos nos organizando e lutando, desde o lugar que nos toca atuar e junto aos homens e mulheres que dia a dia constroem através de seu suor e trabalho essa sociedade.

19 anos de luta pelo Socialismo e pela Liberdade!

Viva a Federação Anarquista Gaúcha!

Viva a Anarquia!

[FAG] Uma mensagem de luta e de esperança que atravessa os tempos!

Retirado dehttp://vermelhoenegro.org/blog/2012/08/23/uma-mensagem-de-luta-e-de-esperanca-que-atravessa-os-tempos/

A 85 anos do assassinato dos companheiros anarquistas Nicola Sacco e Bartolomeu Vanzetti, nós da Federação Anarquista Gaúcha fazemos memória a esses lutadores que ousaram se levantar contra as injustiças, a exploração e a opressão do sistema capitalista que segue vigente. Reproduzimos abaixo uma livre tradução adaptada do artigo “Uma mensagem de luta e esperança que atravessa os tempos” escrita pelos hermanos da Federação Anarquista Uruguaia quando dos 76 anos da morte dos imigrantes italianos e que pode ser encontrada no número 13 da Revista LUCHA LLIBERTARIA da mesma FAU de Setembro de 2003.

Em memória de Nicola Sacco e Bartolomeu Vanzetti!!!
Em Memória de Eltom Brum da Silva, companheiro sem-terra assassinado pelo Estado criminoso!!!
Em Memória a todos(as) os(as) lutadores que são baixam a cabeça!!!
Arriba lxs que luchan e seguimos!

Uma mensagem de luta e esperança que atravessa os tempos

No dia 23 de agosto de 1927 era assassinado pelo sistema capitalista norte americano dois trabalhadores anarquistas: Nicola Sacco e Bartolomeu Vanzetti. O ódio da classe opressora e exploradora se efetivava. Era necessário castigar aqueles que questionavam profundamente seu sistema de privilégios, seu sistema para os ricos e poderosos. Estes trabalhadores revolucionários incitavam a dignidade, a não resignação à tanta miséria e injustiça, incitavam também a sonhar com um mundo melhor. Eram perigosos.

Hoje, em tantas partes do mundo, assassinam sua memória, sua mensagem, sua conduta social, muitos derrotistas e conciliadores. Aqueles que vêm renunciando a luta pela causa dos oprimidos, a militar por instalar processos de transformação que desestruture este ordenamento social miserável, os “realistas” e “possibilistas” que mascaram seu discurso porque não se atrevem a dizer que já nadam com gosto nas águas podres desse sistema.

São os que fazem acordos com ministros e patrões a revelia dos trabalhadores. Os que são “racionais” com os problemas das empresas, com a dívida externa, enquanto os trabalhadores é marginalizado ou perde direitos e conquistas alcançadas com suas lutas.

É a militância de “esquerda” que tem criminalizado, afirme ou não, a palavra revolução, luta de classes, imperialismo, burguesia opressora e exploradora, confrontação com o inimigo, também a toda prática que leve esse sentido.

Assim, usam grande parte da linguagem correspondente a uma ideologia que serve de justificação e suporte a este brutal sistema. São modernos, incursionam pelo mundo simbólico, são funcionais a reprodução desta estrutura global de dominação.

Por fora desta “esquerda” submersas nas águas da institucionalidade “democrática” está o que mantém-se na memória coletiva dos povos e o que este tempo ensina. O que ensina a vivência em condições subumanas como grande parte dos assalariados e essa enorme quantidade de “marginalizados” que encaram lutas por diversas reivindicações e pela sobrevivência.

Desde esse processo de renovação retomando os sonhos e peleias vigorosas dos velhos lutadores é que podemos abrir um caminho real de mudanças a favor dos de baixo.

A recordação da mensagem destes lutadores trabalhadores é sempre um “vamos avante que se pode!”.

1927, a justiça de classe do governo norte americano, o mesmo que hoje decreta seu direito a invadir e massacrar povos onde crê conveniente para seus mesquinhos interesses, quis assassinar em Sacco e Vanzetti as idéias e práticas revolucionárias classistas.

Eram inimigos do sistema… e lhe eram também. Era-lhes inimiga a morte, porque estavam contra a opressão e por uma autêntica liberdade e justiça. Então para o sistema eram “terroristas”.

Neste aspecto pouca mudou. Hoje as classes dominantes, as empresas de diferente pelo, a força repressiva, a imprensa servil, os amarelos do movimento popular também querem apresentar os que lutam como “terroristas”. Não toque em um supermercado nem atire uma pedra. Vote bem que isso encerra o assunto.

Porém, se algo mostra a história é que o imperialismo norte americano, a burguesia agora com forma de transnacionais ou mega empresas e todo o conjunto institucional para a manutenção e reprodução deste sistema brutalmente inumano, seguem sendo inimigos irreconciliáveis dos pobres do mundo. Sua monstruosidade é expressa com o genocídio atual que leva adiante através das invasões e da miséria.

Por isso as lutas e idéias fundamentais daqueles imigrantes italianos assassinados há 85 anos, ainda nesse contexto, seguem indicando enormes verdades: não é possível uma vida digna, justa e livre para todos dentro deste cruel ordenamento social.

Nicola Sacco

Nasceu na Itália em 23 de Abril de 1891. Tinha 17 anos de idade quando imigra aos Estados Unidos. É o empurrão que define sua situação econômica. Tem conhecimentos de mecânica, porém os trabalhos especializados não são para os estrangeiros. Deve trabalhar primeiro como carregador de água e depois como sapateiro.

Quando inicia a guerra, imediatamente se pronuncia contra ela. Diz: “Esta guerra não é para empunhar o fusil… para lutar por um país livre… senão em benefício dos grandes milionários”.

Participa depois ativamente na greve de Middford e em muitas lutas pela liberdade de seus companheiros. Se vê ativo em diversas atividades obreiras e sociais.

É detido quando organizava um protesto pelo assassinato de Andrea Salcedo. O anarquista Salcedo é jogado do 14º piso do Park Row Building. Lugar onde a polícia secreta tinha suas oficinas. Havia sido previamente torturado até a morte.

Bartolomeu Vanzetti

Nasceu na Itália em 1888. Já aos 13 anos de idade trabalhava 15 horas diárias. Gostava de estudar porém pode fazer apenas a escola.

Em 1908 com 20 anos de idade chega a América do Norte. Em seu ofício de confeiteiro não encontra trabalho regular. Passa fome e quando encontra ocupação, deve trabalhar de 12 a 14 horas diárias recebendo a metade do salário de um norte americano por ser estrangeiro. Por rebeldia contra as injustiças é expulso uma e outra vez dos trabalhos.

Dirá depois: “Aprendi que a consciência de classe não era uma frase inventada pelos propagandistas”.

Se define como comunista-anarquista. Afirma: “o comunismo é a forma do contrato social mais humana, porque sei que somente na liberdade poderá surgir o homem à sua nobre e harmoniosa integridade”.

Participa ativamente nas greves, mitenes e na organização de sindicatos. O grande conflito de Plymouth em 1916 o encontra na primeira linha. Saem vitoriosos dessa luta. Por sua convicção e combatividade o inimigo de classe lhe reserva perseguição, inclusão em listas negras, vigilância policial.

Quando é detido em 1920 vendia pescado nas ruas e estava organizando uma mobilização contra a morte de Salcedo.

Prisão e assassinato

“O castigo será convertido na parte mais oculta do processo penal” nos diz Foucault. Porém neste julgamento não se ocultou muito a articulação sutil que foi compartilhada entre a instância jurídica com o poder dominante. Aqui a “justiça” mostro seu caráter de classe abertamente, o castigo tinha que ficar claro politicamente. Não se toca no sistema de privilégios.

O julgamento durou 7 anos. Depois destes 7 anos de prisão, Sacco e Vanzetti foram assassinados na cadeira elétrica.

Tudo foi uma farsa jurídica, invenção de provas, ameaças policiais a testemunhas que não diziam aquilo que eles queriam, prisão e suborno a outras testemunhas. Não permitir declarar a quem tinha a versão oposta ao ditame previamente estabelecido. Era a justiça da classe dominante sem máscaras. O presidente do júri era o presidente da Companhia contra a qual Vanzetti havia contribuído a deflagrar uma importante greve.

O juiz Thayer dirá claramente, sem sutileza alguma, que a justiça é para aqueles coniventes com o sistema: “As leis garantem a todos os cidadãos direitos e privilégios…Para todos os que desejam servir com fidelidade e carinho àquele mesmo governo”.

E em 23 de agosto, depois de 7 anos de prisão e de farsa judicial são executados estes exemplares lutadores que ficarão na história como um símbolo obreiro na luta por uma nova sociedade.

Algumas frases dos Mártires de Bostom
Vanzetti
“Tenho lutado toda minha vida contra os crimes…que a moral oficial e a lei oficial não condenam e santificam: a exploração e a opressão do homem pelo homem…Não é nada a perda de nossas vidas”.
Sacco
“Meu crime, de que estou orgulhoso, é ter sonhado por uma vida melhor, feita de fraternidade, de ajuda mútua…por esse crime tenho o orgulho de terminar entre as mãos do verdugo”.