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[FAG] QUARTA INVESTIDA REPRESSIVA SOBRE A FAG EM MENOS DE 10 ANOS

A Organização está solidária com os espaços e grupos que também foram atingidos pela ação repressiva – Parrhesia e Ocupa Pandorga – e toma uma postura resoluta pelo direito de associação e livre pensamento.

29 de outubro de 2009 a sede da organização política foi invadida por agentes da civil e teve equipamentos, arquivos e suportes de propaganda apreendidos pela polícia. Era reação oficial a campanha de agitação desatada pela FAG que reclamava justiça pelo caso do Sem Terra Elton Brum da Silva, assassinado pela Brigada Militar a mando da governadora Yeda Crusius. Sede invadida, material apreendido e 6 militantes processados, o que mais tarde caducou por fragilidade do processo.

20 de junho de 2013, na luz do dia em que se anunciava uma mega-marcha da épica jornada do Bloco de Lutas o Ateneu Libertário Batalha da Várzea é arrombado e invadido sem indicação de mandado judicial por uma força repressiva a soldo do governador Tarso Genro. Em coletiva de imprensa da secretaria de segurança, após o sucedido, o chefe da polícia civil se consagrou pela pérola de que a ação encontrou provas contundentes em “vasta literatura anarquista”. Tarso Genro disparando sandices e disparates contra a revolta popular que não podia controlar usou o selo de “anarco-fascista” pros desafetos e autorizou sua polícia a fazer a imprudência de sequestrar livros da biblioteca do Ateneu, entre eles de um destacado e notório anarquista e antifascista italiano. O Estado do RS logo calou sobre essa infâmia e devolveu na calada parte dos livros depois da vergonha pública de uma piada sem graça que ganhou o país.

1° de outubro de 2013 o Ateneu é novamente visitado com violência pela polícia durante uma operação de caça as bruxas sobre militantes e organizações que formavam o Bloco de Lutas. O mandado faz buscas em locais coletivos e domicílios. O plano buscava elementos pra provar a teoria do domínio do fato sobre o setor mais ativo das jornadas de junho. A ideia tão simples como estúpida que estava embutida na peça era de que tudo que se produzia ao interior da revolta de massas que foi desatada pelas ruas da capital, em onda com o país, passava pelo comando dos compas e locais investigados. Resulta dessa operação 6 militantes do Bloco, de diferentes filiações ideológicas, processados pela figura penal de quadrilha e “formação de milícias privadas”, com tramite até os dias atuais.

25 de outubro de 2017 vem novo factoide associado com nossa Organização e que atinge também outros espaços e concepções libertárias. A polícia civil diz ter cerca de 10 locais e 30 pessoas investigadas e criminalizadas pelo seu factóide. Nossa solidariedade com a Ocupa Pandorga da Azenha e o Parrhesia na Cidade Baixa, que foram invadidos e tiveram publicações e equipamentos de trabalho sequestrados pela operação policial durante o dia. São locais públicos e conhecidos por seus projetos sociais junto a vizinhança ou a comunidade de interesses que reúnem.

O discurso criminal e individualizador sobre os radicais é um artifício antigo pra assustar e desmobilizar, plantar confusão e desconfiança, neutralizar a atração de um sindicalismo de ação direta ou os marcadores combativos que pode subir o tom do movimento popular. Querem cabrestear a rebeldia levando pro juízo fácil do noticiário uma fantasia de quadrilha de propósitos confusos. Justo no meio de lutas sociais duras contra o ajuste, no estado com a greve da educação, e no município pela mão dos servidores de Porto Alegre. Greves com participação forte e indignada das categorias e com determinação de criar resistência a todo pano ao projeto de arrocho e desmonte dos serviços públicos, onde a FAG toma parte modestamente com seu grupo de militantes, como trabalhadores que somos, como tendência libertária que marca sua mirada própria sobre as coisas, entre os muitos outros colegas que formam o campo de luta que ganha expressão unida no sindicato.

O anarquismo que tem voz em nosso projeto é uma luta estratégica contra o poder que se apoia em estruturas de desigualdade social, de violência colonial, de genero e raça, de dominação de classe. Anarquismo que abraça um programa de socialismo na economia e no poder político, com autogestão da produção pelos trabalhadores e democracia direta e federalismo no regime da vida pública. A nossa é uma organização política pra atuar pela tática nas lutas sociais e políticas e cavar mundo novo pela ação das organizações de base do movimento social. Lutar e criar PODER POPULAR com ação direta de classe e independência dos governos e patrões.

A memória de Elton Brum grita e acusa o policial assassino que a mesma justiça que criminaliza os anarquistas tenta soltar.

Basta de impunidade da quadrilha dirigente do Estado brasileiro, o empresariado da propina e da sonegação e os parasitas do sistema financeiro.

FORA TEMER E TODOS OS DEMOLIDORES DE DIREITOS.

TODO APOIO A GREVE DA EDUCAÇÃO DO RS E DOS MUNICIPÁRIOS DE POA.

CHEGA DE FARSA JUDICIAL-REPRESIVA SOBRE OS LUTADORES/AS.

NÃO SE AJUSTA QUEM PELEIA!

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[FAG] 20 ANOS DA FAG | Discurso da FAG lido no Ato Público

Retirado de:              https://www.facebook.com/FederacaoAnarquistaGaucha/posts/1104931392851751:0

Boa noite companheiros e companheiras

Estas últimas semanas têm sido muito especiais para nós anarquistas da FAG. Receber companheiros e companheiras de distintas partes do Brasil, da América Latina e do mundo para juntos celebrarmos um pedacinho dessa rica história do anarquismo, nos enche de alegria! Aqui encerramos um ciclo para começarmos um novo. Um ciclo de maior organização; de maior firmeza em nossos vínculos e em nossos laços de fraternidade e solidariedade; de reafirmar a luta, o protagonismo popular e a transformação revolucionária das nossas relações e da nossa sociedade como os únicos caminhos fecundos para romper definitivamente as amarras desse sistema sanguinário que nos oprime todos os dias.

São 20 anos de construção anarquista nacional. São 20 anos de FAG, de OSL, de FAO, de CAB, de FARPA, de Rusga Libertária, de CALC, de FARJ, de CABN, de ORL, de FACA, de OASL e de muitos outros que com seus esforços vem forjando anarquismo militante, classista, com raízes na história de combate do nosso povo. Duas décadas cultivando raízes anarquistas para que floresça bela e forte o poder do povo, o Poder Popular.

Na ocasião do Ato Público de 10 anos da FAG dizíamos:

“Nascemos porque morreram homens como Mikail Bakunin, Errico Malatesta, Nestor Makhno, Sepé Tiaraju, Zumbi dos Palmares. Nascemos porque morreram mulheres como Espertirina Martins, Malvina Tavares, Anastácia, Anita Garibaldi e tantos outros e outras anônimas ou não que morreram defendendo a justiça e a liberdade.

Nascemos pelas mesmas mãos que o anarquista Djalma Feterman usou para atirar uma bomba disfarçada de buquê de flores, que carregava a também anarquista Espertirina Martins com seus 15 anos de idade, na carga de cavalaria da Brigada Militar durante a Guerra dos Braços Cruzados em 1917.

Nascemos pelas mesmas mãos que pegaram em armas no Uruguai, enfrentaram a ditadura, foram torturados e presos, porém, não desistiram: já completaram meio século e foram decisivos para a formação da FAG neste canto do Brasil: assim foi o apoio generoso da FAU, presente conosco hoje e sempre.
Nascemos e renascemos todos os dias pelas mesmas mãos das pessoas simples, gente humilde, que nas suas mãos, carregam as marcas de ser parte dos de Baixo.

Dizem por ai que pobre vive de teimoso. Foi por teimosia que a FAG nasceu. É por teimosia que continuamos vivos e lutando e vamos completar mais dez anos insistindo em dizer que é somente o povo organizado e em luta que vai conseguir conquistar tudo o que precisa e quer.”

E aqui estamos companheiros e companheiras, 10 anos depois, cumprindo e dando continuidade a um Compromisso, a uma Idéia, a uma Prática: O SOCIALISMO COM LIBERDADE!!!

Não tem sido tarefa fácil. Nossa busca tem sido sempre a de fazer do anarquismo uma ferramenta atual e à altura das diferentes conjunturas que nos toca viver e atuar. Uma ferramenta dinâmica, que nos permita ampliar coletivamente as forças que individualmente seriam muito limitadas; um anarquismo militante e organizado que construa junto, ao lado dos de baixo, propostas concretas contra os ataques dos de cima. Um anarquismo prático, dotado de táticas e de um programa mínimo e, ao mesmo tempo, uma anarquismo finalista, dotado de um programa estratégico e de longo prazo. No fim e ao cabo, um anarquismo político que contra e por fora do Estado solucione o problema do Poder, do que colocar no lugar das instituições burocráticas, centralistas e autoritárias do Sistema de Dominação Capitalista.

Um anarquismo Federalista, Autogestionário, que produza com suas práticas, métodos, críticas e experiências, uma ideologia de transformação. Sem vanguardismos, ditaduras ditas proletárias, vocação pra partido único. Pois não se trata de fazer da Política a tarefa de conduzir um Estado, seja ele qual for, em nome das classes oprimidas para daí impor a nossa vontade enquanto povo às classes dominantes. Trata-se de fazer da Política a tarefa de construir um Povo Forte, com seus instrumentos, instituições, ferramentas que vão gestando o novo na medida em que vão golpeando e destruindo o velho. Colocaremos no lugar do Estado e de seus aparatos as instituições das classes oprimidas, construídas desde baixo, articuladas e coordenadas entre si.

Como já escrevemos em outro momento,

“É certo que o trânsito até uma sociedade distinta deve ser feito dentro deste sistema. Mas a experiência vivida indica que existem meios, orientações, uso de instrumentos, de instituições e formas de organização de atividades sociais que devem ser dispensados se queremos ir conformando forças sociais capazes de produzir verdadeiras mudanças nas formas da organização social. É imprescindível outro enfoque se queremos ir construindo uma sociedade distinta. Não parece ser boa estratégia escolher aquelas vias, aqueles lugares e trajetos que tem dono e o poder de imprimir seu selo ao que ali entra.

Quantas organizações políticas, quantos lutadores cheios de ideais e sonhos terminaram pensando com a lógica do sistema e vendo como inimigos a seus queridos companheiros de ontem.
Outro sujeito histórico não virá do nada, não aparecerá como arte de magia, deve ser o fruto de práticas que internalizem outras questões que chocam com o dominante. A participação efetiva, a autogestão, a ação direta, a forma federal de funcionamento realmente democrático, a solidariedade e apoio mútuo, necessitam de mecanismos, organizações, práticas regulares para seu desenvolvimento. E só se produzida no povo é que a mudança se tornará uma realidade.

Uma estratégia que tenha em seu interior um mundo distinto que vai emergindo desde o seio de outro que lhe é antagônico. O famoso “usar todos os meios” pode ser uma maneira efetiva de assegurar que não se construa nenhuma estratégia antagônica portadora dos elementos de desestruturação do sistema vigente.
Relacionado a isso, está a necessidade de forjar um inconfundível estilo de trabalho.

Um estilo de trabalho também é elemento da produção ideológica, se define como um modo especial do fazer político-social em todos os seus atos, no discurso, no comportamento de grupo, nas relações entre companheiros e com a sociedade, nos planos de ação, etc.. A ideologia libertária se materializa, é produzida e reproduzida, entre outras coisas, nessa forma estimulada de representar seus valores, sua ética e aspirações nas práticas de todos os dias. Assim, o estilo de trabalho que marcamos nos processos de luta e organização, em uma boa medida, vai dizer quem somos pelo que fazemos, como fazemos, com que coerência ideológica estão formados nossos atos de organização militante.

Reconhecer entre iguais a dignidade do outro, como irmãos na luta e no projeto para mudar a sociedade, sempre será a base da estrutura e das normas jurídicas que constituem um pacto federativo. A fraternidade que permeia um projeto militante dá o vínculo moral fundamental para formação das relações de confiança. E a política, como apontam as investigações teóricas que temos estudado, tem suas razões e suas sem razões. Não é só feita de escolhas racionais, tem boas doses de conteúdo sensível, está atravessada pelas formações ideológicas que constituem o sujeito.

Está em jogo uma pedagogia do exemplo, a forja de referências a partir daquilo que fazemos, pelos valores que veiculamos em nossas práticas, e nas nossas ações diárias.

O estilo pra promover nessa perspectiva deve produzir: iniciativa pras tarefas, responsabilidade plena com os mandatos coletivos, resoluta solidariedade, pedagogia do exemplo, liderança moral, maturidade para crítica, exigência fraterna, preocupação formativa.

São esses alguns dos desafios a que nos propomos todos os dias ao participarmos do movimento sindical, do movimento estudantil, na militância nos bairros, vilas e favelas; nas lutas urbanas, contra as violências de gênero e raça; no campo e na floresta e em toda ação de solidariedade aos enfrentamentos da diversidade dos sujeitos que compõe as classes oprimidas. UNIR O DISPERSO, ORGANIZAR O DESORGANIZADO, SOLIDARIEDADE É MAIS DO QUE PALAVRA ESCRITA, RODEAR DE SOLIDARIEDADE OS QUE LUTAM, são algumas consignas que expressam bem de que transformação social estamos falando.

Porque é mais importante para nós CRIAR UM POVO FORTE do que UM PARTIDO FORTE. Uma nova articulação entre o POLÍTICO e o SOCIAL, como dois planos de ação simultânea e devidamente articulados. Mas cada um com sua independência relativa, com sua própria especificidade. Somos assim partidários de um trabalho simultâneo, dentro de um mesmo projeto: da organização política libertária e do trabalho em todo o campo social.

Esse é o nosso especifismo, essas são as bases da nossa construção.

E que Base precisamos para esses tempos difíceis em que estamos vivendo. Já vivemos épocas difíceis, pois quem não se lembra do ataque aos profesores, aos catadores e aos sem terra no governo Yeda do PSDB, em que o sempre presente Elton Brum da Silva foi assassinado com um tiro de calibre 12 pelas costas pela Brigada Militar? Ano em que tivemos nossa sede pública invadida e companheiros procesados. Quem não se lembra dos 10 mil gaseificados, das balas de borracha, das pauladas, da violência psicológica e da nova invasão de nossa sede pública assim como de casas de outros lutadores sociais na jornada de lutas de 2013 durante e sob as ordens do governo Tarso Genro do PT? Ano em que companheiros foram procesados, presos e criminalizados em processos judiciais políticos e ideológicos.

2013 merece nossa consideração a parte, pois foi um ano intenso e atípico para nossa militância. Participamos desde o inicio das jornadas de luta por um transporte 100% público em Porto Alegre. Construímos juntos e em unidade com outros setores da esquerda o Bloco de Lutas pelo transporte público e fizemos días memoráveis lado a lado de milhares de lutadores. Não poderia ser diferente. Assim, Porto Alegre formou parte de um processo nacional de lutas que brindou novos elementos para nossa análise. Diziamos na ocasião de nosso 6º Congresso:

“O povo fez dias de luta no país que se fizeram irreprimíveis em junho. A luta por um transporte público coletivo, que é organizada por militantes de esquerda de um movimento social que leva anos, e a indignação com relação aos altos gastos na Copa das Confederações em detrimento de outras áreas como saúde, educação, etc.; deu vez a um turbilhão de demandas que latejavam na vida neurótica, precária e estafante dos setores médios e populares. Grande parte da geração jovem e combativa que forma as mobilizações de massa dessa hora cresceu nos últimos 10 anos de governos do PT e encarna a expressão conflitiva e saturada do seu modelo capitalista de crescimento econômico.

Traz na bagagem a confusão e as incertezas que se gestam numa nova experiência com a política, com um imaginário nos protestos que sacodem o mundo, muito apoiada aos modos de interação e reconhecimento social que produzem as novas tecnologias de comunicação. O povo em conceito amplo não opõe classe contra classe e joga na cena dos acontecimentos uma disputa de ideias, de valores e projeto social para atuar criticamente, com uma concepção classista em dia com a formação social brasileira dos tempos que vivemos. Contudo, não temos dúvidas que o movimento que vem debaixo é o terreno mais fértil para fazer luta de classes, construir democracia direta e desenvolver músculos para uma estratégia de poder popular.

Na gestação dessa nova correlação de forças a luta contra o aumento das tarifas do transporte coletivo é a expressão mais articulada de uma avalanche de sentimentos e demandas reprimidas que extrapolam os controles dominantes da sociedade brasileira.

As chamadas jornadas de junho e julho foram, portanto, expressão do descontentamento com o quadro acima descrito. Indicam, por sua composição, magnitude e mesmo pelas formas com que foram convocadas em algumas cidades, mudanças e elementos a tomar em consideração na hora de concebermos uma estratégia própria daqui pra frente.”

Levando em consideração estes e outros elementos, procuramos caracterizar o período (a etapa) em que estávamos entrando como uma ETAPA DE RESISTÊNCIA COM VIÉS COMBATIVO. Por este conceito, sem referência com velhos esquemas que sugerem um traçado reto e linear do processo social-histórico, quisemos representar um cenário político para os fatores de cambio social e os elementos característicos de uma correlação de forças na sociedade.

“A luta das classes oprimidas e do projeto socialista passa uma etapa de refluxo, de restruturação dos meios organizativos, de ações dispersas e fragmentárias que não alcançam formar um conjunto com elementos ideológicos e programáticos que façam um antagonismo forte ao sistema. Uma parte importante dos setores populares, das organizações e sindicatos, embarcam nas velhas promessas do crescimento econômico e se curvam para as ideias do neodesenvolvimentismo. Há uma crise de movimento social, de organizações de base, de forças acumuladas pela luta que superem atos espontâneos e alcancem a ação federada. Estão seriamente ajuizadas pela história recente as estratégias de esquerda que buscam mudanças sociais por dentro das instituições funcionais as relações do poder dominante. O tempo é de divisão de águas, ajuste de lentes para pensar as condições e possibilidades da relação de forças do momento. Exige capacidade de inserção de um projeto finalista revolucionário no interior dos problemas e conflitos deste presente histórico. Trabalho de base entre as demandas populares que não são absorvidas pelos controles do modelo capitalista, na direção de um povo forte, de práticas de ruptura que favoreçam a construção histórica de um sujeito antagonista as estruturas do capitalismo.”

Neste sentido concreto e operativo que aplicamos esta categoria para fazer baliza de condições e possibilidades de nossa prática política. Contudo, tinham emergência na cena dos acontecimentos históricos, ventos novos que nos provocaram uma leitura mais matizada, elementos conflitivos com certo peso ideológico que indicavam abertura para um passo diferente. Percebíamos a possibilidade de uma acumulação de forças combativas que até então estava fora de nosso panorama.
Deriva daí nossa aposta estratégica expressa no conceito de intersetorial dos combativos:

“vamos operar nesta etapa com uma proposta militante para ligar o espectro das lutas sociais que confrontam com o modelo dominante do capitalismo brasileiro com um programa mínimo de soluções populares. Ajudar na forja de unidade de baixo pra cima, criar um povo forte que imponha na cena nacional uma nova correlação de forças pra aplicar um projeto de transformação social.

Nessa linha atravessa o trabalho metódico e determinado de radicar nossas posições libertárias em organizações de base, em sindicatos, coletivos e movimentos sociais que serão nosso vetor social. Mas vai além. Implica fazer uma costura com outros setores sociais e políticos que atuam também onde não alcançamos, não pisamos, pra formar um campo de alianças dentro de princípios e acordos que fortaleçam uma posição de força para a independência de classe. Que favoreça, concorra e apoie a gestação de uma nova estrutura de massas, catalizadora do poder social das classes oprimidas, articulada pelas bases, que não se integre nas vias burocráticas dos controles institucionais burgueses.”

Desde então muita água rolou. Entramos no ano de 2015 e novos elementos se apresentaram na conjuntura do RS. O eleito ao governo estadual, o gringo José Ivo Sartori do PMDB, veio para aprofundar os ataques aos direitos e condições de vida dos de baixo. Aprovou um pacote de medidas que cortou fundo na carne do povo oprimido em benefício da manutenção dos privilégios e lucros de governos e patrões. Parcelou salários do funcionalismo estadual, quis extinguir orgãos públicos fundamentais à pesquisa e preservação ambientais e cortou verbas de áreas imprescindíveis aos trabalhadores como as de saúde e educação. Sem falar na sua brigada militar que segue matando a juventude negra e pobre nas periferias.

“Ao lado do ajuste que saca dinheiro dos hospitais e postos de saúde, das escolas, programas sociais, da ampliação do espaço comum e da rede de serviços públicos que aumentam bem estar e condições de vida do povo, é martelada diariamente, sobretudo pela voz do grupo RBS, a bandeira da segurança. O grupo de comunicação que é bom pagador de propina pra sonegação fiscal, dono de um patrimônio que figura na lista seleta das elites gaúchas, avaliza o ajuste e faz campanha de terror e medo pra reclamar mais segurança. Aí está! Segurança é um discurso que dá sentido e faz funcionar um poder de controle e vigilância que institui a paz para a vida normal do sistema e dos bem nascidos e que instala a guerra que pune e criminaliza a pobreza. A segurança que ecoa fundo nas preocupações das elites e da classe média é a que sempre reforça a violência policial sobre as “classes perigosas”.

“Faltam recursos porque os capitalistas reservam os privilégios e os lucros para suas propriedades e estouram as contas públicas nas costas do povo. Todo um sistema de pilhagem que funciona pelo mecanismo da dívida pública, que espreme o patrimônio construído pelos trabalhadores, que desmonta e privatiza bens públicos e produz um discurso econômico liberalóide de déficit e responsabilidade fiscal. Os partidos de governo se sucedem sempre dentro desta ordem: uma camisa de forças do sistema que todos vestem. O PT subscreveu os contratos com o Banco Mundial durante o governo Yeda Crusius que ampliou o poder do sistema financeiro sobre o controle dos gastos públicos. Na sua vez no Piratini, Tarso Genro teve que amargar a pena de devedor do Piso Nacional do magistério.”

Um contexto em que frente aos ataques dos de cima, houve luta e resistência dos de baixo.

“Uma série de setores sociais dão fôlego a seus processos de mobilização e indicam a disposição de luta para dar combate a lógica imposta pelos de cima que precariza a vida do povo. Diversas mobilizações e ações de rua que no nosso entendimento contribuem para o fortalecimento da organização, capacidade de enfrentamento e acúmulo de forças dos de baixo para o próximo período. Experiências como as greves em curso, os piquetes, as manifestações de rua, o diálogo com a população e os cortes da via pública em todo o Estado são ensaios de um processo que não termina aqui.”

Infelizmente, as burocracias sindicais fizeram de tudo para frear os ânimos e conduzir as rebeldias populares para a arena institucional de seus partidos da ordem. O desespero e a indignação dos trabalhadores frente a essa política de austeridade não encontraram eco e canais adequados para a promoção de uma luta sem trégua que alterasse a correlação de forças em seu favor. Acelerar pisando no freio e manter o controle e a ordem das ações de base das categorias foram e são marcas de uma concepção sindical burocratizada e verticalizada que não se movimenta no sentido de organizar e dar impulso a disposição de luta da base.

A mobilização do funcionalismo público estadual, em especial os trabalhadores em educação gaúchos, é um exemplo emblemático dos resultados nefastos de tal concepção sindical. Deslegitimar e isolar as iniciativas combativas de setores de base; apostar numa greve unificada com setores da repressão; fazer da categoria base de apoio a politicagem de seus deputados na Assembléia Legislativa; promover fragmentadas paralisações para fingir que faz pressão nos políticos de turno ao invés de promover, organizar e favorecer uma greve por tempo indeterminado com a solidariedade e participação dos estudantes e das comunidades para dar uma resposta a altura dos desmandos do governo; são alguns dos feitos responsáveis pela desmobilização de uma categoria que há anos não se mobilizava como se mobilizou.

E como não seria diferente…

“Nessa conjuntura, a criminalização veio forte. Por lutar, rodoviários da Carris em solidariedade a paralisação estadual do dia 03/08 foram demitidos, e os servidores municipais da Assistência Social e da Saúde de São Leopoldo-RS sofreram processo de criminalização judicial. Esses são nítidos exemplos de perseguição política e sindical e é emblemático o caso da Carris em que os demitidos são militantes sindicais que tiveram seu direito ao trabalho anulado.

E ainda sobre o aparato repressivo,

Duas prisões na capital durante uma Manifestação de trabalhadores da Educação vinculados ao Cpers. Além desse fato, cabe destacar a intimidação realizada pela “segurança” nos piquetes no Centro Administrativo Fernando Ferrari (CAFF) e o assassinato, pelas costas, de um jovem negro no Morro Santa Tereza, em Porto Alegre. Esses são nítidos indícios de que a repressão nunca estará ao lado dos trabalhadores e dos de baixo e que seu papel é de repressão aos que lutam e de extermínio da juventude negra e pobre das periferias.

“Nem com os que mandam por cima, nem com os que reprimem por baixo!” diziamos.

Nacionalmente, uma conjuntura de intensificação nos ataques aos direitos dos trabalhadores, do golpe dos ajuste fiscal que corta na carne e no bolso dos de baixo para manter os privilégios e os lucros dos de cima, de aumento da violencia contra as mulheres, em especial as mulheres negras, de retrocesso nos processos de demarcação das terras indígenas e quilombolas; de aumento da criminalização da pobreza e do protesto; de cortes de verbas na educação e de forte investida de setores conservadores contra uma educação transformadora; de lei dita “anti-terrorista” mas que na verdade é uma lei contra os movimentos sociais. Tudo isso no marco de um lastro político e ideológico de desarme organizativo das classes oprimidas deixados por 12 anos de governo petista. Esses são alguns dos elementos atuais que precisamos ter em conta na hora de atuar.

Um novo ciclo também parece se abrir na politicagem e nas disputas entre vizinhos de um mesmo condominio, o dos de cima. Uma nova descontinuidade que vai reelaborar elementos gestados no pasado recente para manter a dominação político, económica e ideológica de sempre. Assim, afiar os nossos instrumentos para uma conjuntura e quem sabe uma etapa mais peleada para os de baixo é demanda permanente. Nossa FAG e nossa CAB estará ai! Assim como estarão ai nossa FAU, nossa FAR e todos os nossos companheiros e companheiras que de cima a baixo de nossa América Latina e de todos os outros continentes vem construindo processos de luta e organização.

São curdos, africanos, norte americanos, mapuches, kaingang, chilenos, uruguaios, argentinos, brasileiros, quechuas, palestinos, gregos, guaranis, espanhóis, zapatistas, entre tantos outros povos, os que lutam, se erguem contra as opressões, forjam exemplos, inscrevem pelas suas práticas, referências! É sobre todos que a criminalização se coloca. É assim, uma luta que deve ser feita em conjunto e a partir da diversidade de lutas, de combate as opressões e dominações que cada segmento dos de baixo levanta!

É porque não esquecemos os milhares de Eltons, de Claúdias, de Amarildos, de Zumbis, de Dandaras, de Elenas, de Pochos, de Idilios, de Espertirinas, de Hebers, de Louises, de Lucys, de Polidoros, de Domingos, de Emmas, de Marias Lacerdas e de tantos outros homens e mulheres inscritos em nossa memória com seus exemplos de luta e resistência que ESTAMOS AQUÍ!
E AQUÍ ESTAREMOS ATÉ O FIM DESSE SISTEMA DESUMANO E CRUEL CHAMADO CAPITALISMO!

QUE VENHAM MAIS 20, 30, 50, 100 ANOS A ENRAIZAR ANARQUISMO!!!

NÃO TÁ MORTO QUEM PELEIA!

VIVA A FAG, VIVA A CAB!

VIVA A ANARQUIA!!!

[FAG] Não se intimidar, não desmobilizar! Toda nossa solidariedade ao companheiro Vicente!

Retirado  de: http://www.federacaoanarquistagaucha.org/?p=1077

Janeiro de 2015, às vésperas da retomada das lutas contra o aumento das passagens e em defesa de um transporte 100% púbico em Porto Alegre, recebemos a notícia da sentença dada ao companheiro Vicente, militante da FAG e lutador social do Bloco de Luta pelo Transporte Público de Porto Alegre. Vicente está sendo condenado a um ano e meio de prisão por dano ao patrimônio público e crime ambiental, “crimes” que teria cometido em Abril de 2013 durante uma manifestação do Bloco de Luta em frente a Prefeitura de Porto Alegre. Trata-se da primeira condenação em Porto Alegre e para nós uma clara tentativa de intimidar e colocar medo no conjunto de lutadores e organizações que estão rearticulando as lutas nesse início de 2015. Um expediente político e histórico utilizado pelos setores dominantes de nossa cidade e de todo o mundo: o encarceramento dos que se levantam. Não nos desmobilizaremos e a nossa solidariedade será militante e nas ruas!!!

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E a criminalização continua…

O fato de a condenação nos ter sido comunicada apenas uma semana antes do primeiro protesto do ano do Bloco de Lutas pelo Transporte Público é tudo menos uma obra do acaso ou de um processo regular do poder judiciário. Inicia-se o ano e ao mesmo tempo se começa a mexer nos processos que estavam tramitando desde 2013: adicionando nomes à alguns, novos crimes à outros. O processo neste contexto busca ter o mesmo efeito de uma bala de borracha ou de uma bomba de efeito moral: uma tentativa de intimidar e freiar as lutas nas ruas que ousam questionar os lucros dos empresários e os conchavos já evidente das empresas com os poderes públicos.

A situação está longe de ser apenas uma situação local: quem achou que a conjuntura de criminalização havia se esgotado em virtude do descenso das mobilizações de rua após a Copa do Mundo em 2014, a recente movimentação dos governos e dos aparelhos repressivos indicam o contrário. Em São Paulo, Rio de Janeiro e uma série de outras cidades no Brasil que iniciaram o ano com mobilizações contra o aumento das tarifas de ônibus a repressão tem usado dos mesmos expedientes contra os manifestantes: gás lacrimogênio, bala de borracha e detenções arbitrárias. O carioca Rafael Braga Vieira, que era até então o único condenado dos protestos de junho de 2013 continua preso e em Porto Alegre os processos voltam a ser movidos, novos nomes são inseridos e agora a primeira sentença é dada, sem prova alguma. É a velha justiça burguesa tomando lado em uma luta entre opressores e oprimidos que está longe de acabar.

Contudo, a luta e organização dos de baixo não começou hoje e também continuará. Mobilizam-se os jovens, os trabalhadores, os sem tetos e as comunidades de periferia. As mobilizações de rua de 2013 abriram novas possibilidades na gestação de experiências organizativas e de luta que o conjunto da esquerda combativa e anti capitalista precisa ajudar a fomentar e impulsionar, descartando as velhas práticas vanguardistas, sectárias e impositivas que infelizmente ainda permeiam discursos e práticas de muitas organizações. Acreditamos que só assim podemos criar força social que desde baixo vá gestando mecanismos de auto-organização e cravando em seu horizonte a necessidade de transformação social do conjunto da sociedade. Uma verdadeira frente de oprimidas e oprimidos solidária a todo e qualquer companheiro preso, torturado, assassinado e desaparecido.

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2015: avançar em organização, cercar ainda mais de solidariedade @s que lutam!

A seletividade do sistema penal também se torna evidente neste caso. Ao longo desse processo que começa com mais de uma dezena de acusados pelos danos realizados em uma manifestação com mais de mil pessoas, vimos arquivarem um a um todos os suspeitos, responsabilizarem o único rapaz negro de ideologia anarquista que estava entre os acusados e agora incluírem outro militante negro do Pstu. Sabemos que o motivo central dessa condenação é de ordem político-ideológica mas não podemos omitir o fato de que a cor negra dos acusados tem um peso importante.

Os últimos processos tiveram como destaque a criminalização contra os coletivos e movimentos anarquistas. Em 2013, tivemos os nossos espaços públicos invadidos e nossos livros recolhidos, passando por pesados processos de inquéritos onde o que era avaliado era nossa posição em relação a temas como autoridade, governo, forças policiais e outros assuntos caros à ideologia anarquista. Panfletos, cartazes e literatura foram anexadas nos processos, como se fossem provas circunstanciais que mostrassem algum papel de mentor intelectual da nossa ideologia nas depredações ou saques realizados nas manifestações de 2013, que contavam com mais de 50 mil pessoas em Porto Alegre.

O companheiro Vicente, assim como os demais militantes e lutadores de outras organizações, coletivos e ideologias, não foi o primeiro e não será o último jovem negro e anarquista a ser condenado nesse Brasil racista. São milhares de homens e mulheres negros/as e pobres exterminados e condenados diariamente pelas polícias militares e pela justiça burguesa e racista. É a elas e eles que nossa solidariedade militante é direcionada e será junto de cada trabalhador/a que cerraremos nossos punhos. Não nos intimidaremos e em cada marcha de rua, piquete, greve, ocupação estaremos ombro a ombro com todos e todas que lutam!

Solidariedade à todos e todas companheiros e companheiras perseguidos por lutar!

Pelo fim da polícia militar!

Nossa ideologia anarquista não se presta a caricaturas!!!

Federação Anarquista Gaúcha – FAG

[FAG] O dia 18/06: estado de exceção e o egoísmo de uma certa esquerda

O ato “Copa sem povo, to na rua de novo” realizado no dia 18/06 e organizado pelo Bloco de Luta de Porto Alegre foi emblemático em diversos sentidos. O primeiro deles diz respeito ao forte aparato repressivo – mais de 1.000 (mil) policiais militares, entre choque, cavalaria e auxílio de um helicóptero – e à tática utilizada pelas tropas de impedir a realização da marcha. Considerando o número de manifestantes – não mais que 200 pessoas – trata-se de um contingente desproporcional digno de ditadura militar. Um contingente repressivo que abusou de bombas de efeito moral e balas de borracha, causando ferimentos profundos em manifestantes e jornalistas. Ironicamente, dias antes alguns jornalistas haviam participado de um curso ministrado pela Brigada Militar, solicitado pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais do RS, de como se portar durante manifestações para se protegerem fisicamente. Além disso, durante e depois da concentração do ato houveram várias tentativas de intimidação, seja por parte dos P2 (agentes infiltrados), de notícias veiculadas pelo twitter da zero hora dizendo que o Batalhão de Operações Especiais estariam portando armas letais ou pelo estranho “não funcionamento” da linha telefônica da equipe jurídica do bloco.

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Consideramos que a responsabilidade de todas essas atitudes deve ser imputada ao governador Tarso Genro/PT, já que é ele o comandante maior da BM. Atitudes covardes e anti-democráticas das forças repressivas que atentaram contra o direito à manifestação, não nos deixando sequer distribuir os cerca de 5.000 panfletos destinados à população de Porto Alegre.

O segundo aspecto emblemático diz respeito à ausência do PSTU e da corrente interna do PSOL, o MES, da manifestação. O mais intrigante é que no dia anterior ao ato, militantes de ambos os grupos políticos forneceram declarações à famigerada Zero Hora, vinculada ao Grupo RBS, falando do porque de suas não participações no ato do dia seguinte. (http://zh.clicrbs.com.br/rs/esportes/copa-2014/noticia/2014/06/militantes-do-pstu-e-psol-nao-irao-a-protesto-do-bloco-de-luta-nesta-quarta-4529147.html) Sem entrar no mérito de possíveis distorções desse jornal acerca das declarações, mas de antemão rechaçando a postura dessas 2 agrupações que constantemente dialogam com esse veículo podre da burguesia gaúcha e considerando que não será outro o papel desse oligopólio que vem há tempos criminalizando os movimentos sociais, queremos registrar o desserviço que esses grupos fizeram ao não participar do Ato e anunciar isso na ZH. Num momento de conjuntura de forte criminalização e repressão aos que lutam, inclusive com militantes desses 2 partidos sofrendo processos políticos por se manifestarem, deixar de tomar parte de um processo de lutas por divergências “políticas (?)” é para nós uma atitude nada solidária e nada coerente com os princípios do Socialismo e da tradição de luta dos trabalhadores que esses grupos reivindicam.

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Porque a juventude e os militantes sindicais desses partidos não tomam parte do Bloco e não defendem de forma contundente a linha que consideram mais justa? Porque não defendem uma linha conseqüente nas categorias que possuem militância para que setores do movimento sindical construam o Bloco desde seus locais de trabalho? Às primeiras divergências que aparecem e se “NÃO É COMO NÓS QUEREMOS” se pula fora??? A participação com peso só vale naquilo que é construído por esses partidos desde os seus aparatos sindicais??? Uma postura recuada e oportunista que ataca outros setores para ir construindo terreno para candidaturas que buscarão se eleger às custas das lutas realizadas.

Consideramos essa postura nem um pouco coerente para quem afirma com a boca cheia a necessidade do não isolamento político do Bloco perante o grosso da população de Porto Alegre. Assim como entendemos incoerente incorrer numa postura que intencionalmente ou não acaba por criminalizar adeptos da tática Black Block e o próprio Bloco de Luta ao agir como informante da mentirosa e mafiosa RBS.

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Nós e as organizações que compõem a Coordenação Anarquista Brasileira temos plena consciência de que esse ano a tônica tem sido dada pelas bases de diversas categorias de trabalhadores porque elementos da conjuntura assim indicam. No entanto, nossa militância não irá se furtar de construir, dentro de nossas possibilidades, cada Assembléia e Ato do Bloco de Luta pelo Transporte Público, independente das decisões que ali forem tiradas, porque para nós, é o processo de debates, de tomada de decisão e de organização compartilhada pelo maior número de pessoas no marco do Bloco que será possível forjar, pela prática e pelas experiências vividas, um sujeito que de forma organizada e estratégica avance para arrancar conquistas.

Se tocam a um/a, tocam à todos/as!

Porque solidariedade sempre será mais que palavra escrita!

Para os pobres, desempregados, sem-teto, sem terra, NÃO ESTÁ TENDO COPA!

E na Copa sem Povo, estaremos na rua de novo!!!

Federação Anarquista Gaúcha – FAG

[FAG] (Santa Maria) NÃO SE INTIMIDAR, NEM SE DESMOBILIZAR! REVOGAR O AUMENTO DA TARIFA PELA FORÇA DAS RUAS!

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A luta pelo transporte público em Santa Maria entrou num novo, duro e repressivo momento. Isso por que de forma despótica e anti povo, o prefeito César Schirmer  em beneficio da ATU (Associação de Transportadores Urbanos), aprovou criminosamente o aumento do preço da tarifa de 2,45 para 2,60, apoiado pela grande mídia local, em especial pelas filiais  da “fabrica de mentiras” do Grupo RB$.

O prefeito, aproveitando-se do período de baixas mobilizações que ocorre em tempos de férias numa cidade universitária como Santa Maria, assinou decreto de aumento da passagem. O novo valor da tarifa foi legitimado com sérias contradições pelo mais que duvidoso e interesseiro crivo do CMT (Conselho Municipal de Transportes) com 11 votos à favor e 4 contra. Esta instância consultiva da administração municipal é composta basicamente pela patronal e por entidades do campo popular burocratizadas e cooptadas. Valendo-se da aprovação, Schirmer foi ainda mais à fundo em suas práticas anti povo e para garantir maior lucro dos empresários não formulou nenhum pedido de melhoras no serviço oferecido pelas empresas. Fato justificado mentirosamente, através do argumento que a prefeitura municipal irá promover uma licitação para o transporte coletivo até o fim do ano. Quem conhece as práticas e o jogo de interesses existentes entre a administração municipal e a ATU sabe que isso não será bem assim.

Não podemos esquecer a covardia repressiva da Brigada Militar, dirigida pelo governo Tarso/PT, que a mando da prefeitura e da ATU prendeu 2 companheiros e feriu vários militantes inclusive desacordando a coronhadas de escopeta uma mãe de vitima da tragédia da Boate Kiss no último Ato do Bloco de Lutas. Isso demonstra muito bem o tipo de dialogo que se encontrará daqui pra frente.

Fortalecer e instrumentalizar o Bloco de Lutas pela esquerda para através da mobilização permanente revogar o aumento.

Neste momento de repressão e desinformação promovida pela mídia burguesa, é preciso massificar a luta contra o aumento da tarifa. E para isso, é preciso que os setores populares e da esquerda combativa que militam a pauta do transporte público na cidade fortaleçam e instrumentem o Bloco de Lutas, para através da luta e da mobilização permanente revogar o aumento. Seguindo exemplo claro deixado por Porto Alegre e outras capitais que ao longo do ano passado mostraram generosamente qual o caminho seguir para fazer recuar esse tipo de investida. A via morta da burocracia não garante em nada a conquista de direitos, a história da “esquerda” hegemônica nas últimas décadas em nosso país segue demonstrando isso dia após dia.

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Por tanto é preciso favorecer dentro do Bloco de Lutas a participação, a democracia de base e combater em discurso e principalmente nas coisas de todos os dias práticas vanguardistas que excluem, e vícios burocráticos que de tempos em tempos desviam do central que é a luta. Por isso é extremamente necessário que cada companheiro, coletivo, sindicatos e demais organizações da esquerda anti governista possam se somar de forma decisiva nas atividades e tarefas exigidas pela luta. Garantir e ampliar a autonomia do Bloco de Lutas diante de todos os governos e dos partidos que desejarem aparelhar o movimento tentando tornar este correia de transmissão de seus interesses particulares, minando assim o caráter primordial que este espaço deve ser: juntar o campo popular e de esquerda e conquistar a revogação do aumento, indo além na conquista de um novo modelo de transporte para a cidade.

Cabe ainda à militância combativa via instâncias do Bloco ampliar o dialogo e o trabalho de base junto ao povo pobre da periferia, estudantes e trabalhadores(as), fomentando o debate com os usuários e trabalhadores(as) do transporte público. Até o momento a direção do SITRACOVERS (Sindicato dos Trabalhadores e Condutores Rodoviários de SM e Região) que é a entidade que deveria combater os sanguessugas da patronal ainda não se postou contra estes. Também é lamentável a dubiedade e o entreguismo da diretoria da UAC (União das Associações Comunitárias) que apesar de não se posicionar favorável ao aumento na reunião do CMT teve a capacidade de se posicionar publicamente apoiando a privatização do HUSM (Hospital Universitário de Santa Maria) no fim do ano passado. Certamente não se poderá contar com este tipo de entidade.

Levar a cabo sem vacilações uma linha combativa, organizada e de luta permanente.

Faz-se urgente o estabelecimento de vínculos classistas com a base dos trabalhadores rodoviários para acabar com o falso conflito de interesses existente entre estes e os usuários que é usado com sagacidade pela patronal e a prefeitura para que estes não se postem nas fileiras que combatem a sede de lucro dos empresários. Também é necessário o fomento de espaços de debate sobre o assunto com os usuários nos locais de estudo e moradia. Tudo isso para levar a cabo sem vacilações uma linha clara, combativa, organizada e de luta permanente que com métodos de ação direta e organização popular que revoguem o aumento da tarifa e fustiguem os inimigos de classe, pelegos, patrões e suas autoridades e abra, com exercício de Poder Popular,  o caminho para um novo modelo de transporte  100% público e sob controle dos trabalhadores.

Fortalecer uma costura solidária com o Bloco de Porto Alegre e através do apoio mútuo ir desencadeando ações articuladas, pois por parte da patronal, seu Estado e sua mídia isso ocorre há muito tempo. Exercitar enquanto Bloco de Lutas solidariedade entre as classes oprimidas  para ir acumulando, catalisando e agregando forças para uma luta que não se encerrará com nenhum tipo de aventura eleitoreira e que vai muito além do transporte público. Somente assim poderemos ir construindo verdadeiramente Poder Popular com horizonte de ruptura com o modelo de dominação e exploração capitalista.

Protesto não é crime. Liberdade aos presos políticos.

Revogar o aumento pela força das ruas e com ação direta popular.

Por um modelo de transporte 100% público.

Passe livre já e os ricos que paguem a conta!

Não ta morto quem luta e quem peleia!!!

Federação Anarquista Gaúcha – Integrante da CAB.

Santa Maria, 21/02/2014

[FAG] A verdadeira face da violência!

Na última assembléia do Bloco de Lutas, ocorrida no dia 12/02 no Sindicato dos Municipários de Porto Alegre (SIMPA) nos esbarramos com mais uma covarde investida do aparato repressivo do Estado que de forma ostensiva tem encaminhado policiais a paisana para atos e instâncias organizativas não só do Bloco de Lutas mas do conjunto dos setores em luta no Estado.

No entanto, dessa vez essa covarde atividade de espionagem que conspira contra o direito de reunião e organização mostrou a sua verdadeira face, deixando evidente que para os de cima a repressão indiscrimida através de métodos da mais perversa e sádica violência é o que lhes interessa para manter “status quo”. Na assembléia em questão, por casualidade, companheiros desmascararam a atividade de um policial a paisana que trabalhava para a empresa de segurança Aquilla, responsável por essa prestação de serviço ao sindicato. Este agente, infiltrado propositalmente no espaço do sindicato com o intuito de investigar as movimentações que lá ocorrem, vinha fotografando diversas pessoas, entre elas o filho de uma companheira de nossa organização.

O fato só foi descoberto quando nossa militante foi informada por seu filho que estava sendo fotografado e provocado através de sinais pelo agente. Ao ser abordado por companheiros presentes na assembléia o caso imediatamente veio a tona quando se observou as dezenas de fotos da criança e companheiros militantes presentes na assembléia, fotos que o agente foi obrigado a apagar por diversos companheiros que o abordaram.

Essa covarde intimidação não é um caso isolado e não se dirige exclusivamente a nossa companheira que teve seu filho ostensivamente intimidado pelo covarde agente na assembléia, mas sim parte de um processo repressivo que segue se intensificando dia-a-dia.

Nas jornadas de luta de 2013, fomos atacados exaustivamente por este aparato repressivo, com atos reprimidos por milhares de bombas de gás lacrimogêneo e efeito moral, balas de borracha, spray de pimenta e cassetetes que vitimaram os diversos protagonistas das jornadas de Junho, quilombolas, indígenas e educadores que lutavam pelo pagamento do piso do magistério além da investida repressiva do 1 de Outubro, quando inúmeros companheiros e organizações que integram o Bloco de Lutas (entre elas nossa organização) foram vítimas de mandados de busca e apreensão, onde a polícia civil aprendeu de forma indiscriminada computadores, cadernos e livros de estudo e fotografou quadros “suspeitos”.

Antes da investida do 1 de outubro nossa organização foi alvo de uma invasão ilegal por parte da polícia civil no mês de junho, quando esta arrombou o Ateneu Libertário, local onde nos concentramos, e aprendeu materiais de propaganda, como tintas e solventes buscando apresentá-los como artefato explosivo, além de aprenderem livros de nossa biblioteca junto do cadastro das pessoas associadas na mesma, apresentando estes livros em uma coletiva como uma prova de crime “aprendemos vasta literatura anarquista” afirmava o delegado Ranolfo Vieira Jr. então chefe da Polícia Civil. Até hoje não tivemos o conhecimento do mandado judicial para tal investida e os poucos livros de nosso acervo devolvidos foram na casa de um companheiro, em uma nítida manobra com o intuito de nos intimidar.

De norte a sul do país, onde as ruas arderam dando um basta a neurótica vida que suportam os de baixo com a precarização cada vez mais acentuada de direitos básicos, como educação e saúde, ao passo que o governo investe fortunas galopantes para garantir a copa e as olimpíadas esse expediente foi via de regra comum, alterando na intensidade de sua manifestação, mas nunca em sua disposição de ir até as últimas consequências para garantir a tal “manutenção da ordem”.

O que temos visto nesse ano que se inicia é uma intensificação destas medidas repressivas. Nas últimas semanas os oligopólios da grande mídia, em especial as organizações Globo, a qual a RBS é afiliada, tem desatado uma verdadeira guerra psicológica, se aproveitando de um estúpido acidente que trágica e lamentavelmente vitimou a vida e a família de um trabalhador cinegrafista, para tensionar a favor da aprovação do projeto de lei antiterrorista no Senado, onde possuem um tal “defensor dos direitos humanos” conhecido como Paulo Paim/PT como um dos principais agitadores da lei, buscando desatar um golpe traumático contra os setores populares organizados que não se fiam pela política de pacto social que hoje costuram o governo Dilma junto às patronais e às burocracias sindicais e de movimentos populares cooptados. A aprovação desta lei tende a abrir precedentes para uma enxurrada de prisões, mandados de busca e apreensões e por que não, torturas e assassinatos? Essa campanha parte hoje do Rio de Janeiro, mas suas consequências já estão se nacionalizando a passos largos e caso os setores populares não respondam a altura o retrocesso será enorme.

Essa intensificação se manifestou por essas terras na última assembléia do Bloco de Lutas. Até então, todos nós, militantes dos mais distintos setores, organizados ou não, sabíamos e denunciávamos que vínhamos sendo perseguidos e vigiados de forma ostensiva, com o grampo de telefones e comunicações virtuais, assim como em muitos casos com agentes de campana nas proximidades de nossas residências. No entanto, essa foi a primeira vez que se revelou a investida policial contra crianças, filhos de militantes. Perseguir e investigar filhos de integrantes das “Forças Oponentes” seria uma clausula secreta do documento “Garantia da Lei e da Ordem”, aprovado em dezembro pelo “progressista” ministro da defesa Celso Amorim? Estão nossos filhos agora sujeitos a prisão, a violação e a tortura, como estiveram inúmeros filhos de milhares de companheiros que lutaram contra o regime de Terror de Estado que se abateu no país há 50 anos, impulsionado por uma sacro santa aliança entre oligopólios da grande mídia (a exemplo das organizações globo), associações patronais (a exemplo da FIERGS e FIESP, assim como dos grupos Gerdau e Ultragás), o aparato repressivo e as oligarquias? Após grampearem os passos de nossas crianças e intimidá-las pretende o Estado e as classes dominantes também sequestrar os filhos de nossas companheiras no momento de seu parto, para trocar suas respectivas identidades?

Ai está a verdadeira face do Estado e suas classes dominantes, o lobo em pele de cordeiro, que fala como vítima da violência quando desata esta violência indiscriminadamente, seja nos atirando em vilas sem saneamento básico, saúde, educação, com a falta de água e luz, na exploração do trabalho precário e sem direitos, seja na força bruta para manter essa situação. Essa é a verdadeira situação que buscam encobrir com um forte apelo sensacionalista as hienas de plantão através do seu monopólio da informação.

Ressaltamos que desde o ocorrido estamos em contato com a direção do SIMPA, que pronto afastou o agente em questão e se comprometeu em tratar o assunto em caráter de urgência em suas respectivas instâncias, assim como seguir solidário nas mobilizações do Bloco de Lutas.

Seguiremos mobilizados e não nos intimidaremos com mais este covarde ataque.

Barrar a criminalização e a lei antiterrorista!
Não se intimidar! Não se desmobilizar! Rodear de solidariedade todos os que lutam!
Não passarão!

Federação Anarquista Gaúcha – FAG


Obs. Divulgamos abaixo o relato da situação escrito por nossa companheira que teve o filho intimidado na assembléia.

Quem são os terroristas que o Estado Brasileiro tenta acossar hoje? Os pobres rebelados? Os negros cansados da escravidão moderna? Os indivíduos que vão a protestos e quebram vidros? Os militantes que se organizam politicamente e que são oposição as elites?

Mas, o relato que quero fazer aqui em caráter de denúncia é que, meu filho que tem sete anos, no dia de ontem, 12 de fevereiro, em ocasião da assembléia do Bloco de Lutas, no Sindicato dos Municipários de Porto Alegre, foi intimidado e fotografado várias vezes por um p2 (polícia a paisana) que estava trabalhando de segurança para o sindicato citado. O meu filho estava tomando banho de chuva ao lado de fora da assembléia quando eu percebi que este homem estava falando de forma estranha com ele , me aproximei e disse que eu era mãe do menino e que ele não podia falar deste jeito com o pequeno. Nisto me volto para assembléia e o pequeno me chama e diz: “mãe o cara ali fez sinal que ta me cuidando e tirou fotos de mim!” Indignada vou atrás de outras pessoas para dizer o que estava acontecendo, nisto outra pessoa também me confirma o relato do meu filho, prontamente fui atrás do homem que estava tentando entrar rapidamente para se esconder dentro do sindicato e eu comecei a perguntar o porque das fotos, o mesmo só dizia que era trabalho dele! Eu perguntei se ameaçar criança e registrar fotos do meu filho era trabalho dele…Nisto companheiros chegaram e cercaram o mesmo para ver seu telefone e realmente havia várias fotos do menino, assim como de outras pessoas da assembléia e de mais outras crianças! O meu filho ficou com medo e muito nervoso e eu também fiquei muito indignada por tamanha covardia por parte dos que querem nos investigar e intimidar, tivemos que sair acompanhando até em casa antes mesmo do fim da reunião. Como lidar com este tipo de coisa é a pergunta que como mãe e militante me faço desde ontem, meu filho desde que nasceu me acompanha nas peleias que eu estive envolvida, desde minha militância no Movimento Sem Terra até os dias de hoje, mas ontem foi a primeira vez que alguém fez um golpe tão baixo, usando o medo do meu filho para me atingir. Lembrei das histórias da ditadura, das perseguições a familiares como forma de amedrontar militantes, lembrei das crianças desaparecidas, lembrei de o quanto isso nos fere. Mas lembrei também que não estamos só, que não vão nos calar, que esta luta é justa, que os terroristas estão no poder, que vamos denunciar esta pessoa, que vamos investigar os motivos destes registros e seus mandantes.

A repressão que está em marcha no país começa a ganhar contornos mais fortes nos últimos dias. A grande mídia como abutre se aproveita dos restos mortais do cinegrafista do RJ para atacar cada vez mais os protestos e as organizações que fazem parte do novo cenário político que, de sul a norte, toma conta das ruas gritando por melhorias nas questões sociais. A passos largos começa a caminhar um ataque furioso ao direito de manifestação, elaborado em conjunto com grandes meios de comunicação que todos os dias produzem suas “verdades” e disseminam ódio contra os que estão em luta. Não bastasse a mídia, também entra em jogo medidas de leis que são completamente criminalizadoras e que vão se aplicar contra aquelas e aqueles que estão nas ruas por garantia de direitos e mudanças concretas, incluindo o direito de se manifestar! Leis como: domínio do fato, lei de segurança nacional ( já usada contra militantes de movimentos sociais do país), agora chega com a mão dura do Estado, ainda para ser aprovada, a lei anti-terrosista, que preve pena de até 30 anos de reclusão.

Certamente, se aprovada, esta lei pode abrir gravíssimos prescedentes aos direitos humanos e democráticos.

Já estou sendo investigada pela Polícia Civil do estado no mesmo processo que indicia vários militantes do Bloco de Lutas. Sou militante da Federação Anarquista Gaúcha (FAG) que durante os últimos anos vem sofrendo com campanhas criminalizadoras por parte da mídia e dos governos, só no último ano tivemos nossa sede invadida pela polícia do governador Tarso Genro (PT) duas vezes em menos de quatro meses, os únicos elementos perigosos encontrados lá dentro foram livros… Esta é a velha política de intimidar, criminalizar, reprimir, perseguir e condenar os movimentos populares e organizações. Mas, intimidar uma criança? Registrar fotos de meu filho? Como fica isso para os governos que se dizem de esquerda e democráticos?

Observo que se alguma coisa acontecer a mim e a meu filho, assim como aos demais compas de luta, consideraremos responsabilidade dos governos que nada fazem para barrar a prática dos infiltrados da polícia dentro dos movimentos sociais, seja para fazer ações que nos culpabilizem, seja para registrar arbitrariamente ou seja para intimidar.

Não vão nos desmobilizar!
Rodear de solidariedade os que lutam!

Lorena Castillo Militante da Federação Anarquista Gaúcha e integrante do Bloco de lutas de Porto Alegre.

[FARJ] Nota de Solidariedade aos companheiros e companheiras perseguidos/as!

Retirado de: http://anarquismorj.wordpress.com/2013/10/04/nota-de-solidariedade-aos-companheiros-e-companheiras-perseguidosas/

No dia primeiro de outubro de 2013, a polícia civil realizou uma operação contra militantes e organizações que militam no Bloco de Lutas, de Porto Alegre. Foram invadidas, a mando do governador Tarso Genro (PT), residências de militantes do PSOL e PSTU, o Moinho Negro/Centro de Cultura Libertária da Azenha, um alojamento do MST, a sede da Via Campesina, o assentamento urbano Utopia e Luta e o espaço público da Federação Anarquista Gaúcha, o Ateneu Libertário Batalha de Várzea, invadido pela polícia pela segunda vez em menos de 4 meses. Além disso, os companheiros e companheiras do Assentamento Madre Terra São Gabriel em RS foram coagidos pela Brigada Militar na sede do assentamento.

É interessante ressaltar que essa operação e coação acontecem poucas semanas após os militantes do PT terem sido expulsos do Bloco de Lutas, após terem realizado diversas manobras dentro do movimento para desviar o foco das ações contra o governo de Tarso Genro, frear e greve da educação, entre outras. Ao contrário do que ocorreu meses atrás, as ações do governo agora não focaram apenas em uma organização, mas em diversos setores envolvidos no Bloco de Lutas e demais movimentos. Para ser criminalizado, basta ser contra as políticas do governo e estar envolvido em um movimento social.

Cabe lembrar que é a base de apoio do Governo Federal, que aqui no Rio de Janeiro, comandadas pelo governo de Sérgio Cabral e Eduardo Paes (ambos do PMDB) com seu fiel instrumento de defesa da ordem, a Polícia Militar do Rio de Janeiro violentou os trabalhadores e trabalhadoras da educação nos últimos dias. O governo do Partido dos “Trabalhadores” apoiado pelos setores conservadores e reacionários da sociedade, contrários a organização popular e a ação coletiva dos movimentos populares, continua a reprimir todos os lutadores e lutadoras.

Nós, anarquistas organizados na Federação Anarquista do Rio de Janeiro, integrante da Coordenação Anarquista Brasileira prestamos nossa solidariedade aos companheiros e companheiras do Rio Grande do Sul. Permaneceremos firmes na luta. E vamos continuar fazendo o que sempre fizemos, atuando nas bases e levando nossa indignação popular às ruas!

Lutar não é crime!

Federação Anarquista do Rio de Janeiro – Integrante da Coordenação Anarquista Brasileira

[FAG] NÃO SE INTIMIDAR, NÃO DESMOBILIZAR. RODEAR DE SOLIDARIEDADE OS QUE LUTAM!

Retirado de: http://batalhadavarzea.blogspot.com.br/2013/10/nao-se-intimidar-nao-desmobilizar.html

Nota pública da FAG sobre a caça as bruxas do dia 01 de outubro em Porto Alegre – RS
A grande operação que a polícia civil desatou ontem, atingindo diversos companheiros e organizações de esquerda que militam em torno do Bloco de Lutas aponta a necessidade da solidariedade como uma tarefa de urgência.
Nesse momento urge encararmos a questão no seu devido conjunto. Não se tratou de uma repressão dirigida especificamente a uma organização, mas sim um golpe contra toda militância de esquerda. O momento é de tomarmos a solidariedade para com todos os companheiros e organizações perseguidas como um dever que esteja acima de vinculações ideológicas e organizativas, não caindo na mesquinharia de titubear a solidariedade em função de preferências políticas.
Após todo esse sórdido operativo, Tarso teve a frieza e a cara de pau para divulgar um depoimento onde faz questão de defender o mega operativo, frisando que o mesmo se deu respeitando todos os marcos do “Estado democrático de direito”. Omite todo um roteiro de invasões em residências e locais como o Moinho Negro, Utopia e Luta, Ateneu Libertário, invadido pela segunda vez em menos de 4 meses. Tarso cita os casos dos companheiros do PSOL e PSTU e convida os dirigentes dos partidos para uma audiência com o objetivo de relatarem o ocorrido.
O convite de Tarso entra como a proposta de um jogo cretino, pois o que busca em realidade é arbitrar, a revelia de um movimento popular, quem são seus interlocutores, além de pressionar para a colaboração. Isso fica claro quando, ao negligenciar o restante do operativo afirma não acreditar que “atos criminosos” sejam praticados por “militantes políticos”, logo já apresenta a fatura aos demais companheiros e organizações atingidas. Nada disso é novidade, no mês de junho, quando tivemos nossa sede invadida, através de um artifício ilegal (até hoje não temos conhecimento do mandato judicial), o mesmo Tarso foi a imprensa para chamar-nos de fascistas e reivindicar que estes partidos revissem sua política de alianças nos movimentos sociais.
Por fim, chamamos atenção para o grave caso dos 03 companheiros professores arbitrariamente presos no último ato do Bloco de Lutas que foram indiciados no dia de hoje. Estes 03 companheiros foram abordados por um ônibus da Brigada e presos logo em seguida enquanto se dirigiam a uma lancheria na Cidade Baixo após o término do ato. A isca para abordá-los foi que um destes companheiros carregava uma bandeira do CPERS-Sindicato.
A prisão destes companheiros logo revelou uma meticulosa operação policial que tinha como intuito caçar aleatoriamente manifestantes ao final do ato, de forma a efetuar prisões e plantar “flagrantes” de forma a apresentá-los como bodes expiatórios por casos de depredações. Sem provas, resumindo tudo ao depoimento de brigadianos não identificados, os companheiros foram acusados de depredação de patrimônio público, crime ambiental por pichação em patrimônio tombado e agressão a brigadianos. O grande objetivo da operação era encaminhar os companheiros ao presídio central dada o valor exorbitante da multa/chantagem que se aplicou: R$4 mil para cada em espécie.
Enquanto a polícia civil respeitando o “Estado democrático de direito” invadia residências de companheiros e locais de organizações, o delegado Paulo César Jardim, responsável pela “investigação” das prisões do último ato, concluía sua nobre tarefa.
Curioso é o fato que o mesmo Jardim é também o delegado responsável pela investigação dos grupos neo-nazistas que atuam impunemente no Estado, mais especificamente em Porto Alegre e na Serra Gaúcha, realizando inúmeros ataques, especialmente de ordem homofóbica e racista. Nunca vimos tamanha agilidade deste “grande investigador”, para autuar esses verdadeiros criminosos e tampouco medidas efetivas por parte do governo Tarso/PT nesse sentido.
É hora de levar o abraço solidário a todos e todas que lutam para que o protesto social não se envergue ao poder e resista a fuzilaria reacionária dos monopólios da mídia. Mobilizar uma frente comum de todo o campo da independência de classe para romper o cerco repressivo e impedir a criminalização dos movimentos sociais.
Contra o medo e a repressão. Luta e Organização!
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Leia também:

ATENEU LIBERTÁRIO É INVADIDO PELA POLÍCIA PELA 2 VEZ EM MENOS DE 4 MESES

Na tarde desta última terça-feira, 1 de outubro de 2013, o Ateneu Libertário A Batalha da Várzea que faz local político-social para a Federação Anarquista Gaúcha foi invadido pelas forças repressivas do governo Tarso do PT pela segunda vez. A porta da sede foi arrombada e teve suas dependências e equipamentos revirados. Por cima de uma mesa foi deixado um bilhete que dizia: “passei por aqui e a porta estava aberta. Gostaria de participar da FAG.”
A terça-feira amanheceu com uma forte operação repressiva desatada pelo governo estadual e a justiça sobre militantes do Bloco de Lutas e organizações de esquerda. Invasão de residências particulares, locais públicos de esquerda e campanas sobre companheiros/as foram levados a cabo durante todo o dia. Falam-se de mais de 70 mandatos judiciais de busca e apreensão ainda por serem executados. Na última quinta-feira, quando da dispersão do ato público do Bloco de Lutas cinco companheiros foram detidos e incriminados.
O governo Tarso quer calar o protesto social que foge do seu controle, que não se engana com seus malabarismos retóricos e nem se amansa com expedientes repressivos.

Não ta morto quem peleia!

[FAG] Invasão policial do Ateneu Libertário e uma justiça ao gosto da Yeda

Em 20 de setembro deste ano completaram-se três meses da operação repressiva do governo tarso sobre nossa organização. Entre 15:30 e 16hs daquela sinistra quinta-feira a polícia civil arrombou o local do Ateneu Libertário A Batalha da Várzea, sem identificação e se fazendo passar por “federais”. Levaram livros e materiais para produção de faixas e cartazes. O apoio jurídico do Bloco de Lutas, que desde a primeira hora esteve solidário conosco, até nossos dias não achou nem sombra de um mandato judicial pra tal atropelo. Desde aqueles protestos de massa que ganharam as ruas de Porto Alegre a partir de abril já se vão mais de 70 processos de indiciamentos que correm em segredo. Não temos dúvidas de que a invasão de nosso local público foi parte de esquema pra criminalizar lutadores sociais e criar espantalhos pra desencorajar a luta contra os patrões e a burocracia por um transporte coletivo público, pelo direito a cidade pra juventude e os trabalhadores.
O Ateneu é um centro de cultura social que já leva mais de três anos de atividade, que promove debates políticos diversos, vídeos, cantores populares, grupos de estudo sobre socialismo e a corrente libertária, serviços de biblioteca, projetos de apoio a reforma agrária, solidariedade as lutas sindicais e populares da cidade, um longo etc.. É um espaço político-social de matriz libertária que tem impulso da Federação Anarquista Gaúcha, mas onde se reúnem e participam companheiros de distintos graus de afinidade. Ao longo dos protestos convocados pelo Bloco de Lutas pelo Transporte Público os companheiros/as do Ateneu se engajaram na primeira linha e aportaram desde o princípio do ano na formação deste movimento social. Nosso endereço público e notório na Travessa dos Venezianos foi lugar de debates e de produção de materiais de propaganda, faixas e cartazes.
De que delito nos acusava a cúpula de segurança do estado: delito de pensamento ou opinião? Que substâncias explosivas acharam: gás de cozinha pra esquentar a aguá pro chimarrão, material pra fazer o grude dos cartazes ou limpar os pincéis de tinta? O chefe da Polícia Civil do RS declarou triunfante durante a coletiva de imprensa do dia 21 de junho que havia sido encontrada em um local suspeito a confirmação de suas investigações: “vasta literatura anarquista”. A provocação foi longe a ponto de apreender livros da biblioteca e levar o fichário de sócios. Uma parte dos materiais roubados foram devolvidos em circunstâncias muito duvidosas, depois de nossa agitação e da solidariedade de companheiros e organizações sindicais, populares e de esquerda do mundo inteiro.
Com ordens do governo Tarso a polícia vandalizou o lugar público de uma organização de esquerda. Repetiram os expedientes da direita conservadora que haviam sido consagrados pela administração tucana da Yeda.
Em 29 de outubro de 2009 a sede da FAG, que então tinha endereço em outro local, foi invadida por forças da polícia civil, com mandados de busca e apreensão de equipamentos e materiais de agitação política. 6 companheiros foram processados por crime de calúnia e difamação a mando da então chefe do governo do estado. O detonante de tal medida: a campanha solidária com a luta dos Sem Terra em São Gabriel e a acusação da responsabilidade do governo pelo assassinato de Eltom Brum, com um tiro pelas costas da polícia durante despejo de uma ocupação.
Na segunda semana de setembro deste ano companheiros foram notificados pelo oficial de justiça sobre a sentença de pena de 8 meses de detenção revertidas em serviços comunitários pelo processo movido pela ex-governadora.
Protesto não é crime! O protesto não se cala! Basta de processos aos lutadores/as sociais.
Contra o medo e a opressão: Luta e Organização.

[FAG] Só a luta popular decide! A Vitória da ocupação da Câmara é de todos os de baixo!

Retirado de: http://batalhadavarzea.blogspot.com.br/2013/07/so-luta-popular-decide-vitoria-da_16.html

As últimas marchas de rua em Porto Alegre (que também ocorreram em todo o país), marcadas pela forte repressão da Brigada Militar do governo Tarso\PT foram o sinal de que importantes elementos da conjuntura se alteravam, sinalizando uma importante “explosão” das lutas populares, até então relativamente amorfas em nosso país.
Neste contexto tivemos a importante articulação do dia 11 de Julho como um dia nacional de luta, onde Bloco de Luta discutiu e deliberou pela Ocupação da Câmara de Vereadores como mais uma forma de pressionar, através da ação direta, os poderes municipais a atender, em caráter de urgência, o conjunto de nossas reivindicações. Cabe ressaltar que após a entrega do programa de reivindicações ao governo do Estado, este sinalizou uma resposta desrespeitosa através de uma nota vaga e sem nenhuma novidade, sinalizando mais um motivo para seguirmos firmes nessa luta, até que todas nossas exigências fossem atendidas.
Hoje, estamos as vésperas de completar uma semana de ocupação da Câmara, o que por si só, já constitui um triunfo ímpar não apenas ao Bloco, mas a toda a esquerda e os de baixo  de nosso estado e país, logrando uma importante acumulação de forças. O protagonismo do Bloco como instância dinamizadora e articuladora de um conjunto de forças políticas e sociais, que se esforçaram a trabalhar sem sectarismos e com a devida unidade estabelecida nas ruas, marcou o caminho de uma tática lúcida, correta e vitoriosa.
Uma guerra de nervos instalada pelos de cima!
Ao longo destes dias agitados colocamos a prova nosso poder organizativo e nossa capacidade de sustentar uma tática de ação direta que valorize o protagonismo e a democracia de base. Após garantirmos avanços significativos na pauta de negociação com a representação da Câmara e deliberarmos por se retirar do plenário na segunda feira, para que os vereadores votassem nossos projetos, rejeitando a exigência da Câmara de sairmos no domingo a noite, ou seja, uma saída no escuro e fora de dia útil, recebemos um ultimato provocativo e reacionário por parte do presidente da Câmara, Tiago Duarte (PDT): um pedido de reintegração de posse. Estava largada a guerra de nervos!
 
O que se instalou naquele exato momento foi a intensificação de um complexo jogo de prática real da política, um xadrez onde deveríamos mover com calma e serenidade, mas com firmeza e determinação as nossas peças. A reivindicação do acerto tático em permanecer ocupando a Câmara e se aproveitar da disposição de luta e resistência, mais do que explícita, entre a combativa companheirada da ocupação, a crescente solidariedade que passamos a receber e o avanço organizativo do movimento, nos levou a resistir! Seguir ocupando, reivindicando a retomada das negociações e sinalizar que só deixaríamos a Câmara com a presença do aparato repressivo, como um meio de denúncia da truculência e inaptidão de lidar com a pauta dos de baixo por parte dos de cima, foi a correta tática defendida pela ampla maioria das assembleias.
A firmeza com que jogamos o xadrez nos levou primeiramente a garantir ordem judicial que suspendia a reintegração de posse nos finais de semana condicionando-a para dias úteis e das 06:00 as 20:00h, para, logo em seguida ser suspensa após a visita do oficial de justiça que levara o mandado de reintegração de posse, deliberando também por uma audiência de conciliação que pudesse solucionar o impasse.
Esta decisão judicial é uma grande vitória e devemos interpreta-la como mais um acúmulo de forças e partir dele, seguirmos firmes em nossas reivindicações. É a hora de arrancarmos da audiência o conjunto da pauta que conquistamos e a presidência da casa jogou na lata do lixo, para agora, pateticamente chorar em um programa de rádio, se expondo ao ridículo de uma atuação grotesca que visa criminalizar o protesto.
Em todas as nossas lutas: instalar uma grande batalha pela democratização dos meios de comunicação!
 
Os factoides criados pela grande mídia, com destaque especial para a famigerada RB$, apontando dentre outros elementos fantasiosos a “agressão” ao presidente da câmara, foram o grito dos desesperados na tentativa de nos deslegitimar. Ao longo destes dias a grande imprensa buscou isolar a ocupação, noticiando-a de forma marginal e sempre a partir de estigmatizações. Em momento algum a grande mídia atacou com contundência a unilateral quebra de diálogo com o movimento, quando este já sinalizava desocupar o prédio, assim como a ridícula decisão de suspender o expediente da Câmara na segunda-feira em uma reunião realizada em uma churrascaria, financiada pelos cofres públicos.
Essa militância raivosa por parte da grande imprensa para com as lutas e demandas dos de baixo é algo que experimentamos todas as vezes que nos organizamos por nossas demandas, seja em nosso local de trabalho, estudo ou moradia. A nossa experiência com esse aparelho ideológico dos de cima é algo que nos coloca uma tarefa de grande importância, tão importante quanto o passe livre, a abertura das contas e o avanço a um modelo de transporte 100% público, a luta pela democratização dos meios de comunicação.
Mais do que nunca precisamos romper os oligopólios, dar batalha contra a agitação destes meios contra as lutas e demandas dos de baixo e construiroutras ferramentas  para a comunicação, como é o exemplo das mídias alternativas que estão acompanhando nossa ocupação e repassando de fato o que esta ocorrendo.
Tática de combate! Tática que triunfa!
Precisamos compreender o significado dessa Ocupação no contexto de um conflito aberto e deliberado entre distintos projetos de cidade. Um projeto encabeçado pelo Bloco de Luta, que mesmo com toda sua diversidade que vem conseguindo entrar em pauta de forma coletiva; e um projeto que representa a continuidade do lucro dos empresários, a continuidade do privilégio no acesso a cidade e aos bens “públicos”. A legitimidade da Ocupação, assim como uma marcha de rua, o trancamento de uma via pública, a paralisação de uma fábrica, um piquete, etc. está no significado desses meios para aqueles que lutam, como únicas formas que verdadeiramente expressam o protagonismo de nossa gente frente aos mecanismos institucionais de dominação que acabam por excluir e apartar o povo das tomadas de decisão da sociedade. Para nós Anarquistas da FAG, só a luta popular, através da Ação Direta e com Democracia de Base, decide. É só através dela que arrancaremos dos poderosos o Passe Livre e caminharemos rumo ao transporte 100% público.
Não ta morto quem peleia!
Na lei ou na marra arrancaremos o passe livre!
Federação Anarquista Gaúcha – FAG