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[FAO-CAB] 10 anos do Fórum do Anarquismo Organizado

10 anos do Fórum do Anarquismo Organizado.

Rumo à Coordenação Anarquista Brasileira!

            No início de 2002 recomeçava de forma mais lúcida um processo de articulação nacional para o anarquismo organizado e com inserção social no Brasil. Há dez anos foi criado o Fórum do Anarquismo Organizado – FAO com o objetivo de articular grupos regionais e também lutar pela construção de uma organização anarquista brasileira dotada de projeto político comum. De lá pra cá conseguimos fazer avançar este processo com a consolidação de Organização Especificamente Anarquistas em alguns estados.

Modestamente contribuímos para colocar o anarquismo no terreno da luta de classes formando parte de importantes lutas na cidade e no campo com presença em diversos lugares no país. Atualmente, contando com a participação e incidência em mais de dez estados brasileiros, decidimos dar uma passo à frente no processo nacional com a criação da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB). Não estamos criando uma mera sigla ou uma aparência sem correspondência com a realidade. Pelo contrário, decidimos pel

a coordenação de organizações anarquistas especifistas, pois necessitamos de uma organicidade que seja correspondente a nossa capacidade e necessidade de intervir na realidade brasileira com perspectivas de mudança em prol do projeto socialista e libertário.

Estaremos realizando neste ano de 2012 um Congresso Anarquista com delegações das organizações regionais que irão fundar a CAB e fazemos um convite às organizações anarquistas nacionais e internacionais para participarem das seguintes atividades na cidade do Rio de Janeiro:

 

9 de Junho – Debate sobre a Organização Específica Anarquista com os companheiros da Federação Anarquista Uruguaia e da Coordenação Anarquista Brasileira.

(inscrições: secfao@riseup.net)

10 de junho – Ato Público de lançamento da Coordenação Anarquista Brasileira

 

CRIAR UM POVO FORTE!

 

Declaração de Princípios e Intenções do FAO:

http://www.anarkismo.net/article/17346

 

Originalmente publicado em

http://cazp.wordpress.com/2012/03/26/10-anos-do-forum-do-anarquismo-organizado/

[FAO-CAB] Solidariedade às famílias de Canaã!

Retirado de:  http://anarkismo.net/article/22096

Seguiremos de pé e vigilantes para que não ocorra desta vez a mesma injustiça presenciada em Pinheirinho.

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Manifestamos toda a nossa solidariedade às 300 famílias do assentamento Canaã que seguem resistindo pelo direito à moradia em Cuiabá – MT. Na última sexta-feira, dia 10 de fevereiro, desde que foi anunciada a ordem de reintegração de posse os moradores seguem organizados. Nossos companheiros do Rusga Libertária tem dado seu modesto e sincero apoio estando ombro a ombro com os que lutam nesse cotidiano de resistência popular. Seguiremos de pé e vigilantes para que não ocorra desta vez a mesma injustiça presenciada em Pinheirinho.

Afinal de contas, o suposto dono da área de Canaã e a juíza que expediu o mandato de reintegração de posse são os verdadeiros criminosos. De acordo com a própria defensoria pública do Estado do Mato Grosso, na documentação apresentada pelo empresário Armindo Sebba Filho as coordenadas geográficas não condizem com a localização da área. Além disso, a juíza Vandymara Galvão Ramos Paiva Zanolo possui um histórico corrupto ao se envolver no crime de enriquecimento ilícito no caso de contratação de servidor fantasma nos anos de 1996 e 1997.

Diante dos crimes do sistema seguiremos de pé!
Resista Canaã! Toda solidariedade aos que lutam!

Fórum do Anarquismo Organizado

[CABN] Informe do Coletivo Anarquista Bandeira Negra sobre a formação do Núcleo Joinville da organização

Retirado de: http://www.cabn.libertar.org/?p=141

No dia 11 de Fevereiro de 2012, militantes da Organização Dias de Luta, de Joinville/SC, reuniram-se com membros do Coletivo Anarquista Bandeira Negra (CABN), de Florianópolis, com o objetivo de aproximar as duas organizações. Os debates trataram das afinidades existentes em torno do anarquismo organizado de tipo especifista, inserido nas lutas sociais, e a necessidade de um conteúdo programático e organizativo que envolva diferentes cidades do estado de Santa Catarina.

Decidimos então que a Organização Dias de Luta deixa de existir e as duas organizações a partir de então reúnem-se no Coletivo Anarquista Bandeira Negra, que passa a possuir dois Núcleos: Joinville e Florianópolis. O jornal Palavras de Luta passa a ser o informativo do CABN, veículo de propaganda com o objetivo de informar os caminhos das lutas sociais nas duas cidades nucleadas e propagandear as produções teóricas em torno do anarquismo.

Nos próximos meses ampliaremos os debates construtivos ao anarquismo em nossa região, ampliando laços com outras organizações e apoiados em atuações efetivas nos movimentos sociais combativos, fortalecendo suas lutas e buscando sempre a construção de um verdadeiro Poder Popular: construído a partir da base, com democracia direta, horizontalidade, federalismo e autogestão.

Aproveitamos o momento para reafirmarmos os princípios e aproximação político-ideológica ao Fórum do Anarquismo Organizado (FAO) e suas organizações.

Coletivo Anarquista Bandeira Negra

Fevereiro de 2012

Lançamento de “Ideologia e Estratégia”, de Felipe Corrêa

Retirado de: http://anarkismo.net/article/21612

Anarquismo, movimentos sociais e poder popular

A Faísca Publicações Libertárias acaba de publicar o livro IDEOLOGIA E ESTRATÉGIA: Anarquismo, movimentos sociais e poder popular, de Felipe Corrêa.

Faísca, 2011, 238 p.
Faísca, 2011, 238 p.

A Faísca Publicações Libertárias acaba de publicar o livro IDEOLOGIA E ESTRATÉGIA: Anarquismo, movimentos sociais e poder popular, de Felipe Corrêa.

Conteúdo:

Apresentação

Prefácio Alexandre Samis

IDEOLOGIA E ESTRATÉGIA

Anarquismo e Sindicalismo Revolucionário
Uma resenha crítica do livro de Edilene Toledo, a partir das visões de Michael Schmidt, Lucien van der Walt e Alexandre Samis

A Estratégia de Massas de Neno Vasco

Movimentos Sociais, Burocratização e Poder Popular
Da teoria à prática

Abaixo segue a apresentação do livro com os respectivos links dos textos do livro, já publicados anteriormente no Anarkismo.net.

Os três artigos agora reunidos em livro foram escritos durante o ano de 2010. Ainda que tratem de temas relativamente distintos, pode-se dizer que têm interesses similares. Tentarei, nas próximas linhas, sistematizar seu conteúdo, de maneira a permitir sua melhor compreensão e a demonstrar a intencionalidade que os cruza transversalmente.

Os textos surgem a partir de uma necessidade concreta de reflexão teórica que se deu em meio à militância prática, âmbito em que pude aprender, refletir ou mesmo aprofundar alguns dos temas em questão.

Primeiramente, evidencia-se o tema do anarquismo. Devido à significativa quantidade/qualidade de material publicado sobre o assunto, foi possível uma sistematização que aceita alguns dos pressupostos colocados na literatura, mas ao mesmo tempo rechaça outros. Ao definir o anarquismo como uma ideologia, busquei fundamentar minha argumentação no material produzido pelos grupos e organizações que hoje constituem parte orgânica ou orbitam em torno do Fórum do Anarquismo Organizado (FAO) e pela Federação Anarquista Uruguaia (FAU), organização que contribuiu decisivamente, desde meados dos anos 1990, para o campo teórico do anarquismo especifista brasileiro, que ainda segue em construção.

Nessa concepção ideológica do anarquismo, não se assume a leitura marxista de ideologia, considerando-a simplesmente como “falsa consciência”, mas, conforme expus nos dois primeiros artigos, de conjunto amplo de idéias, valores e aspirações que possuem relação direta com uma determinada prática política.

Foi necessário, a partir dessa noção do anarquismo como ideologia, buscar uma reflexão sobre o que é o anarquismo e localizá-lo no espaço e no tempo. Foi o que tentei realizar em “Anarquismo e Sindicalismo Revolucionário” [http://www.anarkismo.net/article/16164], o primeiro artigo do livro, quando, ao criticar a definição de anarquismo de outros autores, senti-me obrigado a propor minha própria definição. Foi o que realizei a partir de uma reflexão histórica do tema, tentando formalizar os conteúdos apreendidos nos últimos dez anos de leitura. Da mesma maneira, ao criticar as abordagens que não localizavam o anarquismo no espaço e no tempo, tive de pensar, levando em conta a definição assumida, quando e onde surgiu o anarquismo – o que me levou a assumir a posição de que esse é um fenômeno que se inicia na Europa em meados do século XIX.

Ainda nessa reflexão sobre o anarquismo, desenvolvi uma análise por meio de duas categorias que julguei fundamentais para a compreensão do assunto. A primeira, da ideologia, que constituiria o anarquismo em si, sua espinha dorsal, e a segunda, da estratégia, que implicaria os caminhos escolhidos pelo anarquismo ao longo dos anos para atingir seus objetivos revolucionários, socialistas e libertários. Foi a partir dessas duas categorias que tentei conceituar os princípios ideológicos fundamentais que, para mim, definem o anarquismo, e mencionar os principais debates estratégicos que, historicamente, deram-se internamente ao anarquismo.

A partir dessa noção, refuto a tese de que há “anarquismos”. Para mim, o que há é uma ideologia, o anarquismo, que, ao longo da história, adotou e continua a adotar diferentes estratégias – ou “formas históricas”, como vem colocando Alexandre Samis – para melhor avançar rumo aos seus objetivos. Uma dessas estratégias, como coloco no primeiro artigo, foi a do sindicalismo revolucionário – impulsionada pelos anarquistas mundialmente, os quais, na maioria dos casos, detiveram a hegemonia do movimento no
que diz respeito à determinação de seu modus operandi.

O tema do sindicalismo revolucionário, relativamente bem discutido no campo da história, encontra agora uma visão que se pauta no (correto) argumento de que o que houve no Brasil da Primeira República foi sindicalismo revolucionário e não anarcosindicalismo. Abordagem que tem como conseqüência, independente da intencionalidade, o desvínculo entre o anarquismo do sindicalismo revolucionário, atribuindo ao último caráter de ideologia própria. Desvincular o anarquismo do sindicalismo revolucionário no Brasil seria, a meu ver, realizar uma revisão historiográfica sem o menor fundamento nos fatos.

Foi esse o motivo que me incentivou a escrever “Anarquismo e Sindicalismo Revolucionário” – fiz questão de colocar o mesmo título do livro que criticaria –, realizando uma resenha crítica do livro homônimo de Edilene Toledo e produzindo um texto em tom de polêmica. Tomo, para isso, duas referências fundamentais das produções contemporâneas sobre o anarquismo: os livros dos africanos Michael Schmidt e Lucien van der Walt (Black Flame) – referência central no tratamento do anarquismo em geral – e do brasileiro Alexandre Samis (Minha Pátria é o Mundo Inteiro) – referência central para o anarquismo no Brasil.

Foi no processo de crítica dos argumentos do livro em questão que pude utilizar as reflexões de ambos os livros, dos africanos e do brasileiro, para construir uma argumentação construtiva, formulada a partir de suas posições e também de alguma reflexão própria. Era necessário, também, tentar formalizar os principais argumentos da discussão “sindicalismo revolucionário versus anarco-sindicalismo”, de maneira que fosse possível entender o que estava em jogo nas discussões realizadas. Terminei baseando minha distinção nos autores que tomei para o argumento construtivo, e também nas discussões que foram forjadas no anarquismo brasileiro em geral, e no de São Paulo em particular, que, desde os anos 1990, havia acumulado algo neste sentido.

Outra questão relevante era encontrar categorias que pudessem explicar essas diferentes estratégias; a proposta de Schmidt e van der Walt de se falar, em nível mundial, em “anarquismo de massas” e “anarquismo insurrecionalista”, pareceu-me adequada; no Brasil, com a pouca expressão do insurrecionalismo, creio que as categorias utilizadas por Samis, de “organizacionistas” e “antiorganizacionistas”, apesar de próximas das outras, adaptam-se melhor ao contexto do que foi o anarquismo no Brasil da Primeira República.

A escolha dos livros nos quais me baseei para os argumentos construtivos não foi acidental. Senti a necessidade de fugir do eurocentrismo que vem marcando muito das “histórias do anarquismo” que se tem publicado e, para isso, a utilização do livro dos africanos torna-se central por construir hipóteses para a interpretação do anarquismo em nível mundial, considerando mais de um século de teorias e práticas em todo o globo. A utilização da obra de Samis para o tratamento do Brasil também foi proposital, visando fugir da historiografia clássica sobre o tema, que incide em vários problemas metodológicos e muitas vezes distorcem suas posições teóricas por razão da adoção de um ou outro ponto de vista ideológico.

“A Estratégia de Massas de Neno Vasco” [http://www.anarkismo.net/article/18792], o segundo artigo, tem exatamente a intenção de dar suporte ao argumento do primeiro, demonstrando, fundamentado em material teórico produzido pelo autor, as noções do anarquismo como ideologia e do sindicalismo revolucionário como estratégia. Ainda que Neno Vasco não tenha dado tanta ênfase em seu tempo à construção de uma organização política especificamente anarquista, suas posições estão em completo acordo com muito daquilo que defendo como proposta de anarquismo e como estratégia a ser adotada. Ele defendia um anarquismo classista, que funcionasse como fermento e motor das lutas populares – o que caracteriza sua estratégia como sendo uma “estratégia de massas” –, e que deveria impulsionar o movimento sindical a partir de uma concepção programática, envolvendo a ação direta, a independência de classe e a neutralidade sindical, fortalecendo as lutas de curto prazo na medida em que elas pudessem contribuir com uma estratégia revolucionária, de ruptura, no longo prazo.

Estratégia esta que possui similaridades com a proposta dos anarquistas que atuavam na Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT) e que inspirou a primeira onda do sindicalismo de intenção revolucionária, pré-CGT francesa, nas décadas de 1870 e 1880, assim como o sindicalismo revolucionário propriamente dito, tanto da CGT como de diversas outras localidades do mundo – incluindo o Brasil. É possível dizer, ainda, que essa estratégia possui muito em comum com a proposta de poder popular que os anarquistas especifistas vêm utilizando como base de sua estratégia e que tentei abordar em “Movimentos Sociais, Burocratização e Poder Popular” [http://www.anarkismo.net/article/18158], o terceiro artigo.

Os dois primeiros artigos apóiam-se, fundamentalmente, em literatura teórica anarquista que poderíamos chamar de clássica: Bakunin e Malatesta, no primeiro, além das referências já citadas; Neno Vasco, no segundo – independente de não ter adquirido uma envergadura internacional como os dois primeiros, pode ser também considerado um clássico. O terceiro artigo, ainda que fuja um pouco à regra no que diz respeito às referências teóricas clássicas, possui uma conexão direta com a discussão dos outros artigos, não pelos aspectos ideológicos, mas no que diz respeito à discussão de estratégia.

Buscando referências contemporâneas de teóricos dos movimentos sociais, esse artigo busca, a partir de uma constatação da burocratização dos movimentos sociais – o principal fenômeno que impede a construção de poder popular nos setores populares já organizados –, as causas dessa burocratização e propõe um programa antiburocrático a ser aplicado nos movimentos burocratizados. Levando em conta que, nesse artigo, trabalhei com uma concepção ampla de movimento social – que inclui também o sindicalismo –, creio que o programa proposto pode, em linhas gerais, subsidiar distintas discussões daqueles que estão envolvidos os diversos campos das lutas populares.

Desse programa antiburocrático, que não deixa de ter muita similaridade com o programa que era proposto pelos anarquistas para o sindicalismo revolucionário, surge a discussão sobre o poder popular. Ainda que o tema deva ser aprofundado – e eu mesmo tenho me dedicado atualmente neste sentido –, o debate sobre o poder popular, nessa concepção libertária, nada mais é do que pensar estrategicamente. Ou seja, refletir sobre os objetivos estratégicos, as linhas estratégicas e táticas para intervir na realidade, assim como adotar um método de análise que dê conta de uma interpretação dessa realidade e que potencialize o atuar. Foi buscando aportes nesse sentido que desenvolvi 20 teses sobre o poder popular, praticamente resumindo documentos e artigos contemporâneos que, desde o campo libertário, abordam a temática.

Em suma, posso dizer que os três artigos articulam-se em torno desses dois eixos: ideologia por um lado, e estratégia por outro. No que diz respeito à ideologia, objetivam pensar o anarquismo de maneira séria e honesta teoricamente, evidenciando teorias clássicas, trazendo discussões contemporâneas e refletindo criticamente sobre o material analisado. Buscam apresentar ao público em geral, e também àqueles com afinidades ideológicas, um anarquismo que seja digno de respeito no campo da esquerda e do socialismo; um anarquismo que possa retomar sua intensa e honrosa história de lutas que tiveram grande influência nos mais distintos movimentos populares em todo o mundo. Conceber um anarquismo que possa ter relevância política e, incidindo sobre a realidade, impulsioná-la no sentido desejado, mudando a correlação de forças que hoje se dá na sociedade e, passo por passo, entre conquistas de curto prazo, ter como chegar aos objetivos revolucionários e socialistas de mais longo prazo. No que diz respeito à estratégia, proporcionar aos libertários – anarquistas ou não, organizados politicamente ou não – plataformas possíveis para intervenção nos distintos campos da luta de classes. Ou seja, elementos programáticos que possam potencializar hoje a construção da sociedade que queremos amanhã.

Ideologia e Estratégia é, portanto, um livro saído do calor das lutas, buscando, em um movimento que se poderia chamar dialético, formalizar teoricamente uma série de conhecimentos que foram apreendidos tanto em teoria quanto em prática, de maneira que essa teoria agora produzida possa, em um futuro breve, retornar como contribuição, ainda que singela, às lutas e movimentos de nosso povo. Essa é, real e honestamente, a minha intenção e espero, com a devida humildade, poder submetê-la agora à apreciação crítica dos leitores.

Felipe Corrêa
Maio de 2011

[Curitiba] Concentração para distribuição do Jornal Socialismo Libertário

No dia 21 de Dezembro, por volta das 18hs os militantes do Coletivo Anarquista Luta de Classe se concentraram para a distribuição do Jornal Socialismo Libertário de número 27. A distribuição ocorreu na Praça Santos Andrade e arredores.

A distribuição ocorrerá a nível nacional, os militantes da FAG (Federação Anarquista Gaúcha se concentraram no dia 20 de Dezembro http://www.vermelhoenegro.co.cc/2011/12/concentracao-para-distribuicao-do.html

Você pode baixar o Socialismo Libertário número 27 :

http://www.4shared.com/document/FfjvSOj8/soli_27.html

Coletivo Anarquista Luta de Classe

Viva o Socialismo libertário!

Viva  FAO!

[FAO] Novo “Socialismo Libertário”, edição 27!

Retirado de: http://anarkismo.net/article/21405

A folha nacional do FAO (Fórum do Anarquismo Organizado), edição n. 27 já está em circulação. Nesta edição realizamos uma breve análise de conjuntura da política do governo Dilma e da Dívida Pública, das lutas sindicais, mega-eventos e plano estratégico de seguraça das elites, além de nossa posição sobre a recém aprovada Comissão da Verdade.
A Folha Nacional do FAO tem sua distribuição gratuita e pode ser encontrada com as diversas organizações anarquistas que compõem o Fórum ou então fazendo o download no endereço http://www.4shared.com/document/FfjvSOj8/soli_27.html

A todos(as) uma boa leitura!

Pelo Socialismo e Pela Liberdade!

Fórum do Anarquismo Organizado – FAO

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Resposta da Organização Resistência Libertária (ORL) à sociedade, aos lutadores anarquistas por todo o Brasil e à intitulada “Carta Aberta de Desligamento do Camarada Macarrão…”, ex-militante da ORL.

NOTA DE RESPOSTA

Qui, 03 de Novembro de 2011 12:22

“A REVOLUÇÃO É IMENSA… MAS OS HOMENS SÃO                                                                 INFINITAMENTE PEQUENOS.”

Resposta da Organização Resistência Libertária (ORL) à sociedade, aos lutadores anarquistas por todo o Brasil e à intitulada “Carta Aberta de Desligamento do Camarada Macarrão…”, ex-militante da ORL.

A Organização Resistência Libertária (ORL)[1] é uma organização política anarquista que teve seu início no ano de 2008 e se insere no panorama da luta de classes no Brasil, ao lado de organizações parceiras reunidas em torno do Fórum do Anarquismo Organizado (FAO). Ao longo deste período, estivemos inseridos em diversas lutas nos setores popular, sindical e estudantil, contribuindo com nossa militância no sentido de impulsionar os movimentos sociais com os quais tivemos e temos relações, visando alavancar a luta organizada e autônoma do nosso povo. Nossa organização tem como perspectiva ser uma ferramenta inserida nos movimentos sociais, atuando no sentido de contribuir, através de nossa militância, por meio do diálogo, da troca de experiências e da participação ativa, para que as lutas e os movimentos sociais possam ultrapassar o caráter meramente reivindicativo e desenvolver a combatividade, a autonomia, a capacidade de auto-organização e a democracia direta.

É importante fazer esta introdução na medida em que temos uma recente trajetória de organização e alguns setores nos conhecem há pouco tempo, ou ainda não conhecem nossa Organização Política. Ainda, na medida em que pesam sobre o Anarquismo várias definições preconcebidas e preconceituosas, utilizadas ao longo da história para detratar nosso movimento e a organização libertária dos oprimidos e explorados deste mundo. A Anarquia nada mais é do que uma sociedade onde inexiste o privilégio e a exploração do homem pelo homem. Uma proposta de organização social na qual reside a igualdade política e econômica de todas e todos organizados sobre novas bases sociais de existência humana. Uma sociedade cujo poder do povo é efetivamente autônomo e soberano, na qual a autogestão o princípio fundador do modelo de organização e a democracia de base e a ação direta se contrapõem à representatividade burguesa. É rearranjando, assim, a sociedade de “baixo para cima” e não de “cima para baixo” como na atual ordem do Capital e do Estado, cujas funções se resumem a manter a desordem atual, a exploração e o estado de miséria organizada no sistema que denominamos capitalismo.

Ressaltamos ainda que, apesar de sermos uma organização política, nos diferenciamos da prática ligada historicamente aos grupos políticos que conhecemos como “partidos” – uma das formas possíveis de organização política –, inseridos nas correntes de direita e de esquerda, adeptas de um discurso revolucionário ou não. É imprescindível esse prelúdio, tendo em vista que em todos os setores em luta aparecem múltiplos atores em cena, e, dentro destes, um emaranhado de Partidos Políticos organizados para defender seus interesses no seio de cada categoria e cada movimento organizado. Alguns o fazem com vieses mais democráticos, outros com posturas mais vanguardistas e autoritárias. Nesse ponto, nossa prática política se diferencia: a ORL se pauta pela democracia direta e horizontalidade das relações como forma de debate e deliberação, seja no interior da organização, seja em nossas relações políticas com os movimentos sociais.

Tentamos nos guiar, em todos os movimentos, com postura política condizente com nossos princípios libertários, inspirados na tradição e na matriz de pensamento e prática do Anarquismo. Defendemos nos movimentos com os quais atuamos que quem deve decidir os rumos das lutas sociais são os reais interessados e afetados diretos, e não agentes externos. Nossa atuação distancia-se da prática de vanguarda porque acreditamos que nossa contribuição é dialética e, sobretudo, ética. Não entendemos que estamos à frente do povo em luta, nem na retaguarda, mas sim ao lado, ombro a ombro. Enfatizamos que esta é uma de nossas diferenças essenciais, que faz com que, na medida em que atuamos no seio de qualquer luta, estamos também sempre aprendendo, influenciando e sendo influenciados pelos próprios movimentos sociais com os quais nos relacionamos.

Estamos firmemente convictos da importância de nosso difícil e ao mesmo tempo modesto trabalho em todos os setores que atuamos nestes últimos anos. Em todos eles defendemos os nossos princípios (classismo, ação direta, horizontalidade, autonomia, democracia direta e solidariedade) de forma honesta. Por isso, sempre fomos bem recebidos e entendidos como aliados de luta. Isso só faz crescer a solidariedade entre nós, companheiros e companheiras, irmãos na exploração e reação a este estado de desorganização e opressão completa no qual vivemos.

É claro que, como as demais organizações políticas, guardadas suas devidas diferenças, não estamos isentos de tomar caminhos equivocados. A ORL contou com erros e acertos ao longo de toda sua trajetória. Não nos cabe aqui, a exemplo de outras organizações políticas, fazer um discurso triunfante. Cabe destacar que, para nós, as melhores avaliações e aprendizados são construídos com aqueles que estão em luta conosco, nos movimentos sociais, fraternos na luta que travamos cotidianamente.

“A Revolução é imensa, os acontecimentos gigantes, mas os homens são infinitamente pequenos. Eis o caráter de nosso tempo.”

Mikhail Bakunin (Carta a Pierre J. Proudhon)

Infelizmente, após a saída de um companheiro que esteve ao nosso lado nos últimos anos, temos de vir relembrar nossas aspirações publicamente e reafirmar nossa perspectiva enquanto organização. Para nós, não é trabalho demasiado responder, e tornou-se necessário fazê-lo, uma vez que nos sentimos desrespeitados e caluniados com as palavras divulgadas em alguns círculos de luta, por meio da “Carta aberta de desligamento do camarada Macarrão da Organização Resistência Libertária [ORL]”. Não somos em nada contra a escrita de uma carta de desligamento de um militante que decidiu por se desvincular de nossa organização, pelo contrário, somos favoráveis a essa prática. Contudo, esperávamos algo que construísse a luta política e social, de avanço do Anarquismo e dos movimentos sociais no Brasil. Esperávamos o mínimo de análise e reflexão teórica, já que foi este o debate que o companheiro tentou travar antes de sua saída. Ao longo da citada carta, o ex-militante da ORL buscou expor falhas e questões de caráter interno da nossa Organização, compartilhando uma série de avaliações pessoais sobre as mesmas que, na nossa visão, são em sua grande maioria equivocadas e irresponsáveis. Consideramos isso porque o referido ex-militante mentiu e dissimulou partes do nosso referencial teórico e da nossa prática política, substituindo-os por análises, conceitos, idéias e noções que ele próprio defende, relacionados diretamente com outros meios políticos externos e distintos da ORL.

É lamentável que tenhamos que escrever um longo texto para desmentir falsas interpretações, sabendo que todo o discurso da Carta está marcado por um “espezinhamento” e por um “denuncismo” aberto e indiscriminado, numa tentativa de deslegitimar-nos sem, contudo, apresentar fundamentação consistente. Uma prática corrente há anos em setores da esquerda mais autoritária, que tem por objetivo a pura destruição do oponente político.

Iremos, então, responder a carta de modo diferente, com respostas políticas, da maneira como pensamos que deve ser todo debate que participamos. Abaixo descreveremos a análise, de forma mais detalhada e explicativa, de alguns pontos centrais contidos na referida carta, conforme nossa concepção política:

  1. 1. A primeira falha que percebemos nas idéias expostas foi o discurso a-histórico. São feitas avaliações da luta a partir do hoje, não compreendendo o passado em seu contexto e suas particularidades, numa maneira de ver e analisar deveras anacrônica, que projeta no passado noções que o autor da carta tem hoje como se já as tivesse. Aponta erros pretéritos que o próprio autor avaliava diferente à época. Inclusive se isenta de todos os erros que diz ter a Organização cometido, como se não devesse responsabilidades pelo agrupamento que construía e não tivesse relação nenhuma com os equívocos cometidos coletivamente. De modo oportunista, tenta se sobressair escondendo erros e posturas que assumiu ao longo de sua militância conosco. Em nossa Organização, discordamos veementemente de tal conduta, já que todos os militantes da ORL são responsáveis por nossas táticas e estratégias políticas, devendo assumir coletivamente nossos erros e acertos.
  2. 2. Cai na prática do “denuncismo”, com um longo texto que em nada contribui para os movimentos sociais ou para o Anarquismo e sua construção a nível nacional. Reconhecemos que o companheiro pode ter conhecimento e mesmo o debate sobre o campo do Anarquismo no Brasil (ainda que não esteja de acordo com o que pensamos), mas este perdeu uma ótima oportunidade para qualificar e elevar seu discurso. Compreendemos também como equivocada e frustrada o envio de sua carta para círculos de luta variados sem nenhuma relação embriológica com o Anarquismo, demonstrando uma clara confusão de ambientes e desvio de objetivos.
  3. 3. O militante, diferente do que quer fazer transparecer na Carta, se orienta sem norte estratégico. Atua onde explode a luta de forma voluntarista, espontaneísta e individual. Enquanto nossa Organização planeja, coletivamente, a atuação em qualquer espaço de atuação política, o companheiro decidiu eximir-se desta tarefa, uma vez que passou a agir e “fechar” com grupos externos à ORL nos espaços de luta, sem nosso conhecimento, faltando com respeito e responsabilidade perante a Organização. Um exemplo disso foi sua defesa aberta do Voto estratégico em Dilma Rousseff nas últimas eleições, compactuando com o fortalecimento do Estado e do parlamentarismo, negligenciando a nossa conduta e o referencial do Anarquismo frente às eleições e à representatividade burguesas.
  4. 4. Os conceitos utilizados pelo companheiro já não condiziam com nosso referencial teórico, com nossa Declaração de Princípios[2] e com nossa prática política. Conceitos como “vanguarda”, “centralismo”, “massa”, dentre outros, e noções como “material humano” e “pára-governismo” não fazem parte das nossas referências e da linguagem que usamos para comunicar nosso pensamento e nossa ação. Essas noções acabaram por revelar um alinhamento teórico distinto do que temos acumulado. No lugar da prática e do conceito de vanguarda, por exemplo, nos pautamos pelo conceito de “minoria ativa”, ou seja, defendemos a inserção de nossos militantes nos movimentos sem a busca frenética por aparelhos de “direção” da luta ou a conquista dos espaços de decisão. Nossa perspectiva é de construção da luta de base dos setores em luta, defendendo que a organização se dê “de baixo para cima” e da “circunferência para o centro”, e não o inverso. Contrapomos ainda à “centralização”, defendida pelo camarada, a horizontalidade e o federalismo como princípios e formas de organização descentralizada e libertária – tão caros ao Anarquismo internacional e de luta.
  5. 5. Aproximamo-nos do Fórum do Anarquismo Organizado (FAO) porque este representa uma proposta de construção do Anarquismo organicista no Brasil. Discordamos veementemente da análise feita pelo camarada com relação ao Fórum, sobretudo se pensarmos na construção do Anarquismo de maneira séria, com enraizamento nas lutas e respeito às localidades. Para nós, a postura mais acertada é iniciar a discussão com o referido Fórum, que nos oferece uma construção mais atenta e dialética do anarquismo a nível nacional. Contudo, reafirmamos que não fazemos parte organicamente do FAO, mesmo mantendo relações de proximidade política. Na carta do companheiro é oferecida como alternativa para os anarquistas no Brasil a organização em torno da UNIPA, um “partido anarquista”, organizado e centralizado em escala nacional, tendo por base uma teoria engessada a qual não se constrói, apenas se adere. Discordamos que exista uma “expressão acabada do Anarquismo”, como a referida organização defende, um sistema teórico supostamente “científico” e dogmático, que nos isolaria em abstrações, negando a constante dialética entre a teoria e a ação. Para nós, os teóricos são referências para o pensar e o agir de nossa organização em nossa experiência contemporânea. Devem ser lidos, interpretados e apropriados a luz das preocupações atuais.
  6. 6. O companheiro faz confusão e trata com frouxidão a análise do conceito de especifismo, pondo um sinal de “igual” com os de ecletismo e sintetismo. Especifismo, em apertado resumo, traduz a ideia da Organização formada especificamente e unicamente de anarquistas, com unidade teórica e prática, em nível político para atuar no social. A Federação Anarquista Uruguaia (FAU) desenvolve o termo e o difunde para a América Latina. Em outras partes do mundo a organização só de anarquistas é conhecida por outros termos. Na organização especifista não cabe todo tipo de anarquistas, ou todos aqueles e aquelas que se dizem anarquistas. Não é, portanto, uma “colcha de retalhos”, conforme argumentado, pois nesta forma organizacional não cabem os anarquistas reprodutores de uma política autoritária e antiética presentes no seio da organização, ou mesmo individualistas, primitivistas e/ou anti-organizacionistas. Explicando ao companheiro, sintetismo é quando dentro de um mesmo agrupamento anarquista se encontram diferentes concepções do anarquismo distintas no âmbito teórico e que podem, mas não sempre, conflitar na prática, como já fora defendido pelo anarquista Sebastian Faure. Este não é o caso da ORL, que é, como explícito em nossos documentos, expresso em nossas ações planejadas e em nossa prática política, uma organização que busca constante unidade teórica e prática. Contudo, aparenta ser o caso do companheiro ao reivindicar o arcabouço teórico-conceitual e lingüístico do leninismo e do trotskismo, aliado a teóricos do anarquismo. Esta sim é, portanto, uma manifestação “ecletistista” e “sintetista”, uma vez que se arvora no Anarquismo, mas tem por base a fusão de teorias e conceitos completamente distintos e antagônicos.
  7. 7. O camarada tentou no último ano fraturar ou “rachar”, como preferem alguns militantes adeptos do trotskismo e do maoísmo, a organização assumidamente, fazendo, inclusive, a disputa de militantes para construir outro agrupamento. Nos últimos meses em que esteve na organização chegou a propor uma formação política interna com marcada linha teórica de outra organização. Isso demonstra que o companheiro já estava tendo contato direto e/ou íntimo com o grupo a quem solicita ingresso, mesmo se não tivesse ainda ingressado. O mesmo só saiu da ORL quando percebeu que seus objetivos não seriam concretizados.
  8. 8. Por fim, diz na carta que a ORL não tem uma teoria definida, nem aponta possibilidades de debate e formulação teórica, por não darmos importância à teoria para a luta social. A esta crítica resta respondermos e reiterarmos que, na realidade, apenas não nos interessa copiar ou aderir a algum programa político de outra organização, previamente formatado e distante das particularidades do nosso lugar e tempo de atuação. A construção da teoria se dá na prática de luta diária e não sentado em um divã, em busca da teoria perfeita para “aplicar” onde quer que seja.

Nesse sentido, com tantas divergências, entendemos que já era mais que chegada a hora da saída do companheiro da nossa organização. A Organização Política existe para potencializar a luta e, na medida em que nós, na avaliação do companheiro, estávamos seguindo o caminho errado e em que o mesmo atrapalhava, uma vez que não mais construía a Organização, sua saída era questão de tempo. Talvez o nosso maior erro neste processo tenha sido o de não tê-lo expulsado ao percebermos que seu alinhamento teórico e prático estava em confronto direto com o que defendemos. Agimos de modo igual com aqueles militantes que, por motivos vários, optaram por se desligar ou se afastar da ORL, esperando honestidade e fraternidade, quando na verdade deveríamos ter tido uma atitude mais correta e firme. Assumimos publicamente nosso erro.

Por fim, compreendemos que o companheiro não enfatizou o real motivo de sua saída da Organização, tal seja o seu alinhamento teórico e prático com uma organização política que tem seu arsenal teórico vinculado direta e explicitamente com matrizes de pensamento e prática no comunismo autoritário internacional.

Mentiras e dissimulações não toleramos, por isso perdemos nosso escasso tempo, respondendo tais leviandades que aqueles e aquelas que conhecem nossa militância sabem e já vieram discordar, de maneira solidária, entrando em contato e conversando conosco pessoalmente. Desejamos ao companheiro uma bela trajetória de luta e que, independente da organização que venha fazer parte, desenvolva uma militância séria e honesta, baseada na ética, no compromisso militante e na solidariedade. É o que esperamos de todo militante, independente da sua ideologia.

Esperamos sinceramente que esta resposta não seja tomada como mais uma briga de egos das quais o referido militante já tomou corpo historicamente, mas sim uma resposta clara e direta da nossa Organização. Caso este texto abra margem a outros questionamentos ou documentos dirigidos a nossa organização em torno desse assunto, seja pelo ex-militante ou pela organização que o companheiro pleiteia ingresso, desejamos prioritariamente responder-lhes de forma concreta, nos campos de luta em que atuamos, com nossa prática política.

Ao que importa, seguiremos firmes na luta cotidiana ao lado dos nossos companheiros e companheiras de luta do nosso povo, empenhados na construção do Anarquismo como ferramenta de transformação social, mais fundamentalmente na construção de um Povo Forte e cientes da grande tarefa revolucionária que devemos perseguir.

Saudações Libertárias, Fraternas e Solidárias.

Organização Resistência Libertária – ORL.

Fortaleza/CE, 03 de novembro de 2011.

Ata do Lançamento dos livros “Negras Tormentas…” e “Além de Partidos e Sindicatos” – dia 27/08/11

Retirado de:

http://www.cabn.libertar.org/?p=39

Florianópolis, 28/08/11

SEEB – Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários, 17:00 horas

Nos dias 26, 27 e 28 de agosto foi realizado nas cidades de Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre respectivamente, o lançamento do livro de Alexandre Samis, “Negras Tormentas: o Federalismo e o Internacionalismo na Comuna de Paris”, editado pela Hedra. Tivemos a satisfação de realizar a primeira atividade oficial do Coletivo Anarquista Bandeira Negra que contou com aproximadamente 50 pessoas. O debate dos autores foi mediado pelo compa Khaled que também apresentou o CABN e sua Carta de Princípios.

O livro de Samis traz de volta à luz uma das maiores experiências de organização da classe trabalhadora que pela autogestão formaram durante dias “o último levante de massas” e o primeiro episódio da luta pelo internacionalismo proletário. Segundo o Professor Wallace dos Santos, na apresentação de sua orelha, este livro “deve ser saudado com uma grande festa, tanto pela comunidade acadêmica como pelos leitores em geral.” Em sua apresentação, Alexandre Samis explica como o episódio da Comuna foi reconhecida como um processo de acumulação das reivindicações revolucionárias naquele período do século XIX. Sistematicamente ele analisa, clara e objetiva, como se dão os conceitos de internacionalismo e federalismo, destacando assim, a definição da autogestão com propósito de transformação social radicalizada. Este livro marca os 140 anos da Comuna de Paris, bem prefaciado por René Berthier, francês e pesquisador da Comuna. Alexandre Samis é doutor em História pela Universidade Federal Fluminense e professor do Colégio Pedro II. Também escreveu os livros Clevelândia: anarquismo, sindicalismo e repressão política no Brasil (Imaginário/Achaimé, 2002) e Minha pátria é o mundo inteiro: Neno Vasco, o anarquismo e o sindicalismo revolucionário em dois mundos (Letra Livre, 2009).

Como evento misto, tivemos a participação especial do nosso companheiro José Carlos Mendonça, pesquisador e técnico do Laboratório de Sociologia do Trabalho (LASTRO-UFSC) que também está lançando o livro “Alem de Partidos e Sindicatos: Organização Política em Anton Pannekoek”, editado pela Achiamé também este ano.

A duração do debate teve em quase 3 horas participações de estudantes, militantes de movimentos sociais e interessados em geral. Para a primeira apresentação do Coletivo Anarquista Bandeira Negra, esta atividade buscou contemplar e amplificar a divulgação de autores que seguem a linha pela transformação social na medida em que se discuta abertamente os contextos sociais e políticos, passado e presente, para novos núcleos formadores. O objetivo do CABN é a longo prazo a confluência, a nível social e político, catalização das frentes de luta junto aos movimentos sociais. Nascendo assim de forma minoritária mas solidificante, para construir a nossa prática e estratégica dentro dos preceitos do anarquismo especifista.Uma lista de presenças foi passada com o intuito das pessoas interessadas nas futuras atividades desenvolvidas pelo CABN estarem informadas. Também estavam à disposição de venda a preços módicos os exemplares de ambos livros.

Com o fim desta atividade que não seja considerada um fato isolado propomos que um novo encontro seja organizado pelo CABN a fim de ampliar novos debates para uma formação mais concreta da pró-organização específica anarquista em Florianópolis, para que se somem e contribuam junto ao FAO – Fórum do Anarquismo Organizado. Desta forma, fica agendada um próximo encontro para o dia 24/09.

Longa Vida ao Coletivo Anarquista Bandeira Negra!

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[CABN] Apresentação e Carta de Princípios do Coletivo Anarquista Bandeira Negra

Retirado de:

http://www.cabn.libertar.org/?p=27

Apresentação e Carta de Princípios do Coletivo Anarquista Bandeira Negra

Posted on 19/08/2011 by

 

Nossa concepção organizativa do anarquismo

Todos os membros e interessados em integrar o coletivo devem concordar, defender e aplicar esta concepção de anarquismo, que consideramos o mínimo necessário para o início dos trabalhos conjuntos. O anarquismo defendido pelo grupo vincula-se à proposta do anarquismo especifista do Fórum do Anarquismo Organizado (FAO), composto por diversas organizações pelo Brasil, dentre elas a Federação Anarquista Gaúcha e a Federação Anarquista do Rio de Janeiro. Esse anarquismo é compreendido a partir dos princípios políticos e ideológicos e pela sua estratégia geral colocados a seguir.

Princípios políticos e ideológicos

a) Do anarquismo como ideologia e, assim, como um sistema de idéias, motivações e aspirações que possuem necessariamente uma conexão com a ação no sentido de transformação social, a prática política.

b) De um anarquismo em permanente contato com a luta de classes dos movimentos populares de nosso tempo e funcionando como ferramenta de luta e não como pura filosofia ou em pequenos grupos isolados e sectários.

c) De um conceito de classe que inclui todas as parcelas de explorados, dominados e oprimidos da nossa sociedade.

d) Da necessidade do anarquismo retomar seu protagonismo social e de buscar os melhores espaços de trabalho.

e) Da revolução social e do socialismo libertário como objetivos de longo prazo.

f) Da organização como algo indispensável e contrária ao individualismo e ao espontaneísmo.

g) Da organização específica anarquista como fator imprescindível para a atuação nas mais diversas manifestações da luta de classes. Ou seja, a separação entre os níveis político (da organização específica anarquista) e social (dos movimentos sociais, sindicatos, etc.).

h) Da organização anarquista como uma organização de minoria ativa, diferindo-se esta da vanguarda autoritária por não se considerar superior às organizações do nível social. O nível político é complementar ao nível social e vice-versa.

i) De que a principal atividade da organização anarquista é o trabalho/inserção social em meio às manifestações de luta do povo.

j) De que a ética é um pilar fundamental da organização anarquista e que ela norteia toda a sua prática.

k) Da necessidade de propaganda e de ela ter de ser realizada nos terrenos mais férteis ao desenvolvimento do anarquismo.

l) Da organização funcionando com distintos níveis de participação/comprometimento, dando corpo a uma forma de organização em que o compromisso está diretamente associado com o poder de deliberação. Da mesma maneira, uma organização que proporcione uma interação eficiente com os movimentos populares.

m) De que a organização deve possuir critérios claros de entrada e posições bem determinadas para todos que queiram ajudar (níveis de apoio/colaborador).

n) Da autogestão e do federalismo para a tomada de decisões e articulações necessárias, utilizando a democracia direta.

o) A busca permanente do consenso, mas, não sendo possível, a adoção da votação como método decisório.

p) Do trabalho com unidade teórica, ideológica e programática (estratégica/de ação). A organização constrói coletivamente uma linha teórica e ideológica e da mesma forma determina e segue com rigor os caminhos definidos, todos remando o barco no mesmo sentido, rumo aos objetivos estabelecidos.

q) Do compromisso militante e da responsabilidade coletiva. Uma organização com membros responsáveis, que não é complacente com a falta de compromisso e a irresponsabilidade. Da mesma forma, a defesa de um modelo em que os militantes sejam responsáveis pela organização, assim como a organização seja responsável pelos militantes.

r) Os militantes que compõem a organização têm, necessariamente, de estar inseridos em um trabalho social, bem como se ocupar de atividades internas da organização (secretarias, etc.). [*]

[*] Durante o processo organizativo os membros que ainda não tiverem realizando trabalho social devem buscar realizá-lo discutindo coletivamente os espaços possíveis/desejáveis.

Estratégia geral

A estratégia geral do anarquismo que defendemos baseia-se nos movimentos populares, em sua organização, acúmulo de força, e na aplicação de formas de luta avançada, visando chegar à revolução e ao socialismo libertário. Processo este que se dá conjuntamente com a organização específica anarquista que, funcionando como fermento/motor, atua junto aos movimentos populares e promove as condições de transformação. Estes dois níveis (dos movimentos populares e da organização anarquista) podem ainda ser complementados por um terceiro, o da tendência, que agrega um setor afim dos movimentos populares.

Essa estratégia, portanto, tem por objetivo criar e participar de movimentos populares, defendendo determinadas concepções metodológicas e programáticas em seu seio, de forma que possam apontar para um objetivo de longo prazo, que se consolida na construção da nova sociedade.

Construindo um Grupo Anarquista Organizado (GAO)

O grupo anarquista organizado é a semente da organização anarquista. Propomos um caminho para iniciar um grupo anarquista organizado (GAO):

Divisão de tarefas básicas: os trabalhos internos regulares devem ser divididos entre os militantes. Isso evita que alguns fiquem sobrecarregados e outros com poucas tarefas, tornando a participação mais horizontal. Sugerimos algumas funções para o grupo:

a) companheiro de organização: encarregado de relatar os acordos e decisões das reuniões, repassá-los aos demais, montar um calendário, convocar as reuniões, organizar os materiais internos do grupo;

b) companheiro de propaganda: encarregado de pensar e propor políticas de comunicação e materiais de propaganda do grupo. Ex: boletim, site, panfletos;

c) companheiro de finanças: faz a tesouraria do grupo, arrecada as contribuições periódicas dos militantes, pensa formas de arrecadar grana e estrutura para o grupo;

d) companheiro de relações: cuida das cartas, caixa postal, e-mails, conversas com outros grupos anarquistas, de esquerda e/ou movimentos populares;

e) companheiro de formação política: encarregado do debate de formação interno do grupo, levanta temas, pesquisa e separa materiais, procura cursos, ajuda os demais em sua formação política, etc;

Esta divisão não é rígida. O companheiro de propaganda coordena o boletim, por exemplo, mas nada impede que os demais dêem idéias, escrevam, ajudem, etc. O mesmo vale para as demais funções.

Reunião: é fundamental que sejam regulares, pois é a única forma do grupo debater e planejar suas ações coletivamente.

Comunicação do grupo: abrir uma caixa postal para correspondência, um e-mail e site para internet e publicar um boletim, permitindo que o grupo seja conhecido pelas pessoas.

Método decisório: é a busca do consenso, com todos participando de forma igualitária do debate. Quando não se chegar ao consenso e a questão exigir decisão, vota-se o ponto e o grupo todo acata o que foi decidido. A posição minoritária e sua argumentação deverão constar em ata para avaliação posterior.

Tarefas básicas de cada militante: uma função interna (organização, finanças, propaganda, relações e formação política); uma militância externa social em alguma frente; participar das reuniões e contribuir com o grupo.

Propostas para o desenvolvimento dos trabalhos organizativos do Coletivo Anarquista Bandeira Negra:

  • Partindo de um critério mais qualitativo do que quantitativo, aproximar pessoas que possam aprofundar as discussões e constituir uma base sólida do coletivo.
  • Reunir, dentro deste critério, as pessoas interessadas no projeto para impulsionar o processo de organização.
  • Começar as atividades em dois eixos fundamentais:
    • Formação política.
    • Coordenação de trabalhos práticos.
  • Formação política: iniciaremos com o Curso de Formação Anarquista do FAO, que aborda os módulos “Formação da corrente libertária”, “História Social do Anarquismo”, “Teoria da Organização Política”, “Via estratégica e Poder Popular” e “Marco teórico e categorias de análise”. Após essa formação inicial, utilizaremos o programa de formação da FARJ/OASL, começando pelos módulos V e VI (Modelos de Organização Anarquista – Sintetismo e Especifismo), compreendendo as diferentes concepções de organização anarquista e aprofundando nossa proposta. Depois passaremos para o módulo VII (Trabalho e Inserção Social) para compreendermos o que é trabalho social, inserção social e como podemos potencializar nossos esforços nesse sentido. Importante apontar que paralelamente a este processo os militantes necessitarão investir também na sua auto-formação, com apoio dos companheiros do coletivo.
  • Coordenação de trabalhos práticos: verificar qual a militância e as afinidades de cada membro do grupo. A partir disso estabelecer aos poucos o que seriam as funções internas (organização, propaganda, relações, etc.) e quem ficaria responsável por elas, e as funções externas (trabalho/inserção social). A sugestão é que, no início, cada um ocupasse a função interna que tem mais facilidade e que se colocasse em discussão todos os espaços em que a militância do coletivo está atuando ou mesmo que tem condições de atuar. Diferenciar movimentos populares (movimentos sociais, sindicatos, etc.) de coletivos e outros grupos. O ideal é que já no curto prazo se consiga ajustar uma função interna e uma função externa para cada militante, e que se possa também começar a discutir uma atuação organizada nos setores que forem escolhidos como espaços de intervenção do grupo. Verificar, além do trabalho social, quais outros trabalhos poderão ser empreendidos pela militância.
  • Atividades públicas: organizar eventos para dar expressão ao coletivo e agregar gente ao processo. Além dessas atividades, estruturar um Grupo de Estudos do Anarquismo, de caráter aberto ao público interessado.
  • Aproximação com o FAO: pedir uma aproximação formal com o FAO e manter contato principalmente com as organizações do Sul, especialmente a de Joinville.
  • Participação na reunião do FAO de 10 anos, em 2012, integrando-o como um grupo ou organização constituída.
  • Participar do Ato do 55º Aniversário da Federação Anarquista Uruguaia (FAU), no final de Outubro, em Montevidéu.

Sugestão de prazos

Atividades de formação e coordenação dos trabalhos: 2 meses.

Pedido de aproximação ao FAO: após a constituição do grupo.

Maturação e fundação da organização: avaliar durante o processo, colocando como meta um período de 8 a 10 meses.

Contato:

E-mail: ca-bn@riseup.net

[CURITIBA] Lançamento do livro sobre os 140 Anos da Comuna de Paris

Na próxima sexta feria, dia 26 de agosto,  na Reitoria da UFPR (anfiteatro 900)- das 17H às 19H,  será lançado o livro “Negras Tormentas” (Editora Hedra) -, de autoria de Alexandre Samis. O professor da rede de ensino federal e doutor em história pela Universidade Federal Fluminense, militante da Federação Anarquista do Rio de Janeiro (FARJ), faz um resgate histórico dos 140 Anos da Comuna de Paris em seu livro, apresentando sua atualidade para as lutas sociais contemporâneas.

E por ocasião do lançamento, organizado pelo Coletivo Quebrando Muros, o Círculo de Estudos Libertário e o Fórum do Anarquismo Organizado, Samis estará presente para falar um pouco sobre sua pesquisa e debater junto ao público esse importante episódio da história de luta das classes exploradas. O livro será vendido a preços promocionais pelos organizadores da atividade e a banca de livros do Coletivo Anarquista Luta de Classes estará presente revendendo materiais.

Nos vemos lá!

Liberdade! Socialismo!

Campus Reitoria da UFPR – Rua Amintas de Barros – Centro – Prédio Pedro II – Anfi 900

horário: 17h as 19h.

IMPORTANTE: Após a atividade haverá uma Assembléia de Estudantes da UFPR, que neste momento se encontram em greve.