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Ata do Lançamento dos livros “Negras Tormentas…” e “Além de Partidos e Sindicatos” – dia 27/08/11

Retirado de:

http://www.cabn.libertar.org/?p=39

Florianópolis, 28/08/11

SEEB – Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários, 17:00 horas

Nos dias 26, 27 e 28 de agosto foi realizado nas cidades de Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre respectivamente, o lançamento do livro de Alexandre Samis, “Negras Tormentas: o Federalismo e o Internacionalismo na Comuna de Paris”, editado pela Hedra. Tivemos a satisfação de realizar a primeira atividade oficial do Coletivo Anarquista Bandeira Negra que contou com aproximadamente 50 pessoas. O debate dos autores foi mediado pelo compa Khaled que também apresentou o CABN e sua Carta de Princípios.

O livro de Samis traz de volta à luz uma das maiores experiências de organização da classe trabalhadora que pela autogestão formaram durante dias “o último levante de massas” e o primeiro episódio da luta pelo internacionalismo proletário. Segundo o Professor Wallace dos Santos, na apresentação de sua orelha, este livro “deve ser saudado com uma grande festa, tanto pela comunidade acadêmica como pelos leitores em geral.” Em sua apresentação, Alexandre Samis explica como o episódio da Comuna foi reconhecida como um processo de acumulação das reivindicações revolucionárias naquele período do século XIX. Sistematicamente ele analisa, clara e objetiva, como se dão os conceitos de internacionalismo e federalismo, destacando assim, a definição da autogestão com propósito de transformação social radicalizada. Este livro marca os 140 anos da Comuna de Paris, bem prefaciado por René Berthier, francês e pesquisador da Comuna. Alexandre Samis é doutor em História pela Universidade Federal Fluminense e professor do Colégio Pedro II. Também escreveu os livros Clevelândia: anarquismo, sindicalismo e repressão política no Brasil (Imaginário/Achaimé, 2002) e Minha pátria é o mundo inteiro: Neno Vasco, o anarquismo e o sindicalismo revolucionário em dois mundos (Letra Livre, 2009).

Como evento misto, tivemos a participação especial do nosso companheiro José Carlos Mendonça, pesquisador e técnico do Laboratório de Sociologia do Trabalho (LASTRO-UFSC) que também está lançando o livro “Alem de Partidos e Sindicatos: Organização Política em Anton Pannekoek”, editado pela Achiamé também este ano.

A duração do debate teve em quase 3 horas participações de estudantes, militantes de movimentos sociais e interessados em geral. Para a primeira apresentação do Coletivo Anarquista Bandeira Negra, esta atividade buscou contemplar e amplificar a divulgação de autores que seguem a linha pela transformação social na medida em que se discuta abertamente os contextos sociais e políticos, passado e presente, para novos núcleos formadores. O objetivo do CABN é a longo prazo a confluência, a nível social e político, catalização das frentes de luta junto aos movimentos sociais. Nascendo assim de forma minoritária mas solidificante, para construir a nossa prática e estratégica dentro dos preceitos do anarquismo especifista.Uma lista de presenças foi passada com o intuito das pessoas interessadas nas futuras atividades desenvolvidas pelo CABN estarem informadas. Também estavam à disposição de venda a preços módicos os exemplares de ambos livros.

Com o fim desta atividade que não seja considerada um fato isolado propomos que um novo encontro seja organizado pelo CABN a fim de ampliar novos debates para uma formação mais concreta da pró-organização específica anarquista em Florianópolis, para que se somem e contribuam junto ao FAO – Fórum do Anarquismo Organizado. Desta forma, fica agendada um próximo encontro para o dia 24/09.

Longa Vida ao Coletivo Anarquista Bandeira Negra!

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[CABN] Apresentação e Carta de Princípios do Coletivo Anarquista Bandeira Negra

Retirado de:

http://www.cabn.libertar.org/?p=27

Apresentação e Carta de Princípios do Coletivo Anarquista Bandeira Negra

Posted on 19/08/2011 by

 

Nossa concepção organizativa do anarquismo

Todos os membros e interessados em integrar o coletivo devem concordar, defender e aplicar esta concepção de anarquismo, que consideramos o mínimo necessário para o início dos trabalhos conjuntos. O anarquismo defendido pelo grupo vincula-se à proposta do anarquismo especifista do Fórum do Anarquismo Organizado (FAO), composto por diversas organizações pelo Brasil, dentre elas a Federação Anarquista Gaúcha e a Federação Anarquista do Rio de Janeiro. Esse anarquismo é compreendido a partir dos princípios políticos e ideológicos e pela sua estratégia geral colocados a seguir.

Princípios políticos e ideológicos

a) Do anarquismo como ideologia e, assim, como um sistema de idéias, motivações e aspirações que possuem necessariamente uma conexão com a ação no sentido de transformação social, a prática política.

b) De um anarquismo em permanente contato com a luta de classes dos movimentos populares de nosso tempo e funcionando como ferramenta de luta e não como pura filosofia ou em pequenos grupos isolados e sectários.

c) De um conceito de classe que inclui todas as parcelas de explorados, dominados e oprimidos da nossa sociedade.

d) Da necessidade do anarquismo retomar seu protagonismo social e de buscar os melhores espaços de trabalho.

e) Da revolução social e do socialismo libertário como objetivos de longo prazo.

f) Da organização como algo indispensável e contrária ao individualismo e ao espontaneísmo.

g) Da organização específica anarquista como fator imprescindível para a atuação nas mais diversas manifestações da luta de classes. Ou seja, a separação entre os níveis político (da organização específica anarquista) e social (dos movimentos sociais, sindicatos, etc.).

h) Da organização anarquista como uma organização de minoria ativa, diferindo-se esta da vanguarda autoritária por não se considerar superior às organizações do nível social. O nível político é complementar ao nível social e vice-versa.

i) De que a principal atividade da organização anarquista é o trabalho/inserção social em meio às manifestações de luta do povo.

j) De que a ética é um pilar fundamental da organização anarquista e que ela norteia toda a sua prática.

k) Da necessidade de propaganda e de ela ter de ser realizada nos terrenos mais férteis ao desenvolvimento do anarquismo.

l) Da organização funcionando com distintos níveis de participação/comprometimento, dando corpo a uma forma de organização em que o compromisso está diretamente associado com o poder de deliberação. Da mesma maneira, uma organização que proporcione uma interação eficiente com os movimentos populares.

m) De que a organização deve possuir critérios claros de entrada e posições bem determinadas para todos que queiram ajudar (níveis de apoio/colaborador).

n) Da autogestão e do federalismo para a tomada de decisões e articulações necessárias, utilizando a democracia direta.

o) A busca permanente do consenso, mas, não sendo possível, a adoção da votação como método decisório.

p) Do trabalho com unidade teórica, ideológica e programática (estratégica/de ação). A organização constrói coletivamente uma linha teórica e ideológica e da mesma forma determina e segue com rigor os caminhos definidos, todos remando o barco no mesmo sentido, rumo aos objetivos estabelecidos.

q) Do compromisso militante e da responsabilidade coletiva. Uma organização com membros responsáveis, que não é complacente com a falta de compromisso e a irresponsabilidade. Da mesma forma, a defesa de um modelo em que os militantes sejam responsáveis pela organização, assim como a organização seja responsável pelos militantes.

r) Os militantes que compõem a organização têm, necessariamente, de estar inseridos em um trabalho social, bem como se ocupar de atividades internas da organização (secretarias, etc.). [*]

[*] Durante o processo organizativo os membros que ainda não tiverem realizando trabalho social devem buscar realizá-lo discutindo coletivamente os espaços possíveis/desejáveis.

Estratégia geral

A estratégia geral do anarquismo que defendemos baseia-se nos movimentos populares, em sua organização, acúmulo de força, e na aplicação de formas de luta avançada, visando chegar à revolução e ao socialismo libertário. Processo este que se dá conjuntamente com a organização específica anarquista que, funcionando como fermento/motor, atua junto aos movimentos populares e promove as condições de transformação. Estes dois níveis (dos movimentos populares e da organização anarquista) podem ainda ser complementados por um terceiro, o da tendência, que agrega um setor afim dos movimentos populares.

Essa estratégia, portanto, tem por objetivo criar e participar de movimentos populares, defendendo determinadas concepções metodológicas e programáticas em seu seio, de forma que possam apontar para um objetivo de longo prazo, que se consolida na construção da nova sociedade.

Construindo um Grupo Anarquista Organizado (GAO)

O grupo anarquista organizado é a semente da organização anarquista. Propomos um caminho para iniciar um grupo anarquista organizado (GAO):

Divisão de tarefas básicas: os trabalhos internos regulares devem ser divididos entre os militantes. Isso evita que alguns fiquem sobrecarregados e outros com poucas tarefas, tornando a participação mais horizontal. Sugerimos algumas funções para o grupo:

a) companheiro de organização: encarregado de relatar os acordos e decisões das reuniões, repassá-los aos demais, montar um calendário, convocar as reuniões, organizar os materiais internos do grupo;

b) companheiro de propaganda: encarregado de pensar e propor políticas de comunicação e materiais de propaganda do grupo. Ex: boletim, site, panfletos;

c) companheiro de finanças: faz a tesouraria do grupo, arrecada as contribuições periódicas dos militantes, pensa formas de arrecadar grana e estrutura para o grupo;

d) companheiro de relações: cuida das cartas, caixa postal, e-mails, conversas com outros grupos anarquistas, de esquerda e/ou movimentos populares;

e) companheiro de formação política: encarregado do debate de formação interno do grupo, levanta temas, pesquisa e separa materiais, procura cursos, ajuda os demais em sua formação política, etc;

Esta divisão não é rígida. O companheiro de propaganda coordena o boletim, por exemplo, mas nada impede que os demais dêem idéias, escrevam, ajudem, etc. O mesmo vale para as demais funções.

Reunião: é fundamental que sejam regulares, pois é a única forma do grupo debater e planejar suas ações coletivamente.

Comunicação do grupo: abrir uma caixa postal para correspondência, um e-mail e site para internet e publicar um boletim, permitindo que o grupo seja conhecido pelas pessoas.

Método decisório: é a busca do consenso, com todos participando de forma igualitária do debate. Quando não se chegar ao consenso e a questão exigir decisão, vota-se o ponto e o grupo todo acata o que foi decidido. A posição minoritária e sua argumentação deverão constar em ata para avaliação posterior.

Tarefas básicas de cada militante: uma função interna (organização, finanças, propaganda, relações e formação política); uma militância externa social em alguma frente; participar das reuniões e contribuir com o grupo.

Propostas para o desenvolvimento dos trabalhos organizativos do Coletivo Anarquista Bandeira Negra:

  • Partindo de um critério mais qualitativo do que quantitativo, aproximar pessoas que possam aprofundar as discussões e constituir uma base sólida do coletivo.
  • Reunir, dentro deste critério, as pessoas interessadas no projeto para impulsionar o processo de organização.
  • Começar as atividades em dois eixos fundamentais:
    • Formação política.
    • Coordenação de trabalhos práticos.
  • Formação política: iniciaremos com o Curso de Formação Anarquista do FAO, que aborda os módulos “Formação da corrente libertária”, “História Social do Anarquismo”, “Teoria da Organização Política”, “Via estratégica e Poder Popular” e “Marco teórico e categorias de análise”. Após essa formação inicial, utilizaremos o programa de formação da FARJ/OASL, começando pelos módulos V e VI (Modelos de Organização Anarquista – Sintetismo e Especifismo), compreendendo as diferentes concepções de organização anarquista e aprofundando nossa proposta. Depois passaremos para o módulo VII (Trabalho e Inserção Social) para compreendermos o que é trabalho social, inserção social e como podemos potencializar nossos esforços nesse sentido. Importante apontar que paralelamente a este processo os militantes necessitarão investir também na sua auto-formação, com apoio dos companheiros do coletivo.
  • Coordenação de trabalhos práticos: verificar qual a militância e as afinidades de cada membro do grupo. A partir disso estabelecer aos poucos o que seriam as funções internas (organização, propaganda, relações, etc.) e quem ficaria responsável por elas, e as funções externas (trabalho/inserção social). A sugestão é que, no início, cada um ocupasse a função interna que tem mais facilidade e que se colocasse em discussão todos os espaços em que a militância do coletivo está atuando ou mesmo que tem condições de atuar. Diferenciar movimentos populares (movimentos sociais, sindicatos, etc.) de coletivos e outros grupos. O ideal é que já no curto prazo se consiga ajustar uma função interna e uma função externa para cada militante, e que se possa também começar a discutir uma atuação organizada nos setores que forem escolhidos como espaços de intervenção do grupo. Verificar, além do trabalho social, quais outros trabalhos poderão ser empreendidos pela militância.
  • Atividades públicas: organizar eventos para dar expressão ao coletivo e agregar gente ao processo. Além dessas atividades, estruturar um Grupo de Estudos do Anarquismo, de caráter aberto ao público interessado.
  • Aproximação com o FAO: pedir uma aproximação formal com o FAO e manter contato principalmente com as organizações do Sul, especialmente a de Joinville.
  • Participação na reunião do FAO de 10 anos, em 2012, integrando-o como um grupo ou organização constituída.
  • Participar do Ato do 55º Aniversário da Federação Anarquista Uruguaia (FAU), no final de Outubro, em Montevidéu.

Sugestão de prazos

Atividades de formação e coordenação dos trabalhos: 2 meses.

Pedido de aproximação ao FAO: após a constituição do grupo.

Maturação e fundação da organização: avaliar durante o processo, colocando como meta um período de 8 a 10 meses.

Contato:

E-mail: ca-bn@riseup.net

[CURITIBA] Lançamento do livro sobre os 140 Anos da Comuna de Paris

Na próxima sexta feria, dia 26 de agosto,  na Reitoria da UFPR (anfiteatro 900)- das 17H às 19H,  será lançado o livro “Negras Tormentas” (Editora Hedra) -, de autoria de Alexandre Samis. O professor da rede de ensino federal e doutor em história pela Universidade Federal Fluminense, militante da Federação Anarquista do Rio de Janeiro (FARJ), faz um resgate histórico dos 140 Anos da Comuna de Paris em seu livro, apresentando sua atualidade para as lutas sociais contemporâneas.

E por ocasião do lançamento, organizado pelo Coletivo Quebrando Muros, o Círculo de Estudos Libertário e o Fórum do Anarquismo Organizado, Samis estará presente para falar um pouco sobre sua pesquisa e debater junto ao público esse importante episódio da história de luta das classes exploradas. O livro será vendido a preços promocionais pelos organizadores da atividade e a banca de livros do Coletivo Anarquista Luta de Classes estará presente revendendo materiais.

Nos vemos lá!

Liberdade! Socialismo!

Campus Reitoria da UFPR – Rua Amintas de Barros – Centro – Prédio Pedro II – Anfi 900

horário: 17h as 19h.

IMPORTANTE: Após a atividade haverá uma Assembléia de Estudantes da UFPR, que neste momento se encontram em greve.

[CURITIBA] Primeiro Curso de Formação Política do Fórum do Anarquismo Organizado – Região Sul

Primeiro Curso de Formação Política do Fórum do Anarquismo Organizado – Região Sul

Reuniram-se em Curitiba, entre 23 e 24 de julho de 2011 algumas organizações especifistas do anarquismo brasileiro e também individualidades com afinidades com essa proposta para uma formação do Fórum do Anarquismo Organizado (FAO), conduzida pela Federação Anarquista Gaúcha (FAG) e organizada pelo Coletivo Anarquista Luta de Classes (CALC), de Curitiba. Além da FAG e do CALC, estiveram presentes as seguintes organizações: Federação Anarquista do Rio de Janeiro (FARJ), Organização Anarquista Socialismo Libertário (OASL), de São Paulo, Organização Dias de Luta, de Joinville, além de individualidades de Florianópolis e de outras regiões do sul/sudeste do Brasil com afinidade com a proposta do anarquismo especifista.

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Primeiro Curso de Formação Política do Fórum do Anarquismo Organizado – Região Sul

Curitiba 23-24 de julho de 2011

FORMAÇÃO REGIONAL DO FAO EM CURITIBA

Reuniram-se em Curitiba, entre 23 e 24 de julho de 2011 algumas organizações especifistas do anarquismo brasileiro e também individualidades com afinidades com essa proposta para uma formação do Fórum do Anarquismo Organizado (FAO), conduzida pela Federação Anarquista Gaúcha (FAG) e organizada pelo Coletivo Anarquista Luta de Classes (CALC), de Curitiba. Além da FAG e do CALC, estiveram presentes as seguintes organizações: Federação Anarquista do Rio de Janeiro (FARJ), Organização Anarquista Socialismo Libertário (OASL), de São Paulo, Organização Dias de Luta, de Joinville, além de individualidades de Florianópolis e de outras regiões do sul/sudeste do Brasil com afinidade com a proposta do anarquismo especifista.

Marcado pelo clima de solidariedade e pela calorosa recepção, todos os presentes puderam discutir durante dois dias distintos temas em torno do anarquismo que, por meio da dinâmica adotada, puderam apreender e debater significativamente, o que certamente acrescenta muito ao processo nacional brasileiro que o FAO vem buscando impulsionar desde 2002 quando foi fundado.

A formação teve uma agenda densa, com distintos temas que tinham por objetivo fortalecer teoricamente o conjunto da militância. Foi trabalhada em cinco eixos fundamentais: A formação política da corrente libertária (uma leitura do anarquismo), história social de processos revolucionários com participação anarquista, teoria da organização política anarquista, marco teórico e categorias de análise (método de análise) e via estratégica e poder popular. O eixo propaganda de intervenção foi tratado apenas brevemente.

Descrevemos muito sinteticamente os temas tratados para dar uma idéia ao leitor do conteúdo da formação.

Vale reforçar que a formação foi ministrada pela FAG e que, por isso, o conteúdo reflete a sua elaboração teórica, que tem muitas similaridades e algumas diferenças em relação a outras organizações que compõem o FAO. Nesse sentido, todo o conteúdo é de sua responsabilidade e queremos que ele contribua para o debate e o fortalecimento de nossa corrente.

Temos todo interesse de fortalecer o processo organizativo nas regiões e – no caso específico dessa formação conduzida pela FAG – de impulsionar, além do próprio Rio Grande do Sul, os estados de Santa Catarina, Paraná. Havendo interesse de aproximação nessas regiões, não deixe de nos escrever. Outras organizações do Brasil encarregam-se no momento de outras regiões; por isso, se houver interesse de militantes de outras regiões, entre em contato e daremos o encaminhamento necessário. Pedimos aos interessados que entrem em contato pelo e-mail fagsorg@riseup.net.

A FORMAÇÃO POLÍTICA DA CORRENTE LIBERTÁRIA (UMA LEITURA DO ANARQUISMO)
“Nós, os socialistas-anarquistas, existimos como partido separado,
como programa substancialmente constante, desde 1868,
quando Bakunin fundou a Aliança; e fomos nós os
fundadores e a alma do rumo antiautoritário da
‘Associação Internacional dos Trabalhadores’”
Errico Malatesta

Nesse tema, buscaram-se respostas às questões: O que é o anarquismo? Quando ele surgiu? Quais são suas principais correntes estratégicas-táticas?.

Contrapôs-se a definição do anarquismo como um fenômeno ahistórico, que o inscreve no campo das práticas e discursos de uma ética humanista e libertária, independente das condições sociais e históricas. Afirmou-se, distintamente, que foi na segunda metade do século XIX, quando o capitalismo industrial se desenvolvia na Europa e as primeiras grandes lutas da classe operária tinham lugar, que a ideologia anarquista nasceu e ganhou expressão em práticas políticas de oposição ao socialismo legalista, estatista ou reformista. O anarquismo é a corrente libertária do socialismo, forjada historicamente na luta de classes como crítica, proposta e ação revolucionária.

O anarquismo ganhou variantes estratégicas na sua dinâmica, agregou elementos de discurso para pensar novas circunstâncias histórico-concretas e incorporou/desenvolveu modos específicos de organizar e expressar o socialismo e a liberdade nos conflitos sociais segundo seu tempo e lugar. É a referência histórica de um tronco de princípios e fundamentos que marcam a continuidade dessa tradição revolucionária na luta contra o capitalismo e os modelos de dominação.

O desenvolvimento de suas principais correntes estratégicas-táticas se deu por algumas escolas, organizações e por alguns autores do campo popular e socialista: o mutualismo operário e o socialismo de P.-J. Proudhon; Bakunin, a Aliança da Democracia Socialista e sua atuação na Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT ou Primeira Internacional); o comunismo anarquista de Kropotkin e Malatesta; a propaganda pelo fato e o “individualismo tático” (não confundir com o individualismo de matriz individualista como o de Godwin, Stirner etc.); o sindicalismo revolucionário e o anarco-sindicalismo.

HISTÓRIA SOCIAL DE PROCESSOS REVOLUCIONÁRIOS COM PARTICIPAÇÃO ANARQUISTA

Os anarquistas têm protagonismo numa rica história social em que a guerra social, a revolução e o projeto constituíram lutas libertárias contra a ordem burguesa. A formação teve por objetivo a discussão, com alguma profundidade sobre alguns desses episódios da história social: Primeira Internacional, Comuna de Paris, o sindicalismo revolucionário no Brasil, Revolução Mexicana, Revolução Russa e Revolução Espanhola.

O espírito que permeou a discussão era o seguinte: buscar compreender os principais fatos do episódio revolucionário, avaliando quais foram seus aspectos positivos e negativos. Em suma, buscar aprender com esses processos e tirar deles lições que poderiam fortalecer as posições anarquistas em todos os sentidos e evitar que se cometam erros similares aos que foram cometidos no passado. Pontua-se abaixo alguns aspectos desses processos.

Primeira Internacional
A Associação Internacional dos Trabalhadores é a organização histórica do movimento operário revolucionário fundada em 1864 por inspiração do mutualismo proudhoniano e dos sindicalistas ingleses. A experiência dos internacionais dura até 1872, quando Bakunin, J. Guillaume, companheiros da ala federalista, são expulsos por um congresso fraudulento formado por uma maioria de aliados de Marx. As posições da ala federalista na Primeira Internacional lança as bases do que viria a se chamar sindicalismo revolucionário: solidariedade operária, independência de classe, táticas de ação direta.

Comuna de Paris
Uma insurreição popular toma conta da cidade de Paris, com apoio da Guarda Nacional e expulsa as autoridades. A Comuna de Paris é criada em 18 de março de 1871. A Comuna era constituída pelo comitê central de uma federação de delegados de bairro, com mandatos revogáveis e remuneração igual a dos operários. Louise Michel foi uma ativa militante da Comuna, junto de outros, tornando-se anarquista durante o processo de luta.

Sindicalismo revolucionário e luta libertária no Brasil
No Brasil, a atuação anarquista vai se dar, sobretudo, no impulso e na organização dos primeiros sindicatos de resistência e em grupos para a propaganda e a articulação na luta operária. Com o anarquismo, o movimento operário ganha definição classista, táticas de greve, sabotagem, forma uma cultura de resistência com imprensa, escolas, teatro. É realizado o Primeiro Congresso Operário Brasileiro, em 1906, de orientação sindicalista revolucionária, que funda a Confederação Operária Brasileira (COB). Lutas contra a carestia de vida, greves por redução de jornada, baixos salários, direitos sociais são heranças dessa época.

Magonistas e zapatistas na Revolução Mexicana
Em confronto com a ditadura do governo oligárquico de Porfírio Diaz, o latifúndio e os capitalistas estrangeiros, é desatada a revolução em 20 de novembro de 1910, tendo como precursora as agitações do Partido Liberal Mexicano (PLM). As forças liberais burguesas ocuparam a cena dos acontecimentos para chegar ao poder por uma revolução política. Uma disputa violenta entre coalizões e partidos se sucedeu até 1920. Os anarquistas do PLM e Ricardo F. Magón lançaram sua guerrilha do norte por uma revolução social. O exército camponês de Emiliano Zapata lutou por uma reforma agrária radical e fez do Estado de Morelos ao sul uma zona de municipalismo autônomo zapatista.

Revolução Russa e o poder dos sovietes
Pelo fim da guerra, contra a fome e a miséria que dilacerava o povo se levantou a luta revolucionária contra o Império dos czares russo. Em outubro de 1917 a revolução socialista colocou as fábricas na mão dos operários, deu a terra aos camponeses e liquidou os restos do sistema feudal. Socialistas e anarquistas faziam frente única até a que o partido comunista monopoliza o poder estatal e a sua burocracia usurpa o poder dos sovietes. O exército makhnovista da Ucrânia e os marinheiros de Kronstadt defendem até a morte os sovietes como órgãos de poder popular revolucionário.

Guerra e Revolução Espanhola
Quando as tropas reacionárias do general Franco se sublevam em 18 de julho de 1936 colidem imediata-mente com a radicalização do proletariado. Se abre uma guerra em toda a Espanha que para os anarquistas será a vez de aplicar seus planos de revolução social. O anarquismo mobilizava a maior força social de todo o país. Tinha na Confederación Nacional del Trabajo (CNT) cerca de 2 milhões de trabalhadores organizados pelo anarco-sindicalismo. A revolução espanhola fez coletivizações agrícolas no campo e socialização de cadeias produtivas na indústria e serviços públicos.

TEORIA DA ORGANIZAÇÃO POLÍTICA ANARQUISTA
“Possuir a capacidade política é ter consciência de si
como membro de uma coletividade,
afirmar a idéia que daí resulta e perseguir sua realização.”
P.-J. Proudhon

“O anarquismo é o viajante que toma as ruas da história
e luta com os homens tais como são e constrói
com as pedras que lhe proporciona sua época.”
Camillo Berneri

A tema da teoria da organização política foi tratado a partir de cinco eixos principais: prática política, organização específica, estratégia e tática, ação de massas e luta avançada. Serão pontuados alguns aspectos em relação aos eixos.

Prática política
A teoria aponta para a elaboração de conceitos e de um método para pensar e conhecer rigorosamente a realidade social e histórica. A análise profunda e rigorosa de uma situação concreta será um trabalho teórico o mais científico possível. A ideologia é composta de elementos de natureza não científica, que contribuem para dinamizar a ação. A expressão de motivações, a proposta de objetivos, de aspirações, de metas ideais, isso pertence ao campo da ideologia. Uma prática política eficaz exige o conhecimento da realidade (teoria), a postulação harmônica com ela de valores objetivos de transformação (ideologia) e meios políticos concretos para conquistá-la (prática política).

Organização específica anarquista
Para distinguir seu programa e não diluir sua bandeira na massa das forças sociais os anarquistas formam uma organização específica para a prática política. Por suas finalidades revolucionárias, a organização só reúne uma minoria ativa para poder atuar na luta pública e fora dela. A organização é uma federação de militantes com unidade ideológica e estratégico-tática, com democracia interna e uma disciplina consciente para suas realizações. O anarquismo organizado não substitui nem representa as organizações sindicais e populares. Dentro dessa concepção, não é um partido para tomar o poder, mas para ajudar a desenvolver capacidade política nas massas para construir poder popular.

Estratégia e tática
A atividade de uma organização política supõe uma previsão do devir possível dos acontecimentos durante um lapso mais ou menos prolongado, previsão que inclui a linha de ação a adotar pela organização frente a esses acontecimentos de maneira a influir sobre eles no sentido mais eficaz e adequado. Uma linha estratégica é, habitualmente, válida enquanto perdura a situação geral a qual corresponde. As opções táticas, na medida em que respondem a problemas mais precisos, concretos e imediatos, podem ser mais variadas, mais flexíveis. Sem dúvida não podem estar em contradição com a estratégia.

Ação de massas
A organização das forças populares, dos movimentos e organizações das classes oprimidas é parte fundamental da estratégia anarquista. Estar organizado socialmente e inserido nas lutas é um critério para atuar como força política. A classe trabalhadora e os movimentos sociais devem se organizar com independência de governos, partidos e patrões. A luta de massas é um espaço para fazer unidade em defesa dos interesses de classe. O anarquismo deve atuar como fermento moral e intelectual, levando seus métodos de luta e organização como um anticorpo de luta permanente contra a burocracia, o centralismo autoritário e a colaboracionismo. O lugar das ideologias na frente social não é o de protagonismo imediato, de partidarização, mas circulação de idéias, métodos e valores a partir das situações concretas que formam as experiências da luta.

Luta avançada
O problema da violência, como categoria da política, é fundamental num processo revolucionário que procure abater as estruturas de poder do capitalismo. A luta avançada é uma parte decisiva da prática política de uma organização revolucionária que atua também, com uma estratégia articulada e global, no nível das lutas populares. A luta revolucionária por objetivos socialistas deve contar com o protagonismo de um setor importante das massas e por isso não dispensa o trabalho político e ideológico no interior dos seus movimentos. A organização de uma força militante como elemento de choque e recurso técnico prévio da radicalização das lutas contra o poder burguês é uma exigência para uma estratégia vitoriosa de revolução social.

MARCO TEÓRICO E CATEGORIAS DE ANÁLISE (MÉTODO DE ANÁLISE)

Para o trabalho de análise, com a utilização de um método determinado, houve a necessidade de distinguir, como colocado, as categorias de ideologia e estratégia. A formação pontuou: O socialismo é uma aspiração, uma esperança dos povos e das classes oprimidas (ideologia). Mas precisa ter sua elaboração teórica, vinculada ao terreno do saber, dos estudos e da análise social rigorosa (teoria). Isso implica, portanto, ter claro quais são os elementos mais fixos que constituem a ideologia, e quais são os elementos teóricos, que funcionarão como uma caixa de ferramentas e que terão por objetivo proporcionar elementos para que se possa conhecer; nesse sentido, as ferramentas teóricas não têm, necessariamente, de ser anarquistas, ainda que se deva ter em conta a relação entre ideologia e teoria, ferramentas que devem proporcionar elementos para uma compreensão adequada do sistema, das formações sociais, da conjuntura. Nesse sentido, a teoria busca conhecer e a ideologia transformar.

Capitalismo como sistema de dominação
O capitalismo é um sistema. Sistema é um conceito para discernir o “núcleo duro”, a configuração dos elementos constitutivos que fundam e dão sentido a uma totalidade social. O capitalismo constitui um sistema de dominação que tem por constituição fundamental alguns elementos: Propriedade privada; exploração; disciplinamento dos corpos; a modalidade de representação, administração e justiça; um sistema coercitivo e repressivo; a existência de classes sociais; exclusão social. Esse sistema de dominação está formado por uma estrutura global formada por distintas esferas, entre elas: estrutura econômica; estrutura política-jurídica-militar; estrutura ideológica-cultural (idéias, representações, comportamentos, modo de informação, tecnologias de poder a ela unidas). Estrutura é o conjunto de elementos de uma organização social e suas relações, presentes no sistema de dominação. O capitalismo, concebido globalmente como sistema de dominação, possui agentes que impulsionam essa dominação em todas as esferas. Por exemplo: Política: organizações internacionais (FMI, Banco Mundial, OMC, União Européia, OTAN, etc); Economia: empresas transnacionais, bancos; Ideológico: conglomerados de mídia.

Interdependência das esferas
O método apresentado na formação baseia-se na interdependência das esferas e, portanto, entende o sistema como um todo no qual uma esfera influencia, sustenta e torna as outras dependentes. O sistema de dominação (capitalismo) é constituído por uma estrutura global formada por distintas esferas, estrutura esta que não têm determinação outra a não ser a interdependência. As distintas esferas da estrutura tem autonomia relativa, com elementos específicos que constituem no seu interior outras esferas menores. A dominância de uma estrutura sobre a outra não se estabelece a priori, é produto das análises respectivas. O sistema de dominação é dinâmico e atravessa várias etapas históricas mantendo elementos estruturais que o reproduzem de distintas maneiras.

Poder, dominação, resistência e as distintas esferas da sociedade
A estruturação da sociedade está baseada em última análise nas relações de poder e dominação, relações fundamentais que atravessam todas as esferas e configuram modos de articulação da estrutura global com seu característico núcleo duro. O poder circula por todo o corpo social, pelas diferentes esferas estruturadas. Vale dizer por todas as relações sociais. O poder está nas relações sociais, nos diferentes campos das relações sociais e o aparelho de Estado estaria contendo com toda sua dimensão, circulando pelo seu interior,certa síntese de poder dominante. Sendo assim, o poder não reside nas estruturas nem nas instituições, mas no campo das relações sociais. E não somente no político, mas também no econômico, ideológico, jurídico e todas as instituições do sistema. Teríamos assim poder no econômico, jurídico-político-militar, ideológico-cultural. Nesse sentido, há resistências nas distintas esferas que podem ser maiores ou menores, mais ou menos ameaçadoras ao sistema de dominação.

Poder e Estado
As instituições, os aparelhos, as estruturas não são amorfas, estão sempre penetradas pelo poder. Articulada a estrutura de produção, por exemplo, está o poder, as classes e as lutas. O aparelho de Estado contém certa síntese de poder dominante que circula no seu interior. Não se pode definir o Estado como o conjunto da sociedade e nem equiparar Estado e poder. O Estado é o lugar de “condensação” de diversos poderes, um lugar específico que tem sua própria “autonomia relativa” e que é capaz de manter e reproduzir privilégios de diferentes ordens. Sua dinâmica é centralizadora, apta só para dominação, sua função é repressora e controladora. Os conceitos básicos para o Estado o definem como monopólio da força repressiva organizada, da “justiça”, estrutura de privilégios, centralizadora, anuladora do que não controla.

Formações sociais e conjuntura
As formações sociais concretas são o campo da análise descritiva de sociedades históricas onde o sistema de dominação tem determinação em estado prático. O grupo de acontecimentos que marcam um momento específico das formações sociais e suas estruturas fundamentais formam a conjuntura.

Ideologia e sujeito
Determinados momentos históricos produzem com peso um conjunto articulado de idéias, representações, noções no interior do imaginário dos distintos sujeitos sociais. Um conjunto articulado de caráter imaginário, que toma a forma de “certezas” defendidas pelos mesmos sujeitos sociais. Isto é o que pode transformar estes sujeitos em protagonistas de sua própria história ou em sujeitos passivos e/ou disciplinados pelas forças dominantes. Isto é o que chamamos de ideologia (não confundir a ideologia da sociedade que se fala aqui com a ideologia anarquista, tratada anteriormente). Ideologia não é falsa consciência. O sujeito real não está representado na figura do “eu”, na consciência, mas é constituído na estrutura do inconsciente, isto é, nas formações ideológicas em que ele se reconhece. O que o sujeito vive e como vive cotidianamente, historicamente, no marco de determinados dispositivos, seria o elemento principal de mudança de sua consciência. É construindo força social e tomando ativa participação nela que se podem formar embriões da nova civilização ou do “homem novo”, de outro sujeito. Digamos que este é o tema de como se transforma a consciência, para usar a linguagem clássica. Pelo que tem se visto a economia por si não transforma a consciência. O que o sujeito vive e como vive cotidianamente, historicamente, no marco de determinados dispositivos, seria o elemento principal de mudança de sua consciência. O que está no centro da história não é o homem, mas as lutas de poder e economia. Os fazedores de história seriam especialmente classes (grandes coletivos) operando como forças sociais.

VIA ESTRATÉGICA E PODER POPULAR
“O socialismo sem liberdade é a escravidão e a brutalidade;
a liberdade sem socialismo é a injustiça e o privilégio.”
Mikhail Bakunin

O anarquismo postula no processo de lutas uma ruptura revolucionária com a ordem porque é condição para fazer um caminho de construção final de uma sociedade socialista e libertária. O processo revolucionário, na mesma medida que desarticula as estruturas de dominação, abre caminhos para a construção do poder popular, concebido como o poder revolucionário protagonizado pelas organizações populares. Onde o político e o social adquirem uma nova articulação que o assegure. A viabilidade desta concepção do poder popular está vinculada com uma definição determinada da ruptura revolucionária. Dela dependem tanto o curso que possa seguir o processo revolucionário como as características concretas do confronto com as forças repressivas do Estado. Vamos conceber a ruptura nos termos de uma insurreição popular. Essa opção implica uma maior, mais ampla e mais decisiva participação das organizações populares. A construção do poder popular requer a preparação das organizações populares destinadas ao seu exercício. Não se trata de dar o nome de “poder popular” as velhas e conhecidas formas de ação política e representação que excluem o povo de toda instância de decisão fundamental. Criar ou recriar, fortalecer e consolidar as organizações operárias e populares e defender seu protagonismo é ir fecundando, passo a passo, um socialismo com liberdade. Importa muito como se orienta e concretiza o trabalho político e social permanentemente. É próprio da estrutura política especial do Estado a separação entre sociedade e poder, povo e política, sua reprodução institucional e pelo discurso de uma autoridade superior atribuída de impessoalidade que regula a vida social. Uma estratégia de poder popular deve levar em conta a necessidade uma nova estruturação político-social que descanse no protagonismo das organizações populares e articule o poder em torno da participação das bases nas decisões fundamentais do processo político da sociedade. A revolução que queremos é uma revolução socialista e libertária, portanto delimita desde o princípio amigos e inimigos. Uma revolução anticapitalista e antiautoritária aponta inconfundivelmente ao desaparecimento das relações de dominação e, assim, contra a sobrevivência de todas as classes e camadas dominantes. É uma revolução que pretende o desaparecimento da burguesia como classe, o desaparecimento de latifundiários e capitalistas, castas militares e hierarquias estatais. A revolução socialista e libertária só pode encontrar combatentes nas classes oprimidas. A frente de classes oprimidas a que nos referimos se constitui como uma rede de relações permanente, ligada programaticamente, da multiplicidade de organizações de base capazes de expressar na luta os interesses imediatos destes setores sociais e de desenvolvê-los e aprofundá-los no sentido de metas e orientações do tipo transformador e socialista.

A CONSTRUÇÃO DO ANARQUISMO DE BASE ESPECIFISTA NO BRASIL

A formação realizada em Curitiba, conforme avaliação do FAO, foi uma experiência muito relevante. Realizada pela FAG anteriormente para seu conjunto de militantes, pôde ser aperfeiçoada e estendida a um coletivo mais amplo. Essa atividade de formação evidenciou a necessidade de construção de um material próprio de formação, capaz de potencializar aquilo que se convencionou chamar de anarquismo especifista no Brasil.

O momento parece bastante propício. O FAO constitui um espaço de debate e articulação entre organizações, grupos e indivíduos anarquistas que trabalham ou têm a intenção de trabalhar utilizando como base os princípios e a estratégia do anarquismo especifista. O objetivo maior do FAO é criar as condições para a construção de uma verdadeira organização anarquista no Brasil, de caráter especifista. Tarefa que sabemos não ser de curto prazo, mas que precisa ser iniciada desde já. Fazem parte do FAO hoje, cinco organizações pelo Brasil: Federação Anarquista Gaúcha (FAG), do Rio Grande do Sul; Coletivo Anarquista Zumbi dos Palmares (CAZP), de Alagoas; Rusga Libertária, do Mato Grosso; Federação Anarquista do Rio de Janeiro (FARJ), do Rio de Janeiro e a Organização Anarquista Socialismo Libertário (OASL), de São Paulo. Encontram-se em processo de aproximação organizações e grupos dos seguintes estados: Santa Catarina, Paraná, Ceará, Pernambuco, além de individualidades em outros estados. Portanto, esse momento tão importante para o anarquismo especifista que avança lutando e organizando, forjando as bases para uma unidade que permita constituir uma organização nacional.

Temos abertamente a intenção de fortalecer os estados em que estamos presentes e de conseguir aproximar a militância de outros estados, afim de fortalecer esse processo organizativo. Se você se interessa pelas nossas propostas, não deixe de entrar em contato!

Não tá morto quem peleia!
Arriba los que luchan!

Militância envolvida no Primeiro Curso de Formação Política da Região Sul
Fórum do Anarquismo Organizado – Brasil

http://www.vermelhoenegro.org

Declaração de Princípios e Intenções (FAO)
http://www.anarkismo.net/article/17346

Julho de 2011

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Atividade de Formação regional do FAO

Atividade de Formação regional do FAO

Retirado de: http://anarkismo.net/article/20110

Será realizado nos dias 23 e 24 de Julho no Paraná, uma atividade de Formação para militantes anarquistas e organizações dos Estados do RS, SC, PR, SP e RJ.

Logo do FAO

Será realizado nos dias 23 e 24 de Julho no Paraná, uma atividade de Formação para militantes anarquistas e organizações dos Estados do RS, SC, PR, SP e RJ.
A atividade é coordenada pelo Fórum do Anarquismo Organizado (FAO) para fortalecer a militância anarquista nos Estados.

Para maiores informações entre em contato:
fagsorg@riseup.net.

Pela Construção de um povo forte!
FAO

Desde Brasil ustedes tienen nuestro apoyo: Viva la FACA!

Desde Brasil ustedes tienen nuestro apoyo: Viva la FACA!

La Federacion Anarquista Gaucha (FAG) y las organizaciones que
componenel Foro del Anarquismo Organizado (FAO) en Brasil
saludan la Federación Anarco-Comunista de Argentina (FACA).

Quedamos contentos con lo desarrollo del anarquismo
especifista en Argentina y vuestras intenciones de
construcción federal y nacional.No e suna tarea fácil
la consolidación de una estructura orgánica en
país, pero compartimos con vosotros este mismo camino,
con lucidez y madurez,respectando las características
regionales y construyendo desde cada lugar una
organización sólida.

Nuestro esfuerzo en Brasil através del Foro del
Anarquismo Organizado (FAO) es parte de un proceso
de casi una década coordinando y buscando firmar lo
consenso sin perder de vista la construcción desde
abajo hace arriba.

En America Latina existe hoy un desarrollo importante
de nuestra corriente dentro del anarquismo y las
Jornadas Anarquistas 2011 representaran un paso muy
importante en este proceso. Juntamentecon las
organizaciones especificas anarquistas latino americanas,
buscamos una construcción teórica, política concreta,
para confluir esto en un ámbito de comunión.

Estamos juntos y asi seguiremos con mas fuerza, hermanos!
Por la construcción del Poder Popular! Por el socialismo
y la liberdad!
Viva la FACA!

Federação Anarquista Gaúcha – secretaria de relações
Fórum do Anarquismo Organizado – secretaria nacional

[CURITIBA] Concentração Nacional do Fórum do Anarquismo Organizado

Foi realizado o ato da Concentração Nacional do Fórum do Anarquismo Organizado na quinta, véspera do Natal (24.12.2010), voltado a distribuição do SOLI 25, que trouxe uma análise das últimas eleições e do futuro Governo PT-Dilma.

Distribuímos o jornal Socialismo Libertário no Terminal Guadalupe (Curitiba – PR) sem maiores contratempos e com boa recepção do povo trabalhador da nossa cidade.

Liberdade! Socialismo!
Coletivo Anarquista Luta de Classe.

[FAO] LUTAR E VENCER FORA DAS URNAS – CONCENTRAÇÃO NACIONAL DO FAO (23.12.2010)

LUTAR E VENCER FORA DAS URNAS – CONCENTRAÇÃO NACIONAL DO FAO (23.12. 2010 naPraça Santos Andrade as 16:30)

Dia 23, quinta-feiraCONCENTRAÇÃO NACIONAL DO FAO – Forum do Anarquismo Organizado.
Firmam e convocam:
Coletivo Zumbi dos Palmares – AL
Federação Anarquista do Rio de Janeiro – RJ
Federação Anarquista Gaúcha – RS
Rusga Libertária – MT
Vermelho e Negro – BA
Federação Anarquista de São Paulo – SP
Organização Resistência Libertária – CE
Coletivo Luta de Classes – PREm Curitiba,  Praça Santos Andrade às 16:30 horas.
Liberdade!
Socialismo!

Adesões Nacionais e Internacionais aos 15 anos da FAG

Adesões Nacionais e Internacionais aos 15 anos da FAG

CALC – Coletivo Anarquista Luta de Classe (PR)

 

Aos companheiros e companheiras de luta da FAG.

 

 

É com alegria que parabenizamos os companheiros e companheiras da FAG por esses 15 anos de VIDA. Com sua prática política reescrevem o Anarquismo nas lutas sociais contemporâneas, a partir de uma perspectiva de classe, sempre comprometida com o interesse d@s explorad@s, com a construção de um povo forte e com a organização popular.

 

 

Aqui em Curitiba, ao lançarmos o Coletivo Anarquista Luta de Classe, sempre tivemos como referência o trabalho das organizações anarquistas que hoje articulam o FAO, como a FAG a FARJ, sem esquecermos o trabalho da Federação Anarquista Uruguaia, há mais de 5 décadas expressando a resistência do povo uruguaio e, mais recentemente, apoiando a organização dos anarquistas no Brasil.

 

 

Esse trabalho político social, que hoje almejamos no CALC, já vem sendo realizado com muita determinação pelos noss@s compas gaúchos nesses 15 anos de “estrada”. Isso fica claro ao percebermos a sua presença e influência na luta e resistência do povo gaúcho, com sua participação nas lutas sindicais, estudantis, comunitárias, por reforma agrária e emprego, e também, em sua capacidade de articulação com as demais organizações anarquistas no Brasil e no exterior .

 

 

Se hoje a nossa classe ainda não tem nada a comemorar, nesses tristes

 

tempos de Lulismo, o exemplo de luta da FAG deve ser seguido, pois como falam @s compas: Não tá morto quem peleja!

 

 

Saúde e Anarquia! Liberdade e Socialismo!

CALC assina Declaração de Princípios e Intenções do FAO

Declaração de Princípios e Intenções do Fórum do Anarquismo Organizado
Declaração de princípios e intenções do Fórum do Anarquismo Organizado (FAO), aprovada no Encontro Nacional de 2010, ocorido em Porto Alegre.
O Fórum do Anarquismo Organizado (FAO) é um espaço de debate e articulação entre organizações, grupos e indivíduos anarquistas que trabalham ou têm a intenção de trabalhar utilizando como base os princípios e a estratégia do anarquismo especifista.
O objetivo maior do FAO é criar as condições para a construção de uma organização anarquista no Brasil. Tarefa que sabemos não ser de curto prazo, mas que precisa ser iniciada desde já.
No Encontro Nacional de 2010, realizado em Porto Alegre, os grupos e organizações presentes entenderam que era o momento de aprofundar a organicidade e prosseguir em relação aos objetivos previamente estabelecidos.
Por isso, após intensas discussões, deliberamos que deveríamos dar um salto qualitativo e ir além dos dois eixos propostos anteriormente: a organização e a inserção social. Entendendo que eles já estão incorporados em nossos grupos e organizações e que a questão da organização e da inserção social não são mais tão polêmicas nos meios anarquistas – e a atuação dos grupos e organizações e do próprio FAO contribuíram significativamente para isso –, decidimos dar mais um passo para a construção de uma organização de âmbito nacional, que sempre foi um de nossos objetivos.
O passo seguinte é, para nós, aprofundar a organicidade, e foi assim que decidimos adotar o especifismo, como forma de organização anarquista para os grupos e organizações do FAO, estabelecendo princípios políticos e ideológicos que definem, em nossa concepção, tanto o anarquismo, como essa opção organizativa. Com esse objetivo, o Encontro Nacional reformulou a definição do FAO (ainda que ele continue sendo um fórum), estabeleceu seus princípios, assim como a estratégia a ser defendida, e reviu seus compromissos. Abaixo seguem as resoluções do Encontro em torno desses temas.
DECLARAÇÃO DE PRINCÍPIOS E INTENÇÕESFÓRUM DO ANARQUISMO ORGANIZADOUm processo em construção
O Fórum do Anarquismo Organizado (FAO) existe desde 2002 e, até 2010, foi um espaço de articulação entre indivíduos, grupos e organizações anarquistas, que concordavam com dois eixos fundamentais: a organização e a inserção social. Foram esses dois eixos nos deram fundamentos teóricos e práticos nesses oito anos; lutar para organizar e organizar para lutar foram as consignas utilizadas para agregar a militância e nortear nossos grupos e organizações.
Lutar para Organizar!


“Nós já o repetimos: sem organização, livre ou imposta,
não pode existir sociedade; sem organização consciente
e desejada, não pode haver nem liberdade, nem garantia de que
os interesses daqueles que vivem em sociedade sejam respeitados.
E quem não se organiza, quem não procura a cooperação dos outros
e não oferece a sua, em condições de reciprocidade
e de solidariedade, põe-se necessariamente em estado
de inferioridade e permanece uma engrenagem inconsciente
no mecanismo social que outros acionam a seu modo, e em sua vantagem.”

Errico Malatesta

A questão da organização é muito antiga no meio anarquista. Há mais de cem anos Malatesta já abordava o tema. Por mais que nos pareça uma questão simples, ainda há muita confusão a respeito e tem muita gente que sinceramente pensa que anarquismo é contra qualquer forma de organização, que organização seria burocracia, autoritarismo, etc. Isso é compreensível, afinal de contas, os modelos de organização concretos que as pessoas conheceram (como os partidos autoritários, centralizados e eleitoreiros) não animam ninguém a pensar no tema. Mas é necessário romper com isso, perceber que esta foi apenas “uma” forma de organização e não “a” forma.

O anarquismo sempre teve outras formas de organização, horizontais, participativas e federativas; basta olharmos Bakunin, Malatesta, Makhno, a Federação Anarquista Ibérica, a Federação Anarquista Uruguaia, os anarquistas sindicalistas, etc. Já é hora da necessidade de nos organizarmos superar o medo de nos burocratizarmos. Discutir organização hoje em dia não é somente uma questão de retomar a história do anarquismo, mas, sobretudo uma necessidade real. Diante de um sistema articulado, bem informado e com capacidade operativa, não podemos ficar atomizados.

“Permanecer isolado, agindo ou querendo agir cada um por sua conta, sem se entender com os outros, sem preparar-se, sem enfeixar as fracas forças dos isolados, significa condenar-se à fraqueza, desperdiçar sua energia em pequenos atos ineficazes, perder rapidamente a fé no objetivo e cair na completa inanição.” (Malatesta, 1897)

Além disso, a organização multiplica nossas forças, nos permite a prevenção e defesa diante da repressão – por sinal, cada vez mais forte – e torna real a solidariedade tantas vezes apenas escrita e falada. Sabemos que existem vários/as anarquistas contrários à idéia de organização, em sua maioria anarquistas individualistas. Não são mais ou menos anarquistas do que nós por isso, apenas anarquistas de outro tipo, de outra concepção. Que eles sigam seu caminho. Nós seguiremos o nosso com todo direito de fazê-lo. Porque pensamos que para enfrentar este sistema capitalista é preciso estar organizados.

Organizar para lutar! Inserção e militância social
“(…) favorecer as organizações populares de todo tipo
é a conseqüência lógica de nossas idéias fundamentais
e, assim, deveria fazer parte integrante de nosso programa.”
Errico Malatesta


O anarquismo é composto por uma diversidade de correntes, isso é uma verdade. Mas também é verdade que nem todas elas se dispõem a trabalhar junto à nossa classe, ao nosso povo. Historicamente, tivemos momentos de presença anarquista muito forte na Ucrânia com a makhnovitschina, na Revolução Espanhola, na Revolução Mexicana, com o sindicalismo revolucionário por toda a América Latina, isso para não falar de inúmeras outras experiências. Em todos estes casos, que são referência – ao menos teórica – para todos os anarquistas, existiram anarquistas organizados, com postura classista e com atuação social decidida. Pode-se afirmar que em todos os casos onde o anarquismo foi expressivo havia inserção e militância social.

Vivemos uma época em que a miséria se aprofunda cada vez mais, o abismo entre as classes é maior hoje do que há cem anos atrás. 85% da população mundial é pobre ou miserável. Somente no Brasil existem 40 milhões de pessoas que vivem abaixo da linha da miséria. As manifestações desta miséria são brutais e estão aí para quem quiser ver.

Não perdemos a capacidade de nos indignar, de nos revoltar diante destas agressões permanentes, “não ficaremos na nossa” ou “cada um na sua”, até porque sofremos diretamente com tudo isso. Pensamos que o anarquismo tem algo a dizer sobre esta realidade. Pensamos que o anarquismo tem propostas e que ele vive nesta realidade e não fechado em ambientes seguros e distantes do mundo concreto.

Os anarquistas têm exercido diversas formas de atuação. Muitos mantêm relações entre si, publicam boletins, promovem encontros libertários, colocam páginas na internet, editam livros, criam canais de informação alternativos, etc. Tudo isso é importante e necessário. Mas será que temos dado a devida atenção a um tipo de militância que é a fundamental: a atuação social junto aos movimentos populares, nos bairros, escolas, universidades, espaços de trabalho, etc? Felizmente existem anarquistas que já fazem isso de várias formas, mas sinceramente pensamos que é pouco, e não falamos isso sobre os outros anarquistas, nos incluímos entre aqueles que precisam melhorar e aprofundar a inserção e militância social. Pensamos que todas as atividades de contatos, publicações, encontros, livros se enriqueceriam muito se estivessem articuladas com uma atuação social por parte dos anarquistas. Há diversos grupos e organizações anarquistas que têm buscado se inserir socialmente há vários anos. Existem diversas experiências de atuação social acumuladas nos últimos anos, do movimento sem-teto ao movimento estudantil, dos bairros de periferia ao trabalho sindical, nas lutas contra o neoliberalismo, anarquistas têm estado presentes e isso nos permite discutir melhor o tema.

Por isso tudo pensamos que é fundamental discutir como os anarquistas podem atuar socialmente, que relações se estabelecem entre os anarquistas e os movimentos sociais, que tipos de atuação seriam mais ou menos interessantes, etc. Sobretudo pensamos que os anarquistas não farão a revolução sozinhos, e que se não tivermos uma militância nas lutas de nossa classe, não teremos chance alguma.

O Encontro Nacional de 2010 e o salto qualitativo

No Encontro Nacional de 2010, realizado em Porto Alegre, os grupos e organizações presentes entenderam que era o momento de aprofundar a organicidade e prosseguir em relação aos objetivos previamente estabelecidos.

Por isso, após intensas discussões, deliberamos que deveríamos dar um salto qualitativo e ir além dos dois eixos propostos anteriormente: a organização e a inserção social. Entendendo que eles já estão incorporados em nossos grupos e organizações e que a questão da organização e da inserção social não são mais tão polêmicas nos meios anarquistas – e a atuação dos grupos e organizações e do próprio FAO contribuíram significativamente para isso –, decidimos dar mais um passo para a construção de uma organização de âmbito nacional, que sempre foi um de nossos objetivos.

O passo seguinte é, para nós, aprofundar a organicidade, e foi assim que decidimos adotar o especifismo, como forma de organização anarquista para os grupos e organizações do FAO, estabelecendo princípios políticos e ideológicos que definem, em nossa concepção, tanto o anarquismo, como essa opção organizativa. Com esse objetivo, o Encontro Nacional reformulou a definição do FAO (ainda que ele continue sendo um fórum), estabeleceu seus princípios, assim como a estratégia a ser defendida, e reviu seus compromissos. Abaixo seguem as resoluções do Encontro em torno desses temas.

O que é o FAO?

O Fórum do Anarquismo Organizado (FAO) é um espaço de debate e articulação entre organizações, grupos e indivíduos anarquistas que trabalham ou têm a intenção de trabalhar utilizando como base os princípios e a estratégia do anarquismo especifista.

O objetivo maior do FAO é criar as condições para a construção de uma organização anarquista no Brasil. Tarefa que sabemos não ser de curto prazo, mas que precisa ser iniciada desde já.

Nossa concepção organizativa do anarquismo

Todos os grupos e organizações do FAO, assim como aqueles interessados em ser membros, devem concordar, defender e aplicar esta concepção de anarquismo, que consideramos o mínimo necessário para o início dos trabalhos conjuntos. O anarquismo defendido pelo FAO é compreendido a partir dos princípios políticos e ideológicos e pela sua estratégia geral colocados a seguir.

Princípios políticos e ideológicos

A compreensão, a defesa e/ou a aplicação dos seguintes pontos:

a) Do anarquismo como ideologia e, assim, como um sistema de idéias, motivações e aspirações que possuem necessariamente uma conexão com a ação no sentido de transformação social, a prática política.

b) De um anarquismo em permanente contato com a luta de classes dos movimentos populares de nosso tempo e funcionando como ferramenta de luta e não como pura filosofia ou em pequenos grupos isolados e sectários.

c) De um conceito de classe que inclui todas as parcelas de explorados, dominados e oprimidos da nossa sociedade.

d) Da necessidade do anarquismo retomar seu protagonismo social e de buscar os melhores espaços de trabalho.

e) Da revolução social e do socialismo libertário como objetivos finalistas de longo prazo.

f) Da organização como algo imprescindível e contrária ao individualismo e ao espontaneísmo.

g) Da organização específica anarquista como fator imprescindível para a atuação nas mais diversas manifestações da luta de classes. Ou seja, a separação entre os níveis político (da organização específica anarquista) e social (dos movimentos sociais, sindicatos, etc.).

h) Da organização anarquista como uma organização de minoria ativa, diferindo-se esta da vanguarda autoritária por não se considerar superior às organizações do nível social. O nível político é complementar ao nível social e vice-versa.

i) De que a principal atividade da organização anarquista é o trabalho/inserção social em meio às manifestações de luta do povo.

j) De que a ética é um pilar fundamental da organização anarquista e que ela norteia toda a sua prática.

k) Da necessidade de propaganda e de ela ter de ser realizada nos terrenos férteis.

l) Da lógica dos círculos concêntricos de funcionamento, dando corpo a uma forma de organização em que o compromisso está diretamente associado com o poder de deliberação. Da mesma maneira, uma organização que proporcione uma interação eficiente com os movimentos populares.

m) De que a organização deve possuir critérios claros de entrada e posições bem determinadas para todos que queiram ajudar (níveis de apoio /colaborador).

n) Da autogestão e do federalismo para a tomada de decisões e articulações necessárias, utilizando a democracia direta.

o) A busca permanente do consenso, mas, não sendo possível, a adoção da votação como método decisório.

p) Do trabalho com unidade teórica, ideológica e programática (estratégica / de ação). A organização constrói coletivamente uma linha teórica e ideológica e da mesma forma, determina e segue com rigor os caminhos definidos, todos remando o barco no mesmo sentido, rumo aos objetivos estabelecidos.

q) Do compromisso militante e da responsabilidade coletiva. Uma organização com membros responsáveis, que não é complacente com a falta de compromisso e a irresponsabilidade. Da mesma forma, a defesa de um modelo em que os militantes sejam responsáveis pela organização, assim como a organização seja responsável pelos militantes.

r) Os militantes que compõem a organização têm, necessariamente, de estar inseridos em um trabalho social, bem como se ocupar de atividades internas da organização (secretarias, etc.)

Estratégia geral

A estratégia geral do anarquismo que defendemos baseia-se nos movimentos populares, em sua organização, acúmulo de força, e na aplicação de formas de luta avançada, visando chegar à revolução e ao socialismo libertário. Processo este que se dá conjuntamente com a organização específica anarquista que, funcionando como fermento/motor, atua conjuntamente com os movimentos populares e proporciona as condições de transformação. Estes dois níveis (dos movimentos populares e da organização anarquista) podem ainda ser complementados por um terceiro, o da tendência, que agrega um setor afim dos movimentos populares.

Essa estratégia, portanto, tem por objetivo criar e participar de movimentos populares defendendo determinadas concepções metodológicas e programáticas em seu seio, de forma que possam apontar para um objetivo de tipo finalista, que se consolida na construção da nova sociedade.

Compromissos do FAO

1. Estimular e realizar o debate sobre o anarquismo especifista no Brasil, apontando para necessidade de construir uma organização anarquista de âmbito nacional.

2. Apoiar a formação de grupos anarquistas organizados, apontando para sua organicidade.

3. Trabalhar pela aproximação, articulação prática e unificação destes grupos e organizações no âmbito estadual ou regional num primeiro momento.

4. Trabalhar, na medida das possibilidades reais, com os diferentes níveis da luta revolucionária anarquista: trabalho de propaganda, trabalho teórico e, o mais importante deles, o trabalho social, nas frentes e áreas escolhidas.

5. Lutar pela construção de uma organização anarquista brasileira dotada de projeto político comum, com peso sócio-político e presença nacional mais ampla possível.

6. Estabelecer relações fraternas e solidárias com organizações anarquistas internacionais, sobretudo as latino-americanas, cuja realidade nos é mais próxima.

Construindo um Grupo Anarquista Organizado (GAO)

No Brasil todo, existem centenas e talvez milhares de pessoas que se identificam e são simpáticas ao anarquismo. Uma força potencial que muitas vezes não é efetiva devido à dispersão em que os anarquistas se encontram. Não fundaremos uma organização anarquista num passe de mágica, antes disso é preciso que existam grupos anarquistas organizados (GAO) e coordenados entre si. O grupo anarquista organizado é a semente da organização anarquista.

O FAO se dispõe a apoiar os indivíduos anarquistas que sentem o sangue ferver diante das injustiças e que estão cansados de nada ou pouco poder fazer ou permanecerem isolados. Propomos um caminho para iniciar um grupo anarquista organizado (GAO):

Número de pessoas. Identifique pessoas que você conhece, que podem ser afins ao projeto. Chame uma reunião para debater a construção de um grupo, apoiada na leitura do material. Quanto mais gente melhor, mas não é preciso esperar para se formar um grupo. Com três pessoas é possível começá-lo, sempre trabalhando para mais gente ingressar.

Identidade do GAO. Com a proposta prosperando, o GAO já pode ter nome, bandeira e simbologia, para que seja reconhecido por outras pessoas.

Divisão de tarefas básicas. Os trabalhos internos regulares podem ser divididos entre os militantes. Isso evita que alguns fiquem sobrecarregados e outros com poucas tarefas, tornando a participação mais horizontal. Sugerimos algumas funções para um grupo a partir de cinco pessoas (grupos menores ou maiores se adaptam a sua realidade).


a) companheiro de organização: encarregado de relatar os acordos e decisões das reuniões, repassá-los aos demais, montar um calendário, convocar as reuniões, organizar os materiais internos do grupo;

b) companheiro de propaganda: encarregado de pensar e propor políticas de comunicação e materiais de propaganda do grupo. Ex: boletim, site, panfletos;

c) companheiro de finanças: faz a tesouraria do grupo, arrecada as contribuições periódicas dos militantes, pensa formas de arrecadar grana e estrutura para o grupo;

d) companheiro de relações: cuida das cartas, caixa postal, e-mails, conversas com outros grupos anarquistas, de esquerda e/ou movimentos populares;
e) companheiro de formação política: encarregado do debate de formação interno do grupo, levanta temas, pesquisa e separa materiais, procura cursos, ajuda os demais em sua formação política, etc;

Esta divisão não é rígida. O companheiro de propaganda coordena o boletim, por exemplo, mas nada impede que os demais dêem idéias, escrevam, ajudem, etc. O mesmo vale para as demais funções.
Reunião

. É fundamental que sejam regulares, pois é a única forma do grupo debater e planejar suas ações coletivamente. Pode ser semanal ou quinzenal, de preferência em local fixo, onde o grupo esteja tranqüilo e sem interferências de fora.Comunicação do grupo

. Abrir uma caixa postal para correspondência, um e-mail para internet e publicar um boletim, mesmo que seja uma modesta folha frente e verso xerocada, é um ótimo começo e permite que o grupo seja conhecido pelas pessoas. Outro material importante é escrever uma declaração de princípios do grupo.Método decisório

. É busca do consenso, com todos participando de forma igualitária do debate. Quando não se chegar ao consenso e a questão exigir decisão, vota-se o ponto e o grupo todo acata o que foi decidido. A posição minoritária e sua argumentação deverão constar em ata para avaliação posterior.Tarefas básicas de cada militante

. Uma função interna (organização, finanças, propaganda, relações e formação política); uma militância externa, social em alguma frente (falaremos disso mais adiante); participar das reuniões e contribuir com o grupo.Avançando de Grupo para Organização

Este salto de qualidade pode se dar de duas maneiras:

I) Com o crescimento do GAO

Nos estados e regiões onde não existem outros grupos anarquistas ou então quando os demais grupos anarquistas forem avessos à proposta de organização e atuação social, a única forma de se constituir uma organização é através do crescimento do GAO, cujo objetivo é sempre avançar.

Alguns elementos servem para averiguar a maturidade: crescimento numérico (mais ou menos 20 militantes regulares), regularidade, afinidade e confiança desenvolvida na militância, expansão das frentes de inserção social, melhoria da formação política, etc.

Com isso tudo o GAO pode dar um salto qualitativo, subdividindo-se em núcleos, criando um conselho que reúna delegados destes núcleos e ampliando sua esfera de ação. É fundamental que a passagem de GAO para organização reflita um avanço real e não apenas os desejos da militância. Ser um grupo de fato, apenas com nome ou sigla de organização ou federação é propaganda enganosa, um voluntarismo sem base real que facilmente cai no ridículo. A transição de grupo para organização anarquista é um processo, entretanto, os grupos se definem autonomamente. A transição implica uma diferença qualitativa no processo de construção, mas não hierárquica.

II) Pela aproximação, articulação prática e unificação entre diferentes grupos anarquistas organizados

Nos estados e regiões onde existem dois ou mais grupos anarquistas, a proposta é que se trave contato com os demais indivíduos e grupos anarquistas conversando sobre a proposta do FAO. Falamos aqui de regiões próximas, que não necessariamente precisam ser no mesmo estado, apenas próximas. Ex: Goiás e Distrito Federal, grupos situados nas fronteiras entre 2 estados, etc.

Estes contatos e conversas podem avançar mais ou menos. Alguns podem rejeitar categoricamente nosso projeto, outros mostrarem interesse e ao mesmo tempo dúvidas e críticas parciais. Com estes últimos deve-se avançar no diálogo e se possível criar um FAO estadual ou regional que reúna estes grupos, tire tarefas práticas conjuntas, debata o projeto e trabalhe pela unificação.

Para se inserir e militar socialmente

Todos os militantes do GAO devem ter sua militância junto aos movimentos sociais. As tarefas internas já mencionadas são importantes, mas não bastam e não podem servir de desculpa para o militante “fugir” da militância social. Queremos com isso evitar que alguns fiquem apenas com questões internas ou mais “agradáveis” e outros com a militância social, o que pode dar origem a “burocratas informais”.

É importante que o grupo avalie e concentre suas forças para que o trabalho social dê resultados e se evite assumir mais tarefas de inserção do que aquelas que pode sustentar. Isso torna necessária a escolha de algum(ns) segmento(s) prioritários para a inserção social. Quando dizemos prioritários, não se trata de imaginar este ou aquele segmento é por excelência destinado a realizar a revolução social, mas sim concentrar forças em algum trabalho que avaliamos ter mais potencial de transformação.

No entanto, com crescimento e amadurecimento devemos buscar incidir nos mais amplos segmentos. A intenção é que o GAO discuta o tipo de trabalho a ser realizado, verificando o que é mais viável (no bairro, numa escola, universidade, fábrica, ocupação, etc.) em função da realidade de cada um. É sempre recomendável iniciar um trabalho de inserção em bases onde os militantes estejam naturalmente dentro, ou seja mais fácil de se inserirem. Também levar em conta a necessidade deste trabalho ser contínuo e num local geográfico fixo. É importante que esteja claro desde o primeiro momento, qual frente de atuação é mais importante e mais se adapta as características das pessoas que compõe o grupo.

Alguns exemplos de frentes e áreas onde atuar As frentes são espaços de atuação onde a nossa militância se realiza. Por exemplo: movimento estudantil, movimento sindical ou de trabalhadores, movimentos sem-teto, rádios comunitárias, bairros de periferia em associações, comitês de luta, etc. Na frente comunitária podemos trabalhar com questões como moradia, saúde, alimentação, água, luz, saneamento básico, transporte, ecologia social, comunicação, cultura, educação, direitos humanos, racismo, gênero, etc. Tudo dependerá da demanda específica de cada local e do nosso projeto político.

Neste texto, nos limitamos a discutir, de forma geral, a inserção e militância social, pois seria impossível descrever, mesmo em linhas gerais, uma proposta de atuação para a cada uma delas. Há muito material produzido pelos membros do FAO sobre estas várias frentes, experiências a compartilhar e apoio para quem está se envolvendo. Materiais e informações sobre a atuação de cada frente específica pode ser obtido entrando em contato com os membros do FAO.

Quer conhecer mais? Quer participar?

Se você leu este material e se interessou, não importa que você seja apenas um indivíduo ou pertença a algum grupo ou organização; não importa se você já é um anarquista declarado ou alguém que se interessou por anarquismo apenas recentemente; entre em contato conosco.

Você com certeza pode ser importante para luta e tem muito a contribuir!

O projeto anarquista para nós está acima de questões pontuais ou pessoais. O FAO já está caminhando, mas não está pronto e acabado, e jamais fechado a quem possa se interessar. Sabemos e somos os maiores interessados em corrigir erros, aprimorar o projeto e incorporar novas contribuições, mais gente na discussão.

Se você tem dúvidas, discorda em parte do que foi exposto até aqui, te convidamos a dialogar, a nos conhecer melhor. Em síntese, a postura do FAO é construtiva, aberta ao diálogo e contra o sectarismo. Acreditamos que somente nestas bases poderemos criar condições para a construção de uma verdadeira organização anarquista, que não seja uma mera sigla ou um gueto.


Fórum do Anarquismo Organizado, 2010
http://www.vermelhoenegro.org
 

Assinam esta declaração os grupos e organizações que hoje compõem o Fórum do Anarquismo Organizado:

Coletivo Anarquista Zumbi dos Palmares (AL)
cazp.wordpress.com
Caixa Postal 136
CEP: 57020-970
Maceió-AL

Federação Anarquista do Rio de Janeiro (RJ)
http://www.farj.org
Caixa Postal 14576
CEP: 22412-970
Rio de Janeiro-RJ

Federação Anarquista Gaúcha (RS)
http://www.vermelhoenegro.org/fag/

Rusga Libertária (MT)
http://rusgalibertaria.blogspot.com

Vermelho e Negro (BA)
http://vermelhoenegrofao.wordpress.com
Caixa Postal 280
CEP 44001-970
Feira de Santana-BA

Outras organizações anarquistas do Brasil que nos apóiam e com quem mantemos relações fraternas e solidárias:

Coletivo Para Além do Estado e do Mercado (PAEM) (MS)
http://www.coletivopaem.blogspot.com
Caixa Postal 17
CEP 79804-970
Dourados-MS

Federação Anarquista de São Paulo (FASP) (SP)
http://www.anarquismosp.org
Caixa Postal 52552
CEP 08010-971
São Paulo-SP

Organização Resistência Libertária (ORL) (CE)
http://www.resistencialibertaria.org
Caixa Postal 12155
Fortaleza-CE

Pró Coletivo Anarquista Organizado de Joinville (SC)
http://pro-cao.blogspot.com/

Coletivo Anarquista Luta de Classes (Curitiba)
Caixa Postal 272
CEP 80010-010
Curitiba-PR

Contato da Secretaria Nacional do FAO: secfao@riseup.net