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[CAB] DECLARAÇÃO DO IV ENCONTRO NORDESTE DAS ORGANIZAÇÕES ANARQUISTAS ESPECIFISTAS

Retirado de: http://www.resistencialibertaria.org/index.php?option=com_content&view=article&id=112:declaracao-do-iv-encontro-nordeste-das-organizacoes-anarquistas-especifistas&catid=89:documentos-regionais

DECLARAÇÃO DO IV ENCONTRO NORDESTE DAS ORGANIZAÇÕES

ANARQUISTAS ESPECIFISTAS

De 14 a 16 de novembro realizamos o IV Encontro Nordeste das Organizações Anarquistas Especifistas. Desta vez também contamos com a presença do Coletivo Anarquista Ademir Fernando (CAAF) da Bahia e da região Norte, o Núcleo Anarquista Resistência Cabana (NARC). O Encontro foi marcado pela comemoração dos 5 anos de existência da Organização Resistência Libertária (ORL), bem como evidenciou a confluência das análises realizadas pelas 6 organizações políticas presentes acerca do período recente das lutas sociais no Brasil e seus apontamentos futuros.

Vale ressaltar nossa imensa alegria e avanço politico de ter presente a companheirada do norte do país, que reassume seu posto na luta – porque já vem de uma geração anterior do anarquismo especifista. Retoma os trabalhos em um rico encontro de gerações fraternalmente associadas pelo sincero e combativo espirito anarquista fundado em princípios caros a nossa tradição, como são o apoio mútuo, a solidariedade e independência de classes, a ação direta, a autogestão, entre tantos outros que nos nutrem para continuar na luta pelo socialismo libertário.

Nosso internacionalismo, entretanto, não nos faz deixar de refletirmos sobre o solo em que pisamos. Salvando as devidas diferenças históricas, as regiões Norte e Nordeste guardam inúmeras semelhanças desde a origem da invasão brasileira, onde, deveria ser explorado ao máximo ambas as regiões, sem necessidade de contrapartida. Hoje ainda temos que lidar com uma estrutura arcaica que mantém altos índices de analfabetismo e sucateamento escolar, jovens vítimas de armas de fogo, insuficiência e precariedade no acesso à saúde pública, desnutrição e “comercialização da seca” em pleno século XXI, traços estes marcantes de uma herança coronelista e provinciana. Estas e outras questões ampliam a necessidade de pensarmos para além do teto, sem tirarmos os pés do chão. As imagens vendidas pelos grandes empresários e governantes destas regiões contrastam com a realidade da classe oprimida que sobrevive com suor no rosto e sede de luta. Nesse cenário, nossa estratégia especifista vem avançando, pois pensamos o todo sem deixarmos de considerar os sotaques e particularidades distintas, que se unem na luta anticapitalista pela construção de um Povo Forte e pelo Socialismo Libertário.

Este rico encontro regional e geracional nos possibilitou melhor compreender que “junho não começou em junho”: as jornadas de lutas populares já vêm de longa data! Não cremos nas palavras tão difundidas de que o gigante acordou, porque a periferia nunca dormiu: ela precisa estar sempre muito alerta para continuar resistindo aos terrorismos do estado, diuturnamente! Afirmar que o povo acordou seria a negação das inumeráveis batalhas cotidianas e históricas presentes no Brasil (e em todo o mundo, porque internacionalista!), de norte a sul. São as lutas indígenas, quilombolas, das mulheres, dxs obreirxs, dxs desempregadxs, dxs sem teto, sem terra, entre outrxs oprimidxs que se confundem, se encontram, sofrem e resistem a toda sorte de serem as periferias dos poderes centralizadores.

Mesmo assim, a tendência majoritária da opinião pública fabricada consiste no esquecimento de nossa ancestral luta contra a dominação. Exemplo recente desta combatividade invisibilizada são os setores (porque alguns estão fragilizados) dos povos originários no norte do país em enfrentamento às forças do capital que só estabelecem relações predatórias, levando-os, no limite, ao suicídio coletivo. As demonstrações desta autodestruição são muitas e cada vez mais crescentes, ancoradas, por exemplo, em uma lógica neodesenvolvimentista que casa com as identidades de países emergentes aspirando “sentar à mesa” das chamadas superpotências, retroalimentando os ciclos de dominação global. O BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) é uma expressão destes agrupamentos de interesses de capitais transnacionais na sua busca por força a fim de fazer frente aos estados mais fortes até então.

Há várias ações de sustentação em âmbito local e regional deste panorama atual do capitalismo globalizado. O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) é só uma pequena parte em escala nacional do que na América do Sul esta sendo chamado de Iniciativa para Integração da Infraestrutura Regional da América do Sul (IIRSA). Esta iniciativa pode ser considerada uma nova Aliança para o Livre Comercio das Américas (ALCA), porém muito mais astuciosa e eficiente, uma vez que figura como se fosse um processo livre do sul da América em seu próprio benefício, utilizando-se, inclusive, do discurso da integração regional com referências a notáveis figuras que se firmaram neste imaginário como mártires da luta contra o colonialismo e pela independência.

Estão sendo construídas rotas diversas para a facilitação do fluxo de matérias-primas em nosso subserviente capitalismo extrativista e importador de produtos. Os megaeventos entram nesta cadeia produtiva econômica colaborando politicamente para que se gere uma série de pressões sociais no espaço urbano, materializando as políticas de higienização social e gentrificação das cidades. Quem se localiza na periferia do poder é jogado ainda mais para escanteio, empurradxs cada vez mais para as margens territoriais deste mundo hegemonizado pela injustiça!

Nos campos e nas cidades, as forças predatórias do capital se expandem. A UHE Belo Monte (na bacia do rio Xingu, município de Altamira no Pará) é um caso emblemático dentro desta nossa leitura, porque é expressão destes megaempreendimentos alimentados pelo neodesenvolvimentismo que ignora o respeito à natureza e aos modos de vida dos povos indígenas, ribeirinhos, caboclos e camponeses em geral.

Já as manifestações iniciadas em junho de 2013, bastante midiatizadas, deram maior visibilidade a diversas questões e contradições sociais existentes, bem como inúmeras bandeiras de luta. Em meio à Copa das Confederações da FIFA no “país do futebol”, adveio uma ebulição social inesperada que levou às ruas multidões de pessoas, rompendo com um período de refluxo de grandes movimentações no meio urbano. Contudo, a maré de levantes deve ser analisada com profundidade em relação ao seu conteúdo político no sentido de não ficamos a mercê dos movimentos transitórios. Devemos aprender mais e melhor a desenvolver as forças sociais na perspectiva de pôr fim aos sistemas de dominação.

O modelo de manifestação vendido pela “opinião pública” consistiu na ampla marcha cívica, na participação passiva, na passeata pela liberdade abstrata, em detrimento das pautas sociais vivas, embora em muitas cidades o estopim tenham se dado a partir de problemas específicos, como o Passe Livre e a Copa do Mundo. Restou evidenciado o discurso pacifista do “não vandalismo”, a tímida presença de movimentos sociais e organizações sindicais de base, o recrudescimento da repressão policial, midiática e judicial, regado por um forte nacionalismo febril que pairou no ar. Precisamos de mais agudeza na análise e dureza na atuação para revirar o jogo! Diante da ampla repressão e toda sorte de perseguições sofridas pelo povo lutador, foi inevitável também o desgaste da imagem do Estado e dos Governos, tanto no cenário local quanto internacional, em um momento em que o Brasil se lança em forte campanha no panorama exterior como um grande país em vias de desenvolvimento, sediando diversos eventos mundiais, a exemplo das Copas e da Olimpíada.

Na dinâmica das lutas, ficamos mais convencidxs de que a nossa forma de lutar sempre será colocada à prova, porque o processo histórico julga implacavelmente a legitimidade de nossa presença, ombro a ombro com a classe. O rechaço aos partidos políticos é um exemplo disso: é fruto da falta de referência que estas mesmas organizações construíram. Nós anarquistas não podemos ser responsabilizadxs por isto. Este entendimento exige a indispensável e profunda autocrítica. Todavia, fomos atacadxs por várias forças autoritárias, de direita e de esquerda, em suas incapacidades de sequer dar respostas e se fazerem funcionais no processo. Não entramos nestas querelas. O que precisamos é que nossa análise possa alertar para compreensão dos diferentes papéis e as táticas possíveis de luta, bem como apontar alianças sociais e ferramentas que ampliem as forças pela construção do Poder Popular. Faz-se necessário muita humildade, coesão, coragem e disposição para aprender na luta. Assim a classe faz tremer o poder dominador!

Neste sentido, ressaltamos a importância de sempre pensar/atuar com vistas ao curto, médio e longo prazo. Aqui situa-se o debate acerca da tática Black Bloc, que equivocadamente tem sido entendida como um grupo, movimento, etc. Trata-se de uma ferramenta de luta, que possui limitações, mas que deve estar a serviço da resistência popular frente às forças de repressão do Estado acionadas quando rompemos o controle mental e nos fazemos multidões nas ruas. Não esqueçamos que os aparelhos policial-militares de manutenção da ordem vigente fundam-se na astuta lógica do monopólio da violência “legítima” pelo estado em “defesa da sociedade”, mas que atuam contra esta mesma.

O ano 2014 mostra-se com fortes indicações de que terá conjuntura mais radicalizada, uma vez que ocorrerá a Copa do Mundo, será ano de eleições, haverá encontro do BRICS em Fortaleza a fim de criar seu banco, dentre outros fatores. Para este cenário, devemos tentar nos antecipar afim de garantir meios de reverter ganhos das lutas imediatas em conquistas políticas para a perspectiva do Poder Popular.

Devemos estar atentxs às outras formas de atuação e organização, porém não esquecendo as nossas experiências históricas, para não cairmos no erro de sempre começarmos do zero, tentando “reinventar a roda”. Não podemos nos furtar em dizer: o que aparece como novidade agora (ação direta, autogestão, federalismo, etc.) é herança histórica de nossxs companheirxs que deram suas vidas na luta por um mundo sem dominação e por isto tiveram abafadas suas vozes, invisibilizadxs sua história. E hoje vêm à tona estas imagens, em um período de grande desgaste desta falsa democracia, que nada mais é do que a atualização histórica da organização da violência dominadora.

Que nos preparemos mais e melhor para 2014, pois será um ano repleto de situações comuns a este contexto que apresentamos! Os mecanismos de controle e repressão estão sendo bastante calibrados para que o povo não perturbe o fluxo dos negócios neoliberais. A legislação antiterror também se faz simbólica neste sentido, pois consiste em mais um passo na criminalização das lutas sociais. Nossa força de luta deve ser maior para dar lições necessárias às elites! Precisamos de mais organização para fazer vencer e pôr-nos em movimento por um mundo sem dominação!

Não podemos recuar!

 Fortalecer a resistência popular para realizar um bom combate!

 Avante as/os que lutam!

Lutar, Criar, Poder Popular!

 Vida longa ao anarquismo desde o Norte/Nordeste!

Assinam esta declaração:

Coletivo Anarquista Ademir Fernando (CAAF) – Bahia

Coletivo Anarquista Núcleo Negro (CANN) – Pernambuco

Coletivo Anarquista Zumbi dos Palmares (CAZP) – Alagoas

Coletivo Libertário Delmirense (COLIDE) – Alagoas

Organização Resistência Libertária (ORL) – Ceará

Núcleo Anarquista Resistência Cabana (NARC) – Pará

Reunidas em Fortaleza, Ceará, nos dias 14, 15 e 16 de novembro de 2013.

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[CABN] Saudação do Coletivo Anarquista Bandeira Negra (SC) ao Congresso de Fundação da CAB

Retirado de: http://www.anarkismo.net/article/23101

Saudação do Coletivo Anarquista Bandeira Negra ao Congresso de Fundação da Coordenação Anarquista Brasileira.

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Companheiros e companheiras,

É com muita alegria e orgulho que saudamos todas e todos nesta manhã que marca uma etapa significativa na história do anarquismo brasileiro, com a fundação da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB).

Nós do Coletivo Anarquista Bandeira Negra, organização específica anarquista com presença em três cidades de Santa Catarina (Florianópolis, Joinville e Chapecó), temos menos de um ano de vida, mas sabemos do salto organizativo para a militância anarquista de nossas cidades proporcionado pela nossa modesta organização.

Este salto organizativo, impulsionando e estimulando nossa atuação, só foi possível graças ao apoio e a experiência acumulada nesses 10 anos de FAO. Sem este referencial e todos os aportes oferecidos, sem dúvida ainda estaríamos fragmentados e desorganizados. Cabe então nosso mais profundo agradecimento às organizações e pessoas que muito contribuíram neste processo.

Fundado em Agosto de 2011, o CABN é fruto de um processo iniciado em 2008, no qual a Federação Anarquista do Rio de Janeiro (FARJ) teve um papel especial, contribuindo em nossa formação e auxiliando através de sua rede de apoio no estabelecimento de contatos entre anarquistas de Curitiba, Florianópolis e Joinville. Podemos dizer que a FARJ foi e ainda é um exemplo motivador para nós, motivo pelo qual cabe um agradecimento especial.

Em Abril de 2009, graças aos contatos realizados dentro da rede apoio da FARJ, foi realizado o I Colóquio do Anarquismo Social, nas cidades de Curitiba, Florianópolis e Joinville, contando com a presença da FARJ e da Federação Anarquista Gaúcha (FAG), que passaria a partir dali a nos representar um referencial importantíssimo. Por isso, registramos também nossos agradecimentos especiais aos compas da FAG.

Após o colóquio houve a fundação do Coletivo Anarquista Luta de Classe (CALC) em Curitiba, e da Organização Dias de Luta, em Joinville, que mais tarde se somaria ao CABN. Fruto do mesmo processo, nos reconhecemos como uma organização irmã do CALC, que também merece uma menção especial de agradecimento.

Em Florianópolis o processo organizativo foi mais lento e apenas em 2011 tivemos o amadurecimento necessário para fundarmos nosso coletivo.

Destacamos a importância dos cursos de formação do Fórum do Anarquismo Organizado (FAO), sem os quais não teríamos a segurança política requerida no processo. A fundação da Federação Anarquista de São Paulo, hoje Organização Anarquista Socialismo Libertário (OASL), mais próxima historicamente de nossa fundação, merece ser lembrada como um estímulo a mais neste processo.

Depois tivemos contato com as demais organizações: Rusga Libertária, Organização Resistência Libertária, Coletivo Anarquista Núcleo Negro e Coletivo Anarquista Zumbi dos Palmares, ampliando horizontes da nossa experiência política. Nosso mais profundo agradecimento a todos vocês.

Hoje, aqui estamos, firmes e convictos da fundamental importância deste Congresso. Convictos também do papel de destaque que a Coordenação Anarquista Brasileira deverá adquirir no cenário político em que estamos inseridos. Convictos e solidários aos irmãos e irmãs anarquistas que aceitaram o desafio de fundar esta Coordenação. Contem com nossas forças e apoio naquilo que for preciso.

Por fim, manifestamos nosso agradecimento à Federação Anarquista Uruguaia, exemplo maior de militância anarquista sem o qual muito provavelmente não estaríamos aqui.

Viva a Coordenação Anarquista Brasileira!
Lutar, criar, poder popular!

Rio de Janeiro, 08 de Junho de 2012.

 

 

[CAB] Organizações que Compõem a CAB

Retirado de: http://www.anarkismo.net/article/23025

Algumas informações sobre as organizações que compõem a Coordenação Anarquista Brasileira.

Federação Anarquista Gaúcha (FAG)
Rio Grande do Sul
Fundada em 18 de novembro de 1995

A Federação Anarquista Gaúcha (FAG) é uma organização política anarquista fundada em 18 de novembro de 1995, fruto de um contexto de dispersão de diversos grupos libertários espalhados por diferentes regiões do Rio Grande do Sul – Juventude Libertária, que reunia militantes de Porto Alegre, Canoas, Guaíba e Gravataí; Grupo Ativista Libertário (GAL), de Alegrete, e Coletivo de Ação Libertária (CALIBRE), de São Leopoldo – que, em meio a um ambiente de discussões e procura de alternativas de organização para a militância anarquista, acabam por se reunir e fundar a FAG.

A experiência histórica da Federação Anarquista Uruguaia e seu modelo de organização, o especifismo, tiveram peso em nossa formação. Nesses mais de 15 anos, estivemos presentes e inseridos num conjunto de experiências da luta popular. Contribuímos modestamente na formação do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR); na construção de diversos Comitês de Resistência Popular nas periferias de Porto Alegre; organizando os estudantes em conjunto com a companheirada da Tendência Libertária Mobilização Direta (TLMD) nas universidades e escolas secundaristas, e militando por outro modelo de universidade nas vilas da grande Porto Alegre através do Coletivo pela Universidade Popular (COLUP); participamos ombro a ombro das lutas contra a ALCA e o FMI e também de uma série de lutas com movimentos como o Movimento dos Trabalhadores Desempregados (MTD) e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

Além de nossa inserção social, mantivemos, de 2001 até 2010, nossa antiga sede federal, como local de reunião, oficina de propaganda, debates de formação, cultura e encontro. Nas dependências da sede, mantínhamos a biblioteca A Conquista do Pão, hoje instalada em nossa nova sede, o Ateneu Libertário A Batalha da Várzea. Desde o início, não perdemos de vista o trabalho de propaganda, com cartazes, murais de rua e campanhas diversas. Sempre apostamos na construção do anarquismo nacionalmente e, por isso, militamos em 1996 no Processo da Construção Anarquista Brasileira, com diversos grupos, que acabou se mostrando precipitado e não tendo continuidade.

Hoje, a FAG tem militância nas frentes sindical, estudantil, de comunicação (rádios comunitárias) e do campo (MST), atuando cotidianamente na defesa da organização de base, da democracia e da ação direta, da independência e solidariedade de classe, tendo como horizonte a construção do Poder Popular.

Coletivo Anarquista Zumbi dos Palmares (CAZP)
Alagoas
Fundado em 2 de março de 2002

O Coletivo Anarquista Zumbi dos Palmares (CAZP) teve como berço de sua militância a atuação no movimento estudantil; ao longo desta experiência, militou na base do movimento, em entidades e agrupações estudantis. Praticando também a solidariedade de classe, sempre buscamos estar junto às lutas dos movimentos sociais em Alagoas.

Hoje, além da presença nas lutas estudantis, também estamos organizados nas frentes sindical e comunitária. A primeira, junto a trabalhadores da educação e da saúde, buscando resgatar uma prática sindical com protagonismo e democracia de base. Na comunitária, buscamos o empoderamento popular através de atividades que têm envolvido cultura e comunicação, em especial. No ano de 2008, junto a outros companheiros, participamos da fundação, em nosso estado, da tendência Resistência Popular, fato fundamental para a abertura das frentes sindical e comunitária.

No âmbito político, ingressamos no FAO em 2005, momento que nos permitiu dar saltos tanto na militância social, quanto no nível político-organizativo, gradativamente passando a assumir os contornos de uma organização especifista. Inseridos no processo de construção nacional da militância anarquista de matriz especifista desde as terras alagoanas, temos como norte contribuir para que a força política e social do anarquismo encontre ressonância nas lutas das classes oprimidas por justiça e liberdade.

Rusga Libertária (RL)
Mato Grosso
Fundada em 2006

A Rusga Libertária (RL) é uma organização anarquista com os princípios de ação direta, democracia direta, federalismo, internacionalismo, classismo e ética libertária, que foi fundada no início do ano de 2006 como fruto de um longo processo de discussão e reflexão entre os anarquistas cuiabanos que têm como intenção retomar o anarquismo social e militante que tanto impulsionou a luta do povo oprimido no passado. Atuamos em Cuiabá, capital do estado de Mato Grosso.

Antes mesmo de atuar como organização política, já existia militância em um bairro na periferia de Cuiabá, com a construção sendo feita por companheiros que viriam construir a RL; esse trabalho, iniciado há mais de 10 anos, existe até os dias de hoje.

Atuamos na luta pelo transporte público, com as bandeiras do passe livre e contra o aumento abusivo da passagem, uma luta que teve grandes movimentações na cidade em um determinado período. Depois disso, nos dividimos em frentes de atuação.

Tínhamos militantes atuando na frente estudantil, no período das ocupações de reitorias e da luta contra a reforma universitária, trabalho que durou até o ano de 2009, quando resolvemos dar prioridade a outras frentes de atuação. Essa mudança de prioridade implicou o nosso foco na construção de uma luta mais combativa no bairro Parque Geórgia, onde construímos a sede do Centro de Cultura Popular/Resistência Popular, com as nossas próprias mãos, e desenvolvemos uma rádio comunitária e outras atividades no espaço. Outros companheiros foram atuar na construção de uma frente sindical na área da educação, na qual estão até os dias de hoje, em atuação como oposição da atual direção do SINTEP; em 2012, estamos trabalhando na construção de uma chapa de oposição.

Desde 2011, com novos ingressos na militância, pudemos voltar à luta na frente estudantil, atuando no Centro Acadêmico do curso de Ciências Sociais e também em uma Frente de Esquerda, realizando uma aliança tática com outras correntes de esquerda da universidade, com as quais temos construído algumas lutas conjuntamente nos últimos anos. Estivemos também na luta contra a privatização da SANECAP (empresa de distribuição de água na capital que foi privatizada) e também contra a privatização da saúde pública.

Nos últimos três meses de 2012, estivemos atuando na luta por moradia e contra a desocupação de aproximadamente 300 famílias de um terreno próximo do bairro Parque Geórgia; parte de um projeto de “limpeza” dos centros urbanos por razão da Copa de 2014. A luta foi árdua, agitada e, no final, contou com uma grande vitória, que há vários anos os movimentos sociais não presenciavam na cidade. Uma luta que trouxe, além de um forte espírito de solidariedade em grande parte dos moradores dessa ocupação, atualmente transformada em um bairro, que, hoje em dia, está pronta para atuar em outros bairros que irão passar por resistências similares. Essa vitória, juntamente com a dos moradores do Assentamento Canaã, é um marco histórico para a luta popular combativa de Cuiabá e do próprio estado do Mato Grosso.

Federação Anarquista do Rio de Janeiro (FARJ)
Rio de Janeiro
Fundada em 30 de agosto de 2003

A FARJ possui três frentes de luta social. A mais antiga é a Frente Comunitária, cuja principal atuação se concentra no Centro de Cultura Social (CCS), localizado no bairro de Vila Isabel. Ali, são desenvolvidos diversos trabalhos de inserção junto à comunidade, sendo o mais importante o Pré-Vestibular Comunitário Solidariedade, organizado em conjunto com companheiros do Núcleo Complexo dos Macacos do Movimento dos Trabalhadores Desempregados “Pela Base!”, militantes da Organização Popular e apoiadores, como ex-alunos e alguns professores. No CCS-RJ funciona, desde 2001, a Biblioteca Social Fábio Luz e, desde 2004, o Núcleo de Pesquisa Marques da Costa, ambos vinculados à organização.

A Frente de Movimentos Sociais Urbanos (FMSU, antes denominada Frente de Ocupações) iniciou sua atuação junto ao movimento de ocupações no Rio de Janeiro, tendo participado da fundação da Frente Internacionalista dos Sem-Teto (FIST) em 2005. Após ter se afastado da FIST, no final de 2007, a frente ampliou seus trabalhos de inserção, passando a integrar o MTD-RJ e, posteriormente, constituindo o MTD “Pela Base!”, cuja luta central se dá a partir das demandas dos desempregados e precarizados. A FMSU também atua no Sindicato dos Servidores do Colégio Pedro II (SINDSCOPE) construindo um sindicalismo pela base e articulado com os movimentos populares, no Pré-Vestibular Solidariedade, na favela da Maré (Baixa do Sapateiro) e com o Linha Cultural, atividade que trabalha o Hip Hop como ferramenta de contestação.

A mais nova é a Frente Anarquismo e Natureza (FAN), antes denominada Frente Agroecológica. A FAN foi formada no final de 2007 com objetivo de fortalecer, apoiar e desenvolver junto aos movimentos sociais rurais um trabalho político que busque intensificar a luta de classes em torno da agroecologia, do trabalho de base cooperado e da educação integral sob a perspectiva da educação do campo. Após importantes avanços organizativos com a fundação do Núcleo de Saúde e Alimentação Germinal (extinto no Rio de Janeiro) e da Cooperativa de Trabalhadores em Agroecologia Floreal. Atualmente, os membros da FAN atuam no Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST-RJ) e na coordenação político-pedagógica de cursos de Licenciatura em Educação do Campo da UFRuRJ.

Os militantes da FARJ, a partir de suas inserções de base, também contribuíram com a construção da Organização Popular (OP), um agrupamento de tendência reunindo diferentes militantes sociais que defendem um método de se organizar, nas lutas e nas reivindicações populares, que fortaleça o protagonismo das bases e a proposta do poder popular, com atuação no movimento estudantil, sindical e popular.

Organização Anarquista Socialismo Libertário (OASL)
São Paulo
Fundada em 18 de novembro de 2009

Em um processo que teve início nos primeiros meses de 2008, a OASL organizou encontros amplos para discutir o anarquismo especifista, visando rearticular o anarquismo na cidade. Com significativa influência da Federação Anarquista do Rio de Janeiro (FARJ), o processo de dois anos culminou na fundação, nos fins de 2009, da Federação Anarquista de São Paulo, posteriormente chamada de OASL. A FARJ participou dos grandes encontros de 2008 e 2009 e a Federação Anarquista Gaúcha (FAG) do de 2009, constituindo um suporte fundamental para a formação da organização.

Desde seu surgimento, a OASL, em nível social, vem trabalhando com a participação e a tentativa de criação de movimentos populares na área metropolitana da cidade. O trabalho que possui mais tempo se dá no Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), por meio da regional Grande São Paulo, com o trabalho de base em assentamentos, com foco na formação política e na educação; há também iniciativas na produção, com a venda de produtos dos assentados. Distintos trabalhos no nível comunitário foram realizados desde o início do processo: na Zona Leste da cidade, no centro e, mais recentemente, na Zona Sul, com a participação na Rede Extremo Sul. Houve experiências sindicais nos bancários e, mais recentemente, tem se desenvolvido um trabalho com professores da rede pública, na APEOESP. Entre os estudantes, também, houve algumas iniciativas. Todos os trabalhos vêm sendo realizados a partir da participação da militância da OASL na Organização Popular Aymberê (OPA), um agrupamento de tendência que esteve à frente da organização do IX Encontro Latino-Americano de Organizações Populares Autônomas (ELAOPA).

No nível político, a OASL tem participado do FAO desde 2010, e, organicamente, a partir de 2011, quando recebeu, em São Paulo, o encontro anual do FAO e as Jornadas Anarquistas, com a participação de militantes de vários países latinos. Trabalhando a organicidade interna, a OASL vem constituindo suas secretarias, seus documentos orgânicos e programáticos, e articulado as relações, que incluem visitas a outras organizações anarquistas. Tem realizado formações políticas internas, debates, palestras e atividades públicas, para aproximação de pessoas. Juntamente com a FARJ, desenvolveu um programa de formação política sobre anarquismo. Na propaganda, tem distribuído as publicações do FAO e livros da Faísca Publicações, elaborado material para o site e para o Anarkismo.net, além de panfletos e materiais específicos, como “Anarquismo Especifista e Poder Popular”. Tem impulsionado a criação de núcleos da organização em outras regiões do estado.

Coletivo Anarquista Bandeira Negra (CABN)
Santa Catarina
Fundado em agosto de 2011

O Coletivo Anarquista Bandeira Negra (CABN) surgiu na cidade de Florianópolis, estabelecendo posteriormente um núcleo na cidade de Joinville e um pró-núcleo em Chapecó, na perspectiva de formar uma organização estadual. O CABN nasce inspirado pelo anarquismo especifista, na tradição da Federação Anarquista Uruguaia (FAU) e das organizações que compunham o Fórum do Anarquismo Organizado (FAO), atual Coordenação Anarquista Brasileira (CAB), a qual integramos.

O CABN defende um anarquismo em contato direto com as lutas populares, no seio da classe trabalhadora. Desde o início, participa dos movimentos sociais urbanos, especialmente nas lutas pelo transporte coletivo, tanto em Florianópolis quanto em Joinville, além de atuar em grupos de mídia independente noticiando as lutas sociais. Em Florianópolis, estamos iniciando trabalhos na frente comunitária e com a perspectiva de iniciar uma tendência libertária no movimento estudantil, onde já atuamos em algumas pautas como a construção do EIV-SC, estágio com os movimentos sociais do campo. Na cidade de Joinville, o CABN atua também junto ao Centro de Direitos Humanos (CDH) e em Chapecó possui atuação sindical, presente no SINASEFE-SC (cuja base de trabalhadores é do Instituto Federal/SC) e na construção de uma seção sindical do ANDES para os trabalhadores da Universidade Federal da Fronteira Sul.

Além dessas frentes de atuação, o CABN organiza o Círculo de Estudos Libertários em Florianópolis, que vem agregando pessoas e incentivando debates sob a perspectiva libertária, além de outros eventos como o realizado no 1º de Maio, reivindicando um Dia do Trabalhador classista e combativo, frente ao esquecimento da data. Em Joinville, o CABN também constrói o Grupo de Estudos das Idéias e Práticas Anarquistas (GEIPA).

Organização Resistência Libertária (ORL)
Ceará
Fundada em 2008

A Organização Resistência Libertária (ORL) foi fundada no final de 2008, a partir da articulação de estudantes anarquistas, que no ano anterior participaram de lutas estudantis (pela ampliação da isenção do vestibular da UFC e da ocupação da reitoria da mesma universidade contra o REUNI), e ex-membros dos extintos Coletivo Ruptura e Comuna Libertária, que há algum tempo vinham acumulando discussões em torno da necessidade de uma atuação organizada dos anarquistas junto às lutas e movimentos sociais. Foi exatamente este o ponto inicial que possibilitou a convergência entre essas duas levas de militantes e a formação de uma organização em torno de objetivos políticos, métodos de atuação e forma organizacional comuns.

Atualmente, a ORL desenvolve sua militância em duas frentes de trabalho: comunitária e sindical. Há mais de dois anos a organização atua na frente de trabalho comunitário, junto a comunidades atingidas pelas obras da Copa do Mundo de 2014. Contribuímos desde o início desta luta popular, que desembocou na criação do Movimento de Luta em Defesa da Moradia (MLDM), que articula em rede comunidades impactadas por esse mega-evento. No momento, a organização intensifica suas ações junto à luta destas comunidades, contribuindo com sua militância em várias atividades, sempre no sentido de que a luta assuma o caráter mais libertário possível, para que o movimento desenvolva autonomia, combatividade, autogestão e se paute por relações horizontais em suas decisões.

No último ano, iniciamos atuação na luta sindical, tentando impulsionar com nossa modesta militância a luta do magistério público estadual, contra os ataques do governo à educação pública e enfrentando a burocracia sindical instalada no sindicato do magistério estadual há décadas. Nossa prática política tem se pautado pelo fortalecimento da autonomia e da organização do magistério em oposição à estrutura parasitária mantida pela direção sindical, colaborando na construção de estruturas organizativas de base como a Rede de Zonais, que teve papel fundamental e impulsionou as ações mais radicalizadas na última greve estadual dos professores.

Coletivo Anarquista Luta de Classe (CALC)
Paraná
Fundado em outubro de 2010

O CALC organiza seus trabalhos em frentes e núcleos; neste momento, em uma frente comunitária e outra estudantil, constituindo apenas um único núcleo (centro). Além do desenvolvimento dos trabalhos sociais, também se encontra nas suas atribuições a revenda de livros de editoras libertárias uma vez ao mês, a realização do Círculo de Estudos Libertários (CEL), espaço de estudo e formação e a edição de seu informativo No Batente.

A frente estudantil tem sua militância no Coletivo Quebrando Muros (CQM), no movimento estudantil universitário, organizado por curso na UFPR, e que agora também possui trabalhos iniciados junto à comunidade da Vila Torres e aos estudantes secundaristas da rede pública de ensino. O CQM deixou de ser apenas uma tendência estudantil, tal como fora constituída em meados de 2009, passando a constituir, em 2012, novas frentes sociais, caso da frente comunitária, que integrou os ex-militantes do Germinal em seu coletivo, sem deixar de manter seus núcleos por local de estudo em sua frente estudantil. Ao contrário, seu trabalho estudantil vem se consolidando nos núcleos Politécnico, Psicologia, Ciências Sociais, História e Direito, acumulando forças para a esquerda combativa. Essa frente vem iniciando dois trabalhos sociais, a organização de um pré-vestibular comunitário junto aos estudantes do Colégio Estadual Hildebrando de Araújo (Jardim Botânico), e uma formação política no Colégio Estadual Manoel Ribas voltado aos jovens da escola (Vila Torres).

A frente comunitária também concentra sua atuação na Vila Torres. Até ano passado, atuava através do Germinal, mas em função da desarticulação deste último e uma aproximação com o CQM, passou a atuar em uma frente comunitária que este coletivo constituiu. Vem desenvolvendo desde outubro de 2008 trabalhos de inserção junto à escola e a comunidade, como o apoio a horta agroecológica do Colégio Estadual Manoel Ribas e a participação na rede de grupos comunitários. Também vem participando de espaços como as Jornadas de Agroecologia e o Grito dos Excluídos.

Coletivo Anarquista Núcleo Negro (CANN)
Pernambuco
Fundado em 2012

O Coletivo Anarquista Núcleo Negro possui uma breve existência e surge de uma prática junto a movimentos por moradia, a ocupações urbanas, em um agrupamento que à época tinha o nome de Coletivo Autonomia.

Precisávamos avançar para um modelo de organização que desse suporte para nossas intenções dentro de um campo claramente anarquista, afinal, aqueles que faziam parte do coletivo, identificavam-se com esta ideologia. Foi desta maneira que nos encontramos com o modelo de organização especifista, reivindicado por alguns dos agrupamentos já com alguma história no país, ligados ao FAO. Hoje, o Núcleo Negro atua no movimento sindical e comunitário através de duas frentes de trabalho.

Coordenação Anarquista Brasileira

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[Nordeste] DECLARAÇÃO DO II ENCONTRO DO ANARQUISMO ESPECIFISTA DO NORDESTE

DECLARAÇÃO DO II ENCONTRO DO ANARQUISMO ESPECIFISTA DO NORDESTE

Está dado mais um passo no avanço do Anarquismo Especifista no Nordeste do Brasil. Reunidos em Recife, nos empenhamos em aprofundar o debate sobre o especifismo e estruturação dos agrupamentos políticos em nossa região, com vistas ao nosso fortalecimento e consolidação.

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FORTALECER REGIONALMENTE O ANARQUISMO
DECLARAÇÃO DO II ENCONTRO DO ANARQUISMO ESPECIFISTA DO NORDESTE

Está dado mais um passo no avanço do Anarquismo Especifista no Nordeste do Brasil. Reunidos em Recife, nos empenhamos em aprofundar o debate sobre o especifismo e estruturação dos agrupamentos políticos em nossa região, com vistas ao nosso fortalecimento e consolidação.

Compreendemos que o especifismo está para além de um simples modelo organizativo e significa também o início de uma construção teórica própria dentro do anarquismo. Mesmo que hoje ainda não exista em nosso interior uma teoria comum, já possuímos uma prática política próxima, a qual certamente terá influencia em nosso desenvolvimento teórico unitário.

Dialogamos com clássicos, a exemplo de Bakunin e Malatesta, bem como com a experiência mais recente desenvolvida pelos camaradas da Federação Anarquista Uruguaia (FAU) desde a década de 1950. E, assim, procuramos avançar em construir elementos para nossas formulações próprias em termos teóricos e organizativos a fim de aperfeiçoar nossa prática política e fincar as raízes de nossa ideologia.

Neste desafio, destacamos a importância da minoria ativa como princípio do especifismo. Ou seja, de o anarquismo se articular cada vez mais para fermentar as lutas no seio dos movimentos sociais, visando a construção de posturas mais combativas e horizontais. Em uma expressão: criar um povo forte.

Na luta pela construção do poder popular, assumimos o “poder” enquanto a capacidade de fazer e não a possibilidade de oprimir. É preciso fazer a dissociação entre as noções de “poder” e “domínio”, entendendo domínio como a atitude de usar a força do povo contra ele próprio. Esta concepção é resultado de nossa ideologia e teoria; e influencia nossa estratégia.

Atentos à necessidade de consolidação e expansão do especifismo, nosso encontro faz parte do esforço histórico de alinhamento regional para fortalecer a coordenação nacional das lutas. Neste espírito, saudamos o Fórum do Anarquismo Organizado e outras organizações especifistas na batalha por construir a Coordenação Anarquista Brasileira (CAB), a ser fundada em junho deste ano.

LUTA, CRIAR, PODER POPULAR!
VIVA A ANARQUIA!

Assinam esta declaração:

– Coletivo Anarquista Núcleo Negro (NN) – Pernambuco
– Coletivo Anarquista Zumbi dos Palmares (CAZP) – Alagoas
– Coletivo Libertário Delmirense (COLIDE) – Alagoas
– Organização Resistência Libertária (ORL) – Ceará


Reunidos no II Encontro do Anarquismo Especifista do Nordeste
Recife – Pernambuco – Brasil, nos dias 06, 07 e 08 de abril de 2012

Sítios:
Coletivo Anarquista Núcleo Negro (NN) – Pernambuco
http://www.nucleonegro.wordpress.com/
Coletivo Anarquista Zumbi dos Palmares (CAZP) – Alagoas
http://www.cazp.wordpress.com/
Organização Resistência Libertária (ORL) – Ceará
http://www.resistencialibertaria.org/

O Anarquismo Especifista no Nordeste do Brasil

Retirado do site:

http://anarkismo.net/article/21040

A História do Anarquismo no Nordeste não é tão recente quanto se pensa. A participação e influência da militância anarquista nesta região, que hoje conhecemos como Nordeste do Brasil, pode ser facilmente notada na imprensa e nas diversas associações de trabalhadores desde o começo do século passado, quando o Anarquismo contava com forte enraizamento nas lutas e mantinha firme seu vetor social. Trazer à luz tal História deve ser uma de nossas tarefas, pelo aprendizado adquirido com o conhecimento das experiências de outrora, como forma de respeito à memória de companheiros e companheiras que tanto fizeram junto aos oprimidos e explorados dessas terras e pela própria ideologia que reivindicamos.

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O ANARQUISMO ESPECIFISTA NO NORDESTE DO BRASIL

A História do Anarquismo no Nordeste não é tão recente quanto se pensa. A participação e influência da militância anarquista nesta região, que hoje conhecemos como Nordeste do Brasil, pode ser facilmente notada na imprensa e nas diversas associações de trabalhadores desde o começo do século passado, quando o Anarquismo contava com forte enraizamento nas lutas e mantinha firme seu vetor social. Trazer à luz tal História deve ser uma de nossas tarefas, pelo aprendizado adquirido com o conhecimento das experiências de outrora, como forma de respeito à memória de companheiros e companheiras que tanto fizeram junto aos oprimidos e explorados dessas terras e pela própria ideologia que reivindicamos.O Capitalismo, sistema de organização e dominação social alicerçado na exploração e opressão das classes trabalhadoras, longe de caminhar evolutivamente para sua própria destruição ou ser engolido por suas próprias crises, como advogaram muitos teóricos da tradição socialista autoritária, avança vencendo essas mesmas crises, reorganizando suas contradições e (re)modelando formas de opressão e restrição da liberdade. Isso nos faz acreditar que não podemos esperar o capitalismo cair por si só, muito menos adotar uma postura apenas de resistência aos efeitos das tensões pelas quais passa o mundo do capital e suas instituições. Faz-nos acreditar que, antes de tudo, é urgente a necessidade dos trabalhadores contra-atacarem às classes privilegiadas e sua instituição mantenedora da miséria, o Estado. Para isso, urge novamente a vital organização do nosso povo, com a firme disposição de enfrentamento aos patrões e governos.

Dentro desse panorama, é importante destacar que entendemos como os protagonistas das lutas sociais aqueles que para nós devem construir uma transformação social radical do mundo em que vivemos, no sentido de substituir o sistema de dominação social do capital por outro baseado na liberdade, na igualdade e na solidariedade. Algumas correntes socialistas, fiéis a sua raiz ideológica, seguem mantendo o “fetiche” de que apenas os operários urbanos e das fábricas são os protagonistas de uma verdadeira transformação da sociedade; disseminando um forte desprezo pelos setores mais oprimidos e explorados do nosso povo e demonstrando a falta de entendimento político pelo apego a um centralismo caduco e equivocado. Para estas correntes, os únicos “sujeitos revolucionários” são os operários – “que sujam os macacões nas fábricas” – em detrimento do conjunto do proletariado, entendidos aqui enquanto o conjunto dos/as trabalhadores/as, inclusive os/as desempregados/as, e das comunidades tradicionais (indígenas, quilombolas, pescadores e etc).

Resumir nossa atenção e esforço militante a um único setor, por mais importante que este seja, é cair em um erro já alertado por Mikhail Bakunin, desde a segunda metade do século XIX. A revolução apenas dos trabalhadores fabris e das cidades é insuficiente para dar conta de um processo avançado de lutas que nos leve a uma “vitória duradoura” pela transformação radical da sociedade. Com essa visão que restringe os sujeitos sociais da mudança, no máximo o que conseguiríamos seria uma revolução política, parlamentar, onde caberia apenas mais o reforço da ordem estatal e quimérica do Estado. Neste sentido é que enfatizamos a necessidade de uma Revolução Social, que enseje em seu bojo uma transformação das estruturas políticas, obviamente, mas que traga fundamentalmente transformações das estruturas econômicas e sociais. Uma revolução que possibilite criar uma nova sociedade, construída por homens e mulheres livres e iguais, e não mais uma revolução que conduza apenas ao reflexo desta (des)ordem de injustiça e opressão do mundo atual.

O Nordeste do Brasil, durante séculos uma região marcada pelo latifúndio e suas graves consequências – as mais visíveis sendo o coronelismo e o assujeitamento racista de índios e negros -, vem sofrendo um forte e intenso avanço do capital nas ultimas décadas, sob a justificativa de diminuir a histórica desigualdade econômica existente nas diferentes regiões do Brasil. O número de investimentos avança não somente em apoio à empresa turística perpetrada pelos Estados nordestinos e sua burguesia, com foco no litoral e suas belezas naturais, mas também avança no interior, nas regiões mais afastadas, em diferentes setores como energia, mineração, comércio, construção civil etc. É forte o incentivo para as indústrias que querem se instalar em nossa região e explorar a firme disposição de nosso povo para incrementar o roubo dos empresários e gerar cada vez mais lucros aos capitalistas. Como exemplo disso, temos a transposição de águas do “velho Chico”, o canal do sertão em Alagoas, construção de usinas de energia térmica a carvão, implantação de parques de energia eólica, instalação de refinarias de petróleo, ampliação de pólos produtores de alimentos para exportação, estaleiros, instalação de montadoras de automóvéis, construção de vários resorts e hotéis no litoral – entre outros mega-empreendimentos imobiliários destruidores do meio ambiente e de modos de vida tradicionais -, e tantos inúmeros exemplos mais que demonstram a disposição do capitalismo em recolonizar essa região que há muito deixou de lado, tratando como a “periferia” da produção e da acumulação do capital nacional.

Tendo em vista isso, não podemos mais considerar a região em que vivemos como afastada dos pólos econômicos e de produção no Brasil, pois atualmente o alvo do capital e de sua sanha destruidora se voltam para outros lugares além dos “centros” políticos e econômicos. Temos que pensar nossa atuação, enquanto anarquistas organizados, neste processo. Não se pode pensar nos estados ao sul do Brasil como lugares nos quais a luta de classes se apresenta com mais intensidade que em outros lugares do país, pois se assim fizéssemos validaríamos a idéia marxista de que os setores avançados do proletariado estariam necessariamente nas regiões mais industrializadas. Não se justifica essa idéia de que, na participação em um processo de lutas e numa conseqüente transformação, as regiões ditas “periféricas” estão fatalmente condenadas a seguir a reboque dos centros de poder econômico e político. Para nós, todo setor explorado e oprimido é potencialmente revolucionário, não apenas um setor que conduzirá todo o processo, não há preponderância do operariado fabril e das cidades. A nossa fraternidade é entre todos os nossos pares, irmãos de luta e que, explorados hoje, se dispõem à construção de um novo mundo. A Revolução será integral e global, ou não será.

Poder popular, autogestão e federalismo fazem parte de nossos princípios, portanto inegociáveis e inflexíveis. Assim, o protagonismo dos setores explorados e oprimidos, dos campos, das cidades e das florestas, das diversas regiões brasileiras, latino-americanas e mundiais; indígenas, desempregados, pescadores, operários, professores e todos outros, é fator indispensável se almejamos com sinceridade a construção de um mundo novo, de uma nova forma de vida. Somente conquistada por meio da transformação revolucionária desta sociedade e a construção de uma nova organização social baseada na autogestão, na democracia direta, na solidariedade e na fraternidade entre iguais.

Sabemos que esta não é uma tarefa fácil. O momento exige uma força hercúlea, mas nós, por estas bandas, estamos seguindo, com esforço e dedicação militante. Como “cabras valentes”, como uma mulher que luta para não ter sua casa (e sua memória) removida por causa de obras de infra-estrutura do capitalismo; como trabalhadores e trabalhadoras que lutam a partir das bases em seus locais de trabalho; como comunidades tradicionais que se mantém firmes e em luta para alcançar e manter algumas mínimas e fundamentais conquistas, após terem sido roubados em seus direitos essenciais ao longo de tanto tempo; como todos aqueles e aquelas que não “arredam o pé” da luta contra todas as formas de opressão e dominação a que estão submetidos neste mundo de miséria, morte e sofrimento.

Caminhamos com o punho ao alto, e certos de que esta é a estrada que nos leva ao objetivo almejado: a igualdade econômica e política de todos/as e a liberdade em seu mais alto grau de expressão, e não um mero privilégio comprado e sustentado pelos capitalistas e administradores do Estado. E que essas aspirações tornem-se, no trilhar do nosso percurso de luta, uma expressão real da vitória dos oprimidos e explorados deste mundo.
Assinam esta declaração:

Coletivo Anarquista Núcleo Negro – Pernambuco
Coletivo Anarquista Zumbi dos Palmares (CAZP) – Alagoas
Coletivo Libertário Delmirense (COLIDE) – Alagoas
Organização Resistência Libertária (ORL) – Ceará

Reunidos no I Encontro do Anarquismo Especifista do Nordeste
Maceió – Alagoas, nos dias 08 e 09 de outubro de 2011

Texto também postado nos nossos sites:
www.resistencialibertaria.org