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[CAZP] 10 anos de história e luta!

O Anarquismo Especifista no Nordeste do Brasil

Retirado do site:

http://anarkismo.net/article/21040

A História do Anarquismo no Nordeste não é tão recente quanto se pensa. A participação e influência da militância anarquista nesta região, que hoje conhecemos como Nordeste do Brasil, pode ser facilmente notada na imprensa e nas diversas associações de trabalhadores desde o começo do século passado, quando o Anarquismo contava com forte enraizamento nas lutas e mantinha firme seu vetor social. Trazer à luz tal História deve ser uma de nossas tarefas, pelo aprendizado adquirido com o conhecimento das experiências de outrora, como forma de respeito à memória de companheiros e companheiras que tanto fizeram junto aos oprimidos e explorados dessas terras e pela própria ideologia que reivindicamos.

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O ANARQUISMO ESPECIFISTA NO NORDESTE DO BRASIL

A História do Anarquismo no Nordeste não é tão recente quanto se pensa. A participação e influência da militância anarquista nesta região, que hoje conhecemos como Nordeste do Brasil, pode ser facilmente notada na imprensa e nas diversas associações de trabalhadores desde o começo do século passado, quando o Anarquismo contava com forte enraizamento nas lutas e mantinha firme seu vetor social. Trazer à luz tal História deve ser uma de nossas tarefas, pelo aprendizado adquirido com o conhecimento das experiências de outrora, como forma de respeito à memória de companheiros e companheiras que tanto fizeram junto aos oprimidos e explorados dessas terras e pela própria ideologia que reivindicamos.O Capitalismo, sistema de organização e dominação social alicerçado na exploração e opressão das classes trabalhadoras, longe de caminhar evolutivamente para sua própria destruição ou ser engolido por suas próprias crises, como advogaram muitos teóricos da tradição socialista autoritária, avança vencendo essas mesmas crises, reorganizando suas contradições e (re)modelando formas de opressão e restrição da liberdade. Isso nos faz acreditar que não podemos esperar o capitalismo cair por si só, muito menos adotar uma postura apenas de resistência aos efeitos das tensões pelas quais passa o mundo do capital e suas instituições. Faz-nos acreditar que, antes de tudo, é urgente a necessidade dos trabalhadores contra-atacarem às classes privilegiadas e sua instituição mantenedora da miséria, o Estado. Para isso, urge novamente a vital organização do nosso povo, com a firme disposição de enfrentamento aos patrões e governos.

Dentro desse panorama, é importante destacar que entendemos como os protagonistas das lutas sociais aqueles que para nós devem construir uma transformação social radical do mundo em que vivemos, no sentido de substituir o sistema de dominação social do capital por outro baseado na liberdade, na igualdade e na solidariedade. Algumas correntes socialistas, fiéis a sua raiz ideológica, seguem mantendo o “fetiche” de que apenas os operários urbanos e das fábricas são os protagonistas de uma verdadeira transformação da sociedade; disseminando um forte desprezo pelos setores mais oprimidos e explorados do nosso povo e demonstrando a falta de entendimento político pelo apego a um centralismo caduco e equivocado. Para estas correntes, os únicos “sujeitos revolucionários” são os operários – “que sujam os macacões nas fábricas” – em detrimento do conjunto do proletariado, entendidos aqui enquanto o conjunto dos/as trabalhadores/as, inclusive os/as desempregados/as, e das comunidades tradicionais (indígenas, quilombolas, pescadores e etc).

Resumir nossa atenção e esforço militante a um único setor, por mais importante que este seja, é cair em um erro já alertado por Mikhail Bakunin, desde a segunda metade do século XIX. A revolução apenas dos trabalhadores fabris e das cidades é insuficiente para dar conta de um processo avançado de lutas que nos leve a uma “vitória duradoura” pela transformação radical da sociedade. Com essa visão que restringe os sujeitos sociais da mudança, no máximo o que conseguiríamos seria uma revolução política, parlamentar, onde caberia apenas mais o reforço da ordem estatal e quimérica do Estado. Neste sentido é que enfatizamos a necessidade de uma Revolução Social, que enseje em seu bojo uma transformação das estruturas políticas, obviamente, mas que traga fundamentalmente transformações das estruturas econômicas e sociais. Uma revolução que possibilite criar uma nova sociedade, construída por homens e mulheres livres e iguais, e não mais uma revolução que conduza apenas ao reflexo desta (des)ordem de injustiça e opressão do mundo atual.

O Nordeste do Brasil, durante séculos uma região marcada pelo latifúndio e suas graves consequências – as mais visíveis sendo o coronelismo e o assujeitamento racista de índios e negros -, vem sofrendo um forte e intenso avanço do capital nas ultimas décadas, sob a justificativa de diminuir a histórica desigualdade econômica existente nas diferentes regiões do Brasil. O número de investimentos avança não somente em apoio à empresa turística perpetrada pelos Estados nordestinos e sua burguesia, com foco no litoral e suas belezas naturais, mas também avança no interior, nas regiões mais afastadas, em diferentes setores como energia, mineração, comércio, construção civil etc. É forte o incentivo para as indústrias que querem se instalar em nossa região e explorar a firme disposição de nosso povo para incrementar o roubo dos empresários e gerar cada vez mais lucros aos capitalistas. Como exemplo disso, temos a transposição de águas do “velho Chico”, o canal do sertão em Alagoas, construção de usinas de energia térmica a carvão, implantação de parques de energia eólica, instalação de refinarias de petróleo, ampliação de pólos produtores de alimentos para exportação, estaleiros, instalação de montadoras de automóvéis, construção de vários resorts e hotéis no litoral – entre outros mega-empreendimentos imobiliários destruidores do meio ambiente e de modos de vida tradicionais -, e tantos inúmeros exemplos mais que demonstram a disposição do capitalismo em recolonizar essa região que há muito deixou de lado, tratando como a “periferia” da produção e da acumulação do capital nacional.

Tendo em vista isso, não podemos mais considerar a região em que vivemos como afastada dos pólos econômicos e de produção no Brasil, pois atualmente o alvo do capital e de sua sanha destruidora se voltam para outros lugares além dos “centros” políticos e econômicos. Temos que pensar nossa atuação, enquanto anarquistas organizados, neste processo. Não se pode pensar nos estados ao sul do Brasil como lugares nos quais a luta de classes se apresenta com mais intensidade que em outros lugares do país, pois se assim fizéssemos validaríamos a idéia marxista de que os setores avançados do proletariado estariam necessariamente nas regiões mais industrializadas. Não se justifica essa idéia de que, na participação em um processo de lutas e numa conseqüente transformação, as regiões ditas “periféricas” estão fatalmente condenadas a seguir a reboque dos centros de poder econômico e político. Para nós, todo setor explorado e oprimido é potencialmente revolucionário, não apenas um setor que conduzirá todo o processo, não há preponderância do operariado fabril e das cidades. A nossa fraternidade é entre todos os nossos pares, irmãos de luta e que, explorados hoje, se dispõem à construção de um novo mundo. A Revolução será integral e global, ou não será.

Poder popular, autogestão e federalismo fazem parte de nossos princípios, portanto inegociáveis e inflexíveis. Assim, o protagonismo dos setores explorados e oprimidos, dos campos, das cidades e das florestas, das diversas regiões brasileiras, latino-americanas e mundiais; indígenas, desempregados, pescadores, operários, professores e todos outros, é fator indispensável se almejamos com sinceridade a construção de um mundo novo, de uma nova forma de vida. Somente conquistada por meio da transformação revolucionária desta sociedade e a construção de uma nova organização social baseada na autogestão, na democracia direta, na solidariedade e na fraternidade entre iguais.

Sabemos que esta não é uma tarefa fácil. O momento exige uma força hercúlea, mas nós, por estas bandas, estamos seguindo, com esforço e dedicação militante. Como “cabras valentes”, como uma mulher que luta para não ter sua casa (e sua memória) removida por causa de obras de infra-estrutura do capitalismo; como trabalhadores e trabalhadoras que lutam a partir das bases em seus locais de trabalho; como comunidades tradicionais que se mantém firmes e em luta para alcançar e manter algumas mínimas e fundamentais conquistas, após terem sido roubados em seus direitos essenciais ao longo de tanto tempo; como todos aqueles e aquelas que não “arredam o pé” da luta contra todas as formas de opressão e dominação a que estão submetidos neste mundo de miséria, morte e sofrimento.

Caminhamos com o punho ao alto, e certos de que esta é a estrada que nos leva ao objetivo almejado: a igualdade econômica e política de todos/as e a liberdade em seu mais alto grau de expressão, e não um mero privilégio comprado e sustentado pelos capitalistas e administradores do Estado. E que essas aspirações tornem-se, no trilhar do nosso percurso de luta, uma expressão real da vitória dos oprimidos e explorados deste mundo.
Assinam esta declaração:

Coletivo Anarquista Núcleo Negro – Pernambuco
Coletivo Anarquista Zumbi dos Palmares (CAZP) – Alagoas
Coletivo Libertário Delmirense (COLIDE) – Alagoas
Organização Resistência Libertária (ORL) – Ceará

Reunidos no I Encontro do Anarquismo Especifista do Nordeste
Maceió – Alagoas, nos dias 08 e 09 de outubro de 2011

Texto também postado nos nossos sites:
www.resistencialibertaria.org

Discurso do FAO nos 55 anos da FAU

Companheiros e companheiras,

É com muita alegria que compartilhamos com vocês a celebração deste 55º aniversário da Federação Anarquista Uruguaia. Sentimos a presença viva de nossas raízes. Os companheiros fundadores da FAU nos contam hoje os feitos históricos dos velhos que conviveram com a mais antiga geração de militantes do séc XIX. E nós, somos uma geração nova de militantes e organizações que surgiram no Brasil há pouco mais de uma década. No entanto, apesar de jovens nos sentimos parte da epopéia vivida pelos primeiros anarquistas do final do século XIX e início do século XX. Trazemos a luta histórica para as necessidades contemporâneas e assumimos a nossa condição de origem.

 

Até o nosso primeiro contato com a FAU, foi preciso quase um ano de relações permanentes, enfrentando os custos, as distâncias e as dificuldades de comunicação através das cartas que não tinham fim. O informe da viajem de um companheiro brasileiro a Montevidéu, deu a empolgação e o fermento para a criação da organização anarquista um ano depois. Em 1995, era fundada a Federação Anarquista Gaúcha. Os anos foram passando e seguimos trabalhando na construção de uma organização anarquista brasileira através da coordenação conjunta com grupos e organizações regionais. Iniciamos em 2002 o Fórum do Anarquismo Organizado que fez adesão à proposta especifista. Com erros e acertos, temos amadurecido e aprendido com esse processo de coordenação que completará uma década contando com dez estados em todo Brasil.

 

 

Do nosso vizinho Uruguai, herdamos as tradições da luta libertária ininterrupta desde 1870. E é na região do Rio da Prata onde se concentraram os imigrantes italianos e espanhóis que trouxeram na bagagem a influência bakuninista da 1ª Internacional. Trouxeram também posições questionadoras a fundo da ordem capitalista, partidárias da ação direta e da insurreição violenta. Essa paixão pela liberdade depois se fez presente nos anarquistas expropriadores, no sindicalismo classista e combativo, ambos fatores importantes que vão influenciar a criação da nossa co-irmã Federação Anarquista Uruguaia. Ao longo dos 55 anos de história, a FAU enfrentou o Estado, a oligarquia e o imperialismo, promovendo a luta de classes e a ação direta em todos os níveis.

 

Conjuntura internacional: o golpe financeiro e a luta dos povos

 

O poder financeiro global deu um golpe infame nos cofres públicos desde o estouro da bolha imobiliária de setembro de 2008. A desregulamentação do setor deu liberdade de movimento para os esquemas especulativos do capitalismo e permitiu uma gigante operação fraudulenta com produtos financeiros sem lastro real – uma série imensurável de derivativos afogou o mercado capitalista. A bancarrota dos maiores bancos do mundo, partindo dos norte-americanos espalhou por todos lugares, em maior ou menor grau, o drama econômico que assistimos.

 

Os altos executivos e operadores de Wall Street montaram um esquema sofisticado nas barbas da política liberticida das autoridades monetárias. Na bolha imobiliária, para fazer um exemplo curto e grosso, as financiadoras da casa própria vendiam no mercado os seus papéis para grandes bancos e fundos de investimentos explorarem os juros do mutuário. Os bancos por sua vez contratavam seguro para suas aplicações e especulavam contra elas para tirar lucros do seguro. A inadimplência do mutuário sujeito a trampa financeira detonou o esquema e arrastou toda a economia para o atoleiro com despejos em massa de moradores, milhões de demissões, falências da indústria, recorte de direitos sociais e serviços públicos. Que ninguém se engane: a jogatina não foi simplesmente uma aventura descontrolada dos capitais financeiros, todo o universo da propriedade capitalista se meteu no cassino financeiro global.

 

Resulta que após o golpe dos “abutres” o governo dos Estados Unidos e dos Estados mais fortes da Europa abraçaram a causa dos bancos e empresas com um socorro generoso da ordem de mais de U$ 12 trilhões prestado com dinheiro do tesouro público. A essa “socialização das perdas” se somou uma brutal “privatização dos ganhos” em que a classe dos dirigentes do sistema financeiro foram premiados com bônus milionários pagos com fundos do Estado. Aqui chegamos na dívida pública. Os governos dos EUA e Europa se valeram do mecanismo para absorver os prejuízos dos bancos com emissão de títulos públicos.

 

Em seu momento Noam Chomsky comentará: “a liberalização financeira teve efeitos para muito além da economia. Há muito que se compreendeu que era uma arma poderosa contra a democracia. O movimento livre dos capitais cria o que alguns chamaram um “parlamento virtual” de investidores e credores que controlam de perto os programas governamentais e “votam” contra eles, se os consideram “irracionais”, quer dizer, se são em benefício do povo e não do poder privado concentrado.” A conta desse delito sistêmico do poder financeiro a pagam hoje a classe dos trabalhadores, com a nova pobreza resultante da perda de empregos, direitos, salários e serviços públicos, pedra de toque do ajuste fiscal dos governos do mundo rico e receita para todos os demais. Nos Estados Unidos se ampliam os movimentos contra o sistema financeiro. A Europa vive uma conjuntura tempestuosa com uma deterioração da questão social que tem suscitado protestos populares de toda cor e de todo tipo. Desde manifestações violentamente anti-capitalistas como na Grécia, a greves combativas do sindicalismo da região, a ação direta de massas dos jovens “indignados” na Espanha ou a fúria incendiária dos subúrbios urbanos da Inglaterra.

A revolta dos povos árabes

As rebeliões generalizadas que marcam a conjuntura internacional nos dizem que a hora dos povos segue vigente. Isso tem grande significado. Diversos fatores políticos, econômicos e ideológicos são motores dessa revolta, a exemplo da miséria, da opressão e da falta de perspectivas básicas de vida. Cada país tem suas particularidades, mas há um elemento comum de rebelião que aponta para a destruição das brutais estruturas de opressão. A ação direta dos povos ganhou as ruas e enfrentou a repressão no Egito, Argélia, Bahrein, Yemen, Jordânia, Marrocos, Síria e Líbia. Com isso foram questionados e derrotados alguns regimes da região, colocando a vontade popular na equação de uma nova geopolítica.

A Resistência Popular na América Latina e o tema da integração

Assim como a luta popular tem imposto derrotas as ditaduras no oriente, na América Latina a última década tem sido marcada pelas lutas massivas do povo impondo derrotas ao neoliberalismo. A ação direta popular derrubou governos, deu resistência a tentativas de golpes de Estado e fez virar a balança de poder regional para um posição mais independente em relação ao imperialismo yankee. Porém, não descansamos nossas esperanças nos governos de turno. O exemplo recente do massacre indígena na Bolívia traz à tona os limites do desenvolvimentismo que atropela os anseios populares e faz colaboração com as elites. Apesar do genocídio indígena, mais uma vez o povo organizado mostrou a sua força nas marchas que duraram 65 dias e fizeram o governo voltar atrás na sua decisão. Fica a nossa solidariedade latino americana na luta contra o Plano IIRSA. É nosso dever desmascarar esse projeto de integração do território sul americano a um verdadeiro sistema de saque dos nossos bens e riquezas.

As mudanças no Brasil de Dilma que mantém a estrutura conservadora

No cenário brasileiro, Dilma, sucessora de Lula assumiu a presidência sob o lema: “País rico é país sem pobreza”. Dilma chega a 71% de aprovação com a ampliação das políticas de combate à miséria, a exemplo do bolsa-família, e com denominada “faxina ética” alardeada na imprensa como palavra de ordem de Dilma no combate à corrupção. Foram 6 ministros que despencaram até o presente momento, sendo um a cada 50 dias. Porém, a faxina de Dilma é na verdade sujeira varrida para baixo do tapete. A impunidade segue e forma par inseparável das estruturas burocráticas e oligárquicas da corrupção do poder político burguês. O Estado é uma estrutura de poder com alto instinto de conservação. Para governar com suas instituições, a experiência do PT no executivo assim o confirma, entre outros meios, é preciso se arranjar com as oligarquias que dominam a política burocrática e historicamente escoram seus interesses nos mecanismos públicos de gestão.

No que se refere à dívida pública, a política brasileira é a de engordar os bancos. Logo no início desse ano foram cortados R$ 50 bilhões no orçamento. Para o próximo ano a proposta orçamentária irá sangrar 48% dos recursos para pagar juros e amortizações da dívida. No ramo industrial, as federações da indústria e o governo lançaram recentemente um plano que visa aumentar a produtividade e a competitividade brasileira no plano internacional em acordo com a burocracia sindical. A verdadeira orientação do governo baseia-se nos cortes de investimentos sociais, no congelamento salarial, na flexibilização dos direitos. Tudo isso é feito através de um pacto social onde a patronal, banqueiros, governo e burocracia sindical controlam o jogo. Em 2008 era a crise a justificativa para a patronal demitir, atacar direitos e fazer lobby para que o Estado lhe fornecesse recursos e isenções. Agora sob o lema da competitividade a história repete.

Apesar das medidas de conciliação, nesse ano de 2011 alguns setores do movimento sindical deflagraram greves que se estenderam durante semanas e até meses. Trabalhadores dos correios, de universidades e institutos federais, do magistério e bancários abriram conflitos com o governo em que a disposição da base para a luta atropelou a burocracia sindical e obteve algumas conquistas. A ação direta e a independência de classe estiveram em pauta nessas lutas e esse exercício de poder dos trabalhadores pode surtir bons resultados daqui pra frente.

Se na luta sindical se abrem alguns caminhos, no que se refere à luta por memória, verdade e justiça, no Brasil vivemos um retrocesso. Recentemente foi criada a chamada “Comissão da Verdade” como uma tentativa do Executivo de aliviar os constrangimentos políticos que vêm causando sucessivas denúncias em escala internacional contra as violações aos direitos humanos no país.

A comissão da verdade, no entanto, é composta por apenas 07 membros, todos eles indicados pelo Executivo, sendo um representante das FFAA, a qual tem tensionado a necessidade de se averiguar os “crimes promovidos pela esquerda no período”? Com o estreito prazo de dois anos para a apresentação de seu trabalho final, a comissão, além de não ter autonomia (financeira e política) frente ao Executivo, também se vê desafiada a investigar os acontecimentos que vão não apenas do golpe de Estado ao processo de “redemocratização”, mas, inexplicavelmente, a “investigação” aborda um recorte temporal que se inicia em 1946 e vai até o ano de 1988, desviando assim o que deveria ser seu foco principal.

A não divulgação dos arquivos, ainda secretos, das FFAA, outro assunto que o Executivo não enfrenta com decisão, é uma prova cabal do quanto os resquícios do terror de Estado seguem vivos, pairando, ainda que silenciosamente, na sociedade, passados mais de 30 anos do início da transição pactuada. A Comissão, por sua vez, é outro fiasco no sentido de pautar a abertura dos arquivos da ditadura. Em seu parágrafo 2° do artigo 4° o PL afirma que: “os dados, documentos e informações sigilosos fornecidos à Comissão Nacional da Verdade não poderão ser divulgados ou disponibilizados a terceiros, cabendo a seus membros resguardar seu sigilo”. Ou seja, além de não haver a abertura dos arquivos, estes serão fornecidos por seus guardiões, as FFAA, que, na ausência de um decreto obrigando-as a abrir os documentos, mais uma vez irá divulgar papéis “podres” sem nenhuma autenticidade. A impunidade a torturadores, a industriais e banqueiros que respaldaram direta ou indiretamente a ditadura esta mais uma vez garantida.

Para nós, anarquistas organizados na FAO, a vitória da Verdade e da Justiça, só será possível quando o conjunto das forças populares (movimentos sociais, estudantis, sindicatos e organizações da esquerda) forem capazes de pautar de forma contundente a questão, o que infelizmente não temos visto. O que em países como Argentina e Uruguai é uma espécie de termômetro para a avaliação das forças de esquerda e populares, no Brasil, infelizmente, é tratado em muitos casos como uma questão secundária. Há que se virar a mesa, levando a luta por memória, verdade e justiça para as ruas, muros, para os sindicatos, movimentos sociais, estudantis, dentre outros, pois ainda há tempo!

Assim, esta data é importante não só para celebrarmos e reafirmarmos estas décadas de luta, como para reforçarmos que a proposta libertária segue vigente. Caminhando a cada dia rumo à revolução social, e acreditando que o Poder Popular se dá no trabalho cotidiano e na construção de um povo forte.

Diante das injustiças do sistema capitalista seguimos de pé!

Não esquecemos e jamais perdoaremos!Verdade e Justiça! Castigo aos culpados!

Pelo fim das ditaduras que massacram os povos!

Fortalecer a luta dos oprimidos e unificar os movimentos de greve!

Contra as medidas de austeridade!

Estendemos nossa solidariedade na luta contra o Plano IIRSA!

Nossa saudação à Federação Anarquista Uruguaia nesses 55 anos de lutas pelo socialismo e pela liberdade! Aos companheiros que ficam em nossa memória e estarão sempre presentes em nossas lutas!

Cecília presente!

Pelo Socialismo e pela Liberdade! Viva a anarquia!

Fórum do Anarquismo Organizado – FAO

 

Coletivo Anarquista Zumbi dos Palmares (Alagoas)


Federação Anarquista Gaúcha (Rio Grande do Sul)


Federação Anarquista do Rio de Janeiro


Organização Anarquista Socialismo Libertário (São Paulo)

 

 

[FAO] LUTAR E VENCER FORA DAS URNAS – CONCENTRAÇÃO NACIONAL DO FAO (23.12.2010)

LUTAR E VENCER FORA DAS URNAS – CONCENTRAÇÃO NACIONAL DO FAO (23.12. 2010 naPraça Santos Andrade as 16:30)

Dia 23, quinta-feiraCONCENTRAÇÃO NACIONAL DO FAO – Forum do Anarquismo Organizado.
Firmam e convocam:
Coletivo Zumbi dos Palmares – AL
Federação Anarquista do Rio de Janeiro – RJ
Federação Anarquista Gaúcha – RS
Rusga Libertária – MT
Vermelho e Negro – BA
Federação Anarquista de São Paulo – SP
Organização Resistência Libertária – CE
Coletivo Luta de Classes – PREm Curitiba,  Praça Santos Andrade às 16:30 horas.
Liberdade!
Socialismo!