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[CAB] 28 de Abril: Greve Geral nacional e a demonstração de força da classe oprimida

https://anarquismo.noblogs.org/?p=735

Ontem, 28 de abril de 2017, foi um dia de grande importância para a luta da classe oprimida do país. A resistência frente às políticas de ajuste fiscal e de corte nos direitos representado pelas reformas da previdência e trabalhista se fez sentir em todos os estados e em milhares de cidades brasileiras. Paralisações, piquetes, bloqueio de vias públicas e rodovias estaduais e federais com pneus em chamas, marchas unitárias e enfrentamentos com as forças da repressão deram o tom das mobilizações.


Participaram estudantes do ensino básico e superior, professores municipais, estaduais e federais, trabalhadores do transporte (rodoviários, metroviários), metalúrgicos, trabalhadores da saúde, limpeza e municipários em geral, trabalhadores da construção civil, comerciários, bancários, trabalhadores dos correios, indígenas, lutadores sem teto e sem terra, moradores de periferias e uma série de outros segmentos dos de baixo. Informações dão conta de que a greve geral de hoje contou com uma importante participação de setores do operariado em regiões como ABC paulista, Curitiba, Manaus e Belo Horizonte. A seu modo, cada segmento da nossa classe contribuiu com uma semente de luta e ação direta na jornada de luta do dia de hoje.

O dia não passou sem confrontos. As polícias militares de vários estados agiram com truculência reprimindo as iniciativas de mobilização. Foi assim em SP onde houve detenções de lutadores do MTST e repressão; no RJ onde a repressão brutal caiu com força sobre os manifestantes na saída da mobilização em frente à Assembleia Legislativa do RJ (ALERJ) e em outras partes do centro da cidade; no RS em que a Brigada Militar dispersou com bombas de gás piquetes em garagens de ônibus e em vias públicas ou com a agressão da guarda municipal de Porto Alegre contra colegas municipários que trancavam a entrada da prefeitura.

Michel Temer se pronunciou de forma breve apenas no final do dia. Criticou o trancamento das vias públicas e disse que a “modernização” do país seguirá, fazendo pouco caso da luta de hoje. Seu Ministro da Justiça, Osmar Serraglio, foi além e disse que a greve geral teria sido um fracasso, ignorando, assim como a grande mídia, a envergadura do conjunto de mobilizações a nível nacional. Mídia essa que segue martelando a necessidade das reformas e mentindo descaradamente sobre seu conteúdo.

Sabemos dos limites do conjunto do movimento sindical, do papel nefasto cumprido pelas burocracias sindicais na desorganização da nossa classe, mas apostamos em dias como o de hoje para nos colocarmos em movimento, experimentando a solidariedade e a ação direta de forma concreta e plantando sementes de Poder Popular. No RS, SC, PR, MT, SP, RJ, MG, AL, PA e CE a militância das Organizações da CAB tomou seu posto de luta em cada frente social e iniciativa direta dos e das de baixo que pudemos participar. A Greve Geral do dia 28, sabemos, ainda não é a reposta a altura e merecida dos governos e patrões na atual correlação de poder. Mas foi uma demonstração inegável do poder e da capacidade da classe oprimida em colocar um freio na sanha dos capitalistas e seus lacaios. É na luta e na ação direta que se cria Poder Popular e Rebeldia!

Rumo a um 1º de Maio de Memória, Luta e Resistência!
Contra o ajuste e a repressão, Luta e Organização!
Coordenação Anarquista Brasileira – CAB

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[CAB] Opinião Anarquista – Em defesa dos Povos Originários e das Comunidades Camponesas! Pelo direito à Terra e ao Território!

Para começo de conversa…

Massacres nos campos fazem parte de uma política de extermínio dos povos originários que passa também pela institucionalidade burguesa com o estabelecimento de seus padrões de ser, pensar e agir. A negação da identidade de povos originários através do discurso institucional da “pureza indígena ou quilombola”, veiculado amplamente pela mídia burguesa, traduz o objetivo principal: a negação da terra e do território para esses povos. Nesta linha de raciocínio, se não existem “indígenas ou quilombolas puros” não há porque garantir seus territórios. Lembramos que o reconhecimento indígena ou quilombola passa pela autodeterminação destes povos, cabendo a institucionalidade tão somente garantir a demarcação de suas terras e a aplicação de políticas públicas de qualidade e que atendam a especificidade da população indígena e quilombola.

Por outro lado, vemos a paralisia da reforma agrária para sem terras, camponeses e camponesas, que é agravada no governo PT/PMDB. Resultado do aprofundamento do neoliberalismo no campo, assistimos o sucateamento e consequente desmonte de órgãos importantes para essa política: é o caso do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e do INCRA. Paralelamente, são tocadas medidas que aceleram a chamada municipalização da reforma agrária no Governo Temer. Consistindo basicamente na transferência de competência da reforma para as prefeituras. Temos, então, duas consequências para agricultura camponesa no Brasil.  Uma é os assentamentos se degladiarem pelos parcos recursos que as prefeituras têm para esse tipo de atividade, sem contar o uso político que estas provavelmente farão. E outra é o rompimento com a unidade nacional, grande trunfo de movimentos camponeses como o Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Sem Terra (MST) e Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), na luta pela reforma agrária. Já que agora os Acampamentos e Assentamentos vão reivindicar das prefeituras e não mais do Governo Federal.

Seja pelos povos originários ou pelos camponeses a realidade do campo brasileiro não está fácil e pelo que parece tende a ficar pior. Vejamos…

Demarcação das Terras e o reconhecimento do Território Indígena e Quilombola.

A demarcação de terras indígenas e quilombolas seguem sendo ameaçada pela Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 215/2000, que modifica o procedimento de demarcação destas terras trazido pela constituição federal e viola direitos adquiridos pelos povos originários.

Atualmente, depois de todo o procedimento administrativo, a demarcação da Terra Indígena deve ser homologada pelo executivo federal (Presidência da República). Com a PEC 215, esta competência é transferida para o Congresso Nacional. Isto significa que a demarcação das terras indígenas ficará nas mãos da bancada ruralista, latifundiários, senhores do agronegócio, os mesmos que promovem o extermínio de nossos povos no campo, os mesmos conservadores que veiculam o discurso de negação de identidade indígena e quilombola.

Além disso, a PEC amordaça os direitos dos povos originários quando define que o dia 5 de outubro de 1988, data em que a Constituição foi promulgada, como “marco temporal” para definir o que são as terras permanentemente ocupadas por indígenas. Isso quer dizer que as etnias que não ocupavam suas terras em 1988 não terão direito à demarcação. O que não leva em conta as etnias que foram expulsas e dispersas de suas terras por conta de conflitos fundiários e não conseguiram retornar (ou estão tentando retornar).

A PEC 215/2000 foi aprovada na comissão especial da demarcação das terras indígenas na Câmara dos Deputados, no ano passado, mesmo com protestos e pressão do movimento indígena, por 21 votos a zero. A votação é simbólica, pois são nessas “mãos” que a demarcação das terras dos povos originários ficará. Na prática, a aprovação da PEC paralisaria a demarcação ou a ampliação dos territórios, deixando o espaço livre – literalmente – para a exploração hidrelétrica, a mineração, a especulação imobiliária e o agronegócio.

É urgente nossa organização e luta contra a aprovação da PEC 215 e em defesa da demarcação de terra dos povos originários. Terra demarcada é vida garantida! O próximo passo é a votação no Plenário da Câmara, onde precisa ser aprovada por três quintos dos deputados, em dois turnos. Se aprovado, o texto segue para a votação em dois turnos no Senado. Propostas de Emenda à Constituição não passam pela presidência da república. Sabemos que apenas com a pressão e organização popular pode-se desfazer esta ameaça.

Com essas informações não queremos dizer que o cenário de demarcação anda bem. Pelo contrário, a vagarosidade em relação à demarcação de terras representa uma negação de existência aos povos originais, além de operar um aumento no número de conflitos no campo. No Ceará, um dos estados mais conservadores em relação à questão indígena tendo em vista que a história tradicional negou a presença indígena neste território, são 22 terras tradicionalmente ocupadas por indígenas, 14 etnias reconhecidas. E apenas um dos 14 povos reconhecidos está com o procedimento finalizado e dois com áreas demarcadas. E assim acontece em todo o território nacional: o não reconhecimento da etnia, a não demarcação de terras e a não proteção de direitos.

Este quadro se agrava com o desmantelamento e sucateamento de órgãos criados para auxiliar a demarcação de terras e a proteção de direitos indígenas e quilombolas. A exemplo do que acontece com a FUNAI e o INCRA que sofrem constantemente com o baixo número de servidores, a falta de concursos públicos para provimento de cargos, o autoritarismo interno e o corte de investimentos, gerando precarização do trabalho oferecido às políticas indigenistas e de serviços ao povo quilombola.

Com o atual governo do PMDB vivenciamos um processo acelerado de ataques contra os direitos indígenas e dos povos originais em favor dos interesses do capital nacional e internacional, de ruralistas e latifundiários. Mas é importante lembrarmos que o cenário também é fruto das políticas de direita do governo do PT, que apoiou e foi conivente com a lógica do agronegócio. Seja estimulando uma cultura empresarial e pragmática para a construção de uma classe média do campo, seja desmontando as políticas de manutenção da agricultura camponesa e estagnando a demarcação de terras indígenas e quilombolas. Ou ainda, com a política neodesenvolvimentista e de rolo compressor com mega obras e empreendimentos, degradando ambientes, passando por cima de comunidades e expulsando muitos povos de seus territórios, como o exemplo da usina hidrelétrica de Belo Monte. Em ambos os governos, PT e PMDB, a violência do Estado se fez, e se faz, presente contra os povos indígenas e quilombolas.

Políticas Públicas Indigenistas

A saúde indígena atualmente é gerida pelos Distritos Sanitários Especiais Indígenas, que são de responsabilidade da Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI). Teoricamente,  estes distritos deveriam ser delimitados por critérios que atendessem à especificidade indígena de cada local. No entanto, o que acontece, pela falta de planejamento e da negação identitária, é a disponibilização de políticas públicas de saúde de um único formato, tanto para terras indígenas que se localizam em lugares úmidos quanto para secos. Isso gera um atendimento de péssima qualidade, quando há, pois nem todas as terras indígenas têm Distritos Sanitários! O controle deveria ser feito pelos Conselhos Indígenas de Saúde com participação direta dos indígenas. No plano da Assistência Social deveriam ser implantados CRAS (Centros de Referência de Assistência Social) em terras indígenas de acordo com suas cosmologias. No entanto, o que se percebe é o sucateamento e a precarização destes órgãos, enquanto chovem notícias de desvio de verba e corrupção por parte de gestores alheios à luta indígena. Assim, a relação entre os povos indígenas e esses gestores é tensa, principalmente devido à gestão e à aplicação de recursos.

Em relação à educação indígena, também vivemos uma difícil implantação, devido à falta de vontade política, pois a classe dominante não aceita a existência indígena, de suas terras e que suas tradições devam ser respeitadas. Na realidade, vemos um processo de violência cultural, ou o que chamam de “política de integração indígena”, forçando-os à convivência com não-indígenas, negando as escolas e a educação, modos, ritmos de vida indígena, assim como a língua materna e seus rituais. Tais políticas acenam claramente para a intensificação do genocídio e etnocídio instaurados desde a chegada do colonizador.

E a luta pela terra da agricultura familiar e camponesa…

Vemos a completa paralisia da reforma agrária no país. A luta pela terra continua, porém o Governo Temer é surdo para os movimentos sociais no campo. A redistribuição das terras e a instalação dos territórios da reforma agrária vêm sofrendo uma nova ofensiva. No lugar de uma política de reforma agrária ampla, pública, participativa e radical vemos a tentativa do Governo de privatizar o acesso à terra e transferir a distribuição dos títulos de domínio de terra do INCRA para as prefeituras. Esse é o novo conteúdo da política fundiária lançada no dia 22 de outubro.

No que se refere aos assentamentos já instalados, os agricultores sofrem com terras que foram impactadas pelas monoculturas ou pastos, encontram e têm que lidar com um solo compactado decorrente do uso de maquinário pesado e do pisoteamento de gado, com falta de nutrientes, e contaminado pelo uso de venenos e agroquímicos durante muito tempo. Tudo isso faz demorar ainda mais o processo de recuperação ambiental para que possam produzir alimentos saudáveis e conseguir acesso a uma renda digna. Por isso é importante um órgão que preste os serviços necessários para que eles possam ter as condições de trabalho e permanência na terra a longo prazo, como assistência técnica e extensão rural, tão importantes quanto as políticas voltadas para a comercialização, transporte e escoamentos de alimentos.

Mas hoje, o principal órgão que ajudaria no cumprimento destas demandas, o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), vem sofrendo um processo de precarização e desmonte. Um órgão que foi fruto de muita luta e organização dos movimentos sociais do campo, que desde 2000 cumpria um papel importante na implementação das (poucas) políticas públicas para a agricultura familiar e camponesa, mas que também privilegiava mais o agronegócio do que os povos indígenas, quilombolas, pequenos e pequenas agricultoras e sem terras. E que no governo Temer deixa de ser ministério e vira Secretaria Especial da Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário. Esta segue sob o braço do Ministério da Casa Civil, comandado hoje por Eliseu Padilha (PMDB-RS), ministério mais próximo do Presidente da República. Padilha e Temer (PMDB), alinhados à bancada ruralista, farão o que for necessário para defender o agronegócio brasileiro, o maior inimigo dos povos do campo, da floresta e mares e para acabar com as políticas públicas como, PRONAF, PAA, PNAE, PLANAPO etc.

E enquanto a agricultura familiar e camponesa produz cerca de 70% da nossa alimentação do dia a dia, o agronegócio tem sua produção voltada para poucas culturas, como a soja, o pinus, a cana-de-açúcar, o café e o dendê, sem falar da pecuária, tudo isso para liderar as exportações na balança comercial brasileira. No primeiro semestre de 2016, o agronegócio teve superávit, com as exportações de apenas cinco produtos, ultrapassando as importações em US$ 38,91 bilhões. Estes produtos são: o complexo da soja, carnes, produtos florestais, setor sucroalcooleiro e cereais, farinhas e preparações. Segundo o governo, foi o melhor resultado do agronegócio brasileiro, desde a série histórica iniciada em 1997 . Segundo o IBGE, na Safra de 2016, que correspondeu a 57,6 milhões de hectares de terras plantadas, o arroz, milho e soja constituem cerca de 87,5% dessa área, ou seja, são em torno de 50 milhões de hectares para produzir apenas três produtos que serão em sua maioria exportados! O capital derruba a floresta nativa, expulsa os povos originários e camponeses destas terras para produzir commodities, mercadorias para a exportação e assim fazer o Brasil reproduzir ainda mais o papel que sempre cumpriu no cenário político-econômico internacional, o de explorar e oprimir o seu próprio povo em defesa dos interesses das grandes potências econômicas imperialistas. Ou mesmo praticar o sub imperialismo com monoculturas de soja e algodão no continente africano.

A CAB se posicionando no/na front-eira: necessidade de união entre a luta pela terra e a luta pelo território

A Coordenação Anarquista Brasileira (CAB) afirma seu compromisso ombro a ombro com a luta e a organização dos povos originários e camponeses em defesa de seus territórios, de suas tradições e de políticas públicas que garantam um desenvolvimento de vida saudável. Reiteramos que do Estado, através de seus poderes (executivo, legislativo e judiciário), só podemos esperar violências e opressões, que aliadas à exploração capitalista, amordaçam nossas vidas. Assim, seguiremos firmes em nossas lutas sempre tendo em vista a construção de uma sociedade mais justa e de espaços de poder popular desde baixo e à esquerda. Para isso é fundamental a construção de organismos de luta social e movimentos que atuem com base na autonomia e na democracia direta, onde os sujeitos tenham protagonismo na escolha e condução das pautas e nas tomadas de decisão. Com luta e organização popular na busca de um mundo onde caibam muitos mundos, como diriam nossos/as companheiros/as zapatistas!

Contra a PEC 215! Em defesa dos povos originários!

Terra demarcada, vida garantida!

Pelo direito ao Território Autônomo e Horizontal!

cab

[FARJ] Libera #167

Retirado de: https://anarquismorj.wordpress.com/2016/08/31/libera-167/

Em meio a conturbada conjuntura política e uma nova onda de ataque aos direitos dos/as trabalhadores/as lançamos nosso #Libera 167 com um sabor especial de resistência e persistência. Nessa edição, comemoramos os 25 anos do Libera, o jornal anarquista de maior longevidade contínua da história do anarquismo brasileiro. Desses 25 anos, o Libera é há 13 anos, o jornal oficial da FARJ e jamais deixou de ser impresso, produzido, distribuído e lido em toda sua trajetória. O Libera só faz sentido em meio aos assentamentos, aos protestos, aos espaços autogestionários, aos sindicatos e dentro das mobilizações! O Libera é parte do nosso combustível na luta!

Nesse número:

  • A “ponte para o futuro” precisa de uma barricada no meio do caminho
  • Libera: um quarto de século pelo anarquismo!
  • Mês de março feminista e libertário no Ceará (Organização Resistência Libertária – CAB)
  • Contra a cultura do estupro, a resistência é a vida (Coordenação Anarquista Brasileira – CAB)
  • A Luta Continua para o PDS Osvaldo de Oliveira
  • Quem é Rafael Braga Vieira
  • Greve, Piquete, Marcha e Ocupação! Educadores e Estudantes unidos pela Educação! (Coordenação Anarquista Brasileira)
  • E muito mais…!

Você pode conseguir o Libera fisicamente com nossos militantes e apoiadores e na Biblioteca Social Fábio Luz. Caso deseje receber um número grande para distribuir, entre em contato conosco.
O Libera #167 pode ser baixado clicando na figura abaixo ou aqui.

[CAB] Greve, Piquete, Marcha e Ocupação! Educadores e Estudantes unidos pela Educação!

Não é de hoje que a educação é vista como uma mercadoria disponível no balcão de negócios dos governos e dos patrões ou como um instrumento de dominação política e ideológica dos de cima sobre os/as de baixo. De norte a sul no Brasil e em várias partes do continente latino-americano, os de cima impõem reformas educacionais, projetos de lei, ajustes fiscais e todo o tipo de medidas que visam precarizar e desqualificar ainda mais as condições de trabalho, de estudo e colocar por inteiro as escolas e universidades sob a lógica hegemônica do capitalismo financeiro.

Porém, nesta conjuntura de retirada de direitos e deterioração da qualidade de vida (seja pelos péssimos salários ou pelo aumento dos preços), no campo da educação, não está ausente a resistência e a luta dos educadores, educadoras, estudantes e todos e todas aquelas que defendem uma educação pública, gratuita e a serviço das demandas da classe oprimida. São as greves dos trabalhadores e trabalhadoras da educação e, mais recentemente, as ocupações de escolas em diversos estados do Brasil, as respostas dos de baixo frente a esses ataques.

ocupações escolas

EDUCAÇÃO NÃO É MERCADORIA!

Do período que vai do neoliberalismo de FHC/PSDB, passando pelo neodesenvolvimentismo de Lula/PT e, mais recentemente, com o governo interino de Michel Temer/PMDB, a regra tem sido o descaso, quando não o retrocesso nas diferentes áreas educacionais. Guardadas as características particulares de cada governo, a tônica tem sido impressa pelos organismos econômicos globais, pelo FMI, Banco Mundial e pelas corporações transnacionais. Os objetivos são a privatização da educação pública, a busca crescente das matrículas no ensino superior pelas grandes empresas privadas, currículos cada vez mais padronizados, pragmáticos e acríticos e a formação de profissionais dóceis e despolitizados.

No Brasil, saltam aos olhos as Parcerias Público-Privadas (PPPs), a prioridade para programas voltados a fortalecer o acesso à iniciativa privada no ensino superior (como o PROUNI e o FIES) em detrimento do ensino superior público, o baixíssimo investimento financeiro em todas as etapas do ensino e os recorrentes cortes de verbas. Assim como o descaso e desrespeito com a valorização (pra não falar de aumento) dos salários dos educadores e as reformas curriculares que de tempos em tempos são realizadas sem a ampla participação e debate daqueles e daquelas mais diretamente atingidos.

Também destacamos o Plano Nacional da Educação (PNE) que visa oficializar como política de Estado: a precarização e a mercantilização da educação e as investidas em torno da terceirização das atividades meio (principalmente no ensino superior) e das atividades fins (como o próprio ensino) através das Organizações Sociais/OS (figuras jurídicas de direito privado). Sem falar nos projetos de lei que se abrigam sob a alcunha “Escola Sem Partido”, também conhecidos como “lei da mordaça”, que visam eliminar das escolas o debate sobre gênero e sexualidade, a discussão sobre nossa ancestralidade Negra/Quilombola e Indígena; e calar, sob a desculpa da “neutralidade” e do “apartidarismo”, a voz dos educadores sobre outros temas importantíssimos que podem ser considerados “doutrinação” e propaganda “partidária” ou “ideológica”. Aqui há um novo modelo de dominação cultural que visa abafar as possibilidades de resistência dentro dos espaços educativos.

AS BUROCRACIAS SINDICAIS E ESTUDANTIS

Toda essa situação, criada por governos e patrões ávidos por lucro, não se deu sem a conivência com setores do movimento sindical e estudantil. Uma burocracia que sempre colocou os interesses de seus partidos na frente da mobilização e da organização daqueles e daquelas que dizem “representar”. As diversas direções sindicais vinculadas ao PT e PCdoB, Centrais Sindicais como CUT (Central Única dos Trabalhadores) e CTB (Central dos Trabalhadores do Brasil) e entidades estudantis como UNE (União Nacional dos Estudantes) e UBES (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas), são as principais responsáveis por botar freios na disposição de luta da base sindical e estudantil e pelas seguidas traições às suas bases ao assinar acordos a portas fechadas com os diferentes governos. Transformam também, o movimento estudantil num “micro” parlamento, fazendo das lutas estudantis uma “escada” para o reformismo.

A prática cotidiana dessas entidades tem preparado o terreno para os ataques dos de cima ao não organizar e mobilizar uma luta consequente dos estudantes e trabalhadores da educação e ao desarmar esses mesmos setores quando eles demonstram disposição de se organizar e lutar. É a prática burocrática, vertical, centralizadora e pelega dessas entidades que tem produzido o descrédito e a desconfiança tão grande de amplos setores de base do movimento estudantil e sindical.

Em contraposição aos pelegos e burocratas de toda ordem, os trabalhadores da educação e estudantes de diversas partes do país têm realizado mobilizações pautadas pela organização por local de trabalho e estudo e pela ação direta como métodos de luta. As ocupações de escolas em São Paulo, Goiás, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Ceará são referências para todos os lutadores sociais e exemplos de como é possível lutar à revelia das direções sindicais e estudantis.

AS OCUPAÇÕES DE ESCOLAS

Estudantes ocuparam (e ainda ocupam) suas escolas em diversas partes do país, reivindicando melhorias na infraestrutura, colocando-se contra as “reformas” que visam fechar escolas e rechaçando projetos de lei que querem privatizar ou tornar ainda mais conservador o ensino em suas escolas. Cada estado teve motivos distintos, mas todos esses motivos fazem parte do projeto neoliberal – como já mencionado no início – de avançar com as privatizações e destruir os direitos sociais e trabalhistas.

Em Goiás, o governo quer militarizar as escolas e repassar sua gestão para as OS. No Rio de Janeiro e São Paulo, a tentativa de fechar mais de uma centena de escolas e neste último estado, o desvio de verbas da merenda. Em Porto Alegre, a privatização pela gestão das OS, corte de verbas, a imposição do famigerado “Escola Sem Partido” e a solidariedade com a luta por melhores condições de trabalho de seus professores. Diferentes reivindicações, um mesmo método de luta e uma grande referência para o conjunto da esquerda combativa.

A marca das escolas ocupadas foi a auto-organização dos estudantes, o exercício da democracia direta, a valorização da participação e da autogestão, e da ação direta como tática de luta em que os estudantes são os principais protagonistas do conflito. Assembleias em cada escola para que todos os estudantes possam decidir sobre os rumos da ocupação; comandos estudantis formados por delegados/as eleitos pelas escolas; organização de comissões de trabalho da ocupação; critérios de entrada e permanência nas ocupações de pessoas de fora da escola, foram algumas das práticas encontradas que serviram como antídoto à tentativa de controle dos partidos eleitoreiros à frente das entidades como a UBES e que buscaram garantir outra forma de organizar a luta estudantil contra os ataques dos de cima.

As ocupações receberam forte apoio de professores, de mães e pais e, em menor medida, das direções escolares. Se não é possível dizer que a aceitação da ocupação como tática de luta foi unânime, ocorrendo situações em que setores da comunidade escolar pressionaram pela desocupação e para que as aulas voltassem a ocorrer normalmente, as ocupações receberam ampla solidariedade do conjunto dos movimentos sociais combativos e deram um novo sentido para a escola e para as salas de aula com diversas atividades, debates, oficinas, aulas públicas, etc. Nesse sentido, as ocupações não foram apenas uma tática a mais na luta pela educação, mas também um exemplo de política feita pelos de baixo e uma verdadeira escola de militância de base. Exercitam o controle coletivo do espaço escolar (autogestão) e a luta pela base, fazendo da sala de aula uma barricada estudantil.

CONTINUAR A LUTA DOCENTE E ESTUDANTIL

Marchas, piquetes, ocupações e greves são algumas táticas de pressão e ações diretas que, na nossa opinião, representam o necessário protagonismo coletivo dos estudantes e educadores nessa dura luta que continuaremos a travar contra os opressores. São medidas que nós de baixo precisamos ampliar e aprofundar cada vez mais, para fazermos valer nossas reivindicações e arrancarmos conquistas. Fortalecer a nossa luta como estudantes e educadores é fortalecer os espaços de organização popular autônomas de cada segmento e também os espaços de unidade e articulação conjunta, pois a luta é a mesma.

Uma luta por uma educação verdadeiramente pública, de qualidade e sob o controle dos/as de baixo. A educação não é mercado e seus alicerces devem ser construídos a partir de uma equidade de gênero e de nossas raízes raciais e étnicas visando uma justiça social.

Por uma educação popular que seja instrumento da emancipação dos de baixo!
Greve, marcha, piquete e ocupação!
A educação só muda com luta e organização!

cab

Julho 2016

[ORL] Questionando a relação de maternidade, transformando as relações sociais

Retirado de: http://resistencialibertaria.org/2016/05/06/maternidade/

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Questionando a relação de maternidade, transformando as relações sociais

 É preciso de uma tribo inteira para educar uma criança.
Provérbio africano

Mesmo que muitas mulheres não sejam mães, isso não exime nenhuma mulher (e nenhum homem) socialista e libertária de debater o tema da maternidade sob o viés feminista e de forma crítica para a construção de nossas organizações políticas e de um projeto de transformação da sociedade. Como esse tema é muito abrangente e complexo, este texto se propõe a pontuar alguns tópicos para se tentar construir uma nova postura diária diante das mulheres-mães que se tem contato, seja de forma rotineira ou esporádica, valendo essas reflexões para todos e todas que se interessam pelo tema e por construir relações mais solidárias e libertárias com as mulheres que são mães.

Iniciando a discussão a nível de Estado, embora algumas (insuficientes) políticas públicas reconheçam e atendam às necessidades de gestantes e puérperas, muito ainda precisa ser feito. O Estado e o patriarcado violentam as mulheres de forma sistemática, não só não atendendo suas necessidades típicas do feminino na saúde, educação, segurança e transporte, mas tirando direitos e criminalizando mulheres, principalmente as negras, quando se tenta resistir às opressões da máquina.

Atualmente, assistimos indignadas à culpabilização das mulheres em virtude do nascimento de crianças com microcefalia.  Sabemos que o zica vírus é transmitido e se perpetua por falhas em políticas públicas de saneamento básico e saúde, entre outras. Ao invés de garantir as condições de saúde pública para o desenvolvimento das pessoas, nesse caso, o Estado territorializa o corpo e a vida das mulheres, culpando-as por contrair o zica vírus. Junte-se a isso o abandono dos pais e do próprio Estado através do não-fornecimento de políticas públicas, trazendo à tona a discussão inadiável da descriminalização do aborto, de tonar a maternidade uma escolha e não algo compulsório.

A conjuntura há muito é de ataque aos nossos direitos e às nossas vidas. Exemplos disso são a criminalização do aborto, o estatuto do nascituro, pouco atendimento diferenciado na saúde (física e mental) para mulheres, carência na proteção à mulher (e principalmente às negras) contra a violência doméstica, ausência do feminismo como assunto a ser abordado nas escolas e, em alguns Estados, há inclusive uma proibição expressa nesse sentido, dentre tantos outros!

A nível de relações cotidianas e no campo simbólico, a romantização da maternidade é um mecanismo machista e patriarcal de naturalizar e perpetuar a sobrecarga de trabalho sobre as mães. Decorrente dessa romantização surge a CONIVENTE E CONVENIENTE figura do “pai quando dá”. É possível facilmente constatar variados casos de relações em que o pai é ausente e só faz o papel de cuidador quando quer, ou ainda quando usa a criança como chantagem para se aproximar da mãe, quando a responsabilidade com a criança é só da mãe, mesmo se dividirem o mesmo espaço etc. Vivenciamos ou presenciamos diversos casos e relatos de mulheres, casadas ou não, que trabalham, vão buscar as crianças na escola e fazem tudo dentro de casa, e o pai é ausente nas atividades do dia a dia.

O “pai quando dᔓ(…) infelizmente não percebe [ou simplesmente não se importa] que o preço de sua liberdade e de sua mobilidade se faz à custa da territorialização da mulher e do tempo feminino. E que todas as vezes que ele sai pela rua sozinho, caminhando com as suas próprias pernas, é porque tem uma mulher que está fazendo o trabalho de cuidado de seu(sua) filho(a)” (Camila Fernandes).

Atrelado à territorialização da mulher e do tempo feminino, acaba por sobrar pouco (nenhum) tempo e espaço para a mulher curtir o ócio, o lazer, o trabalho, uma leitura, um hobby, um sonho ou o que quer que seja sem os/as filhos/as. Acaba também que a necessidade psicológica (fundamental!) de que as mulheres-mães tenham condições de encarar um processo de autoconhecimento, de reflexão sobre si mesmas, de cuidado de sie empoderamento coletivo fica relegado para …. DEPOIS (nunca). Resultado: muitas mulheres frustradas e deprimidas, mas se perguntando “por quê?”.

Segundo Maria José, psiquiatra do Coletivo Feminino Plural, “as mulheres casadas que têm mais de três filhos, isso é um risco para a saúde mental. Porque são elas que fazem tudo, cuidam da casa, criam as crianças sozinhas, são elas que abortam, elas que gerenciam a casa. Quando chegam do trabalho, se forem pobres, vão ter que fazer de novo tudo que fizeram na casa da patroa […]. É uma sobrecarga que não termina nunca. Então, o casamento é um risco para a vida das mulheres. Infelizmente, essa é a realidade. Porque aumenta demais a sobrecarga de trabalho”.

Do outro lado da romantização da maternidade, um outro mecanismo de violência sobre as mulheres é a exclusiva culpabilização da sociedade sobre ela por engravidar, o que se torna um grande tormento psicológico proveniente dos olhares de julgamento em cima da mulher (mais ainda quando é preta e pobre), além da falta de cuidado, da grande carência na gentileza e acolhimento a essas mulheres nos espaços públicos e dos insultos contínuos que a sociedade e(muitas vezes) a família reforçam e descarregam. Nada mais humilhante do que as palavras “Quem pariu que crie”, “abriu as pernas agora vai ter”, “é obrigação sua criar”, “quem mandou não se prevenir?!”.  Estes e outros insultos pesam para que a mulher carregue a culpa de ser mãe para o resto da vida. E ainda acreditando no romantismo da maternidade, a mãe sente que tem que aceitar tudo isso calada e sem rebater.

Diante desse quadro desolador, principalmente para as mães negras e pobres, é necessário um conjunto de ações que rompam com esses dispositivos (reais e simbólicos) do poder machista e patriarcal. A começar pelo conselho: “mais do que questionar, aproveite a oportunidade para auxiliar, para por em prática sua gentileza, seja puxando um carrinho no mercado enquanto a mãe segura o filho no colo, seja dando o lugar na fila”. (Mariana).

Também temos necessidade de progressivamente desromantizar a maternidade, como uma forma de mostrar que não só a mulher tem a obrigação de cuidar ou de ocupar todo o seu tempo nesta função.  Não falamos aqui em deixar de cuidar do filho ou da filha, mas de dividir as responsabilidades, garantindo que a mãe possa dar continuidade a seus planos de vida. Portanto, que apareçam nos discursos cotidianos e em nossas ações o incômodo e o desconforto do privilégio do “pai quando dá” – que pode ser um amigo, um colega, um familiar.

Também incentivamos a prática libertária de comuna e de responsabilidade coletiva pela socialização e criação das crianças. Buscar formas de dividir responsabilidades e multiplicar a educação das crianças é uma das maneiras mais potentes de empoderar as mulheres na luta feminista! Daí as organizações políticas, os movimentos sociais e coletivos precisarem estar atentos para as mulheres-mães que frequentam seus espaços e constroem a luta. É fundamental reconhecer que o simples fato de essa mãe estar levando sua criança para um espaço de esquerda já é uma contribuição para o fortalecimento das lutas e para a construção de uma sociedade mais justa, a partir da educação de crianças em espaços com cultura libertária.

E aqui, nós, que organizamos espaços coletivos e libertários, precisamos estar atentas: “ao se aproximar de ambientes e coletivos feministas, sejam eles presenciais ou não, a mulher precisa se sentir acolhida, segura e representada. Com a mãe não é diferente. Mas estar em um lugar onde há muita antipatia com a sua condição de mãe não é lá muito legal. Agora imaginem um ambiente feminista que não é acolhedor para uma criança. Se não acolhe a criança, logo não vai acolher a mãe”(Adauana Campos). Por isso que é tão valioso que as organizações políticas e os movimentos sociais incluam as mães em sua agenda e na sua estrutura e disposição política de se fazer movimento.

Por fim, gostaríamos de terminar o texto com a importância da desobediência para nossas crianças – tema tão caro para nós, anarquistas! Não se trata aqui da rebeldia sem causa, mas da consciência de se estar sofrendo uma injustiça e da raiva decorrente disso bem direcionada e expressa. Não se trata só de desobedecer, mas de saber quando e como desobedecer! E que ato de coragem e ousadia é se nossas mães-amigas libertárias estimularem nossas crianças a despertarem suas capacidades críticas a isso – ainda mais diante delas mesmas ou de outras figuras de “autoridade”!

“Na verdade, quanto mais permitimos que o outro siga a sua própria vontade e criamos um ambiente de condições favoráveis e saudáveis para que isso ocorra, mais respeito conquistamos nessa relação e, de lambuja, contribuímos para quebrar esse ciclo autoritário, competitivo e dominador que impera em nosso contexto social. As pessoas mais criativas e que surpreendem nesse mundo são as que aprenderam que é preciso desobedecer. Quando aprendemos a desobedecer, (re)descobrimos o prazer da vida, aquela felicidade genuína da infância e passamos a obedecer (aí sim), a nós mesmos, ao nosso coração.” (Bruna Gomes)

Referências

Camila Fernandes:

http://www.geledes.org.br/pai-quando-da/?fb_ref=4725e72374f240998357609a68798cbf-Facebook

Adauana Campos:

https://www.facebook.com/ogatoeodiabo/photos/a.189948551181226.1073741826.189944834514931/523383297837748/?type=3&theater

Julia Harger:

https://temosquefalarsobreisso.wordpress.com/2015/11/22/desconstruir-a-maternidade-romantica-e-nosso-papel/

Maria José:

http://www.geledes.org.br/o-casamento-e-um-risco-para-a-vida-das-mulheres-diz-medica-especialista-em-saude-mental-feminina/#ixzz44LrTTyRk

Bruna Gomes:

http://brincandoporai.com.br/a-importancia-da-desobediencia/

Mariana:

http://porumavidadeverdade.com/eu-mae-solo-de-tres-puerpera-longe-da-familia-e-feliz/

[ORL] CONTRA O EXTERMÍNIO DE NEGRAS E NEGROS DA PERIFERIA E DE TODA POPULAÇÃO POBRE!

Retirado de: http://www.resistencialibertaria.org/index.php?option=com_content&view=article&id=159%3A2015-11-29-01-22-14&catid=99%3Anegras-e-negros&Itemid=56

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Boletim da Organização Resistência Libertária (ORL/CAB) | Novembro de 2015 | Fortaleza – Ceará

Contra o extermínio de Negras e Negros da Periferia e de toda População Pobre!

Não tem escolar, não tem lazer,
Só crack, arma, polícia pra te corromper,
O sistema é maquiavélico, estratégico, não erra,
arma todo esse cenário de guerra

Leandro Mc/FOME

Lutamos cotidianamente contra as estatísticas da morte de nosso povo, negro e pobre. E essas estatísticas trazem resultados alarmantes. Um desses resultados nos diz que um jovem negro no Brasil tem três vezes mais chance de ser assassinado do que um branco, sendo que 77% das vítimas de assassinatos são negros. A polícia brasileira é a que mais mata no planeta e os números apontam que seu principal alvo tem: cor/raça e classe social.

Para a maior parte da população, e principalmente para os programas policialescos e as forças repressoras do Estado, “bandido bom é bandido morto”. Mas, na realidade tal pena de morte só é aplicada a população negra e pobre, o que resulta num verdadeiro holocausto na periferia.

A polícia civil e militar, um dos braços armados do Estado, é uma instituição que tem forma, poder e uma articulação intrínseca com as estruturas da nossa sociedade (que é dividida em classes). Sua forma é hierárquica, sendo pautada cotidianamente pela repressão violenta, visando defender o Estado, o Capital, a supremacia branca e o patriarcado.

O Estado tem o monopólio da repressão através das forças armadas, mas também devemos considerar as relações de poder entre as forças armadas/militar e o Estado (expressão político-institucional), em um determinado momento. A esfera política/jurídica/militar traz um mar de relações corruptas e uma série de violências brutais para o nosso povo, negro e pobre.

Os Estados programam formas que possam encarcerar a população negra, pobre e lutadora. O controle social é um mecanismo utilizado pelo Estado que visa, exclusivamente, punir quem não ler na sua cartilha, quem não concorda com o seu “circo”. Manifestações radicalizadas que possam surgir contra o ajuste fiscal, direitos das mulheres e redução da maioridade penal estão seriamente ameaçadas. São exemplos de controle social: a Lei Antiterrorismo (de autoria do Poder Executivo, o projeto de lei segue como PL 2016/2015 na Câmara e PL 499/2013 no Senado), surge para tentar calar os setores mais combativos e revolucionários. O texto “antiterror” diz: “incendiar, depredar, saquear, destruir ou explodir meios de transporte ou qualquer bem público ou privado”. Para se ter apenas um exemplo, o “incêndio” foi o mecanismo utilizado pela comunidade do São Miguel horas depois da chacina da Messejana na entrada do bairro, essa foi à arma que os populares tinham para chamar a atenção da sociedade sobre o caso. A defesa da propriedade privada e da ordem burguesa é clara na lei, de maneira que nada possa ameaçar este esquizofrênico sistema desigual, opressor e racista. A redução da maioridade penal também é um exemplo de controle social que tem no encarceramento a solução para um Estado cada vez mais militarizado.

A origem da polícia remonta ao período escravocrata tendo a função de capturar e matar negras e negros que foram escravizadas/os, defender a propriedade privada e o abominável sistema escravista, negando dessa forma, heranças culturais, corporeidade, sexualidade e um mundo afro.  Desde a invasão portuguesa “O estupro, o linchamento e o genocídio dos povos originais e do povo negro são elementos estruturantes da nossa realidade histórica.” (1)

Quantas Anastácias não foram capturadas e silenciadas com uma máscara de ferro, tendo sua ancestralidade negada e sua vida ceifada pelos horrores da exploração? Quantas Claúdias não foram arrastadas e mortas? De lá pra cá nunca existiu polícia cidadã ou polícia amiga, o que vemos é uma articulação repressora e exterminadora da polícia – civil e militar. Precisamos mudar radicalmente a sociedade e não fazer uso das ferramentas do opressor, pois “as ferramentas do mestre nunca vão desmantelar a casa-grande” (Audre Lorde).

Não podemos reformar a polícia nesta sociedade que é capitalista, racista e patriarcal. Se há um grupo de policiais que verdadeiramente é contra o tripé repressor de nossa sociedade eles devem sair da polícia, pois lá são e continuarão sendo cúmplices do extermínio do nosso povo.

O mesmo se aplica ao processo eleitoral, pois nenhuma eleição irá barrar o extermínio de negras e negros da periferia e de toda população pobre. A eleição como farsa, sempre teve o papel de eleger fantoches e supostos representantes. Obama nos Estados Unidos é só mais um exemplo de como esse processo é fraudulento e racista, pois a justiça, o governo Obama e as forças repressivas norte americana continuam encarcerando a população negra, condenando a prisão perpétua e levando milhares negras/os e latinas/os para o corredor da morte. O ex-pantera negra Mumia-Abu Jamal é só mais um exemplo.

A ditadura civil-militar teve seu fim na década de 1980? Há um regime ditatorial e autoritário vigente, a ditadura não cessou para a periferia e todas as classes populares. As práticas repressivas continuam e o extermínio não dá sinais de parar para periferia. Os anos de 1990 deram continuidade ao derramamento de sangue no chão. Só para citar dois exemplos, as forças do Estado estiveram envolvidas no massacre do Carandiru (1992) e da chacina da Candelária (1993). O projeto de Estado brasileiro sempre foi genocida e racista, vivemos na democracia da morte para o povo negro e pobre, em que o encarceramento e a pena de morte nos são oferecida pelo Estado.

A crescente militarização da sociedade é uma realidade. São mais UPPs, expansão massiva do Raio (Rondas de Ações Intensivas e Ostensivas), supostas armas “não letais” para o conjunto da guarda municipal e gestão militar nas escolas, como é o caso de Goiás, em que o governador Marconi Perillo (PSDB) propôs em meados deste ano um projeto de militarização de algumas escolas, trazendo mudanças na estrutura organizativa da escola, implementando o código disciplinar militar e criando algumas taxas. (2)

Racismo institucional, chacina e sequestros já fazem parte de nosso cotidiano. Forjamento de flagrantes em homens e mulheres da periferia já é prática corriqueira. Tudo que difere do padrão vigente, que é excludente e preconceituoso, em termos de raça, classe, sexualidade, comportamento e idade, já são estigmatizados e considerados indesejados.

Quando não nos matam cotidianamente com vários tiros de diversos calibres, nos matam com a ausência dos serviços básicos sociais, nos matam com a humilhação diária e com a precarização de tudo que é considerado “público”. Portanto perguntamos: “Cadê o que tu prometeu pra minha favela, pra minha periferia não vejo nada nela” (Mc Frank/FOME). O Estado aprofunda a segregação, faz uso do racismo institucional para humilhar os jovens da periferia. A polícia vem realizando uma espécie de blitz nas vias de acesso aos bairros periféricos, em que os “suspeitos”, de maioria negra, são obrigados a descer do ônibus. O assédio policial humilha, criminaliza e estigmatiza a população periférica negra e pobre.

A ordem para o controle social é abater. Na chacina da Messejana (São Miguel, Lagoa Redonda e Curió), no último dia 11 de novembro, onze periféricos foram mortos, são eles: Patrício, 16; Allison, Jardel, Marcelo s. Mendes, Alef, Marcelo S. Pereira, Erick, todos tinham 17; Pedro, 18; Jandson, 19; Elenildo, 41; Valmir, 37. Todo o grupo de extermínio que praticou a ação estava encapuzado, os mesmos arrombaram portas, arrastaram as vítimas para fora de casa e executaram. Nenhuma das vitimas tinham passagem pelo polícia pelos ditos crimes graves. Sete outras vítimas foram lesionadas a bala e/ou lesão corporal no momento da chacina. Um dos projetos de controle social, do programa “Crack é possível vencer” (uma unidade fixa), a UPP de Fortaleza, situada no São Miguel, um dos locais da chacina, não viu nenhuma movimentação mesmo com todas as suas câmeras de segurança.

Outras chacinas também ocorreram nos últimos meses em outros Estados. Em Salvador, por exemplo, no dia 6 de fevereiro, 16 foram mortos na chacina do Cabula. A dita “segurança pública” da gestão de Rui Costa, do PT, executou sumariamente a juventude negra e pobre. Perseguir, capturar e executar sempre fez parte do código da polícia, seja ela civil ou militar.

A perseguição aos indígenas, quilombolas e periféricos, negras/os e pobres continua. No Ceará, diversas comunidades indígenas sofrem com o assédio policial nas áreas de retomadas. Os quilombolas do Cumbe, Aracati, foram despejados/as violentamente em agosto de 2013 pela PM/Cotar de uma área ocupada por eles/as para fins de recuperação ambiental, em um local que antes era um viveiro de camarão.

As mulheres negras também são as que mais sofrem. Números indicam que houve um aumento de 54% em termos de homicídios (mapa da violência, 2013) praticados contra a mulher negra, enquanto em relação a mulher branca houve uma queda de 9,8%. Outro gravíssimo problema é na unidade prisional feminina da região metropolitana de Fortaleza, Auri Moura Costa, o presídio hoje amontoa cerca de 700 mulheres e nos últimos cinco meses já foram registrados duas mortes (Ana Claúdia e Joelma de Souza).

O defasado sistema socioeducativo também abriga em sua maior parcela adolescentes negras e negros e pobres. Depois de um 2015 de muitas manifestações por parte dos jovens, por conta da superlotação, maus tratos e péssimas condições sanitárias, o pior ocorreu. O adolescente Márcio, 17, foi morto pelo BCPM no momento de uma manifestação no Centro “Socioeducativo” São Miguel e no C. “Socioeducativo” São Francisco, no dia 6 de novembro. O caso provavelmente será registrado comoauto de resistência, ou seja, resistência (do policial) seguida de morte. É uma forma de legalizar e legitimar a violência cometida pelas forças policiais, e sendo assim, quando registrado como auto de resistência, os homicídios realizados pelo braço armado do Estado acabam não sendo investigados. Algumas semanas depois da morte de Márcio, vários instrutores foram presos por conta de uma surra generalizada em um dos centros.

E os abusos continuam! O sequestro também faz parte do cardápio das forças policiais.  Foi o que ocorreu com o frentista João Paulo, 20, que não possui passagem pela polícia. Visto pela última vez no dia 30 de setembro na Av. Cônego de Castro, no Parque Santa Rosa, o mesmo aparece no referido dia em imagens de uma câmera de segurança sendo abordado por uma patrulha militar e sendo conduzido para um veículo de passeio. O grupo de sequestro e extorsão foi “preso” e é formado por três policiais da Força Tática de Apoio (FTA)/BPM de Maracanaú e um sargento da reserva da PM. João Paulo até agora não apareceu!

Nosso chão sagrado foi manchado de sangue e a luta cotidiana cobrará o extermínio da população negra e pobre

O que deve ser exterminado é o preconceito racial dentro de nós, o discurso racista da extrema- direita e até de alguns setores da esquerda. Tanto direita como parte da esquerda defendem um projeto político hegemônico branco/eurocêntrico. Alguns setores afirmam que não há o racismo e outros enxergam como uma questão secundária. Para nós, da Organização Resistência Libertária [ORL-CAB], o debate e prática da luta antirracista não é secundário. Acreditamos que devemos descolonizar a consciência e deixar a briga pelo poder centralizado do Estado de lado. Muitos setores não querem discutir privilégios e acreditam que estão fazendo seu papel ao buscarem colocar algum representante nas cadeiras do legislativo ou em alguma secretaria sobre a questão racial. O Estado enquanto instrumento político tem suas bases cimentadas no capitalismo, no patriarcalismo, no racismo, na heteronormatividade e outras mil e uma opressões.

A reforma será sempre parcial, nunca devendo mexer nem um milímetro nas bases do Estado. A luta antiautoritária negra (3) deve partir de baixo para cima, a partir de nossas experiências, vivências e práticas comunitárias em torno da igualdade entre os iguais e não de estruturas hierarquizadas, como o Estado, partidos e as relações econômicas.

Acreditamos na autoidentificação racial e entendemos que o reconhecimento enquanto negra e negro deve ser o combustível para o fortalecimento da luta específica, independente, autônoma e coletiva com os outros setores. Se nós não nos reconhecemos, o Estado, Polícia e todos os opressores nos reconhecem e nos discriminam. Não podemos aceitar essa máscara de ferro sutil e violenta, não devemos nos silenciar! O projeto capitalista, racista e machista nos retira tudo e sua consequência é sermos exterminadas/os, capturadas/os e levadas/os para os presídios, sistema “socioeducativos”, tráfico, exploração infantil e o turismo sexual. Qual a diferença entre a relação do senhor de engenho com as negras e os negros do período escravocrata com os dias de hoje?

Nós, negras e negros, temos muito a dizer sobre tudo e em todos os espaços, e não só sobre a questão negra, afrodescendente. É necessária a equidade racial em todos os lugares, mas sabemos dessa dificuldade, pois vivemos sob um projeto de limpeza social racista que nos quer ver mortas/os, trancafiadas/os e servindo de mercadoria sexual para o bel prazer do senhor. A real mudança desse quadro racista passa por nossas comunidades, nossos quilombos periféricos, seja na cidade ou no campo. Devemos refletir nossos problemas e pensar a partir de nossas possibilidades, não nos cabe fechar nossas consciências apenas as teorias eurocêntricas, sobretudo aquelas que pesam o histórico de dominação.

A luta antiautoritária negra não terá intermediação burocrática, já está se organizando na periferia e combaterá qualquer forma de subserviência. Nenhum partido nos forçará dar um passo atrás, a luta antirracista diz e dirá: Nenhum passo atrás! Reaja ou será mortx! (Campanha Reaja ou Será Mortx). Podemos até está no mesmo barco, mas nosso povo NEGRO continua sofrendo com o preconceito, discriminação e o racismo, mas estamos saindo dos porões dos navios negreiros para destruir os senhores que estão na parte superior dos vários “La Amistad”. (4)

Nós da Organização Resistência Libertária reafirmamos nosso compromisso com xs de baixo e o nosso repudio a todas as formas de opressões. Por isso dizemos não a redução da maioridade penal e não ao extermínio da juventude negra e pobre. Lutaremos para impedir que a marcha fúnebre prossiga!

Nosso sangue é NEGRO e VERMELHO e nosso corpo é sinônimo de Resistência!

Zumbi e Dandara somos nós!!!

(1) Coletivo Editorial Sunguilar. Anarquismo e Revolução Negra, 2015.

(2) Passa Palavra, Goiás: comunidade se mobiliza contra militarização de escola

(3) Lorenzo Kom ‘Boa Ervin. Falando de Racismo e libertação Negra

(4) Navio negreiro tomado por negros e negras no século XIX, no Oceano Atlântico

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[ORL] SAUDAÇÕES À COMEMORAÇÃO DOS 5 ANOS DA ORGANIZAÇÃO RESISTÊNCIA LIBERTÁRIA

Retirado de: http://www.resistencialibertaria.org/index.php?option=com_content&view=article&id=110:saudacoes-a-comemoracao-dos-5-anos-da-organizacao-resistencia-libertaria&catid=84:anarquistas&Itemid=64

No último dia 14 de novembro a Organização Resistência Libertária [ORL/CAB] comemorou seus 5 anos de luta. Na ocasião tivemos uma mesa-debate pública chamada “O Anarquismo e suas contribuições para os Movimentos Sociais”, ao lado de organizações políticas irmãs do Nordeste e Norte desse país. Reproduzimos abaixo as saudações que nos foram enviadas pelas Organizações da Coordenação Anarquista Brasileira [CAB] e que não puderam estar presentes. Pedimos desculpas por não reproduzir aqui algumas saudações pronunciadas por Organizações irmãs e indivíduos na ocasião no evento – só não estamos fazendo pela falta do registro escrito, já que não gravamos a fala.*

 


 

Saudação do Coletivo Anarquista Zumbi dos Palmares [CAZP-Alagoas]

Sementes foram e continuam sendo plantadas por estes lados, hoje, do solo nordestino, podem ser colhidos os frutos da luta pelo Socialismo Libertário. Esta luta não é simples, nem tampouco de curta duração. Para tal é necessário vontade histórica, determinação enquanto lutadoras e lutadores organizados, além de inflexibilidade quanto aos nossos princípios.

Nós, do Coletivo Anarquista Zumbi dos Palmares, certos estamos que o dito cima é aceito e compartilhado com as companheiras e companheiros da Organização Resistência Libertária, que, com retidão ética, muita generosidade ao ensinar e muita vontade em aprender, tem estimulado o diálogo e a participação – dos indivíduos e organizações mais próximas aos indivíduos e organizações mais distantes -; dando uma contribuição imensurável à nossa ideologia anarquista e, especialmente, à nossa estratégia especifista.

Desde a terra de Palmares, saudamos, portanto, a Organização Resistência Libertária neste seu quinto aniversário, motivados não apenas pela alegria desta comemoração – embora esta não seja pouca – mas também, a partir da compreensão de que nossa luta é um processo contínuo, desejamos que cada aniversário seja revertido em ânimo para seguirmos juntos nessa caminhada.

Coletivo Anarquista Zumbi dos Palmares

 

Alagoas – Novembro de 2013

 

Saudação do Coletivo Anarquista Luta de Classes [CALC-Curitiba]

 

Curitiba, 13 de novembro de 2013.

Saúde aos 5 anos de luta e resistência da ORL!

Salve companheiros e companheiras da Organização Resistência Libertária!

É com muita alegria que nós, do Coletivo Anarquista Luta de Classes, os saudamos pelos árduos, mas construtivos, 5 anos de luta e resistência anarquista no Ceará. Por mais que a distância que nos separe seja grande, a nossa proximidade política à suprime. Temos em mente que nosso objetivo é o mesmo: superar o capital e acabar com toda forma de dominação. Esperamos sinceramente que o anarquismo social no Brasil continue à se fortalecer e isso não pode ser construído sem a solidariedade entre as organizações e companheiros/as anarquistas organizados. Sabendo que os/as companheiros/as da ORL acreditam e colocam em prática os princípios que são tão caros à nós, anarquistas organizados, tal como afirmam em sua carta de apresentação:

uma organização específica de anarquistas, resultante da livre vontade de indivíduos de unir e coordenar seus esforços de forma horizontal e autônoma, pautados na liberdade e na responsabilidade individual e coletiva, no apoio mútuo e na democracia direta, com a disposição de militar socialmente, visando contribuir para a construção de experiências de organização e de lutas sociais com perspectiva anti-capitalista

Isto por si só, e a consciência de que os/as companheiros/as colocam tais princípios em prática, já nos basta à ser totalmente solidários e à desejar estar junto em nossas lutas. Acreditamos, assim como a ORL, que este sistema de dominação e exploração não é sustentável, e utópico é quem não aceita o fim inevitável deste sistema.

Por fim, sabemos que estamos juntos hoje e esperamos que nossa unidade tenha vida longa, assim como a ORL! Que venham mais 5, 10, 15 anos!

Saúde à ORL!

Viva a CAB!

Viva o anarquismo organizado!

Coletivo Anarquista Luta de Classes – CALC-CAB

 

Saudação da Federação Anarquista Gaúcha [FAG-Rio Grande do Sul]

ADESÃO FAG AOS 5 ANOS ORL

Nós da Federação Anarquista Gaúcha queremos saudar a ORL pelo seu aniversário de 5 anos e mandar a toda sua militância um caloroso abraço!

Para nós é significativo que 3 organizações que integram a CAB estejam de Aniversário em datas próximas (nós, vocês e a FARJ). Acreditamos, dessa forma, que é um momento importante de reafirmarmos nossa convicção e firmeza ideológica e nosso pertencimento a essa fraternidade libertária que é a CAB e que tem muito ainda a contribuir com a organização e luta das classes oprimidas.

Vivenciamos uma conjuntura importante nesse ano que passou, aprendemos muito e acredito que ainda temos muito a aprender, coletiva e organizadamente é claro. O ano que se aproxima, ano de Copa e de Eleições, nos parece ser um ano de recrudescimento da repressão, do aprofundamento das medidas de cerceamento das liberdades legais… Não podemos dizer que estamos às portas de uma ditadura. Trata-se de mecanismos que a democracia burguesa tem utilizado quando aumenta a indignação e a luta popular. Mas podemos dizer que o ano de 2013 foi um marco e tem nos indicado que entraremos em um novo período da luta de classes. Necessitamos ajustar nossas lentes e estar em dia com a análise da conjuntura para melhor nos situarmos politicamente. Acreditamos que é um bom momento para intensificarmos a propaganda Anarquista e consolidarmos o Anarquismo como uma referência que já é para muitos, mas que pode ser para muitos mais.

E vamos adiante companheirada!

Um forte abraço desde o Rio Grande do Sul, desde a militância da FAG e Não tá morto quem peleia!

Viva a ORL, Viva a Anarquia!!!

 

Saudação do Coletivo Anarquista Bandeira Negra [CABN-Santa Catarina]

SAUDAÇÃO À ORGANIZAÇÃO RESISTÊNCIA LIBERTÁRIA

Companheiras e companheiros,

O Coletivo Anarquista Bandeira Negra, de Santa Catarina, escreve esta saudação referente aos cinco anos de existência da Organização Resistência Libertária, de Fortaleza, Ceará.

Apesar da longa estrada que nos separa geograficamente, nos sentimos próximos por conta do trabalho incessante de construção do anarquismo com laços efetivamente solidários, classistas e inseridos nas lutas pela transformação social da realidade perversa que o capitalismo neodesenvolvimentista impõe ao povo sofrido das diferentes regiões do Brasil. Que por toda parte sigamos avançando juntos/as, ombro a ombro, na luta dos/as de baixo, criando o poder popular!

Desejamos às nossas irmãs e irmãos de classe e de ideologia muita força e rebeldia para as lutas e desafios que virão pela frente!

Lutar hoje e sempre!

Pelo Socialismo Libertário!

Vida longa à Organização Resistência Libertária!

 

Coletivo Anarquista Bandeira Negra

Santa Catarina, 13 de novembro de 2013.

 

Saudação da Federação Anarquista do Rio de Janeiro [FARJ-Rio de Janeiro]

Saudamos os compas da ORL pela coerência, perseverança e compromisso ético para lutar pelo socialismo e a liberdade. Nós consideramos Organização Irmã, com os desafios e punhos cerrados do anarquismo levantados em diferentes regiões do país.

José Oiticica vive exemplo de luta da ORL!

Viva o Anarquismo!

Viva a CAB!

Vida longa a ORL, até a batalha final!

Federação Anarquista do Rio de Janeiro

14 de novembro de 2013

 

Saudação da Organização Anarquista Socialismo Libertário [OASL-São Paulo]

Saudação da OASL aos 5 anos da ORL

Companheiras e companheiros da ORL,

Já se vão 5 anos daquele 2008, quando o anarquismo se rearticulava no Ceará e se fundava a Organização Resistência Libertária! Parece que foi ontem aquele debate cheio de pessoas interessadas e muito frutífero, realizado no momento de fundação da organização.

Como sabemos, esse esforço custou muito esforço e dedicação da militância. É sempre difícil organizar algo localmente quando não há uma geração precedente de militantes ou mesmo uma tradição recente de anarquismo. E vocês tiveram o mérito de, partindo de relações estabelecidas com outros estados, construir um processo sólido em Fortaleza, que vem estabelecendo raízes junto ao povo cearense. Avançaram nas discussões, fortaleceram o trabalho de base e a propaganda.

Fortaleza possui um caminho com o qual nos identificamos. Temos uma trajetória com alguma similaridade, pois, mesmo encontrando na FARJ certo referencial, tivemos de nos desenvolver localmente; tivemos de aprender a caminhar caminhando.

Sem dúvidas, desde sua fundação, a ORL tem construído trabalhos sólidos e aprofundado suas linhas ideológica e estratégica, dando continuidade a uma proposta coerente aos objetivos do anarquismo especifista.

Hoje, a ORL é uma organização chave da CAB, espaço que ajudou a conformar em 2012. Estamos orgulhosos que vocês estejam fortalecendo o anarquismo no nordeste e esperamos que esse esforço possa continuar nos próximos anos, com a mesma motivação que tem caracterizado esses cinco anos de luta.

Arriba l@s que luchan!

Lutar, criar, poder popular!

Organização Anarquista Socialismo Libertário – OASL

São Paulo, novembro de 2013

 

* Os seguintes grupos e individualidades também fizeram saudações à comemoração dos 5 anos da ORL: Coletivo Libertário Delmirense [COLIDE], Núcleo Anarquista Resistência Cabana [NARC], Coletivo Anarquista Ademir Fernando [CAAF], Carlão (Anti-quiprocó), Adelaide Gonçalves (UFC), José Ribamar (Professor da Rede Pública Estadual), Patrícia Ximenes (Psicóloga)

 

[ORL] NOTA DE SOLIDARIEDADE AOS LUTADORES E LUTADORAS DA COMUNIDADE DO CUMBE ARACATI – CEARÁ

Nós, da Organização Resistência Libertária [ORL], integrante da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB), prestamos nosso total apoio e solidariedade em virtude do despejo violento sofrido por vinte sete famílias pertencentes à Comunidade do Cumbe, localizada a 12km da cidade de Aracati, litoral leste do Ceará. A comunidade do Cumbe, formada por pescadoras/es, marisqueiras/os e trabalhadoras/es em geral, como prova de resistência da luta pela vida e da manutenção integral de seus territórios, ocupava desde o dia 10 de março de 2013 uma antiga fazenda/viveiro de camarão que se encontrava desativada desde 2004.

Durante os meses da ocupação da área abandonada, a comunidade se organizou localmente para realização de atividades como debates de conservação do ecossistema, discussões com os movimentos sociais e atividades de apoio ao acampamento. Diferente do suposto “dono” que apropriou-se da área para degradá-la, as famílias pertencentes à comunidade do Cumbe vinham autogerindo seu território com a perspectiva de trabalhar na recuperação da área degradada.

Infelizmente, no dia 20 de agosto, de forma violenta e covarde, as famílias foram despejadas pela Policia Militar em uma ação concedida pela justiça, que só tem olhos para defender o grande capital. Acompanhando a policia militar na ação estava um oficial de justiça e o empresário Rubens dos Santos Gomes, que afirma ser dono da terra. Assim, nos perguntamos:Dono? Como assim, Dono? Como o referido empresário, destruidor do meio ambiente, pode ser dono de uma imensa área de manguezal?

O que fica claro, em nosso ponto de vista, é que grande parte desta problemática se deve às relações de favorecimento do Estado com empresários do setor da carcinicultura na região. Essa relação estreita é entendida de forma clara quando o poder executivo concede vastas terras para a exploração e degradação e isto se confirma com as decisões do poder legislativo que cria leis para beneficiar os carcinicultores e quando vemos que sempre que “há problemas nas leis para instalação ou na propriedade”, a justiça julga em favor dos empresários em detrimento da comunidade. Assim como o caso do Cumbe, este conluio entre os agentes políticos e econômicos da região (Estado e o grande capital) há muito tempo vem oprimindo e exterminando as iniciativas coletivas em defesa do manguezal.

Entende-se carcinicultura como a prática do cultivo de camarão em viveiros. Esta tem sido, em parte do litoral cearense e nordestino, uma das atividades que, diretamente, mais afeta o meio ambiente costeiro. Com o objetivo da produção em larga escala, áreas de mangue são substituídas pela instalação de imensos tanques artificiais, impactando o habitat de inúmeras espécies de crustáceos, peixes, aves e insetos, que tem o mangue como verdadeiro berçário de biodiversidade, presentes nas zonas litorâneas. Oficialmente, uma questão que não podemos deixar de chamar atenção é que, de acordo com o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC) o ambiente manguezal é uma Área de Proteção Permanente (APP), portanto, é ilegal a destruição da vegetação de mangue e apicum (vegetação nativa do ecossistema manguezal), assim como a promoção da degradação as espécies existentes.

Os povos que residem próximo ao mangue, tem toda uma cultura que foi construída a partir do contato com o ecossistema, que é o local de origem de sua fonte alimentar primária. Desta forma, o mangue se apresenta também como um local secular para os pescadores e marisqueiras da região, em que os costumes e práticas remontam longos períodos, segundo a memória coletiva da comunidade. Em contrapartida, o empresário é um dos devastadores do ecossistema manguezal em nosso Estado, que contribuiu e continuará contribuindo para a redução da área de manguezal do Ceará. A ocupação no viveiro abandonado foi legítima e visava denunciar a devastação ao ecossistema manguezal, assim como reivindicava a garantia de permanência e continuação de seus modos de vida e cultura em seu território.

Somos frontalmente contra a lógica capitalista de destruição do meio ambiente, de defesa do latifúndio, criminalização de lutadoras/es e extermínio de territórios das populações originárias. Somos amantes da igualdade, que só será alcançada através da organização horizontal de base, na construção do poder popular, do ombro a ombro na luta e nas sementes que são plantadas todos os dias pelos lutadores/as de uma outra sociedade, como é o caso dos moradores de luta do Cumbe. Enxergamos a iniciativa do acampamento como um grito que diz basta ao latifúndio, basta à desigualdade, basta à criminalização dos movimentos sociais, basta ao desmatamento dos mangues, basta à poluição das águas, basta à salinização do solo, basta às opressões que sofremos.

Por isso somos contrários a essa atividade, ao dito “progresso” capitalista que é pregado na região e ao Estado que faz uso de sua violência organizada, a polícia, para oprimir os povos lutadores da região litorânea. Somos solidários as famílias de lutadoras/es da comunidade do Cumbe, apoiamos suas resistências e lutas, chamando todas e todos que são contra essa injustiça social e a violência do Estado, a se solidarizarem às companheiras/os lutadoras/es da zona costeira.

 

 

TODA SOLIDARIEDADE DIRETA AOS LUTADORES E LUTADORAS DO CUMBE!

PELO FIM DA CARCINICULTURA E DA DEGRADAÇÃO DE NOSSA ZONA COSTEIRA!

CONTRA A “JUSTIÇA” DOS RICOS E A REPRESSÃO DA PM FASCISTA!

PELA CONSTRUÇÃO DO PODER POPULAR!

Organização Resistência Libertária [ORL-CAB]

30 de agosto de 2013

[Ceará] TRABALHADORES GRÁFICOS DO CEARÁ REALIZAM MANIFESTAÇÃO EXIGINDO MELHORES CONDIÇÕES DE VIDA E TRABALHO

Retirado de: http://resistencialibertaria.org/index.php?option=com_content&view=article&id=97:fortaleza-trabalhadores-graficos-do-ceara-realizam-manifestacao-exigindo-melhores-condicoes-de-vida-e-trabalho&catid=88:lutas&Itemid=64

“A imprensa é tão poderosa no seu papel de construção de imagem que pode fazer um criminoso parecer que ele é a vítima e fazer a vítima parecer que ela é o criminoso. Esta é a imprensa, uma imprensa irresponsável. Se você não for cuidadoso, os jornais terão você odiando as pessoas que estão sendo oprimidas e amando as pessoas que estão fazendo a opressão.”

Malcolm X

Ocorreu em Fortaleza no último dia 29 uma manifestação pública dos trabalhadores gráficos do Ceará em frente à sede do jornal Diário do Nordeste (imprensa corporativa), próximo à Praça da Imprensa. Os gráficos do setor de jornais e revistas estão em greve desde o dia 18 de maio, por melhores condições de vida e trabalho para a categoria, uma das mais sofridas e exploradas no estado. No decorrer da manifestação, os trabalhadores do Sindicato da Construção Civil da Região Metropolitana de Fortaleza – em greve há 24 dias (desde o dia 07 de maio), que se dirigiam em caminhada à Assembleia Legislativa, resolveram somar-se aos gráficos, num ato de solidariedade.

Durante o protesto, que transcorria de forma organizada e tranquila, um segurança particular do Diário do Nordeste provocou um dos manifestantes, pegando uma pedra e insinuando atirá-la contra os trabalhadores. Diante disso, os manifestantes perderam a paciência e responderam com uma ação direta espontânea, quebrando uma porta de vidro da recepção do jornal, que até então estava fechada e com vários seguranças impedindo qualquer pessoa de entrar ou sair. Diferente do que diz o jornal, “apurando” os fatos de forma antiética, ninguém foi atingido ou ficou ferido.

Os gráficos perderam a paciência não apenas com as provocações e insinuações do segurança do jornal. Há vários dias os trabalhadores estavam em greve e os jornais da grande mídia do Ceará (entre eles O Povo e Diário do Nordeste) não davam a mínima atenção às reivindicações da categoria, tratando-os com desprezo. O sindicato dos gráficos procurou por diversas vezes os responsáveis pelos jornais para abrir um canal de negociação, que foi negado, em atitude de total indiferença com os grevistas.

Nos dias anteriores e após o início da greve, a situação foi ficando mais tensa nas sedes dos jornais e nos locais de trabalho. Os trabalhadores gráficos foram provocados por seus superiores, que cometeram vários atos de ilegalidade, efetuando uma verdadeira perseguição política. Praticaram violência simbólica, psicológica e verbal contra os trabalhadores, fazendo ameaças de demissão aos que se envolvessem na greve, confinando trabalhadores dentro das dependências do jornal e substituindo os grevistas por gráficos vindos de outros locais, inclusive do interior do estado. Todas práticas ilegais e que ferem frontalmente o direto de greve assegurado a todos os trabalhadores. Além disso, na tentativa de intimidar os trabalhadores e impedir o exercício do direito de greve, foram contratados seguranças armados com armas de fogo para vigiar a entrada da sede dos jornais.

No momento, a imprensa mercenária (como chamavam acertadamente os trabalhadores gráficos do Ceará há mais de cem anos) e seus jornalistas fazem uma campanha difamatória e caluniosa, criminalizando os trabalhadores pela ação realizada, taxando os gráficos e os trabalhadores da construção civil de “vândalos”, “bárbaros”, “agressores”, “selvagens”, “maus sindicalistas” e várias outras palavras negativas. A tentativa é de construir uma imagem dos trabalhadores em greve como violentos, desordeiros, criminosos e promotores do medo.

Os trabalhadores gráficos escreveram uma nota em conjunto com os trabalhadores da construção civil, na qual expõem sua versão do ocorrido à sociedade. A nota (que pode ser vista logo abaixo), assim como outras informações, encontra-se no site do Sindicato dos Trabalhadores Gráficos do Ceará (www.sintigrace.org). Os gráficos e trabalhadores da construção solicitam solidariedade de todos os movimentos sociais, organizações, grupos e das pessoas sensíveis do mundo, nesse difícil momento de perseguição e criminalização, que vai se desdobrar em ações judiciais, demissões e retaliações das mais variadas formas.

Toda solidariedade aos trabalhadores gráficos em greve!

Pela solidariedade de classe entre os trabalhadores em luta!

Contra toda forma de criminalização dos movimentos sociais e do protesto popular!

Alexandre Buenaventura

[ORL] MOÇÃO DE APOIO EM SOLIDARIEDADE AOS TRABALHADORES GRÁFICOS DO CEARÁ

Retirado de: http://resistencialibertaria.org/index.php?option=com_content&view=article&id=96:solidariedade-graficos&catid=88:lutas&Itemid=64

Qui, 31 de Maio de 2012 18:47

Moção de Apoio em Solidariedade aos Trabalhadores Gráficos do Ceará

Olá companheiros de luta,

Expressamos por esta carta nosso total apoio e solidariedade a vocês trabalhadores(as) gráficos do Ceará, que estão em greve há mais de 14 dias.

Acompanhamos as ações dos companheiros nos últimos dias e sabemos o quanto a imprensa corporativa, aliada aos interesses dos poderosos e dos donos da comunicação, está lhes perseguindo e criminalizando, tal como vem fazendo com os trabalhadores da construção civil e de várias outras categorias há tantos e tantos anos.

Lançamos nossa voz de apoio solidário a esta que é uma das categorias com mais forte tradição de luta no Ceará. Sabemos que vossos camaradas, há mais de cem anos contribuem de forma decisiva na luta contra a opressão e exploração dos trabalhadores sob o capitalismo, essa sociedade doentia, cruel e desumana em que vivemos.

Ações como a que vocês realizaram recentemente na sede deste mentiroso, antiético e péssimo veículo de comunicação (que nem vale a pena citar o nome) devem ser entendidas como respostas dos trabalhadores diante das provocações e intimidações que são feitas cotidianamente por aqueles que são opressores e exploradores do nosso trabalho, que vivem à custa do nosso suor, minando nossas vidas a cada dia, com as péssimas condições de trabalho e os salários de miséria que nos pagam.

Ações como as que vocês protagonizaram, são a explosão da revolta contra as perseguições e a criminalização que são praticadas contra quem luta por melhores condições de vida e trabalho. São ações desse tipo que marcam uma forma de sindicalismo de resistência, por meio da ação direta combativa e autônoma, diferente do sindicalismo pelego que estamos acostumados a ver instalado no país há várias décadas, um sindicalismo burocrata, de carreira, e repleto de “sindicalistas” de escritório, que vivem da negociata e dos conchavos políticos que só beneficiam a eles, aos políticos profissionais e aos donos da economia no país.

Em certos momentos são necessárias ações como essa, companheiros, ações diretas violentas, sem intermediários políticos e que marquem a diferença entre quem violenta os trabalhadores e nós que lutamos em legítima defesa. Sim, porque é isso que fazemos quando resistimos aos opressores e exploradores do nosso trabalho: lutamos em legítima defesa. Eles é que são os criminosos, eles é que nos violentam todos os dias. São eles os causadores diretos dos sofrimentos, das mortes (como a dos 28 trabalhadores da construção civil nos canteiros de obras desde o ano de 2011) e da dura vida que levamos. Uma vida que eles querem que seja vivida apenas em função do trabalho, para engordar os bolsos de quem vive de arrancar tudo o quanto pode da nossa saúde, do nosso tempo com a família, da nossa existência.

Esperamos que tenham êxito em suas reivindicações, companheiros, conseguindo arrancar o máximo de conquistas possíveis. Estamos à disposição de colaborar nas próximas manifestações e atividades, participando com nossas humildes forças militantes, quando for necessário.

Desejamos força e resistência na luta!

Autonomia, Combatividade e Liberdade!

Toda solidariedade aos trabalhadores gráficos do Ceará!

Quando os de baixo se movem, os de cima caem!

Os grandes só são grandes porque estamos de joelhos. Levantemo-nos!!

Fortaleza, 31 de maio de 2012.

Organização Resistência Libertária [ORL]