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[RL] Opinião sobre as eleições 2014 – RUSGA LIBERTÁRIA

Retirado de: https://rusgalibertaria.wordpress.com/2014/10/04/opiniao-sobre-as-eleicoes-2014-rusga-libertaria/

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“Sem sermos ingênuos acreditando que só ir as ruas basta, sabemos que a falta de organização de base fragiliza os processos de mobilização e facilitam as tentativas de controle pelos dominantes. Deste modo, nossa aposta é nas Ruas como espaço privilegiado da ação política, mas também é a aposta na organização horizontal e de base que fortalece a ação direta, com uma agenda popular que delibera, encaminha e executa seu programa: um programa dos de baixo, que não delega poder a nenhum político de plantão. Ou se vota com os de cima, ou se organiza e se luta com os de baixo!” (CAB, 2014)

      Esclarecer a cada eleição “como é que votamos?” é algo que faz parte da nossa construção histórica e cotidiana. Para nós da Rusga Libertária, a análise a ser traçada do panorama desse pleito visa colocar nossa opinião sobre o mesmo, deixando claro que a saída para uma mudança efetiva não está no ato de votar, de escolher representantes que na luta do povo não agregam em nada. Muito pelo contrário, tentam enfraquecer o projeto de protagonismo popular, com o falacioso argumento de que não há saída senão aquela em que “iluminados” regularmente eleitos dão as diretivas para as massas.

      Os 12 anos do governo do Partido dos Trabalhadores, que há tempos atrás aparecia como uma promessa de mudança, serviram somente para fortalecer ainda mais as oligarquias já estabelecidas. Com a política de fortalecer ainda mais o financiamento aos grandes capitalistas, criando, assim, empregos, produziram condições fragilizadas e precarizadas, propagando a mentirosa e vil ideia de que milhões saíram da pobreza porque podem consumir. Porém, muito longe de uma perspectiva transformadora, a vida da classe trabalhadora não mudou em nada.

      Não podemos deixar de recordar as lutas que foram travadas no último período. Em especial, é valido lembrar das manifestações de junho e julho de 2013, que levaram milhões de pessoas às ruas. No caso específico do Estado de Mato Grosso, constituíram um marco no que tange ao quesito de mobilização espontânea, despolitizada, mas que jamais foi presenciado na história regional. Além disso, Cuiabá, uma das sedes escolhidas para a Copa do Mundo, viu igualmente o descontentamento popular. E, novamente, viu a população sair às ruas contra todo o montante de dinheiro desviado, contra as promessas vazias de melhorias para os mais pobres, que não tiveram a chance de estar nos jogos. Sobrou para essa parcela da população somente as ameaças de desocupação e as repressões nas periferias, a fim de mostrar Mato Grosso como um Estado avançado e construir uma imagem diferente daquela da burguesia brasileira, que o vê como uma terra sem leis comandada por coronéis – Mato Grosso, um lugar isolado.

 

Um pouco da realidade eleitoral em Mato Grosso

      Em nosso Estado, boa parte dos políticos possuem ligação com o agronegócio, seja possuindo latifúndios ou sendo financiados pelos “donos do Estado”. Isso faz com que o grande mote das discussões seja políticas que irão beneficiar cada vez mais esse setor. Em nenhum momento as demandas dos povos autóctones ou da periferia no perímetro urbano apareceram como pauta. Quem agradece a esses reflexos são os latifundiários, que engoliram os pequenos agricultores, invadiram terras indígenas e mataram e continuam matando os trabalhadores que reivindicam um direito básico: o de (sobre)viver.

      O discurso sobre serviços básicos para a classe trabalhadora, como transporte, saúde, segurança e educação, é o mesmo de eleições passadas. Não se aponta para nenhuma mudança real. O que vemos é que tal discurso aparece de forma mais nociva do que o neoliberalismo dos governos passados. O que, nós anarquistas especifistas, analisamos ser uma outra forma de governar para e com a burguesia, o neodesenvolvimentismo

“Toda esta forma de governar tem sido sintetizadas por nossa corrente, no bojo da CAB, como oneodesenvolvimentismo, porque representa uma nova busca pelo desenvolvimento de alguns setores da economia como sua inserção na economia internacional por meio da injeção de recursos públicos (isto é mais intervenção que no período neoliberal), todavia com certa repaginação, pois não podemos comparar essas com as políticas desenvolvimentistas de outrora, afinal o Estado entra mais como financiador do que como agente direto do desenvolvimento, nesse sentido privatizações e parcerias público privadas vigentes da época neoliberal se mantém, quando muito ganham outra roupagem.” (CAB, 2014)

      Em Mato Grosso, podemos perceber o reflexo das assertivas supracitadas. Os dois últimos governos estaduais são exemplos de que o Partido dos Trabalhadores auxiliou na mudança da política mato-grossense. Blairo Maggi, atual senador pelo (PR) e um dos maiores latifundiários do mundo, é um defensor ferrenho da reeleição de Dilma. Além disso, devemos lembrar que nas últimas eleições o PT deu seu apoio a Silval Barbosa (PMDB), dono de mais de 70 mil hectares de terras obtidas de modo excluso. O mesmo governador que, em declaração sobre o MST, respondeu “por mim o governo devia sentar a borracha nesse povo”, mostrando assim como seria seu governo: pautado na repressão e criminalização dos movimentos sociais. Os candidatos ao governo do Estado nada se diferem dos autoritários políticos que recentemente ocuparam o cargo de governador.

      Lúdio Cabral, candidato pelo Partido dos Trabalhadores, em sua candidatura para prefeito em 2012, teve o apoio aberto de Silval Barbosa. Agora, tendo claro que a gestão de Silval foi um fiasco, principalmente pelos escândalos envolvendo as obras da Copa, e, também, pela falta de diálogo com as diversas categorias de trabalhadores, tenta deslocar sua imagem do mesmo. Basta recordar que, no governo de Silval, ocorreram greves de várias categorias. E o atual governador não hesitou em tratar os trabalhadores como indicou que se fizessem com o MST, com repressão e intensa perseguição. Lúdio Cabral e o PT não podem se isentar da colaboração que deram na chegada de Silval ao poder. Ainda mais, em sua chapa, compõe como candidata à vice Tete Bezerra, esposa de Carlos Bezerra (PMDB), ambos acusados de crime de peculato. O PT, como faz nacionalmente, não mede esforços para chegar ao poder, nem que, para isso, faça alianças com o que há de pior na política representativa. Percebemos que o problema é estrutural. O Partido dos Trabalhadores aceitou entrar nesse jogo, mostrando que não se coloca no campo adversário e sim no que temos de ter como inimigos.

      Seus adversários, apesar de se colocarem como diferentes não o são, basta lembrar que Janete Riva (PSD) é uma das candidatas ao governo do Estado. Esposa de José Riva, a candidata entrou na disputa como substituta, faltando apenas 20 dias do término do pleito. Condenado pelo desvio de recursos da Assembleia Legislativa, José Riva teve sua candidatura indeferida pelo projeto da “ficha suja”, como se os outros candidatos pudessem reivindicar uma “ficha limpa”.

     Como candidato mais bem cotado ao cargo de governador, aparece o nome do senador Pedro Taques (PDT). Exprocurador do Ministério Público, chegou ao cargo de senador com um discurso de caça ao corruptos, como se fosse o arauto da moralidade. Nas fileiras que o apoiam, constam nomes como o de Júlio Campos, que deu seu apoio a Maluf, que fez parte do ARENA apoiando a ditadura militar. Além disso, conta com o apoio de Chico Galindo, ex-prefeito de Cuiabá e maior responsável pela privatização da Sanecap.

     Não devemos nos esquecer da base de Mauro Mendes, atual prefeito da capital e que, recentemente, teve seu nome arrolado em escândalo envolvendo a compra de uma mineradora por uma de suas empresas. Silval Barbosa e seus aliados são os responsáveis pela dívida de R$337 milhões, emprestados para realizar as exigências impostas pela FIFA e que serão pagos até 2025.

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Também existem os candidatos que se colocam como “lutadores” junto dos movimentos sociais, mas que, na ação, não passam de burocratas e engessadores das lutas mais radicalizadas travadas por estudantes e trabalhadores das mais variadas categorias. Muitos, dirigentes sindicais que utilizam o aparato sindical para a realização do trampolim político eleitoral; os mesmos que, nas últimas greves, se colocaram contra os anseios da categoria e realizaram, na prática, uma criminalização dos que se colocavam com maior radicalização na luta; apregoavam um falso discurso de coerência, quando, na verdade, o que queriam era fazer os famosos “acordos de gabinete”. No campo estudantil, é histórica a utilização de grêmios e diretórios estudantis para tal salto, além das práticas oportunistas de se colocarem como a vanguarda e criadores de mobilizações.

A tal saída pela esquerda representativa…

     Dentro do processo eleitoral para a presidência, há também os “representantes da esquerda”. Essas agrupações políticas se colocam como alternativas para realização das mudanças sociais. Contudo, como podemos acreditar que haverá mudanças via o processo eleitoral viciado e ramificado por uma oligarquia nacional, ruralista e fundamentalista?

     Cabe a reflexão de que, no momento atual, os que acreditam em alguma mudança via eleitoral retiram-se das lutas pela base para dar impulso em suas propagandas. Pensamos que tal posicionamento enfraquece a construção de um protagonismo popular, pois a participação nas eleições tem como fim a disputa de votos – mesmo que outros argumentos sejam utilizados, como, por exemplo, o de mostrar alternativa, uma contrapropaganda – e esses votos não são exclusivos da classe oprimida, ou seja, a participação nas eleições reforça a divisão da classe trabalhadora ao invés de fortalecer a luta.

Nossas perspectivas e nossos votos…

     Portanto, NÃO ACREDITAMOS que, nessas circunstâncias, haja possiblidade de mudanças efetivas. Colocamo-nos a favor de um processo pautado no protagonismo dos de baixo. Não chamamos o voto nulo de maneira torpe, limitando-nos exclusivamente nele. Para nós, anarquistas-especifistas organizados na Rusga Libertária, votar nulo é parte da coerência de uma estratégia de construção do Poder Popular. Entendemos que nossas demandas não cabem nas urnas! E reivindicamos uma construção de laços fortes de luta, que nos permita organizarmos ombro a ombro nos locais onde estamos inseridos (trabalho, bairro, onde estudamos).

“O Poder Popular é, portanto, ao mesmo tempo um objetivo e uma estratégia defendidos pelo anarquismo especifista. Ele aproxima nosso ideal libertário de um projeto de poder imprescindível para levar a cabo as rupturas que implicam o alcance de nosso objetivo finalista e não possui relação com as concepções vigentes de ‘tomada do poder’ a partir das instituições de dominação, como no caso do Estado, seja de maneira revolucionária ou reformista” – Revista Socialismo Libertário n°01, junho de 2012.

Nosso compromisso é fortalecer e impulsionar as lutas do povo, ombro a ombro. Lutar para que o nosso projeto seja forjado no seio da classe, fazendo emanar da luta o Poder Popular. Para isso, acreditamos que venceremos fora das urnas, com ação direta e popular!

Ou se vota com os de cima ou se luta e se organiza com os de baixo!

Povo unido é povo forte!

Rusga Libertária – Organização Integrante da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB)

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[FARJ] Libera #162

Retirado de: http://anarquismorj.wordpress.com/2014/09/03/libera-162/

Acabou de ser impresso o exemplar mais recente do Libera, nosso jornal. O Libera #162, referentes aos meses de abril, maio e junho tem como editorial um texto sobre os legados da Copa do Mundo e das lutas populares. Além disso, há textos sobre atividade de muralismo feita pelo Movimento de Organização de Base no Morro dos Macacos, reflexão sobre o Dia do Trabalhador e da Trabalhadora feita numa atividade em Campos dos Goytacazes pelo Círculo de Cultura Camponesa Girassol, mobilizações em Montevidéu, luta estudantil na UENF, uma entrevista com a Federação Anarquista Uruguaia sobre eleições, informe da morte de Esther Redes e poesias.

Você pode conseguir o Libera fisicamente com nossos militantes e apoiadores e na Biblioteca Social Fábio Luz. Caso deseje receber um número grande para distribuir, entre em contato conosco.

O Libera #162 pode ser baixado aqui ou clicando na figura abaixo.

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[CAB] Prisões e mais criminalização marcam o final da Copa do Mundo no Brasil.

http://anarquismo.noblogs.org/?p=103

Coordenação Anarquista Brasileira (CAB)

protesto não é crime

Desde seu início, a Copa do Mundo foi desastrosa para os setores oprimidos do país. Sua elaboração já indicava a forte censura que sofreriam todos aqueles e aquelas que estão no caminho contrário de suas ações. A Copa, com suas leis e regimentos colocou em situação de risco os precários direitos dos povos do Brasil. A lista de situações de opressões é gigantesca e o desfecho de sua estadia aqui, deixa um “legado assombroso” em termos de criminalização e perseguição política que demonstra a verdadeira face do Estado e do capital.

Sabemos que as críticas que foram feitas a este megaevento surgem com as insatisfações da população em geral e certamente estas insatisfações encontram abrigo maior no seio dos mais oprimidos. A violência contra a pobreza, que já era prática constante dos governos e suas polícias se intensifica neste período e as comunidades padecem nas mãos de uma aparato repressivo e assassino, a população de rua se torna muito mais vulnerável à agressões daqueles que “defendem a ordem”, os ambulantes, os trabalhadores informais são atacados e roubados pela “fiscalização Estatal” para que não possam macular as grandes patrocinadoras e as grandes marcas, as 250 mil famílias que perderam suas casas por contras das obras da Copa também estão sofrendo fortes consequências por parte desta política desenvolvimentista.

É importante destacar que quem mais lucrou com a Copa do Mundo no Brasil foram as empreiteiras, já milionárias e a própria FIFA. Estima-se que faturaram 26 Milhões de R$ (o orçamento previsto em 2014 para Ciência, Tecnologia e Inovação era R$ 6,9 bilhões) somente dos cofres do governo Federal, sendo a Odebrecht participante de quatro estádios. Os empresários lucram, e os governos se beneficiam do “caixa 2” sempre utilizado pelos partidos da ordem, como por exemplo na obra do Maracanã onde o TCE constatou o superfaturamento de 67,3 milhões de reais. Sem falar que tais estádios servem ao entretenimento somente a elite branca do país, como demonstrado em pesquisa do Datafolha no dia do jogo do Chile: 67% dos que frequentaram o jogo se declararam brancos e 90% pertencentes a classe A, contrastando com uma população cuja 49% (9% dos que assistiram o jogo) da população faz parte da classe C, e que tem em sua população mais 56% de negros e pardos (autodeclarados). Tais dados não deixam dúvidas sobre, para quem foram feitos tais jogos.

Os movimentos populares que desde de 2013, desenham um novo cenário de mobilizações no país sofreram uma crescente perseguição brutal que tenta intimidar e levar até as ultimas consequências as estratégias de criminalização dos anseios populares. As polícias receberam grandes investimentos para melhor agredir a população indignada com as injustiças sociais. A marca constante de todos os governos, desde o início de 2014, no cenário das mobilizações e greves foi a intensa repressão, fazendo das suas investigações e acusações um passo largo para um Estado mais duro no âmbito jurídico e militar. Esse foi o caso das prisões realizadas em Goiânia por um processo de investigação da Policia Civil e em Fortaleza, assim como as prisões de manifestantes em Joinville (SC), realizadas nas manifestações contra o aumento da passagem, onde os detidos (alguns da Coordenação Anarquista Brasileira) agora começam a responder judicialmente tendo que comparecer a diversas audiências. Todo este sistema repressivo encontra o apoio das grandes mídias, com seus monopólios espalhados pelo país, cujos pilares, são importantes instrumentos para essa “caça as bruxas”. Ferramentas potentes de criminalizar e deturpar as lutas que os movimentos sociais fizeram.

Os inquéritos que foram montados são provas cabais da vocação que a justiça e os governos tem para acossar os militantes e seus movimentos políticos. Todas as medidas utilizadas pelas polícias com o aval da justiça são infames. Em 2013 a grande repressão que sofreu as ruas já deixaria muita gente lesada de suas garantias de manifestações, assim como, colocou na cadeia sem prova reais algumas pessoas. Neste ano, com o início da Copa vários estados do país são violados com buscas e apreensões e na última semana apresentam uma lista gigante de mandados de “prisões temporárias” para o Rio de janeiro.

Dezenas de militantes e ativistas são presos e levados para o presídio de Bangu, onde estão detidos. Os argumentos para esta absurda ação são profundamente ideológicos, onde os governos fazem utilização da violência de Estado, como a velha e conhecida política por outros meios. Uma operação que tem como objetivo a privação da liberdade de se manifestar e opinar sobre as questões sociais no país. Uma operação policial que mancha com resquícios de estado de exceção o momento que vivemos. Não é novidade que as polícias apresentam como “provas” contra os manifestantes as opções de classe dos mesmos, com apreensões absurdas de materiais políticos como livros, cartilhas, bandeiras (como na invasão da sede da FAG e nos atuais processos). Montam a partir desta grande FARSA acusações como formação de quadrilha ou mesmo milícia privada para atacar quem se manifesta contra as injustiças sociais praticadas cotidianamente contra os setores mais oprimidos da sociedade.

As medidas tomadas pela (in)justiça brasileira que acata e ordena as prisões é vergonhosa e sabemos que não podemos esperar nada de diferente vindo destas instituições; nossa tarefa é denunciar amplamente o desmanche que esta ocorrendo com os precários direitos dos povos deste país. A escalada de violência policial e a criminalização dos pobres atinge diversos setores da luta sindical e popular, como a demissão de 60 Metroviários em SP e a multa de R$ 355 milhões contra seu Sindicato. Some-se a isso, as recentes 169 demissões dos trabalhadores temporários do IBGE, que estavam em greve e os inúmeros mandados de prisões emitidos no Rio de Janeiro e São Paulo.

Esses inúmeros casos que não param de crescer, nos exigem muita atenção e uma forte campanha de solidariedade entre os setores da classe oprimida. No contexto de prisões e perseguição a esquerda combativa e independente de patrões e governos precisa atuar conjuntamente em denúncia sobre estas tremendas violações.

Precisamos cercar de solidariedade quem esta tendo sua liberdade privada, abrir fortes campanhas para denunciar que hoje, o direito de manifestação e organização que está sendo atacado com fortes golpes de cassetes, balas e gás lacrimogêneo. Precisamos continuar construir alternativas e uma estratégia de massas nesse momento de ataque das classes dominantes. Para isso, é necessário empoderar organismos sindicais de base, movimentos populares e movimentos rurais, independentes de patrões, burocracias e governos.

Que as milhares de pessoas agredidas e assassinadas pelo Estado não sejam esquecidas, para que os grevistas não se sintam sozinhos, para que todos os manifestantes e militantes não sejam mais criminalizados e para que as prisões não fiquem impunes, colocamos nossa modesta, mas convicta SOLIDARIEDADE DE CLASSE e nosso compromisso de denunciar ao mundo estas aberrações cometidas pelos governantes do Brasil, hoje comandados pelo Partido dos Trabalhadores (PT) que acomoda o interesse dos ricos com a forte repressão aos pobres e lutadores.

Continuaremos a luta companheiras e companheiros!

Pela liberdade imediata de todos os presos políticos!

Protestar não é crime!

Não Passarão!

[ORL] INFO 4. PROTESTAR NÃO É CRIME LIBERDADE A ERIC!

Retirado de: http://www.resistencialibertaria.org/index.php?option=com_content&view=article&id=135%3A2014-07-07-23-12-23&catid=83%3Ainfoemacao&Itemid=77

PROTESTAR NÃO É CRIME

LIBERDADE A ERIC!

 

[…] só sou verdadeiramente livre quando todos os seres humanos que me cercam, homens e mulheres, são igualmente livres […] apenas a liberdade  dos outros me torna verdadeiramente livre […]” Mikhail Bakunin

Nós, da Organização Resistência Libertária [ORL], integrante da Coordenação Anarquista Brasileira [CAB], estamos solidários e clamamos pela liberdade do estudante Eric, preso na manifestação da última sexta, dia 4 de julho. Essa prisão foi apenas mais uma tentativa de calar os movimentos sociais combativos de Fortaleza e de silenciar o grito que vem das ruas.

A manifestação do dia 4 foi puxada contra as injustiças da copa, mas abarcava também outras questões, como por exemplo, o passe livre. A caminhada teve início horas antes do jogo entre Brasil x Colômbia e tinha como destino final as imediações do Estádio Castelão. O braço armado do Estado (COTAM) forçou o fim do ato detendo mais de 30 militantes. Um ônibus da PM foi chamado para levar os manifestantes até a delegacia, que estava com o sistema fora do ar, e por conta disso, os comp@s foram liberados, sendo primeiro os adolescentes e posteriormente os adultos. Mas, Eric acabou ficando preso injustamente, sem direito a fiança, sendo acusado de dano ao patrimônio “público”, desacato a autoridade e a um artigo do estatuto do torcedor.

A violência estatal é sistemática contra aqueles que se levantam contra esse sistema repressivo, patriarcal, injusto e desigual. Tão logo, aqueles oprimidos que estão de pé na luta contra o regime vigente serão vistos como uma ameaça a (des)ordem política e econômica estabelecida pelo Estado e pelo Capital. Dessa forma, a prisão de Eric se configura como uma prisão política, assim como, muitas outras que foram feitas arbitrariamente nos últimos meses.

Desde Junho de 2013 diversas foram as invasões sem mandado judicial e vários foram os presos/as políticos. A onda repressiva de um ano pra cá tem início com a invasão na sede da Federação Anarquista Gaúcha (FAG) em Porto Alegre, mas precisamente no dia 20 de junho de 2013. Agentes da polícia federal invadiram e apreenderam sem ordem judicial vários materiais de propaganda da organização política.  No segundo semestre de 2013, uma marca que ficou nas manifestações foi à repressão desproporcional, um aparato fortemente armado nas ruas para barrar qualquer forma de protesto.

O governo federal depois de junho de 2013 resolveu municiar as forças policiais e militares para conter qualquer forma de manifestação durante a Copa do Mundo FIFA. Paralelo a isso, vários mandados de busca e apreensão foram expedidos pela esfera jurídica/Estatal.

No início de 2014 os movimentos sociais combativos das principais cidades brasileiras, principalmente nas cidades que sediariam os jogos da copa, começaram a puxar atos contra a realização da copa. Fortaleza, Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre e outras cidades, ascenderam às chamas das mobilizações de rua, que tinha como temática central: copa, remoções, transporte coletivo e etc.

Outro ponto que mobilizou as manifestações em 2014 foi à tarifa e os problemas que envolvem a concepção mercadológica do transporte coletivo, como: o valor altíssimo da passagem, o aumento da tarifa em determinadas cidades e à máfia do transporte.

No dia 22 de janeiro de 2014 a luta permanente contra a máfia das concessões e pela implantação da tarifa zero em Joinville ganhou uma nova página, três militantes que encampavam as respectivas lutas foram presos após retornarem de uma manifestação. Dos três militantes, dois eram do MPL [Joinville] e integravam também o Coletivo Anarquista Bandeira Negra [CABN]. O outro militante integrava a frente de luta pelo transporte Público. Os militantes já foram chamados para uma primeira audiência e aguardam serem convocados para um segundo momento na esfera jurídica.

A Frente de Luta Pelo Transporte Público de Goiânia também foi fortemente atacada pelos órgãos repressivos do Estado. A luta por um transporte verdadeiramente público em Goiânia ganhou força no mês de maio com fortes manifestações, tendo a juventude periférica e a frente de luta como os protagonistas das mobilizações contra o aumento da tarifa, que passou de R$ 2,70 para R$ 2,80. Os monopólios do transporte coletivo com seu lobby junto ao Estado pressionaram para que fosse instaurado um inquérito policial e em caráter de urgência fosse decretado prisão preventiva para diversos manifestantes que estavam em luta. Três militantes foram presos no dia 23 de maio, só sendo libertados dias depois.

O caso mais emblemático é o do morador de rua Rafael Braga do Rio de Janeiro, que foi preso durante uma manifestação sem nenhuma prova real contra ele. No Rio, além da prisão de Rafael, tivemos a comunidade da Maré privada da liberdade. O terrorismo de Estado, que cercou e invadiu o complexo da maré com o claro desejo de prender em seu território a população pobre e negra da Maré, faz parte do “legado” da Copa, que buscou e está buscando controlar as classes oprimidas antes e durante a copa da FIFA. Além disso, a copa também deixou milhares de famílias removidas, 14 mortos nas obras da copa, rios de dinheiro com alta lucratividade para a FIFA e uma imobilidade urbana que favorece o lucro das empreiteiras.

Em Fortaleza, as fortes e intensas manifestações de abril e maio por conta do bloqueio das carteirinhas de estudante levaram centenas de jovens às ruas. As mobilizações agregaram os estudantes secundaristas, a juventude periférica e os movimentos que lutam pelo passe livre. As batalhas entre a pressão popular e as forças repressivas (guarda municipal, batalhão de choque da PM e policia civil) criou em Fortaleza um verdadeiro Estado de exceção e sítio, em que esse contexto e a desproporcionalidade entre os sujeitos antagônicos (movimentos sociais combativos versus repressão) levaram nos últimos três meses mais de cento e vinte militantes as delegacias da cidade para assinarem TCO (termo circunstancial de ocorrência). Inclusive militantes da ORL, do MPL (Fortaleza), da Assembleia Anticapitalista, e outros independentes entre outros, assinaram e aos poucos estão sendo intimados a comparecer ao juizado criminal ou a determinadas delegacias da cidade.

Muitos militantes que foram presos ou estão sendo investigados já foram intimados para depor. Mas, o caso de Eric é diferente, o estudante continua preso pela repressão, preso pela criminalização dos protestos e das classes oprimidas. A prisão do companheiro é um duro golpe para todas e todos que lutam, pois, todos aqueles que buscam a transformação social, logo serão caçados e reprimidos pelo terrorismo do Estado. Não esqueçamos, a prisão de Eric é uma prisão política! A forma de expressar politicamente sua insatisfação com o status quo foi protestando e PROTESTAR NÃO É CRIME!!!

Liberdade para ERIC e para todos os presos políticos!

Pelo fim da polícia militar!

Protestar não é crime!

Organização Resistência Libertária [ORL/CAB] – 07.07.2014

[FAG] O dia 18/06: estado de exceção e o egoísmo de uma certa esquerda

O ato “Copa sem povo, to na rua de novo” realizado no dia 18/06 e organizado pelo Bloco de Luta de Porto Alegre foi emblemático em diversos sentidos. O primeiro deles diz respeito ao forte aparato repressivo – mais de 1.000 (mil) policiais militares, entre choque, cavalaria e auxílio de um helicóptero – e à tática utilizada pelas tropas de impedir a realização da marcha. Considerando o número de manifestantes – não mais que 200 pessoas – trata-se de um contingente desproporcional digno de ditadura militar. Um contingente repressivo que abusou de bombas de efeito moral e balas de borracha, causando ferimentos profundos em manifestantes e jornalistas. Ironicamente, dias antes alguns jornalistas haviam participado de um curso ministrado pela Brigada Militar, solicitado pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais do RS, de como se portar durante manifestações para se protegerem fisicamente. Além disso, durante e depois da concentração do ato houveram várias tentativas de intimidação, seja por parte dos P2 (agentes infiltrados), de notícias veiculadas pelo twitter da zero hora dizendo que o Batalhão de Operações Especiais estariam portando armas letais ou pelo estranho “não funcionamento” da linha telefônica da equipe jurídica do bloco.

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Consideramos que a responsabilidade de todas essas atitudes deve ser imputada ao governador Tarso Genro/PT, já que é ele o comandante maior da BM. Atitudes covardes e anti-democráticas das forças repressivas que atentaram contra o direito à manifestação, não nos deixando sequer distribuir os cerca de 5.000 panfletos destinados à população de Porto Alegre.

O segundo aspecto emblemático diz respeito à ausência do PSTU e da corrente interna do PSOL, o MES, da manifestação. O mais intrigante é que no dia anterior ao ato, militantes de ambos os grupos políticos forneceram declarações à famigerada Zero Hora, vinculada ao Grupo RBS, falando do porque de suas não participações no ato do dia seguinte. (http://zh.clicrbs.com.br/rs/esportes/copa-2014/noticia/2014/06/militantes-do-pstu-e-psol-nao-irao-a-protesto-do-bloco-de-luta-nesta-quarta-4529147.html) Sem entrar no mérito de possíveis distorções desse jornal acerca das declarações, mas de antemão rechaçando a postura dessas 2 agrupações que constantemente dialogam com esse veículo podre da burguesia gaúcha e considerando que não será outro o papel desse oligopólio que vem há tempos criminalizando os movimentos sociais, queremos registrar o desserviço que esses grupos fizeram ao não participar do Ato e anunciar isso na ZH. Num momento de conjuntura de forte criminalização e repressão aos que lutam, inclusive com militantes desses 2 partidos sofrendo processos políticos por se manifestarem, deixar de tomar parte de um processo de lutas por divergências “políticas (?)” é para nós uma atitude nada solidária e nada coerente com os princípios do Socialismo e da tradição de luta dos trabalhadores que esses grupos reivindicam.

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Porque a juventude e os militantes sindicais desses partidos não tomam parte do Bloco e não defendem de forma contundente a linha que consideram mais justa? Porque não defendem uma linha conseqüente nas categorias que possuem militância para que setores do movimento sindical construam o Bloco desde seus locais de trabalho? Às primeiras divergências que aparecem e se “NÃO É COMO NÓS QUEREMOS” se pula fora??? A participação com peso só vale naquilo que é construído por esses partidos desde os seus aparatos sindicais??? Uma postura recuada e oportunista que ataca outros setores para ir construindo terreno para candidaturas que buscarão se eleger às custas das lutas realizadas.

Consideramos essa postura nem um pouco coerente para quem afirma com a boca cheia a necessidade do não isolamento político do Bloco perante o grosso da população de Porto Alegre. Assim como entendemos incoerente incorrer numa postura que intencionalmente ou não acaba por criminalizar adeptos da tática Black Block e o próprio Bloco de Luta ao agir como informante da mentirosa e mafiosa RBS.

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Nós e as organizações que compõem a Coordenação Anarquista Brasileira temos plena consciência de que esse ano a tônica tem sido dada pelas bases de diversas categorias de trabalhadores porque elementos da conjuntura assim indicam. No entanto, nossa militância não irá se furtar de construir, dentro de nossas possibilidades, cada Assembléia e Ato do Bloco de Luta pelo Transporte Público, independente das decisões que ali forem tiradas, porque para nós, é o processo de debates, de tomada de decisão e de organização compartilhada pelo maior número de pessoas no marco do Bloco que será possível forjar, pela prática e pelas experiências vividas, um sujeito que de forma organizada e estratégica avance para arrancar conquistas.

Se tocam a um/a, tocam à todos/as!

Porque solidariedade sempre será mais que palavra escrita!

Para os pobres, desempregados, sem-teto, sem terra, NÃO ESTÁ TENDO COPA!

E na Copa sem Povo, estaremos na rua de novo!!!

Federação Anarquista Gaúcha – FAG

[CAB] Contra a Copa e a Repressão: Somente a Luta e Organização!

Retirado do novo site da CABhttp://anarquismo.noblogs.org/?p=82

O quadro das lutas e dos conflitos sindicais e populares no país antes e durante a Copa do Mundo, tem pressionado o governo federal, alguns governos estaduais, municipais e as patronais, gerando uma guerra de nervos nos principais centros urbanos do Brasil.

Se no ano passado as grandes mobilizações foram protagonizadas pelos setores precarizados da juventude e não pelos movimentos populares organizados, em 2014, a tônica tem sido e, pelo jeito, continuará sendo dada pela base dos trabalhadores de diversas categorias e por setores próximos e articulados com as classes oprimidas. O desenrolar do conflito dos Metroviários de São Paulo – que durante dias enfrentaram a intransigência de uma das piores expressões da direita desse país (o quadro da organização de extrema direita católica Opus Dei Geraldo Alckmin/PSDB) é um exemplo disto, recebendo a forte repressão policial, todo o jogo sujo dos grandes meios de comunicação e ainda o anúncio de mais de 40 demissões. Os metroviários prosseguem na campanha de readmissão dos 42 trabalhadores demitidos. Chumbo grosso está sendo jogado em cima desses valorosos companheiros/as e em cima de outras categorias atualmente em greve é por isso que precisamos estar atentos a todas as tentativas de criminalização das lutas.

Estado de exceção? Estado de luta e solidariedade permanente!

No marco da Lei Geral da Copa e da Portaria de Garantia da Lei e da Ordem, que configura um verdadeiro Estado de Exceção no país, faz-se extremamente necessária a Solidariedade incondicional do conjunto da esquerda e dos movimentos sociais a todos os conflitos em curso e, principalmente, para os trabalhadores metroviários de São Paulo.

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Em virtude das jornadas de junho de 2013, temos visto a crescente preocupação do Estado brasileiro em garantir a “tranquilidade” durante o período da Copa. O que, na prática, se expressa em mecanismos jurídicos que rifam direitos civis e liberdades democráticas, intensificação da repressão e da criminalização do protesto e da pobreza, aumento dos efetivos policiais e militares nos centros urbanos, bem como em suas periferias e favelas, assim como os gastos com as tecnologias de repressão. A continuidade das lutas sindicais e populares neste período nos indica que não serão poupados esforços no sentido de conter, amedrontar e impedir que os trabalhadores usem de instrumentos legítimos e históricos para defender seus direitos e arrancar conquistas, como greves, piquetes, ocupações e marchas.

No Rio de Janeiro, São Paulo e Ceará, por exemplo, mandados de busca e apreensão foram expedidos às vésperas da COPA, com detenção de alguns companheiros/as no sentido de inculcar medo nos lutadores sociais. No Distrito Federal, militantes do Comitê Popular da Copa receberam intimidação de supostos representantes da Justiça Eleitoral não-identificados, um dia antes de um protesto contra os gastos da copa. Em Porto Alegre, vários lutadores sociais do Bloco de Lutas estão sendo processados e intimados. Os próprios metroviários em greve sofreram forte repressão da Tropa de Choque da PM, que usou bombas de gás lacrimogênio, de efeito moral e balas de borracha. Em Goiânia, estudantes da Frente de Luta pelo Transporte Público foram presos de forma arbitrária e somam-se aos inúmeros presos e detidos da luta pelo transporte no país. A lista é enorme e poderíamos estender mais de uma página com casos de intimidação e repressão de norte a sul do país.

O problema do déficit habitacional que é gravíssimo no país, faz o número de ocupações urbanas nas grandes cidades multiplicar-se. A resposta do estado, tem sido defender os especuladores imobiliários, com remoções forçadas. Salvo, quando os movimentos de moradia, saem às ruas denunciando e exigindo avanços, como recentemente em São Paulo.

Temos apontado, em nossos materiais de análise, que vivemos um momento emblemático em nosso país, com o aumento das perseguições políticas a lutadores sociais e organizações políticas, inquéritos com acusações absurdas e descabidas que podem prosseguir para além da Copa do Mundo. Tudo isso coordenado por uma constante guerra psicológica às lutas sociais por parte dos grandes meios de comunicação, destilando seu ódio de classe e suas mentiras na expectativa de construir um consenso conservador que reforce a ideia de que a questão social é um caso de polícia. O período da Copa confirma a continuidade desse cenário. Em comunicado nacional, no dia 10/06, a presidenta Dilma Rousseff diz que essa será a “copa da tolerância, da diversidade, do diálogo e do entendimento”. Uma clara reafirmação do atual pacto social empregado pelo atual governo com a burguesia e sua base de sustentação, tanto em termos partidários como dentro dos movimentos sociais que hegemoniza, como é o caso da CUT por exemplo.

Enfrentar a repressão: organizando e lutando!

O período que estamos vivendo tem demonstrado a verdadeira face do sistema de dominação capitalista, que não será transformada com a troca dos governos de turno. Quando os de baixo se movem, os de cima tratam de pôr em funcionamento toda ordem de mecanismos coercivos, repressivos e de intimidação para frear as lutas. A repressão é e sempre será a carta na manga das classes dominantes e do Estado, a carta que derruba todas as demais e impõe a “paz social”. A violência dos de cima é constitutiva das estruturas de dominação do capitalismo e, portanto, nunca será uma exceção no atual sistema. Ela é regra que contribui para manter operando as relações de poder e dominação funcionais aos privilégios das classes dominantes.

É certo que a natureza das mobilizações, muitas delas à revelia das direções sindicais e das estruturas oficiais do sindicalismo “tradicional”, nos pede que avancemos para formas de organização, desde a base, que façam da experiência de luta de milhares de trabalhadores, moradores das periferias urbanas, pobres do campo e estudantes um critério para apontar o que serve e o que não serve ao protagonismo e ação direta desses lutadores. Isso implica reforçar e construir movimentos populares e organismos de base sindical combativos e independentes para dar força social aos oprimidos e oprimidas, linha política que a CAB tem modestamente se dedicado a construir em diversos setores de luta. As experiências das lutas de 2013 e dos recentes conflitos têm sido as que melhor têm produzido uma ideologia combativa, de luta e de enfrentamento. Não é hora de recuar mas sim, hora de dar qualidade organizativa!

Dar qualidade organizativa na criação de organismos de base.

Mais uma vez, a hora é de solidariedade permanente, porque permanente é a luta e onde há dominação há resistência! Onde há resistência, luta e organização de base, há sementes sendo plantadas para a construção do Poder Popular.

O momento é de enfrentar a repressão lutando para que esse novo período de lutas contra as forças da ordem aprofunde os níveis de organização e consciência dos de baixo para superar o medo que a classe dominante seu governo de turno desejam nos impor.

Toda Solidariedade à greve dos metroviários de São Paulo! Pelo Direito de Greve!

Pela readmissão dos 42 metroviários grevistas!

Pelo fim da detenção e das intimações dos lutadores!

Contra a repressão promovida pelos de Cima, a luta, a greve e a organização dos de Baixo!

Fortalecer o movimento sindical e popular com democracia direta, independência de classe e governos!

Protestar não é crime!

Coordenação Anarquista Brasileira (CAB)

OPINIÃO ANARQUISTA: 2014 é ano de luta! Rumo à conquista de direitos!

Novo Opinião Anarquista do Coletivo Anarquista Luta de Classe sobre este momento histórico no Brasil:

Opinião Anarquista 06 - 01

Opinião Anarquista 06 - 02

Baixe em PDF: Opinião Anarquista 06

2014 é ano de luta! Rumo à conquista de direitos!

 

Copa para os ricos, miséria para o povo.

Com o maior evento realizado no Brasil nos últimos tempos vieram também milhares de famílias sendo despejadas de suas residências; trabalhadores acidentados e mortos na construção dos estádios da Copa; pessoas pobres, moradores de rua, usuários de drogas, prostitutas e travestis sendo retiradas à força dos centros das grandes cidades para dar aspecto de “limpeza e riqueza” para turista ver; ao mesmo tempo em que aumenta o tráfico de mulheres e exploração sexual de crianças no país. Se não bastasse, cresce enormemente a repressão policial e a criminalização dos movimentos sociais que saem às ruas para lutar por seus direitos.

Durante os preparativos para a Copa do Mundo no Brasil mais de 250 mil pessoas foram removidas à força de suas residências. Além da truculência utilizada para as remoções, as famílias despejadas se quer receberam as indenizações devidas. Por outro lado, os grandes empresários do ramo imobiliário e da construção civil lucraram milhões de reais sobre os terrenos onde antes havia comunidades.

Outro dado que chama atenção é o número de operários que morreram trabalhando na construção dos estádios da Copa: foram 9 trabalhadores! Trabalhadores que morreram por acidentes, quedas e descarga elétrica; vítimas da negligência e do desrespeito das empreiteiras e do Estado, que valoriza o lucro extraído do grande evento, em detrimento da condição de vida e de trabalho do povo.

A higienização social nos grandes centros urbanos, cidades turísticas e cidades que sediarão os jogos do mundial também choca. O Estado, de maneira brutal, retira com violência os moradores de rua, os usuários de droga e impedem que prostitutas e travestis continuem trabalhando nas ruas centrais das cidades para esconder as mazelas sociais brasileiras. Maquiar não é resolver!

Em todos os países que sediaram a Copa, há um exorbitante aumento no tráfico de mulheres, crianças e adolescentes principalmente para a exploração sexual. No Brasil isso não está sendo diferente e as principais vítimas são mulheres negras, jovens, com baixa escolaridade, moradoras da periferia que são enganadas com a promessa de melhoria de vida. Enquanto isso, o Estado não tem políticas públicas que se destinam a combater o turismo sexual e a exploração dessas mulheres.

Por outro lado a FIFA lucra mais de 10 bilhões de reais com a Copa no Brasil. Ao mesmo tempo, trabalhadores ambulantes e artistas independentes são impedidos de trabalhar no entorno dos estádios. Legado para o povo?! O povo não tem saúde, não tem educação, não tem transporte público de qualidade. Os trabalhadores não têm sequer dinheiro para comprar o ingresso e assistir aos jogos nos estádios.

Lucro e privilégio para os opressores e falta de condições para os oprimidos

Os serviços públicos estão cada vez mais sucateados e dando lugar à iniciativa privada. Hospitais sendo vendidos, escolas públicas fechadas por falta de condições, tarifas dos transportes coletivos sendo aumentadas todos os anos sem que o serviço melhore de qualidade, falta de concursos públicos; esses são alguns dos problemas que o povo vem sofrendo na pele diariamente.

O Governo PT, atrelado aos interesses dos convênios de saúde e da indústria farmacêutica, tem deixado que o SUS esteja cada vez mais precário. Podemos perceber isso quando comparamos o número de leitos do SUS e do sistema privado de saúde nos últimos anos. De 2010 até 2013 o SUS perdeu 12,7 mil leitos e a rede privada ganhou 13,4 mil. Por outro lado, cerca de 90% da população brasileira depende dos serviços do SUS, ou seja, está claro que quem tem acesso a saúde privada não é a maior parte da população.

A educação pública é outro serviço fundamental que vai de mal a pior. Atualmente o que se vê é uma grande expansão do ensino privado, ensino esse que não ensina o estudante a pensar e questionar a realidade, mas apenas a reproduzir o conhecimento. De 2000 até 2010 mais de 25 mil escolas públicas foram fechadas! Ao mesmo tempo em que a população em idade escolar aumentou consideravelmente. Para satisfazer essa demanda seriam necessárias mais de 20 mil novas escolas.

Na educação superior vemos a expansão das universidades privadas com incentivo do Estado através de programas como o PROUNI e FIES. No entanto, sabemos que as faculdades privadas, em sua maioria, não oferecem ensino, pesquisa e extensão de qualidade, mas apenas um ensino técnico destinado ao mercado de trabalho. O lucro dessas universidades cresceu entre 2011 e 2013, de R$ 24,7 bilhões para R$ 32 bilhões. Cada vez mais lucro para os donos das universidades particulares e menos condições de ensino para os estudantes nas instituições públicas.

Moradia digna é outro direito essencial que, no entanto, está bem longe de ser garantido. Em 2010, mais de 2,7 milhões de pessoas não tinham acesso à energia elétrica. Em 2013, mais de 100 milhões de brasileiros não tinham acesso à coleta de esgoto e em 2014, 40 milhões não têm acesso à água tratada, o que acarreta milhares de mortes causadas por doenças todos os anos.

Saúde, educação e moradia são só alguns dos inúmeros serviços e direitos que o povo precisa e que deveriam ser garantidos. E mesmo com a chegada de um “governo dos trabalhadores” ao poder esses estão bem longe do ideal, porque não importa o governo, o Estado existe para cumprir um importante papel de dominação de uma classe sobre outra. Por isso, nós, a classe oprimida, precisamos lutar com nossas próprias mãos para conquistar o que queremos!

 O que queremos?

É fato que muitas injustiças já foram cometidas durante a construção da Copa do Mundo 2014, entretanto devemos lutar para reverter, pelo menos em parte, esse legado perverso que será deixado e avançar na luta e organização da classe trabalhadora.

Pelo direito de organização e manifestação! Contra a criminalização dos movimentos sociais! Protesto não é crime!

Pelo fim imediato dos despejos forçados! Pelo direito à moradia!

Pelo fim do processo de higienização social! Pelo direito de ir, vir e permanecer nos espaços públicos! Por albergues dignos!

Pelo direito ao trabalho dos ambulantes, feirantes e artesãos!

Contra a exploração sexual e o tráfico de pessoas!

Por Serviços Públicos de qualidade! Da Copa eu abro mão, eu quero saúde, transporte e educação!

Exigimos pensão vitalícia às famílias dos operários mortos e incapacitados por acidentes de trabalho nas obras da Copa!

 Organização para a luta

Vivemos uma nova etapa da luta de classes no Brasil. Desde as revoltas populares em junho e julho de 2013 uma antiga forma de luta voltou a ter destaque nos movimentos sociais: a ação direta. A luta dos oprimidos feita por suas próprias mãos em resistência à dominação e na exigência de direitos é hoje um método que as organizações populares utilizam e que vem trazendo conquistas.

Cada vez mais a via eleitoral está perdendo espaço, uma vez que o povo está perdendo a esperança de que seus supostos “representantes” podem, de fato, fazer seus direitos avançarem e a desigualdade social diminuir. No lugar disso aparecem as lutas dos trabalhadores, estudantes, moradores da periferia, camponeses, que se organizam de maneira autônoma, em movimentos combativos que forjam seus próprios caminhos de forma coletiva e verdadeiramente democrática.

O descrédito com as eleições burguesas acontece devido à desilusão da classe dos oprimidos com a chegada do PT à presidência. Esse governo que se dizia dos trabalhadores não rompeu com a classe dominante, exploradora e opressora, mas pelo contrário, fez um pacto com essa classe!

Os serviços públicos, as condições de trabalho, ensino e moradia não avançaram com a eleição daqueles que se fizeram passar por “representantes do povo”, mas estão avançando com a ação direta dos oprimidos! A tarifa de transporte público baixou em Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro, Joinville, Belo Horizonte, Porto Alegre, Manaus e outras várias cidades em 2013. Greves vitoriosas de rodoviários em Porto Alegre e São Paulo e dos Garis no Rio de Janeiro em 2014. Inúmeras ocupações urbanas resistem e têm suas áreas regularizadas a partir de manifestações de rua e muita organização em várias cidades como Curitiba, São Paulo, Florianópolis e Belo Horizonte!

Acreditamos que só com a organização da nossa classe em cada local de moradia, estudo e trabalho, a partir de movimentos sociais combativos, horizontais e classistas que vamos conseguir criar o poder popular!   É com organização, ação direta e democracia de base que vamos resistir e avançar! Seja no grêmio da escola, no centro acadêmico da universidade, no sindicato da categoria, no movimento de bairro ou do campo vamos nos organizar para construirmos uma sociedade que seja igualitária, justa e livre!

Ação Direta é a arma que nós temos para fazer justiça para viver!

Lutar! Criar Poder Popular!

[CTZ – CURITIBA] O inexplicável e o Inaceitável: A CMC Perde Documentos do Protocolo da Lei do Passe Livre

No dia 03 de Dezembro de 2013, a Frente de Luta pelo Transporte Público de Curitiba (FLTP), com apoio do CAHS (Centro Acadêmico Hugo Simas, CA do curso de Direito da UFPR) que cedeu seuCNPJ, protocolaram junto a CMC (Câmara Municipal de Curitiba), o Projeto de Passe Livre para Estudantes e Desempregados. Este projeto deve tramitar via a comissão de iniciativa popular da CMC, e de acordo com o acordo firmado entre FLTP e CMC, no período que a CMC se encontrava ocupada pelos militantes da FLTP, tal projeto deveria tramitar em caráter de urgência.
Como bem vemos já estamos no mês de maio, e tal projeto não tramitou, todavia não é para realizar esta denúncia que o Coletivo Tarifa Zero Curitiba vem a público… Como se não bastasse o desrespeito ao acordo firmado entre Estado (CMC) e FLPT, pois havia sido firmado a tramitação em caráter de urgência, a CMC “extraviou” os documentos referentes ao CNPJ do CAHS, necessários para que este tramite (claro, necessários para a burrocracia), e esta tem sido a nova desculpa para a não tramitação, afinal a FLPT tem “documentos pendentes”. Claro que a CMC, nem mesmo admitiu que extraviou os documentos, simplesmente afirma que não os entregamos, fica a pergunta como foi realizado o protocolo?
Ficam-nos as perguntas será que alguma vez se extraviou os documentos que se referem as leis municipais relacionadas a copa? E relacionadas a própria gestão do transporte, o qual a máfia do transporte (empresários) gerência, será que algum documento foi extraviado? Acreditamos que não, com toda certeza não. Vê-se mais uma vez que o Estado não é “neutro”, no caso a CMC, e que seu descaso com as iniciativas dos Movimentos Sociais, é uma decisão deliberadamente política, onde impera mais uma vez o interesse dos poderosos da Máfia do Transporte.

Diante disso, mais uma vez fica eminente para os militantes do Tarifa Zero que o Passe Livre, a Tarifa Zero, mesmo as reduções da tarifa, virão PELA FORÇA DAS RUAS! 
Por uma vida sem catracas!

[FAG] Opinião da FAG sobre a conjuntura das lutas do movimento sindical e popular

Retirado de:
15 de maio de 2014

Mobilização nacional contra a Copa do mundo no Brasil preocupa os governos e coloca os de Baixo na ofensiva.

Desde 2013 o Brasil vive um cenário adverso com gigantescas mobilizações que pela força das ruas questionaram a ordem do sistema imposto pelos governos e seus aliados a nível nacional e internacional.

O país esta passando por um clima propício à organização dos oprimidos, gerando um sentimento de esperança para o movimento popular. Em 2013, os sindicatos saíram timidamente às ruas, muito por conta do sentimento de rechaço das massas, que não se viam representadas por estas estruturas de organizações dos trabalhadores, já que durante os últimos períodos, boa parte destas foram cooptadas pelos governos e seus dirigentes se converteram em burocratas de plantão, prontos para puxar freio das bases revoltadas por tanta conciliação de classe; sem falar da fragmentação do mundo do trabalho como elemento que caracteriza este período. Contudo, também é preciso dizer, que muitos resistiriam e seguiram combativos.

Porém, este ano, as lutas de uma série de categorias mobilizadas desde a base vem mostrando uma outra forma de fazer luta sindical. O protagonismo dos próprios trabalhadores, que tomam decisões à revelia dos dirigentes sindicais; assembleias massivas em que as decisões são referendadas longe dos gabinetes e das negociatas feitas de antemão. É a retomada de uma experiência própria do sindicalismo revolucionário desabrochando no seio dos setores dos oprimidos, em que o movimento popular toma a ferramenta da greve como ação direta contra os patrões e governos. Ferramenta histórica é verdade, mas que agora é tomada com outra intencionalidade, indo além de pautas meramente corporativas e ganhando expressões políticas. A maioria dessas greves têm questionado não só as condições de trabalho, mas de um modo geral, os rumos do país, tanto econômica quanto politicamente. Uma boa parcela das classes oprimidas demonstra que não está mais por aceitar decisões de cima para baixo, apesar das medidas de controle que os governos tenham em mãos. Há um amadurecimento precoce, porém vivo entre os setores dos de Baixo.

Já são diversas as cidades que se erguem em greves e manifestações que questionam o megaevento que está prestes a acontecer no país. Grandes ocupações urbanas, dezenas de categorias em greve e protesto por todos os lados saem às ruas para dizer que não querem mais opressão e repressão por conta de um evento que beneficia os grupos político-econômicos envolvidos neste mundial.

A força das ruas em 2013, contexto de grandes mobilizações com uma imensa variedade de pautas, muitas vezes dispersas, mostraram também as debilidades de um movimento sem organização de base. Se por um lado as jornadas de junho nos colocaram com força na cena política, também nos colocaram cara a cara com as insuficiências do movimento popular. A maioria das pessoas que participaram dos protestos em 2013 não estavam referenciadas por sindicatos ou movimentos populares, o que ajudou no esvaziamento das marchas e mobilizações. Depois do turbilhão, as massas sem referências políticas ou de organização de base saem das ruas; mas os efeitos dos grandes protestos seguem vivos e dão caldo para este ano, que pode, sem sombra de dúvidas, serem mais propícios a resultados de fundo. Essa nova configuração das lutas colocadas novamente nas ruas no país, que partem de sindicatos e movimentos populares, tem criado um cenário mais fecundo para que as demandas pautadas sejam projetadas pelo movimento dos de Baixo no marco de uma perspectiva de acumulação de forças e de construção do poder popular.

É notório o desespero dos governos em relação a uma possibilidade de descontrole durante os jogos da Copa. O que está em jogo é manter a ordem ou sucumbir a possibilidades de uma convergência do movimento sindical para um chamado de greve geral, o que pode sim colocar em risco a Copa do Mundo e as Olimpíadas. Isso não quer dizer que os jogos não vão ocorrer, mas, como vai estar o clima para isso é a grande questão! Já é sabido que não existe apelo da população para o mundial, o apelo, ao contrário é para repudiar os gastos com jogos e estruturas que não beneficiam a população. Politicamente já se pode afirmar que a Copa no Brasil é um fracasso, no entanto as medidas do governo em conluio com a FIFA é conter, custe o que custar, os protestos e para isso, vão usar de força bruta para calar a voz de todos que estão se erguendo em luta. Já existe uma onda de criminalização forte desencadeada aos militantes políticos que estão organizados nas manifestações, assim como a forte criminalização da pobreza que segue firme no país e encontra neste momento um caminho aberto para colocar em prática seu plano de limpeza social.

É preciso fomentar a denúncia a nível internacional, as leis e portarias que estão entrando em vigor, todas elas para cercear a liberdade de expressão e manifestação, como é o caso da lei que esta para ser votada no Congresso Nacional que tipifica protesto como ato terrorista. Neste momento já temos cidades no país que estão sendo sitiadas pela Força de Segurança Nacional (FSN) como é o caso da cidade de Recife. O exército já está instalado nas cidades sedes da Copa e hoje, dia 15 de maio, é o dia que está autorizado sua intervenção, caso julguem necessário. Em algumas cidades o fato de trancar ruas já é proibido e sabemos que as greves que estão em vigor vão ser duramente atacadas para que voltem ao trabalho e a ordem estabelecida pelos mesmos sanguessugas de sempre (patrões e governos).

Se é momento de tensão para os de Cima é porque os de Baixo estão em ofensiva.

Precisamos articular cada vez mais uma unidade para os setores combativos do movimento popular e sindical, porque sabemos que ainda é grande a base aliada do governo dentro destes espaços, sempre pronta para blindar o avanço do movimento dos trabalhadores contra o governo em vigor, ainda mais em um ano eleitoral. Mas, é fundamental ir alavancando uma política independente de governos e patrões, com democracia direta, rompendo o centralismo, a burocracia, colocando em prática valores vitais para um movimento de cunho classista e combativo, com a ampla solidariedade de classe e autonomia, buscando sempre o trabalho de base como forma de organização, com formação política para preparar novos sujeitos capazes de serem protagonistas de suas demandas, ser agressivo na propaganda dos de baixo, seja para expor nossas ideias ou para contrapor as ideias das elites e governos.

Só há um caminho para a conquista dos oprimidos que é a luta sem trégua contra os nossos opressores, com ação direta e popular, sem recuar diante das inúmeras ofensivas que iremos sofrer, mantendo o vínculo direto com inserção social, buscando fortalecer organizações do campo social, traçando caminhos para avançar níveis de lutas no qual a conjuntura possa nos oferecer, sempre atentos e organizados.

Contra a repressão promovida pelos de Cima, a luta e a organização dos de Baixo!

Avançar nas lutas e greves!

Fortalecer o movimento sindical e popular com democracia direta,
independência de classe e governos!

Pela força das ruas e organizações de base!

Federação Anarquista Gaúcha – FAG

Foto: ::: Opinião da FAG sobre a conjuntura das lutas do movimento sindical e popular no país e o dia 15 de maio.

15 de maio de 2014

Mobilização nacional contra a Copa do mundo no Brasil preocupa os governos e coloca os de Baixo na ofensiva.

Desde 2013 o Brasil vive um cenário adverso com gigantescas mobilizações que pela força das ruas questionaram a ordem do sistema imposto pelos governos e seus aliados a nível nacional e internacional.

O país esta passando por um clima propício à organização dos oprimidos, gerando um sentimento de esperança para o movimento popular. Em 2013, os sindicatos saíram timidamente às ruas, muito por conta do sentimento de rechaço das massas, que não se viam representadas por estas estruturas de organizações dos trabalhadores, já que durante os últimos períodos, boa parte destas foram cooptadas pelos governos e seus dirigentes se converteram em burocratas de plantão, prontos para puxar freio das bases revoltadas por tanta conciliação de classe; sem falar da fragmentação do mundo do trabalho como elemento que caracteriza este período. Contudo, também é preciso dizer, que muitos resistiriam e seguiram combativos.

Porém, este ano, as lutas de uma série de categorias mobilizadas desde a base vem mostrando uma outra forma de fazer luta sindical. O protagonismo dos próprios trabalhadores, que tomam decisões à revelia dos dirigentes sindicais; assembleias massivas em que as decisões são referendadas longe dos gabinetes e das negociatas feitas de antemão. É a retomada de uma experiência própria do sindicalismo revolucionário desabrochando no seio dos setores dos oprimidos, em que o movimento popular toma a ferramenta da greve como ação direta contra os patrões e governos. Ferramenta histórica é verdade, mas que agora é tomada com outra intencionalidade, indo além de pautas meramente corporativas e ganhando expressões políticas. A maioria dessas greves têm questionado não só as condições de trabalho, mas de um modo geral, os rumos do país, tanto econômica quanto politicamente.  Uma boa parcela das classes oprimidas demonstra que não está mais por aceitar decisões de cima para baixo, apesar das medidas de controle que os governos tenham em mãos. Há um amadurecimento precoce, porém vivo entre os setores dos de Baixo.

Já são diversas as cidades que se erguem em greves e manifestações que questionam o megaevento que está prestes a acontecer no país. Grandes ocupações urbanas, dezenas de categorias em greve e protesto por todos os lados saem às ruas para dizer que não querem mais opressão e repressão por conta de um evento que beneficia os grupos político-econômicos envolvidos neste mundial.

A força das ruas em 2013, contexto de grandes mobilizações com uma imensa variedade de pautas, muitas vezes dispersas, mostraram também as debilidades de um movimento sem organização de base. Se por um lado as jornadas de junho nos colocaram com força na cena política, também nos colocaram cara a cara com as insuficiências do movimento popular. A maioria das pessoas que participaram dos protestos em 2013 não estavam referenciadas por sindicatos ou movimentos populares, o que ajudou no esvaziamento das marchas e mobilizações. Depois do turbilhão, as massas sem referências políticas ou de organização de base saem das ruas; mas os efeitos dos grandes protestos seguem vivos e dão caldo para este ano, que pode, sem sombra de dúvidas, serem mais propícios a resultados de fundo. Essa nova configuração das lutas colocadas novamente nas ruas no país, que partem de sindicatos e movimentos populares, tem criado um cenário mais fecundo para que as demandas pautadas sejam projetadas pelo movimento dos de Baixo no marco de uma perspectiva de acumulação de forças e de construção do poder popular.

É notório o desespero dos governos em relação a uma possibilidade de descontrole durante os jogos da Copa. O que está em jogo é manter a ordem ou sucumbir a possibilidades de uma convergência do movimento sindical para um chamado de greve geral, o que pode sim colocar em risco a Copa do Mundo e as Olimpíadas. Isso não quer dizer que os jogos não vão ocorrer, mas, como vai estar o clima para isso é a grande questão! Já é sabido que não existe apelo da população para o mundial, o apelo, ao contrário é para repudiar os gastos com jogos e estruturas que não beneficiam a população. Politicamente já se pode afirmar que a Copa no Brasil é um fracasso, no entanto as medidas do governo em conluio com a FIFA é conter, custe o que custar, os protestos e para isso, vão usar de força bruta para calar a voz de todos que estão se erguendo em luta. Já existe uma onda de criminalização forte desencadeada aos militantes políticos que estão organizados nas manifestações, assim como a forte criminalização da pobreza que segue firme no país e encontra neste momento um caminho aberto para colocar em prática seu plano de limpeza social.

É preciso fomentar a denúncia a nível internacional, as leis e portarias que estão entrando em vigor, todas elas para cercear a liberdade de expressão e manifestação, como é o caso da lei que esta para ser votada no Congresso Nacional que tipifica protesto como ato terrorista. Neste momento já temos cidades no país que estão sendo sitiadas pela Força de Segurança Nacional (FSN) como é o caso da cidade de Recife. O exército já está instalado nas cidades sedes da Copa e hoje, dia 15 de maio, é o dia que está autorizado sua intervenção, caso julguem necessário. Em algumas cidades o fato de trancar ruas já é proibido e sabemos que as greves que estão em vigor vão ser duramente atacadas para que voltem ao trabalho e a ordem estabelecida pelos mesmos sanguessugas de sempre (patrões e governos).

Se é momento de tensão para os de Cima é porque os de Baixo estão em ofensiva.

Precisamos articular cada vez mais uma unidade para os setores combativos do movimento popular e sindical, porque sabemos que ainda é grande a base aliada do governo dentro destes espaços, sempre pronta para blindar o avanço do movimento dos trabalhadores contra o governo em vigor, ainda mais em um ano eleitoral. Mas, é fundamental ir alavancando uma política independente de governos e patrões, com democracia direta, rompendo o centralismo, a burocracia, colocando em prática valores vitais para um movimento de cunho classista e combativo, com a ampla solidariedade de classe e autonomia, buscando sempre o trabalho de base como forma de organização, com formação política para preparar novos sujeitos capazes de serem protagonistas de suas demandas, ser agressivo na propaganda dos de baixo, seja para expor nossas ideias ou para contrapor as ideias das elites e governos.

Só há um caminho para a conquista dos oprimidos que é a luta sem trégua contra os nossos opressores, com ação direta e popular, sem recuar diante das inúmeras ofensivas que iremos sofrer, mantendo o vínculo direto com inserção social, buscando fortalecer organizações do campo social, traçando caminhos para avançar níveis de lutas no qual a conjuntura possa nos oferecer, sempre atentos e organizados.

Contra a repressão promovida pelos de Cima, a luta e a organização dos de
Baixo!

Avançar nas lutas e greves!

Fortalecer o movimento sindical e popular com democracia direta,
independência de classe e governos!

Pela força das ruas e organizações de base!

Federação Anarquista Gaúcha - FAG

[FARJ] Libera #161

Retirado de: http://anarquismorj.wordpress.com/2014/05/05/libera-161/

O Libera mais recente, #161, referente aos meses de janeiro, fevereiro e março de 2014 acabou de ser lançado. Neste número, há um editorial sobre a ocupação militar do Complexo da Maré no Rio de Janeiro, onde relaciona-se o que ocorre nas favelas hoje com o que ocorreu 50 anos durante o Golpe Militar. O Libera #161 traz também um texto sobre a vitoriosa greve dos garis, um texto introdutório sobre anarquismo e uma tradução de um texto lançado em 2010 pela Zalabaza Anarchist-Comunist Front, organização anarquista da África do Sul, sobre a Copa do Mundo ocorrida naquela país.

Além disso, há também alguns poemas e datas importantes a serem lembradas nos próximos dias.

Você pode conseguir o Libera fisicamente com nossos militantes e apoiadores e na Biblioteca Social Fábio Luz. Caso deseje receber um número grande para distribuir, entre em contato conosco.

O Libera #161 pode ser baixado aqui ou clicando na figura abaixo.

libera161