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Opinião Anarquista #7: Frente aos ataques, a inovação das táticas

Novo Opinião Anarquista do Coletivo Anarquista Luta de Classe sobre a luta por transporte público e de qualidade:

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Frente aos ataques, a inovação das táticas

Mais uma vez, o aumento da tarifa do transporte coletivo pegou o povo de “surpresa”. Apesar do espanto, os ataques ao bolso das pessoas que andam que ônibus já não é mais novidade. Ano após ano, a máfia do transporte de Curitiba aumenta o valor da tarifa e quem sai perdendo são sempre os de baixo, trabalhadores (as) e estudantes em sua maioria.

No último dia 1º de fevereiro, a tarifa dos ônibus de Curitiba passou de R$ 3,30 para R$ 3,70. Um aumento de 40 centavos! Aos domingos, que era cobrado R$ 1,50 passa a ser R$ 2,50. Um aumento de 66%!

A Prefeitura, para tentar minimizar o choque e a revolta da população com esse aumento absurdo, diz que os outros serviços públicos – como água e luz – subiram ainda mais que a passagem de ônibus. Parece brincadeira, não é?

 Os ricos empresários do transporte alegam que não têm mais condições de arcar com os custos de manutenção e operação dos ônibus que circulam na região. O motivo deles é o mesmo de sempre: o aumento no preço de insumos e o reajuste salarial dos (as) trabalhares (as) do transporte.

Desde o último aumento a integração de Curitiba com a Região Metropolitana também foi ameaçada. A prefeitura e os empresários alegam, mais uma vez, que para manter a integração é necessário aumentar ainda mais o preço das passagens. Cidades como Colombo, Piraquara e São José dos Pinhais já não têm integração com Curitiba e possuem preços mais caros que o cobrado na capital.

Com o novo aumento, a tarifa em Piraquara e Fazenda Rio Grande chegou ao patamar de R$ 3,90! Quem mora longe paga cada vez mais caro para andar de ônibus. Com a criação dos chamados “degraus tarifários”, a tarifa cobrada em Bocaiúva do Sul, Contenda, Rio Branco do Sul e Itaperuçu chega ao inaceitável valor de R$ 4,70!

Os ataques ao nosso bolso são cada vez mais intensos e não vemos melhorias concretas na qualidade dos ônibus ou na quantidade de linhas do transporte coletivo. Os ônibus continuam demorando a passar e quando chegam estão quase sempre lotados.

Alguns terminais de ônibus, como o Terminal Santa Cândida, ainda estão em fase de término da obra. Na Linha Verde as obras foram retomadas há pouco tempo, sendo que a promessa era que estivessem prontas antes da Copa do Mundo de 2014! Outros tantos terminais que precisam de reformas urgentes são ignorados pelos governantes.

MOBILIZAÇÃO E AÇÃO DIRETA

No início deste ano vimos várias cidades do país irem às ruas contra o aumento da tarifa do ônibus. São Paulo, Rio de Janeiro, Joinville, Belo Horizonte e Florianópolis tiveram grandes atos. Em Curitiba também tivemos mobilização, chamadas pela Frente de Luta pelo Transporte (FLPT), a campanha “3,70 de nem tenta!” e o Movimento de Acompanhamento ao Transporte Urbano (MATU). No dia 2 de fevereiro, o povo mobilizado foi às ruas e trancou algumas das principais vias do centro da capital. O ato seguiu até a Prefeitura de Curitiba para pressionar o prefeito Gustavo Fruet (PDT) a negociar com o movimento.

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RENOVAR AS TÁTICAS, APRENDER COM OS MAIS NOVOS

No final de 2015 vimos em São Paulo um movimento protagonizado por estudantes secundaristas que foi forte e saiu vitorioso. Foi mais de 200 escolas ocupadas em sinal de resistência ao fechamento de escolas e à “reorganização escolar” planejado pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB).

O processo de ocupações organizado pelo movimento estudantil secundarista retomou instrumentos de organização da classe oprimida até então abandonados pela esquerda tradicional: ação direta, independência de classe, autonomia e autogestão dos espaços de luta. Foram essas as ferramentas que levaram os/as secundaristas à vitória!

Se, para além de muita luta, também queremos vitórias econômicas e políticas, devemos olhar para esse movimento e aprender com ele. Devemos construir o movimento de luta pelo transporte a partir das bases. As escolas são locais muito importantes para a militância na luta por transporte público.

Além das tradicionais e indispensáveis panfletagens nas portas das escolas, é necessário que o movimento esteja nas escolas, construindo diálogo com os/as estudantes e trazendo toda essa galera para a luta.

Hoje, a cada três estudantes que abandonam os estudos, 1 é decorrente dos altos gastos que as famílias têm com o transporte. O transporte é a terceira maior despesa das famílias no Brasil.

Temos visto que existe certo esgotamento do modelo comum de atos de rua, que iniciam em um ponto do centro da cidade e caminham até a Prefeitura, se encerrando com algumas palavras de ordem ou encaminhando uma nova reunião.

O movimento secundarista foi vitorioso porque sua dinâmica de atuação foi diferente do que até então se vinha experimentando. O movimento foi criativo, inovador, combativo e eficaz!

O movimento contra o fechamento das escolas em SP representou um avanço político-organizativo que deve ser observado por toda a esquerda, levando esse acúmulo não apenas para seus grupos de estudos, mas também, para suas ações nas ruas.

Uma tática histórica do movimento pelo transporte é o “catracasso”, abrindo os tubos de ônibus para que as pessoas usufruam de Tarifa Zero! O Movimento de Curitiba tem se utilizado dessa tática, que dialoga com a população e beneficia quem mais precisa.

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CRISE ECONÔMICA x DIREITO À CIDADE

Para entendermos melhor o cenário em que estamos inseridos, é necessário compreender o caminho desde os cortes no orçamento nacional (conhecidos como “ajuste fiscal”) promovidos pela presidenta Dilma Rouseff (PT), até o aumento da tarifa na catraca.

Basicamente, os enormes cortes em saúde, educação e programas sociais por exemplo foram realizados para se alcançar o superávit primário, que é aquilo que o governo “economiza” para o pagamento de juros da impagável divida pública.

O Ministério das Cidades, em conjunto com o Ministério dos Transportes, foram os que, no final do ano passado, sofreram os maiores cortes. Isso quer dizer que os municípios e estados passaram a receber ainda menos dinheiro da União para arcar com os custos do transporte coletivo e demais serviços públicos.

Apesar disso, não podemos cair no erro de achar que é a “falta de dinheiro” o problema central da questão do transporte coletivo em Curitiba. Não é de hoje que estão escancaradas as enormes taxas de lucro dos empresários do transporte na capital paranaense. Eles, além de lucrarem dentro do marco legal do capitalismo (o que, em nossa opinião, já representa roubo aos de baixo), ainda se utilizam de fraudes para ganhar ainda mais à custa do povo.

Desde a década de 70 movimentos sociais de luta por transporte público denunciam a formação de cartel no processo de licitação das linhas de transporte curitibanas. Atualmente, apenas uma família é dona de 70% do sistema de transporte da Grande Curitiba. O poder econômico da família Gulin concede a eles grande influência também no meio político. Por isso, sai prefeito e entra prefeito, mudam os mandatos dos vereadores, mas os Gulin continuam mantendo seu lugar de privilégio. Para se mantiverem ricos, roubam do povo, que perde seu direito à cidade.

Nesse ano de eleição, muitos políticos tentarão construir sua campanha querendo usar a pauta do transporte como alavanca eleitoral em seu próprio beneficio. Serão muitos os charlatões, oportunistas e políticos de má-fé. Nós não devemos acreditar que é votando no candidato A ou B que a vida do povo vai, de fato, mudar.

O Coletivo Anarquista Luta de Classe (CALC) entende que não importa se o candidato (a) veste a roupagem “mais popular” ou “menos popular”, pois todos representam os interesses dos de cima e da máfia do transporte. O que faz a diferença e traz conquistas concretas para a vida do povo é a organização e a luta nas ruas, e será somente isso que trará a vitória para o movimento por transporte verdadeiramente público.

Será com nossas próprias mãos, com nossa força social, que conseguiremos barrar esse aumento. De cima só vêm ataques e migalhas.

Somente com Poder Popular é que as condições de vida irão melhorar e por isso é sempre hora de lutar e reagir. Política se faz todos os dias e de baixo pra cima! Sem nenhuma ilusão na farsa eleitoral, pois o prefeito, os vereadores, a presidenta, e todos os representantes do Estado tem um lado, e não é o nosso!

Por uma vida sem catracas!

Nossas urgências não cabem nas urnas!

CALC, Fevereiro 2016

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[CQM] Salários atrasados, universidades fechadas e RU mais caro: 2016 será ano de lutas no Paraná

Retirado de: https://quebrandomuros.wordpress.com/2016/01/15/salarios-atrasados-universidades-fechadas-e-ru-mais-caro-2016-sera-ano-de-lutas-no-parana/

AUMENTO DO RU PRENUNCIA NOVOS ATAQUES AOS TRABALHADORES E ESTUDANTES

Desde o dia 12 de janeiro trabalhadores da Universidade Federal do Paraná, técnicos administrativos, professores/as, funcionários/as da funpar, do hc e terceirizados/as passarão a pagar o valor integral de 6 reais nas refeições do RU. Até a data, professores/as pagavam 2,40, terceirizados/as eram isentos/as e demais trabalhadores/as pagavam 1,90. O reitor afirmou que a medida não afetaria os/as estudantes, já que o congelamento do preço do RU foi parte do acordo da greve. O aumento do preço já era algo previsto pelas trabalhadoras do ru, que relatam que há tempos o restaurante não tem recursos para funcionar. De acordo com funcionárias, os fornecedores não são pagos há meses, e por conta disto alguns estão se recusando a entregar os produtos, o que tem limitado bastante o cardápio do ru. A previsão é que isso se agrave nos meses de férias, podendo ser repetida a experiência que tivemos no primeiro semestre de 2015 de o RU servir apenas arroz e feijão.

CORTES ATINGEM OUTROS SERVIÇOS DA UFPR

A situação do restaurante universitário é uma amostra da universidade como um todo: cada vez mais precarizada e sofrendo cortes de recursos. Os/as funcionários/as terceirizados estão sentindo isso do modo mais imediato, com a insegurança de não saber se o salário virá ou não. A UFPR atualmente contrata serviço de várias empresas terceirizadas para segurança (Poliservice), portaria (Habitual), RU (Progresso), limpeza (WW Serv), manutenção (CDN). Todavia, com todas se repete a mesma relação de descaso para os trabalhadores/as e as mesmas falsas promessas nas negociações. Em dezembro a circulação do intercampi foi paralisada por falta de pagamentodos motoristas terceirizados da empresa Habitual. Terceirizados/as da empresa Habitual contam que houve casos de motoristas que precisaram realizar empréstimos para voltar de viagens para a universidade pois não apenas não receberam o salário, mas também faltou o pagamento do custeio do deslocamento. Desde o primeiro mês que a empresa, que também emprega os/as funcionários/as da portaria, foi contratada, os pagamentos estariam vindo parcelados, o que causa muitos prejuízos para o orçamento desses/as trabalhadores/as, já que suas despesas não podem esperar. A falta de pagamento também se estendeu às funcionárias da limpeza e RU. As trabalhadoras da limpeza, contratadas pela WW Serv, informam que, além do atraso no pagamento, não há o fornecimento de materiais de limpeza, tendo que elas próprias comprar esses produtos para manter limpa a universidade. Elas já haviam feito uma paralisação no início do semestre pelos atrasos no salário. No RU, uma funcionária desabafa dizendo que espera que a paralisação do RU tenha sensibilizado os estudantes: “É muito ruim vocês ficarem sem almoço, mas nós estamos passando por isso todo dia, pela incerteza de não ter comida em casa porque não estamos recebendo o salário.”. As trabalhadoras temiam que no período de férias, sem a presença dos alunos para auxiliar na pressão à reitoria, os salários voltassem a atrasar. Felizmente, após a mobilização em dezembro os salários foram pagos e o do mês de janeiro recebido sem atrasos.

Foto: Greve das trabalhadoras terceirizadas da limpeza em setembro, na UFPR

DEPOIS DE UM ANO E MEIO DE EBSERH…

Funcionários e funcionárias do HC, que desde o ano passado é administrado pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH), contam que desde que a EBSERH entrou a qualidade do trabalho e do serviço piorou muito. Não há itens básicos de escritório, como papel para imprimir os prontuários. A EBSERH é uma empresa pública com caráter privado, ou seja, ela capta recursos públicos mas tem uma administração privada e atende a demandas de uma empresa privada. De acordo com a própria administração da reitoria a tendência é que o HC cada vez mais se desvincule da UPFR. Por exemplo, em breve os funcionários do HC não poderão mais utilizar o RU para fazer suas refeições. Os/as trabalhadores/as da Funpar/HC relatam que além da falta de materiais básicos também estão sofrendo com atrasos nos salários repetidamente, inclusive nos últimos dois meses, dezembro e janeiro. Além disso, referem a intensificação de casos de assédio moral após a entrada da empresa na administração do hospital.

UNIVERSIDADES ESTADUAIS DE PORTAS FECHADAS DEVIVO AO NÃO-PAGAMENTO DE  TERCEIRIZADAS

Na UNESPAR a situação não é diferente, e no campus de Curitiba II (FAP) os trabalhadores paralisaram em dezembro também em razão do não pagamento de salários. Lá os terceirizados/as da empresa Hpimentel, que prestam serviços técnicos especializados em cinema, teatro e informática, já estavam há um ano sem receber regularmente, com atrasos ou descontos. As trabalhadoras da limpeza são empregadas da empresa Tecnolimp, que em 2015 havia diminuido pela metade o quadro de funcionárias. Trabalhando o dobro para receber o mesmo salário, em dezembro a previsão era de que não haveria pagamento de salário ou décimo terceiro para as/os trabalahdoras/es de ambas as empresas. A universidade, que teve seu orçamento cortado em cerca de 50% esse ano, teve as atividades no Campus II (FAP) encerradas com a paralisação, pois sem os/as terceirizados/as a universidade não tem condições de funcionar. Por esse motivo, as aulas foram suspensas e as férias antecipadas.

estudantes apoiam terceirizadas

Foto: faixa do movimento estudantil da UNESPAR Curitiba II (FAP) em apoio às/aos trabalhadoras/es terceirizadas/os.

Outros campi da UNESPAR, como Paranaguá, e a Universidade Estadual do Centro-Oeste (UNICENTRO), também tiveram suas atividades encerradas devido aos cortes, que tornaram a situação alarmante em todas as universidades estaduais. Todos os campi da UNESPAR acumulam dívidas gigantescas com empressas e fornecedores. Em União da Vitória, os/as trabalhadores/as terceirizados/as também estão sem salário. Lá e em Campo Mourão, os atrasos em pagamentos acarretaram em dívidas que podem impedir o início das aulas em 2016.

O atraso no salário dos/as terceirizados/as vem de uma longa cadeia: a empresa terceirizada não paga porque a reitoria não realiza o pagamento, porque os governos, federal ou estadual, atrasam ou cortam o repasse de verbas. No momento de negociação, quem participa não são os trabalhadores, aqueles que sofrem e estão diretamente implicados, mas apenas os patrões (reitoria e empresa) e um sindicato deslocado que se alinha mais com os patrões do que com os trabalhadores. A atuação do Siemaco, sindicato que deveria representar os terceirizados/as, consiste em tentar destruir qualquer tentativa de mobilização por parte dos trabalhadores/as. Na última paralisação das funcionárias da limpeza, as trabalhadoras faziam um ato no pátio do RU. O Sindicato ligou para as terceirizadas dos outros campi advertindo que elas não deveriam se juntar ao protesto, mas permanecer em seus locais de trabalho esperando o momento de voltar a trabalhar. O que o Siemaco espera é que os/as trabalhadores/as façam uma greve em silêncio, esperando apenas o resultado de negociações das quais eles não podem participar, mas que estão decidindo sobre suas vidas. Desse modo, sindicato, empresa, reitoria e Estado demonstram seu total descaso e falta de interesse pelas condições de vida e trabalho dessas pessoas.
Declaramos nosso repúdio a essa situação e à luta dos/as terceirizados/as nosso total apoio, pois nessas horas todo apoio é decisivo! Desde o início estivemos presentes ao lado das trabalhadoras e trabalhadores dando o suporte que nos estava ao alcance. Portanto, chamamos toda a comunidade acadêmica para prestar solidariedade à essa luta, para ficarmos atentos aos ataques às/aos terceirizadas/os e, quando preciso, fazermos barulho juntos e garantirmos que não caiam represálias sobre aqueles que não estão pedindo nenhuma esmola, mas reivindicando seus direitos. Criticamos, também, os sindicatos pelegos e burocratizados que não incentivam a luta e ainda tentam acalmar as iniciativas próprias de trabalhadores/as. São os terceirizados/as que mantêm funcionando as Universidades e um ataque a eles/elas é um ataque à toda comunidade acadêmica e toda a classe trabalhadora! Sejam estudantes, terceirizados/as, técnicos/as e professores/as, nossa luta é junta! Neste momento, estudantes da UFPR assistem o PIBID, Programa de Iniciação a Docência, sendo aos poucos exterminado, limitando sua formação caso queiram ser professores. A Capes anunciou que não admitirá novos bolsistas e cortará gradativamente aqueles que estão cadastrados. Além de tudo, bolsistas do PIBID também correm o risco de deixar de receber suas bolsas nas férias entre o pouco tempo que lhes resta de programa. Já sofremos das mais variáveis barreiras para entrar na universidade, e quando conseguimos, não temos assistência estudantil para permanecer nela, inclusive porque há injustiça para com aquelas/es que a mantêm!

Dizemos basta a essas peneiras sociais, dizemos chega de injustiça e descaso! Queremos condições de ensino e de trabalho. Queremos nossas bolsas e nossos salários, e por isso vamos lutar. Venha junto! A existência da universidade pública depende de nossa mobilização e todo apoio é crucial!

[CQM] GREVE UFPR: A luta dos de baixo por educação de qualidade e para todos e todas!

Retirado de:  https://quebrandomuros.wordpress.com/2015/08/19/greve-ufpr-a-luta-dos-de-baixo-por-educacao-de-qualidade-e-para-todos-e-todas/

Não é de hoje que presenciamos inúmeros ataques dos de cima a nossos direitos básicos, conquistados pela luta dos movimentos sociais ao longo dos anos. Para piorar, em tempos de crise, são esses mesmos direitos que tentam nos tirar, demonstrando que o papel do Estado é o de legitimar e garantir os interesses da burguesia. Assim, em Agosto de 2015, os cortes de verbas sobre a educação já superam os 10 bilhões de reais, ameaçando concretamente a vida nas universidades, as condições de trabalho dos técnicos, docentes e a permanência de milhares de estudantes que necessitam de assistência para continuar seus estudos.

A resposta dos e das trabalhadores/as e estudantes a esse cenário não poderia ser diferente: é tempo de se mobilizar e resistir! Por isso, desde maio, servidores e docentes das instituições públicas federais de todo o país entraram em greve. Na UFPR, os servidores técnico-administrativos aderiram à greve desde o seu início; os professores, aderiram no último dia 6 à greve nacional da categoria.

Mas não são somente essas categorias que sentem na pele a necessidade da luta! No HC, as trabalhadoras terceirizadas da cozinha e limpeza paralisaram pela terceira vez esse ano. Sabemos das péssimas condições de trabalho a que estão submetidos os e as trabalhadoras terceirizadas e do risco de intensificação desse modelo de contratação com a aprovação da PL 4330. Por isso, nos colocamos lado a lado, em solidariedade de classe a todos os tercerizados que desempenham serviços tão necessários para a manutenção da universidade!

Entendemos que esses movimentos de luta são uma resposta dos trabalhadores e estudantes à precarização das condições de trabalho e estudo e ao sucateamento da educação. Com a história aprendemos que só a mobilização combativa traz conquistas e muda a vida! Aprendemos também que os estudantes muitas vezes tiveram papel fundamental em processos de luta por direitos e mudanças.

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Foi com a força da greve dos estudantes, unidos aos professores e servidores, que garantimos a gratuidade da universidade, barrando a cobrança de taxas como matrículas e protocolos, como no movimento de 2001. as políticas de permanência também são resultado da luta estudantil, que garantiu o aumento das bolsas, RU 7 dias por semana e três vezes ao dia, wi-fi, ampliação na frota do intercampi, incluindo o transporte para o litoral, auxílio-creche, ampliação na casa 3, entre tantas outras conquistas.

Nesse sentido, é que os estudantes da UFPR – reunidos na Frente de Mobilização Estudantil do Paraná – também já estão organizados e em luta desde o semestre passado, elencando pautas desde a base dos cursos até as reuniões gerais da FMEP . Hoje, diversos cursos já deflagraram greve estudantil, indicando que nossa luta vai se intensificar ainda mais.

Precisamos muito da união dos estudantes, servidores e professores para defender a educação pública. Para isso, o movimento precisa ser coletivo e construído desde a base dos cursos, através de assembleias de cursos e gerais. Precisamos demonstrar nossa força pela ação direta do movimento, ser criativo e ir para além dos atos e manifestações. a greve precisa ser forte e pressionar a Reitoria e o Governo Federal para conseguirmos conquistas reais!

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TODO APOIO À GREVE DOS TÉCNICOS, TERCEIRIZADOS E DOCENTES!

TODA APOIO À GREVE ESTUDANTIL!

PELA UNIFICAÇÃO DAS LUTAS!