Arquivo da tag: Curdistão

[CAB] Comunicado em apoio e solidariedade à luta da DAF na Turquia

Retirado de: http://anarquismo.noblogs.org/?p=204

Companheiras/os da DAF (Devrimci Anarşist Faaliyet / Ação Revolucionária Anarquista):

11427177_814975615223960_8812376936822750883_n

Queremos em primeiro lugar deixar chegar até vocês, de maneira conjunta, nosso abraço fraterno de solidariedade com a causa do anarquismo turco comprometido com as lutas sociais e causas revolucionárias, que são as mesmas nossas causas. Em segundo lugar comemoramos e expressamos a nossa alegria que esses dois companheiros da DAF, que foram cruelmente presos pelo Estado turco, foram colocados finalmente em liberdade, sendo isso resultado da luta de rua de cada companheiro/a.

Queremos dizer-lhes que as nossas organizações seguem atentas e a postos para espalhar por todos os meios possíveis, os acontecimentos revolucionários no Curdistão ocidental e no quadro de solidariedade regional que eles criaram e, que estes enxergam vocês como protagonistas também neste processo, juntamente com outras organizações irmãs. Com profundo respeito, e sabendo que muitas vezes as distâncias impõem limites quando precisamos lançar ações de apoio a nossa causa como anarquistas, no entanto queremos fazer chegar até vocês toda a força e o apoio militante a seus esforços, não apenas por realçar a vizinha Rojava revolucionária, mas também pela tentativa cotidiana de construir uma alternativa anarquista na Turquia.

Desde já afirmamos toda a solidariedade a seus esforços, desde onde nos toca viver e atuar, aqui no sul do continente Latino Americano.

Viva a revolução de Rojava!
Viva a DAF!!!
Liberdade para Zeynep Celaliyan!
Arriba lxs que luchán!

Dear DAF – Devrimci Anarşist Faaliyet /Anarquist Revolutionary Action

Comrades,

In the first place we want to come jointly to you and offer our fraternal hug from solidarity with the cause of the Turkish anarchism compromised with the social struggles and revolutionary causes that are the same as ours. Second of all, we are celebrating and expressing our joy that these two comrades that were cruelly arrested by the Turkish State were finally set free, and that’s the result of the struggle and fight from each and every comrade.

We want to tell you that our organizations are always following with attention and wanting also to share with all different and possible ways the revolutionary ongoings in Kurdistan Occident and in the regional solidarity cadre that they created, which sees you also as the main characters in the this process, together with some other sisters organizations. With deep respect, and knowing that many times the distance impose limits when we need to send support actions to our causes as anarchists, for instance we want to bring until you all the force and militant support to your efforts, not only for highlighting the Revolutionary Rojava neighbor, but also for the daily attempt to construct an anarchist alternative in Turkey. Since now, we undertake all the solidarity to your efforts from where we live and function, here in the south of Latin American continent.

Long live to the Rojava revolution!

Long live to DAF!!

Freedom to Zeynep Celaliyan!

Arriba lxs que luchán!

Comunicado en Apoyo y Solidaridad a la lucha de la DAF en Turquía

Compañeros/as de la DAF (Devrimci Anarşist Faaliyet / Acción Revolucionaria Anarquista):
Queremos primero hacerles llegar de manera conjunta el brazo fraterno de solidaridad con la causa del anarquismo turco comprometido con las luchas sociales y las causas revolucionarias, que no es otra causa que la nuestra. En segundo lugar festejamos, manifestamos nuestra alegría de que estos dos compañeros de la DAF, que fueron vilmente detenidos por el estado turco, hayan sido puestos finalmente en libertad fruto de la lucha en la calle de cada compañero/a.

Queremos comentarles que nuestras organizaciones siguen atentamente, a la vez que intentan difundir por todos los medios posibles, los sucesos revolucionarios en Kurdistán occidental y el marco de solidaridad regional que estos han generado y que los tienen a ustedes como claros protagonistas junto a otras organizaciones hermanas. Con un profundo respeto, y sabiendo que las distancias muchas veces imponen límites a la hora de accionar en apoyo a nuestras causas como anarquistas, queremos sin embargo hacer llegar toda la fuerza y el apoyo militante a vuestros esfuerzos no solo por apuntalar la revolución de la vecina Rojava, sino por el intento de construir cotidianamente una alternativa anarquista en Turquía.

Desde ya que cualquier acción solidaria desde estos rincones al sur de este continente en el que estamos formará parte de nuestro compromiso con vuestros esfuerzos.

Viva la Revolución de Rojava!
Viva la DAF!
Libertad para Zeynep Celaliyan!
Arriba lxs que luchan!!!

FAU – Federación Anarquista Uruguaya (Uruguay)
CAB – Coordenação Anarquista Brasileira (Brasil)
FAR – Federación Anarquista de Rosario (Rosario, Argentina)

Comunicado em apoio e solidariedade a luta do DAF na Turquia

Companheiras/os da DAF (Devrimci Anarşist Faaliyet / Ação Revolucionária Anarquista):

11427177_814975615223960_8812376936822750883_n

Queremos em primeiro lugar deixar chegar até vocês, de maneira conjunta, nosso abraço fraterno de solidariedade com a causa do anarquismo turco comprometido com as lutas sociais e causas revolucionárias, que são as mesmas nossas causas. Em segundo lugar comemoramos e expressamos a nossa alegria que esses dois companheiros da DAF, que foram cruelmente presos pelo Estado turco, foram colocados finalmente em liberdade, sendo isso resultado da luta de rua de cada companheiro / a.

Queremos dizer-lhes que as nossas organizações seguem atentas e a postos para espalhar por todos os meios possíveis, os acontecimentos revolucionários no Curdistão ocidental e no quadro de solidariedade regional que eles criaram e, que estes enxergam vocês como protagonistas também neste processo, juntamente com outras organizações irmãs. Com profundo respeito, e sabendo que muitas vezes as distâncias impõem limites quando precisamos lançar ações de apoio a nossa causa como anarquistas, no entanto queremos fazer chegar até vocês toda a força e o apoio militante a seus esforços, não apenas por realçar a vizinha Rojava revolucionária, mas também pela tentativa cotidiana de construir uma alternativa anarquista na Turquia.

Desde já afirmamos toda a solidariedade a seus esforços, desde onde nos toca viver e atuar, aqui no sul do continente Latino Americano.

Viva a revolução de Rojava!
Viva a DAF!!!
Liberdade para Zeynep Celaliyan!
Arriba lxs que luchán!

CALC – Coletivo Anarquista Luta de Classe (Paraná, Brasil)                     FAU – Federación Anarquista Uruguaya (Uruguay)
FAG – Federação Anarquista Gaúcha (Río Grande do Sul, Brasil)
FAR – Federación Anarquista de Rosario (Rosario, Argentina)

[CABN] Boletim CABN mar/2015

Retirado de: http://www.cabn.libertar.org/boletim-cabn-mar2015/

Salve companheirada!

Neste boletim de março: Ponta do Coral 100% Pública,  campanha Protesto não é crime, educação estadual em greve, luta estudantil e o 26M, conjuntura nacional, revolução em Rojava

Ponta do Coral 100% pública

Segue a disputa pela Ponta do Coral, uma área verde próximo ao Centro de Florianópolis fortemente visada pelo capital turístico e imobiliário de luxo. Nesse ano, o Movimento Ponta do Coral 100% Pública voltou a atuar com força na defesa de uma área pública, de preservação e manutenção da cultura local; e tem acumulado forças desde a Maratona do Coral, ocupação cultural da área no aniversário da cidade que agregou milhares de pessoas. Novas atividades e ações estão programadas para as próximas semanas. Mais informações:

https://parqueculturaldas3pontas.wordpress.com/
https://www.facebook.com/pontadocoralpublica

Campanha “Protesto não é crime”

A campanha “Protesto não é crime!” continua mobilizada em Joinville, onde 6 compas sofrem processos e perseguição por sua militância nas lutas pelo transporte público e no setor da educação. Convidamos todas as pessoas a acompanhar e contribuir com a campanha de solidariedade e agitação “E se fosse você?”, que pode ser vista aqui: https://www.facebook.com/protestosim

Além disso, hoje tem show na cidade para levantar dinheiro e apoio à Campanha. Confira aqui: http://www.portaljoinville.com.br/agenda/view/1375

Educação estadual em greve

Trabalhadores(as) da educação pública estadual estão em greve em Santa Catarina, assim como em vários Estados pelo país, enfrentando cortes de verba e perda de direitos às categorias. Em SC, o governo Colombo e o secretário Deschamps já enfrentam algumas semanas de greve e pressão contra a MP198 e a deterioração de condições da categoria, em especial os ACTs (contratos temporários). Toda força à luta da categoria! GREVE SEM MEDO!
Mais informações: http://sintejoinville.blogspot.com.br/

Luta estudantil e o 26M

O Grupo de Trabalho Estudantil da Coordenação Anarquista Brasileira, que reúne a militância estudantil anarquista de vários Estados do país, lançou documento de análise sobre o 26M, Dia Nacional em Defesa da Educação, apontando a necessidade de luta e organização pela base para poder demonstrar força e enfrentar os cortes de verba e políticas privatizantes no setor. Leia aqui:
http://www.cabn.libertar.org/cab-nota-da-frente-estudantil-da-cab-sobre-o-dia-26-de-marco-dia-nacional-em-defesa-da-educacao/

Conjuntura nacional

A situação política nacional vive dias de ebulição com cortes de direitos e medidas antipopulares do Governo Federal, marchas da direita nas ruas e também mobilização dos movimentos sociais e populares. Recomendamos aqui duas recentes análises da conjuntura brasileira produzidas por organizações da Coordenação Anarquista Brasileira.

“Nem dia 13, nem dia 15: organizar a luta pelas bases nos próximos meses!”, da Federação Anarquista do Rio de Janeiro:
https://anarquismorj.wordpress.com/2015/03/13/nem-dia-13-nem-dia-15-organizar-a-luta-pelas-bases-nos-proximos-meses/

“Contra a trapaça político burguesa e o arrocho da vida dos trabalhadores”, da Federação Anarquista Gaúcha:
http://www.federacaoanarquistagaucha.org/?p=1082

Revolução em Rojava

Importantes relatos e notícias vem das regiões autônomas conquistadas pelo povo curdo em luta, buscando implementar o modelo libertário do Conferederalismo Democrático. A resistência curda se destaca pelo grande protagonismo das mulheres no levante, que questionam os pilares patriarcais e conservadores na região. Além disso, uma ampla rede de organismos de base funciona como modelo de gestão autônoma do território e um modelo de economia comunitária, anti-capitalista, avança em sua implementação. Divulgamos em nossa página um relato sobre a luta das mulheres na região de Rojava:
http://www.cabn.libertar.org/reescrevendo-a-historia-das-mulheres-em-rojava-parte-2/

Saudações libertárias!
Coletivo Anarquista Bandeira Negra, integrante da Coordenação Anarquista Brasileira
ca-bn@riseup.net | http://cabn.libertar.org
Para entrar em nossa lista de notícias, envie um e-mail para ca-bn@riseup.net.

Reescrevendo a história das mulheres em Rojava – Parte 2

Retirado de: http://www.cabn.libertar.org/reescrevendo-a-historia-das-mulheres-em-rojava-parte-2/

Cartaz_RojavaB

Por Rojda Serhat-Şevin Şervan-Cahide Harputlu – JINHA

Tradução  Eliete Floripo

ROJAVA – este ano em Rojava, as mulheres estão se preparando para o 8 de Março com tanta excitação como dor. Apesar da intensificação dos ataques contra as mulheres, elas fizeram um histórico ano para as mulheres através de seu trabalho de defesa de Shengal e Kobane e da construção de Rojava. Nossa série continua hoje com a história da ativista de uma base da organização que precedeu a revolução; reflexões das mulheres sobre o seu trabalho no governo; e uma entrevista com a comandante do YPJ Meryem Kobane.

As raízes da revolução Rojava: décadas de organização para a libertação de curda

Henife Husen, co-presidente do movimento político democrático, guarda-chuva do Movimento para uma Sociedade Democrática (PEV-DEM), diz que a resistência e luta das mulheres tinham uma história muito antes de Rojava.
Com a supervisão de Apo (Abdullah Öcalan), a busca da liberdade no Curdistão, chegou a Rojava também. As mulheres de Rojava aceitaram isto desde o início; elas abriram suas casas, deixaram seus filhos para esta luta.
“Para a revolução chegar até aqui, houve muito apoio moral e material,” incluindo o combate na linha de frente da Frente Nacional de Libertação do Curdistão (ERNK) e apoio de Apo , disse Henife”.
Abdullah Öcalan passou um tempo em Rojava na década de 1990. “A estadia do líder do Curdistão em Rojava tinha três projetos principais,” disse. O mais importante deles foi o projeto de libertação das mulheres. Em Rojava, muitas mulheres participaram de suas reuniões.
Henife disse que as reuniões resultaram em uma série de mudanças na sociedade. Enquanto as primeiras mulheres juntaram-se a guerrilha uma a uma, as revoltas populares no Curdistão do Norte na década de 1990 resultaram em uma explosão de voluntários para a guerrilha. “O primeiro mártir por ser uma mulher, teve um enorme eco. Cada mártir prepararam o terreno para mais pessoas no voluntariado”.
A filosofia de Öcalan propagou, as mulheres começaram a organizar todas as suas atividades econômicas, incluindo o trabalho doméstico. “As mulheres começaram a fazer o que ninguém mais poderia fazer,” disse Henife. Mas depois que Abdullah Öcalan foi feito prisioneiro pelo Estado turco, disse Henife, a repressão começou a tornar-se intensa em Rojava. O estado facilitou uma gama de políticas sujas que se assemelhavam muito a aquelas implementadas pelo Estado turco contra o povo do norte do Curdistão.
“Começaram políticas de fome. Desemprego ampliado. Nestes dez anos causou imensa devastação, especialmente contra as mulheres,”disse Henife. “Havia uma aliança entre os dois Estados,” ambos facilitaram o crime e a corrupção.
Em um curto período de tempo, prostituição, drogas e espionagem tornaram-se generalizadas em Rojava. “Homens mais velhos que vinham do Norte (Turquia) para comprar mulheres jovens para ‘casamento’. “Depois disso, mudou o entendimento local do Islã, disse Henife. As mulheres também participaram deste novo Islã. Sociedades religiosas apareceram em todos os lugares.
A atividade Pro-curdo foi proibida, e diz Henife que dezenas de seus amigos foram presos e torturadas. Alguns foram mortos por seus torturadores. Narziye Keçe foi preso em 2004 e desapareceu sob custódia do estado.
As pessoas começaram a temer a atividade política. Henife diz que as organizações islâmicas cresceram para preencher a lacuna, quando as pessoas ficaram com medo de organizar a luta de libertação curda e as detenções do estado. Para as mulheres resultou em mais repressão no nível das famílias, onde mulheres ativas foram ameaçadas a serem jogadas para fora de casa ou com o divórcio se permanecem ativas na luta.
Mas, diz Henife, nunca deixaram de se organizar, formando a organização Tevgera Jinan (Movimento de Mulheres) em 2005. Organizadoras formaram parlamentos locais e comitês em cada cidade, mesmo quando a participação foi baixa, inclusive por meio de Tevgera Azad (Movimento Livre). Este nível de organização continuou até a revolução de 2011.
Com o período de 2010-2011 veio uma explosão de atividade e organização. O primeiro Congresso de TEV-DEM, teve a decisão de abertura das casas de mulheres em cada cidade, a decisão da organização das mulheres Yekitiya Estrela, foi de organizar-se em discussões de base — parlamentos de discussões e decisões importantes tiveram lugar um após o outro. Comitês foram organizados para cuidar da educação, imprensa, relações públicas e econômicas, e, mais recentemente, as Academias Femininas, criadas em 2012.
As mulheres foram a chave para tudo isso, tendo papel importante e organizando-se durante o período da revolução. As mulheres eram parte dos Conselhos revolucionários e órgãos de decisão.
O sistema de co-presidente, no qual cada posição tem dois representantes (um homem e uma mulher), foi implementado nos parlamentos locais e comunas. Um cota de 40% para as mulheres também foi implementado.
“Nestes desenvolvimentos de maior participação popular, as mulheres tinham um papel de liderança na sociedade”, disse Henife. Yekitiya Estrela tornou-se um espaço para as mulheres. No início da revolução, as mulheres estavam participando do PYD, onde o sistema de co-presidente estava em asayiş.
Yekitiya Estrela começou a dar suporte para o YPG. Depois as mulheres se organizaram como o YDH em segredo, e então, formaram o YPJ. Kobane tornou-se um exemplo para as mulheres de Rojava e do mundo, com sua mais famosa mártir sendo Arîn Mîrxan, que sacrificou-se para a cidade. “O que libertou Kobane foi o espírito do camarada Arîn” e aqueles como ela, disse Henife.

No governo de Rojava, as mulheres resolvem seus próprios problemas

Ministra de mulheres Hiva Irabu diz que o Ministério foi uma das primeiras instituições fundadas após a declaração de autonomia no Cantão de Cizîre. Somente mulheres no Ministério — o primeiro no mundo.
“Quando começamos a trabalhar, analisamos e pesquisamos experiências em muitos países, mas não conseguimos encontrar um Ministério formado especificamente para resolver os problemas das mulheres,” disse Hiva. “Começamos os projetos nas áreas de interesse para as mulheres: economia, política, educação, desenvolvimento, violência contra as mulheres, a cultura, a lei.” Muitos projetos realizam-se em colaboração com grupos do movimento de mulheres.
“Fizemos um relatório sobre as mulheres que sofreram violência e que vieram para as casas de mulheres,” disse Hiva. “Como resultado, começamos os projetos de solidariedade e abrigos de mulheres. Mulheres em perigo de morte vivem aqui. Também temos projetos para ajudar a resolver os problemas econômicos das mulheres que vivem em abrigos.”
O Ministério reuniu um conjunto de estatísticas não disponíveis anteriormente sobre as mulheres por meio de pesquisa em Cantão de Cizîre . Além da população total de mulheres, as estatísticas também registraram o número de mulheres que sofreram violência, a poligamia, o casamento infantil; que estão em dificuldades econômicas; que se divorciaram; e que são deficientes. Segundo a pesquisa, houve 2.250 casos de violência contra a mulher em 2004.
Agora, o Ministério tem ajudado no desenvolvimento de uma lei que tome medidas contra uma variedade de formas de violência contra as mulheres, do casamento infantil, poligamia, deserdação de mulheres e a troca noiva e a violência doméstica.Essas práticas variam entre os diferentes grupos em Rojava, como a poligamia (por exemplo) generalizada entre os cidadãos árabes, presentes entre curdos e ausente entre assírios e sírios.
Foco principal em 2015 do Ministério é a atividade econômica. O Ministério planeja treinar mulheres com habilidades que eles já têm, então elas poderão se sustentar sem depender de parentes do sexo masculino. Outro projeto cria centros para crianças deficientes e juventude.
Revda Hesen, co- prefeita da cidade de Qamişlo, no Cantão de Cizîre, têm visto as mulheres tomar seus lugares em uma variedade de projetos desde o início da revolução em Rojava há três anos — incluindo os membros da equipe de 30 mulheres no governo municipal. Mulheres dirigem uma série de projetos municipais só para mulheres. Zin Xelil, da força de Asayiş (manutenção da paz) do governo da cidade, diz que as mulheres desempenham um papel importante na defesa da cidade. Ela diz que a autodefesa da revolução liderada por mulheres Rojava é crítica.

Luta do YPJ para a autodefesa das mulheres em todas as áreas da vida

Meryem Kobane, uma comandante da YPJ, tem sido parte da resistência Kobane desde o início.
“Não há nada na natureza sem mecanismos para a sua própria autodefesa”, diz Meryem do projeto de autodefesa das mulheres. Ela diz que a dominação das mulheres não é natural. Militarismo e exploração começaram com o sistema tribal e a ideia de que as mulheres não podem tomar parte na defesa da comunidade, mas só podem servir os homens, mas o Estado formalizou essa mentalidade, de acordo com Meryem.
“Ao longo da história, como as mulheres são descritas? “Sua natureza opõe-se à guerra”. Sim, é claro que isto é verdade, mas para as guerras de dominação. Mas autodefesa é diferente.” Ela observou que a legítima defesa é uma propriedade fundamental e natural. A guerra é uma arte, Meryem diz, e as mulheres em particular, abordam dessa forma.
“Dizem as mulheres, “vocês não tem força de vontade, vocês não são fortes, vocês não podem ser uma liderança, vocês não podem proteger suas próprias vidas”, disse Meryem. “As mulheres tomaram parte em muitas revoluções na história, mas seu papel sempre foi suprimido”.
Ela observou que houve algumas dificuldades para as mulheres no início da defesa de Kobane, apesar da longa história de luta das mulheres em Rojava e no Curdistão em geral.
“Um número de camaradas da resistência Kobane, incluindo os mártires Sozdar e Roza, queriam as posições YPJ para ser separado dos homens — porque nossos pais e irmãos nos disseram ‘não pode fazer isso’, disse Maryem. Mas as mulheres lutaram contra os homens que lhes disseram que não tinham nada na frente. Agora, seu papel é famoso. Mulheres mártires como Viyan e Peyman, deram suas vidas para Kobane. Mulheres do YPJ tem estado na vanguarda da guerra em locais como Serêkaniye e Efrîn.
“O Daesh fez uma maratona de Mosul para cá, mas eles foram parados em Kobane”, disse Meryem. Dizendo que elas sentiram a necessidade de mostrar que as mulheres geradas na filosofia de Abdullah Öcalan nunca iriam desistir, disse ela “, enquanto houvesse um curdo ainda vivo, Kobane não iria cair.”
As mulheres não estão apenas resistindo na guerra, de acordo com Meryem, mas na vida cotidiana. “Em qualquer lugar na sociedade que há um grupo que quer resistir a sua própria exploração, deve haver um mecanismo de autodefesa — em cada rua, cada casa, cada local de trabalho.
“Por exemplo, as mulheres que trabalham em fábricas tem que se organizar. Elas precisam se reunir regularmente e se houver um ataque a uma mulher, elas precisam se unir.” Meryem disse que a solidariedade feminina contra a exploração econômica e todas as outras formas de exploração precisa ser um reflexo de base.
“As mulheres são empurradas para a prostituição, como se elas não tivessem outra opção. As mulheres estão sendo apedrejadas quando elas próprias são vítimas de estupro. Estamos dizendo que há outra forma de viver. E a solução não é só as armas.
“A luta começa com o conhecimento de si mesmo,” disse Meryem, salientando a importância da educação na luta do YPJ. “Nós avisamos os camaradas para que viessem até nós para aprender tudo o que eles queriam, incluindo como usar armas. Sua mente precisa estar aberta a tudo”, disse. Desde o início, o estudo da filosofia de Abdullah Öcalan tem sido crucial para os esforços das mulheres para se organizar.
Meryem diz que, estupro, apedrejamento, rapto, femicídio e outros crimes contra mulheres aumentam na ausência da autodefesa. Em Dera Zor, 700 mulheres e crianças foram decapitadas diante dos olhos do mundo. Crimes contra a humanidade, como a campanha de Anfal de Saddam Hussein e do ataque Daesh em Shengal foram evitadas em Rojava somente graças à luta dos mártires. Ela observou os nomes das mulheres muitos mártires que se sacrificaram nas fileiras da frente: Revan, Gulan, Ozgur, Roza e outras milhares que deram suas vidas para viver livremente suas identidades.
A história está cheia de mulheres que lutaram, de acordo com Meryem, de Rosa Luxemburgo a Leyla Qasim e as três militantes curdas mortas em Paris. Meryem saudou as mulheres que continuam sua luta nas ruas no 8 de março, Dia Internacional da Mulher. Ela cumprimentou particularmente as mulheres que vão se reunir em Nusaybin, no norte do Curdistão na Marcha Mundial das Mulheres.

“As mulheres têm que se unir” disse. Ela diz que espera um dia para ver uma Assembléia Internacional de Mulheres.

 

———————————–

TEXTO ORIGINAL EM: http://kurdishquestion.com/index.php/kurdistan/west-kurdistan/rewriting-women-s-history-in-rojava-part-2.html

A Revolução dentro da Revolução e o Protagonismo Feminino no Curdistão

Rojava

Retirado de: http://jornalismob.com/2015/02/23/a-revolucao-dentro-da-revolucao-e-o-protagonismo-feminino-no-curdistao/

Texto escrito por Lorena Castillo, militante da Federação Anarquista Gaúcha e do Ateneu Libertário A Batalha de Várzea, pro blog Jornalismo B

Somente há pouco tempo ficamos sabendo que em uma determinada região do Oriente Médio, mais precisamente no oeste do território curdo (Rojava), existe um processo revolucionário que se desenlaça e coloca no cerne da questão política a liberdade das mulheres e a negação do Estado-Nação. A luta revolucionária hoje no Curdistão é algo que recoloca no debate político da esquerda mundial a possibilidade de fazer a ruptura com a podridão do sistema capitalista e patriarcal. Hoje, o povo curdo, que está em luta contra os regimes opressivos da região, dá o exemplo de como é possível viver em uma sociedade baseada na democracia de base, no poder popular e no alto nível de liberdade das mulheres.

Fotos: Kurdish Female Fighters Y.P.J

A toda essa proposta política elas e eles dão o nome de Confederalismo Democrático. Essa proposta surge a partir das leituras do militante curdo Abdullan Ocalan, que é uma figura de referência para toda a esquerda curda, sendo um dos fundadores do Partido Trabalhista Curdo (PKK), e que está preso há 16 anos, com pena perpétua para ser cumprida em uma ilha-prisão da Turquia.  Na prisão, Ocalan aprofundou suas leituras dos textos anarquistas de Bakunin, Kropotkin e Proudhon, e, como proposta de modelo político para ser trilhado na revolução social do Curdistão, ele rebatiza o Municipalismo Libertáriodo também anarquista Murray Bookchin. Esse projeto político, o Confederalismo Democrático, vê o Estado como o principal oponente às ideias de autodeterminação dos povos e sua independência. A independência que é proposta pelo projeto do Confederalismo Democrático não busca obter fronteiras de um Estado-Nação. Pelo contrário, a luta curda hoje é qualquer coisa exceto nacionalista.

Nas montanhas acima de Erbil, no antigo coração do Curdistão, passando pelas fronteiras da Turquia, Irã, Iraque e Síria, nasce uma revolução social, uma proposta radical de democracia de base esfrega na cara da esquerda mundial que o caminho para a superação deste modelo injusto e assassino começou a ser trilhado longe do que tradicionalmente se esperava.

A luta revolucionária do povo curdo está construindo uma sociedade livre do Estado, e isso coloca em cena a antiga e maior polêmica entre a esquerda centralista e a federalista, que é a questão do Estado e também o tema já tão conhecido por nós, anarquistas, de que o socialismo é com liberdade ou não é socialismo. E o que está acontecendo por lá, no Curdistão revolucionário, é isso mesmo: desde os conselhos mais locais, sejam eles em bairros, municípios ou distritos, se pratica formas de democracia direta, onde todas as pessoas podem deliberar sobre as diferentes questões da nova sociedade que estão construindo. As ferramentas de organização específicas para as mulheres, jovens e para toda a comunidade encarnam fortemente no dia a dia os princípios de democracia radical de base e liberdade. O federalismo do ponto de vista anarquista, como um conceito de descentralização de poder encontra nesta experiência terreno fértil para fazer defesa desta concepção. O que temos hoje no Curdistão é o desenlace de um povo forte, que neste momento está em armas contra as terríveis ideias e ações do Daesh (ISIS, ou Estado Islâmico).

Algo extremamente importante de ressaltar nesse processo todo é a conformação, em todos os níveis de organização, da inserção das mulheres curdas nessa luta revolucionária, onde as mulheres estão desempenhando um papel determinante no combate ao Estado Islâmico. Elas não estão ali somente porque as condições da guerra contra o Estado Islâmico requeira isso, não porque sejam “símbolos de propaganda”, as mulheres curdas estão metidas nesse processo como grandes protagonistas de um duro combate às forças que mais matam, escravizam e massacram os povos oprimidos da região. Elas carregam no seu “núcleo duro” político-ideológico uma proposta de ruptura ao sistema capitalista-patriarcal, e estão atuando dessa forma naquela região do mundo, onde já escutamos milhares de vezes que os direitos das mulheres são terrivelmente negados. Isso também é o que torna essa experiência revolucionária com caráter feminista ainda mais entusiasmante.

O movimento de mulheres no Curdistão sabe que a proposta de um Estado-Nação não é a solução para a vida dos mais oprimidos e que sim, a solução está fora do Estado, a despeito do Estado, em combate à lógica do Estado-Nação, capitalista e patriarcal. E é no fortalecimento de uma lógica democrática de baixo para cima que temos visto os curdos levando adiante sua revolução social, fortalecendo suas cooperativas, conselhos e assembleias.

curdistao2

O Estado Islâmico e as grandes potências ocidentais são as principais ameaças, ao menos por hora, para os revolucionários curdos. O E.I. é uma força ultraconservadora de interpretação do islamismo que está tentando se conformar como um Estado nas regiões do Iraque e Síria. Eles têm como principal objetivo dos seus ataques pessoas desarmadas, e se utilizam de métodos de terror para capturar e massacrar os povos dessas regiões. Com uma certa prioridade, o E.I. quer massacrar o povo curdo, sem falar que contra as mulheres eles praticam um verdadeiro feminicídio.

É importante contextualizar que, apesar das confusões sugeridas pelos interesses das potências dominantes e os seus meios de comunicação, o E.I. é um agente que tem origens na Al-Qaeda, vindo a ser uma cisão desta. Então, é bom lembrar que a Al-Qaeda e os Estados Unidos têm relações históricas de negócios entre as famílias Bush e Bin Laden.  Portanto, é ilusório e ignorante acreditar na afirmação de que exista combate contra o E.I. a não ser o que dá o povo curdo em armas.

Os desafios de defesa desse processo revolucionário são gigantes, pois os interesses das grandes potências são, em grande medida, os mais preocupantes. Todavia, não sabemos em que momento o povo curdo pode ser alvo de artilharia pesada vinda também da parte Ocidental do mundo, sem falar que para a esquerda, a nível internacional, ainda falta maior engajamento na defesa dessa revolução. Não podemos cometer o erro histórico, como organizações de intenção revolucionária, de largar à própria sorte os povos em armas que se erguem pelos cantões do Curdistão.

O papel que essa experiência cumpre para os demais povos oprimidos do mundo é imensurável, a revolução social em marcha no Curdistão é a prova viva de que podemos destruir esse sistema de opressões com organização desde a base, sem hierarquia político-econômica e social e com real protagonismo dos oprimidos.

No que diz respeito à luta das mulheres, o que vemos por lá, como falado anteriormente, é ainda mais empolgante, pois o projeto do Confederalismo Democrático busca em prioridade a liberdade e autodeterminação das mulheres, sendo essa premissa o “medidor” para uma sociedade realmente livre e democrática. Com isso, me atreveria a dizer que, por mais que em outros processos revolucionários tenhamos visto uma grande participação das mulheres, como é o exemplo da Comuna de Paris com suas “incendiárias” e um papel destacado para a companheira Louise Michel, na Revolução Espanhola com as valentes “Mujeres Libres” e nas demais revoluções sociais, nada se compara ao que estamos vendo fazer, aqui e agora, essas mulheres e homens das montanhas do Curdistão.

Dentro do debate político que fazem por lá, os companheiros homens podem opinar sobre tudo, menos sobre a vida das mulheres e sua livre determinação. Já viram isso antes? Acredito que não. Pois bem, está em prática por lá, também, o fim derradeiro dos casamentos de crianças, da poligamia e da violência sexual ou de qualquer outra ordem contra as mulheres e, se um homem cometer algum tipo de violência contra as mulheres, este será afastado de qualquer cargo que possa estar ocupando na organização dessa nova sociedade. Isto prova que a liberdade das mulheres não é conquista para depois da revolução social, e sim é parte constitutiva no processo da mesma.

[FARJ] Libera #163

Retirado de: https://anarquismorj.wordpress.com/2015/01/17/libera-163/

Acabou de ser impresso o exemplar mais recente do Libera, nosso jornal. O Libera #163, referente aos meses de julho a outubro de 2014, tem como editorial um texto analisando as eleições de 2014 e nossa posição sobre. Além disso, há um texto nosso sobre “Sectarismo e Vanguardismo – Debatendo um problema da esquerda”, notas sobre um ato ocorrido no Rio de Janeiro em solidariedade à Revolta Curda, sobre o massacra de estudantes no México, atividade de sarau ocorrida no CEAT, atividade de 150 anos da AIT realizada no Rio de Janeiro, o caso do Rafael Braga, o II Gritinho dos Excluídos ocorrido em Vila Isabel e 140 anos de Ricardo Flores Magón.

Você pode conseguir o Libera fisicamente com nossos militantes e apoiadores e na Biblioteca Social Fábio Luz. Caso deseje receber um número grande para distribuir, entre em contato conosco.

O Libera #163 pode ser baixado aqui ou clicando na figura abaixo.

libera163

[Espanhol] La “herencia del estado islámico”

Retirado de:                                        http://federacionanarquistauruguaya.com.uy/2015/01/14/la-herencia-del-estado-islamico/

HERENCIA DEL ESTADO ISLÁMICO

Por Luca Pistone

Rojava, Siria, 10 Ene (Notimex).- Los más inhumanos fueron, sin duda, los europeos, dicen en las tierras liberadas. Los yihadistas lo saqueaban todo, desde la comida hasta los objetos de poco valor. Así es cómo los kurdos sirios lidian con el legado del autoproclamado Estado Islámico y se preparan para el nuevo conflicto.

“Si Kobane* cae todo habrá terminado, pero si la salvamos nada volverá a ser como antes”, dice Gavan, un joven estudiante universitario de literatura inglesa y compañero de viaje en la carretera que nos lleva a Derik, en Rojava**.

En el puente que atraviesa el río Tigris en la frontera entre Siria e Iraq, que antes era provisional, fluyen ininterrumpidamente los camiones, mientras que las barcas rojas para el transporte de personas han aumentado de dos a cuatro.

A bordo son numerosos los diplomáticos y los trabajadores humanitarios, mientras que, respecto a hace unos meses, han disminuido los prófugos que buscan refugio en el Kurdistán iraquí.

En Semalka, en el lado sirio, los obreros trabajan incansablemente para construir las oficinas que reemplazarán los contenedores donde se gestionan los pasajes.

“Estoy seguro de que pronto empezarán a poner hasta los visados en los pasaportes”, bromea Gavan.

Cerca de cuatro millones de kurdos, árabes, sirios, yazidíes y turcomanos viven en Rojava. Hace un año los dos partidos kurdos, el Consejo Nacional Kurdo (KNC) y el Partido de la Unión Democrática (PYD), declararon la autonomía del territorio respecto a Damasco.

“Cuando atacaron Kobane, los de Daesh (el acrónimo árabe de Dawlat al-Islâmiyya fî al-Irâq wa s-Shâm, como también se llama el Estado Islámico) pensaban que iban a luchar sólo en la ciudad y sus alrededores. Pero ahora tiene que vérselas con todo Rojava.

“A lo largo de los 200 kilómetros de la línea que nos separa de ellos, tenemos decenas de frentes abiertos”, dice un funcionario de las Unidades de Protección Popular (YPG), el brazo militar del PYD, que pide permanecer en el anonimato.

En su pequeña oficina en Derik tiene una televisión, conexión a internet y un pequeño generador de electricidad, aunque la luz se va continuamente.

En Derik, como también en Qamishlo, la capital de Rojava, los retratos del presidente sirio, Bashar al-Asad, y su padre, Hafez, continúan volando sobre las cabezas de los policías que regulan el tráfico.

“La presencia del régimen se limita a cargos públicos. Entre nosotros y Damasco no hay frentes abiertos. Lo que no está claro es la relación entre el régimen y Daesh”, asegura.

“Entre ellos nunca ha habido grandes batallas. Si el régimen quiere abrir un frente también en contra nuestra cuando hayamos derrotado a Daesh, estamos dispuestos a luchar contra él”, continúa el funcionario.

Se pueden ver por todas partes retratos de Abdullah Öcalan, el padre de la causa kurda, y también banderas pintadas que alaban a las YPG, fotos de los mártires. Las televisiones locales alternan las noticias del frente con vídeos de cantantes vestidos de militares y documentales sobre el heroísmo de los combatientes kurdos.

“Vinieron por ese camino. Nos atacaron durante un par de meses, pero las YPG vinieron a socorrernos y finalmente nos liberaron”, cuenta Jino, de 58 años, de Yarmouk, un pequeño pueblo en la primera línea de frente que hasta hace unas semanas estaba bajo el control del Estado Islámico.

“Eran unos 30. Llegaron por la noche, disparando al azar y con sonrisas burlonas. Después siguieron los enfrentamientos durante 60 días”, continúa.

Silona, de 43 años, alimenta a las gallinas que corretean por el jardín: “Daesh robó todo lo que se podía robar. Los que no pudieron escapar temían ser secuestrados. Las mujeres teníamos miedo de lo que nos podían hacer. Mi marido fue el único ejecutado”.

Su suegra, Lende, de 69 años, irrumpe en la conversación: “Estábamos en casa y vinieron a por él. Sin dar ninguna explicación, se lo llevaron a la plaza y le dispararon en la cabeza. Todavía no sabemos por qué”.

“Antes de Daesh aquí vivían más de mil personas, y ahora sólo quedamos un par de familias. Todos huyeron. Nosotros no lo hicimos porque somos pobres y no sabíamos dónde ir. Y además tenemos mucho miedo, porque si te escapas y luego los de Daesh te atrapan te cortan la cabeza”, reanuda Silona.

Los milicianos de las YPG patrullan día y noche Yarmouk y otros pueblos de los alrededores de los emplazamientos del Estado Islámico. Desde las colinas llegan granadas, que recuerdan que los yihadistas no tienen intención de dejar ir la presa.

“Entre los que luchan con Daesh los hay que realmente creen en la causa, los que lo hacen por el dinero y los que, aunque son pocos, se ven obligados a unirse a ellos”, dice el comandante -quien también prefiere no ser identificado- de la sección YPG desplegada en la zona.

“He visto miembros de Daesh de todas partes del mundo, incluso de China. Pero los europeos son los más peligrosos y sanguinarios”, sostiene.

El pequeño centro de Tel Kocer alberga la única aduana entre Siria e Iraq que está en manos de los kurdos. A finales de 2013 una larga batalla entre el Estado Islámico y las YPG devolvió la aduana a manos de estos últimos, que han montado un cuartel y una prisión.

En las paredes siguen presentes unos escritos en negro de los extremistas, como advertencia para no bajar la guardia.

El comandante ordena a sus subordinados que le traigan a dos chicos esposados y con los ojos vendados. Son dos ex milicianos del Estado Islámico.

El primero, Erselan, de 23 años, dice que proviene de un pueblo de Rojava: “Hace un año los de Daesh me capturaron y me obligaron a alistarme, de lo contrario me hubiesen matado. Las YPG me atraparon antes de que pudiera llevar a cabo mi martirio”.

Erselan lleva casi dos meses en esta pequeña prisión, tiempo suficiente -asegura- para haberse arrepentido: “Me convencieron de que haciéndome volar en pedazos iba a entrar en el paraíso. No pensaba en mis familiares. Para inculcarnos estas cosas nos daban lecciones y drogas duras”.

También Nebez, el otro preso, asegura que se ha arrepentido: “Si me hubieran liberado hubiese vuelto inmediatamente a luchar con Daesh. Pero las YPG me han tratado de una manera humana, y me han hecho darme cuenta de que estaba haciendo cosas horribles”.

Nebez, de 22 años, capturado hace cuatro meses, insiste en el lavado de cerebro al que el Estado Islámico somete a sus miembros:

“Nos decían continuamente cómo nos deberíamos comportar en la yihad (guerra santa). Antes de alistarme conocía a gente de todas las religiones. Después de las lecciones empecé a creer que tendríamos que matarlos si no se convertían”.

*Ciudad siria de mayoría kurda que desde el 16 de septiembre está bajo el asedio del Estado Islámico.

**Juntos, los cantones de Al-Jazeera, Kobane y Efrin constituyen Rojava (en kurdo, “Occidente”), también llamado Kurdistán sirio o Kurdistán occidental. Es una región autónoma, independiente de facto, en el norte de Siria, y está habitada principalmente por kurdos.

[CABN] Boletim CABN out/2014

Retirado de: http://www.cabn.libertar.org/boletim-cabn-out2014/

Salve companheiras e companheiros!

Neste boletim de outubro: 11 anos da ocupação na Univille; Dia nacional de luta pelo Passe Livre; Eleições; Campanha “Protesto não é Crime!”; Resistência Curda; Terrorismo de Estado no México

11 anos da Ocupação na Univille

No dia 30 de outubro, relembramos a Ocupação da Reitoria da Univille em 2003, ação de grande repercussão na cidade e que foi vitoriosa em impedir o aumento das mensalidades na Universidade. Leia aqui:
http://www.cabn.libertar.org/joinville-memoria-do-movimento-estudantil-da-univille/

Dia Nacional de Luta pelo Passe Livre

O 26 de outubro, Dia Nacional de Luta pelo Passe Livre, marcou em 2014 os 10 anos da primeira Revolta da Catraca em Florianópolis. O Movimento Passe Livre de Joinville e de Florianópolis realizaram atos para marcar a data, para defender a bandeira da Tarifa Zero e lutar contra a criminalização de militantes em Joinville. Leia mais em:
http://www.cabn.libertar.org/dia-nacional-de-luta-pelo-passe-livre-uma-decada-da-revolta-da-catraca/
Relato da manifestação em Joinville:
http://www.amargem.info/mpl-entrega-dobradica-de-ouro-a-sociedade-harmonia-lyra/

Eleições

Reproduzimos em nossa página uma análise do resultado eleitoral produzida pelo Coletivo Anarquista Luta de Classe, do Paraná, que pode ser lida aqui:
http://www.cabn.libertar.org/breve-analise-socialista-libertaria-dobre-o-resultado-das-urnas-em-2014/

Chamamos também atenção para uma nota da Coordenação Anarquista Brasileira denunciando as calúnias e difamações realizadas por indivíduos e grupos que se consideram libertários, mas dedicaram seu tempo a inventar mentiras para desmerecer a atuação da CAB:
http://www.cabn.libertar.org/cab-nota-de-repudio-a-difamacao-politica/

Campanha Protesto Não é Crime!

Em Joinville, uma ampla campanha com distintos setores da esquerda combativa foi lançada, com o mote “Protesto Não é Crime!”. A iniciativa é uma resposta à série de processos políticos a militantes sociais da cidade, uma tentativa de silenciar as lutas populares. A campanha começou com um debate na Ielusc e uma manifestação em conjunto com o Movimento Passe Livre. Leia mais aqui:
http://www.cabn.libertar.org/joinville-debate-criminalizacao-dos-movimentos-sociais-com-eloisa-samy/
http://www.cabn.libertar.org/joinville-campanha-protesto-nao-e-crime-2/

Resistência Curda

Divulgamos aqui uma importante iniciativa de apoio e solidariedade à aguerrida luta popular curda, que nesse momento enfrenta o fascismo teocrático do Estado Islâmico na fronteira entre a Turquia e a Síria, território de maioria curda. Apesar do apoio dúbio e atrasado de algumas nações, a população curda organizou uma forte luta armada com grande protagonismo das mulheres para enfrentar o inimigo, pré-requisito para garantir seu território e as medidas progressistas e libertárias que vêm sendo tomadas. Mais informações aqui:
http://anarquismorj.wordpress.com/2014/10/14/solidariedade-a-resistencia-popular-curda/
http://resistenciacurda.wordpress.com/
https://www.facebook.com/resistenciacurda

Terrorismo de Estado no México

Já passa de um mês desde que sumiram 43 estudantes secundaristas mexicanos da região rural de Guerrero. Neste momento, há uma grande mobilização em todo o país e ações de solidariedade em todo o mundo. Por todas as ruas do México, a palavra de ordem é: “Vivos os levaram, vivos os queremos de volta!” Leia mais em:
http://www.coletivocompa.org/2014/11/solidariedade-ao-povo-mexicano-na-luta.html

Saudações libertárias!

Coletivo Anarquista Bandeira Negra, integrante da Coordenação Anarquista Brasileira

ca-bn@riseup.net | http://cabn.libertar.org

Para entrar em nossa lista de notícias, envie um e-mail para ca-bn@riseup.net

Banquinha de livros e materiais libertários à venda em Florianópolis.

[FARJ] Solidariedade à resistência popular e feminina Curda

Retirado de: http://anarquismorj.wordpress.com/2014/10/14/solidariedade-a-resistencia-popular-curda/

curdistao

A guerra civil na Síria trouxe novos elementos para a conjuntura da região curda. Inspirados em diversas tradições populares de resistência, um setor significativo dos curdos participa de uma experiência que deve ser olhada com atenção por todos os setores revolucionários.

Os curdos tem uma história longa de revoltas contra a opressão realizada por diversos Estados-nação. O chamado Curdistão não é um Estado nacional, mas um território (“terra dos curdos”) que abrange partes do Iraque, Síria, Irã, Armênia e Arzeibajão, onde vivem aproximadamente 26 milhões de pessoas. A guerra civil na Síria propiciou a emergência do grupo de extrema-direita Estado Islâmico (ISIS) que pretende construir inicialmente um califado nas regiões do Iraque e da Síria. O grande problema é que o ISIS avança sobre amplos territórios, na perspectiva de construção de um Estado islâmico de extrema-direita que teria conseqüências funestas para o futuro da classe trabalhadora (e principalmente das mulheres) em toda região. O imperialismo protagonizado pela OTAN (que em grande medida é parte do problema) realiza seu “teatro” de guerra, aguardando o ISIS massacrar a resistência popular curda em Kobanê, para provavelmente fazer a intervenção no momento mais adequado e impor seus governos fantoches já com a derrota do protagonismo do povo curdo.

Nesse exato momento, setores populares e revolucionárias/os lutam com escassos recursos em áreas liberadas contra o Estado Islâmico. que incluem assembleias populares, conselhos (com equilíbrio étnico) e a formação de um braço armado feminino (ligado ao PKK), o YPJ. Nesse momento de crise a nossa solidariedade deve ser uma solidariedade de classe que ultrapasse as fronteiras políticas dos Estados-nacionais e as divisões no interior da classe trabalhadora. A luta popular curda decidirá em grande medida o destino daquela região, frente a extrema-direita fascista do ISIS, a omissão planejada da ONU e o imperialismo da OTAN. Por isso devemos apoiar ativamente a luta popular curda!

Todo apoio a resistência popular curda! Kobane vencerá!