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Nota de Solidariedade aos atingidos do Baixo Iguaçu

Nós do Coletivo Anarquista Luta de Classe (CALC), organização integrante da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB), manifestamos nossa solidariedade aos atingidos do Baixo Iguaçu e ao Movimento dos Atingidos por Barragens – MAB. No dia 8 de setembro, cerca de 150 famílias foram despejadas, várias pessoas detidas e feridas pela ação policial no município de Capanema, sudoeste paranaense.

O movimento estava acampado há alguns dias em frente ao canteiro de obras da Usina Hidrelétrica Baixo Iguaçu, para negociar com o Estado e com a NeoEnergia (empresa responsável), acerca do impacto das obras na região. A exigência do movimento é que fossem tomadas medidas concretas e imediatas para as mais de mil famílias que serão atingidas pelas obras, além de serem indicados valores a serem pagos por suas terras, locais de reassentamento das famílias, Plano de Desenvolvimento e Plano Urbanístico.

Além do impacto ambiental inevitável que a construção de usinas hidrelétricas tem nas regiões, o impacto social também é tremendo. Desvios de canais de rios, espécies de peixes que desaparecem, animais que fogem para locais secos, são enormes alterações na fauna e flora local. Pessoas são expulsas de regiões onde moram há anos, sem terra, casas e tudo o que construíram, o que lhes resta muitas vezes é ir para as cidades em busca de emprego para sobreviver.

O Estado se posiciona de um lado quando o Ministério Público, a Defensoria Pública, a Assembléia Legislativa e o Governo Estadual simplesmente não apresentam soluções concretas para o realocamento das famílias atingidas. Além do mais, a Vara da Fazenda Pública expediu reintegração de posse contra o movimento de resistência e luta pelos direitos dessas famílias atingidas, deixando claro o caráter do Estado e sua utilização de todos os meios para fazer valer sua posição.

Só com muita luta e organização das famílias atingidas é que se faz resistência aos ataques empregados pelas empresas de usinas hidrelétricas em conluio com o Estado. Contra os lobbies das mineradoras, contra o Agronegócio que exporta comoddities e importa miséria e fome!

ÁGUA E ENERGIA NÃO SÃO MERCADORIAS!

TODA SOLIDARIEDADE ÀS FAMÍLIAS ATINGIDAS PELA UHE BAIXO IGUAÇU!

TODA SOLIDARIEDADE AO MOVIMENTO DOS ATINGIDOS POR BARRAGENS – MAB!

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[FAG] NÃO A PEC 215 – PEC do GENOCÍDIO!

Retirado de:                           https://www.facebook.com/FederacaoAnarquistaGaucha/posts/1099266803418210

No dia 11 de novembro, kaigangs, guaranis, charruas e quilombolas realizaram um protesto conjunto em repúdio a PEC 215, já apelidada pelos movimentos sociais como PEC do genocídio. A PEC 215 prevê transferência da competência da demarcação de terras indígenas, quilombolas e reservas ambientais do poder executivo – que o faz através de órgãos como a Funai e o Incra, que já se encontram muito limitado – para o congresso nacional, na prática barrando toda nova demarcação. Como se não bastasse, ela também possibilita a revisão das terras já demarcadas, causando um grande retrocesso na luta pela terra dos indígenas e quilombolas.

Enquanto vemos a PEC 215 passar por todas instâncias necessárias para a sua aprovação, vemos também a matança de indígenas e quilombolas avançar, seguindo seu curso juntamente a expansão das fronteiras agrícolas. Os grandes proprietários de terra, ao mesmo tempo que tem lucros estratosféricos com a alta do dólar, exportando toda produção e desabastecendo os mercados internos e secando os estoques de camionetes de luxo, não veem limite para a sua ganancia, dispostos a assassinar todos aqueles que se colocam no caminho da máquina de plantar soja.

Ao mesmo tempo em que vemos o aprofundamento da questão ambiental, com o exemplo emblemático da tragédia provocada pela mineração desenfreada da Vale, que causou uma enxurrada de mais de 600 km de lama tóxica destruindo o Rio Doce e diversas cidades no caminho, leis como a PEC 215/2000 e o PL 31/2015, que é praticamente a PEC a nível estadual, facilitam e aceleram a destruição socioambiental, aprofundando o processo de genocídio contra os povos originários e os remanescentes quilombolas.

A luta contra a PEC 215 é uma luta do movimento indígena, é uma luta do movimento negro, é uma luta do movimento ecologista, é uma luta de todos aqueles que se posicionam contra o capitalismo e as suas consequências nefastas no meio ambiente e na vida das pessoas.

NÃO A PEC 215! PELO FIM DO GENOCÍDIO INDÍGENA E QUILOMBOLA!

Federação Anarquista Gaúcha – FAG/CAB

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