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[CAB] Saudações internacionalistas ao primeiro de maio, do luto à luta!

Saudações internacionalistas ao primeiro de maio, do luto à luta!

 Companheiras e companheiros da Federação Anarquista Uruguaia, a Coordenação Anarquista Brasileira vem, com esta mensagem, saudar o dia Internacional de Memória e Luta dos Trabalhadores e Trabalhadoras.

O ano que se passou foi particularmente importante para nós, anarquistas e trabalhadores e trabalhadoras da Coordenação Anarquista Brasileira. Com ele, ressurgiram manifestações massivas que tomaram as cidades brasileiras de norte a sul. Essas manifestações encheram de esperança a luta popular e apontaram os limites de um projeto de dominação e de expansão do capital que oprime e massacra as/os de baixo. Esse projeto se apresenta hoje de maneira cruel, com seus efeitos nefastos. Mata trabalhadoras e jovens negros nas favelas e periferias, impõe o terror dos latifundiários no campo e contra os povos indígenas e quilombolas, e, ainda, reprime brutalmente os que resistem. É esse projeto que também implementa as remoções de ocupações urbanas em várias cidades brasileiras, que aumenta a exploração do trabalho e tenta vender a imagem de que o “Brasil é um gigante que vai bem”.

Porém, nós, os e as de baixo, sabemos que para os trabalhadores e trabalhadoras nada vai bem! Sabemos que os lucros da Copa do Mundo de futebol e das Olímpiadas, que serão realizados no Brasil, estão sendo produzidos sobre a exploração e repressão. E que os grandes empresários estão sendo beneficiados com o suor dos verdadeiros produtores da riqueza.

Cabe lembrar, nesta data, que os projetos de dominação no nosso continente não são novos. Nesse mês e nesse ano, a ditadura empresarial-militar (apoiada por alguns setores civis) implementada no Brasil com o golpe de 1964 fez exatos 50 anos. 50 anos em que a classe dominante, com a ação decisiva dos militares, colocou o Brasil numa noite escura que durou vinte e um anos. Somos filhos dessa história, que, em seu fio condutor, encontra a luta de lutadores e lutadoras em diversos momentos históricos de resistência.

 Conscientes do papel do anarquismo na luta popular e em nossa América do Sul, nós da Coordenação Anarquista Brasileira reforçamos aqui a solidariedade e os laços de organicidade com nossas companheiras e companheiros da FAU. Porque sabemos que a globalização do capital encontrará punhos forte e fechado da internacionalização de nossa luta. Para que não se repitam mais tragédias do capital.

Para que a memória dos Mártires de Chicago seja lembrada para sempre como um dia de luta!

Aos Mártires de Chicago e a todos e todas que se foram combatendo as ditaduras do capital de ontem e de hoje, fica nosso recado: NENHUM MINUTO DE SILÊNCIO, MAS TODA UMA VIDA DE LUTA!

Viva o Primeiro de Maio!

Viva o Internacionalismo dos Trabalhadores e das Trabalhadoras!

Viva a FAU!

Vivam os Mártires de Chicago!

Coordenação Anarquista Brasileira (CAB)

Saludos internacionalistas al Primero de Mayo, del luto a la lucha!

Compañeras y compañeros de la Federación Anarquista Uruguaya, la Coordinación Anarquista Brasilera viene, a través de este mensaje, saludar el dia Internacional de La Memória y de Lucha de los Trabajadores y Trabajadoras.

El año que se pasó fué particularmente importante para nosotros, anarquistas y trabajadores y trabajadoras de la Coordinación Anarquista Brasilera. Con el, manifestaciones masivas ha resurgido que tomaron las ciudades brasileras de norte a sur. Estas manifestaciones llenaron de esperanza a la lucha popular y señalaron los límites de un proyecto de dominación y de expansión del capital que oprime y masacra a los/las de abajo. Este proyecto se presenta hoy de una manera cruel, con sus efectos adversos. Mata a las trabajadoras y jóvenes negros en las favelas y periferias, impone el terror de los terratenientes en el campo y en contra los pueblos indígenas y quilombolas (afrodescendientes), y no más, reprime brutalmente a los que aún resisten. Es este el proyecto que también lleva a cabo el translado de ocupaciones urbanas en varias ciudades brasileras, que solo aumentan la explotación del trabajo y intenta vender la imagen de que “Brasil es un gigante que va bien”.

Sin embargo, nosotros, los y las de abajo, sabemos que para los trabajadores y trabajadoras nada va bien! Sabemos que los lucros de la Copa del Mundo de fútbol y los Juegos Olímpicos, que se celebrará en Brasil, se están produciendo sobre la explotación y la represión. Y que los grandes empresários se benefician con el sudor de los verdaderos productores de la riqueza.

Vale a pena recordar, en esta fecha, que los proyectos de dominación en nuestro continente no son nuevos. En este mes y neste año, la dictadura empresarial-militar (con el apoyo de algunos sectores civiles) implementada en Brasil con el golpe de 1964 hizo exactamente 50 años. 50 años en que la clase dominante, con la acción decisiva de los militares, puso Brasil en una noche oscura que duró veintiún años. Somos hijos de esta historia, que en su hilo, encuentra la lucha de las/los que pelean en diversos momentos historicos de resistencia.

Concientes del papel del anarquismo en la lucha popular y en nuestra Sudamérica, nosotros de la Coordinación Anarquista Brasilera reforzamos acá la solidaridad y los lazos de organicidad con nuestras compañeras y compañeros de la FAU. Porque sabemos que la globalización del capital encontrará puños fuertes y cerrados de la internacionalización de nuestra lucha. Para que no se repitan más tragedias del capital.

Para que la memoria de los Mártires de Chicago sea recordada para siempre como un día de lucha!

A los Mártires de Chicago y a todos y todas que se fueron combatiendo las dictaduras del capital de ayer y de hoy, queda nuestro mensaje: NINGÚN MINUTO DE SILENCIO, PERO TODA UNA VIDA DE LUCHA!

¡Viva el Primero de Mayo!

¡Viva el Internacionalismo de los Trabajadores y de las Trabajadoras!

¡Viva la FAU!

¡Vivan los Mártires de Chicago!

Coordinación Anarquista Brasilera (CAB)

[FARJ] Ditadura ontem e hoje: repúdio à repressão da PM no ato contra o Golpe Militar

Retirado de:

http://anarquismorj.wordpress.com/2014/04/02/ditadura-ontem-e-hoje-repudio-a-repressao-da-pm-no-ato-contra-o-golpe-militar/

 

Nós, da Federação Anarquista do Rio de Janeiro (FARJ-CAB), repudiamos a covarde agressão realizada pela polícia militar do RJ aos militantes e manifestantes presentes no ato contra o Golpe Militar de 64, que fez 50 anos em 1º de abril.

Diversas organizações e correntes políticas marcharam nas ruas do Rio de Janeiro para marcar aresistência popular a instalação do golpe militar e empresarial, que beneficiou principalmente a burguesia nacional e internacional. Em nosso caso, distribuíamos o jornal Socialismo Libertário que falava justamente sobre a criminalização do protesto ontem e hoje.

Em determinado momento, em frente ao Clube Militar, a PM atacou covardemente os manifestantes.

Ao lado da tendência de luta, Organização Popular, fomos agredidos nos momentos finais do ato, de maneira covarde pela polícia militar!!

Infelizmente, não conseguimos registrar a agressão, mas nossos companheiros e companheiras sentiram na pele, a violência dessa instituição autoritária e criminosa, que só tem um motivo para existir: manter o atual sistema de dominação capitalista intacto.

É emblemático que justamente na data dos 50 anos do golpe militar que assolou o país, os governos continuem a tratar a questão social como caso de polícia.

Pelo fim da Políica Militar!
Contra a ditadura do governo federal, estadual e da FIFA nas comunidades e favelas!
Protestar não é crime!
Lutar, criar, poder popular!

[CURITIBA] 1º de Abril, descomemoração dos 50 anos de ditadura!

Ontem, 1º de abril, dia que o golpe militar “comemorava” 50 anos, o CALC-CAB fez parte da agenda de ações que servem para mostrar que não esquecemos e não perdoamos os crimes do Estado.

Em ato organizado pelo Coletivo Anarquista Luta de Classe e demais organizações e entidades que fecharam com a pauta de denúncia aos crimes da ditadura (Centro Acadêmico Hugo Simas, Coletivo Quebrando Muros, Levante Popular da Juventude, Partido Comunista Brasileiro,  Partido Socialismo e Liberdade, RUA e Coletivo Tarifa Zero Curitiba) mostramos que esta data não seria comemorada, mas sim lembrada.

O ato foi marcado pelo escracho e posterior retirada do busto de Flávio Suplicy de Lacerda, ex-Reitor da UFPR que tentou instaurar mensalidades nas universidades públicas durante a ditadura (isto é, privatizar o acesso) e que foi o Ministro da Educação responsável pelo acordo MEC-Usaid, bem como de perseguição muito ferrenha aos estudantes (saiba mais aqui: ATO: 50 anos de ditadura e a repressão continua!). A estátua ainda foi arrastada pelas ruas da cidade, como fizeram os estudantes em 1968 na luta contra as mensalidades.

Suplicy arrancado

Durante a noite, o CALC marcou a data com a mesa “NEM ESQUECER NEM PERDOAR! 50 anos do Golpe Militar: a repressão ontem e hoje”.

Compuseram a mesa: o Professor Doutor da UFPR Adriano Nervo Codato (membro da Comissão da Verdade), Augusto e Leonardo, militantes do CALC. Foi discutido o histórico da ditadura, seus reflexos na atualidade, seus resquícios e a retomada de alguns elementos do Estado de exceção no período após jornadas de junho de 2013. Não poderíamos deixar de fazer lembrar das recentes perseguições que nossos companheiros da organização irmã Federação Anarquista Gaúcha vem sofrendo (a FAG teve sua sede invadida algumas vezes pelo poder estatal, militantes perseguidos na rua e o filho de uma militante assediado por um policial à paisana), assim como a repressão que os pobres, negros e marginalizados nunca deixaram de sofrer. O evento teve um bom público, por volta de 40 pessoas.

Foto Suplicy escrachado

JAMAIS ESQUECER, NEM PERDOAR!
NENHUM PERDÃO AOS CRIMES DO ESTADO!
LUTAR! CRIAR PODER POPULAR!

[CURITIBA] ATO: 50 anos de ditadura e a repressão continua!

Quando: 1º de abril (terça), 12 h.

Onde: Reitoria UFPR

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Há exatos 50 anos, iniciou-se no Brasil um período marcado pelo autoritarismo e repressão: o Regime Militar. Instaurado no dia 1 de abril de 1964, através de um golpe militar pôs fim ao período Populista do até então presidente João Goulart. O golpe de estado foi apoiado pelos setores conservadores da sociedade, que temiam a implantação da reforma de base, alegando que tal medida despontaria numa ditadura comunista. O então chefe do Estado-Maior do exército, Mal. Castelo Branco, um dos principais articuladores do golpe de 64, é eleito presidente pelo Congresso, o primeiro dos cinco que estiveram no poder durante os 21 anos de ditadura militar no Brasil. O plano político do regime era marcado pelo autoritarismo, supressão dos direitos civis, censura prévia aos meios de comunicação e pelas prisões torturas e assassinatos Aqueles que fossem opositores aos golpistas deveriam ser presos. Diversos militantes da esquerda tiveram de se exilar, suas casas foram invadidas, pois qualquer ligação à esquerda ideológica era considerada como uma ameaça ao regime instaurado. Centenas foram mortos pelas forças armadas ou são dadas como desaparecidas até hoje.

Os movimentos sociais passaram a agir na clandestinidade, à margem do governo ditatorial. E temos na ditadura, na linha de frente no combate e represão aos movimentos sociais, em especial o movimento estudantil, um conhecido da comunidade acadêmica da UFPR, o até então reitor da UFPR, Flávio Suplicy de Lacerda, torna-se ministro da educação e decreta a extinção das entidades estaduais e a UNE. As decisões repressivas do governo tornavam a revoltas entre os estudantis ainda maiores. Foi com o AI-5 (que por ato do presidente podia supender o legislativo e judiciário, o executivo ainda podia suspender direitos políticos e a censura aumenta) e o fechamento do Congresso. Por conta desta agenda ainda mais conservadora do Marechal Costa e Silva (segundo ditador), muitos estudantes decidiram aderir à luta armada nos anos seguintes, muitos passaram a compor grupos radicais de resistência, participando de assassinatos, sequestros e assaltos a bancos e supermercados, para financiar as lutas armadas contra o regime militar.

O ministério da educação, sob comando de Suplicy, assinou diversos acordos com a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), e nos relatórios de 1965 a 1968 eram indicados que as instituições buscassem formas alternativas para financiar a educação (ou seja que fossem privatizadas), sem falar que se sugeriam reformas que tornariam nossos cursos superiores tecnicistas. Suplicy tinha ainda no ministério a função de acabar com o Movimento Estudanti, e não exitou em intensificar a perseguição. Como se não basta-se, em 1967, de volta a cadeira de reitor, o ex- ministro da educação, Flavio Suplicy, tenta estabelecer uma taxa de anuidade aos estudantes ingressos na instituição a partir do vestibular daquele ano. O movimento estudantil, organizado realizou uma ampla campanha contra a cobrança da anuidade entre os universitários e secundaristas e por meio de forte mobilização barra as movimentações.

Atualmente temos visto que a repressão continua. Nas manifestações são presos centenas, pelo simples fato de protestar contra esta injusta ordem. Todos os dias vemos “pinheirinhos” serem despejados com uma grande truculência. Greves, como a emblematica greve dos garis no Rio de Janeiro são tratadas como caso de polícia. Temos ainda AI-5 da copa (lei geral da copa) que transforma manifestantes em terroristas, podendo os colocar na prisão pelo período de 2 a 5 anos pelo simples ato de se manifestar durante a copa.

Não avistamos nenhuma homenagem, nenhum monumento aos bravos estudantes lutadores que impediram a implementação de mensalidades na UFPR, e nenhuma homenagem aqueles que entregaram sua vida para lutar contra a ditadura temos em nossa cidade. Todavia encontramos em nosso pátio uma vistosa estátua de Suplicy, e por todas cidades vemos homenagens a estes homens responsáveis por este regime atroz que foi porporcionado pelo golpe militar. A repressão ainda continua dura a quem decide por não se calar as injustiças.

Por isso convocamos a todxs a relembrar este dia que foi o do golpe militar com luto para os que se foram e luta.

NÃO PASSARÃO!

BASTA DE CRIMINALIZAÇÃO AOS MOVIMENTOS SOCIAIS!

ATO POLÍTICO NA REITORIA, DIA 1 DE ABRIL, 12:30.

FIRMAM ESTE ATO:

CAHS-Centro Acadêmico Hugo Simas

CALC- Coletivo Anarquista Luta de Classe

CQM- Coletivo Quebrando Muros

LPJ- Levante Popular da Juventude

PCB- Partido Comunista Brasileiro

PSOL- Partido Socialismo e Liberdade

RUA-

CTZ- Coletivo Tarifa Zero Curitiba

[CURITIBA] NEM ESQUECER NEM PERDOAR! 50 anos do Golpe Militar: a repressão ontem e hoje – Evento no dia 1º de abril

O Coletivo Anarquista Luta de Classe convida todxs a participarem do debate “NEM ESQUECER NEM PERDOAR! 50 anos do Golpe Militar: a repressão ontem e hoje”.

No próximo 1º de abril, completam-se exatos 50 anos do Golpe Militar no Brasil, o início de um período marcado pela repressão militar frente aos movimentos sociais e organizações de esquerda na luta pela redemocratização. Justamente neste marco simbólico de 50 anos do pontapé para a Ditadura Militar vivemos um período em que a criminalização e a forte repressão às mobilizações repercutem com frequência na sociedade. Este fato não deve ser apagado de nossa história e muito menos devemos perdoar os crimes cometidos durante a Ditadura, pois o que se viu ontem e o que se vê hoje estão longe de serem fatos isolados!

Para o debate estarão presentes:
Adriano Codato, professor de Ciência Política da Universidade Federal do Paraná
Leonardo Micheleto, Historiador
Augusto Salmon, graduando de Direito na Universidade Federal do Paraná

O debate acontecerá no 9º do prédio Dom Pedro I, na Reitoria da UFPR. A sala é a 914, no final do corredor. Convidem outras pessoas e compareçam para contribuir com o debate!

[CAB] Nota de Repúdio em solidariedade aos estudantes da UFMT

Constantemente é dito que não vivemos mais em uma ditadura, mas presenciamos o quanto isso é questionável. Durante todo período da ditadura militar no Brasil ocorreu todo tipo de prática repressiva inimaginável contra os movimentos sociais, talvez em maior proporção aos movimentos estudantis que naquele momento se colocavam de maneira mais radical contra a censura e aos ataques aplicados contra a liberdade de expressão. Estamos chegando aos quarenta e nove anos do golpe militar no Brasil, quase meio século do fim de uma ditadura que prendeu, torturou, violentou, assassinou e sumiu com os corpos de militantes da esquerda brasileira. Mesmo depois de quase meio século dessa barbáridade, voltamos a ver essas mesmas práticas repressivas sendo aplicadas contra os movimentos sociais.

Em Cuiabá, cidade do estado de Mato Grosso, presenciamos no dia seis de março uma brutal repressão contra estudantes que fizeram uma manifestação por melhorias na assistência estudantil e contra o fechamento de cinco casas destinadas para a moradia dos estudantes universitários da UFMT (Univesidade Federal de Mato Grosso). Os estudantes fecharam pacificamente a avenida Fernando Correa da Costa quando foram surpreendidos pela presença da ROTAM que foi chamada para realizar a dispersão e liberação da avenida que foi utilizada como ponto da manifestação, porém foi na avenida lateral ao campus universitário de Cuiabá conhecida como Alzira Zarur – avenida principal do bairro Boa Esperança, mesmo bairro onde um estudante da UFMT, natural de Guiné-Bissau, foi brutalmente assassinado pela policia militar do estado mato-grossensse – que os estudantes foram brutalmente espancados e presos. A prática de disperção utilizada foi tapas e socos, principalmente, nos rostos dos e das estudantes, disparos de balas de borracha a queima-roupa que atingiu também um pedreiro que trabalhava em uma obra próxima ao ato. Uma estudante tomou um tiro de bala de borracha na mão e com isso sofreu uma fratura e terá que passar por cirurgia. Outro estudante tomou um tiro na costela que fez com que o mesmo espelice sangue pela boca… sem contar as possíveis torturas que devem ter sido aplicadas aos estudantes detidos. Foi contabilizado através de informações de alguns participantes que dez pessoas ficaram feridas e seis foram presas.

Essa é a política ideológica da “Ordem e Progresso” e essa é a democracia na qual vivemos. Uma repressão, disfarçada de democracia, cada vez maior contra os movimentos sociais, uma repressão que vem crescendo cada vez mais dentro das periferias para a realização da Copa do Mundo em 2014 e da Olimpíada em 2016.

Nós da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB) também nos colocamos contra as políticas de mercado aplicadas pelo Plano Nacional de Educação (PNE), voltadas para a precarização e a privatização da educação pública, e, reivindicamos a ampliação e implementação de políticas efetivas de assistência estudantil que garantam o acesso e a permanência. Algumas das várias bandeiras defendidas pelo movimento estudantil.

Portanto, declaramos total repúdio a brutalidade exercida pelo corpo militar repressivo do de Cuiabá e a postura conivente da administração superior da UFMT.

Declaramos também nossa total solidariedade a todas e todos estudantes que foram feridos e presos!

Por uma Educação Pública e de Qualidade!

Pela Autonomia dos Movimentos Sociais!

Contra a Brutal Repressão aplicada pelo Estado contra os Movimentos Sociais
Combativos e Classistas!

A História são os pobres que as fazem, a Vitória está nas Mãos de
quem Peleia!

Não tá morto quem peleia!

Coordenação Anarquista Brasileira – CAB

Coordenação Anarquista Brasileira

 

Alberto “Pocho” Mechoso, PRESENTE!

Os restos mortais de Alberto “Pocho” Mechoso foram encontrados nessa quarta-feira, dia 23 de maio. Fundador da Federação Anarquista Uruguaia (FAU), organização anarquista especifista, “Pocho” também foi sindicalista na Federação dos Operários da Carne e militante ativo da Organização Popular Revolucionária 33 Orientais (OPR-33), braço armado da FAU que dava apoio a greves e realizava sequestros de patrões e expropriações para financiar a luta.

Em seus últimos anos de vida, “Pocho” militou no Partido Pela Vitória Popular (PVP), organização que dissolveu a FAU dentro de si. “Pocho” se manteve junto a outros companheiros da FAU dentro do PVP com a intenção de refundar a organização especifista. Preso em Buenos Aires em 26 de setembro de 1976, seu corpo foi encontrado com outros sete no fundo do mar, dentro de barris com cimento.  Relembramos esse companheiro que mesmo sem termos conhecido é muito querido por nós. Seu exemplo militante estará presente em nossa luta, hoje e sempre.

Libertad o muerte!
Ni olvido, ni perdon!
Hasta siempre, Pocho!
Arriba los que luchan!

Bruno, OASL

Reproduzimos abaixo a tradução de um fragmento do livro “Ação Direta Anarquista: Uma História da FAU” e de uma carta escrita por “Pocho” antes de sua fuga para a Argentina.

Alberto “Pocho” Mechoso – Fragmento tirado do livro “Ação Direta Anarquista: Uma história da FAU”ALBERTO “POCHO” MECHOSO, ANARQUISTA E EXPROPRIADOR

Nasceu em Trinidad, no departamento de Flores. Ali fez seus dois primeiros anos de escola, que continuaria depois em Montevidéu. Não conseguiu terminar o primário. De família de trabalhadores que tinham renda insuficiente, aprendeu a compartilhar as dificuldades com seus quatro irmãos.

A família, cansada de uma situação que não oferecia possibilidade alguma de melhora, emigrou para Montevidéu. Era questão de tentar a sorte, como tantos vizinhos que já haviam partido para esta aventura. A rua Ansina, no bairro Palermo, foi onde fez suas primeiras amizades montevideanas e imediatamente formou uma turma de amigos. O beiral da Escola da rua Gaboto foi testemunha de alguns castigos que sofreu por responder aos professores. Era rápido e agudo para questionar sobre as coisas que considerava erradas.

La Teja e o Cerro foram os bairros que o viram crescer. Três irmãos se tornaram anarquistas e em sua casa o libertário passou a ser tema de todos os dias. Perguntava, tinha simpatia, seu espírito rebelde o aproximava dessa ideologia que reclamava justiça para os pobres e que não a pedia de joelhos.

Mais adiante trabalhou na Indústria da carne e durante uma longa greve acabou demitido. Foi então feirante por um tempo junto com alguns de seus irmãos. Não existia a FAU ainda, havia sim uma Agrupação Anarquista Cerro-La Teja e o Ateneu Livre também Cerro-La Teja. Começou a militar na Juventude do Ateneu.

Corria já mais da metade da década de 1950, nesse momento o trabalho era escasso. A crise econômica já começava a golpear forte aos lares operários. Com um grupo de jovens como ele, amigos entre si e quase todos simpatizantes libertários, começaram a falar de finanças para montar uma cooperativa de trabalho e doar uma parte para a reluzente FAU. Finalmente decidiram expropriar um Banco do Paso del Molino: La Caja Obrera.

Foi um trabalho cuidadoso, estudado em seus detalhes. Encontraram uma quantidade de dinheiro maior do que a esperada. Fizeram a doação e deixaram o resto para o objetivo acordado. Foi este, por acaso, o primeiro Banco expropriado no Uruguai.

Um ano depois acabou preso vinculado a tal episódio.

Ficou seis anos detido: em Miguelete e Punta Carretas. Lia muito na prisão, por exemplo: “Nacionalismo e Cultura” de Rocker, “Vida e pensamento de Malatesta” de Luiggi Fabbri, “A Revolução” de Landeur, romances. Em um pacote, semanalmente recebia pelo menos um livro.

“- Como são esses guerrilheiros, eles seguirão a fundo?”, perguntava em uma visita em meados de 1959. Acompanhava com grande interesse o processo cubano.

Saiu da prisão com mais formação política e imediatamente tomou contato com a FAU. Iniciaram-se conversas para definir seu posto de militância. Mauricio (Gatti) foi o primeiro a pensar que haveria que incorporá-lo em atividades do tipo armado.

“Pocho” tinha reflexos rápidos, bom trato para acomodar as pessoas, jovial, rebelde e determinado, tudo isso o fazia uma pessoa singular. Gostava das piadas, brincava com questões sérias, fazia piadas sobre si mesmo e a militância engajada. Mas isto era acompanhado de uma profunda fé no que fazia e de respeito verdadeiro pelo trabalho. Era bom nas operações mas não subestimava nada, sempre queria analisar bem os detalhes.

Finalmente, foi, na formação da OPR, uma peça fundamental em todo o trabalho organizativo e também em estimular confiança nos companheiros que estavam começando. Aqui verteu sua experiência e sua decisão. Integrou, como encarregado, a primeira equipe operativa quando se resolveu encarar a atividade armada de forma específica e continuada. Realizou no princípio, com sua equipe precursora, expropriações bancárias decididas pela Organização e que foram vitais para o desenvolvimento dos projetos em curso. Depois atuou em diversas operações, entre elas a retenção de burgueses.

Formou parte da Aguilar [*] e sua experiência e firmeza foram contribuições inestimáveis neste organismo que tinha a responsabilidade da ação armada da Organização.

Caiu preso, foi selvagemente torturado, resistiu com integridade pouco comum e sozinho protagonizou uma fuga espetacular de um quartel. Recuperou-se de cortes nas mãos e das costelas quebradas e, por decisão da FAU, mudou-se para a Argentina. Ali se reintegrou imediatamente às atividades.

Capturado, sofreu novamente torturas no Pozo de Orletti [prisão clandestina]. Hoje é um dos companheiros que figura como desaparecido. Pocho, seu apelido público, ou Martín, seu nome de batalha, manteve sempre seus costumes, sua cultura de bom homem do povo. Menino do bairro, na boa rua, autodidata, leitor, modesto e com um profundo sentimento de pertencimento aos de baixo, deixou uma marca indelével.

Sabemos que (ele compartilhou disso completamente) não são as pessoas por si só que produzem o desenvolvimento e permanência de uma Organização. É uma quantidade de esforços de muita gente que produz algo fecundo. É nesse contexto que apontamos esta contribuição militante. No entanto, é certo que no marco deste conjunto imprescindível há companheiros com contribuições excepcionais. “Pocho” e “Santa Romero”, sem dúvida, foram exemplo disso.

[*] A OPR-33 se organizava em “células” ou equipes de 3 ou 6 pessoas, duas ou três das quais se uniam pra formar unidades de trabalho (operativa, de serviços ou de informação). Aguilar era o corpo responsável por articular essas unidades. (NT)

Texto original em: http://federacionanarquistauruguaya.com.uy/2012/05/24/alberto-pocho-mechoso-fragmento-tomado-del-libro-accion-directa-anarquista-una-historia-de-fau/

Tradução: Khaled, Coletivo Anarquista Bandeira Negra

Alberto “Pocho” Mechoso – Hoje e sempre – Viva os que lutam!!!
 
Alberto Mechoso Méndez (Pocho)
1936-1976

Esta carta foi escrita após sua estada na 5ª sede da Artilharia, quartel localizado ao lado do Cemitério Norte, do qual fugiu. “Pocho” desapareceu na Argentina como militante da FAU no interior do mar de militantes que foi o PVP de 1976.

Companheiros:

Desde 6 de agosto até agora, eu acho que aprendi mais, muito mais do que me ensinaram os 6 anos que passei em Punta Carretas; me parece que aprendi muito mais que nos 35 anos que tenho de vida. Por um lado está a experiência de dentro do Quartel, o enfrentamento aos carrascos, as mãos solidárias dos companheiros. Por outro lado o que passou depois, do lado de fora. Na noite seguinte à fuga me vi na televisão.

Me requeriam por “estar vinculado a…” e em nenhum lado uma só linha do que realmente havia passado. Depois novas listas de exigências. Uma delas era encabeçada por minha companheira. Me informei que a casa onde vivia com minha mãe, com minha companheira e meus filhos estava fechada, em custódia das Forças Conjuntas. Me informei que um militar com várias patentes disse que essa casa só seria devolvida se eu me entregasse.

E tudo isto que eu vivo tão intensamente, o estão vivendo, de um modo ou outro, centenas de milhares de orientais [uruguaios]. São muitos os pequenos separados de seus pais porque estão presos ou porque precisam ir a outros lados buscar o trabalho que aqui não encontram. São muitas as mães que não veem seus filhos porque estão sendo perseguidas ou porque trabalham de sol a sol para ajudar a encher a panela. São muitas as mulheres que ao final de uma vida de trabalho não têm um teto onde abrigar-se, porque não podem pagar com suas aposentadorias miseráveis ou porque a mente podre dos carrascos vinga sobre elas a rebeldia dos filhos que com imenso carinho elas souberam criar.

E ante tudo isto, que outro caminho nos resta? Ante tudo isto, de que maneira vale a pena viver a vida?

Há um só caminho, há uma só maneira de viver sem sentir vergonha: lutando. Ajudando para que a rebeldia se estenda por todos os lados, ajudando para que se unam o perseguido e o homem sem trabalho, ajudando para que o “sedicioso” e o operário explorado se reconheçam como companheiros, aprendam lutando que têm à frente um inimigo comum. Por tudo isso, companheiros, quero que me guardem um lugar… por tudo isso não vou tardar em voltar. Liberdade ou Morte.

“Pocho”

Texto original em:

http://federacionanarquistauruguaya.com.uy/2012/05/23/alberto-pocho-mechoso-hoy-y-siempre-arriba-los-que-luchan/

Tradução: Khaled, Coletivo Anarquista Bandeira Negra

Retirado da página:

http://www.vermelhoenegro.co.cc/2012/05/alberto-pocho-mechoso-presente.html

[FAG] Mensagem ao Congresso Fundacional da Coordenação Anarquista Brasileira

Retirado de: http://www.vermelhoenegro.co.cc/2012/05/mensagem-ao-con….html

 

O anarquismo organizado no Brasil viverá nos dias de junho, no Rio de Janeiro, seu maior acontecimento histórico contemporâneo. O Congresso Anarquista que reunirá grupos de cerca de 10 estados do país em debates, acordos e resoluções para atuar em princípios e táticas comuns sobre a realidade brasileira tem um significado muito especial. Nossa convicção, em mais de 10 anos de processo, diz que o anarquismo militante tem irrenunciáveis aportes para as lutas por uma mudança social anticapitalista. A reunião das forças militantes que encarnam uma mesma concepção de trabalho em Coordenação é passo fundamental na jornada de construção político-organizativa que não começa agora.

Nossa ideologia se vincula historicamente com a luta dos povos e das classes oprimidas, com suas experiências, sacrifícios e projetos de emancipação do sistema capitalista. Contra as relações de dominação em todas as esferas da prática social se fez crítica radical, implacável; contra as estruturas de poder que produzem e reproduzem a sociedade de classes, se fez proposta de cambio revolucionário; contra as violências e os controles do estado, a exploração dos patrões, as ideias opressoras que circulam no corpo social, se fez ação militante intransigente.

Somos parte de um esforço de gerações do movimento socialista dos trabalhadores que não começa e nem termina com nós. Continuadores daquelas ideias e valores, de suas vigentes orientações para não cair nas capturas dos sistema, dos companheiros e companheiras anarquistas que deram suas vidas nos dramas e nas batalhas do antagonismo social dos inícios da classe operária. Somos parte também de um povo e de um chão, de uma formação sócio-cultural, de uma história singular onde a resistência dos povos nativos, dos escravos, do proletariado, os pobres e oprimidos do poder dominante, deixaram rastros de sangue rebelde em suas gestas.

O capitalismo, o Estado e toda a estrutura ideológica articulada ao sistema sempre foram duros algozes do anarquismo, como todos seus opositores radicais. No Brasil não poderia ser diferente. Durante a 1° república fomos enfrentados a conjunturas de fortes ações judiciais e repressivas que destruíram organizações, veículos de imprensa, atividades populares. Tivemos o doloroso desterro, encarceramento e a liquidação de vidas militantes que não tem preço em nossa causa.

O capitalismo dependente brasileiro variou seus modelos operativos para conservar o núcleo duro dos seus elementos sistêmicos. O projeto libertário lutou com grandes dificuldades a partir da década de 30 para atuar politicamente num contexto histórico-social de cambio da mentalidade das massas, disputando com o oportunismo dos bolches e o peleguismo trabalhista entre o proletariado. Estava em cena o crescimento econômico industrial articulado a uma estrutura jurídico-política assimiladora de certos conflitos do trabalho, que controla repressivamente os rebeldes, castradora das liberdades de ação do vetor classista dos sindicatos. Novas tecnologias de poder dirigidas por um modelo de dominação burguês-autoritário que vinculava as classes dominantes e um expressivo setor operário-popular.

Nosso campo de atividades ficou reduzido, reprimido, recuado, por fatores que sumariamente procuramos indicar, durante décadas. Para fazer justiça, é preciso dizer que no curso desta longa noite para o anarquismo tivemos companheiros e companheiras que, num esforço incansável, pelearam para manter vivo suas ideias em projetos de organização, periódicos, centros de estudo e cultura social, atuação em setores do movimento dos trabalhadores, entre estudantes, etc.. tarefa ingrata que lavrou terreno para a posteridade. Pelas esquerdas, o “socialismo real” do leste europeu, revoluções asiáticas, o exemplo vitorioso em nosso continente da Revolução Cubana, davam um fantástico poder de atração para as ideias marxistas. Todo o universo de valores, discursos e referências da guerra fria atravessavam a luta de classes com a bipolaridade e esmagavam posições alternativas.

Entre os agitados anos da transição da ditadura civil-militar para o regime representativo burguês, os fins de 70 revivem o anarquismo em lutas sociais com novos meios de propaganda e ação. Uma nova geração se mistura com a experiência dos velhos militantes, que já não são muitos. Volta a pauta a reorganização dos centros de cultura, as tarefas com a difusão da crítica social e as propostas libertárias. Em distintos lugares do país existem militantes atuando no movimento estudantil, lutas sindicais, com alguma responsabilidade em atividades populares. As concepções do trabalho político, de prioridades e objetivos para encararem comum, de mecanismos federativos para assegurar um funcionamento regular, neste momento, estão muito confusas. Há um espírito geral de “síntese”, circunstanciado pela esperança de unir o pouco que se tem, recuperar forças para a identidade anarquista juntando todos que se reconhecem nela.

O tema da organização e de mecanismos mais estruturados para a ação reaparece em uma conjuntura histórica em que a luta pública de massas se derrama pela transição burguesa até a nova legalidade democrática e faz emergir na cena nacional os movimentos sociais, a classe operária, os sem terras. O novo sindicalismo que se organiza pelas bases e oposições sindicais contra os pelegos e as velhas estruturas corporativas é uma força social de avançada na luta política por reformas sociais para além do modelo democrático gradual e controlado das classes dominantes. A estratégia do sindicalismo revolucionário nos inícios do século XX e a fundação histórica da Confederação Operária Brasileira são os maiores referentes de ação social para o anarquismo neste momento. Os conceitos de orientação para o trabalho nos anos 80 se apoiam, para um grupo importante de militantes, nessa experiência sindicalista, em suas memórias, seus valores e conquistas sociais.

Vale dizer que são conceitos mesclados com o contemporâneo, com o que é vivido neste momento, também com os exemplos que mais atraíam da luta libertária internacional e a voz de seus organismos oficiais. A constituição em meados da década de um grupo de apoio a AIT formou uma vertente predominante na militância da luta de classes em torno das concepções do anarcosindicalismo. O projeto dos núcleos pela reconstrução da COB teve seus anos de trabalho franco, suas dignas lutas, periódicos, instâncias nacionais, esforços organizativos vários. Mas não alcançou seus objetivos e ao longo do tempo foi se desagregando pelas debilidades de uma formulação, pensamos nós, que estava deslocada no tempo e no lugar em que se atuava. O anarcosindicalismo, versão pró-COB, jogava nossas poucas forças na contra-corrente e pra fora de um amplo movimento sindical de base que unia a classe e tinha que ser participado com os nossas táticas e princípios.

Nos anos 90, o capitalismo aplica com mão pesada o modelo neoliberal no nosso país através dos governos de turno e as receitas dos seus organismos internacionais. O Brasil se vende para a globalização, a ação capitalista feroz dos mercados, o econômico como ideia dominante na estrutura social, as políticas de ajuste fiscal, privatizações, dependência sinistra dos poderes financeiros. Vida precária, desemprego, a pobreza, toda a estrutura da desigualdade social investem pesado em nossa formação social. O campo popular detém seu avanço e defende a duras penas os direitos conquistados, os bens e serviços públicos que atendem pela questão social. Em geral se vive uma inflexão conservadora nas ideias e práticas sociais. A esquerda reformista formada na nova república, com a liderança do PT, gradualmente se integra nas estruturas do poder, nos controles institucionais e seu jogo de reprodução do sistema.

Neste período o setor mais inquieto do anarquismo procura se reorganizar e ter propostas para a realidade brasileira, o presente histórico, suas condições e possibilidades concretas. Se abre uma etapa de renovação crítica, de gestação de uma vontade organizada que busca de peito aberto soluções para atuar em dia com a história, com os problemas atuais, sem repetição de esquemas. A FAU inspirou e apoiou sua formação. É uma experiência anarquista latino-americana que teve a capacidade política de lutar em distintas conjunturas históricas e não deixar o projeto libertário perder um lugar entre os oprimidos e seus concretos contextos sociais. O Processo de Construção Anarquista Brasileiro (PCAB), nascido na metade dos 90, apontou os primeiros elementos da definição especifista que hoje nos reúne para um congresso Anarquista. Tinha ambições que não foram correspondidas, acusou limites e precipitou atos que não não tinham suficiente acumulação para serem tomados. Criou a OSL, uma organização de curta duração. De todos os modos, uma parte de nossa geração, da experiência política que viemos construindo dos anos 90 para cá, deve seu amadurecimento a esse intento. A essa busca do anarquismo militante por sua organização específica e a construção de força social por dentro da vida e das pautas dos “de baixo”.

O processo que temos hoje é diferente. Aprende com as pedras que se atravessaram pelo caminho, para não tropeçar nos mesmos limites. Toma os conceitos de orientação que ao longo do tempo se fizeram vigentes: ação sindical-popular articulada com o trabalho de uma organização política anarquista. Um projeto finalista libertário que reúna as capacidades e propostas para estar inserto no presente, para pensar com um discurso aberto ao nosso tempo social e atuar com certezas ideológicas que não transigem com os valores do sistema.

O FAO arranca praticamente junto com o período que marca a chegada do PT ao governo nacional, com Lula presidente. São dez anos percorridos em um tempo que tem sua singularidade. O reformismo que dirigia as lutas sociais-políticas dos 80 se credencia para administrar as instituições burguesas com uma política conciliada com os grandes poderes da estrutura global de dominação. As organizações populares e sindicais filiadas a esta estratégia se arranjam burocraticamente nos aparelhos do Estado. O governo refresca o modelo dominante, atualiza os controles com ambiguidades, com zonas pardas da colaboração de classes. Combina políticas de continuidade das receitas neoliberais com um pacto social de tintas desenvolvimentistas que leva compensações para os pobres. É um modelo de altos ganhos para as oligarquias e os grandes capitais, de coalizão política com velhos setores da direita, de integração relativa de setores populares. Que não faz mudança estrutural nos controles da riqueza e do poder. Coexiste com uma etapa fragmentária da luta de classes, de pouca acumulação combativa, de reorganização de um mundo do
trabalho e da pobreza que anda disperso e vinculado hegemonicamente as ideias dominantes.

O desenvolvimento capitalista não é alternativa para a emancipação dos oprimidos, nunca o foi. O sistema e seus elementos internos tem uma lógica brutal e perversa que não favorecem projetos de mudança real. O crescimento econômico que experimenta o Brasil é o crescimento do capital e os poderes dominantes, a exploração do trabalho precário, os lucros da banca, as exportações do agronegócio, a espoliação do território e do meio ambiente do povo. Toda a compensação social é marginal e controlada dentro destas estruturas da dominação. O mundo atual está emparedado por um escandaloso assalto dos bancos e os fundos abutres, de toda a classe da propriedade privada, que fez a trampa financeira estourar a conta da farra capitalista nos pobres.

Esse sistema criminal castiga milhões de trabalhadores com desemprego, produz condições de vida precária, guerras imperialistas, opressões e misérias crescentes. A situação geral repõe a urgente e necessária atuação de projetos que acumulem forças antagonistas, incorporem elementos radicais de cambio no imaginário coletivo, que façam caminho para uma alternativa socialista. Nossa corrente libertária, historicamente tem sido um fator ideológico a favor de novas relações sociais, onde o socialismo e a liberdade formam um horizonte irrenunciável. O Congresso que reúne as forças do anarquismo organizadopisa nesse terreno.

A Coordenação Anarquista Brasileira deve organizar os elementos para construir uma definição estratégico-tática que tenha inserção forte no tempo histórico que nos toca viver e lutar. Tem que ser um âmbito militante que se faça sentir como força coletiva, solidária e peleadora, mais capaz de atuar. Com estratégias para defender um programa de ações que parte deste momento, dos seus conflitos específicos e gerais, que caminhe junto com os trabalhadores e o povo. Sempre com os que lutam!

Mas acima de tudo que leve no curso de suas experiências mecanismos de fortalecimento, de rupturas, de poder popular.

Ao Congresso!
10 anos do FAO.
Viva a Coordenação Anarquista Brasileira.
Pelo Socialismo e pela Liberdade!

Federação Anarquista Gaúcha

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