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[CAB] Saudações ao ato do Primeiro de Maio Anarquista da Federación Anarquista de Rosario – FAR

http://anarquismo.noblogs.org/?p=470

A Coordenação Anarquista Brasileira saúda o ato anarquista do Primeiro de Maio, organizado pela nossa organização irmã, a Federação Anarquista de Rosário. O primeiro de maio é uma data histórica da luta internacional das trabalhadoras e trabalhadores do mundo. Uma data que encontra na luta dos Mártires de Chicago sua necessária lembrança.

Reconhecemos como nossas e nossos, as/os mártires da luta da classe trabalhadora e do anarquismo argentino. Anarquismo este que forneceu exemplos heroicos de luta e dedicação. A história da luta anarquista na Argentina é a história da luta internacionalista. É a história de mártires como Joaquín Penina, Kurt Wilckens, Virginia Bolten e Simon Radowitzky. É a história de mártires e combatentes como Rita Artabe, Rafael Tello e muitas outras e outros que sempre estarão (como se diz aqui): presentes, presentes, presentes! É a história de Errico Malatesta, de August Spies, de Lucy Parsons e de Domingos Passos!

Não esqueceremos os massacres históricos promovidos pela classe dominante argentina contra nossos irmãos de luta, nos governos e nas ditaduras civis ou militares. Nossa memória não se subordina a governos de turno. A semana vermelha, a repressão da ditadura militar argentina e o massacre patagônico ainda ardem em nossos corações como o exemplo do ódio da classe dominante contra nós trabalhadoras/es.

Saudamos os históricos exemplos de greves e insurreições promovidas por nossos irmãos de luta, a greve dos portuários de 1956, a mais longa da história da Argentina e a experiência do Cordobazo e do Rosariazo. Nossa inspiração se alimenta do passado e do presente, de greves e lutas históricas.

Nesse momento histórico de avanço do neoliberalismo e crise do modelo reformista e de pacto de classes, nossa ideologia tem um importante papel a cumprir. Com modéstia, precisamos seguir e consolidar um anarquismo latino-americano que se alimente das tradições do nosso povo aguerrido para constituir uma fisionomia libertária de luta e enfrentamento.

Nossa opção é com as/os de baixo! Nossa estratégia é a de fortalecimento dos movimentos populares e sindicatos combativos. Nosso horizonte é o horizonte da anarquia.

Lutar, criar, poder popular!

Viva o Primeiro de Maio internacionalista!

Viva a luta popular argentina!

Viva a FAR!

Viva o anarquismo latino-americano! Viva o especifismo!

cab

Saludos al Primero de Mayo anarquista de la FAR

Coordinación Anarquista Brasileña

La Coordinación Anarquista Brasileña saluda el acto anarquista del Primero del Mayo, organizado por nuestra organización hermana, la Federación Anarquista del Rosário. El Primero de Mayo és una fecha histórica de lucha internacional de las trabalhajadoras y trabajadores del mundo. Una fecha que encuentra la lucha de los Mártires de Chicago y su recuerdo esencial.

Reconocemos como nuestras y nuestros, las / los mártires de la lucha de la clase obrera y el anarquismo argentino. El anarquismo que proporcionó ejemplos heroicos de lucha y dedicación. La historia de la lucha anarquista en la Argentina es la historia de una lucha internacionalista. Es la historia de los mártires como Joaquín Penina, Kurt Wilckens, Virginia Bolten y Simon Radowitzky. Es la historia de los mártires y combatientes como Rita Artabe, Rafael Tello y muchos otros y otras que serán siempre (como dicen aquí): presente, presente, presente! Es la historia de Errico Malatesta, de August Spies, Lucy Parsons y Domingos Passos!

No olvidamos los masacres históricos promovidos por la clase dominante argentina contra nuestros hermanos de lucha, en los gobiernos y las dictaduras civiles o militares. Nuestro recuerdo no    está sujeto a pasar de los gobiernos. La semana roja, la represión de la cobarde dictadura militar argentina e lo masacre patagonico aún arde en nuestros corazones como el ejemplo de odio de la clase dominante contra los trabajadores.

Recordamos las huelgas y insurreciones de nuestros hermanos de lucha: la huelga de los marítimos de 1956, la más larga de história de Argentina, la experiencia de Cordobazo y Rosariazo. Nuestra inspiración és el pasado y el presente, de huelgas y luchas históricas.

En este momento histórico de avance del neoliberalismo y crisis del pacto de clases y el reformismo, nuestra ideología tiene un rol importante a cumprir. Con modestia, hay que seguir y consolidar un anarquismo latinoamericano que  alimentase de las tradiciones de nuestro pueblo peleador para tener una fisionomia libertária de lucha e enfrentamiento.

Nuestra opción és con las/los de abajo! Nuestra estrategia és fortalecer los movimientos populares e grêmios combativos! Nuestro horizonte és de la anarquia!

Luchar, crear, poder popular!

Viva el Primero de Mayo internacionalista!

Viva la lucha popular argentina y brasileña!

Viva la FAR!

Viva el anarquismo latino-americano! Viva el especifismo!

cab

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[FARJ] Contribuições de Bakunin ao debate sobre a organização política anarquista – Felipe Corrêa e Rafael V. da Silva

Retirado de:                                                                         https://anarquismorj.wordpress.com/2015/12/13/contribuicoes-de-bakunin-ao-debate-sobre-a-organizacao-politica-anarquista-felipe-correa-e-rafael-v-da-silva/

Felipe Corrêa e Rafael V. da Silva [1]

Apesar das obras completas de Bakunin terem sido publicadas recentemente em francês – na edição de 2000 do IIHS de Amsterdã, depois de tentativas importantes de compilar parte significativa de sua obra –, seus escritos sobre as chamadas “Fraternidade”, de 1864, e “Aliança”, de 1868, para utilizar a terminologia proposta por Max Nettlau, são pouquíssimo conhecidos. A estratégia de massas de Bakunin vem sendo melhor discutida, em textos relevantes como, por exemplo, Bakunin: fundador do sindicalismo revolucionário, de Gastón Leval [2] e vários outros de René Berthier. [3]

No entanto, sua teoria da organização política, amplamente abordada em documentos escritos com o intuito de fundamentar – em termos de princípios, programa, estratégia e organicidade – suas propostas políticoorganizativas, é pouco ou quase nada discutida. Parece haver, em especial entre os anarquistas franceses, certo constrangimento desses escritos, como se constituíssem parte de uma herança autoritária, talvez de inspiração blanquista e jacobina, que permaneceu no pensamento do autor e que não deveria ser trazida a tona.[4] Consideramos que as posições de Bakunin sobre a organização política anarquista, de 1868 em diante, podem ser conciliadas plenamente com sua estratégia de massas, proposta para a Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT), e, assim, ser considerada parte relevante de seu anarquismo. Tais posições parecem ter força, ainda hoje, para subsidiar reflexões frutíferas acerca do modelo organizativo mais adequado para uma intervenção anarquista na realidade.

Bakunin sustentou que a Aliança da Democracia Socialista (ADS) deveria ter um duplo objetivo; por um lado, estimular o crescimento e o fortalecimento da AIT; [5] por outro, aglutinar em torno de princípios, de um programa e de uma estratégia comum, aqueles que tivessem afinidades político-ideológicas com o anarquismo – ou, como em geral se chamava à época, do socialismo ou coletivismo revolucionário. [6] Em suma, criar/fortalecer uma organização política e um movimento de massas, o dualismo organizacional:

Eles [os militantes da ADS] formarão a alma inspiradora e vivificante desse imenso corpo a que chamamos Associação Internacional dos Trabalhadores […]; em seguida, se ocuparão das questões que são impossíveis de serem tratadas publicamente – eles formarão a ponte necessária entre a propaganda das teorias socialistas e a prática revolucionária. [7]

Para Bakunin, a ADS não precisaria ter uma quantidade muito grande de militantes: “o número desses indivíduos não deve, pois, ser imenso”; ela deveria constituir uma organização política, pública e secreta, de minoria ativa, com responsabilidade coletiva entre os integrantes, que reunisse “os membros mais seguros, os mais devotados, os mais inteligentes e os mais enérgicos, em uma palavra, os mais íntimos”, nucleados em diversos países, com condições influenciar determinantemente as massas trabalhadoras.[8] Essa organização deveria ter por base comum um regulamento interno e um programa estratégico, os quais estabeleceriam, respectivamente, seu funcionamento orgânico, suas bases político-ideológicas e programático-estratégicas, forjando um eixo comum para a atuação anarquista.

Poderia tornar-se membro da organização somente “aquele que tiver francamente aceitado todo o programa com todas suas consequências teóricas e práticas e que, junto à inteligência, à energia, à honestidade e à discrição, tenham ainda a paixão revolucionária”.[9] Internamente, a organização política bakuniniana não possui hierarquia entre os membros e as decisões são tomadas de baixo para cima, em geral por maioria (variando do consenso à maioria simples, a depender da relevância da questão), e com todos os membros acatando as decisões tomadas coletivamente. Isso significa aplicar o federalismo – defendido como forma de organização social, que deve descentralizar o poder e criar “uma organização revolucionária de baixo para cima e da circunferência ao centro” – nas instâncias internas da organização anarquista. Externamente, a ADS não deve exercer relação de dominação e/ou hierarquia sobre a AIT, mas a complementar; o inverso também seria verdadeiro. Juntas, essas duas instâncias organizativas se complementam e potencializam o projeto revolucionário dos trabalhadores, sem a submissão de qualquer uma das partes.

A Aliança é o complemento necessário da Internacional… – Mas a Internacional e a Aliança, tendendo para o mesmo objetivo final, perseguem ao mesmo tempo objetivos diferentes. Uma tem por missão reunir as massas operárias, os milhões de trabalhadores, com suas diferenças de profissões e países, através das fronteiras de todos os Estados, em um só corpo imenso e compacto; a outra, a Aliança, tem por missão dar às massas uma direção realmente revolucionária. Os programas de uma e de outra, sem serem de modo algum opostos, são diferentes pelo próprio grau do seu desenvolvimento respectivo. O da Internacional, se tomado a sério, contém em germe, mas somente em germe, todo o programa da Aliança. O programa da Aliança é a explicação última do [programa] da Internacional.[10]

O dualismo organizacional bakuniniano caracteriza-se pela união dessas duas organizações – uma política, de minorias (quadros); outra social, de maiorias (massas) – e sua articulação horizontal e permanente potencializaria a força dos trabalhadores e aumentaria as chances do processo de transformação social com fins anarquistas.

Dentro do movimento de massas, a organização política dá mais eficácia aos anarquistas nas disputa de posições e na construção de um projeto revolucionário. Ela contrapõe, organizadamente e em favor de seu programa, forças que agem em sentido distinto e que buscam: elevar à condição de princípio uma das diferentes posições político-ideológicas e/ou religiosas, minimizar seu caráter eminentemente classista, fortalecer as posições reformistas (que veem as reformas como um fim) e a perda de combatividade do movimento, estabelecer hierarquias internas e/ou relações de dominação, direcionar a força dos trabalhadores para as eleições e/ou para estratégias de mudança que envolvam a tomada do Estado, atrelar o movimento a partidos, Estados ou outros organismos que retiram, neste processo, o protagonismo das classes oprimidas e de suas instituições.

[1] Este texto é um excerto (com novo título) extraído da cartilha de formação “BAKUNIN, MALATESTA E O DEBATE DA PLATAFORMA A QUESTÃO DA ORGANIZAÇÃO POLÍTICA ANARQUISTA”. O leitor pode ler o artigo completo no site do Instituto de Teoria e História Anarquista (ITHA).

[2] LEVAL, Gaston. Bakunin, Fundador do Sindicalismo Revolucionário. São Paulo: Imaginário/Faísca, 2007

[3] Cf., por exemplo: BERTHIER, René. “Bakounine: une théorie de l’organisation”. In: Monde Nouveau, 2012. Idem. “Postface”. In: ANTONIOLI, Maurizio. Bakounine: entre syndicalisme révolutionnaire et anarchisme. Paris: Noir et Rouge, 2014.

[4] Nas últimas décadas, o constrangimento dos anarquistas franceses com parte da obra de Bakunin é notável, especialmente no que diz respeito ao tema da organização política. Praticamente nenhum dos numerosos programas da Aliança da Democracia Socialista foi incluído nos livros publicados deste anarquista. Talvez isso possa ser explicado pela hipótese de René Berthier, relatada numa palestra de 2014 no Brasil. Para ele, durante muito tempo, os franceses aproximaram Bakunin do marxismo ou mesmo de um suposto “marxismo libertário” defendido por Daniel Guérin. Poder-se-ia justificar, assim, ainda segundo ele, o fato de uma revista como Itineraire, que dedicou seus números aos “grandes anarquistas” da história, não ter um número sobre Bakunin. É o próprio Berthier que, em certa medida, e junto com alguns outros pesquisadores e militantes, tem retomado mais recentemente a discussão da obra bakuninana.

[5] A maior realização histórica concreta de militantes que estiveram envolvidos com a ADS foi a criação da AIT em países onde ela ainda não existia e o estabelecimento de novas seções da Internacional onde ela já estava em funcionamento; tais foram os casos da Espanha, da Itália, de Portugal e da Suíça, além de casos na América Latina, estimulados por correspondências. Cf. CORRÊA, Felipe. Surgimento e Breve Perspectiva Histórica do Anarquismo (1868-2012). São Paulo: Biblioteca Virtual Faísca, 2013.

[6]BAKUNIN, Mikhail. “Carta a Morago de 21 de maio de 1872”. In: CD-ROM Bakounine: Ouvres Completes, IIHS de Amsterdã, 2000.

[7] Idem. “Carta a Cerretti de 13-27 de março de 1872”. In: CD-BOC.

[8]  Idem. “Status Secrets de l’Alliance: programme et objet de l’organization révolutionnaire des frères internationaux”. In: CD-BOC. Idem. “Carta a Cerretti de 13-27 de março de 1872”. In: CD-BOC. Idem. “Carta a Morago de 21 de maio de 1872”. In: CD-BOC.

[9] Idem. “Status Secrets de l’Alliance: organization de l’Alliance des frères internationaux”. In: CD-BOC. Idem. “Status Secrets de l’Alliance: programme et objet de l’organization révolutionnaire des frères internationaux”. In: CD-BOC.

[10]  Idem. “Carta a Morago de 21 de maio de 1872”. In: CD-BOC.

[FAG] 20 ANOS DA FAG | Discurso da FAG lido no Ato Público

Retirado de:              https://www.facebook.com/FederacaoAnarquistaGaucha/posts/1104931392851751:0

Boa noite companheiros e companheiras

Estas últimas semanas têm sido muito especiais para nós anarquistas da FAG. Receber companheiros e companheiras de distintas partes do Brasil, da América Latina e do mundo para juntos celebrarmos um pedacinho dessa rica história do anarquismo, nos enche de alegria! Aqui encerramos um ciclo para começarmos um novo. Um ciclo de maior organização; de maior firmeza em nossos vínculos e em nossos laços de fraternidade e solidariedade; de reafirmar a luta, o protagonismo popular e a transformação revolucionária das nossas relações e da nossa sociedade como os únicos caminhos fecundos para romper definitivamente as amarras desse sistema sanguinário que nos oprime todos os dias.

São 20 anos de construção anarquista nacional. São 20 anos de FAG, de OSL, de FAO, de CAB, de FARPA, de Rusga Libertária, de CALC, de FARJ, de CABN, de ORL, de FACA, de OASL e de muitos outros que com seus esforços vem forjando anarquismo militante, classista, com raízes na história de combate do nosso povo. Duas décadas cultivando raízes anarquistas para que floresça bela e forte o poder do povo, o Poder Popular.

Na ocasião do Ato Público de 10 anos da FAG dizíamos:

“Nascemos porque morreram homens como Mikail Bakunin, Errico Malatesta, Nestor Makhno, Sepé Tiaraju, Zumbi dos Palmares. Nascemos porque morreram mulheres como Espertirina Martins, Malvina Tavares, Anastácia, Anita Garibaldi e tantos outros e outras anônimas ou não que morreram defendendo a justiça e a liberdade.

Nascemos pelas mesmas mãos que o anarquista Djalma Feterman usou para atirar uma bomba disfarçada de buquê de flores, que carregava a também anarquista Espertirina Martins com seus 15 anos de idade, na carga de cavalaria da Brigada Militar durante a Guerra dos Braços Cruzados em 1917.

Nascemos pelas mesmas mãos que pegaram em armas no Uruguai, enfrentaram a ditadura, foram torturados e presos, porém, não desistiram: já completaram meio século e foram decisivos para a formação da FAG neste canto do Brasil: assim foi o apoio generoso da FAU, presente conosco hoje e sempre.
Nascemos e renascemos todos os dias pelas mesmas mãos das pessoas simples, gente humilde, que nas suas mãos, carregam as marcas de ser parte dos de Baixo.

Dizem por ai que pobre vive de teimoso. Foi por teimosia que a FAG nasceu. É por teimosia que continuamos vivos e lutando e vamos completar mais dez anos insistindo em dizer que é somente o povo organizado e em luta que vai conseguir conquistar tudo o que precisa e quer.”

E aqui estamos companheiros e companheiras, 10 anos depois, cumprindo e dando continuidade a um Compromisso, a uma Idéia, a uma Prática: O SOCIALISMO COM LIBERDADE!!!

Não tem sido tarefa fácil. Nossa busca tem sido sempre a de fazer do anarquismo uma ferramenta atual e à altura das diferentes conjunturas que nos toca viver e atuar. Uma ferramenta dinâmica, que nos permita ampliar coletivamente as forças que individualmente seriam muito limitadas; um anarquismo militante e organizado que construa junto, ao lado dos de baixo, propostas concretas contra os ataques dos de cima. Um anarquismo prático, dotado de táticas e de um programa mínimo e, ao mesmo tempo, uma anarquismo finalista, dotado de um programa estratégico e de longo prazo. No fim e ao cabo, um anarquismo político que contra e por fora do Estado solucione o problema do Poder, do que colocar no lugar das instituições burocráticas, centralistas e autoritárias do Sistema de Dominação Capitalista.

Um anarquismo Federalista, Autogestionário, que produza com suas práticas, métodos, críticas e experiências, uma ideologia de transformação. Sem vanguardismos, ditaduras ditas proletárias, vocação pra partido único. Pois não se trata de fazer da Política a tarefa de conduzir um Estado, seja ele qual for, em nome das classes oprimidas para daí impor a nossa vontade enquanto povo às classes dominantes. Trata-se de fazer da Política a tarefa de construir um Povo Forte, com seus instrumentos, instituições, ferramentas que vão gestando o novo na medida em que vão golpeando e destruindo o velho. Colocaremos no lugar do Estado e de seus aparatos as instituições das classes oprimidas, construídas desde baixo, articuladas e coordenadas entre si.

Como já escrevemos em outro momento,

“É certo que o trânsito até uma sociedade distinta deve ser feito dentro deste sistema. Mas a experiência vivida indica que existem meios, orientações, uso de instrumentos, de instituições e formas de organização de atividades sociais que devem ser dispensados se queremos ir conformando forças sociais capazes de produzir verdadeiras mudanças nas formas da organização social. É imprescindível outro enfoque se queremos ir construindo uma sociedade distinta. Não parece ser boa estratégia escolher aquelas vias, aqueles lugares e trajetos que tem dono e o poder de imprimir seu selo ao que ali entra.

Quantas organizações políticas, quantos lutadores cheios de ideais e sonhos terminaram pensando com a lógica do sistema e vendo como inimigos a seus queridos companheiros de ontem.
Outro sujeito histórico não virá do nada, não aparecerá como arte de magia, deve ser o fruto de práticas que internalizem outras questões que chocam com o dominante. A participação efetiva, a autogestão, a ação direta, a forma federal de funcionamento realmente democrático, a solidariedade e apoio mútuo, necessitam de mecanismos, organizações, práticas regulares para seu desenvolvimento. E só se produzida no povo é que a mudança se tornará uma realidade.

Uma estratégia que tenha em seu interior um mundo distinto que vai emergindo desde o seio de outro que lhe é antagônico. O famoso “usar todos os meios” pode ser uma maneira efetiva de assegurar que não se construa nenhuma estratégia antagônica portadora dos elementos de desestruturação do sistema vigente.
Relacionado a isso, está a necessidade de forjar um inconfundível estilo de trabalho.

Um estilo de trabalho também é elemento da produção ideológica, se define como um modo especial do fazer político-social em todos os seus atos, no discurso, no comportamento de grupo, nas relações entre companheiros e com a sociedade, nos planos de ação, etc.. A ideologia libertária se materializa, é produzida e reproduzida, entre outras coisas, nessa forma estimulada de representar seus valores, sua ética e aspirações nas práticas de todos os dias. Assim, o estilo de trabalho que marcamos nos processos de luta e organização, em uma boa medida, vai dizer quem somos pelo que fazemos, como fazemos, com que coerência ideológica estão formados nossos atos de organização militante.

Reconhecer entre iguais a dignidade do outro, como irmãos na luta e no projeto para mudar a sociedade, sempre será a base da estrutura e das normas jurídicas que constituem um pacto federativo. A fraternidade que permeia um projeto militante dá o vínculo moral fundamental para formação das relações de confiança. E a política, como apontam as investigações teóricas que temos estudado, tem suas razões e suas sem razões. Não é só feita de escolhas racionais, tem boas doses de conteúdo sensível, está atravessada pelas formações ideológicas que constituem o sujeito.

Está em jogo uma pedagogia do exemplo, a forja de referências a partir daquilo que fazemos, pelos valores que veiculamos em nossas práticas, e nas nossas ações diárias.

O estilo pra promover nessa perspectiva deve produzir: iniciativa pras tarefas, responsabilidade plena com os mandatos coletivos, resoluta solidariedade, pedagogia do exemplo, liderança moral, maturidade para crítica, exigência fraterna, preocupação formativa.

São esses alguns dos desafios a que nos propomos todos os dias ao participarmos do movimento sindical, do movimento estudantil, na militância nos bairros, vilas e favelas; nas lutas urbanas, contra as violências de gênero e raça; no campo e na floresta e em toda ação de solidariedade aos enfrentamentos da diversidade dos sujeitos que compõe as classes oprimidas. UNIR O DISPERSO, ORGANIZAR O DESORGANIZADO, SOLIDARIEDADE É MAIS DO QUE PALAVRA ESCRITA, RODEAR DE SOLIDARIEDADE OS QUE LUTAM, são algumas consignas que expressam bem de que transformação social estamos falando.

Porque é mais importante para nós CRIAR UM POVO FORTE do que UM PARTIDO FORTE. Uma nova articulação entre o POLÍTICO e o SOCIAL, como dois planos de ação simultânea e devidamente articulados. Mas cada um com sua independência relativa, com sua própria especificidade. Somos assim partidários de um trabalho simultâneo, dentro de um mesmo projeto: da organização política libertária e do trabalho em todo o campo social.

Esse é o nosso especifismo, essas são as bases da nossa construção.

E que Base precisamos para esses tempos difíceis em que estamos vivendo. Já vivemos épocas difíceis, pois quem não se lembra do ataque aos profesores, aos catadores e aos sem terra no governo Yeda do PSDB, em que o sempre presente Elton Brum da Silva foi assassinado com um tiro de calibre 12 pelas costas pela Brigada Militar? Ano em que tivemos nossa sede pública invadida e companheiros procesados. Quem não se lembra dos 10 mil gaseificados, das balas de borracha, das pauladas, da violência psicológica e da nova invasão de nossa sede pública assim como de casas de outros lutadores sociais na jornada de lutas de 2013 durante e sob as ordens do governo Tarso Genro do PT? Ano em que companheiros foram procesados, presos e criminalizados em processos judiciais políticos e ideológicos.

2013 merece nossa consideração a parte, pois foi um ano intenso e atípico para nossa militância. Participamos desde o inicio das jornadas de luta por um transporte 100% público em Porto Alegre. Construímos juntos e em unidade com outros setores da esquerda o Bloco de Lutas pelo transporte público e fizemos días memoráveis lado a lado de milhares de lutadores. Não poderia ser diferente. Assim, Porto Alegre formou parte de um processo nacional de lutas que brindou novos elementos para nossa análise. Diziamos na ocasião de nosso 6º Congresso:

“O povo fez dias de luta no país que se fizeram irreprimíveis em junho. A luta por um transporte público coletivo, que é organizada por militantes de esquerda de um movimento social que leva anos, e a indignação com relação aos altos gastos na Copa das Confederações em detrimento de outras áreas como saúde, educação, etc.; deu vez a um turbilhão de demandas que latejavam na vida neurótica, precária e estafante dos setores médios e populares. Grande parte da geração jovem e combativa que forma as mobilizações de massa dessa hora cresceu nos últimos 10 anos de governos do PT e encarna a expressão conflitiva e saturada do seu modelo capitalista de crescimento econômico.

Traz na bagagem a confusão e as incertezas que se gestam numa nova experiência com a política, com um imaginário nos protestos que sacodem o mundo, muito apoiada aos modos de interação e reconhecimento social que produzem as novas tecnologias de comunicação. O povo em conceito amplo não opõe classe contra classe e joga na cena dos acontecimentos uma disputa de ideias, de valores e projeto social para atuar criticamente, com uma concepção classista em dia com a formação social brasileira dos tempos que vivemos. Contudo, não temos dúvidas que o movimento que vem debaixo é o terreno mais fértil para fazer luta de classes, construir democracia direta e desenvolver músculos para uma estratégia de poder popular.

Na gestação dessa nova correlação de forças a luta contra o aumento das tarifas do transporte coletivo é a expressão mais articulada de uma avalanche de sentimentos e demandas reprimidas que extrapolam os controles dominantes da sociedade brasileira.

As chamadas jornadas de junho e julho foram, portanto, expressão do descontentamento com o quadro acima descrito. Indicam, por sua composição, magnitude e mesmo pelas formas com que foram convocadas em algumas cidades, mudanças e elementos a tomar em consideração na hora de concebermos uma estratégia própria daqui pra frente.”

Levando em consideração estes e outros elementos, procuramos caracterizar o período (a etapa) em que estávamos entrando como uma ETAPA DE RESISTÊNCIA COM VIÉS COMBATIVO. Por este conceito, sem referência com velhos esquemas que sugerem um traçado reto e linear do processo social-histórico, quisemos representar um cenário político para os fatores de cambio social e os elementos característicos de uma correlação de forças na sociedade.

“A luta das classes oprimidas e do projeto socialista passa uma etapa de refluxo, de restruturação dos meios organizativos, de ações dispersas e fragmentárias que não alcançam formar um conjunto com elementos ideológicos e programáticos que façam um antagonismo forte ao sistema. Uma parte importante dos setores populares, das organizações e sindicatos, embarcam nas velhas promessas do crescimento econômico e se curvam para as ideias do neodesenvolvimentismo. Há uma crise de movimento social, de organizações de base, de forças acumuladas pela luta que superem atos espontâneos e alcancem a ação federada. Estão seriamente ajuizadas pela história recente as estratégias de esquerda que buscam mudanças sociais por dentro das instituições funcionais as relações do poder dominante. O tempo é de divisão de águas, ajuste de lentes para pensar as condições e possibilidades da relação de forças do momento. Exige capacidade de inserção de um projeto finalista revolucionário no interior dos problemas e conflitos deste presente histórico. Trabalho de base entre as demandas populares que não são absorvidas pelos controles do modelo capitalista, na direção de um povo forte, de práticas de ruptura que favoreçam a construção histórica de um sujeito antagonista as estruturas do capitalismo.”

Neste sentido concreto e operativo que aplicamos esta categoria para fazer baliza de condições e possibilidades de nossa prática política. Contudo, tinham emergência na cena dos acontecimentos históricos, ventos novos que nos provocaram uma leitura mais matizada, elementos conflitivos com certo peso ideológico que indicavam abertura para um passo diferente. Percebíamos a possibilidade de uma acumulação de forças combativas que até então estava fora de nosso panorama.
Deriva daí nossa aposta estratégica expressa no conceito de intersetorial dos combativos:

“vamos operar nesta etapa com uma proposta militante para ligar o espectro das lutas sociais que confrontam com o modelo dominante do capitalismo brasileiro com um programa mínimo de soluções populares. Ajudar na forja de unidade de baixo pra cima, criar um povo forte que imponha na cena nacional uma nova correlação de forças pra aplicar um projeto de transformação social.

Nessa linha atravessa o trabalho metódico e determinado de radicar nossas posições libertárias em organizações de base, em sindicatos, coletivos e movimentos sociais que serão nosso vetor social. Mas vai além. Implica fazer uma costura com outros setores sociais e políticos que atuam também onde não alcançamos, não pisamos, pra formar um campo de alianças dentro de princípios e acordos que fortaleçam uma posição de força para a independência de classe. Que favoreça, concorra e apoie a gestação de uma nova estrutura de massas, catalizadora do poder social das classes oprimidas, articulada pelas bases, que não se integre nas vias burocráticas dos controles institucionais burgueses.”

Desde então muita água rolou. Entramos no ano de 2015 e novos elementos se apresentaram na conjuntura do RS. O eleito ao governo estadual, o gringo José Ivo Sartori do PMDB, veio para aprofundar os ataques aos direitos e condições de vida dos de baixo. Aprovou um pacote de medidas que cortou fundo na carne do povo oprimido em benefício da manutenção dos privilégios e lucros de governos e patrões. Parcelou salários do funcionalismo estadual, quis extinguir orgãos públicos fundamentais à pesquisa e preservação ambientais e cortou verbas de áreas imprescindíveis aos trabalhadores como as de saúde e educação. Sem falar na sua brigada militar que segue matando a juventude negra e pobre nas periferias.

“Ao lado do ajuste que saca dinheiro dos hospitais e postos de saúde, das escolas, programas sociais, da ampliação do espaço comum e da rede de serviços públicos que aumentam bem estar e condições de vida do povo, é martelada diariamente, sobretudo pela voz do grupo RBS, a bandeira da segurança. O grupo de comunicação que é bom pagador de propina pra sonegação fiscal, dono de um patrimônio que figura na lista seleta das elites gaúchas, avaliza o ajuste e faz campanha de terror e medo pra reclamar mais segurança. Aí está! Segurança é um discurso que dá sentido e faz funcionar um poder de controle e vigilância que institui a paz para a vida normal do sistema e dos bem nascidos e que instala a guerra que pune e criminaliza a pobreza. A segurança que ecoa fundo nas preocupações das elites e da classe média é a que sempre reforça a violência policial sobre as “classes perigosas”.

“Faltam recursos porque os capitalistas reservam os privilégios e os lucros para suas propriedades e estouram as contas públicas nas costas do povo. Todo um sistema de pilhagem que funciona pelo mecanismo da dívida pública, que espreme o patrimônio construído pelos trabalhadores, que desmonta e privatiza bens públicos e produz um discurso econômico liberalóide de déficit e responsabilidade fiscal. Os partidos de governo se sucedem sempre dentro desta ordem: uma camisa de forças do sistema que todos vestem. O PT subscreveu os contratos com o Banco Mundial durante o governo Yeda Crusius que ampliou o poder do sistema financeiro sobre o controle dos gastos públicos. Na sua vez no Piratini, Tarso Genro teve que amargar a pena de devedor do Piso Nacional do magistério.”

Um contexto em que frente aos ataques dos de cima, houve luta e resistência dos de baixo.

“Uma série de setores sociais dão fôlego a seus processos de mobilização e indicam a disposição de luta para dar combate a lógica imposta pelos de cima que precariza a vida do povo. Diversas mobilizações e ações de rua que no nosso entendimento contribuem para o fortalecimento da organização, capacidade de enfrentamento e acúmulo de forças dos de baixo para o próximo período. Experiências como as greves em curso, os piquetes, as manifestações de rua, o diálogo com a população e os cortes da via pública em todo o Estado são ensaios de um processo que não termina aqui.”

Infelizmente, as burocracias sindicais fizeram de tudo para frear os ânimos e conduzir as rebeldias populares para a arena institucional de seus partidos da ordem. O desespero e a indignação dos trabalhadores frente a essa política de austeridade não encontraram eco e canais adequados para a promoção de uma luta sem trégua que alterasse a correlação de forças em seu favor. Acelerar pisando no freio e manter o controle e a ordem das ações de base das categorias foram e são marcas de uma concepção sindical burocratizada e verticalizada que não se movimenta no sentido de organizar e dar impulso a disposição de luta da base.

A mobilização do funcionalismo público estadual, em especial os trabalhadores em educação gaúchos, é um exemplo emblemático dos resultados nefastos de tal concepção sindical. Deslegitimar e isolar as iniciativas combativas de setores de base; apostar numa greve unificada com setores da repressão; fazer da categoria base de apoio a politicagem de seus deputados na Assembléia Legislativa; promover fragmentadas paralisações para fingir que faz pressão nos políticos de turno ao invés de promover, organizar e favorecer uma greve por tempo indeterminado com a solidariedade e participação dos estudantes e das comunidades para dar uma resposta a altura dos desmandos do governo; são alguns dos feitos responsáveis pela desmobilização de uma categoria que há anos não se mobilizava como se mobilizou.

E como não seria diferente…

“Nessa conjuntura, a criminalização veio forte. Por lutar, rodoviários da Carris em solidariedade a paralisação estadual do dia 03/08 foram demitidos, e os servidores municipais da Assistência Social e da Saúde de São Leopoldo-RS sofreram processo de criminalização judicial. Esses são nítidos exemplos de perseguição política e sindical e é emblemático o caso da Carris em que os demitidos são militantes sindicais que tiveram seu direito ao trabalho anulado.

E ainda sobre o aparato repressivo,

Duas prisões na capital durante uma Manifestação de trabalhadores da Educação vinculados ao Cpers. Além desse fato, cabe destacar a intimidação realizada pela “segurança” nos piquetes no Centro Administrativo Fernando Ferrari (CAFF) e o assassinato, pelas costas, de um jovem negro no Morro Santa Tereza, em Porto Alegre. Esses são nítidos indícios de que a repressão nunca estará ao lado dos trabalhadores e dos de baixo e que seu papel é de repressão aos que lutam e de extermínio da juventude negra e pobre das periferias.

“Nem com os que mandam por cima, nem com os que reprimem por baixo!” diziamos.

Nacionalmente, uma conjuntura de intensificação nos ataques aos direitos dos trabalhadores, do golpe dos ajuste fiscal que corta na carne e no bolso dos de baixo para manter os privilégios e os lucros dos de cima, de aumento da violencia contra as mulheres, em especial as mulheres negras, de retrocesso nos processos de demarcação das terras indígenas e quilombolas; de aumento da criminalização da pobreza e do protesto; de cortes de verbas na educação e de forte investida de setores conservadores contra uma educação transformadora; de lei dita “anti-terrorista” mas que na verdade é uma lei contra os movimentos sociais. Tudo isso no marco de um lastro político e ideológico de desarme organizativo das classes oprimidas deixados por 12 anos de governo petista. Esses são alguns dos elementos atuais que precisamos ter em conta na hora de atuar.

Um novo ciclo também parece se abrir na politicagem e nas disputas entre vizinhos de um mesmo condominio, o dos de cima. Uma nova descontinuidade que vai reelaborar elementos gestados no pasado recente para manter a dominação político, económica e ideológica de sempre. Assim, afiar os nossos instrumentos para uma conjuntura e quem sabe uma etapa mais peleada para os de baixo é demanda permanente. Nossa FAG e nossa CAB estará ai! Assim como estarão ai nossa FAU, nossa FAR e todos os nossos companheiros e companheiras que de cima a baixo de nossa América Latina e de todos os outros continentes vem construindo processos de luta e organização.

São curdos, africanos, norte americanos, mapuches, kaingang, chilenos, uruguaios, argentinos, brasileiros, quechuas, palestinos, gregos, guaranis, espanhóis, zapatistas, entre tantos outros povos, os que lutam, se erguem contra as opressões, forjam exemplos, inscrevem pelas suas práticas, referências! É sobre todos que a criminalização se coloca. É assim, uma luta que deve ser feita em conjunto e a partir da diversidade de lutas, de combate as opressões e dominações que cada segmento dos de baixo levanta!

É porque não esquecemos os milhares de Eltons, de Claúdias, de Amarildos, de Zumbis, de Dandaras, de Elenas, de Pochos, de Idilios, de Espertirinas, de Hebers, de Louises, de Lucys, de Polidoros, de Domingos, de Emmas, de Marias Lacerdas e de tantos outros homens e mulheres inscritos em nossa memória com seus exemplos de luta e resistência que ESTAMOS AQUÍ!
E AQUÍ ESTAREMOS ATÉ O FIM DESSE SISTEMA DESUMANO E CRUEL CHAMADO CAPITALISMO!

QUE VENHAM MAIS 20, 30, 50, 100 ANOS A ENRAIZAR ANARQUISMO!!!

NÃO TÁ MORTO QUEM PELEIA!

VIVA A FAG, VIVA A CAB!

VIVA A ANARQUIA!!!

[Rusga Libertária] CARTILHA BAKUNIN, MALATESTA E O DEBATE DA PLATAFORMA: A QUESTÃO DA ORGANIZAÇÃO POLÍTICA ANARQUISTA

Retirado de:                                              http://rusgalibertaria.noblogs.org/post/2015/10/06/cartilha-bakunin-malatesta-e-o-debate-da-plataforma-a-questao-da-organizacao-politica-anarquista/
Capa Impressão
A intenção de produzir este material em formato de cartilha é a de trazer para discussão a necessidade da organização anarquista. Apresentamos, assim, alguns importantes referenciais teóricos que realizaram esse debate durante o próprio desenvolver histórico/prático do anarquismo.

Para nós da Rusga Libertária, a organização deve ter “por base comum um regulamento interno e um programa estratégico; os quais estabelecem, respectivamente, seu funcionamento orgânico, suas bases político-ideológicas e programático-estratégicas, forjando um eixo comum para a atuação anarquista”.

Trazendo as reflexões de Bakunin, Malatesta e o Grupo Dielo Truda – também os debates realizados entre os dois últimos. É exposto, neste material, um pouco do referencial que tomamos para a própria formação da nossa organização política. Jamais tomando como “deuses” ou “dogmas irrefutáveis”, mas, tendo-os como ferramenta importante para a própria compreensão dos debates traçados sobre a forma e o papel da organização política anarquista.

Estudar, Organizar e Lutar – unindo sempre teoria e prática – tendo como norte a Construção do Poder Popular!!!

Saudação do CALC à fundação da Federação Anarquista dos Palmares (FARPA)!

“(…) a organização, longe de criar a autoridade, é o único remédio contra ela e o único meio para que cada um de nós se habitue a tomar parte ativa e consciente no trabalho coletivo, e deixe de ser instrumento passivo nas mãos dos chefes.”. (Errico Malatesta)

Saudações aos companheiros e companheiras de terras alagoenses,

Nós do Coletivo Anarquista Luta de Classe (CALC), do estado do Paraná, que compomos a Coordenação Anarquista Brasileira (CAB) em conjunto com demais organizações anarquistas especifistas espalhadas pelo Brasil, vimos com muito entusiasmo e felicidade saudar a fundação da FARPA – Federação Anarquista dos Palmares. Fruto de um processo de avanço do anarquismo organizado no estado de Alagoas, tocado pelo Coletivo Libertário Delmirense e Coletivo Anarquista Zumbi dos Palmares, que com muito suor e trabalho árduo em meio aos movimentos populares do estado vêm construindo referência de organização, disciplina, ética e estratégia no campo especifista.

Vemos nesse passo a construção da mais nova federação anarquista em solo nordestino, território de muita luta popular e resistência à dominação capitalista, região de suma importância para a construção do movimento anarquista brasileiro. Um avanço importante e que nos anima pelos quatro cantos do Brasil, de norte a sul, de leste a oeste, em que desperta um sentimento lindo de que não estamos sozinhos e cada vez mais fortes! Dentre erros e acertos, vamos caminhando rumo à sociedade que almejamos, com coerência entre meios e fins. Vamos avançando na construção da sociedade socialista e libertária a partir do hoje, através de nossos trabalhos nos movimentos sociais, vamos enraizando os princípios libertários nas massas, sem ser vanguarda ou retaguarda, mas sim construindo ombro a ombro os movimentos sociais com a classe dominada.

Frente a uma conjuntura em que a luta de classes se acirra cada vez mais, com cortes de verba nos serviços públicos, sucateamento e precarização das universidades públicas e do SUS, ataque aos direitos da classe trabalhadora, demissões em massa, redução da maioridade penal, aumento de impostos, extermínios da população negra e pobre das periferias, e sem jamais esquecer a resistência indígena, como a dos guarani-kaiowás que vem sofrendo brutal perseguição agora no Mato Grosso do Sul pelos fazendeiros, protegidos pela lei, pelas policias, militar e civil e até a Força Nacional, faz-se necessário cada vez mais que nós, anarquistas especifistas, estejamos inseridos em meio à classe que compomos e forneçamos uma proposta de organização e luta, visto que outros setores da esquerda vêm demonstrando cada vez mais seus limites neste momento histórico, ainda se perdendo pelos palanques e holofotes da esquerda institucional, pautando a mudança pela via eleitoral, de cima para baixo.

E é com grande confiança nos mais de 10 anos de trabalho árduo dos companheiros e companheiras alagoenses, que nos alegramos e saudamos mais esse avanço do anarquismo especifista em solo nordestino brasileiro. Que continuemos firmes e fortes nessa batalha, reconhecendo que muita coisa ainda deve ser construída neste país de dimensões continentais, a partir da luta dos de baixo, rumo ao socialismo libertário!!!

VIVA A FARPA!! VIVA A LUTA POPULAR NORDESTINA!!

VIVA A CAB!!

VIVA O ESPECIFISMO!!

RUMO AO SOCIALISMO LIBERTÁRIO!!

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18 de setembro de 2015

[FARJ] Libera #165

Retirado de:  https://anarquismorj.wordpress.com/2015/09/09/libera-165/

Está disponível o mais recente número do Libera, de número 165. Nesta edição, o editorial traz um texto recentemente publicado em nosso endereço eletrônico com o título “O que restou de Junho – Uma reflexão sobre o pós-2013“. Além disso, há trechos de “Entre Camponeses” do militante anarquista italiano Errico Malatesta, XII Congresso da organização francesa Alternative Libertaire, Solidariedade à Sâmia Bonfim, duas traduções de textos da organização anarquista dos Estados Unidos Black Rose Anarchist Federation sobre a Revolução em curso em Rojava e o ataque do Estado Islâmico à militantes que estão lá, relato de atividade sobre o caso do Rafael Braga, palestra sobre a situação curda realizada em Campos, além de poesia e outras coisas.

Você pode conseguir o Libera fisicamente com nossos militantes e apoiadores e na Biblioteca Social Fábio Luz. Caso deseje receber um número grande para distribuir, entre em contato conosco.

O Libera #164 pode ser baixado clicando na figura abaixo ou aqui.

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[CURITIBA] 1º ENCONTRO DO CÍRCULO DE ESTUDOS LIBERTÁRIOS (CEL) – NA PRÓXIMA TERÇA (31/03/2015)!

O que é Anarquismo?

Na próxima terça-feira, 31 de março, o CALC articulará seu grupo de estudos em Curitiba. Faremos o CEL no Prédio Histórico da Universidade Federal do Paraná, às 18:30, na sala 205 da Psicologia.

Assim como no ano de 2014, estaremos nos encontrando na última terça-feira de cada mês, discutindo vários temas relevantes para os movimentos sociais, para a esquerda e para o anarquismo.

Neste primeiro encontro buscamos apresentar qual são nossos objetivos e a dinâmica que pensamos para o grupo de estudos durante o ano. Além disso, a partir da discussão baseada nos textos e nesta primeira temática, “O que é o Anarquismo”,  pretendemos dar um panorama geral sobre quais princípios, ideias e conceitos são fundamentais ao anarquismo e discutir um pouco sobre como esta ideologia se formou e esteve presente na história.

– O que é Anarquismo? – Nicolas Walter

– Anarquismo e Anarquia – Errico Malatesta

Baixe aqui: CEL – O QUE É ANARQUISMO – ENCONTRO I

Evento no Facebook:                                        https://www.facebook.com/events/348770478662903/

Para mais informações sobre os textos e temas que discutiremos durante o ano, visite:             https://coletivoanarquistalutadeclasse.wordpress.com/grupos-de-estudos-libertarios/

Venha participar!

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[FAG] 19 ANOS DA FAG – Não tá morto quem peleia!!!

Retirado de: http://www.federacaoanarquistagaucha.org/?p=1041

19 anos

Há 19 anos um grupo de companheiros/as escolheu fazer parte da construção de um projeto político de cores rubro negra, em que a defesa das liberdades coletivas fosse condição essencial para a forja de um socialismo sem privilégios e dominações de qualquer tipo. Um projeto que, não sendo novo, se colocava como um imenso desafio para aquela geração de jovens que, órfãos de referências diretas em nosso país, buscava referências nos muitos anos de luta e experiência de organização sindical e popular dos irmãos da banda oriental organizados na fAu (federação Anarquista uruguaia).

Não que as experiências de luta e de organização do anarquismo no Brasil não fossem ricas por si só. Mas pesou muito o fato de que a geração de militantes que de alguma forma vivenciaram na carne as experiências de organização dos trabalhadores até os anos 50 do século XX não estivesse mais viva para contribuir na formulação das respostas aos anseios daqueles e daquelas que nos inícios dos 90 queriam se organizar para retomar o vetor social do anarquismo.

Organização para dar conta não apenas do estudo teórico e doutrinário de nossa ideologia, mas que pudesse responder aos desafios cotidianos da inserção anarquista no meio sindical, estudantil, comunitário, agrário e popular. Uma organização que pudesse articular essas diversas experiências de luta e organização dos de baixo no âmbito de uma perspectiva estratégica em que os oprimidos possam ser protagonistas da transformação social, sem vanguardas auto-eleitas dando ordens sobre o que fazer. Naquela época, foi a organização política específica dos anarquistas (o especifismo) que se colocou como a melhor resposta a esse anseio e, passados 19 anos, acreditamos que o anarquismo especifista continua sendo uma boa ferramenta para nossa organização enquanto militantes anarquistas. Uma escola de vida e militância libertária que é, para nós do Rio Grande do Sul, a Federação Anarquista Gaúcha – FAG. São 19 anos buscando enxertar verdades novas no tronco das velhas verdades fundamentais como dizia o companheiro anarquista italiano Camillo Berneri.

São 19 anos germinando um mundo novo em nossos corações e construindo um homem novo (diríamos um sujeito novo) como falava o anarquista espanhol Durruti e o revolucionário latino americano Che Guevara. São 19 anos estudando e se inspirando nas experiências de luta de mulheres e homens de todas as partes do mundo que muito antes de nós já estavam no labor cotidiano de erguer uma nova sociedade em cima dos escombros da velha sociedade capitalista. Não esquecemos de Lucy Parsons, Mikhail Bakunin, Louise Michel, Errico Malatesta, J. Proudhon, Anselmo Lorenzo, Voltairine Cleyre, P. Kropotkin, Elena Quinteros, Gerardo Gatti, José Oiticica, Polidoro Santos, Edgar Leuenroth, Emma Goldman, Alberto Mechoso, Maria Canária, Leon Duarte, Espertirina Martins, Nicola Sacco, Bartolomeu Vanzetti, os Mártires de Chicago, Neno Vasco, Domingo Passos e de tantas outras companheiras e companheiros (da nossa matriz e de outras matrizes da esquerda combativa) que de alguma forma plantaram sementes de Socialismo e Liberdade.

É pela memória dessa companheirada que seguimos nos organizando e lutando, desde o lugar que nos toca atuar e junto aos homens e mulheres que dia a dia constroem através de seu suor e trabalho essa sociedade.

19 anos de luta pelo Socialismo e pela Liberdade!

Viva a Federação Anarquista Gaúcha!

Viva a Anarquia!

[CURITIBA] 7º ENCONTRO DO CÍRCULO DE ESTUDOS LIBERTÁRIOS (CEL) – NA PRÓXIMA TERÇA (28/10/2014)!

A organização política anarquista

Na próxima terça-feira, 28 de outubro, o CALC articulará seu grupo de estudos em Curitiba. Faremos o CEL no Prédio Histórico da Universidade Federal do Paraná, às 18:30, na sala 205 da Psicologia.

Buscaremos estudar neste módulo as distintas formas de organização política que os anarquistas adotaram ao longo da história.

Os textos base são:

– Organização I e II – Errico Malatesta

– A Síntese Anarquista – Volin

– Rumo a um novo anarquismo – Andrej Grubacic

-Tática e disciplina do partido revolucionário – Mikhail Bakunin

– A plataforma organizacional dos comunistas libertários – Dielo Trouda

Baixe aqui: CEL módulo VII

Evento no Facebook:                 https://www.facebook.com/events/1490107134593825/

Para mais informações sobre os textos e temas que discutiremos durante o ano, visite:               https://coletivoanarquistalutadeclasse.wordpress.com/grupos-de-estudos-libertarios/

Venha participar!

CEL

[CAMPO MOURÃO] 1º ENCONTRO DO GRUPO DE ESTUDOS LIBERTÁRIOS (GEL) – UNESPAR/FECILCAM – PRÓXIMO SÁBADO (18/10)

O que é Anarquismo?

O CALC começará um novo Grupo de Estudo Libertários (GEL) na cidade de Campo Mourão! Faremos o GEL na UNESPAR-FECILCAM, no próximo sábado, 18/10, às 14:30, SALA A CONFIRMAR.

Neste primeiro encontro buscamos apresentar qual são nossos objetivos e a dinâmica que pensamos para o grupo de estudos durante o ano. Além disso, a partir da discussão baseada nos textos e nesta primeira temática, “O que é o Anarquismo”, pretendemos dar um panorama geral sobre quais princípios, ideias e conceitos são fundamentais ao anarquismo e discutir um pouco sobre como esta ideologia se formou e esteve presente na história.

O que é Anarquismo? – Nicolas Walter

Anarquismo e Anarquia – Errico Malatesta

Baixe aqui: CEL – O QUE É ANARQUISMO – ENCONTRO I

Evento no Facebook: https://www.facebook.com/events/810657965622730/

Para mais informações sobre os textos e temas que discutiremos durante o ano, visite:  https://coletivoanarquistalutadeclasse.wordpress.com/grupos-de-estudos-libertarios/

Venha participar!

gel