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[CAB] CONTRA A REPRESSÃO DO ESTADO ARGENTINO

NOSSA SOLIDARIEDADE AOS LUTADORES/AS

Santiago Maldonado está desaparecido desde o dia 1º de agosto deste ano. Em apoio à luta dos povos originários, o jovem artesão participava de um trancamento da “Ruta 40”, rodovia que liga a Argentina ao Chile. O local é próximo a Cushamen, na província de Chubut, onde os Mapuche¹ realizaram uma retomada de terras que estão sob o domínio da empresa multinacional Benetton. O protesto pedia a liberdade de Facundo Jones Huala, liderança indígena, atualmente preso na Argentina, e contestava o pedido de extradição realizado pelo governo chileno que deseja julgá-lo e condená-lo como terrorista. O trancamento da rodovia foi duramente reprimido pela “Gendarmería Nacional” (Força Militar argentina), que chegou disparando contra a manifestação; Santiago foi visto pela última vez sendo levado pelas mãos violentas do Estado enquanto tentavam fugir do ataque.

Desde então as mobilizações em apoio ao povo Mapuche e pela aparição de Santiago se intensificaram por todo o país, chegando a ter movimentações de solidariedade também no Chile. Somada a elas também a mobilização contra o “Gatilho Fácil”, expressão utilizada pelos argentinos para denotar o abuso recorrente de força policial; outras expressões que marcam a luta popular, como a “Primeiro Atiram, Depois Perguntam”, demonstram como o governo argentino investe contra a população pobre enquanto faz a segurança dos de cima.

Ontem pela manhã, no dia 31 de agosto, um dia antes de completar um mês de seu desaparecimento e um dia antes da marcha nacional convocada pela aparição com vida de Santiago, diversas organizações foram perseguidas e tiveram seus espaços invadidos pela polícia argentina, em Córdoba e Buenos Aires. Foram diferentes espaços e centros culturais de organizações políticas e sociais, sendo: a Biblioteca Popular de Villa la Maternidad, Casa 1234, Espaço Social e Cultural Ateneo Anarquista no Bairro Guemes, Kasa Karacol da Federação de Organizações de Base (FOB), a sala de jantar da Frente de Organizações em Luta (FOL), sede do Partido Obrero e Movimiento Socialista de los Trabajadores (MST). Todas essas organizações têm em comum o fato de terem participado da 3ª Marcha Nacional Contra o Gatilho Fácil na segunda-feira passada. A perseguição política deixou seu objetivo bem evidente ao confiscar, entre outros materiais, bandeiras, faixas e instrumentos para prejudicar a marcha de hoje (01 de setembro) pela aparição de Santiago com vida, que ocorreu e com maiores ações repressivas do Estado Argentino. Reforçamos o pedido de liberdade para os detidos unicamente por lutar!

Onde está Santiago Maldonado? Onde está o Amarildo?

Na Argentina ou no Brasil a força policial e militar faz a segurança de empresários e latifundiários, já habituados em carregar as mãos sujas de sangue dos de baixo. O Estado argentino dispara sem hesitar contra os indígenas e a população pobre tal como o Estado brasileiro e tantos outros. São diversos desaparecidos políticos na Argentina e em toda América Latina. São incontáveis desaparecidos nas favelas brasileiras, no campo e nas florestas. A polícia – lá, aqui e em toda parte – “nunca sabe” o que aconteceu. Mesmo quando há provas das cenas forjadas, os policiais são absolvidos ou tem os processos arquivados, pois saíram para executar o seu trabalho: a política violenta do Estado, o Estado não conhece fronteiras para seu genocídio.

Não podemos mais ignorar que, em meio a luta de classes, há uma guerra étnica e racial travada ao redor do mundo. Ao olhar para nossa realidade e para o que ocorre na Argentina, e mesmo para os EUA, nos deparamos com a imperativa classificação racial da população e a continuidade de um projeto que iniciou antes do capitalismo, se agregou a ele e hoje é consolidado à sua estrutura. As elites nacionais cumprem ainda hoje seu papel de intermediadores entre a colônia e a metrópole e, embebidas pela mentalidade neocolonial, eurocêntrica e etnocêntrica², aplicam tais processos internamente e perpetuam a eliminação das diferenças. Por que somos todos iguais é que temos direito a diferença, nos ensinaram os zapatistas.

Recentemente completou-se um ano de impunidade do massacre dos Guarani em Caraapó, onde Clodiodi foi brutalmente assassinado. Trata-se da mesma cidade onde, no dia 5 de janeiro, o Guarani-Kaiowa Alexandre Claro foi alvejado com duas balas pela Policia Militar. A polícia alega que Alexandre, já diagnosticado com esquizofrenia, teria sofrido um suposto surto e atacado a viatura. Baleado, Alexandre Claro foi injustamente preso e libertado apenas recentemente, com o apoio de campanhas de solidariedade.

Mas o povo que é oprimido há 500 anos vem também resistindo há 500 anos. Em abril deste ano o movimento indígena brasileiro reuniu-se em seu histórico Acampamento Terra Livre, em Brasília.  Mais de 5.000 indígenas estiveram presentes na luta pela demarcação de terra, saúde, educação e assistência técnica. O Estado, seja brasileiro ou argentino, vem avançando cada vez mais sob os territórios dos povos originários em benefício da exploração do agro-hidro-mineral-negócio. Mas esses povos não aceitam passivamente o destino que o Estado lhes confere em seu projeto político-ideológico de nação. O etnocídio, assassinato da cultura milenar e ancestral, vem sendo combatido com muita luta e mobilização. O povo Guarani do T.I. Jaraguá realizou ocupação da Secretaria da Presidência da República em São Paulo, reivindicando a revogação da portaria anti-indígena 683/17 que anula o reconhecimento da posse permanente dos guaranis em seu território. As mobilizações contra o marco-temporal tiveram belíssima e parcial vitória no STF no dia 16 de agosto, quando as ações movidas pelo governo ruralista do Mato Grosso foram derrotadas. Se aprovadas, dariam legalidade à tese anti-indígena do marco temporal, que limita os territórios indígenas apenas aos existentes em 1988. São muitos exemplos de luta que nos inspiram e mostram que o Estado enfrentará muita resistência para passar por cima destes territórios sagrados.

Nas cidades, a brutalidade policial define seu alvo pela cor. Rafael Braga, preso no Rio de Janeiro em 2013 e condenado injustamente, agora tem o habeas corpus negado para tratar a tuberculose adquirida no cárcere. Em Salvador, os PMs que assassinaram doze jovens negros na Chacina da Cambuia foram absolvidos, ação já antecipada pelo comentário do governador da Bahia que comparou a polícia assassina à “artilheiros diante do gol”. São inúmeros os casos de mortes e encarceramento negro, bem como de exemplos do racismo institucionalizado.

A guerra racial escamoteada pela guerra às drogas e a guerra contra os indígenas que se perpetua desde a colonização está presente em diversos países. Apesar dos diferentes contextos históricos que a conformação dos Estados nacionais trouxe, há muito mais semelhanças entre nossas lutas. A atual radicalização repressiva do Estado Argentino encontra eco em nossa realidade brasileira e precisa ser denunciada e combatida. Barrar a repressão e construir solidariedade e laços firmes entre o povo oprimido é o caminho para nossa libertação!

O povo oprimido não se cala diante da repressão política. Chegamos até aqui lutando e seguiremos em luta!

Coordenação Anarquista Brasileira – CAB

¹Os Mapuches (“Mapu” terra e “che” gente) habitam a região centro-sul do Chile e do sudoeste da Argentina (o território original se estendia a Bolívia). Possuem um bravo histórico de luta, sua resistência contra os colonizadores espanhóis durou três séculos de batalhas!
²visão de mundo característica de quem considera o seu grupo étnico, nação ou nacionalidade socialmente mais importante do que os demais
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[CAB] Nota de solidariedade aos lutadores dos EUA e em especial à IWW

A Coordenação Anarquista Brasileira (CAB) manifesta seu repúdio e indignação contra o atentado fascista que deixou 1 pessoa morta e mais de 20 feridos em Charlottesville, EUA. O atentado é produto do ódio fascista e de direita que vem sendo aprofundado desde a eleição de Donald Trump. A ação dos supremacistas brancos, racistas, assumidamente fascistas são sempre que possível, suavizadas ou encobertas pelos governos liberais, o sistema judicial e seus meios de comunicação. Que todos/as saibam que as ideias fascistas que inspiram os supremacistas nos EUA, também começam a inspirar outras iniciativas similares no Brasil.

Um motorista que participava da manifestação “Unir a Direita” atropelou os/as manifestantes anti-fascistas e matou um membro da Industrial Workers of the World (IWW). Declaramos nossa solidariedade à todos/a os/a militantes que foram atingidos e em especial à IWW.

Não esqueçamos também dos ataques supremacistas cotidianos que ocorrem nas periferias e favelas do Brasil perpetrados pelas forças
militares do Estado.

Que nossos mortos não tenham nenhum minuto de silêncio, mas toda uma vida de luta.

Destruir a supremacia branca!
Destruir o racismo!
Esmagar o capitalismo!
Fascistas, racistas, não passarão!

Coordenação Anarquista Brasileira (CAB)

[CQM] Criminalizar a combatividade: isso sim é fazer o jogo da direita

Em um artigo de opinião publicado em 02 de dezembro no site oficial da Insurgência, corrente interna do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), o militante Eduardo d’Albergaria apresenta uma análise sobre os acontecimentos do dia 29 de novembro, quando o Senado Federal aprovou, em primeira votação, a Proposta de Ementa Constitucional nº 55 (antiga PEC 241, que congela em 20 anos os investimentos em serviços públicos) por 61 votos a 14 enquanto do lado de fora da Casa se estabelecia um cenário de guerra entre manifestantes de todo o Brasil e as polícias da capital.

A análise se configura em uma crítica à atuação do chamado Black Bloc não apenas nesse ato em específico e sim, de forma generalizada, no Brasil, sendo motivada por um recente retorno da prática de desqualificação e criminalização de ações mais radicalizadas por parte de determinados setores que reivindicam a luta das massas. Essa prática volta à tona no momento em que a tática Black Bloc torna a ganhar expressão no cenário de mobilizações nacional contra o processo de medidas anti-povo acelerado por Michel Temer, mas já vinha acontecendo desde o levante de junho de 2013 e, com força ainda maior, durante as manifestações contra a Copa do Mundo de 2014. Durante esse período, tais setores da esquerda – principalmente ligados ao petismo – fizeram coro uníssono com a direita contra a juventude combativa que tomava as ruas convicta de sua luta e autonomia e inovando em táticas, reforçaram a narrativa reacionária que distingue manifestantes de “mascarados” e inclusive chegaram a confrontar e entregar manifestantes para a polícia, atuando como a P2 do próprio movimento.

O texto apresenta diversas falhas de leitura sobre os fatos que sucederam no dia 29 de novembro, algumas mais “inofensivas” como ao comemorar uma suposta baixa adesão de (ex)governistas ao ato quando a presença desses setores e o papel cumprido por eles de recuar a manifestação foram nítidos, ou então ao apontar o número de “mascarados” entre 50 e 100. Outras falhas, porém, são mais sérias e não podem ser vistas como mero descuido: o artigo literalmente responsabiliza as ações dos adeptos da tática pela truculência policial, como se a força policial que mais mata no mundo fosse incapaz de atacar uma manifestação pacífica e como se qualquer manifestação que incomodasse minimamente aqueles que terão seus interesses protegidos pela PEC 55 não seria reprimida pelo braço armado do Estado que só governa para os de cima.

O Black Bloc é uma tática essencialmente de defesa das manifestações e seus adeptos se utilizam de diversos materiais para evitar danos maiores aos manifestantes. Então, ao invés de alegar que não haveria repressão policial caso não houvesse ação dos Black Blocs em Brasília, por que não se perguntar como seria a repressão policial caso não houvesse resistência em Brasília? O confronto não teria durado horas, a manifestação teria dispersado logo no início e todo mundo voltaria para suas cidades (e só com muito cinismo com a sensação de dever cumprido). Como seria o massacre de 29 de abril em Curitiba se não houvesse “mascarados” com seus escudos a frente da manifestação para que uma quantidade menor de bombas e balas de borracha atingissem os presentes, chutando as bombas de volta para a polícia, carregando os feridos para longe do confronto e ajudando-os, distribuindo materiais que amenizam o efeito das bombas, etc.?

É de extrema irresponsabilidade colocar a polícia e o Black Bloc como atores de um mesmo papel que protagonizou as imagens que a mídia burguesa precisava para desmoralizar a manifestação, esvaziando todo o debate político que ela deveria trazer. Assim como o empresariado, banqueiros, grandes proprietários de terras e caciques políticos, os detentores dos meios de comunicação da grande mídia fazem parte de um pequeno grupo que trabalha para manter seu poder e privilégios. A maior parte da população será prejudicada pela PEC 55, mas se informa principalmente através destes veículos de comunicação e não está consciente disso – não porque um grupo de manifestantes quebrou algumas vidraças e a mídia foi obrigada a retratar isso de forma negativa, mas sim porque a imprensa promove cotidianamente propaganda favorável à PEC 55 e a qualquer outra medida que continuará privilegiando os velhos privilegiados enquanto ataca a nossa classe.

Agora, se a mídia “alternativa” (que de independente não tem nada) reproduz o mesmo discurso que criminaliza as ações mais radicalizadas – como os Jornalistas Livres que insinuaram que os jovens que estavam no front em Brasília eram infiltrados – se faz necessário analisar as coisas com muito mais cautela do que simplesmente comprar e reproduzir esse discurso. É curioso notar que, logo após o impeachment de Dilma e as primeiras movimentações pelo “Fora Temer”, essas ações, mesmo que desordenadas, foram recebidas de forma até mesmo amigável pelas organizações e mídias com maior proximidade com o governo que acabara de ser deposto. A partir do momento que esses setores percebem que não podem parar essa juventude no canetaço e acordaço com os patrões como fazem com as greves de seus sindicatos aparelhados ou que não podem organizar esses jovens em suas fileiras por rejeitarem a representatividade e a verticalidade que são tudo o que essas organizações têm a oferecer, o discurso muda. Aqueles que, por sua coragem, disposição e desbravamento, são várias vezes convidados a contribuírem para o movimento, agora são inimigos e devem ser combatidos – no discurso ou não.

O artigo aponta ainda para uma suposta despolitização e desorganização dos adeptos da tática Black Bloc, coisas que eles não podem provar pura e simplesmente por falta de contato. Desconsideram esse setor, em sua maioria da juventude periférica, que vai às ruas ardendo pela transformação social e está aprendendo, a partir da prática, a importância da organização popular cotidiana. Estas pessoas não reconhecem nas velhas formas um campo fértil para sua atuação, o que não quer dizer que não possam avançar no processo crítico para uma construção coletiva mais efetiva.

É muita ingenuidade ou falta de autocrítica afirmar que apenas a violência nos protestos afasta as massas da luta. O povo que ainda não se organiza e vai às ruas também rejeita boa parte das bandeiras, organizações e partidos que compõe os atos. O PT e a esquerda institucional têm responsabilidade nessa rejeição, mas a grande culpada é a mídia burguesa que cumpre o seu papel de fazer com que a população tenha aversão à organização e luta populares, pois é isso que dá as condições de libertar a classe trabalhadora de sua condição de explorada.

É claro que o Black Bloc enquanto tática utilizada pelos movimentos sociais tem muitas limitações e nunca foi intenção de seus adeptos derrubar sozinhos a PEC. Nós entendemos que apenas a organização de base nos diferentes locais de estudo, trabalho e moradia e outros que torna possível acumular força suficiente para barrar esses ataques. Não existem atalhos para reverter décadas de despolitização e burocratização nos movimentos, e para isso é preciso trabalhar junto ao povo desde já. No entanto, é necessário superar essa falsa distinção entre ação direta e trabalho de base, porque as duas coisas são perfeitamente possíveis e complementares. Conforme os movimentos sociais se fortalecem, devemos avançar no planejamento estratégico e nas instâncias de democracia direta para aplicar força da maneira mais eficiente no alcance de nossos objetivos. A radicalidade leva acúmulos históricos para o movimento. Nesse sentido, sendo a tática Black Bloc bastante recente no Brasil, entendemos como perfeitamente natural que haja problemas de organização e que a atuação até o momento não seja a ideal, mas a crítica que tem sido feita não vai ao sentido de aperfeiçoá-la, mas sim de criminalizar e silenciar toda expressão de combatividade.

O ponto mais preocupante que o texto levanta é a afirmação de que a lógica do enfrentamento seria “macho-centrada” e, portanto, afastaria mulheres e LGBT’s. Além de desconsiderar a realidade de movimentos como o Zapatista do México, a Revolução Curda no Oriente Médio e o papel fundamental das mulheres na Revolução Espanhola, o autor também demonstra desconhecimento sobre as raízes do próprio Black Bloc. Vale lembrar que LGBT’s também protagonizaram levantes extremamente radicais contra a perseguição institucionalizada pelo Estado. O que teria sido Stonewall (nos EUA), se não uma demonstração de força do movimento LGBT contra a violência policial? É impossível negar a contribuição daquela rebelião para a luta e organização pelos direitos desse setor oprimido da sociedade. LGBT’s e mulheres cerraram fileiras e resistiram nas barricadas em Brasília e em outras lutas ao redor do mundo. Enfrentamento é coisa de mulher sim e reivindicar fragilidade e incapacidade de se autodefender é que é machista e LGBTfóbico!

A desinformação acerca da tática Black Bloc propagada por esse campo da esquerda volta a se estabelecer, mas é preciso tomar cuidado para que ela não ganhe espaço e assuma uma face ainda mais perigosa e reacionária: da criminalização posta em prática e não apenas em discurso, como algumas organizações já se demonstraram capazes de fazer. É necessário combater o quinta-colunismo e esvaziar seu discurso, nos afastar do purismo tático e debater para longe do oportunismo toda ação autônoma e combativa.

Seguir organizando a revolta popular com independência de classe e de forma autônoma a disputa do Estado, pela força das ruas!

[CURITIBA] CineDebate – Requiem for the American Dream, Noam Chomsky (próximo sábado)

No próximo sábado, 02 de julho, o Coletivo Anarquista Luta de Classe irá coordenar um cinedebate sobre o documentário “Requiem for the American Dream” de Noam Chomsky, na Livraria Cerejeira.

Evento no Facebook:                                                                      https://www.facebook.com/events/1602935633369906/

Quando: Sábado, 02 de Julho, 17:00.
Onde: Livraria Cerejeira. Rua Duque de Caxias, 119 – esquina com Treze de Maio, São Francisco, Curitiba.

Sinopse: “Com uma série de entrevistas com um dos maiores intelectuais vivos, Noam Chomsky, o documentário questiona a concentração de riquezas por um grupo seleto de pessoas, revisitando o ideial do American Dream. Durante quatro anos de conversas, Chomsky faz um panorama histórico e político da desigualdade que destina a favorecer os mais ricos em detrimento da maioria.”
Retirado de: http://www.adorocinema.com/filmes/filme-236537/

requiem-for-the-american-dream

[Rusga Libertária] SACCO E VANZETTI, PRESENTES!

Retirado de: https://rusgalibertaria.wordpress.com/2015/08/24/sacco-e-vanzetti-presentes/

saccoevanzetti

No dia 23 de agosto de 1927, Nicola Sacco e Bartolomeo Vanzetti eram executados pelo Estado opressor e assassino dos Estados Unidos da América. A execução ocorrera sete anos após a prisão, sete anos de torturas e injustiças. Imigrantes italianos, os dois se conheceram nos círculos anarquistas ítalo-americanos, dedicando-se à luta por melhores salários e condições dignas de trabalho. Sacco e Vanzetti atuavam com afinco, participando de greves, manifestações, comícios; razão pela qual logo tiveram seus nomes inseridos nas fichas policiais. Em 20 de maio de 1920, os dois são presos pouco antes de um comício anarquista; a acusação era de que teriam assaltado uma empresa na região de Boston, bem como assassinado dois homens da mesma empresa. O Estado montou, então, um processo criminal absurdo e sem provas, mantendo a acusação mesmo quando um outro preso confessara a autoria dos assassinatos. Os sete anos de prisão também foram marcados por uma intensa campanha em defesa da libertação de Sacco e Vanzetti. Contudo, o Estado foi implacável e usou a condenação como punição e “exemplo” para os demais trabalhadores do país. Um processo tão frágil juridicamente apenas mostrou o real motivo da perseguição, como o próprio Vanzetti declarou em carta ao filho de Sacco: se nos executarmos será “porque éramos pelos pobres e contra a exploração e opressão do homem”, por ser Anarquista.

O assassinato de Sacco e Vanzetti nos remete a um outro processo forjado para liquidar anarquistas no Estados Unidos, a execução dos mártires de Chicago. Como apontava Lucy Parsons, o Estado, “”a imprensa capitalista”, o “púlpito”, a polícia, um júri lotado, e “juízes preconceituosos” agiram conjuntamente para executar líderes anarquistas de Chicago” (citado em Quem é Lucy Parsons, de Casey Willams). Também nesse caso, foi montado todo um processo sem provas concretas para culminar em assassinato judicial. Assim como esses exemplos, muitos outros marcaram a história de diversos anarquistas pelo mundo. O Estado sempre criou esses casos como formas de aniquilar nossa ideologia e instaurar o medo, tratando anarquistas como terroristas, impondo uma visão que serve para a manutenção do estado de exploração e desigualdades.

Para além da história de luta e coragem, rememorar Sacco e Vanzetti, nesse 23 de agosto de 2015, 88 anos depois, nos leva a uma reflexão sobre nosso próprio tempo. Ainda vivenciamos uma série de perseguições e caça a anarquistas. São inúmeras as prisões e perseguições a anarquistas pelo mundo; pela estrutura judiciária do Estado, esses presos nunca serão compreendidos como presos políticos, cabendo a nós mostrarmos e defendermos essa perspectiva. Ainda hoje, enfrentamos uma forte criminalização do anarquismo, criminalização que se dá por parte do Estado, da direita e, inclusive, por certa parcela da própria esquerda.

No Brasil, desde 2013, o anarquismo voltou a ser posto em foco. A caça e a criminalização dos Black Bloc passaram pela avaliação de serem vistos como anarquistas. As jornadas de junho / julho, as mobilizações durante a Copa, as diversas greves mais combativas e as movimentações nas favelas, reabriram uma velha ferida silenciada e escondida pelo Estado; a de que o Estado tem por princípio a caça, a perseguição e a repressão de qualquer embrião de levante ou ameaça à sua estrutura. Não foram à toa as invasões às sedes anarquistas, a criminalização pela mídia, as prisões. A reformulação do Plano de Segurança Nacional, apontando manifestantes como terroristas, e o projeto de lei que busca proibir o fechamento de vias públicas por protestos marcam, mais uma vez, a posição do Estado como opressão e repressão. Representam um sério risco para o travamento da luta, além maiores dificuldades de organização e mobilização. Não temos dúvidas de que tais leis abrirão brechas para, novamente, prenderem e acusarem anarquistas como terroristas.

Se somos taxados de sonhadores, românticos, utópicos, pessoas que acreditam em algo que não pode ser colocado em prática, por que nos caçam tanto? Por que tantas perseguições, tanto alarde por conta de qualquer movimento dos anarquistas? Para nós, só podemos responder que o Estado compreende que questionamos e ameaçamos sua estrutura, que queremos a destruição do Estado e do sistema que explora. Mais do que isso, compreendem que sobrevivemos ao tempo, mesmo sendo perseguidos, presos, assassinados; compreendem que nos organizamos e veem que temos força para a luta e que nossa luta é, realmente, com os de baixo.

Sacco e Vanzetti representam a força e a coragem anarquistas; e sua história mostra como o Estado age, significando uma aprendizagem para nós anarquistas ainda hoje. Que essa história esteja sempre viva e seja as sementes de nossa coragem e garra para a luta!

Nicola Sacco e Bartomeo Vanzetti, Presentes Presentes Presentes!

Se siente, se escucha, arriba los que luchan!

[fAu] El ajuste que se viene… – Espanhol

Retirado de: http://federacionanarquistauruguaya.com.uy/2015/09/24/3126/

CARTA OPINIÓN FAU SETIEMBRE 2015

El ajuste que se viene…

Los vaticinios de un nuevo ajuste tienen sustento tanto en la política presupuestal como en la salarial para los trabajadores de la actividad privada. Mientras en los Consejos de Salarios no habrá prácticamente aumento del salario real para nadie (a lo sumo recuperación del IPC y por lo general pérdida de salario), a nivel de los trabajadores del Estado la cosa no va mejor: un presupuesto que casi no incrementa ningún rubro, ni salario ni inversiones. Por tanto, la infraestructura de la salud, la educación y la inversión en vivienda continuarán en los lamentables nivel actuales o incluso se ajustarán.

Desde el gobierno en su conjunto viene augurando tiempos difíciles… Pero no plantean políticas contra-cíclicas ni invertir en las necesidades populares. Sin embargo, las empresas multinacionales siguen sin pagar un peso de impuestos, se embolsan y sacan del país las ganancias e incluso grandes negociados como la absorción de cadenas de supermercados no pagan un vintén a las arcas públicas.

Los dueños del país siguen ganando millones: veamos solamente datos de las exportaciones: Barraca Erro (granos) U$S 264 millones 638 mil dólares, Cereoil (multinacional de granos) U$$ 243 millones, Compañía Forestal Oriental  (celulosa) U$S 228 millones, Conaprole U$S 510 millones aproximadamente, según datos del año 2014. Estas grandes empresas son las que nos están robando. Ahí están el dinero para el salario, la vivienda, la salud, la educación. Allí está el dinero que todos generamos y sólo disfrutan los de arriba. Y no se plantea desde el gobierno tocar nada de esto: ni un sólo impuesto más para los burgueses, pero el boleto sube casi un 10%, la carestía es imparable por más acuerdo de precios que hagan…

La esencialidad

Semejante política a gusto de los patrones tiene su claro correlato con la declaración de esencialidad que sufrieron los trabajadores de la enseñanza en huelga. Fue tan grande la resistencia y movilización generadas que el decreto tuvieron que guardárselo, no lo pudieron aplicar, pero quedaron en evidencia sus instintos antipopulares, su odio a los que luchan, mientras desayunan y almuerzan con el empresariado más rancio y los políticos de derecha le golpean la espalda en señal de complacencia por las medidas adoptadas.

Una medida netamente represiva, que nos retrotrae al Pachecato y la Dictadura, que no es un error político ni una burrada. ¿or qué no?  Porque la situación económica se viene complicando: han cerrado decenas de fábricas y miles de trabajadores han quedado en la calle, otros miles están en el seguro de paro, el desempleo aumenta levemente pero la tendencia va a ser constante, aumenta la represión en los barrio;, por tanto,  la situación social va a ponerse más tensa y desde arriba están preparando el garrote. Esta esencialidad tiene varias finalidades:

1) instalar miedo y derrotar la huelga de la Enseñanza, lo cual no han podido.

2) instalar el tema de la esencialidad y cuestionar el derecho de huelga

3)generar clima de que la situación social- política se puede “picar”.

La esencialidad no la pudieron aplicar pero ha quedado planteada la modalidad del gobierno para atender los conflictos. ¿Volverán a insistir con este tipo de medidas? Parece ser que frente al ajuste y la lucha por obtener mayores salarios, mejores condiciones de trabajo y de vida que los de abajo desplegaremos en este período, el gobierno tiene preparado el garrote… Sino pregúntele a los trabajadores de Salud Pública que fueron desalojados por la fuerza de choque.

Represión y hambre…    

La política del período va a estar signada por una fuerte apuesta represiva. El mayor incremento presupuestal será el del Ministerio del Interior, principalmente Guardia Republicana, mientras se niegan recursos para la salud, educación y vivienda.Por si fuera poco, este gobierno aplicará una Reforma Educativa similar a la liderada por Germán Rama en 1996 bajo gobierno de Sanguinetti.

No se avizora la creación de nuevos puestos de trabajo ni inversión en desarrollo industrial. Un país sumido en la dependencia económica donde se incrementan los despidos y los envíos al seguro de paro. ¿No habían prometido un “giro a la izquierda” y ” no volver a los ’90″? Los de arriba vienen por más. Están sedientos de riquezas y quieren despojar a los de abajo de lo poco que hemos conquistado con esfuerzo de nuestra lucha. Eso es el ajuste.

Una política para los de abajo: Resistencia y Solidaridad 

La huelga de la enseñanza nos ha dejado múltiples lecciones: ocupaciones de centros de estudio en los barrios, tejiendo lazos solidarios con trabajadores, vecinos, organizaciones sociales, coordinaciones entre sindicatos, ha amplificado este lucha y la ha rodeado de solidaridad popular. La movilización del 27 de agosto reunió 50 mil personas, la movilización más grande en el marco de un conflicto de la historia del país. Huelga y paros de varios sindicatos cuyos trabajadores se han dignificado y que enseñan quiénes son los enemigos y quiénes los amigos, los compañeros de lucha. La experiencia habla a las claras y ubica a cada cual en su lugar. Nada más aleccionador que una huelga para definir quiénes son los que juegan a la contención en el movimiento popular haciéndole los mandados al gobierno y a los patrones. Y quienes estamos para impulsar la lucha a fondo por objetivos precisos y claros, avanzando hacia nuevos horizontes.

Es desde los barrios, desde los centros de estudio y trabajo donde se construye Solidaridad, tal cual han demostrado los estudiantes ocupando varios liceos y aportando su esfuerzo en esta lucha que también los ha tenido como protagonistas. Rodeando los conflictos, dando una mano en lo que se precise para potencia la lucha y que ésta triunfe, es allí donde nos venimos encontrando un conjunto de compañeros, construyendo Resistencia, construyendo espacios para coordinar luchas y esperanzas.

La salida es desde abajo y con lucha

Ya ha quedado demostrado que no existe “giro a la izquierda”, que por Parlamentos, gobiernos y elecciones no hay caminos que conduzcan siquiera a mejoras reales para los de abajo, menos a la emancipación. Una sociedad distinta no se construye con esa herramientas que sólo sirven a la burguesía, porque son sus herramientas. Construir una sociedad distinta es un arduo proceso que necesita de la forja de un pueblo fuerte, asentado en organizaciones sociales firmes, clasistas, con independencia de clase, con fuerte protagonismo popular y democracia directa. Generar los espacios de Resistencia y Solidaridad que permitan ir reconstruyendo los lazos entre los de abajo, entre los que sufrimos este inmundo sistema a diario para avanzar en conquistas, en el fortalecimiento de los organismos populares de base, gestores de un mundo nuevo.

Es necesario la construcción de una corriente dentro del movimiento popular que empuje las luchas, que las tome como propias y brinde esa Solidaridad para que lucha sea un fueguito que encienda un mañana distinto.  No es con grandes discursos ni deliberaciones intelectuales que llegará el Socialismo, será sí con mucho esfuerzo, con mucho tesón, con mucha lucha. Es por ello que los anarquista de FAU ponemos nuestro empeño en la construcción de un espacio de Resistencia, que aúne las luchas y las hermane en un solo puño.

MANO TENDIDA AL COMPAÑERO, PUÑO CERRADO AL ENEMIGO

A COSNTRUIR PODER POPULAR!!!

ARRIBA LOS QUE LUCHAN!!

FEDERACIÓN ANARQUISTA URUGUAYA

LOS POBRES QUE EL CAPITALISMO GENERA SE AGOLPAN A LAS PUERTAS DE EUROPA

Inhumanas y crueles son las imágenes que llegan desde Europa: barcos pequeños cargados hasta más no poder de gente, naufragios y muerte en el agua incluso de niños, miles que se agolpan en las fronteras de varios países europeos intentando pasar como se pueda, mercaderes que lucran con la vida humana y el tráfico, miseria y más miseria. Una miseria no casual, ni generada por Dios ni la ignorancia, sino por el Capitalismo, por este sistema inmundo en el que vivimos y por el cual se desarrollan guerras e invasiones a países de Oriente Medio y África por parte de las potencias mundiales, Estados Unidos y Europa.

El control de recursos vitales para las multinacionales, intereses geopolíticos, intentos de desestabilización, varios son los objetivos que mueven a las potencias a intervenir en zonas extremadamente pobres del planeta…para empobrecerlas más. En definitiva, profundizar el sistema, aumentar el despojo, enriquecer a la minoría de ultra ricos, esos objetivos son los que están llevando a cabo los países imperialistas.

Los medios nos informan que “46 países del África subsahariana tienen 767 millones de habitantes; entre ellos, 148 de cada mil nacidos no llegan a cumplir los cinco años, el  45 por ciento de la población no tiene acceso a agua potable, el 63 por ciento no tiene cloacas ni acceso a saneamiento básico, el 32 por ciento está desnutrido, la prevalencia media del SIDA entre jóvenes de entre 14 y 24 años es del cinco por ciento y el 38 por ciento de la población adulta es analfabeta. Entre los más pobres de esta lista de países pobres, están Somalia y Eritrea en guerra interna permanente –Somalía desde hace más de veinte años–, entre señores de la guerra y dictadores armados hasta los dientes con armas de última tecnología. La mayoría de estos países soportan enormes deudas externas que ahogan a sus economías, en muchos casos saqueadas por mineras y trust europeos. Para completar el escenario, el Congo, Liberia, Mali, Sierra Leona, Guinea, Nigeria y Senegal fueron afectados por el virus del Ébola que produjo decenas de miles de muertos. Países africanos como Libia, Congo, Nigeria o Mali soportan guerras internas con grupos armados de fanáticos religiosos financiados por los Emiratos, Arabia Saudita u otras potencias o como en Libia que fue invadida y desestabilizada por una invasión de tropas europeas. Y lo mismo sucede con las guerras en Afganistán, Irak, Siria y Yemen.

De allí provienen las grandes oleadas de migrantes y refugiados que atraviesan montañas, desiertos y mares en condiciones elementales. El 65 por ciento de las personas que han llegado este año a Europa a través del Mediterráneo proviene el 43 por ciento de Siria, el 12 por ciento de Afganistán y el 10 por ciento de Eritrea. El resto se completa con los demás territorios de la lista. Son sociedades cuyas economías han sido arrasadas por abusos y guerras…”

Son millones de personas escapando del horror de la guerra, del hambre, de las persecuciones. Nada muy diferente a nuestros antepasados, que vinieron desde Europa escapando de los mismos problemas. Estos inmigrantes serán mano de obra barata de las empresas europeas, tal cual han señalado las Cámaras Empresariales y el gobierno alemán. De allí la apertura que ha tenido ese país, no fue puro humanitarismo. En cambio Hungría, un país donde gobierna la extrema derecha, crecen las posiciones xenófobas y fascistas, donde incluso están alambrando las fronteras. Por el contrario, los pueblos solidarios han abierto los brazos a la llegada de estos condenados de la tierra y han acogido a los inmigrantes -refugiados. Una Europa que se empobrece cada vez más, donde se quiebra la homogeneidad cultural occidental, una nueva Europa donde las luchas populares van adquiriendo nuevos contornos, nuevas formas y motivos.

Una historia que se repite y una misma lucha que hermana pueblos, en todas partes del mundo la lucha contra la opresión, el hambre, contra este sistema genocida es una lucha que debe convocar al esfuerzo de todos. Aportar para aplacar el sufrimiento humano, pero sobre todo para terminar definitivamente con él y sus causas, que están en la desigualdad, en la acumulación de riquezas, en la propiedad privada, en el poder concentrado en pocas manos… Una lucha que nos convoca a lo largo y ancho del mundo, y que adquiere sus particularidades en cada lugar, en Kurdistán, en África, en Europa, en Uruguay, pero que es la misma: una lucha por el Socialismo y por la Libertad.

ARRIBA LOS QUE LUCHAN!!

FAU

[FARJ] Libera #165

Retirado de:  https://anarquismorj.wordpress.com/2015/09/09/libera-165/

Está disponível o mais recente número do Libera, de número 165. Nesta edição, o editorial traz um texto recentemente publicado em nosso endereço eletrônico com o título “O que restou de Junho – Uma reflexão sobre o pós-2013“. Além disso, há trechos de “Entre Camponeses” do militante anarquista italiano Errico Malatesta, XII Congresso da organização francesa Alternative Libertaire, Solidariedade à Sâmia Bonfim, duas traduções de textos da organização anarquista dos Estados Unidos Black Rose Anarchist Federation sobre a Revolução em curso em Rojava e o ataque do Estado Islâmico à militantes que estão lá, relato de atividade sobre o caso do Rafael Braga, palestra sobre a situação curda realizada em Campos, além de poesia e outras coisas.

Você pode conseguir o Libera fisicamente com nossos militantes e apoiadores e na Biblioteca Social Fábio Luz. Caso deseje receber um número grande para distribuir, entre em contato conosco.

O Libera #164 pode ser baixado clicando na figura abaixo ou aqui.

libera-1652

[Rusga Libertária] Memória do assassinato de Nicola Sacco e Bartolomeo Vanzetti – 88 anos do assassinato cometido pelo Estado Xenofóbico, Capitalista e Opressor!

Retirado de:  https://www.facebook.com/RusgaLibertariaRL/photos/a.295628697234842.1073741828.295624600568585/734965853301122/?type=1&theater

Iniciando a memória do assassinato de Nicola Sacco e Bartolomeo Vanzetti – 88 anos do assassinato cometido pelo Estado Xenofóbico, Capitalista e Opressor!

Viva a Anarquia!

A carta de um condenado
Nicola Sacco…

21 de agosto de 1927.

Da Casa da Morte na prisão de Massachusetts.

Meu caro Dante:

Ainda espero, e combateremos até o último momento, reivindicando o nosso direito de vida e de liberdade, mas todas as forças do Estado e do dinheiro e reação são implacavelmente contra nós, porque somos libertários ou anarquistas.

Escrevo pouco a respeito disto porque és ainda muito criança para compreender estas e outras coisas sobre as quais eu gostaria de conversar contigo.

Mas hás de crescer e compreender o caso meu e de teu pai, os princípios meus e de teu pai, princípios pelos quais nos vão matar dentro em pouco.

Digo-te agora que, por tudo que sei de teu pai, ele não é criminoso, mas um dos homens mais direitos que já conheci. Um dia compreenderás o que te estou dizendo. Que teu pai sacrificou tudo o que há de mais caro e sagrado ao coração e à alma humana pela justiça e liberdade de todos. Nesse dia terás orgulho de teu pai, e se fores bastante corajoso, tomarás o seu lugar na luta entre a tirania e a liberdade e vingarás o seu (os nossos) nomes e o nosso sangue.

Se de fato morreremos agora, saberás um dia, quando te tornares capaz de compreender esta tragédia em toda a sua extensão, como teu pai foi bom e corajoso contigo, teu pai e eu, durante estes oito anos de luta, tristeza, angústia e aflição.

Desde este instante mesmo serás bom e corajoso com tua mãe, com Inês (irmã de Dante) e com Susie (amiga da senhora Sacco, com quem ela e seus filhos viviam nos últimos anos do caso) – e farás tudo para as consolar e ajudar.

Gostaria também que te lembrasses de mim como camarada e amigo de teu pai, de tua mãe, de Inês, de Susie e de ti, e te afianço que também não sou um criminoso, que não cometi nenhum roubo nem morte, mas apenas combati modestamente para abolir os crimes entre os homens e para defender a liberdade de todos.

Sabe, Dante, que quem disser o contrário de teu pai e de mim, é um mentiroso a insultar dois mortos inocentes que viveram como homens de bem. Sabe também, Dante, que, se teu pai e eu tivéssemos sido covardes e hipócritas e renegadores de nossa fé, nos teríamos salvado. Não se condenaria nem mesmo um cão leproso, não se executaria nem mesmo o escorpião mais venenoso com fundamento nas provas que forjaram contra nós. Conceder-se-ia novo julgamento a um matricida e criminoso relapso, se apresentasse recurso como o que apresentamos para obter novo julgamento.

Lembra-te, Dante, lembra-te sempre disto; não somos criminosos; forjaram uma traça para condenar-nos; negaram-nos um novo julgamento; e se formos executados depois de sete anos, quatro meses e dezessete dias de indizíveis torturas e injustiças, será pelo que já te disse; porque éramos pelos pobres e contra a exploração e opressão do homem.
…………………………………………………………………………………………………………………………..
Dia virá em que compreenderás a causa atroz das palavras acima escritas, em toda a sua extensão. Então nos honrarás.
Sê sempre bom e corajoso. Dante. Abraço-te.

Bartolomeo Vanzetti

[FARJ] Pelo fim de toda polícia!

Retirado de:  https://www.facebook.com/anarquismorj/photos/a.163241370531736.1073741826.161858530670020/409333189255885/?type=1&theater

Os Estados Unidos têm vivido nos últimos anos um acirramento nas tensões raciais, especialmente pelos casos constantes de violência policial envolvendo mortes contra negros e negras. Para vermos quão grave é a situação aqui no Brasil da violência policial, fizemos um pequeno levantamento envolvendo as mortes provocadas pela polícia no brasil e nos EUA.

Segundo estatísticas divulgadas mensalmente pela Secretária de Segurança Pública do Estado de São Paulo e do Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro, a Polícia Militar dos dois Estados juntas matou até junho deste ano 690 pessoas (autos de resistência). Considerando a média nos seis primeiros meses do ano, podemos estimar pra julho um total de 805 pessoas mortas pela PM nesses dois Estados de janeiro até julho de 2015. Considerando a população somada dos dois Estados de 60.985.895 pessoas, a PM matou em média 1,32 pessoas a cada 100 mil habitantes em 2015.

O jornal norte-americano The Guardian possui um projeto chamado The Counted onde mantém a conta de quantas pessoas a polícia norte-americana matou, considerando todos os níveis de polícia (Federal, Estadual, Municipal etc.) e somando todos os Estados. Segundo eles, a polícia de lá matou até hoje 690 pessoas em 2015. Considerando a população dos Estados Unidos de 321.362.789, a polícia norte-americana matou em média 0,215 pessoas a cada 100 mil habitantes.

Isso significa que, em média, a PM dos Estados do Rio de Janeiro e São Paulo matam 6,14 mais que a polícia dos Estados Unidos. Além disso, considerando somente a PM desses dois Estados, ela matou mais pessoas em 2015 do que todos os níveis de polícia norte-americana e somando todos os Estados.

Com isso, não queremos dizer que a polícia de lá é melhor ou “mais preparada” do que a da aqui, porque sabemos que a polícia é PREPARADA para fazer exatamente o que ela faz (e com ela não há diálogo possível ou disputa de consciência): reprimir a população pobre .

Estamos tentnado mostrar apenas o quão grave é a situação que estamos vivendo no Brasil, em especial a de negros/negras e moradores e moradoras de favela.

Pelo fim de toda polícia!
Tem que acabar!

Fontes: São Paulo – http://www.ssp.sp.gov.br/; Rio de Janeiro – http://www.isp.rj.gov.br/; The Counted (Guardian) – http://www.theguardian.com/us-news/ng-interactive/2015/jun/01/the-counted-police-killings-us-database

[RL] Quem é Lucy Parsons?

Retirado de: https://www.facebook.com/RusgaLibertariaRL/photos/a.295628697234842.1073741828.295624600568585/727407614056946/?type=1&fref=nf

Estamos dando início na divulgação da cartilha, a primeira de duas programadas para lançamento, que estamos pra lançar.
essa primeira é em cima da tradução que realizamos recentemente, mas deixemos pela própria apresentação falar um pouco mais… Aguardem maiores informações!

Apresentação Rusga Libertária
O texto que disponibilizamos nesta cartilha é uma tradução, realizada coletivamente, do inglês para o português. O artigo foi escrito por Casey Williams e aborda um pouco da vida da anarquista estadunidense Lucy Parsons, a partir da discussão em torno da apropriação que, muitas vezes, se faz de sua biografia. Em primeiro lugar, nosso objetivo é publicizar material sobre Lucy, já que existem poucas publicações em língua portuguesa que tratem dessa importante militante; em segundo, a escolha desse artigo baseia-se no caráter abrangente das informações que ele nos traz, passando por acontecimentos de sua vida, questões discutidas a respeito de seu envolvimento nas diversas lutas de seu momento histórico, além da tentativa de uso do seu nome por conveniência acadêmica ou politiqueira.

Para nós anarquistas, manter viva a memória das/os muitas/os que lutaram no decorrer da história é uma tarefa sempre necessária, dado o fato de que o apagamento de nossas participações nesse curso não é raro. Quando se trata de uma militante mulher, sabemos que esse apagamento é ainda mais feroz. E é por isso que cabe a nós relembrar mulheres como Louise Michel ou Lucy Parsons, ou tantas outras cujas histórias estão por aí nos cantos da História oficial; empurradas para debaixo do tapete pelos que contam a história da ótica do Estado, do patriarcado, do sistema e sua ideologia. Cabe a nós sacudirmos a poeira deixada sobre a participação dessas mulheres e mostrarmos que suas vozes se fizeram ouvir em suas épocas; que suas vidas, construídas com protagonismo de suas lutas, estiveram contadas nas entrelinhas oficiais, mas podem ser conhecidas pelos esforços daqueles que se dedicam ou dedicaram a mantê-las vivas.