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[FARJ] Parabéns a FARJ! 12 anos de luta!

Retirado de:  https://anarquismorj.wordpress.com/2015/08/30/12anosdeluta

Parabéns a todxs que atuaram e apoiaram nestes 12 anos de construção da FARJ. Ética, compromisso e luta! Mantemos viva a chama do anarquismo no Rio de Janeiro.

O canto do tiê-sangue hoje se soma a outras vozes do território fluminense em luta, e em melodia com nossas organizações irmãs na CAB em um coral com “lxs que luchan” pelo mundo inteiro!

Saúde & Anarquia

[Tradução ao francês]

Félicitations à tous qui ont travaillé et ont combatu dans ces 12 années de construction de la FARJ. Éthique, engagement et lutte! Nous gardons vivante la flamme de l’anarchisme à Rio de Janeiro. Le chant du tie-sang aujourd’hui s’ajoute à d’autres voix au territoire fluminense en lutte, en melodie avec nous organisations sœurs dans la CAB et en choeur avec « lxs que lucham” dans le monde
entier!

Santé & Anarchie!

La Fédération Anarchiste du Rio de Janeiro (FARJ) est une organisation politique anarchiste basé à Rio de Janeiro, fondé au 30 Août de 2003 et que fait partie de la Coordination Anarchiste Brésilienne – CAB.

SAUDAÇÃO AOS 11 ANOS DA FEDERAÇÃO ANARQUISTA DO RIO DE JANEIRO

É com muito prazer e alegria que saudamos os companheiros e companheiras que constroem e construíram o anarquismo organizado no Rio de Janeiro!

O Coletivo Anarquista Luta de Classe parabeniza a Federação Anarquista do Rio de Janeiro por completar seu 11° ano no dia 30 de agosto de 2014, em mais um ano de muita luta e organização.

Cabe a nós, militantes do CALC, um agradecimento especial a nossa organização irmã por ter contribuído essencialmente para a construção atual do anarquismo especifista no Paraná. Sem o apoio e influência da FARJ não seríamos a organização que somos hoje.

Conjuntamente rumamos à criação de uma organização especifista nacional, a partir da consolidação da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB),  e vamos lutando para a construção de um povo forte!

FARJ

Viva o anarquismo organizado!

Viva a CAB!

Viva a FARJ!

Ética, compromisso e liberdade!

cab

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[FARJ] A transformação social construímos no agora – Prática política, ética e estilo militante

Retirado de: http://anarquismorj.wordpress.com/2014/01/21/a-transformacao-social-construimos-no-agora-pratica-politica-etica-e-estilo-militante/

“Para nós a importância maior não reside naquilo que se consegue, pois conseguir tudo o que queremos significaria que todos aceitassem e praticassem a anarquia, o que não será feito em um dia nem por meio de um simples ato insurrecional. O importante é o método com o qual se consegue o pouco ou o muito.”

Malatesta 

“A esquerda tradicional tem sido sectária, dogmática e tem frequentemente ignorado a realidade ao seu redor. Não acredito que os anarquistas, no geral, tenham sido muito melhores. É hora de dar o exemplo. Devemos apontar para a construção de espaços de discussão e mudar os hábitos maléficos em nosso movimento, que não contribuem com o debate e que mais entorpecem o desenvolvimento do necessário espírito crítico que o movimento revolucionário tanto necessita para fazer frente às difíceis tarefas de regeneração social que temos adiante.

José Antonio Gutiérrez Danton

Para Malatesta cada fim requer seus meios, e se lutamos por um fim diferente do sistema de dominação e exploração capitalista os meios para atingi-lo também devem ser diferentes. Nesse sentido, entendemos como ética e estilo militantes os valores que conduzem nossa prática política cotidiana, em permanente diálogo com a realidade e em coerência com nosso método e com nossa concepção de trabalho. O germe de uma sociedade mais justa, igual e livre de exploração e dominações está na maneira como atuamos no “agora”, e isso não pode ser deixado pra depois. Está na forma como nos organizamos, por meio do federalismo, da autogestão e da ação direta. Está na intenção que damos a nossas práticas e às relações nos meios social e político; com os setores populares, com outros(as) militantes e companheiros(as) e na relação entre organizações políticas. O que equivale a dizer que o estilo militante é a busca da coerência entre as práticas do(a) militante, e do conjunto da militância, com os princípios, métodos e a linha política de uma organização.

Além de definir um programa estratégico com propostas concretas de intervenção na realidade, uma organização anarquista deve buscar uma prática política consequente com um determinado estilo militante, que servirá como elemento fundamental para a construção do poder popular e da transformação social. A prática também é ferramenta de propaganda e contribui para que se forme opinião favorável à organização, uma vez que é na vivência da luta e no convívio com os(as) militantes que se constrói cumplicidade no trabalho de base e novos(as) companheiros(as) e apoiadores(as) vão se aproximar.

É importante pontuarmos que não idealizamos um ser humano perfeito, muito menos um tipo de militante infalível. Os mais diversos problemas e contradições vão estar presentes nas dinâmicas das lutas ou nos processos revolucionários, e é nos organizando para superá-los, ou reduzi-los ao máximo, que avançamos. Há inúmeros exemplos, contemporâneos ou históricos, onde a proposta anarquista contribuiu para a organização e os embates pelas demandas dos trabalhadores e trabalhadoras. Pois nossa convicção ideológica se dá pela prática, nossa teoria é para atuar na realidade e nosso programa é fruto das lutas cotidianas.

Errar e trabalhar para corrigir os erros nutre nosso aprendizado e gera acúmulo político e amadurecimento. Também é fundamental sabermos fazer a crítica fraterna ao(à) companheiro(a) quando é necessário, e termos humildade para assumir quando erramos, fazer a autocrítica e nos esforçar para mudar nossa conduta. Nada de fazer “vista grossa” ou “passar a mão na cabeça” quando se identifica um problema relativo à prática de algum(a) companheiro(a). Quando os(as) militantes e a organização se omitem de encarar estes problemas, e não os pautam nas instâncias coletivas adequadas, pode-se gerar uma “panela de pressão” que poderá minar a relação orgânica, prejudicar o trabalho de base e gerar desentendimentos que, de outra forma, poderiam ser evitados.

Assim, o exercício da crítica e do debate devem ser encarados como importantes ferramentas organizativas, postas a serviço da prática e tendo esta também como ponto de partida, seja nos níveis político ou social. Não a crítica como mero exercício intelectual, o debate pelo debate ou com o objetivo único de mudar a consciência de cada indivíduo. Pois não é simplesmente a mudança de consciência das pessoas que altera a realidade, mas é na construção de um determinado sujeito de transformação social nos processos cotidianos de luta contra o sistema de dominação e exploração. Esses sujeitos (negros, camponeses, favelados, estudantes, jovens, indígenas, mulheres etc.) vão se incorporando à organização, trazendo suas experiências e lutas.

Sabemos que o processo de identificar e mudar as práticas com que somos formatados(as) pelo sistema de opressão e dominação não é algo que ocorre da noite para o dia. Mas devemos estar atentos para não agirmos de maneira egoísta e vaidosa ou reproduzir atitudes preconceituosas, sexistas, machistas, homofóbicas ou outras formas de opressão e autoritarismos com os(as) companheiros(as). E quando isso ocorre o coletivo deve ajudar o(a) companheiro(a) a reconhecer e mudar sua conduta, mas considerando sua realidade e suas limitações, sem querer crucificá-lo(a), caricaturá-lo(a) ou exigindo dele(a) uma “pureza” impossível na vida real.

Também é importante saber motivar aquilo que o(a) militante tem de positivo, reconhecendo as diferentes potencialidades, temperamentos e singularidades. Estimular nele(a) o exercício da delegação, a iniciativa, a participação e o posicionamento nas instâncias coletivas. Saber ouvir e saber debater, mesmo diante das posições divergentes, fazendo sempre esforço para se chegar aos acordos coletivos sem fazer “cavalo de batalha”. Priorizar a construção coletiva em vez das práticas voluntaristas descoladas da estratégia, o que é diferente da capacidade de iniciativa de cada um para ajudar naquilo que for possível. Como também prezarmos pela organicidade em vez das relações e estruturas políticas informais, de caráter personalista ou paternalista, o que pode dar margem para desigualdades e manipulações políticas no interior do coletivo. Evitar o personalismo é fortalecer as estruturas coletivas e ter claros os critérios de atuação para todos(as).

Nos diferentes níveis de atuação, o(a) militante deve entender que sua prática política, além de ser o “rosto” de sua organização, é também referência para os outros, positiva ou negativamente. Por isso é importante cultivarmos o espírito de fraternidade e apoio mútuo nos espaços de trabalho, estimulando e promovendo a máxima confiança, ética e camaradagem entre os(as) companheiros(as). E, principalmente nos trabalhos sociais, não ser arrogante achando que vai levar a “verdade” ao povo, mas saber primeiro ouvi-lo e aprender com a sabedoria,  realidade e cultura populares.

Espera-se do(a) militante uma atitude atenta ao conjunto de sua organização para além de seu trabalho específico, contribuindo e buscando soluções para organizar e articular os trabalhos nos diferentes espaços em que se inserem, ajudando na construção de uma política onde os campos de luta em que atua a organização dialoguem cada vez mais. Que saiba equilibrar sua participação ao contribuir e comprometer-se tanto com as tarefas de funcionamento interno da organização quanto com as tarefas externas, relativas aos trabalhos de base. Agindo com responsabilidade e comunicar ao coletivo quando da impossibilidade de cumprir determinada tarefa. Pois ter imprevistos e problemas é normal, mas a falta de comunicação prejudica a organicidade. Por outro lado, estar sobrecarregado de tarefas também não significa que a política está avançando, mas que talvez não estejamos atuando com planejamento ou estabelecendo prioridades.

A formação é outro elemento importante, principalmente quando se pensa numa política articulada com as demais atividades internas da organização e preocupada com o acolhimento do(a) militante e dos recém ingressos junto ao trabalho de base. Complementada com uma formação teórica que vai fortalecer e qualificar a prática do(a) militante, dotando-o(a) das ferramentas necessárias para produzir e reproduzir as propostas da organização. Também, todo(a) aquele(a) que recém ingressa deve compreender que o processo não recomeça do zero naquele momento, e que ele(a) irá contribuir da melhor maneira possível para multiplicar força num processo que já vem caminhando com outros(as) companheiros(as) e que tem seus acúmulos. Todos os militantes constroem a organização mas devem saber respeitar as deliberações coletivas e atuar a partir destas.

No nível social a atuação nas bases nos ensina muitas coisas, seja em movimentos sociais do campo, da cidade, nos locais de trabalho, de estudo ou em iniciativas de resistência em favelas e periferias. Devemos contribuir para que os espaços coletivos que ajudamos a construir sejam agradáveis e estimulem a participação de todos. Uma vez que a dominação e a exploração capitalistas trabalham para afastar o povo da participação política, colocando a via eleitoral e o individualismo como referenciais, em nossos trabalhos o exercício da política e da militância não deve parecer às pessoas como algo chato ou coisa só para “profissionais”, distante de sua realidade. Uma reunião ou assembléia de base esvaziada indica que podemos estar fazendo alguma coisa errada. Um determinado estilo militante aplicado ao trabalho de base também pode estimular pedagogicamente, se proporciona condições de maior participação nos espaços de deliberação, considerando as realidades e limitações de cada um. Por exemplo, mesmo com uma modesta experiência no campo comunitário, podemos dar o testemunho de que um trabalho focado estrategicamente e com base numa relação de igualdade, respeito e estímulo à participação política teve como consequência a aproximação de pessoas em distintos níveis de participação, desde o mais pontual até o mais orgânico. Aos poucos vão se estabelecendo importantes relações de identidade com nossas propostas, sabendo valorizar as iniciativas populares de resistência e articular politicamente os trabalhos.

Ao mesmo tempo, no nível político também devemos prezar por uma ética e estilo militante nas relações com outras organizações políticas e correntes da esquerda. A atuação em espaços mais amplos e de diversidade ideológica como fóruns, campanhas e mobilizações nos colocam outros desafios. Nossas propostas não são as únicas e não vamos nem queremos estar sozinhos nos processos de luta. Para fazer frente aos poderosos e opressores muitas vezes vamos estar compondo com outros setores da esquerda construindo consenso a partir do que há de acordo comum, o que não significa abandonar nossos princípios. Seria muito cômodo compormos politicamente apenas com quem temos concordância ou afinidade ideológica, mas isso seria adotar o principismo como política de atuação, o que não faz avançar a luta nem enriquece nossas experiências.

É comum passar por situações de desacordo, divergências políticas ou falta de conduta ética por parte de indivíduos ou grupos, mas para além do denuncismo, nosso foco deve estar em divulgar e fazer avançar nossas propostas. Precisamos saber diferenciar os inimigos de classe dos adversários ideológicos. Sem isso corremos o risco de atuar como um “rolo compressor” nos espaços políticos, reduzindo-os à espaços de disputa ou de “captura” de militantes apenas.

Devemos saber encaminhar as divergências com serenidade e evitar conflitos e polêmicas desnecessárias, diferenciando as divergências de princípios daquelas de estratégia ou tática e reconhecendo os méritos alheios. Antes de ser críticos, ser autocríticos. Defendemos o anarquismo com firmeza diante de ataques e calúnias, e fazemos a luta ideológica quando preciso, mas colocando nossas posições e opiniões sem dogmatismo e contextualizando nossas críticas em vez de generalizá-las a toda uma corrente, grupo ou ideologia. Há discussões que devem ser feitas e as divergências muitas vezes vão existir, mas que se façam sem sectarismos ou dogmatismos.

Publicamente, devemos saber nos posicionar sem virulência febril, que faz parecer que estamos mais preocupados em afirmar nossas posições ou competir com outra corrente ou organização do que em nos ocuparmos dos problemas cotidianos dos(as) oprimidos(as) e explorados(as). Não se convence ou se persuade simplesmente com violência na linguagem ou falando alto. Vaidade teórica e ideológica são faces da mesma moeda. E sobretudo hoje devemos ficar mais atentos com as ferramentas de comunicação virtual e as redes sociais, que por sua própria característica de funcionamento, acabam facilitando e estimulando esse tipo de prática nociva.

Desse modo, ética e estilo militantes não são entendidos por nós como dogmas, mas como concepções de trabalho a serem encarnadas em nossas práticas políticas e, dessa forma, buscam atuar as organizações da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB). E nossa militância nos setores de luta do campo e comunitário, em trabalhos de produção coletiva, grêmios estudantis, pré vestibulares, educação popular e cultura, como nas mobilizações e fóruns populares de articulação, buscamos estimular e influenciar, mas também somos modificados no cotidiano das lutas. E é inserida nessas dinâmicas sociais que uma base ética e uma concepção de estilo militantes também se forjam e se qualificam enquanto frutos de amadurecimento político e reflexão nas lutas cotidianas.

[CABN] Saudação do Coletivo Anarquista Bandeira Negra ao aniversário de 10 anos da Federação Anarquista do Rio de Janeiro

Retirado: http://www.cabn.libertar.org/?p=1197

(…) o que existe é o aqui e agora, a luta constante de indivíduos e grupos para crescer e serem livres. O anarquismo está além do bem-querer ao próximo e fazer as coisas com tesão, e é a atitude e o compromisso, tudo feito com ética e vontade.” (Ideal Peres)

Companheiras e companheiros,

É com enorme satisfação e entusiasmo que enviamos nossas saudações às/aos camaradas de luta e ideologia da Federação Anarquista do Rio de Janeiro (FARJ), em razão do décimo aniversário da organização, comemorado no dia 30 de Agosto de 2003.

Reconhecemos na FARJ um exemplo de organização baseada na ética, no compromisso e na disciplina libertárias, cuja trajetória histórica e política nos tem sido valiosa desde antes da fundação de nosso coletivo, constituindo influência fundamental à nossa militância.

Não foram pequenos os desafios enfrentados pelos companheiros nestes intensos dez anos de organização e dedicação ao anarquismo, decisivos no grande esforço de recolocar nossa ideologia no seio das classes oprimidas em combate contra a exploração e a dominação, na construção “aqui e agora” da “luta constante de indivíduos e grupos para crescer e serem livres”, rumo a uma sociedade socialista e libertária.

Somos conscientes que temos ainda um longo e tortuoso caminho a trilhar nesta batalha que nos impõe sacrifícios, mas é inegável que temos humildemente avançado em nossos objetivos, calcados na ação direta e na construção do poder popular. Renovamos nossa disposição de estar, ombro a ombro, junto aos camaradas da FARJ, solidários enquanto irmãos de classe na luta contra o capitalismo.

 Ética! Compromisso! Liberdade!

 Pelo Socialismo Libertário!

 Vida longa à Federação Anarquista do Rio de Janeiro!

 Coletivo Anarquista Bandeira Negra

 Santa Catarina, 30 de Agosto de 2013.

Saudação ao Coletivo Anarquista Bandeira Negra

Companheiros e companheiras, de classe e ideal, aos que aqui se encontram, e especialmente a militância do Coletivo Anarquista Bandeira Negra de Santa Catarina (CABN). É com muito respeito, admiração e felicidade que saudamos o primeiro aniversário da nossa organização irmã.É também com humildade e muito trabalho por fazer, que sentamos hoje lado a lado com os companheiros e companheiras da Federação Anarquista Gaúcha (FAG) e do CABN, para conversarmos e saudarmos os esforços da jovem militância local.

Integramos uma organização que tem apenas dois anos de vida, o Coletivo Anarquista Luta de Classe (CALC), mas que tal como as organizações citadas, se soma aos esforços anônimos de milhares de explorados que, por estas bandas, resistem e lutam a mais de 500 anos contra o sistema de dominação capitalista e por uma outra sociedade, queremos socialista e libertária.

Reconhecemos e sentimos que somos parte desta mesma história de lutas, que no ano de 1864, com a criação da Associação Internacional dos Trabalhadores por obra dos proletários europeus, ganha um incremento, isto é, passa a contar também com a perspectiva anarquista de luta e proposta política. De lá para cá muita coisa foi realizada, sequer temos condições de rememorar aqui, mas muitas lutas ainda acontecerão e precisarão ser tocadas pelos explorados e suas organizações políticas e sociais.

É neste sentido que saudamos esse esforço, de constituir organizações políticas anarquistas locais, e essa jovem, pequena, mas não menos combativa força militante, que agora se enlaça a história de luta e resistência dos trabalhadores.

Não poderíamos deixar de saudar rapidamente as três organizações que, de certa forma, animaram o trabalho dos companheiros e companheiras de Santa Catarina e do Paraná. A Federação Anarquista do Rio de Janeiro (FARJ), pelo trabalho empreendido por sua Rede de Apoio de 2008 para cá, a FAG, também por seu apoio incessante e consistente, a Federação Anarquista Uruguaia (FAU), pela sua história e referência para os libertários da América – Latina.

Vida longa ao Coletivo Anarquista Bandeira Negra!

Ética, compromisso e liberdade.

Viva a Coordenação Anarquista Brasileira (CAB)!

Coletivo Anarquista Luta de Classe, 1 de setembro de 2012.

Nota de saudação ao Coletivo Anarquista Zumbi dos Palmares, 10 anos na Luta pelo Socialismo e Liberdade

Nota de saudação ao Coletivo Anarquista Zumbi dos Palmares,
10 anos na Luta pelo Socialismo e Liberdade

É com muita alegria que saudamos os 10 anos de luta
da Organização Coletivo Anarquista Zumbi dos Palmares.
Para nossa curta trajetória do CALC é inspiradora
a experiência d@s compas do CAZP, mostrando que
com determinação,vontade, autodisciplina, ética
e compromisso e a cima de tudo compromisso
com os de "baixo" podemos recolocar o
Anarquismo em seu determinado lugar, lado
a lado com as classes exploradas na construção do
Poder Popular.

Afirmamos ainda a satisfação que é poder
estar juntos ombro a ombro com organizações
como o CAZP na construção do Anarquismo brasileiro,
e é  inegável a contribuição das organizações
que compõem o FAO, como o CAZP, e estão 
na composição daquilo que sera a CAB em 
processos organizativos como  o nosso. Os 10 anos
do CAZP comprovam que a determinação daqueles
compas que se propuseram a ardua tarefa de
reconstruir (construir) o Anarquismo, 
em especial o anarquismo organizado nos 
termos do especifismo, não foram em vão,
e que graças a isto hoje podemos observar
um processo de retomada daquilo que recentemente
ficou conhecido como Anarquismo Social.

Vida longa ao CAZP!
Viva o Anarquismo Organizado!
Viva o FAO!
Viva a CAB!

[FAO] I Seminário de Formação do Fórum do Anarquismo Organizado – Região Sudeste

Retirado de:

Rio de Janeiro, 21 e 22 de janeiro de 2012

Declaração do I Seminário de Formação do Fórum do Anarquismo Organizado – Região Sudeste, realizado no Rio de Janeiro, em 21 e 22 de janeiro de 2012.

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“É melhor dar um passo com mil do que mil passos com um”

O Fórum do Anarquismo Organizado (FAO) – representado por suas organizações da região Sudeste (Federação Anarquista do Rio de Janeiro / FARJ e Organização Anarquista Socialismo Libertário / OASL-SP) – coordenou, entre 21 e 22 de janeiro de 2012, o I Seminário de Formação da Região Sudeste. O seminário reuniu, nas dependências do Centro de Cultura Social do Rio de Janeiro, além da FARJ e da OASL, coletivos em processo de articulação ou aproximação com o FAO e individualidades interessadas em se organizar ou ingressar nas organizações já constituídas. Estiveram presentes militantes dos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo, Minas Gerais e Paraná, cumprindo um triplo objetivo: fortalecer o processo nas organizações existentes; estimular a criação de novas organizações/núcleos; integrar em um processo comum, levado a cabo no FAO, esse conjunto de indivíduos, grupos e organizações interessados na construção do anarquismo de matriz especifista no Brasil.

Estiveram presentes no evento cerca de 50 pessoas das seguintes cidades/regiões: Rio de Janeiro, Niterói, Baixada Fluminense, São Paulo (capital), Baixada Santista, Ribeirão Preto, Mogi das Cruzes, Belo Horizonte, Montes Claros, Grande Vitória, Cachoeiro de Itapemirim e Curitiba, O evento foi realizado de maneira autônoma, pela FARJ e OASL, contando com a colaboração de todos os participantes em um ambiente de apoio mútuo e solidariedade, que permitiu tanto uma infra-estrutura adequada (hospedagem, alimentação, limpeza etc.), como um elevado nível de discussão.

O evento teve início dia 21 pela da manhã, com a recepção dos participantes seguida de uma apresentação de boas-vindas, que reforçou a relevância do processo organizativo do anarquismo no Brasil contemporâneo e a necessidade do fortalecimento da Região Sudeste neste processo.

O primeiro módulo do seminário, “Teoria e História”, teve por objetivo levantar questões sobre o surgimento e o a trajetória do anarquismo, compreendido pelo FAO como uma ideologia ligada à prática política de intenção revolucionária. A partir formação da corrente libertária, discutiu-se o conceito de anarquismo e suas estratégias (formas históricas da ideologia), indo desde Proudhon e o mutualismo, até a Revolução Espanhola, passando por Bakunin, a Aliança e a Internacional; o anarco-comunismo de Kropotkin e Malatesta; a propaganda pela ação e o individualismo tático; o sindicalismo revolucionário e o anarco-sindicalismo; a Comuna de Paris, o sindicalismo no Brasil, o magonismo e a Revolução Mexicana e a Revolução Russa.

O segundo módulo, “Organicidade”, apresentou conceitos básicos da organização anarquista: o que é, quais são os objetivos, meios de atuação, função, diferença com outros modelos de organização política, documentos orgânicos (Carta de Princípios, Carta Orgânica e Programa), atividades, modelos de estrutura, frentes e secretarias, lógica dos círculos concêntricos, processo decisório, qualidades militantes. Num segundo momento, deu-se destaque à questão da Carta Orgânica, sendo apresentado um modelo de carta para que os participantes conhecessem seu conteúdo, facilitando a elaboração local de documentos desse tipo.

Depois da exibição de dois vídeos da Bucaneiro Produções, que mostram trabalhos sociais no Rio de Janeiro e São Paulo, teve início o terceiro módulo, “Trabalho Social”, visando aprofundar método do trabalho de base, para o que foram tratados os seguintes eixos: a arte do trabalho social; o sistema de dominação e sua estrutura de classes; as diferenças entre os trabalhos que são realizados pelos agentes internos (que moram/trabalham/estudam no mesmo local de trabalho social) e agentes externos (que não moram/trabalham/estudam no mesmo local de trabalho social); distintos modelos de agente, a partir das noções e diferenças entre minoria ativa e vanguarda; as melhores maneiras práticas de iniciar e aprofundar o trabalho/inserção social; questões de mística; método e educação popular etc.

A noite contou com o lançamento do livro Ideologia e Estratégia, de um companheiro do FAO, e também com a apresentação cultural dos grupos de hip-hop das periferias de São Paulo e Rio de Janeiro, Liberdade e Revolução e Us Neguin q ñ c kala, além de uma intervenção do grupo Anarcofunk de Belo Horizonte.

O segundo dia teve início com uma breve discussão de teoria e método de análise, que buscou suprir lacunas identificadas no primeiro dia. Logo em seguida, foi desenvolvida uma dinâmica de grupo com objetivo de analisar/solucionar problemas hipotéticos de militância social concreta. Além de socializar o contato e as experiências da militância presente, a dinâmica muniu os participantes de um conjunto teórico/prático capaz de permitir o aprofundamento dos trabalhos sociais em curso ou que estão para ser iniciados.

Na continuação das atividades mais práticas, FARJ e OASL apresentaram seus trabalhos sociais realizados em suas distintas frentes (movimentos sociais urbanos, MST/anarquismo e natureza, comunitária, estudantil). O evento foi finalizado com um debate que encaminhou questões organizativas e os próximos passos para o fortalecimento do FAO na região Sudeste.

Para todos os presentes, o anarquismo no Brasil, de maneira geral, e mais concretamente o caso da corrente especifista, vivencia um momento ímpar desde o fim da ditadura militar. O processo do FAO, que completa este ano uma década de existência, vem dando um salto quantitativo e qualitativo desde 2007, quando conseguimos progressivamente reunir e aproximar todo o anarquismo especifista brasileiro. A presença atual nos estados do Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso e Alagoas pode ser ampliada, ainda em 2012, para Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais, Espírito Santo, Pernambuco e Ceará. O aniversário de 10 anos do FAO será marcado por um evento sem precedentes, em que a organicidade será aprofundada e daremos mais um passo na construção do processo nacional.

Compreendemos que este é não é um processo rápido e que deve contar com a contribuição coletiva, de maneira a aprofundar teoria e prática que, para nós, são indissociáveis. Se por um lado, notamos um aprofundamento dos trabalhos sociais e da inserção em distintos setores do campo popular (sindical, sem terra, pequenos produtores, sem teto, desempregados, catadores, estudantes, comunitário, indígena, quilombolas, gênero), por outro vemos avançar um debate teórico profundo que, generosamente, visa extrair de autores clássicos e contemporâneos elementos teóricos e ideológicos que dêem conta de um método de análise e uma estratégia capaz de impulsionar nosso projeto revolucionário de transformação social.

Entendemos que, modestamente, temos conseguido reinserir o anarquismo no campo da luta de classes e dos movimentos populares e buscado criar um povo forte, capaz de assumir o protagonismo em suas lutas e em seu processo emancipatório. O I Seminário de Formação do FAO da Região Sudeste, juntamente com os seminários realizados nas regiões Sul [http://www.anarkismo.net/article/20167] e Nordeste [http://www.anarkismo.net/article/21040], demonstram a maturidade e a vontade dos militantes que vêm superando as dificuldades de um país de dimensões continentais e avançando na construção do socialismo libertário.

Construir o FAO!
Ética, compromisso, liberdade!
Lutar, criar, poder popular!

***

Federação Anarquista do Rio de Janeiro (RJ)
Organização Anarquista Socialismo Libertário (SP)
Coletivo Mineiro Popular Anarquista – antigo Movimento Anarquista Libertário (MG)
Coletivo Anarquista Luta de Classe (PR)
Coletivo Pró-Organização Anarquista do Espírito Santo
Coletivo Pró-Organização Anarquista da Baixada Santista
Coletivo Pró-Organização Anarquista de Ribeirão Preto
Indivíduos

É lançada carta de Princípios Coletivo Anarquista Luta de Classe

Carta de Princípios do Coletivo Anarquista Luta de Classe

O anarquismo não é uma bela utopia, tampouco uma abstração filosófica, é um movimento social das massas trabalhadoras. Por este motivo, deve juntar suas forças numa organização geral continuamente ativa, como é exigido pela realidade e a estratégia da luta de classes.”

(Nestor Makhno – Plataforma Organizacional dos Comunistas Libertários)

Apresentação

O CALC foi formado em Curitiba a partir de 2008, com objetivo de constituir um pólo de militantes anarquistas identificados com o Especifismo e o Anarquismo Social, servindo para o desenvolvimento de trabalhos sociais junto à luta e a resistência dos explorados. Esta é nossa Carta de Princípios. Acreditamos que só poderemos contribuir na luta social como força política libertária se nos agruparmos ideologicamente, nos lançando ao trabalho junto às classes exploradas a partir de nossa organização ideológica, apoiando a resistência e a luta pela derrubada do capitalismo. Para tanto, como enfatizou Bakunin: Só poderemos alcançar este objetivo estabelecendo e determinando tão claramente nossos princípios que, nenhum dos indivíduos que forem, de uma maneira ou de outra, contrários a eles possam tomar parte de nós.”Esses princípios devem ser expressos em nossa prática política, na forma de atuar do coletivo, que só ganha “corpo” na luta coletiva, a exemplo do que fazem as organizações anarquistas que compõem o Fórum do Anarquismo Organizado – FAO.

Liberdade e Ética

Lutar por liberdade e ter ética devem anteceder tudo mais. São princípios inegociáveis para o Anarquismo e seus militantes.Sabemos o significado de liberdade que dividimos com nossos companheiros e companheiras de classe e ideologia, sabemos do que queremos nos livrar – do capitalismo e quem nos oprime – a burguesia. E se quisermos que todos tenham liberdade, teremos de ajudar a constituir uma força social capaz de transformar esse sistema, pois no capitalismo não haverá liberdade possível para os trabalhadores. A liberdade individual só existe na liberdade de todos, não podendo haver liberdade se todos não se emanciparem. Fazemos questão de afirmar a ética libertária como princípio sem purismos, pois, defender a ética libertária não nos faz infalíveis. Mas, o compromisso ético nos ajuda a desconstruir as relações burguesas que nos foram impostas, e nos auxilia a reconstruir os valores socialistas libertários tão necessários ao trabalho político de um grupo anarquista. A defesa de uma cultura política baseada na ética e na liberdade nos chama atenção para que, em nome de belos fins, não nos desviemos para práticas autoritárias criando assim uma identidade ideológica comprometida com a luta classista e revolucionária.

Classismo e Internacionalismo

A sociedade capitalista se organiza a partir de uma estrutura de classe, a burguesa explora e oprime todos aqueles que pertencem as classes exploradas, independente de sua nacionalidade. E nós nos colocamos junto aos explorados em sua luta pela emancipação, pois desejamos uma sociedade sem classes, uma sociedade livre, igualitária e justa. E só os explorados podem se emancipar, e nesse movimento, construir uma organização social sem exploração. Nossa identidade de classe ultrapassa as fronteiras dos estados nação, por isso somos internacionalistas. Temos identidade brasileira, mas rejeitamos todo nacionalismo, por reconhecermos suas conseqüências para os trabalhadores dos diferentes povos. Renunciamos a qualquer patriotismo para afirmar nossa solidariedade com todos os explorados do mundo, trabalhando com solidariedade e apoio mútuo, construiremos uma nova sociedade sem fronteiras, sem classes.

Prática Política e Inserção Social

Prática política é a forma que nossa militância atua nos círculos político e social, ou a relação entre a prática social guiada por um programa, com objetivos estratégicos, e o cotidiano da militância nos movimentos sociais. Pressupõe um grau de unidade tática e teórica do grupo, o que potencializa nossas ações, e só se realiza com a inserção social, nos espaços de luta da classe. Nossa Prática Política deve estar a serviço daqueles que acreditamos que podem ser os agentes da transformação, os próprios explorados. Como existem níveis sociais (de classe) e políticos (ideológicos) de organização na sociedade que se complementam, e por reconhecermos essa relação como legítima, uma vez que o nível social é o espaço das lutas cotidianas, e o nível político atua enquanto perspectiva revolucionária das lutas sociais, enfatizamos que uma organização anarquista não pode se limitar a um trabalho de propaganda, mas deve construir as lutas sociais que extrapolam as questões ideológicas, assim defendendo a Inserção Social. A Inserção Social só acontece por atuarmos no dia a dia nos movimentos sociais, onde encontramos companheiros e companheiras de diferentes ideologias, levando as práticas e a influência anarquista enquanto um grupo político de minoria ativa. Por atuarmos com outros companheiros e companheiras nos bairros, nos sindicatos, nas escolas, nas ocupações de terra e moradia, nas greves e nas ruas, como parte das classes exploradas, e por entendermos e participarmos dessas lutas, dizemos também que estamos inseridos socialmente nelas.

Federalismo e Autogestão

O federalismo é uma proposta de organização social e produtiva que se pauta nos acordos livres realizados pelos seus membros, que passam a se associar diretamente, fundamentando suas bases organizacionais de acordo com as vontades e necessidades envolvidas em cada uma das instâncias de organização, permitindo a articulação em diferentes instâncias da vida social, sejam grupos locais, regionais ou nacionais. Assim os indivíduos, grupos e organizações se associam, federam e confederam, de forma livre e horizontal. Já a Autogestão é forma de administração coletiva que permite o controle direto da produção e organização social pelas classes exploradas, horizontalizando o poder, tornando seus produtores e consumidores conscientes do processo de produção e de suas conseqüências sociais e políticas. Estes princípios, o Federalismo e a Autogestão, quando articulados auxiliam na defesa do controle da produção e da organização social feita por trabalhadores e explorados, possibilitando que as pessoas recuperem o poder sobre suas atribuições sociais, criando as normas e regras que devem regular a vida social de forma ativa e em igualdade de condições com seus companheiros, não mais recebendo ordens de cima para baixo, mas construindo sempre organizações produtivas ou sociais de base, de baixo para cima, com democracia e unidade.

Ação Direta e Democracia Direta

Ação Direta pode ser entendida como a prática coletiva dos trabalhadores que, em sua luta contra o capitalismo e na construção do socialismo, buscam agir de forma combativa e sem intermediação em torno de seus interesses, sejam de “seus” representantes ou da tutela do estado. A Democracia Direta é uma forma de tomada de poder que, através de medidas deliberativas ou práticas, as organizações populares decidem e se organizam a partir do posicionamento e dos debates realizados nos espaços de políticos da nossa classe, através de delegações. Os espaços das classes exploradas nunca se confundem com as instâncias estatais ou parlamentares, pois, a Democracia Direta, forma de articulação coletiva fundada no Federalismo, só acontece fora da institucionalidade burguesa. Porque são os próprios explorados que devem se organizar e agir para atingir seus objetivos, sem se deixar tutelar ou se alienar por direções e vanguardas que prometem soluções a partir do sistema político e jurídico-burguês. Ação e Democracia Direta pressupõem que o explorado seja o próprio sujeito da ação, fortalecendo as organizações populares autônomas, que tenham uma identidade de classe combativa, criticando o “democraticismo” e a gestão burguesa, e fortalecendo uma cultura da participação e de luta das organizações de classe.

Ecologia e Apoio Mútuo

As relações sociais e produtivas que praticamos, ainda em uma realidade marcada pela violência e competição, devem se pautar na solidariedade existente entre indivíduos e grupos, em contraponto às relações de dominação e exploração presentes no capitalismo. O capitalismo, além de estar baseado na luta de classes, estrutura-se a partir da exploração da natureza, cuja concepção de domínio se reproduz tal qual a exploração do trabalho humano, pois todos trabalhadores e os demais seres vivos são apenas recursos a serem expropriados. Essas relações sociais e econômicas produzem a centralização das riquezas sociais e naturais, a custa da exploração e da miséria dos trabalhadores, de um consumo desigual e alienado, acelerando a destruição da biodiversidade, da terra de diversos povos e espécies animais. A Ecologia, considerada como uma ciência e um movimento social, para o Anarquismo é um princípio que deve constar na prática política e na ação política de nossa classe, uma noção que nos reafirma como parte da natureza, a parte que acredita em relações sociais e naturais pautadas por liberdade e justiça, consciente de que estas não podem ser alcançadas sob a égide do capital. Já o Apoio Mútuo é o princípio que orienta a relação entre indivíduos de uma mesma sociedade, que se apóiam uns aos outros através de suas aptidões e diferenças para garantir a sobrevivência, fortalecendo a solidariedade e a ação social existente nas lutas contra a opressão e a exploração, buscando relações fraternas. As novas relações produtivas e sociais devem incorporar a noção de pertencimento à natureza, e as práticas do apoio mútuo presentes tanto na cosmovisão de diferentes povos, como na luta do movimento dos trabalhadores nos fins do século XIX e início do século XX, e nunca foram instrumentos de conciliação de classe para os socialistas libertários.

É Publicada a Carta de Apresentação do Coletivo Anarquista Luta de Classe!

 

CARTA DE APRESENTAÇÃO DO COLETIVO ANARQUISTA LUTA DE CLASSE

“Como nosso Partido não é composto de politicastros nem de caçadores de cargos, senão proletários que não têm outra ambição além de se verem livres da escravidão do salário, agora que a oportunidade se apresenta, vai direto a seu objetivo: a emancipação econômica da classe trabalhadora por meio da expropriação da terra e da maquinaria.”[1]

(Ricardo Flores Magón 1874 – 1922)

 Saúde companheir@s! Essa é a Carta de Apresentação do Coletivo Anarquista Luta de Classe – CALC – formado a partir do ano de 2008. Ela fala dos nossos objetivos, princípios, atividades, com referência no Anarquismo Social e Organizado. Desde 2008 iniciamos um trabalho de propaganda e revenda de livros, distribuindo jornais e periódicos, apoiando as editoras libertárias e a Cooperativa de Distribuição Faísca, procurando levar “nossa banca” para atividades dos movimentos sociais, como assembléias, plenárias ou seminários, além dos espaços da Universidade Pública, onde nos encontramos trabalhando uma semana por mês, sempre no decorrer do período letivo. Compreendendo a importância da teoria e da prática anarquista, tanto para as ciências engajadas, quanto para a luta de emancipação dos explorados, escolhemos revender os títulos e obras que, traduzidos e editados por outros companheiros e organizações, estão disponíveis para venda. Além da propaganda, temos como objetivos a geração de renda, o apoio aos movimentos sociais, a formação de um grupo estudos e a constituição de uma organização anarquista local.

Nosso grupo defende:

[…] o anarquismo como uma ideologia que fornece orientação para a ação no sentido de substituir o capitalismo, o Estado e suas instituições, pelo socialismo libertário – sistema baseado na autogestão e no federalismo –, sem quaisquer pretensões científicas ou proféticas. Como outras ideologias, o anarquismo possui história e contexto específicos. Ele não nasce de intelectuais ou pensadores descolados da prática, que buscavam apenas a reflexão abstrata. O anarquismo tem sua história desenvolvida no seio das grandes lutas de classe do século XIX, quando é teorizado por Proudhon, e toma corpo em meio à Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT), com a atuação de Bakunin, Guillaume, Reclus e outros que defendiam o socialismo revolucionário, em oposição ao socialismo reformista, legalista ou estatista. Esta tendência da AIT foi futuramente conhecida por “federalista” ou “antiautoritária” e teve sua continuidade na militância de Kropotkin, Malatesta e outros.”[2].

Por isso buscamos um retorno organizado às lutas sociais, esperando que outros companheiros e companheiras da cidade de Curitiba e do Paraná venham se juntar a nós. Assim, acreditamos que será possível retomarmos o caráter social e classista que o anarquismo sempre portou, pois se continuarmos desorganizados ideologicamente não constituiremos uma força política capaz de intervir na dinâmica das lutas sociais, o que só interessa aos nossos adversários e inimigos de classe.

O Anarquismo Social não é uma proposta abstrata, e sim um projeto político que parte de uma realidade concreta, que é a luta de classes. Para tanto, trabalha com princípios do Socialismo Libertário que estão presentes na nossa tradição, e que, se constituem enquanto guias para uma prática política coerente com nossos objetivos finalistas, animando internamente as federações e grupos ácratas. São eles: a Liberdade e a Ética, o Classismo e o Internacionalismo, a Ação Direta e a Democracia Direta, a Ecologia e o Apoio Mútuo, o Federalismo e a Autogestão, a Prática Política e a Inserção Social.

Atuando como grupo orgânico identificado com o Anarquismo Social, o CALC defende a necessidade da organização anarquista enquanto ferramenta de emancipação dos explorados. Entendemos que a organização anarquista específica: “[…} não substitui a organização das classes exploradas, mas proporciona aos anarquistas a chance de se colocar a serviço delas”[3]. Para potencializar nossa prática política devemos consolidar uma unidade teórica e tática, trabalhos sociais junto aos explorados, além de formar militantes com responsabilidade, compromisso e auto-disciplina. Porque entendemos como fundamental a organização e a responsabilidade por parte do grupo e de seus militantes, o que não se confunde com hierarquia e autoritarismo. Ao contrário, o grupo orgânico é: […] o agrupamento de indivíduos anarquistas que, por meio de suas próprias vontades e do livre acordo, trabalham juntos com objetivos bem determinados. […] Esta organização é fundamentada em acordos fraternais, tanto para seu funcionamento interno, quanto para sua atuação externa, não havendo em seu seio relações de dominação, exploração ou mesmo alienação, o que a constitui uma organização libertária.”[4].

Queremos somar aos esforços que tenham como horizonte político um projeto classista e socialista libertário, entrando em acordo e trabalhando junto às demais organizações políticas anarquistas, assim também como os movimentos sociais combativos e autônomos. Só dessa forma poderemos mudar a atual relação de forças, ombro a ombro, lado a lado, construindo a organização popular, sem sectarismo, com identidade ideológica, mas sem se colocar a frente das classes exploradas nas lutas sociais que elas devem protagonizar. Como já havia dito Malatesta, nós anarquistas: “[…] não podemos emancipar o povo, queremos que o povo se emancipe. Não acreditamos no bem que vem do alto e se impõe pela força; queremos que o novo modo de vida social surja das vísceras do povo […].”[5]. E com esse entendimento que reivindicamos o Anarquismo Social e Organizado, definindo assim nosso campo de militância.


[1] Retirado do livro publicado pela Editora Imaginário, com alguns escritos de Ricardo Flores Magón.

[2] Retirado do livro “Anarquismo Social e Organização” – página 18. O livro é de autoria da Federação Anarquista do Rio de Janeiro, tendo sido publicado pela Editora Faísca no ano de 2009.

[3] Idem – páginas 131 e 132.

[4] Idem – página 128.

[5] Idem – página 194.