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[CURITIBA] Lançamento do livro sobre os 140 Anos da Comuna de Paris

Na próxima sexta feria, dia 26 de agosto,  na Reitoria da UFPR (anfiteatro 900)- das 17H às 19H,  será lançado o livro “Negras Tormentas” (Editora Hedra) -, de autoria de Alexandre Samis. O professor da rede de ensino federal e doutor em história pela Universidade Federal Fluminense, militante da Federação Anarquista do Rio de Janeiro (FARJ), faz um resgate histórico dos 140 Anos da Comuna de Paris em seu livro, apresentando sua atualidade para as lutas sociais contemporâneas.

E por ocasião do lançamento, organizado pelo Coletivo Quebrando Muros, o Círculo de Estudos Libertário e o Fórum do Anarquismo Organizado, Samis estará presente para falar um pouco sobre sua pesquisa e debater junto ao público esse importante episódio da história de luta das classes exploradas. O livro será vendido a preços promocionais pelos organizadores da atividade e a banca de livros do Coletivo Anarquista Luta de Classes estará presente revendendo materiais.

Nos vemos lá!

Liberdade! Socialismo!

Campus Reitoria da UFPR – Rua Amintas de Barros – Centro – Prédio Pedro II – Anfi 900

horário: 17h as 19h.

IMPORTANTE: Após a atividade haverá uma Assembléia de Estudantes da UFPR, que neste momento se encontram em greve.

Declaração Final das Jornadas Anarquistas 2011

Jornadas Anarquistas

Janeiro 2011

São Paulo

Declaração Final

Durante os dias 25 e 26 de janeiro de 2011, na cidade de São 
Paulo, se realizaram as Jornadas Anarquistas, convocadas pela
Federação Anarquista Uruguaia (FAU) e o Fórumdo Anarquismo
Organizado do Brasil (FAO). 
A realização destas Jornadas tem por objetivo o 
desenvolvimento do anarquismo especifista na América
Latina, visando o intercâmbio e a coordenação das organizações
políticas anarquistas que se inserem nesta corrente. O debate 
se coloca sobre temas comuns a todas essas organizações, em
relação aos quais se vem trabalhando e contribuindo a partir de
cada lugar, a partir das lutas cotidianas, a partir das criações
e recriações que surgem da análise de elementos que entendemos 
ser estratégicos para a construção do socialismo libertário em 
nosso continente: o Poder Popular e o Federalismo Libertário.
Isso é uma necessidade, porque acontece hoje, fruto de um 
processo histórico, um desenvolvimento importante de nossa 
corrente do anarquismo, assim como uma construção teórica e
política concreta.Esta construção faz com que essas organizações
de vários países busquem confluir em um âmbito de comunhão ao
qual todas elas aderem.

O Poder Popular como elemento estratégico

“Nunca cessarão de existir as esperanças e os sonhos de
emancipação dos povos; a experiência social cria novos
conceitos de justiça e de liberdade que nada tem a ver com
as construções perversas que são propagadas por um sistema
que as confunde com rapinagem e opressão.” Desta forma, 
começa o debate sobre a construção de uma estratégia de ruptura
e sobre o desenvolvimento das forças de intenção revolucionária.
Este debate tem toda relação com o tema do Poder Popular. 
Porque para nós, esse tema é amplo e trazcontribuições 
significativas para todo o conjunto estratégico que vai desde
as análises da realidade,os objetivos que pretendemos atingir
e os caminhos estratégicos.Por que falamos de poder? Para nós,
o poder se dá para além do Estado. O poder circula por toda a
sociedade e, por isso, há poder nas diferentes esferas da 
economia, da política e da cultura/ideologia.O poder existe em
todas as relações sociais que envolvem um conflito e pode ou 
não se constituir em relações de dominação e exploração.A partir
desta noção ampla de poder, podemos afirmar que não é possível 
tomar o poder de assalto, já que ele está capilarizado e corre por
todas as veias da sociedade. Do nosso ponto de vista, não há 
determinação de uma esfera sobre a outra que possa ser prevista
a priori e, portanto, não acreditamos na determinação econômica que
é conhecido, no socialismo, como o esquema de infra e superestrutura.
O poder, portanto, envolve as relações de força e as disputas que 
estão presentes em toda a sociedade e que constituem as bases do que 
chamamos política. Neste sentido, a sociedade atual é o resultado de
determinadas correlações de forças em que umas superam outras e as 
coisas vão se conformando. Hoje, o resultado deste sistema de forças
implica poder, mas também dominação, exploração e opressão.Para nós,
as classes oprimidas devem criar um projeto de poder. Um projeto de
poder que possa se opor e fazer frente às classes dominantes, e que
também possa ser criado e construído por meio das lutas cotidianas.
Falar de “popular” significa dotar o projeto de poder de um caráter
eminentemente classista, ainda que devamos destacar que falamos de
poder a partir de uma perspectiva libertária. Um projeto dos 
oprimidos e oprimidas que se dá a partir dos movimentos 
populares e que faz um acúmulo de força social necessária
para um longo enfrentamento, de passos firmes, fortes, bem
marcados, algo que consideramos necessário do ponto de vista
ideológico.Para nós, o socialismo é uma ideologia e não uma 
ciência. O socialismo surgiu como expressão ideológica dos
movimentos sociais populares em luta, e desde de seus primeiros
momentos, contou com aspirações, desejos, indignação, rebeldia,
paixões, amores e outros sentimentos que não podem ser comprovados
cientificamente. Assim, o socialismo só pode constituir-se como 
este conjunto de elementos que apontam para a geração de uma 
prática política no sentido transformador, de intervenção 
sobre nossa realidade. E, portanto, ideologia implica teoria e prática.
Compreendemos a teoria como uma caixa de ferramentas que nos permite
interpretar a realidade e os fatos. Entretanto, como afirmamos, sabemos
que as contribuições teóricas devem ter rigor, devem buscar entender
a vida e não encaixá-la em nossas certezas ideológicas. A teoria 
deve ser flexível e possibilitar elementos para nossa prática 
política. A prática, claramente, também enriquece essa teoria.
Classe e sujeito revolucionário
Nosso classismo se baseia nos diferentes sujeitos oprimidos,
independente de onde estejam. Consideramos que um projeto de
classe deve ser construído por todo o povo, e por povo 
compreendemos este conjunto de classes oprimidas que contém
trabalhadores da cidade e do campo, assalariados e desempregados,
e todos aqueles e aquelas que sofrem opressões de gênero, de 
raça, de etnia, de sexualidade, por este sistema de dominação
que é o capitalismo.Assim, o sujeito revolucionário não está
dado a priori, nem é possível ser conhecido de antemão.Acreditamos
que o sujeito revolucionário é resultado dos processos históricos
e sociais, das lutas dos movimentos populares, e só pode ser 
forjado na luta e a partir do processo em que se vai criando 
identidade de classe.Nossa concepção de Poder Popular implica
uma noção básica de que são os objetivos que conformam a 
estratégia, e que é a estratégia que condiciona a tática.
Nosso objetivo finalista é o socialismo libertário e nossa
prática é de intenção revolucionária. O projeto de Poder 
Popular deve, necessariamente, contribuir com a revolução
para abolir a sociedade de classes.
Para promover o protagonismo nas bases dos movimentos, para
criar um povo forte, é fundamental que tenhamos em mente um
plano, um programa determinado a ser proposto e desenvolvido
nestes movimentos. Nos parecem elementos centrais neste programa
não circunscrever ou submeter os movimentos a qualquer ideologia.
É importante sustentar que sejam os mais fortes e que se unam por
meio da solidariedade da prática e das ações reivindicativas, ao 
mesmo tempo, garantindo a independência de classe para que não 
sejam subordinados aos partidos, ao Estado, às empresas e a 
outros inimigos de classe; ou mesmo aqueles que, apesar de
demonstrarem certa afinidade na luta de classes, atuam como
vanguarda dos processos de luta. Parece fundamental, também,
que os mecanismos de democracia direta sejam responsáveis 
pelas decisões tomadas a partir das bases dos movimentos,
incluindo todos e todas e criando ambientes coletivos e 
autogestionários. Os meios, portanto, devem estar de 
acordo com os fins que defendemos.A história vem 
demonstrando que o capitalismo não caminha para 
sua própria destruição. Não podemos, assim,esperar que 
“se suicide”. Acreditamos que é apenas por meio da vontade
e das práticas libertadoras que as classes oprimidas poderão
oferecer uma possibilidade de resistência, de enfrentamento 
e de construção do socialismo. O capitalismo não traz o 
germe do socialismo e, ainda que ele deva começar a ser 
criado dentro da sociedade capitalista, ele só se realiza de
fato por meio de um processo de ruptura revolucionária. Tal
processo de construção deve se dar no seio das lutas sociais
cotidianas, que acumulam força para nosso projeto de Poder
Popular.É uma questão de se construir os novos sujeitos históricos,
de promover nosso projeto no seio das lutas e de criar um povo forte.
Trata-se, então, da reconstrução do tecido social, das relações 
sociais e também de uma outra cultura, que permitirá, junto
com elementos econômicos e políticos, forjar novos sujeitos
capazes de conhecer a si, aos outros e à realidade.
Fundamentalmente capazes de construir e de fortalecer
os movimentos populares, tomando suas decisões,
compartilhando com os outros, capacitando-se, 
estimulando o fortalecimento de outras pessoas no todo da
sociedade, com autonomia e não dependentes.

Federalismo Libertário
O federalismo tem sido uma forma organizativa, um modelo,
um conceito que compreende a vida social e política do
anarquismo ao longo da história. Ele se corresponde com
a incorporação e com a adequação de suas forças para a
resistência no embate com o capitalismo, com a conjunção
daqueles que confluem em pensamento até a ideologia 
libertária e, também, como prática para poder projetar,
imaginar e criar uma ofensiva contra o capitalismo que 
construa a sociedade que queremos: uma nova civilização.
É por isso que o federalismo não deve ser compreendido 
como um modelo legítimo por si só. Ele deve ser libertário
e, neste sentido, a constituição ideológica que ele contiver
será um elemento determinante no desenvolvimento de suas
forças de transformação.Esta constituição ideológica 
determina as práticas que serão geradas, alheias ao autoritarismo,
ao vanguardismo e com uma dinâmica de discussões “de baixo para
cima”, oposta ao centralismo e ao unitarismo.Desta forma, o
“para cima” deve ser compreendido como uma construção, por 
meio da democracia direta, delegando-se a partir da base e,
quando em sua presença, suas funções se encerram.Não se
trata de um abaixo submisso, não se trata de uma 
hierarquização numa relação verticalizada, mas de uma
articulação dinâmica e funcional dos anarquistas a partir
dos diversos espaços em que a organização política projeta
sua ideologia. Estes espaços específicos se constroem e 
se constituem a partir das frentesde luta popular em núcleos
ou grupos de base, organizados para melhores interpretações
e abordagens da realidade vivida por cada espaço, em uma
concepção organizativa de conjunto e a partir da organização
política anarquista.Este conjunto, esta integralidade, deve ser
vasta e diversa, segundo se desenvolva a luta nos diferentes 
espaços de inserção. É necessário reconhecer, na globalidade,
que não há “uma só luta” transcendental, acima das outras, 
ue apague e diminua a importância das demais. Estas lutas 
devem ser compartilhadas no interior da organização.Comunicar
e ensinar as práticas políticas de diversas frentes de luta 
que provenham de outro meio específico de militância.
Enriquecer, por meio destas práticas, a análise política da
realidade, a elaboração teórica, a solidariedade de classe,
tão necessária e demandada nestes tempos.O federalismo libertário
deve potencializar a ação específica e enquanto conjunto da 
organização. A isto chamamos federalismo dinâmico, o qual serve
aos propósitos estabelecidos. É aquele que, no marco de uma linha
estratégica geral, de ruptura revolucionária, alimenta o avanço 
da resistência ao capitalismo, bem como a projeção de um mundo novo.
Em função do que foi dito, este modelo, esta forma organizativa, 
deve integrar-se num organograma que tem origem na base, com
respeito às posições minoritárias, mas construindo uma forma
de corpo, com acordos integrados que delineiem a ação da
organização no espaço e no tempo, com categorias e pautas
de convivência necessárias, as quais não geram um assembleísmo
inoperante e que possuem dinâmicas e ritmos que combatem práticas
autoritárias.

Sobreviver ilhados, trabalhando cada um por nossa própria conta, 
em entender-se com outros, sem capacitar-se e preparar-se, sem
constituir um punho forte para golpear “significa condenar-se 
à impotência,desperdiçar a própria energia em pequenos atos
sem eficácia e rapidamente perder a fé no objetivo e cair na
completa inação”.
Assim se concretiza e se fortalece a unidade dos anarquistas,
o encontro para praticar uma nova humanidade,para programar
e delinear a estratégia com a qual desconstruiremos este mundo.
Pilares e princípios como a igualdade, a democracia direta, a
autonomia, a independência de classe, a autogestão, são elementos
constituintes essenciais para os libertários do mundo. Eles devem
ser, consequentemente, fundamentais na organização política.Trata-se,
portanto, de criar, de conceber e de praticar um tipo de organização 
que compreendemos ser federalista, com práticas, acordos e estilos
diferentes daqueles do capitalismo. A partir da organização política
até o meio popular ir, assim, aprofundando um pouco mais a idéia de
construir uma organização não só para as necessidades táticas do
presente. Esta organização não pode ser circunstancial, uma 
necessidade momentânea, mas deve ser a rocha na qual entalharemos
nossas paixões e desejos, nossa utopia e nossa liberdade.
Imaginar, sonhar, amar um mundo novo. Ver nos companheiros
e companheiras de luta, no povo, a necessidade urgente de
transformação por razão de tanta injustiça, exploração, 
opressão, levada a cabo em um sistema asqueroso que devora
e cospe, em seu turbilhão cotidiano, tantos irmãos e irmãs,
tanta gente, tanto povo.Pela construção do Socialismo Libertário,
num processo firme e sólido.Por todos nossos desejos, pela memória
de nossos irmãos e irmãs que padeceram pelo pior desta  asquerosidade
chamada capitalismo.
Para construir a utopia praticando a liberdade!!!
Pela construção de um povo forte!!!
Arriba las que luchan!!!
Arriba los que luchan!!!

É lançada carta de Princípios Coletivo Anarquista Luta de Classe

Carta de Princípios do Coletivo Anarquista Luta de Classe

O anarquismo não é uma bela utopia, tampouco uma abstração filosófica, é um movimento social das massas trabalhadoras. Por este motivo, deve juntar suas forças numa organização geral continuamente ativa, como é exigido pela realidade e a estratégia da luta de classes.”

(Nestor Makhno – Plataforma Organizacional dos Comunistas Libertários)

Apresentação

O CALC foi formado em Curitiba a partir de 2008, com objetivo de constituir um pólo de militantes anarquistas identificados com o Especifismo e o Anarquismo Social, servindo para o desenvolvimento de trabalhos sociais junto à luta e a resistência dos explorados. Esta é nossa Carta de Princípios. Acreditamos que só poderemos contribuir na luta social como força política libertária se nos agruparmos ideologicamente, nos lançando ao trabalho junto às classes exploradas a partir de nossa organização ideológica, apoiando a resistência e a luta pela derrubada do capitalismo. Para tanto, como enfatizou Bakunin: Só poderemos alcançar este objetivo estabelecendo e determinando tão claramente nossos princípios que, nenhum dos indivíduos que forem, de uma maneira ou de outra, contrários a eles possam tomar parte de nós.”Esses princípios devem ser expressos em nossa prática política, na forma de atuar do coletivo, que só ganha “corpo” na luta coletiva, a exemplo do que fazem as organizações anarquistas que compõem o Fórum do Anarquismo Organizado – FAO.

Liberdade e Ética

Lutar por liberdade e ter ética devem anteceder tudo mais. São princípios inegociáveis para o Anarquismo e seus militantes.Sabemos o significado de liberdade que dividimos com nossos companheiros e companheiras de classe e ideologia, sabemos do que queremos nos livrar – do capitalismo e quem nos oprime – a burguesia. E se quisermos que todos tenham liberdade, teremos de ajudar a constituir uma força social capaz de transformar esse sistema, pois no capitalismo não haverá liberdade possível para os trabalhadores. A liberdade individual só existe na liberdade de todos, não podendo haver liberdade se todos não se emanciparem. Fazemos questão de afirmar a ética libertária como princípio sem purismos, pois, defender a ética libertária não nos faz infalíveis. Mas, o compromisso ético nos ajuda a desconstruir as relações burguesas que nos foram impostas, e nos auxilia a reconstruir os valores socialistas libertários tão necessários ao trabalho político de um grupo anarquista. A defesa de uma cultura política baseada na ética e na liberdade nos chama atenção para que, em nome de belos fins, não nos desviemos para práticas autoritárias criando assim uma identidade ideológica comprometida com a luta classista e revolucionária.

Classismo e Internacionalismo

A sociedade capitalista se organiza a partir de uma estrutura de classe, a burguesa explora e oprime todos aqueles que pertencem as classes exploradas, independente de sua nacionalidade. E nós nos colocamos junto aos explorados em sua luta pela emancipação, pois desejamos uma sociedade sem classes, uma sociedade livre, igualitária e justa. E só os explorados podem se emancipar, e nesse movimento, construir uma organização social sem exploração. Nossa identidade de classe ultrapassa as fronteiras dos estados nação, por isso somos internacionalistas. Temos identidade brasileira, mas rejeitamos todo nacionalismo, por reconhecermos suas conseqüências para os trabalhadores dos diferentes povos. Renunciamos a qualquer patriotismo para afirmar nossa solidariedade com todos os explorados do mundo, trabalhando com solidariedade e apoio mútuo, construiremos uma nova sociedade sem fronteiras, sem classes.

Prática Política e Inserção Social

Prática política é a forma que nossa militância atua nos círculos político e social, ou a relação entre a prática social guiada por um programa, com objetivos estratégicos, e o cotidiano da militância nos movimentos sociais. Pressupõe um grau de unidade tática e teórica do grupo, o que potencializa nossas ações, e só se realiza com a inserção social, nos espaços de luta da classe. Nossa Prática Política deve estar a serviço daqueles que acreditamos que podem ser os agentes da transformação, os próprios explorados. Como existem níveis sociais (de classe) e políticos (ideológicos) de organização na sociedade que se complementam, e por reconhecermos essa relação como legítima, uma vez que o nível social é o espaço das lutas cotidianas, e o nível político atua enquanto perspectiva revolucionária das lutas sociais, enfatizamos que uma organização anarquista não pode se limitar a um trabalho de propaganda, mas deve construir as lutas sociais que extrapolam as questões ideológicas, assim defendendo a Inserção Social. A Inserção Social só acontece por atuarmos no dia a dia nos movimentos sociais, onde encontramos companheiros e companheiras de diferentes ideologias, levando as práticas e a influência anarquista enquanto um grupo político de minoria ativa. Por atuarmos com outros companheiros e companheiras nos bairros, nos sindicatos, nas escolas, nas ocupações de terra e moradia, nas greves e nas ruas, como parte das classes exploradas, e por entendermos e participarmos dessas lutas, dizemos também que estamos inseridos socialmente nelas.

Federalismo e Autogestão

O federalismo é uma proposta de organização social e produtiva que se pauta nos acordos livres realizados pelos seus membros, que passam a se associar diretamente, fundamentando suas bases organizacionais de acordo com as vontades e necessidades envolvidas em cada uma das instâncias de organização, permitindo a articulação em diferentes instâncias da vida social, sejam grupos locais, regionais ou nacionais. Assim os indivíduos, grupos e organizações se associam, federam e confederam, de forma livre e horizontal. Já a Autogestão é forma de administração coletiva que permite o controle direto da produção e organização social pelas classes exploradas, horizontalizando o poder, tornando seus produtores e consumidores conscientes do processo de produção e de suas conseqüências sociais e políticas. Estes princípios, o Federalismo e a Autogestão, quando articulados auxiliam na defesa do controle da produção e da organização social feita por trabalhadores e explorados, possibilitando que as pessoas recuperem o poder sobre suas atribuições sociais, criando as normas e regras que devem regular a vida social de forma ativa e em igualdade de condições com seus companheiros, não mais recebendo ordens de cima para baixo, mas construindo sempre organizações produtivas ou sociais de base, de baixo para cima, com democracia e unidade.

Ação Direta e Democracia Direta

Ação Direta pode ser entendida como a prática coletiva dos trabalhadores que, em sua luta contra o capitalismo e na construção do socialismo, buscam agir de forma combativa e sem intermediação em torno de seus interesses, sejam de “seus” representantes ou da tutela do estado. A Democracia Direta é uma forma de tomada de poder que, através de medidas deliberativas ou práticas, as organizações populares decidem e se organizam a partir do posicionamento e dos debates realizados nos espaços de políticos da nossa classe, através de delegações. Os espaços das classes exploradas nunca se confundem com as instâncias estatais ou parlamentares, pois, a Democracia Direta, forma de articulação coletiva fundada no Federalismo, só acontece fora da institucionalidade burguesa. Porque são os próprios explorados que devem se organizar e agir para atingir seus objetivos, sem se deixar tutelar ou se alienar por direções e vanguardas que prometem soluções a partir do sistema político e jurídico-burguês. Ação e Democracia Direta pressupõem que o explorado seja o próprio sujeito da ação, fortalecendo as organizações populares autônomas, que tenham uma identidade de classe combativa, criticando o “democraticismo” e a gestão burguesa, e fortalecendo uma cultura da participação e de luta das organizações de classe.

Ecologia e Apoio Mútuo

As relações sociais e produtivas que praticamos, ainda em uma realidade marcada pela violência e competição, devem se pautar na solidariedade existente entre indivíduos e grupos, em contraponto às relações de dominação e exploração presentes no capitalismo. O capitalismo, além de estar baseado na luta de classes, estrutura-se a partir da exploração da natureza, cuja concepção de domínio se reproduz tal qual a exploração do trabalho humano, pois todos trabalhadores e os demais seres vivos são apenas recursos a serem expropriados. Essas relações sociais e econômicas produzem a centralização das riquezas sociais e naturais, a custa da exploração e da miséria dos trabalhadores, de um consumo desigual e alienado, acelerando a destruição da biodiversidade, da terra de diversos povos e espécies animais. A Ecologia, considerada como uma ciência e um movimento social, para o Anarquismo é um princípio que deve constar na prática política e na ação política de nossa classe, uma noção que nos reafirma como parte da natureza, a parte que acredita em relações sociais e naturais pautadas por liberdade e justiça, consciente de que estas não podem ser alcançadas sob a égide do capital. Já o Apoio Mútuo é o princípio que orienta a relação entre indivíduos de uma mesma sociedade, que se apóiam uns aos outros através de suas aptidões e diferenças para garantir a sobrevivência, fortalecendo a solidariedade e a ação social existente nas lutas contra a opressão e a exploração, buscando relações fraternas. As novas relações produtivas e sociais devem incorporar a noção de pertencimento à natureza, e as práticas do apoio mútuo presentes tanto na cosmovisão de diferentes povos, como na luta do movimento dos trabalhadores nos fins do século XIX e início do século XX, e nunca foram instrumentos de conciliação de classe para os socialistas libertários.