Arquivo da tag: fob

[CAB] CONTRA A REPRESSÃO DO ESTADO ARGENTINO

NOSSA SOLIDARIEDADE AOS LUTADORES/AS

Santiago Maldonado está desaparecido desde o dia 1º de agosto deste ano. Em apoio à luta dos povos originários, o jovem artesão participava de um trancamento da “Ruta 40”, rodovia que liga a Argentina ao Chile. O local é próximo a Cushamen, na província de Chubut, onde os Mapuche¹ realizaram uma retomada de terras que estão sob o domínio da empresa multinacional Benetton. O protesto pedia a liberdade de Facundo Jones Huala, liderança indígena, atualmente preso na Argentina, e contestava o pedido de extradição realizado pelo governo chileno que deseja julgá-lo e condená-lo como terrorista. O trancamento da rodovia foi duramente reprimido pela “Gendarmería Nacional” (Força Militar argentina), que chegou disparando contra a manifestação; Santiago foi visto pela última vez sendo levado pelas mãos violentas do Estado enquanto tentavam fugir do ataque.

Desde então as mobilizações em apoio ao povo Mapuche e pela aparição de Santiago se intensificaram por todo o país, chegando a ter movimentações de solidariedade também no Chile. Somada a elas também a mobilização contra o “Gatilho Fácil”, expressão utilizada pelos argentinos para denotar o abuso recorrente de força policial; outras expressões que marcam a luta popular, como a “Primeiro Atiram, Depois Perguntam”, demonstram como o governo argentino investe contra a população pobre enquanto faz a segurança dos de cima.

Ontem pela manhã, no dia 31 de agosto, um dia antes de completar um mês de seu desaparecimento e um dia antes da marcha nacional convocada pela aparição com vida de Santiago, diversas organizações foram perseguidas e tiveram seus espaços invadidos pela polícia argentina, em Córdoba e Buenos Aires. Foram diferentes espaços e centros culturais de organizações políticas e sociais, sendo: a Biblioteca Popular de Villa la Maternidad, Casa 1234, Espaço Social e Cultural Ateneo Anarquista no Bairro Guemes, Kasa Karacol da Federação de Organizações de Base (FOB), a sala de jantar da Frente de Organizações em Luta (FOL), sede do Partido Obrero e Movimiento Socialista de los Trabajadores (MST). Todas essas organizações têm em comum o fato de terem participado da 3ª Marcha Nacional Contra o Gatilho Fácil na segunda-feira passada. A perseguição política deixou seu objetivo bem evidente ao confiscar, entre outros materiais, bandeiras, faixas e instrumentos para prejudicar a marcha de hoje (01 de setembro) pela aparição de Santiago com vida, que ocorreu e com maiores ações repressivas do Estado Argentino. Reforçamos o pedido de liberdade para os detidos unicamente por lutar!

Onde está Santiago Maldonado? Onde está o Amarildo?

Na Argentina ou no Brasil a força policial e militar faz a segurança de empresários e latifundiários, já habituados em carregar as mãos sujas de sangue dos de baixo. O Estado argentino dispara sem hesitar contra os indígenas e a população pobre tal como o Estado brasileiro e tantos outros. São diversos desaparecidos políticos na Argentina e em toda América Latina. São incontáveis desaparecidos nas favelas brasileiras, no campo e nas florestas. A polícia – lá, aqui e em toda parte – “nunca sabe” o que aconteceu. Mesmo quando há provas das cenas forjadas, os policiais são absolvidos ou tem os processos arquivados, pois saíram para executar o seu trabalho: a política violenta do Estado, o Estado não conhece fronteiras para seu genocídio.

Não podemos mais ignorar que, em meio a luta de classes, há uma guerra étnica e racial travada ao redor do mundo. Ao olhar para nossa realidade e para o que ocorre na Argentina, e mesmo para os EUA, nos deparamos com a imperativa classificação racial da população e a continuidade de um projeto que iniciou antes do capitalismo, se agregou a ele e hoje é consolidado à sua estrutura. As elites nacionais cumprem ainda hoje seu papel de intermediadores entre a colônia e a metrópole e, embebidas pela mentalidade neocolonial, eurocêntrica e etnocêntrica², aplicam tais processos internamente e perpetuam a eliminação das diferenças. Por que somos todos iguais é que temos direito a diferença, nos ensinaram os zapatistas.

Recentemente completou-se um ano de impunidade do massacre dos Guarani em Caraapó, onde Clodiodi foi brutalmente assassinado. Trata-se da mesma cidade onde, no dia 5 de janeiro, o Guarani-Kaiowa Alexandre Claro foi alvejado com duas balas pela Policia Militar. A polícia alega que Alexandre, já diagnosticado com esquizofrenia, teria sofrido um suposto surto e atacado a viatura. Baleado, Alexandre Claro foi injustamente preso e libertado apenas recentemente, com o apoio de campanhas de solidariedade.

Mas o povo que é oprimido há 500 anos vem também resistindo há 500 anos. Em abril deste ano o movimento indígena brasileiro reuniu-se em seu histórico Acampamento Terra Livre, em Brasília.  Mais de 5.000 indígenas estiveram presentes na luta pela demarcação de terra, saúde, educação e assistência técnica. O Estado, seja brasileiro ou argentino, vem avançando cada vez mais sob os territórios dos povos originários em benefício da exploração do agro-hidro-mineral-negócio. Mas esses povos não aceitam passivamente o destino que o Estado lhes confere em seu projeto político-ideológico de nação. O etnocídio, assassinato da cultura milenar e ancestral, vem sendo combatido com muita luta e mobilização. O povo Guarani do T.I. Jaraguá realizou ocupação da Secretaria da Presidência da República em São Paulo, reivindicando a revogação da portaria anti-indígena 683/17 que anula o reconhecimento da posse permanente dos guaranis em seu território. As mobilizações contra o marco-temporal tiveram belíssima e parcial vitória no STF no dia 16 de agosto, quando as ações movidas pelo governo ruralista do Mato Grosso foram derrotadas. Se aprovadas, dariam legalidade à tese anti-indígena do marco temporal, que limita os territórios indígenas apenas aos existentes em 1988. São muitos exemplos de luta que nos inspiram e mostram que o Estado enfrentará muita resistência para passar por cima destes territórios sagrados.

Nas cidades, a brutalidade policial define seu alvo pela cor. Rafael Braga, preso no Rio de Janeiro em 2013 e condenado injustamente, agora tem o habeas corpus negado para tratar a tuberculose adquirida no cárcere. Em Salvador, os PMs que assassinaram doze jovens negros na Chacina da Cambuia foram absolvidos, ação já antecipada pelo comentário do governador da Bahia que comparou a polícia assassina à “artilheiros diante do gol”. São inúmeros os casos de mortes e encarceramento negro, bem como de exemplos do racismo institucionalizado.

A guerra racial escamoteada pela guerra às drogas e a guerra contra os indígenas que se perpetua desde a colonização está presente em diversos países. Apesar dos diferentes contextos históricos que a conformação dos Estados nacionais trouxe, há muito mais semelhanças entre nossas lutas. A atual radicalização repressiva do Estado Argentino encontra eco em nossa realidade brasileira e precisa ser denunciada e combatida. Barrar a repressão e construir solidariedade e laços firmes entre o povo oprimido é o caminho para nossa libertação!

O povo oprimido não se cala diante da repressão política. Chegamos até aqui lutando e seguiremos em luta!

Coordenação Anarquista Brasileira – CAB

¹Os Mapuches (“Mapu” terra e “che” gente) habitam a região centro-sul do Chile e do sudoeste da Argentina (o território original se estendia a Bolívia). Possuem um bravo histórico de luta, sua resistência contra os colonizadores espanhóis durou três séculos de batalhas!
²visão de mundo característica de quem considera o seu grupo étnico, nação ou nacionalidade socialmente mais importante do que os demais

[CAB] Solidariedade aos companheiros e companheiras da FOB de Rosário

Solidariedade aos companheiros e companheiras da Federación de Organizaciones de Base (FOB) de Rosário

Difundimos a mensagem de denúncia dos atentados e ameaças que companheiros e companheiras da Federación de Organizaciones de Base (FOB) de Rosário têm sofrido por parte do crime organizado articulado com membros do Estado.

Há praticamente dois anos a militância da FOB vem recebendo ameaças de vários tipos por fortalecerem um processo de luta popular constituída desde a base, independentemente do Estado, de partidos políticos, e de perspectiva transformadora. Nas últimas semanas essas ameaças têm se intensificado e adquirido maior materialidade.

Denunciamos a ação do crime organizado local, que atua conjuntamente com membros do Estado argentino, na tentativa de frear as lutas dos movimentos populares combativos do país.

Enviamos desde nossa região os mais fortes votos de solidariedade e apoio. Estamos atentos a qualquer coisa que ocorra a nossos companheiros e companheiras! A solidariedade é mais que palavra escrita! Arriba l@s que luchan!

Coordenação Anarquista Brasileira (CAB)

***

Atentado y Amenazas contra militantes sociales de la FOB en Rosario, Santa Fe
FOB Rosario

El pasado Domingo 23 de Marzo cerca de las 18hs la militante social de la Federación de Organizaciones de Base (FOB) Iris Velasquez sufrió un atentado en la puerta de su domicilio, cuando descubre la quema completa intencionada de su moto (adjuntamos foto). Previamente le habían llamado para amenazarla y advertirle del hecho. Minutos más tarde las mismas personas que habían realizado ese hecho llaman telefónicamente al compañero Emilio Crisi para amenazarlo de muerte y advertirle que él sería la próxima víctima.

En estos últimos años hemos visto como bandas narcos fusilaban a 3 militantes del Movimiento 26 de Junio en Villa Moreno, los compañeros Jere, Mono y Patom. Así mismo hemos tenido que padecer el asesinato de Merecedes “Mecha” Delgado en Barrio Ludueña a manos de bandas mafiosas de la zona. Nuestra organización no está ni ha estado exenta del alcance del accionar de estas bandas mafiosas que lo único que han hecho desde hace años es apretar a cada vecino y fusilar a los pibes que se metían en el delito como moneda de cambio a falta de futuro y trabajo digno, algo en lo que el Estado en sus diferentes niveles ha dejado hacer y en algunos casos ha sido cómplice como se ha conocido recientemente.

Nuevamente y de manera lamentable tenemos que hacer público una serie de hechos que intentan amenazar y socavar nuestra voluntad y espíritu militante, aquellos que nos impulsa a querer cambiar el mundo y buscar una sociedad sin opresores ni oprimidos. Desde hace ya varios años venimos recibiendo gestos de estas bandas mafiosas para que dejemos de hacer la construcción social que venimos llevando a cabo en esta localidad, así como en otras zonas del país. El objetivo es amedrentarnos y que abandonemos los lugares en cada barrios donde venimos llevando a cabo numerosas actividades comunitarias, proyectos de cooperativas de trabajo, huertas, talleres de oficios, escuelitas libertarias, espacios de mujeres, entre otros. Cabe aclarar que sufrimos esta persecución política de estos sectores de poder, en gran parte por estar nosotros organizados de forma independiente, a pulmón, desde abajo y por fuera del Estado. Es evidente que el trabajo de formación, inclusión y práctica social transformadora les molesta a sectores de poder, tanto institucionales como también narco-mafiosos. En conclusión tenemos que contarle a la sociedad y a los medios de comunicación que no solo desde hace mas de 2 años venimos recibiendo sistemáticamente llamados telefónicos con amenazas de muerte, mensajes de textos y mensajes de voz amedrentadores, sino que también el último domingo 23 de marzo –a un día de que nuestra federación saliera a la calle para protestar contra el terrorismo de estado de la dictadura y la impunidad de ayer y hoy- la compañera Iris Velásquez sufrió un atentado en la puerta de su domicilio, cuando le incendiaron completamente la moto y le efectuaron un llamado telefónico para avisarle del hecho y amenazar con mas acciones contra la organización. Minutos después al atentado y al llamado, esta banda mafiosa efectuó un segundo llamado al compañero Emilio Crisi para avisarle que era el próximo en recibir un atentado a futuro.

Desde nuestra federación hemos decidido salir a la calle a través de la acción directa, única forma que tenemos los de abajo para lograr lo decidido en asambleas, con el fin de buscar justicia y solidaridad de clase de otras organizaciones ante estos hechos. Sabemos que las bandas narco-mafiosas no están solas, están conformadas también por la institución policial y se encuentran protegidas por jueces, abogados, fiscales, políticos, empresarios y redes de connivencia con el Estado que de hace un tiempo a esta parte se ha empezado a evidenciar en los medios y la opinión pública.

No nos amedrentaremos por las amenazas y el atentado, no nos quedaremos de brazos cruzados cuando estamos viviendo la inflación, el desempleo, la injusticia social, la judicialización de la protesta social… y ahora los atentados y la persecución política de parte de las mafias organizadas que tienen entre sus enemigos a los movimientos sociales autónomos.

En este sentido hacemos pública la convocatoria a un acto en solidaridad a las organizaciones sociales, políticas, gremiales y de Derechos Humanos en repudio al atentado, a realizarse en Plaza San Martín (Santa Fe y Dorrego) frente a la Gobernación MARTES 8 de ABRIL a las 10 de la mañana.

Hacemos un llamado a la solidaridad y al apoyo para el esclarecimiento de este hecho de violencia social protagonizada por sectores de poder que no quieren esa sociedad nueva que queremos y estamos construyendo día a día sin opresores ni oprimidos, sin explotadores ni explotados, sin nadie que mande ni obedezca, en definitiva una sociedad libre.

Arriba lxs que luchan!!!

Contacto Prensa Emilio Crisi 341-155154070

¿Que es la FOB? Como dice nuestra sigla es una Federación de Organizaciones de vecinos desocupados que luchamos desde abajo, de la Base. Buscamos un mundo mas justo donde haya posibilidades para todos y todas. Para esto nos organizamos SIN punteros NI jefes, NI DEPENDENCIA de ningún partido político ni gobierno alguno.

Nuestra lucha es por alcanzar la dignidad humana sin que nadie sea privilegiado por sobre el resto. Nuestra lucha no quiere personas que manden y personas que obedezcan sino personas que participen de igual a igual. Nuestra lucha es por la libertad!

fob