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[FARJ] Ditadura ontem e hoje: repúdio à repressão da PM no ato contra o Golpe Militar

Retirado de:

http://anarquismorj.wordpress.com/2014/04/02/ditadura-ontem-e-hoje-repudio-a-repressao-da-pm-no-ato-contra-o-golpe-militar/

 

Nós, da Federação Anarquista do Rio de Janeiro (FARJ-CAB), repudiamos a covarde agressão realizada pela polícia militar do RJ aos militantes e manifestantes presentes no ato contra o Golpe Militar de 64, que fez 50 anos em 1º de abril.

Diversas organizações e correntes políticas marcharam nas ruas do Rio de Janeiro para marcar aresistência popular a instalação do golpe militar e empresarial, que beneficiou principalmente a burguesia nacional e internacional. Em nosso caso, distribuíamos o jornal Socialismo Libertário que falava justamente sobre a criminalização do protesto ontem e hoje.

Em determinado momento, em frente ao Clube Militar, a PM atacou covardemente os manifestantes.

Ao lado da tendência de luta, Organização Popular, fomos agredidos nos momentos finais do ato, de maneira covarde pela polícia militar!!

Infelizmente, não conseguimos registrar a agressão, mas nossos companheiros e companheiras sentiram na pele, a violência dessa instituição autoritária e criminosa, que só tem um motivo para existir: manter o atual sistema de dominação capitalista intacto.

É emblemático que justamente na data dos 50 anos do golpe militar que assolou o país, os governos continuem a tratar a questão social como caso de polícia.

Pelo fim da Políica Militar!
Contra a ditadura do governo federal, estadual e da FIFA nas comunidades e favelas!
Protestar não é crime!
Lutar, criar, poder popular!

[CAB] 50 Anos do golpe: os crimes do Estado seguem vigentes

Edição nº 29 – Ano X – Março de 2014

logo soliVivemos um momento emblemático em nosso país, com o aumento das perseguições políticas a lutadores sociais e organizações políticas, inquéritos com acusações absurdas e descabidas e um constante ataque por parte dos grandes meios de comunicação às lutas sociais, destilando seu ódio de classe, suas mentiras, e pintando uma realidade existente apenas em suas cabeças. As manifestações são alvo constante da “inteligência” policial, que xereta, espiona, classifica e identifica manifestantes que eles consideram criminosos perigosos, vândalos, subversivos. As reivindicações dos de baixo são ignoradas pelos governos e tratadas como caso de polícia. Tudo isso em um ano que marca os 50 anos do golpe civil-militar de 1964. Há uma herança deixada por esse período e a natureza criminosa e perversa do modo de dominação capitalista mantém sua vigência.

O aniversário do golpe no atual estado nada democrático de direito

CARTAZ MEMÓRIA 2011Necessitamos contextualizar a conjuntura em que vivemos a partir dos mecanismos e dispositivos legais e ideológicos deixados pela ditadura civil-militar. Mecanismos e dispositivos atualizados pelas práticas dos aparatos repressivos e utilizados pelos governos de turno para neutralizar e reprimir as lutas sociais. O golpe de estado civil-militar de 31 de março de 1964 foi um golpe da classe dominante, responsável pela repressão, pelo sequestro, pela tortura, pela prisão e assassinato não apenas de militantes, mas de todo o povo oprimido. Os povos indígenas e quilombolas também foram alvo da ditadura, que retirou inúmeros direitos sociais e políticos de amplas camadas da população ao passo que disseminou generalizadamente o medo e uma mentalidade conservadora que parece estar sendo reatualizada em nossa época de Estado Democrático de Direito. Se não podemos dizer que estamos às portas de uma ditadura ou mesmo de um estado policial, podemos sim dizer que há uma onda crescente de repressão, criminalização e cerceamento de direitos políticos e sociais. O Estado continua cometendo crimes e não é à toa que, segundo dados da ONU, a taxa de homicídios no Brasil é de 43 mil por ano.

Lei Geral da Copa, Lei Antiterrorismo e a Portaria do Ministério da Defesa de “Garantia da Lei e da Ordem” são exemplos de como o governo dito “progressista” de Dilma/PT vem conduzindo suas políticas e de como vem dando respostas às pautas de reivindicação exigidas nas jornadas de luta de 2013, que voltam à cena com força nesse início de 2014. As manifestações são tratadas como casos de polícia e classificadas entre as “boas” e as “más” manifestações. Mulheres e homens são presos arbitrariamente, espancados, humilhados e expostos pela mídia burguesa. Isso sem falarmos na cotidiana violência que sofrem os homens e mulheres das periferias, que são seqüestrados, assassinados e tratados como animais (como o caso da trabalhadora negra que foi arrastada por uma viatura da PM do Rio de Janeiro). Máscaras são proibidas, casas e sedes públicas são invadidas, espantalhos são criados, bodes expiatórios utilizados para montagens absurdas que claramente visam perseguir as ideologias e organizações políticas combativas. Os movimentos sociais são tratados como “Forças Oponentes” e passíveis de serem combatidos por manobras e táticas militares próprias de um contexto de guerra. Querem acabar com o direito à greve e à livre manifestação durante a Copa do Mundo.

Trata-se de uma conjuntura em que, assim como na ditadura civil-militar, Estado, aparato repressivo e grande mídia operam em conjunto como um elemento de choque do sistema de dominação capitalista, perseguindo e montando factóides contra militantes sociais diuturnamente.

Não começou em 2013, não vai acabar em 2014

1964910_284530675038418_164829884_nAs jornadas de luta de 2013 abriram novas possibilidades em nosso país. Possibilidades de gestação de um novo período de embates, com novas características, contra as forças da ordem na peleia por melhores condições de trabalho e de vida. As experiências de ação direta, de mobilizações massivas e de forte repressão vividas por amplas camadas da população deixaram marcas que podemos perceber no conjunto das lutas do início do ano. A greve dos correios e dos rodoviários em Porto Alegre e as lutas pela água com corte e barricadas de rua na região metropolitana do RS; a greve dos garis e a dos operários do Complexo Petroquímico de Itaboraí, no RJ; as mobilizações de rua contra a Copa do Mundo e outras inúmeras greves que são deflagradas em todo o Brasil demonstram que o ciclo de lutas aberto pelas jornadas de 2013 está longe de se fechar.

Se não vemos a mesma massividade de 2013, salta aos olhos a combatividade destas lutas. Suas características indicam uma maior radicalização e protagonismo das bases, que em vários casos tem atropelado as direções sindicais pelegas e conquistado vitórias. É pelo medo de que essas lutas tenham continuidade e se aprofundem em seu grau de organização e radicalização que os de cima e seus lacaios têm tentando a todo custo intimidar e acabar com a luta dos de baixo. A grande mídia pretende forjar consensos e pavimentar o caminho para uma ferrenha fuzilaria repressiva contra os lutadores sociais.

No Rio Grande do Sul há uma intensa campanha contra alguns lutadores sociais do Bloco de Luta pelo Transporte Público e contra professores combativos do magistério estadual. Inquéritos policiais claramente políticos e ideológicos vem sendo construídos como forma de intimidação. Até “constituição de milícia privada” aparece nas acusações. Em Santa Catarina o foco da repressão policial com prisões e violações de direitos humanos é realizado para manter o modelo de exploração capitalista no transporte coletivo. Além das prisões, processos criminais são encaminhados para tentar punir a população organizada que luta pela tarifa zero e por uma empresa pública de transporte coletivo. Em São Paulo vemos o emprego das tropas “ninja” e de efetivos cada vez maiores de policiais – entre tropa ninja, de choque, força tática, cavalaria, etc. – com o claro intuito de intimidar e restringir o direito de se manifestar dos/das que lutam; e no Rio de Janeiro, foram os garis que tiveram de enfrentar uma forte campanha midiática disposta a deslegitimar sua greve histórica, uma prefeitura conservadora obstinada a não atender suas reivindicações e uma polícia militar que agiu como os antigos “capitães do mato”; a mesma polícia que assassina diariamente centenas de Claúdias e de Amarildos.

É na esteira desta ampla campanha, com vistas a forjar um consenso e impor uma ordem marcada pela pasmaceira de um povo obediente frente aos desmandos e abusos dos de cima, de garantir uma “esquerda” domesticada ao calendário eleitoral, de transformar os atos em meras manifestações cívicas com propósitos conservadores, que temos as dezenas de casos de repressão, abusos e perseguições político-ideológicas em todo o país. Trata-se de uma intensa guerra psicológica que estes meios vêm desatando contra a esquerda que resiste ao pacto social costurado pelo governo de turno em aliança com as classes dominantes e as burocracias de diversos movimentos sociais que cada dia mais vão perdendo o seu vigor para se assimilarem a meras ONGs.

A morte do cinegrafista Santiago Andrade em um trágico acidente no Rio de Janeiro é o maior exemplo de como essa guerra psicológica vem sendo travada em escala nacional. Com isso, tentam justificar a aprovação da famigerada lei antiterrorista com a qual pretendem impedir que os setores populares e a esquerda superem a trágica dispersão e desorganização que os caracterizaram nos últimos anos. Quando o real motivo é o medo da classe dominante diante de um novo ciclo de lutas marcado por uma outra cultura política, que não esteja enraizada em ilusões institucionais, mas sim no protagonismo popular, na ação direta e trabalho de base de todos os dias.

É em meio a esse clima de intensa guerra psicológica que vemos os atuais governos “progressistas” ensaiando uma dobradinha com os oligopólios da imprensa, os mesmos que de forma reiterada acusam de sabotá-los e criar um ambiente golpista. Enquanto a grande imprensa denuncia e planta factóides, diversos governos estaduais, com a aprovação do governo Dilma, não vacilam em seguir o bonde e autorizar mandados de busca e apreensão, indiciamentos farsantes, infiltrações, intimidações a crianças, tropas ninja e tudo mais que seja necessário para garantir seu pacto social neodesenvolvimentista e a sua comemoração a partir dos mega-eventos como a Copa do Mundo e as Olimpíadas.  Revelam, assim, o seu real caráter político e de classe.

Não temos dúvidas com relação ao nosso papel enquanto esquerda libertária de intenção revolucionária. Cabe a nós defender que as lutas em curso e a organização dos setores que compõem as classes oprimidas ganhem a profundidade e a intensidade necessárias para impedirmos o avanço desse estado de repressão e criminalização sobre as lutas sociais. A unidade dos de baixo não só é desejável como extremamente necessária na conjuntura em que estamos vivendo e as ilusões alimentadas por uma esquerda eleitoralista precisam ser questionadas, pois nossas urgências não caberão nas urnas dos de cima! Se não há direitos para o povo, não vai ter copa para os ricos.

Nossa memória aos de ontem será nossa luta com os de hoje! Ditadura nunca mais!

Barrar a criminalização do protesto e dos lutadores sociais com organização e pela força das ruas!

Rodear de Solidariedade à todos(as) os(as) que lutam!

Coordenação Anarquista Brasileira – CAB

[CURITIBA] ATO: 50 anos de ditadura e a repressão continua!

Quando: 1º de abril (terça), 12 h.

Onde: Reitoria UFPR

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Há exatos 50 anos, iniciou-se no Brasil um período marcado pelo autoritarismo e repressão: o Regime Militar. Instaurado no dia 1 de abril de 1964, através de um golpe militar pôs fim ao período Populista do até então presidente João Goulart. O golpe de estado foi apoiado pelos setores conservadores da sociedade, que temiam a implantação da reforma de base, alegando que tal medida despontaria numa ditadura comunista. O então chefe do Estado-Maior do exército, Mal. Castelo Branco, um dos principais articuladores do golpe de 64, é eleito presidente pelo Congresso, o primeiro dos cinco que estiveram no poder durante os 21 anos de ditadura militar no Brasil. O plano político do regime era marcado pelo autoritarismo, supressão dos direitos civis, censura prévia aos meios de comunicação e pelas prisões torturas e assassinatos Aqueles que fossem opositores aos golpistas deveriam ser presos. Diversos militantes da esquerda tiveram de se exilar, suas casas foram invadidas, pois qualquer ligação à esquerda ideológica era considerada como uma ameaça ao regime instaurado. Centenas foram mortos pelas forças armadas ou são dadas como desaparecidas até hoje.

Os movimentos sociais passaram a agir na clandestinidade, à margem do governo ditatorial. E temos na ditadura, na linha de frente no combate e represão aos movimentos sociais, em especial o movimento estudantil, um conhecido da comunidade acadêmica da UFPR, o até então reitor da UFPR, Flávio Suplicy de Lacerda, torna-se ministro da educação e decreta a extinção das entidades estaduais e a UNE. As decisões repressivas do governo tornavam a revoltas entre os estudantis ainda maiores. Foi com o AI-5 (que por ato do presidente podia supender o legislativo e judiciário, o executivo ainda podia suspender direitos políticos e a censura aumenta) e o fechamento do Congresso. Por conta desta agenda ainda mais conservadora do Marechal Costa e Silva (segundo ditador), muitos estudantes decidiram aderir à luta armada nos anos seguintes, muitos passaram a compor grupos radicais de resistência, participando de assassinatos, sequestros e assaltos a bancos e supermercados, para financiar as lutas armadas contra o regime militar.

O ministério da educação, sob comando de Suplicy, assinou diversos acordos com a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), e nos relatórios de 1965 a 1968 eram indicados que as instituições buscassem formas alternativas para financiar a educação (ou seja que fossem privatizadas), sem falar que se sugeriam reformas que tornariam nossos cursos superiores tecnicistas. Suplicy tinha ainda no ministério a função de acabar com o Movimento Estudanti, e não exitou em intensificar a perseguição. Como se não basta-se, em 1967, de volta a cadeira de reitor, o ex- ministro da educação, Flavio Suplicy, tenta estabelecer uma taxa de anuidade aos estudantes ingressos na instituição a partir do vestibular daquele ano. O movimento estudantil, organizado realizou uma ampla campanha contra a cobrança da anuidade entre os universitários e secundaristas e por meio de forte mobilização barra as movimentações.

Atualmente temos visto que a repressão continua. Nas manifestações são presos centenas, pelo simples fato de protestar contra esta injusta ordem. Todos os dias vemos “pinheirinhos” serem despejados com uma grande truculência. Greves, como a emblematica greve dos garis no Rio de Janeiro são tratadas como caso de polícia. Temos ainda AI-5 da copa (lei geral da copa) que transforma manifestantes em terroristas, podendo os colocar na prisão pelo período de 2 a 5 anos pelo simples ato de se manifestar durante a copa.

Não avistamos nenhuma homenagem, nenhum monumento aos bravos estudantes lutadores que impediram a implementação de mensalidades na UFPR, e nenhuma homenagem aqueles que entregaram sua vida para lutar contra a ditadura temos em nossa cidade. Todavia encontramos em nosso pátio uma vistosa estátua de Suplicy, e por todas cidades vemos homenagens a estes homens responsáveis por este regime atroz que foi porporcionado pelo golpe militar. A repressão ainda continua dura a quem decide por não se calar as injustiças.

Por isso convocamos a todxs a relembrar este dia que foi o do golpe militar com luto para os que se foram e luta.

NÃO PASSARÃO!

BASTA DE CRIMINALIZAÇÃO AOS MOVIMENTOS SOCIAIS!

ATO POLÍTICO NA REITORIA, DIA 1 DE ABRIL, 12:30.

FIRMAM ESTE ATO:

CAHS-Centro Acadêmico Hugo Simas

CALC- Coletivo Anarquista Luta de Classe

CQM- Coletivo Quebrando Muros

LPJ- Levante Popular da Juventude

PCB- Partido Comunista Brasileiro

PSOL- Partido Socialismo e Liberdade

RUA-

CTZ- Coletivo Tarifa Zero Curitiba

[CURITIBA] NEM ESQUECER NEM PERDOAR! 50 anos do Golpe Militar: a repressão ontem e hoje – Evento no dia 1º de abril

O Coletivo Anarquista Luta de Classe convida todxs a participarem do debate “NEM ESQUECER NEM PERDOAR! 50 anos do Golpe Militar: a repressão ontem e hoje”.

No próximo 1º de abril, completam-se exatos 50 anos do Golpe Militar no Brasil, o início de um período marcado pela repressão militar frente aos movimentos sociais e organizações de esquerda na luta pela redemocratização. Justamente neste marco simbólico de 50 anos do pontapé para a Ditadura Militar vivemos um período em que a criminalização e a forte repressão às mobilizações repercutem com frequência na sociedade. Este fato não deve ser apagado de nossa história e muito menos devemos perdoar os crimes cometidos durante a Ditadura, pois o que se viu ontem e o que se vê hoje estão longe de serem fatos isolados!

Para o debate estarão presentes:
Adriano Codato, professor de Ciência Política da Universidade Federal do Paraná
Leonardo Micheleto, Historiador
Augusto Salmon, graduando de Direito na Universidade Federal do Paraná

O debate acontecerá no 9º do prédio Dom Pedro I, na Reitoria da UFPR. A sala é a 914, no final do corredor. Convidem outras pessoas e compareçam para contribuir com o debate!