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2 ANOS DO MASSACRE DE CAARAPÓ!

Nesse dia 14 de junho de 2018 completam 2 anos do Massacre de Caarapó, onde o lutador e agente de saúde Guarani Kaiowa Clodiodi Aquileu Rodrigues de Souza foi assassinado. Oito chegaram a ser hospitalizados e mais de 20 guarani kaiowa foram feridos, incluindo crianças e idosos.

Dois dias antes do ocorrido, o povo Guarani Kaiowa havia retomado 490 hectares da Fazenda Ivy que se sobrepõe ao território ancestral guarani Tora Paso, num processo histórico de recuperação do território de que foram expulsos pelo avanço da fronteira agrícola do capital com o total e pleno incentivo do Estado de Mato Grosso do Sul governado nos últimos tempos tanto por PSDB, PMDB como pelo PT.

Os fazendeiros da região não aceitaram que o povo Guarani Kaiowa retomasse o que é deles por Direito Originário. Era uma terça-feira, 14 de junho de 2016 quando um grupo de mais de 300 pessoas compostas de paramilitares, jagunços, milícia privada em conjunto com as forças oficiais de repressão do Estado (Departamento de Operações de Fronteira e Policia Militar) a serviço dos fazendeiros da região de Caarapó, organizou-se com dezenas de caminhões, tratrores e armas de fogo. Transformado num verdadeiro cenário de guerra, o acampamento que hoje leva o nome Kunumi Poty Verpa, nome guarani kaiowa de Clodiodi, mas que na época era chamado de Toro Paso, as forças de repressão de forma covarde, que é como atuam em defesa dos interesses do capital, iniciaram um ataque contra a resistência guarani kaiowa com a intenção de desmobiliza-la e expulsar as famílias guarani kaiowa de seu Tokoha, “meteram sem miséria, tiro de 12, 38 e espingarda” disse Ruspo em sua música*.

Mas dando continuidade a uma resistência de mais de 500 anos, o povo guarani kaiowa não se intimidou com as forças de repressão e permaneceu firme em seu território e enfrentou com ajuda da força espiritual que Nanderu lhes promove, o ataque orquestrado pelo capital. Não só resistiram a mais esse ataque etnocida, como responderam com o avanço nas retomadas de seus territórios já pouco tempo depois do assassinato do Kunumi Poty Verá, na mesma região.

O estado do Mato Grosso do Sul chama a atenção por ser o olho do furacão do processo etnocida anti-indígena que ocorre hoje no Brasil, despontando no cenário nacional não somente com assassinatos, perseguição e criminalização de indígenas, como também em outros problemas que atentam a direitos básicos como a mortalidade infantil decorrente da desnutrição. É o que nos revela o CIMI (Conselho Indigenista Missionário) com dados contidos no documento: “As Violências Contra os Povos Indígenas em Mato Grosso do Sul – E as resistências do Bem Viver por uma Terra Sem Males”, dados de 2003-2010.

De 2003 a 2010 houve 452 assassinatos de indígenas no país, sendo 250 somente no Mato Grosso do Sul, ou seja, 55,5%, mais da metade! Também de 2003 a 2010 mais de 4.000 crianças indígenas sofreram de desnutrição nesse Estado, sendo que em 2003 a taxa de mortalidade infantil por desnutrição chegou ao horripilante número de 93 crianças para cada 1000 nascimentos. Essa é a contradição. Povos que tiveram a agricultura como parte essencial de seu desenvolvimento e cultura enquanto povo originário têm agora suas crianças sofrendo em decorrência da fome e da alimentação industrializada, que é também mais uma forma de violência e colonização contra os povos originários. As crianças hoje sofrem porque seus pais não podem plantar, pois vivem sob a eminência de uma reintegração de posse e de terem suas roças destruídas, quando isso não ocorre de forma proposital mandada pelos fazendeiros. Ou também quando são envenenados com a pulverização aérea dos grandes latifúndios, prática essa que não deve ser vista apenas como “consequência” da utilização de determinado maquinário agrícola, mas sim, como arma de guerra e extermínio etnocida contra o povo Guarani Kaiowa.

Por isso é necessário, que olhemos enquanto povo brasileiro para o que está acontecendo com o povo Guarani Kaiowa no estado do Mato Grosso do Sul e apoiemos o seu processo de retomada dos territórios ancestrais, dos quais foram expulsos em detrimento da exploração dos recursos naturais pelas mãos do latifúndio, que sempre e somente produziu morte e dor na vida destes povos que habitam há mais de milênios e conhecem essas terras melhor do que todos.

Nós do Coletivo Anarquista Luta de Classe/PR, viemos relembrar o que ocorreu há dois anos, porque a memória não pode ser esquecida. Após dois anos do assassinato de Kunumi Poty Verá, o processo de demarcação de terras indígenas no estado do Mato Grosso do Sul continua paralisando a política fundamental que possibilita tantas outras como a saúde, a educação e o saneamento básico, por exemplo. Mas o estado é ruralista e deixa claro o lado que assume na luta entre o capital e os povos originários. O assassinato de Kunumi Poty Verá é exemplo disso, não há nada a esperar do Estado a não ser mais destruição dos direitos básicos e repressão, criminalização de todos e todas que lutam e ousam resistir. Usam de artimanhas jurídicas, como a tese do Marco Temporal, para travar o processo de demarcação de território indígena, que sempre foi lento tanto em governos de direita quanto nos ditos de “esquerda”.

Se hoje o povo Guarani Kaiowa vive sob os resquícios de seus territórios originários, é porque resistiu e conseguiu pela força de seu próprio movimento retomar o que um dia lhe foi usurpado com o derramamento de sangue e o tombamento de lideranças de seu movimento de re(existência). Consegue ainda se manter com o que vive hoje, mas o capital não permite e vai fazer de tudo para retirá-lo de cima de seu território. Será somente com resistência e organização da base que o povo Guarani Kaiowa poderá defender seu território e avançar nas retomadas, coisa que já demonstrou saber fazer quando em abril desse ano fez a ministra do STF Carmen Lucia, suspender os pedidos de reintegração de posse previstos para ocorrer nas Tekoha Guapo’y, Jeroky Guasu e Pindo Roky tambem em Caarapó.

A partir dessa singela, mas honesta nota pública, viemos enquanto Coletivo Anarquista Luta de Classe/PR contribuir e somar ao ato nacional convocado pelo Comitê de Solidariedade aos Povos Indígenas de Dourados-MS, ato politico em memória dos 2 anos do Massacre de Caarapó e dos 2 anos do assassinato de Kunumi Poty Verá !

(https://www.facebook.com/events/247785449103082/)

KUNUMI POTY VERÁ VIVE ! !

TODO APOIO ÀS RETOMADAS DOS TERRITÓRIOS GUARANI-KAIOWA ! !

NÃO AO MARCO TEMPORAL ! !

Comitê de Solidariedade aos Povos Indígenas:

https://www.facebook.com/Comitedesolidariedadeaospovosindigenasdedourados/

A Assembleia da Retomada Aty Jovem (RAJ) vai ocorrer entre os dias 10 a 14 de setembro de 2018 no Território Indígena Porto Lindo, cidade de Japorã, e é um espaço importante de organização e articulação da juventude Guarani e Kaiowá. Por dificuldades financeiras em viabilizar esse encontro o movimento conta com a ajuda de apoiadores/as através de uma vaquinha virtual:

https://www.vakinha.com.br/vaquinha/assembleia-da-retomada-aty-jovem-guarani-e-kaiowa

*Música: Ruspo – Meu Gloriodo Clodiodi

https://www.youtube.com/watch?v=NI3TeSpDiOQ

Letra:

PF de helicóptero
batendo asa nos barraco
(ferve a água prum mate…)

(relata:)
botaram fogo em tudo
tentaram enterrar
o corpo com a carregadeira.

os gatilho
foi pra defender
os novilho
vale mais que o quê
sem carícia
tirando os patrício
de caarapó

atiraram sem trégua
encapuzados da milícia paramilitar
atiraram sem trégua
milícia paramilitar

acertaram professores e lideranças
agentes de saúde e as crianças
rezadores e rezadoras e as guerreiras
guerreiros e guerreiras
e os patrício
o!

o fazendeiro louco
mete fogo em nós
meteu fogo em vários de nós

(e o cara do sindicato
mentiu na TV…)

meu glorioso clodiodi
meu glorioso clodiodi
meu glorioso mártir
meu glorioso mártir

meteram sem miséria
tiro de 12, 38 e espingarda

pra depois falar
que ninguém tava armado
então como foi que ele morreu
então como foi que ele morreu

arrastão de: jorge ben e gilberto gil, lily allen, beach boys

[CAB] CONTRA O AUMENTO DOS COMBUSTÍVEIS E DO CUSTO DE VIDA DE TODA A CLASSE TRABALHADORA: TOMAR AS RUAS CONTRA O AJUSTE E A REPRESSÃO!

Nós da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB) nos solidarizamos e apoiamos a luta dos caminhoneiros e caminhoneiras que desde a segunda-feira, 21 de maio, estão em greve em diversos locais do país, realizando trancamentos de rodovias federais, estaduais e manifestações de rua.
Os diversos interesses em jogo nessa luta, a tentativa por parte do empresariado de tentar capturar a pauta dos trabalhadores e agenciá-la a seu favor, não pode ofuscar a justa luta da categoria e obstruir a solidariedade de classe. É necessário que os trabalhadores e trabalhadoras pressionem seus sindicatos para se manifestar ativamente em solidariedade à luta dos caminhoneiros e contra a política de preços da Petrobrás, criada pelo tucano Pedro Parente sob encomenda do Governo Temer. Uma política subordinada à agiotagem do sistema financeiro internacional, que faz com que a Petrobrás não trabalhe visando os interesses do povo, mas a serviço de especuladores e empresas internacionais, praticando preços que não são aplicados em nenhum país produtor de petróleo. Essa política de preços impacta toda a classe trabalhadora, pois sua consequência é o aumento do custo de vida para todos nós. A mão invisível do mercado bem sabe onde fica bolso do trabalhador, assim como sabe se usar do cassetete e armas para reprimir quando nos colocamos de pé para lutar contra os ajustes e as políticas anti-povo dos governos que só defendem seus interesses.
A categoria dos caminhoneiro/as segue pressionando o Governo Federal para que atenda as reivindicações contidas no documento protocolado(http://www.unicam.org.br/paralisacao-do-setor-e-decorrente-de-descaso-do-governo/) dia 16 de maio, em Brasília, e entregue a todos os ministérios competentes.
No documento, a categoria exige melhores condições de trabalho e o cumprimento de acordos feitos anteriormente, como a criação de pontos de paradas de descanso nas rodovias, isenção de impostos para caminhoneiros autônomos, vale-pedágio, entre outras. Duas pautas são centrais: a redução no preço do óleo diesel e a isenção do pagamento de eixo suspenso no pedágio para os caminhõess vazios. 
Diante da forte mobilização, o governo fez o que bem sabe fazer quando é colocado em xeque. Chamou uma mesa de negociação com “representantes” que não falam em nome do movimento e fez um simulacro de acordo para legitimar a repressão militar daqueles que chamou de “pequena minoria”. Fato é que, após o suposto acordo do governo com os “representantes” da categoria, os bloqueios nas estradas aumentaram e manifestações espontâneas em solidariedade aos caminhoneiros e contra o governo Temer começaram a surgir por todo o país.
As centrais sindicais CUT, CTB, UGT, Força Sindical, CSB, NCST, diante da truculência do governo em convocar as Forças Armadas para arrancar os caminhoneiros de seus locais de trabalho, as estradas, se colocaram de joelhos diante do governo Temer para mediar um acordo com os caminhoneiros, ao invés de convocar uma mobilização que prepare a Greve Geral. Nada podemos esperar dessas centrais que pensam suas ações sob a sombra das urnas. Fazer política confiando no pleno funcionamento das instituições é não compreender que, em um Estado Policial de Ajuste, talvez ao fim do ano não exista uma urna aguardando o voto, mas sim o cano frio de um fuzil militar para reprimir a luta do povo.
Por isso, não vemos soluções mágicas, nem pela via eleitoral nem pela violência institucional de outra ditadura militar. Somente com a solidariedade e união entre os setores da população é que o povo vai conseguir resistir à ganância dos poderosos e exploradores nacionais e internacionais. A força do povo organizado, construindo o Poder Popular, que pode trazer alternativas a toda esta sangria do mercado financeiro e dos especuladores internacionais contra nós. Aqueles que apostam as fichas nas ilusões eleitorais ou saídas autoritárias ignoram que é na luta popular direta que podemos acumular e defender direitos sociais.
É fundamental que reforcemos os laços de solidariedade entre as categorias sindicais e populares para construir o germe de uma greve geral, que coloque o governo na parede e retome nossos direitos sociais perdidos.
TODO APOIO À LUTA DO/AS CAMINHONEIRO/AS!
POR UMA PETROBRÁS QUE NÃO SEJA SUBORDINADA AO MERCADO FINANCEIRO!
CONTRA A REPRESSÃO DAS FORÇAS ARMADAS/MILITARES E AS SAÍDAS SOLUÇÕES AUTORITÁRIAS!
CONTRA OS ATAQUES DO GOVERNO AOS DIREITOS DA CLASSE TRABALHADORA!
Coordenação Anarquista Brasileira

[CURITIBA] 3º ENCONTRO DO CÍRCULO DE ESTUDOS LIBERTÁRIOS (CEL)- NA TERÇA (26/06/2018)

Anarquismo, Gênero, Sexualidade e Feminismo

Na terça-feira, 26 de junho, o CALC articulará seu grupo de estudos em Curitiba. Faremos o CEL no Prédio Histórico da Universidade Federal do Paraná, às 18:30, na sala 205 da Psicologia.

Assim como em outros anos, estaremos nos encontrando na última terça-feira de cada mês, discutindo vários temas relevantes para os movimentos sociais, para a esquerda e para o anarquismo. Neste encontro do CEL iremos debater a luta das mulheres e o anarquismo. Para isso discutiremos a intersecção entre gênero, raça e classe e a importância de os movimentos sociais defenderem pautas feministas e não reproduzirem qualquer tipo de opressão.

  • Não há Socialismo sem Feminismo! – Coletivo Quebrando Muros
  • O legado da escravatura: bases para uma nova natureza feminina – Capítulo I de Mulher, Raça e Classe – Angela Davis
  • Recusando Esperar: Anarquismo e Interseccionalidade – Deric Shannon e J. Rogue

Baixe aqui: CEL VI

Link: https://www.facebook.com/events/1823939294568500/

Para mais informações sobre os textos e temas que discutiremos durante o ano, visite: https://anarquismopr.org/grupos-de-estudos-libertarios/

Venha participar!

 

[CURITIBA] 2º ENCONTRO DO CÍRCULO DE ESTUDOS LIBERTÁRIOS (CEL) – NA PRÓXIMA TERÇA (24/04/2018)!

Anarquismo : Classes Sociais e Poder

Na próxima terça-feira, 24 de abril, o CALC articulará seu grupo de estudos em Curitiba. Faremos o CEL no Prédio Histórico da Universidade Federal do Paraná, às 18:30, na sala 205 da Psicologia.

Assim como nos anos anteriores, estaremos nos encontrando na última terça-feira de cada mês, discutindo vários temas relevantes para os movimentos sociais, para a esquerda e para o anarquismo.

Este módulo tem como finalidade expor o entendimento que os anarquistas (da vertente de massas) têm dos sujeitos revolucionários, sendo a concepção destes distinta das demais correntes do socialismo por negar o exclusivismo “proletário”. Num segundo momento, buscaremos estabelecer a noção de poder para os anarquistas e a sua proposta de organização.

Os textos base são:

Da periferia para o centro sujeito revolucionário e transformação social – Felipe Corrêa

Nossa concepção de poder popular – Artigo teórico elaborado pela Coordenação Anarquista Brasileira para o primeiro número de sua revista Socialismo Libertário, publicado em junho de 2012.

Baixe aqui: CEL III

Evento no Facebook:                                                                 https://www.facebook.com/events/2100606680216883/

Para mais informações sobre os textos e temas que discutiremos durante o ano, visite: https://anarquismopr.org/grupos-de-estudos-libertarios/

Venha participar!

[MATINHOS] 1º ENCONTRO DO CÍRCULO DE ESTUDOS LIBERTÁRIOS (CEL) – NA PRÓXIMA SEXTA (06/04/2018)!

O que é Anarquismo?

Na próxima sexta-feira, 06 de abril, o CALC articulará seu grupo de estudos em Matinhos. Faremos o CEL na UFPR Litoral, Sala 23 B às 15hrs.

Estaremos nos encontrando na uma vez por mês, discutindo vários temas relevantes para os movimentos sociais, para a esquerda e para o anarquismo.

Neste primeiro encontro buscamos apresentar qual são nossos objetivos e a dinâmica que pensamos para o grupo de estudos durante o ano. Além disso, a partir da discussão baseada no texto e nesta primeira temática, “O que é o Anarquismo?”,  pretendemos dar um panorama geral sobre quais princípios, ideias e conceitos são fundamentais ao anarquismo e discutir um pouco sobre como esta ideologia se formou e esteve presente na história.

– O que é Anarquismo? – Coordenação Anarquista Brasileira (CAB), Revista Socialismo Libertário, nº 3.

Baixe aqui: CEL 01 – O que é anarquismo?

Evento no Facebook:                                                                         https://www.facebook.com/events/170288200449927

Para mais informações sobre os textos e temas que discutiremos durante o ano, visite:             https://coletivoanarquistalutadeclasse.wordpress.com/grupos-de-estudos-libertarios/

Venha participar!

[CURITIBA] 1º ENCONTRO DO CÍRCULO DE ESTUDOS LIBERTÁRIOS (CEL) – NA PRÓXIMA TERÇA (27/03/2018)!

O que é Anarquismo?

Na próxima terça-feira, 27 de março, o CALC articulará seu grupo de estudos em Curitiba. Faremos o CEL no Prédio Histórico da Universidade Federal do Paraná, às 18:30, na sala 205 da Psicologia.

Assim como no ano de 2017, estaremos nos encontrando na última terça-feira de cada mês, discutindo vários temas relevantes para os movimentos sociais, para a esquerda e para o anarquismo.

Neste primeiro encontro buscamos apresentar qual são nossos objetivos e a dinâmica que pensamos para o grupo de estudos durante o ano. Além disso, a partir da discussão baseada no texto e nesta primeira temática, “O que é o Anarquismo?”,  pretendemos dar um panorama geral sobre quais princípios, ideias e conceitos são fundamentais ao anarquismo e discutir um pouco sobre como esta ideologia se formou e esteve presente na história.

– O que é Anarquismo? – Coordenação Anarquista Brasileira (CAB), Revista Socialismo Libertário, nº 3.

Baixe aqui: CEL 01 – O que é anarquismo?

Evento no Facebook:                                                                         https://www.facebook.com/events/179540526015494

Para mais informações sobre os textos e temas que discutiremos durante o ano, visite:             https://coletivoanarquistalutadeclasse.wordpress.com/grupos-de-estudos-libertarios/

Venha participar!

[CAB] Assassinato Político, Terrorismo de Estado: Marielle Franco, Presente!

Na noite da última quarta-feira, 14 de março, após sair de um debate com outras mulheres negras, na Lapa, Marielle Franco foi brutalmente executada. O motorista do carro em que Marielle se encontrava, Anderson Pedro Gomes, também foi assassinado.

Executaram uma militante, mulher, negra, lésbica, nascida na Favela da Maré, defensora dos Direitos Humanos, vereadora pelo PSOL, e que havia recentemente se tornado relatora da comissão responsável por fiscalizar a Intervenção Militar no Rio de Janeiro.

Há anos Marielle vinha denunciando os abusos da PM do Estado, e estava acompanhando de perto os desdobramentos cruéis da recente intervenção federal-militar. Quatro dias antes de sua morte, Marielle havia denunciado uma ação truculenta do 41 batalhão da PM na Favela do Acari, onde policiais aterrorizaram moradores e moradoras, invadiram casas e jogaram jovens dentro de um valão.

Os assassinatos de Marielle e de Anderson representam uma ação orquestrada por um Estado Terrorista e Genocida, que não usa máscaras para dizimar o povo negro e para enviar um recado a todos e todas que se colocam contra o massacre desenfreado promovido nas periferias. Não é coincidência ou um erro da Política de Segurança Pública do Estado a morte da companheira em plena vigência da intervenção federal-militar. O avanço da repressão, através da medida, é que autoriza esse novo e profundo passo do terrorismo de estado. Trata-se de uma ação claramente bem arquitetada: nove tiros contra o veículo, um caso explícito de execução sumária de uma lutadora do povo.

O Estado, o capitalismo brasileiro e suas instituições seguem funcionando, com seu perfil histórico de manutenção das desigualdades estruturais e de perpetuação direta ou indireta da barbárie.

Neste momento de dor, tristeza e ódio nos cabe prestar toda solidariedade as famílias de Marielle e Anderson, as companheiras e companheiros do PSOL e a todos e todas que estão diariamente nas trincheiras contra o genocídio do povo negro.

ESTADO TERRORISTA!
PELO FIM DA INTERVENÇÃO FEDERAL-MILITAR!
POR MEMÓRIA, VERDADE E JUSTIÇA!!!

MARIELLE FRANCO: PRESENTE!

[CAB] Nota do GT Estudantil da Coordenação Anarquista Brasileira em solidariedade aos estudantes que ocupam a Reitoria da UFRGS em defesa das cotas raciais

Viemos por meio desta nota nos solidarizar com o movimento negro da UFRGS. No dia 07/03 a ocupação do prédio da reitoria da UFRGS foi impulsionada pelo Coletivo Balanta, com o objetivo de reverter a decisão da universidade que alterou os critérios de aferição do processo de seleção de cotistas.

No caso, a reitoria passou a homologar estudantes com identificação hereditária até os avós, não mais se pautando pelo critério fenotípico. Ainda com o intuito atropelar o antigo processo, criou a categoria “pardo com ascendência indígena” e uma comissão de Recurso com representantes escolhidos a dedo pelo reitor, deslegitimando a Comissão de Aferição anterior, que era mais representativa e acumulava um longo debate com o Movimento Negro. Segundo a carta em que os antigos membros da comissão pedem desligamento, as comissões foram “Demandadas nacionalmente pelo Movimento Negro […] fruto da reflexão e acompanhamento no qual se entendeu que não havendo comissões que façam análise heteroidentificativa de candidatos cotistas raciais, as vagas cairiam na sua grande maioria para não-negros e não indígenas”[1].

O movimento tem apontado que as alterações descaracterizam o objetivo da política de cotas, mas a reitoria se mostrou indiferente às críticas e mesmo após o desligamento de membros da Comissão Permanente de Verificação da Autodeclaração Étnico-racial (CPVA) não voltou atrás com a sua decisão arbitrária.

Muito nos indigna, mas não nos surpreende que a Reitoria da UFRGS queira modificar o sistema. A Universidade enquanto um direito social foi historicamente vedada à população negra, e os setores conservadores da sociedade tem se incomodado com o fato de que, apesar do racismo – instituição central da sociedade brasileira e marca distintiva da universidade no Brasil – a população negra tem cada vez mais superado o filtro social do vestibular. Isto porque para os setores conservadores, a presença da população negra nas universidade deve-se restringir ao trabalho precarizado e terceirizados na limpeza limpeza e nos RUs.

Mas em resposta à falta de consideração pelos acúmulos do Movimento Negro no tratamento da questão e à falta de diálogo da atual gestão da universidade, o Coletivo Balanta impulsionou a ocupação do prédio da reitoria; demonstrando como deve ser feito o combater a negação escancarada de um direito social – que mesmo diante de todas as conquistas ainda precisa avançar muito. Esta é mais uma luta que a classe trabalhadora terá que enfrentar e combater em meio ao ferrenho avanço neoliberal que estamos enfrentando e precisamos permanecer firmes e nos espelhar no exemplo do Coletivo Balanta, entendendo que é só através da luta que poderemos defender as nossas conquistas.

Não satisfeita com a arbitrariedade contida no desprezo institucional em relação ao posicionamento coletivo, construído historicamente pelo Movimento Negro, a reitoria foi além, acionando as forças repressivas para garantir a reintegração de posse do prédio ocupado. Como se já não houvessem arbitrariedades suficientes neste processo, o pedido de reintegração caiu nas mãos do Juiz Bruno Risch Fagundes de Oliveira, que decidiu acionar as forças armadas para acabar com a ocupação.

Não podemos deixar de destacar o absurdo representado pelo acionar das forças armadas para tratar de um conflito político dentro da Universidade e nos sentimos na obrigação, não só de nos solidarizamos com os/as companheiros/as que ocuparam a Reitoria em protesto a essa medida, mas de rechaçar veemente a truculência da reitoria da UFRGS, potencializada pelo delírio autoritário do referido juíz. Além disso, gostaríamos de compartilhar uma análise sobre o conflito na UFRGS, localizando na atual conjuntura o risco que uma situação como esta representa para o movimento estudantil à nível nacional.

O significado da intervenção militar 

É essencial compreendermos que a cogitação da utilização do exército para reintegrar a reitoria da UFRGS não é um raio num dia de céu azul, mas está diretamente vinculada à escalada autoritária na qual os setores mais atrasados da sociedade vem se alicerçando para tentar passar os seus planos anti-povo. No atual momento vemos as forças armadas se inflando e avançando em variadas posições para conter a revolta popular que a elite percebe que fatalmente virá do desmonte dos precários e insuficientes direitos sociais que querem nos tomar.

Tal situação torna a ocupação da UFRGS mais importante até do que ela já é por si só,  potencializando o significado desta luta que se estende através e além de sua principal pauta. Com o aprofundamento do golpe e as vacilações da esquerda institucional, cada vez mais os setores reacionários se veem à vontade para atacar as poucas conquistas que tivemos nos últimos anos (fruto de muita luta e resistência das/os de baixo). A relevância desta ocupação não reside apenas no fato de defender que pretas e pretos possam entrar e permanecer na Universidade. Ela é extremamente importante por isto, mas se torna ainda mais importante pela inflexão travada com os setores retrógrados da sociedade que, sem condição de conquistar a hegemonia na esfera política, se voltam para os milicos com o intuito de fazer valer o seu ataque contra o povo brasileiro.

A situação na UFRGS é de suma importância e é um balão de ensaio. A convocação dos militares para atuarem na desocupação da reitoria pode criar um precedente para que façam isso em qualquer lugar em que estudantes se levantarem contra o programa anti-povo, que a cada dia tem a sua implementação acentuada. É fundamental que compreendamos isso e que, não só nos solidarizemos de norte a sul do país com o movimento da UFRGS, mas que denunciemos implacavelmente a tentativa de levar à outro nível a criminalização das lutas sociais.

Precisamos aprender com o passado. Não podemos repetir os erros dos anos 60 e deixar pra combater os militares depois que eles já tiverem todo o regime aos seus pés. Foi com iniciativas como tais, que o golpe de 1964 foi preparado! Não tenhamos dúvidas, de que cada vez mais a elite retrógrada enxerga a necessidade de ter ao seu lado o máximo de truculência possível para por em prática a liquidação do país.

Precisamos ter ciência de que apesar de todo o cerco midiático e a tentativa de esvaziar o debate político, nós vivemos um momento de extrema polarização e entre o povo reina uma enorme reprovação sobre os ataques que estamos sofrendo. Infelizmente, a maior parte dos movimentos e lideranças contribuem para a aparente apatia, já que ainda se encontram iludidos com a corrida eleitoral deste ano, parecendo não terem entendido que o projeto neoliberal foi acelerado pelo golpe e que a sua reversão nas urnas não está no rol das opções.

Em momentos como este, quando se avolumam contradições, qualquer luta pode ser o estopim para a eclosão da revolta entre o povo. Que cumpramos com o nosso dever histórico e denunciemos com todas as nossas forças o que vem acontecendo em Porto Alegre. O momento pede o máximo de luta e organização, debates, marchas e piquetes, dentro e fora das Universidades! A direita precisa saber que a esquerda não está morta e que mais uma vez a juventude está disposta a reivindicar o seu posto na luta!

Rodear de Solidariedade as/os companheiras/os do movimento negro da UFRGS
Avante juventude, a luta é que muda!
Nem um passo atrás, ditadura nunca mais!

12 de março de 2018
GT Estudantil da CAB

Para mais informações e para acompanhar a ocupação:

Página do Balanta: https://www.facebook.com/balantanegritude/

[1] Nota de Desligamento dos Membros da comissão de aferição: http://reporterpopular.com.br/nota-de-desligamento-de-membros-da-comissao-de-afericao-da-ufrgs-contra-os-retrocessos-na-politica-de-cotas-raciais/

CRESCE O ANARQUISMO EM TERRAS PARANAENSES: 2 ANOS DO COLETIVO AÇÃO DIRETA (CAD)!

O Coletivo Anarquista Luta de Classe (CALC) vem saudar o Coletivo Ação Direta (CAD) pelos seus 2 anos de luta e organização no Norte do Paraná.

É com grande entusiasmo que vemos o avanço e enraizamento do anarquismo nas lutas do povo em nosso estado, representado também pela atuação do CAD na cidade de Londrina. O Paraná vem sofrendo com o avanço do neoliberalismo, com o sucateamento dos serviços públicos e com a repressão às lutas do campo e da cidade. Por isso, é fundamental a atuação das organizações políticas anarquistas na construção de um povo forte, criando e fortalecendo ferramentas de luta em cada escola, universidade, bairro, ocupação ou local de trabalho. Devemos buscar nosso posto e atuar pelo resgate da ampla tradição de luta dos oprimidos em nosso estado, e percorrermos os caminhos baseados na solidariedade, autogestão, federalismo e na ação direta para a construção do Poder Popular!

Saudamos o Coletivo Ação Direta pela militância cotidiana na construção desse projeto e desejamos que venham muitos anos de luta e organização!

VIVA O COLETIVO AÇÃO DIRETA (CAD)!

VIVA O ANARQUISMO ORGANIZADO EM TERRAS PARANAENSES!

NÃO À REFORMA DA PREVIDÊNCIA!

LUTAR! CRIAR PODER POPULAR!

[CAD] 2 ANOS DO COLETIVO AÇÃO DIRETA – SEGUIMOS DEFESA DA LUTA POPULAR RADICAL

Retirado de: https://www.facebook.com/1167634203256182/photos/a.1167688059917463.1073741829.1167634203256182/1887773234575605/?type=3&theater

Hoje, dia 18 de fevereiro de 2018, comemoramos dois anos da formação de nossa organização política anarquista, de orientação Plataformista. Seguimos em defesa das massas populares, dos despossuídos, das trabalhadoras e trabalhadores, da população periférica e das minorias.

Nos mantivemos firmes à proposta da revolução social, da democracia direta, da igualdade e da liberdade e da auto-organização popular.

2018 será um ano de muita luta, da qual nunca abriremos mão e da qual jamais poderemos nos esquivar. A luta é aqui e agora.


EM DEFESA DO ANARQUISMO SOCIAL! 
AVANTE ANARQUISTAS!