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LANÇAMENTO DO JORNAL NO BATENTE #4 – OU SE VOTA COM OS DE CIMA OU SE LUTA COM OS DE BAIXO!

Este é o quarto número do jornal No Batente, órgão de informação e análise do Coletivo Anarquista Luta de Classe (CALC). Ficamos felizes por mais uma edição poder chegar aos companheiros e companheiras de luta!

ou se vota com os de cima ou se luta com os de baixo jornal

Teremos as eleições burguesas de novo e mais uma vez não há nada de novo para a classe trabalhadora. O que os anarquistas afirmavam desde o final do século XIX ainda é válido: As mudanças que o povo precisa não virão das urnas! Nessa edição do No Batente, convidamos você a ler uma breve análise de conjuntura estadual e nacional, e também uma resposta à pergunta que sempre nos é feita: como votam os anarquistas?

Leia o no BATENTE #4 clicando no link – NO BATENTE – ou na imagem acima.

[FAG] Ato político da FAG – Como votam os Anarquistas?

Retirado de: http://www.federacaoanarquistagaucha.org/?p=731

Realizamos no dia 20 de setembro Ato Político Anarquista em que compartilhamos com a companheirada presente alguns elementos de análise da conjuntura eleitoral que a nossa Organização tem discutido e apontado. Da mesma forma, foi um momento de fazermos pública a nossa linha política para a conjuntura eleitoral e para além dela. Abaixo é possível ver algumas fotos do ato e o discurso realizado sobre o tema.

Ou se vota com os de cima, ou se luta e se organiza com os de baixo!

De baixo pra cima se luta e se cria um povo forte.

Lutar e Vencer fora das urnas.

As mobilizações de massa da juventude que escreverem um pedaço da história recente do Brasil com as Jornadas de Junho ainda não tiveram um final. A explosão das ruas anunciada pelos estudantes-trabalhadores do regime flexível, sujeitos da rotina neurótica e estafante das grandes cidades, agravada pela deterioração dos serviços e dos bens públicos, não foi satisfeita. As urgências populares pela ampliação dos seus direitos continuarão em cena. São dramas brasileiros cotidianos, e ainda vão latejar muito. Terão que ganhar potência em organizações de base e com um federalismo que una as rebeldias e não se deixe capturar pelas instituições. Não serão as eleições e a oferta dos partidos da democracia burguesa que confortarão o mal-estar que provoca o sistema.

Os candidatos que lideram as pesquisas para presidente – Dilma, Marina e Aécio – não tem projeto pra fazer a mudança social que pode dar soluções definitivas e sem retrocessos às classes oprimidas. Por outro lado, o reformismo eleitoral não tem a menor adesão dos votos. E tampouco teria a liberdade de cumprir seu programa, nas regras do jogo institucional, se chegasse a representar algum perigo ao poder. A via eleitoral é bloqueada pelos poderes econômicos e pelos mecanismos conservadores do Estado quando se trata de fazer reformas que atinjam as estruturas dominantes. As legendas de esquerda são coadjuvantes que emprestam verniz liberal-democrático ao Estado de direito das oligarquias e dos proprietários.

As eleições não possibilitam tomada de decisão estratégica sobre as pautas que motivaram os conflitos socais que tem vazão nesta etapa aberta da luta de classes. Os fatores conservadores do sistema deixam uma margem muito pequena para as manobras dos governos de turno. Pela formação histórica do Brasil e pela sua liderança no continente eles pesam ainda mais. O que está em disputa são gradações do modelo de gestão de um sistema dominado globalmente pelo capitalismo financeiro. O reformismo está fora de causa. Governar é, em primeiro lugar, fazer arranjos com as estruturas de poder que não obedecem ao voto.

O Estado não é uma máquina neutra que põe em funcionamento suas instituições ao gosto dos pilotos da vez. Na concepção liberal burguesa a representação sempre foi um mecanismo legitimador da usurpação das forças coletivas e bens comuns pela vontade das minorias. O Estado é o poder político das classes dominantes, o Estado oligárquico de direito, onde “manda quem pode e obedece quem tem juízo”, como diz o ditado popular.

No sistema político brasileiro, quem não pactua com as oligarquias não governa. Quem não joga na moeda corrente das barganhas, dos lobbies corporativos, dos loteamentos de cargos e dos mensalões não faz base de apoio. O PMDB, maior partido do país que desde a nova república “sempre foi governo”, cobra fatura da estabilidade política dos pretendentes ao trono. Os gordos investimentos das corporações privadas formam uma bancada poderosa de industriais e ruralistas no congresso. A bancada evangélica faz vigília reacionária sobre os movimentos por liberdade e direitos civis.

O congresso nacional tem alto instinto de conservação, de impunidade, de causa própria. Nenhuma vocação pra mudanças de fundo, para a participação popular, para perder privilégios sobre a política nacional através de mecanismos de democracia direta.

A justiça e as forças armadas tampouco fogem da regra. São aparelhos da ordem que investem sobre a sociedade os juízos do direito burguês da propriedade e o monopólio da violência sobre os desajustados. A justiça que anistia os golpistas e os torturadores do regime de 64 é a mesma que manda prender negros e pobres e os espreme nas jaulas do sistema carcerário. Os milicos guardam o artigo 142 na constituição federal que lhes autorizam a suspensão da ordem legal. São, em última instância, o comando das polícias militares que são desaquarteladas e postas na rua durante os anos da ditadura civil-militar a reprimir, torturar e matar até os nossos dias. As forças armadas dobraram a república, fazendo recuar as demandas de memória, verdade e justiça contra os operadores do golpe de Estado. A Comissão Nacional da Verdade nasceu no governo Dilma com os pés amarrados, com os movimentos cercados, pra que nenhum carrasco do povo seja julgado.

As liberdades constitucionais de pensamento e de expressão são aparelhadas pelo poder oligopolizado dos donos dos meios de comunicação: cerca de 11 famílias. Elas tem o controle da produção das mídias de massa que pautam o cotidiano brasileiro, selecionam e hierarquizam o que acontece, regulam a qualidade da informação e fazem vetor privilegiado do sentido, do juízo público e dos valores que circulam. A concentração da mídia brasileira é patrocinada com verbas publicitárias do governo. Em 2012 a secretaria de comunicação da presidente Dilma deu R$ 1,7 bilhões para os oligopólios.

Os bancos e o sistema financeiro que dominam de fato ou de direito as autoridades monetárias mandam cortar gastos públicos para pagar a agiotagem da dívida pública, subir juros e deixar porteira aberta para os capitais especulativos. O grupo Itaú Unibanco que tem a herdeira Neca Setúbal como fiel escudeira de Marina Silva festejou lucros de mais de R$ 15 bilhões em 2013 durante o governo Dilma. Os lucros dos banqueiros não param de crescer.

Os grandes capitais produtivos são desonerados de impostos e recebem ajudas generosas do Estado. O petróleo do pré-sal é partilhado no leilão com as grandes empresas transnacionais do setor. O BNDES ajuda montadoras como Volks, Fiat, GM, patrocina fusão de corporações como Sadia e Perdigão, Oi e Brasil Telecom, alavanca as empreiteiras com as mega-obras, financia o pacote privatista de concessão de portos, aeroportos, ferrovias e rodovias aos grupos privados. Tudo subsidiado com recursos do Fundo de Garantia dos trabalhadores e por endividamento do tesouro nacional.

A via eleitoral é bloqueada pelos poderes econômicos corporativos, pelo discurso de verdade dos oligopólios da mídia e pelos mecanismos conservadores do Estado quando se trata de fazer reformas que atinjam as estruturas dominantes.

No modelo atual, o governo dirige o Estado como financiador público do desenvolvimento capitalista privado, tomando dinheiro a altos juros da banca financeira. É uma política que leva a concepção ideológica do neodesenvolvimentismo, que procura ajustar com fundos públicos o crescimento de setores do capital ao lado de certo nível de emprego, programas sociais e crédito pro consumo de massas. Faz idéia de remediar as brutas desigualdades sociais que tem o Brasil com um pacto social, onde a classe capitalista puxa o carro e os setores populares tem uma participação residual e incerta. As ações sociais como o Bolsa Família, que atendeu 14 milhões de famílias em 2013, tem um orçamento dez vezes menor que o patrimônio das 15 famílias mais ricas do país, quem tem na sua lista seleta sonegadores de imposto como as organizações Globo e o grupo Itaú Unibanco. A expansão do ensino superior é feita a base de compra pública de vagas no mercado das universidades particulares, e de um evidente “pioramento” da qualidade da educação. A geração de empregos que o governo central estimula com generosas ajudas aos patrões está ligada a baixos salários e trabalho precário.

Pra conquistar soluções reais para o andar de baixo, que tenham direção inequívoca de uma mudança social, sem meias voltas, só com combate as estruturas de concentração do poder e das riquezas. Essa peleia não pode pedir bexiga pras oligarquias políticas, nem socorro dos milicos, nem edição honrosa do Jornal Nacional, nem tampouco colaboradores na Camargo Correa, no Bradesco ou na JBS.

O discurso do crescimento e do Brasil de classe média que foi a tônica do governismo está perdendo o embalo, não produz mais o mesmo encanto. De 2011 pra cá a roda da economia já não gira mais como antes. O crédito fácil que ativou durante um período o sonho do consumo de massas vai virando pesadelo da dívida. O ganho real dos salários é muito pequeno e os empregos precários e mal pagos. O custo de vida pega preço e os alimentos baratos perdem lugar pra pauta de exportações do agronegócio. Os serviços públicos não melhoram de qualidade. A integração relativa da base da sociedade de classes, como sujeito flexível dos controles do mercado, já não faz mais sentido em alguns setores.

Da conjuntura internacional não sopra nenhum vento a favor. A Europa, pra tomar um exemplo, enfrenta amargamente e sem prazo de vencimento a recessão, o desemprego e a pobreza. O alto mundo das finanças, onde nenhuma corporação capitalista foge do esquema, fez a farra e passou a conta para os setores médios e para a classe trabalhadora.

E o que dizer do RS, em que parece haver uma feroz disputa em torno de 2 projetos de sociedade? Só parece! O imaginário de tipo plebiscitário que as candidaturas de Ana Amélia Lemos/PP e Tarso Genro/PT vem suscitando e a representação que eles se fazem de modelos mais puros, fazem com que passe desapercebido o fato de que ambos projetos jogam conforme as regras do jogo e de que ambos nem de perto serão capazes de alterar as estruturas de poder do RS. Dívida pública que sangra os fundos públicos pra pagar o capital rentista; o poder do agronegócio na economia gaúcha, no desmonte das normas ambientais e sobre a agenda de investimentos em infraestrutura (portos, geradoras de energia) e a guerra fiscal da indústria para se apropriar de recursos do estado (fundopem) estão fora de causa nessas eleições.

Mas não precisamos ir tão longe. Com relação ao governo Tarso, basta lembrarmos de toda a repressão, criminalização e perseguição dos lutadores sociais do Bloco de Lutas, por exemplo. Das balas de borracha, dos mil gaseificados na esquina democrática, da cavalaria que corria a trotes de cavalo enquanto arrastava pelos cabelos jovens manifestantes. Das detenções arbitrárias após as manifestações. Da prisão e exposição na mídia de massa de professores do magistério estadual que participaram dos protestos. Das invasões e apreensões de sedes públicas e de casas de militantes socialistas. Dos discursos intelectualizados do governador relacionando anarquismo com fascismo.

E não só isso! Não podemos esquecer a paralisação das demarcações das terras indígenas e o descaso do governo Tarso com relação a esses povos e os conflitos que se acirraram entre indígenas e pequenos agricultores.

Por outro lado, há um possível governo Ana Amélia. Se é impossível não associarmos sua imagem com a administração da ex-governadora, a Yeda Crusius/PSDB, são condições diferentes as de agora. O PP (nacionalmente alinhado ao PT) é um partido que tem base forte pelo interior, que representa historicamente as oligarquias rurais e que provavelmente terá relações de força mais favoráveis na barganha que monta a base do legislativo. Trata-se de uma candidatura que conta com a preferência do grupo RBS onde foi funcionária de longa data. Além disso, a truculência com as lutas sociais tende a se intensificar ainda mais. A ascensão da candidata do PP é proporcional as baixas expectativas com reformas sociais e políticas públicas que resultam do “desencanto com o PT”, de uma sensação de ‘menos pior’ que é cada vez mais fraca de sentido.

Não se trata, portanto, de um projeto burguês contra outro das classes trabalhadoras. Ambos são projetos funcionais a lógica de dominação do capitalismo. Em ambos, prevalece a lógica do Estado como lócus privilegiado da política e das classes dominadas como sujeito passivo. Para o PT, as mobilizações de 2013 se bem expressam um descontentamento com o que ai está, não representam a possibilidade da gestação de algo positivo e construtivo e que aponte mudanças de fundo desde seu seio. Elas não fariam política verdadeira!

Aquilo que reclamaram as massas em junho de 2013 não ficarão por aí, mofando no expediente burocrático das autoridades, simulando pauta nos tramites e conchavos dos gabinetes, insuflando discurso pop na tribuna de um congresso picareta. Por um ou outro lado vão ganhar vazão de novo, não se acomodarão porque acusam demandas que não podem ser reprimidas o tempo todo pela polícia, tampouco esvaziadas por eleições que passam ao largo de mudanças estruturais enquanto que a vida precária e endividada dos de baixo continua.

Assim também serão as lutas que deram os setores populares atingidos pelas obras da Copa, 250 mil pessoas ameaçadas ou atingidas por despejo das suas casas, os populares das ruas que foram varridos pra longe do centro da cidade.

As greves rebeldes de base que atropelaram a burocracia sindical, a brava luta sem pelego e sem bombeiro dos operários dos canteiros de obras, dos transportes, dos garis. Dos trabalhadores que se defendem com empregos de baixos salários e péssimas condições de trabalho, terceirizações, regimes flexíveis de exploração do trabalho. A linha dos sindicatos combativos que não se curvam ao governismo e não fazem pacto com os patrões.

A dignidade das favelas que não se calam e exprimem a criminalização da pobreza, o genocídio do povo negro, a impunidade da polícia assassina.

A resistência dos pobres do campo ao saque do agronegócio, das mineradoras e o impacto das mega-obras que são tocadas pelas empreiteiras, o trabalho escravo, a violação dos territórios indígenas e quilombolas e a não reforma agrária.

O cenário de indeterminação aberto pelas jornadas de 2013 está longe de se definir. Ele pode esfriar por um momento, em conjunturas pontuais que jogam forte seus mecanismos de fantasia, como a corrida eleitoral. Mas não temos dúvidas que ele não acaba aqui.

Esse processo de lutas rebeldes produziram, entre tanta riqueza de valores e sentidos que gestam a experiência de um povo que abre caminho novo, vetores ideológicos de mudança que não se dissipam tão fácil. Dão passagem a uma geração que não se reconhece nas formas tradicionais de fazer política burguesa, que desconfiam da representação dos governos e parlamentos, do burocratismo sindical e dos partidos eleitoreiros. Que buscam formas de participação sem intermediários e se apropriam das redes sociais como fator de socialização em grupos. Que faz da forças das ruas e da ação direta de massas a sua expressão de potência. Está em processo uma nova cultura política, que excede os rótulos e as formas instituídas, que carrega sonhos e rebeldias que não tem mais referência com a construção de esquerda dos anos 80, o “Lula Lá”. Nós pensamos com muita humildade que a corrente libertária do socialismo tem muito a aportar, a ajudar a superar a insuficiência das ruas com sua sensibilidade anti-autoritária. A lutar e organizar com cabeça coletiva, democracia de base e com sentido revolucionário de povo.

Os anarquistas da FAG votarão nulo nas eleições de 5 de outubro. Como já afirmamos em outra oportunidade: pra mudar a sociedade, enfrentar o poder e suas classes dominantes, os atalhos do menos pior, do possibilismo, nunca conduzirão até outras relações de força para os oprimidos mudarem de vida. Não cremos tampouco que pedir votos, seja qual for a legenda, seja a atitude política mais adequada para produzir ideologia de transformação. Somos partidários do poder popular, de uma construção pela base com os processos de luta e organização popular, de mecanismos de democracia direta e federalismo, de um trabalho militante decidido a gerar capacidades políticas que gestam formas de autogoverno das massas em antagonismo ao poder constituído. Nem apolíticos, nem adeptos das velhas estruturas de representação burguesa, outra forma de fazer política. É essa nossa postura militante e é nesse sentido que empenharemos nossos esforços.

Ou se vota com os de cima ou se luta e se organiza com os de baixo!

Nossas urgências não cabem nas urnas!

Arriba lxs que luchan! Sempre!

 Federação Anarquista Gaúcha!

20 de setembro de 2014

[FAG] Uma escalada repressiva sem disfarces!

Retirado de: http://www.federacaoanarquistagaucha.org/?p=324

Conselho Federal da FAG – 16/03/2014

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Na manhã de sexta-feira, dia 14/03, a esquerda porto-alegrense novamente amanheceu sobre uma intensa investida do aparelho repressivo do governo do Estado em conluio com a RB$ e seus plantadores de factóides de plantão. Na manhã desta sexta a Polícia Civil indiciou sete companheiros do Bloco de Lutas como conseqüência do inquérito aberto no 1. de Outubro do ano passado, quando a mesma invadiu o espaço de nossa organização, o Ateneu Libertário, o Espaço Cultural Libertário Moinho Negro, o Assentamento Urbano Utopia e Luta, além de residências de militantes do PSTU e do PSOL. Esse inquérito buscava investigar casos de “depredações e saques” nas jornadas de junho.

Como era de se esperar, as acusações do inquérito, para além de absurdas e ridículas, refletem a determinação com que jogam juntos o Governo Tarso/PT, os oligopólios da imprensa, com especial destaque à RB$ e setores empresarias como a máfia do transporte, para quebrar e silenciar, seja como for, as expressões de luta e resistência que com vigor começaram a ganhar a cidade e o país desde o último ano. Os sete companheiros que hoje são alçados como bodes expiatórios respondem pelos “crimes” de “posse e emprego de explosivos, furto qualificado, dano simples e qualificado, lesão corporal e constituição de milícia privada.” 

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A montagem de um factóide que procura criar um espantalho no afã de semear o pânico e o ódio entre a população contra as lutas que se desenvolvem na cidade foi elaborada minuciosamente pelos algozes de turno de forma a concluir as acusações com uma grande catarse: “constituição de milícia privada”. Com esse arsenal contra as lutas sociais o “progressista” governo Tarso/PT pretende inaugurar no plano jurídico a nefasta portaria do Ministério da Defesa de “Garantia da Lei e da Ordem”, encaminhada pelo também “progressista” governo Dilma/PT. 

No entanto, cabe ressaltarmos que essa investida vai muito além do indiciamento momentâneo destes companheiros e da então investida do 1 de Outubro. Trata-se de uma ampla conspiração, rigorosamente planejada nas salas de redação da RB$ e em menor grau dos demais veículos do oligopólio da comunicação em conjunto com o aparelho repressivo. Os vizinhos da Avenida Ipiranga são colaboradores natos há mais de 50 anos! Assim como na então ditadura civil-militar, nos atuais dias de democracia burguesa operam em conjunto como um elemento de choque do sistema de dominação capitalista, perseguindo e montando factóides contra militantes sociais diuturnamente.

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Ali, entre algumas quadras da Avenida Ipiranga com a Érico Verissimo e João Pessoa está o ninho das serpentes, dos saudosistas de seus áureos tempos de ditadura de segurança nacional, onde a política era um assunto para técnicos “bem qualificados”, onde trabalhador deveria trabalhar e estudante estudar! Buscam hoje, estas mesmas serpentes, comemorar em bom estilo os 50 anos de sua façanha histórica com o atual inquérito e com o que pretendem fazer vir diante do mesmo.

A notícia do indiciamento dos 07 companheiros foi apontada na manhã de sexta com grande entusiasmo pela Zero Hora/RB$ através de Carlos Rollsing, Carlos Wagner e Humberto Trezzi “jornalistas” que de forma sistemática buscam forjar consensos e pavimentar o caminho para uma ferrenha fuzilaria repressiva contra os lutadores sociais. Mais tarde a notícia era veiculada no Jornal Nacional da Rede Globo, onde os nomes completos dos companheiros indiciados eram citados. Ao longo de 2013, em meio as intensas jornadas de luta que, com altos e baixos, seguiram com firmeza exemplar por todo o ano, tendo sua feliz procedência até os dias atuais, estes e outros “jornalistas”, plantaram e replantaram factóides à exaustão nas páginas do aparelho ideológico que é Zero Hora.

Rollsing, o grande dirigente do trio, chegou a afirmar em matéria assinada no 14/06/2013 que os “atos de violência” estavam “liderados por anarquistas com traços sociopatas[1]” para cinco dias depois, 19/06, afirmar que “grupos de anarquistas internacionais estão orientando os líderes do movimento em Porto Alegre a adotar táticas de guerrilha[2]”. Nenhuma linha sobre as chuvas de bombas de gás, efeito moral, de pessoas sendo arrastadas pelos cabelos nas ruas pela cavalaria da Brigada, das torturas feitas nos camburões dentre outras fartas denúncias amplamente documentadas e difundidas na internet por parte deste “rigoroso jornalista investigativo”. No dia seguinte, 20/06, algumas horas antes do ato fortemente reprimido pela BM na Avenida Ipiranga para defender o solo sagrado da RB$, nosso local público, o Ateneu Libertário, era arrombado e pilhado por agentes da Polícia Civil e da Brigada Militar sem nenhum mandado judicial. Na incursão, aprenderam parte expressiva de nossa biblioteca junto ao cadastro de seus sócios (nunca é demais recordar os traços facínoras da então empreitada) que, posteriormente foram apresentados pelo chefe da Polícia Civil Randolfe Vieira Jr como provas de crime “aprendemos vasta literatura anarquista” afirmava orgulhosamente o delegado. Como sequência da provocação, posteriormente a Polícia civil devolveu 3 exemplares de dezenas roubados, na casa de um companheiro como forma de intimidação pessoal. Além disso, também aprenderam tintas e solventes utilizados para a diluição das mesmas, as quais utilizamos para pintura de faixas e de nosso local, apresentando-os como “artefato explosivo”.A conspiração das páginas de Zero Hora atingia sua meta!

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Uma semana depois, Trezzi ocupou as páginas para perguntar e responder: “Quem são os anarquistas[3]?”, com o direito a entrevista de um personagem imaginário que conclui a mesma afirmando ao “entrevistador”: “Um dia tu vai ser degolado, rapaz.” Resgatando a intervenção final no ato político convocado por nossa organização após a incursão do 1 de outubro “Naquela pérola da página 11, dia 29 de julho, em Zero Hora o Sr. Humberto Trezzi chamou uma manchete para contar quem são os anarquistas, fez um parágrafo sorteando chavões achados em vista grossa pelo facebook, a Wikipédia ou a busca do Google e logo tornou ao seu lugar de ofício nas crônicas policiais. A matéria estava premiada com o factóide de uma entrevista com “militante anônimo”, uma ode a estupidez de fazer inveja as piores e mais escabrosas redações de Veja.” Mais adiante afirmávamos “francamente não quis falar de anarquismo, tampouco teria essa liberdade de imprensa se assim o quisesse, quis falar de polícia, convocar a fuzilaria conservadora e arranjou espantalhos para assustar os protestos, ao gosto da política do grupo RBS[4].”

Como estes, muitos foram os factóides plantados nas redações de RB$ no intuito de atiçar a repressão como foi o caso de Rosane de Oliveira acusando explicitamente os 03 companheiros professores presos às vésperas da incursão do 1 de Outubro em uma grotesca montagem policial para responsabilizá-los pela depredação do museu Júlio de Castilhos ao final de um ato[5], assim como da matéria que expôs suas respectivas fotos[6]. Mais recentemente tivemos seu veterano Paulo Sant’Ana disparando ódio contra os rodoviários ao chamá-los de canalhas[7], até porque, vejam só, a greve da categoria dificultava a locomoção de sua empregada doméstica para garantir a limpeza de sua Casa Grande! Realmente um grande drama, “um lamento profundo que percorreu a alma” deste nobre senhor[8].

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Pouco após a histórica e digna greve dos rodoviários o mesmo trio que divulgou/comemorou o indiciamento dos companheiros do Bloco de Lutas plantava um novo factóide, dessa vez afirmando que “líderes de grupos radicais, que teriam contatado patrões do tráfico dos bairros Bom Jesus, Cruzeiro e Vila Conceição. A proposta seria de que jovens dessas regiões fossem enviados aos protestos, com a promessa de ter liberdade para saquear e furtar.” Em meio a matéria reaparece um senhor chamado Gilberto Thums, procurador de justiça e professor da Faculdade Escola Superior do Ministério Público que afirma estar convicto de que as investigações caminham para “comprovar vínculos que até agora eram só suspeita[9].” Thums é o mesmo que durante o Governo Yeda Crusius/PSDB , à frente do Ministério Público fez o possível e o impossível para colocar o MST na ilegalidade no Estado[10]. Hoje, assume na surdina a conspiração contra o Bloco de Lutas. Ao final da matéria na edição impressa (não se encontra na virtual) o brinde é uma cronologia sobre “a escalada de violência” onde dentre diversos acontecimentos citam o 20/06 afirmando “Polícia Civil, em conjunto com BM, fez buscas na sede da Federação Anarquista Gaúcha. O lugar guardava materiais utilizados em confrontos. Foram aprendidos equipamentos de pichação, tintas e produtos inflamáveis.” A insinuação ao leitor é clara: estes aqui são os “radicais”!

Exemplos como estes, caracterizam a história deste famigerado meio de desinformação, a lista de factóides com pretensões de verdade dos aprendizes de Joseph Goebbels vai ao infinito.

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É na esteira desta ampla campanha com vistas a forjar um consenso e impor uma ordem marcada pela pasmaceira de um povo obediente frente aos desmandos e abusos dos de cima, de garantir uma “esquerda” domesticada ao calendário eleitoral, de transformar os atos em meras manifestações cívicas com propósitos conservadores, que temos o indiciamento de nossos companheiros. Essa mesma campanha hoje se estende em todo o país, com uma intensa guerra psicológica que estes meios vem desatando contra a esquerda que resiste ao pacto social costurado pelo governo de turno em aliança com as classes dominantes e as burocracias de diversos movimentos sociais que cada dia mais vão perdendo o seu vigor para se assimilarem a meras ONGs.

A morte do cinegrafista Santiago Andrade em um estúpido acidente no Rio de Janeiro é o maior exemplo de como essa guerra psicológica vem sendo travada em escala nacional, sendo hoje o grande mote para se justificar a aprovação da famigerada lei antiterrorista com a qual pretendem impedir que os setores populares e a esquerda superem a trágica dispersão e desorganização que os caracterizaram nos últimos anos, abrindo um novo ciclo de lutas marcado por uma outra cultura política, que não esteja enraizada em ilusões institucionais, mas sim no protagonismo popular, na ação direta e trabalho de base de todos os dias.

Por estas campanhas pretendem dar a autorização para os indiciamentos e infiltrações que chegaram ao cúmulo de intimidar crianças como vimos por aqui, assim como o emprego das tropas “ninja” que protagonizaram um espetáculo grotesco em um ato que reivindicava o “Não vai ter copa!” no 22/02 em São Paulo; “ninjas” estes que já foram aclamados pelo governo Dilma/PT, quando estiveram reunidos o Governador Geraldo Alckmim (PSDB/SP) e seu Secretário de Segurança Pública Fernando Grella Vieira no Palácio do Planalto com o Ministro da Justiça José Eduardo Cardozo, dos Esportes Aldo Rebelo e da Defesa Celso Amorim. Para tratar de exportar o “eficiente” modelo de repressão inovado pelos “tucanos da direita” os ministros “progressistas de esquerda” não perderam tempo e foram de imediato saudar a eficiente metodologia de seus primos. 

Em meio a esse clima de intensa guerra psicológica os atuais governos “progressistas” (estadual e federal) tomam carona de forma entusiasmada, fazendo assim uma dobradinha com os oligopólios da imprensa, os mesmos que de forma reiterada acusam de sabotá-los e criar um ambiente golpista.Enquanto a grande imprensa denuncia e planta factóides os governos Tarso e Dilma não vacilam em seguir o bonde e autorizar mandados de busca e apreensão, indiciamentos farsantes, infiltrações, intimidações a crianças, tropas ninja e tudo mais que seja necessário para garantir seu pacto social neo-desenvolvimentista e a sua comemoração a partir dos mega eventos, copa do mundo e olimpíadas. O fazem sem deixar de perder a oportunidade em opinar sobre os desafios da esquerda para a nova etapa, sobre o nefasto papel dos oligopólios de comunicação, e tantas outras análises que suas respectivas mentes criativas o permitem na busca de se criar uma cortina de fumaça sobre seu real caráter político e de classe. 

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Frente a escalada repressiva que vem se acentuando a passos largos, cabe a nós, companheiros e companheiras da esquerda que não se rendeu ao pacto social e a mesquinharia dos cálculos eleitorais que visam condicionar o desenvolvimento das lutas à eleição de parlamentares, seguir firme e sem vacilações em nossa respectiva agenda de lutas. Não se intimidar, não se desmobilizar e rodear de solidariedade todos aqueles que lutam, sem o pernicioso e covarde sectarismo que pretende defender apenas os militantes de suas respectivas organizações e afirmar que não estão presentes “naquela confusão” é a tarefa que devemos assumir e nos atirar com todas as nossas energias.

Desmontar o espantalho da RB$ e do inquérito policial!

Basta de criminalização do protesto! Nenhum lutador social sem solidariedade!

Lutar e vencer fora das urnas! Com ação direta popular!

Sempre com os que lutam!

Federação Anarquista Gaúcha – FAG

[1]Carlos Rollsing: Uma causa que une grupos.http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/noticia/2013/06/carlos-rollsing-uma-causa-que-une-grupos-4169908.html

[2]Carlos Rollsing. Violência em protestos no Rio Grande do Sul preocupa o Palácio Piratini. http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/noticia/2013/06/violencia-em-protestos-no-rio-grande-do-sul-preocupa-o-palacio-piratini-4175283.html  

[3] “Estranhamente” a matéria não se encontra mais no site da Zero Hora, mas foi reproduzida alguns outros sites. Ver: Humberto Trezzi.http://www.defesanet.com.br/riots/noticia/11341/ANARQUISTAS—Nossa-bandeira-e-a-revolucao/

[4] FAG. http://www.federacaoanarquistagaucha.org/?p=78

[5] Rosane Oliveira. Vandalismo não combina com professores.http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/geral/noticia/2013/10/rosane-de-oliveira-vandalismo-nao-combina-com-professores-4287609.html

[6] Cid Martins, Guilherme Pulita e Jocimar Farina. Professores são indicados por vandalismo na catedral e em museu em protesto na Capital.http://wp.clicrbs.com.br/casodepolicia/2013/10/01/professores-sao-indiciados-por-vandalismo-na-catedral-e-em-museu-durante-protesto-na-capital/?topo=52,1,1,,171,77

[7] Paulo Sant’Ana. É uma greve canalha.http://videos.clicrbs.com.br/rs/zerohora/video/paulo-santana/2014/02/uma-greve-canalha-diz-santana/62600/

[8] Paulo Sant’Ana. Um milhão de dramas.http://videos.clicrbs.com.br/rs/zerohora/video/paulo-santana/2014/02/milhao-dramas-diz-santana/62252/

[9] Carlos Rollsing, Carlos Wagner e Humberto Trezzi. Radicais teriam aliciado criminosos para protestos de 2013 em Porto Alegre.http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/geral/noticia/2014/02/radicais-teriam-aliciado-criminosos-para-protestos-de-2013-em-porto-alegre-4420666.html

[10] Eduado Scolese. Conselho de promotores do RS pede fim do MST.http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc2406200824.htm

[CAB] Protesto não é crime! Basta de criminalização aos movimentos sociais!

Nota da Coordenação Anarquista Brasileira

Nesse primeiro semestre houve diversas mobilizações de norte a sul do Brasil que enfrentaram a reação conservadora dos governos, do aparelho repressivo e da mídia. Desde as lutas em defesa do transporte público nas capitais, passando pelas greves nos canteiros de obras do PAC, até a resistência indígena dos povos originários, todas essas lutas foram alvos da criminalização do protesto que segue em curso no país sede da Copa do Mundo.

Vivemos um dos momentos mais agudos dos ataques das classes dominantes aos povos originários no Brasil. O capital internacional avança diariamente a passos largos, explorando os trabalhadores e as trabalhadoras na busca do lucro.

A Copa vem aí! E além de mega-eventos como este, temos os mega-empreendimentos do PAC (Plano de Aceleração do Crescimento) e da IIRSA (Iniciativa para a Integração da Infraestrutura Regional Sul-americana). Com eles, a implementação de muitas das atuais políticas públicas urbanas, energéticas e rurais, manifestam-se na forma destes ataques, aprofundando ainda mais as feridas destes 500 anos de massacres!

Desapropriações e despejos estão a todo vapor e empreendimentos surgem num piscar de olhos. O dinheiro do povo, numa fração de segundos, desce pelo ralo do desperdício. Em várias cidades que sediarão (e mesmo as que não sediarão) a Copa, construções e mais construções são anunciadas. De licitação em licitação, as empreiteiras saem ganhando às custas do suor do povo, e os governos estaduais e municipais botam em funcionamento seu rolo compressor em benefício de grandes empresários e da especulação imobiliária.

Ao passo que avançam os grandes projetos para beneficiarem as elites, é parte desse processo também a criminalização do protesto e da pobreza com a repressão e perseguição daqueles que lutam contra as injustiças nesse país.

A luta pelo transporte público como ensaio de poder dos oprimidos da cidade.

Todos os anos, em distintas cidades de nosso país somos atacados logo nos primeiros meses pela patronal do transporte em conjunto com o poder público com escandalosos aumentos nos preços das passagens de ônibus. O precário transporte coletivo que envolve ônibus em péssimo estado (sem as devidas adaptações para deficientes físicos), linhas atrasadas e superlotadas, um regime de super exploração aos trabalhadores do setor aliado a uma tarifa exorbitante, fazem parte de uma série de desrespeitos impostos pelos de cima aos trabalhadores e oprimidos de norte a sul deste país.

Essa escandalosa situação tem levado sobretudo a juventude a se mobilizar e tomar as ruas contra os aumentos, pelo passe livre estudantil e para desempregados e por um outro modelo de transporte, que seja 100% público.Já se vai mais de uma década onde inúmeras capitais brasileiras começaram a ser literalmente sacudidas pelas lutas contra o aumento da tarifa de ônibus e pelo passe livre para estudantes e desempregados. Temos como exemplo mais recente as vitórias que se deram pela força das ruas em Porto Alegre/RS e Goiânia/GO. Longe de haver sido uma conquista exclusiva da atuação de um determinado partido, a revogação do aumento da tarifa é fruto da contundente decisão com que milhares de jovens, trabalhadores e desempregados, tomaram as ruas, ocuparam terminais, organizaram piquetes em garagens e mobilizaram seus amigos e companheiros nos locais de trabalho, estudo e moradia, na luta contra o aumento.

A redução da tarifa do transporte coletivo pela força das ruas é uma vitória moral do movimento popular liderado pela juventude combativa. Longe de terem sido mobilizações virtuais, essa reação é fruto de um árduo trabalho de inúmeros companheiros e companheiras, onde modestamente temos aportado nossa contribuição.

Outras lutas pela redução da tarifa multiplicam-se pelo Brasil e ao mesmo tempo a reação conservadora formada pelos governos, pela mídia e os empresários tentam legitimar a repressão e a criminalização dos lutadores sociais com dezenas de prisões durante os protestos e processos judiciais. Classe patronal, autoridades dirigentes do municípios e Estados, a imprensa monopolista, todos estão coordenados no mesmo plano: criminalizar os lutadores sociais, criar espantalhos, desencorajar a participação popular na luta pelo direito a cidade.

Não podemos aceitar a perseguição político-judicial dos companheiros de luta. Nossa mobilização tem que ser firme e decidida para não marchar pra trás e defender nessa hora nossos direitos de reunião, de associação e manifestação. A solidariedade com os processados deve ser uma palavra com a força de uma tonelada para a toda a esquerda combativa.

Diante disso nós reforçamos nossa atitude, a pauta do transporte público não é um caso de polícia, a questão social urgente e necessária que se acusa só pode ser resolvida por decisão política. E para fazer cumprir suas demandas o povo não pode confiar seus interesses ao poder burocrático dos conchavos de gabinete e às decisões tomadas a portas fechadas entre elites políticas e grupos econômicos dominantes.

A democracia de base é um mecanismo social que se representa na política pelas assembleias, pelas marchas e nas distintas formas de luta e organização de base dos setores populares.

Estamos unidos na defesa de um modelo de transporte coletivo 100% público, que liquide com o lucro dos patrões na exploração de nossos direitos, das liberdades públicas de acesso e mobilidade do conjunto do povo sobre a cidade. Para os anarquistas da CAB, o modelo público é um marco para acumular forças de mudança, avançar direitos e conquistar melhores serviços à revelia do controle dos capitais privados. Lutar para empoderar o povo e não se acomodar nas estruturas burocráticas do poder, que usurpa a força coletiva em direito público, mas em causa particular.

A resistência indígena diante do agronegócio e os mega-empreendimentos.

Diversas mobilizações dos povos indígenas marcaram o primeiro semestre deste ano, entre essas, a legítima ocupação do plenário da Câmara dos deputados por cerca de 300 indígenas, além dos diversos protestos por todo o Brasil na semana que registrava o dia internacional do meio ambiente, o 5 de junho. Há mais de uma centena de proposições legislativas contrárias aos direitos dos povos em tramitação na Câmara e no Senado. Dentre elas, destaca-se a PEC 215. PEC quer dizer, Proposta de Emenda à Constituição, pode ser apresentada pelo Presidente, pelo Senado ou por mais da metade das Assembleias Legislativas e, sendo aprovada, permite que se façam mudanças no texto da Constituição. Junto com a mudança do código florestal, esta PEC 215 significa mais um atentado da conservadora bancada ruralista contra o povo, apoiada por partidos como o PMDB, PP, DEM, PSD, PR, PSDB, PTB, PDT e PPS. Se for implementada, a proposta de emenda dará ao Congresso o direito e a responsabilidade de demarcar, ratificar e estabelecer critérios de regulamentação das terras indígenas e dos povos originários, atividade que até o momento é atribuição da FUNAI. Ou seja, vai dar às raposas total controle do galinheiro, pois no Congresso Nacional há forte presença da bancada ruralista, que quer tomar as terras indígenas para transformá-las em latifúndios à serviço do lucro desenfreado do agronegócio.

Dessa forma, a atual configuração da luta de classes e do capitalismo no Brasil, que afeta também os povos originários, pode ser entendida como um modelo marcado, em um de seus aspectos, pela força do agronegócio, baseado na monocultura latifundiária de exportação, que para expandir-se ataca a agricultura familiar, explora e expulsa os trabalhadores rurais e rouba as terras de povos indígenas. Este modelo concentra a renda, gera miséria, violência e pobreza em praticamente todas as regiões onde se instala. No campo e na cidade mata lentamente os trabalhadores que aplicam ou consomem os alimentos envenenados com agrotóxicos. Há também o encarecimento dos alimentos básicos (como arroz, feijão e trigo) que representam 70% do consumo do país, mas que ocupam apenas 30% das terras agricultáveis, por conta do avanço das monoculturas latifundiárias.

Mesmo com a desigual correlação de forças, os povos indígenas deram uma demonstração de resistência e ação direta, ocupando a casa legislativa e adiando a votação da vergonhosa PEC. A ação dos indígenas foi muito mais efetiva para barrar a votação da PEC 215 do que a inerte “disputa de hegemonia” dos parlamentares de esquerda que se opuseram ao projeto de votação.

De sul a norte do país a nossa força militante está vigilante e solidária à pauta dos povos originários. Desde os processos de resistência na Aldeia Maracanã no Rio de Janeiro, à vitoriosa luta dos Pitaguarys no Ceará e o apoio às mobilizações dos guaranis e kaingangs no Rio Grande do Sul, estamos ombro a ombro juntamente com os indígenas em defesa do território e contra os impactos do Plano IIRSA.

Solidariedade é mais que palavra escrita! Cercar de solidariedade os que lutam!

Com o avanço dos ataques das classes dominantes (nacional e internacional) e seus empreendimentos, serão ainda mais frequentes as ameaças aos povos originários e a todos aqueles que são oprimidos no campo e na cidade. Para prosseguirmos na organização e resistirmos aos megaeventos e ao avanço do agronegócio, é preciso acúmulo de força social para a auto-organização da classe trabalhadora e dos oprimidos do campo e da cidade. Nós, anarquistas federados politicamente nas organizações que compõem a CAB, modestamente reafirmamos nosso esforço, fortalecendo as organizações de base dos trabalhadores num projeto de federalismo e poder popular que não tem nas urnas ou na disputa de aparatos parlamentares seu horizonte estratégico.

Não formamos uma organização política para se fazer de intermediários burocráticos da pressão social, não buscamos o reconhecimento da mídia e das autoridades burguesas como interlocutores válidos. Nossa política aponta na construção de um povo forte. A ação direta como método de luta e a democracia de base como fator de participação decisiva do sujeito nas suas demandas são ferramentas para que cresça o poder popular, desde baixo. Nosso lugar é de impulso criador no interior das pautas do movimento social, no desenvolvimento de fatores ideológicos de mudança combativa, na construção de capacidade política pela união solidária dos oprimidos. O protesto social deve ter suas próprias perspectivas, não é escada para a carreira eleitoral.

É tarefa de agora rodear de solidariedade os companheiros perseguidos, não se intimidar e seguir firme em nossos propósitos, reivindicando com firmeza a legitimidade de nossa luta e dos métodos que temos utilizado. Esses são compromissos de primeira ordem àqueles que estão implicados nas lutas de todos os dias.

Coordenação Anarquista Brasileira
Junho de 2013

Eleições Municipais 2012: O consenso conservador em Curitiba

Balanço das eleições em Curitiba CALC (Coletivo Anarquista Luta de Classe):

O consenso conservador em Curitiba

Curitiba hoje é a 17° cidade mais desigual do mundo e a 5° do país. Comparada as cidades da Europa e famosa por ser a “cidade modelo”, ela esconde por trás deste slogan todas as mazelas dos grandes centros urbanos: violência em altos níveis, falta de serviços básicos ou acesso precário a eles, além da especulação imobiliária (quase 10% dos imóveis da cidade estão vazios) que afeta as condições de vida e moradia de milhares de curitibanos.

Entre os candidatos do primeiro turno temos velhos conhecidos vindos das elites locais. Luciano Ducci, herdeiro político de Beto Richa (filho de proeminente político da região), do mesmo grupo que há algumas décadas vem administrando a cidade, afinadíssimo com os interesses do capital. Como “oposição” temos Gustavo Fruet (até bem pouco tempo do PSDB de Richa), filho de outro político da região da época da reabertura, agora no PDT, com uma suspeita aliança de ocasião com o PT. Temos para reforçar o time das “figurinhas carimbadas” Rafael Greca, prefeito na “era de ouro” de Curitiba, quando a cidade era “exemplo” de urbanismo (leia-se urbanismo e exclusão social) onde foi sucessor e continuador dos projetos de Lerner e “sua turma” (grupo do qual hoje Richa e Ducci são os “continuadores” oficiais), grupo que vem dando as cartas na cidade há algum tempo e que fez da Curitiba a “cidade modelo”, hoje em uma suspeita oposição.

Dos quatro candidatos com maior número de votos, três eram, foram, ou são (fica difícil saber até que ponto romperam um dia…) do grupo que domina a política local e que governa há anos para as classes dominantes, todos ou são provenientes das elites, ou mantém estreitos laços com elas. Por “fora” a “verdadeira alternativa” (ao menos com chance real de vencer as eleições), temos Ratinho Jr., o mais votado no primeiro turno. Se não é vinculado às elites locais e de família já tradicional na política, é filho de um grande comunicador, latifundiário, dono de empresas de telecomunicações, e outros tantos negócios. Com toda certeza este ultimo também não é um candidato que vem das camadas populares, mas sim é mandatário das classes dominantes tanto como os outros, apenas busca “disfarçar-se” por trás da “popular” personalidade de seu pai, Ratinho pai. Esse candidato busca confundir seus eleitores reivindicando-se de uma família de trabalhadores (afinal seu pai é mais um dos exemplos daqueles que “venceram” na vida e que se construíram com “seu” trabalho, como se fosse possível enriquecer com seu próprio trabalho).             Olhando para os possíveis prefeitos da cidade, não se tinha chance nenhuma de a burguesia perder o poder político da cidade (nem poderia ser diferente), entre os quatro possíveis para chegar ao segundo turno (é certo que Greca sempre esteve bem pouco cotado), três vem do grupo que há anos controla a cidade. Longe de ser surpreendente, isso somente afirma que as eleições são uma teatralização da escolha e da democracia, sequer passando perto de alterar os grupos de poder e o status quo, mostrando que nada ou muito pouco pode mudar para os de “baixo” através delas. Não são mais que disputas personalistas do aparato do Estado, de busca por um lugar privilegiado e cativo em meio às classes dominantes.

No espectro das diferenças entre estes candidatos, programaticamente percebemos que são pouco perceptíveis. Há muito o PSDB de Curitiba aprendeu com o PT como adentrar os movimentos populares e colocá-los dentro do Estado. Sua política em Curitiba abarcou certos elementos propostos pelos gestores petistas no que tange a participação. Na gestão de Richa foram pouco mais de 200 audiências públicas, na de Ducci (2 anos apenas) foram mais nove. Isto coloca o PT(agora aliado ao PDT) em difícil situação, já que alguns dos bairros onde tinha vinculação histórica são cooptados. E mais, o PSDB aporta essa proposta mostrando claramente que não tem nenhum problema (e é até mesmo conveniente, pois promove a conciliação de classe) para a burguesia em colocar a classe trabalhadora para ajudar a gerir suas mazelas junto ao Estado, que esta política participativa pode ser bancada pelos partidos burgueses stricto senso, assim de certa forma roubando a originalidade do projeto petista de gestão, cabe citar que Ducci chega a aportar até mesmo a economia solidaria e o cooperativismo . Fruet em sua campanha não conseguem ir além de propostas em torno da transparência (mesmo nas privatizações) e ética, negando bandeiras históricas dos trabalhadores/as como as não privatizações.  Talvez algumas singelas diferenças que vemos entre as candidaturas de PDT/PT e PSB/PPS (com massivo apoio de PSDB) estão no que tange um discurso privatizante mais explicito de Ducci que se mostra um apologeta da entrada do privado nos serviços públicos via “concessões”, gerindo de maneira neoliberal. Fruet ainda se diferencia de uma linha extremamente conservadora (ao menos no discurso) no debate da segurança pública, pois Ducci trata a criminalidade simplesmente como “caso de policia”, sua política é inequívoca nesse sentido vide a implementação das UPSs(Unidade Paraná Seguro, claramente inspiradas nas UPPs do RJ). O candidato do PDT encara a problemática tratando-a como de ordem social a relacionado a desigualdade social e a concentração de renda.

Já Ratinho Jr. sequer apresenta um programa, sua politica é baseada meramente no marketing político. Observamos um conservadorismo extremo quando aborda as problemáticas das drogas e criminalidade “evocando” as autoridades religiosas para o auxiliarem na moralização da cidade. Manifestou-se também, publicamente, contra o casamento entre homossexuais, o que gerou uma certa comoção do público LGBT no intento de deslegitimá-lo e boicotar sua candidatura. Em suas propostas formalizadas articula demandas das classes mais populares, ao mesmo tempo que carrega o velho conservadorismo e as “parcerias” com o setor privado, elencando a necessidade de estabelecer mais vínculos entre prefeitura e FIEP.

Greca traz a campanha mais agressiva, enfatizando os problemas gerados pelo sobrecarregamento do sistema público de serviços de Curitiba e recordando com “saudosismo” a “maravilha” que eram os serviços em seus gloriosos tempos de “Curitiba modelo”, omitindo que os problemas que a população de Curitiba enfrenta são decorrentes do modelo de cidade que ele mesmo ajudou a consolidar, afinal Richa e Ducci são seus sucessores

Naqueles que disputaram “para valer” o primeiro turno encontramos um mesmo consenso conservador, seja no que se refere a uma “idílica” história de Curitiba que deve ser retomada, um projeto que deve “retomar os trilhos” para que voltemos a ser a cidade “modelo”, que avancemos de cidade “ecológica” para “sustentável”, ou no “manter as conquistas de Curitiba”, mostra que nenhum destes candidatos tem um compromisso, a menos que discursivo, em transformar a situação da classe trabalhadora, pois defendem a “velha” Curitiba, que afasta a pobreza (inclusive isto é marca de seu planejamento) e que se molda aos interesses do capital de todas as ordens imobiliárias, industrial, automobilístico, etc.

Outro componente de destaque é a postura que as esquerdas diretamente vinculadas ao Estado tomam nestas eleições. Sua degeneração chegou a um nível em que nem mais dissimulam o pragmatismo político na disputa pelo poder. PT e PC do B aliados históricos, agora frente a frente no segundo turno, o primeiro com Fruet o segundo com Ratinho, ambas candidaturas dissociadas de qualquer movimento de base, e inclusive imposta as suas bases no caso do PT. Fica eminente que no caso da disputa do Estado, o que era meio vira fim, a tática vira estratégia, e em troca do poder, da “máquina”, vale tudo. Assim auferindo o maior pragmatismo político, cada um aposta num “cavalo” diferente e que vença o “melhor”.

Na “margem esquerda” das eleições encontramos PSOL e PSTU, ambos partidos que reivindicam-se revolucionários. O programa do Prefeito Avanilson, candidato do PSTU, é bastante coerente no que diz respeito as condições sócio econômicas de Curitiba, apresentando uma tese marxista sobre Estado contemporâneo. Apresenta uma proposta classista, porém resume os problemas do Estado aos seus gestores e a corrupção, referindo-se aquela velha história da “crise de direção” e propõe-se, é claro, à gerir a máquina de forma socialista. O programa do PSOL sequer existe, lança sua candidatura apenas com consignas e, através destas, traz propostas bastante mediadas na tentativa de conquistar apoio da “classe média” (comumentemente se denominam setores mais abastados da classe trabalhadora, ou seja maior inserção no consumo como uma classe, discordamos de tal definição, mas entendemos a quem se refere). Para isso, acaba abandonando a perspectiva classista, seu programa socialista vai mais no sentido da conciliação de classes e de resolver os problemas do capital no capital do que de rompimento com as suas contradições e exploração dos trabalhadores. O abandono chega a tal ponto que algumas candidaturas se dirigem inclusive ao pequeno empresariado, sintomático para um partido que se propunha socialista.

E com o fim do primeiro turno, resta ao curitibanos escolher entre Ratinho Jr. e Gustavo Fruet, ou seja, manter a velha elite, ou trocá-la por uma nova. No fim das contas sabemos para quem o novo prefeito irá governar, independente de qual seja eleito. E mais uma vez, através das eleições, burguesia legitima seu domínio e exploração sobre os trabalhadores.

 

Bartolomeu Nascimento

[CURITIBA] Concentração Nacional do Fórum do Anarquismo Organizado

Foi realizado o ato da Concentração Nacional do Fórum do Anarquismo Organizado na quinta, véspera do Natal (24.12.2010), voltado a distribuição do SOLI 25, que trouxe uma análise das últimas eleições e do futuro Governo PT-Dilma.

Distribuímos o jornal Socialismo Libertário no Terminal Guadalupe (Curitiba – PR) sem maiores contratempos e com boa recepção do povo trabalhador da nossa cidade.

Liberdade! Socialismo!
Coletivo Anarquista Luta de Classe.

[FAO] LUTAR E VENCER FORA DAS URNAS – CONCENTRAÇÃO NACIONAL DO FAO (23.12.2010)

LUTAR E VENCER FORA DAS URNAS – CONCENTRAÇÃO NACIONAL DO FAO (23.12. 2010 naPraça Santos Andrade as 16:30)

Dia 23, quinta-feiraCONCENTRAÇÃO NACIONAL DO FAO – Forum do Anarquismo Organizado.
Firmam e convocam:
Coletivo Zumbi dos Palmares – AL
Federação Anarquista do Rio de Janeiro – RJ
Federação Anarquista Gaúcha – RS
Rusga Libertária – MT
Vermelho e Negro – BA
Federação Anarquista de São Paulo – SP
Organização Resistência Libertária – CE
Coletivo Luta de Classes – PREm Curitiba,  Praça Santos Andrade às 16:30 horas.
Liberdade!
Socialismo!