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[Rusga Libertária] SACCO E VANZETTI, PRESENTES!

Retirado de: https://rusgalibertaria.wordpress.com/2015/08/24/sacco-e-vanzetti-presentes/

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No dia 23 de agosto de 1927, Nicola Sacco e Bartolomeo Vanzetti eram executados pelo Estado opressor e assassino dos Estados Unidos da América. A execução ocorrera sete anos após a prisão, sete anos de torturas e injustiças. Imigrantes italianos, os dois se conheceram nos círculos anarquistas ítalo-americanos, dedicando-se à luta por melhores salários e condições dignas de trabalho. Sacco e Vanzetti atuavam com afinco, participando de greves, manifestações, comícios; razão pela qual logo tiveram seus nomes inseridos nas fichas policiais. Em 20 de maio de 1920, os dois são presos pouco antes de um comício anarquista; a acusação era de que teriam assaltado uma empresa na região de Boston, bem como assassinado dois homens da mesma empresa. O Estado montou, então, um processo criminal absurdo e sem provas, mantendo a acusação mesmo quando um outro preso confessara a autoria dos assassinatos. Os sete anos de prisão também foram marcados por uma intensa campanha em defesa da libertação de Sacco e Vanzetti. Contudo, o Estado foi implacável e usou a condenação como punição e “exemplo” para os demais trabalhadores do país. Um processo tão frágil juridicamente apenas mostrou o real motivo da perseguição, como o próprio Vanzetti declarou em carta ao filho de Sacco: se nos executarmos será “porque éramos pelos pobres e contra a exploração e opressão do homem”, por ser Anarquista.

O assassinato de Sacco e Vanzetti nos remete a um outro processo forjado para liquidar anarquistas no Estados Unidos, a execução dos mártires de Chicago. Como apontava Lucy Parsons, o Estado, “”a imprensa capitalista”, o “púlpito”, a polícia, um júri lotado, e “juízes preconceituosos” agiram conjuntamente para executar líderes anarquistas de Chicago” (citado em Quem é Lucy Parsons, de Casey Willams). Também nesse caso, foi montado todo um processo sem provas concretas para culminar em assassinato judicial. Assim como esses exemplos, muitos outros marcaram a história de diversos anarquistas pelo mundo. O Estado sempre criou esses casos como formas de aniquilar nossa ideologia e instaurar o medo, tratando anarquistas como terroristas, impondo uma visão que serve para a manutenção do estado de exploração e desigualdades.

Para além da história de luta e coragem, rememorar Sacco e Vanzetti, nesse 23 de agosto de 2015, 88 anos depois, nos leva a uma reflexão sobre nosso próprio tempo. Ainda vivenciamos uma série de perseguições e caça a anarquistas. São inúmeras as prisões e perseguições a anarquistas pelo mundo; pela estrutura judiciária do Estado, esses presos nunca serão compreendidos como presos políticos, cabendo a nós mostrarmos e defendermos essa perspectiva. Ainda hoje, enfrentamos uma forte criminalização do anarquismo, criminalização que se dá por parte do Estado, da direita e, inclusive, por certa parcela da própria esquerda.

No Brasil, desde 2013, o anarquismo voltou a ser posto em foco. A caça e a criminalização dos Black Bloc passaram pela avaliação de serem vistos como anarquistas. As jornadas de junho / julho, as mobilizações durante a Copa, as diversas greves mais combativas e as movimentações nas favelas, reabriram uma velha ferida silenciada e escondida pelo Estado; a de que o Estado tem por princípio a caça, a perseguição e a repressão de qualquer embrião de levante ou ameaça à sua estrutura. Não foram à toa as invasões às sedes anarquistas, a criminalização pela mídia, as prisões. A reformulação do Plano de Segurança Nacional, apontando manifestantes como terroristas, e o projeto de lei que busca proibir o fechamento de vias públicas por protestos marcam, mais uma vez, a posição do Estado como opressão e repressão. Representam um sério risco para o travamento da luta, além maiores dificuldades de organização e mobilização. Não temos dúvidas de que tais leis abrirão brechas para, novamente, prenderem e acusarem anarquistas como terroristas.

Se somos taxados de sonhadores, românticos, utópicos, pessoas que acreditam em algo que não pode ser colocado em prática, por que nos caçam tanto? Por que tantas perseguições, tanto alarde por conta de qualquer movimento dos anarquistas? Para nós, só podemos responder que o Estado compreende que questionamos e ameaçamos sua estrutura, que queremos a destruição do Estado e do sistema que explora. Mais do que isso, compreendem que sobrevivemos ao tempo, mesmo sendo perseguidos, presos, assassinados; compreendem que nos organizamos e veem que temos força para a luta e que nossa luta é, realmente, com os de baixo.

Sacco e Vanzetti representam a força e a coragem anarquistas; e sua história mostra como o Estado age, significando uma aprendizagem para nós anarquistas ainda hoje. Que essa história esteja sempre viva e seja as sementes de nossa coragem e garra para a luta!

Nicola Sacco e Bartomeo Vanzetti, Presentes Presentes Presentes!

Se siente, se escucha, arriba los que luchan!

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[CAB] O 1° de Maio em meio à crise final do projeto “Democrático-Popular”

http://anarquismo.noblogs.org/?p=478

O 1° de Maio em nosso “tempo”

Há 120 anos o 1° de Maio é uma data especial para a classe trabalhadora de todo o mundo. Um dia de luta, mas também de luto, reflexão e homenagem a todos aqueles que um dia sacrificaram suas vidas para a luta dos de baixo. Uma data que os de cima fizeram e fazem de tudo para esvaziar seu significado original, apresentando-a enquanto “Dia do Trabalho”, uma espécie de dia para santificar patrões e governos que, investidos de boa vontade, nos “dão trabalho” e “alternativas de vida”.

Independente deste jogo dos de cima, em todo o mundo o Primeiro de Maio sempre foi um momento importante para muitos trabalhadores e trabalhadoras pensarem sua própria situação, organização e capacidade de lutar por mudanças efetivas. Em outras palavras, sua capacidade de poder. É, portanto, uma data de toda a classe trabalhadora e por isso mesmo um marco internacional que paira além das tradições políticas e ideológicas que vêm desta classe em luta.

O 1° de Maio que se aproxima não se enquadra em um cenário favorável para nós. Difícil seria se enquadrar, já que nossa experiência tem demonstrado que até que se aniquile o Capital e o Estado, todos os tempos serão tempos terríveis.  No entanto, é nossa tarefa analisarmos quais são as características do momento em que entramos, suas coincidências com outros tempos, as forças dos agentes em jogo etc. Análise que pretende ser objetiva e não dogmática, sem querer encaixar a realidade dentro de uma determinada teoria. Um vício que tem levado parte expressiva da esquerda a dar voltas em círculos, como um cachorro que tenta agarrar o próprio rabo, sem inserção nas lutas sociais, atuando exclusivamente em direções, cargos, etc., ao invés de estar na base e construir movimentos populares desde baixo.

Nos últimos meses a esquerda em geral tem assistido a uma ofensiva do andar de cima, do conservadorismo e da direita no país. Essa ofensiva que, ao nosso ver, se manifesta como catarse no processo espetaculoso do impeachment da presidente Dilma, também gera consequências terríveis no âmbito da esfera organizativa dos de baixo. De um lado, um retrocesso político de muitos setores que hoje se reduzem a “defender a democracia”, sabendo-se lá o que se quer dizer com esse conto. Do outro, uma autoproclamação elitista que se coloca acima da classe: na incapacidade de conviver cotidianamente com ela, acredita que lançando algumas palavras de ordem pode acionar um incêndio e passar a “dirigi-la”.

Atônita e com pouca capacidade de reação no curto prazo, boa parte da esquerda tem se reduzido ao melancólico papel de espectadora de uma trágica ofensiva reacionária que tem acumulado consideráveis forças e convoca um esforço redobrado de nossa parte para fazer valer o pouco que conquistamos. O pouco que conquistamos com o sangue, suor e lágrimas de muitos, entre eles dos anarquistas Mártires de Chicago condenados à morte.

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O Espetáculo do Impeachment e a ofensiva conservadora

Grotesco espetáculo circense aparte, o impeachment movido pelo bando vigarista do congresso liderado por Eduardo Cunha foi um golpe parlamentar que se ancora na crise sem precedentes do governo Dilma e do petismo na cena política nacional:

– a franca evolução do PT ao centro e à direita pela política de alianças com as oligarquias que formam o centrão do Congresso Nacional, no qual as barganhas e as chantagens do PMDB representam sua expressão mais pura;
– a liquidação do pacto de classes diante de um cenário econômico recessivo e a rendição do governismo às pautas do ajuste fiscal cobrado pelo sistema financeiro e pelas patronais;
– a posição equivalente de um partido sócio da corrupção sistêmica e do estelionato eleitoral que é regra do jogo da democracia burguesa.

O desejo por trás da reação parlamentar, midiática e judicial nessas circunstâncias especiais é fazer com que o ajuste envergonhado que o PT conduz atinja o grau máximo pela via do impeachment, resultando na formação de um governo de choque. Atacar os direitos e os bens públicos sem os meios de colaboração e do “diálogo” que foram usados à exaustão pelos gestores petistas do capitalismo brasileiro, sejam aqueles integrados nas estruturas do Estado ou nas burocracias dos movimentos populares, com especial destaque ao movimento sindical. Tomar carona oportunista na comoção social produzida pelo derrame do discurso jurídico-criminal sobre a política e a corrupção para impor soluções ao gosto das mesmas classes dominantes de sempre.

Não nos restam dúvidas de que Sérgio Moro e a Lava Jato trabalham para estes interesses. Essa é a trama preferencial de uma narrativa privilegiada pelos grupos de mídia, que se aproveita da situação para fazer cortina de fumaça nas investigações que acusam os sonegadores pela Operação Zelotes e as contas na Suíça do HSBC. Os aparelhos judiciários não têm nenhuma vocação para uma mudança social que ponha o centro da decisão na participação popular.

O que boa parte da esquerda parece ter dificuldade de entender é que por fora da gramática do poder de classificar culpados e inocentes, de selecionar e excluir, de toda máquina penal que alimenta um discurso punitivo, o projeto liderado pelo PT se integrou nessas estruturas dominantes e se afundou na vala comum. Aparte do processo legal, o governismo e suas “correias de transmissão” no movimento sindical e popular atropelaram conceitos e valores que são muito caros a uma concepção de esquerda. A princípio não nos toca a legalidade do “triplex” ou do “sítio de Atibaia” que pressionam Lula. O que provoca nosso rechaço, antes de tudo, é que líderes históricos da legenda nascida das greves do ABC sejam consultores sem constrangimentos da patronal e gestores de fundos de pensão. No caso de Luis Inácio, estamos a falar de um palestrante de luxo da Odebrecht e amigo de Bumlai, poderoso empresário do agronegócio. Um fã ardoroso do banqueiro Henrique Meireles, para dar só alguns exemplos.

A tragédia de tudo isso é que na percepção dos setores populares a trajetória de fracassos e decepções de um partido gestado no fruto das lutas sociais dos anos 80 arrasta toda a esquerda para o mesmo buraco. Estimulam o ceticismo, a intolerância e a indiferença política e social, onde crescem as ideias reacionárias de uma salvação autoritária que adiam a urgência de organizações populares de base.

Aniquilar pela vidraça do PT todo tipo de movimento social e pensamento de esquerda tem sido a grande ofensiva dos setores reacionários que encabeçam o impeachment, colocando um “anticomunismo” primitivo como uma das principais questões desta ofensiva. Daí que entre o ajuste fiscal encontramos também uma ofensiva reacionária em relação à cultura e à educação, com o bizarro projeto “Escola sem Partido” que vem ganhando terreno em diversos Estados da união sob diversos matizes, mas com um mesmo fim: coibir a pretensa “doutrinação ideológica” de jovens nas escolas e universidades por um fantasioso “marxismo cultural” de professores da área de humanas. Uma teoria da conspiração que, como tal, na ausência de um mínimo fundamento histórico, teórico e pedagógico se nutre de um raivoso ressentimento conservador que busca, inclusive, encarcerar professores dependendo daquilo que dialoguem com os estudantes.

O retrocesso que nos ronda, portanto, não é apenas em relação à maior precarização de nossas relações de trabalho com o aniquilamento de direitos e arrocho salarial. É também um retrocesso que joga no plano cultural, na ávida busca dos conservadores em formar uma geração de jovens perdidos sem qualquer capacidade de elaboração de um raciocínio que problematize sua vida cotidiana e o espaço onde ela se desenvolve. Jovens que se acostumem a serem dóceis funcionários do trabalho precário ou mortos sumariamente na trágica “guerra das drogas” e nas chacinas que atingem a população das vilas e favelas, em especial a juventude negra. O modelo da “escola prisão”, de reduto disciplinador de corpos e mentes, da promoção de uma ideologia de competição, onde aos “melhores” cabe o papel de passar por cima dos “piores”, ganha uma posição privilegiada nesse cenário.

A vocação economicista e/ou parlamentarista de grande parte da esquerda não tem permitido a necessária atenção em torno dessa ofensiva cultural. Ao mesmo tempo demonstra a sedutora tentação de que pode se apresentar instantaneamente como a grande alternativa à desilusão das amplas massas com o petismo. Tudo se resume à correta escolha de um punhado de palavras de ordem que alimentem um otimismo delirante de que “agora é a nossa vez”. Caso o jogo não seja virado, basta culpar aqueles que “capitularam” e preparar-se para sua próxima derrota caricata.

Forjar a construção de alternativas desde as bases e com as bases

Os 14 anos de hegemonia do projeto democrático popular chegam a sua saturação final. Nestes últimos anos a esquerda não governista esteve em meio a uma luta para conformar uma alternativa a esse bloco. Cada setor, cada organização concebeu, a sua maneira, o que seria essa alternativa. Mas no fim, não foi capaz de presenciar alguma proposta que disputasse com o bloco governista nas lutas populares. Isso, por sua vez, não tirou de cena o surgimento de inúmeras experiências que transbordam ensinamentos e avanços difíceis de medir precisamente. Das “greves selvagens” e das revoltas nas obras do PAC, passando pelas jornadas de junho em 2013, a luta por moradia nas grandes cidades e a recente onda de ocupações de escolas por estudantes secundaristas em São Paulo, Goiânia, Rio de Janeiro e Belém mostram que em meio às trevas da ofensiva reacionária, também vai se afirmando uma nova geração de lutadores e lutadoras. Uma geração que não se formou pelas estruturas tradicionais de luta e organização que a esquerda construiu nas últimas décadas, por isso mesmo, uma geração refratária aos métodos e à cultura destas estruturas.

O 1° de Maio, evento histórico de nossa classe, é um momento para refletirmos nossa trajetória enquanto classe em luta, de resgatar os valores universais que difundiram nossos Mártires de Chicago na épica luta pela redução da jornada de trabalho, levada a cabo por homens e mulheres do povo em todo o mundo, disputando com os parasitas do trabalho a organização de nossas vidas. Uma vitória que estes parasitas nunca nos perdoaram e buscam contorná-la ainda hoje com seus infames artifícios, como é o caso do banco de horas.

O 1° de Maio é o momento para estarmos juntos, refletindo sobre nossa presença nos diversos espaços de nossa classe e em como temos alimentado cotidianamente laços de resistência. Da disputa contra ideias conservadoras à organização de uma luta contra o ajuste, tudo é decisivo na construção de um punho forte e solidário dos de baixo. Não se trata de apresentar-se enquanto única verdade, mas sim de construir, palmo a palmo, os alicerces do novo dique dos de baixo a conter a ofensiva dos de cima. É no fazer cotidiano de nossa classe que vamos acumulando força social, expressa no empoderamento dos de baixo e não no fortalecimento de aparatos. Uma força real que exige de nossa parte que não sejamos sectários, exige mais reflexão, capacidade de escuta e imaginação política.

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Em memória aos Mártires de Chicago, continuar a luta por direitos e pela transformação social!

Criar um Povo Forte! Desde baixo e à esquerda!

Lutar! Criar Poder Popular!

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Coordenação Anarquista Brasileira – 1° de Maio de 2016

[CAB] Saudações ao ato do Primeiro de Maio Anarquista da Federación Anarquista de Rosario – FAR

http://anarquismo.noblogs.org/?p=470

A Coordenação Anarquista Brasileira saúda o ato anarquista do Primeiro de Maio, organizado pela nossa organização irmã, a Federação Anarquista de Rosário. O primeiro de maio é uma data histórica da luta internacional das trabalhadoras e trabalhadores do mundo. Uma data que encontra na luta dos Mártires de Chicago sua necessária lembrança.

Reconhecemos como nossas e nossos, as/os mártires da luta da classe trabalhadora e do anarquismo argentino. Anarquismo este que forneceu exemplos heroicos de luta e dedicação. A história da luta anarquista na Argentina é a história da luta internacionalista. É a história de mártires como Joaquín Penina, Kurt Wilckens, Virginia Bolten e Simon Radowitzky. É a história de mártires e combatentes como Rita Artabe, Rafael Tello e muitas outras e outros que sempre estarão (como se diz aqui): presentes, presentes, presentes! É a história de Errico Malatesta, de August Spies, de Lucy Parsons e de Domingos Passos!

Não esqueceremos os massacres históricos promovidos pela classe dominante argentina contra nossos irmãos de luta, nos governos e nas ditaduras civis ou militares. Nossa memória não se subordina a governos de turno. A semana vermelha, a repressão da ditadura militar argentina e o massacre patagônico ainda ardem em nossos corações como o exemplo do ódio da classe dominante contra nós trabalhadoras/es.

Saudamos os históricos exemplos de greves e insurreições promovidas por nossos irmãos de luta, a greve dos portuários de 1956, a mais longa da história da Argentina e a experiência do Cordobazo e do Rosariazo. Nossa inspiração se alimenta do passado e do presente, de greves e lutas históricas.

Nesse momento histórico de avanço do neoliberalismo e crise do modelo reformista e de pacto de classes, nossa ideologia tem um importante papel a cumprir. Com modéstia, precisamos seguir e consolidar um anarquismo latino-americano que se alimente das tradições do nosso povo aguerrido para constituir uma fisionomia libertária de luta e enfrentamento.

Nossa opção é com as/os de baixo! Nossa estratégia é a de fortalecimento dos movimentos populares e sindicatos combativos. Nosso horizonte é o horizonte da anarquia.

Lutar, criar, poder popular!

Viva o Primeiro de Maio internacionalista!

Viva a luta popular argentina!

Viva a FAR!

Viva o anarquismo latino-americano! Viva o especifismo!

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Saludos al Primero de Mayo anarquista de la FAR

Coordinación Anarquista Brasileña

La Coordinación Anarquista Brasileña saluda el acto anarquista del Primero del Mayo, organizado por nuestra organización hermana, la Federación Anarquista del Rosário. El Primero de Mayo és una fecha histórica de lucha internacional de las trabalhajadoras y trabajadores del mundo. Una fecha que encuentra la lucha de los Mártires de Chicago y su recuerdo esencial.

Reconocemos como nuestras y nuestros, las / los mártires de la lucha de la clase obrera y el anarquismo argentino. El anarquismo que proporcionó ejemplos heroicos de lucha y dedicación. La historia de la lucha anarquista en la Argentina es la historia de una lucha internacionalista. Es la historia de los mártires como Joaquín Penina, Kurt Wilckens, Virginia Bolten y Simon Radowitzky. Es la historia de los mártires y combatientes como Rita Artabe, Rafael Tello y muchos otros y otras que serán siempre (como dicen aquí): presente, presente, presente! Es la historia de Errico Malatesta, de August Spies, Lucy Parsons y Domingos Passos!

No olvidamos los masacres históricos promovidos por la clase dominante argentina contra nuestros hermanos de lucha, en los gobiernos y las dictaduras civiles o militares. Nuestro recuerdo no    está sujeto a pasar de los gobiernos. La semana roja, la represión de la cobarde dictadura militar argentina e lo masacre patagonico aún arde en nuestros corazones como el ejemplo de odio de la clase dominante contra los trabajadores.

Recordamos las huelgas y insurreciones de nuestros hermanos de lucha: la huelga de los marítimos de 1956, la más larga de história de Argentina, la experiencia de Cordobazo y Rosariazo. Nuestra inspiración és el pasado y el presente, de huelgas y luchas históricas.

En este momento histórico de avance del neoliberalismo y crisis del pacto de clases y el reformismo, nuestra ideología tiene un rol importante a cumprir. Con modestia, hay que seguir y consolidar un anarquismo latinoamericano que  alimentase de las tradiciones de nuestro pueblo peleador para tener una fisionomia libertária de lucha e enfrentamiento.

Nuestra opción és con las/los de abajo! Nuestra estrategia és fortalecer los movimientos populares e grêmios combativos! Nuestro horizonte és de la anarquia!

Luchar, crear, poder popular!

Viva el Primero de Mayo internacionalista!

Viva la lucha popular argentina y brasileña!

Viva la FAR!

Viva el anarquismo latino-americano! Viva el especifismo!

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[CABN] Crônica do Sarau de 1º de Maio

Retirado de: http://www.cabn.libertar.org/cronica-sarau-de-1o-de-maio/

O 1º de maio é uma data importante no calendário da luta popular. É momento de lembrar os seis mártires de Chicago, quando em 1866 lutaram contra o capitalismo e o Estado para conquistar 8 horas de trabalho, 8 horas de lazer e 8 horas de descanso. Os mártires foram condenados e mortos. Os mártires eram anarquistas, mas a data não é uma data do anarquismo, é uma data da classe trabalhadora. Às pessoas interessadas na história da data, deixamos a animação “Maio, Nosso Maio” que sintetiza a inspiradora luta dos nossos irmãos e nossas irmãs de classe.

https://player.vimeo.com/video/23105830

Em Joinville, apesar de ter a sua história ligada ao processo de industrialização, imigração/migração e especulação, a classe trabalhadora pouco se lembra da data com um marco de combate. O projeto dominante capitalista pauta a data como dia do trabalho, como foi feito em outros períodos. É neste contexto que a atividade Sarau 1º de Maio, realizada pelo Coletivo Anarquista Bandeira Negra, é importante para construir uma identidade de luta por meio de uma ação política organizada fora das instituições do Estado. Se a classe dominante tenta promover a inversão do nosso calendário, inclusive utilizando do lazer e do entretenimento, cabe a nossa força organizada realizar o combate por baixo e à esquerda por meio das diferentes manifestações artísticas.

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O Sarau não teve por objetivo fazer “arte anarquista”, o intuito foi envolver companheiros e companheiras que lutam no cotidiano opressivo da cidade. Irmãos e irmãs que dialogam ou que estão inseridos até a carne nos combates contra todas as formas de opressões. Compas que nos brindaram com exposição de seus desenhos, pinturas, seu muralismo. Compas que compartilharam sua poesia, sua leitura, seu teatro. Pela arte, socializamos nossa experiência, nossa luta e nossos sonhos.

Agradecemos as mais de 80 pessoas que compareceram, trouxeram comida, encamparam a ideia e fizeram desse um belo dia. Seguimos, companheirada!

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As fotos são do Coletivo Metranca, há mais fotos aqui.

O texto de abertura à atividade pode ser lido aqui.

[FAG] Ato Anarquista de 1º de Maio

Retirado de: http://www.federacaoanarquistagaucha.org/?p=1111

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Realizamos no dia 30/04 nosso Ato Anarquista de 1º de Maio no Centro de Cultura Libertária da Azenha, CCL. Um momento de socializar linhas de análise da conjuntura e das lutas sindicais atuais, de fazer memória a data e de confraternizar com companheiros e companheiras de luta.

Abaixo compartilhamos a adesão da nossa irmã Federação Anarquista Uruguaia – FAU, o discurso de nossa Organização lido no Ato e algumas fotos.

Viva o 1º de Maio!

Viva a FAG e seus 20 anos!

Viva a CAB!

Viva a Anarquia!

Compañeras y compañeros de la FAG

Nosotros que somos su organización Hermana, la federación Anarquista uruguaya queremos dejarles un fuerte abrazo libertario de cara a las jornadas de lucha para el 1° de mayo. Una data mas que importante para nosotros, por lo histórico y político de aquellos hechos y por la continuidad ideológica de nuestras luchas obreras y populares, y nuestra cultura anarquista, libertaria.

20150503201739 (1)Vinieron muchos después, muchos y muchas luchadoras y luchadores, todos humildes y modestos en su aporte que ha significado el sostenimiento de una ideología y cultura de práctica, acción, resistencia. Ha sido la lucha desde abajo, con los de abajo lo que nos ha caracterizado. Y no nos lo han contado como una novela, es porque somos de abajo y sabemos que las conquistas han sido con sangre y lucha, que decimos que el anarquismo, el socialismo, la cultura libertaria en sí ha sido obra y creación de los pueblos oprimidos. No ha sido obra de laboratorio ni creación científica. Y allí también lo es. Año 2013 que marcó y viene definiendo una nueva etapa para nuestros hermanos de la FAG y la CAB. Sostenido en 2014, y se viene el 2015, y el 2016. Con los 20 años de la FAG y los 60 de la FAU!

Entonces va nuestro saludo solidario, va nuestro abrazo de resistencia y va nuestro puño en alto, nuestro pulso furioso señalando los 10 años del asesinato del compañero Nicolas Neira Alvarez de Colombia a manos de la policía asesina y el aparato represivo del estado, y la brutal represión, masacre que están viviendo los trabajadores y pueblo movilizado en Curitiba. Toda nuestra solidaridad para resistir esa bestial masacre en aquel pueblo Paranaense, sin dudas, sin titubeos. Con los 200 heridos y con todo el pueblo que está creciendo en organización y resistencia.

 Por un 1° de mayo clasista!

Toda la solidaridad con las luchas de Curitiba!

Arriba los 20 años de nuestra Hermana Federación Anarquista Gaúcha!

Arriba el poder Popular!!

Arriba los que luchan!!

federación Anarquista urugaya

Contra a trapaça político burguesa e o arrocho da vida dos trabalhadores

20150503201600O mal estar corre solto nas ruas do país. A recessão econômica e as amargas medidas do governo Dilma/PT a nível federal e Sartori/PMDB a nível estadual buscam salvar os lucros de banqueiros e empresários, cortando direitos, investimentos sociais e aumentando o custo de vida sob o farsante argumento de que o momento é de “sacrifício para todos”. Aliado a isso tudo, o cheiro podre da corrupção sistêmica impregnado no ar, em que se articula uma complexa constelação de interesses e “escândalos” que envolvem desde os partidos da coalizão governista como aqueles da oposição de direita, grandes empresas e banqueiros e os grandes conglomerados de comunicação.

Vida cara e precária. Arrocho nos trabalhadores.

A promessa do capitalismo brasileiro, que vinha crescendo pela mão de uma desapropriação violenta dos bens comuns, pela dominação dos capitais do agronegócio, mineradoras e empreiteiras, quebra a cara com a queda do preço das “commodities” e da desaceleração do capitalismo chinês. As idéias triunfalistas de um país de classe média, puxado pelo consumo e o endividamento de massas, pelos empregos precários e a inclusão dos pobres como sujeito flexível do mercado, mostram sua fragilidade e já entram em desencanto em amplas camadas de trabalhadores do país.

A classe operária vive de novo as demissões na indústria e na construção civil. Só no ramo de autopeças a patronal prega mais uma chantagem, exigindo infinitos incentivos fiscais e flexibilização de direitos, ameaçando em caso contrário com 30 mil demissões ao longo do ano. A falta de água e luz cria calamidade nas periferias urbanas e o preço das contas de energia, da alimentação e dos serviços aumentam mais que a renda dos trabalhadores. A mudança de regras do seguro-desemprego e do acesso a benefícios previdenciários (MP´s 664 e 665) corta direitos e coloca sobretudo uma classe trabalhadora jovem e localizada em empregos precários em uma situação de maior vulnerabilidade e risco.

Os impostos castigam o consumo dos setores populares e médios, enquanto aliviam os ricos, donos de empresas e grandes fortunas. Em contrapartida a saúde e a educação pública seguem sucateadas, o transporte coletivo é péssimo, a justiça criminaliza a pobreza, a polícia é racista e mortal nas vilas, favelas e subúrbios e o encarceramento em massa de pobres e negros entra em uma nova fase com a aprovação da redução da maioridade penal.

Os precarizados, a massa dos trabalhadores brasileiros, alçados como modelo do regime de trabalho flexível e super-explorador, sujeitos de uma rotina de pesados sacrifícios, dão sinais de cansaço e irritação. A patronal, não satisfeita com os inúmeros incentivos vindos dos governos, quer mais trabalho precário e pressiona o governo pela lei de terceirizações.

A insatisfação cresce por todos os lados e chega a transbordar para além das velhas estruturas, normas e regras que o sistema oferece para sua canalização. Insatisfação representada por um sentimento difuso que, entre outras coisas, expressa rebeldias que vem de baixo.

Terceirização: o grande ápice de um processo que leva 12 anos.  

20150503201110A ofensiva patronal sobre nossa classe atingiu seu ápice nas últimas semanas com a aprovação do PL 4330, a lei das terceirizações, na Câmara de Deputados que agora se direciona para votação no Senado para então ser sancionada ou vetada pela presidente Dilma.

Ancorados no embuste de “regulamentação dos trabalhadores terceirizados” e “modernização das relações trabalhistas”, a patronal em aliança com a corrupta e mafiosa burocracia da Força Sindical desdobra uma ardilosa operação política que visa, em realidade, fazer das terceirizações o novo paradigma das relações de emprego no país, sepultando de uma vez por todas a garantia de pleno emprego com direitos. Ao liberar a terceirização das “atividades-fim” esse modelo de precarização do trabalho afirma sua vitória política que vem sendo construída ao longo dos últimos anos, afirmando-se por sua vez, enquanto a maior derrota dos de baixo desde o golpe de Estado de 1964.

Ainda em 2003, o início do primeiro mandato de Lula apontava o verdadeiro projeto político em curso com a aprovação da reforma da previdência, então uma das principais ambições tucanas. A mesma reforma não teria sido possível sem a velha cantilena da “modernização” a qual não deixou de lado o covarde jogo de desenvolver um discurso que buscava opor trabalhadores do funcionalismo público com trabalhadores do setor privado, apresentando a “inevitável necessidade de podar os privilégios” dos primeiros para que pudessem ser garantidos os direitos dos segundos.

Desde então, os 12 anos de pacto social petista antes de terem sido capazes de reduzir os índices de desemprego, foram os anos de uma discreta e eficaz construção de um consenso social em torno da necessidade de precarizar as relações de trabalho. A grande massa de novos trabalhadores formais, em sua grande maioria jovens, que deixaram a incerteza do desemprego dos odiosos anos tucanos foi também aquela que se formou em condições de trabalho precário e sem direitos. Telemarketing, construção civil e terceirizações diversas foram o grande pulmão que alavancou os empregos nestes anos, colocando essa nova geração de trabalhadores em condições deploráveis de exploração, repressão sindical, excesso de jornada e ritmo de trabalho, salários rebaixados, acidentes e mortes, dentre outras mazelas.

20150503201655A fragmentação da classe trabalhadora e seu contínuo enfraquecimento organizativo foi, por sua vez, a principal trilha percorrida pelo projeto democrático popular encabeçado pelo PT desde meados da década de 1980. Para alcançar o executivo foi necessário a “acumulação de forças” nas estruturas políticas do Estado enraizando ai uma cultura política em que antes da luta autônoma de classe se ambicionava a aquisição de cargos no legislativo e nos executivos estaduais e municipais. Com a chegada do PT ao executivo esse processo deu um salto de qualidade e levou as grandes organizações de classe a uma simbiose com o Estado, sendo fiéis escudeiros do governo de turno e afirmando-se enquanto um grande estorvo à organização dos de baixo. Vista grossa à reforma da previdência e assinatura de acordos que flexibilizam direitos, rebaixam salários e demitem, foram e seguem sendo recursos cotidianos por parte da CUT, para citar um dos mais importantes exemplos.

Após 12 anos à frente da gestão do Estado, aproximadamente 30 anos de progressivo alinhamento ao mesmo e enfraquecimento da capacidade organizativa dos de baixo por parte do projeto encabeçado pelo PT, a patronal se viu em uma situação favorável para convocar sua bancada e seus aparelhos ideológicos, os grandes oligopólios da comunicação e seu Instituto Millenium, para desengavetar o Pl 4330 de autoria do industrial da alimentação e ex deputado Carlos Mabel/PL.

Ainda que tenham se colocado contrários a lei das terceirizações, o PT e as centrais governistas (CUT e CTB), que em realidade brigam pela regulamentação da terceirização às atividades meio e não a sua extinção, condicionaram o essencial de suas medidas em discursos parlamentares, promovendo poucas e limitadas iniciativas de mobilização. Medidas como a vã perspectiva de sensibilizar deputados, autoridades e a presidente Dilma, tem dado o tom da pretensa resistência que este campo pretende oferecer ao monstro por ele gestado.

A lei das terceirizações chega ao senado com relativo enfraquecimento dado a repercussão negativa de seu verdadeiro teor, mas, por sua vez, com importante capacidade de se efetivar dada a ausência de uma real capacidade organizativa das organizações de base em dar uma resposta concreta no curto prazo. Em que pese esse fator, as muitas lutas que tem se desenvolvido mostram uma real capacidade de acumularmos forças e tencionar na perspectiva de virar o jogo. Da greve dos operários de Jirau à exemplar resistência dos trabalhadores em educação no Paraná, passando pelas jornadas de junho de 2013, fica à todos nós a mensagem de que é nas bases, buscando fomentar sua organização e radicalização que podemos acumular forças e reorganizar o tecido social para dar batalha nos locais de trabalho, moradia e estudo para resistir ao pacto social que hora se degenera a aberta austeridade.

É preciso cerrar o punho para dar batalha intransigente a ofensiva dos de cima, estimulando desde cada local de trabalho, estudo e moradia iniciativas para debater e se mobilizar contra a redução da maioridade penal, o ajuste fiscal do governo dos governos estaduais e federal e o projeto das terceirizações em curso, não alimentando nenhuma sorte de ilusões de que as grandes direções sindicais possam apresentar medidas que sejam capazes de frear essa onda. Só com uma forte explosão de descontentamento e fúria popular, que fuja do controle das burocracias sindicais pelegas, mas também de toda sorte de burocracia radical que reproduz os vícios burocráticos de condicionar ao seu próprio desenvolvimento político partidário, e só com protagonismo de base é que conseguiremos apresentar uma real resistência a voracidade patronal rumo à construção de uma greve geral.

Em memória aos mártires de Chicago, continuar a luta por direitos e pela transformação social!

Em solidariedade à resistência dos trabalhadores do Paraná.

Por um 1º de Maio contra as burocracias e de combate aos ataques dos governos e dos patrões!

Criar um Povo Forte!

Pelo Socialismo e pela Liberdade, Viva a Anarquia!

Federação Anarquista Gaúcha – FAG/CAB

20 anos!!!

[RL]1º DE MAIO: DIA DE MEMÓRIA DA REBELDIA, LUTA E RESISTÊNCIA DAS/DOS TRABALHADORAS/TRABALHADORES!!!

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Os Mártires de Chicago – 1º de Maio é uma data simbólica para a luta!

No dia 1º de maio de 1886 – Chicago –, os principais centros industriais dos Estados Unidos foram paralisados. Os embates dessa época tiveram seu desfecho em um conflito envolvendo os trabalhadores e a polícia. No dia 4 de maio, o desenrolar desta contenda, foi a morte de sete agentes policiais ocasionadas pela explosão de uma bomba. A polícia, então, abriu fogo sobre a multidão de trabalhadores, matando vários e levando à prisão militantes do movimento, que foram acusados de serem os culpados pela explosão. O desfecho: trabalhadores foram condenados à morte em julgamentos vergonhosos que tinham como jurados patrões e pessoas diretamente ligadas a eles.

 

Em 2015, anos e lutas mais tarde! 129 anos do episódio dos Mártires de Chicago!

As condições vividas pelos trabalhadores daquela época não mudaram de maneira significativa. Continuamos a viver em uma sociedade com baixos salários, em que impera a pobreza e muitos passam por dificuldades em detrimento do luxo de poucos.

Os meios de comunicação controlados pela elite, junto com os que se venderam aos patrões, têm tornado o dia internacional do trabalhador mais um de seus “feriados oficiais”. Infringe, desse modo, uma violência simbólica que coloca em pauta uma data ao trabalho e não ao trabalhador; uma comemoração que não relembra a luta e sim um “culto ao trabalho”, com a pretensão de se passar por neutra e genérica, deixando de lado a dor e o sangue derramado nessas reivindicações.

Trazemos sempre em nossa memória essa data como dia de relembrar companheiras e companheiros que tombaram lutando por um ideal de libertação, rebeldia e foco na tática pela transformação estrutural da sociedade, que ainda não mudou da forma que tanto almejamos!

 

O ataque aos direitos dos trabalhadores!

Nesse momento, enfrentamos a ameaça de retirada de direitos conquistados com muito suor e sangue. Políticas neoliberais estão sendo aplicadas à conta gotas, aumentando a precarização do trabalho. Como exemplo, podemos citar aqui o projeto de lei que autoriza a ampliação da terceirização do trabalho (PL 4330).

Para nós trabalhadores, a terceirização significa um dos maiores retrocessos em anos! Além da precarização nas condições de trabalho, as empresas terceirizadas acabam retirando seu lucro dos salários dos trabalhadores que já ganham, em média, 20% a menos e, com a aprovação do projeto, essa redução será de 30% nos salários dos terceirizados; não tendo a possibilidade de reivindicação de direitos diretamente com o patrão, dificultando também a organização sindical; nossos direitos passam a correr riscos maiores. Em suma, com a terceirização ampla, o resultado será: aumento do desemprego, perda da estabilidade trabalhista, os trabalhadores poucos qualificados sofrerão mais ainda, haverá um significativo aumento da rotatividade dos trabalhadores.

Dentro desse bojo de assaltes aos direitos dos trabalhadores, também existem as medidas provisórias 664 e 665 – que reduzem e atacam direitos trabalhistas como: FGTS e Seguro Desemprego. Lembremos que esse ataque não é exclusividade de partido “X” ou “Y”. O governo do Partido dos Trabalhadores, que há muito traiu o povo, inaugurou essa nova fase de restrições aos direitos trabalhistas. Com isso, abriu caminho para partidos que historicamente estão alinhados com a elite, a exemplo do PMDB e do PSDB. O governo do PT concluiu o projeto iniciado no governo de Fernando Henrique Cardoso. Diga-se de passagem, nós trabalhadores devemos sempre lembrar que, na democracia dita representativa, os partidos acumulam para os partidos, e não para a luta do povo. Não há partido que represente a vontade dos trabalhadores, pois: Nenhuma de Nossas Urgências Cabe em Urnas!

A maioria dos sindicatos e suas centrais viraram departamentos do governo, com funções assistencialistas e recreativas. Em vez de greves e manifestações, os sindicatos se ocupam das maiores trivialidades. Os sindicatos, outrora combativos, dão lugar aos sindicatos pelegos, que defendem o interesse do governo e dos patrões ao invés das reivindicações dos trabalhadores.

Não tarda que algumas discussões voltem a ser pauta do dia, a exemplo: Previdência Complementar (baseado no PL 1.992/07), Fundações Públicas ou Privadas (baseado no PLP 92/07), Direito de greve (baseado no PL 4.497/01), Demissão por insuficiência de desempenho (baseado no PLP 248/98), entre outros. Com alvos claros, os que estão no poder – a serviço dos que exploram os trabalhadores – têm como objetivo enfraquecer a luta, impondo ao povo a ideia de conciliação de classe, valorização do trabalho (e não do trabalhador), subserviência e respeito à ordem opressora. Basta lembrar que a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), criada em 1943, foi baseada na Carta del Lavoro, legislação da Itália Fascista. Com muita luta, durante anos, temos tensionado para que as condições de trabalho tornem-se toleráveis porque longe estão de ser as ideais. O retrocesso que sofremos em direitos nos últimos anos não pode e não será tolerado!

É cada vez mais urgente nossa organização desde baixo! É cada vez mais urgente nosso enfrentamento nas greves, nas ocupações, nas ruas! Avançar em Novas Conquistas e Contra a Retirada dos Direitos já Conquistados!

Lutar de novo e sempre por nossos direitos! Ombro a ombro, com combatividade!

O caminho nos leva à memória de luta e rebeldia dos Mártires de Chicago!

Viva o 1° de Maio. Viva a luta dos trabalhadores!

[CAZP] BOLETIM CAZP

Retirado de: https://cazp.wordpress.com/2015/03/10/boletim-cazp/
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ESTADO, PATRIARCADO E OPRESSÕES: O FEMINISMO NA PERSPECTIVA SOCIALISTA LIBERTÁRIA

“O homem mais oprimido pode oprimir um ser, que é a sua mulher. Ela é a proletária do próprio proletário”.
(Flora Tristan, 1803-1844)

Na história do feminismo no mundo, muitos movimentos levantaram várias bandeiras contra a opressão da mulher. Contudo, apesar de muitos avanços, na atual sociedade capitalista ainda é muito vivida (e indispensável) a subordinação das mulheres para a manutenção do sistema, seja socialmente ou no núcleo familiar, uma vez que o exercício de tarefas domésticas e de criação dos filhos é condição primordial para o pleno exercício das atividades laborativas do trabalhador.

Nesse sentido, um feminismo de concepção anarquista coloca a luta contra a opressão feminina num outro patamar, pois compreende que existe uma teia de relações opressivas ao qual a mulher está submetida.  As mulheres trabalhadoras (portanto, a maioria das mulheres no mundo capitalista atual) sofrem dois tipos de opressão: uma transversal a todas as classes sociais como mulheres, e outra transversal a toda classe trabalhadora, portanto desprovida dos meios de produção. Destacamos também a dimensão étnico-racial que põem para as trabalhadoras negras o peso de uma opressão de múltiplas dimensões: econômicas, políticas e ideológicas-culturais.

Os partidos de esquerda frequentemente fazem o necessário “corte de classe” para distinguir as diferenças entre trabalhadoras e burguesas, porém, muitas vezes fazem “vista grossa” no tocante às disparidades entre as trabalhadoras e os trabalhadores. Isso decorre, geralmente, pelo fato da esquerda não trabalhar as questões de solidariedade interclasses e intragênero – consciente ou inconscientemente – que existe dentro do gênero masculino como forma de subordinar a mulher e manter seus privilégios perante esta.

Na perspectiva de enfrentamento ao Estado, percebe-se que este, na medida em que se apropria da ideia de exploração econômica dos trabalhadores, também toma como cerne de sua construção o patriarcado. O patriarcado é uma ideologia que, historicamente, perpassou por inúmeras sociedades já existentes. Trata-se de uma ideologia de múltiplas formas de dominação do homem sobre a mulher, sendo o homem considerado superior à mulher; uma organização social baseada no poder do pai, e a descendência e o parentesco seguem a linha masculina – o pai é a lei. O Estado se apropria dessa concepção na medida em que também determina e regula a vida em sociedade: o “Pai/ Deus” criador das leis que o permite usar da violência para manutenção da ordem vigente – tal ordem deve ser inquestionável e inquebrantável.

Desse modo, em sua lógica de dominação, a relação entre Estado e patriarcado, nos leva à perspectiva de que não podemos separar a luta contra a opressão de gênero da luta classista e a recíproca torna-se verdadeira quando compreendemos que a luta contra o Estado e o capital não pode ser desvencilhada da luta contra o patriarcado.

Há ainda uma tradição forte na esquerda em colocar o debate feminista, assim como os que envolvem relações étnico-raciais e sexualidade, como algo de menor importância, algo “a ser discutido depois” ou uma questão que é incorporada de maneira oportunista. É preciso avançar para uma concepção e prática que identifique e articule estruturalmente a luta feminista em conjunto com a luta contra o capitalismo e o Estado. O socialismo não é sexista e heteronormativo, ele deve ser integralmente libertário.

flora tristan

QUEM É LUCY PARSONS? A MITOLOGIZAÇÃO E A RE-APROPRIAÇÃO DE UMA HEROÍNA RADICAL.

Casey Williams

Como uma anarquista radical, Lucy Parsons dedicou mais de sessenta anos de sua vida a lutar pela classe trabalhadora norte-americana e pobre.1 Uma oradora habilidosa e escritora apaixonada, Parsons desempenhou um papel importante na história do radicalismo norte-americano, especialmente no movimento operário da década de 1880, e permaneceu uma força ativa até sua morte em 1942. A única pergunta da qual ela nunca se desviou foi “como levantar a humanidade da pobreza e desespero?”.2 Com essa questão impulsionando o trabalho de sua vida, Parsons foi ativa em uma infinidade de organizações radicais, incluindo o Socialist Labor Party (Partido Socialista Trabalhista), a International Working People’s Association (Associação Internacional das Pessoas Trabalhadoras) e a Industrial Workers of the World(Trabalhadores Industriais do Mundo). Paralelamente com seu longo envolvimento no movimento trabalhista norte-americano, estava sua solida visão de uma sociedade anarquista, filosofia que era a base de sua crítica às instituições econômicas e políticas opressivas dos Estados Unidos da América.

Sua oposição ao capitalismo e ao autoritarismo estatal foi solidificada em 1887, quando seu marido, Albert Parsons, foi executado injustamente.3 Após a bomba e as execuções de 1886, na manifestação de Haymarket, Parsons dedicou os próximos cinquenta anos de sua vida aos desempregados e à classe trabalhadora norte-americana. De fato, o poder do caso Haymarket na formação da vida adulta de Parsons não pode ser subestimado. Os acontecimentos de 1886 e 1887 fixam uma animosidade inflexível entre Parsons e o Departamento de Polícia de Chicago. Durante a vida de Parsons, a polícia a perseguiu, suprimindo sistematicamente seu direito à liberdade de expressão, prendendo-a várias vezes sem justificação. Ao longo da vida, Parsons se esforçou ativamente para construir uma identidade de classe comum entre todos os trabalhadores norte-americanos.69Muito antes do episódio da bomba de Haymarket, Parsons pediu às “massas para aprender que” os seus interesses estariam sempre em oposição à classe dominante.

O legado de Parsons também foi transformado em história de uma heroína feminista. Especialmente nas arenas de memória pública, Parsons é rotineiramente chamada de feminista. Ao longo de sua vida, ela abordou muitas questões que as mulheres enfrentam. Ela se enfureceu contra as práticas corrosivas que pressionavam as mulheres para absorver empregos domésticos e incentivou as mulheres a abraçar o controle da natalidade. Como uma mãe trabalhadora, Parsons acreditava que falava em nome de todas as mulheres que trabalhavam quando participou da fundação do IWW. No entanto, seus esforços em nome das mulheres sempre fizeram parte de sua dedicação à luta de classes. Seu interesse pela libertação feminina manteve-se focado em questões que lhe foram mais diretamente ligadas ao trabalho e ao capitalismo.

A história Lucy Parsons é mais ampla e mais complexa do que sua condensação em uma biografia ou do que um pequeno livro de fontes documentais pode capturar. Estudos sobre Parsons e o radicalismo em geral, não podem ser considerados finais – como ela mesma salientou:

“Nada é considerado tão verdadeiro ou tão certo, que as descobertas futuras não possam prová-lo falso”.

Tradução: Rusga Libertária

Adaptação: CAZP

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[Rusga Libertária] QUEM É LUCY PARSONS? A MITOLOGIZAÇÃO E A RE-APROPRIAÇÃO DE UMA HEROÍNA RADICAL. (CASEY WILLIAMS)

Retirado de:                                        https://rusgalibertaria.wordpress.com/2015/02/23/quem-e-lucy-parsons-a-mitologizacao-e-a-re-apropriacao-de-uma-heroina-radical-casey-williams/

Estamos compartilhando aqui nosso primeiro trabalho de tradução. Queremos deixar claro que estamos passíveis de erros em alguns trechos, o material ainda passa por uma revisão mais minuciosa. Resolvemos publicar pelo tempo que ficamos pendentes em compartilhar esse material traduzido. Que fala um pouco da vida de uma importante anarquista norte-americana, Lucy Parsons. Estamos abertos para sugestões e revisões solidárias.

Forte Abraço e boa leitura!

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QUEM É LUCY PARSONS? A MITOLOGIZAÇÃO E A RE-APROPRIAÇÃO DE UMA HEROÍNA RADICAL.*

Casey Williams

 

*Anarcho-Syndicalist Review número 47, Verão, 2007. Colaborador: CREAGH Ronald. Por citar essa página: WILLIAMS, Casey. “Whose Lucy Parsons? The mythologizing and re-appropriation of a radical hero”. Edição: 23 de Dezembro de 2007. [Online].

 Parsons Lucy portrait

     Como uma anarquista radical, Lucy Parsons dedicou mais de sessenta anos de sua vida a lutar pela classe trabalhadora norte-americana e pobre.1 Uma oradora habilidosa e escritora apaixonada, Parsons desempenhou um papel importante na história do radicalismo norte-americano, especialmente no movimento operário da década de 1880, e permaneceu uma força ativa até sua morte em 1942. A única pergunta da qual ela nunca se desviou foi “como levantar a humanidade da pobreza e desespero?”.2 Com essa questão impulsionando o trabalho de sua vida, Parsons foi ativa em uma infinidade de organizações radicais, incluindo o Socialist Labor Party (Partido Socialista Trabalhista), a International Working People’s Association (Associação Internacional das Pessoas Trabalhadoras) e a Industrial Workers of the World (Trabalhadores Industriais do Mundo). Paralelamente com seu longo envolvimento no movimento trabalhista norte-americano, estava sua solida visão de uma sociedade anarquista, filosofia que era a base de sua crítica às instituições econômicas e políticas opressivas dos Estados Unidos da América.

    Sua oposição ao capitalismo e ao autoritarismo estatal foi solidificada em 1887, quando seu marido, Albert Parsons, foi executado injustamente.3 Após a bomba e as execuções de 1886, na manifestação de Haymarket, Parsons dedicou os próximos cinquenta anos de sua vida aos desempregados e à classe trabalhadora norte-americana. De fato, o poder do caso Haymarket na formação da vida adulta de Parsons não pode ser subestimado. Os acontecimentos de 1886 e 1887 fixam uma animosidade inflexível entre Parsons e o Departamento de Polícia de Chicago. Durante a vida de Parsons, a polícia a perseguiu, suprimindo sistematicamente seu direito à liberdade de expressão, prendendo-a várias vezes sem justificação.

    Quase seis décadas após sua morte, a polícia de Chicago deu nova vida a este legado de animosidade mútua, lutando em uma proposta para nomear um parque da cidade de Lucy Parsons. Em março de 2004, quando o Chicago Park District (gerenciador de parques municipais) propôs nomear o lote 4712 da Avenida Belmont no lado noroeste da cidade “Parque Lucy Elis Gonzales Parsons”, Mark Donahue, presidente local da Ordem Fraternal da Polícia, atacou a proposta – descartando Parsons como uma anarquista “cujas raízes históricas viriam” apenas a partir da “defesa de seu marido.” Da perspectiva de Donahue, teria sido uma farsa nomear um dos parques de Chicago com o nome de uma mulher que “promoveu a derrubada do governo e o uso de dinamite.” Infelizmente, as autoridades da cidade não contrariaram as acusações de Donahue com os fatos históricos sobre a própria vida e as realizações de Parsons. Em vez disso, os funcionários do parque ressaltaram a importância dos esforços de Parsons em nome dos trabalhadores, das mulheres e dos afro-americanos. O prefeito de Chicago, Richard M. Daley, explicou, “Nós estamos homenageando Lucy Parsons”, não “seu marido”, porque “ela era muito bem vista entre os reformadores sociais por seus esforços para promover os direitos civis” e observou que teria sido injusto e sexista “culpar a mulher por causa das ações de seu marido.”4

    Claramente, tanto o prefeito Daley quanto o oficial Donahue não compreendem a história de sua cidade. No entanto, Donahue, pelo menos, estava disposto a reconhecer que Parsons era uma anarquista, em vez de rotulá-la como uma reformista de direitos civis. Como uma anarquista, Parsons rejeitava o conceito de direitos civis que pressupunham a cooperação e aceitação do estado capitalista para conceder privilégios que ela acreditava serem os direitos naturais. De fato, uma rápida revisão da história do caso Haymarket demonstra que nem as alegações da polícia nem da cidade eram completamente corretas.5 Embora Parsons fosse inocente de qualquer envolvimento no atentado de 1886, ela compartilhou uma visão anarquista da harmonia social que defendia a destruição do capitalismo por meio de atos revolucionários, e rejeitou o reformismo e os direitos civis como curativos. Assim, há uma grande discrepância entre as reais crenças e ações de Parsons e as mitologizadas ou comemoradas que são apresentadas pela Chicago Parks Distric. Como e por que esse abismo surgiu garante uma investigação mais aprofundada, com implicações não só sobre Lucy Parsons, mas sobre a própria memória histórica.

            As repostas a estas perguntas estão no cerne da motivação subjacente à proposta dos funcionários dos parques. A sugestão surgiu a partir de um esforço de toda a cidade para homenagear mais mulheres em um sistema em que apenas 27 dos 555 parques receberam nomes de mulheres.6 Assim, o parque proposto tinha menos a ver com o reconhecimento de Parsons do que com o desejo dos funcionários de criar um sistema de parques mais “politicamente correto”. No entanto, essa idealização encontrada na incorporação de Lucy Parsons à história pública também se reflete no trabalho acadêmico sobre Parsons. Muitas vezes, os historiadores que mencionam Parsons têm moldado a vida dela para atender suas inclinações políticas. Mais notavelmente, apenas a biógrafa de Parsons, Carolyn Ashbaugh, afirmou que Parsons não era uma anarquista e que se juntou ao Partido Comunista.7Fazendo isso, Ashbaugh havia reformulado Parsons de uma heroína anarquista em uma Marxista. A discrepância entre as próprias palavras de Parsons e a memória pública de Parsons pode ser atribuída, em grande parte, à reformulação histórica de Ashbaugh. A manipulação no trabalho de Ashbaugh já foi exposta com êxito.8 Ainda assim, tem havido pouco ou nenhuma análise sobre as ideias perdidas por essa manipulação do registro histórico.

Um Histórico Contestado

            Com poucos registros conservados, juntar o início da vida de Lucy Parsons tem sido difícil para os historiadores. Na verdade, é pouco provável que os fatos do início de sua vida sejam completamente conhecidos. Ashbaugh afirma que Parsons nasceu em março de 1853, perto de Waco no noroeste do Texas. De acordo com Albert Parsons, os dois se conheceram em 1869, enquanto ele estava vivendo uma vida perigosa como um republicano radical na pós-reconstrução do Texas. Ao viajar através do condado de Johnson como correspondente para o Houston Daily Telegraph, Albert conheceu Lucy no rancho de seu tio. Animadamente, Albert descreve-a como uma “encantadora jovem donzela hispano-indígena.”9 Muitas perguntas sobre o início da vida de Parsons ainda estão sem respostas. Por exemplo, de acordo com algumas fontes, os dois se casaram em 1871, enquanto outros datam o casamento em 1872. O casamento nunca foi confirmado por uma certidão de casamento ou outro documento oficial.10

A biografia de Ashbaugh desafia a descrição de Albert Parsons sobre Lucy, afirmando que ela era, na verdade, uma antiga escrava. De acordo com Ashbaugh, Parsons era uma escrava dos irmãos Gathings, que possuíam 62 escravos perto de Waco em 1860. Ashbaugh afirmou que Parsons foi provavelmente nomeada em homenagem à filha Philip Gathings, nascida em 1849; e afirma que Henry e Marie del Gather, que Parsons chamou de sua mãe e seu tio, eram de ficção. Além disso, Ashbaugh sugere que Albert não conheceu Lucy no rancho de seu tio. Em vez disso, ela concluiu que eles se conheceram em Waco, onde as defesas de Albert dos direitos políticos negros fizeram dele uma figura popular entre a população negra. Ashbaugh especula que, enquanto vivia em Waco como uma antiga escrava, Parsons testemunhou atrocidades da Ku Klux Klan, que cresceu no poder como Reconstrução e desmoronou. Entre os inúmeros acontecimentos violentos que ela pode ter presenciado, estão a castração de um menino Africano-Americano, em 1867, e o assassinato cometido pela Klan de 13 afro-americanos perto de Waco, em 1868.

Sem dúvida, a brutalidade racial que tomou conta do noroeste do Texas na década de 1860 influenciou profundamente a sensibilidade de Parsons e a aversão pela violência contra os oprimidos. No entanto, mesmo que Parsons não fosse, como Ashbaugh especula, uma antiga escrava, ela ainda teria testemunhado a violência racial. A degradação e opressão do povo negro levou Albert Parsons, que era um ex-soldado confederado, a iniciar seu próprio jornal/boletim, em 1868, The Spectator (O Espectador), para desafiar a Ku Klux Klan e políticas de reconstrução de apoio.11 Como testemunha e talvez vítima da brutal violência racial do sul, ainda é importante notar que os registros de escravos dos irmãos Gathings não incluem nomes e, portanto, não é possível identificar Parsons como uma antiga escrava.12

Ao longo de sua vida, Lucy Parsons insistiu que ela era de ascendência mexicana e americana nativa. De acordo com Parsons, sua mãe era mexicana e seu pai, John Waller, foi um índio Creek. A afirmação faz da herança mexicana e indígena de Parsons e sua negação apaixonada da ascendência Africana é facilmente documentada. Ao cobrir o julgamento de Haymarket, um repórter do Chicago Tribune observou que Parsons “opõe-se ao termo ‘mestiço’ como significado de que ela tem sangue negro nas veias. Ela diz que sua mãe era uma mexicana e seu pai um índio.”13 Em setembro de 1886, um antigo escravo que viveu em Waco acusou Parsons de abandonar a ele e a seu filho para viver em Chicago. Quando a acusação foi à primeira página do jornal em Chicago, Parsons arrastou um repórter do Herald até a cela do marido, onde Albert explicou que o homem em Waco tinha confundido Lucy com outra mulher, e que “Sra. Parsons não tem sangue Africano em suas veias.”14 A identificação com a ascendência indígena e mexicana de Lucy Parsons não era apenas para negar a herança escrava. Ao falar em Londres em 1888, Parsons explicou:

 Eu sou aquela cujos ancestrais são indígenas neste solo da América. Quando Colombo avistou pela primeira vez o continente ocidental, antepassados do meu pai estavam lá… Quando os anfitriões da conquista das Cortes se moviam sobre o México, antepassados da minha mãe estavam lá para repelir o invasor; de modo que eu represento o genuíno Americano.15

Parece que Parsons tinha orgulho de sua identidade étnica. No entanto, a identidade negra foi empurrada em cima de Parsons ao longo de sua vida. Parsons foi repetidamente referida nos jornais como uma Negress, Negro, escuro, colorido ou mulato. 16 Embora muitos desses termos tenham sido utilizados para identificar as pessoas de raça mista, a implicação subjacente era, como um repórter do Tribune colocou, “que pelo menos um de seus pais era um negro.”17 Assim, durante sua vida, havia uma discrepância entre a identidade racial que ela alegou e a identidade racial colocada sobre ela pela sociedade. A tradição ao ver Lucy Parsons como negra, apesar de suas próprias palavras, continua até hoje.

Ashbaugh sustentou que a auto identificação de Parsons como mexicana indígena foi uma tentativa de encobrir sua herança Africana.18 Há uma série de razões pelas quais Parsons poderia ter feito isso. Em primeiro lugar, o perigo físico simples de estar em um casamento inter-racial durante a década de 1880 poderia ter levado Parsons a negar uma ascendência Africana. Juntamente com sua proteção contra alguns dos perigos de ser negro, tal rejeição pode ter criado mais oportunidades para Parsons, especialmente em um movimento operário predominantemente branco. Contudo, não obstante a lógica por trás da reivindicação de Ashbaugh, permanece a especulação, devido, em grande parte, à falta de provas – contando o apoio principalmente de sua aparência física em fotos. Simplesmente, não existem provas suficientes para declarar definitivamente que Parsons “era negra”, como Ashbaugh faz. No entanto, muitos estudiosos, como Roxanne Dunbar-Ortiz, Marion Tinling e Robin D. G. Kelly, têm rotulado Parsons como uma mulher Africano-Americana.19 Muitas vezes, essa caracterização é uma tentativa de situar Parsons em uma narrativa maior, de negros heróis americanos.20

            A existência de tantas pessoas que veem Parsons como Africano-Americana, apesar de suas próprias palavras, incita-nos a perguntar não por que Lucy Parsons precisava não ser negra então, mas por que precisamos que ela seja negra hoje? No entanto, seja negro, índio ou mexicano, Lucy Parsons ainda era uma mulher de cor, nascida e criada em um estado extremamente violento e racialmente estratificado, Texas.

Encontrando o Anarquismo em Chicago

            Após sua chegada em Chicago em 1873, Lucy e Albert Parsons entraram em um mundo turbulento, caracterizado menos por tensão racial do que pelo capitalismo industrial e problemas trabalhistas. Depois da Guerra Civil, as principais indústrias, incluindo as empresas madeireiras e de gado, criaram raízes em Chicago, trazendo praticamente todas as linhas de transporte para a cidade e fazendo de Chicago o mais importante centro econômico do centro-oeste. A nova riqueza de Chicago a tornou um destino atraente para os americanos em todo o país e imigrantes do outro lado do mar. Durante a década de 1860, mais de 74,000 imigrantes europeus entraram na cidade, junto com milhares de americanos. O aumento da população rapidamente criou moradias superlotadas e pobres, que foram ofuscadas pelas mansões enormes e o opulento estilo de vida dos capitalistas industriais da cidade.

            O contraste entre a pobreza e a riqueza criou tensões de classe, e, em 1867, os trabalhadores da cidade iniciaram o primeiro movimento para a jornada de trabalho de oito horas. Fabricantes da cidade se recusaram a cumprir com as exigências do trabalho e, após cinco dias de greve, as autoridades brutalmente reprimiram a primeira greve de oito horas, marcando o início de uma longa história de repressão violenta do trabalho.

Quando Chicago entrou na década de 1870, as condições de vida e trabalho da cidade foram exacerbadas ainda mais. Em outubro de 1871, um grande incêndio destruiu Chicago. No rastro das chamas, 17.450 edifícios estavam em cinzas e 64 mil pessoas ficaram desabrigadas. A devastação do fogo foi seguida, em 1873, por uma grande depressão, que deixou milhares de pessoas em Chicago não só sem casas, mas também sem emprego. Os eventos associados com a greve de 8 horas, em 1867, combinada com a devastação do grande incêndio e a depressão criada em Chicago, criaram uma atmosfera de tensão e medo, tornando a cidade em um solo fértil para um movimento operário radical em expansão.21 Quando Lucy e Albert Parsons mudaram para o novo apartamento perto da rua Larrabee e avenida North, rapidamente tornaram-se imersos na cultura turbulenta do conflito de classes em Chicago.

            Depois de conseguir trabalho como tipógrafo do Chicago Times e aderir à União de Tipógrafos, Albert Parsons tornou-se rapidamente uma figura proeminente no movimento operário de Chicago. Em 1876, ingressou noSocial Democratic Party (Partido Social Democrata), onde ele dedicou um tempo considerável para as causas da classe trabalhadora e tornou-se um dos mais famosos oradores da língua Inglesa na cidade. Durante esse tempo, ambos, Lucy e Albert, estavam concentrados nas obras de Karl Marx, e por volta de 1877 eles estavam realizando reuniões em sua casa para o Working-Men’s Party (Partido dos Trabalhadores). Nesse momento, Lucy e Albert Parsons não eram anarquistas, mas defendiam uma “combinação de ação econômica e política para realizar a emancipação do trabalho.”22 Eles viam os sindicatos como ferramentas poderosas contra o calcanhar de ferro do capitalismo, mas ainda acreditavam “que, contanto que os trabalhadores vivessem em uma república, eles tinham esperança de ganhar o poder através do processo democrático.”23

            Várias experiências entre 1877 e 1880 direcionam Lucy e Albert Parsons a abraçar o anarquismo. Em 17 de julho de 1877, uma greve massiva começou em West Virginia, quando os engenheiros da estrada de ferro de Baltimore & Ohio reagiram contra o salário cortado, parando os trens e desencadeando uma enorme paralisação do trabalho que se espalhou no Ocidente, chegando a Chicago; onde, em 23 de julho, “uma onda de protestos tinha se espalhado para fora dos pátios ferroviários e fábricas, serrarias e olarias”, acumulando em uma grande marcha pela Market Street, em Chicago.24 Em reação, os principais empresários de Chicago abriram seus cofres para os líderes da cidade, que usaram o dinheiro para criar um enorme exército de 5.000 cidadãos comissionados. Então, em 27 de julho, uma combinação de soldados, policiais e civis armados, violentamente esmagaram os grevistas, deixando 30 homens mortos e um ar amargo de desconfiança e ódio entre as classes de Chicago.

Essa rápida militarização de cidadãos proeminentes da cidade demonstrou a poderosa influência que a classe capitalista teve sobre o governo. Lucy Parsons escreveria anos depois que “a grande greve da estrada de ferro de 1877″ ensinou-lhe que o “poder concentrado” do governo seria sempre “exercido no interesse de poucos e em detrimento de muitos.”25 Além disso, a sua crescente desconfiança com o poder governamental tornou-se uma questão pessoal durante a greve, quando Albert Parsons ficou cara a cara com o poder das lideranças industriais de Chicago. Um dia depois de fazer um discurso empolgante antes dos trabalhadores entrarem em greve, Albert Parsons foi demitido do Times. Em seguida, o Superintendente da Polícia Michael Hickey sequestrou rapidamente Albert e disse-lhe para deixar a cidade. Mais tarde, quando Albert Parsons tentou reunir-se com membros do sindicato no edifício Times, ele foi forçado a sair por dois homens armados que ameaçaram atirar na cabeça dele. Durante o dia da grande greve ferroviária, Albert Parsons foi demitido, com uma arma apontada para ele, dizendo que deixasse a cidade. Assim, a grande greve ferroviária tocou os Parsons de uma forma extremamente pessoal e serviu como catalisador para uma ideologia muito mais radical.

Nos anos seguintes da grande greve, o Working Men’s Party se fundiu com oSocialist Labor Party (Partido Socialista Trabalhista) e tentou várias vezes eleger os socialistas para alas da cidade. Mas, em uma eleição após a outra, os votos foram erradamente calculados ou as urnas foram descaradamente recheadas, levando muitos a perder toda a confiança na reforma eleitoral. Em uma carta a um jornal trabalhista, Lucy Parsons explicou que “as chamadas leis” não “valem o papel em que estão escritas”, porque os capitalistas tinham o poder de fazer o que eles queriam mesmo que “os produtores de toda a riqueza tivesse desejado o contrário.”26

            No início dos anos 1880, como as ações eleitorais repetidamente falharam e as greves e as manifestações foram reprimidas pela polícia, milícia e bandidos contratados, muitos socialistas de todo o mundo começaram a se concentrar na ação direta (muitas vezes chamada de “propaganda pela ação”) como um meio para inspirar as massas e trazer a revolução. Em 1882, Johann Most, conhecido agitador revolucionário e ex-parlamentar, falou em Chicago argumentando que os trabalhadores teriam de se armar e travar uma guerra contra seus governantes capitalistas. O movimento de Chicago, em particular, combinou união e trabalho de agitação com a defesa da autodefesa armada. Acreditando profundamente na necessidade de organização, Albert e outros militantes de Chicago se estabeleceram em Pittsburgh, em outubro de 1883, onde eles, Most e outros iriam fundar a International Working People’s Association (Associação Internacional das Pessoas Trabalhadoras).

A declaração de princípios da IWPA, ou o Manifesto Pittsburgh, é o trabalho mais importante surgido a partir da conferência de 1883. Ela também continua a ser uma excelente expressão da ideologia anarquista de Parsons. Informado pela oposição de Bakunin sobre a organização autoritária e teoria da mais-valia de Marx, o Manifesto Pittsburgh expressa a crença dos escritores na inutilidade da cédula, o seu apoio à insurreição armada, e o poder do sindicalismo revolucionário.27 O principal elemento anarquista do Manifesto era seu ponto de vista a respeito dos sindicatos, vistos tanto como “um instrumento de revolução social ” quanto como a fundação de uma ordem social baseada na organização cooperativa que surgiria com a destruição do capitalismo. A combinação do sindicalismo revolucionário e do anarquismo veio a ser conhecida como a “ideia Chicago”, e logo iria captar a atenção da classe trabalhadora da cidade.

O Manifesto Pittsburgh descreve o capitalismo como “injusto, insano e assassino.” Escolas, igrejas e imprensa estavam “na folha de pagamento e sobre direção das classes capitalistas” para manter os trabalhadores reprimidos. Com um sistema tão corrupto, os trabalhadores tinham de “organizar a revolta” e destruir o capitalismo por qualquer meio necessário. Depois de descrever a natureza exploradora do capitalismo, o Manifesto Pittsburgh conclui delineando seis metas para o IWPA:

Primeiro: Destruição da dominação de classe existente, por todos os meios, ou seja, por uma ação enérgica, implacável, revolucionária e instrumental.
Segundo: Estabelecimento de uma sociedade livre baseada na organização cooperativa de produção.
Terceiro: a livre troca de produtos equivalentes por e entre as organizações produtivas sem comércio e especulação financeira* (profit-mongery*: especulação financeira foi a melhor adaptação que escolhemos para dar sentido na tradução).
Quarta: Organização da educação em uma base secular, científica e igual para ambos os sexos.
Quinto: Direitos iguais para todos, sem distinção de sexo ou raça.
Seis: Regulamentação de todos os assuntos públicos por contratos livres entre as comunas e associações autônomas (independentes), fundamentada em uma base federalista.28

      Acreditava-se que esses objetivos poderiam ser alcançados através das federações de grupos autônomos das IWPAs. Um departamento de informações facilitaria a comunicação entre agrupamentos IWPA, mas não haveria nenhuma autoridade central ou comitê executivo; a existência de uma entidade que controlasse estaria em contradição com a visão que o movimento tinha de uma sociedade cooperativa.

      Os princípios do Manifesto Pittsburgh é o que melhor expressam a visão de mudança social radical ao longo da vida de Lucy Parsons. Anos mais tarde, escrevendo em um ensaio sobre o anarquismo, Parsons explicaria que “os sindicatos são padrões embrionários” das “comunidades cooperativas” vindouras.29 Parsons também voltou de novo e de novo à ideia de que o Estado era tão somente um agente da repressão e, por isso, tinha de ser destruído através da ação revolucionária. Além disso, os mecanismos específicos de transformação social nomeados no Manifesto eram as suas armas escolhidas. Para Parsons, a revolução só viria através da mobilização de massas, baseada na união de um movimento aberto ao poder da ação violenta. Esse protótipo do anarco-sindicalismo impulsionaria seu envolvimento com os Industrial Workers of the World (Trabalhadores Industriais do Mundo) em 1905, com a Syndicalist League of North America (Liga Sindicalista da América do Norte) em 1912, e com a Communist Party’s International Defense League (Liga Internacional de Defesa do Partido Comunista) em 1927. Assim, o Manifesto Pittsburgh pode ser visto como a primeira e mais concisa expressão da ideologia radical de Lucy Parsons. Após a convenção de Pittsburgh, Lucy e Albert Parsons rapidamente centraram suas atividades radicais no desenvolvimento da IWPA. Conforme numerosos agrupamentos iam se estabelecendo em todo o país, Albert assumiu a editoria do único jornal de língua Inglesa da associação, The Alarm. O jornal tornou-se, rapidamente, a base para os anarquistas de língua Inglesa no movimento operário de Chicago. Lucy Parsons, com Lizzie M. Swank, começou a ajudar Albert com a produção do jornal e, juntas, escreveram alguns de seus artigos mais contundentes. O mais conhecido artigo de Parsons no The Alarm foi “A Word to Tramps” (Uma palavra aos Desempregados). Aparecendo na primeira edição, “To Tramps”(Aos Desempregados) encorajou a “desempregados” e “deserdados” a “aprender o uso de explosivos” e, quando à beira do suicídio, fazer uma declaração revolucionária, tomando as “avenidas dos ricos” e dar fim às suas vidas enviando “à frente, o clarão vermelho da destruição” através do poder da dinamite.30 Através de artigos como “To Tramps” e seus discursos inflamados, ela rapidamente se tornou “uma das mulheres anarquistas mais ativas no país.” 31

            Parsons também ficou ocupada trabalhando como costureira e cuidando de seus dois filhos pequenos. No meio da luta pela emancipação dos trabalhadores, Lucy e Albert tinham começado uma família com o nascimento de Albert Richard Parsons, em 14 de setembro de 1879, e Lulu Eda Parsons em 20 de abril de 1881. Essa nova posição como uma mãe trabalhadora explica, em parte, o seu envolvimento na organização de mulheres costureiras para os “Knights of Labor” (Cavaleiros do Trabalho***). De fato, quando uma outra greve pela jornada de oito horas de trabalho varreu Chicago em maio de 1886, Lucy Parsons poderia ser regularmente encontrada em reuniões para organizar as mulheres costureiras de Chicago.

            Em 1 de maio de 1886, uma grande greve pela jornada de oito horas de trabalho engoliu Chicago. As tensões entre os grevistas e a polícia rapidamente se intensificaram, e, em 3 de maio, a polícia disparou e matou vários grevistas fora da fábrica McCormick. No dia seguinte, alguns dos organizadores anarquistas da cidade responderam à violência policial com um comício na praça Haymarket, onde haviam cerca de 2.000 trabalhadores reunidos pacificamente em protesto. Lucy e Albert Parsons passaram a primeira parte da noite em uma reunião para a união das mulheres costureiras, mas conseguiram participar do comício de Haymarket depois, trazendo seus filhos junto. Albert falou por 45 minutos sobre a história do movimento operário, tendo um grande esforço para evitar a retórica inflamatória.32 Por volta das dez horas, uma repentina tempestade forçou Lucy, Albert e seus filhos a deixarem a reunião. Nesse momento, o Capitão James Bonifeld e 170 policiais marcharam até a praça Haymarket, ordenando que os restantes dos manifestantes, cerca de 300, se dispersassem. Quando o último discursante contestou a ordem, citando a natureza pacífica da reunião, alguém jogou uma bomba na falange da polícia. Os oficiais responderam com uma cascata de balas, disparando em vários de seus próprios homens e deixando inúmeros trabalhadores mortos e feridos. Infelizmente, o número real de vítimas entre os manifestantes, juntamente com a identidade da pessoa que jogou a bomba, nunca foram definidos.33

            Na sequência do atentado, os líderes anarquistas de Chicago foram perseguidos por uma onda de repressão. Os dias seguintes foram marcados por prisões em massa. Em cinco de maio, sozinha, Lucy Parsons foi presa, pelo menos, três vezes sem justificativa, na tentativa de forçá-la a delatar o paradeiro do marido.34 Albert Parsons, antecipando a repressão, havia fugido da cidade na noite do atentado. No entanto, quando foi feita uma acusação de conspiração para cometer assassinato contra sete grandes anarquistas, Albert voltou para a cidade; e, no dia da abertura do julgamento, se entregou ao tribunal. Com pouca ou nenhuma evidência que pudesse relacionar os réus a pessoa que jogara a bomba e com poucas pistas reais sobre o mesmo, o chefe promotor Julius Grinnell alegou que os discursos e escritos dos réus nos jornais anarquistas, como no The Alarm, “tinham inspirado uma pessoa desconhecida a lançar a bomba, e que eram, portanto, responsáveis por conspiração.” As acusações de conspiração, embora com severa falta de provas, foram mais do que satisfatórias para o júri lotado e um juiz abertamente hostil; e, em agosto, condenaram um réu a 15 anos de prisão e os outros sete homens à morte.

As sentenças foram seguidas por vários meses de apelos que falharam, incluindo a recusa da Suprema Corte dos Estados Unidos para julgar o caso. Dias antes da execução, o governador de Illinois comutou duas das sentenças dos homens condenados, que puderam sobreviver; um outro homem, Louis Lingg, cometeu suicídio em sua cela. Finalmente, quatro homens – August Spies, George Engel, Adolph Fischer e Albert Parsons – foram enforcados em 11 de novembro de 1887. A bomba em Haymarket e o assassinato judicial de dirigentes anarquistas em Chicago lançaram uma sombra que assombrou o movimento sindical norte-americano. Além disso, a tragédia pessoal caiu sobre Lucy Parsons, consolidando sua dedicação aos movimentos radicais da classe trabalhadora; tal fato incidiu sobre ela como um novo dever, o de compartilhar com o mundo a história da bomba de Haymarket e o julgamento dos anarquistas.

História de Lucy Parsons em Haymarket

Imediatamente após as sentenças de morte serem proferidas, Parsons deixou Chicago em uma turnê nacional para gerar apoio e arrecadar fundos para a defesa. Falando em grande parte aos “sindicalistas conservadores”, Parsons acreditava que ela iria “iluminar o povo americano” sobre a “operação de assassinato judicial em Chicago.”35 Em fevereiro de 1887, Parsons havia abordado mais de 200.000 pessoas em dezesseis estados. A turnê e o apoio gerado por ela desempenharam um papel significativo na conquista de uma suspensão de execução da Suprema Corte do Estado de Illinois. Além disso, a turnê de palestras de Parsons chamou a atenção nacional, tanto para as injustiças do julgamento quanto para as ideias dos anarquistas. No entanto, o sucesso da turnê foi limitado pela falta de apoio dos dirigentes sindicais conservadores. Terence Powderly, grande trabalhador mestre no Knights of Labor (Cavaleiros do Trabalho), recusou-se a apoiar a defesa e falou contra os condenados, agravando ainda mais a tensão já existente dentro do movimento operário. Contudo, a comissão de defesa criada por Parsons e o uso de uma turnê para angariar o apoio público e financeiro iriam servir como importantes modelos para os futuros radicais. Em um nível pessoal, a turnê iria introduzir uma das características mais persistentes da vida de Parsons. De 1886 até sua morte em 1942, Parsons gostaria de voltar novamente e de novo para o seu compromisso de compartilhar sua história em primeira mão de Haymarket em suas audiências.

Através de livros publicados, discursos e escritos, Parsons dedicou 50 anos de sua vida não só para limpar o nome de seu marido, mas também para a preservação, educação e inspiração de outras gerações com a história do caso de Haymarket. Parsons compartilhou essa história, em grande parte, através de materiais publicados. Menos de um mês após as execuções, Parsons estava rodando propagandas de um livro de discursos de Albert em The Alarm.36 Em 1889, Lucy Parsons estava vendendo Life of Albert Parsons (Vida de Albert Parsons), uma coletânea de ensaios sobre a história do movimento operário americano e os próprios escritos de Albert. Com o livro, Lucy se dispôs a criar uma obra que “não era apenas biográfica, mas histórica – um trabalho que pode ser invocado como uma autoridade” para o futuro.37 A dedicação de Parsons para garantir que essa história não seria esquecida se estendeu muito para o século XX. Em 1909, Parsons escreveu para Mother Earth (Mãe Terra), uma revista anarquista editada por Emma Goldman e Alexander Berkman, entre outros, pedindo, “quem iria perpetuar a memória de nossos companheiros mártires”, para ajudá-la a republicar seu outro texto, o Famous Speeches of our Martyrs (Discursos Famosos de nossos Mártires).38 Muitas vezes, quando falava no 1º de Maio ou 11 de Novembro, Parsons infundia a sua história com forte paixão, ao compartilhar a dor pessoal que sentiu quando ela e seus filhos foram presos e detidos durante a execução.39 Frente às audiências e publicações da IWW, ela contou as atrocidades de conspiradores capitalistas ao comparar o julgamento de Chicago com a acusação do líder do IWW, Bill Haywood, em 1907.40 Mais tarde, quando o socialista Eugene V. Debs e o sindicalista radical Tom Mooney foram presos, Parsons enviou para eles dois exemplares de Life of Albert Parsons (Vida de Albert Parsons).41

            Lucy também tinha plena consciência de outras obras sobre Haymarket. Quando a obra ficcional de Frank Harris foi publicada em 1908, Parsons tinha 10.000 folhetos impressos e distribuídos para refutar as “declarações contidas nesse livro mentiroso.”42 Acreditando que a identidade do homem da bomba era “absolutamente desconhecida”, Parsons opôs-se a Harris nomear um bombista e também ao papel secundário de Albert desempenhado em The Bomb. Por outro lado, em 1937, Parsons elogiou oLabor Agitator: the Story of Albert R. Parsons de Alan Calmer (Agitador de Trabalho: a História de Albert R. Parsons, de Alan Calmer), chamando-o de “boa história do trabalho” que a atual “geração deve conhecer”.43

            Parsons se dedicou para compartilhar as radicais histórias de Haymarket, que estão profundamente disputadas. Um historiador precoce de Haymarket praticamente ignorou o papel de Parsons nos esforços de defesa e limitou sua vida para as notas finais.44 De acordo com Ashbaugh, na década de 1960, os editores da Radcliffe’s Notable American Women (Notáveis Mulheres Americanas de Radcliffe) não optaram por incluir Parsons, chamando-a de uma figura patética incapaz de escapar do passado e parar de chorar sobre injustiças.45 Aparentemente, de acordo com essas caracterizações, a defesa que Parsons fez de seu marido e a dedicação aos mártires da história de Haymarket a fez historicamente insignificante. Na verdade, a luta de Mark Donahue contra o parque Lucy Parsons atesta o fato de que essa ideia ainda está viva hoje.

            Na década de 1970, os historiadores revisionistas contra-atacaram essa demissão. Em sua biografia, Ashbaugh denunciou “a impressão de que Lucy Parsons dedicou sua vida a limpar o nome de seu marido” como completamente errada, retratando Parsons, ao invés disso, como uma revolucionária comunista, não uma esposa devotada. Mais recentemente, Gale Ahrens escreveu que seus “escritos e discursos sobre os acontecimentos em 1886-87… são uma parte relativamente pequena do trabalho de sua vida”, e que ela só estava tentando demonstrar a continuidade histórica entre Haymarket e julgamentos políticos posteriores.46 Ambos estão corretos ao considerar Parsons uma revolucionária em seu próprio direito. Entretanto, a história dos mártires de Haymarket não era uma pequena parte da vida de Parsons, mas, em vez disso, foi uma característica central de sua vida.

            Quase imediatamente após a bomba, as histórias populares do evento entraram na esfera pública. Na maioria das vezes, essas histórias serviram apenas para apoiar processos sensacionalistas que apregoavam concepções de anarquistas como perigosos subversivos. “O mais notável destas histórias é o capitão da polícia Michael” de Schaack, 1889, Anarchy and Anarchists, que retrata o julgamento de Haymarket como uma grande vitória para a lei e a ordem sobre terroristas anarquistas.47 Outra história inicial é a “Anarchy at an End: Lives, Trial, and Conviction of the Eight Chicago Anarchists” de 1886, que incide sobre os papéis heroicos do júri, acusação e juiz.48 Junto com outras histórias populares da época, esses livros disseminaram a interpretação do Estado capitalista a respeito dos eventos de Haymarket. Como contraponto à essas histórias conservadoras, Life of Albert Parsons segue um esquema semelhante ao texto de Schaack. Ambos começam com uma história do movimento operário muito antes da década de 1880 e, embora ambos sejam extremante subjetivos, eles tentam apresentar um quadro histórico para a compreensão dos acontecimentos de 1886.

Contudo, com o decorrer do tempo, Albert Parsons passou a ser o centro da história do caso Haymarket, crescendo no trabalho de Parsons. De fato, Parsons tomou um interesse particular na mitificação e criou um herói fora do legado de seu marido. Isso pode ser visto pela comparação das respostas que deu a Harris em The Bomb e as que deu a Calmer em Labor Agitator. Parsons, apaixonadamente, denunciou o The Bomb, porque ela acreditava que Harris tinha identificado erroneamente a pessoa da bomba, e porque o The Bombapresentou Albert Parsons como uma figura secundária.49 Por outro lado, Parsons elogiou o livro de Calmer, o que está diretamente ligado ao fato de que Albert toma o lugar central em Labor Agitator. Claramente, Parsons apoiou a narrativa que colocou seu marido na vanguarda dos acontecimentos, apesar de que sua importância no movimento operário era, em grande parte, devido ao fato de ser ele um dos seus poucos agitadores de língua Inglesa. Assim, Parsons era culpada de participar na transformação de si mesma em herói. No entanto, um reconhecimento dessa subjetividade não só reforça a centralidade do caso Haymarket em sua vida, mas também mostra que ela não era infalível. Parsons permitiu, por vezes, que suas lealdades pessoais moldassem sua interpretação no caso de Haymarket, ainda que não fosse patológica ou de grau obsessivo.

            Ainda assim, há uma justificativa para o calendário e a forma de apresentação encontrada na narrativa histórica de Parsons. Na maior parte das vezes, Parsons compartilha essa história quando participa de eventos apropriados – especialmente nos aniversários do dia da bomba ou da execução. Em seu jornal The Liberator (O Libertador) no IWW, impresso de 1905 a 1906, demonstra claramente isso. Em The Liberator, Parsons dedica amplo espaço para as questões da época, como o sindicalismo, a Guerra Russo-Japonesa e próximas eleições, economizando uma discussão detalhada sobre a questão de Haymarket para o dia 11 de novembro de 1905. Na memória do assunto, Parsons ofereceu sua narrativa de assassinato judicial, apoiando seu argumento com registros do tribunal do Condado de Cook.50Além da edição de aniversário, quase todos os artigos sobre Haymarket emThe Liberator foram acoplados a um artigo sobre a história internacional dos trabalhadores, refletindo sua consciência do lugar mais amplo de Haymarket na história.51

Da mesma forma, quando falava em eventos que não estavam diretamente relacionados com a Haymarket, Parsons geralmente reservaria sua discussão sobre Haymarket para o final, como uma pedra angular inspiradora. Seu discurso na convenção fundadora do IWW começou com uma exposição da opressão das mulheres trabalhadoras, em seguida, discutiu a solidariedade de classe e terminou com um histórico do caso de Haymarket. No entanto, na celebração do May Day (Dia do Trabalhador) em 1930, Parsons dedicou a totalidade do seu discurso a Haymarket, começando com “a grande greve” para “a jornada de oito horas” e terminando com as últimas palavras do mártir no tribunal.52 As diferenças entre os dois discursos destaca a racionalidade por trás das decisões de Parsons quando fala sobre a história de Haymarket.

Ao contar a história Haymarket para o público de trabalhadores, Parsons advertiu contra visões ingênuas da democracia americana. Juntamente com as lições da greve em 1877, o susto vermelho que se seguiu ao atentado ensinou Parsons, da forma mais pessoal, que o estado norte-americano poderia derramar um “reinado de terror” em cima do radicalismo, igual ao “cão de caça russo mais zeloso.”53 A história do caso Haymarket mostrou que o governo podia se mover rapidamente para esmagar indivíduos e movimentos. A incapacidade do comitê de defesa para impedir os assassinatos judiciais incutiu em Parsons a importância central de angariar apoio em massa para desafiar o poder do capitalismo sobre o Estado. Assim, o objetivo subjacente de compartilhar a história de Haymarket se estendeu para além de limpar o nome de seu marido, pois almeja, no fim das contas, usar as lições do caso para educar futuros radicais trabalhistas. As lições embutidas na história de Parsons foram evidentes aos militantes posteriores. Organizadora do IWW, Elizabeth Gurley Flynn explicou que Parsons “viajou de cidade em cidade, batendo nas portas de sindicatos locais e contando a história do julgamento de Haymarket” a fim de alertar os jovens sobre a “gravidade da luta adiante” e a possibilidade de que a “prisão e a morte” podem vir “antes da vitória.”54 A natureza perigosa do radicalismo do trabalho foi ilustrada pela explicação de Parsons em um discurso de que “a imprensa capitalista”, o “púlpito”, a polícia, um júri lotado, e “juízes preconceituosos” agiram conjuntamente para executar líderes anarquistas de Chicago.55 Assim, Parsons advertiu jovens radicais, usando a história do caso de Haymarket para mapear as estruturas de poder em um estado capitalista.

            Historiadores revisionistas que rejeitaram ou ignoraram a dedicação de Parsons à história de Haymarket também têm mascarado o fato de que Parsons havia fixado um significado alternativo para o caso Haymarket, que desafiou o significado criado por poderes institucionalizados. Através de interpretações históricas de tais historiadores, “comentaristas da grande mídia, porta-vozes do capital, e oficiais estaduais fundamentados na legitimação das instituições” transmitiram a “ideia dominante de que a violência do governo efetivamente protegeu” a América contra a “violência conspiratória e niilista de terroristas da classe trabalhadora”, como Albert Parsons.56 Em outras palavras, histórias como a de Schaack, que classificou os anarquistas como terroristas e subversivos estrangeiros, deram aos acontecimentos de Haymarket um significado simbólico que mais tarde justificou a criação de aparatos estatais repressivos, incluindo “esquadrões vermelhos” (red squads, unidades de inteligência policial especializadas em se infiltrar), legislação nativista, e agências de inteligência. Em oposição a essa caracterização dominante, Parsons retratou os anarquistas como mártires, em vez de terroristas, exibindo uma forte consciência desta luta pelo sentido. Praticamente, em todos os tempos, “a reunião Haymarket” foi referida historicamente como o “motim de Haymarket”; e Parsons teria, apaixonadamente, citado a natureza da reunião como “pacífica e tranquila”.57Parsons sabia que ela tinha que “cavar os fatos” de uma história de mentiras que haviam sido amontoadas sobre os mártires por aqueles que tentaram “encobrir [o] crime de enviar cinco líderes de trabalhadores para a forca.”58Além disso, o significado histórico alternativo que Parsons atribuiu também construiu as bases simbólicas de comemorações institucionais, como o May Day. Quando a dedicação de Parsons à interpretação histórica radical do caso Haymarket é jogada abaixo, obscurece-se o papel influente que ela desempenhou na fixação de um significado alternativo para o episódio da bomba na Haymarket.

            Ao reconhecer que Parsons passou grande parte de seu tempo compartilhando a história dos acontecimentos de Haymarket, é possível explorar a influência da narrativa pessoal sobre o radicalismo. Embora bem versado no pensamento radical, a capacidade de Parsons para moldar o significado dos eventos de 1886 não deriva de sua experiência intelectual. Em vez disso, a influência de Parsons está enraizada no uso de uma narrativa pessoal e sua posição como uma viúva do acusado e executado. Parsons explicou que ela tinha um “direito como mãe e como esposa de um dos [a] os homens sacrificados, para dizer o que quer”, que ela poderia “trazer a luz a incidir sobre” a judiciária “conspiração”.59 Apesar de sua falta de poder institucionalizado, ela poderia usar seu poder simbólico como uma viúva para impulsionar seu significado alternativo para a esfera pública por meio de palestras e livros, e, assim, combater as ideias sensacionalistas divulgadas pela imprensa mainstream (termo inglês que designa o pensamento ou gosto corrente da maioria da população). Assim como as histórias institucionais do episódio da bomba em Haymarket produziram poderosos sentimentos de medo no seio da sociedade, a narrativa de Parsons havia criado sentimentos apaixonados de raiva e revolta entre os radicais. Quando os historiadores ignoram que Parsons teria um compromisso de dizer a sua história alternativa do caso Haymarket, destroem também a oportunidade de ver o poder que a experiência pessoal pode ter na promoção de radicalismo na América, e em preencher as lacunas no registro histórico.

 

Raça e a Criação da Consciência de Classe

            A postura de Parsons sobre a opressão racial também é contestada bruscamente. Relacionado à sua celebração como uma ativista dos direitos civis, muitas vezes, é afirmado que Parsons foi uma forte porta-voz contra o racismo. A página inicial do site comemorativo LucyParsonsProject.org afirma que Parsons desafiou a discriminação racial. Na mesma linha, os funcionários dos parques de Chicago acreditavam que o parque proposto não reconhece apenas o ativismo operário de Parsons, mas também os seus esforços em nome dos afro-americanos.60 No entanto, essa celebração da militante como uma voz ativa contra a opressão racial não tem sido afirmada por acadêmicos. O historiador Robin D. G. Kelly argumenta que Parsons eloquentemente lutou contra a opressão da classe trabalhadora, mas “ignorou a raça”; argumenta, ainda, que, embora ela escrevesse sobre linchamentos de negros, Parsons visualizava a tamanha violência racial, principalmente, como uma extensão da opressão de classe. Kelly baseou seu argumento, em grande parte, em um artigo de 1886 no The Alarm, em que ela escreveu que a opressão não foi “lançada sobre o negro porque ele é negro”, mas porque “ele é pobre.”60 Kelly argumentou que Parsons praticou reducionismo de classe, e acredita que esse reducionismo é explicado pela sua incapacidade de operar fora “dos limites do pensamento ocidental socialista do século XIX.”62 Ashbaugh concorda, argumentando que Parsons “acreditava que a abolição do capitalismo produziria automaticamente igualdade racial.” Ashbaugh explica que a postura de Parsons (ou falta dela) sobre a opressão racial refletiu sua profunda internalização do racismo branco, o que tornou impossível para “ela analisar sua posição social em relação a tudo menos seu status de classe.”63 Essa análise contradiz claramente a imagem mitologizada de Parsons como “uma defensora ferrenha” para “os direitos dos afro-americanos.”64 Essa contradição é explicada, em parte, pelos questionamentos às visões que Kelly e Ashbaugh tinham de Parsons como uma reducionista de classe.

A historiadora feminista Roxanne Dunbar-Ortiz argumentou recentemente que Parsons, de fato, reconhece o racismo como uma força fora dos limites da opressão de classe, baseando-se em um artigo de 1892, em que Parsons protesta contra a violência racial, “sendo perpetuada no Sul contra os cidadãos pacíficos, simplesmente porque eles são negros.” Em resposta a esse racismo brutal, Parsons sugeriu que os afro-americanos tirassem o espírito de John Brown e “ajudassem a si mesmos” pelo aumento da autodefesa.65 Dunbar-Ortiz argumenta que a postura de Parsons sobre o racismo se estende além do “economicismo reducionista” e que sua “linguagem de autoconfiança e autodeterminação” foi um precursor para o radicalismo de “Malcolm X e os Panteras Negras”.66 A conexão feita aqui é bastante tênue. No entanto, ligando escritos de Parsons com as ideias do “movimento dos direitos civis durante a década de 1960”, Dunbar-Ortiz plantou as sementes para comemoração de Parsons como uma defensora dos direitos negros.

            Parsons, em 1930, trabalhou para a defesa dos Scottsboro Boys, através da International Labor Defense (ILD, Defesa Internacional do Trabalho), o que também é citado como evidência de seu ativismo negro. Argumenta-se que o seu trabalho em defesa dos oito homens negros, conhecidos como os “Scottsboro Boys”, em julgamento pelo suposto estupro de uma mulher branca, mostra “dedicação… para as lutas dos afro-americanos.” (www.lucyparsonsprojet.org/about_lucyparsons.html.) No entanto, na década de 1930, Parsons também estava trabalhando com o ILD para obter a liberdade do líder trabalhista Tom Mooney da prisão. Seus esforços em nome dos Scottsboro Boys parece refletir seu trabalho de longa data contra o assassinato judicial, mais do que uma dedicação específica para os afro-americanos.67 Na mesma linha, seu ensaio “Southern Lynchings” (Linchamentos no Sul) não fornece provas suficientes para demonstrar que a opressão dos afro-americanos era um foco central em sua obra. No entanto, o artigo demonstra que Parsons estava ciente do racismo, e não ignora a questão. De fato, “Southern Lynchings” sugere que, antes que Parsons passe a ser definitivamente marcada como uma reducionista de classe ou uma ativista pelos direitos dos Negros, é necessária mais investigação.

Uma exploração mais profunda em sua postura sobre o racismo pode começar com uma análise das alegações de Kelly e Ashbaugh a respeito do reducionismo em relação à dedicação de Parsons para forjar a consciência de classe. Para reiterar, Kelly explicou a postura de Parsons sobre o racismo como um reflexo de seu confinamento ao pensamento socialista ocidental. Ao fazer isso, Kelly deu a entender que o trabalho de Parsons dentro do movimento operário apenas a distanciava da opressão racial, que ela era incapaz de ver o poder opressivo do racismo. Ashbaugh acreditava que o reducionismo de Parsons deveu-se ao fato de que ela internalizou o racismo, a tal ponto que ela “negou a sua própria ancestralidade negra” e, assim, ficou incapaz de ver tanto a sua própria “opressão como uma mulher negra” quanto o papel do racismo na sociedade em geral.68 Essas explicações são, em grande parte, especulativas e, paradoxalmente, apesar de Kelly e Ashbaugh chegarem a mesma conclusão, um raciocínio contradiz o outro. É difícil imaginar que uma mulher de cor viva, no início do século XX, não podia ver ou sentir o racismo. Além disso, juntamente com o “Southern Lynchings”, uma exploração de dedicação de Parsons para forjar uma consciência de classe racialmente inclusiva demonstra que Parsons estava ciente do poder do racismo na sociedade em geral.

Ao longo da vida, Parsons se esforçou ativamente para construir uma identidade de classe comum entre todos os trabalhadores norte-americanos.69Muito antes do episódio da bomba de Haymarket, Parsons pediu às “massas para aprender que” os seus interesses estariam sempre em oposição à classe dominante.70 Parecia que a falta de apoio para a defesa dos líderes dosKnights of Labor, junto com divisões pré-existentes dentro do movimento operário e um medo geral de represálias, impediu o apoio unificado dos trabalhadores aos réus de Haymarket. Parsons se afastou das execuções, acreditando que só um movimento massivo baseado no interesse comum dos trabalhadores poderia desafiar com êxito o capitalismo. Assim, no sentido de incitar a formação de uma classe operária auto identificada na América, Parsons estava tentando fortalecer a única arma que ela acreditava realmente que poderia derrubar o capitalismo. Em 1907, depois que o líder da IWW, Bill Haywood, foi absolvido das acusações de conspiração para cometer assassinato, Parsons explicou que o sucesso da defesa foi porque “a classe operária era unida e ficou ombro a ombro”; e tornou-se consciência de classe ao reconhecer que a própria IWW, não só Haywood, era, na verdade, levada a julgamento.71

            Além disso, a sua visão de classe incluiu pessoas de todas as raças e etnias. Parsons abraçou organizações que se recusaram a participar de bode expiatório racial e rejeitavam políticas racialmente exclusivas. Em 1885, oIWPA declarou que não faria como outras organizações de trabalhadores tinham feito e “declarou o Chinês responsável pelas condições opressivas dos trabalhadores”, como o “IWPA nunca iria sentir que suas fileiras estavam completas se excluíssem trabalhadores de qualquer nacionalidade.”72 Parsons continuaria a defender um movimento trabalhista racial, inclusive, muito depois do desaparecimento das IWPAs. Falando antes do IWW, Parsons ressaltou a importância de formar uma solidariedade inclusiva entre os trabalhadores, lembrando o IWW que:

O fluxo vermelho que corre nas veias de toda a humanidade é idêntico… Não importa onde, seja nas planícies ensolaradas da China, ou no sol batendo nas colinas da África, ou nas margens distantes cobertas de neve do norte, ou na Rússia ou na América… todos eles pertencem à família humana e têm uma identidade de interesses.73

            Claramente, Parsons estava ciente que questões de raça dentro do movimento trabalhista americano poderiam ser poderosamente divisionistas. Na verdade, dialogando diretamente com problemas de racismo que assolaram o movimento operário, Parsons incentivou claramente o IWW a abraçar uma forma inclusiva da consciência de classe, não permitindo que a união fosse dividida em linhas raciais ou nacionais; assim como muitos outros sindicatos da época. Longe de ignorar raça, Parsons rejeitou a criação de organizações de trabalhadores exclusivamente raciais ou estratificados.

            Além disso, sua dedicação para forjar um movimento trabalhista racialmente inclusivo desafia a ideia de que ela havia internalizado o racismo. Em vez disso, ela reconheceu o poder de divisão do racismo e, junto com os outros fundadores do IWW, abraçou e incentivou a formação de uma consciência de classe racialmente inclusiva, que poderia atuar como um poderoso mecanismo contra o capitalismo.

            Explorar essa dedicação de Parsons para forjar uma consciência de classe racialmente inclusiva na América pode servir como um ponto de partida para uma análise da sua postura de raça. Na verdade, em termos comemorativos, incluir nomes e as celebrações do parque que leva o nome Parsons pode de fato estimular o movimento operário americano a adotar mais práticas e políticas raciais inclusivas. Ainda assim, deve-se ressaltar que a dedicação de Parsons para forjar uma classe trabalhadora racialmente unificada, autoconsciente, estava enraizada em seu desejo de fortalecer a escolha das armas contra o capitalismo – um movimento de trabalhadores em massa. Na realidade, implícita dentro de sua postura de oposição, incluindo a sua crítica ao poder de divisão do racismo, Parsons tinha o desafio de ter sua própria concepção para América como uma sociedade sem classes.74

Criando a Heroína Mítica

 

            Grande parte da controvérsia sobre a vida de Parsons tem resultado da remodelação inadequada e da criação de um ícone histórico. A história de Parsons foi influenciada pelas afiliações políticas e objetivos daqueles que a gravaram, e por aqueles que foram empenhados em criar um herói em sincronia com suas inclinações políticas específicas ou suas necessidades. No entanto, são possíveis várias formas de comemoração ou homenagem para Parsons sem alterar ou ignorar suas próprias palavras. Parsons pode ser facilmente celebrada como uma figura fundamental na criação e preservação de uma história alternativa de Haymarket. Ela pode ser vista como um herói trabalhador que rompeu com a tradição e defendeu racialmente (e gênero) a unidade da classe trabalhadora dos Estados Unidos – uma posição geralmente radical para esse período. No entanto, não é dada atenção suficiente a como e por que essa manipulação é tão prevalecente na historiografia de Parsons. Uma série de fatores influenciam a reformulação do seu legado. Ao explorar como e por que Parsons tem sido rotulada como uma ativista negra, feminista e comunista, as raízes dessa manipulação podem ser resolvidas na íntegra.

Muitos dos problemas associados com a rotulação de Parsons como Africano-Americana já foram discutidos, mas a atratividade desse rótulo garante mais discussão. Em sua rotulação como negra, torna-se possível se envolver com ela em um nível mais familiar. A incapacidade dos Estados Unidos de reconhecer suas divisões de classe fez das identidades raciais e étnicas uma área mais familiar no discurso. É mais fácil rotular Parsons em questões afro-americanas e, em seguida, discutir questões que confrontam figuras negras na história americana. Por exemplo, quando se compara Parsons com uma famosa anarquista branca, Emma Goldman, Ashbaugh argumenta que “Goldman pudesse estudar na Europa e viajar em meios educados”, mas a “pele escura” de Parsons impediram-na de tais oportunidades.75 Contudo, o registro histórico refuta tal argumento. Parsons foi calorosamente recebida ao falar em Londres, em 1888, pelo menos, nos meios radicais; e sua visita à Inglaterra é considerada um fator chave para levar muitos socialistas ingleses a abraçar completamente o anarquismo.76 Sua popularidade na Europa durou décadas. Enquanto escrevia The Liberator, um camarada de Paris lembrou Parsons de que ela ainda estava “bem conhecida na Europa” e que qualquer conselho que pudesse oferecer sobre os perigos do sindicalismo iria “fazer uma boa impressão” nas alas radicais parisienses.77 Claramente, Parsons poderia viajar pela Europa. Assim, nem todas as restrições típicas das mulheres negras afetaram Parsons. Em vez disso, uma comparação de classe e culturas constituintes serviria como melhores mecanismos para a compreensão de diferentes experiências de Parsons e Emma Goldman na Europa. Além disso, essa comparação exigiria que a comunidade acadêmica participasse mais plenamente com Parsons em um nível de classe.

            O legado de Parsons também foi transformado em história de uma heroína feminista. Especialmente nas arenas de memória pública, Parsons é rotineiramente chamada de feminista.78 Ao longo de sua vida, ela abordou muitas questões que as mulheres enfrentam. Ela se enfureceu contra as práticas corrosivas que pressionavam as mulheres para absorver empregos domésticos e incentivou as mulheres a abraçar o controle da natalidade.79Como uma mãe trabalhadora, Parsons acreditava que falava em nome de todas as mulheres que trabalhavam quando participou da fundação do IWW.80No entanto, seus esforços em nome das mulheres sempre fizeram parte de sua dedicação à luta de classes.81 Seu interesse pela libertação feminina manteve-se focado em questões que lhe foram mais diretamente ligadas ao trabalho e ao capitalismo. Parsons respondeu às anarquistas que defendiam maior liberdade sexual das mulheres, salientando que a rejeição das relações sexuais e familiares tradicionais poderia aumentar a opressão das mulheres que trabalhavam por removê-los da rede de segurança econômica da família.82 No entanto, com os escritos dispersos de Parsons sobre questões femininas, como prova, os historiadores revisionistas têm usado com sucesso o rótulo feminista para combater a visão de Parsons como uma viúva apaixonada. Contudo, o rótulo feminista também é problemático. Pode ainda prejudicar a exploração de sua dedicação à história de Haymarket, tornando difícil esquadrinhar as maneiras pelas quais o poder de Parsons foi positivamente derivado de sua posição como mulher e viúva. Além disso, tal como os termos dos direitos civis, o rótulo feminista tende a ser usado de maneiras que fundem ideias de Parsons com as ideias e objetivos do movimento das mulheres de 1960. Ao invés de usar o termo feminista, pode ser mais simples afirmar que Parsons foi uma heroína para todos os trabalhadores.

            A ideia de que Parsons foi membro do Partido Comunista é a identidade mais contestada e sem fundamento já colocada a seu respeito. A imagem de Parsons como uma comunista é apenas a criação de Ashbaugh. Escrevendo em 1976, no final de uma era de intelectualismo marxista, Ashbaugh afirmou que Parsons perdeu a fé no anarquismo no início de 1930; e, como o Communist Party USA (Partido Comunista dos EUA) cresceu em proeminência, ela tornou-se ativa na International Labor Defense, um grupo da frente comunista. Em 1927, Parsons foi eleita para o Comitê Nacional do ILD e, de fato, trabalhou em uma série de casos, incluindo o caso Scottsboro.83 No entanto, Ashbaugh, dando, então, um salto de fé, alega que, em 1939, Parsons entrou oficialmente para o Partido Comunista, mas não forneceu qualquer evidência sólida para essa afirmação. O Partido não registra a adesão de Parsons, seja na literatura promocional ou em seus registros. Em vez disso, Ashbaugh usou um trabalho de Parsons com o ILD e seus discursos antes das audiências comunistas como prova de filiação. Já se observou que o trabalho de Parsons com o ILD foi, antes de tudo, uma continuidade de seus esforços na defesa dos líderes trabalhistas vítimas da repressão. Os discursos de Parsons antes das audiências comunistas não indicam necessariamente que era um membro do partido, mas que ela estendeu a mão para uma organização que considerava eficaz no tratamento das questões trabalhistas.

            A presença de Parsons na história do comunismo americano expõe uma das principais formas de manipulação da sua história. Na década de 1920, o movimento anarquista americano foi praticamente dizimado por políticas governamentais anti-radicais. Na década de 1930, o Partido Comunista dos EUA foi a organização mais proeminente com foco em questões trabalhistas. Desde o caso Haymarket, Parsons professava uma ideologia radical simples: apenas uma sólida organização baseada em classes e que tivesse a atenção das massas e aceitado a natureza violenta da luta de classes poderia trazer o ideal revolucionário de uma sociedade livre.84 Parsons passou a vida se movendo de organização para organização, a fim de apoiar a associação com o forte poder revolucionário. Ela explicou, em 1930, que tinha “visto muitos movimentos de vir e ir” e havia “pertencido a todos aqueles movimentos”, mas que sempre fora “uma anarquista, porque o anarquismo [transporta] o próprio germe da liberdade em seu ventre.”85 Uma pequena lista de organizações em que Parsons trabalhou inclui o Socialistic Labor Party (Partido Socialista Trabalho), o IWPA, o Socialist Party (Partido Socialista), o IWW, o Syndicalist League of North America (Liga dos Sindicalistas da América do Norte) e oILD. Parsons, em um fluido movimento de organização para organização, enfraquece a afirmação de Ashbaugh.86

            Em vez de reconhecer a vontade de Parsons para trabalhar com uma ampla gama de organizações da classe trabalhadora, Ashbaugh introduziu algo semelhante a uma competição sobre quem poderia reivindicar Parsons. Por exemplo, a história documental de Gale Ahrens foi uma tentativa de resgatar Parsons “para o movimento anarquista.”87 Ao fazê-lo, Ahrens fornece ao anarquismo outro herói, mas faz pouco para desmistificar o legado de Parsons. Ao enfatizar suas próprias afiliações políticas e não reconhecer a dedicação de Parsons à criação de uma sociedade livre, superando suas lealdades institucionais, historiadores abriram a porta para o legado de Parsons ser destorcido para a história de um mero reformador social.

Por fim, deve-se salientar que essa mitologização de Parsons resultou na desvalorização e expurgação de seu compromisso revolucionário. A adesão de Parsons à ideia de “propaganda pela ação” praticamente desapareceu do registro histórico.88 Lidar com a história de Parsons e o anarquismo de promoção da ação direta, às vezes violenta, tem sido uma tarefa difícil para a esquerda norte-americana. Além disso, em um mundo pós-11 de Setembro, o discurso em torno do surgimento e méritos da violência revolucionária tem sido quase que totalmente limitado a sua repulsa. Tornou-se difícil para comemorar publicamente Parsons, embora reconhecendo sua dedicação à “propaganda pela ação”. No entanto, sua vida pode servir como um caso de estudo para a compreensão da relação entre as experiências de repressão e de crença na necessidade ou inevitabilidade da violência como um mecanismo para a mudança. Tal exploração nos permitirá visualizar as crenças de Parsons não como uma anomalia a ser esquecida em uma outra vida louvável, mas como um elemento central de uma ideologia radical profundamente influenciada pela experiência pessoal da repressão.

O Parque Lucy Elk Gonzales Parsons

            Em 07 de março de 1942, Lucy Parsons morreu quando sua casa pegou fogo, pondo fim há mais de 70 anos de trabalho incansável em nome da classe trabalhadora da América. Parsons deixou para trás um longo histórico de contribuições influentes para o radicalismo americano, mas o fogo e a remoção e supressão de seus registros pessoais pelas autoridades estaduais contribuíram para ocultar o seu legado.89

            Historiadores e funcionários públicos ainda sepultaram a influência de Parsons, moldando sua vida para caber nos interesses políticos e culturais atuais. Essa reformulação histórica está na raiz da criação de uma imagem heroica de Parsons que contradiz muitas de suas próprias crenças. Através do esforço para ver a vida de Parsons dentro do contexto de seu próprio tempo e retornando para muitos dos registros históricos disponíveis, é possível lidar com essas contradições e deixar brilhar uma nova luz sobre suas contribuições para o radicalismo americano. Parsons foi claramente a figura mais formativa no sentido de garantir que a história do caso de Haymarket seria lembrado e não fosse distorcida por aqueles no poder. Parsons usou essa história para educar líderes trabalhistas jovens da América a respeito do poder repressivo do Estado, bem com infundir no movimento operário uma indignação apaixonada. Além disso, Parsons acrescentou ao ideal americano de justiça, promovendo políticas de trabalho racialmente inclusivas que ajudaram a fortalecer a compreensão tradicionalmente fraca de classe na América.

Em maio de 2004, o conselho do Chicago Park District’s aprovou a proposta do Parque Lucy Elis Gonzales Parsons. As contribuições de Parsons para o radicalismo americano certamente merecem ser comemoradas, e o Parque Lucy Elis Gonzales Parsons pode servir como um poderoso local para tal comemoração, apesar de os pressupostos historicamente imprecisos que levaram a sua criação. Rodeado por um número de fábricas, em um bairro operário intocado pela especulação imobiliária, o cenário do parque Parsons é bastante apropriado.90 O parque poderia facilmente servir como um ponto de encontro de diversos grupos para se unirem em torno de suas causas comuns. O parque também oferece uma oportunidade para Chicago e América começarem a abraçar plenamente a sua história radical. O passado da América está cheio de lutas pela liberdade econômica, e nossa sociedade não é nutrida através da limitação de nossa celebração histórica para o movimento dos direitos civis e de outras lutas que têm sido, muitas vezes, domadas em sua releitura.

Naturalmente, a verdadeira questão não é quem foi a heroica Lucy Parsons, mas como podemos aprender com sua luta e como sua história pode proporcionar uma melhor compreensão do radicalismo americano. Mais importante ainda, o Parque Parsons deve servir como um lembrete de que a história que encontramos em uma placa ou espremido em listas de heróis foi certamente influenciada pelo presente. A formação do legado de Parsons para atender às necessidades de um governo da cidade, relutante ou incapaz de celebrar diretamente sua história anarquista, nos ensina que histórias de banco de parque nunca devem ser vistos como a história completa, mas deve servir como ponto de partida para um estudo mais profundo.

A pesquisa sobre a vida de Parsons está apenas começando. Com uma compreensão de como e por que sua história tem sido deformada, existe uma oportunidade inestimável para cavar ainda mais os registros, em uma tentativa de desmistificar sua vida. Existem áreas inteiras de sua vida, especialmente na era da Primeira Guerra Mundial e na década de 1920, que estão em falta, a partir do registro histórico, e devem ser exploradas.

A história Lucy Parsons é mais ampla e mais complexa do que sua condensação em uma biografia ou do que um pequeno livro de fontes documentais pode capturar. Estudos sobre Parsons e o radicalismo em geral, não podem ser considerados finais – como ela mesma salientou:

“Nada é considerado tão verdadeiro ou tão certo, que as descobertas futuras não possam prová-lo falso.”91

 

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1 Sou grato a S. Kashdan que corrigiu e comunicou este artigo.

2 PARSONS, Lucy. “The Moving Inspiration of our Age,” The Agitator, 15 de Novembro de 1911, em Ahrens, ed. ____: Freedom, Equality and Solidarity(FES).p. 136.

3 Albert Parsons foi formalmente acusado e cúmplice por cometer assassinato. AVRICH, Paul. The Haymarket Tragedy. p. 272.

4 “`Plan to Name Park after Anarchist Draws Fire,” Chicago Sun-Times, 22 de Março 2004, 7; “Daley Backs Plan to Name Park after Anarchist,” Chicago Sun-Times, 24 de Março 2004, 17. Tem sido muito aceito que Lucy e Albert Parsons não tiveram nenhum papel direto nos atentados de 1886. Para uma sinopse sobre a natureza injusta do julgamento veja, o perdão de Neebe, Fielden e Schwab do governador Altgeld; vindicação dos mártires de Chicago de 1887.

5 A melhor consideração do atentado é de Avrich, The Haymarket Tragedy.

6 “Park Plan Upsets Chicago Cops”, Chicago Tribune, 22 de Março 2004

7 De acordo com Ashbaugh, “Parsons afirmou ser uma ‘anarquista’, quando o título foi fixado nela pela imprensa burguesa”. PARSONS, Lucy. American Revolutionary. p. 201. Alguns historiadores têm o mesmo modo, buscou reformar visualizações dos Mártires para atender suas próprias predileções.

8 AHRENS, “Lucy Parsons: Mystery Revolutionist More Dangerous than a Thousand Rioters,”. p. 19-20.

Em: MCKEAN, Jacob. A Fury for Justice Lucy Parsons and the Revolutionary Anarchist Movement in Chicago. Tese sênior, 2006.

9 Albert Parsons, “Auto-Biography” em The Life of Albert Parsons, Lucy E. Parsons, ed., 9.

10 ASHBAUGH. Lucy Parsons. p. 268.

11 AVRICH. The Haymarket Tragedy. p. 9-10.

12 ASHBAUGH, Lucy Parsons. p. 267.

13 “The Mayor Testifies”, Chicago Tribune, 3 de Agosto 1886, p.1.

14 “Parsons Dusky Bride”, Chicago Herald, 18 de Setembro 1886, p. 1.

15 “Mrs. Lucy E. Parsons Her Fisrt Address in London at A Welcome Extended Her on Arrival”, The Alarm, 9 de Dezembro 1888, p. 1.

16 “Invoking the Law”, Chicago Times, 9 de Maio 1886, p. 2; “Lucy Parsons Talks”. New York Times, 16 de Outubro 1886, p. 5; “Their Last Night”, Los Angeles Times, 11 de Novembro 1887, p; 5; “Philadelphia Anarchists Mrs. Parsons Appealing for the Chicago Anarchists”, New York Times, 1 de Novembro 1886, p. 1; “Biographical Parsons”, Chicago Times, 7 de Maio 1886, p. 3. Deve ser notado que as descrições raciais de Parsons encontrados em jornais são quase sempre ligados a uma maior tentativa de demonizar ela. Por exemplo, o Chicago Times de 9 de maio de 1886 descreve o bronzeado mulato de Parsons é acompanhada pela acusação de que seus “lábios grossos, pequena, olhos brilhantes e expressão sinistra” eram prova de sua vontade de beber o sangue de crianças dos ricos.

17 “The Mayor Testifies”, Tribune, 3 de Agosto 1886.

18 De fato, “Lucy Parsons was Black” são as primeiras quatro palavras da biografia de Ashbaugh.

19 Roxanne Dunbar-Ortiz, “One Infallible, Unchageable Motto: Freedom’ Reflections on the Anarchism of Lucy Parsons,” em FES, p. 169. Dunbar-Ortiz tenta preencher a lacuna, alegando que Parsons era de misto negro, do México, e ascendência indígena. Marion Tinling, Women Remembered: A guide to Landmarks of Women’s History in the United States (Greenwood Press, 1986, 479), refere-se a Parsons como “um negro de pele clara.” De acordo com ROBIN, D.G. Kelly. Freedom Dreams: the Black Radical Imagination. Beacon Press, 2002. p. 41. Parsons era “a mulher negra mais proeminente radical do final do século XIX”.

20 Ver, por exemplo, o site da African American Registry.

21 GREEN, James. Death in the Haymarket.

22 AVRICH. Haymarket Tragedy, p. 21-25.

23 GREEN, p. 85.

24 GREEN, p. 77.

25 PARSONS, Lucy. “The Principles of Anarchism”, 1905, p. 29.

26 PARSONS, Lucy. “On the ’Harmony’ Between Capital and Labor or the Robber and the Robbed”. The Socialist, 7 de Setembro de 1878, p. 40.

27 AVRICH. The Haymarket Tragedy, p. 131.

28 “To the Workingmen of America”, The Alarm, 4 de Outubro de 1884, p. 3.

29 PARSONS, Lucy. “The Principles of Anarchism”, 1905, p. 32.

30 PARSONS, Lucy. “A Word to Tramps”. The Alarm, 4 de Outubro de 1884, p. 1.

31 AVRICH. The Haymarket Tragedy, p. 105.

32 De acordo com AVRICH (202), o discurso de Albert Parsons foi “surpreendentemente temperado” em comparação com seus discursos anteriores.

33 AVRICH. The Haymarket Tragedy, xi. **Jeffory A. **Clymer, America’s Culture of Terrorism, p. 33.

34 PARSONS, Lucy. “The Haymarket Meeting: A Graphic Description of the Attack on that Peaceable Assembly”. 10 de Maio 1886, p. 53.

35 PARSONS, Lucy. “Challenging the Lying Monopolistic Press”, 11 de Outubro 1886, p. 56.

36 The Alarm, 17 de Dezembro 1887, p. 4.

37 PARSONS, Lucy. “Author’s Note”. In: The Life of Albert Parsons, p. xxx.

38 PARSONS. “To Lovers of Liberty”, Mãe Terra 4, n. 9 (Novembro 1909): 303; Lucy Parsons, ed., The Famous Speeches of Our Martyrs.

39 PARSONS. “November 11: Fifty Years Ago”. One Big Union Monthly, Novembro 1937, p. 165.

40 PARSONS, “Speeches at the Founding Convention of the Industrial Workers of the World”, 28 de Junho 1905, p. 85; “The Proposed Slaughter”,The Liberator, 4 de Março 1905, 1; “The Haywood Trial and the Anarchist Trial”. The Demonstrator, 4 de Setembro 1907, p. 130.

41 PARSONS. “Letter to Tom Mooney”, 11 de Junho 1936, p. 162; Parsons para Eugene V. Debs, 12 de Março 1926, em: CONSTANTINE. J. Robert. Letters of Eugene. University of Illinois Press, 1990. p. 557-558.

42 PARSONS. “Letters to the Editor”. Freedom, Dezembro 1933, p. 6.

43 PARSONS. “Forward”. Em: CALMERS. Labor Agitator. International Publishers, 1937, p. 5

44 DAVID. The History of the Haymarket Affair, p. 476.

45 ASHBAUGH, p. 6.

46 AHRENS, “Lucy Parsons: Mystery Revolutionist, More Dangerous Than a Thousand Rioters,” p. 12.

47 SCHAACK. Anarchy and Anarchists.

48 Anarchy at an End

49 AVRICH. The Haymarket Tragedy, p. 440.

50 PARSONS, Lucy. “The Great Conspiracy all Capitalist Lies”. The Liberator, 11 de Novembro de 1905, p. 1.

51 Por exemplo, em outubro 1905 Parsons escreveu vários artigos sobre “Mulheres Famosas na História”, que incluiu um longo artigo sobre revolucionária francesa. MICHEL, Louise. The Liberator, 29 de outubro de 1905, p. 1. The Liberator também demonstra que o interesse Parsons não se limitaram a história radical. Por exemplo, um recurso de longa duração foi “The Wonders of Science” da série, que se concentrou em questões científicas que variam de exploração da Antártica para Crater Lake de Oregon. The Liberator, 8 de outubro de 1905, 3; 10 de dezembro de 1906, 3.

52 PARSONS, Lucy. “Speeches at the Founding Convention of the Industrial Workers of the World”, 28 de Junho de 1905, p 85; “I’ll be Damned if I Go back to Work under Those Conditions! A May Day Speech,” p. 155.

53 PARSONS, Lucy. “The Haymarket Meeting: A Graphic Description of the Attack on that Peaceable Assembly”, p. 53.

54 FLYNN. I Speak My Own Piece, p. 70.

55 “The Haywood Trial and the Anarchist Trial”. The Demonstrator, 4 de Setembro de 1907, p. 129.

56 CLYMER. America’s Culture of Terrorism, p. 6. Para uma discussão mais ampla sobre como o significado do lance da bomba de Haymarket foi criado e utilizado pelo Estado, ver CLYMER, p. 33-68.

57 PARSONS, Lucy. “The Eleventh of November, 1887”, 1912, p. 141-142.

58 “November 11: Fifty Years Ago,”One Big Union Monthly, p. 163-164.

59 “Speeches at the Founding Convention of the Industrial Workers of the World”, 28 de Junho 1905, p 85.

60 “Plan to Name Park after Anarchist Draws Fire,” Chicago Sun-Times, 22 de Março 2004, 7.

61 “The Negro: Let Him Leave Politics to the Politician and Prayers to the Preacher”. The Alarm, 3 de Abril 1886, 2.

62 KELLY. Freedom Dreams, p. 42.

63 ASHBAUGH. Lucy Parsons, p. 66.

64 LOWNDES, Joe Lowndes. “Lucy Parsons (1853-1942): The Life of an Anarchist Labor Organizer”. Free Society 2:4, 1995, Internet.

65 “Southern Lynchings”. Freedom, 1892, p. 70.

66 “One Infallible, Unchangeable Motto: Freedom’ Reflections on the Anarchism of Lucy Parsons”, p 181.

67 Em 1934, Parsons explicou que ela “passou a trabalhar para a International Labor Defense, porque” ela “queria fazer algo para ajudar a defender as vítimas do capitalismo”, não fazendo qualquer referência ao racismo. Lucy Parsons para Carl Nold, 27 de Fevereiro 1934, p 161.

68 ASHBAUGH. Lucy Parsons, p 66.

69 Os artigos a seguir demonstram longa dedicação de Parsons para forjar a consciência de classe através da educação dos trabalhadores em seus interesses comuns como produtções: “On the ’Harmony’ between Capital and Labor Or, the Robber and the Robbed”. The Socialist, 7 de Dezembro 1878, p 39-40. “The ’Scab’ a Result of Conditions.” Freedom, Agosto 1892, p 73; “Are Class interests Identical? A Synopsis of the Aims and Objects of the Industrial Workers of the World.” The Liberator, 3 de Setembro 1905, p 1; “Workers and the War.” The Agitator, 12 de Fevereiro, 1917, p 151.

70 “On the ’Harmony’ Between Capital and Labor,” p. 40

71 PARSONS, Lucy. “The Haywood Trial and the Anarchist Trial.” The Demonstrator, 4 de Setembro 1907, p 129-130.

72 GRIFFIN. “Union of ’Black’ and ’Red.” The Alarm, 26 de Dezembro 1885, p 4.

73 “Speeches at the Founding Convention of the Industrial Workers of the World,” 28 de Junho 1905, p 83

74 Parsons acreditava que um dos maiores problemas enfrentados pelos trabalhadores americanos era a crença generalizada de que “não havia classes” na América. Assim, ela se esforçou para educar os trabalhadores sobre seus interesses de classe, a fim de desmascarar concepções míticas da liberdade americana. Parsons, “Are Class interests Identical? A Synopsis of the Aims and Objects of the Industrial Workers of the World.” The Liberator, 3 de Setembro 1905, p. 1.

75 ASHBAUGH, p. 200.

76 QUAIL, John. The Slow Burning Fuse: The Lost History of the British Anarchists. Paladin, 1978, p 82. Para uma quente introdução ver “Mrs. Parsons in London.” The Alarm, 1 de Dezembro 1888, p. 2.

77 CUSAS, Lawrence. “Correspondence.” The Liberator, 10 September 1905, p 3.

78 Veja a LucyParsonsProject.org’s “About Lucy Parsons”, onde ela é chamada de “feminista proeminente” e “pioneira dos direitos civis.” Aparentemente Julia Bachrach, historiadora da Chicago Parks Division, considera Parsons uma sufragista, uma afirmação completamente anulada pela rejeição de longa data de Parson da política eleitoral. ROSENFELD, KATHRYN. “Looking for Lucy (in all the Wrong Places)”. Social Anarchism , 28 de Junho 2006,WorldWide Web

79 “Working Women.” The Socialist, 1 February 1879, p. 42-43; “The Women Question Again.” The Liberator, 3 de Outubro 1905, p 1.

80 “Speeches at the Founding Convention of the IWW,” 28 de Junho 1905, p. 79.

81 Por exemplo, Parsons estava disposto a defender a entrada das mulheres no mercado de trabalho apenas se as mulheres se recusassem a aceitar “salários mais baixos do que os humilhados pelos homens.” Se as mulheres aceitassem salários tão baixos ela acreditava que o trabalho das mulheres só seria um “prejuízo… [para] as suas colegas de trabalho.” “Woman: her Evolutionary Development.” The Liberator, 10 de Setembro 1905, p 2

82 Parsons destacou ainda que a discussão sobre a liberdade sexual feminina, referido na época como “variedade” sexual, foi dominada por homens. “Comrade Lucy Parsons Writes.” The Firebrand, 14 de Fevereiro 1897, p. 6. Dunbar-Ortiz situa Parsons dentro da história do feminismo americano, mas com cuidado articula a natureza baseada em classes de trabalho de Parsons para as mulheres. “One Infallible, Unchangeable Motto: Freedom’ Reflections on the Anarchism of Lucy Parsons,”, p. 171-174.

83 ASHBAUGH. Lucy Parsons, p 251

84 Parsons refere-se a isso como “anarquismo de velha escola.” Em 1907, Parsons acreditava anarquistas tinham abandonado a ideia de uma “organização” construída de “membros” responsáveis por “pagar dívidas mensais e recolher fundos para propaganda”, destinada a grande ideal de uma sociedade livre. Ver “A Wise Move: on Anarchist Organization.” The Demonstrator, 6 de Novembro 1907, p. 131.

85 “I’ll be Damned if I Go back to Work under Those Conditions! A May Day Speech,” p. 156-157.

86 Paradoxalmente, Ashbaugh reconhece que Parsons não se importava, “sob cujos auspícios ela trabalhava”, enquanto ela trabalhava para a “classe trabalhadora”. No entanto Ashbaugh ainda indefensável declara-lhe um membro do Partido Comunista. PARSONS, Lucy, p. 256.

87 FLOOD, Andrew. “Review of Lucy Parsons: Freedom, Equality and Solidarity.” 5 de Maio 2005.

88 Por exemplo, em sua introdução biográfica, Ahrens dedica um único parágrafo para a crença de Parsons na violência revolucionária, dando amplo espaço para a participação de Parsons no Fórum da Sociedade de Antropologia de Chicago. “Lucy Parsons: Mystery Revolutionist”, p. 13, 17-19.

89 Quando os amigos foram para recuperar a extensa biblioteca de Parsons do entulho foi dito pela polícia de Chicago que tinha sido tomada por um agente do FBI. No entanto, nenhuma agência já admitiu ter recebido a biblioteca de Parsons e seus papéis nunca foram encontrados. ASHBAUGH, p. 266.

90 ROSENFELD. “Looking for Lucy…,” Social Anarchism. p. 37.

91 “The Principles of Anarchism,” 1905, p. 30.

 Trabalhos Citados

AHRENS, Gale. Lucy Parsons: Freedom, Equality and Solidarity: Writings and Speeches, 1878-1937. Charles H. Kerr, 2004.

 Anarchy at an End. Lives, Trial and Conviction of the Eight Chicago Anarchists: How they Killed and What They Killed with: a History of the Most Deliberate Planned and Murderous Bomb Throwing of Ancient or Modern Times: the Eloquent and Stirring Speeches of the Attorneys for the Defense and Prosecution, with the Able Charge of Judge Gary to the Jury: Seven Dangling Nooses for the Dynamite Fiends. Hastings Library, California; Chicago: G.S. Baldwin, 1886. text-fiche.

 ASHBAUGH, Carolyn. Lucy Parsons: American Revolutionary. Charles H. Kerr, 1976.

 AVRICH, Paul. The Haymarket Tragedy. Princeton University Press, 1984.

 CLYMER, Jeffory. A. America’s Culture of Terrorism: Violence, Capitalism, and the Written Word. University of North Carolina Press, 2003.

 DAVID, Henry. The History of the Haymarket Affair: A Study of the American Social-Revolutionary and Labor Movements. Russell and Russell, 1936.

 GREEN, James. Death in the Haymarket: a Story of Chicago, the First Labor Movement and the Bombing That Divided Gilded Age America. Pantheon, 2006.

 Governor Altgeld’s Pardon of Neebe, Fielden and Schwab; Vindication of the Chicago Martyrs of 1887: Parsons, Spies, Fisher; Engel and Ling. New York Labor News Co, 1906.

 FLYNN, Elizabeth Gurley. I Speak My Own Piece: Autobiography of “the Rebel Girl.” Masses and Mainstream, 1955.

 MCKEAN, Jacob. “A Fury for Justice: Lucy Parsons and the Revolutionary Anarchist Movement in Chicago.” Senior thesis, 2006.

 PARSONS, Lucy. Life of Albert Parsons with Brief History of the labor Movement in America. Chicago: by the author, 1889.

 _____. Twenty-fifth anniversary, eleventh of November, memorial edition. Souvenir ed. of the famous speeches of our martyrs delivered in court when asked if they had anything to say why sentence of death should not be passed upon them, Oct. 7, 8, and 9, 1886. Nov 11, 1887-1912. Chicago: by the author, 1912.

 ROEDIGER, Dave and Franklin Rosemont (eds.). Haymarket Scrapbook. Charles H. Kerr, 1986.

 SCHAACK, Michael J. Anarchy and Anarchists. A History of the Red Terror and the Social Revolution in America and Europe. Communism, Socialism, and Nihilism in Doctrine and in Deed. The Chicago Hay-market Conspiracy, and the Detection and Trial of the Conspirators. F.J. Schulte, 1889.

 QUAIL, John. The Slow Burning Fuse: The Lost History of the British Anarchists. Paladin, 1978

 Newspapers: The Alarm, 1885-88; Chicago Herald, 1886; Chicago Times, 1886; Chicago Tribune, 1886; The Liberator, 1905-06.

[FAG] 19 ANOS DA FAG – Não tá morto quem peleia!!!

Retirado de: http://www.federacaoanarquistagaucha.org/?p=1041

19 anos

Há 19 anos um grupo de companheiros/as escolheu fazer parte da construção de um projeto político de cores rubro negra, em que a defesa das liberdades coletivas fosse condição essencial para a forja de um socialismo sem privilégios e dominações de qualquer tipo. Um projeto que, não sendo novo, se colocava como um imenso desafio para aquela geração de jovens que, órfãos de referências diretas em nosso país, buscava referências nos muitos anos de luta e experiência de organização sindical e popular dos irmãos da banda oriental organizados na fAu (federação Anarquista uruguaia).

Não que as experiências de luta e de organização do anarquismo no Brasil não fossem ricas por si só. Mas pesou muito o fato de que a geração de militantes que de alguma forma vivenciaram na carne as experiências de organização dos trabalhadores até os anos 50 do século XX não estivesse mais viva para contribuir na formulação das respostas aos anseios daqueles e daquelas que nos inícios dos 90 queriam se organizar para retomar o vetor social do anarquismo.

Organização para dar conta não apenas do estudo teórico e doutrinário de nossa ideologia, mas que pudesse responder aos desafios cotidianos da inserção anarquista no meio sindical, estudantil, comunitário, agrário e popular. Uma organização que pudesse articular essas diversas experiências de luta e organização dos de baixo no âmbito de uma perspectiva estratégica em que os oprimidos possam ser protagonistas da transformação social, sem vanguardas auto-eleitas dando ordens sobre o que fazer. Naquela época, foi a organização política específica dos anarquistas (o especifismo) que se colocou como a melhor resposta a esse anseio e, passados 19 anos, acreditamos que o anarquismo especifista continua sendo uma boa ferramenta para nossa organização enquanto militantes anarquistas. Uma escola de vida e militância libertária que é, para nós do Rio Grande do Sul, a Federação Anarquista Gaúcha – FAG. São 19 anos buscando enxertar verdades novas no tronco das velhas verdades fundamentais como dizia o companheiro anarquista italiano Camillo Berneri.

São 19 anos germinando um mundo novo em nossos corações e construindo um homem novo (diríamos um sujeito novo) como falava o anarquista espanhol Durruti e o revolucionário latino americano Che Guevara. São 19 anos estudando e se inspirando nas experiências de luta de mulheres e homens de todas as partes do mundo que muito antes de nós já estavam no labor cotidiano de erguer uma nova sociedade em cima dos escombros da velha sociedade capitalista. Não esquecemos de Lucy Parsons, Mikhail Bakunin, Louise Michel, Errico Malatesta, J. Proudhon, Anselmo Lorenzo, Voltairine Cleyre, P. Kropotkin, Elena Quinteros, Gerardo Gatti, José Oiticica, Polidoro Santos, Edgar Leuenroth, Emma Goldman, Alberto Mechoso, Maria Canária, Leon Duarte, Espertirina Martins, Nicola Sacco, Bartolomeu Vanzetti, os Mártires de Chicago, Neno Vasco, Domingo Passos e de tantas outras companheiras e companheiros (da nossa matriz e de outras matrizes da esquerda combativa) que de alguma forma plantaram sementes de Socialismo e Liberdade.

É pela memória dessa companheirada que seguimos nos organizando e lutando, desde o lugar que nos toca atuar e junto aos homens e mulheres que dia a dia constroem através de seu suor e trabalho essa sociedade.

19 anos de luta pelo Socialismo e pela Liberdade!

Viva a Federação Anarquista Gaúcha!

Viva a Anarquia!

[CAB] Saudações internacionalistas ao primeiro de maio, do luto à luta!

Saudações internacionalistas ao primeiro de maio, do luto à luta!

 Companheiras e companheiros da Federação Anarquista Uruguaia, a Coordenação Anarquista Brasileira vem, com esta mensagem, saudar o dia Internacional de Memória e Luta dos Trabalhadores e Trabalhadoras.

O ano que se passou foi particularmente importante para nós, anarquistas e trabalhadores e trabalhadoras da Coordenação Anarquista Brasileira. Com ele, ressurgiram manifestações massivas que tomaram as cidades brasileiras de norte a sul. Essas manifestações encheram de esperança a luta popular e apontaram os limites de um projeto de dominação e de expansão do capital que oprime e massacra as/os de baixo. Esse projeto se apresenta hoje de maneira cruel, com seus efeitos nefastos. Mata trabalhadoras e jovens negros nas favelas e periferias, impõe o terror dos latifundiários no campo e contra os povos indígenas e quilombolas, e, ainda, reprime brutalmente os que resistem. É esse projeto que também implementa as remoções de ocupações urbanas em várias cidades brasileiras, que aumenta a exploração do trabalho e tenta vender a imagem de que o “Brasil é um gigante que vai bem”.

Porém, nós, os e as de baixo, sabemos que para os trabalhadores e trabalhadoras nada vai bem! Sabemos que os lucros da Copa do Mundo de futebol e das Olímpiadas, que serão realizados no Brasil, estão sendo produzidos sobre a exploração e repressão. E que os grandes empresários estão sendo beneficiados com o suor dos verdadeiros produtores da riqueza.

Cabe lembrar, nesta data, que os projetos de dominação no nosso continente não são novos. Nesse mês e nesse ano, a ditadura empresarial-militar (apoiada por alguns setores civis) implementada no Brasil com o golpe de 1964 fez exatos 50 anos. 50 anos em que a classe dominante, com a ação decisiva dos militares, colocou o Brasil numa noite escura que durou vinte e um anos. Somos filhos dessa história, que, em seu fio condutor, encontra a luta de lutadores e lutadoras em diversos momentos históricos de resistência.

 Conscientes do papel do anarquismo na luta popular e em nossa América do Sul, nós da Coordenação Anarquista Brasileira reforçamos aqui a solidariedade e os laços de organicidade com nossas companheiras e companheiros da FAU. Porque sabemos que a globalização do capital encontrará punhos forte e fechado da internacionalização de nossa luta. Para que não se repitam mais tragédias do capital.

Para que a memória dos Mártires de Chicago seja lembrada para sempre como um dia de luta!

Aos Mártires de Chicago e a todos e todas que se foram combatendo as ditaduras do capital de ontem e de hoje, fica nosso recado: NENHUM MINUTO DE SILÊNCIO, MAS TODA UMA VIDA DE LUTA!

Viva o Primeiro de Maio!

Viva o Internacionalismo dos Trabalhadores e das Trabalhadoras!

Viva a FAU!

Vivam os Mártires de Chicago!

Coordenação Anarquista Brasileira (CAB)

Saludos internacionalistas al Primero de Mayo, del luto a la lucha!

Compañeras y compañeros de la Federación Anarquista Uruguaya, la Coordinación Anarquista Brasilera viene, a través de este mensaje, saludar el dia Internacional de La Memória y de Lucha de los Trabajadores y Trabajadoras.

El año que se pasó fué particularmente importante para nosotros, anarquistas y trabajadores y trabajadoras de la Coordinación Anarquista Brasilera. Con el, manifestaciones masivas ha resurgido que tomaron las ciudades brasileras de norte a sur. Estas manifestaciones llenaron de esperanza a la lucha popular y señalaron los límites de un proyecto de dominación y de expansión del capital que oprime y masacra a los/las de abajo. Este proyecto se presenta hoy de una manera cruel, con sus efectos adversos. Mata a las trabajadoras y jóvenes negros en las favelas y periferias, impone el terror de los terratenientes en el campo y en contra los pueblos indígenas y quilombolas (afrodescendientes), y no más, reprime brutalmente a los que aún resisten. Es este el proyecto que también lleva a cabo el translado de ocupaciones urbanas en varias ciudades brasileras, que solo aumentan la explotación del trabajo y intenta vender la imagen de que “Brasil es un gigante que va bien”.

Sin embargo, nosotros, los y las de abajo, sabemos que para los trabajadores y trabajadoras nada va bien! Sabemos que los lucros de la Copa del Mundo de fútbol y los Juegos Olímpicos, que se celebrará en Brasil, se están produciendo sobre la explotación y la represión. Y que los grandes empresários se benefician con el sudor de los verdaderos productores de la riqueza.

Vale a pena recordar, en esta fecha, que los proyectos de dominación en nuestro continente no son nuevos. En este mes y neste año, la dictadura empresarial-militar (con el apoyo de algunos sectores civiles) implementada en Brasil con el golpe de 1964 hizo exactamente 50 años. 50 años en que la clase dominante, con la acción decisiva de los militares, puso Brasil en una noche oscura que duró veintiún años. Somos hijos de esta historia, que en su hilo, encuentra la lucha de las/los que pelean en diversos momentos historicos de resistencia.

Concientes del papel del anarquismo en la lucha popular y en nuestra Sudamérica, nosotros de la Coordinación Anarquista Brasilera reforzamos acá la solidaridad y los lazos de organicidad con nuestras compañeras y compañeros de la FAU. Porque sabemos que la globalización del capital encontrará puños fuertes y cerrados de la internacionalización de nuestra lucha. Para que no se repitan más tragedias del capital.

Para que la memoria de los Mártires de Chicago sea recordada para siempre como un día de lucha!

A los Mártires de Chicago y a todos y todas que se fueron combatiendo las dictaduras del capital de ayer y de hoy, queda nuestro mensaje: NINGÚN MINUTO DE SILENCIO, PERO TODA UNA VIDA DE LUCHA!

¡Viva el Primero de Mayo!

¡Viva el Internacionalismo de los Trabajadores y de las Trabajadoras!

¡Viva la FAU!

¡Vivan los Mártires de Chicago!

Coordinación Anarquista Brasilera (CAB)